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78. A PSICANÁLISE VERMELHA VOL. 1 (2025) MATTANÓ.
78. A PSICANÁLISE VERMELHA VOL. 1 (2025) MATTANÓ.

78. A PSICANÁLISE VERMELHA VOL. 1 (2025) MATTANÓ.

 

Obras Completas de Sigmund Freud numa releitura de Osny Mattanó Júnior

 

 

 

 

A Psicanálise Vermelha

 

 

VOLUME 1

(2025)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

08/08/2025

Primeiros ensaios exclusivos

 

Prof. Pesq. Osny Mattanó Júnior

 

 

 

 

 

 

 

VOLUME I

(2018)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

08/08/2025

Publicações pré-Psicanalíticas e esboços inéditos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOLUME I

(1886-1899)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dr. Sigmund Freud

 

 

PREFÁCIO GERAL DO EDITOR INGLÊS

 

(1) O OBJETIVO DA STANDARD EDITION

 

O material contido nesta edição está indicado por seu título - Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud; contudo, seria conveniente que eu começasse por indicar mais explicitamente seu conteúdo. Meu objetivo foi incluir nesta edição a totalidade dos escritos psicológicos publicados de Freud - isto é, tanto os psicanalíticos como os pré-psicanalíticos. Não se incluem aqui os numerosos trabalhos de Freud sobre as ciências físicas publicados durante os primeiros quinze anos, mais ou menos, de sua atividade produtiva. Fui bastante liberal quanto ao critério de seleção adotado, pois encontrei lugar para dois ou três trabalhos elaborados por Freud imediatamente após seu regresso de Paris, em 1886. Estes, que abordam principalmente a histeria, foram escritos sob a influência de Charcot, quase sem nenhuma referência aos processos mentais; mas constituem uma verdadeira ponte entre os trabalhos neurológicos e psicológicos de Freud.

A Standard Edition não inclui a correspondência de Freud. Esta tem enorme extensão e apenas algumas seleções relativamente pequenas foram publicadas até o momento. Com exceção das ‘Cartas Abertas’ e de algumas outras, publicadas com o consentimento de Freud durante sua vida, minha exceção principal a essa regra geral está representada pela correspondência que Freud manteve com Wilhelm Fliess no correr da parte inicial de sua carreira. Essa correspondência é de tão vital importância para a compreensão dos pontos de vista de Freud (e não só dos seus pontos de vista iniciais) que grande parte dela não poderia ser rejeitada. Por conseguinte, o primeiro volume da edição contém o Projeto de 1895 e a série de ‘’Rascunhos’’ remedidos por Freud a Fliess entre 1892 e 1897, bem como as partes das cartas que possuem interesse científico explícito.

A Standard Edition também não contém quaisquer relatos ou sumários, publicados nas revistas da época, das muitas conferências e artigos de Freud apresentados, nos primeiros tempos de sua carreira, em reuniões de diversas sociedades médicas de Viena. Aqui, as únicas exceções são os raros casos em que o relato foi feito ou revisado pelo próprio Freud.

Por outro lado, a Standard Edition encerra todo o conteúdo das Gesammelte Werke (a única edição alemã quase completa), além de uma série de trabalhos que ou vieram a lume após a conclusão das Gesammelte Werke, ou foram, por motivos vários, omitidos por seus organizadores. Também pareceu imprescindível incluir, no Volume II, a participação de Josef Breuer nos Studien über Hysterie, que foi deixada de fora em ambas as edições alemãs coligidas.

 

O RELEITOR ( MATTANÓ):

O trabalho agora é do autor, Osny Mattanó Júnior, que realça suas Novas Teorias e Epistemologias Psicológicas Mitológicas a fim de contribuir com uma nova edição da psicanálise freudiana, agora mattanoniana.

 

 

A Psicanálise Vermelha entende que comunismo é uma ideologia que propõe a eliminação da propriedade privada e das classes sociais, visando a construção de uma sociedade igualitária e que isto modela o comportamento e marca o inconsciente das pessoas, além de construir relações sociais. Neste sistema, todos os bens e recursos são coletivos, e a produção é distribuída de acordo com as necessidades de cada indivíduo. O comunismo, conforme descrito por Karl Marx, busca uma sociedade sem Estado, onde a exploração do trabalho é abolida e todos têm acesso igualitário ao trabalho e à riqueza produzida. Vemos que o risco aqui é uma institucionalização da personalidade, uma tipificação dos valores e até uma forma de lavagem cerebral sobre os seus interlocutores, de modo que se construa um padrão social sombrio e pouco identificável, pouco discriminável, já que não existem diferenças.

Socialismo:

O socialismo, por outro lado, é um sistema que busca abolir as desigualdades sociais e garantir justiça social, mantendo a propriedade social ou estatal dos meios de produção. Ao contrário do comunismo, o socialismo pode coexistir com instituições estatais fortes e elementos de mercado. O socialismo é visto como uma fase de transição que pode levar ao comunismo, onde o Estado ainda desempenha um papel na gestão da economia e na promoção da igualdade. Vemos que o socialismo desempenha o função de modelo ou de aproximação sucessiva de um sistema que visa abolir as desigualdades sociais e garantir a justiça social, assegurando a propriedade social ou estatal dos meios de produção, pois trata-se, ele, de uma transição para o comunismo onde impera um padrão sombrio, marcado pela ausência de diferença e de significado, bem como de sentido, onde o poder e a liberdade faraônica concentra-se na extinção do Estado.

Diferenças Principais

Propriedade: No comunismo, não há propriedade privada; todos os bens são comuns. No socialismo, a propriedade privada pode existir, mas os meios de produção são coletivos ou estatais.

Estado: O comunismo visa a extinção do Estado, enquanto o socialismo aceita a presença do Estado como um meio para alcançar a igualdade.

Distribuição: No comunismo, a distribuição é feita segundo as necessidades; no socialismo, é feita de acordo com a contribuição de cada um.

Relação entre Comunismo e Socialismo

O comunismo é frequentemente visto como a etapa final do socialismo. Enquanto o socialismo é um estágio de transição que busca a igualdade, o comunismo representa a realização plena dessa igualdade, onde não existem classes sociais e a propriedade é coletiva.

Tanto o comunismo quanto o socialismo compartilham a crítica ao capitalismo e buscam eliminar a exploração do trabalho. No entanto, suas abordagens e objetivos finais diferem significativamente, refletindo diferentes visões sobre como alcançar uma sociedade mais justa e igualitária

Para Mattanó o comunismo e o socialismo são metáforas e distorções da realidade, da consciência, do conhecimento e da cultura, pois criam novos caminhos para as mesmas necessidades humanas de sobrevivência, produção social, geração e acumulação de riquezas, distribuição de riquezas sem desperdícios, educação, trabalho e cultura, relações sociais e humanas, estratificação social ou divisão social da sociedade, produção e manutenção de ideias, valores e ideologias, para que haja avanço e ganho individual e coletivo, institucional e econômico, científico e administrativo, e até religioso e filosófico pautados no desenvolvimento psicológico e comportamental do indivíduo, sobretudo nas suas interações e relações sociais que podem definir o seu estilo de vida, pois é através destas que a criança rompe a barreira do niilismo e adquire sua formação da imago materno, paterna e fraterna, de modo que suas relações se estruturem no seu inconsciente como uma linguagem que se vai adquirindo aos poucos, através do seu crescimento, desenvolvimento e amadurecimento, através das suas interações sociais que modelam e regram o seu comportamento e repertório comportamental que se define pelas suas escolhas, estas mediadas pelo seu cérebro e pelo seu corpo que se interconectam operando sua homeostase, com base em operações de prazer e reforço ou em operações de dor e punição, operações estas que constróem a história de vida de cada indivíduo, suas decisões e escolhas, suas metáforas e distorções, seus caminhos, sucessos e fracassos pautados em ideologias, como o comunismo e o socialismo que são consequência da funcionalidade do seu cérebro e do seu corpo que se interconectam e dão forma a sua consciência, cultura, conhecimento e realidade, e assim a sua saúde-mental.

 

MATTANÓ

(08/08/2025)

 

 

 

 

 

 

(2) O PLANO DA EDIÇÃO

 

Para um editor que se defrontou com um total de uns dois milhões de palavras, o primeiro problema foi decidir qual a melhor maneira de apresentá-las aos leitores. Deveria o material ser ordenado segundo um critério classificatório ou um critério cronológico? A primeira edição alemã coligida (os Gesammelte Schriften, publicados durante a vida de Freud) empreendeu uma divisão de acordo com o assunto; para as Gesammelte Werke, mais recentes, pretendeu-se uma disposição estritamente cronológica. Nenhum dos dois critérios foi satisfatório. Os escritos de Freud não se encaixam comodamente em categorias, e a cronologia estrita significaria interromper cerradas seqüências de idéias. Aqui, portanto, foi adotada uma conciliação. O arranjo é, no geral, cronológico; todavia, não segui a regra em alguns casos - aqueles em que, por exemplo, Freud escreveu um adendo muitos anos depois do trabalho original (como acontece com o Estudo Autobiográfico, no Volume XX), ou em que ele mesmo agrupou um conjunto de artigos de diferentes datas (tal como os artigos sobre técnica, no Volume XII). Em geral, porém, cada volume contém todos os trabalhos pertencentes a um determinado período de anos. O conteúdo de cada volume (exceto, naturalmente, quando se trata de um único trabalho extenso) é agrupado em três classes: coloquei em primeiro lugar o trabalho principal (ou trabalhos principais) pertencente ao período - que dá o título ao volume; seguem-se os escritos mais importantes, de menor extensão; e por fim são incluídos os trabalhos realmente breves (e, geralmente, de importância relativamente menor). Na medida do possível, a cronologia é determinada pela data da redação real da obra em questão. Muitas vezes, porém, a única data certa é a da publicação. Por conseguinte, cada item é encimado pela data de publicação entre parênteses, seguida da data de composição, entre colchetes, nos casos em que esta pode, com bastante segurança, ser considerada diferente da anterior. Assim, é quase certo que os dois últimos artigos “metapsicológicos”, no Volume XIV, embora publicados em 1917, tenham sido escritos na mesma época que seus três predecessores, em 1915. Esses dois últimos, por conseguinte, são incluídos no mesmo volume que os demais, sendo encimados pelas datas “(1917 [1915])”. Cabe ainda dizer que cada volume contém sua bibliografia e índice próprios, embora estejam planejados para o Volume XXIV uma bibliografia e um índice completos para todo o conjunto da obra.

 

(3) AS FONTES ALEMÃS

 

As traduções da edição inglesa baseiam-se, em geral, nas últimas edições alemãs publicadas ainda em vida de Freud. No entanto, uma das minhas principais dificuldades foi a natureza insatisfatória dos textos alemães. As publicações originais, editadas sob a supervisão direta de Freud, via de regra são fidedignas; entretanto, à medida que o tempo transcorria e a responsabilidade passava a outras mãos, os erros começavam a se infiltrar. Isso aconteceu até mesmo na primeira edição coligida, publicada em Viena entre as duas grandes guerras e destruída pelos nazistas em 1938. A segunda edição coligida, impressa na Inglaterra em meio às maiores dificuldades, durante a Segunda Guerra Mundial, é, em grande parte, uma fotocópia da que a precedeu, mas naturalmente mostra sinais das circunstâncias em que foi produzida. No entanto, continua sendo a única edição alemã existente dos trabalhos de Freud com alguma pretensão de ser completa.

De 1908 em diante, Freud preservou seus manuscritos; mas no caso dos trabalhos publicados durante sua vida, não os consultei, exceto em alguns casos de dúvida. Quanto aos textos publicados postumamente, a situação é diferente; em alguns casos, especialmente no do Projeto (como se pode constatar a partir da Introdução do Editor Inglês a esse trabalho), a tradução foi feita diretamente de uma cópia fotostática do manuscrito.

Um grave defeito nas edições alemãs é a ausência de qualquer tentativa de levar em conta as numerosas modificações de texto feitas por Freud nas edições sucessivas de alguns dos seus livros. Isso se aplica especialmente à Interpretação dos Sonhos e aos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, pois ambos foram, em grau muito acentuado, remodelados em suas edições posteriores. Para um estudioso sério do desenvolvimento das idéias de Freud, é do maior interesse ter bem exposta a estratificação de seus pontos de vista. Assim sendo, aqui me empenhei em assinalar, pela primeira vez, as datas em que foram realizadas as diferentes modificações, e em expor em notas de rodapé as versões anteriores.

 

(4) OS COMENTÁRIOS

 

A partir do que acabou de ser dito, depreende-se que, no conjunto, concebi esta edição tendo em mente o ‘estudioso sério’. Inevitavelmente, o resultado foi um grande número de comentários, com o qual muitos leitores ficarão irritados. Nesse ponto, sou levado a citar o Dr. Johnson:

“Para um expositor, é impossível não escrever muito pouco para alguns e demais para outros. Somente por sua própria experiência é que ele pode julgar aquilo que é necessário; e, por mais que faça deliberações, acabará por explicar muitas passagens que o erudito achará impossível que se compreendam mal e por omitir muitas outras explicações para as quais o inculto desejaria sua ajuda. Estas são censuras meramente relativas, que devem ser toleradas com tranqüilidade.”

Os comentários da Standard Edition são de diferentes tipos. Em primeiro lugar, há as notas puramente textuais, às quais me referi há pouco. Seguem-se as elucidações das numerosíssimas alusões históricas e a lugares, bem como das citações literárias de Freud. Freud constituiu um vívido exemplo de homem igualmente à vontade nas ‘duas culturas’, como têm sido denominadas. Não era apenas um hábil neuroanatomista e fisiologista; era também largamente versado nos clássicos gregos e latinos, bem como na literatura de seu idioma e nas literaturas da Inglaterra, da França, da Itália e da Espanha. A maioria de suas alusões deve ter sido imediatamente compreensível para seus contemporâneos em Viena, mas elas estão muito além do alcance de um leitor atual de língua inglesa. Contudo, muitas vezes, especialmente em A Interpretação dos Sonhos, essas alusões desempenham um papel real no desenvolvimento de sua argumentação; sua explicação não pôde ser posta de lado, conquanto tivesse exigido pesquisa considerável e às vezes infrutífera.

Um outro tipo de anotações é constituído pelas remissões. Estas devem ser de especial valor para o estudioso. Freud freqüentemente abordou o mesmo assunto várias vezes e, talvez, de diferentes maneiras, em datas separadas por longos intervalos. As remissões entre essas ocasiões, alcançando toda a extensão da edição, devem ajudar a superar a objeção ao tratamento cronológico geral do material. Por fim, e mais raramente, há notas explicativas de comentários feitos por Freud. Estas, todavia, são em geral apenas exemplos ampliados das remissões; as discussões mais elaboradas do sentido em Freud ficam habitualmente reservadas a uma outra categoria de comentário.

É que, além dessas explicações feitas correntemente em notas de rodapé, cada trabalho é, sem exceção, acompanhado de uma nota introdutória. Esta varia em extensão, de acordo com a importância do trabalho. Em todos os casos, essa nota inicia com uma bibliografia do texto alemão e de todas as suas traduções para o inglês. (Não é feita qualquer menção a traduções para outros idiomas; também não se procurou fornecer uma lista completa das reedições subseqüentes à morte de Freud em 1939.) Segue-se um relato daquilo que se conhece a respeito da data e das circunstâncias da redação e publicação do trabalho. Vem, a seguir, alguma indicação do conteúdo temático do trabalho e do lugar que ele ocupa na corrente principal do pensamento de Freud. Naturalmente, é aqui que as diferenças serão encontradas. No caso de um trabalho breve, de pequeno interesse, haverá apenas uma ou duas frases. No caso de um trabalho maior, pode haver um ensaio introdutório de muitas páginas.

Todos esses vários tipos de intervenção editorial foram norteados por um único princípio. Meu objetivo foi, espero que corretamente, deixar que Freud fosse seu próprio expositor. Onde há pontos obscuros, busquei explicações nos escritos do próprio Freud; onde parece haver contradições, contentei-me em colocar o fato diante do leitor e possibilitar que este formasse sua própria opinião. Dei de mim o melhor que pude a fim de evitar ser didático, e evitei qualquer pretensão de autoridade ex-cathedra. Mas, se refreei minhas opiniões próprias, especialmente em questão de teoria, constatar-se-á que deixei igualmente de mencionar todos os comentários, abordagens e críticas oriundos de qualquer outra fonte. Assim, quase sem exceção, esta edição não contém absolutamente referências a outros autores, por mais eminentes que sejam - exceto, naturalmente, aqueles que são citados pelo próprio Freud. (A enorme proliferação da bibliografia psicanalítica depois de sua morte, de qualquer modo, teria imposto essa decisão.) Assim, o estudioso poderá abordar os escritos de Freud sem a influência de opiniões alheias.

É no tocante aos comentários que me sinto sobremaneira consciente das deficiências desta edição, muitas delas irremediáveis. Os numerosos erros tipográficos e pequenos lapsos podem ser corrigidos, segundo espero, no Volume XXIV; mas as falhas que me preocupam não podem ser reparadas com tanta facilidade. Na maioria, elas surgem da imaturidade do material. Exemplo disso é algo que já mencionei - a ausência de qualquer edição alemã realmente fidedigna. Na realidade, porém, quando se iniciava o trabalho desta edição, há mais de quinze anos, toda a área estava inexplorada e sem demarcação. Nem sequer tinha sido iniciada a publicação da biografia de Freud de autoria de Ernest Jones; a maioria das pessoas desconhecia a correspondência com Fliess e a própria existência do Projeto. É verdade que recebi assistência de muitas pessoas de todas as partes, especialmente de Ernest Jones, que me punha a par das suas descobertas à medida que as fazia. Não obstante, a Standard Edition constitui um trabalho pioneiro, com todos os inevitáveis erros e tropeços que isso implica. Eu próprio fui-me tornando mais bem informado quanto às idéias de Freud, à medida que o tempo passava, e é provável que os volumes de publicação mais recente dêem prova disso.

Mencionem-se, em particular, duas deficiências. A primeira delas é que, naturalmente, foi impossível concretizar a situação ideal de manter toda a edição composta tipograficamente, mas aberta a correções até estar concluído o último volume. Foi necessário tomar toda uma série de decisões fundamentais antes de publicar o primeiro volume. Essas decisões incluíram tanto as questões de formato quanto a escolha de termos técnicos e, uma vez tomadas tais decisões, em geral foi necessário respeitá-las em toda a edição. Naturalmente, mais tarde lamentou-se o fato de algumas delas terem sido tomadas. Uma outra fonte de deficiências que o crítico benévolo poderá ter em mente é que a Standard Edition foi, sob muitos aspectos, um trabalho de amadores. Foi um trabalho feito por algumas pessoas que habitualmente se dedicam a outras ocupações, um trabalho feito sem apoio de qualquer organização acadêmica disposta a fornecer pessoal ou instalações.

 

(5) AS TRADUÇÕES

 

Ao se pensar numa tradução revista de Freud, o objetivo primeiro só poderia ser o de transmitir seu pensamento com a máxima fidelidade possível. No entanto, um outro problema, talvez mais difícil, não podia ser evitado: o problema do estilo. Certamente não é possível deixar de levar em conta os méritos literários de Freud. Thomas Mann, por exemplo, referiu-se às qualidades “genuinamente artísticas” de Totem e Tabu - “em sua estrutura e em sua forma literária, uma obra-prima relacionada e vinculada com todos os grandes exemplos de obras ensaísticas alemãs”. Dificilmente se poderia esperar que esses méritos sobrevivessem à tradução, mas era preciso empreender algum esforço nesse sentido. Quando a Standard Edition foi inicialmente planejada, considerou-se que seria vantajoso uma única pessoa incumbir-se de moldar todo o texto; com efeito, uma única pessoa executou a maior parte do trabalho de tradução, e mesmo quando uma versão anterior foi utilizada como base, pode-se constatar que se impôs a execução de grandes alterações. Infelizmente, isso provocou a rejeição, no interesse da desejada uniformidade, de muitas traduções feitas anteriormente e que, em si mesmas, eram excelentes. O modelo imaginário que sempre tive diante de mim foram os escritos de algum homem de ciência inglês, de grande cultura, nascido em meados do século dezenove. E em caráter explicativo, e não patriótico, eu gostaria de enfatizar a palavra “inglês”.

Se me volto agora para a questão primeira da tradução correta da intenção de Freud, devo entrar em conflito com o que acabei de dizer. Pois, em todas as passagens em que Freud se torna difícil ou obscuro, é necessário aproximar-se mais de uma tradução literal, sacrificando a elegância estilística. Também por idêntico motivo é necessário absorver por inteiro, na tradução, uma série de termos técnicos, expressões estereotipadas e neologismos que, com a maior boa vontade deste mundo, não podem ser considerados “ingleses”. Há também a dificuldade especial - que emerge, por exemplo, em A Interpretação dos Sonhos, A Psicopatologia da Vida Cotidiana e no livro sobre os chistes - do aparecimento de material que envolve aspectos verbais intraduzíveis. Aqui, não dispusemos da alternativa fácil de eliminar ou substituir por algum material equivalente em língua inglesa. Tivemos que nos socorrer de colchetes e notas de rodapé, pois nos prende o compromisso da regra fundamental: Freud, Freud, e nada mais do que Freud.

No que diz respeito ao vocabulário técnico, adotei, em geral, os termos sugeridos em A New German-English Psycho-Analytical Vocabulary, de Alix Strachey (1943), que, por sua vez, baseou-se nas sugestões de um “Glossary Committee” instituído por Ernest Jones vinte anos antes. Somente em alguns casos divergi dessas autoridades. Determinadas palavras que levantam controvérsias são discutidas em uma nota à parte, mais adiante (em [1]).

Na medida do possível, procurei ater-me à regra geral de traduzir invariavelmente um termo técnico alemão pelo mesmo termo inglês. Assim, “Unlust” é sempre traduzido por “unpleasure“ (“desprazer”) e “Schmerz” é sempre traduzido por “pain” (“dor”). Contudo, deve-se observar que essa regra é passível de conduzir a equívocos. Por exemplo, o fato de “psychisch” ser habitualmente traduzido por “psychical” (“psíquico”) e “seelisch” por “mental” (“mental”) pode levar à idéia de que essas palavras possuam significados diferentes, quando penso que são sinônimas. A regra da tradução uniforme, porém, foi levada mais adiante e estendida a expressões e, a rigor, passagens inteiras. Quando, como tantas vezes acontece, Freud apresenta a mesma argumentação ou conta o mesmo episódio em mais de uma ocasião (às vezes com grandes intervalos de tempo), procurei acompanhá-lo e usar quando ele as usa, palavras idênticas; quando ele as modifica, procurei fazer o mesmo. Alguns pontos não destituídos de interesse são assim preservados na tradução.

Tenho a obrigação de dizer explicitamente, aqui, que todos os acréscimos ao texto, por menores que sejam, e todas as notas de rodapé adicionais estão indicados por colchetes.

 

(6) AGRADECIMENTOS

 

Antes de mais nada, é necessário expressar reconhecimento ao apoio extremamente generoso prestado ao empreendimento, nos seus primórdios, pelos membros da Associação Americana de Psicanálise (à qual me orgulho de pertencer, atualmente, como membro honorário), por iniciativa, em especial, do Dr. John Murray, de Boston, com apoio do Dr. W. C. Menninger, àquela época presidente da Associação. Todas as tentativas feitas anteriormente para levantar o capital necessário tinham falhado, e todo o projeto teria sido abandonado, não fosse a magnífica atitude da América ao subscrever, adiantado, mais ou menos quinhentas coleções da edição proposta. A soma foi subscrita como um ato de pura e até imoderada confiança, numa época em que não havia provas concretas de uma coisa chamada Standard Edition e os resignados subscritores foram obrigados a esperar quatro ou cinco anos para que os primeiros volumes lhes fossem remetidos.

Dessa época em diante, o apoio americano foi constante e chegou até mim oriundo de muitas fontes. Ao longo dos anos, mantive constantes contatos com o Dr. K. R. Eissler, que colocou à minha disposição todos os recursos dos Arquivos Sigmund Freud, além de me proporcionar o mais amistoso incentivo pessoal. Ainda por intermédio dele, tive acesso ao valioso material guardado na biblioteca do Instituto de Psiquiatria do Estado de Nova Iorque. Naturalmente, estive em débito constante para com o Dr. Alexander Grinstein e seu Index of Psychoanalytic Writings. Ainda no âmbito da ajuda que obtive da América, devo mencionar dois homens de regiões separadas por uma grande distância; cada um deles, por longo tempo, deu seu apoio ao sonho de ter um Freud completo em inglês, mas nenhum dos dois viveu o bastante para ver esse sonho realizado: Otto Fenichel e Ernst Kris.

Aproximando-me mais de casa, meu principal apoio veio, naturalmente, do Instituto de Psicanálise e, em particular, do seu Comitê de Publicações, que, sob a direção de diferentes nomes, me apoiou resolutamente desde o primeiro momento, a despeito inclusive do que, muitas vezes devem ter-se afigurado exigências financeiras exorbitantes. Parece uma impropriedade mencionar nomes individualmente, mas devo recordar, mais uma vez, minha volumosa e instrutiva correspondência com Ernest Jones. Tenho especiais motivos para ser grato à Dra. Sylvia Payne, que durante longo tempo ocupou a presidência do Comitê de Publicações.

Passando à germinação real da Standard Edition, é desnecessário dizer que meus primeiros agradecimentos cabem à colaboradora e aos auxiliares cujos nomes são vistos na página de rosto de cada volume: Srta. Anna Freud, minha esposa e o Dr. Alan Tyson. A Srta. Freud, sobretudo, revelou-se incansável ao dedicar suas preciosas horas de lazer à leitura de toda a tradução e ao contribuir com inestimáveis críticas. O nome da Srta. Angela Richards (atualmente Sra. Angela Harris) também aparece na página de rosto do presente volume. Nesses últimos anos, ela foi, de fato, minha auxiliar principal, e se incumbiu de grande parte do aspecto editorial de meu trabalho. Também devo gratidão à Srta. Ralph Partridge, que preparou a maior parte dos índices de cada volume, e às Sras. Ambrose Price e D. H. O’Brien, que, em trabalho conjunto, datilografaram todo o material da edição.

As dificuldades nos preparativos iniciais desta edição foram exacerbadas pelas complicações decorrentes do fato de Freud haver lidado de modo totalmente não-pragmático com os direitos autorais de suas traduções. Esses problemas, especialmente os referentes aos direitos autorais americanos, só foram solucionados mediante a decisiva intervenção do Sr. Ernst Freud por um período de vários meses. O lado inglês dessa questão foi manipulado por The Hogarth Press e, em especial, pelo Sr. Leonard Woolf. O Sr. Woolf, que vem publicando as traduções inglesas de Freud há uns quarenta anos, participou ativamente da evolução desta edição. Sinto que minha gratidão especial, e até um tanto mesclada de culpa, se deve aos editores e impressores, por sua tolerância em atenderem às minhas exigências.

Cabe-me acrescentar que, embora tenha recebido conselho de muitas pessoas que me auxiliaram, e tenha-me beneficiado muito desses conselhos em todos os pontos da tradução ou dos comentários, a decisão final, em última análise, só poderia ser minha; portanto, é apenas sobre mim que repousa toda a responsabilidade pelos erros que o tempo, certamente, há de revelar em abundância.

Por fim, eu tomaria a liberdade de expressar um reconhecimento mais pessoal: minha dívida de gratidão para com a companheira que há tantos anos tem participado do meu trabalho como tradutor. Já faz hoje quase meio século desde que, juntos, passamos dois anos em Viena, em análise com Freud, e desde que, decorridas apenas algumas semanas de análise, ele, de repente, nos instruiu a fazer uma tradução de um trabalho que escrevera havia pouco tempo - “Ein Kind wird geschlagen” -, tradução que agora faz parte, aqui, do Volume XVII. No presente empreendimento, ela me prestou ajuda constante, por sua imparcialidade tanto na aprovação como na crítica, e ela pôde ajudar-me a atravessar alguns períodos de dificuldade física, quando parecia absurdo imaginar que um dia a Standard Edition pudesse ser concluída.

JAMES STRACHEY

MARLOW, 1966

RELATÓRIO SOBRE MEUS ESTUDOS EM PARIS E BERLIM (1956 [1886])

 

 

NOTA DO EDITOR INGLÊS

 

BERICHT ÜBER MEINE MIT UNIVERSITÄTS-JUBILÄUMS REISESTIPENDIUM UNTERNOMMENE STUDIENREISE NACH PARIS UND BERLIN

 

(a) EDIÇÃO ALEMÃ:

(1886 Data de redação.)

1960 Em Sigmund Freuds akademische Laufbahn im Lichte der Dokumente, de J. e R. Gicklhorn, 82, Viena.

 

(b) TRADUÇÃO INGLESA:“Report on my Studies in Paris and Berlin”

1956 Int. J. Psycho-Anal., 37 (1), 2-7, (Trad. de James Strachey.)

 

A presente tradução inglesa é uma reimpressão ligeiramente corrigida da publicada em 1956.

O relatório com que apropriadamente tem início a Standard Edition das Obras Psicológicas de Freud é um relato contemporâneo que seu protagonista faz de um evento histórico: o desvio dos interesses científicos de Freud da neurologia para a psicologia.

As circunstâncias em que, em 1885, Freud obteve da Universidade de Viena uma bolsa de estudos para viajar estão detalhadamente relatadas por Ernest Jones (1953, 82-4). A subvenção, no valor de 600 florins (que, naquele tempo, equivaliam a pouco menos de £ 50 ou US$ 250) e destinada a cobrir um período de seis meses, foi concedida pelo Colégio de Professores da Faculdade de Medicina: e esperava-se que Freud lhes fizesse um relatório formal quando de seu regresso a Viena. Ele passou cerca de dez dias escrevendo esse relatório, quase que imediatamente após seu retorno, havendo-o concluído em 22 de abril de 1886. (Jones, ibid., 252.) Por iniciativa de Siegfried Bernfeld, esse relatório foi descoberto nos Arquivos da Universidade pelo Professor Josef Gicklhorn, o que possibilitou sua publicação - primeiramente em inglês - setenta anos depois de ter sido escrito, por gentileza do Dr. K. R. Eissler, Secretário dos Arquivos Sigmund Freud em Nova Iorque. O original, que se encontra nos Arquivos da Universidade de Viena, consiste em doze folhas manuscritas, das quais a primeira contém apenas o título.

É de conhecimento geral a importância que o próprio Freud sempre atribuiu aos seus estudos com Charcot. Esse relatório mostra com a maior clareza que suas experiências no Salpêtrière constituíram um momento de decisão. Quando chegou a Paris, seu “tema de eleição” era a anatomia do sistema nervoso; ao partir, sua mente estava povoada com os problemas da histeria e do hipnotismo. Dera as costas à neurologia e se voltava para a psicopatologia. Seria até mesmo possível assinalar uma data precisa para a mudança - princípio de dezembro de 1885, quando terminou seu trabalho no laboratório de patologia do Salpêtrière; contudo, a incômoda organização daquele laboratório, que o próprio Freud apresenta como explicação, naturalmente não foi outra coisa senão uma causa precipitante da momentosa mudança de direção nos interesses de Freud. Outros fatores mais profundos estiveram em ação e, entre eles, sem dúvida a grande influência pessoal que Charcot naturalmente exercia sobre ele. Freud expressou de forma mais plena sua consciência dessa influência no obituário que escreveu por ocasião da morte de seu professor, alguns anos mais tarde (1893f). Com efeito, muito do que ele diz de Charcot neste relatório encontrou lugar em seu estudo posterior.

Um relato mais pessoal da estada de Freud em Paris encontra-se na série de vívidas cartas que escreveu à sua futura mulher, muitas das quais estão incluídas no volume de sua correspondência organizado por Ernst Freud (1906a).

 

 

O RELEITOR ( MATTANÓ):

Sobre Osny Mattanó Júnior há de se explicar que seu interesse pela psicologia e pela psicanálise começou em 1991 nas aulas do curso de Comunicação Social (habilitação em Relações Públicas) com a Professora Sônia Weill na Universidade Estadual de Londrina no Brasil, em Londrina, no Paraná, lá ele conheceu as teorias de Reich, Freud e Jung e outros autores, quando teve a ideia a partir das couraças de teoria de Reich e das zonas erógenas de Freud, de sugerir para si mesmo, uma Pulsão Auditiva e nada mais. Ele guardou essa ideia por 5 anos e a alimentou numa aula do curso de Psicologia com a Professora Denise Dal Coll que foi questionada por ele se existia ou não uma Pulsão Auditiva quando um bebê escuta em vez de ¨hare-hama¨ assim, ¨dare-mama¨ ou ¨dare-mamá¨, a Professora Denise Dal Coll jamais lhe deu uma resposta e já lhe disse que jamais ouviu essa pergunta dele no final da aula! O jovem Osny Mattanó Júnior começava sua jornada interior, sua luta contra seus monstros, seus heróis estavam se esquivando e ele estava se tornando um escravo da lavagem cerebral.

 

Para a Psicanálise Vermelha o interesse de Osny Mattanó Júnior pela psicologia e pela psicanálise começou em 1991 nas aulas do curso de Comunicação Social (habilitação em Relações Públicas) com a Professora Sônia Weill na Universidade Estadual de Londrina no Brasil, em Londrina, no Paraná, lá ele conheceu as teorias de Reich, Freud e Jung e outros autores, quando teve a ideia a partir das couraças de teoria de Reich e das zonas erógenas de Freud, de sugerir para si mesmo, uma Pulsão Auditiva e nada mais. Ele guardou essa ideia por 5 anos e a alimentou numa aula do curso de Psicologia com a Professora Denise Dal Coll que foi questionada por ele se existia ou não uma Pulsão Auditiva quando um bebê escuta em vez de ¨hare-hama¨ assim, ¨dare-mama¨ ou ¨dare-mamá¨, a Professora Denise Dal Coll jamais lhe deu uma resposta e já lhe disse que jamais ouviu essa pergunta dele no final da aula! O jovem Osny Mattanó Júnior começava sua jornada interior, sua luta contra seus monstros, seus heróis estavam se esquivando e ele estava se tornando um escravo da lavagem cerebral. Vemos aqui como as metáforas e distorções da realidade, da consciência, do conhecimento e da cultura promovidas pelo socialismo e pelo comunismo virtuais, pois não fazem parte da realidade e do mundo democrático brasileiro, do estado de direito Democrático, mas apenas do mundo e da realidade virtuais como propaganda e modelo partidário sucateado pela lógica Democrática vigente no Brasil, afetam, de certa maneira o trabalho e a vida acadêmica de Osny Mattanó Júnior em seu seio social, sediado na Universidade Estadual de Londrina - UEL, que por sua vez adere politicamente e partidariamente um quantum de sua população para o socialismo e talvez para a ideologia comunista, devido a cultura de protesto e de revolta que os universitários cultivam em seu seio social, juntamente com os docentes e os funcionários que também se dizem intelectuais. Contudo temos somente metáforas e distorções da realidade, da cultura, do conhecimento e da consciência que se somam em movimentos de seriação, fusão, organização, institucionalização e burocratização de valores socialistas e comunistas versus valores democráticos versus valores ditatoriais e militares. Os valores ditatoriais e militares estão presentes nas práticas e políticas através do regime militar que marcou um período da nossa História do Brasil, mantendo-se atualmente como valores e políticas virtuais ou fantasmas, pois estão à margem da lei. Os valores democráticos estão presentes em tudo através da Democracia vigente no Brasil. E os valores socialistas e comunistas também são valores virtuais, pois também estão à margem da lei, do estado de direito Democrático. Contudo podem co-existir em nosso mundo e realidade virtuais por meio do nosso cérebro que é um simulador de realidades e de comportamentos, de mundos e de opiniões, de políticas e de formas de se governar um povo. A Psicanálise Vermelha vem apenas solucionar parte desta confusão de valores virtuais e ideológicos que compõem nosso mundo e realidade virtuais e que entra em conflito com o mundo real e o mundo histórico ou sócio-histórico.

 

MATTANÓ

(09/08/2025)

 

 

 

 

 

 

RELATÓRIO SOBRE MEUS ESTUDOS EM PARIS E BERLIM

 

EFETUADOS COM O AUXÍLIO DE UMA BOLSA

DE ESTUDOS CONCEDIDA PELO FUNDO DOJUBILEU UNIVERSITÁRIO

(OUTUBRO DE 1885 - FIM DE MARÇO DE 1886)

por

  1. SIGMUND FREUD

Docente de Neuropatologia da Universidade de Viena

Ao Emérito Colégio de Professores da Faculdade de Medicina de Viena.

 

Quando me candidatei ao prêmio da Bolsa de Estudos do Fundo do Jubileu Universitário, referente ao ano de 1885-6, expressei minha intenção de me dirigir ao Hospice de la Salpêtrière, em Paris, e de ali continuar meus estudos de neuropatologia. Diversos fatores contribuíram para essa escolha. Em primeiro lugar, havia a certeza de encontrar reunido no Salpêtrière um grande acervo de material clínico que, em Viena, só se pode encontrar disperso por diferentes departamentos, não sendo, portanto, de fácil acesso. Além disso, havia o grande renome de J.-M. Charcot, que há dezessete anos vem trabalhando e lecionando em seu hospital. Por fim, fui levado a refletir que nada de essencialmente novo poderia esperar aprender numa universidade alemã, depois de haver usufruído do ensino direto e indireto, em Viena, dos professores T. Meynert e H. Nothnagel. A escola francesa de neuropatologia, por outro lado, parecia-me prometer algo diferente e característico de sua maneira de trabalhar, além de haver ingressado em novas áreas da neuropatologia que não tinham sido abordadas de forma parecida pelos cientistas da Alemanha e da Áustria. Em decorrência da escassez de qualquer contato pessoal estimulante entre médicos franceses e alemães, as descobertas da escola francesa - algumas (sobre hipnotismo) deveras surpreendentes e outras (sobre histeria) de importância prática - foram recebidas, em nossos países, mais com dúvidas do que com reconhecimento e crédito; e os pesquisadores franceses, sobretudo Charcot, viram-se submetidos à acusação de terem uma reduzida capacidade crítica ou, pelo menos, de se inclinarem a estudar material raro e estranho e de dramatizarem seu trabalho com esse material. Por conseguinte, quando o emérito Colégio de Professores me distinguiu com o prêmio da bolsa de estudos, com alegria agarrei a oportunidade, que assim me era oferecida, de formar um julgamento sobre esses fatos baseado na minha própria experiência, e senti-me feliz, ao mesmo tempo, por estar em situação de pôr em prática a sugestão que me dera meu respeitado mestre, Professor von Brücke.

Quando me encontrava em visita a Hamburgo, durante as férias, fui recebido com muita amabilidade pelo Dr. Eisenlohr, renomado representante da neuropatologia naquela cidade. Ele me possibilitou examinar um considerável número de pacientes nervosos no Hospital Geral e no Hospital Heine, e também me deu acesso ao Hospital Mental de Klein-Friedrichsberg. Mas os estudos de que me ocupo neste Relatório começaram com minha chegada a Paris, na primeira quinzena de outubro, no início do ano acadêmico.

O Salpêtrière, que foi o primeiro local que visitei, é um amplo conjunto de edifícios que, por seus prédios de dois andares dispostos em quadriláteros, assim como por seus pátios e jardins, lembra muito o Hospital Geral de Viena. Com o passar do tempo, o Salpêtrière serviu a finalidades muito diferentes, e seu nome (assim como a nossa “Gewehrfabrik”) provém da primeira dessas finalidades. Os edifícios foram, afinal, convertidos em lar de mulheres idosas (“Hospice pour la vieilesse (femmes)”, [1813]) e proporcionam asilo a cinco mil pessoas. A natureza das circunstâncias fez com que as doenças nervosas crônicas viessem a figurar nesse material clínico com especial freqüência; e os antigos “médicins des hôpitaux” da instituição (Briquet,por exemplo) tinham começado a fazer um estudo científico dos pacientes. Mas o trabalho não pôde prosseguir de modo sistemático por causa do costume existente entre os “médicins des hôpitaux” franceses de mudarem freqüentemente de hospital e, ao mesmo tempo, trocarem o ramo especial da medicina que estão estudando, até que sua carreira os conduza ao grande hospital clínico do Hôtel-Dieu. Mas J.-M. Charcot, quando era “interne” no Salpêtrière, em 1856, percebeu ser necessário fazer das doenças nervosas crônicas o tema de um estudo constante e exclusivo; resolveu retornar ao Salpêtrière como ‘’médicin des hôpitaux‘’ e, depois, jamais abandonar esse hospital. Charcot modestamente declara que seu único mérito consiste em ter executado esse plano. A natureza favorável do material à sua disposição levou-o a estudar as doenças nervosas crônicas e sua base anatomopatológica; durante uns doze anos, deu aulas de clínica, como professor voluntário, sem ter qualquer cargo oficial, até que finalmente, em 1881, foi instituída no Salpêtrière uma cátedra de Neuropatologia, confiada a ele.

Essa nomeação produziu modificações de grande alcance nas condições em que trabalhavam Charcot e seus discípulos (que, nesse meio tempo, tinham-se tornado numerosos). Ao material permanente presente no Salpêtrière acrescentou-se um complemento essencial, quando foi fundada uma seção clínica, na qual eram internados para tratamento pacientes tanto masculinos como femininos selecionados a partir das consultas semanais realizadas num departamento de pacientes de ambulatório (“consultation externe”). Havia ainda, à disposição do professor de neuropatologia, um laboratório destinado a estudos de anatomia e fisiologia, um museu de patologia, um estúdio de fotografia e preparação de moldes de gesso, um gabinete de oftalmologia e um instituto de eletricidade e hidropatia. Estavam localizados em diferentes partes do grande hospital e possibilitavam ao diretor assegurar-se da permanente cooperação de alguns de seus discípulos, que eram encarregados desses departamentos.

O homem que chefia toda essa organização e seus serviços auxiliares tem, atualmente, a idade de sessenta anos. Possui a vivacidade, a jovialidade e a perfeição formal no falar que costumamos atribuir ao caráter da nacionalidade francesa; ao mesmo tempo, mostra a paciência e o amor pelo trabalho que geralmente atribuímos aos de nossa nação. A atração exercida por semelhante personalidade logo me levou a limitar minhas visitas a um único hospital e a buscar os ensinamentos de um único homem. Abandonei minhas eventuais tentativas de assistir a outras conferências, depois de haver-me convencido de que tudo o que elas tinham a me oferecer eram, na sua maior parte, peças de retórica bem construídas. As únicas exceções eram as autópsias e conferências forenses do Professor Brouardel no Necrotério, que eu raramente perdia.

No Salpêtrière, meu trabalho assumiu uma forma diferente daquela que eu, de início, tinha estabelecido para mim mesmo. Eu havia chegado com a intenção de fazer de uma única pergunta, objeto de uma cuidadosa investigação; e como, em Viena, o assunto eleito por mim eram os problemas anatômicos, tinha escolhido o estudo das atrofias e degenerações secundárias que se seguem às afecções do cérebro nas crianças. Um material patológico extremamente valioso estava à minha disposição; achei, todavia, que as condições para me utilizar dele eram muitíssimo desfavoráveis. O laboratório de modo algum oferecia condições para receber um pesquisador de fora, e esse espaço e esses recursos, tal como existiam, haviam-se tornado inacessíveis devido à falta de qualquer espécie de organização. Assim sendo, vi-me obrigado a desistir do trabalho com a anatomia e a me contentar com uma descoberta referente às relações dos núcleos da coluna posterior da “medulla oblongata”. Depois, porém, tive oportunidade de retomar pesquisas semelhantes com o Dr. von Darkschewitsch (de Moscou), e nossa colaboração possibilitou uma artigo publicado nos Neurologisches Centralblatt (1886, 5, 212), que teve por título “Über die Beziehung des Strickkörpers zum Hinterstrang und Hinterstragskern nebst Bemerkungen über zwei Felder der Oblongata”.

 

Contrastando com a inadequação do laboratório, a clínica do Salpêtrière proporcionava tal abundância de material novo e interessante que eram necessários todos os meus esforços para me beneficiar do ensino que essa oportunidade favorável me oferecia. O horário da semana era dividido como se segue. Na segunda-feira, Charcot dava sua aula teórica, que encantava os ouvintes pela perfeição de sua forma, ao mesmo tempo que o tema da aula era conhecido a partir do trabalho da semana anterior. O que essas aulas ofereciam não era tanto um ensino elementar de neuropatologia sob a forma de informações, mas, antes, as mais recentes pesquisas do Professor; e elas produziam efeito principalmente em virtude de suas constantes referências aos pacientes que estavam sendo examinados. Na terça-feira, Charcot realizava a “consultation externe”, na qual seus assistentes lhe apresentavam para exame os casos típicos ou difíceis, selecionados dentre o grande número dos que compareciam ao departamento de ambulatório. Às vezes, era desanimador quando o grande homem deixava algum desses casos, para usar sua própria expressão, afundar “no caos de uma nosografia ainda desconhecida”; outros, contudo, lhe davam a oportunidade de usá-los como ponto de partida para os mais instrutivos comentários sobre uma ampla variedade de questões de neuropatologia. As quartas-feiras eram, em parte, dedicadas aos exames oftalmológicos, que o Dr. Parinaud efetuava na presença de Charcot. Nos demais dias da semana, Charcot percorria as enfermarias, ou continuava as pesquisas que estivesse empreendendo na ocasião, examinando, para esse fim, pacientes em seu consultório.

Tive, assim, oportunidade de ver um grande número de pacientes, de examiná-los e de ouvir a opinião de Charcot a respeito deles. O que me parece ter tido maior valor do que essa efetiva aquisição de experiência foi, no entanto, o estímulo que recebi, durante os cincos meses que passei em Paris, do meu constante contato científico e pessoal com o Professor Charcot.

No que diz respeito ao contato científico, certamente não me foi dada preferência em relação a qualquer outro estrangeiro. Pois a clínica era acessível a qualquer médico que se apresentasse, e o trabalho do Professor era executado abertamente, cercado de todos os jovens que atuavam como seus assistentes, assim como dos médicos estrangeiros. Parecia que ele, por assim dizer, trabalhava conosco, pensava em voz alta e esperava que os discípulos lhe apresentassem objeções. Todo aquele que assim desejasse podia entrar na discussão, e nenhum comentário passava despercebido ao grande homem. A informalidade que prevalecia no relacionamento e a maneira como cada um era tratado, com cortesia e em condições de igualdade - o que constituía surpresa para os visitantes estrangeiros -, facilitavam a situação, de modo que até os mais tímidos tinham a mais viva participação nos exames de Charcot. Podia-se verificar a maneira como ele, inicialmente, ficava indeciso em face de alguma nova manifestação difícil de interpretar; podia-se seguir os caminhos pelos quais se esforçava por chegar a uma compreensão; podia-se estudar o modo como avaliava as dificuldades e as vencia; e podia-se observar, com surpresa, que ele nunca se cansava de observar o mesmo fenômeno, até que seus esforços repetidos e sem prevenções lhe permitissem chegar a uma visão correta de seu significado. Quando, além de tudo isso, acode à lembrança a total sinceridade manifestada pelo Professor durante essas sessões, compreende-se por que o autor deste relatório, assim como aconteceria com qualquer outro estrangeiro em situação semelhante, deixou o Salpêtrière com irrestrita admiração por Charcot.

Charcot costumava dizer que, falando de modo geral, o trabalho da anatomia estava encerrado e que a teoria das doenças orgânicas do sistema nervoso podia ser dada como completa: o que precisava ser abordado a seguir eram as neuroses. Sem dúvida, essa afirmação pode ser considerada como nada além da expressão do rumo tomado por suas próprias atividades. Por muitos anos, então, seu trabalho centralizou-se quase por completo nas neuroses, principalmente na histeria, que, desde o início das atividades do departamento de ambulatório e da clínica, ele teve oportunidade de estudar tanto nos homens como nas mulheres.

Tentarei resumir em poucas palavras o que Charcot realizou no estudo clínico da histeria. Até o presente, dificilmente se pode considerar a palavra histeria como um termo com significado bem definido. O estado mórbido a que se aplica tal nome caracteriza-se cientificamente apenas por sinais negativos; tem sido estudado escassa e relutantemente; e carrega a ira de alguns preconceitos muito difundidos. Entre estes estão a suposição de que a doença histérica depende de irritação genital, o ponto de vista de que nenhuma sintomatologia definida pode ser atribuída à histeria simplesmente porque nela pode ocorrer qualquer combinação de sintomas e, finalmente, a exagerada importância dada à simulação no quadro clínico da histeria. Durante as últimas décadas, é quase certo que uma mulher histérica seria tratada como simuladora, do mesmo modo que, em séculos anteriores, certamente seria julgada e condenada como feiticeira ou possuída pelo demônio. Sob outro aspecto, é possível que até se tenha dado um passo atrás no conhecimento da histeria. A Idade Média estava familiarizada de modo preciso com os “estigmas” da histeria, seus sinais somáticos, e os interpretava e utilizava à sua própria maneira. No departamento de ambulatório, em Berlim, contudo, verifiquei que esses sinais somáticos da histeria eram praticamente desconhecidos e que, em geral, quando se fazia um diagnóstico de “histeria”, parecia estar eliminada qualquer motivação para se obter mais algum informe a respeito do paciente.

Em seu estudo da histeria, Charcot partiu dos casos mais completamente desenvolvidos, que ele considerava como tipos perfeitos da doença. Começou por reduzir a conexão entre a neurose e o sistema genital a suas proporções corretas, demonstrando a insuspeitada freqüência dos casos de histeria masculina e, especialmente, de histeria traumática. Nesses casos típicos, ele encontrou a seguir numerosos sinais somáticos (tais como a natureza do ataque, a anestesia, os distúrbios da visão, os pontos histerógenos etc.), que lhe possibilitaram estabelecer com segurança o diagnóstico da histeria, com base em indicações positivas. Estudando cientificamente o hipnotismo - área da neuropatologia que teve que ser arrancada, de um lado, do ceticismo e, de outro, do embuste -, Charcot chegou a uma espécie de teoria da sintomatologia histérica. Teve a coragem de reconhecer esses sintomas como sendo, na sua maior parte, reais, sem negligenciar as precauções exigidas pela insinceridade do paciente. A experiência, que aumentou rapidamente com o excelente material, logo lhe possibilitou levar em conta também as variantes do quadro típico. À época em que fui obrigado a deixar a clínica, ele estava passando do estudo das paralisias e artralgias histéricas para o das atrofias histéricas, de cuja existência só conseguiu convencer-se durante os últimos dias de minha visita.

 

A enorme importância prática da histeria masculina (que geralmente não é reconhecida) e, em particular, a histeria que se segue a um trauma foi ilustrada por ele como o caso de um paciente que, durante cerca de três meses, constituiu o ponto central dos estudos de Charcot. Assim, por meio de seu trabalho, a histeria foi retirada do caos das neuroses, diferençada de outros estados de aparência semelhante, e a ela se atribuiu uma sintomatologia que, embora extremamente multiforme, tornava impossível duvidar de que imperassem nela uma lei e uma ordem. Tive uma animada troca de opiniões com o Professor Charcot (tanto oralmente como por escrito) sobre os pontos de vista oriundos de suas investigações. Isso me levou a preparar um artigo que está por ser publicado nos Archives de Neurologie e que tem como título “Vergleichung der hysterischen mit der organischen Symptomatologie”.

Neste ponto, devo observar que a disposição de considerar as neuroses provenientes de trauma (“railway spine”) como histeria encontrou decidida oposição por parte de autoridades alemãs, especialmente do Dr. Thomsen e do Dr. Oppenheim, médicos assistentes do Charité, de Berlim. Conheci pessoalmente a ambos, mais tarde, em Berlim, e esperava ter a oportunidade de verificar se sua oposição era justificada. Infelizmente, porém, os pacientes em questão já não se encontravam mais no Charité. Fiquei, todavia, com a impressão de que a questão não está madura para uma decisão, mas que Charcot acertadamente começara por abordar os casos típicos e mais simples, ao passo que seus adversários alemães partiram do estudo de exemplos indeterminados e mais complexos. Em Paris, contestou-se a afirmação de que formas tão graves de histeria como aquelas em que Charcot baseou seu trabalho não ocorriam na Alemanha; chamou-se atenção para os relatos históricos de epidemias semelhantes e insistiu-se na identidade da histeria em qualquer época e lugar.

 

Também não perdi a ocasião de adquirir um conhecimento pessoal dos fenômenos do hipnotismo, que são tão surpreendentes e aos quais se dá tão pouco crédito, e, em especial, do “grand hypnotisme” [“grande hipnotismo”] descrito por Charcot. Com surpresa, verifiquei que nessa área determinadas coisas aconteciam abertamente diante dos nossos olhos e que era quase impossível duvidar delas; assim mesmo, eram tão estranhas que não se podia acreditar nelas, a menos que delas se tivesse uma experiência pessoal. Contudo, não vi nenhum sinal de que Charcot mostrasse qualquer preferência especial por material raro e estranho, ou de que tentasse explorá-lo para fins místicos. Pelo contrário, considerava o hipnotismo uma área de fenômenos que ele submetia à descrição científica, tal como fizera, muitos anos antes, com a esclerose múltipla ou com a atrofia muscular progressiva. Não me parecia em absoluto que ele fosse um desses homens que se mostram mais encantados com aquilo que é raro do que com aquilo que é comum; e a tendência geral de sua mente leva-me a supor que ele não consegue descansar enquanto não descreve e classifica corretamente algum fenômeno que o interesse, mas dorme tranqüilamente sem ter chegado à explicação fisiológica do fenômeno em questão.

Neste Relatório, dediquei espaço considerável aos comentários sobre a histeria e o hipnotismo, porque tive de abordar aquilo que era totalmente novo e que foi objeto dos estudos específicos de Charcot. Embora me tenha referido menos às doenças orgânicas do sistema nervoso, não gostaria que se supusesse que vi pouco ou nada a respeito delas. Mencionarei apenas alguns dos casos particularmente interessantes em meio à riqueza do notável material apresentado. Entre estes estavam, por exemplo, as formas de atrofia muscular hereditária, recentemente descritas pelo Dr. Marie; embora estas não mais sejam incluídas entre as doenças do sistema nervoso, ainda estão sob os cuidados dos neuropatologistas. Devo mencionar também os casos da doença de Ménière, de esclerose múltipla, de tabes, com todas as suas complicações, particularmente acompanhada pela doença das articulações descrita por Charcot, da epilepsia parcial e de outras formas de doença que compõem o acervo de material das clínicas e dos ambulatórios de doenças nervosas. Entre as doenças funcionais (exceto a histeria), a coréia e as diversas formas de “tiques” (por exemplo, a doença de Gilles de la Tourette) estavam recebendo atenção especial durante a época em que freqüentei aquele serviço.

 

Quando tomei conhecimento de que Charcot tencionava publicar uma nova coletânea de suas conferências, ofereci-me para fazer uma tradução alemã; graças a essa tarefa, entrei em contato pessoal mais próximo com o Professor Charcot e também pude prolongar minha estada em Paris além do período coberto por minha bolsa de estudos. Essa tradução está por ser publicada em Viena, em maio do corrente ano, pela editora de Toeplitz e Deuticke.

Por fim, devo mencionar que o Professor Ranvier, do Collège de France, revelou-se extremamente gentil ao mostrar-me suas excelentes preparações de células nervosas e neuróglia.

Minha estada em Berlim, que se estendeu de 1º de março até o fim do mesmo mês, deu-se durante o período de férias. Ainda assim, tive muitas oportunidades de examinar crianças que sofriam de doenças nervosas nas clínicas de pacientes externos dos professores Mendel e Eulenburg e do Dr. A. Baginsky, tendo sido muito bem recebido em todos os lugares. As repetidas visitas ao Professor Munk e ao laboratório de agricultura do Professor Zuntz (onde me encontrei com o Dr. Loeb, de Estrasburgo) possibilitaram-me formar opinião própria acerca da controvérsia entre Goltz e Munk quanto à questão da localização do sentido da visão no córtex cerebral. O Dr. B. Baginsky, do laboratório de Munk, teve a gentileza de demonstrar para mim suas preparações do trajeto do nervo acústico e de solicitar minha opinião a respeito delas.

 

Considero meu dever apresentar meus mais calorosos agradecimentos ao Colégio de Professores da Faculdade de Medicina de Viena por me haver escolhido para o prêmio da bolsa de estudos. Com isso, o Colégio (no qual estão incluídos todos os meus respeitados mestres) concedeu-me a possibilidade de adquirir conhecimentos valiosos, dos quais espero fazer uso como Docente de doenças nervosas, assim como na minha atividade médica.

VIENA, Páscoa de 1886

 

 

O RELEITOR ( MATTANÓ):

Osny Mattanó Júnior enfrentou para estudar na UEL graves problemas de saúde, e grandes problemas sociais ocasionados pela telepatia que lhe ocorria sem discernimento e sem conhecimento, foi cercado por ¨olheiros¨ que tinham diferentes intenções que hoje aparecem no horizonte dos nossos destinos, de cada uma personagem dessa história; esses movimentos causaram doenças biológicas e psicológicas no autor deste livro, Osny Mattanó Júnior, foi vítima de tortura, violência, abuso sexual e de lavagem cerebral na UEL como aluno, como comunidade ou usuário dos seus serviços e como funcionário; seus estudos foram marcados por muita violência e por uma ¨guerra sexual telepática extremamente violenta¨ ou uma ¨guerra de lavagem cerebral muito violenta¨ em 1995, 1998 e 1999 na UEL onde ele era o alvo pois não conhecia a ¨guerra¨, como ela acontecia, sua manifestação, a manipularam sem seu entendimento e sem seu saber, manipularam sua psique, comportamento e relações sociais de forma violenta e imoral com lavagem cerebral a fim de expulsá-lo da UEL por discriminarem-no, por julgarem-no corrupto e culpado, mas era vítima de tentativa de estupro e de tortura e de outros crimes, isto o inocentou e incriminou aos responsáveis que se associavam aos mass mídia e seus beneficiários numa longa lavagem cerebral e tortura contra ele e sua família. Sua formação foi marcada pela violência, pela dor e pelo ódio, pela raiva, pela imoralidade, pelo isolamento e pela discriminação, pela exclusão social, fenômenos que se reproduzem até hoje na forma de traumas na mente e no comportamento de Osny Mattanó Júnior.

 

MATTANÓ

(23/02/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha Osny Mattanó Júnior enfrentou para estudar na UEL graves problemas de saúde, e grandes problemas sociais ocasionados pela telepatia que lhe ocorria sem discernimento e sem conhecimento, foi cercado por ¨olheiros¨ que tinham diferentes intenções que hoje aparecem no horizonte dos nossos destinos, de cada uma personagem dessa história; esses movimentos causaram doenças biológicas e psicológicas no autor deste livro, Osny Mattanó Júnior, foi vítima de tortura, violência, abuso sexual e de lavagem cerebral na UEL como aluno, como comunidade ou usuário dos seus serviços e como funcionário; seus estudos foram marcados por muita violência e por uma ¨guerra sexual telepática extremamente violenta¨ ou uma ¨guerra de lavagem cerebral muito violenta¨ em 1995, 1998 e 1999 na UEL onde ele era o alvo pois não conhecia a ¨guerra¨, como ela acontecia, sua manifestação, a manipularam sem seu entendimento e sem seu saber, manipularam sua psique, comportamento e relações sociais de forma violenta e imoral com lavagem cerebral a fim de expulsá-lo da UEL por discriminarem-no, por julgarem-no corrupto e culpado, mas era vítima de tentativa de estupro e de tortura e de outros crimes, isto o inocentou e incriminou aos responsáveis que se associavam aos mass mídia e seus beneficiários numa longa lavagem cerebral e tortura contra ele e sua família. Sua formação foi marcada pela violência, pela dor e pelo ódio, pela raiva, pela imoralidade, pelo isolamento e pela discriminação, pela exclusão social, fenômenos que se reproduzem até hoje na forma de traumas na mente e no comportamento de Osny Mattanó Júnior. Da mesma forma podemos discriminar esta análise pessoal através das regras do comunismo e do socialismo como mundo e realidades virtuais afetando a vida psíquica e comportamental, suas relações sociais, escolares e trabalhistas, entre diferentes classes sociais e em busca de direitos trabalhistas, além de luta pela liberdade, pois todo ser humano se separa de sua mãe após o nascimento, e começa a adquirir um inconsciente, comportamento, subconsciente, repertório comportamental, identidade, cultura, conhecimento, cognição, existência, essências, aprendizagem, economia, modelos comportamentais, riquezas, tesouros, garantias, auto-estima, personalidade, individualidade, humanidade, instrumentos e ferramentas, tecnologias, trabalho, ocupação, valores e ganhos, perdas e substituições, afetividade, consciência, convivência, fraternidade, solidariedade, segurança, deslumbramento, contentamento, transcendência, análise e interpretação do mundo e da realidade ambiental, pois somos seres em evolução, seleção natural e competição entre espécies e indivíduos da mesma espécie, temos padrões comportamentais e culturais migratórios que envolvem nossas ideologias, modos de relação social, modos de governar, modos de gerar e acumular riquezas, inclusive de se distribuir territorialmente e geográficamente, pois acredito que no futuro o mundo não terá mais territórios e divisões entre nações devido a globalização da comunicação, da cultura, da economia, da ecologia, das guerras, do poder, da violência, da loucura, da ciência, da religião, do trabalho, da educação, dos esportes, das festividades, da política, da arte, do sexo e do amor, da pobreza, da fome e da miséria, da discriminação, da exclusão social e da perseguição, inclusive da justiça, da língua, da linguagem e do dinheiro ou da moeda. Contudo devemos ter em mente que o socialismo é um sistema econômico e ideológico que procura alcançar a igualdade entre os membros da sociedade. E o comunismo, por outro lado, seria o resultado da implantação das ideias socialistas, onde o objetivo principal é a busca da igualdade entre os membros da sociedade. Assim, o governo, que estaria formado pela classe trabalhadora, seria o proprietário e teria o poder decisório em todos os assuntos.O comunismo tem origem no "Manifesto Comunista", um panfleto de Karl Marx e Friedrich Engels apresentado em 1848. Nele, está exposta a teoria sobre a luta entre as classes econômicas, que terminaria com uma violenta derrubada da sociedade capitalista, do mesmo modo que a sociedade feudal foi eliminada durante a Revolução Francesa.

Após a revolução comunista, os trabalhadores tomariam o controle dos meios de produção. Com o tempo, o governo iria desaparecer, à medida que os trabalhadores construiriam uma sociedade sem classes e uma economia baseada na propriedade comum.

Segundo a teoria, a produção e o consumo alcançariam um equilíbrio, pois sua premissa está baseada em que "cada um contribui de acordo com suas habilidades e recebe de acordo com suas necessidades". Além disso, a religião e outras instituições de controle social também teriam fim.

Essa ideologia revolucionária de Marx inspirou movimentos sociais do século XIX e XX como a Comuna de Paris. Outro exemplo foi a Revolução Bolchevique em 1917, que derrubou o czar russo e, após uma guerra civil, estabeleceu a União Soviética.

Porém, apesar de a União Soviética ser governada pelo Partido Comunista, ela não conseguiu uma sociedade sem classes, sem estado e em que a população possuía coletivamente os meios de produção. Ou seja, este país nunca foi realmente comunista.

O socialismo aproveita algumas ideias iluministas e os primeiros estudos foram articulados por Henri de Saint-Simon (1760-1825) e seus seguidores Robert Owen, Charles Fourier, Pierre Leroux e Pierre-Joseph Proudhon, que desenvolveram o socialismo utópico.

Esses pensadores apresentaram ideias sobre uma distribuição mais igualitária da riqueza, melhores condições de trabalho, propriedade comum dos recursos produtivos e um senso de solidariedade entre a classe trabalhadora.

Alguns também defendiam que o Estado assumisse um papel central na produção e na distribuição de bens. O marxismo emergiu neste meio e Engels o chamou de "socialismo científico".

O socialismo se identifica com uma estrela, enquanto o comunismo utiliza a foice o martelo.

O interessante é que ambas correntes de pensamento optaram pela cor vermelha como símbolo ideológico.

O socialismo e o comunismo defendem que os recursos da economia devem ser de propriedade coletiva, porém eles diferem nas questões de gestão e controle da economia.

No socialismo, os cidadãos tomam as decisões econômicas por meio das comunas ou conselhos, mas ainda existe a presença do Estado. Já no comunismo, o Estado perde o seu sentido e deixa de existir, e as decisões são tomadas coletivamente pelos trabalhadores.

O socialismo e o comunismo também diferem na forma de distribuição da riqueza produzida. O socialismo defende que os bens e serviços produzidos devem ser distribuídos com base na produtividade de cada indivíduo. Por sua vez, o comunismo acredita que a riqueza deve ser compartilhada com base nas necessidades de cada indivíduo.

Outra grande diferença diz respeito à propriedade. No socialismo existem dois tipos de propriedade: a propriedade pessoal de um indivíduo e a propriedade industrial que pertence à sociedade. Por exemplo, os indivíduos podem ter uma televisão, mas não podem ser donos da fábrica que a produz, pois toda a capacidade de produção seria de propriedade comum e gerida pelo governo.

Em contrapartida, no comunismo, todos os bens e serviços são de propriedade pública.

As diferenças entre o socialismo e o comunismo são tênues, pois a sociedade comunista somente seria construída a partir do socialismo.

Entretanto, com as divergências doutrinárias ao longo do século XIX e XX podemos destacar algumas distinções.

No comunismo não existem distinções de classe, pois todos são efetivamente tratados da mesma forma. Já o socialismo, vê uma diminuição dessas distinções, mas elas ainda existiriam, pois ainda haveria meios de umas pessoas possuírem mais riquezas do que outras.

O comunismo vê a transição do capitalismo como uma revolução violenta, onde este seria destruído à medida que os trabalhadores se rebelariam contra as classes média e alta.

Por outro lado, o socialismo defende uma transição gradual do capitalismo por meio de processos legais e políticos, especialmente através das eleições.

Apesar das diversas experiências socialistas, nunca houve um estado puramente comunista. A União Soviética, a China, o Vietnã, Cuba e a Coreia do Norte são os exemplos mais próximos, embora nenhum deles tenha alcançado a fase comunista.

Nestes países, apesar de o governo possuir um papel dominante, eles nunca alcançaram o fim da propriedade privada, a abolição do dinheiro e a eliminação dos sistemas de classe.

O socialismo também nunca foi totalmente adotado em nenhum país. Porém, alguns países como a Noruega, a Suécia e o Canadá têm muitas políticas socialistas, como sistemas de saúde gratuitos, além de um papel preponderante de serviços públicos.

O socialismo pode ser uma fase que precede o comunismo, um momento de reeducação e abandono da influência do modo de vida capitalista.

Os socialistas distribuem a riqueza com base nos esforços produtivos de cada indivíduo, enquanto os comunistas o fazem em função das necessidades de cada um.

No socialismo podem existir resquícios de propriedade privada, enquanto no comunismo a propriedade privada é extinta e todos os bens são coletivos.

O socialismo permite que alguns traços do capitalismo existam no meio de si, enquanto o comunismo, como fase posterior, é uma nova forma de organização da sociedade.

Mattanó aponta que no Brasil governado pelo PT - Partido dos Trabalhadores ocorre uma tentativa de desapropriação da propriedade privada e de suas riquezas geradas pelo trabalho de Osny Mattanó Júnior quando induzem a população do Brasil a roubar as obras científicas e de arte do mesmo, através do sequestro, do estupro e do roubo, senão do assassinato e da tortura, como fazem os comunistas que evoluíram do socialismo para essa forma de loucura e de crime, com a ajuda da Igreja que também está se associando ao comunismo do PT - Partido dos Trabalhadores no Brasil que vem tentando combater a fome, a pobreza e a miséria distribuindo dinheiro em forma de benefícios sociais em vez de cidadania, educação e trabalho, economia e produtividade, tentando incentivar seus eleitores a desviarem o dinheiro de seus benefícios para o tráfico de drogas, para crimes de sequestro e roubo, de extorsão, para crimes virtuais, através, por exemplo, das bets que alimentam o tráfico de drogas para fins de roubo, sequestro e assassinato, para fins de corrupção policial e formação de milicias que beneficiam criminosos golpistas como o ex-Presidente Jair Messias Bolsonaro, o Presidente Lula parece ser a mesma coisa que o Bolsonaro em matéria de golpísta quando incentiva que a população venha me roubar, sequestrar, estuprar e matar - eu não sou criminoso não, já pedi para ser preso se tivesse algum crime e estou pedindo de novo, que me prendam se eu tenho algum crime, senão que prendam os outros!

 

MATTANÓ

(11/08/2025)

 

PREFÁCIO À TRADUÇÃO DAS CONFERÊNCIAS SOBRE AS DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO, DE CHARCOT (1886)

 

 

NOTA DO EDITOR INGLÊS

 

PREFÁCIO À TRADUÇÃO DE LEÇONS SUR LES MALADIES DU SYSTÈME NERVEUX: TOME TROISIÈME, DE CHARCOT

 

(a) EDIÇÃO ALEMÃ:

1886 Em J.-M. Charcot, Neue Vorlesungen über die Krankheiten des Nervensystems insbesondere über Hysterie [Novas Conferências sobre as Doenças do Sistema Nervoso, Particularmente sobre a Histeria], iii-iv, Leipzig e Viena, Toeplitz e Deuticke.

 

O prefácio não foi reimpresso em alemão. A presente tradução (a primeira para o inglês) do prefácio é de autoria de James Strachey. A tradução de Freud de duas das conferências (XXIII e XXIV) foi publicada antecipadamente no Wien. med. Wochenschr., 36 (20), 711-15 e (21), 756-9 (15 e 22 de maio de 1886), tendo como título “Über einen Fall von hysterischer Coxalgie aus traumatischer Ursache bei einem Manne” (“Sobre um caso de coxalgia num homem em decorrência de um acidente”) (Freud, 1886e). A publicação do livro não pode ter sido anterior a julho de 1886 (data do prefácio de Freud); em todo caso, porém, ela se deu antes da publicação do original francês (Paris, 1887), como Freud menciona em seu prefácio.

O modo como Charcot confiou a Freud a incumbência de fazer a tradução desse livro para o alemão foi relatado por Freud, com mais detalhes em seu Estudo Autobiográfico (1925d), Edição Standard Brasileira, Vol. XX, [1], IMAGO Editora, 1976, e também numa carta que, nessa época, Freud escreveu a sua futura esposa (12 de dezembro de 1885) editada em Freud, 1960a (Carta 88).

As poucas notas de rodapé escritas por Freud simplesmente registram, como ele mesmo indica no prefácio, a evolução subseqüente de um ou dois casos clínicos relatados no texto e, numa delas, uma recente mudança de opinião de Charcot quanto a um detalhe do diagnóstico. Três dessas conferências (XI, XII e XIII) tratam da afasia. Em um breve comentário, Freud mostra que já estava especialmente interessado no assunto, sobre o qual, cinco anos depois, escreveria sua monografia. Nesta, fez uma breve descrição dos pontos de vista de Charcot (1891b, 100-2) e referiu-se ao presente trabalho.

 

Conta-nos Jones (1953, 230) que Charcot recompensou Freud pela tradução, dando-lhe de presente uma coleção completa de suas obras, encadernada em couro, com esta dedicatória: “A Monsieur le Docteur Freud, excellents souvenirs de la Salpêtrière. Charcot”.

 

PREFÁCIO À TRADUÇÃO DAS CONFERÊNCIAS SOBRE AS DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO, DE CHARCOT

 

Um empreendimento como este, que objetiva apresentar os ensinamentos de um mestre de clínica médica a círculos médicos mais amplos, por certo dispensa justificativas. Proponho-me, portanto, dizer apenas algumas palavras a respeito da origem desta tradução e sobre a matéria das conferências que ela contém.

No inverno de 1885, quando cheguei ao Salpêtrière para uma permanência de quase meio ano, constatei que o Professor Charcot (então pelos seus sessenta anos, trabalhando com o vigor da mocidade) se havia afastado do estudo das doenças nervosas que se baseiam em alterações orgânicas e estava-se dedicando exclusivamente à pesquisa das neuroses - e, em especial, da histeria. Essa mudança relacionava-se com as modificações (descritas na primeira conferência deste livro) que se efetuaram nas condições do trabalho e do ensino de Charcot, em 1882.

Após superar minha perplexidade inicial diante das descobertas da novas pesquisas de Charcot, e depois que aprendi a avaliar sua grande importância, pedi ao Professor Charcot permissão para fazer uma tradução para o alemão das conferências que continham essas novas teorias. E aqui devo agradecer-lhe não apenas pela presteza com que me concedeu sua permissão, como também por sua ajuda ulterior, que tornou possível que a edição alemã, na realidade, seja publicada vários meses antes da edição francesa. Seguindo instruções do autor, acrescentei algumas notas, na maioria acréscimos às histórias dos pacientes de que trata o texto.

O cerne deste livro está nas magistrais e fundamentais conferências sobre histeria, que, junto com seu autor, podemos esperar venham a descerrar uma nova era na conceituação dessa neurose pouco conhecida e, a rigor, denegrida. Por esse motivo, com o consentimento do Professor Charcot, modifiquei o título do livro, que em francês é ‘’Leçons sur les maladies du système nerveux, Tome troisième”, e coloquei em destaque a histeria dentre os temas nele abordados.

Todo aquele a quem estas conferências motivarem a um aprofundamento nas pesquisas sobre histeria feitas pela escola francesa poderá remeter-se aos Études cliniques sur la grande hystérie, de P. Richer, de que saiu uma segunda edição em 1885 e que, em mais de uma aspecto, constitui uma obra extraordinária.

VIENA, 18 de julho de 1886

 

 

O RELEITOR ( MATTANÓ):

Outra doença pouco conhecida e muito denegrida é a lavagem cerebral, que se associa a esquizofrenia e a telepatia, a depressão, ao pânico e a ansiedade, aos transtornos sexuais e alimentares, a obesidade e ao diabetes e as doenças cardíacas e do sistema nervoso, bem como aos cânceres e tumores, a lavagem cerebral tem a capacidade de alterar a realidade e a história de vida do indivíduo e até de um povo ou nação através da linguagem e da alfabetização e seus fenômenos conscientes e inconscientes dos significados, sentidos e conceitos, inclusive contextos, comportamentos e funcionalidades

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MATTANÓ

(23/02/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha outra doença pouco conhecida e muito denegrida é a lavagem cerebral, que se associa a esquizofrenia e a telepatia, a depressão, ao pânico e a ansiedade, aos transtornos sexuais e alimentares, a obesidade e ao diabetes e as doenças cardíacas e do sistema nervoso, bem como aos cânceres e tumores, a lavagem cerebral tem a capacidade de alterar a realidade e a história de vida do indivíduo e até de um povo ou nação através da linguagem e da alfabetização e seus fenômenos conscientes e inconscientes dos significados, sentidos e conceitos, inclusive contextos, comportamentos e funcionalidades. A lavagem cerebral não depende de sistema ou ideologia política para ser praticada, normalmente pelos veículos de comunicação de massa e as suas mídias ou as autoridades e as polícias que imprimem uma despersonalização em indivíduos ou em sociedades e nações para fins de controle político e dominação social, muitas vezes para abuso e exploração do poder, seja ele qual for, do executivo, legislativo, do judiciário ou militar, até mesmo da Igreja que pode se associar a estas práticas para fins de dominação, abuso e exploração, através de crucificações, roubos, sequestros, prisões e estupros promovidos pela loucura daqueles que se dizem seguidores de Jesus Cristo, mas que na realidade são seguidores de poderosos, Deus não é poderoso! Deus nunca foi poderoso! Deus é como eu, um cara simples e pobre, que gosta de estudar e de trabalhar e que ama a vida, a Criação, os seres vivos, o mundo e os seus Amigos!

 

MATTANÓ
  (12/08/2025)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OBSERVAÇÃO DE UM CASO GRAVE DE HEMIANESTESIA EM UM HOMEM HISTÉRICO (1886)

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

BEOBACHTUNG EINER HOCHGRADIGEN HEMIANASTHESIE BEI EINEM HYSTERISCHEN MANNE

 

(a) EDIÇÕES ALEMÃS:

1886 Wien. med. Wschr., 36 (49), 1633-38 (4 de dezembro).

 

Parece que este artigo foi reeditado. A presente tradução de James Strachey é a primeira que se fez para o idioma inglês. Aparentemente, havia a intenção de que este artigo viesse a ser o primeiro de uma série, de vez que o encima o título “Beitrage zur Kasuistik der Hysterie, I” (Contribuições ao Estudo Clínico da Histeria, I). Mas a série não teve continuação.

Em 15 de outubro de 1886, uns seis meses depois de seu retorno de Paris, Freud leu perante a “Gesellschaft der Aerzte” (Sociedade de Medicina) de Viena um artigo intitulado “Über mannliche Hysterie” (Sobre a Histeria Masculina). O texto desse artigo não sobreviveu, ainda que sobre ele surgissem resenhas nos periódicos médicos de Viena, como, por exemplo, no Wien, med. Wochenschr., 63 (43), 1444-6 (23 de outubro). Também é encontrado num breve resumo de Ernest Jones (1953, 252). O próprio Freud dá um relato desse evento em seu Estudo Autobiográfico (1925d), Edição Standard Brasileira, Vol. XX, em [1], IMAGO Editora, 1976. O artigo foi mal recebido, e Meynert desafiou Freud a apresentar perante a sociedade um caso de histeria masculina. Freud teve alguma dificuldade em encontrar um caso, pois os médicos mais antigos dos departamentos do Hospital Geral recusaram-se a lhe facultar o uso do material de que dispunham. Por fim, com a ajuda de um jovem laringologista, encontrou noutro lugar um paciente adequado e o apresentou perante a “Gesellschaft der Aerzte’’ em 26 de novembro de 1886. O caso foi demonstrado por Freud e por seu amigo Dr. Konigstein, cirurgião oftalmologista que tinha feito um exame dos sintomas oculares do paciente. O artigo desse especialista foi publicado no Wochenschrift uma semana depois do de Freud - na edição de 11 de dezembro (1674-6). Freud conta-nos que o presente artigo encontrou uma recepção melhor do que o artigo anterior; todavia, não chegou a suscitar interesse.

A maior parte do artigo, conforme se verá, trata dos fenômenos físicos da histeria, nos moldes característicos da atitude de Charcot em relação a essa doença. Há somente alguns indícios muito leves que revelam interesse por fatores psicológicos.

 

 

 

Senhores:

A 15 de outubro, quando tive a honra de pedir-lhes a atenção para um breve informe sobre o recente trabalho de Charcot na área da histeria masculina, fui desafiado pelo meu respeitado mestre Hofrat Professor Meynert a apresentar perante a sociedade alguns casos em que pudessem ser observadas, de forma claramente visível, as indicações somáticas da histeria - os “estigmas histéricos” pelos quais Charcot caracteriza essa neurose. Hoje, enfrento esse desafio - de maneira insuficiente, é verdade, mas na medida do que me permite o material clínico de que disponho -, apresentando perante os senhores um homem histérico que mostra o sintoma da hemianestesia, num grau que se poderia descrever com o mais elevado. Antes de começar minha demonstração, quero apenas observar que estou longe de pensar que o que lhes estou mostrando é um caso raro ou peculiar. Pelo contrário, considero-o um caso muito comum, de ocorrência freqüente, embora muito amiúde possa passar despercebido.

Por esse paciente, devo agradecer à gentileza do Dr. von Beregszászy, que o enviou a mim para confirmação do diagnóstico que ele havia feito. O paciente, August P., gravador de 29 anos, é a pessoa que está diante dos senhores: um homem inteligente, que de pronto se ofereceu para ser examinado por mim, na esperança de uma rápida recuperação.

Permitam-me que comece por um relato de sua história familiar e de sua história pessoal. O pai do paciente, aos 48 de idade, morreu da doença de Bright; trabalhava numa adega, bebia muito e tinha temperamento violento. Sua mãe morreu, aos 46 anos, de tuberculose. Soube-se que ela sofria muito de dores de cabeça, quando jovem: o paciente nada tem a dizer sobre ataques convulsivos ou algo semelhante. O casal teve seis filhos, dos quais o primeiro levou uma vida irregular e faleceu de uma afecção sifilítica cerebral. O segundo filho tem interesse especial para nós; ele desempenha um papel na etiologia da doença de seu irmão e parece que ele próprio era histérico. Contou ao nosso paciente haver sofrido de ataques convulsivos; e, por uma estranha coincidência, nesse mesmo dia, encontrei um colega de Berlim que tratara desse irmão, em Berlim, durante uma enfermidade, e havia diagnosticado que ele sofria de histeria - diagnóstico este que também foi confirmado num hospital daquela cidade. O terceiro filho desapareceu desde que desertou do exército; o quarto e o quinto morreram em tenra idade, e o último é o nosso paciente.

Nosso paciente teve um desenvolvimento normal na infância, nunca sofreu convulsões infantis e teve as doenças comuns de crianças. Aos oito anos, teve a infelicidade de ser atropelado na rua; sofreu ruptura do tímpano direito, com permanente déficit da audição do ouvido direito, e foi acometido de uma doença que durou diversos meses, durante a qual sofria freqüentes desmaios, cuja natureza atualmente já não é possível descobrir. Esses desmaios continuaram por uns dois anos. Desse acidente adveio um certo embotamento intelectual, que o paciente afirma ter sido notado em seu rendimento escolar, e uma tendência a sensações vertiginosas sempre que, por alguma razão, se sentia indisposto. Mais tarde, completou o curso primário; após a morte dos pais, passou a aprendiz de gravador; um dado que fala muito a favor de seu caráter é o fato de ter permanecido como artífice e empregado do mesmo mestre de ofício durante dez anos. Considera-se pessoa cujos pensamentos estavam total e unicamente voltados para a perfeição de seu habilidoso ofício e que, com esse fim em vista, leu muito e exercitou-se no desenho, não se permitindo relacionamentos sociais nem divertimentos. Via-se obrigado a refletir muito acerca de si mesmo e de suas ambições e, por fazê-lo com tanta freqüência, caía num estado de excitada fuga de idéias, no qual ficava alarmado a respeito de sua saúde mental; seu sono muitas vezes era agitado e sua digestão fazia-se lenta por causa de seu modo de vida sedentário. Sofreu de palpitações durante os últimos nove anos; mas, afora isto, era sadio e jamais precisou interromper seu trabalho.

Sua doença atual começou há uns três anos. Nessa época, teve um desentendimento com o irmão que levava uma vida desregrada, porque este se recusou a lhe pagar uma soma em dinheiro que o paciente lhe emprestara. O irmão ameaçou apunhalá-lo e avançou contra ele com uma faca. Isto causou ao paciente um medo indescritível; sentiu um zumbido na cabeça, como se ela fosse estourar; correu para casa, sem poder contar como foi que chegou lá, e caiu no chão, inconsciente, em frente à porta de casa. Depois, ouviu dizer que, durante duas horas, tinha tido violentos espasmos, durante os quais falara da cena com seu irmão. Quando voltou a si, sentia-se muito fraco; durante as seis semanas seguintes, sofreu de violentas dores no lado esquerdo da cabeça e pressão intracraniana. Parecia-lhe alterada a sensibilidade na metade esquerda do corpo, e seus olhos se cansavam facilmente no trabalho, que ele retomou em seguida. Com algumas oscilações, seu estado ficou sendo este durante três anos, até que, há sete semanas, uma nova agitação causou uma mudança para pior. O paciente foi acusado de roubo por uma mulher, teve palpitações violentas e, por uns quinze dias, esteve tão deprimido que pensou em suicídio; ao mesmo tempo, um tremor muito intenso tomou conta de seus membros esquerdos. A metade esquerda de seu corpo ficou como se tivesse sido afetada por um pequeno acidente cerebral; seus olhos se enfraqueceram muito e freqüentemente faziam-no ver tudo cinza; seu sono era interrompido por aparições terrificantes e sonhos nos quais pensava estar caindo de uma grande altura; começaram a surgir dores no lado esquerdo da garganta, na virilha esquerda, na região sacra e em outras áreas; seu estômago, com freqüência, estava “como se tivesse estourado”, e ele se viu obrigado a parar de trabalhar. Outra piora em todos esses sintomas data da última semana. Além disso, o paciente está sujeito a dores violentas no joelho esquerdo e na planta do pé esquerdo, quando caminha durante algum tempo; tem uma sensação peculiar na garganta, como se a língua estivesse presa, ouve freqüentes zumbidos nos ouvidos, e outras coisas dessa natureza. Sua memória está prejudicada quanto aos acontecimentos ocorridos durante sua doença; quanto aos eventos anteriores à doença, porém, não apresenta problemas. Os ataques sob forma de convulsões repetiram-se de seis a nove vezes durante os três anos; contudo, a maior parte deles foi muito benigna; somente um ataque, à noite, no último mês de agosto, acompanhou-se de “agitação” com bastante gravidade.

Agora examinemos o paciente: um homem bastante pálido, de compleição média. O exame de seus órgãos internos nada revela de patológico, exceto bulhas cardíacas abafadas. Quando comprimo o ponto de saída dos nervos supra-orbital, infra-orbital ou do mento, do lado esquerdo, o paciente volta a cabeça com uma expressão de dor intensa. Podemos, portanto, supor que há uma alteração nevrálgica no trigêmeo esquerdo. Também a abóbada craniana é muito sensível à percussão na sua metade esquerda. A pele da metade esquerda da cabeça comporta-se, no entanto, de modo muito diferente do que esperávamos: está completamente insensível a estímulos de qualquer espécie. Posso aplicar-lhe alfinetadas, beliscá-la, torcer o lobo da orelha entre meus dedos, sem que o paciente chegue sequer a perceber o contato. Aqui, pois, existe um grau muito elevado de anestesia; esta, contudo, atinge não só a pele como também as membranas mucosas, conforme lhes mostrarei no caso dos lábios e da língua do paciente. Se introduzo um rolinho de papel em seu canal auditivo externo esquerdo e depois em sua narina esquerda, não se produz nenhuma reação. Repito agora a experiência no lado direito e mostro que aqui a sensibilidade do paciente é normal. Em consonância com a anestesia, os reflexos sensoriais também estão abolidos ou diminuídos. Assim, posso introduzir meu dedo e tocar todos os tecidos faríngeos do lado esquerdo, sem que resultem ânsias de vômito; os reflexos faríngeos do lado direito, contudo, também se encontram diminuídos; apenas quando toco a epiglote no lado direito é que se dá uma reação. O toque da conjuntiva palpebral e ocular mal produz o fechamento das pálpebras; por outro lado, o reflexo corneano está presente, embora muito reduzido. Aliás, os reflexos conjuntival e corneano do lado direito também estão diminuídos, embora em grau menor; e esse comportamento dos reflexos é suficiente para me possibilitar a conclusão de que os distúrbios da visão não se limitam necessariamente a um olho (o esquerdo). E, realmente, quando pela primeira vez examinei o paciente, ele mostrava em ambos os olhos a peculiar poliopia monocular dos pacientes histéricos e distúrbios da sensibilidade às cores. Com o olho direito, reconhecia todas as cores, exceto o roxo, que dizia ser cinzento; com o olho esquerdo, reconhecia apenas o vermelho-claro e o amarelo-claro, ao passo que considerava todas as outras cores como cinzento, quando eram claras, e como preto, quando escuras. O Dr. Konigstein teve a gentileza de submeter o paciente a um minucioso exame oftalmológico e posteriormente relatará suas conclusões. [Ver em [1]] Passando aos outros órgãos dos sentidos, o olfato e o paladar estão inteiramente anulados no lado esquerdo. Somente a audição foi poupada da hemianestesia cerebral. Convém lembrar que a acuidade do ouvido direito ficou seriamente prejudicada desde que o paciente sofreu um acidente, aos oito anos de idade; seu ouvido esquerdo é o melhor; a redução da audição nele presente é (segundo uma gentil comunicação do Professor Gruber) suficientemente explicada por uma visível e substancial afecção da membrana timpânica.

Se procedermos agora a um exame do tronco e dos membros, verificaremos também uma anestesia absoluta, sobretudo no braço esquerdo. Como vêem, consigo espetar a ponta de uma agulha numa dobra da pele sem que o paciente reaja. As estruturas profundas - músculos, ligamentos e articulações - também devem estar insensíveis em grau igualmente elevado, pois posso mover a articulação do punho e estirar os ligamentos sem provocar qualquer sensação no paciente. É consoante com essa anestesia das estruturas profundas o fato de que o paciente, quando seus olhos são vendados, também não tem noção da posição do seu braço esquerdo no espaço, nem de qualquer movimento que executo com ele. Passo uma venda em seus olhos e depois lhe pergunto o que fiz com sua mão esquerda. Ele não consegue dizer. Peço-lhe que, com a mão direita, segure o polegar, o cotovelo ou o ombro esquerdos. Ele tateia às cegas, confunde sua própria mão com a minha, que lhe estendo, e então admite que não sabe a quem pertence a mão que segurou.

 

Deve ser particularmente interessante descobrir se o paciente é capaz de encontrar as partes da metade esquerda de sua face. Seria de supor que isso não lhe oferecesse quaisquer dificuldades, pois, afinal, a metade esquerda do rosto está, digamos, firmemente cimentada à metade direita, intacta. Mas a experiência mostra o contrário. O paciente erra o alvo no olho esquerdo, no lobo da orelha esquerda, e assim por diante; na verdade, parece sair-se pior ao tatear com a mão direita as partes anestesiadas do rosto do que se estivesse tocando uma parte do corpo de alguma outra pessoa. A causa disso não é uma perturbação na mão direita, que ele está usando para apalpar, pois os senhores podem ver com que certeza e rapidez ele encontra os pontos em que lhe digo para tocar a metade direita do rosto.

A mesma anestesia está presente no tronco e na perna esquerda. Observamos aí que a perda das sensações tem seu limite na linha média, ou se estende um pouco além desta.

Para mim, parece haver um interesse especial na análise dos distúrbios do movimento que o paciente mostra em seus membros anestesiados. Acredito que esses distúrbios do movimento devam ser atribuídos, inteira e unicamente, à anestesia. Certamente não existe paralisia do braço esquerdo, por exemplo. Um braço paralisado ou cai flacidamente, ou se mantém rígido, devido às contraturas em posições forçadas. Aqui a coisa se passa de modo diverso. Se eu vendar os olhos do paciente, seu braço esquerdo permanecerá na posição que tinha assumido anteriormente. Os distúrbios da mobilidade são mutáveis e dependem de diversas condições. Em primeiro lugar, aqueles dentre os senhores que tiverem notado como o paciente se despiu com ambas as mãos e como fechou sua narina esquerda com os dedos da mão esquerda, não terão tido a impressão de qualquer distúrbio grave do movimento. A um exame mais acurado, verificar-se-á que o braço esquerdo, em especial os dedos, são movimentados mais lentamente e com menos habilidade, como se estivessem entorpecidos, e com um leve tremor. Todos os movimentos, até os mais complicados, são, todavia, executados, e isso acontece sempre que a atenção do paciente é desviada dos órgãos do movimento e dirigida unicamente para o objetivo do movimento. As coisas se passam diversamente quando lhe peço que efetue movimentos isolados com o braço esquerdo, sem qualquer objetivo mais remoto - como, por exemplo, dobrar o braço na articulação do cotovelo enquanto segue o movimento com os olhos. Nesse caso, seu braço esquerdo parece muito mais inibido do que antes, o movimento é feito com muita lentidão, incompletamente, em estágios diferentes, como se houvesse uma grande resistência a ser vencida, e é acompanhado de um nítido tremor. Os movimentos dos dedos são extraordinariamente débeis nessas circunstâncias. Uma terceira espécie da perturbação do movimento, a mais grave, surge, finalmente, quando o paciente é solicitado a efetuar movimentos isolados com os olhos fechados. Por certo, algo se passa no membro que está absolutamente anestesiado, pois, como vêem, a inervação motora é independente de qualquer informação sensitiva do tipo que normalmente procede de um membro que vai ser movimentado; esse movimento, no entanto, é mínimo, de modo algum dirigido a um determinado segmento, e não determinável quanto à sua direção por parte do paciente. Não suponham, porém, que esse último tipo de perturbação do movimento seja uma conseqüência necessária da anestesia; é precisamente com relação a esse aspecto que se encontram marcantes diferenças individuais. Observamos, no Salpêtrière, pacientes com anestesias que, de olhos fechados, conservam um controle muito mais acentuado de membros que tivessem sido eliminados da consciência.

A mesma influência da atenção desviada e do olhar aplica-se à perna esquerda. Hoje, durante pelo menos uma hora, o paciente caminhou a meu lado pelas ruas, a passos rápidos, sem olhar para seus pés enquanto andava. E tudo o que pude notar foi que pisava com o pé esquerdo girando-o um pouco para fora e que, muitas vezes, arrastava-o pelo chão. Mas quando lhe ordeno que ande, ele tem que acompanhar com os olhos cada movimento da perna anestesiada, e o movimento faz-se lento e hesitante, cansando-o com muita facilidade. Por fim, com os olhos fechados, ele caminha completamente inseguro e se desloca mantendo ambos os pés em contato com o chão, como faria qualquer um de nós se caminhasse no escuro em local desconhecido. Ele também tem grande dificuldade em permanecer de pé apenas sobre a perna esquerda; quando fecha os olhos nessa posição, cai imediatamente ao chão.

Prosseguirei com a descrição do comportamento de seus reflexos. Estes são, em geral, mais vivos do que o normal e, além disso, mostram pequena coerência entre si. Os reflexos do tríceps e do extensor são efetivamente mais vivos na extremidade direita, não anestesiada. O reflexo patelar parece mais vivo na esquerda; o reflexo do tendão de Aquiles é igual em ambos os lados.Também é possível obter uma discreta reação patelar, mais nitidamente observável à direita. Os reflexos do cremaster estão ausentes; por outro lado, os reflexos abdominais são rápidos, sendo que o esquerdo está intensamente aumentado, de modo que o mais leve toque numa área da pele do abdômen provoca uma contração máxima do músculo reto-abdominal esquerdo.

Em conjugação com uma hemianestesia histérica, nosso paciente mostra, tanto espontaneamente como sob pressão, áreas dolorosas nesse lado do corpo que é, em outros aspectos, o lado insensível - o que se conhece como “zonas histerógenas”, embora nesse caso sua conexão com a provocação dos ataques não seja acentuada. Assim o nervo trigêmeo, cujos ramos terminais, como lhes mostrei anteriormente, são sensíveis à pressão, é a sede de uma zona histerógena desse tipo; também o são uma estreita área na fossa cervical média esquerda, uma faixa mais larga na parede esquerda do tórax (onde a pele também é sempre sensível), a parte lombar da coluna e a parte mediana do osso sacro (a pele é sensível também sobre a porção anterior dessas). Finalmente, o cordão espermático esquerdo está muito sensível à dor, e essa zona se prolonga no trajeto do cordão espermático, pela cavidade abdominal, até a área que, nas mulheres, freqüentemente é sede da “ovaralgia”.

Devo acrescentar dois comentários referentes aos desvios que nosso caso apresenta em relação ao quadro típico da hemianestesia histérica. O primeiro diz respeito ao fato de que o lado direito do corpo do paciente também não está livre da anestesia, ainda que não seja em grau intenso e pareça afetar apenas a pele. Há, portanto, uma zona de diminuição da sensitividade à dor (e à temperatura) sobre a saliência do ombro direito; uma outra estende-se em forma de faixa ao redor da extremidade distal do antebraço; a perna direita apresenta hipoestesia no lado externo da coxa e na panturrilha.

Um segundo comentário refere-se ao fato de que a hemianestesia de nosso paciente mostra muito nitidamente a característica da instabilidade. Assim, num teste para sensitividade elétrica, contrariando minha expectativa, tornei sensível uma área de pele no cotovelo esquerdo; e testes repetidos mostraram que a extensão das zonas dolorosas do tronco e as perturbações do sentido da visão oscilavam de intensidade. É nessa instabilidade do distúrbio da sensitividade que baseio minha esperança de ser capaz de restaurar a sensitividade normal do paciente, dentro de pouco tempo.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Com suas Novas Teorias e Epistemologias, Osny Mattanó Júnior, poderia compreender o

caso acima como um típico caso onde ele é o herói que passa pela fase de ser engolido e consumido, isto dá a entender que o herói morreu, contudo é uma passagem do limiar mágico, uma esfera de renascimento que é simbolizada pelo útero ou ventre da baleia, o herói é assim lançado no desconhecido.

O desaparecimento corresponde à entrada do fiel no templo onde ele será revivificado por regras do tipo quem é e do que é. No interior do templo, no ventre da baleia, na terra celeste todos são uma coisa só. Nas proximidades e nas entradas dos templos existem guardiões: dragões, leões, matadores de demônios com espadas desembainhadas, anões rancorosos e touros alados. Eles são guardiões do limiar, eles estão incumbidos de afastar todos aqueles que forem incapazes de achar os silêncios mais elevados no interior do templo. São encarnações preliminares que representam ogros mitológicos que marcam os limites do mundo convencional ou as fileiras de dentes da baleia. Demonstram uma metamorfose ao entrar no templo, como a cobra troca de pele o fiel deixa para fora seu lado secular. Ao entrar num templo ou mergulhar nas mandíbulas da baleia o herói encontra a concentração e a renovação da vida.

Não pode alcançar o apogeu da vida sem cessar de existir. O herói cujo apogeu ao ego foi destruído volta pelos horizontes do mundo, tem o poder de salvar e nada teme. Ser engolido e consumido trás poder ao que aceita seu caminho que servirá para ajudar a salvar o mundo dos perigos mais indesejáveis como o desconhecido.

Assim o herói ou o paciente, tem seus sintomas como meio ou modo para ser engolido e

consumido, onde seus problemas, anestesias são como ficar dentro do ventre da baleia isolado e paralisado, anestesiado, tendo que encontrar forças ou meios que o ajudem ou libertem do ventre da baleia, que devolvam suas sensações e movimentos. Este caminho é cheio de pedras e obstáculos que vem logo após o herói cruzar o limiar e com este evento ele deve sobreviver a uma sucessão de provas. O herói é auxiliado encobertamente por conselhos, amuletos e agentes secretos de auxílio sobrenatural que já havia encontrado antes. Existe um poder benigno que o sustenta em sua passagem sobre-humana.

Em seu caminho o herói encontra obstáculos que nem sempre trazem felicidade, percorre ele densas florestas, maciças cadeias montanhosas onde se depara com ossos de outros que sucumbiram à aventura e acaba encontrando uma abertura na terra, as profundezas do mundo inferior e suas notáveis manifestações se abrem diante de seus olhos e depois de numerosos perigos superados chega ao Senhor do Mundo Subterrâneo, e esse se lança sobre ele com gritos horríveis, mas a habilidade do herói pode fazer o monstro recuar com promessas de luxuosas oferendas, esse diálogo é o ápice da cerimônia e o herói entre em êxtase.

O herói é um líder de um jogo infantil, é um iluminado condutor da ansiedade comum. Combate demônios para que outros prossigam adiante na sua luta contra a realidade.

MATTANÓ

(24/02/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha Osny Mattanó Júnior, com suas Novas Teorias e Epistemologias poderia compreender o caso acima como um típico caso onde ele é o herói que passa pela fase de ser engolido e consumido, isto dá a entender que o herói morreu, contudo é uma passagem do limiar mágico, uma esfera de renascimento que é simbolizada pelo útero ou ventre da baleia, o herói é assim lançado no desconhecido. Vemos aqui o nascimento do ¨espírito vermelho¨ quando o herói encara o seu grande monstro e é lançado no desconhecido, onde não distingue socialismo e nem comunismo.

O desaparecimento corresponde à entrada do fiel no templo onde ele será revivificado por regras do tipo quem é e do que é. No interior do templo, no ventre da baleia, na terra celeste todos são uma coisa só. Nas proximidades e nas entradas dos templos existem guardiões: dragões, leões, matadores de demônios com espadas desembainhadas, anões rancorosos e touros alados. Eles são guardiões do limiar, eles estão incumbidos de afastar todos aqueles que forem incapazes de achar os silêncios mais elevados no interior do templo. São encarnações preliminares que representam ogros mitológicos que marcam os limites do mundo convencional ou as fileiras de dentes da baleia. Demonstram uma metamorfose ao entrar no templo, como a cobra troca de pele o fiel deixa para fora seu lado secular. Ao entrar num templo ou mergulhar nas mandíbulas da baleia o herói encontra a concentração e a renovação da vida. Vemos aqui que o ¨espírito vermelho¨ será revivificado com a escolha do herói, que terá que enfrentar guardiões, dragões e monstros para penetrar no interior do seu templo, representação do socialismo ou do comunismo, serão desafios que leva-lo-ão a uma metamorfose diante do sistema ou regime ideológico adotado como forma de renovar a sua vida através de significados e sentidos próprios.

Não pode alcançar o apogeu da vida sem cessar de existir. O herói cujo apogeu ao ego foi destruído volta pelos horizontes do mundo, tem o poder de salvar e nada teme. Ser engolido e consumido trás poder ao que aceita seu caminho que servirá para ajudar a salvar o mundo dos perigos mais indesejáveis como o desconhecido. Vemos que o herói aceita os horizontes do seu caminho marcado pelo socialismo ou pelo comunismo, pelo ¨espírito vermelho¨.

Assim o herói ou o paciente, tem seus sintomas como meio ou modo para ser engolido e

consumido, onde seus problemas, anestesias são como ficar dentro do ventre da baleia isolado e paralisado, anestesiado, tendo que encontrar forças ou meios que o ajudem ou libertem do ventre da baleia, que devolvam suas sensações e movimentos. Este caminho é cheio de pedras e obstáculos que vem logo após o herói cruzar o limiar e com este evento ele deve sobreviver a uma sucessão de provas. O herói é auxiliado encobertamente por conselhos, amuletos e agentes secretos de auxílio sobrenatural que já havia encontrado antes. Existe um poder benigno que o sustenta em sua passagem sobre-humana. Vemos que o herói é ajudado por poderes sobrenaturais e por conselhos, amuletos e agentes secretos de auxílio sobrenatural em sua trajetória socialista ou comunista.

Em seu caminho o herói encontra obstáculos que nem sempre trazem felicidade, percorre ele densas florestas, maciças cadeias montanhosas onde se depara com ossos de outros que sucumbiram à aventura e acaba encontrando uma abertura na terra, as profundezas do mundo inferior e suas notáveis manifestações se abrem diante de seus olhos e depois de numerosos perigos superados chega ao Senhor do Mundo Subterrâneo, e esse se lança sobre ele com gritos horríveis, mas a habilidade do herói pode fazer o monstro recuar com promessas de luxuosas oferendas, esse diálogo é o ápice da cerimônia e o herói entre em êxtase. Vemos que o herói encontra em seu caminho diante da sua trajetória socialista ou comunista muitos obstáculos que nem sempre trazem felicidade, até chegar ao Senhor do Mundo Subterrâneo que leva ao ápice da cerimônia, então o herói entra em êxtase, revelando que o inconsciente pode levar ao sucesso do rito, levando-o ao deslumbramento e ao contentamento, ao êxtase.

O herói é um líder de um jogo infantil, é um iluminado condutor da ansiedade comum. Combate demônios para que outros prossigam adiante na sua luta contra a realidade. Vemos que o herói é o lider de um jogo infantil, neste caso ideológico, socialista ou comunista, e por ele a ansiedade se revela em seus caminhos através da realidade e do prazer que é produto conflitante desse combate que muitos nomeiam de demoníaco ou produtor de demônios, tamanha a luta contra a realidade, de modo a nomear o socialismo e o comunismo de sistemas e ideologias demoníacas, para se descobrir quem é o líder desse jogo infantil onde a ansiedade é bastante comum.

 

MATTANÓ

(12/08/2025)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DUAS BREVES RESENHAS

 

 

RESENHA DE DIE AKUTE NEURASTHENIE. DE AVERBECK

 

A insuficiência da chamada formação médica adquirida em nossos hospitais, diante das necessidades dos médicos clínicos, revela-se com maior nitidez, talvez, a partir do exemplo da “neurastenia”. Esse estado patológico do sistema nervoso seguramente pode ser classificado como a mais comum de todas as doenças em nossa sociedade: complica e agrava muitíssimo outros quadros clínicos em pacientes das melhores classes, sendo ainda praticamente desconhecido dos médicos de boa formação científica, ou tido por eles como apenas um nome moderno com conteúdo arbitrariamente constituído. A neurastenia não é um quadro clínico no sentido dos manuais que se baseiam, com demasiada exclusividade, na anatomia patológica: de preferência, deve ser descrita como um modo de reação do sistema nervoso. Mereceria a máxima atenção da parte dos médicos que trabalham cientificamente - atenção não menor do que a já demonstrada pelos médicos que trabalham como terapeutas, pelos diretores de sanatórios etc. Deve-se, portanto, recomendar a círculos mais amplos esse breve trabalho, em virtude de suas descrições oportunas intencionalmente veementes, e de suas proposições e observações referentes às condições sociais. Estas, como suspeita seu autor, nem sempre encontrarão a concordância de seus colegas, embora o trabalho venha a despertar o interesse deles em todas as áreas. Sua observação sobre o serviço militar obrigatório como cura para os males da vida civilizada e sua proposição de que se deve possibilitar uma recuperação periódica para os trabalhadores da classe média em épocas de boa saúde, por intermédio da assistência do Estado - estas estão abertas a múltiplas objeções. Contudo, deve-se admitir que o livreto trata imaginativamente de importantes questões relativas à assistência médica.

  1. SIGM. FREUD

 

RESENHA DE DIE BEHADLUNG GEWISSER FORMEN VON NEURASTHENIE UND HYSTERIE, DE WEIR MITCHELL

 

O método terapêutico proposto por Weir Mitchell, originalíssimo especialista em doenças nervosas de Filadélfia, foi recomendado na Alemanha, pela primeira vez, por Burkart e teve pleno reconhecimento durante o ano passado, numa conferência proferida por Leyden. Esse método, combinando repouso no leito, isolamento, alimentação abundante, massagem e eletricidade, de forma estritamente controlada, supera os estados de exaustão nervosa graves e de longa duração. É também Leyden o responsável pela consecução da tradução desse pequeno livro. Ele contém os mais valiosos conselhos para a seleção de casos adequados ao tratamento em questão e algumas observações interessantes sobre a atuação das diferentes forças terapêuticas que compõem o tratamento de Wier Mitchell. Sem dúvida, trará a todos os médicos uma ampliação de seus conhecimentos. A ordenação especificamente inglesa das frases e pensamentos talvez tenha sido preservada com demasiada exatidão na tradução. Os termos “histeria” e “histérico” são empregados quase sempre no sentido vulgar, e não no sentido científico dessa palavra tão deturpada.

  1. SIGM. FREUD

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ);

Sobre a lavagem cerebral e a violência atual em Londrina, Osny Mattanó Júnior, destaca que tem sido importante para o bem-estar e para a melhora clínica e social das vítimas desse problema, desse crime, o uso da espiritualidade, do amor, do convívio, da paciência, da família, do perdão, da aceitação, dos tratamentos de saúde, dos serviços do judiciário e das autoridades, das polícias, da informação, da educação e do trabalho, do lazer, do esporte, da arte e da cultura, e dos mass mídia; trata-se de um problema novo que envolve toda a humanidade, devido também a interferências extraterrestres pouco conhecidas, mas que tem o poder de efetuar a telepatia, que é usada na lavagem cerebral dos seres humanos da Terra.

 

MATTANÓ

(24/02/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha ao abordar a lavagem cerebral e a violência atual em Londrina, Osny Mattanó Júnior, destaca que tem sido importante para o bem-estar e para a melhora clínica e social das vítimas desse problema, desse crime, o uso da espiritualidade, do amor, do convívio, da paciência, da família, do perdão, da aceitação, dos tratamentos de saúde, dos serviços do judiciário e das autoridades, das polícias, da informação, da educação e do trabalho, do lazer, do esporte, da arte e da cultura, e dos mass mídia; trata-se de um problema novo que envolve toda a humanidade, devido também a interferências extraterrestres pouco conhecidas, mas que tem o poder de efetuar a telepatia, que é usada na lavagem cerebral dos seres humanos da Terra. Aqui o herói passa pela fase de ser engolido e consumido, isto dá a entender que o herói morreu, contudo é uma passagem do limiar mágico, uma esfera de renascimento que é simbolizada pelo útero ou ventre da baleia, o herói é assim lançado no desconhecido através da lavagem cerebral e da violência. Vemos aqui o nascimento do ¨espírito vermelho¨ quando o herói encara o seu grande monstro e é lançado no desconhecido, onde não distingue socialismo e nem comunismo. Aqui o socialismo e o comunismo são os modos de relação social que o nosso herói há de adotar para sobreviver, mesmo diante da frustração e das ideias ruinosas que a nossa própria mente cria, gera e desencadeia de acordo com as interações com o meio ambiente, e muitas vezes acaba aumentando os problemas em vez de solucioná-los e de cooperar com a realidade do outro objeto, neste caso socialista e comunista, contudo sem prejudicar a Democracia do seu próprio país, neste caso o Brasil que repudia o comunismo e o socialismo associando-os a práticas anti-democráticas, contudo estudar e especular a influência do socialismo e do comunismo sobre a Democracia e a personalidade, sobre o inconsciente e o comportamento, o subconsciente e a consciência parece-me oportuno em função de nossas relações com os BRICS.

 

MATTANÓ

(14/08/2025)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

HISTERIA (1888)

 

NOTA DO EDITOR INGLÊS

 

HYSTERIE

 (a) EDIÇÕES ALEMÃS:

1888 Em Handwörterbuch der gesamten Medizin, org. de A. Villaret, Stuttgart, 1, 886-92.

1953 Psyche, 7 (9), 486-500.

 

A presente tradução, de James Strachey, parece ser a primeira para o inglês.

 

Em duas das cartas que escreveu a Fliess, publicadas nos Anfänge (1950a), datadas de 28 de maio (Carta 4) e 29 de agosto (Carta 5) de 1888 - e, implicitamente, numa terceira, de 24 de novembro de 1887 (Carta 1) -, Freud fala de suas contribuições à enciclopédia de Villaret, obra publicada em dois volumes (1888 e 1891). De vez que os verbetes na Villaret não levam assinatura, não é possível ter completa certeza da autoria deles. O próprio Freud especifica apenas um deles nessas cartas - o que trata de anatomia cerebral - e queixa-se de que sofreu muitos cortes; contudo, em seu Estudo Autobiográfico (1925d), menciona também um verbete sobre a afasia, Edição Standard Brasileira, Vol. XX, [1], IMAGO Editora, 1976. Os organizadores dos Anfänge sugerem ainda que os verbetes sobre as lesões cerebrais infantis e sobre as paralisias poderiam ser atribuídos a ele e, com maior convicção, incluem como sendo provavelmente de Freud o que se refere à histeria, que é apresentado a seguir.

A reimpressão, em 1953, desse verbete em Psyche, periódico de Stuttgart, vem precedida de um breve artigo escrito pelo Professor Paul Vogel, que faz um resumo admirável e convincente dos argumentos que fazem crer seja o verbete realmente da autoria de Freud. Ninguém pode ter dúvidas quanto à sua autoria, lendo-o em conexão com os escritos contemporâneos de Freud. À parte toda uma série de reproduções de pontos de vista expostos por Freud em outros trabalhos que levam sua assinatura, existe um determinado aspecto que parece conclusivo. Trata-se de uma passagem, quase na parte final, em que o método catártico de tratamento é descrito explicitamente e atribuído a Breuer. Nessa data (1888), o método de Breuer não tinha sido publicado nem por ele próprio nem por outra pessoa. Sua primeira publicação deu-se na “Comunicação Preliminar”, de Breuer e Freud, mais de quatro anos depois (1893a). Freud, segundo ele próprio nos relata (1925d, Edição Standard Brasileira, Vol. XX, [1], IMAGO Editora, 1976), há muito gozava da confiança de Breuer e tinha tomado conhecimento de seu método ainda antes de ir a Paris (em 1885). Assim, a autoria de Freud pode ser dada como estabelecida.

O verbete, em seu conjunto, mostra Freud ainda seguindo fielmente as doutrinas de Charcot na sua descrição da histeria, embora, sem levar em conta a referência a Breuer, haja duas ou três passagens, especialmente no final do verbete, em que existem claros sinais de uma atitude mais independente.

HISTERIA

 

HISTERIA (udtera, útero); (hystérie, em francês; hysterics [sic],em inglês; isteria, f., isterismo, m., em italiano).

 

  1. HISTÓRIA. - O nome “histeria” tem origem nos primórdios da medicina e resulta do preconceito, superado somente nos dias atuais, que vincula as neuroses às doenças do aparelho sexual feminino. Na Idade Média, as neuroses desempenharam um papel significativo na história da civilização; surgiam sob a forma de epidemias, em conseqüência de contágio psíquico, e estavam na origem do que era fatual na história da possessão e da feitiçaria. Alguns documentos daquela época provam que sua sintomatologia não sofreu modificação até os dias atuais. Uma abordagem adequada e uma melhor compreensão da doença tiveram início apenas com os trabalhos de Charcot e da escola do Salpêtrière, inspirada por ele. Até essa época, a histeria tinha sido a bête noireda medicina. Os pobres histéricos, que em séculos anteriores tinham sido lançados à fogueira ou exorcizados, em épocas recentes e esclarecidas, estavam sujeitos à maldição do ridículo; seu estado era tido como indigno de observação clínica, como se fosse simulação e exagero.

A histeria é uma neurose no mais estrito sentido da palavra - quer dizer, não só não foram achadas nessa doença alterações perceptíveis do sistema nervoso, como também não se espera que qualquer aperfeiçoamento das técnicas de anatomia venha a revelar alguma dessas alterações. A histeria baseia-se total e inteiramente em modificações fisiológicas do sistema nervoso; sua essência deve ser expressa numa fórmula que leve em consideração as condições de excitabilidade nas diferentes partes do sistema nervoso. Uma fórmula fisiopatológica desse tipo, no entanto, ainda não foi descoberta; por enquanto, devemo-nos contentar em definir a neurose de um modo puramente nosográfico, pela totalidade dos sintomas que ela apresenta, da mesma forma como a doença de Graves se caracteriza por um grupo de sintomas - exoftalmia, bócio, tremor, aceleração do pulso e alteração psíquica -, sem qualquer consideração relativa a alguma conexão mais íntima entre esses fenômenos.

 

  1. DEFINIÇÃO. - As autoridades alemãs, assim como as inglesas, ainda hoje têm o hábito de distribuir caprichosamente as descrições “histeria”e “histérico” e de agrupar indiscriminadamente a “histeria” com os estados nervosos em geral, a neurastenia, muitos dos estados psicóticos e muitas neuroses que ainda não foram retiradas do caos das doenças nervosas. Charcot, pelo contrário, sustenta com firmeza a opinião de que a “histeria” é um quadro clínico nitidamente circunscrito e bem definido, que pode ser reconhecido com bastante clareza nos casos extremos daquilo que se conhece como “grande hystérie” [grande histeria] (ou histeroepilepsia). A histeria cobre também as formas mais brandas e rudimentares que ocorrem numa série que abrange toda uma gradação, desde o tipo da grande hystérieaté o tipo normal. A histeria é fundamentalmente diferente da neurastenia, e, na verdade, estritamente falando, é o contrário desta.

 

III. SINTOMATOLOGIA. - A sintomatologia da “grande histeria”, extremamente rica, mas nem por isso anárquica, compõe-se de uma série de sintomas que incluem os seguintes:

(1) Ataques convulsivos. Estes são precedidos de uma “aura” peculiar: pressão no epigástrio, constrição na garganta, latejamento nas têmporas, zumbido nos ouvidos, ou partes desse complexo de sensações. Essas sensações-aura, como são chamadas, também surgem, nos pacientes histéricos, como sintomas isolados, ou representam em si mesmas um ataque. É especialmente conhecido o globus hystericus, uma sensação atribuível aos espasmos da faringe, como se uma bola estivesse subindo do epigástrio para a garganta. Um ataque propriamente dito, quando completo, apresenta três fases. A primeira, “epileptóide”, assemelha-se a um ataque epiléptico unilateral. A segunda fase, a dos “grands mouvements”, apresenta movimentos de “salamaleque”, atitudes em arco (arc de cercle), contorções e outros. A força desenvolvida nesses ataques é, com freqüência, muito grande. Para diferençar esses movimentos de um ataque epiléptico, deve-se observar que os movimentos histéricos sempre são executados com certa correção e de modo coordenado, o que contrasta nitidamente com a cega brutalidade dos espasmos epilépticos. Além disso, mesmo nas convulsões histéricas mais violentas, geralmente se evitam os ferimentos comparativamente graves. A terceira fase, a fase alucinatória do ataque histérico, a das “attitudes passionelles”, distingue-se pelas atitudes e posturas que sugerem cenas de movimento passional, que o paciente alucina e freqüentemente acompanha com as palavras correspondentes. Durante todo o ataque, a consciência pode conservar-se ou se perder - mais freqüentemente ocorre a última dessas possibilidades. Os ataques do tipo descrito seguem-se freqüentemente uns aos outros, em série, de modo que o ataque inteiro pode durar diversas horas ou dias. É insignificante a elevação de temperatura durante os mesmos (em contraste com o que acontece na epilepsia). Cada fase do ataque ou cada parte separada de uma fase pode estar isolada e pode representar o ataque em casos rudimentares. Naturalmente, os ataques abreviados desse tipo são encontrados com freqüência incomparavelmente maior do que os ataques completos. Possuem especial interesse ataques histéricos que, em lugar das três fases, exibem um coma que surge de maneira apoplectiforme - os chamados “ataques de sommeil” [ataques de sono]. Esse coma pode assemelhar-se ao sono natural ou acompanhar-se de tamanha diminuição da respiração e da circulação a ponto de ser confundido com a morte. Existem casos autênticos de estados dessa espécie que duram semanas e meses; nesse sono prolongado, a nutrição corporal diminui gradualmente, mas não há risco de vida. - Em cerca de um terço dos casos de histeria, o sintoma dos ataques, o mais característico, está ausente.

(2) Zonas histerógenas. Em íntima conexão com os ataques, encontramos as chamadas “zonas histerógenas”, áreas supersensíveis do corpo, nas quais um leve estímulo desencadeia um ataque cuja aura muitas vezes começa por uma sensação proveniente dessa área. Tais áreas podem situar-se na pele, nas partes profundas, nos ossos, nas membranas mucosas, até mesmo nos órgãos dos sentidos. São encontradas com maior freqüência no tronco do que nos membros e têm preferência por determinados locais - por exemplo, nas mulheres (e mesmo nos homens), numa área da parede abdominal correspondente aos ovários, na região coronária do crânio e na região inframamária; e nos homens, nos testículos e no cordão espermático. A pressão nessas áreas desencadeia, com freqüência, não uma convulsão, mas sim sensações-aura. A partir de muitas das zonas histerógenas também é possível exercer uma influência inibidora sobre os ataques convulsivos; uma vigorosa pressão sobre a área ovariana, por exemplo, desperta muitas pacientes no meio de um ataque histérico ou de um sono histérico. No caso dessas pacientes, pode-se fazer a prevenção de um ataque ameaçador fazendo-as usar um cinto semelhante auma funda para hérnia, cuja almofada comprima a área ovariana. As zonas histerógenas às vezes são numerosas, às vezes poucas, e podem ser unilaterais ou bilaterais.

(3) Distúrbios da sensibilidade. Estes são os sinais mais freqüentes da neurose e os mais importantes do ponto de vista diagnóstico. Persistem mesmo durante os períodos de remissão e são os mais importantes, porque os distúrbios da sensibilidade desempenham um papel relativamente pequeno nas doenças cerebrais orgânicas. Consistem em anestesia ou hiperestesia e apresentam, quanto à extensão e ao grau de intensidade, uma variabilidade não observada em nenhuma outra doença. A anestesia pode afetar a pele, as membranas mucosas, os ossos, os músculos e nervos, os órgãos dos sentidos e os intestinos; contudo, o mais comum é a anestesia da pele. No caso da anestesia histérica da pele, todas as diferentes espécies de sensações da pele podem ser dissociadas e comportar-se de forma muito independente umas das outras. A anestesia pode ser total ou atingir apenas a sensação de dor (analgesia - que é a mais comum), ou apenas as sensações de temperatura, pressão ou eletricidade, ou a sensibilidade muscular. Só uma possibilidade não se concretiza na histeria: uma diminuição do sentido do tato enquanto as outras propriedades são mantidas. Por outro lado, pode ocorrer que as sensações puramente táteis dêem origem a uma sensação de dor (alfalgesia). Muitas vezes, a anestesia histérica atinge um grau tão elevado que a mais potente faradização dos troncos nervosos não produz qualquer reação sensorial. Quanto à extensão, a anestesia pode ser total; em casos raros, pode afetar toda a superfície da pele e a maioria dos órgãos dos sentidos. Com maior freqüência, no entanto, trata-se de uma hemianestesia, como a que é produzida por uma lesão da cápsula interna; distingue-se, porém, da hemianestesia devida a doença orgânica pelo fato de que geralmente ultrapassa a linha média em algum ponto - por exemplo, inclui a língua, a laringe ou os genitais como um todo - e os olhos não são afetados sob a forma de hemianopsia, e sim de ambliopia ou amaurose em um olho. Ademais, a hemianestesia histérica apresenta maior variabilidade na forma como se distribui; pode acontecer que um dos órgãos dos sentidos ou um órgão localizado no lado anestesiado escape inteiramente à anestesia, e qualquer área sensível no quadro da hemianestesia pode ser substituída pela área simétrica do outro lado (transfert espontâneo, ver [em [1]]). Por fim, a anestesia histérica pode surgir em focos disseminados unilaterais ou bilaterais, ou simplesmente em determinadas áreas, de forma monoplégica nos membros ou em áreas situadas sobre órgãos internos atingidos por alguma doença (faringe, estômago etc.).

 

Em todas essas relações, ela pode ser substituída pela hiperestesia.

No caso da anestesia histérica, os reflexos sensoriais ficam geralmente diminuídos, como, por exemplo, o reflexo conjuntival, o do espirro e o faringiano; os reflexos vitais da córnea e da glote são, porém, mantidos. Os reflexos vasomotores e a dilatação pupilar mediante estimulação da pele não são interrompidos sequer no caso do mais elevado grau de anestesia. A anestesia histérica é sempre um sintoma a ser pesquisado pelo médico, de vez que, na maior parte dos casos, mesmo quando tem ampla extensão e grande gravidade, geralmente escapa totalmente à percepção do paciente. Em contraste com a anestesia orgânica, deve-se enfatizar que os distúrbios histéricos da sensibilidade, a rigor, não prejudicam os pacientes em nenhuma atividade motora. As áreas da pele que estão histericamente anestesiadas caracterizam-se, com freqüência, por anemia local e não sangram quando picadas; isso é apenas uma complicação, não constituindo, porém, condição necessária da anestesia. É possível separar artificialmente os dois fenômenos um do outro. Freqüentemente existe uma relação recíproca entre a anestesia e as zonas histerógenas, como se toda a sensibilidade de uma parte relativamente grande do corpo estivesse comprimida numa única zona. - Os distúrbios da sensibilidade são os sintomas nos quais é possível basear um diagnóstico de histeria, mesmo nas suas formas mais rudimentares. Na Idade Média, a descoberta de áreas anestésicas e não-hemorrágicas (sigmata Diaboli) era considerada prova de feitiçaria.

(4) Distúrbios da atividade sensorial. Estes podem afetar todos os órgãos dos sentidos e podem aparecer simultaneamente com ou independentemente de modificações na sensibilidade da pele. O distúrbio histérico da visão consiste em amaurose ou ambliopia unilaterais, ou ambliopia bilateral, mas nunca em hemianopsia. Seus sintomas são: fundo de olho normal ao exame; ausência do reflexo conjuntival (reflexo corneano diminuído); estreitamento concêntrico do campo visual; redução da percepção luminosa; e acromatopsia. No caso do último sintoma citado, a sensibilidade ao roxo é a primeira a ser perdida, e a sensibilidade ao vermelho ou ao azul é a que persiste por mais tempo. Os fenômenos não se coadunam com nenhuma teoria do daltonismo; as diferentes sensibilidades às cores comportam-se independentemente umas das outras. São freqüentes os distúrbios da acomodação, assim como as falsas conclusões deles resultantes. Os objetos que se aproximam do olho e que dele se afastam são vistos em tamanhos diferentes e duplicados ou multiplicados (diplopia monocular com macropsia ou micropsia). - A surdez histérica raramente é bilateral; é, com muita freqüência, mais ou menos completa, combinada com anestesia do pavilhão da orelha, do canal auditivo e até mesmo da membrana do tímpano. Quando existe distúrbio histérico do paladar e também do olfato, via de regra é possível encontrar anestesia das regiões da pele e da membrana mucosa pertencentes aos órgãos desses sentidos. São freqüentes em pacientes histéricos a parestesia e a hiperestesia dos órgãos inferiores dos sentidos; às vezes, há uma extraordinária exacerbação da atividade sensória, especialmente do olfato e da audição.

(5) Paralisias. As paralisias histéricas são mais raras do que a anestesia e quase sempre acompanhadas de anestesia da parte do corpo paralisada, ao passo que, nas doenças orgânicas, os distúrbios da motilidade predominam e surgem independentemente da anestesia. As paralisias histéricas não levam em conta a estrutura anatômica do sistema nervoso, a qual, conforme se sabe, evidencia-se da maneira mais inequívoca na distribuição das paralisias orgânicas. Acima de tudo, não existem paralisias histéricas que se possam equiparar às paralisias periféricas do facial, do radial ou do denteado - isto é, que abranjam grupos de músculos ou de músculos e pele, agrupados segundo a inervação anatômica comum. As paralisias histéricas só são comparáveis às paralisias corticais, porém se distinguem destas por múltiplos aspectos. Assim, existe a hemiplegia histérica na qual, entretanto, são atingidos somente o braço e a perna do mesmo lado: não existe paralisia facial histérica. Quando muito, além da paralisia dos membros, pode haver uma contratura dos músculos faciais e da língua, situada, às vezes, no lado da paralisia e, às vezes, no lado oposto, e manifestada, entre outras coisas, por um excessivo desvio da língua. Uma outra característica que distingue a hemiplegia histérica é o fato de que a perna paralisada não se movimenta, na articulação da coxa, em circundução, mas é arrastada como um apêndice morto. A hemiplegia histérica sempre está ligada a uma hemianestesia que, em geral, é de intensidade comparativamente grave. Além disso, na histeria encontramos paralisia de um braço ou de uma perna, independentemente, ou de ambas as pernas (paraplegia). Nesse último caso, a paralisia do intestino e da bexiga pode acompanhar a anestesia das pernas e, por conseguinte, o quadro clínico pode vir a se assemelhar de perto a uma paraplegia medular. E mais, a paralisia, em vez de se estender a um membro em todas as suas partes, pode afetar segmentos do mesmo - mão, ombro, cotovelo etc. Com relação a isso, não há preferência para a parte distal, ao passo que é característico de uma paralisia orgânica ser esta sempre mais marcada na porção distal de um membro do que nas partes proximais. No caso de paralisia parcial de um membro, a anestesia geralmente obedece aos mesmos limites que a paralisia e é circunscrita por linhas que fazem ângulos retos com o eixo longitudinal do membro. Na paralisia histérica das pernas, o triângulo de pele situado entre os músculos glúteos, correspondente ao nervo sacro, não é afetado pela anestesia. Em todas essas paralisias estão ausentes os fenômenos da degeneração descendente, por mais que durem as paralisias; muitas vezes, há uma intensa flacidez muscular e o comportamento dos reflexos é inconstante; por outro lado, os membros paralisados podem atrofiar-se, e realmente sucumbem a uma atrofia que se desenvolve muito rapidamente, logo atinge uma parada e não se faz acompanhar por nenhuma alteração na excitabilidade elétrica. Às paralisias dos membros deve-se acrescentar a afasia histérica, ou, mais corretamente, a mudez, que consiste numa incapacidade de produzir qualquer som articulado ou [mesmo] de executar movimentos da fala sem voz. É sempre acompanhada de afonia, que também pode ocorrer isoladamente; nesses casos, a capacidade de escrever é conservada e até mesmo aumentada. As demais paralisias motoras encontradas na histeria não podem ser relacionadas a partes do corpo, mas apenas a funções, como, por exemplo, astasia e abasia (incapacidade de andar e de manter-se de pé); isto ocorre enquanto as pernas mantêm sua sensibilidade, sua força total e a capacidade de executar qualquer tipo de movimento quando em posição horizontal - uma separação das funções dos mesmos músculos não encontrada nas lesões orgânicas. Todas as paralisias histéricas distinguem-se pelo fato de que podem ser da maior gravidade, mas, ao mesmo tempo, limitam-se nitidamente a uma determinada parte do corpo, ao passo que as paralisias orgânicas, via de regra, estendem-se por uma área maior, à medida que sua gravidade aumenta.

(6) Contraturas. Nas formas mais graves de histeria, há uma tendência geral no sentido de o aparelho reagir a pequenos estímulos através de contratura (diathèse de contracture). Para isso pode ser suficiente a simples aplicação de uma faixa de Esmarch. As contraturas dessa espécie também ocorrem com freqüência em casos graves e nos músculos mais variados. Nos membros, elas se caracterizam por sua excessiva intensidade e podem ocorrer em qualquer posição, o que não se explica pela estimulação de determinados troncos nervosos. Apresentam uma persistência incomum, não relaxam com o sono, como ocorre com as contraturas orgânicas, e não se consegue modificar sua intensidade mediante excitação, temperatura etc. Somente cedem com a narcose mais profunda, e recobram sua intensidade total quando o paciente acorda. As contraturas musculares são muito freqüentes nos outros órgãos, nos órgãos dos sentidos, nos intestinos e, num grande número de casos, também constituem o mecanismo pelo qual a função fica suspensa nas paralisias. A tendência aos espasmos clônicos também aumenta muito na histeria.

(7) Características gerais. A sintomatologia da histeria tem uma série de características gerais; conhecê-las é importante tanto para o diagnóstico como para a compreensão da histeria. As manifestações histéricas têm, preferentemente, a característica de serem exageradas: uma dor histérica é descrita pelos pacientes como extremamente dolorosa; uma anestesia e uma paralisia podem com facilidade tornar-se absolutas; uma contratura histérica causa a maior retração de que um músculo é capaz. Ao mesmo tempo, qualquer sintoma particular pode ocorrer, por assim dizer, isoladamente: a anestesia e a paralisia não se acompanham dos fenômenos gerais que, no caso das lesões orgânicas, evidenciam a afecção cerebral e que, no geral, devido a sua importância, obscurecem os sintomas localizados. Muito próximo de uma área de pele absolutamente insensível, poderá haver uma outra área de sensibilidade absolutamente normal. Concomitantemente com um braço completamente paralisado, poderá haver, do mesmo lado, uma perna perfeitamente intacta. É especialmente característico da histeria que seja um distúrbio, ao mesmo tempo, desenvolvido no mais alto grau e limitado da maneira mais nítida. Ademais, os sintomas histéricos mudam de uma forma que, de saída, exclui qualquer suspeita de lesão orgânica. Essa mutabilidade dos sintomas realiza-se ou espontaneamente (por exemplo, depois de ataques convulsivos, que muitas vezes alteram a distribuição da paralisia e da anestesia, ou as interrompem), ou por influência artificial dos chamados métodos estesiogênicos, tais como a eletricidade, a aplicação de metais, o emprego de irritantes cutâneos, ímãs etc. Esse último método de influência parece extremamente notável, tendo em vista o fato de que um sistema nervoso histérico oferece, em regra geral, uma grande resistência à influência química por meio da medicação interna e reage de forma decididamente refratária aos narcóticos como a morfina e o hidrato de cloral. - Entre os meios capazes de remover os sintomas histéricos, cabe mencionar com especial ênfase a influência da excitação e da sugestão hipnótica, esta última porque atinge diretamente o mecanismo dos distúrbios histéricos e não se pode suspeitar que produza nenhum outro efeito além dos efeitos psíquicos. Quando os sintomas histéricos mudam, algumas circunstâncias marcantes entram em jogo. Pelo uso de métodos “estesiogênicos” é possível transferir uma anestesia, uma paralisia, uma contratura, um tremor etc. para a área simétrica da outra metade do corpo (“transfert”), enquanto a área originalmente afetada se normaliza. Desse modo, a histeria fornece provas da relação simétrica, havendo, ademais, indícios de que tal relação desempenha um papel também nos estados fisiológicos - tal como, em geral, as neuroses não criam nada de novo, mas simplesmente desenvolvem e exageram as relações fisiológicas. Uma outra característica muito importante dos distúrbios histéricos é que estes de modo algum representam uma cópia das condições anatômicas do sistema nervoso. Pode-se dizer que a histeria é tão ignorante da ciência da estrutura do sistema nervoso como nós o somos antes de tê-la aprendido. Os sintomas de afecções orgânicas, como se sabe, refletem a anatomia do órgão central e são as fontes mais fidedignas de nosso conhecimento a respeito dele. Por essa razão, temos de descartar a idéia de que na origem da histeria esteja situada alguma possível doença orgânica; e não devemos apelar para as influências vasomotoras (espasmos vasculares) como causa dos distúrbios histéricos. Um espasmo vascular é, em essência, uma modificação orgânica, cujo efeito é determinado pelas condições anatômicas; difere da embolia, por exemplo, somente pelo fato de que não produz nenhuma alteração permanente.

Juntamente com os sintomas físicos da histeria, pode-se observar toda uma série de distúrbios psíquicos nos quais, futuramente, serão sem dúvida encontradas as modificações características da histeria, mas cuja análise, até o momento, mal começou. Esses distúrbios psíquicos são alterações no curso e na associação de idéias, inibições na atividade da vontade, exagero e repressão dos sentimentos etc. - que podem ser resumidos como alterações na distribuição normal, no sistema nervoso, das quantidades estáveis de excitação. Uma psicose, no sentido psiquiátrico do termo, não faz parte da histeria, ainda que possa desenvolver-se sobre a base do estado histérico, nesse caso devendo ser considerada uma complicação. Aquilo que popularmente se descreve como temperamento histérico - instabilidade da vontade, alterações do humor, aumento da excitabilidade com diminuição de todos os sentimentos altruísticos - pode estar presente na histeria, mas não é absolutamente necessário para seu diagnóstico. Existem casos graves de histerianos quais está inteiramente ausente uma alteração psíquica desse tipo; muitos dos pacientes que pertencem a essa classe encontram-se entre as pessoas mais amáveis e inteligentes, de vontade muito forte, que percebem nitidamente sua doença como algo alheio à sua natureza. Os sintomas psíquicos têm sua significação dentro do quadro total da histeria, mas não são mais constantes do que os diferentes sintomas físicos, os estigmas. Por outro lado, as modificações psíquicas, que devem ser assinaladas como o fundamento do estado histérico, ocorrem inteiramente na esfera da atividade cerebral inconsciente, automática. Talvez ainda se possa acentuar que na histeria (como em todas as neuroses) aumenta a influência dos processos psíquicos sobre os processos físicos do organismo, e que os pacientes histéricos funcionam com um excesso de excitação no sistema nervoso - excesso que se manifesta ora como inibidor, ora como irritante, deslocando-se com grande mobilidade dentro do sistema nervoso. [1]

A histeria deve ser considerada como um estado, uma diátese nervosa que eclode de tempos em tempos. A etiologia do status hystericus deve ser buscada inteiramente na hereditariedade: os histéricos sempre têm uma disposição hereditária para perturbações da atividade nervosa; entre seus parentes são encontrados epilépticos, doentes mentais, tabéticos etc. A transmissão hereditária direta da histeria também é constatada; e é a origem, por exemplo, do surgimento da histeria em meninos (originária da mãe). Comparados com o fator, da hereditariedade, todos os outros fatores situam-se em lugar secundário e assumem o papel de causas incidentais, cuja importância quase sempre é superestimada na prática. As causas acidentais de histeria, no entanto, são importantes na medida em que desencadeiam o início de ataques histéricos, de histerias agudas. Como fatores capazes de propiciar o desenvolvimento de uma disposição histérica, podem ser mencionados: a criação cheia de mimos (histeria em filhos únicos), o despertar prematuro da atividade mental nas crianças, excitamentos freqüentes e violentos. Todas essas influências possuem igual tendência a produzir neuroses de outros tipos (por exemplo, neurastenia), de forma que nisto fica flagrantemente demonstrada a influência decisiva da disposição hereditária. Como fatores que fazem irromper a doença histérica aguda podem se citados: trauma, intoxicação (chumbo, álcool), luto, emoção comsumptiva - tudo, enfim, capaz de exercer um efeito de natureza prejudicial. Em outras ocasiões, os estados histéricos muitas vezes são gerados por causas banais ou obscuras. No que diz respeito ao que freqüentemente se considera como a influência preponderante das anormalidades na esfera sexual sobre o desenvolvimento da histeria, deve-se dizer que, no mais das vezes, sua importância é superestimada. Em primeiro lugar, a histeria é encontrada em meninas e meninos sexualmente imaturos, do mesmo modo como a neurose também ocorre com todas as suas características no sexo masculino, embora muito mais raramente (1:20). Ademais, a histeria tem sido constatada em mulheres que apresentam ausência total da genitália, e todo médico deve ter verificado numerosos casos de histeria em mulheres cujos genitais não mostravam absolutamente nenhuma alteração anatômica; do mesmo modo, em contrapartida, a maioria das mulheres com doenças dos órgãos sexuais não sofre de histeria. Entretanto, tem-se de admitir que as condições funcionalmente relacionadas à vida sexual desempenham importante papel na etiologia da histeria (assim como na de todas as neuroses), e isto se dá em virtude da elevada significação psíquica dessa função, especialmente no sexo feminino. - O trauma é uma causa incidental freqüente da doença histérica, em dois sentidos: primeiro, porque a disposição histérica, anteriormente não detectada, pode manifestar-se por ocasião de um trauma físico intenso, que se acompanha de medo e perda momentânea da consciência; em segundo lugar, porque a parte do corpo afetada pelo trauma se torna sede de uma histeria local. Assim, por exemplo, em pessoas histéricas, a uma leve contusão da mão pode seguir-se o desenvolvimento de uma contratura da mão, ou, em circunstâncias análogas, pode-se desenvolver uma coxalgia dolorosa, e assim por diante. Para os cirurgiões, é da maior importância ter um conhecimento mais íntimo dessas afecções rebeldes; em casos dessa espécie, uma intervenção cirúrgica não pode senão prejudicar. O diagnóstico diferencial desses estados nem sempre é fácil, especialmente quando eles envolvem articulações. Os estados mórbidos causados por trauma geral grave (acidentes ferroviários etc.), conhecidos como “railway spine” e “railway brain”, são considerados histeria por Charcot, com o que concordam os autores americanos, com inquestionável autoridade nesse assunto. Esses estados freqüentemente possuem a mais sombria e grave aparência; apresentam-se combinados com depressão e humor melancólico e mostram, seja de que maneira for, em numerosos casos, uma combinação de sintomas histéricos com sintomas neurastênicos e orgânicos. Charcot provou que também a encefalopatia conseqüente ao saturnismo está relacionada com a histeria e, ademais, que a anestesia comum nos alcoólatras não é uma doença à parte, mas sim um sintoma de histeria. Contudo, opõe-se à idéia de estabelecer diferentes subespécies de histeria (traumática, alcoólica, saturnina etc.); ele insiste em que a histeria é sempre a mesma e que simplesmente é provocada por uma série de diferentes causas incidentais. Também na sífilis de instalação recente tem-se observado o surgimento de sintomas histéricos.

 

  1. EVOLUÇÃO DA HISTERIA. - A histeria, mais do que uma doença circunscrita, representa uma anomalia constitucional. Em geral, seus primeiros sinais provavelmente aparecem na adolescência. Na verdade, as doenças histéricas, mesmo as de gravidade considerável, não são raridade em crianças entre seis e dez anos. Em meninos e meninas de intensa disposicão histérica, o período anterior e posterior à puberdade enseja um primeiro surto da neurose. Na histeria infantil são encontrados os mesmos sintomas das neuroses dos adultos. No entanto, os estigmas quase sempre são mais raros; em primeiro plano estão as alterações psíquicas, os espasmos, os ataques e as contraturas. As crianças histéricas são, com bastante freqüência, precoces e altamente dotadas; em numerosos casos, a histeria é, por certo, simplesmente sintoma de profunda degeneração do sistema nervoso, que se manifesta em perversão moral permanente. Conforme se sabe, a juventude, dos quinze anos em diante, é o período no qual a neurose histérica, na maioria das vezes, se mostra ativa em pessoas do sexo feminino. Isto pode acontecer devido a uma sucessão ininterrupta de distúrbios relativamente leves (histeria crônica), ou devido a diversos surtos graves (histeria aguda) separados por intervalos livres que duram anos. Em geral, os primeiros anos de um casamento feliz interrompem a doença; quando as relações conjugais se tornam mais frias e os nascimentos sucessivos acarretam um esvaziamento, reaparece a neurose. Nas mulheres com mais de quarenta anos, a doença geralmente não apresenta fenômenos novos; mas os antigos sintomas podem persistir, e até mesmo numa idade avançada a doença pode intensificar-se diante de provocações fortes. Os homens em idade juvenil parecem particularmente suscetíveis à histeria devida a trauma e intoxicação. A histeria masculinatem a aparência de uma doença grave; os sintomas que produz são quase sempre pertinazes; a doença, em homens, de vez que tem a importância maior de provocar uma interrupção do trabalho, tem também maior importância prática. - Também existe algo de característico a respeito do rumo que tomam os diferentes sintomas histéricos (como as contraturas, as paralisias etc.) Em alguns casos, os sintomas isolados desaparecem espontaneamente, com grande rapidez, e dão lugar a outros, igualmente transitórios; em outros casos, todos os fenômenos são dominados por grande fixidez. As contraturas e paralisias muitas vezes podem durar anos e, depois, desaparecer inesperada e subitamente. De modo geral, não há limite para a curabilidade dos distúrbios histéricos; é característico de uma função acometida de distúrbio, depois de estar interrompida durante anos, ser, de repente, restaurada em sua totalidade. Por outro lado, a evolução dos distúrbios histéricos muitas vezes exige uma espécie de incubação, ou melhor, um período de latência, durante o qual a causa desencadeante continua atuando no inconsciente. Assim, é raro que uma paralisia histérica apareça imediatamente depois de um trauma; as pessoas envolvidas num acidente de trem, por exemplo, são totalmente capazes de movimentar-se após o trauma e vão para casa aparentemente incólumes; somente alguns dias ou semanas depois é que se produzem os fenômenos que levam à conjectura de uma “concussão da medula”. Assim, também a recuperação que se opera bruscamente requer, em geral, um período de diversos dias para se desenvolver. Em todo caso, pode-se afirmar que a histeria nunca constitui grave risco de vida, mesmo nas suas manifestações mais ameaçadoras. Além disso, nos próprios casos mais prolongados de histeria, preservam-se uma completa clareza intelectual e uma capacidade até para realizações não-corriqueiras.

A histeria pode estar combinada com muitas outras doenças nervosas neuróticas e orgânicas, e tais casos oferecem grandes dificuldades à análise. A mais comum é a combinação da histeria com a neurastenia; isto ocorre ou quando se tornam neurastênicas as pessoas cuja disposição histérica está quase esgotada, ou quando impressões agravantes desencadeiam ambas as neuroses simultaneamente. Infelizmente, a maioria dos médicos ainda não aprendeu a fazer a distinção entre essas duas neuroses. Essa combinação é encontrada, com muita freqüência, em homens histéricos. O sistema nervoso masculino tem uma disposição tão preponderante para a neurastenia como o feminino para a histeria. Além disso, também é superestimada a freqüência da histeria feminina; a maioria das mulheres que os médicos supõem sejam histéricas são, estritamente falando, apenas neurastênicas. Ademais, a “histeria local” pode acompanhar doenças locais de órgãos isolados; uma articulação que está realmente micótica pode se tornar sede de artralgia histérica; um estômago com afecção catarral pode originar vômitos histéricos, globus hystericus e anestesia ou hiperestesia da mucosa do epigástrio. Nesses casos, a doença orgânica torna-se causa eventual da neurose. As doenças febris geralmente interrompem o desenvolvimento da neurose histérica; uma hemianestesia histérica regride na presença de febre.

 

  1. TRATAMENTO DA NEUROSE. - Esse assunto dificilmente pode ser abordado em poucas palavras. Nenhuma outra doença dispõe o médico a fazer tantos milagres ou mostrar-se tão impotente. Do ponto de vista do tratamento devem ser destacadas três tarefas: o tratamento da disposição histérica, dos ataques histéricos (histeria aguda) e dos sintomas histéricos isolados (histeria local). O tratamento da disposição histérica proporciona ao médico uma certa liberdade de escolha dos métodos. A disposição não pode ser eliminada, mas podem-se instituir medidas profiláticas, tomando-se cuidado para que os exercícios físicos e a higiene não sejam postos de lado em benefício exclusivo do trabalho intelectual; pode-se aconselhar a não sobrecarregar de esforços o sistema nervoso; pode-se tratar a anemia ou a clorose, que parecem emprestar um apoio especial à tendência à neurose; por fim, pode-se não levar em conta a importância dos sintomas histéricos benignos. Deve-se ter a cautela de não revelar com demasiada clareza o interesse, na qualidade de médico, por sintomas histéricos de pouca gravidade, a fim de não incentivá-los. O trabalho intelectual sério, ainda que árduo, raramente causa histeria, embora, por outro lado, esse reparo crítico possa ser endereçado à educação das melhores classes da sociedade, que se empenha pelo cultivo exagerado do sentimento e da sensibilidade. Nesse sentido, os métodos das gerações anteriores de médicos (que tratavam as manifestações histéricas nos jovens como má-criação e fraqueza da vontade e os ameaçavam com castigos) não eram métodos ruins, ainda que dificilmente estivessem baseados em concepções corretas. No tratamento da neurose em crianças, a proibição autoritária pode conseguir mais resultados do que qualquer outro método. Na verdade, esse tipo de tratamento não tem êxito algum quando aplicado à histeria de adultos ou a casos graves. No tratamento de histerias agudas, nas quais a neurose constantemente produz fenômenos novos, o trabalho do médico é penoso: é fácil cometer erros, e os êxitos são raros. A primeira condição para uma intervenção bem-sucedida consiste, quase sempre, em remover o paciente de suas condições habituais e isolá-lo do círculo em que ocorreu o ataque. Essas medidas não são por si mesmas benéficas, mas possibilitam uma estrita observação médica e permitem ao médico dedicar ao paciente uma atenção cuidadosa, sem a qual jamais terá êxito no tratamento da histeria. Via de regra, um homem histérico - ou uma mulher histérica - não constitui um único membro neurótico do círculo familiar. O alarma ou o excesso de preocupação dos pais ou dos parentes só fazem aumentar a excitação ou a tendência do paciente, quando nele existe uma modificação psíquica, a exibir sintomas mais intensos. Se, por exemplo, ocorre um ataque em determinada hora, diversas vezes e sucessivamente, esse ataque será aguardado pela mãe do paciente, com regularidade, na mesma hora; ansiosamente perguntará ao filho se ele não está se sentindo mal, com isso assegurando a repetição do evento temido. São muito raros os casos em que se consegue induzir os parentes a enfrentarem os ataques histéricos de uma criança com calma e aparente indiferença; em geral, o convívio com a família deve ser substituído por um período de internação em casa de saúde e a isto os parentes geralmente oferecem maior resistência do que os próprios pacientes. No sanatório as percepções deformadas do paciente diante da segurança amável e animadora do médico e sua convicção, que logo se transferem para o paciente, revelam que a neurose não é perigosa e pode ser curada rapidamente; a evitação de toda excitação emocional que possa contribuir para um ataque histérico; a aplicação de todo tipo de tratamentos revigorantes (massagem, faradização geral, hidroterapia) - sob todas essas influências, constata-se que as mais graves histerias agudas, que causaram ao paciente um total colapso físico e moral, dão lugar à saúde no decorrer de alguns meses. Nestes últimos anos, a chamada “cura de repouso” de Weir Mitchell (também conhecida como tratamento de Playfair) conquistou elevada e merecida reputação como método para tratamento da histeria em instituições. Ela consiste numa combinação de isolamento em absoluta tranqüilidade com aplicação sistemática de massagens e faradização geral; a assistência de uma enfermeira experiente é tão essencial como a influência constante do médico. Esse tratamento tem extraordinário valor na histeria, como a feliz combinação de “traitement moral” e de melhora no estado geral da nutrição do paciente. Não deve ser considerado, contudo, como algo sistematicamente completo em si mesmo; o isolamento, em especial, e a influência do médico permanecem sendo os agentes principais e, juntamente com a massagem e a eletricidade, os outros métodos terapêuticos não devem ser negligenciados. O melhor esquema consiste em, após quatro a oito semanas de repouso no leito, aplicar hidroterapiae ginástica, assim como encorajar ampla movimentação. No caso de outras neuroses, como, por exemplo, a neurastenia, o êxito do tratamento é muito menos seguro; baseia-se apenas no valor da alimentação abundante, na medida em que isto é possível a um aparelho digestivo neurastênico, e no valor do repouso; na histeria, o sucesso muitas vezes é extraordinário e permanente.

O tratamento dos sintomas histéricos isolados não oferece nenhuma perspectiva de êxito enquanto persiste a histeria aguda: os sintomas eliminados reaparecem ou são substituídos por outros, novos. No final, ambos, médico e paciente, se fatigam. A situação é diferente, contudo, quando os sintomas histéricos representam um resíduo da histeria aguda que findou seu curso, ou quando aparecem numa histeria crônica devido a alguma causa excitante especial, como localizações da neurose. Em princípio, nesses casos desaconselha-se a medicação interna, como também devem ser evitadas as drogas narcóticas. Prescrever uma droga narcótica em caso de histeria aguda não passa de grave erro técnico. No caso de histeria local e resistente, nem sempre é possível evitar os medicamentos internos; mas não se pode confiar em seu efeito. Este, às vezes, surge com rapidez mágica, às vezes não surge de modo algum, e parece depender da auto-sugestão do paciente ou da sua crença na sua eficácia. Ademais, podemos escolher entre iniciar o tratamento direto e o tratamento indireto da doença histérica. Este último consiste em negligenciar o problema local e visar a uma influência geral sobre o sistema nervoso, no decorrer da qual utilizamos vida ao ar livre, hidroterapia, eletricidade (de preferência mediante o tratamento com alta-tensão), e procuramos melhorar o sangue por meio de arsenicais e medicação ferrosa. Temos ainda, no uso do tratamento indireto, que considerar a remoção de fontes de estímulos, caso exista alguma de natureza física. Assim, por exemplo, os espasmos gástricos histéricos podem ter sua origem num catarro gástrico benigno, ao passo que uma área eritematosa na laringe ou uma tumefação nos cornetos podem originar uma persistente tussis hysterica. É realmente duvidoso que as alterações nos genitais realmente constituam, com tanta freqüência, fontes de estímulo para os sintomas histéricos. Tais casos devem ser examinados com maior senso crítico. O tratamento direto consiste na remoção das fontes psíquicas que estimulam os sintomas histéricos, e isto se torna compreensível se buscarmos as causas da histeria na vida ideativa inconsciente. Consiste em dar ao paciente sob hipnose uma sugestão que contém a eliminação do distúrbio em causa. Assim, por exemplo, curamos uma tussis nervosa hysterica fazendo pressão sobre a laringe do paciente hipnotizado e assegurando-lhe que foi removido o estímulo que o faz tossir, ou curamos uma paralisia histérica do braço compelindo o paciente, sob hipnose, a mover o membro paralisado, parte por parte. O efeito até se torna maior se adotarmos um método posto em prática, pela primeira vez, por Joseph Breuer, em Viena, e fizermos o paciente, sob hipnose, remontar à pré-história psíquica da doença, compelindo-o a reconhecer a ocasião psíquica em que se originou o referido distúrbio. Esse método de tratamento é novo, mas produz curas bem-sucedidas, que, por outros meios, não são alcançadas. É o método mais apropriado para a histeria, justamente porque imita o mecanismo da origem e da cessação desses distúrbios histéricos. Isso porque muitos sintomas histéricos que resistiram a todos os tratamentos desaparecem espontaneamente sob a influência de um motivo psíquico suficiente (por exemplo, uma paralisia da mão direita desaparecerá se, numa discussão, o paciente sentir ímpetos de dar um murro no ouvido do adversário), ou sob a influência de alguma excitação moral, de um susto ou de uma expectativa (por exemplo, em um local de peregrinação), ou, por fim, quando há uma drástica alteração das excitações no sistema nervoso, após um ataque convulsivo. O tratamento psíquico direto dos sintomas histéricos ainda será considerado o melhor no dia em que o entendimento da sugestão tiver penetrado mais profundamente nos círculos médicos (Bernheim - Nancy). - Atualmente, não se pode decidir com certeza até que ponto a influência psíquica desempenha um papel em alguns outros tratamentos aparentemente físicos. Assim, por exemplo, as contraturas podem ser curadas quando se consegue efetuar um transfert por meio de um ímã. Repetindo-se os transferts, a contratura torna-se mais débil e, afinal, desaparece.

 

  1. RESUMO. - Para sintetizar, podemos dizer que a histeria é uma anomalia do sistema nervoso que se fundamenta na distribuição diferente das excitações, provavelmente acompanhada de excesso de estímulos no órgão da mente. Sua sintomatologia mostra que esse excesso é distribuído por meio de idéias conscientes ou inconscientes. Tudo o que modifica a distribuição das excitações no sistema nervoso pode curar os distúrbios histéricos: esses efeitos são, em parte, de natureza física e, em parte, de natureza diretamente psíquica.

 

APÊNDICE: HISTEROEPILEPSIA

 

HISTEROEPILEPSIA (em francês, hystéroépilepsie; em inglês, hystero-epilepsy; em italiano, isteroepilessia).

Na histeroepilepsia observam-se ataques de convulsões generalizadas, como na epilepsia. Como precursores surgem: sensação de sufocação, dificuldade de deglutir, dor de cabeça e dor no estômago, vertigem e algumas sensações peculiares de estiramento nos membros. Os pacientes caem, emitindo forte grito, e são acometidos de convulsões, sua boca espuma e suas feições ficam deformadas. As convulsões, no início, são de natureza tônica, mas, depois, são clônicas. No entanto, em geral o ataque não se instala subitamente, como sucede na epilepsia. Por um curto espaço de tempo, os pacientes procuram lutar contra as convulsões, precaver-se de lesões graves por ocasião de quedas e evitar situações perigosas. Um epiléptico pode até cair dentro do fogo, mas isto não acontece com os histéricos. Enquanto aquele se mostra pálido no começo do ataque e, depois, se torna cianótico, a face de um histérico mantém aproximadamente a sua cor normal. Na histeria, são raras as lesões da língua decorrentes de mordedura. Nos ataques histeroepilépticos, ocorre muitas vezes um opistótono completo; isto geralmente não ocorre na epilepsia. Durante os ataques, a consciência não desaparece completamente, a não ser nos casos mais graves. Depois do ataque, o histérico em geral se recupera imediatamente; não subsistem a tendência ao sono e a fraqueza que são observadas nos epilépticos. Por outro lado, não são raras, depois, as visões de ratos, camundongos e cobras, bem como as alucinações auditivas. Além desses ataques, nesses pacientes são encontrados todos os sintomas da histeria.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

O nome ¨telepatia¨ repercute hoje nos primórdios das Novas Teorias e Epistemologias Psicológicas Mitológicas de Osny Mattanó Júnior como tema importante, e resulta também de um preconceito, difícil de ser superado, que vincula a ¨telepatia¨ a lavagem cerebral, a invasão de intimidade e de privacidade, a ilegalidade, a criminalidade, a violência, ao abuso sexual, a tortura, a pedofilia, por exemplo. Nota-se que os ¨telepaths¨ ou ¨telepatas¨ tem sido lançados à fogueira ou exorcizados, sujeitos à maldição do ridículo como bruxas e feiticeiros da Idade Média ou como os histéricos.

A ¨telepatia¨ assim como a lavagem cerebral podem serem chamadas de transtornos mentais, pois vem acompanhadas de sintomas e de outras doenças, como a depressão, a esquizofrenia, o pânico, a fobia, a ansiedade, a obesidade, os transtornos alimentares, o diabetes, o câncer, os tumores, o cansaço, o esgotamento físico.

A ¨telepatia¨ pode ser hereditária, porém influências ambientais podem ser determinantes na ativação ou na passividade ou desativação dessa habilidade ou comportamento; há fatores que podem associá-la a doenças, como: trauma, intoxicação, luto, emoção, tudo o que exerça um efeito prejudicial à sua natureza. Estes fatores podem assegurar a ¨telepatia¨ a nomenclatura de uma doença, de transtorno mental, até porque trás outros prejuízos a vida bio-psico-social do indivíduo como a ausência de sigilo e de segredo, ausência de silêncio e de privacidade, incapacitando-o para a intimidade sexual e para o trabalho, pois as leis exigem sigilo e segredo em assuntos ligados ao sexo e ao trabalho.

 

MATTANÓ

(25/02/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha o nome ¨telepatia¨ repercute hoje nos primórdios das Novas Teorias e Epistemologias Psicológicas Mitológicas de Osny Mattanó Júnior como tema importante, e resulta também de um preconceito, difícil de ser superado, que vincula a ¨telepatia¨ a lavagem cerebral, a invasão de intimidade e de privacidade, a ilegalidade, a criminalidade, a violência, ao abuso sexual, a tortura, a pedofilia, por exemplo. Nota-se que os ¨telepaths¨ ou ¨telepatas¨ tem sido lançados à fogueira ou exorcizados, sujeitos à maldição do ridículo como bruxas e feiticeiros da Idade Média ou como os histéricos. Vemos aqui que o ¨espírito vermelho¨ será revivificado com a escolha do herói como no caso dos ¨telepaths¨, que terá que enfrentar guardiões, dragões e monstros para penetrar no interior do seu templo, representação do socialismo ou do comunismo, serão desafios que leva-lo-ão a uma metamorfose diante do sistema ou regime ideológico adotado como forma de renovar a sua vida através de significados e sentidos próprios para aprender a lidar e se comportar, adquirir repertório comportamental para solucionar problemas que envolvem lavagem cerebral, criminalidade, invasão de intimidade e de privacidade, violência, abuso sexual, tortura, pedofilia, etc..

A ¨telepatia¨ assim como a lavagem cerebral podem serem chamadas de transtornos mentais, pois vem acompanhadas de sintomas e de outras doenças, como a depressão, a esquizofrenia, o pânico, a fobia, a ansiedade, a obesidade, os transtornos alimentares, o diabetes, o câncer, os tumores, o cansaço, o esgotamento físico. Mas podem também ser ressignificadas e se tornarem parte de repertório comportamental adquirido para lidar com esses mesmos problemas, de modo a solucioná-los com criatividade e poder sobre eles e sobre si mesmo, ou seja, com auto-domínio.

A ¨telepatia¨ pode ser hereditária, porém influências ambientais podem ser determinantes na ativação ou na passividade ou desativação dessa habilidade ou comportamento; há fatores que podem associá-la a doenças, como: trauma, intoxicação, luto, emoção, tudo o que exerça um efeito prejudicial à sua natureza. Estes fatores podem assegurar a ¨telepatia¨ a nomenclatura de uma doença, de transtorno mental, até porque trás outros prejuízos a vida bio-psico-social do indivíduo como a ausência de sigilo e de segredo, ausência de silêncio e de privacidade, incapacitando-o para a intimidade sexual e para o trabalho, pois as leis exigem sigilo e segredo em assuntos ligados ao sexo e ao trabalho. Contudo podemos ressignificá-la e dar uma nova direção para o nosso comportamento, mudando o nosso enfoque em relação a telepatia, criando meios de se defender dela e de torná-la produtiva, criativa, assim como já fizemos com as chuvas e o calor, eram eventos adversos que castigavam, destruíam e matavam aos montes, mas que hoje estão controlados por tecnologias, instrumentos e construções, pela engenharia humana que sempre se mostrou mais eficiente que as dificuldades e adversidades do meio ambiente, como por exemplo, a telepatia e a lavagem cerebral com suas consequências, como a despersonalização, a extorsão, a vingança, o estupro virtual, a linguagem sexista, o voyeurismo, a violência, a esquizofrenia, a depressão, o pânico, a obesidade, os transtornos sexuais, a ansiedade, a evasão escolar, o desemprego, o feminicídio, o infanticídio, o abuso de incapazes, os maus-tratos e a pedofilia.

 

MATTANÓ

(14/08/2025)

 

 

A Psicanálise Vermelha (2025):

A Psicanálise Vermelha entende o Homo Sapiens ou o homem, o estudo do homem através do estudo do seu corpo, do seu cérebro, da sua mente, do seu comportamento e das suas relações sociais e jamais discrimina um indivíduo do outro pelas suas características orgânicas, definindo que todo indivíduo nasce com um corpo e um cérebro dentro de um desvio-padrão que pode fugir a regra através das características evolutivas, seletivas e competitivas e até involutivas desse organismo ou indivíduo, mas que depende de variáveis culturais e espirituais, históricas e sociais, domésticas, familiares, infantis e recalcadas que geralmente são seletivas e competitivas, escapando da regra do desvio-padrão, pois estão em constante transformação e dependem do mundo e do meio ambiente que também está em permanente mudança com suas tecnologias e instrumentos cada vez mais sofisticados, qualificando o indivíduo a uma busca permanente de individualismo, de identidade e de isolamento que modelam sua consciência, cultura, conhecimento e realidade. Assim o corpo e o cérebro de um indivíduo não servem para diagnosticar sua personalidade sem o auxílio de exames laboratoriais, mas apenas sua mente e o seu comportamento, ninguém julga uma pessoa pelas suas glândulas, pelo seu estômago, ou pelo seu fígado, pela sua língua, pelas suas mãos, pelo seu abdômen, pela sua testa, pelo seu cabelo, pelas suas veias e artérias, pelo seu coração, pelo seu pãncreas, etc., nos julgamos outros em função dos seus comportamentos e talvez em função do que pensam em suas mentes devido nossas características invasivas, delirantes, virtuais, ilusórias, sonhadoras, imaginativas e fantasiosas. Não podemos julgar os socialistas e os comunistas em função destas características invasivas, delirantes, virtuais, ilusórias, sonhadoras, imaginativas e fantasiosas, temos que examinar seus comportamentos e o que eles significam, qual o sentido deles para eles e para nós brasileiros, para a humanidade.

 

MATTANÓ

(14/08/2025)

ARTIGOS SOBRE HIPNOTISMO E SUGESTÃO (1888-1892)

 

 

INTRODUÇÃO DO EDITOR INGLÊS

 

Após retornar de Paris a Viena, em 1886, Freud dedicou, por alguns anos, grande parte de sua atenção ao estudo do hipnotismo e da sugestão. Naturalmente, embora o assunto apareça em muitos pontos (por exemplo, nos Estudos sobre a Histeria e no necrológio de Charcot), os trabalhos escritos nesse período e diretamente referentes aos dois temas pareciam ou não existir ou estar fora de alcance, exceto o prefácio à tradução de De la suggestion (1888-9), de Bernheim, e o artigo sobre “Um Caso de Cura pelo Hipnotismo” (1892-3). Como se verifica, podemos agora, entre esses dois, inserir três outros trabalhos bastante extensos. Em primeiro lugar, conseguimos devolver à luz a resenha do livro de Forel sobre hipnotismo (1889a), a qual, parece, nunca foi reeditada. Os outros dois, à sua maneira, são trabalhos recém-chegados; ambos só vieram à luz em 1963. Destes, o primeiro é realmente um velho conhecido: o artigo que tem por título “Tratamento Psíquico (ou Mental)” (1890a) que se encontra na Edição Standard Brasileira, Vol. VII, [1], IMAGO Editora, 1972. Esse artigo não foi incluído nas Gesammelte Schriften, mas foi editado no quinto volume das Gesammelte Werke, sendo atribuída a ele a data de 1905, juntamente com outros trabalhos, como os Três Ensaios e o relato do caso clínico de “Dora”. Foi ali classificado como uma contribuição a Die Gesundheit, um manual coletivo de medicina em dois volumes, de caráter semipopular. O artigo versa sobre hipnotismo e não encerra alusão sequer às descobertas de Freud, exceto uma possível e única referência imprecisa ao tratamento catártico. Sempre pareceu misterioso que Freud retrocedesse quinze anos no tempo, subitamente, em 1905. Recentemente, a explicação desse fato foi dada pelo Prof. Saul Rosenzweig, da Washington University de St. Louis. Suas investigações mostraram que a data de 1905, até há pouco tempo sistematicamente atribuída a esse trabalho, realmente era a data da terceira edição de Die Gesundheit - fato que os editores daquele manual deixaram de indicar. Sua primeira edição fora publicada em 1890 e já continha o artigo de Freud, tal como o temos agora. (A segunda edição surgiu em 1900.) “Tratamento Psíquico (ou Mental)”, portanto, simplesmente se situa junto dos demais trabalhos de Freud publicados naquele período; de direito, deveria ter sido incluído neste volume depois da resenha de Forel. A outra novidade, pelo que sabemos, é uma revelação completa. Trata-se de um artigo sobre hipnose, com o qual Freud contribuiu para um manual médico, Therapeutisches Lexikon, editado por A. Bum e publicado pela primeira vez em 1891. (Saiu uma segunda edição em 1893 e uma terceira em 1900.) Nenhum vestígio da existência desse artigo seria encontrado em parte alguma, até ele ser descoberto pelo Dr. Paul F. Cranefield, editor do Bulletin of the New York Academy of Medicine.

A experiência clínica de Freud com o hipnotismo pode ser rastreada de modo um tanto detalhado. Em seu Estudo Autobiográfico (1925d), ele relata que, quando ainda era estudante, compareceu a uma exibição pública feita por Hansen, o “magnetizador”, e se convenceu da autenticidade dos fenômenos da hipnose (Edição Standard Brasileira, Vol. XX, [1], IMAGO Editora, 1976). Além disso, mal tinha seus vinte anos, Freud ficou sabendo que seu futuro colaborador Breuer (um homem quase quinze anos mais velho) às vezes empregava o hipnotismo com fins terapêuticos. A essa época, entretanto, muitas sumidades médicas de Viena ainda manifestavam opiniões alarmistas ou céticas sobre o assunto. (Ver, por exemplo, os comentários de Meynert, antigo mestre de Freud, citados na resenha de Forel, cf. em [1]. Somente quando, aos trinta anos de idade, chegou à clínica de Charcot, em Paris, foi que Freud verificou que a sugestão hipnótica era reconhecida e vinha sendo usada correntemente. A profunda impressão que isso lhe causou está evidenciada no Relatório que escreveu quando de seu regresso de Paris, em 1886 (1956a), [1], assim como em muitas outras passagens subseqüentes. Depois de se estabelecer como neurologista em Viena, tentou valer-se de diferentes métodos, como eletroterapia, hidroterapia e curas de repouso, para o tratamento das neuroses; entretanto, por fim, retornou ao hipnotismo. “Durante essas últimas semanas”, escrevia ele a Fliess em 28 de dezembro de 1887, “utilizei-me da hipnose e tive uma série de pequenos, porém notáveis, êxitos.” Na mesma carta, relatava que já assumira o compromisso de traduzir o livro de Bernheim sobre sugestão. Mas essa extrema rapidez não era resultado de entusiasmo, pois, numa carta a Fliess, em 29 de agosto do ano seguinte, que provavelmente acompanhava uma cópia do seu prefácio (este, com a data “agosto de 1888”) ao livro de Bernheim, ele escrevia que só aceitara a tradução em meio a muita hesitação e por motivos meramente práticos (Freud, 1950a, Carta 5). A sugestão hipnótica, sem dúvida, era sua preocupação imediata; porém, mais uma vez, no Estudo Autobiográfico, ibid., Vol. XX, [1], ele menciona que, “desde o princípio, usei a hipnose de uma outra maneira, diferente da sugestão hipnótica”. Naturalmente, com isso estava-se referindo ao método de Breuer de usar o hipnotismo para determinar a origem dos sintomas. Existem algumas dúvidas quanto à data exata em que começou a aplicar esse novo método; contudo, por certo usou-o no caso de Frau Emmy von N., que começou a tratar em maio de 1889, ou possivelmente um ano antes. (Ver em [1] e [2].) Daí em diante, aderiu cada vez mais ao método catártico de Breuer.

Nesse ínterim, continuava o interesse de Freud pela sugestão hipnótica. A tradução da obra de Bernheim parece ter sido concluída no início de 1889. Nessa época, Freud já estava em contato com August Forel, conhecido psiquiatra suíço, cujo livro sobre hipnotismo ele resenhou em dois fascículos, em julho e novembro de 1889 (em [1]); e foi com a apresentação de Forel que (entre a publicação dos dois fascículos) fez uma visita de algumas semanas a Bernheim e Liébeault, em Nancy. O motivo para fazer tal visita, conforme nos conta (ibid., Vol. XX, [1]), foi a idéia de aperfeiçoar sua técnica de hipnose. Pois o fato é que Freud não se considerava um grande adepto da arte de hipnotizar, ou então era mais sincero do que muitas pessoas para reconhecer as limitações do método. Já em 1891,quando publicou a contribuição ao dicionário médico de Bum, a qual será encontrada adiante, ele estava provadamente consciente dessas dificuldades e, ademais, começava a se irritar com elas (em [1]). Sua irritação foi expressa novamente, logo depois, numa nota de rodapé à tradução que fez (1892-4) das Leçons du Mardi (em [1]), de Charcot, e, ainda com maior franqueza, numa passagem do caso clínico de Miss Lucy R. nos Estudos sobre a Histeria (1895d), Edição Standard Brasileira, Vol. II, [1]-[2], IMAGO Editora, 1974. Muitos anos mais tarde, resumiria sua posição nas Cinco Lições (1910a), ibid., Vol. XI, [1], IMAGO Editora, 1970: “Mas logo a hipnose passou a me desagradar… Quando verifiquei que, apesar de todos os meus esforços, não conseguia produzir o estado hipnótico senão numa parte dos meus pacientes, decidi abandonar a hipnose…” Mas o momento adequado ainda não tinha chegado. Continuou a utilizar a hipnose não só como parte do método catártico mas também para a sugestão direta; em fins de 1892, publicou um relato minucioso de um caso desse tipo, especialmente bem-sucedido. (Ver em [1]) Além disso, no mesmo ano, fez a tradução de um segundo livro de Bernheim (1892a), embora dessa vez sem a introdução. No entanto, levou pouco tempo para que concebesse um sistema pelo qual pudesse produzir os efeitos da sugestão, sem a necessidade de colocar o paciente em estado de hipnose. O primeiro passo foi substituir o sono hipnótico por aquilo que denominou estado de “concentração” (Estudos sobre a Histeria, ibid., Vol. II, [1]-[2], IMAGO Editora, 1974). A seguir, desenvolveu a “técnica da pressão” (ibid., [1]-[2], [3], [4] e [5]): simplesmente exercendo pressão com suas mãos sobre a fronte do paciente, conseguia obter a informação desejada. Não está esclarecido se teria empregado esse método pela primeira vez no caso de Miss Lucy R. ou no caso de Fräulein Elisabeth von R., sendo que ambos os tratamentos começaram no final do ano de 1892. Naturalmente, esse método era utilizado apenas no tratamento catártico e não no tratamento sugestivo.

Não é possível saber com precisão a época em que Freud abandonou esses diferentes métodos. Numa conferência proferida no final de 1904 (1905a), ele declarava (ibid., Vol. VII, [1], IMAGO Editora, 1972): “Ora, há uns oito anos não tenho usado a hipnose com fins terapêuticos (exceto para algumas experiências especiais)” - portanto, desde mais ou menos 1896. Talvez seja esse o período que marca o fim da “técnica da pressão”, pois, na descrição de seu método, no começo de A Interpretação dos Sonhos (1900a [1899]), ibid., Vol. IV, [1], IMAGO Editora, 1972, não faz qualquer menção a semelhante contato com o paciente, embora, nessa passagem, ainda recomendasse ao paciente manter os olhos fechados. Porém, numa contribuição ao livro de Löewenfeld sobre as obsessões, na qual descrevia sua técnica (1940a), escreveu explicitamente: “Ele [Freud] nem mesmo lhes solicita que fechem os olhos e evita tocar neles, assim como evita qualquer outro procedimento que possa lembrar a hipnose” (ibid., Vol. VII, [1], IMAGO Editora, 1972). Na verdade, no fim ainda restava um vestígio de hipnotismo - o “ritual que diz respeito à posição em que é efetuado o tratamento, a qual é remanescente do método hipnótico a partir do qual se desenvolveu a psicanálise”, e que Freud pensava merecesse ser mantida por muita razões (“Sobre o Início do Tratamento”, 1913c, ibid., Vol. XII, [1]-[2], IMAGO Editora, 1976). O período durante o qual Freud fez algum uso efetivo da hipnose situa-se portanto, no máximo, entre 1886 e 1896.

Naturalmente, o interesse de Freud pela teoria do hipnotismo e da sugestão durou mais tempo. Aqui havia a controvérsia com respeito a correntes que podem ser esquematicamente descritas como “Charcot versus Bernheim” - entre a opinião do Salpêtrière, segundo a qual a sugestão não passa de uma forma leve de hipnose, e a opinião da escola de Nancy, de que a hipnose era simplesmente produção da sugestão. É possível detectar sinais de vacilação na atitude de Freud relativa a esse debate. Na carta a Fliess de 29 de agosto de 1888, que já citamos e que ele remeteu imediatamente depois de redigir seu prefácio ao livro de Bernheim, Freud escrevia: “Não compartilho dos pontos de vista de Bernheim, que me parecem unilaterais, e em meu prefácio procurei defender a opinião de Charcot”. A orientação segundo a qual Freud assim procedeu pode ser depreendida do próprio prefácio em [1]. Naturalmente, isto se deu antes de sua visita a Nancy, que provavelmente o influenciou muito, de vez que, não muito tempo depois, em seu obituário de Charcot (1893f), manifestava críticas à “abordagem exclusivamente nosográfica da escola de Salpêtrière” diante dos fenômenos hipnóticos: “A limitação do estudo da hipnose aos pacientes histéricos, a diferenciação entre grande e pequeno hipnotismo, a hipótese dos três estágios da ‘grande hipnose’ e a caracterização desses estágios por fenômenos somáticos - tudo isso fez declinar o conceito dos contemporâneos de Charcot, quando Bernheim, discípulo de Liébeault, passou a elaborar a teoria do hipnotismo a partir de um fundamento psicológico mais abrangente e a fazer da sugestão o ponto central da hipnose”. (Ibid., Vol. III, [1], IMAGO Editora, 1977.) No entanto, em diversas passagens Freud insistiu na imprecisão do termo “sugestão” e no fato de que o próprio Bernheim não conseguia explicar o mecanismo do processo: por exemplo, já na resenha de Forel (1889a), em [1], e também no caso clínico do “Pequeno Hans” (1909b), Edição Standard Brasileira, Vol. X, [1], IMAGO Editora, 1977, e nas Conferências Introdutórias (1916-17), ibid., Vol. XVI, [1], IMAGO Editora, 1976. Retornou ao tema uma vez mais na Psicologia de Grupo (1921c), ibid., Vol. XVIII, [1], IMAGO Editora, 1976, trabalho esse em que há uma série de discussões tanto sobre sugestão como sobre hipnose. E aí, numa nota de rodapé (ibid., [1]), ele se afastava claramente da sua tendência anterior a apoiar os pontos de vista de Bernheim: “Parece-me que convém acentuar o fato de que as discussões contidas nesta seção nos induziram a abandonar a concepção de Bernheim sobre a hipnose e a voltar à concepção naïf [ingênua] anterior. Consoante Bernheim, todos os fenômenos hipnóticos podem ser atribuídos ao fator da sugestão, que por si mesmo não é passível de qualquer outra explicação. Chegamos à conclusão de que a sugestão constitui manifestação parcial do estado de hipnose, e que a hipnose se fundamenta solidamente numa predisposição que sobreviveu no inconsciente desde o início da história da família humana”. O tranqüilo equilíbrio dos pontos de vista de Freud a respeito dessa controvérsia foi expresso numa frase de uma carta sua a A. A. Roback, muitos anos depois, a 20 de fevereiro de 1930: “Na questão da hipnose, realmente tomei partido contra Charcot, ainda que não estivesse inteiramente a favor de Bernheim” (Freud, 1960a, 391).

 

A despeito de haver abandonado cedo a hipnose como método terapêutico, durante toda a sua vida Freud nunca hesitou em expressar-lhe seu sentimento de gratidão. “Nós, psicanalistas”, declarou ele nas Conferências Introdutórias (1916-17), Edição Standard Brasileira, Vol. XVI, [1], IMAGO Editora, 1976, “podemos afirmar que somos seus legítimos herdeiros e não esquecemos quanto estímulo e esclarecimento teórico devemos à hipnose.” E disso deu uma explicação mais específica num de seus artigos sobre técnica (1914g): “Ainda devemos ser gratos à velha técnica da hipnose por nos ter mostrado os processos psíquicos simples da análise, numa forma isolada ou esquemática. Só isto pôde nos dar a coragem de construir, no tratamento analítico, situações mais complexas, e de mantê-las claras diante de nós”. (Ibid., Vol. XII, [1].)

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Assim como Freud aderiu a hipnose (mas depois a descartou), Osny Mattanó Júnior, aderiu aos Avatares através da sugestão e da dramatização, da educação com Avatares, onde ele, por exemplo, reorganiza sua mente como reorganiza uma ¨estante de livros desorganizada¨, colocando ordem e higiene, organização e controle para o uso, acesso e desuso do que lhe caber. A ¨estante de livros¨ pode ser a representação dos seus comportamentos ou da sua psique, de suas habilidades que se tornaram desorganizadas por meio da telepatia e da lavagem cerebral.

 

MATTANÓ

(26/02/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha assim como Freud aderiu a hipnose (mas depois a descartou), Osny Mattanó Júnior, aderiu aos Avatares através da sugestão e da dramatização, da educação com Avatares, onde ele, por exemplo, reorganiza sua mente como reorganiza uma ¨estante de livros desorganizada¨, colocando ordem e higiene, organização e controle para o uso, acesso e desuso do que lhe caber. A ¨estante de livros¨ pode ser a representação dos seus comportamentos ou da sua psique, de suas habilidades que se tornaram desorganizadas por meio da telepatia e da lavagem cerebral. A ¨estante de livros¨ pode aqui significar a organização e a reorganização do socialismo e do comunismo através das suas autoridades e mandatários, pois são estas lideranças quem controlam os modos de relação social dessas nações, podendo indicar que cada livro da ¨estante de livros¨ pode ser um indivíduo ou sua família, com sua história de vida e de produtividade, inclusive de individualidade pautada no desenvolvimento egóico e da sua personalidade que personalizam os indivíduos através do conteúdo recalcado infantil, doméstico e familiar adquirido pelo seu desenvolvimento, amadurecimento e crescimento, contudo, num país socialista ou comunista suas respostas e sua aprendizagem, seus modelos serão sempre socialistas ou comunistas, pois sua consciência, cultura, conhecimento e realidade dependem desse desenvolvimento sócio-histórico que é determinado por um tempo e um espaço, por eventos de atenção e intenção que envolvem discriminação, controle e ordem, e eventos formatados por um tempo e uma eternidade, onde ocorrem eventos ufológicos de viagem no tempo e no espaço através de ¨buracos de minhoca¨ e de ¨portais¨ ou de instrumentos humanos como o cronovisor, contudo para que haja uma consciência, cultura, conhecimento e realidade construídas na liberdade para se viver e para poder ensinar e educar a viver através de uma mensagem heróica adquirida pela Trajetória da Vida e dos Heróis, que nos ensinam que o indivíduo não é o Estado ou a ideologia socialista ou comunista e nem os seus significados e sentidos ou conceitos e comportamentos, sua linguagem ou funcionalidade, nem mesmo suas relações sociais e sua Gestalt e seus insights, nem seus atos falhos, esquecimentos, lapsos de linguagem, niilismos, fantasias, chistes, piadas, humor, charges, caricatures, violência, perturbação ou desordem, movimento ou protesto, mas sim sua consciência e sua liberdade que surge agora como uma Ressurreição diante de uma Revelação que abre as portas da sua mente e do seu comportamento para a liberdade, inclusive para suas relações sociais, institucionais e ideológicas, mostrando que o socialismo e o comunismo não são mais um monstro com uma população ou povos em suas entranhas sendo digeridos e tendo que lutar para se salvarem, mas sim a luz da salvação diante da liberdade oferecida pela revelação comportamental, inconsciente e consciente por meio de uma nova cultura, conhecimento e realidade que não destróem o socialismo e o comunismo, mas que reorganizam a vida psicológica e comportamental, social, dos seus povos, talvez sem destruir suas estruturas, pois trata-se apenas de reorganização e ressignificação psicológica e comportamental diante das adversidades produzidas pelo meio ambiente que pode estar distorcido pela ação da mente humana que é produto e produtora de distorção inconsciente e comportamental.

 

MATTANÓ

(16/08/2025)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PREFÁCIO À TRADUÇÃO DE DE LA SUGGESTION, DE BERNHEIM (1888-9)

 

NOTA DO EDITOR INGLÊS

 

PREFÁCIO À TRADUÇÃO DE DE LA SUGGESTION,DE BERNHEIM

(a) EDIÇÃO ALEMÃ:

1888 Em H. Bernheim, Die Suggestion und ihre Heilwirkung (A Sugestão e Seus Efeitos Terapêuticos), iii-xii, Leipzig e Viena: Deuticke, (1896, 2ª ed.)

(b) TRADUÇÕES INGLESAS:

1946 Int J. Psycho-Anal., 27 (1-2), 59-64. (Sob o título “Hypnotism and Suggestion”.) (Trad. de James Strachey.)

1950 C.P., 5, 11-24, (Revisão da anterior.)

 

A presente edição inglesa é uma versão consideravelmente corrigida da que foi publicada em 1950. O título francês completo do livro de Bernheim era De la suggestion et de ses applications à la thérapeutique (Paris: 1886; 2ª ed. 1887). Um trecho da tradução de Freud surgiu antecipadamente no Wiener med. Wochenschrift, 38 (26), 898-900, de 30 de junho de 1888, sob o título “Hypnose durch Suggestion” (“Hipnose pela sugestão”), e o prefácio completo de Freud, com exceção dos seus dois primeiros parágrafos, foi publicado no Wiener med. Blätter, 11 (38), 1189-93 e (39), 1226-8, a 20 e a 27 de setembro de 1888, tendo como título “Hypnotismus und Suggestion”. Embora a página de rosto do livro consigne a data “1888”, sua publicação realmente não foi completada senão em 1889, como mostra um “Pós-escrito do Tradutor” que aparece na última página: “Em decorrência de circunstâncias pessoais que atingiram o tradutor, a publicação da segunda parte [o livro tem duas partes] foi adiada alguns meses além da data prometida. Mesmo agora, provavelmente eu não teria conseguido terminá-la, não tivesse o meu prezado amigo Dr. Otto von Springer tido a grande gentileza de se encarregar da tradução de todos os casos clínicos da segunda parte, pelo que lhe expresso os meus melhores agradecimentos. Viena, janeiro de 1889”. Nada se sabe a respeito do que foram essas “circunstâncias pessoais” - se foram, por exemplo, as mesmas que as “razões acidentais e pessoais” que, nessa mesma época, impediram Freud de completar seu artigo em francês sobre as paralisias orgânicas e histéricas (1893c), cf. em. [1]. Freud acrescentou somente umas poucas e breves notas do tradutor ao texto desse volume, notas que, na sua maioria, eram referências às edições alemãs de obras mencionadas por Bernheim. A única que requer atenção é citada em [1]-[2].

Em seu Estudo Autobiográfico, Freud mostra alguma confusão quanto à data de publicação do presente trabalho. Depois de descrever sua visita a Bernheim, em Nancy, no verão de 1889, conclui assim: “Mantive com ele muita conversas estimulantes e encarreguei-me de traduzir para o alemão seus dois trabalhos sobre a sugestão e seus efeitos terapêuticos” (Edição Standard Brasileira, Vol. XX, [1], IMAGO Editora, 1976). Na verdade, conforme vimos, esse livro já estava publicado antes de se realizar a visita. O segundo livro de Bernheim a ser traduzido por Freud - Hypnotisme, suggestion, psychothérapie: études nouvelles - não foi publicado em francês senão dois anos mais tarde (Paris: 1891). A tradução de Freud veio à luz no ano seguinte, tendo como título Neue Studien über Hypnotismus, Suggestion und Psychotherapie (Leipzig e Viena: Deuticke). Esse livro não continha nem introdução nem notas do tradutor.

Em 1896, foi publicada uma segunda edição do primeiro dos dois volumes. Mas essa nova edição, como veremos, passara por uma revisão completa, sob a supervisão do Dr. Max Kahane, que foi um dos primeiros adeptos de Freud e que também se encarregou do segundo volume da tradução das Leçons du Mardi, de Charcot (ver em   [1]). Nessa segunda edição, a presente introdução não foi, como se tem afirmado, abreviada, mas sim inteiramente abolida e substituída pelo breve prefácio que reproduzimos num Apêndice em [1].

 

PREFÁCIO À TRADUÇÃO DE DE LA SUGGESTION, DE BERNHEIM

 

Este livro já recebeu calorosa recomendação do Prof. Forel, de Zurique, e espera-se que nele os seus leitores venham a descobrir todas as qualidades que levaram o tradutor a apresentá-lo em língua alemã. Verificarão que o trabalho desenvolvido pelo Dr. Benheim, de Nancy, proporciona uma admirável introdução ao estudo do hipnotismo (assunto que os médicos não podem mais negligenciar), que, sob muitos aspectos, é estimulante e, sob alguns outros aspecto é realmente esclarecedor e está destinado a destruir a crença de que o problema da hipnose, segundo afirma o Prof. Meynert, ainda esteja envolvido por um “halo de absurdo”.

A realização de Bernheim (e de seus colegas em Nancy que trabalham segundo as mesmas diretrizes) consiste precisamente em despojar as manifestações do hipnotismo do seu mistério, correlacionando-as com fenômenos conhecidos da vida psicológica normal e do sono. Parece-me que o valor principal deste livro está na prova que ele fornece das relações que vinculam os fenômenos hipnóticos aos processos correntes da vida de vigília e do sono, e no fato de trazer à luz as leis psicológicas que se aplicam a ambos os tipos de eventos. Com isso, o problema da hipnose é inteiramente transposto para a esfera da psicologia, e a “sugestão” é erigida como núcleo do hipnotismo e chave para sua compreensão. Além disso, nos últimos capítulos, assinala-se a importância da sugestão em outras áreas além da hipnose. Na segunda parte do livro, encontram-se provas convincentes de que o uso da sugestão hipnótica proporciona ao médico um poderoso método terapêutico, que realmente parece ser o mais adequado para combater determinados distúrbios nervosos e o mais apropriado ao mecanismo dos mesmos. Isto confere ao livro uma importância prática incomum. E sua insistência no fato de que tanto a hipnose como a sugestão hipnótica podem ser aplicadas não só aos pacientes histéricos e neuropáticos graves, mas também à maior parte das pessoas sadias, destina-se a ampliar para além do estreito círculo dos neuropatologistas o interesse dos médicos por esse método terapêutico.

O tema do hipnotismo tem tido uma recepção muitíssimo desfavorável entre os expoentes da ciência médica alemã (excluídas algumas poucas exceções, como Krafft-Ebing, Forel etc.). Ainda assim, a despeito disso, é válido expressar o desejo de que os médicos alemães venham a dirigir sua atenção para esse problema e para esse método terapêutico, pois continua sendo verdade que, em matéria científica, é sempre a experiência, e nunca a autoridade sem a experiência, que dá o veredicto final, seja a favor, seja contra. Na verdade, as objeções que até o momento temos ouvido, na Alemanha, contra o estudo e o uso da hipnose merecem atenção apenas por causa dos nomes dos seus autores, e o Prof. Forel teve pouca dificuldade em refutar, num breve ensaio [1889], toda uma infinidade de objeções dessa natureza.

Há cerca de dez anos, a opinião corrente na Alemanha ainda era a de pôr em dúvida a realidade dos fenômenos hipnóticos e procurar explicar os relatos referentes a eles como devidos a uma combinação de credulidade por parte dos observadores e simulação por parte das pessoas submetidas às experiências. Atualmente, essa posição já não é mais defensável, graças aos trabalhos de Heidenhain e Charcot, para mencionar apenas os maiores nomes dentre aqueles que deram seu irrestrito apoio à realidade do hipnotismo. Até os mais ferrenhos adversários do hipnotismo se tornaram conscientes disso e, por conseguinte, suas obras, embora ainda deixem transparecer uma nítida tendência a negar a realidade da hipnose, geralmente também incluem tentativas de explicá-la e com isso realmente reconhecem a existência desses fenômenos.

Uma outra corrente de argumentos hostis à hipnose rejeita-a como sendo perigosa para a saúde mental da pessoa e dá-lhe o rótulo de “psicose produzida experimentalmente”. A prova de que a hipnose leva a resultados prejudiciais em uns poucos casos nem por isso seria um argumento decisivo contra sua utilidade geral, da mesma forma que, por exemplo, a ocorrência de casos isolados de morte por narcose pelo clorofórmio não proscreve o uso do clorofórmio com o objetivo de obter anestesia cirúrgica. No entanto, constitui fato digno de nota que a analogia não consiga estender-se além desse ponto. O maior número de acidentes na narcose pelo clorofórmio ocorre com os cirurgiões que executam o maior número de cirurgias. Contudo, a maior parte dos relatos sobre os efeitos nocivos da hipnose provém de observadores que trabalham muito pouco com hipnose, ao passo que todos os pesquisadores que tiveram grande experiência com a hipnose são unânimes na crença de que o método é inócuo. Portanto, a fim de evitar qualquer efeito prejudicial no uso da hipnose, tudo o que é necessário é que o procedimento seja efetuado com cuidado, de modo suficientemente seguro e em casos corretamente selecionados. Deve-se acrescentar que pouco se ganha ao se chamarem as sugestões de “idéias obsessivas” e a hipnose de “psicose experimental”. Parece provável que as idéias obsessivas serão mais bem esclarecidas se comparadas com as sugestões, em vez de se proceder ao contrário. E todo aquele que se atemoriza com o termo injurioso “psicose” bem pode se perguntar se nosso sono natural também merece ser descrito como tal - se é que, na realidade, existe mesmo algo a lucrar com a transposição de termos técnicos para situações alheias às suas áreas específicas. Não, desse lado não há que temer nenhum perigo para a causa do hipnotismo. E tão logo um grande número de médicos esteja em condições de relatar observações do tipo das que se podem encontrar na segunda parte do livro de Bernheim, ficará estabelecido que a hipnose é um estado inofensivo e que induzi-la é um método “digno” de um médico.

Este livro também discute uma outra questão, que, na época atual, divide em dois campos opostos os adeptos do hipnotismo. Uma corrente, cujas opiniões Bernheim exprime nestas páginas, sustenta que todos os fenômenos do hipnotismo têm a mesma origem: isto é, surgem de uma sugestão, de uma idéia consciente, que foi introduzida, mediante uma influência externa, no cérebro da pessoa hipnotizada e por esta foi aceita como se tivesse surgido espontaneamente. Sob esse ponto de vista, todas as manifestações hipnóticas seriam fenômenos psíquicos, efeitos de sugestões. A outra corrente, pelo contrário, sustenta a opinião de que o mecanismo de pelo menos algumas das manifestações do hipnotismo se baseia em modificações fisiológicas - ou seja, em deslocamentos da excitabilidade no sistema nervoso, que ocorrem sem a participação das partes do mesmo que operam com a consciência; os adeptos dessa corrente falam, portanto, dos fenômenos físicos ou fisiológicos da hipnose.

O ponto principal dessa controvérsia é o “grand hypnostisme” [“grande hipnotismo”] - os fenômenos descritos por Charcot no caso de pacientes histéricos hipnotizados. Diferindo das pessoas normais hipnotizadas, esses pacientes histéricos, segundo se acredita, apresentam três estágios de hipnose, cada um deles distinguindo-se por sinais físicos especiais, de natureza muito marcada (tais como uma extraordinária hiperexcitabilidade neuromuscular, contraturas sonambúlicas etc.). Facilmente se compreenderá que, em relação a essa área de fatos, as diferenças de opinião há pouco delineadas devem ter uma repercussão muito importante. Se têm razão os adeptos da teoria da sugestão, todas as observações feitas no Salpêtrière ficam invalidadas; tornam-se erros de observação. A hipnose de pacientes histéricos não teria nenhuma característica própria; mas todo médico teria a possibilidade de produzir, nos pacientes que hipnotizasse, qualquer sintomatologia que desejasse. Com o estudo do grande hipnotismo não aprenderíamos que modificações sucessivas se efetuam na excitabilidade do sistema nervoso, decorrentes de determinadas formas de intervenção; iríamos apenas aprender quais as intenções que Charcot sugeriu (de uma forma da qual nem ele tinha consciência) às pessoas submetidas a essas experiências - coisa inteiramente irrelevante para nossa compreensão da hipnose e da histeria.

É fácil verificar as demais implicações desse ponto de vista e como seria conveniente a explicação, que ela pode prometer, da sintomatologia da histeria em geral. Se a sugestão feita pelo médico falsificou os fenômenos da hipnose histérica, é bem possível que também tenha interferido na observação do resto da sintomatologia histérica: pode ter estabelecido leis que governem os ataques histéricos, as paralisias, as contraturas etc.; esses sintomas teriam na sugestão o seu único vínculo com a neurose e, como conseqüência, perderiam sua validade tão logo um outro médico, num outro lugar, procedesse a um exame dos pacientes histéricos. Essa inferência impõe-se com muita lógica, e de fato já foi feita. Hückel (1888) exprime sua convicção de que o primeiro “transfert” (a transferência de sensibilidade de uma parte do corpo para a parte correspondente do outro lado) feito por uma histérica foi sugerido a ela em alguma circunstância específica de sua história e que, daí em diante, os médicos continuaram constantemente a produzir pela sugestão, de forma renovada, esse sintoma pretensamente fisiológico.

Estou convencido de que esse ponto de vista será o mais bem aceito por parte daqueles que se sentem inclinados - e, atualmente, ainda são a maioria, na Alemanha - a não atentar para o fato de que os fenômenos histéricos são regidos por leis. Aqui devemos assinalar um excelente exemplo de como o descaso pelo fator psíquico da sugestão desorientou um grande observador e o levou à criação artificial e falsa de um tipo clínico, em decorrência da natureza cheia de caprichos e maleabilidade de uma neurose.

Não obstante, não há dificuldade em provar, parte por parte, a objetividade da sintomatologia da histeria. As críticas de Bernheim podem ser plenamente justificadas em relação a investigações como as que foram efetuadas por Binet e Féré; de qualquer modo, essas críticas revelar-se-ão importantes porque, em toda investigação futura da histeria e do hipnotismo,a necessidade de excluir o elemento sugestão será lembrada de modo mais consciente. Os principais pontos da sintomatologia da histeria, contudo, estão livres da suspeita de se terem originado na sugestão de um médico. Os relatos provenientes de épocas passadas e de países distantes, que foram reunidos por Charcot e seus discípulos, não dão margem à dúvida de que as peculiaridades dos ataques histéricos, das zonas histerógenas, da anestesia, das paralisias e contraturas se têm manifestado em todos os tempos e lugares, tal como foram vistas no Salpêtrière quando Charcot efetuava sua memorável investigação dessa grande neurose. O “transfert” em particular, que parece prestar-se especialmente bem para provar que os sintomas histéricos se originam da sugestão, indubitavelmente é um processo autêntico. Vem sendo observado em casos de histeria não-influenciados: freqüentemente se encontram pacientes nos quais aquilo que sob outros aspectos é uma hemianestesia típica se interrompe justamente num órgão ou numa extremidade, e nos quais essa parte específica do corpo conserva sua sensibilidade no lado insensível, ao passo que a parte correspondente do outro lado se tornou anestesiada. Ademais, o “transfert” é um fenômeno fisiologicamente compreensível. Como ficou demonstrado por investigações feitas na Alemanha e na França, trata-se meramente do exagero de uma relação normalmente presente em partes simétricas do corpo; tanto é assim que pode ser produzido, numa forma rudimentar, em pessoas sadias. Muitos outros sintomas histéricos da sensibilidade também têm sua origem em relações fisiológicas normais, como foi brilhantemente demonstrado pelas investigações de Urbantschitsch. Esta não é a ocasião apropriada para efetuar uma justificação detalhada da sintomatologia da histeria; mas podemos aceitar a afirmação de que, na sua essência, essa sintomatologia é de natureza real, objetiva; não é forjada pela sugestão da parte do observador. Isto não significa negar que seja psíquico o mecanismo das manifestações histéricas mas não se trata do mecanismo de sugestão por parte do médico.

Uma vez demonstrada a existência de fenômenos fisiológicos, objetivos, na histeria, já não há mais nenhuma razão para abandonar a possibilidade de que o “grande” hipnotismo histérico chegue a apresentar fenômenos que não se derivam da sugestão da parte do pesquisador. Se tais fenômenos de fato ocorrem, isto é uma hipótese que deve ser deixada para uma investigação à parte, que tenha esse fim em vista. Assim, cabe à escola do Salpêtrière provar que os três estágios da hipnose histérica podem ser inequivocamente demonstrados mesmo numa pessoa que vem para a experiência sem qualquer influência prévia e mesmo quando o pesquisador mantém a conduta mais escrupulosa; e, sem dúvida, tal prova não há de demorar. Pois já a descrição do grande hipnotismo apresenta sintomas que vão muito nitidamente contra a possibilidade de serem considerados psíquicos. Refiro-me ao aumento da excitabilidade neuromuscular durante o estágio letárgico. Todo aquele que tenha visto como, durante a letargia, uma leve pressão sobre um músculo (mesmo que seja um músculo facial ou um dos três músculos externos do pavilhão da orelha, que jamais são contraídos durante a vida) consegue desencadear uma contração tônica em todo o feixe muscular em questão, ou como a pressão exercida sobre um nervo superficial consegue revelar sua distribuição terminal - qualquer pessoa que tenha visto coisas assim inevitavelmente há de supor que o efeito deve ser atribuído a causas fisiológicas, ou a um treino deliberado, e, sem hesitações, haverá de excluir a sugestão não-intencional como causa possível. Isso porque a sugestão não pode produzir algo que não esteja contido na consciência ou seja nela introduzido. Nossa consciência, no entanto, apenas toma conhecimento do resultado final de um movimento; nada sabe da ação e da distribuição anatômica dos músculos isoladamente e nada sabe da distribuição anatômica dos nervos em relação aos músculos. Num trabalho que será publicado em breve, mostrarei detalhadamente que as características das paralisias histéricas se prendem a esse fato e que é por essa razão que a histeria não apresenta paralisias de músculos em separado, paralisias periféricas, nem paralisias faciais de natureza central. O Dr. Bernheim não deveria ter deixado de produzir fenômenos de hiperexcitabilidade neuromuscular por meio da sugestão; tal omissão constitui uma grave lacuna em sua argumentação contra os três estágios.

Assim, os fenômenos fisiológicos efetivamente ocorrem, pelo menos no grande hipnotismo histérico. Mas, no pequeno hipnotismo normal, que, conforme insiste apropriadamente Bernheim, tem maior importância para a nossa compreensão do problema, toda manifestação - assim se afirma - surge por meio da sugestão, por meios psíquicos. Até mesmo o sono hipnótico, ao que parece, resulta da sugestão: o sono sobrevém por causa da sugestionabilidade humana normal, e por isso Bernheim sugere uma expectativa de sono. Porém, outras ocasiões há em que o mecanismo do sono hipnótico parece ser outro. Todo aquele que tenha hipnotizado com freqüência terá por vezes encontrado pessoas que só com muita dificuldade podem ser colocadas em estado de sono mediante conversa, ao passo que, pelo contrário, o mesmo resultado pode ser facilmente obtido fazendo-se com que a pessoa se fixe durante algum tempo. De fato, quem não teve a oportunidade de ver entrar em sono hipnótico um paciente que não se teve qualquer intenção de hipnotizar e que por certo não tinha nenhuma noção prévia da hipnose? Uma paciente toma seu lugar para que lhe façam um exame de olhos ou de garganta; não há nenhuma expectativa de sono, seja da parte do médico, seja da paciente; porém, mal o feixe de luz incide em seus olhos, ela já passa a dormir e, talvez pela primeira vez em sua vida, está hipnotizada. Nesse caso, certamente, poderia ser excluída qualquer ligação psíquica consciente. Nosso sono natural, que Bernheim, com tanta propriedade, compara com a hipnose, comporta-se de forma semelhante. De modo geral, provocamos o sono por sugestão, por um estado de preparação mental e pela expectativa do sono; algumas vezes, porém, ele se instala sem qualquer ingerência de nossa parte, como resultado da condição fisiológica da fadiga. De igual modo, quando as crianças são ninadas para dormir, ou quando os animais são hipnotizados ao serem mantidos numa posição fixa, dificilmente se pode dizer que a causa seja psíquica. Assim, chegamos à posição adotada por Preyer e Binswanger na Realencyclopädie de Eulenburg; no hipnotismo existem fenômenos tanto psíquicos como fisiológicos, e a hipnose pode ser realizada de uma forma ou de outra. Realmente, na descrição do próprio Bernheim para suas hipnoses, há inequivocamente um fator objetivo, independente da sugestão. É com lógica que Jendrassik (1886) insiste em que, se não fosse assim, a hipnose assumiria uma aparência diferente, de acordo com a individualidade de cada experimentador; seria impossível compreender por que o aumento da sugestionabilidade haveria de seguir uma seqüência uniforme, por que o sistema muscular invariavelmente seria influenciado somente em direção à catalepsia, e assim por diante.

Contudo, devemos concordar com Bernheim em que a divisão dos fenômenos hipnóticos em fenômenos fisiológicos e fenômenos psíquicos deixa muito a desejar: precisa-se urgentemente de um elo que vincule as duas espécies de fenômenos. A hipnose, seja ela produzida de uma forma ou de outra, é sempre a mesma e mostra os mesmos aspectos. A sintomatologia da histeria, sob muitos aspectos, sugere um mecanismo psíquico, embora este não precise ser necessariamente o mecanismo da sugestão. E, por fim, a sugestão possui uma vantagem sobre os fenômenos fisiológicos, de vez que seu modo de atuação é incontestável e relativamente claro, ao passo que não temos maior conhecimento das influências mútuas da excitabilidade nervosa, da qual derivam os fenômenos fisiológicos. Nos comentários que se seguem, espero poder dar algumas indicações do elo de ligação entre os fenômenos psíquicos e fisiológicos da hipnose, que estamos pesquisando.

Em minha opinião, o uso cambiante e ambíguo da palavra “sugestão” confere a essas antíteses uma exatidão enganadora, que de fato não existe. Vale a pena refletir sobre o que é que legitimamente podemos chamar de “sugestão”. Sem dúvida, alguma espécie de influência psíquica está implícita nesse termo; e eu gostaria de apresentar o ponto de vista de que o elemento que distingue uma sugestão de outros tipos de influência psíquica, como dar uma ordem ou fornecer uma informação ou orientação, é que, no caso da sugestão, é despertada no cérebro de outra pessoa uma idéia que não é examinada quanto à sua origem, mas que é aceita como originada espontaneamente no cérebro dessa pessoa. Exemplo clássico de uma sugestão desse tipo ocorre quando o médico diz a uma pessoa hipnotizada: “Seu braço deve permanecer na posição em que o coloquei” e com isto se instala o fenômeno da catalepsia; ou então, quando o médico levanta o braço do paciente vezes seguidas, repetidamente, depois de o braço ter caído, e com isso faz o paciente supor que o médico deseja que o braço seja mantido elevado. Mas, em outras ocasiões, falamos de sugestão quando o mecanismo do processo evidentemente é um mecanismo diferente. Por exemplo, em muitas dentre as pessoas hipnotizadas, a catelepsia se instala sem que se opere qualquer interferência: o braço que foi levantado permanece levantado espontaneamente, ou então a pessoa mantém inalterada a postura em que iniciou o sono, a menos que haja alguma interferência. Bernheim chama de sugestão também a esse resultado, dizendo que a própria postura sugere a sua manutenção. Nesse caso, contudo, o papel desempenhado pela situação fisiológica da pessoa, que rejeita qualquer impulso no sentido de modificar sua postura, é maior do que nos primeiros casos. A diferença entre uma sugestão diretamente psíquica e uma sugestão indireta (fisiológica) talvez possa ser vista com maior clareza mediante o seguinte exemplo. Se eu disser a uma pessoa: “Seu braço direito está paralisado; você não pode movê-lo”, estarei fazendo uma sugestão diretamente psíquica. Em vez disso, Charcot dá uma leve pancada no braço da pessoa, ou lhe diz: “Olhe para essa cara horrível! Dê um murro nela!”; a pessoa dá o murro, e [em ambos os casos] seu braço cai paralisado. Nesses dois [últimos] casos, um estímulo externo produziu, inicialmente, uma sensação de dolorosa exaustão no braço; e com isso, em troca, espontânea e independemente de qualquer intervenção por parte do médico, a paralisia foi sugerida - se é que aqui ainda se pode aplicar tal expressão. Em outras palavras, trata-se, nesses casos, não tanto de sugestões, como de estimulação às auto-sugestões. E estas, como qualquer pessoa pode verificar, encerram um fator objetivo, independente da vontade do médico, e revelam uma conexão entre diferentes estados de inervação ou excitação no sistema nervoso. São as auto-sugestões dessa natureza que levam à produção de paralisias histéricas espontâneas, e é uma tendência para tais auto-sugestões, mais do que a sugestionabilidade em relação ao médico, que caracteriza a histeria. E aquela não parece de modo algum ter semelhanças com esta.

Não necessito insistir no fato de que também Bernheim trabalha, em grande medida, com sugestões indiretas dessa ordem - isto é, com estimulações à auto-sugestão. Seu método de produzir o sono, conforme descrito nas primeiras páginas deste livro, é essencialmente um método misto: a sugestão abre vigorosamente as portas que de fato se estão abrindo lentamente por auto-sugestão.

As sugestões indiretas, nas quais uma série de elos intermediários, originários da própria atividade da pessoa, são inseridos entre o estímulo externo e o resultado, são, não obstante, processos psíquicos; contudo, não estão mais expostas à plena luz da consciência, que incide sobre as sugestões diretas. Pois estamos muito mais habituados a voltar nossa atenção para as percepções externas do que para os processos internos. As sugestões indiretas ou as auto-sugestões, por conseguinte, podem ser igualmente descritas como fenômenos fisiológicos ou psíquicos, e o termo “sugestão” tem o mesmo significado que o recíproco despertar de estados psíquicos segundo as leis da associação. O fechamento dos olhos leva ao sono porque está ligado ao conceito de sono na medida em que é um de seus acompanhamentos mais regulares: um componente das manifestações do sono sugere as demais manifestações, que completam o fenômeno como um todo. Essa vinculação faz parte da natureza do sistema nervoso e não advém de alguma ação arbitrária do médico; não pode ocorrer a não ser que esteja baseada em modificações na excitabilidade das regiões cerebrais relevantes, na inervação dos centros vasomotores etc. e apresente igualmente um aspecto psicológico e um aspecto fisiológico. Tal como acontece em qualquer interligação de estados do sistema nervoso, esta permite a passagem [de excitação] numa direção diferente. A idéia de sono pode produzir sensações de fadiga nos olhos e nos músculos e o correspondente estado nos centros nervosos vasomotores; ou, por outro lado, o estado do aparelho muscular ou um impacto sobre os nervos vasomotores podem despertar a pessoa que dorme, e assim por diante. Tudo o que se pode dizer é que seria tão unilateral considerar somente o aspecto psicológico do processo quanto atribuir toda a responsabilidade dos fenômenos da hipnose à inervação vascular.

De que modo isso afeta a antítese entre os fenômenos psíquicos e fisiológicos da hipnose? Havia nela um significado enquanto, por sugestão, entendia-se uma influência psíquica diretamente exercida pelo médico, que impunha à pessoa hipnotizada qualquer sintomatologia que desejasse. Mas tal significado desaparece tão logo se percebe que mesmo a sugestão só desencadeia determinados grupos de manifestações fundamentadas nas peculiaridades funcionais do sistema nervoso hipnotizado, e que, na hipnose, também se fazem presentes outras características do sistema nervoso, além da sugestionabilidade. Poder-se-ia, ademais, questionar se todos os fenômenos da hipnose têm de passar, em algum lugar, pela esfera psíquica; em outras palavras - pois a questão não pode ter outro sentido -, se as mudanças de excitabilidade que ocorrem na hipnose invariavelmente afetam apenas a região do córtex cerebral. Formulando a questão sob essa outra forma, parece que encontramos sua resposta. Não se justifica estabelecer um contraste como o que aqui se estabeleceu entre o córtex cerebral e o resto do sistema nervoso; é improvável que uma modificação funcional tão profunda no córtex do cérebro possa ocorrer sem ser acompanhada por mudanças importantes na excitabilidade das demais partes do cérebro. Não temos critério algum que nos possibilite estabelecer uma distinção exata entre um processo psíquico e um processo fisiológico, entre um ato que ocorre no córtex cerebral e um ato que ocorre na substância subcortical; isso porque a “consciência”, o que quer que isto seja, não está ligada a toda atividade do córtex cerebral, e não está sempre ligada em igual grau a qualquer de suas atividades em particular; não é algo que esteja em conexão com alguma região do sistema nervoso. Portanto, parece-me que não pode ser aceita, nessa formulação genérica, a questão de saber se a hipnose exibe fenômenos psíquicos ou fisiológicos; e parece-me que a decisão, no caso de cada fenômeno em particular, deve ser tomada com base numa investigação especial.

Nesse sentido, sinto-me justificado ao dizer que, enquanto, de um lado, o trabalho de Bernheim vai além da área da hipnose, de outro lado ele deixa de levar em conta uma parte do seu tema. Todavia, é de esperar que também os leitores alemães de Bernheim venham agora a ter a oportunidade de reconhecer quão esclarecedora e importante é a sua contribuição, pelo fato de descrever o hipnotismo a partir do ponto de vista da sugestão.  VIENA, agosto de 1888

 

APÊNDICE: PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO ALEMÃ (1896)

 

A primeira edição alemã deste livro tinha um prefácio do tradutor que hoje se tornou desnecessário reimprimir. A situação da ciência que vigorava na época em que surgiu a tradução de Suggestion, de Bernheim, sofreu modificações fundamentais na atualidade. Silenciou a dúvida a respeito da realidade dos fenômenos hipnóticos; cessou o anátema que então, inexoravelmente, recaía sobre todo neuropatologista que considerasse essa área de fenômenos importante e merecedora de uma investigação séria. Não foi pequeno o mérito deste livro, em si mesmo, ao defender, de modo extraordinariamente convincente e vigoroso, a causa do hipnotismo científico.

Quando se tornou clara a necessidade de, uma segunda vez, tornar acessível aos leitores de língua alemã essa obra fundamental do médico de Nancy, o organizador e o editor, em concordância com o autor, decidiram eliminar do livro capítulos que continham apenas casos clínicos e relatos de tratamentos. Eles não puderam deixar de reconhecer que não era precisamente nesses capítulos que estava a força da obra de Bernheim. Herr Dr. Kahane teve então a gentileza de se encarregar, em lugar deste que subscreve o presente prefácio, da tarefa de revisar a nova edição em francês.

No que se refere ao conteúdo do prefácio à primeira edição, o tradutor gostaria apenas de repetir um comentário, ao qual se mantém tão fiel hoje como naquela época. O que ele acha que falta nas proposições de Bernheim é a opinião segundo a qual a “sugestão” (ou melhor, a efetivação de uma sugestão) é um fenômeno psíquico patológico que requer condições especiais prévias para que possa realizar-se. Não é necessário pôr em xeque essa opinião confrontando-a com a freqüência e com facilidade do fenômeno da sugestão, nem com o importante papel que ela desempenha na vida quotidiana. No livro de Bernheim, a constatação dessas últimas circunstâncias enquanto fatos ocupa tanto espaço que ele descura de examinar o problema psicológico de quando e por que os métodos normais de influência psíquica entre os seres humanos podem ser substituídos pela sugestão. E, enquanto explica mediante a sugestão todos os fenômenos do hipnotismo, a própria sugestão permanece inteiramente inexplicada e é obscurecida por uma demonstração de que não necessita de explicação. Sem dúvida, essa lacuna foi observada por todos os pesquisadores que seguiram Forel na busca de uma teoria psicológica da sugestão.

  1. SIGM. FREUD

VIENA, junho de 1896

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Nota-se possível aplicar os Avatares em pessoas normais e em gênios pois possuem inteligência necessária para administrar os Avatares sem deixar que eles se transformem em Monstros ou Escravos, mas em Heróis, libertadores, fontes de insight, porém o uso de Avatares merece atenção e estudo da comunidade científica. O uso de Avatares em pessoas com deficiência e em psicóticos pode ser prejudicial, pois eles aumentam seus Monstros e seus Escravos, normalmente estão insensíveis aos seus Heróis por motivos bio-psico-sociais.

 

MATTANÓ

(26/02/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha nota-se possível aplicar os Avatares em pessoas normais e em gênios pois possuem inteligência necessária para administrar os Avatares sem deixar que eles se transformem em Monstros ou Escravos, mas em Heróis, libertadores, fontes de insight, porém o uso de Avatares merece atenção e estudo da comunidade científica. O uso de Avatares em pessoas com deficiência e em psicóticos pode ser prejudicial, pois eles aumentam seus Monstros e seus Escravos, normalmente estão insensíveis aos seus Heróis por motivos bio-psico-sociais. Porém os Avatares podem responder as necessidades virtuais contemporâneas do socialismo e do comunismo, nos atualizando a respeito deles que não são Monstros com líderes, populações e sistemas políticos, sociais e econômicos sendo digeridos, mas sim, sistemas comportamentais que dependem do poder e do comportamento dos seus Heróis, o conhecimento e realidade construída a partir da sua consciência, cultura e funcionamento cerebral, são virtudes que não destróem o socialismo e o comunismo, mas que reorganizam a vida psicológica e comportamental, social, dos seus povos, talvez sem destruir suas estruturas, pois trata-se apenas de reorganização e ressignificação psicológica e comportamental diante das adversidades produzidas pelo meio ambiente que pode estar distorcido pela ação da mente humana que é produto e produtora de distorção inconsciente e comportamental, porém o cérebro permanece preservado, modificado apenas pelos estímulos do meio ambiente e pelo contexto, pelo Zeitgeist, que participa das decisões sobre a criação e aplicação dos Avatares, que podem se transformar em Avatares Vermelhos de Guerra e Autodestruição ou Autopunição e de Conquistas ou de Holocaustos para fins de dominação e conquista de territórios e de uma paz militarizada, ou seja, tensa e angustiante, manipulável pelos mais fortes e mais poderosos.

 

MATTANÓ

(18/08/2025)

 

 

 

RESENHA DE HIPNOTISMO, DE AUGUST FOREL (1889)

 

 

RESENHA DE DER HIPNOTISMUS, DE AUGUST FOREL

 

(a) EDIÇÃO ALEMÃ:

1889 Wiener med. Wochensch., 39 (28), 1097-1100 e (47), 1892-6 (13 de julho e 23 de novembro).

Parece que o original alemão jamais foi reeditado; esta tradução (de James Strachey) é a primeira versão para a língua inglesa.

O título completo do livro de Forel era Der Hypnotismus, seine Bedeutung und seine Handhabung (O Hipnotismo, Sua Significação e Seu Manejo). Seu autor (1848-1931), nessa época, era professor de psiquiatria em Zurique e gozava de enorme reputação. Seus escritos posteriores sobre temas sociológicos (e sobre a história natural das formigas) foram muito lidos. Embora no final viesse a criticar acerbamente a psicanálise, foi ele quem apresentou Freud a Bernheim. Freud visitou Nancy durante o verão de 1889, entre a publicação das duas partes desta resenha. (Cf. a Introdução do Editor Inglês, em [1])

 

RESENHA DE HIPNOTISMO, DE AUGUST FOREL

 

I

Esta obra do conceituado psiquiatra de Zurique, com apenas 88 páginas, é a ampliação de um artigo sobre a importância forense do hipnotismo, publicado em 1889 na Zeidchrift für die gesamte Strafrechtswissenschaft [Revista de Penalogia Geral], 9, 131. Sem dúvida, ocupará um lugar de destaque, por muitos anos, na bibliografia alemã sobre hipnotismo. Conciso, com a forma quase de um catecismo, expresso em linguagem muito clara e decidida, cobre toda a área de fenômenos e problemas compreendidos no título “teoria do hipnotismo”; de maneira feliz, estabelece uma distinção entre fatos e teorias; nunca lhe falta a abordagem séria que se exige de um médico empenhado em investigação minuciosa; e, no seu todo, evita o tom pomposo que é tão despropositado numa discussão científica. Somente num ponto a exposição de Forel torna-se entusiástica o bastante para declarar que “a descoberta da importância psicológica da sugestão, levada a efeito por Braid e Liébeault, é, segundo minha opinião, tão magnífica que pode ser comparada com as maiores descobertas, ou melhor, revelações do espírito humano”. Todo aquele que achar esse comentário uma flagrante supervalorização da hipnose deve adiar seu julgamento definitivo até que os próximos anos tenham deixado claro quantas revoluções teóricas e práticas - que a hipnose promete desencadear - podem realmente resultar dela. Ao mencionar os obscuros problemas limítrofes ao hipnotismo (transmissão de pensamento etc.) com que se ocupa atualmente o “espiritualismo”, Forel mostra uma reserva realmente científica. É impossível compreender por que um autorizado cientista desta cidade, diante de um auditório científico, qualificou o autor desta obra como “Forel, o sulista”, confrontando-o com um adversário da hipnose supostamente “mais nortista”, como modelo de uma forma mais comedida de pensar. Ainda que fosse menos deselegante procurar abordar as opiniões sobre assuntos científicos, emitidas por cientistas ainda vivos, tomando como base a nacionalidade ou o país de origem desses cientistas, e mesmo que o Prof. Forel não tivesse tido a sorte de nascer e ser educado na latitude de quarenta e seis graus Norte, não haveriajustificativa para concluir, do presente trabalho, que seu autor tem o costume de deixar que suas emoções lhe tirem a lógica.

Pelo contrário, este breve estudo é o trabalho de um médico sério, que veio a conhecer o valor e a importância da hipnose a partir de sua rica experiência própria e tem o direito de exclamar aos “zombadores e incrédulos”: “Provem antes de julgar!” E temos de concordar com ele quando diz: “A fim de formar um julgamento acerca do hipnotismo, é preciso que se tenha praticado o hipnotismo por experiência própria”.

Realmente, há numerosos adversários da hipnose que formaram seu julgamento de um modo mais apressado. Não puseram à prova o novo método terapêutico e não o empregaram imparcial e cuidadosamente, como se procederia, por exemplo, com uma droga recentemente recomendada; rejeitaram a hipnose a priori, e agora a ausência de conhecimentos dos valiosos efeitos terapêuticos desse método não os autoriza, seja qual for o seu fundamento, a manifestar tão cáusticas e injustificadas expressões de antipatia à hipnose. Exageram enormemente os perigos da hipnose, passam a destratá-la sistematicamente e, diante da abundância de relatos de cura pela hipnose, que já não podem ser relegadas ao descaso, reagem com esses pronunciamentos oraculares: “As curas nada provam, elas mesmas exigem prova”. Tendo em conta a violência de sua oposição, não é de admirar que acusem os médicos que consideram seu dever usar a hipnose para beneficiar seus pacientes de terem motivos insinceros e formas de pensar não-científicas - acusações que devem ser excluídas de uma discussão científica, sejam elas apresentadas publicamente, sejam veiculadas de modo mais ou menos disfarçado. Quando entre esses adversários encontram-se homens como Hofrat Meynert, homens que, por seus escritos, adquiriram grande autoridade, e quando essa autoridade, sem nem sequer ser posta em dúvida, se estende, pelo consenso tanto dos médicos como do público leigo, a todos os seus pronunciamentos, então sem dúvida é inevitável que daí resulte algum dano para a causa do hipnotismo. Para a maioria das pessoas, é difícil supor que um cientista que teve grande experiência em certas áreas da neuropatologia e deu provas de grande agudeza de espírito não possa qualificar-se para ser citado como autoridade em outros problemas; e o respeito à grandeza, particularmente à grandeza intelectual, certamente está entre as melhores características da natureza humana. Mas é necessário ter o devido respeito pelos fatos. Não há por que recear dizer isso francamente, quando se trata de colocar de lado a dependência que se tinha em relação a uma autoridade, em favor da opinião própria, formada a partir do estudo dos fatos.

Todo aquele que, tal como o autor desta resenha, alcançou um julgamento independente nos assuntos referentes à hipnose, haverá de se consolar com a reflexão de que qualquer ofensa à reputação da hipnose, feita dessa maneira, só pode ser uma ofensa limitada tanto no tempo como no espaço. O movimento que procura introduzir o tratamento sugestivo no estoque terapêutico da medicina já triunfou em outros países e, no final, alcançará seu objetivo também na Alemanha (e em Viena). Todo médico que se disponha a examinar os fatos com isenção será levado a tomar uma atitude menos desfavorável quando verificar que as supostas vítimas da terapia hipnótica sofrem menos, depois do tratamento, e podem executar suas funções melhor do que o faziam antes - e é este o caso dos meus próprios pacientes, como posso afirmar. Algumas experiências mostrarão a eles que toda uma série de censuras à hipnose aplica-se não à hipnose, em particular, mas sim à nossa terapia em geral, e pode, na verdade, ser mais justificadamente dirigida contra determinados métodos que todos nós usamos na prática do que contra a hipnose. Como médicos, descobrirão que é impossível não utilizar a hipnose e deixar que seus pacientes sofram, quando podem aliviá-los mediante o uso inócuo da influência psíquica. Serão obrigados a dizer a si mesmos que a hipnose não perde nada de sua inocuidade nem de seu valor curativo quando a denominam “loucura artificial” ou “histeria artificial”, do mesmo modo que a carne não perde nem um pouco seu gosto nem seu valor nutritivo só porque a ira dos vegetarianos a denuncia como “carniça”.

Esqueçamos por um momento que conhecemos, por nossa experiência, os efeitos da hipnose; perguntemo-nos que efeitos prejudiciais esperaríamos, a priori, resultassem dela. O tratamento hipnótico, em primeiro lugar, consiste em induzir um estado hipnótico e, em segundo, em veicular uma sugestão à pessoa hipnotizada. Qual desses dois atos se supõe seja prejudicial? Promover a hipnose? Mas a hipnose, quando tem seu mais pleno êxito, nada mais é do que o sono comum, coisa tão conhecida de todos nós, embora, sob muitos aspectos, sem dúvida ainda não a compreendamos; e, por outro lado, quando menos completamente desenvolvida, a hipnose corresponde às diferentes fases do processo do adormecer. É verdade, que, no sono, perdemos nosso equilíbrio psíquico, e a atividade de nosso cérebro durante o sono é uma atividade desordenada que, em muitos aspectos, lembra a loucura; esta analogia, contudo, também não impede que despertemos do sono com renovada força mental. Se fôssemos seguir as opiniões de Meynert acercados efeitos prejudiciais da redução da atividade cortical e da origem que ele atribui à euforia hipnótica, nós, médicos, realmente teríamos toda a razão para manter as pessoas insones. Até agora, porém, as pessoas ainda preferem dormir, e não temos por que recear que os perigos da terapia hipnótica se situem no ato de hipnotizar. Comunicar uma sugestão seria o fator prejudicial? Isto é impossível, pois é ato notório que os ataques da oposição de modo algum são dirigidos contra a sugestão. Como se sabe, o uso da sugestão tem sido uma coisa familiar aos médicos, desde épocas imemoriais: “Todos nós estamos dando sugestões constantemente”, dizem eles; e, realmente, um médico - mesmo que não pratique a hipnose - nunca se sente mais satisfeito do que depois de haver recalcado um sintoma da atenção de um paciente mediante o poder de sua personalidade e influência de suas palavras - e de sua autoridade. Por que não deveria então o médico procurar exercer sistematicamente a influência que sempre lhe parece tão desejável quando nela tropeça inadvertidamente? Entretanto, talvez seja a sugestão, de qualquer modo, o elemento passível de objeções: a repressão de uma personalidade livre pelo médico, que ao mesmo tempo conserva um poder de direção sobre o cérebro adormecido em sono artificial. É deveras interessante ver os mais ardorosos deterministas defendendo, de repente, o periclitante “livre-arbítrio pessoal” e constatar que os psiquiatras que estão habituados a sufocar a “atividade mental de livre aspiração” de seus pacientes com grandes doses de brometos, morfina e hidrato de cloral passem a acusar a influência da sugestão como coisa degradante tanto para o paciente como para o médico. Será então realmente possível esquecer que a repressão da independência de um paciente pela sugestão da hipnose é sempre apenas uma repressão parcial; que ela visa aos sintomas de uma doença; que (como foi mostrado uma centena de vezes) toda a educação social dos seres humanos se baseia numa repressão de idéias e motivações impróprias e na sua substituição por outras melhores; e que, diariamente, a vida produz em todas as pessoas efeitos psíquicos que, ainda que as atinjam no seu estado de vigília, nelas produzem modificações muito mais intensas do que aquelas produzidas pela sugestão do médico que tenta eliminar uma idéia penosa ou angustiante, usando a eficácia de uma contra-idéia? Não. Não há nada de perigoso na terapia pela hipnose; apenas o seu mau uso é que pode ser perigoso; e todo aquele que, na qualidade de médico, não confiar no escrúpulo ou retidão de sua intenção de evitar esse mau uso, agirá acertadamente mantendo-se à distância desse método terapêutico novo.

No que concerne à avaliação pessoal dos médicos que têm a coragem de utilizar a hipnose como medida terapêutica antes que a onda da moda a torne obrigatória, o autor desta resenha é de opinião de que é conveniente ter certa tolerância para com a freqüente intolerância dos grandes homens. Por isso, não lhe parece aconselhável, ou matéria digna de algum interesse para um círculo mais amplo, investigar aqui as razões que levaram o Hofrat Maynert a apresentá-lo [o resenhista], bem como a parte da história de sua vida, aos leitores de seu artigo sobre as neuroses traumáticas.

O autor desta resenha julga mais importante falar a favor da hipnose para aqueles que se habituaram a deixar que seu julgamento sobre matérias científicas seja determinado por uma grande autoridade, e que talvez a isto tenham sido levados por uma correta percepção da inadequação do seu próprio discernimento. Propõe-se fazê-lo, confrontando com a resistente autoridade de Meynert, outros cientistas que se mostraram mais receptivos à hipnose. Lembra que, entre nós, foi o Prof. H. Obersteiner quem primeiro deu impulso ao estudo científico da hipnose e que um psiquiatra e neurologista tão conceituado como o Prof. Krafft-Ebing (recente aquisição de nossa Universidade) pronunciou-se irrestritamente a favor da hipnose e a utiliza em sua prática médica com os melhores resultados. Ver-se-á que esses nomes satisfarão também àqueles que são desprovidos de opinião, que sua confiança exige das autoridades científicas o preenchimento de determinadas condições, tais como nacionalidade, raça e latitude geográfica, e cuja confiança acaba nos postos de fronteira de sua terra natal.

Todos os outros que são receptivos à autoridade científica, mesmo que proveniente de fora de sua terra natal, incluirão também o Prof. Forel entre os homens cuja defesa da hipnose pode tranqüilizá-los quanto à suposta ilegitimidade e desmerecimento desse método de tratamento. O autor desta resenha, em particular, quando se defrontou com os ataques de Meynert, sentiu que, apoiando a hipnose, estava em boa companhia. O Prof. Forel é uma prova de que um homem pode ser um notável anatomista do cérebro e, não obstante, enxergar na hipnose algo mais do que um absurdo. Também não pode ser-lhe negada a qualificação de “um médico de rigorosa formação em fisiologia” - que o Hofrat Meynert muito amavelmente atribuiu ao passado deste que escreve esta resenha; e assim como o autor desta resenha retornou da iniqüidade de Paris em estado corrompido, uma visita a Bernheim, em Nancy, constituiu para o Prof. Forel o ponto de partida da nova atividade a que devemos este excelente trabalho.

II

Nas partes iniciais deste livro, Forel procura, na medida do possível, estabelecer uma distinção entre “fatos, teorias, conceitos e terminologia”.

O fato principal do hipnotismo consiste na possibilidade de colocar uma pessoa num estado especial da mente (ou, mais precisamente, do cérebro), que se assemelha ao sono. Esse estado é conhecido como hipnose. Um segundo conjunto de atos consiste na maneira como esse estado é produzido (e encerrado). Isto parece ser possível de três modos: (1) pela influência psíquica que uma pessoa exerce sobre outra (sugestão), (2) pela influência (fisiológica) de determinados métodos (fixação), por ímãs, pela mão do hipnotizador etc. e (3) pela auto-influência (auto-sugestão). No entanto, apenas o primeiro desses métodos está estabelecido: a produção por idéias - sugestão. Em nenhuma das outras formas de produzir a hipnose parece possível excluir a ação da sugestão, de uma ou de outra forma.

Um terceiro grupo de fatos diz respeito à conduta da pessoa hipnotizada. Quando a pessoa está sob hipnose, é possível exercer, pela sugestão, os mais amplos efeitos sobre quase todas as funções do sistema nervoso e, entre elas, sobre aquelas atividades cuja dependência com relação aos processos que ocorrem no cérebro é geralmente estimada como bastante reduzida. O fato de a influência do cérebro sobre as funções orgânicas poder tornar-se mais intensa sob hipnose do que no estado de vigília certamente se harmoniza pouco com as teorias dos fenômenos hipnóticos que procuram considerá-los como “depressores da atividade cortical”, uma espécie de imbecilidade experimental. Existem, contudo, muitas outras coisas, além dos fenômenos hipnóticos, que não se harmonizam com essa teoria, a qual procura compreender quase todos os fenômenos da atividade cerebral por meio do contraste entre “cortical” e “subcortical” e parece chegar ao ponto de localizar o princípio do “mal” nas partes subcorticais do cérebro.

 

Outros fatos inquestionáveis são a dependência da atividade mental da pessoa hipnotizada em relação à do hipnotizador e a produção daquilo que se conhece como efeitos “pós-hipnóticos’’ na pessoa hipnotizada - isto é, a determinação de atos psíquicos que só são executados muito tempo depois de cessada a hipnose. Por outro lado, há toda uma série de afirmativas que relatam as mais interessantes atividades executadas pelo sistema nervoso (clarividência, sugestão mental etc.), mas que, atualmente, não podem ser arroladas como fatos; e embora um exame científico dessas afirmações não deva ser recusado, deve-se ter em mente que um esclarecimento satisfatório das mesmas envolve as maiores dificuldades.

Para explicar os fenômenos da hipnose foram propostas três teorias fundamentalmente diferentes. A mais antiga destas, que ainda denominamos teoria de Mesmer, supõe que, no ato de hipnotizar, um material imponderável - um fluido - passa do hipnotizador para o organismo hipnotizado. Mesmer chamava esse agente de “magnetismo”. Sua teoria tornou-se tão estranha à nossa forma de pensamento científico contemporâneo que pode ser considerada eliminada. Uma segunda teoria, somática, explica os fenômenos hipnóticos com base nos reflexos medulares; considera a hipnose um estado fisiológico modificado do sistema nervoso, causado por estímulos externos (impacto da mão, fixidez da atividade sensorial, adução de ímãs, aplicação de metais etc.). Afirma que os estímulos desse tipo só têm efeito “hipnogênico” quando há uma disposição peculiar do sistema nervoso e, portanto, só os neuropatas (especialmente os histéricos) são hipnotizáveis. Despreza a influência das idéias na hipnose e descreve uma série típica de modificações puramente somáticas que podem ser observadas durante o estudo hipnótico. Como se sabe, é a grande autoridade de Charcot que apóia essa concepção exclusivamente somática da hipnose.

Forel, no entanto, posiciona-se inteiramente segundo uma terceira teoria - a teoria da sugestão, criada por Liébeault e seus discípulos (Bernheim, Beaunis, Liégeois). Segundo essa teoria, todos os fenômenos da hipnose constituem efeitos psíquicos, efeitos de idéias que, intencionalmente ou não, são provocadas na pessoa hipnotizada. O estado de hipnose, como tal, é produzido não por estímulos externos, mas por uma sugestão; não é exclusivo dos neuropatas e pode ser conseguido, sem muita dificuldade, na grande maioria das pessoas sadias. Em resumo, “o conceito de hipnotismo, tão mal definido até agora, deve equivaler ao conceito de sugestão”. Deve ficar reservado à decisão de uma crítica mais aprofundada saber se o conceito de sugestão realmente é menos mal definido que o conceito de hipnotismo. Aqui é necessário apenas assinalar que um médico que deseja estudar a hipnose e, a respeito dela, formar uma opinião, indubitavelmente deverá adotar, em princípio, a teoria da sugestão. Pois será capaz de se convencer da correção dos postulados da escola de Nancy, a qualquer tempo, com seus próprios pacientes, ao passo que provavelmente terá poucas condições de confirmar por sua própria observação os fenômenos descritos por Charcot como “grande hipnotismo”, os quais parecem ocorrer somente em alguns portadores de grande hystérie.

A segunda parte do livro trata da sugestão; com admirável concisão e uma capacidade de descrição magistral e penetrante, cobre toda a área dos fenômenos psíquicos que foram observados em pessoas sob hipnose. A chave para a compreensão da hipnose é dada pela teoria do sono normal (ou melhor, do adormecer normal), de Liébeault, segundo a qual a hipnose se distingue somente pela inserção do relacionamento entre a pessoa hipnotizada e a pessoa que a faz adormecer. Dessa teoria infere-se que toda pessoa é hipnotizável e que, para não se promover a hipnose, é necessária a presença de obstáculos especiais. Examina-se a natureza desses obstáculos (um desejo demasiadamente intenso de ser hipnotizado, tanto quanto uma grande resistência intencional, e assim por diante), discutem-se os graus de hipnose e se estuda a relação entre o sono sugerido e os outros fenômenos da hipnose, quase sempre em completo acordo com Bernheim, cuja obra categorizada sobre a sugestão parece ter encontrado amplo círculo de leitores em sua tradução alemã. Os parágrafos sobre os efeitos da sugestão sob hipnose são igualmente apresentados sob a forma de excertos de Bernheim, mas são invariavelmente ilustrados com exemplos provenientes da experiência do próprio autor. Forel apresenta-os com esta frase: “Por meio da sugestão sob hipnose, é possível produzir, influenciar, impedir (inibir, modificar, paralisar, ou estimular) todos os fenômenos subjetivos conhecidos da mente humana e uma grande parte das funções objetivamente conhecidas do sistema nervoso” - isto é, influenciar as funções sensitivas e motoras do corpo, determinados reflexos e processos vasomotores (a ponto mesmo de causar bolhas!) e, na esfera psíquica, influenciar sentimentos, instintos, memória, atividade volitiva e assim por diante. Todo aquele que já tenha acumulado algumas experiências pessoais com o hipnotismo há de se lembrar da impressão que lhe causou o fato de, pela primeira vez, poder exercer sobre a vida psíquica de uma outra pessoa aquilo que até então tinha sido uma influência inimaginável, e de poder efetuar com uma mente humana uma experiência que, de tal forma, normalmente só é possível executar no corpo de um animal. É verdade que essa influência apenas raramente se efetua sem resistência da parte da pessoa hipnotizada. Esta não é um simples autômato; muitas vezes, empreende uma luta contra a sugestão, e por sua própria atividade cria “auto-sugestões” - termo que, aliás, apenas parece enriquecer o conceito de “sugestão”, mas que, estritamente falando, é uma ab-rogação do mesmo.

São da maior importância as discussões que se seguem, referentes aos fenômenos pós-hipnóticos - sugestões destinadas a produzir seu efeito após um tempo-limite fixado - e a sugestão em estado de vigília - grupo de fenômenos cujo estudo já trouxe as mais valiosas conclusões acerca dos processos psíquicos normais dos seres humanos, embora sua interpretação ainda esteja sujeita a alguma controvérsia. Se o trabalho de Liébeault e seus discípulos não tivesse produzido nada além do conhecimento desses fenômenos notáveis - embora, ao mesmo tempo, sejam fenômenos do dia-a-dia - e do enriquecimento da psicologia por um novo método experimental, esse trabalho, mesmo excetuando qualquer alcance prático, já teria assegurado um lugar de destaque entre as descobertas científicas deste século. O pequeno livro de Forel contém toda uma série de comentários e conselhos oportunos sobre a aplicação prática do hipnotismo, os quais impõem a mais integral admiração do autor. Só um médico que associa o mais completo domínio do seu difícil tema a uma firme convicção da importância deste pode escrever dessa maneira. A técnica do hipnotismo não é tão fácil, como se poderia supor pela conhecida crítica feita no primeiro debate de Berlim: “Hipnotizar não é uma especialidade médica, já que qualquer pastor de ovelhas adolescente a pratica”. É necessário estar imbuído de entusiasmo, paciência, grande certeza e uma boa dose de estratagemas e inspiração. Aquele que tenta hipnotizar segundo um padrão predeterminado, que teme a desconfiança ou o escárnio da pessoa a ser hipnotizada, ou que já começa com um estado de ânimo vacilante, conseguirá pouca coisa. A pessoa a ser hipnotizada não deve ser nervosamente deixada em apuros; as pessoas muito nervosas são as menos indicadas para realizar esse tipo de tratamento. Um procedimento competente e firme elimina todas as supostas más conseqüências do hipnotismo. Conforme apropriadamente se expressou o Dr. Bérillon, “On ne s’improvise pas plus médecin hypnotiseur qu’on ne s’improvise oculiste.”

 

Pois bem, o que pode conseguir a hipnose? Forel dá uma lista de doenças “que parecem ceder muito bem com a sugestão”, sem pretender que essa lista seja completa. Deve-se acrescentar que a posição que ocupam as “indicações”, no caso do tratamento hipnótico, difere um tanto do que se passa em outros casos, como, por exemplo, no uso da digitalina. Praticamente depende mais das características da pessoa do que da natureza de sua doença. Há determinadas pessoas nas quais dificilmente um sintoma deixa de ceder à sugestão, por mais firme que seja sua base orgânica - por exemplo, a vertigem, na doença de Ménière, ou a tosse, na tuberculose; em outras pessoas é impossível exercer qualquer influência, sequer sobre distúrbios de indubitável origem psíquica. E não depende menos da habilidade do hipnotizador e das condições nas quais ele é capaz de tratar seus pacientes. Eu mesmo tenho tido não poucos resultados felizes com o tratamento hipnótico; mas não me arrisco a empreender certas curas de um tipo que testemunhei junto a Liébeault e Bernheim, em Nancy. Também sei que boa parte do sucesso é devida à “atmosfera sugestiva” que circunda a clínica daqueles dois médicos, ao milieu e ao estado de ânimo dos pacientes - coisas de que nem sempre consigo encontrar sucedâneos em meus clientes experimentais.

Será possível modificar permanentemente uma função nervosa por meio da sugestão? Ou será justificada a acusação de que a sugestão só produz êxitos sintomáticos por um curto espaço de tempo? O próprio Bernheim deu a essa acusação uma resposta irrefutável, nos últimos parágrafos de seu livro. Assinala que a sugestão atua da mesma forma que qualquer outro agente terapêutico que temos à nossa disposição; isto é, uma sugestão escolhe, dentre um complexo de fenômenos patológicos, um ou outro sintoma importante cuja remoção exercerá a influência mais favorável na evolução de todo o processo. Pode-se acrescentar que a sugestão, além disso, satisfaz todos os requisitos de um tratamento causal, em numerosos casos. É o que sucede, por exemplo, nos distúrbios histéricos, que são resultado direto de uma idéia patogênica ou sedimento de uma experiência desagregadora. - Quando essa idéia é eliminada ou essa lembrança é enfraquecida - que é o que a sugestão realiza -, também o distúrbio geralmente é superado. É verdade que isso não significa que a histeria esteja curada: em condições parecidas, ela provocará sintomas parecidos. Mas será que a histeria é curada pelahidroterapia, pela superalimentação ou pela valeriana? Acaso se espera que um médico possa curar uma diátese nervosa quando persistem as circunstâncias que a sustentam? Segundo Forel, pode-se conseguir êxito permanente, por meio da sugestão, nas seguintes condições: (1) Quando a mudança efetuada tem dentro de si mesma a força para se manter entre os elementos da dinâmica do sistema nervoso. Por exemplo, suponhamos que uma criança, por meio da sugestão, interrompeu a enurese noturna. Então o hábito normal pode conseguir estabelecer-se tão firmemente como o hábito anterior, indesejável. Ou (2) quando essa força para a mudança é suprida por um medicamento. Suponhamos, por exemplo, que alguém sofra de insônia, fadiga e enxaqueca. Então a sugestão lhe assegura o sono e, assim, melhora seu estado geral, e o retorno da enxaqueca é evitado permanentemente.

Mas o que é realmente a sugestão, que é a base de todo o hipnotismo, no qual todos esses resultados são possíveis? Ao levantarmos essa questão, apontamos um dos pontos fracos da teoria de Nancy. Sem querer, lembramo-nos da questão do ponto de apoio de São Cristóvão, quando verificamos que o trabalho exaustivo de Bernheim, que culmina com a afirmação “Tout est dans la suggestion”, nem de longe procura abordar a natureza da sugestão - isto é, a definição do conceito. Quando tive o privilégio de receber ensinamentos pessoais do professor Bernheim sobre os problemas do hipnotismo, pareceu-me verificar que ele denominava sugestão a toda influência psíquica eficaz exercida por uma pessoa sobre outra, e que considerava como “sugerir” todo esforço no sentido de exercer uma influência psíquica em alguma outra pessoa. Forel procura estabelecer uma distinção mais clara. Uma seção sobre “Sugestão e Consciência”, rica em idéias, intenta compreender a atuação da sugestão com base em determinadas hipóteses fundamentais relativas aos eventos psíquicos normais. Ainda que não sejamos solicitados a dar uma declaração de que estamos completamente satisfeitos com esse debate, devemos ao autor nossos agradecimentos por apontar a direção em que se pode procurar uma solução para o problema, e por numerosas sugestões e contribuições nesse sentido. Não pode haver dúvidas de que comentários como os que fez Forel nessa seção de seu livro têm maior conexão com o problema da hipnose do que o contraste entre “cortical esubcortical” e as especulações sobre dilatação e constrição dos vasos sangüíneos do cérebro.

O livro termina com uma seção sobre a importância forense da sugestão. Conforme sabemos, até o momento, os “crimes sugeridos” são simplesmente uma possibilidade para a qual os juristas estão se preparando, e que os romancistas podem prever como “não tão improváveis que não possam acontecer algum dia”. De fato, em laboratório, não é difícil induzir um bom sonâmbulo a cometer um crime imaginário. Mas, depois das perspicazes críticas de Delboeuf aos experimentos de Liégeois, deve permanecer em aberto a questão de até que ponto a consciência de se tratar apenas de uma experiência facilita à pessoa a execução do crime.

  1. SIGM. FREUD

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

O hipnotismo é uma forma de transmissão do pensamento, assim como a telepatia. A fim de formar um julgamento acerca da transmissão do pensamento, agora por meio da telepatia, é preciso que se tenha praticado a telepatia por experiência própria e tirado suas conclusões, acerca de seus benefícios e malefícios.

Na telepatia não conhecemos apenas pela nossa experiência, mas também pela experiência do outro. Na telepatia como no sono, perdemos nosso equilíbrio psíquico, ficamos desorientados, como que na loucura. Na telepatia ficamos sujeitos à sugestão; toda influência psíquica eficaz exercida por uma pessoa em alguma outra pessoa denomino sugestão.

 

MATTANÓ

(27/02/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha o hipnotismo é uma forma de transmissão do pensamento, assim como a telepatia. A fim de formar um julgamento acerca da transmissão do pensamento, agora por meio da telepatia, é preciso que se tenha praticado a telepatia por experiência própria e tirado suas conclusões, acerca de seus benefícios e malefícios.

Na telepatia não conhecemos apenas pela nossa experiência, mas também pela experiência do outro. Na telepatia como no sono, perdemos nosso equilíbrio psíquico, ficamos desorientados, como que na loucura. Na telepatia ficamos sujeitos à sugestão; toda influência psíquica eficaz exercida por uma pessoa em alguma outra pessoa denomino sugestão.

Da mesma maneira através da sugestão mediante o hipnotismo e/ou a telepatia podemos transmitir o nosso pensamento e codificar uma mensagem, alterando o julgamento desta, modificando sua experiência própria e o seu equilíbrio psíquico, favorecendo a desorientação, como que na loucura ou na lavagem cerebral independentemente do país estar lidando com socialistas ou comunistas, o que pode definir uma natureza comunista no uso de hipnotismo e da telepatia seria a desapropriação da identidade, consciência, cultura, conhecimento, realidade, intimidade e privacidade de um ou mais indivíduos em benefício do Estado e das suas estatais ou empresas beneficiadas, ou seja, controladas pelo seu poder, inclusive classes de trabalhadores como profissionais da saúde, da comunicação, da justiça, do esporte, da educação e da segurança, etc., para promover a desapropriação da propriedade intelectual e material individual e familiar e noutros casos, coletiva e social, senão nacional, privando a nação de direitos e deveres, obrigações e privilégios em função do seu gozo eterno e privilegiado, capaz agora até de transformar a consciência e o cérebro, o tronco cerebral, o tálamo e o córtex cerebral, propriedades do Estado, ou seja, de práticas do comunismo, onde não existe liberdade individual e nem coletiva, seja onde for, em casa, no trabalho, na Igreja, no estádio, no show, no parque, nas ruas, nas estradas, nos apartamentos, nos aviões, carros e navios, nas matas, rios e oceanos, nas praias, nas cidades e no campo, na zona rural, no amor, na vida e na morte, tudo se transforma propriedade do Estado, da alienação comunista que priva o indivíduo da sua própria vida, do seu patrimônio, das suas riquezas geradas e acumuladas ao longo da sua Trajetória da Vida e dos Heróis. Pois somos construtores de sítios arqueológicos que só existem em função do comportamento de gerar e acumular riquezas, tanto individualmente quanto coletivamente, indicando padrões culturais de sobrevivência e de adaptação comportamental, fisiológica e morfológica, nosso corpo evoluiu para ser ¨depósito ou estante de objetos¨ que adquirimos ao longo da vida, dependemos deles, das nossas vestes, dos nossos sapatos, dos produtos de higiene e de limpeza, de educação, de transporte e de trabalho, de atividades domésticas, infantis e familiares, podemos trabalhar e ser mais do que meras crianças pobres e sem recursos que têm que viver controladas, num ambiente controlado, com o recursos sucateados e controlados, pois não existe educação e trabalho para todos e nem oportunidades e justiça, por isso devemos aceitar a nossa condição de inferiores e nos armarmos para a guerra, pois num ambiente onde os recursos são escassos, a guerra, a loucura, o roubo e a criminalidade podem estourar a qualquer momento, então o melhor caminho parece ser o comunismo ou o socialismo como vemos no Brasil de hoje.

 

MATTANÓ

(19/08/2025)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

HIPNOSE (1891)

 

 (a) EDIÇÃO ALEMÃ:

1891 Em Therapeutisches Lexikon, de Anton Bum, 724-732. (Viena: Urban & Schwarzenberg.) (1893, 2ª ed., 896-904; 1900, 3ª ed., 1, 1110-19.)

A segunda e a terceira edições não sofreram modificações, exceto quanto a algumas correções mínimas, principalmente tipográficas. A tradução de James Strachey é a primeira para o inglês.

Essa contribuição assinada para um dicionário médico tinha passado inteiramente despercebida até ser descoberta, em 1963, pelo Dr. Paul F. Cranefield, Ph.D., editor do Bulletin of the New York Academy of Medicine. A ele cabem nossos agradecimentos por chamar-nos a atenção para esse trabalho e por nos ter fornecido cópias fotostáticas. Parece que nada se sabe acerca da feitura desse trabalho.

 

Seria um equívoco pensar que é muito fácil praticar a hipnose com fins terapêuticos. Pelo contrário, a técnica de hipnotizar é um método médico tão difícil como qualquer outro. Um médico que deseja hipnotizar deve tê-lo aprendido com um mestre nessa arte e, mesmo depois disso, deverá ter tido bastante experiência própria, a fim de obter êxitos em mais do que alguns poucos casos. Depois, como hipnotizador experiente, haverá de abordar o assunto com toda a seriedade e firmeza que nascem da consciência de estar empreendendo algo útil e, a rigor, em algumas circunstâncias, necessário. A rememoração de tantas outras curas realizadas pela hipnose conferirá à sua conduta para com seus pacientes uma certeza que não deixará de despertar, também nestes, a expectativa de mais um êxito terapêutico. Todo aquele que se põe a hipnotizar com ceticismo, que talvez se afigure cômico a si mesmo nessa situação e que revele, por sua expressão, sua voz e seus modos, não esperar nada da experiência, não terá motivos para se surpreender com seus fracassos; deveria, preferentemente, deixar esse método de tratamento para outros médicos capazes de praticá-lo sem se sentirem feridos em sua dignidade médica, de vez que se convenceram, pela experiência e pela leitura, da realidade e da importância da influência hipnótica.

Devemos ter como regra não procurar impor ao paciente o tratamento pela hipnose. Entre o público acha-se difundido o preconceito (realmente reforçado por alguns médicos conceituados, conquanto inexperientes nesse assunto) de que a hipnose é um procedimento perigoso. Se tentássemos impor a hipnose a alguém que acreditasse nessa afirmação, provavelmente viríamos a ser interrompidos, não mais do que uns poucos minutos depois, por acontecimentos desagradáveis, que surgiriam da ansiedade do paciente e de seu sentimento angustiante de estar sendo dominado, os quais, porém, com bastante certeza, seriam considerados como resultado da hipnose. Portanto, sempre que surge uma intensa resistência contra o uso da hipnose, devemos renunciar ao método e esperar até que o paciente, sob a influência de outras informações, aceite a idéia de ser hipnotizado. Por outro lado, não é absolutamente desfavorável se um paciente declara que não teme a hipnose, mas que não acredita nela ou não acredita que ela lhe possa ser útil. Num caso desses, dizemos-lhe: “Não exigimos sua crença, mas, de início, apenas sua atenção e sua cooperação”. E, em regra, nesse estado de espírito indiferente do paciente, encontramos excelente apoio. Por outro lado, deve-se dizer que há pessoas que são impedidas de serem hipnotizadas justamente por sua vontade e insistência em serem hipnotizadas. Isto está em completa discordância com a opinião popular segundo a qual a “fé” é um fator da hipnose; mas realmente são estes os fatos. Em geral, podemos partir da presunção de que qualquer pessoa é hipnotizável; porém, todo médico encontrará determinado número de pessoas que, dentro das condições de suas experiências, não conseguirá hipnotizar e, muitas vezes, será incapaz de dizer de onde se originou seu fracasso. Por vezes, um método consegue obter algo que parecia impossível com um outro método, e o mesmo se aplica aos diferentes médicos. Nunca podemos dizer antecipadamente se será possível hipnotizar um paciente ou não; empreender a tentativa é a única maneira de que dispomos para descobrir isso. Até os dias atuais, não se conseguiu relacionar a acessibilidade à hipnose com qualquer outro atributo de uma pessoa. O que se sabe de verdadeiro é que os portadores de doença mental e os degenerados, na sua maior parte, não são hipnotizáveis, e os neurastênicos somente o são com grande dificuldade. Não é verdade que os pacientes histéricos não se adaptem à hipnose. Pelo contrário, são precisamente estes os pacientes nos quais a hipnose se efetua como reação a medidas puramente fisiológicas e com toda a aparência de um estado físico especial. É importante formar um julgamento provisório da individualidade psíquica do paciente que desejamos hipnotizar; mas, nesse ponto específico, não se podem estabelecer leis gerais. Entretanto, é evidente que não há vantagem em começar um tratamento médico pela hipnose; é melhor, antes de tudo, conquistar a confiança do paciente e deixar que sua desconfiança e seu senso crítico se neutralizem. No entanto, todo aquele que goza de uma grande reputação como médico ou como hipnotizador pode agir sem essa preparação.

Contra que doenças podemos usar a hipnose? Nesse sentido, as indicações são mais difíceis do que no caso de outros métodos de tratamento, pois a reação individual à terapia hipnótica desempenha um papel quase tão grande como a própria natureza da doença a ser combatida. Em geral, evitaremos aplicar o tratamento hipnótico em sintomas que tenham origem orgânica; empregaremos esse método apenas em casos de doenças nervosas puramente funcionais, em doenças de origem psíquica, bem como em casos de dependência de tóxicos e outras dependências. Ainda assim, convencer-nos-emos de que numerosos sintomas de doenças orgânicas são acessíveis à hipnose e de que a modificação orgânica pode existir sem distúrbio funcional dela decorrente. Devido à antipatia ao tratamento hipnótico verificada no momento, raramente podemos empregar a hipnose, exceto quando todos os outros tipos de tratamento foram tentados sem êxito. Isto tem sua vantagem, pois assim ficamos conhecendo a verdadeira área de ação da hipnose. Naturalmente, também podemos hipnotizar com vistas ao diagnóstico diferencial: por exemplo, quando estamos em dúvida se determinados sintomas se relacionam com a histeria ou com uma doença nervosa orgânica. Contudo, essa prova só tem algum valor em casos nos quais o resultado é favorável.

Quando tivermos conseguido uma certa familiaridade com o paciente e tivermos estabelecido o diagnóstico, surge a questão de saber se iremos experimentar a hipnose num tête-à-tête, ou se introduziremos uma terceira pessoa de confiança. Essa medida seria desejável para proteger o paciente de um mau uso da hipnose, bem como proteger o médico de alguma acusação de abuso do método. E ambas as coisas sabidamente já ocorreram. Mas nem sempre se pode empregar essa medida. A presença de uma amiga, ou do marido da paciente, e assim por diante, muitas vezes perturba enormemente a paciente e por certo diminui a influência do médico. Ademais, o assunto central das sugestões a serem feitas na hipnose nem sempre é apropriado para se tornar do conhecimento de pessoas muito próximas da paciente. A introdução de um segundo médico não teria essa desvantagem, mas aumenta em tal grau a dificuldade de executar o tratamento que o torna impossível, na maioria dos casos. Visto que compete ao médico, acima de tudo, prestar auxílio por meio da hipnose, na maior parte dos casos ele terá de abrir mão da introdução de uma terceira pessoa e enfrentar o risco já mencionado, junto com os demais riscos inerentes ao exercício da profissão médica. A paciente, porém, deverá precaver-se, não se deixando hipnotizar por um médico que não pareça merecer a mais completa confiança.

Por outro lado, é da maior utilidade para a paciente a ser hipnotizada que ela veja outras pessoas em estado de hipnose, que saiba por imitação, como irá se conduzir e saiba, por outras pessoas, qual a natureza das sensações que ocorrem durante o estado hipnótico. Em Nancy, na clínica de Bernheim e no ambulatório de Liébeault, onde todo médico pode obter esclarecimentos a respeito dos resultados de que é capaz a influência hipnótica, nunca se efetua a hipnose num tête-à-tête. Todo paciente que, pela primeira vez, toma contato com a hipnose observa, durante algum tempo, como adormecem os pacientes há mais tempo em tratamento, como obedecem durante a hipnose e como, depois de acordarem, admitem que seus sintomas desapareceram. Isso o conduz a um estado de preparação psíquica que, tão logo chegue sua vez, o faz entrar em profunda hipnose. Contra esse procedimento existe a objeção de as doenças e males de cada indivíduo serem discutidos diante de grande número de pessoas, o que não é adequado a pacientes de classe social mais elevada. Não obstante, um médico que deseje tratar pela hipnose não deve renunciar a esse poderoso fator auxiliar, e deve, na medida do possível, dispor as coisas de tal modo que a pessoa a ser hipnotizada esteja presente, antes, a uma ou mais experiências hipnóticas. Se não podemos contar com a possibilidade de o paciente hipnotizar-se por imitação, logo que lhe damos o sinal, podemos escolher entre diferentes métodos de induzir-lhe a hipnose, tendo todos eles em comum o fato de que, por determinadas sensações físicas, lembrem o adormecer. A melhor maneira de proceder é a que se segue. Colocamos o paciente numa cadeira confortável, pedimos que se mantenha cuidadosamente atento e que não fale mais, pois falar lhe impediria o adormecer. Remove-se-lhe qualquer roupa apertada e pede-se a quaisquer outras pessoas presentes que se mantenham numa parte da sala onde não possam ser vistas pelo paciente. Escurece-se a sala, mantém-se o silêncio. Após esses preparativos, sentamo-nos em frente ao paciente e pedimos-lhe que fixe os olhos em dois dedos da mão direita do médico e, ao mesmo tempo, observe atentamente as sensações que passará a sentir. Depois de curto espaço de tempo, um minuto, talvez, começamos a persuadir o paciente a sentir as sensações do adormecer. Por exemplo: “Estou reparando que as coisas estão indo rápido no seu caso: seu rosto assumiu um aspecto fixo, sua respiração ficou mais profunda, você ficou muito tranqüilo, suas pálpebras estão pesadas, seus olhos estão piscando, você não pode mais ver com muita clareza, logo terá de engolir, depois vai fechar os olhos - e você está dormindo”. Com essas palavras e outras semelhantes, já estamos propriamente no processo de “sugerir”, que é como podemos chamar a esses comentários persuasivos durante a hipnose. Mas estamos apenas sugerindo sensações e processos da motricidade, tal como ocorrem espontaneamente na instalação do sono hipnótico. Podemos convencer-nos disto se tivermos diante de nós uma pessoa que possa ser submetida à hipnose somente por meio da fixação do olhar (método de Braid), pessoa em que, por conseguinte, a fadiga dos olhos causa o estado de sono, devido ao esforço da atenção e porque esta se desvia das outras impressões. Primeiramente, a fisionomia do paciente assume um aspecto rígido, sua respiração se aprofunda, seus olhos se umedecem e piscam freqüentemente, ocorrem um ou mais movimentos de deglutição e, por fim, os globos oculares se voltam para dentro e para cima,as pálpebras caem e a hipnose está presente. É grande o número de pessoas nas quais o fenômeno se passa dessa maneira; se observarmos que temos diante de nós uma pessoa nessas condições, será bom mantermos silêncio e só ocasionalmente dar ajuda mediante uma sugestão. Procedendo de modo diferente, só estaríamos perturbando o paciente que se está hipnotizando, e se a sucessão de sugestões não corresponder à seqüência real de suas sensações, provocaremos uma contradição. Contudo, geralmente é aconselhável não esperar pelo desenvolvimento espontâneo da hipnose; convém estimulá-la por sugestões. Estas, no entanto, devem ser dadas de modo resoluto numa seqüência rápida. Não se deve deixar, por assim dizer, que o paciente caia em si: ele não deve ter tempo para testar se é correto aquilo que lhe foi dito. Para que seus olhos se fechem, não precisamos de mais do que dois a quatro minutos aproximadamente; se não se fecharem espontaneamente, nós os fechamos exercendo uma pressão sobre eles, sem demonstrar surpresa ou aborrecimento por não ter ocorrido seu fechamento espontâneo. Se os olhos permanecerem cerrados, é provável que tenhamos conseguido um determinado grau de influência hipnótica. Este é o momento decisivo para tudo o que virá a seguir.

Pois acontece uma de duas possibilidades. A primeira alternativa é o paciente, mantendo fixo o olhar e ouvindo as sugestões, realmente ter sido posto em estado hipnótico; nesse caso, ele permanece quieto depois de cerrar os olhos. Podemos então fazer a prova da catalepsia, dar-lhe as sugestões requeridas para sua doença e, então, despertá-lo. Depois de acordar, o paciente ou estará amnésico (esteve “sonambúlico”, durante a hipnose), ou conservará completamente a sua memória e relatará as sensações que teve durante a hipnose. Não é raro aparecer no seu semblante um sorriso, depois de termos fechado seus olhos. O médico não deve perturbar-se com isso; via de regra, significa apenas que a pessoa sob hipnose ainda é capaz de ajuizar acerca de seu próprio estado e o acha estranho ou cômico. A segunda alternativa, porém, é a de não se ter estabelecido a influência, ou de ter havido apenas um grau muito leve da mesma, enquanto o médico se conduziu como se tivesse diante de si uma hipnose completa. Imaginemos o estado mental do paciente nessa situação. Ele prometeu, no início dos preparativos, manter-se calmo, não falar mais e não dar nenhuma indicação de confirmação ou negação; agora ele verifica que, com base em sua concordância com isto, está-lhe sendo dito que está hipnotizado; ele se irrita com o fato, sente-se mal por não lhe ser permitido expressar sua irritação; sem dúvida, também está receoso de que o médico de imediato comece a fazer sugestões, na crença de que ele, paciente, está hipnotizado, antes de estar. E nisso a experiência mostra que, se não está realmente hipnotizado, não mantém o acordo que fizemos com ele. O paciente abre os olhos e diz (geralmente ressentido): “Não estou dormindo coisa nenhuma!” Um principiante, diante disso, pensaria que a hipnose é um fracasso, mas alguém com experiência não haverá de perder sua compostura. Responderá sem a menor irritação, ao mesmo tempo que novamente fecha os olhos do paciente: “Mantenha-se tranqüilo. Você prometeu não falar. Naturalmente, sei que você não está dormindo; e nem isso é necessário. Qual teria sido o sentido de eu simplesmente fazer você adormecer? Você não compreenderia quando eu lhe falasse. Você não está dormindo, mas está hipnotizado, está sob minha influência; o que eu lhe digo agora causará uma impressão especial em você e lhe será útil”. Depois dessa explicação, geralmente o paciente se mantém calmo e lhe fazemos as sugestões; por ora, abstemos-nos de procurar os sinais físicos da hipnose; contudo, depois que essa dita hipnose tiver sido repetida diversas vezes, verificaremos que aparecem alguns dos fenômenos somáticos que caracterizam a hipnose.

Em muitos casos desse tipo, no final ainda continua duvidoso se o estado que provocamos merece o nome de “hipnose”. No entanto, estaríamos cometendo um erro se procurássemos restringir a veiculação de sugestões aos casos em que o paciente se torna sonambúlico ou entra em um grau profundo de hipnose. Em casos assim, que, na realidade, só têm a aparência de hipnose, podemos conseguir os mais surpreendentes resultados terapêuticos, que, por outro lado, não são obtidos com a “sugestão de vigília”. Portanto, também nesse caso, o que temos diante de nós é, ainda assim, certamente hipnose - cujo único objetivo, afinal, é o efeito que nela se produz pela sugestão. Entretanto, se, depois de tentativas repetidas (de três a seis), não houver qualquer indício de êxito, nem qualquer sinal somático de hipnose, desistiremos da experiência.

Bernheim e outros distinguiram diversos graus de hipnose, mas sua enumeração tem pouco valor na prática. O que tem importância decisiva é apenas se o paciente ficou sonambúlico ou não - isto é, se o estado de consciência produzido na hipnose difere nitidamente do estado habitual de modo significante para que a lembrança daquilo que ocorreu durante a hipnose esteja ausente depois de ele acordar. Nesses casos, o médico pode negar a realidade das dores que estão presentes, ou de qualquer outro sintoma, com a maior decisão - o que, geralmente, ele é incapaz de fazer, se sabe que alguns minutos mais tarde o paciente lhe dirá: “Quando o senhor disse que eu não tinha mais dores, eu as tinha do mesmo jeito, e as tenho ainda agora”. Os esforços do hipnotizador orientam-se no sentido de ele se poupar de contradições dessa ordem, que só fazem abalar sua autoridade. Portanto, seria da maior importância para o tratamento se possuíssemos um método que possibilitasse colocar qualquer pessoa em estado de sonambulismo. Infelizmente, não há tal método. A principal deficiência do tratamento pela hipnose é que ele não pode ser dosado. O grau alcançável de hipnose não depende do método do médico, mas da reação casual do paciente. É também muito difícil aprofundar a hipnose em que um paciente entra, embora isso habitualmente aconteça quando as sessões se repetem com freqüência.

Quando não ficamos satisfeitos com a hipnose obtida, procuramos lançar mão de outros métodos quando o tratamento prossegue. Estes, muitas vezes, atuam mais energicamente ou continuam atuando depois de se haver enfraquecido a influência do método inicialmente adotado. Aqui estão alguns desses métodos: aplicar pequenos golpes no rosto e no corpo do paciente, com ambas as mãos, continuamente, durante cinco a dez minutos (isto tem um efeito surpreendentemente relaxante e tranqüilizador); usar a sugestão acompanhada da passagem da corrente galvânica fraca, que produz uma perceptível sensação de sabor (o anódio colocado numa faixa larga sobre a testa e o catódio numa faixa ao redor do pulso) - aqui a impressão de estar atado e a sensação galvânica contribuem em muito para a hipnose. Podemos improvisar métodos parecidos a nosso critério; basta que mantenhamos o objetivo de desenvolver, por uma associação de pensamento, o estado do adormecer e de fixar a atenção por meio de uma sensação persistente.

O verdadeiro valor terapêutico da hipnose está nas sugestões feitas durante a mesma. Essas sugestões consistem numa enérgica negação dos males de que o paciente se queixou, ou num asseguramento de que ele pode fazer algo, ou numa ordem para que o execute. Um resultado muito mais marcante do que o produzido por simples asseguramento ou negação será obtido se vincularmos a esperada cura a uma ação ou intervenção [nossa] durante a hipnose. Por exemplo: “Você não tem mais dores neste lugar; eu aperto aqui e a dor desaparece”. Aplicar pequenas pancadas e pressão na parte afetada do corpo, durante a hipnose, em geral proporciona excelente apoio à sugestão falada. E não devemos deixar de esclarecer o paciente sob hipnose acerca da natureza de sua afecção, mostrar-lhe as razões do término do seu problema, e assim por diante; pois o que temos diante de nós, via deregra, não é um autômato psíquico, mas um ser dotado do poder de crítica e da capacidade de julgamento, sobre o qual simplesmente estamos em condição de exercer maior impressão agora do que quando ele se encontra em estado de vigília. Quando a hipnose é incompleta, devemos evitar permitir que o paciente fale. Uma expressão motora dessa espécie faz dissipar a sensação de entorpecimento que corrobora sua hipnose, e o faz acordar. Pode-se, sem receio, permitir às pessoas sonambúlicas que falem, andem e ajam, e obtemos uma influência psíquica de máximo alcance sobre elas perguntando-lhes, quando estão sob hipnose, a respeito dos seus sintomas e da origem deles.

Mediante a sugestão, fazemos surgir ou um efeito imediato - especialmente ao tratar paralisias, contraturas etc. -, ou um efeito pós-hipnótico - ou seja, um efeito cujo aparecimento estipulamos para um determinado tempo após o despertar. No caso de sintomas muito rebeldes, é muito vantajoso intercalar um período de espera como este (digamos, até mesmo uma noite inteira) entre a sugestão e a sua execução. A observação dos pacientes mostra que, em regra geral, as impressões psíquicas necessitam de certo tempo, de um período de incubação, a fim de efetuarem uma modificação física. (Cf. “Neurose traumática”). Cada uma das sugestões deve ser feita com a maior decisão, pois qualquer indício de dúvida é percebido pelo paciente, que o explora desfavoravelmente; não deve ser permitida uma contradição sequer e, se formos capazes, insistiremos em nosso poder de produzir catalepsia, contraturas, anestesia, e assim por diante.

A duração de uma hipnose deve ser planejada de acordo com a necessidade prática; a manutenção da hipnose por tempo relativamente longo - até algumas horas - certamente não é desfavorável para o êxito. O despertar é executado mediante algum comentário mais ou menos assim: “Isto é suficiente por ora!” Não devemos deixar de assegurar ao paciente, na primeira sessão de hipnose, que ele vai acordar sem dor de cabeça, sentindo-se satisfeito, bem-disposto. Apesar disso, pode-se observar que, após uma ligeira hipnose, muitas pessoas despertam com sensação de pressão na cabeça e fadiga, no caso de a duração da hipnose ter sido demasiado curta. É como se não tivessem terminado seu sono.

A profundidade de uma hipnose não está invariavelmente em proporção direta com seu sucesso. Podemos produzir as maiores modificações nas hipnoses mais leves e, ao contrário, podemos fracassar num caso que atinja o estado de sonambulismo. Quando o resultado desejado não é conseguido após algumas hipnoses, aparece uma outra dificuldade vinculada a esse método de tratamento. Enquanto paciente algum se arrisca a mostrar-se impaciente, caso ainda não tenha sido curado depois da vigésima sessão de aplicação de eletricidade, ou depois de igual número de garrafas de água mineral, no tratamento hipnótico tanto o médico como o paciente se cansam muito mais depressa, em conseqüência do contraste entre o matiz deliberadamente otimista das sugestões e a melancólica verdade dos efeitos. Também aqui, os pacientes inteligentes podem tornar mais fácil o trabalho do médico, na medida em que percebem que, ao fazer as sugestões, o médico está, por assim dizer, desempenhando um papel, e que, quanto mais energicamente ele atacar a doença dos pacientes, mais benefícios, segundo se espera, estes obterão. Em todo tratamento hipnótico prolongado deve-se evitar cuidadosamente um procedimento monótono. O médico deve estar constantemente à procura de um novo ponto de partida para suas sugestões, de uma renovada prova de seu poder, de uma nova modificação no seu método de hipnotizar. Pois também para ele, que tem, quem sabe, dúvidas íntimas a respeito do êxito, este representa um grande e até exaustivo esforço.

Não há dúvida de que a área coberta pelo tratamento hipnótico é muito mais extensa do que a de outros métodos de tratamento de doenças nervosas. E não há nenhuma justificativa para a acusação de que a hipnose só é capaz de influenciar sintomas, e apenas por breve período de tempo. Se o tratamento hipnótico é dirigido somente contra os sintomas, e não contra os processos patológicos, está seguindo justamente o mesmo caminho que todos os demais métodos de tratamento são obrigados a trilhar.

Quando a hipnose tem êxito, a estabilidade da cura depende dos mesmos fatores que a estabilidade de todas as curas conseguidas por outro métodos. Caso a hipnose se tenha defrontado com fenômenos residuais de um processo já concluído, a cura será permanente; se as causas que produziram os sintomas ainda estiverem em atividade e com sua força não diminuída, é provável que haja uma recaída. O emprego da hipnose nunca exclui o emprego de qualquer outro tratamento, dietético, mecânico ou de algum outro tipo. Em numerosos casos - ou seja, naqueles em que os sintomas são de origem psíquica - a hipnose preenche todos os requisitos que se podem exigir de um tratamento causal; nessas circunstâncias, fazer perguntas einfundir calma ao paciente em hipnose profunda geralmente proporciona o mais brilhante êxito.

Tudo que se tem dito e escrito a respeito dos grandes perigos da hipnose pertence ao reino da fantasia. Se colocarmos de lado o mau uso da hipnose com fins ilegítimos - possibilidade esta que existe em todos os outros métodos terapêuticos eficazes -, o problema principal que teremos de considerar é a tendência de as pessoas com neurose grave, depois de se repetir a hipnose, entrarem em hipnose espontaneamente. Cabe à capacidade do médico proibir essa hipnose espontânea, que parece ocorrer somente em pessoas muito impressionáveis. As pessoas cuja impressionabilidade vai ao ponto de poderem ser hipnotizadas contra sua vontade também podem ser protegidas, de modo bastante completo, pela sugestão de que apenas seu médico será capaz de hipnotizá-las.

FREUD

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

É um equívoco acreditar que a telepatia é um método fácil de praticar, até mesmo para fins terapêuticos ou policiais e investigativos. A telepatia deve ser aprendida com um mestre nessa arte, e depois o responsável, deverá ter tido bastante experiência própria, a fim de conseguir obter êxito e exemplos para outros casos. O assunto deve ser abordado com toda a seriedade se queremos empreender algo útil. Não muito incomum o paciente, vítima ou investigado demonstrar ansiedade e angústia elevadas como resultado da telepatia, sempre surge uma resistência contra o uso da telepatia, neste momento devemos renunciar a este método e esperar pela aceitação do paciente se o método for e estiver confiável. É evidente que não é vantagem começar um tratamento ou investigação se o terapeuta ou investigador não for confiável, bem como as autoridades e as polícias. O poder da telepatia está nas sugestões. Cabe a capacidade do médico, terapeuta ou investigador a responsabilidade sobre a condução da telepatia e não do paciente, da vítima ou do investigado, pois estes não detém, retém e não mantém controle algum sobre as contingências e técnicas empregadas sobre eles pelos administradores da telepatia.

 

MATTANÓ

(01/03/2018) 

 

 

Para a Psicanálise Vermelha é um equívoco acreditar que a telepatia é um método fácil de praticar, até mesmo para fins terapêuticos ou policiais e investigativos. A telepatia deve ser aprendida com um mestre nessa arte, e depois o responsável, deverá ter tido bastante experiência própria, a fim de conseguir obter êxito e exemplos para outros casos. O assunto deve ser abordado com toda a seriedade se queremos empreender algo útil. Não muito incomum o paciente, vítima ou investigado demonstrar ansiedade e angústia elevadas como resultado da telepatia, sempre surge uma resistência contra o uso da telepatia, neste momento devemos renunciar a este método e esperar pela aceitação do paciente se o método for e estiver confiável. É evidente que não é vantagem começar um tratamento ou investigação se o terapeuta ou investigador não for confiável, bem como as autoridades e as polícias. O poder da telepatia está nas sugestões. Cabe a capacidade do médico, terapeuta ou investigador a responsabilidade sobre a condução da telepatia e não do paciente, da vítima ou do investigado, pois estes não detém, retém e não mantém controle algum sobre as contingências e técnicas empregadas sobre eles pelos administradores da telepatia. É através da Psicanálise Vermelha que compreendemos o quanto o socialismo e o comunismo podem estar influenciando ou determinando o uso da telepatia no Brasil, um país que se diz Democrático, livre, com direitos, deveres, obrigações e privilégios, como a consciência, ao pensamento, a propriedade intelectual, a saúde, a moradia, a intimidade e a privacidade, a inviolabilidade da residência, e a incolumidade corporal, patrimonial, pessoal, social e pública, aos sigilos e aos segredos, a ética e a moral, a sexualidade e a malícia, ao corpo e ao cérebro, a segurança, a justiça e aos serviços médicos e públicos sem interferência de poderosos ou de influenciadores, ao trabalho e a educação, a religião e a família, a vida social e afetiva, ao transporte e a locomoção, ao lazer e ao divertimento, a cultura e a geração e acúmulo de riquezas em segurança, a ordem e a paz social, ao bem-estar e a igualdade, a cidadania. O socialismo e o comunismo vem corromper e destruir, aniquilar estas relações de direito e de deveres, obrigações e privilégios, substituindo-as pela submissão ao Estado e a suas formas de dominação social que são eqüidade e homogeneização social, tipificação das pessoas, despersonalização e sequestro de bens e de patrimônios para fins de reprodução, manutenção e perpetuação da sua nova ordem social, agora socialista ou comunista, desvalorizando a individualidade e as diferenças, de modo que relações novas como a da aplicação da telepatia num grupo de indivíduos seja ampliada para todo o território nacional para fins de dominação social e de práticas socialistas ou comunistas, onde o indivíduo e a família deixam de ter significado e sentido, para tomar o seu lugar, o Estado, que passa a controlar tudo e todos, criando mecanismos de extermínio de indivíduos que violem suas regras e contratos sociais, que questionam seu poder e que tenham novas ideias e novas ideologias, sobretudo que possam gerar e acumular riquezas, pois para o comunismo toda riqueza e todo indivíduo ou família, pertencem ao Estado, por isso utilizam a telepatia, método anti-democrático e golpista, segundo esta abordagem.

 

MATTANÓ

(20/08/2025)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

UM CASO DE CURA PELO HIPNOTISMO (1892-93)

 

 

EIN FALL VON HYPNOTISCHER HEILUNG NEBST BEMERKUNGEN ÜBER DIE ENTSTEHUNG HYSTERISCHER SYMPTOME DURCH DEN “GEGENWILLEN”

(a) EDIÇÕES ALEMÃS:

1892-93 Zeitschr. Hypnot., 1 (3), 102-7, (4), 123-9. (dezembro de 1892 e janeiro de 1893).

1925 G. S., 1, 258-72.

1952 G. W., 1, 3-17.

(b) TRADUÇÃO INGLESA:

“A Case of Successful Treatment by Hypnotism”

1950 C. P., 5, 33-46. (Trad. de James Strachey.)

A presente tradução inglesa constitui uma versão ligeiramente corrigida da que foi publicada em 1950.

 

Este artigo veio à luz quase exatamente na mesma época da “Comunicação Preliminar” de Breuer e Freud (1893a). Algumas das idéias nele encontradas (por exemplo, a da “contra vontade”) aparecem na obra posterior de Freud, constituindo o artigo como que uma ligação entre seus escritos sobre hipnotismo e aqueles que abordam a histeria, pela qual ele passava a se interessar. A opinião de que “um momento de disposição para a histeria” - neste caso, a fadiga física - proporciona a ocasião para a contra vontade afirmar-se sugere a influência de Breuer e do “estado hipnóide”. (Ver em [1].)

 

UM CASO DE CURA PELO HIPNOTISMO COM ALGUNS COMENTÁRIOS SOBRE A ORIGEM DOS SINTOMAS HISTÉRICOS ATRAVÉS DA CONTRAVONTADE

 

Nas páginas que se seguem, proponho-me trazer a público um caso isolado de cura pela sugestão hipnótica, pois, devido a uma série de circunstâncias concomitantes, esse caso foi mais convincente e mais claro do que a maioria dos nossos tratamentos nos quais houve êxito.

Já havia vários anos que eu conhecia a senhora a quem pude, desse modo, proporcionar atendimento numa fase importante de sua existência, e ela permaneceu sob minha observação, posteriormente, por vários anos. O distúrbio do qual foi aliviada pela sugestão hipnótica tinha surgido, pela primeira vez, algum tempo antes. E havia em vão lutado contra ele e, devido a tal problema, tinha sido forçada a uma limitação da qual depois, com minha ajuda, se viu livre. Um ano mais tarde, o mesmo distúrbio apareceu mais uma vez, e novamente foi superado da mesma forma. O êxito terapêutico foi valioso para a paciente e persistiu enquanto ela desejou levar a cabo a função afetada pelo distúrbio. Por fim, nesse caso, foi possível individualizar o mecanismo psíquico básico do distúrbio e correlacioná-lo com atos semelhantes na área da neuropatologia.

Posso agora deixar de falar por enigmas. Tratava-se de uma mãe que era incapaz de amamentar seu bebê recém-nascido, até haver a intervenção da sugestão hipnótica. Suas experiências com um filho anterior e com um outro, subseqüente, serviram de controle do êxito terapêutico, tal como raramente se consegue lograr.

A pessoa de que trata esse caso clínico é uma jovem senhora, entre vinte e trinta anos de idade, a quem eu conhecia desde os seus anos de infância. Sua capacidade, tranqüilo bom senso e espontaneidade tornavam impossível que alguém, inclusive seu médico de família, a considera-se neurótica. Tendo em conta as circunstâncias que passo a relatar, devo classificá-la, segundo a apropriada expressão de Charcot, como uma histérique d’occasion. Essa categoria, como sabemos, não exclui uma admirável combinação de qualidades e de uma saúde nervosa isenta de comprometimentos em outros aspectos. Quanto a sua família, conheço sua mãe, que de modo algum é uma pessoa neurótica, e uma irmã mais nova, igualmente sadia. Um irmão sofreu de uma neurastenia típica do início da idade adulta, o que arruinou sua carreira. Estou familiarizado com a etiologia e a evolução dessa forma de doença, que encontro repetidamente, todos os anos, no meu exercício da medicina. Tendo começado a vida com uma boa constituição, o paciente se defronta, na puberdade, com as dificuldades sexuais próprias da idade; seguem-se anos de sobrecarga de trabalho, como estudante; ele se prepara para exames e sofre um ataque de gonorréia, seguido de um súbito início de dispepsia, acompanhada de uma constipação rebelde e inexplicável. Depois de alguns meses, a constipação é substituída por sensação de pressão intracraniana, depressão e incapacidade para o trabalho. Daí em diante o paciente torna-se cada vez mais ensimesmado e seu caráter vai ficando sempre mais fechado, até ele se tornar um tormento para a família. Não tenho certeza se não é possível adquirir essa forma de neurastenia com todos os seus elementos; portanto, sobretudo porque não conheço os demais parentes da minha paciente, deixo em aberto a questão de podermos supor que, nessa família, estaria presente uma disposição hereditária para a neurose.

Ao chegar a época do nascimento do primeiro filho de seu casamento (que era um casamento feliz), a paciente pretendia amamentar o bebê. O parto não foi mais difícil do que o habitual numa primípara já não tão jovem; foi concluído por fórceps. Entretanto, embora sua constituição física parecesse favorável, ela não conseguia amamentar satisfatoriamente a criança. Havia pouca produção de leite, surgiam dores quando o bebê era posto a mamar, a mãe perdeu o apetite e se mostrava alarmantemente sem vontade de se alimentar, tendo noites agitadas e insones. Por fim, após uns quinze dias, a fim de evitar algum risco maior para a mãe e a criança diante do fracasso, abandonou-se a tentativa e a criança passou a ser alimentada por uma ama-de-leite. Com isso, todos os problemas da mãe desapareceram. Devo acrescentar que não tenho condições de fazer um relato, nem como médico nem como testemunha ocular, dessa primeira tentativa de amamentação.

Três anos mais tarde, nasceu o segundo bebê; nessa ocasião, circunstâncias externas somaram-se ao fato de ser desejável evitar a ama-de-leite. Mas os esforços da própria mãe para amamentar a criança pareciam ainda menos bem-sucedidos e pareciam provocar sintomas ainda mais desagradáveis do que da primeira vez. A paciente vomitava todo o alimento ingerido, ficava inquieta quando ele era trazido até sua cama e era completamente incapaz de dormir. Ficou tão deprimida com sua incapacidade que seus dois médicos de família - médicos amplamente conceituados em Viena, como o Dr. Breuere o Dr. Lott - não queriam nem ouvir em prosseguir com alguma outra tentativa mais prolongada nessa ocasião. Recomendaram apenas que se fizesse mais um esforço - com o auxílio da sugestão hipnótica; e, no entardecer do quarto dia, fizeram com que eu fosse apresentado profissionalmente, de vez que pessoalmente eu já era conhecido da paciente.

Encontrei-a deitada no leito, as faces ruborizadas, irritada com sua incapacidade de amamentar o bebê - incapacidade que aumentava a cada tentativa, mas contra a qual ela lutava com todas as suas forças. A fim de evitar os vômitos, não tinha ingerido nenhum alimento durante todo aquele dia. Seu epigástrio estava distendido e apresentava-se sensível à pressão; a palpação revelou motilidade anormal do estômago; de tempos em tempos, havia eructação inodora, e a paciente se queixou de ter tido mau gosto constante na boca. A área de ressonância gástrica estava consideravelmente aumentada. Longe de ser bem recebido como um salvador em hora de necessidade, vi-me sendo recebido de má vontade e não pude contar com muita confiança por parte da paciente.

Logo tratei de induzir a hipnose por meio de fixação do olhar, ao mesmo tempo que fazia constantes sugestões referentes aos sintomas do sono. Três minutos depois, a paciente estava deitada, com a fisionomia tranqüila de alguém que dorme profundamente. Não me recordo de ter feito quaisquer testes de catalepsia e outros sintomas de flexibilidade. Utilizei a sugestão para contestar todos os temores dela e os sentimentos em que esses temores se baseavam: “Não tenha receio! Você vai poder cuidar muito bem do seu bebê, ele vai crescer forte. O seu estômago está perfeitamente calmo, o seu apetite está excelente, você já está na expectativa da próxima refeição etc.” A paciente continuou dormindo, o que permiti por alguns minutos, e, depois que a despertei, ela revelou amnésia para o que ocorrera. Antes de sair de casa, vi-me na necessidade de contestar um comentário preocupado do marido da paciente; achava ele que os nervos de uma mulher poderiam ser totalmente arruinados pela hipnose.

No começo da noite seguinte, foi-me dito algo que me pareceu uma garantia de êxito, mas que, muito estranhamente, não tinha causado nenhuma impressão na paciente nem nas pessoas da família. Na noite anterior, ela havia feito uma refeição, sem qualquer conseqüência prejudicial, dormindo placidamente, e, na manhã seguinte, por sua própria iniciativa, tinha-se alimentado e amamentado a criança impecavelmente. No entanto, não suportou a refeição bastante farta do almoço. Nem bem a comida lhe foi trazida e logo sua indisposição voltou; os vômitos começaram antes mesmo de ela tocar no alimento. Foi impossível colocar o bebê ao seio e todos os sinais objetivos eram os mesmos de quando eu chegara, na noitinha anterior. Não consegui nenhum resultado com minha argumentação de que a batalha já estava quase ganha, de que agora ela estaria convencida de que o problema podia desaparecer e que de fato havia desaparecido durante meio dia. Produzi então a segunda hipnose, que a levou ao estado de sonambulismo, tão rapidamente como da primeira vez, e agi com maior energia e confiança. Disse à paciente que, cinco minutos depois de minha saída, ela iria zangar-se com sua família e dizer com aspereza: o que tinha acontecido com o jantar dela? será que pretendiam deixá-la passar fome? como poderia ela amamentar a criança, se ela mesma não tinha nada para comer? e assim por diante.

Na terceira tarde, quando retornei, a paciente recusou-se a prosseguir qualquer tratamento. Já não havia mais nenhum problema, disse ela: tinha um excelente apetite e muito leite para o bebê, não havia a menor dificuldade quando este era posto a mamar etc. Seu marido achou muito estranho que, depois de minha saída, na véspera, ela tivesse reclamado violentamente, exigindo comida, e tivesse censurado a mãe de um modo que não lhe era habitual. Todavia, acrescentou ele, tudo tinha estado muito bem desde então.

Não havia nada mais a ser feito por mim. A mãe amamentou a criança por oito meses; e com satisfação tive repetidas oportunidades de me inteirar de que ambos passavam bem. No entanto, eu achava difícil compreender, ao mesmo tempo que isto me aborrecia, o fato de jamais ter sido feita qualquer referência ao meu notável trabalho.

Um ano mais tarde, chegou a minha vez, quando o terceiro filho fez as mesmas exigências à mãe e esta foi incapaz de corresponder a elas, tal como nas ocasiões anteriores. Encontrei a paciente no mesmo estado do ano anterior, sentindo-se efetivamente exasperada consigo mesma, pois sua vontade nada conseguia fazer contra sua aversão aos alimentos e contra seus outros sintomas; e a primeira hipnose da tarde teve como único resultado fazê-la sentir-se mais desesperada. Mais uma vez, após a segunda hipnose, os sintomas foram eliminados tão completamente que não se fez necessária uma terceira hipnose. Também essa criança, que agora tem dezoito meses de idade, foi amamentada sem qualquer problema e a mãe tem gozado de boa saúde.

Em face desse êxito, a paciente e seu marido perderam o constrangimento e confessaram o motivo que havia determinado sua conduta em relação a mim. “Eu me sentia envergonhada”, disse-me a mulher, “porque uma coisa como a hipnose podia obter resultado, ao passo que eu, com toda a minha força de vontade, não conseguia nada.” Não obstante, não penso que ela ou o marido tenham superado a ojeriza à hipnose.

 

Passarei agora a considerar qual pode ter sido o mecanismo psíquico do distúrbio de minha paciente, que foi, desse modo, removido pela sugestão. Não tenho informações diretas sobre o assunto, como as tenho referentes a alguns outros casos, que discutirei noutra ocasião; por isso sou forçado a recorrer à alternativa de deduzir qual teria sido esse mecanismo.

Existem determinadas idéias que têm um afeto de expectativa que lhes está vinculado. São de dois tipos: idéias de eu fazer isto ou aquilo - o que denominamos intenções - e idéias de isto ou aquilo me acontecer - são as expectativas propriamente ditas. O afeto vinculado a tais idéias depende de dois fatores: primeiro, o grau de importância que o resultado tem para mim; segundo, o grau de incerteza inerente à expectativa desse resultado. A incerteza subjetiva, a contra-expectativa, é em si representada por um conjunto de idéias ao qual darei o nome de “idéias antitéticas aflitivas”. No caso de uma intenção, essas idéias antitéticas se passam assim: “Não vou conseguir executar minha intenção, porque isto ou aquilo é demasiado difícil para mim, e eu sou incapaz de fazê-lo; sei, também, que algumas outras pessoas igualmente fracassaram em situação semelhante”. O outro caso, o de uma expectativa, não precisa de comentário: a contra-expectativa consiste em enumerar todas as coisas que talvez possam me acontecer, diferentes da que eu desejo. Ainda seguindo essa linha de raciocínio, iríamos chegar até as fobias, que desempenham tão grande papel na sintomatologia das neuroses. Retornemos, todavia, à primeira categoria, às intenções. Como é que uma pessoa, com vida ideativa sadia, lida com as idéias antitéticas que se opõem a uma intenção? Com a poderosa autoconfiança da saúde, a pessoa as reprime e inibe, na medida do possível, e as exclui de suas associações de pensamentos. Isto muitas vezes sucede em tal medida que a existência de uma idéia antitética contra uma intenção geralmente nem sequer se manifesta, tornando-se uma probabilidade somente quando passamos a examinar as neuroses. De outro lado, quando há uma neurose presente - e não me estou referindo explicitamente apenas à histeria, mas ao status nervosus em geral -, temos de supor a presença primária de uma tendência à depressão e à diminuição da autoconfiança, tal como as encontramos muito desenvolvidas e individualizadas na melancolia. Nas neuroses, pois, uma grande atenção é dedicada [pelo paciente] às idéias antitéticas que se opõem às intenções, talvez porque o tema de tais idéias se coadune com o estado de ânimo da neurose, ou talvez porque as idéias antitéticas, que de outro modo estariam ausentes, vicejem no terreno da neurose.

Quando essa intensificação das idéias antitéticas se relaciona com expectativas, se o caso é de um simples status nervosus, o feito se manifesta num quadro mental difusamente pessimista; se o caso é de neurastenia, as idéias, associando-se às mais fortuitas sensações, ocasionam as numerosas fobias encontradas nos neurastênicos. Quando a intensificação se relaciona com intenções, ela origina as perturbações que se agrupam sob a classificação de folie de doute, que tem como ponto principal a descrença na capacidade pessoal. Justamente nesse ponto as duas principais neuroses, neurastenia e histeria, comportam-se de modo diferente, característico de cada uma delas. Na neurastenia, a idéia antitética, patologicamente intensificada, combina-se com a idéia volitiva num único ato da consciência; ela exerce uma subtração na idéia volitiva e causa a fraqueza da vontade, que é tão marcante nos neurastênicos e de que eles mesmos estão conscientes. Na histeria, o processo difere desse que acabamos de descrever, em dois aspectos ou, possivelmente, apenas em um aspecto. [Em primeiro lugar,] em consonância com a tendência à dissociação da consciência na histeria, a idéia antitética aflitiva, que parece estar inibida, é afastada da associação com a intenção e continua a existir como idéia desconectada, muitas vezes inconscientemente para o próprio paciente. [Em segundo lugar,] é extremamente característico da histeria que, quando chega o momento de se pôr em execução a intenção, a idéia antitética inibida consegue atualizar-se através da inervação do corpo, com a mesma facilidade com que o faz, em circunstâncias normais, uma idéia volitiva. A idéia antitética se estabelece, por assim dizer, como uma “contravontade”, ao passo que o paciente, surpreso, apercebe-se de que tem uma vontade que é resoluta, porém impotente. Talvez, conforme já disse, esses dois fatores, no fundo, sejam um só: pode ser que a idéia antitética apenas seja capaz de se impor porque não a inibe a sua combinação com a intenção, da forma como a intenção é inibida por ela. [1]

Se, no caso de que nos ocupamos, a mãe, que se viu impedida por dificuldades neuróticas de amamentar seu filho, fosse neurastênica, sua conduta teria sido diferente. Ela teria sentido um temor consciente da tarefa que lhe competia, teria estado muito preocupada com os vários acidentes e perigos possíveis e, depois de muito contemporizar com ansiedades e dúvidas, teria, afinal, conseguido amamentar sem qualquer dificuldade; ou então, se a idéia antitética se tivesse tornado dominante, a paciente teria abandonado seu encargo, por sentir-se receosa do mesmo. Mas a histérica se conduz de modo muito diverso. Pode não estar consciente do seu receio, estar bastante decidida a levar a cabo sua intenção e passar a executá-la sem hesitação. Aí, porém, comporta-se como se fosse sua vontade não amamentar a criança em absoluto. Ademais, essa vontade desperta nela todos os sintomas subjetivos que uma simuladora apresentaria como desculpa para não amamentar seu filho; perda do apetite, aversão à comida, dores quando a criança é posta a mamar. E, como a contravontade exerce sobre o corpo um controle maior do que a simulação consciente, também produz no aparelho digestivo uma série de sinais objetivos que a simulação seria incapaz de engendrar. Aqui, em contraste com a fraqueza da vontade mostrada na neurastenia, temos uma perversão da vontade; e, em contraste com a resignada irresolução mostrada no primeiro caso, aqui encontramos surpresa e exasperação ante uma dissensão que é incompreensível para a paciente.

Portanto, considero-me justificado ao classificar minha paciente como uma hystérique d’occasion, de vez que ela, em conseqüência de uma causa fortuita, era capaz de produzir um complexo de sintomas com um mecanismo tão agudamente característico da histeria. Pode-se presumir que, nesse caso, a causa fortuita era o estado de excitação da paciente antes do primeiro parto ou sua exaustão após o mesmo. Um primeiro parto, afinal, é o maior choque a que está sujeito o organismo feminino e, em conseqüência dele, uma mulher geralmente produz alguns sintomas neuróticos, que podem estar latentes em sua disposição.

Parece provável que o caso dessa paciente seja um caso típico, e ele esclarece toda uma série de outros casos nos quais a amamentação no seio, ou alguma função semelhante, é impedida por influências neuróticas. Contudo, visto que, no caso por mim relatado, só entendi o mecanismo psíquico por inferências, apresso-me a acrescentar a afirmação de que, muitas vezes, consegui estabelecer diretamente a ação de um mecanismo psíquico semelhante em sintomas histéricos, investigando o paciente sob hipnose.

Aqui, desejo mencionar apenas um dentre os exemplos mais expressivos. Há alguns anos, tratei uma paciente histérica que demonstrava grande força de vontade nos aspectos de sua conduta não afetados pela doença; contudo, nos que estavam assim afetados, ela mostrava bem claramente o peso da carga que lhe impunham os numerosos e opressivos impedimentos e incapacidades histéricos. Umas das características mais evidentes era um ruído peculiar que, como um tique, intrometia-se em sua conversa. Posso descrevê-lo melhor, dizendo que se tratava de um singular estalo da língua, com súbita interrupção do fechamento convulsivo dos lábios. Depois de observá-lo por algumas semanas, perguntei-lhe quando e como aquilo tinha surgido pela primeira vez. “Não sei quando foi”, respondeu, “ah! faz muito tempo.” Isso me levou a considerar que se tratava de um tique verdadeiro, até que, um dia, me ocorreu fazer-lhe a mesma pergunta estando a paciente em profunda hipnose. Essa paciente, sob hipnose, conseguia chegar (sem haver qualquer necessidade de sugerir-lhe a idéia) ao acervo completo de suas recordações - ou, como eu preferiria expressar-me, a toda a extensão de sua consciência, que se encontrava limitada durante sua vida desperta. Ela respondeu prontamente: “Foi quando minha filha mais nova esteve muito doente; ela havia passado o dia inteiro tendo convulsões, mas, por fim, no final da tarde, adormeceu. Eu estava sentada à beira da cama dela e pensei comigo mesma: ‘Agora você tem de ficar absolutamente quieta, para não acordá-la.’ Foi então que o estalo ocorreu pela primeira vez. Depois, desapareceu. Mas, um dia, passados alguns anos, quando eu estava passando de carruagem por uma floresta perto de -, sobreveio uma violenta tempestade, e um tronco de árvore junto ao caminho, bem à nossa frente, foi atingido por um raio, de forma que o cocheiro teve de sofrear os cavalos bruscamente, e eu pensei comigo: ‘Agora, haja o que houver, você não deve gritar, senão os cavalos disparam’. E naquele momento o estalo veio novamente e persistiu desde essa ocasião”. Pude verificar que o ruído que ela fazia não era um tique verdadeiro, pois, a partir do momento em que assim se desvendou sua origem, ele desapareceu e nunca mais retornou durante todos os anos em que permaneci em contacto com a paciente. Esta, porém, foi a primeira ocasião em que consegui observar a origem dos sintomas histéricos mediante a atuação de uma idéia antitética aflitiva - isto é, mediante a contravontade. A mãe, exausta com suas angústias e dúvidas acerca de suas tarefas de cuidar da criança enferma, tomou a decisão de não deixar que sequer um som saíssede seus lábios, com receio de perturbar o sono da filhinha, o qual tinha custado tanto a vir. Mas, no seu estado de exaustão, mostrou-se mais forte a concomitante idéia antitética de que ela, não obstante, pudesse fazer um ruído; e essa idéia teve acesso à inervação da língua, que sua decisão de manter-se em silêncio talvez pudesse ter-se esquecido de inibir, irrompeu no fechamento dos lábios e produziu um ruído que daí em diante permaneceu fixado por muitos anos, especialmente depois que se repetiu a mesma sucessão de fatos.

Existe uma objeção que temos de enfrentar antes de podermos compreender inteiramente esse processo. Pode-se perguntar como sucede a idéia antitética adquirir supremacia em conseqüência da exaustão geral (que é o que constitui a disposição para o processo). Eu responderia apresentando a teoria de que a exaustão é apenas parcial. O que está exausto são os elementos do sistema nervoso que formam o fundamento material das idéias associadas com a consciência primária; as idéias que estão excluídas dessa cadeia associativa - isto é, da cadeia de associações do ego normal -, as idéias inibidas e suprimidas, não estão exaustas e, por conseguinte, predominam no momento da disposição para a histeria.

Todo aquele que esteja bem familiarizado com a histeria há de observar que o mecanismo psíquico que acabei de descrever oferece uma explicação não apenas das ocorrências histéricas isoladas, mas também das partes principais da sintomatologia da histeria e, ainda, de uma de suas características mais salientes. Se atentarmos cuidadosamente para o fato de que são as idéias antitéticas aflitivas (inibida e rechaçadas pela consciência normal) que se impõem num primeiro plano, no momento da disposição para a histeria, e têm acesso à inervação somática, então teremos a solução para compreender também a peculiaridade dos delírios dos ataques histéricos. Não é mera coincidência que o delírio histérico das monjas durante as epidemias da Idade Média tenha assumido a forma de blasfêmias violentas e linguagem erótica desenfreada, ou (como observou Charcot no primeiro volume de suas Leçons du Mardi) que sejam justamente os meninos de boa educação e bem-comportados os que sofrem de ataques histéricos, nos quais dão livre vazão a todo tipo de insubordinação, a todo tipo de má-criação e má conduta. São os grupos de idéias recalcadas - laboriosamente recalcadas - que entram em ação nesses casos, pela operação de uma espécie de contravontade, quando a pessoa cai vítima de exaustão histérica. Talvez, na realidade, a conexão possa ser mais íntima, pois o estado histérico é possivelmente produzido pela repressão laboriosa; mas, no presente trabalho, não estou levando em consideração os aspectos psicológicos de tal estado. Aqui me interessa simplesmente explicar por que - supondo que haja um estado de disposição para a histeria - os sintomas assumem a forma particular sob a qual os vemos.

Essa emergência de uma contravontade é predominantemente responsável pela característica demoníaca tão freqüentemente mostrada pela histeria - isto é, a característica de os pacientes serem incapazes de fazer alguma coisa precisamente quando e onde mais ardentemente desejam fazê-la; de fazerem justamente o oposto daquilo que lhes foi solicitado; e de serem obrigados a cobrir de maus-tratos e suspeitas tudo o que mais valorizam. A perversidade de caráter que os histéricos mostram, sua ânsia de fazerem a coisa errada, de parecerem doentes quando mais necessitam estar bem - as compulsões dessa ordem (como as conhece todo aquele que já teve contacto com esses pacientes) muitas vezes podem comprometer os caracteres mais irrepreensíveis, quando, durante algum período, esses pacientes se tornam vítimas desamparadas de suas idéias antitéticas.

Parece destituído de significação querer saber o que acontece às intenções inibidas em relação à vida ideativa normal. Poderíamos ser tentados a responder que elas simplesmente não existem. O estudo da histeria mostra que, não obstante, elas realmente existem, ou seja, que é mantida a modificação física a elas correspondente e que elas são armazenadas e levam a vida insuspeitada numa espécie de reino das sombras, até emergirem como maus espíritos e assumirem o controle do corpo, que, geralmente, está sob as ordens da predominante consciência do ego.

Já disse que esse mecanismo é extremamente característico da histeria, mas devo acrescentar que não ocorre somente na histeria. Encontra-se presente, de modo bastante notável, no tic convulsif, uma neurose que, em matéria de sintomas, tem tanta semelhança com a histeria que todo o seu quadro pode ocorrer como manifestação parcial da histeria. Tanto é assim que Charcot, se não compreendi mal seus ensinamentos sobre esse assunto, após manter separados a histeria e o tic convulsif por algum tempo, conseguiu constatar apenas um aspecto diferencial entre os dois - o tique histérico desaparece, mais cedo ou mais tarde, enquanto o tique verdadeiro persiste. O quadro de tic convulsif grave, como sabemos, é constituído de movimentos involuntários, freqüentemente (ou sempre, conforme opinião de Charcot e Guinon) sob a forma de caretas ou gestos que, numa época, tiveram um significado - de coprolalia, de ecolalia e de idéias obsessivas pertencentes ao âmbito da folie de doute. Contudo, é surpreendente verificar que Guinon, que nunca teve qualquer idéia de penetrar no mecanismo psíquico desses sintomas, nos conta que alguns dos seus pacientes vieram a ter os espasmos e caretas porque uma idéia antitética tinha entrado em ação. Esses pacientes relataram que, em alguma ocasião, tinham visto um tique parecido ou tinham visto um comediante fazer intencionalmente uma careta semelhante, e tinham tido o receio de que pudessem ser obrigados a imitar esses movimentos grotescos. Daí em diante, realmente, tinham começado a imitá-los. Sem dúvida, apenas uma pequena proporção dos movimentos involuntários que ocorrem nos tiques tem essa origem. Por outro lado, seria tentador atribuir a esse mecanismo a origem da coprolalia, um termo usado para descrever a exclamação involuntária, ou melhor, a exclamação a contragosto, dos piores palavrões, que ocorre nos tiques. Assim, a coprolalia teria origem na percepção do paciente de que ele não consegue impedir-se de produzir determinado som, geralmente um “h’m’h’m”. Ele então recearia perder o controle também de outros sons, especialmente o controle de palavras que um homem de boa educação evita usar, e esse receio faria com que se efetuasse o que temia. Guinon não apresenta nenhuma anamnese que confirme essa hipótese; eu próprio nunca tive a oportunidade de interrogar um paciente que sofresse de coprolalia. Por outro lado, na obra desse mesmo autor, encontrei um relato sobre um outro caso de tique em que a palavra pronunciada involuntariamente não pertencia (e isso é muito excepcional) ao vocabulário coprolálico. Tratava-se de um homem adulto que era atormentado pela necessidade de exclamar “Maria”! Quando esse paciente estava na idade escolar, tinha tido uma ligação sentimental com uma menina chamada Maria; ficara totalmente absorto por ela, e esse acontecimento, pode-se supor, o predispôs a uma neurose. Naquela época, ele começou a exclamar o nome de seu ídolo no meio da aula, e o nome continuou com ele por boa parte de sua vida, depois de ter esquecido seu caso amoroso. Penso que a explicação deve ser esta: num momento de especial excitação, o seu esforço mais resoluto de manter em segredo o nome inverteu-se na contravontade e, depois disso, o tique persistiu, como sucedeu no cado de meu segundo paciente. Caso minha explicação desse exemplo esteja correta, seria interessante atribuir ao mesmo mecanismo a coprolalia propriamente dita, visto que as palavras obscenas constituem segredos que todos nós conhecemos, mas cujo conhecimento sempre procuramos ocultar. [1]

 

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Vemos que a dificuldade de amamentar o bebê, no caso acima, pode estar associada a uma

dificuldade na Trajetória dos Heróis, como no encontro com a deusa onde a aventura do herói continua com o encontro com a Rainha Deusa do Mundo. A Mãe Universal imputa ao cosmos a presença nutridora e protetora. A fantasia é um primeiro momento espontâneo, já que há uma estreita e evidente correlação entre a atitude da criança com relação à mãe e a do adulto em relação ao mundo material. Mas há também numerosas tradições religiosas conscientemente controladas dessa imagem arquetípica para fins de purgação, manutenção e iniciação da mente na natureza do mundo visível.

A mulher representa mitologicamente a totalidade do que pode ser conhecido. O herói é aquele que aprende. De acordo com seu progresso, o herói, na lenta iniciação à vida, a forma da deusa passa, e se transforma várias vezes. Ela jamais pode ser maior do que ele, mas pode prometer mais do que ele consegue compreender. Ela o atrai e guia e pede que rompa com as correntes que o prendem. Se ele puder os dois serão libertados de todas as suas limitações. A mulher pode ser vista sob condições inferiores e condenada pela ignorância à banalidade e a feiura. Mas pode ser redimida pela sabedoria. O herói que puder considera-la tal como ela é, sem meios afetivos indevidos, com gentileza e segurança traz em si o potencial do rei, do deus encarnado, do seu mundo criado.

O encontro com a deusa é o teste final do talento para a bênção do amor que é a própria vida aproveitada como o invólucro da eternidade.

Em relação a Trajetória dos Heróis, estudamos a sua aversão aos alimentos e os outros sintomas que se foram com a hipnose, então o distúrbio foi removido pela sugestão, portanto pela sugestão também, talvez, possamos remover através da telepatia, distúrbios e sintomas. Através da hipnose ou sugestão, como a telepatia, pode ser possível chegar ao acervo completo de suas recordações, a toda extensão de sua consciência, que se encontrava limitada durante sua vida desperta e assim harmonizar a Mãe Universal junto ao Herói, ou seja, fazê-la amamentá-lo e não produzir mais distúrbios nem outros sintomas.

 

MATTANÓ

(01/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha vemos que a dificuldade de amamentar o bebê, no caso acima, pode estar associada a uma dificuldade na Trajetória dos Heróis, como no encontro com a deusa onde a aventura do herói continua com o encontro com a Rainha Deusa do Mundo. A Mãe Universal imputa ao cosmos a presença nutridora e protetora. A fantasia é um primeiro momento espontâneo, já que há uma estreita e evidente correlação entre a atitude da criança com relação à mãe e a do adulto em relação ao mundo material. Mas há também numerosas tradições religiosas conscientemente controladas dessa imagem arquetípica para fins de purgação, manutenção e iniciação da mente na natureza do mundo visível.

A mulher representa mitologicamente a totalidade do que pode ser conhecido. O herói é aquele que aprende. De acordo com seu progresso, o herói, na lenta iniciação à vida, a forma da deusa passa, e se transforma várias vezes. Ela jamais pode ser maior do que ele, mas pode prometer mais do que ele consegue compreender. Ela o atrai e guia e pede que rompa com as correntes que o prendem. Se ele puder os dois serão libertados de todas as suas limitações. A mulher pode ser vista sob condições inferiores e condenada pela ignorância à banalidade e a feiura. Mas pode ser redimida pela sabedoria. O herói que puder considera-la tal como ela é, sem meios afetivos indevidos, com gentileza e segurança traz em si o potencial do rei, do deus encarnado, do seu mundo criado.

O encontro com a deusa é o teste final do talento para a bênção do amor que é a própria vida aproveitada como o invólucro da eternidade.

Em relação a Trajetória dos Heróis, estudamos a sua aversão aos alimentos e os outros sintomas que se foram com a hipnose, então o distúrbio foi removido pela sugestão, portanto pela sugestão também, talvez, possamos remover através da telepatia, distúrbios e sintomas. Através da hipnose ou sugestão, como a telepatia, pode ser possível chegar ao acervo completo de suas recordações, a toda extensão de sua consciência, que se encontrava limitada durante sua vida desperta e assim harmonizar a Mãe Universal junto ao Herói, ou seja, fazê-la amamentá-lo e não produzir mais distúrbios nem outros sintomas.

Para a Psicanálise Vermelha a Mãe Universal pode ser o Estado Comunista ou Socialista; e o Herói é o trabalhador ou indivíduo dessa sociedade; a Mulher é a totalidade do que pode ser conhecido nessa sociedade, ou seja, é o Regime Comunista ou Socialista; a Criança é o povo; o Herói também tem o potencial do rei, do deus encarnado, do seu mundo criado, ou seja, de ditador, de tirano, de líder e de mandatário.

Deste modo teremos:

Para a Psicanálise Vermelha vemos que a dificuldade de amamentar o bebê, no caso acima, pode estar associada a uma dificuldade na Trajetória dos Heróis, como no encontro com a deusa onde a aventura do trabalhador e do mandatário continua com o encontro com a totalidade do que pode ser conhecido. O Estado Comunista ou Socialista imputa ao cosmos a presença nutridora e protetora. A fantasia é um primeiro momento espontâneo, já que há uma estreita e evidente correlação entre a atitude do povo com relação à ao Regime Comunista ou Socialista e a do trabalhador em relação ao mundo material. Mas há também numerosas tradições religiosas conscientemente controladas dessa imagem arquetípica para fins de purgação, manutenção e iniciação da mente na natureza do mundo visível.

A mulher representa mitologicamente a totalidade do que pode ser conhecido ou o Regime Comunista ou Socialista. O herói é o trabalhador ou o mandatário, é aquele que aprende. De acordo com seu progresso, o herói, na lenta iniciação à vida, a forma da deusa passa, e se transforma várias vezes. Ela jamais pode ser maior do que ele, mas pode prometer mais do que ele consegue compreender. Ela o atrai e guia e pede que rompa com as correntes que o prendem. Se ele puder os dois serão libertados de todas as suas limitações. A mulher pode ser vista sob condições inferiores e condenada pela ignorância à banalidade e a feiura. Mas pode ser redimida pela sabedoria. O herói que puder considera-la tal como ela é, sem meios afetivos indevidos, com gentileza e segurança traz em si o potencial do rei, do deus encarnado, do seu mundo criado.

O encontro com a deusa é o teste final do talento para a bênção do amor que é a própria vida aproveitada como o invólucro da eternidade.

Em relação a Trajetória dos Heróis, estudamos a sua aversão aos alimentos e os outros sintomas que se foram com a hipnose, então o distúrbio foi removido pela sugestão, portanto pela sugestão também, talvez, possamos remover através da telepatia, distúrbios e sintomas. Através da hipnose ou sugestão, como a telepatia, pode ser possível chegar ao acervo completo de suas recordações, a toda extensão de sua consciência, que se encontrava limitada durante sua vida desperta e assim harmonizar a Mãe Universal que representa o Estado Comunista ou Socialista junto ao Herói que representa o trabalhador ou o mandatário, ou seja, fazê-la amamentá-lo e não produzir mais distúrbios nem outros sintomas, ou seja, aceitar a sua condição de amadurecimento, crescimento e desenvolvimento entre os seus, de dependente e de instrumento do Estado como em qualquer outro sistema ideológico político-partidário, porém sujeito a mudanças, lutas e movimentos por melhorias, por liberdade e direitos, deveres, obrigações e privilégios, por cidadania, por transformações sociais que acompanhem as transformações do planeta e as transformações tecnológicas, comerciais, industriais, na informação, na comunicação, na justiça, na liberdade, na saúde, nos esportes, na dignidade humana, no trabalho, na economia, na segurança, na alimentação, na ecologia, no meio ambiente, no transporte, nas políticas, nas artes e na cultura, na ciência, na educação, no combate a criminalidade e ao terror, e nos limites territoriais.

 

MATTANÓ

(23/08/2025)

 

 

 

 

 

 

PREFÁCIO E NOTAS DE RODAPÉ À TRADUÇÃO DAS CONFERÊNCIAS DAS TERÇAS-FEIRAS, DE CHARCOT (1892-94)

 

 

NOTA DO EDITOR INGLÊS

 

PREFÁCIO E NOTAS DE RODAPÉ À TRADUÇÃO DAS LEÇONS DU MARDI DE LA SALPÊTRIÈRE (1887-8) DE CHARCOT

 

(a) EDIÇÃO ALEMÃ:

1892-4 Em J.-M. Charcot, Poliklinische Vorträge [Conferências de Ambulatório], 1, Ano Acadêmico de 1887-1888, iii-vi, Leipzig e Viena, Deuticke.

 

Parece que esse prefácio e essas notas de rodapé nunca foram reeditados; a tradução de James Strachey é a primeira para o inglês. O livro em francês foi publicado, em Paris, em 1888.

 

A data de publicação da tradução de Freud levanta algumas dúvidas referentes à cronologia. Seu prefácio é datado de “Junho de 1892” e a página de rosto de alguns exemplares encadernados do livro também leva a data “1892”; mas outros exemplares levam na página de rosto a data “1894”. De fato, o livro foi publicado em fascículos no decorrer desses anos. A uma carta que enviou a Fliess, datada de 28 de junho de 1892, Freud juntou um fascículo (provavelmente o primeiro) com o seguinte comentário: “O fascículo de Charcot que lhe estou enviando hoje é todo ele um sucesso; mas estou aborrecido em virtude de diversos acentos errados e erros de ortografia não corrigidos nas poucas palavras em francês. Desleixo!”

O método de edição em fascículos induz Freud a algumas incoerências nas suas notas de rodapé. Por exemplo, nelas existem duas referências ao artigo de Freud sobre a diferença entre paralisias orgânicas e histéricas (1893c, incluído no presente volume, em [1]), uma antes (ver em [1]) e outra depois (em [1]) da publicação do artigo, a qual de fato se deu no final de junho de 1893. De modo semelhante, existem duas referências provavelmente antes (ver em [1]) e a outra depois (em [1]) da publicação da “Comunicação Preliminar” (1893a), que ocorreu no início de janeiro de 1893. A primeira dessas duas indicações da teoria da catarse talvez seja, na realidade, a sua primeira publicação; infelizmente, porém, não dispomos de material para estabelecer com exatidão a data do fascículo em questão.

O número de notas de rodapé que Freud acrescentou à sua tradução é muito grande, e muitas delas são evidentes críticas às opiniões de Charcot. Em A Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901b), Freud menciona a matéria um pouco em tom de desculpa: “Acrescentei notas ao texto que traduzi, sem pedir a permissão do autor, e, alguns anos depois, tive motivos para suspeitar de que o autor havia ficado insatisfeito com minha ação arbitrária” (Edição Standard Brasileira, Vol. VI, [1], IMAGO Editora, 1976). As notas de rodapé focalizam principalmente tópicos puramente neurológicos, e aqui incluímos somente aquelas que denotam algum interesse psicológico.

Observe-se por fim, que Charcot morreu (no verão de 1893) antes que a publicação estivesse concluída.

 

 

As conferências de Charcot, que aqui se encontram traduzidas para o alemão com a gentil permissão do autor, têm em francês o título de Leçons du Mardi de la Salpêtrière. Esse título deriva-se do dia da semana em que o professor titular, pessoalmente, diante do seu auditório, examina pacientes do departamento de ambulatório. O primeiro volume dessas Leçons surgiu em 1888, de modo muito modesto, como “Notas de MM. Blin, Charcot Júnior e Colin”. No corrente ano (1892), foi revisado pelo autor; e essa revisão é a base de nossa edição alemã.

A edição francesa foi apresentada por um prefácio escrito pelo Dr. Babinski, no qual esse discípulo preferido de Charcot insiste, com justificado orgulho, em como emanou do “Mestre” uma abundância quase inexaurível de estímulos e ensinamentos, ainda muitos anos depois, e insiste em quão imperfeitamente o estudo de seus escritos publicados substitui o efeito que tinha o seu ensino oral. Ele acredita, pois, que se justifica o plano de difundir junto ao público essas conferências improvisadas e, assim ampliar incomensuravelmente o círculo de seus discípulos e ouvintes. E penso que todo aquele que teve o privilégio de, ao menos por um curto período de tempo, ver o grande pesquisador trabalhando e assimilar seus ensinamentos, haverá de concordar inteiramente com o Dr. Babinski.

Essa conferências realmente encerram tanto material novo que ninguém, nem mesmo os especialistas no assunto, as lerá sem um considerável acréscimo em seus conhecimentos. E esse material novo se reveste de uma forma tão estimulante e esplêndida que o livro está destinado, como talvez nenhuma outra obra desde as Leçons de Trousseau, a servir como manual para os estudantes e para todos os médicos que desejem manter seu interesse pela neuropatologia.

O encanto peculiar dessas conferências reside no fato de que, na sua maior parte, elas foram inteiramente improvisadas. O professor não conhece o paciente que lhe é apresentado, ou o conhece apenas superficialmente. É obrigado a conduzir-se diante de seu auditório tal como habitualmente o faz somente em sua clínica particular, exceto quanto ao detalhe de que pensa em voz alta e permite que os ouvintes participem do rumo de suas conjecturas e investigações. Interroga o paciente, examina um sintoma e depois outro, e dessa forma estabelece o diagnóstico do caso, delimitando-o ou confirmando-o com outros exames. Observamos que ele comparou o caso que tem diante de si com um acervo de quadros clínicos derivados de sua experiência e arquivados na sua memória, e identificou os sinais visíveis do presente caso com um desses quadros. De fato, também é assim que todos nós, à beira do leito de um enfermo, chegamos a um diagnóstico, embora o ensino oficial da clínica, muitas vezes, dê ao estudante uma idéia diferente. A isto se seguem os comentários acerca do diagnóstico diferencial, e o conferencista se empenha em tornar claros os fundamentos em que se baseou sua identificação: fundamentos que, conforme sabemos, muitos médicos com habilidade para fazer diagnósticos não sabem explicitar, embora seu juízo seja determinado por eles. A discussão restante refere-se às peculiaridades clínicas do caso. O quadro clínico, a “entité morbide”, permanece a base de todo o estudo; mas o quadro clínico é formado por uma série de fenômenos, uma série que freqüentemente se ramifica em numerosas direções. A identificação clínica do caso consiste em definir a sua localização dentro da série de fenômenos. No centro da série está o “type”, a forma extrema do quadro clínico, consciente e intencionalmente esquematizada; ou, então, podem ser estabelecidos diversos desses tipos, que estão conectados por formas de transição. Certamente é verdade que o type, a descrição completa e característica do quadro clínico, pode ser encontrado; mas os casos que de fato são observados geralmente divergem do tipo: determinados detalhes do quadro estão apagados; esses casos podem ser agrupados em uma ou mais séries que se afastam do quadro e por fim terminam em formas rudimentares, praticamente indeterminadas (formes frustes), nas quais somente um especialista consegue reconhecer derivados do tipo. Enquanto a descrição dos quadros clínicos é o tema central da nosografia, a tarefa da clínica médica é averiguar até o fim a forma individual que cada caso assume e a combinação de seus sintomas.

Aqui enfatizei os conceitos de “entité morbide”, de séries, de “type” e de “formes frustes”, porque é no emprego desses conceitos que repousa a principal característica do método francês de trabalhar em clínica médica. Essa forma de abordagem é, de fato, estranha ao método alemão. Para este, o quadro clínico e o tipo não desempenham qualquer papel de relevo, e é explicada pela evolução dos clínicos alemães: uma tendência a fazer umainterpretação fisiológica do estado clínico e da inter-relação dos sintomas. A observação clínica dos franceses, indubitavelmente, ganha em auto-suficiência, no sentido de que relega a plano secundário os critérios relativos à fisiologia. A exclusão destes, no entanto, pode ser a principal explicação para a impressão enigmática que os métodos clínicos franceses causam ao não-iniciado. Aliás, nisso não há nenhum descaso pela fisiologia, mas uma deliberada exclusão, que é considerada vantajosa. Ouvi Charcot dizer: “Je fais la morphologie pathologique, je fais même un peu l’anatomie pathologique; mais je ne fais pas la physiologie pathologique, j’attend que quelqu’un autre la fasse”.

A apreciação que fazemos dessas conferências ficaria lamentavelmente incompleta se a interrompêssemos neste ponto. O interesse por uma conferência só era propriamente despertado quando o diagnóstico tinha sido feito e o caso, examinado de acordo com suas peculiaridades. Depois, Charcot se valia da vantagem que lhe oferecia a liberdade desse método de ensino para fazer daquilo que tínhamos visto o ponto de partida para comentários sobre casos semelhantes de que se lembrava, e para iniciar as mais esclarecedoras discussões sobre tópicos essencialmente clínicos de sua etiologia, hereditariedade e correlação com outras doenças. Era nessas ocasiões que, fascinados tanto pelo talento artístico do narrador como pela inteligência penetrante do observador, ouvíamos atentamente as pequenas histórias que mostravam como uma experiência clínica tinha levado a uma nova descoberta; era então que, em companhia de nosso mestre, éramos conduzidos da consideração de um quadro clínico, relativo a uma doença nervosa, para o debate de algum problema fundamental da doença em geral; era também nessas ocasiões que todos víamos, a um só tempo, o mestre e o médico dando lugar ao sábio, cuja mente aberta absorveu o grande e variado panorama das realizações do mundo e que nos proporciona um vislumbre de como as doenças nervosas não devem ser consideradas uma extravagância da patologia, mas sim um componente necessário de todo o conjunto. Essas conferências apresentam um quadro tão preciso da maneira de falar e de pensar de Charcot que, para todo aquele que um dia foi seu ouvinte, torna-seviva a lembrança da voz e dos gestos do mestre, e retornam as horas preciosas em que o encanto de uma grande personalidade atraía irresistivelmente os seus ouvintes para os temas e os problemas da neuropatologia.

Devo acrescentar algumas palavras para justificar as notas que, impressas em tipos menores, interrompeu a seqüência da exposição de Charcot, em intervalos muito irregulares. Essas notas são de minha autoria e, em parte, constituem explicações do texto e referências adicionais à bibliografia; mas, em parte, são objeções e anotações críticas, tais como as que podem ocorrer a quem está ouvindo uma conferência. Espero que estes comentários não venham a ser entendidos como seu eu estivesse tentando, de algum modo, colocar minhas opiniões acima das de meu respeitado mestre, a quem muito devo pessoalmente como seu discípulo. Simplesmente estou pretendendo exercer o direito de criticar, do qual se serve, por exemplo, todo autor de resenha de revista técnica, independentemente dos seus próprios méritos. Na neuropatologia existem tantas coisas ainda não explicadas e ainda passíveis de debate, e a compreensão das mesmas pode beneficiar-se tanto com esse debate, que me aventurei a pôr em discussão alguns desses pontos, mencionados de passagem nas conferências. É por demais evidente que o faço segundo meu próprio ponto de vista, na medida em que este diverge das teorias do Salpêtrière. No entanto, com estes comentários não se pretende dar ensejo a que os leitores de Charcot lhes dispensem mais atenção do que eles mereceriam por sua própria natureza.

Ao traduzir essas conferências, meu esforço se fez no sentido não propriamente de imitar o estilo incomparavelmente claro, e ao mesmo tempo elevado, de Charcot - o que seria inatingível para mim -, mas de obscurecer o menos possível sua linguagem caracteristicamente informal.

  1. SIGM. FREUD

VIENA, junho de 1892

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Em sua releitura Mattanó diz que a gênese do conflito psicológico está na luta entre os instintos e o condicionamento comportamental; que a telepatia cria alucinações violentas, lúdicas e sexuais que atravessam a mente do(s) outro(s) de forma indeterminada e violenta, violando o(s) outro(s) e submetendo(s) a um jogo ou processo de alucinações e delírios compostos de sons, músicas e vozes. As alucinações e os delírios são de toda ordem, muitas vezes constrangendo o(s) outro(s) intimamente a alucinações, bem como compostas de traumas vividos pela telepatia que mescla seu pensamento com os dos outros quando os compõem no intercâmbio telepático inconsciente. Podemos chamar a telepatia de lavagem cerebral para esclarecer o diagnóstico e o quadro clínico.

 

MATTANÓ

(03/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a gênese do conflito psicológico está na luta entre os instintos e o condicionamento comportamental, ou seja, no embate entre o ego ideal e o ego real que fazem surgir a consciência e deste jeito a percepção do conflito, de modo que as vozes dos seus pais, da sociedade e das multidões retornem a sua consciência em forma de delírios que poderão ou não mantê-lo longe da realidade através dessa nova maneira de se pensar, de distorção da realidade; onde a telepatia paranormal cria alucinações violentas, lúdicas e sexuais que atravessam a mente do(s) outro(s) de forma indeterminada e violenta, violando o(s) outro(s) e submetendo(s) a um jogo ou processo de alucinações e delírios compostos de sons, músicas e vozes. As alucinações e os delírios são de toda ordem, muitas vezes constrangendo o(s) outro(s) intimamente a alucinações, bem como compostas de traumas vividos pela telepatia que mescla seu pensamento com os dos outros quando os compõem no intercâmbio telepático inconsciente. Podemos chamar a telepatia de lavagem cerebral para esclarecer o diagnóstico e o quadro clínico. Como podemos chamar a telepatia de paranóia paranormal quando ela está associada a vozes de seus pais, da sociedade e de multidões que declinam a sua enfermidade, ou seja, podemos ter um quadro de esquizofrenia paranóide paranormal quando encontramos indivíduos com estes sintomas e com provas de sua paranormalidade como no meu caso particular.

 

MATTANÓ

(24/08/2025)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

EXTRATOS DAS NOTAS DE RODAPÉ DE FREUD À SUA TRADUÇÃO DAS CONFERÊNCIAS DAS TERÇAS-FEIRAS, DE CHARCOT

 

Pág. 107

[Charcot tinha feito uma descrição dos ataques histéricos.]

…Sirvo-me da oportunidade que me oferece o texto para apresentar ao leitor uma opinião independente sobre os ataques histéricos. O “tipo” de Charcot, com suas modificações e com a possibilidade de cada fase tornar-se independente e representar o ataque inteiro etc., sem dúvida é suficientemente extenso para abranger todas as formas de ataque observadas. Por essa mesma razão, alguns poderão argumentar que ele não representa uma verdadeira entidade.

Procurei abordar o problema dos ataques histéricos segundo um outro critério diferente do descritivo; examinando pacientes histéricos em estado hipnótico, cheguei a novos achados, alguns dos quais mencionarei aqui. O ponto central de um ataque histérico, qualquer que seja a forma em que este apareça, é uma lembrança, a revivescência alucinatória de uma cena que é significativa para o desencadeamento da doença. É esse evento que se manifesta de forma perceptível na fase das “attitudes passionelles”; mas também está presente quando o ataque parece consistir somente em fenômenos motores. O conteúdo da lembrança geralmente é ou um trauma psíquico, que, por sua intensidade, é capaz de provocar a irrupção da histeria no paciente, ou é um evento que, devido à sua ocorrência em um momento particular, tornou-se um trauma.

Nos casos conhecidos como histeria “traumática”, esse mecanismo é evidente até à observação mais superficial, mas também pode ser demonstrado na histeria em que não existe um único trauma de maior significação. Em tais casos, constatamos traumas menores, repetidos, ou, quando predomina o fator da disposição, lembranças em si mesmas indiferentes, mas que assumem a intensidade de traumas. Um trauma teria de ser definido como um acréscimo da excitação no sistema nervoso, que este é incapaz de fazer dissipar-se adequadamente pela reação motora. Um ataque histérico talvez deva ser considerado como uma tentativa de completar a reação ao trauma.

 

- Neste ponto, posso remeter a um trabalho sobre esse assunto, iniciado em colaboração com o Dr. Josef Breuer.

Pág. 137

[Charcot descrevera casos em que meninos de esmerada educação tinham ataques histéricos acompanhados por explosões de linguagem obscena.]

Seria casual que os ataques em jovens de cuja boa educação e boas maneiras Charcot fala elogiosamente assumam a forma de delírio furioso e linguagem desaforada? Penso que isso em nada difere do fato conhecido de que os delírios histéricos das monjas se manifestam sob a forma de blasfêmias e imagens eróticas. Nisso podemos suspeitar da existência de uma conexão que nos permite uma profunda compreensão interna do mecanismo dos estados histéricos. Nos delírios histéricos, emerge um material sob a forma de idéias e impulsos à ação que a pessoa, em seu estado sadio, rechaçou e inibiu - muitas vezes, inibiu mediante um grande esforço psíquico. Algo parecido aplica-se a muitos sonhos, que desfiam associações adicionais que foram rejeitadas ou interrompidas durante o dia. Foi nesse fato que baseei a teoria da “contravontade histérica”, que abrange um bom número de sintomas histéricos.

Pág. 142

[Charcot discutia um caso em que apareciam simultaneamente sintomas de tique e obsessões.]

Posso lembrar aqui um caso interessante que observei recentemente; esse caso mostrava uma variante nova da relação entre o tique e a obsessão. Um homem de 23 anos consultou-me em virtude de sofrer de obsessões de uma espécie típica. Dos 8 aos 15 anos ele tinha sofrido de um tique violento,que daí em diante desapareceu. As obsessões surgiram aos 12 anos e se tornaram muito mais graves recentemente.

Pág. 210

[Freud escreve uma longa nota de rodapé em que trata de uma minuciosa discussão exposta por Charcot, que sustentava que, em determinados casos, podia ocorrer completa hemianestesia, devido a um tipo especial de lesão orgânica central, nesses casos exatamente semelhante à hemianetesia histérica. Em especial, Charcot negava que em tais casos estivesse presente a hemianopsia.]

…Quando, certa vez, me dispus a fazer-lhe perguntas sobre esse ponto e argumentar que isso contrariava a teoria da hemianopsia, ele saiu-se com este excelente comentário: “La théorie c’est bon; mais ça n’empêche pa d’exister”. Se ao menos se soubesse o que é que existe!…

Pág. 224

[Charcot tinha afirmado que a hereditariedade era a “causa verdadeira” dos ataques histéricos de um paciente, de sua vertigem e de sua agorafobia.]

Eu me animo a apontar uma contradição nesse ponto. Com maior freqüência, a causa da agorafobia, assim como de outras fobias, está não na hereditariedade, mas nas anormalidades da vida sexual. É até possível especificar a forma de mau uso da função sexual em questão. Esses distúrbios podem ser adquiridos, em qualquer grau de intensidade; naturalmente, havendo a mesma etiologia, ocorrem com maior intensidade em pessoas com disposição hereditária.

Pág. 237

[Charcot discutia um caso de doença de Graves.]

 

Alguns leitores, assim como eu, por certo farão objeções à teoria etiológica de Charcot, que não faz distinção entre a disposição para as neuroses e a disposição para as doenças nervosas orgânicas, que não leva em conta o papel desempenhado pelas doenças nervosas adquiridas (que é impossível superestimar) e que considera uma tendência à artrite em pessoas da família como uma disposição neuropática hereditária. Sua valorização excessiva da influência do fator hereditário também explica o fato de que, ao abordar a doença de Graves, Charcot não menciona o órgão em cujas alterações, segundo indicações de peso nos aconselham, devemos procurar a verdadeira causa da afecção. Refiro-me naturalmente, à glândula tireóide e, em conexão com essa discussão sobre o fato de a disposição hereditária e o trauma psíquico desempenharem papel importante no desenvolvimento da doença, posso mencionar o excelente artigo de Moebius sobre a doença de Graves, na Deutsche Zeitschrift für Nervenheilkunde, 1 (1891).

Pág. 268

[Charcot mostrava a diferença entre afasia orgânica e histérica.]

Quando deixei o Salpêtrière, em 1886, Charcot incumbiu-se de efetuar um estudo comparativo das paralisias orgânicas e histéricas, com base nas observações feitas pelo Salpêtrière. Executei o trabalho, mas não o publiquei. Seu resultado é uma ampliação da tese aqui exposta por Charcot: as paralisias histéricas se caracterizam por dois fatores e, em particular, além disso, por uma convergência dos mesmos. Em primeiro lugar, elas são capazes de possuir a maior intensidade e, em segundo lugar, de apresentar a mais nítida delimitação, e se diferenciam especialmente das paralisias orgânicas quando combinam intensidade e delimitação. Uma monoplegia do braço, que seja de causa orgânica, pode limitar-se exclusivamente ao braço; mas nesse caso quase nunca é absoluta. Tão logo sua intensidade cresce, também a paralisia se torna mais extensa; de fato, observamos regularmente que, então, ela se acompanha também de um discreto grau de paresia na face e na perna. Quando se limita apenas ao braço e, ao mesmo tempo, é absoluta, a paralisia só pode ser histérica. [1]

 

Pág. 286

[Charcot estivera dando conselhos técnicos sobre o uso da sugestão: “Os ingleses, que certamente são pessoas práticas, têm na sua linguagem um conselho: ‘Não faça profecias, a menos que você tenha certeza’. Gostaria de me juntar a essa maneira de pensar e os aconselharia a que agissem da mesma forma. Na verdade, se, em caso de indubitável paralisia de origem psíquica, você diz ao paciente, com plena confiança: ‘Levante-se e ande!’, e se ele realmente o faz, você de fato pode atribuir a si mesmo e ao seu diagnóstico o milagre que realizou. Mas eu os aconselho a não irem demasiado longe nessas coisas e, antes de tudo, a considerarem o modo como, no possível caso de um fracasso, vocês poderão garantir-se uma saída honrosa’.”]

Com estas sábias palavras Charcot revela um dos maiores inconvenientes com que tem de contar o uso prático da sugestão em estado desperto e sob hipnose superficial. A longo prazo, nem o médico nem o paciente podem tolerar a contradição criada entre a decidida negação da doença, contida na sugestão, e a necessária constatação da doença fora da sugestão.

Pág. 314

[Charcot expusera o caso clínico de um paciente histérico cuja doença aparentemente resultara de intoxicação por mercúrio.]

Os leitores dessas conferências provavelmente estão cientes de que P. Janet, Breuer e eu, assim como outros autores, em data muito recente, procuramos delinear uma teoria psicológica dos fenômenos histéricos com base nos trabalhos escritos de Charcot (sobre a explicação das paralisias histerotraumáticas). Por mais sólida e promissora que essa teoria possa nos parecer, a prudência recomenda admitir que, até o momento, não se deu nenhum passo no sentido de mostrar que a histeria por intoxicação, ou que a analogia entre hemiplegia histérica e orgânica, ou que a origem das contraturas histéricas possam estar subordinadas à idéia básica dessa linha de abordagem. Espero que essa tarefa não se mostre insolúvel ou, pelo menos, que esses fatos não venham a se revelar inconciliáveis com a teoria psicológica.

 

Pág. 368

[Charcot assinalava o diagnóstico diferencial entre monoplegias orgânicas e histéricas.]

Num breve trabalho (“Quelques considérations pour une étude comparative des paralysies motrices organiques et hystériques”, Archives de Neurologie, Nº 77, 1893), procurei ampliar essa observação de Charcot e debati sua relação com a teoria das neuroses.

Pág. 371

[Charcot descrevia os diferentes ataques apresentados por uma jovem histérica.]

Por certo não estaremos compreendendo mal Charcot se, a partir dos seus comentários sobre “hystéro-épilepsie à crises mixtes” e ”àcrises séparées”, concluirmos que o termo “histeroepilepsia” é certamente objetável e que o seu uso deve ser totalmente abolido. Alguns dos pacientes indicados sob essa designação simplesmente padecem de histeria; outros sofrem de histeria e epilepsia, duas doenças que têm pouca relação essencial entre si e que só por acaso são encontradas num mesmo indivíduo. Uma afirmação como esta pode não ser desnecessária, visto que muitos médicos, não obstante, parecem ser da opinião de que a “histeroeplepsia” é um agravamento da histeria, ou uma transição da histeria para a epilepsia. Sem dúvida, ao se criar o termo “histeroepilepsia”, houve a intenção de veicular esses significado. Mas Charcot, há muito tempo, abandonou tal ponto de vista; e não há por que ficarmos desatualizados em relação a ele nesse ponto.

Pág. 399

[Charcot expressara sua opinião sobre o excesso de trabalho como causa de “neurastenia cerebral”.]

Todas essas discussões etiológicas referentes à neurastenia são incompletas na medida em que não são consideradas as influências nocivas sexuais,as quais, em minha experiência, constituem o fator mais importante, o único fator etiológico indispensável.

Pág. 404

[A propósito de uma discussão sobre os determinantes hereditários das neuroses.]

…A teoria da “famille névropathique” certamente necessita de uma revisão urgente.

Pág. 417

[Tópico semelhante ao anterior.]

…Dificilmente poderia resistir a uma crítica séria a concepção da famille névropathique - que, aliás, engloba quase tudo que conhecemos sob a forma de doenças nervosas, orgânicas e funcionais, sistêmicas e acidentais.

 

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

O trauma vem do conflito psicológico, que se forma na luta entre os instintos e o condicionamento comportamental, o trauma seria, assim, um acréscimo de excitação no sistema nervoso, que acaba ficando incapaz de dissipar-se adequadamente pela reação motora, deste modo, um ataque histérico talvez seja uma tentativa de completar a reação ao trauma, sabemos, também, que ataques histéricos vem acompanhados por explosões de linguagem obscena.

Sabemos que o ser humano pode ter 3 tipos de energia, a libido, a comunhão e o exercício da força. Ataques comportamentais, como aos histéricos, tem relação com explosões de libido, comunhão e/ou exercício da força. A libido é a energia sexual do indivíduo. A comunhão é a energia fraternal do indivíduo. E o exercício da força é a energia da segurança do indivíduo. 

Também falamos de uma Energia Vital difundida na Energia Corporal e na Força

Psicomotora, notamos também a Libido, a Comunhão e o Exercício da Força.

A Energia Vital é a Energia total ou global, máxima do indivíduo, envolve todas as outras energias.

A Energia Corporal é a energia do corpo, envolve a Libido, a Comunhão e o Exercício da Força; mostra-nos que o corpo é mais do que a sexualidade, a fraternidade e a segurança.

A Força Psicomotora é o desenvolvimento psicomotor de cada indivíduo, está associado a Energia Corporal e seu desenvolvimento.

Assim, por exemplo, a Força Psicomotora ensina que: engatinhar opõe-se a caminhar; correr opõe-se a pular (podemos pular para o alto, mas não podemos correr para o alto, pular é mais desenvolvido evolutivamente, é mais difícil psicomotoramente); rabiscar opõe-se a desenhar e a escrever e estes dois processos definem-se pela resignificação do traço. O Esquema Corporal pode ser Íntimo, Pessoal, Social e Público e tem 3 etapas: de corpo vivido (até 3 anos de idade) (corresponde a fase de inteligência sensório-motora de Jean Piaget); de corpo percebido ou ¨descoberto¨ (3 a 7 anos) (corresponde à organização do esquema corporal à maturação da ¨função de interiorização¨); de corpo representado (7 a 12 anos) (no início desta fase a representação mental da imagem do corpo consiste numa simples imagem reprodutora, a criança só possui uma imagem do corpo em movimento a partir dos 10 ou 12 anos de idade).  

Sobre a energia vital, ela, passa agora a ser o exercício da força, e somente depois a comunhão e não a libido, a comunhão tem um papel maior do que a libido na Trajetória da Vida, dos Monstros, dos Heróis e dos Escravos, na história de vida e nos contextos, porém a libido também permanece como catexia.

O exercício da força torna-se a veia principal do organismo energético, capaz de regular sua segurança e sua sobrevivência, ou seja, sua adaptação ao meio ambiente, sua adaptação às adversidades do meio ambiente superando-as, favorecendo a comunhão e a libido e a Evolução.

 

 

MATTANÓ

(03/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha o trauma vem do conflito psicológico, que se forma na luta entre os instintos e o condicionamento comportamental, o trauma seria, assim, um acréscimo de excitação no sistema nervoso, que acaba ficando incapaz de dissipar-se adequadamente pela reação motora, deste modo, um ataque histérico talvez seja uma tentativa de completar a reação ao trauma, sabemos, também, que ataques histéricos vem acompanhados por explosões de linguagem obscena.

Sabemos que o ser humano pode ter 3 tipos de energia, a libido, a comunhão e o exercício da força. Ataques comportamentais, como aos histéricos, tem relação com explosões de libido, comunhão e/ou exercício da força. A libido é a energia sexual do indivíduo. A comunhão é a energia fraternal do indivíduo. E o exercício da força é a energia da segurança do indivíduo.

Também falamos de uma Energia Vital difundida na Energia Corporal e na Força Psicomotora, notamos também a Libido, a Comunhão e o Exercício da Força.

A Energia Vital é a Energia total ou global, máxima do indivíduo, envolve todas as outras energias.

A Energia Corporal é a energia do corpo, envolve a Libido, a Comunhão e o Exercício da Força; mostra-nos que o corpo é mais do que a sexualidade, a fraternidade e a segurança.

A Força Psicomotora é o desenvolvimento psicomotor de cada indivíduo, está associado a Energia Corporal e seu desenvolvimento.

Assim, por exemplo, a Força Psicomotora ensina que: engatinhar opõe-se a caminhar; correr opõe-se a pular (podemos pular para o alto, mas não podemos correr para o alto, pular é mais desenvolvido evolutivamente, é mais difícil psicomotoramente); rabiscar opõe-se a desenhar e a escrever e estes dois processos definem-se pela resignificação do traço. O Esquema Corporal pode ser Íntimo, Pessoal, Social e Público e tem 3 etapas: de corpo vivido (até 3 anos de idade) (corresponde a fase de inteligência sensório-motora de Jean Piaget); de corpo percebido ou ¨descoberto¨ (3 a 7 anos) (corresponde à organização do esquema corporal à maturação da ¨função de interiorização¨); de corpo representado (7 a 12 anos) (no início desta fase a representação mental da imagem do corpo consiste numa simples imagem reprodutora, a criança só possui uma imagem do corpo em movimento a partir dos 10 ou 12 anos de idade).  

Sobre a energia vital, ela, passa agora a ser o exercício da força, e somente depois a comunhão e não a libido, a comunhão tem um papel maior do que a libido na Trajetória da Vida, dos Monstros, dos Heróis e dos Escravos, na história de vida e nos contextos, porém a libido também permanece como catexia.

O exercício da força torna-se a veia principal do organismo energético, capaz de regular sua segurança e sua sobrevivência, ou seja, sua adaptação ao meio ambiente, sua adaptação às adversidades do meio ambiente superando-as, favorecendo a comunhão e a libido e a Evolução.

Mattanó acrescenta que temos ainda a noção de socialismo e de comunismo que defendem a ideia de que o comunismo e o socialismo são duas ideologias políticas e econômicas que, embora frequentemente confundidas, apresentam diferenças fundamentais em suas abordagens e objetivos. O socialismo é uma teoria que busca a propriedade coletiva dos meios de produção e uma distribuição equitativa da riqueza, enquanto o comunismo é uma forma mais radical que visa a eliminação total da propriedade privada e a criação de uma sociedade sem classes. Ambos os sistemas têm raízes na crítica ao capitalismo, mas suas implementações e filosofias variam significativamente.

Uma das principais diferenças entre comunismo e socialismo reside na maneira como cada sistema aborda a propriedade. No socialismo, a propriedade pode ser coletiva, mas ainda pode existir uma forma de propriedade privada, especialmente em pequenas empresas e negócios. Já no comunismo, a propriedade privada é abolida completamente, e todos os bens são de propriedade comum, geridos pelo Estado ou pela comunidade. Essa distinção é crucial para entender como cada sistema pretende organizar a economia e a sociedade.

Outra diferença importante é a abordagem em relação ao Estado. O socialismo geralmente aceita a existência de um Estado que pode ser utilizado como um instrumento para implementar reformas e garantir a justiça social. Em contrapartida, o comunismo, segundo Karl Marx, prevê que o Estado eventualmente se tornará obsoleto e será abolido, resultando em uma sociedade onde as pessoas se autogerem sem a necessidade de uma autoridade central. Essa visão utópica é uma das razões pelas quais o comunismo é visto como uma forma mais extrema de socialismo.

Além disso, a implementação dessas ideologias também difere. O socialismo pode ser alcançado por meio de reformas democráticas e processos eleitorais, permitindo que as mudanças ocorram gradualmente. Por outro lado, o comunismo, historicamente, tem sido associado a revoluções e mudanças radicais, como as que ocorreram na Rússia em 1917 e na China em 1949. Essas revoluções muitas vezes resultaram em regimes autoritários que se distanciaram dos ideais originais de liberdade e igualdade.

As visões sobre a economia também diferem entre comunismo e socialismo. O socialismo pode coexistir com uma economia de mercado, onde o Estado regula e controla setores estratégicos, mas ainda permite a competição e a propriedade privada em outras áreas. O comunismo, por sua vez, busca uma economia planificada, onde todas as decisões econômicas são tomadas centralmente, eliminando a competição e o lucro como motores da produção. Essa diferença pode levar a resultados econômicos muito distintos entre os dois sistemas.

As questões de classe social também são tratadas de maneira diferente. O socialismo reconhece a existência de classes sociais e busca reduzir as desigualdades entre elas, promovendo políticas que favoreçam os trabalhadores e a classe média. O comunismo, por outro lado, visa a eliminação total das classes sociais, acreditando que a verdadeira igualdade só pode ser alcançada quando não houver distinções entre ricos e pobres. Essa diferença de foco pode influenciar as políticas sociais e econômicas adotadas em cada sistema.

As críticas ao comunismo e ao socialismo também variam. O socialismo é frequentemente criticado por sua capacidade de gerar ineficiências econômicas e por depender de um Estado forte que pode se tornar opressivo. O comunismo, por sua vez, é criticado por sua tendência a levar a regimes totalitários e pela falta de liberdade individual, uma vez que a busca pela igualdade pode resultar na supressão de direitos e liberdades pessoais. Essas críticas são importantes para entender as dificuldades enfrentadas por países que tentaram implementar essas ideologias.

Em resumo, a diferença entre comunismo e socialismo é complexa e envolve questões de propriedade, papel do Estado, implementação, economia e classe social. Embora ambos os sistemas compartilhem a crítica ao capitalismo e busquem uma sociedade mais justa, suas abordagens e objetivos são distintos, refletindo diferentes visões sobre como alcançar a igualdade e a justiça social. Essa compreensão é essencial para qualquer discussão sobre as implicações e os resultados de cada uma dessas ideologias na prática.

Para a Psicanálise Vermelha o trauma vem do conflito psicológico entre o ego ideal e o ego real que por sua vez fazem surgir a consciência do indivíduo, inclusive a autocrítica e a crítica dos valores sociais e políticos, dos modos de relação social, de modo que surjam desertores no modo socialista ou no comunista que revidará, pois é auto-regulável, possui mecanismos que asseguram sua autogestão e seu autocontrole, de modo que a alternativa para a transformação acaba sempre em guerra ou em violência, porém acredito que a mudança está dentro do nosso pensamento e do nosso comportamento, dos nossos significados e sentidos, através de uma ressigificação comportamental e inconsciente, inclusive consciente, cultural, de conhecimento e de realidade, ou seja, cerebral e corporal, biológica, interconectada ao meio ambiente e sem destruí-lo, e nem mesmo aos seus valores, como o socialismo e o comunismo, mas tentando aperfeiçoa-los e desenvolvê-los da melhor forma possível o otimizada, reduzindo custos e aumentando os benefícios, onde a ¨tomada de poder¨ não é institucional e nem política, mas consciente, cultura, de conhecimento e de realidade, individual como parte de uma estrutura coletiva que identifica as diferenças, como numa máquina muito avançada que leva o astronauta para o espaço e o devolve a Terra em segurança, o socialismo e o comunismo do futuro deveriam ser como essa máquina muito avançada que explora os mundos além do seu  próprio mundo e depois trás de volta seus heróis para celebrar a conquista de mais territórios ainda não explorados pelo homem, comprovando que o socialismo e o comunismo podem se adaptar as exigências e adversidades do mundo atual sem se destruir, mas apenas avançando como uma tropa que marcha em frente no mundo ainda não explorado e que tem que reaprender suas normas, regras e valores para se adaptar as exigências e poderes do espaço, do universo. Este é o socialismo e o comunismo, segundo Mattanó, em tempos de exploração espacial.

 

MATTANÓ

(24/08/2025)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ESBOÇOS PARA A COMUNICAÇÃO PRELIMINAR DE 1893 (1940-41 [1892])

 

 

Os três apontamentos condensados que vêm a seguir estavam incluídos entre os escritos póstumos de Freud, no volume XVII das Gesammelte Werke. (Dados bibliográficos mais detalhados encontram-se anexados a cada um dos esboços, adiante.) Os editores da edição alemã nos informam que todos os três escritos tinham estado em poder de Breuer, mas foram por este devolvidos a Freud em 1909, ano seguinte ao da publicação da segunda edição dos Estudos sobre a Histeria. Freud acusou o recebimento deles numa carta que leva a data de 8 de outubro de 1909: “Agradeço-lhe muito por me dar a oportunidade de reaver os velhos esboços e rascunhos, que me parecem muito interessantes. Quanto às notas a respeito dos ataques histéricos [Esboço C, adiante], deve ser como você diz; mas não guardei o manuscrito depois de publicado”.

Conquanto o segundo desses esboços não traga data, não cabem dúvidas de que todos os três foram escritos no final de 1892, em preparação para a “Comunicação Preliminar” - “Sobre o Mecanismo Psíquico dos Fenômenos Histéricos” (1893a), Edição Standard Brasileira, Vol. II, [1], IMAGO Editora, 1974. Esse trabalho, produzido em colaboração com Josef Breuer, foi publicado nos dias 1 e 15 de janeiro de 1893.

Grande parte desses esboços encontra-se numa forma altamente condensada, mas é possível descobrir, quase que um por um, todos os elementos que depois se encontram enunciados de modo mais claro na “Comunicação Preliminar”. Há, contudo, uma exceção especial. O “princípio da constância” está enunciado com muita clareza, e possivelmente pela primeira vez na Seção 5 do Esboço C (em [1]); mas, por algum motivo ignorado, está inteiramente omitido na “Comunicação Preliminar”. Um apanhado completo da história do “princípio da constância” pode ser encontrado no Apêndice do Editor Inglês a propósito das “Hipóteses Fundamentais de Freud” na Edição Standard Brasileira, Vol. III, ver em [1], IMAGO Editora, 1977.

 

(A) CARTA A JOSEF BREUER

 

29.6.92

Prezado amigo,

A satisfação com que despreocupadamente lhe entreguei essas minhas poucas páginas deu lugar ao desassossego que tão facilmente acompanha os esforços de pensar. Atormenta-me este problema: como oferecer um quadro bidimensional de algo tão sólido como a nossa teoria da histeria. Sem dúvida, a questão principal é saber se devemos descrevê-la do ponto de vista histórico e começar com todos os casos clínicos (ou dois dentre os melhores), ou se, de outro lado, devemos começar por afirmar dogmaticamente as teorias que formulamos à guisa de explicação. Penso que é preferível a segunda sugestão; o material ficaria assim disposto:

(1) Nossas teorias:

(a)

O teorema referente à constância da soma da excitação.

(b)

A teoria da memória.

(c)

O teorema que estabelece que os conteúdos dos diferentes estados de consciência não estão relacionados entre si.

(2) A origem dos sintomas histéricos crônicos: sonhos, auto-hipnose, afetos e resultados dos traumas absolutos. Os três primeiros desses fatores relacionam-se com a disposição; o último relaciona-se com a etiologia. Parece que os sintomas crônicos correspondiam a um mecanismo normal; são deslocamentos [tema subsidiário], em parte, ao longo de uma via normal (modificação interna) de somas de excitação que não foram dissipadas. Motivo do deslocamento: tentativa de reação. Motivo da persistência: teorema (c) [acima], referente ao isolamento associativo. - Comparação com a hipnose. [1]

Tema subsidiário: A respeito da natureza do deslocamento: localização dos sintomas histéricos crônicos.

(3) O ataque histérico: Também uma tentativa de reação, por meio da recordação etc.

(4) A origem dos estigmas histéricos: Altamente obscura, escassos indícios.

(5) A fórmula patológica da histeria: Histeria disposicional e acidental. A série proposta por mim. A magnitude da soma da excitação, o conceito de trauma, o segundo estado da consciência.

 

(B) III

 

No que escrevemos acima, tivemos de salientar como fato observado que as recordações subjacentes aos fenômenos histéricos estão ausentes da memória acessível do paciente, ao passo que, sob hipnose, elas podem ser despertadas com a clareza de alucinações. Também salientamos que numerosas recordações dessa ordem relacionam-se a fatos ocorridos em estados peculiares (como cataplexia devida ao susto, estados oniróides, auto-hipnose, e assim por diante), cujo conteúdo não está em conexão associativa com a consciência normal. Assim, com relação a isso, ainda nos era impossível discutir o que é que determina a ocorrência dos fenômenos histéricos, sem primeiro considerar uma hipótese especial, que procura caracterizar a disposição histérica. Na histeria, de acordo com essa hipótese, o conteúdo da consciência com facilidade se torna temporariamente dissociado, e determinados complexos de idéias, que não estão em conexão associativa, com facilidade se desgarram. A disposição histérica, portanto, deve ser pesquisada quando estados dessa espécie aparecem espontaneamente (devido a causas internas), ou se produzem facilmente devido a influências externas; e podemos supor uma série de casos em que esses dois fatores desempenham um papel de importância variável.

Descrevemos esses estados como “hipnóides” e enfatizamos que uma característica essencial deles é o fato de seu conteúdo, em grau maior ou menor, estar desconectado do conteúdo restante da consciência, e assim se encontrar privado da possibilidade de ser liberado pelas associações - do mesmo modo que no sonhar e no estado de vigília, um modelo de dois estados que diferem entre si, não estamos inclinados a fazer associações de um estado para o outro, mas apenas associações dentro de cada um deles em particular. Em pessoas com disposição histérica, qualquer afeto pode dar origem a uma divisão desse tipo; e uma impressão recebida durante a vigência do afeto se tornaria, assim, um trauma, mesmo que não fosse suficiente, em si, para agir como um trauma. Ademais, a impressão mesma poderia produzir o afeto. Na sua forma completamente desenvolvida, esses estados hipnóides,entre os quais pode haver conexões associativas, formam a condition seconde, tão conhecida nos casos clínicos. Mas os rudimentos de tal disposição, segundo parece, são identificáveis em qualquer pessoa e podem ser desenvolvidos por traumas apropriados, mesmo em pessoas sem essa disposição. A vida sexual é especialmente apropriada para proporcionar o conteúdo [de tais traumas], devido ao contraste muito grande que representa para o restante da personalidade e por ser impossível reagir a suas idéias.

Deve-se compreender que nossa terapia consiste em remover os resultados das idéias que não sofreram ab-reação, seja revivendo o trauma num estado de sonambulismo, e então ab-reagindo e corrigindo-o, seja trazendo-o para o plano da consciência normal, sob hipnose relativamente superficial.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

A telepatia tem seu lado histórico e o seu lado composto por teorias.

Nos apegaremos as teorias:

  1. A teoria da lavagem cerebral
  2. A teoria dos extraterrestres
  3. A teoria terrorista
  4. A teoria militar
  5. A teoria dos mass mídia
  6. A teoria do Estado
  7. A teoria dos professores e cientistas

A origem, seja qual for a teoria, da telapatia, pode vir a ser os sonhos, a hipnose, os

afetos e/ou os traumas.

 

MATTANÓ

(06/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a telepatia tem seu lado histórico e o seu lado composto por teorias.

Nos apegaremos as teorias:

1.A teoria da lavagem cerebral

2.A teoria dos extraterrestres

3.A teoria terrorista

4.A teoria militar

5.A teoria dos mass mídia

6.A teoria do Estado

7.A teoria dos professores e cientistas

A origem, seja qual for a teoria, da telapatia, pode vir a ser os sonhos, a hipnose, os

afetos e/ou os traumas, ou até mesmo a paranormalidade.

  Contudo a telepatia segundo o socialismo e o comunismo pode se transformar em luta de classes de trabalhadores ou total desapropriação e alienação, perda de poder e de autonomia moral e intelectual, segundo os interesses do Estado Comunista ou Socialista que marcha para o Comunismo com conquistas e transformações políticas e econômicas, inclusive sociais, de cunho patrimonial, educacional, trabalhista e autônomo, desfigurando a Democracia como um assassino psicopata mata e esquarteja sua vítima, e depois pendura sua cabeça em praça pública para o delírios dos fãs, ladrões e assassinos da Democracia que está representada no Amor de Deus, de Jesus e de Maria, só o Diabo é capaz de atentar contra Deus com um exército de ladrões e de assassinos!

 

MATTANÓ

(28/08/2025)

 

 

 

 

 

 

(C) SOBRE A TEORIA DOS ATAQUES HISTÉRICOS

 

Até onde sabemos, não há, por enquanto, nenhuma teoria dos ataques histéricos, mas apenas uma descrição dos mesmos, feita por Charcot, que se relaciona ao raro e prolongado “grande attaque hystérique [grande ataque histérico]”. Segundo Charcot, um ataque “típico” dessa espécie compõe-se de quatro fases: (1) fase epileptóide, (2) fase dos grandes movimentos, (3) fase das “attitudes passionnelles”, (4) fase do delírio terminal. Todas as variadas formas de ataques histéricos, que o médico tem oportunidade de observar com mais freqüência do que o típico grande ataque, surgem, conforme nos diz Charcot, na medida em que essas distintas fases se tornam independentes, ou se prolongam, ou se modificam, ou são omitidas.

 

Essa descrição não projeta absolutamente nenhuma luz sobre alguma conexão que possa haver entre as diferentes fases, sobre a importância dos ataques no quadro geral da histeria, ou sobre a maneira como os ataques são modificados em cada paciente individualmente. Talvez não estejamos equivocados ao supor que a maioria dos médicos tende a considerar o ataque histérico como “uma descarga periódica dos centros motores e psíquicos do córtex cerebral”.

Formamos nossa opinião sobre os ataques histéricos tratando pacientes histéricos por meio da sugestão hipnótica e, desse modo, investigando seus processos psíquicos durante o ataque. A exposição que fazemos a seguir é o que pensamos a respeito do ataque histérico; e devemos preliminarmente assinalar que, para a explicação dos fenômenos histéricos, é indispensável supor a presença de uma dissociação - uma divisão no conteúdo da consciência.

(1) O elemento constante e essencial de um ataque histérico (recorrente) é o retorno de um estado psíquico que o paciente já experimentou anteriormente - em outras palavras, o retorno de uma lembrança.

Afirmamos, pois, que a parte essencial de um ataque histérico está situada na fase que Charcot denominou de attitudes passionnelles. Em muitos casos, é bastante evidente que essa fase encerra uma lembrança oriunda da vida do paciente e, freqüentemente, na verdade, essa lembrança é sempre a mesma. Mas, em outros casos, essa fase parece estar ausente, e o ataque aparentemente consiste apenas em fenômenos motores - contrações epileptóides, ou um estado de imobilidade cataléptica, ou um estado semelhante ao sono; contudo, mesmo nesses casos, o exame sob hipnose evidencia nitidamente um processo mnêmico psíquico tal como, em geral, se manifesta francamente na phase passionnelle.

Os fenômenos motores de um ataque nunca são desprovidos de relação com seu conteúdo psíquico; ou exprimem no seu aspecto geral a emoção concomitante, ou correspondem exatamente às ações envolvidas no processo alucinatório.

(2) A lembrança que forma o conteúdo de um ataque histérico não é uma lembrança qualquer; é o retorno do evento que causou a irrupção da histeria - o trauma psíquico.

Essa relação também se manifesta nos casos clássicos de histeria traumática, segundo demonstrado por Charcot em pacientes do sexo masculino; nesses casos, um indivíduo previamente não-histérico passava a sofrer de uma neurose após um único episódio de medo intenso (como um acidente ferroviário, uma queda etc.). Nesses casos, o conteúdo do ataque consiste na reprodução alucinatória do evento que pôs em perigo a vida da pessoa, reprodução essa que talvez se acompanhe das seqüências de pensamentos e impressões da sensibilidade que passaram por sua mente na ocasião. Mas a conduta desses pacientes não difere da conduta de pacientes comuns do sexo feminino; é um modelo exato desta. Se examinarmos o conteúdo dos ataques de uma dessas pacientes na forma como foi indicado, depararemos com eventos que, por sua natureza, são igualmente apropriados para atuar como traumas (por exemplo, sustos, ofensas humilhantes, frustrações). Nesses casos, porém, o grande trauma isolado está substituído, geralmente, por uma série de traumas menores que se inter-relacionam por sua semelhança ou pelo fato de fazerem parte de uma história penosa. Esses pacientes, por conseguinte, muitas vezes têm ataques de tipos diferentes, cada um desses com um conteúdo mnêmico particular. Esse fato torna necessário ampliar consideravelmente o conceito de histeria traumática.

Num terceiro grupo de casos, constatamos que o conteúdo dos ataques consiste em lembranças que não consideraríamos capazes, por si mesmas, de constituir traumas. Evidentemente, devem isto ao fato de se terem associado, numa coincidência fortuita, com um momento em que a disposição histérica da pessoa se encontrava patologicamente intensificada e, com isso, foram elevadas à condição de traumas.

(3) A lembrança que forma o conteúdo de um ataque histérico é uma lembrança inconsciente, ou, mais corretamente, faz parte do segundo estado da consciência, que está presente, organizado em grau maior ou menor, em toda histeria. Por conseguinte, essa lembrança ou está inteiramente ausente da recordação do paciente, quando este se encontra em seu estado normal, ou está presente apenas em forma rudimentar, condensada. Se conseguirmos trazer essa lembrança inteiramente à consciência normal, ela deixa de ter a capacidade de produzir ataques. Durante um ataque real, o paciente se encontra parcial ou totalmente no segundo estado de consciência. Nesse último caso, o ataque inteiro é coberto pela amnésia, durante sua vida normal; no primeiro caso, o paciente apercebe-se da modificação em seu estado e da sua conduta motora, mas os eventos psíquicos que ocorrem durante o ataque lhe permanecem ocultos. No entanto, podem ser despertados a qualquer momento pela hipnose.

(4) A questão da origem do conteúdo mnêmico dos ataques histéricos coincide com a outra questão: o que decide se uma experiência (uma idéia,intenção etc.) haverá de se localizar na segunda consciência, e não na consciência normal? Descobrimos, com certeza, dois desses determinantes nas pessoas histéricas:

Se uma pessoa histérica intencionalmente procura esquecer uma experiência, ou decididamente rechaça, inibe e suprime uma intenção ou idéia, esses atos psíquicos, em conseqüência, entram no segundo estado da consciência; daí produzem seus efeitos permanentes e a lembrança deles retorna sob a forma de ataque histérico. (Cf. histeria em monjas, em mulheres castas, em adolescentes de boa educação, em pessoas com aspirações artísticas ou teatrais etc.)

As impressões recebidas durante estados psíquicos não-habituais (como os estados afetivos, estados de êxtase ou auto-hipnose) também entram no segundo estado da consciência.

Pode-se acrescentar que esses dois fatores muitas vezes se combinam por meio de vínculos internos e que provavelmente há outros determinantes além destes.

(5) O sistema nervoso procura manter constante, nas suas relações funcionais, algo que podemos descrever como a “soma da excitação”. Ele executa essa precondição da saúde eliminando associativamente todo acúmulo significativo de excitação, ou, então, descarregando-o mediante uma reação motora apropriada. Se partirmos desse enunciado, o qual, aliás, tem implicações de amplo alcance, verificaremos que as experiências psíquicas que formam o conteúdo dos ataques histéricos têm uma característica que lhes é comum. Todas são impressões que não conseguiram encontrar uma descarga adequada, seja porque o paciente se recusa a enfrentá-las, por temor de conflitos mentais angustiantes, seja porque (tal como ocorre no caso de impressões sexuais) o paciente se sente proibido de agir, por timidez ou condição social, ou, finalmente, porque recebeu essas impressões num estado em que seu sistema nervoso estava impossibilitado de executar a tarefa de eliminá-las.

Chegamos, assim, também a uma definição de trauma psíquico, que pode ser empregada na teoria da histeria: transforma-se em trauma psíquico toda impressão que o sistema nervoso tem dificuldade em abolir por meio do pensamento associativo ou da reação motora.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Os fenômenos da telepatia e da lavagem cerebral tem um elemento em comum: o retorno do estado psíquico que o indivíduo experimentou anteriormente – o retorno de uma lembrança, mesmo que distorcida. A lembrança não é uma lembrança qualquer, é o retorno do que lhe ocorre no momento da telepatia e da lavagem cerebral, muitas vezes do que lhe causou isto – o trauma psíquico. Mas a lembrança dessa ocorrência não é capaz de devolver o estado normal ao indivíduo, devido às consequências e sequelas da telepatia e da lavagem cerebral.

 

MATTANÓ

(06/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha os fenômenos da telepatia e da lavagem cerebral tem um elemento em comum: o retorno do estado psíquico que o indivíduo experimentou anteriormente – o retorno de uma lembrança, mesmo que distorcida. A lembrança não é uma lembrança qualquer, é o retorno do que lhe ocorre no momento da telepatia e da lavagem cerebral, muitas vezes do que lhe causou isto – o trauma psíquico. Mas a lembrança dessa ocorrência não é capaz de devolver o estado normal ao indivíduo, devido às consequências e sequelas da telepatia e da lavagem cerebral. Da mesma forma os fenômenos da telepatia e da lavagem cerebral retornam a um estado psíquico que o indivíduo experimentou anteriormente, tanto no socialismo como no comunismo. Ou seja através de suas doutrinas que são opostas ao capitalismo e buscam eliminar todos os tipos de desigualdade social, acabar com a exploração dos trabalhadores e, com isso, pôr fim à divisão de classes. Por esses motivos, tanto o comunismo quanto o socialismo são classificados no espectro político como regimes de esquerda.

Embora os termos sejam frequentemente usados como sinônimos, cada um consiste em um regime próprio com características específicas.

O comunismo foi concebido por Karl Marx e Friedrich Engels em 1848 através do Manifesto Comunista. No documento, os filósofos apontaram que a história descreve um eterno conflito entre os trabalhadores (proletariado) e os donos dos meios de produção (burguesia).

No manifesto, Karl Marx e Engels descreveram o comunismo como um regime no qual toda a produção pertence à classe trabalhadora e é distribuída de acordo com a necessidade de cada um. Dessa forma, no comunismo não existem ricos e pobres. Além disso, em uma sociedade comunista todos os indivíduos trabalham para o mesmo objetivo e ninguém recebe mais por trabalhar mais.

Marx previa que após a revolução comunista (que nunca ocorreu), o proletariado tomaria o controle de todos os meios de produção e isso causaria o desaparecimento do governo. Em seguida, os trabalhadores estabeleceriam uma sociedade sem divisão de classes e baseada na propriedade comum, na qual a produção e o consumo atingiriam um equilíbrio. Nota-se, portanto, que o comunismo é um regime de extrema-esquerda.

O socialismo é um regime político e econômico que busca eliminar as desigualdades sociais e as divisões de classe, mas não prevê o fim do governo.

No socialismo, os meios de produção, apesar de pertencerem à população, ainda são controlados pelo governo, que regula e paga salários que podem ser gastos da forma que o trabalhador desejar. Assim, a administração dos recursos é delegada ao Estado, que os distribui de forma igualitária. Geralmente, a distribuição ocorre na forma de políticas sociais que supram as necessidades da população como moradia, educação e saúde.

O punho erguido (ou punho cerrado) e a rosa vermelha também são símbolos relacionados ao socialismo. O punho representa a resistência contra a opressão e a rosa simboliza o sentimento de comunidade e cuidado com o próximo.

Embora o socialismo já existisse antes do Manifesto Comunista, o sentido mais popular do termo se baseia fortemente nas ideias de Marx e Engels. No manifesto, os filósofos criticaram algumas formas de socialismo já concebidas na época e descreveram o regime como um estágio de transição obrigatório que precede o comunismo. As reflexões contidas no documento serviram como base para o surgimento do chamado Marxismo.

A foice e o martelo são os símbolos utilizados no comunismo e no socialismo e, juntos, representam a união da classe operária industrial e dos trabalhadores agrícolas.

Mattanó acrescenta como símbolo da sua Teoria Socialista um ¨foguete¨ e a ¨exploração do universo¨ como fonte de riquezas, símbolos e de diversidade, pois o universo e o cosmos são uma grande e infinita fonte de riquezas, símbolos e de diversidade, seja ela política ou econômica, pois não há como implantar o socialismo e nem tampouco o comunismo no universo ou no cosmos, pois ele é diferente, produz diferenças e desigualdades que vão além das anatômicas e morfológicas, vão para as desigualdades e diferenças comportamentais e fisiológicas, que revelam padrões de comportamentos paranormais, como por exemplo, o som do assobio metálico alienígena ou a comunicação telepática paranormal, ou o poder de se comuflarem e de serem polimorfos, ou seja, de adquirirem várias formas e serem a mesma espécie. O universo é capaz de fornecer energia e poder, dentre outras coisas, como informação e criatividade, ritos e mitos, totens e tabus, magia, folclore e contos de fadas, tesouros, Reis e Rainhas, heróis e monstros, escravos, cientistas e militares, políticos e autoridades, grandes descobertas e grandes acobertamentos, ou seja, evolução, seleção e competição, mas também involução, morte e destruição, num sistema de valores onde o objetivo da vida é se adaptar a realidade para se reproduzir sexualmente e culturalmente, para assegurar sua sobrevivência e jornada evolutiva.

 

MATTANÓ

(28/08/2025)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES PARA UM ESTUDO COMPARATIVO DAS PARALISIAS MOTORAS ORGÂNICAS E HISTÉRICAS (1893 [1888-1893)]

 

 

NOTA DO EDITOR INGLES

 

QUELQUES CONSIDÉRATIONS POUR UNE ÉTUDE COMPARATIVE DES PARALYSIES MOTRICES ORGANIQUES ET HYSTÉRIQUES

 

(a) EDIÇÕES FRANCESAS:

1893 Arch. Neurol., 26 (77), 29-43. (Julho.)

1906 S. K. N .S., 1, 30-44ª (1911, 2ª ed.; 1920, 3ª ed.; 1922, 4ª ed.)

1925 G. S., 1, 273-89.

1952 G.W., 1, 39-55.

 

(b)TRADUÇÃO INGLESA:“Some Points in a Comparative Study of Organic and Hysterical Paralyses”

1924 C. P., 1, 42-58. (Tad. de M. Meyer.)

 

Incluído (Nº XXVIII) no sumário dos primeiros trabalhos de Freud organizado por ele próprio (1897b). O original foi escrito em francês. A presente tradução inglesa é uma nova tradução, com título modificado, feita por James Strachey.

 

Esse artigo tem toda uma longa história atrás de si, narrada em detalhes por Ernest Jones (1953, 255-7). Aparentemente, o tema da presente investigação foi sugerido por Charcot a Freud, em fevereiro de 1886, pouco antes de este partir de Paris. No seu “Relatório sobre Meus Estudos em Paris e Berlim” (1956a) escrito em abril de 1886, imediatamente após o regresso a Viena, Freud escreve que suas conversas com Charcot “levaram-me a preparar um artigo que está por ser publicado nos Archives de Neurologie e que tem como título ‘Vergleichung der hysterischen mit der organischen Symptomatologie”’ [“Comparação entre a Sintomatologia Histérica e a Orgânica”]. (Ver em [1]) Assim, parece que o artigo já estava escrito naquela época; porém, mais de dois anos após, em carta a Fliess de 28 de maio de 1888, ele escreve: “O primeiro rascunho das ‘paralisias histéricas’ está agora concluído; não sei quando concluirei o segundo”. (Freud, 1950a, Carta 4.) Três meses depois, escreve novamente, em 29 de agosto: “Agora estou justamente terminando as paralisias histéricas e orgânicas o que me deixa mesmo muito satisfeito” (ibid., Carta 5). Ademais, em seu prefácio (que também leva a data “agosto de 1888”) à tradução do livro sobre a sugestão de Bernheim (Freud, 1888-9), ele se refere ao presente assunto e fala de um trabalho “que está por ser publicado em breve” (em [1]). Seguem-se então cinco anos de completo silêncio, rompido mais uma vez por uma carta a Fliess, em 30 de maio de 1893 (ibid., Carta 12): “O livro que hoje estou lhe remetendo não é muito interessante. O outro trabalho, sobre paralisias histéricas, menor e mais interessante, vai surgir no começo de junho”. A 10 de julho (ibid., Carta 13): “As paralisias histéricas deveriam ter sido publicadas há muito tempo; provavelmente aparecerão no número de agosto. É um artigo muito curto… Talvez você possa estar lembrado de que eu já me ocupava dessa questão quando você era meu aluno, e que, naquela época, proferi uma de minhas conferências na Universidade sobre esse assunto”. Isto se teria passado no outono de 1887, quando Fliess assistiu a algumas das conferências de Freud em Viena. E, por fim, numa outra carta (não publicada) a Fliess, de 24 de julho de 1893: “Enfim, foram publicadas as paralisias histéricas”.

Não existe nada que mostre qual a natureza dos “motivos fortuitos e pessoais a que Freud se refere aqui (em [1]) para explicar o atraso de cinco anos na publicação do rascunho original, aparentemente concluído. (Cf. também em [1]) Não sabemos dizer se também este foi escrito em francês; porém, apesar do título em alemão, que lhe foi dado em seu “Relatório de Paris’’ (em [1]), atrás, parece provável que tenha sido escrito em francês, pois, conforme vimos, à época de seus entendimentos iniciais, parece que Charcot prometeu publicar o resultado da pesquisa de Freud nos Archives de Neurologie, e o fez sete anos depois - somente cerca de duas semanas antes de sua morte inesperada.

 

No entanto, talvez haja uma explicação para o atraso, que está relacionado com a posição que esse artigo ocupa no divisor de águas entre os escritos neurológicos e psicológicos de Freud. As três primeiras partes do trabalho são inteiramente sobre neurologia e, sem dúvida, foram escritas em 1888, se não em 1886. Mas a quarta parte deve datar de 1893, quando menos porque cita a “Comunicação Preliminar”, de Breuer e Freud, que surgira no início desse ano. A totalidade dessa última parte, na verdade, baseia-se inteiramente nas novas idéias com que Breuer e Freud tinham começado a operar - recalcamento, ab-reação, princípio de constância -, todas elas aí implícitas, quando não nomeadas explicitamente. O contacto direto de Freud com essas idéias tinha começado por volta de 1887 e, nos anos seguintes, ele se deixou absorver cada vez mais por elas. Parece não ser impossível que, ao concluir o primeiro esboço desse artigo, ele houvesse começado a ter alguma vaga idéia de uma explicação dos atos contidos nele, explicação esta que envolvia novas idéias, e, por esse motivo, ele pode ter suspendido a publicação até penetrar mais profundamente na questão.

Por fim, pode-se comentar um ponto menos importante, mas que tem interesse por ser um sinal das coisas que estavam por vir: no fim do artigo há um parágrafo que talvez seja a primeira incursão breve e pública de Freud na antropologia social.

 

 

 

Na época em que, em 1885 e 1886, fui aluno de M. Charcot, ele teve a grande amabilidade de me confiar a tarefa de efetuar um estudo comparativo das paralisias motoras orgânicas e histéricas, baseado nas observações do Salpêtrière, na esperança de que tal estudo pudesse revelar algumas características gerais da neurose e proporcionar melhor visão da sua natureza. Por motivos fortuitos e pessoais, durante muito tempo me vi impedido de realizar a incumbência que ele me dera; e mesmo agora estou apresentando somente alguns dos resultados de minhas pesquisas, deixando de lado os detalhes necessários a uma completa formulação de minhas opiniões.

I

Devo começar apresentando algumas observações acerca das paralisias motoras orgânicas, observações que, aliás, são de aceitação geral. A neurologia clínica reconhece dois tipos de paralisia motora - paralisia periférico-medular ou (bulbar) e paralisia cerebral. Essa distinção condiz inteiramente com os achados da anatomia do sistema nervoso, que mostra que o trajeto das fibras condutoras da motricidade se divide em apenas dois segmentos: o primeiro segmento estende-se da periferia até as células do corno anterior da medula espinhal, onde começa o segundo segmento, que vai até o córtex cerebral. A histologia moderna do sistema nervoso, fundamentada no trabalho de Golgi, Ramón y Cajal, Kölliker etc., exprime esses fatos com a afirmação de que “o trajeto das fibras da condução da motricidade é constituído por dois neurônios (unidades neurais célulo-fibrilares), que se acham em conexão e se relacionam entre si no nível das células conhecidas como células motoras do corno anterior”. A diferença essencial entre essas espécies de paralisia, em termos clínicos, é a seguinte: a paralisia periférico-medular é uma paralisia “détaillée”, a paralisia cerebral é uma paralisia “en masse”.

O tipo da primeira é a paralisia facial na paralisia de Bell, a paralisia da poliomielite infantil aguda etc. Nessas doenças, cada músculo - poder-se-ia dizer, cada fibra muscular - pode estar paralisado individualmente, isoladamente. O que acontece depende da localização e da extensão da lesão nervosa; não há regra fixa segundo a qual um elemento periférico possa escapar da paralisia, enquanto outro é afetado por ela permanentemente.

A paralisia cerebral, pelo contrário, é sempre um distúrbio que acomete uma parte extensa da periferia, um membro, um segmento de uma extremidade, ou um aparelho motor complexo. Nunca afeta um único músculo - por exemplo, o bíceps no braço ou o tribial, isoladamente; e se existem evidentes exceções a essa regra (por exemplo, a ptose cortical), podemos constatar claramente que o que está em questão são músculos que executam por si mesmos uma função da qual constituem o único instrumento.

Nas paralisias cerebrais dos membros pode-se observar que os segmentos distais sempre estão mais comprometidos do que os proximais; por exemplo, a mão está mais paralisada do que o ombro. Pelo que sei, não existe, por exemplo, uma paralisia cerebral do ombro, isoladamente, com a mão conservando sua motilidade, ao passo que o contrário constitui regra nas paralisias que não são completas.

No estudo crítico da afasia, publicado em 1891, procurei mostrar que a causa dessa importante diferença entre as paralisias periférico-medulares e cerebrais deve ser investigada na estrutura do sistema nervoso. Cada elemento da periferia corresponde a um elemento da massa cinzenta da medula, que, conforme disse Charcot, é sua terminação nervosa; a periferia, por assim dizer, é projetada sobre a massa cinzenta da medula, ponto por ponto, elemento por elemento. Propus dar à paralisia periférico-medular détaillée o nome de paralisia em projeção. Mas o mesmo não se aplica às relações entre os elementos da medula e os do córtex. O número de fibras condutoras já não seria suficiente para dar uma segunda projeção da periferia sobre o córtex. Devemos supor que as fibras que se estendem da medula até o córtex não representam mais, cada uma em separado, um elemento único da periferia, e sim um grupo de elementos periféricos, e que até mesmo, por outro lado, um elemento da periferia pode corresponder a diversas fibras condutoras medulo-corticais. O fato é que há uma modificação no ordenamento das fibras no ponto de conexão entre os dois segmentos do sistema motor. Sustento, pois, que a reprodução da periferia no córtex não é mais uma reprodução fiel, ponto por ponto; que não é mais uma projeção verdadeira. É uma relação por meio do que se pode chamar de fibras representativas, e para a paralisia cerebral proponho o nome de paralisia em representação.

 

Naturalmente, quando a paralisia em projeção é total e muito extensa, também ela é uma paralisia en masse e sua característica principal é eliminada. Por outro lado, a paralisia cortical, que se distingue dentre as paralisias cerebrais por sua maior tendência à dissociação, sempre apresenta, ainda assim, o caráter de uma paralisia em representação.

As outras diferenças entre paralisias em projeção e paralisias em representação são bem conhecidas. Posso citar, como exemplos de tais diferenças, a nutrição normal e a integridade das reações à eletricidade [nas partes afetadas] que estão associadas à última. Embora sejam muito importantes sob o aspecto clínico, esses sinais não possuem a importância teórica que se costuma atribuir à primeira característica diferencial que mencionamos - paralisia détaillée e paralisia en masse.

Com muita freqüência tem-se atribuído à histeria a capacidade de simular as mais diferentes doenças nervosas orgânicas. Surge a questão de saber se, mais precisamente, ela simula as características dos dois tipos de paralisias orgânicas, se existem paralisias histéricas em projeção e paralisias histéricas em representação, tal como as que encontramos na sintomatologia orgânica. Nesse ponto emerge um aspecto importante. A histeria nunca simula paralisias periférico-medulares ou paralisias em projeção; as paralisias histéricas somente compartilham as características das paralisias orgânicas em representação. Este é um dado muito interessante, pois a paralisia de Bell, a paralisia radial etc. estão entre os distúrbios mais comuns do sistema nervoso.

Convém assinalar aqui, com a finalidade de evitar qualquer confusão, que estou tratando somente das paralisias histéricas flácidas, e não das contraturas histéricas. Parece impossível aplicar as mesmas regras às paralisias histéricas e às contraturas histéricas. Pode-se afirmar que é típico das paralisias histéricas flácidas não afetarem músculos isolados (exceto onde o músculo em questão é o único instrumento de uma função), serem sempre paralisias en masse e, nesse aspecto, corresponderem às paralisias em representação ou paralisias cerebrais orgânicas. Além disso, no que tange à nutrição das partes paralisadas e às suas reações à eletricidade, as paralisias histéricas apresentam as mesmas características que as paralisias cerebrais orgânicas.

Se a paralisia histérica está assim correlacionada com a paralisia cerebral e, em especial, com a paralisia cortical, que apresenta maior tendência à dissociação, por outro lado delas se distingue por importantes características. Em primeiro lugar, não obedece à regra, que se aplica regularmente às paralisias cerebrais orgânicas, segundo a qual o segmento distal sempre está mais afetado do que o segmento proximal. Na histeria, o ombro ou a coxa podem estar mais paralisados do que a mão ou o pé. Podem surgir movimentos dos dedos enquanto o segmento proximal ainda está absolutamente inerte. Não existe a menor dificuldade em produzir artificialmente uma paralisia isolada da coxa, da perna etc., e, clinicamente, podem-se encontrar com muita freqüência essas paralisias isoladas, contrariando as regras da paralisia cerebral orgânica.

Quanto a esse importante aspecto, a paralisia histérica é, por assim dizer, intermediária entre a paralisia em projeção e a paralisia orgânica em representação. Se não possui todas as características de dissociação e delimitação próprias da primeira, está longe de ver-se submetida às leis estritas que regem a segunda - a paralisia cerebral. Tendo em conta tais restrições, pode-se afirmar que a paralisia histérica também é paralisia em representação, mas com um tipo especial de representação cujas características permanecem como um assunto a ser desvendado.

II

Como um passo nessa direção, proponho estudar as demais características que fazem a distinção entre a paralisia histérica e a paralisia cortical, o tipo mais acabado de paralisia cerebral orgânica. Já mencionamos a primeira dessas características - o fato de que a paralisia histérica pode estar mais dissociada, mais sistematizada do que a paralisia cerebral. Na histeria, os sintomas da paralisia orgânica aparecem como que fracionados. Dos sintomas da hemiplegia orgânica comum (paralisia dos membros superiores e inferiores e da parte inferior da face), a histeria reproduz somente a paralisia dos membros, e até mesmo dissocia, com muita freqüência e com a maior facilidade, as paralisias do braço e da perna, sob a forma de monoplegias. Da síndrome da afasia orgânica ela copia a afasia motora, isoladamente; e -algo não existente na afasia orgânica - ela pode criar a afasia total (motora e sensitiva) para um determinado idioma, sem causar a menor interferência na capacidade de compreender e de articular um outro idioma. (Observei isto em alguns casos não publicados.) Esse mesmo poder de dissociação manifesta-se nas paralisias isoladas de um segmento de um membro, ao passo que outras partes do mesmo membro permanecem totalmente indenes, ou então na total abolição de uma função (por exemplo, na abasia e na astasia), enquanto outra função executada pelo mesmos órgãos permanece intacta. Essa dissociação é, sem dúvida, surpreendente quando a função que não foi prejudicada é a função mais complexa. Na sintomatologia orgânica, se existe um debilitamento desigual de diversas funções, é sempre a função mais complexa, a que foi adquirida mais recentemente, a que fica mais afetada em conseqüência da paralisia.

Além do mais, a paralisia histérica exibe uma outra característica que, por assim dizer, é o sinal identificador da neurose e que surge como acréscimo ao primeiro. A histeria, conforme ouvi M. Charcot dizer, é realmente uma doença com excessivas manifestações; tende a produzir seus sintomas com a máxima intensidade possível. Essa característica evidencia-se não só nas suas paralisias, mas também nas suas contraturas e anestesias. Sabemos em que grau de distorção podem efetuar-se as contraturas histéricas - grau praticamente não igualado na sintomatologia orgânica. Também sabemos com que freqüência ocorrem na histeria as anestesias profundas, absolutas, das quais as lesões orgânicas só conseguem reproduzir um pálido esboço. O mesmo se dá com as paralisias. Freqüentemente, são absolutas no grau mais extremo. O afásico não articula uma só palavra, ao passo que o afásico orgânico quase sempre conserva algumas palavras, “sim” ou “não”, uma exclamação etc.; o braço paralisado fica completamente inerte - e assim por diante. Essa característica é por demais conhecida para que se insista nela. Contrastando com isso, sabemos que, na paralisia orgânica, a paresia é sempre mais comum do que a paralisia absoluta.

A paralisia histérica se caracteriza, pois, pela delimitação precisa e pela intensidade excessiva; possui essas duas qualidades ao mesmo tempo, e é nisso que manifesta o maior contraste em relação à paralisia cerebral orgânica, na qual regularmente se constata que essas duas características não se associam entre si. Existem monoplegias na sintomatologia orgânica, mas quase sempre são monoplegias a priori e sem delimitação precisa. Se o braço está paralisado em conseqüência de uma lesão cortical orgânica, há quase sempre um comprometimento concomitante, menor, na face e na perna; e se essa complicação não é visível num dado momento, certamente terá existido no início da doença. A verdade é que uma monoplegia cortical é sempre uma hemiplegia da qual um ou outro componente está mais ou menos apagado, porém, mesmo assim, ainda é reconhecível. Prosseguindo um pouco mais, suponhamos que a paralisia não tenha atingido nenhuma outra parte a não ser o braço e que se trate apenas de uma monoplegia cortical; nesse caso se verificará que a paralisia tem uma intensidade moderada. Tão logo essa monoplegia aumenta de intensidade e se torna uma paralisia absoluta, ela perde seu caráter de monoplegia simples e é acompanhada por distúrbios motores da perna ou da face. Não consegue ao mesmo tempo tornar-se absoluta e conservar sua delimitação.

Isso, pelo contrário, é o que consegue realizar com facilidade uma paralisia histérica, como nos demonstra todos os dias a experiência clínica. Por exemplo, afeta um braço, exclusivamente, sem que possamos encontrar um vestígio seu na perna ou na face. Ademais, no nível do braço, essa paralisia histérica é tão grave quanto pode ser uma paralisia, e nisso vemos uma nítida diferença em relação a uma paralisia orgânica - uma diferença que nos oferece redobrados motivos para reflexão.

Naturalmente, há casos de paralisias histéricas em que a intensidade não é excessiva e em que a dissociação não é de modo algum notável. Tais casos podem ser reconhecidos por outras características; são, contudo, casos que não apresentam a marca típica da neurose e que, visto não nos ensinarem nada acerca de sua natureza, não se revestem de nenhum interesse, do nosso atual ponto de vista.

Acrescentarei alguns comentários, que são de importância secundária e que até mesmo se situam um tanto fora dos limites de nosso tema.

Em primeiro lugar, quero assinalar que as paralisias histéricas, muito mais freqüentemente do que as paralisias orgânicas, se acompanham de distúrbios de sensibilidade. Tais distúrbios geralmente são mais profundos e mais freqüentes nas neuroses do que na sintomatologia orgânica. Nada é mais comum do que a anestesia ou a analgesia histéricas. Por outro lado, recorde-se com que tenacidade persiste a sensibilidade onde há uma lesão neural. Quando um nervo periférico é lesado, a anestesia é menor em extensão e intensidade do que seria de esperar. Se uma lesão inflamatória atinge os nervos espinhais ou os centros medulares, sempre verificamos que a motilidade é a primeira coisa a ser enfraquecida, de vez que aqui e ali sempre subsistem elementos neurais que não foram totalmente destruídos. Onde há uma lesão cerebral, já conhecemos bem a freqüência e a duração da hemiplegia motora, ao mesmo tempo que a hemianestesia concomitante é indistinta e transitória e não está presente em todos os casos. São apenas algumas localizações muito especiais da lesão que conseguem produzir uma perturbação intensa e persistente da sensibilidade (confluência de trajetos sensitivos), e, assim mesmo, esse caso é passível de dúvidas.

Esse comportamento da sensibilidade, que é diferente nas lesões orgânicas e na histeria, dificilmente pode ser explicado na atualidade. Parece que aqui temos um problema cuja solução talvez possa projetar alguma luz sobre a natureza íntima dos fenômenos.

Outro ponto que julgo deva ser mencionado é que, na histeria, como de resto nas paralisias periférico-medulares em projeção, não se encontram certas formas de paralisia cerebral. É o que se passa, de modo especial, com a paralisia da metade inferior da face, que é a manifestação mais freqüente de uma doença orgânica do cérebro, e (se me permitem passar, por um momento, às paralisias sensoriais) com a hemianopsia lateral homônima. Estou consciente de que é quase arriscar-se a um desafio afirmar que esse ou aquele sintoma não é encontrado na histeria, quando as pesquisas de M. Charcot e seus discípulos encontram nela - poder-se-ia dizer, a cada dia - sintomas novos, dos quais antes não se suspeitara. Mas devo considerar as coisas tal como são no momento. A ocorrência de paralisia facial histérica é firmemente rejeitada por M. Charcot e, mesmo que acreditemos que isso possa ocorrer, trata-se de um fenômeno muito raro. Na histeria, a hemianopsia ainda não foi observada, e penso que jamais o será.

Como é, portanto, que as paralisias histéricas, conquanto estreitamente assemelhadas às paralisias corticais, divergem destas pelas características diferenciais que tentei destacar? E qual é a característica genética do tipo especial de representação com o qual devem estar associadas? A resposta a essa questão incluiria uma parte extensa e importante da teoria da neurose.

III

Não existe a mais leve dúvida quanto às condições que regem a sintomatologia da paralisia cerebral. Tais condições são constituídas pelos fatos da anatomia - a estruturação do sistema nervoso e a distribuição de seus vasos - e a relação entre essas duas séries de fatos e as circunstâncias da lesão. Assinalamos que o número menor de fibras que vêm da medula até o córtex, em comparação com o menor número de fibras que vêm da periferia até a medula, é a base da diferença entre a paralisia em projeção e a paralisia em representação. Da mesma forma, cada detalhe clínico da paralisia em representação pode ser explicado por algum detalhe da estrutura cerebral; e, inversamente, a partir das características clínicas das paralisias podemos deduzir a estrutura do cérebro. Penso que existe um completo paralelismo entre essas duas séries.

Assim, se não há grande facilidade para a dissociação na paralisia cerebral comum, isto se dá porque as fibras motoras percorrem tão unidas um longo trecho do seu trajeto intracerebral que não podem ser lesadas individualmente. Se a paralisia cortical mostra maior tendência a ser monoplégica, isso ocorre porque o diâmetro dos feixes condutores (braquial, crural etc.) aumenta no sentido do córtex. Se a paralisia da mão é a mais completa de todas as paralisias corticais, isso se deve, segundo pensamos, ao fato de que a relação cruzada entre o hemisfério cerebral e a periferia é mais atingida por uma paralisia do que o segmento proximal; supomos que as fibras representativas do segmento distal sejam muito mais numerosas do que as do segmento proximal, de modo que a influência cortical se torna mais importante para a parte distal do que para a proximal. Quando as lesões muito extensas do córtex não conseguem produzir monoplegias puras, inferimos que os centros motores no córtex estão nitidamente separados uns dos outros por território neutro, ou inferimos que existem fatores operando à distância (Fernwirkungen), que pareceriam anular o efeito de uma separação precisa entre os centros.

De igual maneira, se, na afasia orgânica, sempre há uma mistura de distúrbios de diferentes funções, isso pode ser explicado pelo fato de que os ramos da mesma artéria irrigam todos os centros da fala, ou, se for aceita a opinião expressada no meu estudo crítico da afasia [Freud, 1891b], pelo fato de que não estamos tratando de centros separados, mas de uma área contínua de associação. Seja como for, sempre se pode encontrar uma explicação baseada na anatomia.

As notáveis associações com tanta freqüência observadas clinicamente nas paralisias corticais (afasia motora e hemiplegia à direita, alexia e hemianopsia à direita) são explicadas pela proximidade dos centros lesados.A hemianopsia como tal, sintoma muito curioso e estranho para uma mente não-científica, só é explicável pelo cruzamento das fibras do nervo óptico no quiasma; é a expressão clínica desse cruzamento, assim como todo detalhe das paralisias cerebrais é a expressão clínica de um fato da anatomia.

De vez que só pode haver uma única anatomia cerebral verdadeira, de vez que ela se expressa nas características clínicas das paralisias cerebrais, evidentemente é impossível que essa anatomia constitua explicação dos aspectos diferenciais das paralisias histéricas. Por essa razão, não devemos, com base na sintomatologia dessas paralisias histéricas, tirar conclusões sobre a anatomia cerebral.

A fim de explicar esse difícil problema, por certo devemos considerar a natureza da lesão em estudo. Nas paralisias orgânicas, a natureza da lesão desempenha um papel secundário; ao contrário, são a extensão e a localização da lesão que, em determinadas condições estruturais do sistema nervoso, produzem as características da paralisia orgânica que indicamos. Qual poderia ser a natureza da lesão, na paralisia histérica, que define a situação sem respeitar a localização ou a extensão da lesão ou da anatomia do sistema nervoso?

Em diversas ocasiões ouvimos M. Charcot dizer que se trata de uma lesão cortical, mas uma lesão puramente dinâmica ou funcional. Esta é uma tese cujo aspecto negativo podemos entender facilmente: equivale a afirmar que nenhuma modificação tecidual detectável será encontrada post mortem. Mas, no seu aspecto positivo, sua interpretação está longe de ser inequívoca. Afinal, o que é uma lesão dinâmica? Tenho bastante certeza de que muitos daqueles que leram as obras de M. Charcot acreditam que uma lesão dinâmica é realmente uma lesão, contudo uma lesão da qual, após a morte, não se encontra nenhum vestígio, tal como um edema, uma anemia ou uma hiperemia ativa. Contudo, esses sinais, embora não necessariamente possam persistir após a morte, são lesões orgânicas verdadeiras, mesmo que sejam mínimas e transitórias. As paralisias partilhariam das características das paralisias orgânicas. Nem o edema nem a anemia, não menos do que a hemorragia ou o amolecimento, poderiam produzir a dissociação e a intensidade das paralisias histéricas. A única diferença estaria em que a paralisia devida a edema, por constrição vascular etc. seria menos duradoura do que a paralisia devida à destruição do tecido nervoso. Elas têm em comum todas as outras condições, e a anatomia do sistema nervoso determinará as propriedades da paralisia, tanto no caso de uma anemia transitória, como no caso de uma anemia que é permanente e final.

Estes comentários não me parecem totalmente prescindíveis. Se alguém ler que “deve haver uma lesão histérica” nesse ou naquele centro, o mesmo centro no qual uma lesão orgânica produziria uma correspondente síndrome orgânica, e recordar que se está acostumado a localizar uma lesão dinâmica histérica da mesma forma que uma lesão orgânica, será levado a crer que por trás da expressão “lesão dinâmica” está oculta a idéia de uma lesão como edema ou anemia, que são, de fato, afecções orgânicas transitórias. Eu, pelo contrário, afirmo que a lesão nas paralisias histéricas deve ser completamente independente da anatomia do sistema nervoso, pois, nas suas paralisias e em outras manifestações, a histeria se comporta como se a anatomia não existisse, ou como se não tivesse conhecimento desta.

E, de fato, um bom número de características das paralisias histéricas justifica essa afirmação. A histeria ignora a distribuição dos nervos, e é por isso que não simula paralisias periférico-medulares ou paralisias em projeção. Ela não conhece o quiasma óptico e, por conseguinte, não produz hemianopsia. Ela toma os órgãos pelo sentido comum, popular, dos nomes que eles têm: a perna é a perna até sua inserção no quadril, o braço é o membro superior tal como aparece visível sob a roupa. Não há motivo para acrescentar à paralisia do braço a paralisia da face. Um histérico que não consegue falar não tem motivo para esquecer que compreende a fala, de vez que a afasia motora e a surdez para a palavra não estão correlacionadas entre si na concepção popular, e assim por diante. Só posso concordar inteiramente com as opiniões expressas por M. Janet em números recentes dos Archives de Neurologie; elas são confirmadas tanto pelas paralisias histéricas como pela anestesia e pelos sintomas psíquicos.

IV

Por fim, procurarei indicar como poderia ser essa lesão causadora das paralisias histéricas. Não digo que mostrarei que tipo de lesão é; pretendo simplesmente indicar uma linha de pensamento, a qual poderia levar a uma concepção que não contraria as propriedades da paralisia histérica, na medida em que esta difere da paralisia cerebral orgânica.

Tomarei a expressão “lesão funcional ou dinâmica” no seu sentido próprio, isto é, “modificação na função ou na dinâmica” - modificação de uma propriedade funcional. Exemplos de modificação dessa espécie seria numa diminuição na excitabilidade ou numa qualidade fisiológica que normalmente permanece constante ou varia dentro de limites fixos.

Mas, objeta-se, a modificação funcional não é uma coisa diferente da modificação orgânica, é simplesmente o outro lado desta. Suponhamos que o tecido nervoso esteja num estado de anemia transitória; nesse caso, essa circunstância diminui sua excitabilidade. É impossível, com esse expediente, deixar de levar em conta as lesões orgânicas.

Tentarei mostrar que pode haver modificação funcional sem lesão orgânica concomitante - ou, ao menos, sem lesão nitidamente perceptível até a mais minuciosa análise. Em outras palavras, darei um exemplo adequado de modificação de uma função primitiva; e, com essa finalidade, somente peço permissão para passar à área da psicologia - que dificilmente se pode evitar, em se tratando de histeria.

Estou de acordo com M. Janet quando diz que, na paralisia histérica, assim como na anestesia etc., o que está em questão é a concepção corrente, popular, dos órgãos e do corpo em geral. Essa concepção não se fundamenta num conhecimento profundo de neuroanatomia, mas nas nossas percepções tácteis e, principalmente, visuais. Se é isso o que determina as características da paralisia histérica, esta, naturalmente, deve mostrar-se ignorante e independente de qualquer noção da anatomia do sistema nervoso. Portanto, na paralisia histérica, a lesão será uma modificação da concepção, da idéia de braço, por exemplo. Mas que espécie de modificação será essa, capaz de produzir a paralisia?

Considerada do ponto de vista psicológico, a paralisia do braço consiste no fato de que a concepção do braço não consegue entrar em associação com as outras idéias constituintes do ego, das quais o corpo da pessoa é parte importante. A lesão, portanto, seria a abolição da acessibilidade associativa da concepção do braço. O braço comporta-se como se não existisse para as operações das associações. Não há dúvida de que, se as condições materiais correspondentes à concepção do braço estão profundamente modificadas, a concepção também será prejudicada. Mas tenho de demonstrar que esta consegue estar inacessível sem estar destruída e sem estar lesado o seu substrato material (o tecido nervoso da região correspondente do córtex).

Começarei mostrando alguns exemplos extraídos da vida social. Uma história cômica narra que um homem de grande lealdade não queria lavar a mão porque seu soberano a tinha tocado. A relação dessa mão com a imagem do rei parecia tão importante para a vida do homem que ele se recusava a deixar que a mão entrasse em qualquer outra relação. Estamos obedecendo ao mesmo impulso quando quebramos a taça em que bebemos à saúde de um par recém-casado. Na Antiguidade, as tribos selvagens que queimavam o cavalo do seu chefe morto, suas armas e até mesmo suas esposas, juntamente com seu corpo morto, estavam obedecendo à concepção segundo a qual ninguém jamais deveria tocá-los. A força de todas essas ações é evidente. A quantidade de afeto que devotamos à primeira associação de um objeto oferece resistência a que ela entre numa nova associação com outro objeto e, por conseguinte, torna a idéia do [primeiro] objeto inacessível à associação.

Não se trata de uma simples comparação; é quase a mesma coisa, quando passamos à esfera da psicologia das concepções. Se, numa associação, a concepção do braço está envolvida com uma grande quantidade de afeto, essa concepção será inacessível ao livre jogo das outras associações. O braço estará paralisado em proporção com a persistência dessa quantidade de afeto ou com a diminuição através de meios psíquicos apropriados. Esta é a solução do problema que levantamos, pois em todos os casos de paralisia histérica verificamos que o órgão paralisado ou a função abolida estão envolvidos numa associação subconsciente que é revestida de uma grande carga de afeto, e pode ser demonstrado que o braço tem seus movimentos liberados tão logo essa quantidade de afeto seja eliminada. Por conseguinte, a concepção do braço existe no substrato material, mas não está acessível às associações e impulsos conscientes, porque a totalidade de sua afinidade associativa está, por assim dizer, impregnada de uma associação subconsciente com a lembrança do evento, o trauma, que produziu a paralisia.

  1. Charcot foi o primeiro a nos ensinar que, para explicar a neurose histérica, devemos concentrar-nos na psicologia. Breuer e eu seguimos seu exemplo numa comunicação preliminar (1893a) “Sobre o Mecanismo Psíquico dos Fenômenos Histéricos”. Nesse artigo, mostramos que os sintomas permanentes da histeria que são descritos como “não-traumáticos” são explicados (com exceção dos estigmas) pelo mesmo mecanismo que Charcot identificou nas paralisias traumáticas. Mas também mostramos o motivo que explica a persistência desses sintomas e mostramos por que eles podem ser curados por um método especial de psicoterapia hipnótica. Todo evento, toda impressão psíquica é revestida de uma determinada carga de afeto (Affektbetrag) da qual o ego se desfaz, seja por meio de uma reação motora, seja pela atividade psíquica associativa. Se a pessoa é incapaz de eliminar esse afeto excedente ou se mostra relutante em fazê-lo, a lembrança da impressão passa a ter a importância de um trauma e se torna causa de sintomas histéricos permanentes.

A impossibilidade de eliminação torna-se evidente quando a impressão permanece no subconsciente. Denominamos a essa teoria “Das Abreagieren der Reizzuwächse”.

Para resumir, penso que está em completo acordo com nossa opinião geral acerca da histeria, já que conseguimos moldá-la segundo o ensinamento de M. Charcot, supor que a lesão, nas paralisias histéricas, não consiste senão na incapacidade do órgão ou função em exame de ter acesso às associações do ego consciente; que essa modificação puramente funcional (mesmo não estando afetada a concepção) é causada pela fixação dessa concepção numa associação subconsciente com a lembrança do trauma; e que essa concepção não fica liberada e acessível enquanto a carga de afeto do trauma psíquico não é eliminada por uma reação motora adequada ou pela atividade psíquica consciente. Mas, mesmo que não ocorra esse mecanismo, se uma idéia auto-sugestiva direta sempre é necessária para haver uma paralisia histérica, como se depreende dos casos clínicos de traumas de M. Charcot, conseguimos demonstrar qual teria de ser a natureza da lesão, ou melhor, da modificação, na paralisia histérica, a fim de explicar as diferenças entre esta e a paralisia cerebral orgânica.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Quanto as paralisias na sintomatologia orgânica, se existe um debilitamento desigual de diversas funções, é sempre a função mais complexa, a que foi adquirida recentemente, a que fica  mais afetada em consequência da paralisia.

O órgão paralisado ou a função abolida estão envolvidos numa associação psíquica que é revestida de grande carga de afeto, e podem ser liberados tão logo essa quantidade de afeto seja eliminada. Observamos aqui a presença do trauma e, portanto, dos Monstros e/ou dos Escravos que serão libertados pelos Heróis que favorecerão a psique individual a entender e assim, assimilar e acomodar seus processos necessários para liberar seu afeto que está preso causando o trauma, e causando a paralisia.

 

MATTANÓ

(08/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha quanto as paralisias na sintomatologia orgânica, se existe um debilitamento desigual de diversas funções, é sempre a função mais complexa, a que foi adquirida recentemente, a que fica mais afetada em consequência da paralisia.

O órgão paralisado ou a função abolida estão envolvidos numa associação psíquica que é revestida de grande carga de afeto, e podem ser liberados tão logo essa quantidade de afeto seja eliminada. Observamos aqui a presença do trauma e, portanto, dos Monstros e/ou dos Escravos que serão libertados pelos Heróis que favorecerão a psique individual a entender e assim, assimilar e acomodar seus processos necessários para liberar seu afeto que está preso causando o trauma, e causando a paralisia. Vemos aqui que a paralisia é resultante da presença do trauma que pode estar vinculado ao modo de relação socialista ou comunista, pois o socialista visa o fim do governo. A produção é distribuída de acordo com a contribuição de cada um. As diferenças de classe são amenizadas. Bens pessoais como casas e roupas são de propriedade privada do indivíduo, mas os meios de produção pertencem ao povo (ainda que controlados pelo Estado). E o comunista visa o total desaparecimento do governo. A produção é distribuída de acordo com as necessidades de cada um. As diferenças de classe são totalmente eliminadas. E a propriedade privada é abolida, todos os bens são comuns. Como em qualquer outro modo de relação, como o Democrático, o Liberal, o Monárquico ou o Imperial, temos processos de seriação, fusão, organização, institucionalização e burocracia que demandam processos psicológicos e comportamentais que por sua vez constróem significados e sentidos que criam redes de relações cada vez mais complexas que podem ser chamadas comportamentalmente de redes de equivalências de estímulos, que operam relações de reflexividade, simetria e transitividade continuamente e invariavelmente, de modo que se formem traumas psicológicos e comportamentais que podem ter origem das relações sociais, do conteúdo delas, seja ele, recalcado e inconsciente, doméstico, familiar e infantil ou subconsciente e consciente, cultural, de conhecimento, de realidade ou comportamental, de prazer e de reforço ou de dor e de punição, ou seja, segundo sua homeostase ou o equilíbrio de sua vida. Formam-se, pois, traumas que levarão ao trabalho psíquico de conversão dessa energia numa paralisia, por exemplo, de um membro, somente a liberação dessa energia e afeto poderão liberar o órgão ou membro paralisado, isto em função dos seus significados e sentidos e não em função do Socialismo e do Comunismo, mas sim em função do desenvolvimento psicossexual deste indivíduo, o Socialismo e o Comunismo servem apenas para estruturar o desenvolvimento psíquico e comportamental, senão também social de cada indivíduo, mas também para construir métodos para análise e interpretação da consciência, da cultura, do conhecimento, da realidade, do subconsciente, do comportamento e do inconsciente, da homeostase corporal.

 

MATTANÓ

(01/09/2025)

 

 

 

 

 

 

 

EXTRATOS DOS DOCUMENTOS DIRIGIDOS A FLIESS (1950 [1892-1899])

 

 

NOTA DO EDITOR INGLÊS

 

 

(a) EDIÇÃO ALEMÃ:

1950 Em Aus den Anfängen der Psychoanalyse, editado por Marie Bonaparte, Anna Freud e Ernst Kris. Londres: Imago Publishing Co.

 

(b) TRADUÇÃO INGLESA:

1954 Em The Origins of Psycho-Analysis, editado como acima. Londres: Imago Publishing Co.; Nova Iorque: Basic Books. (Trad. de Eric Mosbacher e James Strachey.)

 

A presente tradução inglesa, baseada na de 1954, foi inteiramente revista.

 

A história do relacionamento de Freud com Wilhelm Fliess (1858-1928) está narrada com detalhes no Capítulo XIII do primeiro volume da biografia de Freud por Ernest Jones (1953) e na introdução que Ernst Kris escreveu para os livros da bibliografia acima. Aqui basta explicar que Fliess, dois anos mais novo do que Freud, era médico especialista em nariz e garganta e residia em Berlim; com ele Freud manteve uma correspondência volumosa e íntima, entre 1887 e 1902. Fliess era um homem de grande capacidade, com interesses muito amplos em biologia geral; mas, nessa área, adotou teorias que atualmente são consideradas excêntricas e praticamente indefensáveis. Contudo, era mais acessível às idéias de Freud do que qualquer outro contemporâneo. Por conseguinte, Freud lhe comunicava seus pensamentos com a máxima liberdade, e o fazia não apenas em suas cartas, como também numa série de documentos (“Rascunhos”, como os chamamos aqui) que representavam relatos organizados de suas idéias em evolução e que, em alguns casos, são os primeiros esboços de obras posteriormente publicadas. O mais importante deles é o extenso documento - com umas quarenta mil palavras - a que demos o título de Projeto para uma Psicologia Científica. Mas toda a série de documentos, escritos durante os anos de formação das teorias psicanalíticas de Freud, que culminam com A Interpretação dos Sonhos, merece o mais atento estudo.

Esses documentos, e mesmo o fato da sua existência, eram totalmente desconhecidos até a época da Segunda Guerra Mundial. A melodramática história de sua descoberta e seu salvamento também foi narrada por Ernest Jones no mesmo capítulo de sua biografia. Nossa dívida principal em todo esse assunto é para com a Princesa Marie Bonaparte (Princesa George, da Grécia), que não só adquiriu os documentos imediatamente, como teve a extraordinária coragem de resistir aos intentos do autor deles, e seu mestre, de destruí-los.

Até agora, foi publicada somente uma seleção desses documentos (editada nos livros citados no cabeçalho desta nota). Para a Edição Standard, fizemos uma outra seleção a partir daquela seleção. Escolhemos (a) o Projeto para uma Psicologia Científica, (b) todos os “Rascunhos”, menos um deles, e (c) as partes das cartas que parecem ter uma conexão significativa com a história da psicanálise e a evolução dos pontos de vista de Freud. O leitor deverá ter em mente que o material desses rascunhos e cartas não foi projetado por seu autor para ser considerado uma expressão acabada de suas opiniões e que, muitas vezes, o material será articulado numa forma altamente condensada. Portanto, não há por que surpreender-se com a presença ocasional de incoerências e obscuridades.

A presente tradução inglesa baseia-se na versão alemã publicada nos Anfänge. Contudo, foi comparada com o manuscrito original e, nas passagens em que foram constatadas divergências significativas, estas foram corrigidas, sempre com uma nota explicativa. Para simplificar as referências, manteve-se a designação com letras e números dos rascunhos e cartas adotada nos Anfänge e nas Origins. Seguimos o critério dos organizadores dos Anfänge (por motivos que explicamos em [1]), ao destacar o Projeto do restante da correspondência e editá-lo no fim do volume.

 

RASCUNHO A

 

PROBLEMAS

 

(1) Será a angústia das neuroses de angústia derivada da inibição da função sexual ou da angústia ligada à etiologia dessas neuroses?

(2) Até que ponto uma pessoa sadia reage aos traumas sexuais posteriores de modo diferente de alguém predisposto pela masturbação? Apenas quantitativamente? Ou qualitativamente?

(3) Será o coitus reservatus simples (condom) um fator nocivo?

(4) Existirá uma neurastenia inata, com fraqueza sexual inata, ou será ela sempre adquirida na juventude? (Por meio das babás, da masturbação praticada por outra pessoa.)

(5) Será a hereditariedade algo mais que um multiplicador?

(6) O que é que participa da etiologia da depressão periódica?

(7) Será a anestesia sexual nas mulheres outra coisa que não um resultado da impotência? Poderá ela, por si mesma, provocar neuroses?

 

TESES

(1) Não existe nenhuma neurastenia ou neurose análoga sem distúrbio da função sexual.

(2) Este tem um efeito causal imediato, ou então atua como uma disposição para outros fatores, mas sempre de tal modo que, sem ele, os demais fatores não podem causar neurastenia.

(3) A neurastenia nos homens, dada sua etiologia, é acompanhada de relativa impotência.

(4) A neurastenia nas mulheres é uma conseqüência direta da neurastenia nos homens, por meio da redução da potência deles.

(5) A depressão periódica é uma forma de neurose de angústia, que, fora desta, manifesta-se em fobias e ataques de angústia.

(6) A neurose de angústia é, em parte, uma conseqüência da inibição da função sexual.

(7) O excesso simples e a sobrecarga de trabalho não são fatores etiológicos.

(8) A histeria, nas neuroses neurastênicas, indica a repressão dos afetos concomitantes.

GRUPOS [PARA OBSERVAÇÃO]

(1) Homens e mulheres que permaneceram sadios.

(2) Mulheres estéreis em que há ausência de traumas pela prevenção da gravidez no casamento.

(3) Mulheres infectadas por gonorréia.

(4) Homens de vida promíscua que têm gonorréia e que, por esse motivo, estão protegidos em todos os sentidos, tendo conhecimento de sua hipospermia.

(5) Membros que permaneceram sadios em famílias gravemente afetadas.

(6) Observações de países em que são endêmicas certas anormalidades sexuais específicas.

 

FATORES ETIOLÓGICOS

(1) Esgotamento devido a [formas de] satisfação anormais.

(2) Inibição da função sexual.

(3) Afetos concomitantes a essas práticas.

(4) Traumas sexuais anteriores ao início da idade da compreensão.

 

RASCUNHO B A ETIOLOGIA DAS NEUROSES

 

Estou escrevendo tudo uma segunda vez para você, meu caro amigo, e em prol de nossos trabalhos em comum. Naturalmente, você manterá este rascunho longe de sua jovem esposa.

  1. Pode-se tomar como fato reconhecido que a neurasteniaé uma conseqüência freqüente da vida sexual anormal. Contudo, a afirmação que quero fazer e comprovar por minhas observações é que a neurastenia é sempre apenasuma neurose sexual.

Adotei uma opinião semelhante (juntamente com Breuer) com relação à histeria. A histeria traumática era bem conhecida; o que afirmamos, além disso, foi que toda histeria que não é hereditária é traumática. Do mesmo modo, afirmo agora que toda neurastenia é sexual.

Por ora, deixaremos de lado a questão de saber se a disposição hereditária e, secundariamente, as influências tóxicas conseguem produzir a neurastenia verdadeira, ou se aquilo que parece ser neurastenia hereditária também remonta a um esgotamento sexual precoce. Se existe algo que se possa chamar neurastenia hereditária, cabe indagar se o status nervosus dos casos hereditários não deveria ser diferençado da neurastenia; que relações ela tem, afinal, com os sintomas correspondentes na infância, e assim por diante.

Portanto, em primeiro lugar, minha argumentação se restringirá à neurastenia adquirida. Por conseguinte, o que afirmo pode ser formulado da seguinte maneira. Na etiologia de uma afecção nervosa, devemos distinguir (1) a precondição necessária sem a qual o estado não pode surgir em absoluto e (2) os fatores desencadeantes. A relação entre esses dois elementos pode ser assim retratada: quando a precondição necessária atua de modo suficiente, a afecção se instala como conseqüência inevitável; quando não atua de modo suficiente, o resultado de sua atuação é, em primeiro lugar, uma disposição para a afecção, que deixa de ser latente tão logo sobrevém uma quantidade suficiente de um dos fatores secundários. Assim, o que falta para o efeito integral na etiologia primária pode ser substituído pela etiologia de segunda ordem; esta, contudo, é dispensável, ao passo que a de primeira ordem é imprescindível.

Se essa fórmula etiológica for aplicada a nosso caso atual, chegaremos à seguinte conclusão: apenas o esgotamento sexual pode, por si só, provocar neurastenia. Quando não consegue esse resultado por si mesmo, tem um efeito tal sobre a disposição do sistema nervoso que a doença física, os afetos depressivos e o excesso de trabalho (influências tóxicas) não mais podem ser tolerados sem [levar à] neurastenia. Sem o esgotamento sexual, porém, todos esses fatores são incapazes de gerar neurastenia. Acarretam fadiga normal, tristeza normal e fraqueza física normal, mas continuam apenas a evidenciar quanto “dessas influências prejudiciais uma pessoa normal consegue tolerar”.

Examinarei separadamente a neurastenia nos homens e nas mulheres.

A neurastenia masculina é adquirida na puberdade e se manifesta quando o paciente atinge a casa dos vinte anos. Sua origem é a masturbação, cuja freqüência tem completa correlação com a freqüência da neurastenia masculina. Podemos observar, no círculo de nossas relações (ao menos nas populações urbanas), que os indivíduos que foram seduzidos por mulheres em idade precoce escapam à neurastenia. Quando esse fator nocivo atua por um período prolongado e com intensidade, ele transforma a pessoa em questão num neurastênico sexual cuja potência fica igualmente prejudicada; a intensidade da causa tem correlação com a persistência desse estado por toda a vida. Uma prova adicional da conexão causal está no fato de que um neurastênico sexual sempre é, ao mesmo tempo, um neurastênico geral.

Se o fator nocivo não foi suficientemente intenso, ele terá (de acordo com a fórmula dada acima) um efeito sobre a disposição do paciente; desse modo, se, posteriormente, intervierem fatores precipitantes, ele provocará neurastenia, que esses fatores isoladamente não teriam produzido. Trabalho intelectual - neurastenia cerebral; atividade sexual normal - neurastenia medular etc.

Nos casos intermediários, encontramos a neurastenia da juventude, que tipicamente começa e segue sua evolução acompanhada de dispepsia etc., e que cessa com o casamento.

O segundo fator nocivo, que afeta homens em idade mais avançada, exerce seu impacto sobre um sistema nervoso que ou está intacto ou foi predisposto à neurastenia pela masturbação. A questão é saber se esse fator pode acarretar resultados prejudiciais mesmo no primeiro caso; é provável que sim. Seu efeito é patente no segundo caso, em que ele revive a neurastenia da juventude e cria novos sintomas. Esse segundo fator nocivo é o onanismus conjugalis - o coito incompleto, com a finalidade de evitar a gravidez. Quanto aos homens, todos os métodos utilizados para conseguir isso parecem equivaler-se: atuam com intensidade variável, conforme a disposição prévia da pessoa, mas, de fato, não diferem qualitativamente. Mesmo o coito normal não é tolerado pelos que têm uma disposição intensa ou pelos neurastênicos crônicos; e, além disso, a intolerância ao condom, ao coito extravaginal e ao coitus interruptus cobra seu tributo. Um homem sadio tolerará todos esses métodos por longo tempo, mas não indefinidamente. Depois de certo tempo, comporta-se como o indivíduo portador de uma predisposição. Sua única vantagem em relação ao masturbador é o privilégio de uma latência mais prolongada, ou o fato de que, em cada ocasião, ele necessita de uma causa precipitante. Nisso o coitus interruptus prova ser o principal fator nocivo e produz seu efeito característico mesmo em indivíduos não-predispostos.

 

Neurastenia feminina. Normalmente, as meninas são sadias e não-neurastênicas; e isto é também para as jovens mulheres casadas, apesar de todos os traumas sexuais desse período da vida. Em casos relativamente raros, a neurastenia em sua forma pura surge em mulheres casadas e em mulheres não-casadas de mais idade; deve-se então pensar que surgiu espontaneamente e do mesmo modo [? que nos homens]. Com muito maior freqüência, a neurastenia numa mulher casada decorre da neurastenia existente no homem, ou é produzida simultaneamente. Nesse caso, quase sempre há uma mistura de histeria, e temos então a neurose mista comum da mulheres.

A neurose mista das mulheres decorre da neurastenia existente nos homens, em todos os casos não raros em que o homem, sendo neurastênico sexual, sofre de limitações na sua potência. A mistura com a histeria resulta diretamente do refreamento da excitação do ato. Quanto mais reduzida a potência do homem, mais predominante é a histeria da mulher; assim, um homem sexualmente neurastênico torna sua mulher não tanto neurastênica, mas histérica.

Essa neurose surge, juntamente com a neurastenia dos homens, durante o segundo impacto dos fatores nocivos sexuais, que é de significação maior para a mulher, supondo-se que seja sadia. Assim, encontramos muito mais homens neuróticos durante a primeira década da puberdade e muito mais mulheres neuróticas durante a segunda. No caso das mulheres, isso resulta dos fatores nocivos devidos à evitação da gravidez. Não é fácil classificá-los e, de modo geral, nenhum deles deve ser considerado inteiramente inócuo para as mulheres; de modo que, mesmo nos casos mais favoráveis (condom), as mulheres, sendo parceiros sexuais mais escrupulosos, dificilmente escaparão de neurastenia discreta. Evidentemente, muita coisa dependerá das duas predisposições: se (1) a mulher era neurastênica antes do casamento ou se (2) tornou-se histérico-neurastênica durante o período de relações sexuais livres [sem preservativos].

  1. Neurose de angústia. Todos os casos de neurastenia caracterizam-se, indubitavelmente, por uma certa diminuição da autoconfiança, uma expectativa pessimista e uma inclinação para idéias antitéticas aflitivas. Contudo, a questão é saber se o surgimento proeminente desse fator [angústia], sem estarem os outros sintomas especialmente desenvolvidos, não deveria ser destacado como uma “neurose de angústia” independente, particularmente tendo em conta que esta pode ser encontrada não menos freqüentemente na histeria do que na neurastenia.

A neurose de angústia surge sob duas formas: como um estado crônico e como um ataque de angústia. As duas formas podem combinar-se facilmente; e um ataque de angústia nunca ocorre sem sintomas crônicos. Os ataques de angústia são mais comuns nas formas ligadas à histeria - são, portanto, mais freqüentes em mulheres. Os sintomas crônicos são mais comuns em homens neurastênicos. Os sintomas crônicos são: (1) angústia relacionada com o corpo (hipocondria); (2) angústia em relação ao funcionamento do corpo (agorafobia, claustrofobia, vertigem em lugares altos); (3) angústia relacionada com as decisões e a memória - isto é, as fantasias de alguém a respeito de seu próprio funcionamento psíquico (folie de doute, ruminações obsessivas etc.). Até este momento, não tive nenhuma razão para não tratar desses sintomas como sendo equivalentes. De resto, a questão é a seguinte: (1) em que medida esse estado emerge nos casos hereditários, sem qualquer fator nocivo sexual, (2) se ele é desencadeado, no casos hereditários, por algum fator nocivo sexual, (3) se ele se acrescenta, sob a forma de intensificação, à neurastenia comum. Não há dúvida de que é adquirido, e especialmente por homens e mulheres casados, durante o segundo período de fatores nocivos sexuais, através do coitus interruptus. Não penso que, para isso, seja necessária uma predisposição devida a uma neurastenia anterior; mas, quando falta a predisposição, a latência é maior. A fórmula causal é a mesma da neurastenia [em [1]].

Os casos mais raros de neurose de angústia fora do casamento são encontrados especialmente nos homens. No final, revelam-se como casos de congressus interruptus em que o homem se envolve psiquicamente de forma intensa com mulheres cujo bem-estar constitui, para ele, tema de preocupação. Esse procedimento, em tais condições, é um fator nocivo de maior importância para o homem do que o coitus interruptus no casamento, de vez que este é e freqüentemente corrigido, por assim dizer, pelo coito normal fora do casamento.

 

Devo examinar a depressão periódica, um ataque de angústia com duração de semanas ou meses, como uma terceira forma de neurose de angústia. Essa forma de depressão, em contraste com a melancolia propriamente dita, quase sempre tem uma conexão aparentemente racional com um trauma psíquico. Este, no entanto, é apenas a causa precipitante. Ademais, essa depressão periódica não é acompanhada por anestesia [sexual] psíquica, que é característica da melancolia [em [1]].

Tive a possibilidade de estabelecer como causa de numerosos casos dessa espécie o coitus interruptus; seu início era tardio, durante o casamento, depois do nascimento do último filho. Num caso de uma torturante neurastenia que começou na puberdade, pude comprovar a existência de uma violência sexual no oitavo ano de vida. Um outro caso, que durava desde a infância, veio a revelar-se como reação histérica a uma violência sexual sob a forma de masturbação. Assim, não posso dizer se, nesses casos, estamos diante de formas verdadeiramente hereditárias sem uma causa sexual; e, por outro lado, não sei dizer se o coitus interruptus, por si mesmo, pode ser incriminado nesses casos, nem se a disposição hereditária é sempre prescindível.

Omitirei as neuroses ocupacionais, pois, como lhe disse, nelas foram demonstradas modificações nos componentes musculares.

CONCLUSÕES

Depreende-se do que eu disse que as neuroses são inteiramente evitáveis como também inteiramente incuráveis. A tarefa do médico desloca-se totalmente para a profilaxia.

A primeira parte dessa tarefa, a prevenção do fator nocivo sexual do primeiro período, coincide com profilaxia contra a sífilis e a gonorréia, pois estes são os fatores nocivos que ameaçam todo aquele que abandona a masturbação. A única alternativa seriam as relações sexuais livres entre rapazes e moças respeitáveis; isto, contudo, só poderia ser adotado se houvesse métodos inócuos de evitar a gravidez. Não sendo assim, as alternativas são: masturbação, neurastenia masculina e histero-neurastenia na mulher, ou então sífilis no homem, sífilis na geração seguinte, gonorréia no homem, gonorréia e esterilidade na mulher.

 

O mesmo problema - um meio inócuo de controlar a concepção - é trazido pelo trauma sexual do segundo período, pois o condom não proporciona uma solução segura nem aceitável para quem já é neurastênico.

Na ausência de tal solução, a sociedade parece condenada a cair vítima de neuroses incuráveis, que reduzem a um mínimo o gozo da vida, destroem a relação conjugal e trazem a ruína hereditária a toda a geração seguinte. As camadas inferiores da sociedade nada sabem do malthusianismo, mas estão em plena procura e, do jeito que as coisas vão, atingirão o mesmo ponto e serão vitimadas pela mesma fatalidade.

Assim, o médico se defronta com um problema cuja solução merece todo o seu empenho.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Sobre a telepatia podemos especular que ela é hereditária ou é numa hipótese muito remota, fruto de sintomas  correspondentes na infância correlatos aos seus eventos ambientais, como os traumáticos, dependendo assim de fatores desencadeantes, havendo ou não a precondição. Mesmo sendo hereditária, a telepatia, depende de 4 fatores diferentes para ser desencadeada: ou é desencadeada permanentemente, ou nunca é desencadeada, ou é desencadeada e para de se agir, ou até certa época está desativada e noutro momento passa a ser ativada; os genes tem estes 4 comportamentos.

 

MATTANÓ

(09/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha ao estudar sobre a telepatia podemos especular que ela é hereditária ou é numa hipótese muito remota, fruto de sintomas correspondentes na infância correlatos aos seus eventos ambientais, como os traumáticos, dependendo assim de fatores desencadeantes, havendo ou não a precondição. Mesmo sendo hereditária, a telepatia, depende de 4 fatores diferentes para ser desencadeada: ou é desencadeada permanentemente, ou nunca é desencadeada, ou é desencadeada e para de se agir, ou até certa época está desativada e noutro momento passa a ser ativada; os genes tem estes 4 comportamentos. É assim também no mundo e na realidade virtuais ou no mundo metafórico do Socialismo e do Comunismo, pois os fatores hereditários independem dos fatores virtuais, ideológicos, culturais ou metafóricos, até mesmo partidários e dos modos de se relacionar, pois a variabilidade genética de uma população ou nação é muito grande, ainda mais se ela tem cruzamentos com outros povos e outras nações, etnias, raças e culturas, pois as culturas podem definir quem se reproduz e quem não se reproduz numa sociedade ou família. Portanto a telepatia é muito mais uma questão genética e hereditária do que cultural e tecnológica, segundo esta abordagem.

 

MATTANÓ

(07/09/2025)

 

 

 

 

CARTA 14

 

…As coisas se complicam cada vez mais, à medida que chega a confirmação. Ontem, por exemplo, vi quatro casos novos cuja etiologia, como evidenciado pelos dados cronológicos, só poderia ser o coitus interruptus. Talvez eu possa mantê-lo interessado, fazendo um breve relato desses casos. Eles estão longe de ser uniformes.

(1) Mulher, 41 anos; filhos, com 16, 14, 11 e 7 anos. Problemas nervosos nos últimos 12 anos; passou bem nos períodos de gravidez; recaída, posteriormente; não piorou com a última gravidez. Ataques de vertigem com sensação de fraqueza, agorafobia, expectativa ansiosa, nenhum indício de neurastenia, histeria pouca. Etiologia confirmada: [neurose de angústia] simples.

(2) Mulher, 24 anos; filhos de 4 e 2 anos. Desde a primavera de ‘93, ataques de dor (nas costas até o esterno) à noite, com insônia; quanto ao mais, nada de especial; durante o dia, bem. Marido, caixeiro-viajante; esteve em casa por algum tempo na primavera e agora. No verão, enquanto o marido estava fora, sentia-se muito bem. Coitus interruptus e muito receio de ter filhos. Histeria, portanto.

 

(3) Homem, 42 anos: filhos de 17, 16 e 13 anos. Esteve bem até há seis anos. Aí, com a morte do pai, súbito ataque de angústia com palpitações, temores hipocondríacos de câncer da língua; vários meses depois, um segundo ataque, com cianose, pulso intermitente, medo de morrer etc.; a partir de então, fraqueza, vertigem, agorafobia, alguma dispepsia. Este é um caso de neurose de angústia pura, acompanhado de sintomas cardíacos subseqüentes a uma emoção; contudo, o coitus interruptus foi aparentemente tolerado com facilidade durante dez anos. [1]

(4) Homem, 34 anos. Perda do apetite nos últimos três anos; dispepsia há um ano, com perda de 20 quilos, constipação. Quando esses sintomas cessaram, passou a sentir violenta pressão intracraniana nas ocasiões em que soprava o siroco; ataques de fraqueza com sensações correlatas e espasmos clônicos histeriformes. Nesse caso, portanto, predomina a histeria. Tem um filho de cinco anos de idade. Desde então, coitus interruptus devido a uma doença da mulher. Mais ou menos na mesma época em que se recuperou da dispepsia, foram reiniciadas as relações sexuais normais.

Em vista dessas reações aos mesmos fatores nocivos, é preciso coragem para insistir na natureza específica dos seus efeitos, tal como a concebo. E, no entanto, deve ser assim; há determinados pontos que ligam todos esses quatro casos (neurose de angústia simples - histeria simples - neurastenia com histeria).

Em (1), uma mulher muito inteligente, não havia receio de ter filhos; ela tem uma neurose de angústia simples.

Em (2), uma mulher jovem, agradável e obtusa, a angústia era muito intensa; depois de breve período, teve histeria pela primeira vez.

O caso (3), com neurose de angústia e sintomas cardíacos, era um homem muito potente e fumante inveterado.

O caso (4), pelo contrário, era (sem se ter masturbado) apenas moderadamente potente - frígido.

 

RASCUNHO D: SOBRE A ETIOLOGIA E A TEORIA DAS PRINCIPAIS NEUROSES

 

  1. CLASSIFICAÇÃO

Introdução. Histórico. Diferenciação gradual das neuroses. O curso de evolução dos meus próprios pontos de vista.

  1. Morfologia das Neuroses.

(1) Neurastenia e as pseudoneurastenias.

(2) Neurose de angústia.

(3) Neurose obsessiva.

(4)Histeria.

(5) Melancolia, Mania.

(6) As neuroses mistas.

(7) Ramificações das neuroses e transições para o normal.

 

  1. Etiologia das Neuroses(provisoriamente restrita às neuroses adquiridas).

(1) Etiologia da neurastenia - Tipo de neurastenia congênita.

(2) Etiologia da neurose de angústia.

(3) da neurose obsessiva e da histeria.

(4) da melancolia.

(5) da neuroses mistas.

(6) A fórmula etiológica básica [em [1], atrás]. - A tese da especificidade [da etiologia]; a análise do conjunto das neuroses.

(7) Os fatores sexuais em sua significação etiológica.

(8) Exame dos pacientes.

(9) Objeções e Provas.

(10) Conduta das pessoas assexuais.

 

  1. Etiologia e Hereditariedade.

Os tipos hereditários. - Relação da etiologia com a degeneração, com as psicoses e com a predisposição.

  1. TEORIA
  2. Pontos de Contacto com a Teoria da Constância.

Aumento interno e externo do estímulo; excitação constante e passageira. - Soma, uma característica da excitação interna. Reação específica. - Formulação e exposição da teoria da constância. - Interposição do ego, com acumulação da excitação.

  1. O Processo Sexual à Luz da Teoria da Constância.

A via seguida pela excitação no processo sexual masculino e feminino. - A via seguida pela excitação na presença de fatores sexuais nocivos etiologicamente operantes. - Teoria de uma substância sexual. - O diagrama esquemático sexual.

  1. Mecanismo das Neuroses.

As neuroses como perturbações do equilíbrio devidas ao aumento da dificuldade de descarga. - Tentativas de ajustamento, limitadas em sua eficácia. - Mecanismo das diferentes neuroses em relação à sua etiologia sexual. - Afetos e neuroses.

  1. Paralelo entre as neuroses da sexualidade e a fome.
  2. Resumo da teoria da constância e da teoria da sexualidade e das neuroses.

Lugar das neuroses na patologia; fatores a que elas estão sujeitas; leis que regem sua combinação. - Inadequação psíquica, desenvolvimento, degeneração etc.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

A telepatia e a lavagem cerebral como perturbações do equilíbrio devido ao aumento da dificuldade de descarga se enquadram como tentativas de ajustamento, limitadas em sua eficácia.

 

MATTANÓ

(09/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a telepatia e a lavagem cerebral como perturbações do equilíbrio devido ao aumento da dificuldade de descarga se enquadram como tentativas de ajustamento, limitadas em sua eficácia. Seja lá qual for a sua realidade e o seu mundo virtuais, o Socialista ou o Comunista, ou seja lá qual for a sua metáfora, Socialista ou Comunista, a telepatia e a lavagem cerebral são tentativas de ajustamento, porém limitadas em sua eficácia, pois dependem da paranormalidade alienígena.

 

MATTANÓ

(10/09/2025)

 

 

 

 

 

CARTA 18

 

…Existe ainda uma centena de lacunas, grandes e pequenas, em minhas idéias a respeito das neuroses. Mas estou-me aproximando de um ponto de vista abrangente e de alguns critérios gerais de abordagem. Conheço três mecanismos: transformações do afeto (histeria de conversão), deslocamento do afeto (obsessões) e (3) troca de afeto (neurose de angústia e melancolia). Em todos os casos, é a excitação sexual que parece sofrer essas alterações, mas o estímulo para elas não é, em todos os casos, algo sexual. Ou seja, em todos os casos em que as neuroses são adquiridas, elas o são devido a perturbações na vida sexual; mas existem pessoas nas quais o comportamento de seus afetos sexuais é perturbado hereditariamente, e elas desenvolvem as formas correspondentes de neuroses hereditárias. Os aspectos mais gerais a partir dos quais posso classificar as neuroses são os seguintes:

(1) Degeneração.

(2) Senilidade. E o que significa isto?

(3) Conflito

(4) Conflagração.

Degeneração: significa o comportamento inatamente anormal dos afetos sexuais; desse modo, os processos da conversão, do deslocamento e da transformação em angústia ocorrem na proporção em que os afetos sexuais desempenham um papel no decurso da vida.

Senilidade: é evidente. Por assim dizer, é uma degeneração normalmente adquirida na velhice.

Conflito: coincide com minha concepção de defesa [rechaço]; compreende os casos de neurose adquirida em pessoas que não são hereditariamente anormais. O que é rechaçado é sempre a sexualidade.

Conflagração: é uma concepção nova. Significa o que se pode chamar de degeneração aguda (por exemplo, nas intoxicações graves, nas febres, no estágio inicial da paralisia geral) - ou seja, catástrofes em que há perturbações dos afetos sexuais sem causas desencadeantes sexuais. Talvez as neuroses traumáticas pudessem ser abordadas sob esse enfoque.

Naturalmente, o ponto central e principal de todo esse assunto continua sendo o fato de que, em conseqüência de determinados fatores nocivos sexuais, até mesmo as pessoas sadias podem adquirir as diferentes formas de neurose. O acesso a uma visão mais ampla é proporcionado pelo fato de que, nos casos em que uma neurose se desenvolve sem um fator nocivo, pode-se demonstrar a presença, desde o início, de uma perturbação similar dos afetos sexuais. “Afeto sexual”, naturalmente, é tomado no seu sentido mais amplo, como uma excitação de quantidade definida.

Posso apresentar-lhe o meu mais recente exemplo para apoiar essa tese:

Um homem de 42 anos, forte e elegante, de repente desenvolveu uma dispepsia neurastênica, aos 30 anos, perdendo uns 25 quilos de peso, e a partir daí viveu uma vida limitada e neurastênica. Na época em que isso aconteceu, aliás, ele tinha combinado seu casamento e estava emocionalmente abalado pela doença da noiva. Salvo esse aspecto, porém, não havia fatores sexuais nocivos. Ele se masturbou mais ou menos por um ano, dos 16 anos aos 17 anos; dos 17 em diante, passou a ter relações sexuais normais; muito raramente, coitus interruptus; nenhum excesso, nenhuma abstinência. Ele próprio atribui a causa à sobrecarga a que submeteu sua constituição até a idade de 30 anos: trabalhava, bebia e fumava muito, levava uma vida irregular. Mas esse homem vigoroso, sujeito [apenas] a fatores nocivos corriqueiros, nunca (nunca, entre os 17 e os 30 anos) foi propriamente potente: jamais conseguiu praticar mais de um coito em cada ocasião; sempre ejaculava rapidamente, nunca fez pleno uso de seu sucesso [inicial] junto às mulheres, nunca conseguiu penetrar com facilidade a vagina. Qual era a origem de sua limitação? Não sei dizer. O interessante, todavia, é que isso estava presente justamente nele. Aliás, tratei de duas de suas irmãs, portadoras de neuroses; uma delas está entre as minhas mais bem-sucedidas curas de dispepsia neurastênica.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Podemos classificar a telepatia assim:

  1. Degeneração: significa o comportamento inatamente anormal, onde os processos psíquicos desempenham um papel no decurso da vida.
  2. Senilidade: é uma degeneração adquirida na velhice.
  3. Conflito: ocorre onde os processos psíquicos entram em defesa ou conflito.
  4. Conflagração: é uma degeneração aguda.

 

MATTANÓ

(09/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a telepatia pode ser classificada assim:

  1. Degeneração: significa o comportamento inatamente anormal, onde os processos psíquicos desempenham um papel no decurso da vida.
  2. Senilidade: é uma degeneração adquirida na velhice.
  3. Conflito: ocorre onde os processos psíquicos entram em defesa ou conflito.
  4. Conflagração: é uma degeneração aguda.

Da mesma forma os processos psíquicos na telepatia são assim classificados, tanto no

Socialismo como no Comunismo, como metáforas culturais.

 

MATTANÓ

(10/09/2025)

 

 

 

 

RASCUNHO E: COMO SE ORIGINA A ANGÚSTIA

 

Com mão certeira você tocou na questão que penso ser o ponto fraco. Tudo o que sei a respeito é o seguinte:

Logo ficou claro para mim que a angústia de meus pacientes neuróticos tinha muito a ver com a sexualidade; e me chamou especialmente a atenção a certeza com que o coitus interruptus praticado numa mulher conduz à neurose de angústia. Comecei, então, a seguir diversas pistas falsas. Achei que a angústia de que sofrem os pacientes devia ser considerada um prolongamento da angústia experimentada durante o ato sexual - ou seja, que era, na realidade, um sintoma histérico. Na verdade, são por demais evidentes as conexões entre a neurose de angústia e a histeria. Duas coisas poderiam originar o sentimento de angústia no coitus interruptus: na mulher, o receio de ficar grávida e, no homem, a preocupação de seu artifício [preventivo] poder falhar. A partir de uma série de casos, convenci-me de que a neurose de angústia também surgia em situações em que, para as duas pessoas envolvidas, a eventualidade de virem a ter um filho basicamente não representava uma questão de maior importância. Assim, a angústia da neurose de angústia não era continuada, relembrada, histérica.

Um segundo ponto, extremamente importante, ficou definido para mim a partir da seguinte observação. A neurose de angústia afeta tanto as mulheres que são frígidas no coito como as que têm sensibilidade. Esse aspecto é interessante, e só pode significar que a origem da angústia não deve ser buscada na esfera psíquica. Por conseguinte, deve estar radicada na esfera física: é um fator físico da vida sexual que produz a angústia. Mas que fator?

 

Tendo em mira esse ponto, reuni os casos em que encontrei a angústia originando-se de uma causa sexual. Em princípio, eles me pareceram muito heterogêneos:

(1) Angústia das pessoas virgens (observações e informações sexuais, prenúncios da vida sexual); confirmada por numerosos exemplos, em ambos os sexos, predominantemente no sexo feminino. Não raro, existe um indício de uma ligação intermediária - uma sensação semelhante à ereção, que aparece nos genitais.

(2) Angústia das pessoas voluntariamente abstinentes, das beatas (um tipo de neuropata), de homens e mulheres que se caracterizam pelo rigor excessivo e por uma paixão pela limpeza, que consideram horrível tudo o que é sexual. As mesmas pessoas tendem a transformar sua ansiedade em fobias, atos obsessivos, folie de doute.

(3) Angústia da pessoas obrigatoriamente abstinentes: mulheres que são esquecidas por seus maridos ou não são satisfeitas devido à falta de potência. Essa forma de neurose de angústia certamente pode ser adquirida e, devido a circunstâncias concomitantes, combina-se muitas vezes com a neurastenia.

(4) Angústia das mulheres que vivem a prática do coitus interrruptus ou, o que é parecido, das mulheres cujos maridos sofrem de ejaculação precoce - portanto, pessoas em que a estimulação física não é satisfeita.

(5) Angústia dos homens que praticam o coitus interruptus e mesmo dos homens que se excitam de diferentes maneiras e não empregam sua ereção para o coito.

(6) Angústia dos homens que vão além do seu desejo ou da sua força, pessoas de mais idade cuja potência está diminuindo, mas que, ainda assim, se impõem a prática do coito.

(7) Angústia das pessoas que se abstêm ocasionalmente: homens jovens que se casaram com mulheres de mais idade, por quem na verdade sentem repulsa; ou neurastênicos que foram desviados da masturbação pelo trabalho intelectual, sem compensá-la através do coito; ou homens cuja potência começa a enfraquecer e que, no casamento, abstêm-se das relações sexuais por causa de sensações post coitum [cf. em [1]].

Nos demais casos, não ficou evidenciada a ligação entre a angústia e a vida sexual. (Poderia ser estabelecida teoricamente.)

 

Como juntar todos esses casos separados? O que há de comum neles, com maior freqüência, é a abstinência. Depois de constatar o fato de que mesmo as mulheres frígidas estão sujeitas à angústia após o coitus interruptus, somos levados a dizer que se trata de uma questão de acumulação física de excitação - isto é, uma acumulação de tensão sexual física. A acumulação ocorre como conseqüência de ter sido evitada a descarga. Assim a neurose de angústia é uma neurose de represamento, como a histeria; daí a sua semelhança. E visto que absolutamente nenhuma angústia está contida no que é acumulado, a situação se define dizendo-se que a angústia surge por transformação a partir da tensão sexual acumulada.

Aqui se pode intercalar algum conhecimento que nesse meio tempo se obteve acerca do mecanismo da melancolia. Com freqüência muito especial verifica-se que os melancólicos são anestéticos. Não têm necessidade de relação sexual (e não têm a sensação correlata). Mas têm um grande anseio pelo amor em sua forma psíquica - uma tensão erótica psíquica, poder-se-ia dizer. Nos casos em que esta se acumula e permanece insatisfeita, desenvolve-se a melancolia. Aqui, pois, poderíamos ter a contrapartida da neurose de angústia. Onde se acumula tensão sexual física - neurose de angústia. Onde se acumula tensão sexual psíquica - melancolia.

Mas por que ocorre essa transformação em angústia quando há uma acumulação? Nesse ponto devemos examinar o mecanismo normal para lidar com a tensão acumulada. O que nos interessa aqui é o segundo caso - o caso da excitação endógena. As coisas são mais simples no caso da excitação exógena. A fonte da excitação situa-se externamente e envia para dentro da psique um acréscimo de excitação que é manejado de acordo com sua quantidade. Para esse propósito, basta qualquer reação que reduza em igual quantidade a excitação psíquica. [Cf. em [1].]

 

Mas as coisas se passam de modo diverso no caso da tensão endógena, cuja fonte se situa dentro do corpo do indivíduo (fome, sede, pulsão sexual). Nesse caso, só têm utilidade as reações específicas - reações que evitem novo surgimento de excitação nos órgãos terminais em questão, sejam essas reações exeqüíveis com maior ou menor gasto [de energia]. Aqui podemos supor que a tensão endógena cresce contínua ou descontinuamente, mas, de qualquer modo, só é percebida quando atinge um determinado limiar. É somente acima desse limiar que a tensão passa a ter significação psíquica, que entra em contacto com determinados grupos de idéias que, com isso, passam a buscar soluções. Assim, a tensão sexual física acima de certo nível desperta a libido psíquica, que então induz ao coito etc. Quando a reação específica deixa de se realizar, a tensão físico-psíquica (o afeto sexual) aumenta desmedidamente. Torna-se uma perturbação, mas ainda não há base para sua transformação. Contudo, na neurose de angústia, essa transformação de fato ocorre, o que sugere a idéia de que, nessa neurose, as coisas se desvirtuam da seguinte maneira: a tensão física aumenta, atinge o nível do limiar em que consegue despertar afeto psíquico, mas, por algum motivo, a conexão psíquica que lhe é oferecida permanece insuficiente: um afeto sexual não pode ser formado, porque falta algo nos fatores psíquicos. Por conseguinte, a tensão física, não sendo psiquicamente ligada, é transformada em - angústia.

Se aceitarmos a teoria até esse ponto, teremos de insistir em que deve haver, na neurose de angústia, um déficit constatável de afeto sexual na libido psíquica. E isso se confirma pela observação. Quando essa correlação é posta diante de alguma paciente, ela sempre se indigna e declara que, pelo contrário, agora já não tem nenhum desejo etc. Os pacientes do sexo masculino muitas vezes confirmam, como fato observado, que, após passarem a sofrer de angústia, não sentiram nenhum desejo sexual.

 

Vejamos agora se esse mecanismo concorda com os diferentes casos enumerados acima.

(1) Angústia das pessoas virgens. Nesse caso, o conjunto de idéias que deve captar a tensão física ainda não está presente, ou está presente apenas de maneira insuficiente; e, além disso, existe uma recusa psíquica que é um resultado secundário da educação. Esse exemplo se enquadra muito bem.

(2) Angústia das pessoas excessivamente pudicas. Nesse caso, o que existe é a defesa - uma completa rejeição psíquica que impossibilita qualquer transformação da tensão sexual. É também nesses casos que encontramos numerosas obsessões. Outro exemplo muito adequado.

(3) Angústia nos casos de abstinência forçosa. É essencialmente a mesma, pois a maioria das mulheres desse tipo cria uma rejeição psíquica destinada a evitar a tentação. Nesse caso, a rejeição é uma contingência; em (2) trata-se de algo fundamental.

(4) Angústia das mulheres, decorrente de coitus interruptus. Nesse caso, o mecanismo é mais simples. Trata-se de excitação endógena que não se origina [espontaneamente], mas é induzida, embora não em quantidade suficiente para que seja capaz de despertar afeto psíquico. Efetua-se artificialmente um alheamento entre o ato físico-sexual e sua transformação psíquica. Quando, depois disso, a tensão endógena aumenta ainda mais por sua própria conta, ela não consegue ser transformada e gera angústia. Nesse caso, a libido pode estar presente, mas não ao mesmo tempo que a angústia. Desse modo, aqui, a rejeição psíquica é seguida de alheamento psíquico; a tensão de origem endógena é acompanhada por uma tensão induzida.

(5) Angústia dos homens em decorrência do coitus interruptus ou do coitus reservatus. O caso do coitus reservatus é mais claro; o coitus interruptus pode ser considerado, em parte, subordinado a ele. Também nesse caso, trata-se de um afastamento psíquico, pois a atenção é voltada para um outro objetivo e mantida afastada da transformação da tensão física. Contudo, provavelmente há que aprimorar a explicação para o coitus interruptus.

(6) Angústia que acompanha a diminuição da potência ou a libido insuficiente. De vez que, nesses casos, não ocorre a transformação da tensão física em angústia, por causa da senilidade, a explicação estaria no fato de que é insuficiente o desejo psíquico que pode ser concentrado para o ato em questão.

(7)Angústia dos homens em conseqüência de aversão, ou dos neurastênicos abstinentes. O primeiro caso não requer uma explicação nova; o outro, dos neurastênios abstinentes, talvez seja uma forma atenuada de neurose de angústia, pois em geral isso só acontece propriamente em homens potentes. Pode ser que o sistema nervoso neurastênico não consiga tolerar uma acumulação de tensão física, pois a masturbação implica o habituar-se a uma freqüente e completa ausência de tensão.

No seu todo, a concordância não é tão precária assim. Nos casos em que há um considerável desenvolvimento da tensão sexual física, mas esta não pode ser convertida em afeto pela transformação psíquica - por causa do desenvolvimento insuficiente da sexualidade psíquica, ou por causa da tentativa de suprimi-la (defesa), ou por causa do declínio da mesma, ou por causa do alheamento habitual entre sexualidade física e psíquica -, a tensão sexual se transforma em angústia. Assim, nisso desempenham um papel a acumulação de tensão física e a evitação da descarga no sentido psíquico.

Mas por que a transformação se faz precisamente em angústia? Angústia é a sensação de acumulação de um outro estímulo endógeno, o estímulo de respirar, um estímulo que é incapaz de ser psiquicamente elaborado à parte o próprio respirar; portanto, a angústia poderia ser empregada para a tensão física acumulada em geral. Além disso, se examinarmos mais detidamente os sintomas da neurose de angústia, encontraremos nela os componentes separados de um grande ataque de angústia, ou seja, dispnéia isolada, palpitações isoladas, sensação de angústia isolada, ou uma combinação desses elementos. Vistas mais de perto, estas são as vias de inervação que a tensão psicossexual comumente percorre, mesmo quando está por ser transformada psiquicamente. A dispnéia e as palpitações fazem parte do coito; e, conquanto sejam habitualmente utilizadas somente como vias auxiliares de descarga, aqui, por assim dizer, servem como as únicas saídas para a excitação. Na neurose de angústia, existe uma espécie de conversão, tal como ocorre na histeria (mais um exemplo de sua semelhança [em [1]]); contudo, na histeria, é a excitação psíquica que toma um caminho errado, exclusivamente em direção à área somática, ao passo que aqui é uma tensão física,que não consegue penetrar no âmbito psíquico e, portanto, permanece no trajeto físico. As duas se combinam com extrema freqüência.

Foi esse o ponto a que consegui chegar por ora. As lacunas precisam muito ser preenchidas. Penso que tudo isso está incompleto: falta-me algo; mas creio que os fundamentos estão corretos. Naturalmente, tudo isso ainda não está maduro para ser publicado. Sugestões, ampliações e certamente refutações e explicações serão recebidas com a máxima gratidão.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Podemos especular sobre a angústia assim:

  1. Angústia das pessoas virgens originando-se de uma causa sexual, fraternal e/ou de segurança: observações e informações a respeito do tema, prenúncios desses comportamentos.
  2. Angústia das pessoas voluntariamente abstinentes, das beatas, originando-se de uma causa sexual, fraternal e/ou de segurança: pessoas que consideram horrível tudo o que é sexual, dão exacerbado valor a fraternidade e colocam em risco a sua segurança, transformam sua ansiedade em fobias.
  3. Angústia das pessoas obrigatoriamente abstinentes originadas de uma causa sexual, fraternal e/ou de segurança: pessoas que são esquecidas por seus companheiros e outros que ficam impotentes sexualmente.
  4. Angústia das mulheres que vivem a prática do coitus interruptus, pessoas em que a estimulação física não é satisfeita.
  5. Angústia dos homens que praticam o coitus interruptus, que se excitam mas não empregam sua ereção para o coito.
  6. Angústia dos homens que vão além do seu desejo ou da sua força, pessoas de mais idade cuja potência está diminuindo, mas se impõem à prática do coito.
  7. Angústia das pessoas que se abstêm ocasionalmente originando-se de uma causa sexual, fraternal e/ou de segurança: jovens que se casaram com mulheres de mais idade e sentem repulsa; indivíduos que foram desviados da masturbação para o trabalho intelectual, sem compensá-la através do coito; indivíduos cuja potência começa a enfraquecer.

A angústia surge por represamento, pela abstinência, nenhuma angústia está contida no

que é acumulado, mas surge por transformação, a partir da tensão acumulada.

 

 

MATTANÓ

(10/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha Podemos especular sobre a angústia assim:

  1. Angústia das pessoas virgens originando-se de uma causa sexual, fraternal e/ou de segurança: observações e informações a respeito do tema, prenúncios desses comportamentos.
  2. Angústia das pessoas voluntariamente abstinentes, das beatas, originando-se de uma causa sexual, fraternal e/ou de segurança: pessoas que consideram horrível tudo o que é sexual, dão exacerbado valor a fraternidade e colocam em risco a sua segurança, transformam sua ansiedade em fobias.
  3. Angústia das pessoas obrigatoriamente abstinentes originadas de uma causa sexual, fraternal e/ou de segurança: pessoas que são esquecidas por seus companheiros e outros que ficam impotentes sexualmente.
  4. Angústia das mulheres que vivem a prática do coitus interruptus, pessoas em que a estimulação física não é satisfeita.
  5. Angústia dos homens que praticam o coitus interruptus, que se excitam mas não empregam sua ereção para o coito.
  6. Angústia dos homens que vão além do seu desejo ou da sua força, pessoas de mais idade cuja potência está diminuindo, mas se impõem à prática do coito.
  7. Angústia das pessoas que se abstêm ocasionalmente originando-se de uma causa sexual, fraternal e/ou de segurança: jovens que se casaram com mulheres de mais idade e sentem repulsa; indivíduos que foram desviados da masturbação para o trabalho intelectual, sem compensá-la através do coito; indivíduos cuja potência começa a enfraquecer.

A angústia surge por represamento, pela abstinência, nenhuma angústia está contida no

que é acumulado, mas surge por transformação, a partir da tensão acumulada.

A angústia não depende do modo de relação, seja ele Socialista ou Comunista, ela faz parte da vida, do desenvolvimento e do amadurecimento, do envelhecimento, do enfraquecimento, contudo ajuda a construir as metáforas ou os significados e os sentidos (as metonímias), aqui culturais, do Socialismo e do Comunismo.

 

MATTANÓ

(10/09/2025)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RASCUNHO F: COLEÇÃO III

 

18 de agosto de 1894.Nº 1.

Neurose de angústia:disp. hered.

Herr K., 27 anos.

Pai em tratamento por melancolia senil; irmã, O., bom caso de neurose de angústia complicada, cuidadosamente analisado; todos os membros da família K. são neuróticos e de constituição geniosa. Primo do Dr. K., em Bordéus. - Boa saúde até há pouco tempo; tem dormindo mal nos últimos nove meses; em fevereiro e março, acordava muitas vezes, com pesadelos e palpitações; excitabilidade geral aumentando gradualmente; remissão dos sintomas devido a manobras militares, que lhe fizeram muito bem. Há três semanas, no início da noite, súbito ataque de angústia, sem razão [aparente], com sensação de congestão desde o peito até a cabeça. Interpretou que isso significava que, necessariamente, algo de terrível estava por acontecer; sem opressão concomitante, apenas discretas palpitações. Posteriormente, ataques semelhantes também durante o dia, na hora da refeição do meio-dia.Há duas semanas, consultou um médico; melhorou com o brometo; o estado ainda continua, mas dorme bem. Também durante as duas últimas semanas, breves ataques de profunda depressão, assemelhando-se a completa apatia, durante apenas alguns minutos. Melhorou somente aqui em R[eichenau]. Além disso, acessos de pressão na parte posterior da cabeça.

Ele próprio tomou a iniciativa de dar informações sobre sua vida sexual. Há um ano, apaixonou-se por uma moça com quem flertava; grande choque ao saber que ela estava noiva de outro. Não está mais apaixonado atualmente. - Atribui pouca importância ao fato. - Prosseguiu: masturbava-se entre os 13 e os 16 ou 17 anos (seduzido no colégio), moderadamente, disse ele. Moderado nas relações sexuais; nos últimos 2 anos e meio, tem feito uso do condom, por medo de infecção; depois de tais relações, muitas vezes se sente fraco. Descreveu esse tipo de relações como forçadas. Verifica que sua libido diminuiu muito durante o último ano. Ficava excitadíssimo sexualmente em seu relacionamento com a moça (sem tocá-la etc.) Seu primeiro ataque, à noite (fevereiro), ocorreu dois dias após uma relação sexual; seu primeiro ataque de angústia se deu após relação sexual, na mesma noite; a partir de então (três semanas), abstinente - um homem tranqüilo, de maneiras afáveis e, afora isso, sadio.

18 de agosto de 1894.Discussão do Nº 1

Ao procurarmos interpretar o caso de K., uma coisa nos chama especialmente a atenção. O homem tem uma disposição hereditária: seu pai sofre de melancolia, talvez melancolia de angústia; a irmã tem uma típica neurose de angústia; conheço intimamente essa neurose, mas, não fosse por isso, eu decerto a descreveria como adquirida. Isso dá motivo para pensar em sua hereditariedade. Na família K., provavelmente existe apenas uma “disposição” (uma tendência a adoecer cada vez com maior gravidade em resposta à etiologia típica), e não uma “degeneração”. Podemos, pois, supor que, no caso de Herr K., a discreta neurose de angústia se desenvolveu a partir de uma etiologia discreta. Onde buscá-la, sem preconceito?

Em primeiro lugar, parece-me tratar-se de um estado de enfraquecimento da sexualidade. A libido desse homem vinha diminuindo há algum tempo; os preparativos para usar um condom são o bastante para que ele sinta que todo o ato é algo que lhe é forçado, e o prazer derivado do ato, algo a que foi induzido. Sem dúvida, esse é o nó de toda essa questão. Após o coito, muitas vezes se sente enfraquecido; como diz, ele percebe isso e então, dois dias depois de um coito, ou, conforme o caso, na mesma noite, tem seus primeiros ataques de angústia.

A confluência do declínio da libido e da neurose de angústia se ajusta sem dificuldade à minha teoria. Há uma debilidade no domínio psíquico da excitação sexual somática. Essa fraqueza tem estado presente há algum tempo e possibilita o aparecimento da angústia quando há um aumento casual da excitação somática.

Como foi adquirido esse enfraquecimento psíquico? Não se poderia esperar maiores conseqüências de sua masturbação na juventude; ela certamente não teria dado esses resultados, especialmente porque não parece ter ultrapassado as medidas habituais. Seu relacionamento com a moça, que muito o excitava sensualmente, parece muito mais apto a ter como efeito uma perturbação nesse sentido; de fato, o caso se assemelha às conhecidas condições das neuroses dos homens durante os noivados prolongados. Acima de tudo, porém, não se pode duvidar de que o temor de infecção e a decisão de usar um condom constituíram o motivo daquilo que descrevi como o fator do alheamento entre o somático e o psíquico [em [1]]. O efeito seria o mesmo do caso do coitus interruptus nos homens. Em resumo, Herr K. desenvolveu uma fraqueza sexual psíquica porque por si mesmo arruinou o coito, e, estando intactas sua saúde física e a produção de estímulos sexuais, a situação deu origem à produção de angústia. Podemos dizer que sua decisão de tomar precauções, em vez de procurar satisfação adequada num relacionamento seguro, mostra que sua sexualidade, já de início, não tinha muito vigor. O homem tinha uma disposição hereditária; a etiologia que pode ser encontrada nesse caso, embora seja qualitativamente importante, seria tolerada sem maiores prejuízos por um homem sadio - isto é, um homem vigoroso.

Um aspecto interessante desse caso é o aparecimento de um estado de espírito tipicamente melancólico em ataques de curta duração. Isso deve ter importância teórica para a neurose de angústia devida ao alheamento; por ora, posso apenas fazer o registro disso.

 

20 de agosto de 1894. Nº 2.Herr von F., Budapeste, 44 anos.

Homem fisicamente sadio, ele se queixa de que “está perdendo sua vivacidade e o prazer de viver, de uma forma que não é natural num homem da sua idade”. Esse estado - em que tudo lhe parece indiferente, em que considera seu trabalho uma carga pesada e se sente mal-humorado e debilitado - é acompanhado de intensa pressão no alto e também na parte posterior da cabeça. Ademais, esse estado se caracteriza por má digestão - isto é, aversão à comida, flatulência e prisão de ventre. Também parece dormir mal.

No entanto, o estado é evidentemente intermitente. Dura, a cada vez, uns 4 ou 5 dias, e se dissipa lentamente. Pela flatulência, ele percebe que a fraqueza nervosa está chegando. Há intervalos de 12 a 14 dias, e ele chega a passar bem durante várias semanas. Têm ocorrido até mesmo períodos melhores, com duração de meses. Ele insiste em que as coisas têm estado assim nos últimos 25 anos. Como acontece tantas vezes, tem-se de começar a compor o quadro clínico, pois ele fica repetindo monotonamente suas queixas e declara não ter prestado atenção a outros eventos. Assim, os contornos indeterminados dos ataques, bem como sua completa irregularidade no tempo, fazem parte do quadro. Naturalmente, ele atribui a culpa do seu estado à digestão…

Organicamente sadio; sem preocupações ou perturbações emocionais de gravidade. Quanto à sexualidade: masturbação entre os 12 e os 16 anos; depois, relações muito regulares com mulheres; não se sentia muito atraído; casado nos últimos 14 anos, teve somente 2 filhos, o último há 10 anos; nesse intervalo e desde então, somente uso de condom e nenhuma outra técnica. Nos últimos anos, nítida diminuição da potência. Coito a cada 12 ou 14 dias, mais ou menos; muitas vezes, há também longos intervalos. Admite que, após coito com o uso do condom, sente-se enfraquecido e infeliz; mas não logo depois, só dois dias mais tarde - ou, como diz, tem notado que, dois dias depois, tem problemas digestivos. Por que usa condom? Não se deve ter filhos demais! ([Ele tem] 2.)

 

Discussão.

Um caso benigno, mas muito característico, de depressão periódica, melancolia. Sintomas: apatia, inibição, pressão intracraniana, dispepsia, insônia - o quadro está completo.

Há uma inequívoca semelhança com a neurastenia, e a etiologia é a mesma. Tenho alguns casos bastante parecidos: são masturbadores (Herr A.) e têm também um traço hereditário. Os von F. são reconhecidamente psicopatas. Assim, trata-se de um caso de melancolia neurastênica; deve haver aí um ponto de contato com a teoria da neurastenia.

É bem possível que o ponto de partida de uma melancolia de menor importância, como a que vimos, possa ser sempre o ato do coito: um exagero do ditado da filosofia “omne animal post coitum triste”. Os intervalos de tempo provariam se este é ou não o caso. O homem sente melhoras a cada série de tratamentos, a cada ausência de casa - isto é, em cada período em que se vê livre do coito. Naturalmente, como afirma, ele é fiel à esposa. O uso do condom é uma prova de pouca potência; sendo algo parecido com a masturbação, é uma causa contínua de sua melancolia.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

No primeiro caso podemos especular que o paciente produz angustia como no caso do coitus interruptus nos homens, que se excitam mas não empregam sua ereção para o coito, desenvolvendo uma fraqueza sexual psíquica porque por si só arruinou o coito.

     Ele se encontra na fase onde o chamado pode ser recusado. É sempre possível desviar a

atenção para outras coisas na vida real, não com menos frequência em mitos e ritos como os sexuais. A recusa transforma o herói em vítima a ser salva, assim seu mundo tornar-se-á um deserto cheio de obstáculos e um sentimento de grande falta de sentido, sua casa será a casa da morte, um labirinto para se esconder, trará problemas para si mesmo e sua gradual desintegração. O recuso se manifesta como a obtenção da proteção da atual realidade de valores, ideias, virtudes, objetivos e vantagens. Essas fixações representam uma impotência de abandonar o passado com sua esfera de relacionamentos e ideias emocionais infantis. São os muros da infância onde pai e mãe são os guardiões do acesso, da alma atemorizada, com medo das sansões, onde não consegue passar pela porta e alcançar o nascimento para o mundo exterior. Algumas das vítimas ficam assim a vida toda enquanto que outras não para sempre, destinadas as serem salvas.

No segundo caso, de melancolia, o paciente com pouca potência sente melhoras quando se vê longe de sua casa e portanto, se vê livre do coito.

     Ele está enfrentando a fase onde o chamado pode ser recusado. É sempre possível

desviar a atenção para outras coisas na vida real, não com menos frequência em mitos e ritos sexuais, por exemplo. A recusa transforma o herói em vítima a ser salva, assim seu mundo tronar-se-á um deserto cheio de obstáculos e um sentimento de grande falta de sentido, sua casa será a casa da morte, um labirinto para se esconder, trará problemas para si mesmo e sua gradual desintegração. O recuso se manifesta como a obtenção da proteção da atual realidade de valores, ideias, virtudes, objetivos e vantagens. Essas fixações representam uma impotência de abandonar o passado com sua esfera de relacionamentos e ideias emocionais infantis. São os muros da infância onde pai e mãe são os guardiões do acesso, da alma atemorizada, com medo das sansões, onde não consegue passar pela porta e alcançar o nascimento para o mundo exterior. Algumas das vítimas ficam assim a vida toda enquanto que outras não para sempre, destinadas as serem salvas.

Notamos que nos dois casos os pacientes devem enfrentar o mundo, sua casa, sua família, seus relacionamentos, seus casamentos, suas vidas sexuais se não quiserem serem vítimas ou indivíduos semelhantes a crianças presas nos muros da infância onde o mundo exterior, ou seja, a vida sexual ou o coito saudável torna-se fundamental. Se você quer ser salvo jamais recuse o chamado que te salva!

 

MATTANÓ

(10/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha no primeiro caso podemos especular que o paciente produz angustia como no caso do coitus interruptus nos homens, que se excitam mas não empregam sua ereção para o coito, desenvolvendo uma fraqueza sexual psíquica porque por si só arruinou o coito.

Ele se encontra na fase onde o chamado pode ser recusado. É sempre possível desviar a atenção para outras coisas na vida real, não com menos frequência em mitos e ritos como os sexuais. A recusa transforma o herói em vítima a ser salva, assim seu mundo tornar-se-á um deserto cheio de obstáculos e um sentimento de grande falta de sentido, sua casa será a casa da morte, um labirinto para se esconder, trará problemas para si mesmo e sua gradual desintegração. O recuso se manifesta como a obtenção da proteção da atual realidade de valores, ideias, virtudes, objetivos e vantagens. Essas fixações representam uma impotência de abandonar o passado com sua esfera de relacionamentos e ideias emocionais infantis. São os muros da infância onde pai e mãe são os guardiões do acesso, da alma atemorizada, com medo das sansões, onde não consegue passar pela porta e alcançar o nascimento para o mundo exterior. Algumas das vítimas ficam assim a vida toda enquanto que outras não para sempre, destinadas as serem salvas.

No segundo caso, de melancolia, o paciente com pouca potência sente melhoras quando se vê longe de sua casa e portanto, se vê livre do coito.

Ele está enfrentando a fase onde o chamado pode ser recusado. É sempre possível desviar a atenção para outras coisas na vida real, não com menos frequência em mitos e ritos sexuais, por exemplo. A recusa transforma o herói em vítima a ser salva, assim seu mundo tornar-se-á um deserto cheio de obstáculos e um sentimento de grande falta de sentido, sua casa será a casa da morte, um labirinto para se esconder, trará problemas para si mesmo e sua gradual desintegração. O recuso se manifesta como a obtenção da proteção da atual realidade de valores, ideias, virtudes, objetivos e vantagens. Essas fixações representam uma impotência de abandonar o passado com sua esfera de relacionamentos e ideias emocionais infantis. São os muros da infância onde pai e mãe são os guardiões do acesso, da alma atemorizada, com medo das sansões, onde não consegue passar pela porta e alcançar o nascimento para o mundo exterior. Algumas das vítimas ficam assim a vida toda enquanto que outras não para sempre, destinadas as serem salvas.

Notamos que nos dois casos os pacientes devem enfrentar o mundo, sua casa, sua família, seus relacionamentos, seus casamentos, suas vidas sexuais se não quiserem serem vítimas ou indivíduos semelhantes a crianças presas nos muros da infância onde o mundo exterior, ou seja, a vida sexual ou o coito saudável torna-se fundamental. Se você quer ser salvo jamais recuse o chamado que te salva! Aqui você pode se tornar um adulto tanto no Socialismo quanto no Comunismo, pois temos aqui apenas modos de relação social ou culturas onde cada indivíduo está inserido e sendo modelado, adquirindo repertório comportamental para sua jornada ou Trajetória da Vida e dos Heróis, para enfrentar o mundo e superar os muros da infância, se adaptando a realidade, a cultura, ao conhecimento e a consciência de sua época, para que supere as adversidades e exigências ambientais da evolução, seleção natural, competição e involução das espécies, indivíduos e culturas.

 

MATTANÓ

(10/09/2025)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CARTA 21

 

…Só reuni uns poucos casos esta segunda-feira.

Nº 3.

Dr. Z., médico, 34 anos. Por muitos anos, tem sofrido de sensibilidade orgânica nos olhos: fosfenos [clarões], ofuscação, escotomas etc. Isso tem aumentado consideravelmente, a ponto de impedi-lo de trabalhar nos últimos quatro meses (desde a época de seu casamento). Antecedentes: masturbação desde os 14 anos de idade, aparentemente continuada até esses últimos anos. Casamento não consumado, potência muito reduzida; aliás, tomadas providências para o divórcio.

Caso típico evidente de hipocondria num determinado órgão em um masturbador, em períodos de excitação sexual. É interessante que a formação médica atinja uma profundidade tão rasa.

 

Nº 4.

Her D., sobrinho de Frau A., que morreu histérica. Família altamente neurótica. Idade, 28 anos. Há algumas semanas tem sofrido de lassidão, pressão intracraniana, pernas bambas, potência reduzida, ejaculação precoce e dos pródromos da perversão: as jovens muito novas o excitam em grau maior do que as de mais idade.

Alega que, desde o início, sua potência foi instável; admite a masturbação, mas não muito prolongada; atualmente, anda numa fase de abstinência. Antes disto, estados de angústia no início da noite.

Será que ele fez uma confissão completa?

 

RASCUNHO G: MELANCOLIA

 

I

Os fatos que temos diante de nós parecem ser assim:

(A) Existem notáveis correlações entre a melancolia e a anestesia [sexual]. Isso foi estabelecido (1) pela verificação de que, em muitos melancólicos, houve uma longa história prévia de anestesia, (2) pela descoberta de que tudo o que provoca anestesia favorece o desenvolvimento da melancolia, (3) pela existência de um tipo de mulheres, psiquicamente muito exigentes, nas quais o desejo intenso facilmente se transforma em melancolia, e que são frígidas.

(B)A melancolia se desenvolve como intensificação da neurastenia, através da masturbação.

(C)A melancolia surge numa combinação típica com a angústia intensa.

(D)A forma típica e extrema da melancolia parece ser a forma hereditária periódica ou cíclica.

 

II

A fim de obtermos algum proveito desse material, precisamos estabelecer alguns pontos de partida fixos. Estes parecem ser proporcionados pelas seguintes considerações:

(a)O afeto correspondente à melancolia é o luto - ou seja, o desejo de recuperar algo que foi perdido. Assim, na melancolia, deve tratar-se de uma perda - uma perda na vida pulsional.

(b)A neurose nutricional paralela à melancolia é a anorexia. A famosa anorexia nervosa das moças jovens, segundo me parece (depois de cuidadosa observação), é uma melancolia em que a sexualidade não se desenvolveu. A paciente afirma que não se alimenta simplesmente porque não tem nenhum apetite; não há qualquer outro motivo. Perda do apetite - em termos sexuais, perda da libido.

Portanto, não seria muito errado partir da idéia de que a melancolia consiste em luto por perda da libido.

Restaria saber se essa fórmula explica a ocorrência e as características dos pacientes melancólicos. Discutirei isso com base no diagrama esquemático da sexualidade.

 

III

 

Com base no diagrama esquemático da sexualidade [Fig. 1], de que me tenho utilizado freqüentemente, passarei agora a examinar as condições sob as quais o grupo sexual psíquico (ps. S) sofre uma perda na quantidade de

 

  1. QUADRO ESQUEMÁTICO DA SEXUALIDADE

 

sua excitação. Aqui, são possíveis dois casos: (1) quando a produção de s. S. (excitação sexual somática) diminuiu ou cessa, e (2) quando a tensão sexual é desviada por ps. S. [grupo sexual psíquico]. O primeiro caso, em que cessa a produção de s. S. [excitação sexual somática], é provavelmente o que caracteriza a melancolia grave comum propriamente dita, que reaparece periodicamente, ou a melancolia cíclica, na qual se alternam períodos de aumento e cessação da produção. Ademais, podemos supor que a masturbação excessiva, que, segundo nossa teoria, conduz a uma excessiva descarga de E. (o órgão efetor) e, com isso, a um baixo nível de estímulo em E. - a masturbação excessiva passa a afetar a produção de s. S. [excitação sexual somática] e a causar uma redução duradoura de s. S., levando, conseqüentemente, a um enfraquecimento do p. S. [grupo sexual psíquico]. Essa é a melancolia neurastênica. O [segundo] caso, no qual a tensão sexual é desviada do p. S. [grupo sexual psíquico], embora a produção de s. S. [excitação sexual somática] não esteja diminuída, pressupõe que a s. S. [excitação sexual somática] é utilizada em outra parte - na fronteira [entre o somático e o psíquico]. Este, contudo, é o fator determinante da angústia; e, por conseguinte, isso coincide com o caso da melancolia de angústia, uma forma mista que reúne neurose de angústia e melancolia.

Assim sendo, nesta discussão estão explicadas as três formas de melancolia, que realmente devem ser diferenciadas.

 

IV

 

Como é que a anestesia desempenha esse papel na melancolia?

De acordo com o diagrama esquemático [Fig. 1], existem os tipos de anestesia que se seguem.

A anestesia, realmente, sempre consiste na omissão de V. (a sensação voluptuosa), que deve ser dirigida para o ps. S. [grupo sexual psíquico] após a ação reflexa que descarrega o órgão efetor. A sensação voluptuosa é medida pela quantidade da descarga.

(a)O E. [órgão efetor] não está completamente provido de carga; daí a descarga no coito ser pequena, e a V. [sensação voluptuosa], muito reduzida: o caso da frigidez.

(b)O trajeto desde a sensação até a ação reflexa está prejudicado, de modo que a ação não é suficientemente forte. Nesse caso, também é reduzida a descarga de V.: é o caso da anestesia masturbatória, da anestesia do coitus interruptus etc.

 

(c)Tudo o mais está em ordem; só que a V. não é admitida no ps. G. [grupo sexual psíquico] por estar vinculada numa outra direção (com a repulsa-defesa): esta é a anestesia histérica, inteiramente análoga à anorexia nervosa (repulsa).

Em que grau, pois, a anestesia favorece a melancolia?

No caso (a), de frigidez, a anestesia não é a causa da melancolia, mas um sinal de predisposição para a melancolia. Isso se coaduna com o Fato A (1), mencionado no começo deste artigo [em [1]]. Em outros casos, a anestesia é a causa da melancolia, pois o ps. G. [grupo sexual psíquico] é intensificado pela introdução de V. e enfraquecido por sua ausência. (Fundamentado em teorias gerais da vinculação da excitação na memória.) O Fato A (2) é assim levado em conta [em [1]].

Disto se conclui que é possível a pessoa sofrer de anestesia sem ser melancólica, pois a melancolia está relacionada com a falta de s. S. [excitação sexual somática], ao passo que a anestesia se relaciona com a ausência de V. No entanto, a anestesia é um sinal ou um pródromo da melancolia, pois o p. S. [grupo sexual psíquico] fica tão enfraquecido pela ausência de V. como pela ausência de s. S. [excitação sexual somática].

 

V

 

Torna-se necessário verificar por que a anestesia é tão predominantemente característica das mulheres. Isso tem origem no papel passivo desempenhado por elas. Um homem com anestesia logo deixa de empreender qualquer relação sexual; a mulher não tem escolha. As mulheres tornam-se frígidas mais facilmente porque:

(1)toda a sua educação se faz no sentido de não despertarem s. S.[excitação sexual somática], e sim de transformarem em estímulos psíquicos todas as excitações que de outro modo teriam esse efeito - isto é, de dirigirem a linha pontilhada [no diagrama esquemático, Fig. 1] do objeto sexual inteiramente para o ps. G. [grupo sexual psíquico]. Isso é necessário porque, se houvesse uma vigorosa s. S. [excitação sexual somática], o ps. G. [grupo sexual psíquico] logo adquiriria tal intensidade, intermitentemente, que, como ocorre no caso dos homens, traria o objeto sexual para uma situação favorável, por meio de uma reação específica [em [1]]. Mas das mulheres exige-se que renunciem ao arco da reação específica; em lugar

 

 

Fig. 2

 

disso, delas se exigem ações específicas que atraiam o homem para a ação específica. A tensão sexual é mantida em nível reduzido, seu acesso ao ps. G. [grupo sexual psíquico], na medida do possível, é vedado, e a força indispensável do ps. G. é suprida de uma outra maneira. Quando o ps G. entra num estado de desejo intenso, então, em vista do reduzido nível [de tensão] no E. [órgão efetor], esse estado é facilmente transformado em melancolia. O ps G., por si mesmo, comporta pouca resistência. Aqui temos o tipo juvenil e imaturo de libido, e as mulheres exigentes e frígidas, mencionadas acima [Fato A (3), em [1]], são simplesmente uma continuação desse tipo.

(2)As mulheres [tornam-se frígidas mais facilmente do que os homens] porque, muitas vezes, chegam ao ato sexual (casam) sem amor - ou seja, com menos s. S. [excitação sexual somática] e tensão em E. Nesse caso, são frígidas e continuam a sê-lo.

O reduzido nível de tensão em E. parece encerrar a principal predisposição à melancolia. Em pessoas desse tipo, toda neurose assume facilmente um cunho melancólico. Assim, enquanto os indivíduos potentes adquirem facilmente neuroses de angústia, os impotentes tendem à melancolia.

 

VI

E agora, como se explicam os efeitos da melancolia? A melhor descrição dos mesmos: inibição psíquica, com empobrecimento pulsional e o respectivo sofrimento.

Podemos imaginar que, quando o ps. G. [grupo sexual psíquico] se defronta com uma grande perda da quantidade de sua excitação, pode acontecer uma retração para dentro (por assim dizer) na esfera psíquica, que produz um efeito de sucção sobre as quantidades de excitação contíguas. Os neurônios associados são obrigados a desfazer-se de sua excitação, o que produz sofrimento. [Fig. 2.] Desfazer associações é sempre doloroso. Com isso, instala-se um empobrecimento da excitação (no seu depósito livre) - uma hemorragia interna, por assim dizer - que se manifesta nas outras pulsões e funções. Essa retração para dentro atua de forma inibidora, como uma ferida, num modo análogo ao da dor (cf. a teoria da dor física). (Uma contrapartida disso seria apresentada pela mania, na qual o excedente de excitação se comunica a todos os neurônios associados [Fig. 3].)

 

 

Fig. 3

 

Aqui, pois, há uma semelhança com a neurastenia. Nesta, acontece um empobrecimento muito semelhante, porque é como se, digamos, a excitação escapasse através de um buraco. Mas, nesse caso, o que escapa pelo buraco é s. S. [excitação sexual somática]; na melancolia, o buraco é na esfera psíquica. Contudo, o empobrecimento neurastênico pode estender-se à esfera psíquica. E, realmente, as manifestações são tão parecidas que alguns casos só podem ser diferençados com dificuldade.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Os impotentes tendem a melancolia. A melancolia causa inibição psíquica, com emboprecimento pulsional e o respectivo sofrimento.

A melancolia caracteriza-se pelo enfrentamento na fase onde o chamado pode ser recusado. É

sempre possível desviar a atenção para outras coisas na vida real, não com menos frequência em mitos e ritos sexuais, por exemplo, causando sofrimento psíquico. A recusa transforma o herói em vítima a ser salva, assim seu mundo tornar-se-á um deserto cheio de obstáculos e um sentimento de grande falta de sentido, sua casa será a casa da morte, um labirinto para se esconder, trará problemas para si mesmo e sua gradual desintegração, sua vida sexual será marcada pela impotência. O recuso se manifesta como a obtenção da proteção da atual realidade de valores, ideias, virtudes, objetivos e vantagens. Essas fixações representam uma impotência de abandonar o passado com sua esfera de relacionamentos e ideias emocionais infantis. São os muros da infância onde pai e mãe são os guardiões do acesso, da alma atemorizada, com medo das sansões, onde não consegue passar pela porta e alcançar o nascimento para o mundo exterior. Algumas das vítimas ficam assim a vida toda enquanto que outras não para sempre, destinadas as serem salvas.

Os pacientes devem enfrentar o mundo, sua casa, sua família, seus relacionamentos, seus casamentos, suas vidas sexuais se não quiserem ser vítimas ou indivíduos semelhantes a crianças presas nos muros da infância onde o mundo exterior, ou seja, a vida sexual ou o coito saudável torna-se fundamental. Se você quer ser salvo jamais recuse o chamado que te salva!

MATTANÓ

(12/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha os impotentes tendem a melancolia. A melancolia causa inibição psíquica, com emboprecimento pulsional e o respectivo sofrimento.

A melancolia caracteriza-se pelo enfrentamento na fase onde o chamado pode ser recusado. É sempre possível desviar a atenção para outras coisas na vida real, não com menos frequência em mitos e ritos sexuais, por exemplo, causando sofrimento psíquico. A recusa transforma o herói em vítima a ser salva, assim seu mundo tornar-se-á um deserto cheio de obstáculos e um sentimento de grande falta de sentido, sua casa será a casa da morte, um labirinto para se esconder, trará problemas para si mesmo e sua gradual desintegração, sua vida sexual será marcada pela impotência. O recuso se manifesta como a obtenção da proteção da atual realidade de valores, ideias, virtudes, objetivos e vantagens. Essas fixações representam uma impotência de abandonar o passado com sua esfera de relacionamentos e ideias emocionais infantis. São os muros da infância onde pai e mãe são os guardiões do acesso, da alma atemorizada, com medo das sansões, onde não consegue passar pela porta e alcançar o nascimento para o mundo exterior. Algumas das vítimas ficam assim a vida toda enquanto que outras não para sempre, destinadas as serem salvas.

Os pacientes devem enfrentar o mundo, sua casa, sua família, seus relacionamentos, seus casamentos, suas vidas sexuais se não quiserem ser vítimas ou indivíduos semelhantes a crianças presas nos muros da infância onde o mundo exterior, ou seja, a vida sexual ou o coito saudável torna-se fundamental. Se você quer ser salvo jamais recuse o chamado que te salva! O chamado existe e prevalece, seja lá qual for o modo de relação, ou metáfora cultural, Socialismo ou Comunismo, o indivíduo continua sua jornada e sua Trajetória da Vida e dos Heróis, pois este evento é um evento herdado da nossa história evolutiva, seletiva, competitiva e involutiva enquanto espécie, indivíduos e culturas que tem que se adaptar a realidade do corpo e do cérebro que controlam através da sua interconectividade, o organismo do Homo Sapiens num dado momento sócio-histórico, diante das contingências do universo que selecionam a adaptação como manutenção de sua força, poder e intensidade, perante a sua funcionalidade que organiza e reorganiza a sua equilibração ou homeostase, resposta para o prazer e o reforço ou para a dor e a punição de maneira interconectada tanto corporalmente quanto cerebralmente e mentalmente.

 

MATTANÓ

(10/09/2025)

 

 

 

 

 

RASCUNHO H: PARANÓIA

 

Na psiquiatria, as idéias delirantes situam-se ao lado das idéias obsessivas como distúrbios puramente intelectuais, e a paranóia situa-se ao lado da loucura obsessiva como um psicose intelectual. Se as obsessões já foram atribuídas a uma perturbação afetiva e se encontrou prova de que elas devem sua força a um conflito, então a mesma opinião deve ser válida para os delírios, e também estes devem ser conseqüência de distúrbios afetivos, e sua força deve estar radicada num processo psicológico. Os psiquiatras aceitam o contrário desse fato, ao passo que os leigos tendem a atribuir a loucura delirante a eventos mentais desagregadores. “Um homem que não perde a razão diante de determinadas coisas não tem nenhuma razão para perder.”

 

Ora, sucede que a paranóia, na sua forma clássica, é um modo patológico de defesa, tal como a histeria, a neurose obsessiva e a confusão alucinatória. As pessoas tornam-se paranóicas diante de coisas que não conseguem tolerar, desde que para isso tenham a predisposição psíquica característica.

Em que consiste essa predisposição? Nenhuma tendência para aquilo que representa a caracterização psíquica da paranóia; e esta, nós a estudaremos mediante um exemplo.

Uma mulher solteira, já não muito nova (cerca de trinta anos), morava numa casa com o irmão e a irmã [mais velha]. Pertencia à classe trabalhadora superior; seu irmão trabalhou até tornar-se um pequeno industrial. Nesse meio tempo, alugaram um quarto a um colega de trabalho, um homem muito viajado, um tanto enigmático, muito talentoso e inteligente. Ele morou na companhia deles durante um ano e mantinha [com essa família] um relacionamento muito amável e comunicativo. A seguir, foi-se embora, mas voltou seis meses mais tarde. Dessa vez, ficou morando na casa por um tempo relativamente breve, e então desapareceu definitivamente. As irmãs, muitas vezes, costumavam lamentar sua ausência e não podiam senão falar bem dele. Não obstante, a irmã mais nova contou à mais velha um episódio em que ele fizera uma tentativa de deixá-la em dificuldade. Ela estava fazendo a arrumação dos quartos, enquanto ele ainda estava na cama. Ele a chamou para junto da cama e quando, inadvertidamente, ela obedeceu, ele colocou o pênis na mão dela. A cena não teve seqüência, e bem pouco tempo depois o estranho foi embora.

No decorrer dos anos seguintes, a irmã que tinha tido essa experiência adoeceu. Passou a se queixar e, por fim, desenvolveu delírios inequívocos de estar sendo observada e perseguida, no seguinte sentido: achava que suas vizinhas tinham pena dela por ter sido abandonada pelo pretenso namorado e por ainda estar esperando que o homem voltasse; estavam sempre a lhe dizer insinuações dessa natureza, diziam-lhe todo tipo de coisas a respeito do homem, e assim por diante. Tudo isso, dizia ela, era naturalmente inverídico. A partir daí, a paciente cai nesse estado somente por algumas semanas de cada vez. Sua compreensão interna (insight) retorna temporariamente e ela explica que tudo isso foi conseqüência de se haver excitado; mesmo assim, nos intervalos, padece de uma neurose que pode ser facilmente interpretada como neurose sexual. E logo cai em novo surto de paranóia.

A irmã mais velha ficava surpresa ao verificar que, tão logo a conversa se encaminhava para a cena da sedução, a paciente costumava evitá-la. Breuer ouvir falar no caso, a paciente foi-me encaminhada, e procurei curar sua tendência à paranóia tentando fazê-la reviver a lembrança da cena. Não obtive resultado. Conversei com ela duas vezes e insisti para que me contasse tudo o que se relacionava com o inquilino, em hipnose de “concentração”. Em resposta a minhas perguntas para saber se não teria mesmo acontecido algo de embaraçoso, deparei com a mais resoluta negativa - nunca mais vi a paciente. Ela ainda me enviou um recado, para dizer que aquilo a havia aborrecido demais. Defesa! Isso era óbvio. Ela queria não se lembrar do incidente e, por conseguinte, recalcava-o intencionalmente.

Não podia haver qualquer dúvida a respeito da defesa; mas essa defesa poderia igualmente ter levado a um sintoma histérico ou a uma idéia obsessiva. Qual seria a peculiaridade da defesa paranóica?

Ela estava-se poupando de algo; algo fora recalcado. Podemos entrever o que era. Provavelmente, na realidade, ela ficava excitada com o que viu e com a lembrança do fato. Logo, estava-se poupando da censura de ser uma “mulher depravada”. Daí em diante, passou a ouvir essa mesma censura, agora proveniente de fora. Assim, o tema permanecia inalterado; o que mudava era a localização da coisa. Antes, tratara-se de uma autocensura interna; agora, era uma recriminação vinda de fora. O julgamento a respeito dela fora transposto para fora: as pessoas estavam dizendo aquilo que, de outro modo, ela diria a si mesma. Havia uma vantagem nisso. Ela teria sido obrigada a aceitar o julgamento proveniente de dentro; já o que vinha do exterior, podia rejeitar. Dessa forma, o julgamento, a censura, era mantida afastada de seu ego.

 

Portanto, o propósito da paranóia é rechaçar uma idéia que é incompatível com o ego, projetando seu conteúdo no mundo externo.

Neste ponto surgem duas questões: [1] Como se efetua uma transposição dessa espécie? [2] Isso se aplica também a outros casos de paranóia?

(1) A transposição se efetua de maneira muito simples. Trata-se do abuso de um mecanismo psíquico muito comumente utilizado na vida normal: a transposição ou projeção. Sempre que ocorre uma modificação interna, temos a opção de supor a existência de uma causa interna ou de uma causa externa. Quando algo nos impede a derivação interna, naturalmente recorremos à externa. E, depois, estamos acostumados a verificar que nossos estados internos se revelam (por uma expressão da emoção) às outras pessoas. Isso responde pelos delírios normais de estar sendo observado e pela projeção normal. Pois são normais na medida em que, nesse processo, permanecemos conscientes de nossa própria mudança interna. Se a esquecermos e se nos ativermos tão-somente a uma das premissas do silogismo, àquela que conduz para o exterior, teremos aí a paranóia, com sua supervalorização daquilo que as pessoas sabem a nosso respeito e daquilo que as pessoas nos fizeram. O que é que as pessoas sabem a nosso respeito, de que nada sabemos e que não podemos admitir? Trata-se, pois, de um abuso do mecanismo da projeção para fins de defesa.

Realmente, algo muito parecido se passa com as idéias obsessivas. O mecanismo de substituição também é um mecanismo normal. Quando uma solteirona idosa se dedica a cuidar de um cão, ou um solteirão idoso coleciona caixas de rapé, aquela está encontrando um sucedâneo para sua necessidade de companhia no casamento, e este, para sua necessidade de - uma infinidade de conquistas. Todo colecionador é substituto de um Don Juan Tenorio, como igualmente o são o montanhista, o desportista, todas essas pessoas. Essas coisas são equivalentes eróticos. As mulheres também as conhecem. O tratamento ginecológico enquadra-se nessa categoria. Há duas espécies de pacientes femininas: umas são tão leais a seus médicos como a seus maridos, e outras mudam de médico com a mesma freqüência com que mudam de amante. Esse mecanismo de substituição, normalmente atuante, é usado em excesso nas idéias obsessivas - e também aí a finalidade é a defesa.

 

(2) Pois bem, será que esse ponto de vista se aplica também aos outros casos de paranóia? A todos eles, é o que penso. No entanto, passo a mostrar alguns exemplos.

O paranóico litigante não consegue tolerar a idéia de que agiu errado ou de que deve repartir sua propriedade. Portanto, pensa que o julgamento não foi legalmente válido, que ele não está errado etc. Esse caso é por demais claro, mas também não de todo evidente; talvez se possa mostrá-lo em termos mais simples.

A “grande nation” não consegue enfrentar a idéia de ter sido derrotada na guerra. Logo, não foi derrotada; a vitória não conta. Constituiu um exemplo de paranóia de massa e cria o delírio de traição.

O alcoólatra jamais admitirá perante si mesmo que se tornou impotente por causa da bebida. Por mais que consiga tolerar o álcool, não consegue suportar esse conhecimento. Assim, é sua mulher a culpada - delírios de ciúme, e assim por diante.

O hipocondríaco vai se debater, durante muito tempo, até encontrar a chave de suas sensações de estar gravemente enfermo. Não admitirá perante si mesmo que seus sintomas têm origem na sua vida sexual; mas causa-lhe a maior satisfação pensar que seu mal, como diz Moebius, não é endógeno, mas exógeno. Logo, ele está sendo envenenado.

O funcionário que foi preterido na promoção convence-se de que deve haver conspiração contra ele e de que devem estar a espioná-lo em sua sala. Não fosse isso, teria de admitir seu fracasso.

Nem sempre, necessariamente, são delírios de perseguição que se desenvolvem desse modo. Talvez a megalomania até comporte mais capacidade de manter afastada do ego a idéia penosa. Tome-se, por exemplo, uma cozinheira que perdeu seus atrativos e que precisa acostumar-se com a idéia de que está definitivamente excluída da felicidade no amor. É este o momento certo de aparecer o cavalheiro da casa em frente, que, evidentemente, deseja casar-se com ela, que lhe está dando a entender isso de um modo extraordinariamente tímido, mas, mesmo assim, inconfundível.

Em todos os casos a idéia delirante é sustentada com a mesma energia com que uma outra idéia, intoleravelmente penosa, é rechaçada do ego. Assim, essas pessoas amam seus delírios como amam a si mesmas. É esse o segredo.

Pois bem, como é que se compara essa forma de defesa com as formas de defesa que já conhecemos: (1) histeria, (2) idéia obsessiva, (3) confusão alucinatória, (4) paranóia? Temos de levar em conta: afeto, conteúdo da idéia e alucinações. [Cf. resumo na Fig. 4.]

(1) Histeria. A idéia incompatível não tem acesso à associação com o ego. O conteúdo é retido num compartimento separado, está ausente da consciência; seu afeto [é eliminado] por conversão na esfera somática - A psiconeurose é a única [conseqüência].

(2) Idéia obsessiva. Também aqui, a idéia incompatível não tem acesso à associação. O afeto é conservado; o conteúdo é representado por um substituto.

(3) Confusão alucinatória. A totalidade da idéia incompatível - afeto e conteúdo - é mantida afastada do ego; e isto só se torna possível à custa de um desligamento parcial do mundo externo. Resta o recurso às alucinações, que comprazem ao ego e apóiam a defesa.

(4) Paranóia. O conteúdo e o afeto da idéia incompatível são mantidos, em direto contraste com (3); mas são projetados no mundo externo. As alucinações, que surgem em algumas formas da doença, são hostis ao ego, mas apóiam a defesa.

Nas psicoses histéricas, pelo contrário, são justamente as idéias rechaçadas que assumem o domínio. O tipo dessas psicoses é o ataque e o état secondaire. As alucinações são hostis ao ego.

A idéia delirante é ou uma cópia da idéia rechaçada, ou o oposto desta (megalomania). A paranóia e a confusão alucinatória são as duas psicoses de desafio ou oposição. A “auto-referência” da paranóia é análoga às alucinações dos estados confusionais, pois estas procuram afirmar exatamente o contrário do fato que foi rechaçado. Assim, a referência a si mesmo sempre tenta provar a correção da projeção.

 

RESUMO

 

Fig. 4

 

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

As ideias delirantes situam-se ao lado das ideias obsessivas, puramente intelectuais, da mesma forma as ideias telepáticas e da lavagem cerebral.

A paranoia é um modo patológico de defesa, tal como as obsessões, as ideias telepáticas e da lavagem cerebral.

Agredir indivíduos com telepatia e lavagem cerebral é um ato de covardia e de crueldade, pois causará sérios danos aos paranoicos e a sua estrutura, a sua defesa psicológica, e seu recalque em função da cena recalcada.

A ideia delirante é sustentada com a mesma energia com que outra ideia, intoleravelmente penosa, é rechaçada ao ego. Essas pessoas amam seus delírios como amam a si mesmas; assim também me parece acontecer com as pessoas na telepatia e na lavagem cerebral.

Freud acreditava na cena recalcada como coisa real, Mattanó acredita nela como coisa com significado, sentido e até conceito, em outros casos, funcionalidade e comportamento.

Torna-se importante ressaltar que quando a Psicanálise e a Psicologia não chegam e não dão conta da demanda temos a Educação e quando esta não chega e não dá conta da demanda temos a Sociologia e as relações sociais com sua Filosofia e Espiritualidade individual e social como forma de suprir as necessidades de adaptação e superação das adversidades do meio ambiente de cada um de nós e das sociedades.

 

MATTANÓ

(13/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha as ideias delirantes situam-se ao lado das ideias obsessivas, puramente intelectuais, da mesma forma as ideias telepáticas e da lavagem cerebral.

A paranoia é um modo patológico de defesa, tal como as obsessões, as ideias telepáticas e da lavagem cerebral.

Agredir indivíduos com telepatia e lavagem cerebral é um ato de covardia e de crueldade, pois causará sérios danos aos paranoicos e a sua estrutura, a sua defesa psicológica, e seu recalque em função da cena recalcada.

A ideia delirante é sustentada com a mesma energia com que outra ideia, intoleravelmente penosa, é rechaçada ao ego. Essas pessoas amam seus delírios como amam a si mesmas; assim também me parece acontecer com as pessoas na telepatia e na lavagem cerebral.

Freud acreditava na cena recalcada como coisa real, Mattanó acredita nela como coisa com significado, sentido e até conceito, em outros casos, funcionalidade e comportamento.

Torna-se importante ressaltar que quando a Psicanálise e a Psicologia não chegam e não dão conta da demanda temos a Educação e quando esta não chega e não dá conta da demanda temos a Sociologia e as relações sociais com sua Filosofia e Espiritualidade individual e social como forma de suprir as necessidades de adaptação e superação das adversidades do meio ambiente de cada um de nós e das sociedades. É pois, aqui que entra o Socialismo e o Comunismo como metáforas para lidar com um meio ambiente interno e externo, influenciado e adaptado ao social que por sua vez engendra métodos de Saúde e de Educação para o indivíduo operar comportamentos que lhe rendam significados e sentidos, conceitos e contextos, funcionalidades, linguagens, relações sociais, gestalt e insights, topografias, um mundo virtual e uma realidade virtual, lapsos de linguagem, esquecimentos e atos falhos, niilismos, parapraxias, fantasias, chistes, humor, piadas, caricaturas e charges, argumentação e linguagem, atos ilocucionários, atos perlocucionários, pressupostos e subentendidos, mostrar, fazer e dizer, um posto, uma semântica ou uma hermenêutica, uma semiótica, equivalências de estímulos, aprendizagem e condicionamentos, alquimia, folclore, magia, tesouros, contos de fadas, totens e tabus, uma história de vida, uma história familiar, uma história social, escolar, trabalhista, sexual e moral, discriminação e generalização dos estímulos ambientais como forma de responder e de obter consequências para os seus comportamentos, como forma de controle e de adaptação comportamental, fisiológica e morfológica, para manutenção dos seus ciclos circadianos e da sua homeostase que existe em função da equilibração do prazer e do reforço com a dor e a punição em todo o seu organismo físico e mental.

 

MATTANÓ

(13/09/2025)

 

 

 

 

 

 

 

CARTA 22

 

…Não tenho nada para lhe contar. Quando muito, uma pequena analogia com a psicose onírica de D, que estudamos juntos.  Rudi Kaufmann, sobrinho muito inteligente de Breuer, e também estudante de medicina, é uma pessoa que custa a levantar da cama. Manda que a empregada o chame, porém sempre reluta muito em obedecer a ela. Certa manhã, ela o despertou uma segunda vez e, como ele não respondesse, chamou-o pelo nome: “Herr Rudi!” Com isso, o dorminhoco teve uma alucinação com um quadro de avisos junto a um leito de hospital (cf. o Rudolfinerhaus), no qual havia o nome “Rudolf Kaufmann”, e disse a si mesmo: “Bom, de qualquer modo o R. K. está no hospital; portanto, não preciso ir até lá”, e continuou a dormir. [1]

 

RASCUNHO I: ENXAQUECA: ASPECTOS ESTABELECIDOS

 

(1) Uma questão de soma: Há um intervalo de horas ou dias entre a instigação dos sintomas. Tem-se uma espécie de sensação de que um obstáculo está sendo superado e de que um processo segue então adiante.

(2) Uma questão de soma. Mesmo sem uma instigação, tem-se a impressão de que deve haver um estímulo que se acumula, o qual está presente em quantidade mínima, no início do intervalo, e em quantidade máxima, no fim do mesmo.

(3) Uma questão de soma, na qual a suscetibilidade aos fatores etiológicos está na altura do nível do estímulo já presente.

(4) Uma questão com etiologia complexa. Talvez nos moldes de uma etiologia em cadeia, na qual uma causa próxima pode ser induzida por uma série de fatores, direta e indiretamente, ou nos moldes de uma etiologia em soma, na qual, juntamente com uma causa específica, as causas acumuladas podem agir como substitutos quantitativos. [1]

(5) Uma questão semelhante ao modelo da enxaqueca menstrual e pertencente ao grupo sexual. Provas:

(a) Raríssima em homens sadios.

(b) Restrita ao período sexual da vida: infância e velhice praticamente excluídas.

(c) Se é produzida por soma, também o estímulo sexual é algo que se produz por soma.

(d) A analogia da periodicidade.

(e) Freqüência em pessoas com perturbação da descarga sexual (neurastenia, coitus interruptus).

(6) Certeza de que a enxaqueca pode ser produzida por estímulos químicos: emanações tóxicas humanas, siroco, fadiga, odores. Ora, o estímulo sexual também é um estímulo químico.

(7) Cessação da enxaqueca durante a gravidez, quando a produção talvez esteja voltada para outra parte.

Isto parece mostrar que a enxaqueca é um efeito tóxico produzido pela substância estimulante sexual quando esta não consegue encontrar descarga suficiente. E talvez se deve acrescentar a isto o fato de que está presente uma determinada via (cuja localização precisa ser determinada) que se acha num estado de suscetibilidade especial. A questão implícita nisto é a questão a respeito da localização da enxaqueca.

(8) Com relação a essa via, temos indicações de que as doenças orgânicas do crânio, tumores e supurações (sem ligações tóxicas intermediárias?) produzem enxaqueca, ou algo parecido, além do que a enxaqueca é unilateral, correlaciona-se com o nariz e se liga a fenômenos isolados de paralisias. O primeiro desses sinais não é muito claro. A unilateralidade, a localização acima do olho e a complicação pelas paralisias localizadas são mais importantes.

(9) A dor da enxaqueca só pode sugerir o envolvimento das meninges, pois as afecções da massa cerebral certamente são indolores.

(10) Se, nesse sentido, a enxaqueca se assemelha à nevralgia, isso se coaduna com a soma, a sensibilidade e suas oscilações, a produção de nevralgia mediante estímulos tóxicos. A nevralgia tóxica será, assim, o seu protótipo fisiológico. O couro cabeludo é a sede de sua dor e o trigêmeo é sua via. Como, entretanto, a alteração nevrálgica só pode ser de natureza central, devemos supor que, logicamente, o centro da enxaqueca é um núcleo do trigêmeo cujas fibras inervam a dura-máter.

De vez que, na enxaqueca, a dor tem uma localização parecida com a da nevralgia supra-orbital, esse núcleo dural deve situar-se nas proximidades do núcleo da primeira ramificação. Como os diferentes ramos e núcleos do trigêmeo se influenciam uns aos outros, todas as outras afecções do trigêmeo podem contribuir para a etiologia [da enxaqueca] como fatores convergentes (não como fatores banais).

A sintomatologia e a posição biológica da enxaqueca.

A dor de uma nevralgia geralmente encontra sua descarga através de tensão tônica (ou mesmo de espasmo clônico). Portanto, não é impossível que a enxaqueca possa incluir uma inervação espástica dos músculos dos vasos sangüíneos na esfera reflexa da região dural. Podemos atribuir a essa intervenção a perturbação geral (e, a rigor, a perturbação local) da função, que não difere, sintomatologicamente, de um distúrbio parecido, causado por constrição vascular. (Cf. a semelhança entre a enxaqueca e os ataques de trombose.) Parte da inibição é devida à própria dor. Presumivelmente, é a área vascular do plexo coróide a primeira a ser atingida pelo espasmo da descarga. A relação com o olho e com o nariz é explicada pela sua inervação comum pelo primeiro ramo [do trigêmeo]. [1]

 

RASCUNHO J

FRAU P. J. (27 ANOS)

 

 

 

[I]

 

Estava casada havia três meses. Seu marido, caixeiro-viajante, precisara deixá-la por algumas semanas, depois do casamento, e já estava ausente há semanas. Ela sentia muita falta dele e ansiava por sua volta. Tinha sido cantora ou, pelo menos, se formara como cantora. Para passar o tempo, estava [um dia] sentada ao piano, cantando, quando subitamente sentiu-se mal - um mal-estar no abdome e no estômago, com a cabeça rodando, sensações de opressão e angústia e parestesia cardíaca; pensou que estava enlouquecendo. Instantes após, lembrou-se de que, naquela manhã, havia comido ovos e cogumelos e concluiu ter-se envenenado. No entanto, esse estado logo se dissipou. No dia seguinte, a empregada contou-lhe que uma mulher que morara na mesma casa tinha enlouquecido. Desse momento em diante, nunca mais ficou livre da obsessão, acompanhada de angústia, de que também ela estaria por enlouquecer.

Essa é a essência do caso. De início, supus que sua condição tivesse sido um ataque de angústia - uma liberação de sensação sexual que se transformou em angústia. Um ataque desse tipo, segundo pensei, poderia ocorrer sem qualquer processo psíquico concomitante. Ainda assim, eu não queria rejeitar a possibilidade mais favorável de que se pudesse descobrir tal processo; pelo contrário, eu o tomaria como o ponto de partida de meu trabalho. O que eu esperava encontrar era o seguinte. Ela alimentava um desejo intenso pelo marido - isto é, o desejo de ter relações sexuais com ele; com isso, veio-lhe uma idéia que excitou o afeto sexual e, depois, a defesa contra a idéia; a seguir, ela foi assaltada pelo medo e fez uma falsa conexão ou substituição.

 

Comecei perguntando-lhe acerca das circunstâncias acessórias do ocorrido; algo devia tê-la feito recordar-se do marido. Ela estivera cantando a ária de Carmen “Près des remparts de Séville”. Pedi-lhe que a repetisse para mim; ela nem conseguia lembrar-se exatamente das palavras. - Em que ponto a Srª acha que lhe veio o ataque? - Ela não sabia. - Quando apliquei pressão [em sua fronte], ela disse que tinha sido depois de haver terminado a ária. Isso parecia bem possível: tinha sido uma seqüência de pensamentos, que emergira a partir da letra da ária. - Afirmei então que, antes do ataque, tinha havido nela pensamentos dos quais não conseguia lembrar-se. De fato, não se lembrava de nada, mas a pressão [em sua fronte] fez surgir as palavras “marido” e “desejar”. Diante de minha insistência, esta última palavra foi mais especificada como sendo desejo de carícias sexuais. - “Penso que é isso mesmo. Afinal, seu ataque não passou de um estado de extravasamento amoroso. Pergunto-lhe se conhece a canção do pajem:

Voi che sapete che cosa è amor,Donne vedete s’io l’ho nel cor…

Por certo houve algo além disso: uma sensação na parte inferior do corpo, um desejo convulsivo de urinar.” - Ela então confirmou isso. A insinceridade das mulheres começa quando elas omitem os sintomas sexuais característicos ao descreverem o que sentem. De modo que tinha sido realmente um orgasmo.

-“Bem, a senhora percebe, de qualquer modo, que um estado de desejo como esse, numa mulher jovem que se viu abandonada pelo marido, não é nada de que se deva sentir vergonha.” - Pelo contrário, pensou ela, algo a ser aprovado. - “Muito bem; mas, nesse caso, não consigo ver o motivo do medo. Certamente a senhora não receou ‘marido’ nem ‘desejo’; de modo que devem estar faltando outros pensamentos que são mais próprios para suscitar medo.” - Mas ela apenas acrescentou que sempre temera as dores que lhe causava a relação sexual, mas que seu desejo tinha sido muito mais forte do que o medo das dores. - Nesse ponto, interrompemos.

II

Havia fortes razões para suspeitar de que, na Cena I (estando a paciente ao piano), juntamente com os pensamentos desejantes em relação ao marido (dos quais antes se lembrava), ela havia entrado numa outra seqüência profunda de pensamentos, da qual não tinha recordação, e foram estes os pensamentos que levaram à Cena II. Mas eu ainda não conhecia seu ponto de partida. Hoje, a paciente veio chorando e desesperada, evidentemente sem qualquer esperança de o tratamento ter êxito. De modo que suas resistências já estavam aguçadas, e o progresso se tornou bem mais difícil. O que eu desejava saber, a essa altura, era que pensamentos capazes de assustá-la ainda se encontravam presentes. Ela mencionou todo tipo de coisas que não poderiam ser pertinentes ao caso: o fato de que, por longo tempo, não tinha sido deflorada (o que lhe foi confirmado pelo Prof. Chrobak), de que atribuía seu estado nervoso a isso e, por esse motivo, desejava que o defloramento pudesse ser feito. - Naturalmente, esse pensamento provinha de uma época posterior: até a Cena I ela tivera boa saúde. - Por fim, obtive a informação de que ela já havia experimentado um ataque semelhante, mas muito mais fraco e mais transitório, com as mesmas sensações. (A partir disso, verifiquei ter sido a partir do quadro mnêmico do orgasmo que entrou em jogo a via de acesso que abriu caminho para as camadas mais profundas.) Investigamos a outra cena. Naquela época - há quatro anos passados - ela tivera um compromisso em Ratisbona. Pela manhã, havia cantado num recital e tinha-se saído bem. De tarde, em casa, teve uma “visão” - como se houvesse algo, uma “briga” entre ela e o tenor da companhia e um outro homem, e depois disso teve o ataque, com o medo de estar enlouquecendo.

Aqui estava, pois a Cena II, a que se fizera uma alusão, por associação, na Cena I. No entanto, era evidente que também aqui havia lacunas na memória. Outras idéias deveriam ter estado presentes para explicar o desencadeamento da sensação sexual e do pavor. Indaguei sobre esses elos intermediários e, em lugar destes, foram-me contados os motivos da paciente. Ela se havia desgostado de tudo o que se referia à vida de artista. - “Por quê?” - A rispidez do diretor e o relacionamento dos atores entre si. - Perguntei por detalhes a esse respeito. - Tinha havido uma velha atriz cômica, com quem os atores jovens costumavam gracejar, perguntando-lhe se podiam passar a noite com ela. - “E o que mais, a respeito do tenor?” - Também este a tinha importunado; no recital, tinha colocado a mão no seio dela. - “Na sua roupa, ou diretamente na pele?” - Primeiro, ela disse que fora na pele, mas depois voltou atrás: disse que fora tocada na roupa. - “Bem, e o que mais?” - Todas as características dos relacionamentos daquelas pessoas, todos os abraços e beijos entre os atores tinham-na deixado amedrontada. - “Sim?” - Mais uma vez, fala na rispidez do diretor, embora só tivesse ficado lá alguns dias. - “A investida do tenor aconteceu no mesmo dia do seu ataque?” - Não; ela não sabia se fora antes ou depois. - Minhas perguntas feitas com auxílio da pressão mostraram que a tentativa de sedução ocorrera no quarto dia de sua estada, e o ataque, no sexto.

Interrompido pelo sumiço da paciente.

NOTA

Durante toda a parte final do ano de 1895, Freud esteve muito ocupado com o problema teórico fundamental da relação entre neurologia e psicologia. Suas reflexões finalmente levaram ao trabalho inconcluso a que demos o título de Projeto para uma Psicologia Científica. Este foi escrito em setembro e outubro de 1895 e deveria ser publicado, cronologicamente, nesse ponto dos documentos dirigidos a Fliess. No entanto, ele sobressai tanto dentre esses outros documentos e constitui uma entidade tão extraordinária e autônoma que pareceu aconselhável editá-lo de forma destacada, no final deste volume. Uma das cartas, a de nº 39, escrita em 1º de janeiro de 1896, está tão estreitamente relacionada com o Projeto (sem o qual, aliás, seria ininteligível) que também foi tirada do seu lugar original na correspondência e editada como um apêndice ao Projeto. Que Freud, durante todo esse tempo, tivesse estado interessado também em temas clínicos, fica visivelmente demonstrado pelo fato de que, no mesmo dia em que remeteu essa carta (1º de janeiro de 1896), também remeteu a Fliess o Rascunho K, que se segue aqui e que é, sob muitos aspectos, um esboço preliminar completo de seu segundo artigo sobre as neuropsicoses de defesa (1896b), concluído logo após.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Na época de Freud não havia Comunicação de Massa como há hoje e nem teledependência, a exploração e o abuso sexual eram diferentes, eram menos intensos, não há muitos relatos disto na literatura, apenas com escravas, hoje os Mass Mídia exploram e abusam a sexualidade dos indivíduos, ocorrem estupros em todos os lugares, não apenas com as minorias, há o tráfico de pessoas, de sexo, de órgãos, de escravos, de drogas e de informação, diante destas mudanças sócio-históricas e de muitas outras como as políticas, tecnológicas e na educação, na justiça, na moral e na saúde os indivíduos também mudaram e a sexualidade também mudou, hoje temos acesso e direito a comunhão e ao exercício da força, ou seja, a fraternidade e a segurança. Hoje uma mulher com desejo convulsivo de urinar pode significar outra coisa, como medo, temor, ansiedade, pânico, problemas neurológicos, incontinência urinária, problemas com o amor e a fraternidade, problemas com sua segurança e bem-estar, bem como também ter tido um orgasmo. O segredo do bom Psicanalista não está na conceituação, mas na interpretação com base nos significados e sentidos que o próprio paciente declara em meio ao seu contexto, funcionalidade e comportamento.

 

MATTANÓ

(13/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha na época de Freud não havia Comunicação de Massa como há hoje e nem teledependência, a exploração e o abuso sexual eram diferentes, eram menos intensos, não há muitos relatos disto na literatura, apenas com escravas, hoje os Mass Mídia exploram e abusam a sexualidade dos indivíduos, ocorrem estupros em todos os lugares, não apenas com as minorias, há o tráfico de pessoas, de sexo, de órgãos, de escravos, de drogas e de informação, diante destas mudanças sócio-históricas e de muitas outras como as políticas, tecnológicas e na educação, na justiça, na moral e na saúde os indivíduos também mudaram e a sexualidade também mudou, hoje temos acesso e direito a comunhão e ao exercício da força, ou seja, a fraternidade e a segurança. Hoje uma mulher com desejo convulsivo de urinar pode significar outra coisa, como medo, temor, ansiedade, pânico, problemas neurológicos, incontinência urinária, problemas com o amor e a fraternidade, problemas com sua segurança e bem-estar, bem como também ter tido um orgasmo. O segredo do bom Psicanalista não está na conceituação, mas na interpretação com base nos significados e sentidos que o próprio paciente declara em meio ao seu contexto, funcionalidade e comportamento. Vemos que a realidade e o mundo virtuais, do Socialismo e do Comunismo, através de suas metáforas, pode ser capaz de levar a ressignificação psicológica e comportamental  do objeto de estudo, uma mulher com desejo convulsivo de urinar, de modo que ela acabe substituindo seu medo, temor, ansiedade, pânico, problemas neurológicos, incontinência urinária, problemas com amor e fraternidade, problemas com segurança e bem-estar e até com um orgasmo por insight, amor e discriminação das contingências do seu problema e pela análise funcional, análise e interpretação do seu inconsciente, fortalecendo seu ego e sua mudança de comportamento com base numa substituição e/ou limpeza, a ¨limpeza de chaminé¨.

 

MATTANÓ

(13/09/2025)

 

 

 

 

 

 

 

RASCUNHO K: AS NEUROSES DE DEFESA

 

(Um Conto de Fadas Natalino)

Há quatro tipos e muitas formas dessas neuroses. Posso apenas traçar uma comparação entre histeria, neurose obsessiva e uma forma de paranóia. Elas têm várias coisas em comum. São aberrações patológicas de estados afetivos psíquicos normais: de conflito (histeria), de autocensura (neurose obsessiva), de mortificação (paranóia), de luto (amência alucinatória aguda). Diferem desses afetos pelo fato de não conduzirem à resolução de coisa alguma, e sim a um permanente prejuízo para o ego. Ocorrem sujeitas às mesmas causas precipitantes dos seus protótipos afetivos, contanto que a causa preencha duas precondições a mais - que seja de natureza sexual e que ocorra durante o período anterior à maturidade sexual (as precondições de sexualidade e infantilismo). Quanto às precondições que se aplicam à pessoa em questão, não tenho novos conhecimentos. Genericamente, diria que a hereditariedade é uma precondição a mais, no sentido de que ela facilita e aumenta o afeto patológico - isto é, a precondição que, predominantemente, torna possíveis as gradações entre o normal e o caso extremo. Não creio que a hereditariedade determine a escolha de uma neurose defensiva especial.

Existe uma tendência normal à defesa - uma aversão contra dirigir a energia psíquica de tal maneira que daí resulte algum desprazer. Essa tendência, que está ligada às condições mais fundamentais do funcionamento psíquico (a lei da constância), não pode ser empregada contra as percepções, pois estas são capazes de se impor à atenção (como é evidenciado pela consciência dessas percepções); tal tendência atua somente contra as lembranças e os pensamentos. É inócua quando se trata de idéias às quais, em alguma época, esteve ligado algum desprazer, mas que, na época atual, não tem possibilidade de originar desprazer (a não ser o desprazer recordado); também em tais casos, essa tendência pode ser implantada pelo interesse psíquico.

A tendência à defesa, porém, torna-se prejudicial quando é dirigida contra idéias também capazes de, sob a forma de lembranças, liberar um novo desprazer - como é o caso das idéias sexuais. É nisso, realmente, que se concretiza a possibilidade de uma lembrança ter, posteriormente, uma capacidade de liberação maior do que a produzida pela experiência correspondente. Somente uma coisa é necessária para isto: que a puberdade se interponha entre a experiência e sua repetição na lembrança - evento que tanto aumenta o efeito da revivescência. O funcionamento psíquico parece despreparado para essa exceção; por esse motivo, para que a pessoa esteja livre da neurose, a precondição necessária é que antes da puberdade não tenha ocorrido nenhuma estimulação sexual de maior significação, embora seja verdade que o efeito de tal experiência deve ser incrementado pela predisposição hereditária, antes de poder atingir um nível capaz de causar doença.

(Aqui surge um problema correlato: como ocorre que, sob condições análogas, em vez da neurose emerjam a perversão ou, simplesmente, a imoralidade?)

Por certo mergulharemos profundamente em enigmas psicológicos, se investigarmos a origem do desprazer que parece ser liberado pela estimulação sexual prematura, e sem o qual, enfim, não é possível explicar um recacalmento. A resposta mais plausível apontará o fato de que a vergonha e a moralidade são as forças recalcadoras, e que a vizinhança em que estão naturalmente situados os órgãos sexuais deve, inevitavelmente, despertar repugnância junto com as experiências sexuais. Onde não existe vergonha (como numa pessoa do sexo masculino), ou onde não entra a moralidade (como nas classes inferiores da sociedade), ou onde a repugnância é embrutecida pelas condições de vida (com nas zonas rurais), também não resultam nem neurose nem recalcamento em decorrência da estimulação sexual na infância. Contudo, temo que essa explicação não resista a um teste mais aprofundado. Não penso que a produção de desprazer durante as experiências sexuais seja conseqüência da mistura ao acaso de determinados fatores desprazerosos. A experiência diária nos mostra que, quando a libido alcança um nível suficiente, a repulsa não é sentida e a moralidade é suplantada; penso que o aparecimento da vergonha se relaciona, por meio de ligações mais profundas, com a experiência sexual. Em minha opinião, a produção de desprazer na vida sexual deve ter uma fonte independente: uma vez que esteja presente essa fonte, ela pode despertar sensações de repulsa, reforçar a moralidade, e assim por adiante. Persisto no modelo da neurose de angústia em adultos, na qual uma quantidade proveniente da vida sexual causa, de modo parecido, um distúrbio na esfera psíquica, embora habitualmente pudesse ter um outro uso no processo sexual. De vez que não existe nenhuma teoria correta do processo sexual, permanece sem resposta a questão da origem do desprazer que atua no recalcamento. [Ver em [1].]

O rumo tomado pela doença nas neuroses de recalcamento é, em geral, sempre o mesmo: (1) a experiência sexual (ou a série de experiências), que é traumática e prematura e deve ser recalcada. (2) Seu recalcamento em alguma ocasião posterior, que desperta a lembrança correspondente; ao mesmo tempo, a formação de um sintoma primário. (3) Um estágio de defesa bem-sucedida, que é equivalente à saúde, exceto quanto à existência do sintoma primário. (4) O estágio em que as idéias recalcadas retornam e em que, durante a luta entre elas e o ego, formam-se novos sintomas, que são os da doença propriamente dita: isto é, uma fase de ajustamento, de ser subjugado, ou de recuperação com uma malformação.

As principais diferenças entre as diversas neuroses são demonstradas na forma como retornam as idéias recalcadas; outras diferenças são evidenciadas na maneira como os sintomas se formam e no rumo tomado pela doença. Mas o caráter específico de uma determinada neurose está no modo como se realiza o recalque.

O curso dos acontecimentos na neurose obsessiva é o mais claro para mim, pois foi o que cheguei a conhecer melhor.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

A telepatia e a lavagem cerebral não conduzem à resolução de coisa alguma, e sim a um permanente prejuízo para o ego. Ocorrem sujeitas as mesmas causas precipitantes dos seus protótipos afetivos, as precondições de sexualidade e infantilismo.

Quanto pior o teor da telepatia e da lavagem cerebral pior será a resposta e piores serão as consequências da telepatia e da lavagem cerebral, portanto, quanto pior for seu significado e o seu sentido, pior será a resposta e as consequências também serão piores. Desta forma a não resolução de coisa alguma tende a aumentar como tende a aumentarem as precondições de sexualidade e infantilismo, as causas precipitantes dos seus protótipos afetivos.

Agregar por meio da telepatia, lavagem cerebral, tortura, falsidade, erro ou curandeirismo a Pulsão de Morte a Pulsão de Vida causa danos à vida psíquica e comportamental, podendo vir a ser crime, dependendo do contexto, por exemplo:

Se um indivíduo faz trocadilhos por Arte e agregamos a sua Pulsão de Vida a Pulsão de Morte com lavagem cerebral torna-se crime; se um indivíduo faz Ciência ou Educação e sua Pulsão de Vida é invadida pela Pulsão de Morte com lavagem cerebral e falsidade torna-se crime.

 

MATTANÓ

(14/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a telepatia e a lavagem cerebral não conduzem à resolução de coisa alguma, e sim a um permanente prejuízo para o ego. Ocorrem sujeitas as mesmas causas precipitantes dos seus protótipos afetivos, as precondições de sexualidade e infantilismo.

Quanto pior o teor da telepatia e da lavagem cerebral pior será a resposta e piores serão as consequências da telepatia e da lavagem cerebral, portanto, quanto pior for seu significado e o seu sentido, pior será a resposta e as consequências também serão piores. Desta forma a não resolução de coisa alguma tende a aumentar como tende a aumentarem as precondições de sexualidade e infantilismo, as causas precipitantes dos seus protótipos afetivos.

Agregar por meio da telepatia, lavagem cerebral, tortura, falsidade, erro ou curandeirismo a Pulsão de Morte a Pulsão de Vida causa danos à vida psíquica e comportamental, podendo vir a ser crime, dependendo do contexto, por exemplo:

Se um indivíduo faz trocadilhos por Arte e agregamos a sua Pulsão de Vida a Pulsão de Morte com lavagem cerebral torna-se crime; se um indivíduo faz Ciência ou Educação e sua Pulsão de Vida é invadida pela Pulsão de Morte com lavagem cerebral e falsidade torna-se crime.

Da mesma forma agir assim, agregando conteúdos criminosos a realidade e o mundo virtuais, do Socialismo e do Comunismo, dependendo do contexto, se não for um trabalho legítimo como este, torna-se crime e prejudicial a vida psíquica e comportamental de cada sujeito, inclusive quando abordamos a Arte, a Cultura, o Comércio, a Informação, o Trabalho e a Educação, as Ciências e os Esportes que podem se tornar canal para a criminalidade quando falsos ideológicamente, corruptos, estupradores, extorsores, vingativos, despersonalizantes, praticantes de lavagem cerebral, voyeuristas, sexistas, ladrões, assassinos, sequestradores e criminosos, pois a realidade e o mundo virtuais do Socialismo e do Comunismo tem suas próprias leis, regras e contingências que acabam reprimindo toda e qualquer forma de oposição e de crime com força e veemência, com autoridade, com imposição de respeito, pois essas duas metáforas, o Socialismo e o Comunismo, se impuseram e venceram seus oponentes, seus Monstros e talvez seus Escravos, através dos seus Heróis, que lutaram com suas próprias vidas e histórias para propor e impor ou solidificar o que temos hoje com o Socialismo e o Comunismo, duas metáforas Vermelhas que desafiam a compreensão humana em sua jornada civilizatória e humanitária.

 

MATTANÓ

(13/09/2025)

 

 

 

 

NEUROSE OBSESSIVA

Aqui, a experiência primária foi acompanhada de prazer. Quer tenha sido uma experiência ativa (nos meninos), quer tenha sido uma experiência passiva (nas meninas), ela se realizou sem dor ou qualquer mescla de nojo; e isso, no casos das meninas, implica, em geral, uma idade relativamente maior (cerca de 8 anos). Quando essa experiência é relembrada posteriormente, ela dá origem ao surgimento de desprazer; e, em especial, emerge primeiro uma autocensura, que é consciente. Na verdade, aparentemente, é como se todo o complexo psíquico - lembrança e autocensura - fosse de início consciente. Depois, sem que nada de novo sobrevenha, ambas são recalcadas, e na consciência se forma, em lugar delas, um sintoma antitético, uma nuança de escrupulosidade.

O recalcamento pode processar-se devido ao fato de que a lembrança do prazer, como tal, produz desprazer, quando recordada anos depois; isso deveria ser explicável por uma teoria da sexualidade. Mas as coisas também podem acontecer de modo diferente. Em todos os meus casos de neurose obsessiva, em idade muito precoce, anos antes da experiência de prazer, tinha havido uma experiência puramente passiva; e isso dificilmente se daria por acaso. Assim, podemos supor que é a convergência, posteriormente, dessa experiência passiva com a experiência de prazer que adiciona o desprazer à lembrança prazerosa e possibilita o recalcamento. De modo que uma precondição clínica necessária da neurose obsessiva consistiria em que a experiência passiva deveria ocorrer tão precocemente que não fosse capaz de impedir a ocorrência espontânea da experiência de prazer. A fórmula, portanto, seria esta:

Desprazer - Prazer - Recalcamento.

O fator determinante seriam as relações cronológicas das duas experiências entre si e com a época da maturidade sexual.

No estágio do retorno do recalcado ocorre que a autocensura retorna sem modificação, mas raramente de modo a atrair a atenção para si; durante certo tempo, portanto, emerge simplesmente como um sentimento de culpa sem qualquer conteúdo. Em geral, vem a se ligar a um conteúdo que é distorcido de duas maneiras - no tempo e no conteúdo: distorcido quanto ao tempo na medida em que se refere a uma ação contemporânea ou futura, e distorcido quanto ao conteúdo na medida em que significa não o evento real, mas um sucedâneo escolhido a partir da categoria daquilo que é análogo - uma substituição. Por conseguinte, uma idéia obsessiva é produto de um compromisso, correto quanto ao afeto e à categoria, mas falso devido ao deslocamento cronológico e à substituição por analogia.

O afeto da autocensura pode ser transformado, por diferentes processos psíquicos, em outros afetos, os quais, depois, entram na consciência mais claramente do que o afeto como tal: por exemplo, pode ser transformado em angústia (medo das conseqüências da ação a que se refere a autocensura), hipocondria (medo dos efeitos corporais), delírios de perseguição (medo dos seus efeitos sociais), vergonha (medo de que outras pessoas saibam), e assim por diante.

O ego consciente considera a obsessão como algo que lhe é estranho: não acredita nela, ao que parece, valendo-se da idéia antitética da escrupulosidade, formada muito tempo antes. Mas, nesse estágio, muitas vezes pode acontecer uma subjugação do ego pela obsessão - por exemplo, quando o ego é atingido por uma melancolia transitória. Exceto quanto a isso, a fase de doença é marcada pela luta defensiva do ego contra a obsessão; e isso, por si só, pode produzir novos sintomas - os da defesa secundária. A idéia obsessiva, tal como qualquer outra idéia, é atacada pela lógica, embora sua força compulsiva seja inabalável. Os sintomas secundários são uma intensificação da escrupulosidade e uma compulsão a perscrutar minuciosamente as coisas e acumulá-las. Outros sintomas secundários surgem quando a compulsão é transferida para impulsos motores contra a obsessão - por exemplo, compulsão a ensimesmar-se, compulsão para a bebida (dipsomania), rituais protetores, folie de doute.

Com isto, chegamos à formação de três espécies de sintomas:

(a) o sintoma primário da defesa - escrupulosidade,

(b) os sintomas de compromisso da doença - idéias obsessivas ou afetos obsessivos,

(c) os sintomas secundários da defesa - ensimesmamento obsessivo, acumulação obsessiva de objetos, dipsomania, rituais obsessivos.

Os casos em que o conteúdo da memória não se tornou admissível à consciência através da substituição, mas em que o afeto da autocensura se tornou admissível mediante transformação, dão a impressão de ter ocorrido um deslocamento numa cadeia de inferências: acuso-me por causa de um acontecimento - receio que outras pessoas saibam dele - portanto, sinto vergonha diante de outras pessoas. Tão logo é recalcado o primeiro elo da seqüência, a obsessão passa para o segundo ou terceiro elo e leva a duas formas de delírios de observação que, no entanto, fazem realmente parte da neurose obsessiva. A luta defensiva termina em mania de generalizada dúvida ou no desenvolvimento de uma vida de excêntrico, com um sem-número de sintomas defensivos secundários - isto é, se é que chega mesmo a haver um término.

Ainda permanece em aberto a questão de saber se as idéias recalcadas retornam espontaneamente, sem a ajuda de qualquer força psíquica contemporânea, ou se necessitam desse tipo de ajuda a cada novo movimento de retorno. Minhas experiências indicam esta última alternativa. Parece que os estados de libido insatisfeita contemporânea são o elemento que empresta a força do seu desprazer para reavivar a autocensura recalcada. Uma vez que tenha ocorrido esse reavivamento e que os sintomas tenham surgido mediante o impacto do recalcado sobre o ego, aí, sem dúvida, o material ideativo recalcado continua a atuar espontaneamente; contudo, dentro das oscilações de potencial quantitativo, sempre permanece dependente da quantidade de tensão libidinal presente no momento. A tensão sexual que, por ter sido satisfeita, não tem oportunidade de se transformar em desprazer, permanece inócua. Os neuróticos obsessivos são pessoas sujeitas ao perigo de que toda a tensão sexual cotidianamente gerada neles acabe por se transformar em autocensura, ou melhor, nos sintomas provenientes da autocensura, embora, nessa ocasião, não reconheçam novamente a autocensura primária.

A neurose obsessiva pode ser curada se desfizermos todas as substituições e transformações afetivas ocorridas, de tal modo que a autocensura primária e a experiência a ela pertinente possam ser desnudadas e colocadas diante do ego consciente para serem julgadas de novo. Ao fazermos isso, temos de trabalhar um número incrível de idéias intermediárias ou de compromisso, que se tornam temporariamente idéias obsessivas. Adquirimos uma convicção muito clara de que, para o ego, é impossível dirigir para o material recalcado a parte da energia psíquica a que o pensamento consciente está vinculado. As idéias recalcadas - ao que devemos crer - estão presentes nas seqüências mais racionais de idéias e nelas penetram sem inibição; e também a lembrança delas é despertada pelas mais insignificantes alusões. A suspeita de que a “moralidade” é apresentada como força recalcadora somente na qualidade de pretexto é confirmada pela experiência segundo a qual a resistência, durante o trabalho terapêutico, se vale de todos os motivos de defesa possíveis.

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Na neurose obsessiva a experiência primária dos meninos foi ativa e foi acompanhada de prazer, nas meninas foi passiva e acompanhada de prazer. Quando essa experiência é relembrada, depois, dá origem ao desprazer, e faz emergir uma autocensura, que é consciente.

Na neurose obsessiva a precondição clínica necessária consistiria em que a experiência passiva deveria ocorrer tão precocemente que não fosse capaz de impedir a ocorrência espontânea da experiência de prazer.

O ego consciente considera a obsessão como algo que lhe é estranho, não acredita nela.

A ideia obsessiva, tal como qualquer outra ideia, é atacada pela lógica, embora sua força compulsiva seja inabalável.

A ideia obsessiva, como qualquer outra ideia, deve ser compreendida pela Psicanálise, como um fenômeno dos órgãos dos sentidos até a sua interpretação no córtex cerebral que formula a percepção, ou seja, como a interpretação das sensações dos órgãos dos sentidos e que cada Pulsão é resultado das sensações e da percepção, como da marca, do arranjo que se organiza com o comportamento; assim a Pulsão Oral é a soma das sensações que se aplicam àquela região e da sua percepção, incluindo a sua marca com o arranjo no ato que organiza o comportamento; a Pulsão Anal é a soma das sensações que se aplicam àquela região e da sua percepção, incluindo a sua marca com o arranjo no ato que organiza o comportamento; a Pulsão Fálica é a soma das sensações que se aplicam àquela região e da sua percepção, incluindo a sua marca com o arranjo no ato que organiza o comportamento; Pulsão Genital é a soma das sensações que se aplicam àquela região e da sua percepção, incluindo a sua marca com o arranjo no ato que organiza o comportamento.

A organização do comportamento ocorre diante das 4 leis do inconsciente: niilismo, condensamento, deslocamento e comportamento.

Niilismo: onde as representações significam nada, não fazem sentido.

Condensamento: onde as representações se condensam e formam núcleos.

Deslocamento: onde as representação se deslocam, transitam entre si mesmas.

Comportamento: onde as representações se manifestam, se tornam comportamentos.

 

MATTANÓ

(15/03/2018) 

 

 

Para a Psicanálise Vermelha na neurose obsessiva a experiência primária dos meninos foi ativa e foi acompanhada de prazer, nas meninas foi passiva e acompanhada de prazer. Quando essa experiência é relembrada, depois, dá origem ao desprazer, e faz emergir uma autocensura, que é consciente.

Na neurose obsessiva a precondição clínica necessária consistiria em que a experiência passiva deveria ocorrer tão precocemente que não fosse capaz de impedir a ocorrência espontânea da experiência de prazer.

O ego consciente considera a obsessão como algo que lhe é estranho, não acredita nela.

A ideia obsessiva, tal como qualquer outra ideia, é atacada pela lógica, embora sua força compulsiva seja inabalável.

A ideia obsessiva, como qualquer outra ideia, deve ser compreendida pela Psicanálise, como um fenômeno dos órgãos dos sentidos até a sua interpretação no córtex cerebral que formula a percepção, ou seja, como a interpretação das sensações dos órgãos dos sentidos e que cada Pulsão é resultado das sensações e da percepção, como da marca, do arranjo que se organiza com o comportamento; assim a Pulsão Oral é a soma das sensações que se aplicam àquela região e da sua percepção, incluindo a sua marca com o arranjo no ato que organiza o comportamento; a Pulsão Anal é a soma das sensações que se aplicam àquela região e da sua percepção, incluindo a sua marca com o arranjo no ato que organiza o comportamento; a Pulsão Fálica é a soma das sensações que se aplicam àquela região e da sua percepção, incluindo a sua marca com o arranjo no ato que organiza o comportamento; Pulsão Genital é a soma das sensações que se aplicam àquela região e da sua percepção, incluindo a sua marca com o arranjo no ato que organiza o comportamento.

A organização do comportamento ocorre diante das 4 leis do inconsciente: niilismo, condensamento, deslocamento e comportamento.

Niilismo: onde as representações significam nada, não fazem sentido.

Condensamento: onde as representações se condensam e formam núcleos.

Deslocamento: onde as representação se deslocam, transitam entre si mesmas.

Comportamento: onde as representações se manifestam, se tornam comportamentos.

Da mesma forma acontece com a realidade e o mundo virtuais, do Socialismo e do Comunismo, destas duas metáforas Vermelhas que tem seu papel ímpar na história do mundo como parte de uma estrutura maior que chamamos de mundo ou de planeta que devemos entender de forma integrada e não de forma fragmentada e esquizofrênica, dissociada da nossa realidade, não somos obrigados a nos tornar-nos Socialistas e nem Comunistas, mas vivemos no mesmo mundo e somos da mesma espécie, a Homo Sapiens, a Igreja ensina que somos maiores que os Comunistas se formos Católicos, de fato seremos maiores do que nós mesmos se formos Católicos, porque os Comunistas são nossos irmãos fraternos que vivem neste mesmo mundo, que são da mesma espécie, a Homo Sapiens, assim a Virgem Maria não se contradiz!

 

MATTANÓ

(13/09/2025)

 

 

 

 

 

 

 

PARANÓIA

Os determinantes clínicos e as relações cronológicas do prazer e do desprazer na experiência primária ainda me são desconhecidos. O que pude distinguir foram a existência do recalcamento, o sintoma primário e o estágio de doença tal como determinado pelo retorno das idéias recalcadas.

A experiência primária parece ser de natureza semelhante à da neurose obsessiva. O recalque ocorre depois que a respectiva lembrança causou desprazer - não se sabe como. Contudo, nenhuma autocensura se forma, nem é posteriormente recalcada; e o desprazer gerado é atribuído a pessoas que, de algum modo, se relacionam com o paciente, segundo a fórmula psíquica da projeção. O sintoma primário formado é a desconfiança (suscetibilidade a outras pessoas). Nesta, o que se passa é que a pessoa se recusa a crer na autocensura.

Podemos suspeitar da existência de diferentes formas, conforme o caso: quando apenas o afeto é reprimido por projeção, ou quando, juntamente com o afeto, também o conteúdo da experiência é recalcado. Logo, mais uma vez, o que retorna pode ser simplesmente o afeto aflitivo, ou também a lembrança. No segundo caso, que é o que conheço melhor, o conteúdo da experiência retorna sob a forma de um pensamento que ocorre ao paciente como alucinação visual ou sensorial. O afeto reprimido parece retornar invariavelmente nas alucinações auditivas.

As partes das lembranças que retornam sofrem uma distorção ao serem substituídas por imagens análogas, extraídas do momento presente - isto é, são simplesmente distorcidas por uma substituição cronológica, e não pela formação de um substituto. As vozes, igualmente, lembram a autocensura, como sintoma de compromisso, e o fazem, em primeiro lugar, distorcidas em seu enunciado a ponto de se tornarem indefinidas e de se transformarem em ameaças; e, em segundo lugar, relacionadas não com a experiência primária, mas justamente com a desconfiança - isto é, com o sintoma primário.

Como a crença foi separada da autocensura primária, ela assume o comando irrestrito dos sintomas de compromisso. O ego não os considera como estranhos a si mesmo, mas é impelido por eles a fazer tentativas de explicá-los, tentativas que podem ser descritas como delírios assimilatórios.

Nesse ponto, com o retorno do recalcado sob forma distorcida, a defesa fracassa de vez; e os delírios assimilatórios não podem ser interpretados como sintomas de defesa secundária, mas como o início de uma modificação do ego, expressão do fato de ter sido ele subjugado. O processo atinge seu ponto conclusivo ou na melancolia (sentimento de aniquilação do ego), que, de um modo secundário, liga às distorções a crença que foi desvinculada da autocensura primária; ou - o que é mais freqüente e mais grave - nos delírios protetores (megalomania), até o ego ser completamente remodelado.

O elemento determinante da paranóia é o mecanismo da projeção, que envolve a recusa da crença na autocensura. Daí decorrem os aspectos característicos comuns da neurose: a importância das vozes como meio pelo qual as outras pessoas nos afetam, e também dos gestos, que nos revelam a vida mental das outras pessoas; e a importância do tom dos comentários e das alusões das vozes - pois que uma referência direta que ligue o conteúdo dos comentários à lembrança recalcada é inadmissível para a consciência.

Na paranóia, o recalque se dá após um processo de pensamento consciente e complexo (a recusa da crença). Talvez isso seja um indício de que ele se instala, pela primeira vez, em idade relativamente mais avançada do que na neurose obsessiva e na histeria. As precondições do recalcamento são, sem dúvida, as mesmas. Ainda não se sabe se o mecanismo da projeção é inteiramente uma questão de predisposição individual ou se é selecionado por fatores especiais transitórios e fortuitos.

Quatro espécies de sintomas:

(a) sintomas primários de defesa,

(b) sintomas de compromisso do retorno,

(c) sintomas secundários de defesa,

(d) sintomas da subjugação do ego.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Na paranóia a experiência primária parece ser semelhante a da neurose obsessiva. O recalque ocorre depois que a lembrança causou desprazer. Nenhuma autocensura se forma. O desprazer gerado é atribuído a pessoas que se relacionam com o paciente, segundo a fórmula psíquica da projeção. O sintoma primário formado é a desconfiança. As vozes, lembram a autocensura, como sintoma de compromisso, e o fazem, em primeiro lugar, distorcidas de seu enunciado a ponto de se tornarem indefinidas e de se tornarem em ameaças; e, em segundo lugar, relacionadas não com a experiência primária, mas com a desconfiança, com o sintoma primário.

Pela interiorização e pela internalização assimilamos e acomodamos objetos novos a cena da psicossexualidade, é através da interiorização e da internalização que desenvolvemos nossa psicossexualidade. Quando sofremos tortura e lavagem cerebral por meio da telepatia e das tecnologias o inconsciente fica alterado, o bom funcionamento do inconsciente depende de sua integridade, de sua segurança, não somente de sua saúde; podemos contaminar nosso inconsciente através de outros inconscientes e mentes através da telepatia e piorar o seu funcionamento com a tortura e a lavagem cerebral, assim como podemos contaminar o sangue com sangue. Contaminar o inconsciente de pessoas sadias com paranóia pode contaminá-las com paranóia e torná-las paranóicas.

 

MATTANÓ

(16/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha na paranóia a experiência primária parece ser semelhante a da neurose obsessiva. O recalque ocorre depois que a lembrança causou desprazer. Nenhuma autocensura se forma. O desprazer gerado é atribuído a pessoas que se relacionam com o paciente, segundo a fórmula psíquica da projeção. O sintoma primário formado é a desconfiança. As vozes, lembram a autocensura, como sintoma de compromisso, e o fazem, em primeiro lugar, distorcidas de seu enunciado a ponto de se tornarem indefinidas e de se tornarem em ameaças; e, em segundo lugar, relacionadas não com a experiência primária, mas com a desconfiança, com o sintoma primário.

Pela interiorização e pela internalização assimilamos e acomodamos objetos novos a cena da psicossexualidade, é através da interiorização e da internalização que desenvolvemos nossa psicossexualidade. Quando sofremos tortura e lavagem cerebral por meio da telepatia e das tecnologias o inconsciente fica alterado, o bom funcionamento do inconsciente depende de sua integridade, de sua segurança, não somente de sua saúde; podemos contaminar nosso inconsciente através de outros inconscientes e mentes através da telepatia e piorar o seu funcionamento com a tortura e a lavagem cerebral, assim como podemos contaminar o sangue com sangue. Contaminar o inconsciente de pessoas sadias com paranóia pode contaminá-las com paranóia e torná-las paranóicas.

Da mesma forma podemos trabalhar com a paranóia que é decorrência de uma lembrança que causou desprazer, onde não se forma autocensura e se forma fórmula psíquica para a projeção, onde há no sintoma primário a desconfiança, então as vozes lembram autocensuras e ameaças, sobretudo desconfiança, já com a telepatia, a tortura e a lavagem cerebral podemos desenvolver contaminação e aumentar o sofrimento do paciente que acaba respondendo segundo sua pulsão de morte, de modo a desenvolver desconfiança por seres de outros mundos como seres alienígenas, seres divinais e sobrenaturais ou espirituais, fantasmas que tem o poder de contaminar o indivíduo e a sua vida recalcada inconsciente, doméstica, infantil e familiar com os ditos ¨poderes do espaço¨, que somente aumentam a desconfiança e a paranóia individual e coletiva, pois essas criaturas alienígenas ameaçam toda a espécie Homo Sapiens, gerando um sentimento coletivo de paranóia, de desconfiança e de medo em função da ameaça que representam em nosso inconsciente.

 

MATTANÓ

(17/09/2025)

 

 

 

 

 

HISTERIA

A histeria pressupõe necessariamente uma experiência primária de desprazer - isto é, de natureza passiva. A passividade sexual natural das mulheres explica o fato de elas serem mais propensas à histeria. Nos casos em que encontrei histeria em homens, pude comprovar, em suas anamneses, a presença de acentuada passividade sexual. Uma outra condição da histeria é que a experiência primária de desprazer não ocorra numa idade muito precoce, na qual a produção de desprazer seja ainda muito reduzida e na qual,naturalmente, os eventos causadores de prazer ainda possam ter um prosseguimento independente. De outro modo, o resultado será apenas a formação de obsessões. Por essa razão, muitas vezes encontramos nos homens uma combinação das duas neuroses, ou a substituição de uma histeria inicial por uma neurose obsessiva subseqüente. A histeria começa com a subjugação do ego, que é o ponto a que leva a paranóia. A produção de tensão, na experiência primária de desprazer, é tão grande que o ego não resiste a ela e não forma nenhum sintoma psíquico, mas é obrigado a permitir uma manifestação de descarga - geralmente, uma expressão exagerada de excitação. Esse primeiro estágio da histeria pode ser qualificado como “histeria do susto”; seu sintoma primário é a manifestação de susto, acompanhada por uma lacuna psíquica. Ainda não se sabe até que idade pode ocorrer essa primeira subjugação histérica do ego.

O recalcamento e a formação de sintomas defensivos só ocorrem posteriormente, em conexão com a lembrança; e, daí em diante, defesa e subjugação (isto é, a formação dos sintomas e a irrupção dos ataques) podem estar combinadas em qualquer grau na histeria.

O recalcamento não se dá pela construção de uma idéia antitética excessivamente forte [em [1]], mas sim pela intensificação de uma idéia limítrofe, que, depois, representa a lembrança no fluxo do pensamento. Pode ser chamada de idéia limítrofe porque, de um lado, pertence ao ego e, de outro, forma uma parte não-distorcida da lembrança traumática. Assim, também aqui se trata do resultado de um compromisso; este, contudo, não se manifesta numa substituição com base em alguma categoria de tema, mas num deslocamento da atenção ao longo de uma série de idéias ligadas pela simultaneidade temporal. Quando o evento traumático encontra uma saída para si mesmo através de uma manifestação motora, é esta que se torna a idéia limítrofe e o primeiro símbolo do material recalcado. Assim, não há necessidade de supor que alguma idéia esteja sendo suprimida em cada repetição do ataque primário; trata-se, primordialmente, de uma lacuna na psique.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

A histeria pressupõe uma experiência primária de desprazer, de natureza passiva. Os eventos causadores do desprazer terão  prosseguimento independente. O resultado será a formação de obsessões.

O recalcamento e a formação de sintomas defensivos só ocorrem posteriormente, em conexão com a lembrança; o recalcamento representa a lembrança no fluxo do pensamento. Pode ser chamado de ideia limítrofe porque pertence ao ego, de um lado, e do outro lado, forma uma parte não-distorcida da lembrança traumática. Quando o evento traumático encontra uma saída através de uma manifestação motora, é esta que se torna a ideia limítrofe e o primeiro símbolo do material recalcado. Assim, não há necessidade de supor que alguma ideia esteja sendo suprimida em cada repetição do ataque primário; trata-se, de uma lacuna na psique.

A Psicanálise, o Behaviorismo, a Gestalt, a Psicologia Social, Escolar, do Trabalho, Institucional, Humanista, da Personalidade, Fenomenológica, Cognitiva, etc., são Ciências irmãs, pois tem função no mesmo fim, a percepção e a interpretação da percepção.

Os eventos causadores do desprazer que causam a histeria colidem todos na percepção e na interpretação da percepção, estão concentrados nos significados, sentidos, conceitos, contextos, funcionalidade e comportamentos, estão concentrados na natureza da experiência primária que pode ser composta de significados, sentidos, conceito, contextos, funcionalidade e comportamentos.

É por meio da interiorização e da internalização que adquirimos novos significados, sentidos, contextos, funcionalidade e comportamentos, pois nascemos num mundo ¨pronto¨ ao qual nós apenas gradualmente interiorizamos e internalizamos objetos, meios, estímulos e funções para assimilá-las e acomodá-las à cena da psicossexualidade e assim externalizá-las e depois reproduzi-las por meio das nossas relações sociais e sexuais. É por meio da interiorização e da internalização que vamos além da marca e do que sabíamos sobre as pulsões, pois a experiência primária revela-se neste sentido, poder se desenvolver e aumentar, com a psicossexualidade e a aprendizagem real e proximal.

A aprendizagem real é adquirida sem ajuda de qualquer outra pessoa.

E a aprendizagem proximal é a adquirida por meio da ajuda de qualquer outra pessoa

Temos também a aprendizagem telepática que é a aprendizagem adquirida sem voluntariado, mas por força e violência, por imposição bio-psico-social, em virtude de fenômenos ainda não resolvidos, sobrenaturais e extraterrestres.

 

 

 

MATTANÓ

(17/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a histeria pressupõe uma experiência primária de desprazer, de natureza passiva. Os eventos causadores do desprazer terão prosseguimento independente. O resultado será a formação de obsessões.

O recalcamento e a formação de sintomas defensivos só ocorrem posteriormente, em conexão com a lembrança; o recalcamento representa a lembrança no fluxo do pensamento. Pode ser chamado de ideia limítrofe porque pertence ao ego, de um lado, e do outro lado, forma uma parte não-distorcida da lembrança traumática. Quando o evento traumático encontra uma saída através de uma manifestação motora, é esta que se torna a ideia limítrofe e o primeiro símbolo do material recalcado. Assim, não há necessidade de supor que alguma ideia esteja sendo suprimida em cada repetição do ataque primário; trata-se, de uma lacuna na psique.

A Psicanálise, o Behaviorismo, a Gestalt, a Psicologia Social, Escolar, do Trabalho, Institucional, Humanista, da Personalidade, Fenomenológica, Cognitiva, etc., são Ciências irmãs, pois tem função no mesmo fim, a percepção e a interpretação da percepção.

Os eventos causadores do desprazer que causam a histeria colidem todos na percepção e na interpretação da percepção, estão concentrados nos significados, sentidos, conceitos, contextos, funcionalidade e comportamentos, estão concentrados na natureza da experiência primária que pode ser composta de significados, sentidos, conceito, contextos, funcionalidade e comportamentos.

É por meio da interiorização e da internalização que adquirimos novos significados, sentidos, contextos, funcionalidade e comportamentos, pois nascemos num mundo ¨pronto¨ ao qual nós apenas gradualmente interiorizamos e internalizamos objetos, meios, estímulos e funções para assimilá-las e acomodá-las à cena da psicossexualidade e assim externalizá-las e depois reproduzi-las por meio das nossas relações sociais e sexuais. É por meio da interiorização e da internalização que vamos além da marca e do que sabíamos sobre as pulsões, pois a experiência primária revela-se neste sentido, poder se desenvolver e aumentar, com a psicossexualidade e a aprendizagem real e proximal.

A aprendizagem real é adquirida sem ajuda de qualquer outra pessoa.

E a aprendizagem proximal é a adquirida por meio da ajuda de qualquer outra pessoa

Temos também a aprendizagem telepática que é a aprendizagem adquirida sem voluntariado, mas por força e violência, por imposição bio-psico-social, em virtude de fenômenos ainda não resolvidos, sobrenaturais e extraterrestres.

Da mesma forma estes eventos psicológicos e comportamentais, como a experiência primária de desprazer, o recalcamento e a formação de sintomas defensivos em conexão com uma lembrança, o evento traumático que encontra saída numa manifestação motora, sinal da ideia limítrofe e do material recalcado, e a aprendizagem que pode ser real, proximal ou telepática e assim terem relação com o conteúdo do mundo e da realidade virtuais, da metáfora Vermelha, do Socialismo e do Comunismo e revelarem que padrões culturais sobressaem-se sobre os padrões ontogenéticos e filogenéticos quando abordamos a organização das sociedades e das nações, de seus poderes e de suas economias, de seus valores e princípios culturais, sexuais e morais, de defesa e de exploração, por exemplo, do espaço e do universo, que criam um novo símbolo para o Socialismo e para o Comunismo, o ¨foguete¨, como símbolo de poder, de aventura e de exploração, de domínio e de coragem, de heroísmo.

 

MATTANÓ

(17/09/2025)

 

 

 

 

 

 

CARTA 46

 

…Como fruto de trabalhosas reflexões, envio-lhe a seguinte solução da etiologia das psiconeuroses, que ainda aguarda confirmação de análises individuais. Podem-se distinguir quatro períodos de vida [Fig. 5]:

 

Fig. 5

 

A e B (desde cerca de 8 a 10 e 13 a 17 anos) são os períodos de transição durante os quais ocorre o recalcamento, na maior parte dos casos.

O despertar, numa época posterior, de uma lembrança sexual de época precedente produz um excesso de sexualidade na psique, o qual atua como uma inibição do pensamento e confere à lembrança e às conseqüências desta um caráter obsessivo - impossibilidade de ser inibido.

O período Ia possui a característica de ser intraduzível, de modo que o despertar de uma cena sexual Ia conduz não a conseqüências psíquicas, mas à conversão. O excesso de sexualidade impede a tradução.

O excesso de sexualidade, isoladamente, não é suficiente para causar recalcamento; faz-se necessária a cooperação da defesa; entretanto, sem um excesso de sexualidade a defesa não produz uma neurose.

As diferentes neuroses têm seus requisitos cronológicos particulares para suas cenas sexuais [Fig. 6].

 

 

Fig. 6

 

Isto é, para a histeria, as cenas ocorrem no primeiro período da infância (até os 4 anos), no qual os resíduos mnêmicos não são traduzidos em imagens verbais. É indiferente se essas cenas de Ia são despertadas durante o período posterior à segunda dentição (8 aos 10 anos) ou na fase da puberdade. O resultado é sempre a histeria, e sob a forma de conversão, pois a atuação conjunta da defesa e do excesso de sexualidade impede a tradução.

Para as neuroses obsessivas, as cenas pertencem à Época Ib. Elas dispõem de tradução em palavras e, ao serem despertadas em II ou em III, formam-se os sintomas obsessivos psíquicos.

Quanto à paranóia, as cenas respectivas situam-se no período posterior à segunda dentição, na Época II, e são despertadas em III (maturidade). Nesse caso, a defesa manifesta-se através da desconfiança. Assim, os períodos em que se dá o recalque não têm nenhuma importância para a escolha da neurose, sendo decisivos os períodos em que ocorre o evento. A natureza da cena tem importância na medida em que ela seja capaz de dar origem à defesa. [Cf. em [1].]

O que acontece quando as cenas se estendem por vários períodos? Nesse caso, a época mais precoce é decisiva, ou aparecem formas combinadas, o que deveria ser possível demonstrar. Tal combinação é, na sua maior parte, impossível entre a paranóia e a neurose obsessiva, porque o recalcamento da cena Ib, efetuado durante II, torna impossível novas cenas sexuais. [Cf. Rascunho N. [1].]

 

A histeria é a única neurose em que os sintomas talvez possam existir mesmo sem defesa, pois  mesmo assim a característica da conversão permaneceria. (Histeria somática pura.)

Verifica-se que a paranóia quase não depende dos fatores infantis. É a neurose de defesa par excellence, independente até mesmo da moralidade e da repulsa à sexualidade, que é o que, em A e B, proporciona o motivo para a defesa na neurose obsessiva e na histeria e, por conseguinte, tem incidência mais provável nas classes inferiores. É uma doença da idade adulta. Quando não há cenas em Ia, Ib, ou II, a defesa não pode ter nenhuma conseqüência patológica (recalcamento normal). O excesso de sexualidade preenche as precondições para que haja ataques de angústia durante a idade adulta. Os traços de memória são insuficientes para absorver a quantidade sexual liberada, que deveria transformar-se em libido [psíquica.].

A importância dos intervalos entre as experiências sexuais é evidente. Uma continuação das cenas através de uma faixa limítrofe entre as épocas talvez consiga evitar a possibilidade de recalcamento, pois, nesse caso, não surge nenhum excesso de sexualidade entre a cena e a primeira lembrança significativa da mesma.

A respeito da consciência [isto é, do estar consciente], ou melhor, do tornar-se consciente, devemos supor três coisas:

(1) que, no que tange às lembranças, ela consiste, na maior parte, na consciência verbal relativa a essas lembranças - isto é, no acesso às representações verbais associadas;

(2) que a consciência não está exclusiva e inseparavelmente ligada nem ao chamado inconsciente, nem ao chamado reino consciente, de modo que parece necessário rejeitar esses termos;

(3) que a consciência é influenciada por um compromisso entre as diferentes forças psíquicas que entram em conflito quando ocorrem os recalcamentos.

É necessário examinar minuciosamente essas forças e tirar conclusões acerca dos seus efeitos. Estes são (1) a força quantitativa inerente de uma representação e (2) uma atenção livremente móvel, que é atraída segundo certas regras e repelida de acordo com a regra da defesa. Quase todos os sintomas são estruturas de compromisso. Deve-se fazer uma distinção entre processos psíquicos não-inibidos e inibidos pelo pensamento. É no conflito entre esses dois processos que os sintomas surgem como soluções de compromisso para as quais está aberto o acesso à consciência. Nas neuroses, cada um desses processos é, em si mesmo, racional (o não-inibido é monoideístico, unilateral); o compromisso resultante é irracional, análogo a um erro de pensamento.

Em todos os casos devem ser preenchidas as condições quantitativas, pois, de outro modo, a defesa pelo processo inibido pelo pensamento impedirá a formação do sintoma.

Quando a força dos processos não-inibidos aumenta, surge uma espécie de distúrbio psíquico; uma outra espécie surge quando decresce a força da inibição pelo pensamento. (Melancolia, exaustão - os sonhos como um protótipo.)

O aumento dos processos não-inibidos, a ponto de eles manterem a posse exclusiva do acesso à consciência verbal, produz a psicose.

Não há como separar os dois processos; são somente os critérios relativos ao desprazer que impedem as diversas transições associativas possíveis entre eles.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Os períodos em que se dá o recalque não têm importância alguma para a escolha da neurose, sendo decisivos os períodos em que ocorre o evento. A natureza da cena tem importância na medida em que ela seja capaz de dar origem à defesa.

Especulo que na lavagem cerebral, através da Pulsão Auditiva, somos capazes de compreender que amar é renunciar ao amor egoísta em favor do amor ao próximo se não quisermos adoecer em meio ao egoísmo, e portanto aos seus sintomas psicóticos, pois a fase da Pulsão Auditiva começa na vida intra-uterina (passivamente), escutando, e termina depois do nascimento (ativamente), se escutando, em meio a fase da Pulsão Oral. Um fenômeno bastante característico da Pulsão Auditiva e da lavagem cerebral é rir da própria desintegração ou da própria morte, isto ocorre por causa da Pulsão de Morte que fica acentuada com a lavagem cerebral.

 

MATTANÓ

(19/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha os períodos em que se dá o recalque não têm importância alguma para a escolha da neurose, sendo decisivos os períodos em que ocorre o evento. A natureza da cena tem importância na medida em que ela seja capaz de dar origem à defesa.

Especulo que na lavagem cerebral, através da Pulsão Auditiva, somos capazes de compreender que amar é renunciar ao amor egoísta em favor do amor ao próximo se não quisermos adoecer em meio ao egoísmo, e portanto aos seus sintomas psicóticos, pois a fase da Pulsão Auditiva começa na vida intra-uterina (passivamente), escutando, e termina depois do nascimento (ativamente), se escutando, em meio a fase da Pulsão Oral. Um fenômeno bastante característico da Pulsão Auditiva e da lavagem cerebral é rir da própria desintegração ou da própria morte, isto ocorre por causa da Pulsão de Morte que fica acentuada com a lavagem cerebral. Contudo faz-se necessário advertir que nesta fase de Pulsão Auditiva que começa na vida intra-uterina e se estende até a fase da Pulsão Oral não existem significados e nem sentidos, pois a criança é ainda incapaz de realizar estas operações cognitivas que têm início por volta dos seus 5 anos de idade, antes, porém, ela realiza operações sensório-motoras e de imitação, atenção, controle e discriminação comportamental que vão construindo seus caminhos cognitivos e o seu mapa cerebral, o seu GPS da Personalidade que assimila e acomoda mensagens e informações distorcidas pela sua atividade cerebral que assim constróem a sua consciência, cultura, conhecimento e realidade, que fica limitada ao que chamo de padrão de pensamento da lavagem cerebral, que leva a um padrão de comportamento onde o indivíduo está despersonalizado em sua relação funcional, ou seja, de S - R - C, estímulo - resposta - consequência, ou seja, apresentando problemas de orientação, localização, topografia, ângulo, intensidade, análise e interpretação, comportamento verbal, territorial e cinestésico, uma desorganização e diminuição da sua produtividade, inclusive dos seus relacionamentos, trabalhos, estudos, economias, patrimônios, liberdades, autopreservação, em favor de um aumento de uma autodestruição que se ajustará a sua condições bio-psico-social, ou seja, de personalidade, caráter, temperamento, histórico de vida, ciclos, saúde e vida social, de modo a ser um transtorno que se ¨esconde¨ nas condições bio-psico-sociais das pessoas, inclusive nas condições culturais, econômicas, políticas, administrativas, científicas e militares.

 

MATTANÓ

(22/09/2025)  

 

 

 

 

CARTA 50

 

…Preciso contar-lhe um sonho interessante que tive na noite após os funerais. Eu me encontrava num local público e li um aviso que havia lá:

 

Pede-seque você feche os olhos.

Imediatamente reconheci o local como sendo o salão de barbearia a que vou diariamente. No dia do sepultamento, tive de me demorar ali, esperando minha vez, e por isso cheguei à casa funerária um tanto atrasado. Na ocasião, meus familiares estavam aborrecidos comigo porque eu providenciara para que o funeral fosse modesto e simples, com o que depois concordaram, achando isso bastante acertado. Também interpretaram um pouco mal o meu atraso. A frase no quadro de avisos tem um duplo sentido, e em ambos os sentidos significa: “deve-se cumprir a obrigação para com os mortos”. (Uma desculpa, como se eu não a tivesse cumprido e como se minha conduta precisasse ser tolerada, e a obrigação, assumida literalmente.) Assim, o sonho é uma saída para a tendência à autocensura, que costuma estar presente entre os sobreviventes.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

O sonho é uma saída para a tendência à autocensura, que costuma estar presente entre os sobreviventes. O sonho também é uma saída para a tendência à cura, à loucura, aos transtornos mentais, assim como é uma saída para a tendência à lavagem cerebral, a telepatia, a falsidade ideológica, o curandeirismo, ao erro, à mentira, etc., que costumam estarem presentes entre os despertados. Por ser uma saída para a tendência à cura o sonho consegue auxiliar ou levar o indivíduo para sua Trajetória dos Heróis, e assim encarar seus Heróis, Monstros e Escravos, bem como o Ciclo Cosmogênico, quando se liberta com o próprio crucificado.

 

MATTANÓ

(19/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha o sonho é uma saída para a tendência à autocensura, que costuma estar presente entre os sobreviventes. O sonho também é uma saída para a tendência à cura, à loucura, aos transtornos mentais, assim como é uma saída para a tendência à lavagem cerebral, a telepatia, a falsidade ideológica, o curandeirismo, ao erro, à mentira, etc., que costumam estarem presentes entre os despertados. Por ser uma saída para a tendência à cura o sonho consegue auxiliar ou levar o indivíduo para sua Trajetória dos Heróis, e assim encarar seus Heróis, Monstros e Escravos, bem como o Ciclo Cosmogênico, quando se liberta com o próprio crucificado. Da mesma forma o sonho é uma saída para o mundo e a realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha, pois leva à cura, mesmo quando as contingências do Socialismo e do Comunismo impõem realidades duras e opressivas, sem direitos e liberdades, como a propriedade privada e a economia, ou as riquezas e ao patrimônio, de modo a poder se tornar um investidor, pois o Estado assume esta responsabilidade e este controle, porém o indivíduo tem ainda os sonhos como forma de reação à autocensura e como tendência ao seu bem-estar ou cura inconsciente, pois o inconsciente prevê em seu ¨estatuto¨ o direito a propriedade, a propriedade privada, a economia, as riquezas através da fase anal que nos ensina e gastar e a economizar ou acumular riquezas e tesouros e desta forma a termos liberdade, liberdade para escolher se queremos gastar ou economizar, ao menos inconscientemente, se não podemos comportamentalmente e socialmente, pois trata-se de funcionamento cerebral e não de uma ideologia capitalista, por exemplo. O nosso cérebro evoluiu, selecionou comportamentos e competiu com outros para adquirir esta função inconsciente que participa da manutenção e do equilíbrio da vida cerebral e corporal. Somos capazes de selecionar e de negligenciar áreas do nosso cérebro para executar comportamentos intencionalmente como perceber, respirar, comer, se movimentar, trabalhar, pensar, raciocinar, sentir, amar, seduzir, odiar, respeitar, rezar, ocultar, ameaçar, matar, salvar, curar, mentir, falar a verdade, lutar, criar, competir, comprar, doar e viajar, por exemplo, só depende da nossa intenção ou do nosso controle, a realidade é o cérebro quem a constrói por meio da consciência, cultura e do conhecimento.

 

MATTANÓ

(22/09/2025)

 

 

 

 

 

 

 

CARTA 52

 

…Como você sabe, estou trabalhando com a hipótese de que nosso mecanismo psíquico tenha-se formado por um processo de estratificação: o material presente em forma de traços da memória estaria sujeito, de tempos em tempos, a um rearranjo segundo novas circunstâncias - a uma retranscrição. Assim, o que há de essencialmente novo a respeito de minha teoria é a tese de que a memória não se faz presente de uma só vez, mas se desdobra em vários tempos; que ela é registrada em diferentes espécies de indicações. Postulei a existência de um tipo parecido de rearranjo (Afasia), há algum tempo, para as vias que vão da periferia [do corpo para o córtex]. Não sei dizer quantos desses registros há: três, pelo menos, provavelmente mais. Isto está mostrado na figura esquemática que se segue [Fig. 7], que supõe que os diferentes registros também estejam separados (não necessariamente segundo o aspecto topográfico) de acordo com os neurônios que são seus veículos. Essa suposição talvez não seja necessária, mas é a mais simples e é provisoriamente admissível.

 

 

Fig. 7

 

W [Wahrnehmungen (percepções)] são os neurônios em que se originam as percepções, às quais a consciência se liga, mas que, nelas mesmas, não conservam nenhum traço do que aconteceu. Pois a consciência e a memória são mutuamente exclusivas.

Wz [Wahrnehmungszeichen (indicação da percepção)] é o primeiro registro das percepções; é praticamente incapaz de assomar à consciência e se dispõe conforme as associações por simultaneidade.

Ub (Unbewusstsein) [inconsciência] é o segundo registro, disposto de acordo com outras relações (talvez causais). Os traços Ub talvez correspondam a lembranças conceituais; igualmente sem acesso à consciência.

Vb (Vorbewusstsein) [pré-consciência) é a terceira transcrição, ligada às representações verbais e correspondendo ao nosso ego reconhecido como tal. As catexias provenientes de Vb tornam-se conscientes de acordo com determinadas regras; essa consciência secundária do pensamento é posterior no tempo e provavelmente se liga à ativação alucinatória das representações verbais, de modo que os neurônios da consciência seriam também neurônios da percepção e, em si mesmos, destituídos de memória.

Se eu conseguisse dar uma descrição completa das características psicológicas da percepção e dos três registros, teria descrito uma nova psicologia. Disponho de algum material para isso, mas não é esta a minha intenção, por ora.

Gostaria de acentuar o fato de que os sucessivos registros representam a realização psíquica de épocas sucessivas da vida. Na fronteira entre essas épocas deve ocorrer uma tradução do material psíquico. Explico as peculiaridades das psiconeuroses com a suposição de que essa tradução não se fez no caso de uma determinada parte do material, o que provoca determinadas conseqüências. Pois sustento firmemente a crença numa tendência ao ajustamento quantitativo. Cada transcrição subseqüente inibe a anterior e lhe retira o processo de excitação. Quando falta uma transcrição subseqüente, a excitação é manejada segundo as leis psicológicas vigentes no período anterior e consoante as vias abertas nessa época. Assim, persiste um anacronismo: numa determinada região ainda vigoram os “fueros”; estamos em presença de “sobrevivências”.

Uma falha na tradução - isto é o que se conhece clinicamente como “recalcamento”. Seu motivo é sempre a produção de desprazer que seria gerada por uma tradução; é como se esse desprazer provocasse um distúrbio do pensamento que não permitisse o trabalho de tradução.

Dentro de uma mesma fase psíquica e entre os registros da mesma espécie, forma-se uma defesa normal devida à produção do desprazer. Já a defesa patológica somente ocorre contra um traço de memória de uma fase anterior, que ainda não foi traduzido.

Certamente não é por causa da magnitude da produção de desprazer que a defesa consegue efetuar o recalcamento. Muitas vezes, lutamos em vão precisamente contra lembranças que envolvem o máximo de desprazer. Foi por isso que chegamos à seguinte formulação. Se um evento A, quando era atual, despertou uma determinada quantidade de desprazer, então o seu registro mnêmico, A I ou A II, possui um meio de inibir a produção de desprazer quando a lembrança é redespertada. Quanto mais freqüentemente a lembrança retorna, mais inibida se torna, finalmente, a produção de desprazer. Contudo, existe um caso em que a inibição é insuficiente. Se A, quando era atual, produziu determinado desprazer, e se, quando redespertado, produz um novo desprazer, então este não pode ser inibido. Nesse aspecto, a lembrança se comporta como se se tratasse de um evento atual. Esse caso só pode ocorrer com os eventos sexuais, porque as magnitudes das excitações causadas por eles aumentam por si mesmas com o tempo (com o desenvolvimento sexual).

Assim, um evento sexual de uma dada fase atua sobre a fase seguinte como se fosse um evento atual e, por conseguinte, não é passível de inibição. O que determina a defesa patológica (recalcamento), portanto, é a natureza sexual do evento e a sua ocorrência numa fase anterior.

Nem todas as experiências sexuais produzem desprazer; a maioria delas produz prazer. Assim, a maioria delas está ligada a um prazer não passível de inibição. O prazer não passível de inibição dessa espécie constitui uma compulsão. Chegamos, pois, à seguinte formulação. Quando uma experiência sexual é recordada numa fase diferente, a liberação de prazer é acompanhada por uma compulsão e a liberação de desprazer é acompanhada pelo recalcamento. Em ambos os casos, a tradução para as indicações de uma nova fase parece ser inibida (?).

Ora, a experiência clínica nos evidencia três grupos de psiconeuroses sexuais - histeria, neurose obsessiva e paranóia; e nos ensina que as lembranças recalcadas referem-se àquilo que era atual, no caso da histeria, entre as idades de 1 1/2 e 4 anos; no caso da neurose obsessiva, entre os 4 e os 8 anos; e, no caso da paranóia, entre os 8 e os 14 anos. Mas, antes dos 4 anos de idade, ainda não existe recalque, de modo que os períodos psíquicos do desenvolvimento e as fases sexuais não coincidem. [Fig. 8.]

 

 

Fig. 8

 

O pequeno diagrama seguinte encaixa-se aqui: [Fig. 9 em [1].]

 

 

Fig. 9

 

Pois uma outra conseqüência das experiências sexuais prematuras é a perversão, cuja causa parece consistir em que a defesa ou não ocorreu antes de estar completo o aparelho psíquico, ou não ocorreu nunca.

Basta da superestrutura. Agora, passemos a uma tentativa de situar isso em seus fundamentos orgânicos. O que falta explicar é por que as experiências sexuais, que, na época em que eram atuais, geraram prazer, passam, quando são lembradas numa fase diferente, a gerar desprazer em algumas pessoas e, em outras, a persistir como compulsão. No primeiro caso, é evidente que elas devem estar liberando, numa época posterior, um desprazer que não foi liberado de início.

Também precisamos delinear a derivação das diferentes épocas, psicológicas e sexuais. Você me explicou estas últimas como sendo múltiplos especiais do ciclo feminino de 28 dias.

A fim de explicar por que o resultado [da experiência sexual prematura (ver acima)] às vezes é a perversão e, às vezes, a neurose, valho-me da bissexualidade de todos os seres humanos. Num ser puramente masculino, haveria um excesso de liberação masculina também nas duas barreiras sexuais - isto é, seria gerado prazer e, em conseqüência, perversão; nos seres exclusivamente femininos haveria, nessas ocasiões, um excesso de substâncias causadoras de desprazer. Nas primeiras fases, as liberações seriam paralelas, isto é, produziriam um excesso normal de prazer. Isso explicaria a preferência das pessoas verdadeiramente femininas pelas neuroses de defesa.

Desse modo, a natureza intelectual dos seres humanos masculinos estaria confirmada com base na teoria que você propôs.

Por fim, não posso eliminar uma suspeita de que a indiferença entre neurastenia e neurose de angústia, que detectei clinicamente, esteja correlacionada com a existência das duas substâncias, de 23 dias e 28 dias.

Além dessas duas, sugiro aqui, poderia haver diversas substâncias de cada tipo.

Cada vez mais me parece que o ponto essencial da histeria é que ela resulta de perversão por parte do sedutor, e mais e mais me parece que a hereditariedade é a sedução pelo pai. Assim, surge uma alternância entre as gerações:

1ª geração: Perversão.

2ª geração: Histeria e conseqüente esterilidade. Por vezes, há uma metamorfose dentro de um mesmo indivíduo: pervertido durante a idade do vigor e, depois, passado um período de angústia, histérico. Por conseguinte, histeria não é sexualidade repudiada, mas, antes, perversão repudiada.

Ademais, por trás disso está a idéia das zonas erógenas abandonadas. Isto é, parece que, durante a infância, seria possível obter a liberação sexual a partir de muitas das diferentes partes do corpo, as quais, em época posterior, só são capazes de liberar a substância dos 28 [dias], e não outras. Nessa diferenciação e limitação [estaria, pois,] o progresso na cultura e na moral, assim como no desenvolvimento individual.

O ataque histérico não é uma descarga, mas uma ação; e conserva a característica original de toda ação - ser um meio de reprodução do prazer. (Isso, pelo menos, é o que o ataque é em sua origem; além disso, apresenta todos os tipos de outras razões ao pré-consciente.) Assim, os pacientes aos quais foi feito algo de sexual no sono têm ataques de sono. Irão dormir novamente a fim de experimentar a mesma coisa e, muitas vezes, provocam dessa maneira um desmaio histérico.

Os ataques de vertigem e acessos de choro - tudo isso tem como alvo uma outra pessoa - mas, na sua maior parte, uma outra pessoa pré-histórica, inesquecível, que nunca é igualada por nenhuma outra posterior. Até o sintoma crônico de o indivíduo ser um dorminhoco preguiçoso é explicado da mesma forma. Um dos meus pacientes ainda choraminga durante o sono, como costumava fazer para ser levado para a cama por sua mãe, que morreu quando ele tinha 22 meses de idade. Parece que os ataques nunca ocorrem como uma “expressão intensificada de emoção”.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

O recalcamento sempre produz desprazer que seria gerada por uma tradução; o desprazer pode provocar um distúrbio do pensamento que não permitisse o trabalho de tradução. Então forma-se uma defesa natural devida à produção do desprazer. O que determina a defesa psicológica (recalcamento) é a natureza sexual do evento e sua ocorrência numa fase anterior.

Nem todas as experiências sexuais produzem desprazer; a maioria delas produz prazer. A maioria delas está ligada a um prazer não passível de inibição, este prazer constitui uma compulsão.

Quando uma experiência sexual é recordada numa fase diferente, a liberação de prazer é acompanhada por uma compulsão e a liberação de desprazer é acompanhada pelo recalcamento.

Outra consequência das experiências sexuais prematuras é a perversão, cuja causa parece consistir em que a defesa ou não ocorreu antes de estar completo o aparelho psíquico, ou ocorreu nunca.

O recalcamento ou defesa psicológica produz sofrimento até mesmo em sua tradução, diante da libido, da comunhão e do exercício da força que exercem o trabalho de tradução; o distúrbio do pensamento quando não pode ser inibido em sua energia de libido, comunhão e/ou exercício da força constitui uma compulsão; numa fase diferente a liberação do prazer da libido, da comunhão e/ou do exercício da força  é acompanhada de compulsão, e a liberação de desprazer da libido, da comunhão e/ou do exercício da força é acompanhada de recalcamento ou de defesa psicológica.

 

MATTANÓ

(19/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha o recalcamento sempre produz desprazer que seria gerado por uma tradução; o desprazer pode provocar um distúrbio do pensamento que não permitisse o trabalho de tradução. Então forma-se uma defesa natural devida à produção do desprazer. O que determina a defesa psicológica (recalcamento) é a natureza sexual do evento e sua ocorrência numa fase anterior.

Nem todas as experiências sexuais produzem desprazer; a maioria delas produz prazer. A maioria delas está ligada a um prazer não passível de inibição, este prazer constitui uma compulsão.

Quando uma experiência sexual é recordada numa fase diferente, a liberação de prazer é acompanhada por uma compulsão e a liberação de desprazer é acompanhada pelo recalcamento.

Outra consequência das experiências sexuais prematuras é a perversão, cuja causa parece consistir em que a defesa ou não ocorreu antes de estar completo o aparelho psíquico, ou ocorreu nunca.

O recalcamento ou defesa psicológica produz sofrimento até mesmo em sua tradução, diante da libido, da comunhão e do exercício da força que exercem o trabalho de tradução; o distúrbio do pensamento quando não pode ser inibido em sua energia de libido, comunhão e/ou exercício da força constitui uma compulsão; numa fase diferente a liberação do prazer da libido, da comunhão e/ou do exercício da força é acompanhada de compulsão, e a liberação de desprazer da libido, da comunhão e/ou do exercício da força é acompanhada de recalcamento ou de defesa psicológica. Da mesma forma o recalcamento sempre produz desprazer através do mundo e da realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha que é uma substituição da realidade operante por outra, agora metafórica, Socialista ou Comunista, que produz uma consciência, cultura e conhecimento mediante o recalcamento que como vimos, produz desprazer, um trabalho de tradução e de defesa psicológica, porém outras experiências podem produzir prazer como as de compulsão, mas as de perversão por serem uma defesa e não ocorrerem por completo constituem desprazer, assim o Socialismo e o Comunismo como cultura, conhecimento e modelo de consciência e de realidade, mesmo que metafórica, podem produzir prazer através das compulsões e também podem produzir desprazer através das perversões, contribuindo para a formação da conceituação e da opinião pública a respeito desses modos de relação ou de metáforas Vermelhas, que são o Socialismo e o Comunismo, podendo desencadear conflitos, guerras, queixas e protestos, até movimentos em defesa e contra o que também chamamos de ideologias.

 

MATTANÓ

(26/09/2025)

 

 

 

 

 

 

CARTA 55

 

…Estou-lhe remetendo duas idéias recentíssimas, que me ocorreram hoje e me parecem viáveis. Baseiam-se, naturalmente, em descobertas analíticas.

(1) O que determina uma psicose (ou seja, amência ou psicose confusional - uma psicose de subjugação, como a denominei anteriormente), em lugar de uma neurose, parece ser o fato de o abuso sexual ocorrer antes do fim do primeiro estágio intelectual - isto é, antes de o aparelho psíquico ter sido completado na sua primeira forma (antes dos 15 a 18 meses). É possível que tal abuso remonte a uma época tão remota que essas experiências permaneçam ocultas atrás de experiências mais recentes e que a elas se possa voltar de tempos em tempos. Penso que a epilepsia remonta ao mesmo período… Tenho de abordar de maneira diferente o tic convulsif, que eu costumava atribuir ao mesmo estágio. Eis como cheguei a essa outra visão. Um de meus pacientes histéricos… levou sua irmã mais velha a uma psicose histérica, que terminou num estado de completa confusão. Agora averigüei qual foi o sedutor dele, um homem de grande capacidade intelectual que, no entanto, tinha tido ataques da mais grave dipsomania a partir dos seus cinqüenta anos. Esses ataques começavam regularmente, com diarréia ou com catarro e rouquidão (o sistema sexual oral!) … isto é, com a reprodução de suas experiências passivas. Ora, até ele próprio sentir-se doente, esse homem tinha sido pervertido e, conseqüentemente, sadio. A dipsomania surgiu através da intensificação - ou melhor, através da substituição do impulso sexual correlato por esse impulso [para a bebida]. (Provavelmente, o mesmo se aplica à mania de jogatina do velho F.) Ocorreram entre esse sedutor e meu paciente, sendo que a irmã deste, que tinha menos de um ano de idade, presenciou algumas delas. Meu paciente, mais tarde, veio a ter relações com ela, que se tornou psicótica na puberdade. Disso se pode depreender como uma neurose se agrava e passa a uma psicose na geração seguinte (o que as pessoas chamam de “degeneração”), simplesmente porque uma pessoa de idade mais tenra é colhida nas malhas de uma situação dessas. Aliás, aqui está a hereditariedade desse caso [Fig. 10]:

 

 

Fig. 10

 

Espero poder contar-lhe muito mais coisas importantes a respeito desse caso, que projeta uma luz sobre três formas de doença.

(2) As perversões normalmente levam à zoofilia e têm uma característica animal. São explicadas não pelo funcionamento das zonas erógenas que foram posteriormente abandonadas, mas sim pela atuação de sensações erógenas, que depois perdem essa intensidade. Com relação a isto, convém recordar que o principal órgão dos sentidos nos animais (para fins sexuais, bem como para outros fins) é o sentido do olfato, que perdeu essa posição nos seres humanos. Na medida em que é dominante o olfato (ou o paladar), o cabelo, as fezes e toda a superfície do corpo - e também o sangue - têm um efeito sexualmente excitante. Sem dúvida está em conexão com isso o aumento do sentido do olfato na histeria. O fato de que os grupos de sensações têm muito a ver com a estratificação psicológica parece ser dedutível a partir da distribuição deles nos sonhos e, sem dúvida, têm uma conexão direta com o mecanismo da anestesia histérica.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Os grupos de sensações têm muito a ver com a estratificação psicológica dedutível a partir deles, da distribuição deles, nos sonhos.

Nos sonhos distribuímos nossas sensações de acordo com uma estratificação psicológica que é observável pelo relato e pela análise do sonho. As sensações se distribuem em sensações exógenas e endógenas ao próprio corpo, ambas podem fazer parte dos sonhos.

Os sonhos podem revelar um caminho, uma direção, uma trajetória, a Trajetória dos Heróis e o Ciclo Cosmogênico.

 

MATTANÓ

(19/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha os grupos de sensações têm muito a ver com a estratificação psicológica dedutível a partir deles, da distribuição deles, nos sonhos.

Nos sonhos distribuímos nossas sensações de acordo com uma estratificação psicológica que é observável pelo relato e pela análise do sonho. As sensações se distribuem em sensações exógenas e endógenas ao próprio corpo, ambas podem fazer parte dos sonhos.

Os sonhos podem revelar um caminho, uma direção, uma trajetória, a Trajetória dos Heróis e o Ciclo Cosmogênico. Da mesma forma as sensações que deduzimos através dos sonhos e que são observáveis pelo relato e pela análise do sonho, sensações endógenas e exógenas ao próprio corpo, agora composto de realidade e mundo virtuais, de uma metáfora, a metáfora Vermelha, do Socialismo e do Comunismo que acabam participando das sensações deduzidas através dos sonhos, tanto endógenas e que fazem parte do nosso repertório comportamental, história de vida ou cérebro, quanto exógenas como as do meio ambiente, como as leis que regulamentam o Socialismo e o Comunismo e seus símbolos, indicam um caminho, uma trajetória, um mapa cerebral, caminhos cognitivos que compõem a Trajetória dos Heróis e o Ciclo Cosmogênico que é uma forma de revisão secundária da realidade.

 

MATTANÓ

(26/09/2025)

 

 

 

 

 

CARTA 56

 

…Aliás, que diria você se eu lhe contasse que toda aquela minha história da histeria, história original e novinha em folha, já era conhecida e tinha sido publicada repetidamente uma centena de vezes - há alguns séculos? Você se lembra de que eu sempre disse que a teoria medieval da possessão pelo demônio, sustentada pelos tribunais eclesiásticos, era idêntica à nossa teoria de um corpo estranho e de uma divisão (splitting) da consciência? Mas por que é que o diabo, que se apossava das pobres bruxas, invariavelmente as desonrava, e de forma revoltante? Por que as confissões delas sob tortura tanto se assemelham às comunicações feitas por meus pacientes em tratamento psíquico? Dentro em breve, precisarei pesquisar a bibliografia do assunto. Aliás, as crueldades possibilitam o entendimento de alguns sintomas da histeria, que até agora têm permanecido obscuros. Os alfinetes que aparecem das formas mais surpreendentes, as agulhas que fazem com que as pobres criaturas tenham seus seios operados, e que são invisíveis aos raios X, embora possam ser encontradas na história de sua sedução…

Mais uma vez, os inquisidores espetam agulhas para descobrir os estigmas do demônio, e, numa situação parecida, as vítimas inventam a mesma cruel e velha história (ajudadas, talvez, pelos disfarces do sedutor). Assim, não só as vítimas, mas também os seus algozes, relembram nisso os primórdios de sua adolescência.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

A teoria medieval da possessão pelo demônio sustentada pelos tribunais eclesiásticos era idêntica à teoria de uma divisão da consciência onde os pacientes se assemelham as confissões das bruxas sob tortura, onde os pacientes são como vítimas que inventam a mesma cruel e velha história (ajudadas, talvez, pelos disfarces do sedutor). Assim, não só as vítimas, mas também os seus algozes, relembram nisso os primórdios de sua adolescência.

A mesma teoria medieval da possessão pelo demônio se aplica no caso da telepatia e da lavagem cerebral, não só as suas vítimas, mas também aos seus algozes, que podem estar relembrando os primórdios de suas vidas, as histórias inventadas segundo a mesma cruel e velha metodologia se repetem através dos disfarces do sedutor.

 

MATTANÓ

(21/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a teoria medieval da possessão pelo demônio sustentada pelos tribunais eclesiásticos era idêntica à teoria de uma divisão da consciência onde os pacientes se assemelham as confissões das bruxas sob tortura, onde os pacientes são como vítimas que inventam a mesma cruel e velha história (ajudadas, talvez, pelos disfarces do sedutor). Assim, não só as vítimas, mas também os seus algozes, relembram nisso os primórdios de sua adolescência.

A mesma teoria medieval da possessão pelo demônio se aplica no caso da telepatia e da lavagem cerebral, não só as suas vítimas, mas também aos seus algozes, que podem estar relembrando os primórdios de suas vidas, as histórias inventadas segundo a mesma cruel e velha metodologia se repetem através dos disfarces do sedutor.

Da mesma forma a teoria medieval da possessão pelo demônio criada pelos tribunais eclesiásticos se assemelha a realidade das vítimas do Socialismo e do Comunismo como forma de violência e de máquina de guerra, de força e de dominação, de repressão comportamental, psíquica e social, de poder e de maneira operante de distorção do pensamento através do mundo e da realidade virtuais, da metáfora Vermelha que assume uma identidade, consciência e atividade que regulam o trabalho, a economia, os papéis sociais, a educação, a religião, a cultura, os esportes, as ciências, as pesquisas, as tecnologias, as indústrias e as fábricas, o comércio, a agricultura, a alimentação, em alguns casos a cidadania e a política, os direitos e os deveres, e até as liberdades, etc.. O demônio se aplica a qualquer estado ou prática repressora, seja ela religiosa ou Socialista, ou mesmo Comunista, como mais um instrumento de panfletagem e de dominação, de convencimento, de argumentação, para se atingir a vontade e se convencer, para fazer com que se criem certezas e verdades, para buscar adesão ao seu projeto Socialista ou Comunista. Tentar convencer que o demônio não existe e que ele é um delírio ou uma fantasia sexual ou de poder acaba quase sempre em tragédia, pois somos animais e quem criou essa teoria conta com a força e a esperteza dos mais fortes e capazes para defendê-la, nem que custe a morte ou a tortura dos seus questionadores através dos tribunais que podem ser religiosos ou Socialistas e Comunistas.

 

MATTANÓ

(26/09/2025)

 

 

 

CARTA 57

 

…Ganha força a idéia de trazer à cena as bruxas, e penso que ela vai direto ao alvo. Começam a avolumar-se os detalhes. O seu “vôo” está explicado; o cabo de vassoura em que montam é provavelmente o grande Senhor Pênis. Suas reuniões secretas, com danças e outros divertimentos, podem ser vistas, todos os dias, nas ruas onde há crianças brincando. Outro dia, li que o ouro que o diabo dá a suas vítimas habitualmente se transforma em fezes; e, no dia seguinte, Herr E., que me descreve os delírios de dinheiro de sua antiga babá, de repente (por meio de um circunlóquio, via Cagliostro-alquimista-Dukatenscheisser) diz que o dinheiro de Louise era sempre cocô. Assim, nas histórias de feiticeiras, o dinheiro simplesmente está sendo novamente reduzido à substância da qual surgiu. Se ao menos eu soubesse por que o sêmen do diabo, nas confissões das feiticeiras, é sempre descrito como “frio”! Solicitei um exemplar do Malleus Maleficarum e, agora que fiz o arremate final no meu Kinderlähmungen, estudá-lo-ei com afinco. A história do diabo, o vocabulário dos palavrões populares, as cantigas e hábitos de tenra infância - tudo isso, atualmente, está adquirindo significação para mim. Você poderia, sem maior problema, recomendar-me alguma boa leitura, com base em sua prodigiosa memória? Com relação às danças nas confissões das bruxas, lembre-se das epidemias de dança na Idade Média. A Louise de E. era uma bruxa dançante desse tipo; muito coerentemente, foi no balé que ele se lembrou dela pela primeira vez: daí sua angústia nos teatros.

Paralelamente ao vôo e à flutuação no ar, devemos situar as proezas acrobáticas dos meninos nos ataques histéricos etc.

Em minha mente está-se formando a idéia de que, nas perversões, das quais a histeria é o negativo, podemos ter diante de nós um remanescente de um culto sexual primevo que, no Oriente semítico (Moloch, Astarte), em certa época, foi, e talvez ainda seja, uma religião…

As ações pervertidas, além disso, são sempre as mesmas - têm um significado e são executadas segundo um padrão que há de ser possível compreender.

Portanto, venho sonhando com uma religião demoníaca primeva, cujos ritos são executados secretamente, e compreendo o tratamento severo prescrito pelos juízes das bruxas. Os elos de ligação são abundantes.

Uma outra contribuição para essa corrente de idéias deriva da reflexão de que há uma classe de pessoas que, ainda nestes dias em que vivemos, contam histórias semelhantes às das bruxas e às de meus pacientes; não encontram quem lhes dê crédito, mas, mesmo assim, sua crença nelas não pode ser abalada. Como você deve ter adivinhado, refiro-me aos paranóicos, cujas queixas de que as pessoas põem fezes em sua comida, maltratam-nos à noite da maneira mais abjeta, sexualmente etc., são mero conteúdo da memória. Como você sabe, tenho feito uma diferenciação entre delírios da memória e delírios interpretativos [pág. [1]]. Estes últimos estão relacionados com a indefinição característica que cerca as pessoas que praticam as maldades, pessoas que, naturalmente, estão ocultas pela defesa.

Um detalhe a mais. Nos pacientes histéricos, reconheço o pai por trás de seus elevados padrões referentes ao amor, de sua humildade para com o amante, ou da sua incapacidade de casar, porque seus ideais não são satisfeitos. Naturalmente, o fundamento disso é a altura a partir da qual um pai olha com superioridade para o filho. Compare-se a isso a combinação, existente nos paranóicos, de megalomania com histórias fictícias de filiação ilegítima. Este é o outro lado da medalha.

 

Ao mesmo tempo, estou tendo menos certeza da idéia, que estive acalentando até há pouco tempo, de que a escolha da neurose é determinada pelo período em que esta se origina; antes, ela parece estar fixada na mais remota infância. Parece, contudo, que a decisão continua a oscilar entre o período em que ela se origina e (o que prefiro atualmente) o período em que ocorre o recalcamento. [Cf em [1].]

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Freud interpreta a cena do seu caso de forma psicossexual, onde, por exemplo, o cabo de vassoura em que montam representa o grande Senhor Pênis, e onde o dinheiro representa as fezes.

 Mattanó interpreta a cena do caso de forma à Trajetória dos Heróis onde o cabo de

vassoura onde montam representa as forças que se unem para o bem-aventurado. As forças se unem para fortalecer o herói que aceita sua viagem, seu chamado, e a ele será entregue amuletos e objetos com forças e poderes que o fazem crer, ser e estar preparado para a jornada contra as forças adversárias e contrárias a sua ida aventurada. Surgem eventos e personagens que lhe darão o poder através desses amuletos ou objetos de poder ou transformação. O poder benigno e protetor será seu destino e o próprio destino. Passará por limiares e pelos despertares da vida, o santuário será o seu coração e todas as formas do inconsciente estarão ao seu favor, nenhuma força da humanidade poderá agir contra ele, o herói. O dinheiro também representa as forças que se unem para o bem-aventurado, onde a ele será entregue objetos com forças e poderes (o dinheiro) que o fazem crer, ser e estar preparado para a sua jornada contra as forças adversárias e contrárias a sua ida aventurada. Surgem eventos e acontecimentos, personagens, pessoas que lhe darão o poder desses amuletos ou objetos de poder como o dinheiro que lhe proporcionarão transformação. Seu destino governará sua vida e seu próprio destino, inclusive seu poder e seu dinheiro. Ele passará por limiares e encontrará as respostas em seu coração, em seu interior, quando nenhuma força da humanidade poderá agir contra ele.

 

MATTANÓ

(21/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha Freud interpreta a cena do seu caso de forma psicossexual, onde, por exemplo, o cabo de vassoura em que montam representa o grande Senhor Pênis, e onde o dinheiro representa as fezes.

Mattanó interpreta a cena do caso de forma à Trajetória dos Heróis onde o cabo de

vassoura onde montam representa as forças que se unem para o bem-aventurado. As forças se unem para fortalecer o herói que aceita sua viagem, seu chamado, e a ele será entregue amuletos e objetos com forças e poderes que o fazem crer, ser e estar preparado para a jornada contra as forças adversárias e contrárias a sua ida aventurada. Surgem eventos e personagens que lhe darão o poder através desses amuletos ou objetos de poder ou transformação. O poder benigno e protetor será seu destino e o próprio destino. Passará por limiares e pelos despertares da vida, o santuário será o seu coração e todas as formas do inconsciente estarão ao seu favor, nenhuma força da humanidade poderá agir contra ele, o herói. O dinheiro também representa as forças que se unem para o bem-aventurado, onde a ele será entregue objetos com forças e poderes (o dinheiro) que o fazem crer, ser e estar preparado para a sua jornada contra as forças adversárias e contrárias a sua ida aventurada. Surgem eventos e acontecimentos, personagens, pessoas que lhe darão o poder desses amuletos ou objetos de poder como o dinheiro que lhe proporcionarão transformação. Seu destino governará sua vida e seu próprio destino, inclusive seu poder e seu dinheiro. Ele passará por limiares e encontrará as respostas em seu coração, em seu interior, quando nenhuma força da humanidade poderá agir contra ele.

Vemos aqui que as forças se unem para o bem-aventurado, bem como para a vida psicossexual que suscita um desejo que pode lhe render uma transformação através de objetos de poder ou amuletos como o dinheiro, seu destino ou caminho governará sua vida, inclusive seu poder e dinheiro, então encontrará respostas em seu coração, em seu interior e despertará para a vida que neste caso é em parte construída a partir do mundo e da realidade virtuais da metáfora Vermelha, do Socialismo e do Comunismo, que retira em sua atividade e prática institucional o poder de amuletos como o dinheiro sobre sua prática e ideologia ou metáfora Vermelha que nos ensina que:

O comunismo é uma ideologia que propõe a construção de uma sociedade alternativa por meio da derrubada do capitalismo. Essa nova sociedade seria baseada na ideia de igualdade, sendo caracterizada pela ausência de Estado, classes sociais e propriedade privada e na qual todos teriam acesso ao trabalho e à riqueza produzida. Vemos que aqui as forças que se unem para o bem-aventurado levam-no para outro caminho, um caminho construído na ideia de igualdade e na de ausência de capitalismo e de propriedade privada, bem como de Estado, porém continuam influenciando-o em sua trajetória.

O comunismo, dessa maneira, é parte do socialismo científico, ideologia estabelecida com base no trabalho de Karl Marx e Friedrich Engels, dois alemães conhecidos como os autores do Manifesto Comunista. O surgimento do comunismo se deu no contexto das transformações causadas pela Revolução Industrial.

O comunismo é uma ideologia que propõe a superação do capitalismo.

Defende a construção de uma sociedade baseada na igualdade.

Nele, o Estado, as classes sociais e a propriedade privada seriam abolidas, pois não seriam mais necessárias.

Foi estruturado por Karl Marx e Friedrich Engels.

Seria implantado por meio de uma revolução dos trabalhadores e do estabelecimento de um estágio intermediário conhecido como socialismo.

O comunismo é uma ideologia que se estabeleceu como alternativa ao capitalismo. Essa é uma ideologia política e socioeconômica que se propôs a construir uma sociedade baseada no senso de igualdade e justiça, onde haja trabalho para todos e onde a riqueza produzida seja dividida de maneira igual. Vemos que a ideologia comunista leva o bem-aventurado por outro caminho, um caminho baseado no senso de igualdade e justiça, de trabalho para todos e de riqueza partilhada de maneira igual, de modo a ressignificar sua Trajetória dos Heróis.

O propósito final do comunismo é formar uma sociedade sem o capitalismo, em que não haveria a necessidade da existência do Estado, da propriedade privada e também das classes sociais. Por isso, no comunismo, esses três fatores seriam abolidos. A forma como o comunismo seria estabelecido é algo debatido dentro do que conhecemos como socialismo científico.

Dentro dessa vertente socialista, também conhecida como marxismo, o comunismo é o estágio final de um processo de transformação da sociedade. Primeiramente, a substituição da ordem capitalista começa a ser realizada por meio de uma revolução conduzida pelos trabalhadores, na qual se estabelece o socialismo. Vemos que o dinheiro é substituído pela revolução conduzida pelos trabalhadores para manter a ordem no trabalho e nas relações sociais, trata-se de uma transformação da sociedade que leva o bem-aventurado a outro caminho, o da revolução.

No socialismo, os meios de produção e o Estado são controlados pelos trabalhadores, que realizam medidas de distribuição de renda e medidas para tornar a sociedade mais justa. Ao mesmo tempo, toda a parcela de trabalhadores vai tomando consciência do seu papel, e, quando o capitalismo tiver sido superado, na política e na ideologia, então o comunismo é implantado.

O comunismo, do ponto de vista sociológico, é entendido por muitos como uma sociedade utópica, pois não haveria classes sociais nem propriedade privada nem Estado. O controle da sociedade seria feito pelos próprios trabalhadores, de maneira autogestionada. Todos teriam trabalho a ser realizado e todos — cada qual dentro de sua necessidade — usufruiriam da riqueza gerada pelo trabalho.

Um dos símbolos internacionais do comunismo é a foice e o martelo, presentes na bandeira da União Soviética. Esse símbolo se popularizou nesse país após a Revolução Russa de 1917 e tem um significado bastante simples: o martelo representa os trabalhadores operários e a foice representa os camponeses.

Esse símbolo se tornou uma marca do comunismo não só na União Soviética, mas em todo o mundo, sendo adotado por partidos comunistas de diferentes nações. A foice e o martelo eram um símbolo que representava a união de camponeses e operários, algo fundamental para o sucesso da revolução proletária e o desenvolvimento do socialismo.

O estabelecimento de uma sociedade baseada em ideais de igualdade é algo encontrado em diferentes momentos da história, inclusive na Antiguidade. No caso do comunismo, sua origem teve relação direta com o socialismo e, consequentemente, com a Revolução Industrial. O estabelecimento do socialismo foi uma resposta ideológica à consolidação do capitalismo. Aqui o bem-aventurado assumiu sua nova forma, sua nova consciência, cultura, conhecimento e realidade, sua nova identidade, sua nova atividade.

A Revolução Industrial resultou no surgimento da indústria e na formação do capitalismo, dando origem a uma série de modificações na realidade. Entre essas mudanças, destacaram-se as alterações na forma de produção de mercadorias, nas relações de trabalho e a exploração dos trabalhadores, que ficou muito mais intensa.

O período da Revolução Industrial foi marcado por trabalhadores que cumpriam sua jornada por horas e horas em condições degradantes, sem direito algum e com salários irrisórios, que mal pagavam as despesas básicas desses indivíduos. Esse cenário levou à origem de ideais, como o socialismo, que defendiam medidas em benefício dos trabalhadores, com propostas de reduzir a exploração dessa classe. Aqui o bem-aventurado sempre se destacou como o nosso único herói nas horas decisivas e mais revolucionárias, transformadoras.

Entretanto, os idealizadores desse socialismo utópico propunham uma série de medidas que incluía a reforma da sociedade em que eles viviam, com o objetivo de formar uma sociedade mais igualitária, sem necessariamente se voltar contra o capitalismo.

O comunismo surgiu com a estruturação do socialismo científico por Karl Marx e Friedrich Engels. Um dos escritos mais conhecidos desses dois pensadores alemães é o Manifesto Comunista, publicado originalmente em 1848. Esse livro ajudou a estruturar os ideais do comunismo, pois, nele, Marx e Engels realizaram uma profunda análise do capitalismo, explicando a forma pela qual os trabalhadores eram explorados pela classe detentora dos meios de produção, a burguesia.

A tensão entre essas duas classes, entendida como luta de classes, é que levará à superação do capitalismo, visto que os trabalhadores são explorados e não têm acesso àquilo que produzem. A continuidade desse processo levará a uma revolução da classe trabalhadora, que implantará o socialismo e, no momento certo, o comunismo. Aqui o bem-aventurado será o mediador destas transformações sociais ou da manutenção da paz e da ordem através da justiça.

Dentro do que conhecemos como socialismo científico, o comunismo e o socialismo não são a mesma coisa. Relembrando que, na teoria marxista, o socialismo é a etapa que se inicia com a revolução dos trabalhadores. Estes passariam a controlar o Estado e os meios de produção, implantando modificações e preparando a sociedade para o estágio seguinte.

O socialismo é, portanto, o estado intermediário que antecede a implantação do comunismo. Vimos que o comunismo é o estágio final, em que o capitalismo é superado. A implantação do comunismo viria acompanhada da abolição do Estado, da propriedade privada e também das classes sociais.

Teoricamente, não. A explicação para isso é simples, pois o comunismo pressupõe não apenas uma sociedade que superou o capitalismo, mas que foi profundamente transformada a ponto de não haver mais necessidade de classes sociais, propriedade privada e Estado. Não houve nenhuma nação na história que tenha sido transformada a esse ponto. Isto pois o bem-aventurado nunca completou sua aventura e a transformou em mensagem transformadora, ou seja, ele continua no estômago da baleia.

O que podemos falar é que existiram nações socialistas ao longo do século XX, algumas ainda se intitulam assim no século XXI. O caso mais conhecido de nação socialista foi a União Soviética, que surgiu na década de 1920 como parte da transformação da Rússia em uma nação socialista, em 1917.

Importante considerar também que, ao longo do século XX, desenvolveu-se uma confusão enorme acerca do uso dos termos socialista e comunista, principalmente porque comunista passou a ser bastante associado com aquilo que se ligava ao governo de Moscou. A União Soviética, por sua vez, dentro do socialismo científico, não pode ser considerada uma nação comunista.

O socialismo é uma ideologia de matiz política, econômica e filosófica que realizou uma análise científica do capitalismo como forma de propor a sua superação. Os socialistas defendem o estabelecimento de uma sociedade justa e igualitária e traçaram caminhos diferentes para que isso fosse alcançado.

Assim, foram estabelecidos dois tipos de socialismo, a saber: o utópico e o científico. O primeiro defende a transformação da sociedade por meio de reformas, e o segundo defende a transformação da sociedade e a abolição do capitalismo pela via revolucionária. As experiências socialistas se diferem dos dois tipos e são conhecidas como socialismo real.

É uma ideologia política, econômica e filosófica que propõe a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Surgiu na passagem do século XVIII para o século XIX, durante o contexto da Revolução Industrial.

Existem dois tipos de socialismo: o utópico e o científico.

O socialismo utópico propõe a construção de uma sociedade mais igualitária por meio de reformas e sem necessariamente acabar com o capitalismo.

O socialismo científico propõe a construção de uma nova sociedade por meio da derrubada do capitalismo pela via revolucionária. O socialismo seria a transição para o comunismo.

As experiências socialistas que se estabeleceram ao longo do século XX, com destaque para a União Soviética, receberam o nome de socialismo real. Vemos que estas experiências tiverem destaque pois o nosso herói em sua Trajetória conseguiu estabelecer uma boa relação com seu investimento de bem-aventurado.

O socialismo é uma ideologia política e econômica que não tem data de surgimento fixa nem um autor, uma vez que foi construído ao longo do tempo e se formou pela contribuição de diferentes pensadores. Contudo, há um norte que podemos estabelecer como o momento de sua origem.

Assim, o socialismo surgiu entre os séculos XVIII e XIX, no contexto da Revolução Industrial, e se estabeleceu por meio das propostas de diferentes intelectuais, como Pierre Leroux, Robert Owen, Saint-Simon, Charles Fourier, entre outros. Esses primeiros pensadores ficaram conhecidos como membros do chamado socialismo utópico.

Posteriormente, o socialismo foi melhor sistematizado por Karl Marx e Friedrich Engels, dois intelectuais alemães que estudaram o capitalismo em profundidade e estabeleceram uma teoria que recebeu o nome de socialismo científico e que é a base teórica do socialismo moderno.

Mencionamos que o contexto de surgimento do socialismo foi a Revolução Industrial. Esse acontecimento foi responsável pelo surgimento da indústria e trouxe significativo avanço tecnológico, além do aumento da produção de mercadorias e riquezas. Contudo, o estabelecimento da indústria também veio acompanhado de inúmeros problemas, sobretudo, para as classes trabalhadoras.

Esse período da Revolução Industrial ficou marcado pela precarização extrema das condições de vida e de trabalho da classe operária, submetida a jornadas de trabalho exaustivas, com poucas ou nenhuma pausa para descanso. As condições de segurança do trabalho eram as piores possíveis, e o salário que os trabalhadores recebiam era muito baixo.

Foi nesse contexto que se construiu a ideologia socialista, e ela se estabeleceu como alternativa ao modelo capitalista, propondo profundas reformas na sociedade ou mesmo a sua transformação pela via revolucionária. O surgimento da ideologia socialista orientou, em partes, os movimentos de trabalhadores do começo do século XIX, que conquistaram algumas melhorias para a condição do operariado. Vemos que a ideologia socialista surgiu também, em função das escolhas e das oportunidades do bem-aventurado, da sua formação, educação, consciência, cultura, conhecimento e realidade, identidade e atividade, das suas relações sociais, econômicas e trabalhistas, senão também patrimoniais e de liberdade e autonomia, das suas relações de poder, de sonho e de esperança, mas também das suas experiências recalcadas e inconscientes, infantis, domésticas e familiares.

Assim, foram a destruição do capitalismo e a luta contra as desigualdades estabelecidas por esse modelo socioeconômico que orientaram a formulação da teoria socialista. Ela, porém, se estruturou com a contribuição de vários nomes, e a mais expressiva foi a de Marx e Engels. Estudaremos os modelos de socialismo ao longo do texto.

Os socialistas querem, portanto, reduzir as desigualdades da sociedade ou então conduzir os trabalhadores ao controle da sociedade por meio da ideia de autogestão. O propósito é a construção de uma sociedade justa e igualitária.

Vimos que o socialismo surgiu no contexto da Revolução Industrial, foi construído por diferentes contribuições e visa ao estabelecimento de uma sociedade mais igualitária. Essa ideologia é de caráter político, econômico e filosófico, propondo a transformação social.

O socialismo pode ser entendido como uma ideologia revolucionária, dentro da vertente científica, mas é entendido também como reformista se se considera as propostas utópicas (logo abaixo veremos as diferenças entre elas). Os dois caminhos procuram reduzir a exploração sobre a população trabalhadora.

O combate às desigualdades do sistema capitalista deverá ser conduzido pelo próprio Estado, no entanto, os trabalhadores têm um papel crucial nesse processo ao tomarem conta dos meios de produção. A regulação da economia e do mercado também se realizará pelo Estado, que promoverá a socialização da riqueza produzida. Vemos aqui que o bem-aventurado toma outra forma e adquire outro repertório comportamental, tendo que lutar contra os meios de produção e pela regulação da economia que a socializará, optando por um novo caminho e uma nova mensagem, por uma nova forma de se produzir riquezas.

Dentro da proposta científica, o socialismo é entendido apenas como uma etapa de transição entre o capitalismo e o comunismo, pois entende-se que, uma vez que as desigualdades foram combatidas e a igualdade se estabeleceu, as classes serão abolidas junto do Estado, e essa nova etapa é entendida como o comunismo.

Historicamente, a vertente mais popular do socialismo foi mesmo a científica, proposta por Marx e Engels, embora as experiências socialistas que existiram ao longo da história não sejam consideradas dessa forma, sendo entendidas como socialismo real.

Algumas características do socialismo são:

* socialização da produção de riqueza;

* controle dos meios de produção pelos trabalhadores;

* combate às desigualdades;

* abolição da propriedade privada;

* tomada do poder pela via revolucionária;

* abolição das classes sociais;

* centralização do poder no Estado.

O socialismo utópico é o nome utilizado para se referir aos socialistas do começo do século XIX. Recebeu esse nome como uma crítica de Marx e Engels, que não concordavam com a proposta. Esse socialismo se estabeleceu no começo do século XIX e foi formulado por pensadores como Robert Owen, Saint-Simon, Charles Fourier, entre outros.

Os socialistas utópicos defendem a transformação da sociedade por meio de reformas que mitiguem os efeitos negativos do capitalismo. Eles não partilham de muitas ideias consolidadas pelo socialismo científico. Assim, por exemplo, a ideia da luta de classes, isto é, a luta das classes trabalhadoras contra os detentores dos meios de produção, não é um elemento presente nessa vertente.

O socialismo utópico quer uma sociedade igualitária, mas não acredita no caminho revolucionário para tal, e sim que a construção dessa sociedade mais justa se dará por meio de um Estado que regule e controle a divisão das riquezas profundas. Os socialistas utópicos defendem que as classes dominantes devem entender que esse processo será benéfico para todos.

Além disso, alguns deles não são contrários à existência da propriedade privada e outros não defendem o fim do capitalismo como meio para a implantação de uma sociedade igualitária. Isso foi bastante criticado por Marx exatamente por defenderem a construção de uma sociedade mais igualitária, mas sem apresentarem os meios para isso e sem defenderem a abolição do sistema capitalista.

O socialismo científico foi elaborado por Karl Marx e Friedrich Engels também no século XIX e estabeleceu uma proposta para um estudo científico do sistema capitalista como caminho para estabelecer uma crítica a ele e também um método para a sua superação.

O socialismo proposto por Marx e Engels, como mencionado, é apenas uma etapa de transição para o comunismo, pois, uma vez que uma sociedade justa e igualitária for estabelecida por intermédio do Estado e dos trabalhadores, o próprio Estado será abolido, e daí se consolidará o comunismo, com uma sociedade justa e governada diretamente pelos próprios trabalhadores.

O socialismo científico entende que a história humana é baseada na luta de classes — o conceito de que a classe de trabalhadores oprimidos luta contra as classes dominantes detentoras dos meios de produção, isto é, de tudo o que produz riqueza, como as fábricas, a terra, entre outros.

No contexto do século XIX, entendia-se que essa luta de classes se dava pela burguesia, a classe que controlava a riqueza e possuía os meios de produção, em especial, as indústrias; e pelo proletariado, a classe de despossuídos que não tinham nada além de sua força de trabalho para viver e, portanto, garantiam sua sobrevivência vendendo seu tempo de vida.

Essa teoria socialista estabelece, portanto, que a tomada da consciência de classe do proletariado seja um passo essencial para a derrubada da lógica capitalista, uma vez que entende que a tomada do poder deve ser conduzida pelos trabalhadores. Os meios de produção, assim, serão socializados, as propriedades privadas serão abolidas e administradas pelo Estado em benefício da comunidade, e a riqueza será partilhada de maneira igual." Vemos que ainda hoje as pessoas continuam despossuídas, não tem nada além de sua força de trabalho para viver e darem significado e sentido para suas vidas, garantindo assim sua sobrevivência, vendendo seu tempo de vida para o Estado que é o controlador de todos. O socialismo acredita que o controle das riquezas deve ser feito pelo Estado, que deve conduzir o processo de distribuição do que é produzido pela sociedade.

Quando se fala de socialismo real, refere-se às experiências socialistas ao longo da história humana. Essas experiências são entendidas como divergentes da teoria do socialismo científico, uma vez que não seguiram totalmente o que propuseram Marx e Engels. Assim, entende-se que o socialismo real não foi a execução plena dos ideais socialistas.

O primeiro país que se intitulou como uma nação socialista foi a Rússia, conhecida como União Soviética a partir da década de 1920. Sua transformação em nação socialista se deu por meio de uma revolução armada conduzida pelos bolcheviques em 1917, conhecida como Revolução Russa.

A experiência soviética inspirou experiências socialistas em outras partes do planeta, como China, Cuba, Vietnã, Leste Europeu, Alemanha Oriental, nações africanas, entre outros. Cada país implantou o socialismo sobre bases distintas, embora o modelo soviético tenha servido para muitos deles.

As experiências do socialismo real são profundamente criticadas por terem se afastado do que propuseram Marx e Engels no socialismo científico, pois não estabeleceram uma sociedade justa e igualitária como um todo, fortaleceram o papel do Estado (o Estado para Marx servia apenas para promover uma sociedade igualitária antes de sua abolição), isso sem falar nas violências cometidas contra as populações por diferentes governos socialistas, como o cambojano e o russo (principalmente no período stalinista).

Ao longo do texto, viu-se que o socialismo se estabeleceu como uma alternativa ao modelo de sociedade capitalista, defendendo a superação desse modelo seja por meio de reformas (como defendem os socialistas utópicos), seja por meio da revolução (como defenderam Marx e Engels no socialismo científico).

Podemos considerar que o modelo de sociedade capitalista é exatamente o contrário do que defendem os socialistas, uma vez que o capitalismo se baseia em algumas características, como:

lucro;

acúmulo das riquezas;

exploração do trabalho humano;

propriedade privada.

O socialismo estabelece outras propostas, pois é contrário à ideia do trabalho como gerador de lucro, e sim o defende como o meio pelo qual a humanidade deve se sustentar. Além disso, o ele é contra a ideia de concentração das riquezas, e defende a sua distribuição para que toda a sociedade compartilhe da riqueza produzida por ela.

O socialismo também é contra a exploração do trabalho conforme acontece dentro da sociedade capitalista, pois o trabalho deve ser distribuído igualmente entre todos, assim como a riqueza produzida, e, sem concentração de riquezas, não existirá a propriedade privada. O capitalismo liberal acredita em uma economia sem a intervenção do Estado, mas o socialismo acredita que o controle das riquezas deve ser feito pelo Estado, que deve conduzir o processo de distribuição do que é produzido pela sociedade.

O socialismo é entendido como uma etapa para a transformação da sociedade e a implantação do comunismo. Nesse processo, a produção de riqueza é controlada pelo Estado, que promove uma sociedade justa e igual, em que todos têm acesso à riqueza e às mesmas oportunidades. O socialismo, portanto, é o método que pode ser utilizado para abolir as práticas capitalistas. Aqui o bem-aventurado trabalha para abolir as práticas capitalistas, pois adquiriu este repertório comportamental em sua Trajetória de Vida.

Uma vez que as práticas capitalistas forem abolidas, a riqueza produzida será distribuída igualmente e os trabalhadores estarão preparados para se autogerirem dentro dessa proposta de uma sociedade justa e igualitária, e então o Estado será abolido. Junto do Estado, as classes sociais serão abolidas porque todos terão acesso às mesmas oportunidades e terão a mesma riqueza. Quando isso acontecer, estará implantado o comunismo." Vemos que o bem-aventurado tem uma missão difícil e que hoje parece estar utrapassada, a implantação do comunismo, pois somos seres com um organismo psíquico que nos ensina e capacita a acumular e gerenciar riquezas, a ter propriedades ou propriedades privadas, a ter riquezas e diferenças sociais construídas com base na educação, na religião e no trabalho, na história de vida, nos caminhos cognitivos e nos mapas cerebrais que por si só, são únicos e são uma propriedade privada, e são uma riquezas, um tesouro quando bem manipulados e trabalhados, pois podem gerar riquezas e patrimônio, liberdade e trabalho, autonomia e identidade, uma personalidade, caráter e temperamento, ciclos circadianos, uma homeostase, a própria homeostase é realizada de forma a selecionar eventos e estímulos no organismo que são num dado momento desencadeantes de prazer e reforço (neste momento, nossa riqueza, economia psíquica, valorização e ganho) em detrimento de outros que selecionam dor e punição (que neste momento, são nossa pobreza, economia psíquica, desvalorização e perda), estímulos com valores ou valências que fazem do nosso corpo e do nosso cérebro um local de investimento e de acúmulo de energias, toxinas e resíduos que por sua vez indicam o local mais ativo e menos ativo ou afetado ou doente e não afetado ou saudável que opera em função da sua sobrevivência e da sua reprodução bio-psico-social, de modo a construir as zonas erógenas do organismo, que têm esta função, de sobrevivência e reprodução bio-psico-social, adquirindo novos nomes e funções como de cultura, educação e de economia através do seu desenvolvimento.

 

MATTANÓ

(30/09/2025)

 

 

 

 

CARTA 59

 

…O aspecto que me escapou na solução da histeria está na descoberta de uma nova fonte a partir da qual surge um novo elemento da produção inconsciente. O que tenho em mente são as fantasias histéricas, que, habitualmente, segundo me parece, remontam a coisas ouvidas pelas crianças em tenra idade e compreendidas somente mais tarde. A idade em que elas captam informações dessa ordem é realmente surpreendente - dois seis ou sete meses em diante!…

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Sobre as fantasias podemos especular que elas originam-se de eventos que ouvimos mais cedo, na mais tenra idade e somente as compreendemos mais tarde.

Na lavagem cerebral se produz um intermitente e duradouro estado de alienação que se constrói através do aniquilamento da consciência, da moral, do ego e do superego, inclusive das fantasias.

Na lavagem cerebral a liberdade de consciência torna-se uma tensão, um problema após o outro, onde a moral, o ego e o superego, inclusive as fantasias, tornam-se geradoras de tensão.

 

MATTANÓ

(21/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha sobre as fantasias podemos especular que elas originam-se de eventos que ouvimos mais cedo, na mais tenra idade e somente as compreendemos mais tarde.

Na lavagem cerebral se produz um intermitente e duradouro estado de alienação que se constrói através do aniquilamento da consciência, da moral, do ego e do superego, inclusive das fantasias.

Na lavagem cerebral a liberdade de consciência torna-se uma tensão, um problema após o outro, onde a moral, o ego e o superego, inclusive as fantasias, tornam-se geradoras de tensão.
 Vemos que as fantasias no mundo e na realidade virtuais da metáfora Vermelha ou do Socialismo e do Comunismo também surge na mais tenra idade e sua compreensão se dá apenas posteriormente.

Já quando abordamos a lavagem cerebral e o mundo e a realidade virtuais da metáfora Vermelha, que significa justamente o Socialismo e o Comunismo como formas de distorção do pensamento, da consciência, da realidade, da cultura e do conhecimento, ou seja, são substitutos da realidade operante que operam mediante uma tensão, onde a moral, o ego, o superego e as fantasias geram tensão e um aniquilamento da consciência por meio de um sofrimento gerador de relações Socialistas e Comunistas que ajuda a manter estas contingências, construindo o Estado Socialista ou Comunista.

 

MATTANÓ

(06/10/2025)

 

 

 

CARTA 60

 

…A noite passada tive um sonho referente a você. Tratava-se de uma mensagem telegráfica sobre o seu paradeiro:

Via “(Veneza) Casa SECERNO” Villa A maneira como escrevi isso mostra o que foi que pareceu obscuro e o que pareceu múltiplo. “Secerno” era o que estava mais claro. Meu sentimento em relação a isso era de aborrecimento por você não ter ido ao lugar que eu lhe recomendara: à Casa Kirsch.

Os motivos do sonho. - A causa desencadeante: acontecimentos do dia anterior. H. esteve aqui e falou a respeito de Nuremberg, dizendo que conhecia muito bem essa cidade e costumava hospedar-se no Preller. Não consegui recordá-lo imediatamente, mas, depois, perguntei: “Fora da cidade, então?” Essa conversa despertou-me a pena que tenho sentido ultimamente por não saber onde você tem estado e não ter notícias suas. Eu queria ter você como meu interlocutor e contar-lhe algo daquilo que andei experimentando e descobrindo em meu trabalho. Mas não tive coragem de enviar minhas anotações para destino ignorado, pois teria desejado pedir-lhe que as guardasse para mim como material de valor. De modo que se tratava da realização do desejo de que você telegrafasse, dando-me seu endereço. Existe todo tipo de coisas por trás do enunciado do telegrama: a lembrança do prazer etimológico que você me proporciona, minha menção a “fora da cidade”, feita a H., mas também coisas sérias que logo acudiram à minha mente. “Como se você sempre tivesse de ter algo de especial!” é o que diz meu aborrecimento. E, depois, o fato de você não gostar nem um pouco da Idade Média. E mais, ainda, minha contínua reação a seu sonho de defesa que tentou colocar um avô no lugar costumeiro do pai. Com referência a isso, minha constante irritação por não saber como lhe posso dar uma pista para descobrir quem era a pessoa que chamava I. F. de “Katzel” [gatinho] quando ela era criança, tal como agora ela trata você. Visto que eu próprio ainda estou em dúvida a respeito das coisas referentes ao pai, minha sensibilidade se torna compreensível. Assim, o sonho enfeixa todo o aborrecimento inconscientemente presente em mim em relação a você.

Além disso, o enunciado significa também:

Via (ruas de Pompéia, que estou estudando).

Villa (a Villa Romana de Böcklin).

 

E depois, nossas conversas sobre viagem. Secerno me soa parecido com Salerno: napolitano-siciliano. E, por trás disso, sua promessa de um encontro em solo italiano.

A interpretação completa só me ocorreu depois que um feliz acaso, ocorrido esta manhã, trouxe uma nova confirmação da etiologia referente ao pai. Ontem, comecei o tratamento de um caso novo: uma jovem senhora, que, por falta de tempo, eu teria preferido não começar a tratar. Ela teve um irmão que morreu louco; e o sintoma principal dela (insônia) apareceu pela primeira vez depois que ela ouviu afastar-se da porta da frente da casa a carruagem que o levaria para o hospício. Desde então, ela tem sofrido de angústia ao andar de carruagem e vinha tendo a convicção de que haveria um acidente com a carruagem. Anos depois, os cavalos dispararam durante um passeio de carruagem, e ela aproveitou a oportunidade para saltar fora do veículo e quebrar a perna. Hoje, ela veio e relatou ter pensado um bocado no tratamento e ter descoberto um obstáculo. - “E o que foi?” - “Eu posso me imaginar tão má quanto for necessário; mas preciso poupar as outras pessoas. O senhor deve me permitir que eu não cite nomes.” - “Sem dúvida, os nomes não são importantes. A senhora quer se referir aos seus relacionamentos com pessoas. Estes certamente não podem ser silenciados.” - “O que eu quero dizer é que, de qualquer modo, antes eu teria sido mais fácil de tratar do que hoje. Antigamente, eu não tinha suspeitas; mas agora o sentido criminoso de certas coisas se tornou claro para mim, e eu não consigo decidir-me a falar sobre elas.” - “Pelo contrário, eu penso que uma mulher adulta se torna mais tolerante a respeito dos assuntos sexuais.” - “Sim, nisso o senhor tem razão. Quando digo a mim mesma que as pessoas que fazem tais coisas são indubitavelmente de espírito elevado, sou forçada a refletir que se trata de uma doença, uma espécie de loucura, e preciso desculpá-las.” - “Está bem, vamos falar francamente. Em minhas análises, as pessoas culpadas são parentes próximos, um pai ou um irmão.” - “Não há irmão nesse caso.” - “Seu pai, então.”

E aí descobriu-se que o pai, supostamente uma pessoa de mente elevada e respeitável, em outros aspectos, levava-a regularmente para a cama, quando ela estava entre 8 e 12 anos, e abusava dela sexualmente, sem penetração (“molhava-a”, visitas noturnas). Já naquela época, sentia-se angustiada. Uma irmã, seis anos mais velha, contou-lhe, alguns anos mais tarde, que tinha tido as mesmas experiências com o pai de ambas. Uma prima contou-lhe que, quando tinha quinze anos, tivera de rechaçar os abraços do avô. Naturalmente, quando eu lhe disse que coisas parecidas e piores deveriam ter acontecido em sua mais remota infância, ela não achou que isso fosse inacreditável. Em outras palavras, trata-se de um caso bastante comum de histeria, com os sintomas de sempre.

  1. E. D.

 

 

 RELEITOR (MATTANÓ):

Para Freud as pessoas culpadas pelos assuntos de seus pacientes são parentes próximos delas, pai ou irmão, por exemplo.

Para Mattanó o interesse foca-se na análise, na interpretação, nos assuntos dos pacientes e em seus significados e sentidos que muitas vezes são diferentes do acontecido, ou do real, o acontecido ou real fica encoberto por novos significados e novos sentidos que se produzem continuamente como no caso das fantasias. Para Mattanó as pessoas culpadas não são somente os parentes próximos mas também os cuidadores, os responsáveis e os de maior representatividade para elas como artistas e pessoas famosas.

 

MATTANÓ

(21/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha Freud nos explica que as pessoas culpadas pelos assuntos de seus pacientes são parentes próximos delas, pai ou irmão, por exemplo.

Para Mattanó o interesse foca-se na análise, na interpretação, nos assuntos dos pacientes e em seus significados e sentidos que muitas vezes são diferentes do acontecido, ou do real, o acontecido ou real fica encoberto por novos significados e novos sentidos que se produzem continuamente como no caso das fantasias. Para Mattanó as pessoas culpadas não são somente os parentes próximos mas também os cuidadores, os responsáveis e os de maior representatividade para elas como artistas e pessoas famosas.

Contudo para a metáfora Vermelha do Socialismo e do Comunismo temos ainda a interferência do Estado como responsável pelo acontecido, pelo real, pelos significados e pelos sentidos, no caso das fantasias, pela representatividade, pelo domínio e pelo controle, pela literalidade e pelas razões, pelos contextos que o indivíduo seleciona e responde, de modo a manter seu comportamento pelas suas consequências.

 

MATTANÓ

(06/10/2025)

 

 

 

 

CARTA 61

 

…Como você pode deduzir pelo anexo [Rascunho L], meus progressos estão-se consolidando. Em primeiro lugar, formei uma idéia coerente a respeito da estrutura da histeria. Tudo remonta à reprodução das cenas, a algumas das quais se pode chegar diretamente, enquanto a outras, só por meio de fantasias erigidas à frente delas. As fantasias derivam de coisas que foram ouvidas, mas só compreendidas posteriormente, e todo o seu material, naturalmente, é verídico. São estruturas protetoras, sublimações dos fatos, embelezamentos deles e, ao mesmo tempo, servem como auto-absolvição. Talvez sua origem desencadeante se deva às fantasias de masturbação. Um segundo elemento de compreensão interna (insight) do assunto me diz que as estruturas psíquicas que, na histeria, são afetadas pelo recalcamento não são, na realidade, lembranças - de vez que ninguém se entrega à atividade mnêmica sem um motivo -, mas sim impulsos decorrentes das cenas primevas [ver em [1]]. [1] Percebo, agora, que todas as três neuroses (histeria, neurose obsessiva e paranóia) mostram os mesmos elementos (ao mesmo tempo que mostram a mesma etiologia) - ou seja, fragmentos mnêmicos, impulsos (derivados da lembrança) e ficções protetoras, e percebo que a irrupção na consciência, a formação de compromissos (isto é, sintomas), ocorre nessas neuroses em pontos diferentes. Na histeria, são as lembranças, na neurose obsessiva, os impulsos pervertidos, na paranóia, as ficções protetoras (fantasias) que penetram na vida normal, distorcidos pela formação de compromissos.

Vejo aqui um grande progresso na compreensão (insight). Espero que isso lhe cause o mesmo impacto.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Para Freud as fantasias derivam de coisas que foram ouvidas, mas só foram compreendidas posteriormente, e todo seu material é verídico.

Para Mattanó as fantasias também derivam de coisas que foram ouvidas e só foram compreendidas posteriormente, mas seu material não é necessariamente verídico, pois deriva de significados, sentidos, conceitos, contextos, funcionalidades e comportamentos que servem como auto-absolvição em função das estruturas protetoras, sublimações dos afetos e embelezamentos.

 

MATTANÓ

(22/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha Freud explica que as fantasias derivam de coisas que foram ouvidas, mas só foram compreendidas posteriormente, e todo seu material é verídico.

Para Mattanó as fantasias também derivam de coisas que foram ouvidas e só foram compreendidas posteriormente, mas seu material não é necessariamente verídico, pois deriva de significados, sentidos, conceitos, contextos, funcionalidades e comportamentos que servem como auto-absolvição em função das estruturas protetoras, sublimações dos afetos e embelezamentos.

Vemos que as fantasias no mundo e na realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo, através das metáforas Vermelhas, pode tanto explicar eventos reais quanto eventos não necessariamente verídicos que servem como uma auto-absolvição de estruturas protetoras, sublimações de afetos e embelezamentos que compõem a substituição da realidade operante do mundo real por outra, agora metafórica e Vermelha, Socialista e Comunista, capaz de alterar suas relações com o Estado, com a economia, a propriedade privada, com a riqueza, com o trabalho, com a indústria e o comércio, com a agricultura, com os transportes e com a liberdade, com a saúde e com o dinheiro, com os planos de saúde, com as profissões, com as escolas, com as igrejas, com a comunicação e com a informação, com a cidadania, com a justiça, com o desenvolvimento social e urbano, com o desenvolvimento militar e tecnológico, com o desenvolvimento científico e artístico, tudo isto através de desapropriações e de corrupção ideológica, moral, sexual, no poder, na informação, na cidadania, na justiça e na segurança, inclusive bancária e financeira, com muita lavagem de dinheiro, através, acreditem de ¨crucificações¨! Isto mesmo, ¨crucificações¨! ¨Crucificações¨ vendidas para o Vaticano!

 

MATTANÓ

(06/10/2025)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RASCUNHO L [NOTAS I]

A ARQUITETURA DA HISTERIA

 

O objetivo parece ser o de chegar [retroativamente] às cenas primevas. Em alguns casos, isso é conseguido diretamente, mas, em outros, somente por um caminho indireto, através das fantasias. Pois as fantasias são fachadas psíquicas construídas com a finalidade de obstruir o caminho para essas lembranças. As fantasias servem, ao mesmo tempo, à tendência de aprimorar as lembranças, de sublimá-las. São feitas de coisas que são ouvidas e posteriormente utilizadas; assim, combinam coisas que foram experimentadas e coisas que foram ouvidas, acontecimentos passados (da história dos pais e dos ancestrais) e coisas que a própria pessoa viu. Relacionam-se com coisas ouvidas, assim como os sonhos se relacionam com coisas vistas. Nos sonhos, realmente, não ouvimos nada, nós vemos.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Para Freud não ouvimos coisa alguma nos sonhos, apenas vemos.

Para Mattanó não somente vemos coisas nos sonhos, mas também ouvimos e sentimos, nosso corpo é capaz de perceber o meio ambiente mesmo durante os sonhos, inclusive o próprio funcionamento corporal é percebido e agregado aos sonhos.

 

MATTANÓ

(22/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha, em Freud, não ouvimos coisa alguma nos sonhos, apenas vemos.

Para Mattanó não somente vemos coisas nos sonhos, mas também ouvimos e sentimos, nosso corpo é capaz de perceber o meio ambiente mesmo durante os sonhos, inclusive o próprio funcionamento corporal é percebido e agregado aos sonhos.

Vemos que os sonhos quando analisados e interpretados por meio do mundo e da realidade virtuais, do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha, passam a adquirir propriedades virtuais que participam da distorção do conteúdo manifesto e do conteúdo latente, gerando uma nova forma ou configuração que produz significados e sentidos relacionados a sua realidade e mundo virtuais, do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha que é uma forma de substituição da realidade, da cultura, do conhecimento e da consciência individual e coletiva.

 

MATTANÓ

(15/10/2025)

 

 

 

 

 

 

O PAPEL DESEMPENHADO PELAS EMPREGADAS

Uma imensa carga de culpa, com autocensuras (por furto, aborto etc.), torna-se possível [para uma mulher] através da identificação com essas pessoas de baixo padrão moral, que tão freqüentemente são lembradas por ela como mulheres sem valor, sexualmente ligadas com o pai ou o irmão dela. E, como resultado da sublimação dessas empregadas nas fantasias, fazem-se as mais inverossímeis acusações contra outras pessoas nessas fantasias. O temor da prostituição [isto é, de se tornar prostituta] (medo de andar sozinha na rua), o medo de que haja um homem escondido debaixo da cama etc. também apontam na direção das empregadas. Há uma trágica justiça no fato de que a ação do chefe da família, ao descer ao nível de uma empregada, é expiada pela auto degradação de sua filha.

COGUMELOS

No verão passado, houve uma moça que tinha medo de colher uma flor ou mesmo de arrancar um cogumelo, porque isso era contra o mandamento de Deus, que não queria que as sementes vivas fossem destruídas. - Isso provinha de uma lembrança dos provérbios religiosos que sua mãe citava, dirigidos contra as precauções durante o coito, porque estas significavam que se destruíam sementes vivas. As “esponjas” (esponjas de Paris) eram explicitamente mencionadas entre tais precauções. O principal conteúdo da neurose dessa moça era a identificação com a mãe.

 

DORES

Estas não são a sensação real de uma fixação, mas uma repetição intencional da mesma. A criança choca-se contra uma quina, um móvel etc., e assim realiza um contacto ad genitalia, a fim de repetir uma cena na qual aquilo que agora é o ponto doloroso, e foi então pressionado contra a quina, levou à fixação. [Cf. em [1]]

 

MULTIPLICIDADE DE PERSONALIDADES PSÍQUICAS

A existência da identificação talvez nos permita tomar literalmente essa expressão.

 

EMBRULHAR

Continuação da história do cogumelo. A moça insistia em que todos os objetos que lhe eram entregues fossem embrulhados. (Condom.)

EDIÇÕES MÚLTIPLAS DAS FANTASIAS -ESTARÃO TAMBÉM RETROSPECTIVAMENTE VINCULADAS [À EXPERIÊNCIA ORIGINAL]?

Nos casos em que um paciente deseja estar doente e se apega à sua doença, isso acontece, geralmente, porque a doença é considerada uma arma protetora contra sua própria libido - ou seja, porque ele desconfia de si mesmo. Nessa fase, o sintoma mnêmico torna-se um sintoma defensivo: combinam-se as duas correntes atuantes. Nos estágios precedentes, o sintoma era uma conseqüência da libido, um sintoma provocativo: pode ser que, entre os estágios, as fantasias sirvam de defesa.

É possível seguir o caminho, a época e o material da construção das fantasias. Vê-se então, que ela em muito se assemelha à construção dos sonhos. Mas não há regressão na forma [de representação] conferida às fantasias, somente progressão. Observe-se a relação entre sonhos, fantasias e reprodução.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Quando o paciente desconfia de si mesmo sua doença é sua arma protetora contra sua libido, segundo Freud.

Para Mattanó, quando o paciente desconfia de si mesmo sua doença é sua arma protetora contra sua libido, comunhão e exercício da força, contra sua Trajetória dos Heróis e seu Ciclo Cosmogênico.

 

MATTANÓ

(22/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha quando o paciente desconfia de si mesmo, sua doença é sua arma protetora contra sua libido, segundo Freud.

Para Mattanó, quando o paciente desconfia de si mesmo, sua doença é sua arma protetora contra sua libido, comunhão e exercício da força, contra sua Trajetória dos Heróis e seu Ciclo Cosmogênico.

Da mesma forma, quando o paciente desconfia de si mesmo, sua doença transforma-se em sua arma protetora contra seu mundo e realidade virtuais, contra o Socialismo e o Comunismo, contra a metáfora Vermelha que são substitutos de uma realidade, consciência, cultura e conhecimento que não está obtendo sucesso e nem reforço.

 

MATTANÓ

(15/10/2025)

 

 

 

 

 

 

 

OUTRO SONHO DE REALIZAÇÃO DE DESEJO

“O senhor vai dizer, segundo suponho, que este é um sonho de realização de desejo”, disse E. [em [1]]. “Sonhei que, assim que chegava em casa com uma mulher, eu era preso por um policial, que me mandou entrar numa carruagem. Pedi-lhe tempo, a fim de colocar meus assuntos em ordem, e assim por diante.” - “Mais alguns detalhes.” - “Isso foi de manhã, depois de eu ter passado a noite com essa mulher.” - “Você ficou com medo?” - “Não.” - “Sabe de que era acusado?” - “Sim. De ter matado uma criança.” - “Isso tem alguma conexão com a realidade?” - “Uma vez, fui responsável pelo aborto de uma criança, em decorrência de um caso amoroso. Não gosto de pensar nisso.” - “Bem, não tinha acontecido nada nessa manhã, antes do sonho?” - “Sim, acordei e tive relações sexuais.” - “Mas você tomou precauções?” - “Sim. Eu tirei fora.” - “Então, você estava com medo de ter gerado um filho, e o sonho lhe mostra a realização de seu desejo de que não acontecesse nada e de você ter arrancado o filho pela raiz. Você utilizou, como material para o seu sonho, o sentimento de angústia que surge após uma relação desse tipo.” [1]

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Utilizamos, segundo Freud, no sonho como material para o próprio sonho o sentimento de angústia gerado de algum contexto que nos preocupa.

Para Mattanó pode ser possível que utilizemos para o próprio sonho o comportamento de telepatia e de lavagem cerebral para o próprio sonho associado ao sentimento de angústia gerado por algum contexto associado a telepatia e a lavagem cerebral; em função disto torna-se mais uma vez imprescindível afirmar que é urgente julgar e fazer justiça quando ocorrem casos de telepatia e de lavagem cerebral e que deve haver igualdade e nunca discriminação ou preconceito, que os contaminados e vítimas da telepatia e da lavagem cerebral como cobaias humanas devem ser protegidos na forma da lei. Desta forma afirmar que alguém é telepata depende de exame médico, clínico, laboratorial e de DNA que comprovem esta hipótese, senão é calúnia e difamação, falsidade ideológica! Falsidade ideológica é crime grave e na saúde causa gravíssimos problemas como a periclitação da vida e da saúde!

 

MATTANÓ

(22/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha utilizamos, segundo Freud, no sonho como material para o próprio sonho o sentimento de angústia gerado de algum contexto que nos preocupa.

Para Mattanó pode ser possível que utilizemos para o próprio sonho o comportamento de telepatia e de lavagem cerebral para o próprio sonho associado ao sentimento de angústia gerado por algum contexto associado a telepatia e a lavagem cerebral; em função disto torna-se mais uma vez imprescindível afirmar que é urgente julgar e fazer justiça quando ocorrem casos de telepatia e de lavagem cerebral e que deve haver igualdade e nunca discriminação ou preconceito, que os contaminados e vítimas da telepatia e da lavagem cerebral como cobaias humanas devem ser protegidos na forma da lei. Desta forma afirmar que alguém é telepata depende de exame médico, clínico, laboratorial e de DNA que comprovem esta hipótese, senão é calúnia e difamação, falsidade ideológica! Falsidade ideológica é crime grave e na saúde causa gravíssimos problemas como a periclitação da vida e da saúde!

Vemos que tanto para Freud quanto para Mattanó atribuímos ao sentimento de angústia nosso sofrimento diante do desconhecido e do que não temos controle, como os sonhos e a telepatia ou a lavagem cerebral e suas consequências, mas também atribuímos ao sentimento de angústia o nosso sofrimento diante das contingências do mundo e da realidade virtuais, do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha que criam um muro de contingências que limitam e proíbem as liberdades, direitos e deveres e a cidadania, inclusive o direito a Justiça, a economia e ao patrimônio que são extensões do próprio corpo humano, tanto psíquico através das fases psicossexuais, quando do corpo físico através de ferramentas e instrumentos que se adaptam as operações, habilidades, motivações e interesses do Homo Sapiens em relação ao meio ambiente interno e externo, até mesmo o Estado Socialista ou Comunista é uma extensão do corpo psíquico e do corpo físico do Homo Sapiens, pois visam satisfazer suas necessidades e interesses do Homo Sapiens, como ferramentas e instrumentos ideológicos e de relações econômicas, políticas e sociais, inclusive militares, religiosas e de exploração espacial, contudo sempre motivados pelo mesmo sentimento de angústia que surge diante do desconhecido e do que não temos controle.

 

MATTANÓ

(15/10/2025)

 

 

 

RASCUNHO M

[NOTAS II]

A ARQUITETURA DA HISTERIA

 

Provavelmente, é assim: algumas das cenas são diretamente acessíveis, mas outras o são apenas por intermédio das fantasias erigidas em frente a elas. As cenas são dispostas em ordem crescente de resistência: as que foram recalcadas com menos energia vêm à luz primeiro, porém só incompletamente, devido a sua associação com as que foram duramente recalcadas. O caminho seguido pelo trabalho [analítico] desce primeiro em círculos até as cenas ou suas cercanias; depois, desce de um sintoma até uma profundidade um pouco maior, e depois, novamente a partir de um sintoma, desce ainda mais. Como a maioria das cenas converge para uns poucos sintomas, nosso caminho traça círculos repetidos através dos pensamentos que estão por trás dos mesmos sintomas. [Ver Fig. 11.]

 

 

Fig. 11

 

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

As cenas são dispostas em ordem crescente de resistência: as que foram recalcadas com menos energia vêm a luz primeiro, porém só incompletamente, devido a sua associação com as que foram duramente recalcadas.

Na lavagem cerebral as cenas são dispostas para causar tensão e alienação, loucura, é um processo semelhante ao de introduzir uma colher e  colocá-la no cérebro de propósito da vítima por ódio ou crime de ódio para atrapalhar o funcionamento cerebral e mental da vítima, prejudicando a saúde e a vida do indivíduo, de sua família e de suas relações.

 

MATTANÓ

(22/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha as cenas são dispostas em ordem crescente de resistência: as que foram recalcadas com menos energia vêm a luz primeiro, porém só incompletamente, devido a sua associação com as que foram duramente recalcadas.

Na lavagem cerebral as cenas são dispostas para causar tensão e alienação, loucura, é um processo semelhante ao de introduzir uma colher e colocá-la no cérebro de propósito da vítima por ódio ou crime de ódio para atrapalhar o funcionamento cerebral e mental da vítima, prejudicando a saúde e a vida do indivíduo, de sua família e de suas relações.

Vemos que as cenas recalcadas no mundo e na realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha dependem de uma ordem crescente de resistência, e que as cenas que sofrem interferência da lavagem cerebral acabam sofrendo uma alteração funcional na sua adaptação, no seu comportamento, fisiologia e morfologia, atrapalhando o funcionamento  cerebral e mental da vítima, que se vê desorientada e com a necessidade de reconstruir sua personalidade.

 

MATTANÓ

(25/10/2025)

 

 

 

 

 

RECALCAMENTO

Pode-se suspeitar que o elemento essencialmente recalcado é sempre o que é feminino. Isso é confirmado pelo fato de que as mulheres, assim como os homens, admitem com maior facilidade as experiências com mulheres do que com homens. O que os homens recalcam essencialmente é o elemento da pederastia.

 

 

 

 

FANTASIAS

As fantasias originam-se de uma combinação inconsciente, e conforme determinadas tendências, de coisas experimentadas e ouvidas. Essas tendências têm o sentido de tornar inacessível a lembrança da qual emergiram ou poderiam emergir os sintomas. As fantasias são construídas por um processo de amálgama e distorção análogo à decomposição de um corpo químico que está combinado com outro. Pois o primeiro tipo de distorção consiste numa falsificação da memória por um processo de fragmentação, no qual especialmente as relações cronológicas são postas de lado. (As correções cronológicas parecem depender justamente da atividade do sistema da consciência.) Um fragmento da cena visual junta-se, depois, a um fragmento da experiência auditiva e é transformado numa fantasia, enquanto o fragmento restante é ligado a alguma outra coisa. Desse modo, torna-se impossível determinar a conexão original. Em conseqüência da construção de fantasias como esta (em períodos de excitação), os sintomas mnêmicos cessam. Em vez destes, acham-se presentes ficções inconscientes não sujeitas à defesa. Quando a intensidade dessa fantasia aumenta até um ponto em que forçosamente irromperia na consciência, ela é recalcada e cria-se um sintoma mediante uma força que impele para trás, indo desde a fantasia até as lembranças que a constituíram.

Todos os sintomas de angústia (fobias) derivam, assim, de fantasias. Não obstante, isso simplifica os sintomas. Talvez haja um terceiro movimento para a frente e um terceiro método de construir sintomas, derivado da construção dos impulsos.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Os sintomas de angústia derivam de fantasias.

Para Mattanó derivam das fantasias experiências as quais o indivíduo não necessariamente esteve, como as do mundo ideal e animal, ou seja, não somente do real, por exemplo, por associação mental e comportamental.

 

MATTANÓ

(22/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha os sintomas de angústia derivam de fantasias.

Para Mattanó derivam das fantasias experiências as quais o indivíduo não necessariamente esteve, como as do mundo ideal e animal, ou seja, não somente do real, por exemplo, por associação mental e comportamental.

Da mesma forma os sintomas de angústia no mundo e na realidade virtuais, do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha, derivam de fantasias, que são conteúdos de onde o indivíduo nunca esteve, mas também são combinações inconscientes de coisas experimentadas e ouvidas no mundo ideal, animal ou real, por associações mentais e comportamentais extraídas do meio ambiente Socialista ou Comunista, com suas leis, regras e valores.

 

MATTANÓ

(25/10/2025)

 

 

 

 

 

 

TIPOS DE DESLOCAMENTO DE COMPROMISSO

Deslocamento por associações: histeria.

Deslocamento por semelhança (conceitual): neurose obsessiva (característica do lugar em que ocorre a defesa e, talvez, também do tempo).

Deslocamento causal: paranóia.

 

CURSO TÍPICO DOS ACONTECIMENTOS

Bons motivos para suspeitar de que o despertar do recalcado não se dá ao acaso, mas segue as leis do desenvolvimento. Ademais, que o recalcado atua para trás, a partir do que é recente, e afeta primeiro os últimos eventos.

 

DIFERENÇA ENTRE AS FANTASIAS NA HISTERIA E NA PARANÓIA

As últimas são sistematizadas, todas em harmonia umas com as outras; as primeiras são independentes entre si e contraditórias - isto é, insuladas e, por assim dizer, geradas automaticamente (por um processo químico). Isto e mais a eliminação da característica do tempo é, sem dúvida, essencial para a a diferenciação entre a atividade do pré-consciente e do inconsciente. [Ver em [1]]

RECALCAMENTO NO INCONSCIENTE

Não basta levar em conta o recalcamento entre o pré-consciente e o inconsciente; devemos também atentar para o recalcamento normal dentro do sistema do próprio inconsciente. Muito importante, mas ainda muito obscuro.

Existe uma esperança muito grande de conseguirmos determinar o número e a espécie de fantasias, assim como conseguimos fazer com as cenas. O romance de ilegitimidade (cf. paranóia [em [1]]) é regularmente encontrado e serve como meio para ilegitimar os parentes em questão. A agorafobia parece depender de um romance de prostituição, que, por sua vez, também remonta a esse romance familiar. Assim, uma mulher que não sai sozinha está afirmando a infidelidade de sua mãe.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Lavagem cerebral com telepatia é destruir e contaminar prolongando e arruinando o encadeamento de respostas comportamentais encobertas e manifestas, fazendo da mente uma mistura de mentes, de ideias e de valores, de crenças e de ideologias que se fundem e se confundem desencadeando a despersonalização.

 

MATTANÓ

(23/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a lavagem cerebral com telepatia é destruir e contaminar prolongando e arruinando o encadeamento de respostas comportamentais encobertas e manifestas, fazendo da mente uma mistura de mentes, de ideias e de valores, de crenças e de ideologias que se fundem e se confundem desencadeando a despersonalização. Da mesma forma a lavagem cerebral com a telepatia no mundo e na realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha, torna-se algo extremamente ruinoso e prejudicial para a saúde mental dos indivíduos, para a sua identidade, consciência, cultura, conhecimento e realidade, pois causa uma perda de identidade, de consciência, de cultura pessoal, de conhecimento individual e de realidade, transformando o seu mundo e o seu meio ambiente em evento virtuais, que passam a controlar o seu comportamento, por meio da literalidade, das razões, do controle e dos contextos, até mesmo por meio da dessensibilização, contudo a solução parece ser a reconstrução da sua personalidade para que estas variáveis possam novamente fazer significado e sentido em sua vida mental e comportamental.

 

MATTANÓ

(25/10/2025)

 

 

 

 

 

 

CARTA 64

 

… Aqui estão alguns fragmentos lançados à praia na última maré. Venho tomando nota deles somente para você e espero que os guarde para mim. Nada acrescendo à guisa de desculpas ou explicações: sei que são apenas premonições, mas sempre surgiu algo de todas as coisas desse tipo e só tive que voltar atrás no que tentei elaborar em torno do sistema Pcs. [Cf. em [1].] Um outro pressentimento também me diz, como eu já sabia - embora eu de fato não saiba absolutamente nada -, que muito em breve descobrirei a origem da moralidade…

 

Não faz muito tempo, sonhei que tinha sentimentos supercarinhosos para com Mathilde, só que ela se chamava Hella, e depois vi novamente “Hella” diante de mim, escrito em letras destacadas. Solução: Hella é o nome de uma sobrinha americana cujo retrato nos foi enviado. Mathilde pôde ser chamada Hella porque, ultimamente, tem chorado muito as derrotas dos gregos. Ela tem grande entusiasmo pela mitologia da antiga Hélade e, naturalmente, considera heróis todos os helenos. O sonho, é claro, mostra a realização do meu desejo de encontrar um pai que seja o causador da neurose e, desse modo, pôr fim às dúvidas que ainda persistem em mim sobre esse assunto.

Numa outra ocasião, sonhei que subia uma escadaria, vestido com muito pouca roupa. Eu me movimentava, como o sonho enfatizou, com grande agilidade (meu coração - confiança renovada!). De repente, porém, percebi que uma mulher vinha atrás de mim, e então aconteceu aquela experiência, tão comum nos sonhos, de ficar pregado no mesmo lugar, de estar paralisado. A sensação concomitante não foi de angústia, mas de excitação erótica. Assim, você vê como a sensação de paralisia, característica do sono, foi usada para a realização de um desejo exibicionista. Pouco antes, naquela noite, eu realmente tinha subido a escadaria do nosso apartamento no andar térreo - sem colarinho, pelo menos - e tinha pensado que um de nossos vizinhos poderia estar na escada.

 

RASCUNHO N

[NOTAS III] IMPULSOS

 

Os impulsos hostis contra os pais (desejo de que eles morram) também são um elemento integrante das neuroses. Vêm à luz, conscientemente, como idéias obsessivas. Na paranóia, o que há de pior nos delírios de perseguição (desconfiança patológica dos governantes e monarcas) corresponde a esses impulsos. Estes são recalcados nas ocasiões em que é atuante a compaixão pelos pais - nas épocas de doença ou morte deles. Nessas ocasiões, constitui manifestação de luto uma pessoa acusar-se da morte deles (o que se conhece como melancolia) ou punir-se numa forma histérica (por intermédio da idéia de retribuição) com os mesmos estados [de doença] que eles tiveram. A identificação que aí ocorre, como podemos verificar, nada mais é do que um modo de pensar, e não nos exime da necessidade de procurar o motivo.

Parece que esse desejo de morte, no filho, está voltado contra o pai e, na filha, contra a mãe. Uma empregada faz uma transferência disso, desejando que a patroa morra e, desse modo, o patrão possa casar-se com ela. (Cf. o sonho de Lisl a respeito de Martha e de mim.)

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

O desejo de morte, no filho, está voltado contra o pai e, na filha, contra a mãe. Muito provavelmente em função da libido, da comunhão e do exercício da força, da Trajetória dos Heróis e do Ciclo Cosmogênico que impelem o filho ou a filha a terem o desejo de morte pelo genitor do mesmo sexo, para se identificarem e assumirem o papel dele ou dela e se prepararem para a vida adulta, mas antes para a vida escolar, para o período de latência, somente depois, para a Fase Genital.

 

MATTANÓ

(23/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha o desejo de morte, no filho, está voltado contra o pai e, na filha, contra a mãe. Muito provavelmente em função da libido, da comunhão e do exercício da força, da Trajetória dos Heróis e do Ciclo Cosmogênico que impelem o filho ou a filha a terem o desejo de morte pelo genitor do mesmo sexo, para se identificarem e assumirem o papel dele ou dela e se prepararem para a vida adulta, mas antes para a vida escolar, para o período de latência, somente depois, para a Fase Genital. Da mesma forma o desejo de morte, no filho, está voltado contra o pai e, na filha, contra a mãe quando abordamos o mundo e a realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha, que vai modelando o comportamento e o inconsciente do indivíduo para assumir esse papel de genitor do mesmo sexo após a fase genital.

 

MATTANÓ

(05/11/2025)

 

 

 

 

RELAÇÃO ENTRE IMPULSOS E FANTASIAS

Parece que as lembranças se bifurcam: parte delas é posta de lado e substituída por fantasias; outra parte, mais acessível, parece conduzir diretamente aos impulsos. Será possível que, posteriormente, os impulsos também decorram das fantasias?

De modo semelhante, a neurose obsessiva e a paranóia derivariam ex aequo [nos mesmos termos] da histeria, o que explicaria a incompatibilidade entre elas.

 

TRANSPOSIÇÃO DA CRENÇA

A crença (e a dúvida) é um fenômeno que pertence inteiramente ao sistema do ego (o Cs.) e não tem contrapartida no Inc. Nas neuroses, a crença é deslocada: é recusada ao material recalcado, quando ele pressiona no sentido da reprodução, e - como punição, poder-se-ia dizer - é transposta para o material que executa a defesa. Titânia, que se recusa a amar Oberon, seu marido legítimo, é obrigada, em vez disso, a entregar seu amor a Bottom, o asno da fantasia.

 

POESIA E FINE FRENZY

O mecanismo da poesia [criação literária] é o mesmo das fantasias histéricas. Para compor seu Werther, Goethe combinou algo que havia experimentado (seu amor por Lotte Kästner) e algo que tinha ouvido (o destino do jovem Jerusalém, que se suicidou). Provavelmente, Goethe estava brincando com a idéia de se matar; encontrou nisso um ponto de contato e identificou-se com Jerusalém, de quem tomou emprestado o motivo para sua própria história de amor. Por meio dessa fantasia, protegeu-se das conseqüências de sua experiência.

De modo que Shakespeare tinha razão ao justapor a poesia e a loucura (fine frenzy).

 

MOTIVOS PARA A CONSTRUÇÃO DOS SINTOMAS

Recordar nunca é um motivo, mas apenas uma maneira, um método. O primeiro motivo para a construção de sintomas é, cronologicamente, a libido. Portanto, os sintomas, como os sonhos, são a realização de um desejo.

Em estágios subseqüentes, a defesa contra a libido conquista seu espaço também no Inc. A realização de desejos deve preencher os requisitos dessa defesa inconsciente. Isso acontece quando o sintoma é capaz de atuar como um auto-impedimento, seja por meio de punição (por um impulso mau) ou a partir da desconfiança. Os motivos da libido e da realização de desejo como punição agem, nesse caso, por soma. Aqui é inequívoca a tendência geral no sentido da ab-reação e da irrupção do recalcado, e a isso se somam os dois outros motivos. O que parece é que, em fases posteriores, por um lado, algumas estruturas psíquicas complexas (impulsos, fantasias, motivos) são deslocadas das lembranças e, por outro lado, a defesa, surgindo do Pcs. (o ego), pareceria abrir caminho para dentro do inconsciente, de modo que a defesa também se torna multilocular.

A construção de sintomas por identificação está ligada às fantasias - isto é, a seu recalcamento no Inc. - numa forma análoga à da modificação do ego na paranóia [em [1]]. Como a irrupção da angústia está ligada a essas fantasias recalcadas, devemos concluir que a transformação da libido em angústia não ocorre por intermédio da defesa atuante entre o ego e o Inc., mas sim no Inc. como tal. Conclui-se, pois, que existe também uma libido Inc.

Parece que o recalcamento dos impulsos produz não angústia, mas talvez depressão - melancolia. Desse modo, as melancolias estão relacionadas com a neurose obsessiva.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Para Freud recordar não é um motivo, mas um método. O primeiro motivo para a construção dos sintomas é a libido. Os sintomas, como os sonhos, são realizações de um desejo.

Para Mattanó recordar também não é um motivo, é apenas um método para a investigação psicanalítica. Os motivos para a construção dos sintomas são a libido, a comunhão e o exercício da força. Os sintomas, assim como os sonhos, são como a telepatia e a lavagem cerebral, a alteração da realidade, e o estupro virtual, são realização de um desejo.

 

MATTANÓ

(23/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha, para Freud, recordar não é um motivo, mas um método. O primeiro motivo para a construção dos sintomas é a libido. Os sintomas, como os sonhos, são realizações de um desejo.

Para Mattanó recordar também não é um motivo, é apenas um método para a investigação psicanalítica. Os motivos para a construção dos sintomas são a libido, a comunhão e o exercício da força. Os sintomas, assim como os sonhos, são como a telepatia e a lavagem cerebral, a alteração da realidade, e o estupro virtual, são realização de um desejo. Da mesma forma recordar através do mundo e da realidade virtuais trata-se apenas de um método, enquanto que a substituição da realidade pelo seu conteúdo ou mecanismo de compensação expõe os sintomas e o desejo que afligem o paciente ou indivíduo.

 

MATTANÓ

(05/11/2025)

 

 

 

DEFINIÇÃO DE “SANTIDADE”

A “santidade” é algo que se baseia no fato de que os seres humanos, em benefício da comunidade maior, sacrificaram uma parte de sua liberdade sexual e de sua liberdade de se entregarem às perversões. O horror ao incesto (como coisa ímpia) baseia-se no fato de que, em conseqüência da comunidade da vida sexual (mesmo na infância), os membros de uma família se mantêm permanentemente unidos e se tornam incapazes de contatos com estranhos. Assim, o incesto é anti-social - a civilização consiste nessa renúncia progressiva. É o contrário do “super-homem”. [1]

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Para Freud a civilização consiste numa renúncia progressiva.

Para Mattanó a civilização consiste numa renúncia progressiva por amor, pela Pulsão de Vida, pois amar é renunciar, é fazer renúncias e fazer renúncias é sofrer. A civilização consiste num progressivo amor e num progressivo sofrimento.

 

MATTANÓ

(23/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a civilização consiste numa renúncia progressiva por amor, pela Pulsão de Vida, pois amar é renunciar, é fazer renúncias e fazer renúncias é sofrer. A civilização consiste num progressivo amor e num progressivo sofrimento. Da mesma forma a civilização consiste numa constante e progressiva renúncia ao mundo e realidade virtuais, mesmo que impliquem em dor e punição no mundo e realidade Socialistas e Comunistas, ou decorrentes da metáfora Vermelha, pois trata-se de uma forma de amor e de substituição por meio de uma compensação da realidade operante pela realidade e pelo mundo virtuais, agora Socialistas e Comunistas.

 

MATTANÓ

(05/11/2025)

 

 

 

 

CARTA 66

 

…Ainda não sei o que andou acontecendo comigo. Algo proveniente das mais recônditas profundezas de minha neurose insurgiu-se contra qualquer avanço em minha compreensão das neuroses, e você, de algum modo, esteve envolvido nisso. Isso porque minha paralisia redacional me parece destinada a impedir nossas comunicações. Não estou nada seguro disso; são apenas sentimentos de uma natureza muito obscura. Não lhe aconteceu algo parecido? Nos últimos dias, pareceu-me que se vislumbra uma saída dessa obscuridade. Constato que, nesse ínterim, realizei todo tipo de progressos em meu trabalho, e a cada momento me ocorre mais uma idéia. Para isso concorrem, sem dúvida, o tempo quente e o excesso de trabalho.

Pois bem, vejo que a defesa contra as lembranças não impede que estas dêem origem a estruturas psíquicas superiores, que persistem por algum tempo e, depois, são elas mesmas submetidas à defesa. Esta, porém, é de um tipo específico mais elevado - precisamente como nos sonhos, que contêm in nuce [numa casca de noz] a psicologia das neuroses, muito genericamente. O que temos diante de nós são falsificações da memória e fantasias - estas referentes ao passado ou ao futuro. Conheço mais ou menos as leis segundo as quais se agrupam essas estruturas e os motivos pelos quais são mais fortes do que as lembranças verdadeiras; assim, aprendi coisas novas que ajudam a caracterizar os processos do Inc. Ao lado destes, surgem impulsos pervertidos, e quando, à medida que se torna necessário posteriormente, essas fantasias e impulsos são recalcados, aparecem as determinações superiores dos sintomas, já provenientes das lembranças, e novos motivos para manter a doença. Estou estudando alguns casos típicos de agrupamento dessas fantasias e alguns fatores típicos do surgimento do recalque contra os mesmos. Esse conhecimento ainda não está completo. Minha técnica está começando a preferir um determinado método como sendo o método natural.

Parece-me que a coisa mais indubitável é a explicação dos sonhos, mas ela está cercada de uma quantidade enorme de enigmas obstinados. As questões organológicas esperam de você uma solução: nestas, não fiz nenhum progresso.

 

Existe um sonho interessante em que o indivíduo vagueia entre pessoas estranhas, total ou parcialmente despido, e com sentimentos de vergonha e angústia. Muito estranhamente, as pessoas nunca reparam nisso - o que devemos atribuir à realização de desejos. Esse material onírico, que tem sua origem no exibicionismo da infância, foi erroneamente compreendido e didaticamente transformado num conhecido conto de fadas. (As roupas imaginárias do rei - “Talismã”.) Habitualmente, o ego interpreta outros sonhos da mesma maneira equivocada.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

A realização dos desejos nos sonhos faz com que as pessoas nunca reparem neles com sentimentos de vergonha e angústia, pois têm sua origem no exibicionismo da infância. Para Freud compreender os sonhos de outro modo como aos contos de fada se dá em função da interpretação equivocada do ego. Para Mattanó o ego não se equivoca interpretando os sonhos de outra forma pois é direcionado e energizado não somente pela libido, mas também pela comunhão e pelo exercício da força, fenômenos que trazem do inconsciente ritos e mitos que vão além da sexualidade, perpassando, para a fraternidade e para a segurança.

É através da segurança que compreendemos outro fenômeno associado a telepatia: a telepatia pode repercutir os mesmos dramas e problemas das vítimas daqueles que têm seus telefones celulares clonados, pois os expõem a mensagens não veiculadas e a mentiras, a falsidades.

 

MATTANÓ

(23/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a realização dos desejos nos sonhos faz com que as pessoas nunca reparem neles com sentimentos de vergonha e angústia, pois têm sua origem no exibicionismo da infância. Para Freud compreender os sonhos de outro modo como aos contos de fada se dá em função da interpretação equivocada do ego. Para Mattanó o ego não se equivoca interpretando os sonhos de outra forma pois é direcionado e energizado não somente pela libido, mas também pela comunhão e pelo exercício da força, fenômenos que trazem do inconsciente ritos e mitos que vão além da sexualidade, perpassando, para a fraternidade e para a segurança. Da mesma forma os sonhos podem se manifestar e serem interpretados não somente no mundo e na realidade operantes que conhecemos, mas também nas substitutas ou compensatórias, como a do mundo e realidade Socialista e Comunista, da metáfora Vermelha que é um modo de assumir uma identidade, cultura, consciência, conhecimento e realidade para a sua sobrevivência num meio ambiente adverso e exigente, que exige que você evolua, selecione e compita com outras espécies e outros indivíduos da mesma espécie, ficando exposto a eventos como a involução.

É através da segurança que compreendemos outro fenômeno associado a telepatia: a telepatia pode repercutir os mesmos dramas e problemas das vítimas daqueles que têm seus telefones celulares clonados, pois os expõem a mensagens não veiculadas e a mentiras, a falsidades. Aqui da mesma forma ao do mundo e realidade Socialista e Comunista e da metáfora Vermelha podemos especular e traçar hipóteses para compreender como a telepatia afetaria as relações do ser humano diante de suas consequências como a exposição de mensagens sigilosas e secretas, íntimas e privadas para o mundo público sem controle algum, de modo que o indivíduo ou os indivíduos expostos ficariam ameaçados, transtornados, amedrontados, humilhá-los e envergonhados, com problemas e sequelas psicológicas e comportamentais que poderiam durar por toda a suas vidas, ainda mais se a sociedade fosse corrupta, falsa ideológicamente, negligente, omissa e imprudente, perseguidora e racista, se não reconhecesse esse indivíduo com telepatia como membro de sua sociedade e por isso tentavam assassiná-lo, torturá-lo, e excluí-lo de suas relações, pois não reconhecem o evento telepático e suas consequências, que normalmente são adversas e muito exigentes, pois são paranormais.

 

MATTANÓ

(11/11/2025)

 

 

 

 

CARTA 67

 

…As coisas estão fermentando dentro de mim, mas não concluí nada. Estou mais do que satisfeito com a psicologia: estou atormentado por graves dúvidas sobre minha teoria das neuroses. Minha mente anda muito preguiçosa; aqui neste lugar não consegui acalmar a agitação que há em minha cabeça e meus sentimentos; isso só pode acontecer na Itália.

Depois de ter estado muito satisfeito aqui, estou agora passando por um período de mau humor. O principal paciente que me preocupa sou eu mesmo. Minha leve histeria (muito agravada, porém, pelo trabalho) foi resolvida em mais uma parte: mas o resto ainda está na imobilidade. É principalmente disso que depende o meu humor. A análise é mais difícil do que qualquer outra coisa. É ela também que paralisa minha energia psíquica para descrever e comunicar o que consegui até agora. Mas penso que deve ser feita e que é uma etapa intermediária necessária em meu trabalho.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Para Freud a análise é mais difícil do que qualquer outra coisa. Ela paralisa a energia psíquica. Mas deve ser feita e é uma etapa intermediária necessária ao trabalho.

A análise para Mattanó também é bastante difícil. Ela pode paralisar a energia psíquica em função da resistência quando o analisando enfrenta o seu problema, este fenômeno ocorre com a energia psíquica da libido, da comunhão e do exercício da força, e deve ser feito pois faz parte essencial do trabalho analítico, do processo de cura, mesmo que seja uma etapa intermediária do trabalho, porém fundamental e indispensável.

 

MATTANÓ

(23/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a análise, segundo Freud é mais difícil do que qualquer outra coisa. Ela paralisa a energia psíquica. Mas deve ser feita e é uma etapa intermediária necessária ao trabalho.

A análise para Mattanó também é bastante difícil. Ela pode paralisar a energia psíquica em função da resistência quando o analisando enfrenta o seu problema, este fenômeno ocorre com a energia psíquica da libido, da comunhão e do exercício da força, e deve ser feito pois faz parte essencial do trabalho analítico, do processo de cura, mesmo que seja uma etapa intermediária do trabalho, porém fundamental e indispensável. Da mesma forma a análise através dos recursos do mundo e da realidade do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha, de um mundo virtual que compensa a realidade operante para que o indivíduo ou paciente se adapte ao meio ambiente e possa sobreviver e se reproduzir sexualmente e culturalmente, moralmente, para que estabeleça relações reforçadoras e mantenedoras de funcionalidade comportamental, a fim de que seu inconsciente adquira as marcas necessárias para se adaptar ao meio ambiente característico do Socialismo e do Comunismo e das suas metáforas e metoníminas, ou significados e sentidos, e assim  desenvolver uma linguagem que será sua própria linguagem produzida pelo seu inconsciente através do recalque, que termina este trabalho de formação de uma linguagem inconsciente.

 

MATTANÓ

(11/11/2025)

 

 

 

 

 

CARTA 69

 

…Confiar-lhe-ei de imediato o grande segredo que lentamente comecei a compreender nos últimos meses. Não acredito mais em minha neurotica [teoria das neuroses]. Provavelmente, isso não é compreensível sem uma explicação; afinal, você mesmo considerou crível o que lhe pude dizer. De modo que começarei, historicamente, a partir da questão da origem de meus motivos de descrença. Os contínuos desapontamentos em minhas tentativas de fazer minha análise chegar a uma conclusão real, a debandada das pessoas que, durante algum tempo, eu parecia estar compreendendo com muita segurança, a ausência dos êxitos completos com que eu havia contado, a possibilidade de explicar os êxitos parciais de outras maneiras, segundo critérios comuns - este foi o primeiro grupo [de motivos]. Depois, veio a surpresa diante do fato de que, em todos os casos, o pai, não excluindo o meu, [1] tinha de ser apontado como pervertido - a constatação da inesperada freqüência da histeria, na qual o mesmo fator determinante é invariavelmente estabelecido, embora, afinal, uma dimensão tão difundida da perversão em relação às crianças não seja muito provável. (A perversão teria de ser incomensuravelmente mais freqüente do que a histeria, de vez que a doença só aparece quando há uma acumulação de eventos e quando sobrevém um fator que enfraquece a defesa.) Depois, em terceiro lugar, a descoberta comprovada de que, no inconsciente, não há indicações da realidade, de modo que não se consegue distinguir entre a verdade e a ficção que é catexizada com o afeto. (Assim, permanecia aberta a possibilidade de que a fantasia sexual tivesse invariavelmente os pais como tema.) Em quarto lugar, a reflexão de que, na psicose mais profunda, a lembrança inconsciente não vem à tona, não sendo, pois, revelado o segredo das experiências da infância nem mesmo no delírio mais confuso. Se, dessa forma, verificamos que o inconsciente nunca supera a resistência do consciente, então também abandonamos nossa expectativa de que o inverso aconteça no tratamento, a ponto de o inconsciente ser totalmente domado pelo consciente.

Em tal medida fui influenciado por isso que estava disposto a abandonar duas coisas: a resolução completa de uma neurose e o conhecimento seguro de sua etiologia na infância. Não tenho agora nenhuma idéia do ponto a que cheguei, não obtive uma compreensão teórica do recalcamento e de sua inter-relação de forças. Parece que novamente se tornou discutível se são somente as experiências posteriores que estimulam as fantasias, que então retornam à infância; e, com isso, o fator de uma predisposição hereditária recupera uma esfera de influência da qual eu me incumbira de excluí-lo - com a intenção de elucidar amplamente a neurose.

 

Se eu tivesse deprimido, confuso ou exausto, as dúvidas desse tipo deveriam, por certo, ser interpretadas como sinais de fraqueza. De vez que estou num estado oposto, devo reconhecê-las como o resultado de um trabalho intelectual honesto e esforçado e devo ter orgulho, depois de ter ido tão a fundo, de ainda ser capaz de tal crítica. Será que essa dúvida simplesmente representa um episódio prenunciador de um novo conhecimento?

Também é digno de nota não ter havido nenhum sentimento de vergonha, para o que, afinal, poderia haver uma justificativa. Certamente, não vou contar isso em Dan nem publicá-lo em Ascalon, na terra dos filisteus. Mas, perante você e perante mim mesmo, tenho mais um sentimento de vitória do que de derrota - e, afinal, isso não está certo.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

No inconsciente não há indicações de realidade, assim, a fantasia sexual tem invariavelmente os pais como tema. Na psicose mais profunda, a lembrança inconsciente não vem a tona, não sendo revelado o segredo das experiências da infância nem no delírio mais confuso. O inconsciente nunca supera a resistência do consciente.

Para Mattanó substituir o objeto primário do inconsciente pelo objeto secundário do consciente na masturbação e no sexo é o normal, assim as experiências sexuais traumáticas telepáticas as quais fomos expostos um dia e submetidos por meio de violência, quando substituídas com ajuda da consciência na forma de objetos secundários tornam-se comportamentos saudáveis e normais, mesmo que haja uma luta em função da violência telepática, o problema é satisfazer o objeto primário, o objeto traumático ou o objeto violento.

 

MATTANÓ

(24/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha no inconsciente não há indicações de realidade, assim, a fantasia sexual tem invariavelmente os pais como tema. Na psicose mais profunda, a lembrança inconsciente não vem a tona, não sendo revelado o segredo das experiências da infância nem no delírio mais confuso. O inconsciente nunca supera a resistência do consciente. Da mesma forma no mundo e na realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha, quando abordamos o inconsciente vemos que não há indicações de realidade, sobretudo quando trata-se de uma psicose mais profunda, pois a lembrança inconsciente não vem a tona, nem mesmo o segredo das experiências da infância que causam o delírio, a compensação virtual não pode ser capaz de revelar o que o inconsciente não tem como revelar, caso contrário a cura das psicoses mais profundas estaria atrelada a realidade virtual, neste caso ao Socialismo e ao Comunismo.

Para Mattanó substituir o objeto primário do inconsciente pelo objeto secundário do consciente na masturbação e no sexo é o normal, assim as experiências sexuais traumáticas telepáticas as quais fomos expostos um dia e submetidos por meio de violência, quando substituídas com ajuda da consciência na forma de objetos secundários tornam-se comportamentos saudáveis e normais, mesmo que haja uma luta em função da violência telepática, o problema é satisfazer o objeto primário, o objeto traumático ou o objeto violento. Da mesma forma o problema em relação aos traumas e as experiências sexuais traumáticas pode ser como elas se deram no mundo e na realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha, ou seja, se o paciente ou indivíduo a interpretou como violência ou traumática, indesejável, conflitante, transtornante, perturbadora ou ameaçadora, por exemplo, desencadeada por contingências de lavagem cerebral, extorsão, vingança, despersonalização, tortura, voyeurismo e estupro virtual, e se estas contingências foram difundidas criminalmente desencadeando uma pandemia destes eventos comportamentais, que foram aumentados pelas artes e pela cultura, pelo multiculturalismo e pela ciência, pela filosofia, pela medicina e pela psicologia e pelos veículos de comunicação de massa, bem como por artistas e atletas, comerciantes e empresários que viram nessa triste realidade uma forma de enriquecer e de obter poder, fama e sexo, inclusive a Igreja que não perdeu tempo e se pôs a desejar crucificar crianças e enfermos abduzidos por alienígenas, até mesmo a planejar sequestros, roubo e morte de enfermos vítimas de abduções alienígenas e erros de profissionais da saúde, da administração e da comunicação, inclusive o Papa Francisco e o Papa Bento XVI que já me pediram desculpas por terem me estuprado, mas continuam com isso! E desejando coisa muito pior, não dá para perdoar! Eu não desculpo a Igreja, pois ela mente, quer me satanizar, mesmo sendo eu, batizado e tendo a Primeira Comunhão, todas as suas Promessas, e quer me sequestrar e assassinar e já pode ter participado do sequestro de outra familiar minha, a Lucrécia, que foi vítima de sequestro para tentaram trocar ela por mim e pela minha mãe, para nos roubarem e nos matarem e o ex-Presidente Jair Bolsonaro está envolvido nisto, assim como vários policiais daqui de Londrina e o tráfico de drogas, e tentaram envolver outras pessoas da minha família, como tios e tias e irmãos. Ontem mesmo veio outro motociclista entregar marmitas com refeição para nossa família e ele disse que me mata só por causa dos meus pensamentos que são produção de vizinhos, de policiais que ainda recebem ordens do ex-Presidente Jair Bolsonaro, mesmo estando preso, ele tem acesso a essa ¨linha restrita¨ que liga o meu inconsciente a determinadas autoridades e a determinados criminosos, inclusive executores, assassinos e sequestradores.

 

MATTANÓ

(11/11/2025)

 

 

 

CARTA 70

 

…[3 de outubro] Muito pouca coisa ainda está acontecendo comigo externamente; contudo, internamente, ocorre algo interessantíssimo. Isso porque, nos últimos quatro dias, minha auto-análise, que considero indispensável para esclarecer todo o problema, tem prosseguido nos sonhos e me presenteou com as mais valiosas inferências e indicações. Em alguns pontos, tenho a sensação de haver chegado ao término, e até agora, também, sempre tenho sabido onde é que o sonho da próxima noite vai retomar as coisas. Descrever esse fato por escrito é mais difícil do que qualquer outra coisa, e também a descrição seria imprecisa demais. Só posso dizer resumidamente que der Alte [meu pai] não teve papel ativo no meu caso, a partir de mim mesmo; que o “originador primordial” [de meus problemas] foi uma mulher feia e velha, mas esperta, que me contou uma porção de coisas a respeito de Deus todo-poderoso e do inferno e que me deu uma opinião elevada acerca das minhas próprias capacidades; que, mais tarde (entre dois e dois anos e meio de idade), minha libido foi despertada para a matrem, isto é, por ocasião de uma viagem com ela de Leipzig a Viena, durante a qual devemos ter passado a noite juntos e devo ter tido oportunidade de vê-la nudam - você tirou a conclusão disto há muito tempo no tocante a seu próprio filho, num comentário que me revelou; - que saudei o nascimento de meu irmão (que era um ano mais novo do que eu e morreu depois de alguns meses) com desejos hostis e verdadeiro ciúme infantil, e que sua morte deixou em mim a semente das autocensuras. Faz também muito tempo que conheço meu companheiro de travessuras entre um e dois anos de idade. Era meu sobrinho, um ano mais velho do que eu; atualmente vive em Manchester e nos visitou em Viena quando eu tinha quatorze anos. Parece que, algumas vezes, eu e ele nos conduzimos de maneira cruel com minha sobrinha, que era um ano mais nova. Esse sobrinho e esse irmão mais novo determinaram o que há de neurótico, mas também o que há de intenso, em todas as minhas amizades. Você mesmo viu minha angústia diante das viagens em plena atividade.

Ainda não descobri nada a respeito das cenas que subjazem a toda essa história. Se elas vierem à luz e eu conseguir resolver minha própria histeria, serei grato à memória da velha senhora que me proporcionou, em idade tão precoce, os meios de viver e de prosseguir vivendo. Como você vê, minha antiga afeição por ela está reaparecendo. Não posso dar-lhe sequer uma idéia da beleza intelectual do trabalho…

4 de outubro… O sonho de hoje apresentou o que se segue, sob os mais estranhos disfarces.

Ela era minha professora em assuntos de sexo e me repreendia por eu ser desajeitado e não ser capaz de fazer nada. É sempre assim que ocorre a impotência do neurótico; é assim que o medo de ser incapaz na escola adquire seu substrato sexual.) Ao mesmo tempo, eu via o crânio de um pequeno animal e, no sonho, pensei: “Porco!” Na análise, porém, associei isso com o seu desejo, há dois anos, de que eu pudesse encontrar no Lido um crânio para me esclarecer, como fez Goethe certa vez. Mas não o encontrei. De modo que fui um boboca. Todo o sonho estava repleto das mais mortificantes alusões a minha atual impotência como terapeuta. Talvez seja disso que deriva a tendência a acreditar que a histeria é curável. Além disso, ela me banhava numa água avermelhada, na qual ela mesma se havia banhado antes. (A interpretação não é difícil; não encontro nada parecido com isso nas seqüências de minhas lembranças, de modo que considero uma verdadeira descoberta do passado distante.) E ela me fazia furtar “zehners” (moedas de dez kreuzers) e dá-los a ela. Há uma longa seqüência desde esses primeiros zehners de prata até a pilha de notas de dez florins que vi no sonho como o dinheiro de Martha para as despesas da casa. O sonho pode ser resumido como “mau tratamento”. Assim como a velha senhora recebia dinheiro de mim pelo mau tratamento que me dispensava, também eu, atualmente, ganho dinheiro pelo mau tratamento que dou a meus pacientes. Um papel especial foi desempenhado por Frau Qu., cujo comentário você me relatou: eu devia não cobrar nada dela, já que é a esposa de um colega. (Naturalmente, ele fez questão de que eu cobrasse.)

De tudo isso um crítico severo poderia dizer que foi retrospectivamente fantasiado e não determinado progressivamente. Os experimenta crucis [experimentos cruciais] teriam de contradizê-lo. A água avermelhada já seria, parece, um desses experimentos. Onde é que todos os pacientes arranjam terríveis detalhes pervertidos que, muitas vezes, são tão afastados de sua experiência quanto de seu conhecimento?

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Os sonhos podem dizer o que foi retrospectivamente fantasiado e não determinado progressivamente. Existem detalhes nos sonhos que, muitas vezes, estão ou são afastados de sua experiência quanto de seu conhecimento.

A Psicanálise, a sexualidade, o sexo e a exploração da masturbação e dos sonhos de forma desregrada podem levar a loucura e a morte, pois a libido só aumenta a tensão comportamental e social através da sexualidade que se contrapõe a moral. O Brasil, de hoje, por exemplo, está morrendo socialmente por causa da libido, do sexo, da interpretação e da Psicanálise desregrada que normalmente causa prejuízos a saúde mental quando mal administrada, pior ainda quando utilizada socialmente por pessoas comuns sem treinamento e sem capacitação para trabalhar com a Psicanálise, os prejuízos serão enormes, indo da loucura  a morte, até ao terror. A morte do Brasil em virtude da libido ocorre também porque negligenciamos a comunhão e o exercício da força. O Brasil através da comunhão pode voltar a ser fraterno e pelo exercício da força pode voltar a ter segurança, só depende do ser humano reconhecer estas energias e saber lidar com elas para o seu bem estar bio-psico-social.

 

MATTANÓ

(24/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha os sonhos podem dizer o que foi retrospectivamente fantasiado e não determinado progressivamente. Existem detalhes nos sonhos que, muitas vezes, estão ou são afastados de sua experiência quanto de seu conhecimento.

A Psicanálise, a sexualidade, o sexo e a exploração da masturbação e dos sonhos de forma desregrada podem levar a loucura e a morte, pois a libido só aumenta a tensão comportamental e social através da sexualidade que se contrapõe a moral, isto agora, através do mundo e da realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha, com seu papel epistemológico e formador, educador, preventivo, de conscientização, de cultura, de conhecimento e de realidade, pois o Brasil não é Socialista e nem é Comunista, nem pode ser, é crime, somos e vivemos uma Democracia. O Brasil, de hoje, por exemplo, está morrendo socialmente por causa da libido, do sexo, da interpretação e da Psicanálise desregrada que normalmente causa prejuízos a saúde mental quando mal administrada, pior ainda quando utilizada socialmente por pessoas comuns sem treinamento e sem capacitação para trabalhar com a Psicanálise, os prejuízos serão enormes, indo da loucura à morte, até ao terror. A morte do Brasil em virtude da libido ocorre também porque negligenciamos a comunhão e o exercício da força. O Brasil através da comunhão pode voltar a ser fraterno e pelo exercício da força pode voltar a ter segurança, só depende do ser humano reconhecer estas energias e saber lidar com elas para o seu bem estar bio-psico-social. O casal brasileiro encontra nas perversões, sobretudo no sexo oral e anal uma válvula de descarga para sua agressividade e hostilidade, para se isolar do relacionamento, pois acaba reproduzindo suas catexias na hora da morte e do luto, quando rompe com a realidade e perde o significado e o sentido de amor e de preservação, de continuidade, como no sexo oral, que é semelhante a um estupro, humilhando a sua parceira a um rebaixamento e condição tão degradante que o amor perde o significado e o sentido para prevalecer um rompimento ou cisão com a realidade, onde ambos acabam se humilhando e se envergonhando quando possuem alguma educação, consciência, cultura, conhecimento e noção de realidade, porém trata-se de uma necessidade de morte que prevalece acima da amorosa e que pode levar a loucura e a morte se contrapondo a moralidade e a racionalidade. Vemos que na Terceira Idade as pessoas podem adoecer e enlouquecer com a morte e a incapacidade de elaborar o luto da perda, por exemplo, de seus pai e mãe ou irmãos e irmãs, como consequência da aquisição de sofrimento de experiências sexuais perversas como o sexo oral e anal e com o uso de drogas e meios que tragam demência como a técnica da pulsão auditiva de Mattanó, pois geram um círculo de estímulos, respostas e consequências que te absorvem e é muito difícil de sair, praticamente impossível, eu estou tentando isto desde 1995 e nunca consegui, o máximo que consegui foi deixar de ser controlado por isso, seja inconscientemente, subconscientemente, comportamentalmente ou conscientemente com a técnica da Teoria da Abundância de Mattanó, porém com intervenção medicamentosa, desde 1995.

 

MATTANÓ

(13/11/2025)

 

 

 

 

 

CARTA 71

 

…Minha auto-análise é realmente a coisa mais essencial que me ocupa atualmente e promete adquirir o maior valor para mim, se chegar a seu término. A meio caminho, ela subitamente cessou por três dias, e tive a sensação de estar amarrado por dentro, coisa de que tanto se queixam os pacientes; e fiquei realmente inconsolável…

É estranho que minha clínica ainda me permita uma grande quantidade de tempo livre.

Tudo isso é muito valioso para meus propósitos, de vez que consegui encontrar alguns pontos de referência reais para a história. Perguntei a minha mãe se ela ainda se recordava da babá. “Naturalmente”, disse ela, “uma pessoa de idade, muito esperta. Estava sempre levando você à igreja: depois, quando voltava, você costumava pregar sermões e falar-nos a respeito de Deus todo-poderoso. Durante meu resguardo, quando Anna nasceu” (ela é dois anos e meio mais nova do que eu), “descobriu-se que ela era ladra, e todas as moedas novas e reluzentes de kreuzers e zehners e todos os brinquedos que tinham sido dados a você foram encontrados entre os pertences dela. Seu irmão Philipp [ver diante] foi buscar um policial, e ela pegou dez meses de cadeia.” Ora, veja só como isso confirma as conclusões de minha interpretação dos sonhos. Encontrei uma explicação simples para o meu possível engano. Escrevi a você contando que ela me induzia a furtar zehners e dá-los a ela. O sonho realmente quis dizer que ela mesma os roubava. Pois o quadro onírico era uma lembrança de eu estar tomando o dinheiro da mãe de um médico - isto é, indevidamente. A interpretação correta é: Eu = ela, e a mãe de um médico equivale a minha mãe. Tão longe eu estava de saber que ela era uma ladra que fiz interpretação errada.

Também andei indagando a respeito do médico que tínhamos em Freiberg, porque um sonho mostrou uma grande dose de ressentimento contra ele. Na análise da figura existente no sonho, detrás da qual ele estava oculto, pensei também no professor von K., que foi meu professor de história na escola. Ele não parecia encaixar-se absolutamente no caso, de vez que minhas relações com ele eram indiferentes, ou melhor, agradáveis. Minha mãe então me contou que o médico de minha infância tinha um olho só, e, dentre todos os meus professores de escola, também o Professor K. era o único que tinha esse mesmo defeito.

O valor comprobatório dessas coincidências poderia ser invalidado pela objeção de que, em alguma ocasião posterior da minha infância, eu teria ouvido dizer que a babá era ladra e depois o teria esquecido, aparentemente, até que afinal isso emergiu no sonho. Eu mesmo penso que é assim. Mas tenho outra prova inatacável e divertida. Eu disse a mim mesmo que, se a velha senhora desapareceu tão de repente, deveria ser possível averiguar a impressão que esse fato causou em mim. Onde, pois, está essa impressão? Ocorreu-me então uma cena que, nos últimos 29 anos, emergiu algumas vezes em minha memória consciente, sem que eu a compreendesse. Não havia jeito de encontrar minha mãe: eu berrava a plenos pulmões. Meu irmão Philipp, vinte anos mais velho do que eu, mantinha aberto diante de mim um guarda-louça [Kasten], e ao verificar que mamãe não estava dentro dele, comecei a chorar ainda mais, até que, esguia e linda, ela entrou pela porta. Que pode significar isso? Por que estaria meu irmão abrindo o guarda-louça, se sabia que mamãe não estava lá dentro e que aquilo não poderia me tranqüilizar? E então, subitamente, compreendi. Eu pedira a ele que o fizesse. Ao sentir falta de mamãe, temi que ela tivesse desaparecido de mim, tal como acontecera, pouco tempo antes, com a velha babá. Ora, devo ter ouvido dizer que a velha tinha sido trancafiada e, por conseguinte, devo ter pensado que minha mãe também o fora - ou melhor, que tivesse sido “encaixotada” [“eingekastelt”], pois meu irmão Philipp, atualmente com 63 anos, ainda hoje gosta de falar por meio de trocadilhos. O fato de eu ter recorrido a ele, em particular, prova que eu sabia muito bem da sua participação no desaparecimento da babá. [1]

Depois disso, consegui aclarar muitas coisas mais; entretanto, não cheguei ainda a nenhum ponto conclusivo. Comunicar o que está inacabado é tão vago e trabalhoso que espero que você me perdoe por isso e se contente com o conhecimento dos aspectos que estão estabelecidos com certeza. Se a análise contiver aquilo que espero dela, eu o escreverei ordenadamente e o apresentarei a você depois. Até agora, não encontrei nada completamente novo, só complicações, à quais, de resto, estou acostumado. Não é nada fácil. Ser completamente honesto consigo mesmo é uma boa norma. Um único pensamento de valor genérico revelou-se a mim. Verifiquei, também no meu caso, a paixão pela mãe e o ciúme do pai, e agora considero isso como um evento universal do início da infância, mesmo que não tão precoce como nas crianças que se tornaram histéricas. (Algo parecido com o que acontece com o romance da filiação na paranóia - heróis, fundadores de religiões.) Sendo assim, podemos entender a força avassaladora de Oedipus Rex, apesar de todas as objeções levantadas pela razão contra a sua pressuposição do destino; e podemos entender por que os “dramas do destino” posteriores estavam fadados a fracassar lamentavelmente. Nossos sentimentos opõem-se a qualquer compulsão arbitrária e individual [do destino], tal como é pressuposto em Die Ahnfrau [de Grillparzer] etc. Mas a lenda grega capta uma compulsão que toda pessoa reconhece porque sente sua presença dentro de si mesma. Cada pessoa da platéia foi, um dia, em germe ou na fantasia, exatamente um Édipo como esse, e cada qual recua, horrorizada, diante da realização de sonho aqui transposta para a realidade, com toda a carga de recalcamento que separa seu estado infantil do seu estado atual.

Passou-me pela cabeça uma rápida idéia no sentido de saber se a mesma coisa não estaria também no fundo do Hamlet. Não estou pensando na intenção consciente de Shakespeare, mas acredito, antes, que algum evento real tenha instigado o poeta à sua representação, no sentido de que o inconsciente de Shakespeare compreendeu o inconsciente de seu herói. Como é que o histérico Hamlet consegue justificar suas palavras: “Assim a consciência nos torna a todos covardes”? Como é que ele consegue explicar sua hesitação em vingar o pai assassinado através do seu tio - ele, o homem que, sem nenhum escrúpulo, envia à morte seus cortesãos e efetivamente se precipita ao matar Laertes? De que outro modo poderia ele justificar-se melhor do que mediante o tormento de que padece com a obscura lembrança de que ele próprio planejou perpetrar a mesma ação contra seu pai, por causa da paixão pela mãe - “a se tratar cada homem segundo seu merecimento, quem escapará do açoite?” Sua consciência [moral] é seu sentimento inconsciente de culpa. E não será seu afastamento sexual [em [1]], na conversa com Ofélia, tipicamente histérico? e sua rejeição do instinto que visa a procriar filhos? e, por fim, que dizer de ele ter transferido a ação de seu pai para o de Ofélia? E não faz ele descer sobre si, no final, de modo tão evidente como os meus pacientes histéricos, o castigo, sofrendo o mesmo destino do pai, ao ser envenenado pelo mesmo rival? [1]

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

Existe um evento universal do início da infância, a paixão pela mãe e o ciúme do pai, cada pessoa um dia, foi exatamente um Édipo, e cada qual recua, horrorizada, diante da realização do sonho aqui transposta para a realidade, em toda a carga de recalcamento que separa seu estado infantil do seu estado atual. Sua consciência (moral) é seu sentimento inconsciente de culpa. No final, ele, o homem, sofrerá o mesmo destino do pai.

 

MATTANÓ

(24/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha existe um evento universal do início da infância, a paixão pela mãe e o ciúme do pai, cada pessoa um dia, foi exatamente um Édipo, e cada qual recua, horrorizada, diante da realização do sonho aqui transposta para a realidade, em toda a carga de recalcamento que separa seu estado infantil do seu estado atual. Sua consciência (moral) é seu sentimento inconsciente de culpa. No final, ele, o homem, sofrerá o mesmo destino do pai. Da mesma forma no mundo e na realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha, temos um evento universal, que é o Édipo, a paixão pela mãe e o ciúme do pai. Sua consciência torna-se seu sentimento de culpa, esta sua moral, que o colocará a seguir regras e a obedece-las, no mundo e na realidade Socialista ou Comunista.

 

MATTANÓ

(13/11/2025)

 

 

 

 

CARTA 72

 

…Uma idéia a respeito da resistência possibilitou-me situar corretamente todos aqueles casos meus que tinham enveredado por graves dificuldades, e reencaminhá-los satisfatoriamente. A resistência, que finalmente causa uma parada no trabalho, não é senão seu caráter passado da criança, degenerado, que (em conseqüência das experiências que se acham conscientemente presentes nos casos ditos degenerados) se desenvolveu ou poderia ter-se desenvolvido, mas que é encoberto pelo recalque. Esse caráter, eu o desencavo com meu trabalho, e ele se debate; e quem, no início do tratamento, era um sujeito excelente e franco, torna-se grosseiro, mentiroso ou obstinado e se finge de doente - até que lhe digo isso e, desse modo, torna-se possível superar esse caráter. Assim, a resistência tornou-se para mim uma coisa real e tangível; desejaria também que, em lugar do conceito de recalcamento, eu já estivesse de posse daquilo que jaz oculto por trás dele.

Essa característica infantil desenvolve-se durante o período de “anseio intenso”, depois que a criança é afastada das experiências sexuais. Ansiar ardentemente é o principal traço de caráter da histeria, assim como a anestesia atual (ainda que apenas potencial) é o seu principal sintoma. Durante esse mesmo período de anseio, as fantasias são construídas e (invariavelmente?) a masturbação é praticada, dando lugar ao recalque, posteriormente. Quando ela não cede, não há histeria; a descarga da excitação sexual retira a possibilidade de haver histeria, na maioria dos casos. Para mim ficou claro que diversos movimentos obsessivos têm o significado de um substituto dos movimentos de masturbação abandonados…

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

A resistência não é senão seu caráter passado da criança, degenerado, que desenvolveu ou poderia ter-se desenvolvido, mas que é encoberto pelo recalque.

 

MATTANÓ

(25/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a resistência não é senão seu caráter passado da criança, degenerado, que desenvolveu ou poderia ter-se desenvolvido, mas que é encoberto pelo recalque. Da mesma forma a resistência é o caráter passado da criança degenerado, perdido ou desenvolvido, mas agora, a resistência, segundo as regras e leis do mundo e realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha, torna-se também o passado virtual dessa criança, degenerado, perdido ou desenvolvido, que é encoberto pelo recalque.

 

MATTANÓ

(13/11/2025)

 

 

 

 

CARTA 73

 

…Minha análise prossegue e continua sendo o meu interesse principal. Tudo é ainda obscuro, até mesmo os problemas; mas há um sentimento reconfortante de que é necessário tão-somente dar uma busca no depósito para encontrar, mais cedo ou mais tarde, aquilo de que se precisa. O mais desagradável de tudo são os estados de humor, que, com freqüência, ocultam totalmente a realidade. Para alguém como eu, também, a excitação sexual já não tem serventia. Mas ainda estou absolutamente satisfeito com ela. Quanto aos resultados, precisamente agora existe mais uma vez uma calmaria.

Você acha que a fala das crianças durante o sono também pode ser encarada como sonho? Se é assim, posso presenteá-lo com os mais recentes sonhos de realização de desejos: Aninha, um ano e meio de idade. Um dia, em Aussee, ela teve de ficar sem comer porque passou mal de manhã, o que foi atribuído ao fato de ter comido morangos. Durante a noite seguinte, ela recitou um cardápio inteiro no sono: “Molangos, molangos silvestres, omelete, pudim!” Talvez eu já lhe tenha contado isso.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

A fala das crianças durante o sono também pode ser encarada como parte do sonho, como realização de desejos, até mesmo quando a fala está alterada assim: ao invés de ¨Morangos, morangos silvestres, omelete, pudim!¨ fala-se e ouve-se ¨Molangos, molangos silvestres, omelete, pudim!¨ Este fenômeno ocorre graças ao fenômeno da alfabetização com seus recursos utilizados pelos alfabetizandos, eles, troca, inversão e aglutinação. Notamos que no sonho a fala ocorre com uma troca, no lugar de ¨r¨ (morangos) temos ¨l¨ (molangos). A interpretação do sonho dar-se-á segundo seus significados e sentidos, inclusive segundo seu contexto e funcionalidade.

 

MATTANÓ

(25/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a fala das crianças durante o sono também pode ser encarada como parte do sonho, como realização de desejos, até mesmo quando a fala está alterada assim: ao invés de ¨Morangos, morangos silvestres, omelete, pudim!¨ fala-se e ouve-se ¨Molangos, molangos silvestres, omelete, pudim!¨ Este fenômeno ocorre graças ao fenômeno da alfabetização com seus recursos utilizados pelos alfabetizandos, eles, troca, inversão e aglutinação. Notamos que no sonho a fala ocorre com uma troca, no lugar de ¨r¨ (morangos) temos ¨l¨ (molangos). A interpretação do sonho dar-se-á segundo seus significados e sentidos, inclusive segundo seu contexto e funcionalidade. Da mesma forma a fala das crianças durante o sono pode ser encarada como parte do sono e da atividade do mundo e da realidade virtuais da mente, do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha, quando exigidas estas contingências ou forma de realidade que substitui a vida onírica, de modo que a consciência, a cultura, o conhecimento e a realidade fiquem controladas pela realidade e pelo mundo virtuais.

 

MATTANÓ

(28/11/2025)

 

 

 

 

CARTA 75

 

…“Era o dia 12 de novembro de 1897. O sol estava no quadrante leste; Mercúrio e Vênus estavam em conjunção -” Não, os anúncios de nascimento já não se fazem mais assim. Foi a 12 de novembro, um dia dominado por uma enxaqueca no lado esquerdo, um dia em que, à tarde, Martin sentou-se para escrever um novo poema, e, ao entardecer, Oli perdeu seu segundo dente, um dia em que, após as terríveis dores de parto das últimas semanas, dei à luz um novo conhecimento. Não de todo novo, para dizer a verdade; esse conhecimento tinha-se mostrado repetidas vezes e se havia retraído novamente; [1] mas, dessa vez, permaneceu firme e fitou a luz do dia. Coisa engraçada, costumo ter um pressentimento dessas coisas um bom tempo antes. Por exemplo, certa vez lhe escrevi, no verão [Carta 64, em [1], atrás], que eu estava por encontrar a fonte do recalcamento sexual normal (moralidade, vergonha etc.) e, depois, por longo tempo, não consegui encontrá-la. Antes das férias [Carta 67, em [1]], contei-lhe que o paciente mais importante para mim era eu mesmo; e então, subitamente, depois que voltei das férias, minha auto-análise, da qual até então não havia nenhum sinal, [1] pôs-se em andamento. Há algumas semanas [Carta 72, em [1]], veio-me o desejo de que o recalque pudesse ser substituído pela coisa essencial que jazia por trás dele; e é disso que me ocupo agora.

Muitas vezes suspeitei de que alguma coisa orgânica desempenhava um papel no recalcamento; certa vez, antes disso, disse-lhe que se tratava do abandono de zonas sexuais precedentes [em [1] e [2]] e acrescentei que me agradara encontrar uma idéia parecida em Moll. Privatim [confidencialmente], a ninguém concedo prioridade na idéia; no meu caso, eu ligava essa idéia de recalque à modificação do papel desempenhado pelas sensações do olfato: a adoção da postura ereta, o nariz levantado do chão, ao mesmo tempo que uma série de sensações, que antes despertavam interesse e eram relacionadas à terra, tornaram-se repulsivas - por um processo que ainda me é desconhecido. (Ele levanta o nariz = considera-se especialmente nobre.) Ora, as zonas que não produzem mais uma liberação da sexualidade nos seres humanos normais e maduros certamente são as regiões da boca, do ânus e da garganta. Isto pode ser compreendido de duas maneiras: primeiro, a aparência e a idéia dessas zonas não mais produzem um efeito excitante e, segundo, as sensações internas originárias dessas zonas não proporcionam qualquer contribuição à libido, de modo como fazem os órgãos sexuais propriamente ditos. Nos animais, essas zonas sexuais continuam em vigor, sob ambos aspectos; quando isso persiste também nos seres humanos, o resultado é a perversão. Devemos supor que, na infância, a liberação da sexualidade ainda não é tão localizada como o é posteriormente, de modo que as zonas (e talvez também toda a superfície do corpo) que depois são abandonadas também provocam algo análogo à liberação posterior da sexualidade. A extinção dessas zonas sexuais iniciais teria uma contrapartida na atrofia de determinados órgãos internos, no decurso da evolução. Uma liberação da sexualidade - como você sabe, tenho em mente uma espécie de secreção que é propriamente sentida como o estado interno da libido - ocorre, então, não apenas (1) mediante estímulo periférico sobre os órgãos sexuais, ou (2) mediante as excitações internas que surgem desses órgãos, mas também (3) a partir de idéias - isto é, a partir de traços de memória - portanto, também por via de uma ação postergada. (Você já está familiarizado com essa linha de pensamento.) Se os genitais de uma criança foram excitados por alguém, a lembrança disso, anos depois, produzirá, por efeito retardado, uma liberação de sexualidade muito mais intensa do que na época da excitação, porque o aparelho efetor e a quantidade de secreção terão aumentado nesse meio tempo. Assim, uma ação não-neurótica postergada pode ocorrer normalmente, e esta gera a compulsão. (Nossas outras lembranças atuam habitualmente apenas porque atuaram como experiências.) A ação retardada dessa espécie ocorre também em conexão com as lembranças de excitações das zonas sexuais abandonadas. O resultado, porém, é uma liberação não de libido, mas de desprazer, uma situação interna análoga à repugnância no caso de um objeto.

Dito em termos grosseiros, a lembrança atual cheira mal, assim como um objeto real cheira mal; e assim como afastamos nosso órgão sensorial (cabeça e nariz) com repugnância, também nossa pré-consciência e nosso sentido consciente se afastam da lembrança. Isto é o recalcamento.

O que, então, nos proporciona o recalcamento normal? Algo que, livre, pode levar à angústia, e, psiquicamente ligado, pode produzir rejeição - ou seja, a base afetiva para um sem-número de processos intelectuais de desenvolvimento, tais como a moralidade, a vergonha etc. Assim, tudo isso surge à custa da sexualidade (potencial) extinta. Disso podemos inferir que, com as ondas sucessivas do desenvolvimento de uma criança, esta é sobrecarregada de respeito, vergonha, essas coisas, e vemos como a não-ocorrência dessa extinção das zonas sexuais pode produzir a insanidade moral como uma inibição do desenvolvimento. Essas ondas sucessivas do desenvolvimento provavelmente possuem um ordenamento cronológico diferente nos sexos masculino e feminino. (A repugnância surge mais cedo nas meninas do que nos meninos.) Contudo, a principal diferença entre os sexos emerge na época da puberdade, quando as meninas são acometidas por uma repugnância sexual não-neurótica, e os meninos, pela libido. Pois, nesse período, extingue-se nas adolescentes (total ou parcialmente) mais uma zona sexual, que persiste nos adolescentes masculinos. Estou-me referindo à zona genital masculina, a região do clitóris, na qual, durante a infância, tanto nas meninas como nos meninos, mostra-se concentrada a sensibilidade sexual. Daí a torrente de vergonha que avassala a adolescente nesse período, até ser despertada a nova zona, a zona vaginal, seja espontaneamente, seja por ação reflexa. Daí também resultam, talvez, a anestesia nas mulheres, o papel desempenhado pela masturbação nas crianças predispostas à histeria e a interrupção, no caso de resultar a histeria.

E agora vejamos as neuroses. As experiências ocorridas na infância, quando afetam apenas os genitais, nunca produzem neurose nos homens (ou nas mulheres másculas), mas somente masturbação compulsiva e libido. Entretanto, de vez que, de modo geral, as experiências da infância também afetam as duas outras zonas sexuais, fica aberta, também para os homens, a possibilidade de que o despertar da libido através de uma ação retardada enseje o surgimento do recalque e da neurose. Quando a lembrança reaviva uma experiência correlacionada com os genitais, o que ela produz por ação retardada é a libido. Quando [reaviva uma experiência correlacionada com] o ânus, a boca etc., produz repugnância interna retardada, e o resultado final, por conseguinte, é que uma carga de libido não consegue, como em geral acontece, passar à ação ou à tradução em termos psíquicos [em [1]], mas é obrigada a deslocar-se numa direção regressiva (como acontece nos sonhos). Ao que parece, a libido e a repugnância estariam associativamente vinculadas. À libido devemos o fato de que a lembrança não consegue produzir um desprazer generalizado etc., mas encontra um uso psíquico; e à repugnância devemos o fato de que esse uso só produz sintomas, não produz idéias orientadas para um objetivo. Assim sendo, não deve ser difícil apreender o lado psicológico dessa questão; o fator orgânico existe nela, quer o abandono das zonas sexuais se efetue segundo o tipo masculino ou feminino de desenvolvimento, quer esse abandono absolutamente não ocorra.

É provável, portanto, que a escolha da neurose (a decisão quanto à emergência da histeria, da neurose obsessiva, ou da paranóia) dependa da natureza da onda de desenvolvimento (ou seja, de sua localização cronológica) que possibilita a ocorrência do recalcamento - isto é, que transforma uma fonte de prazer interno em uma fonte de repugnância interna.

 

Foi esse o ponto a que cheguei - com todas as obscuridades aí envolvidas. Decidi, pois, daqui por diante, considerar como fatores separados o que causa a libido e o que causa a angústia. E também abandonei a idéia de explicar a libido como o fator masculino e o recalcamento como o fator feminino. [Cf. em [1]] De qualquer modo, estas são decisões importantes. A obscuridade está principalmente na natureza da modificação pela qual a sensação interna de necessidade se transforma em sensação de repugnância. Não há por que eu chamar sua atenção para outros pontos obscuros. O valor principal da síntese está no fato de ela unir em um só o processo neurótico e o processo normal. Existe agora, portanto, uma necessidade premente de elucidar prontamente a angústia neurastênica comum.

Minha auto-análise ainda está interrompida, e compreendi qual a razão. Só consigo analisar-me com o auxílio do conhecimento adquirido objetivamente (como um observador externo). A verdadeira auto-análise é impossível; não fosse assim, não haveria nenhuma doença [neurótica]. Visto que ainda encontro alguns enigmas em meus pacientes, eles estão fadados a retardar também a mim em minha auto-análise.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

A fonte do recalcamento sexual normal é a moralidade, a vergonha, etc..

Assim como o objeto real ¨cheira mal¨; e assim como afastamos nosso órgão sensorial (cabeça e nariz) com repugnância, também nossa pré-consciência e nosso sentido consciente se afastam da lembrança, isto é o recalcamento.

Deste modo quando o objeto real ¨escuta ou soa mal¨; e assim como afastamos nosso órgão sensorial (cabeça e ouvido) com repugnância, também nossa pré-consciência e nosso sentido consciente se afastam da lembrança, isto é o recalcamento.

 

MATTANÓ

(26/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a fonte do recalcamento sexual normal é a moralidade, a vergonha, etc..

Assim como o objeto real ¨cheira mal¨; e assim como afastamos nosso órgão sensorial (cabeça e nariz) com repugnância, também nossa pré-consciência e nosso sentido consciente se afastam da lembrança, isto é o recalcamento.

Deste modo quando o objeto real ¨escuta ou soa mal¨; e assim como afastamos nosso órgão sensorial (cabeça e ouvido) com repugnância, também nossa pré-consciência e nosso sentido consciente se afastam da lembrança, isto é o recalcamento.

Da mesma forma afastamos nosso órgão sensorial (cabeça e ouvido ou cabeça e nariz) com repugnância do objeto real quando ele ¨soa mal ou cheira mal¨, em função da nossa pré-consciência e do nosso sentido consciente que se afastam da lembrança, graças ao recalcamento, que também ocorre no mundo e na realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha que operam segundo as mesmas leis quando se trata de lembranças e de realidade, devido o recalcamento.

 

MATTANÓ

(28/11/2025)

 

 

 

 

CARTA 79

 

…Comecei a compreender que a masturbação é o grande hábito, o “vício primário”, e que é somente como sucedâneo e substituto dela que outros vícios - álcool, morfina, tabaco etc. - adquirem existência. O papel desempenhado por esse vício na histeria é imenso, e talvez aí se encontre, no todo ou em parte, o meu grande obstáculo, que ainda resiste. Naturalmente, nisto surge a dúvida de saber se um vício dessa espécie é curável, ou se a análise e a terapia, nesse ponto, sofreriam uma parada e deveriam contentar-se em transformar um caso de histeria em um caso de neurastenia.

No que concerne à neurose obsessiva, está confirmado o fato de que a localização em que o recalcado irrompe é a representação da palavra, e não o conceito vinculado à mesma. (Mais precisamente, a memória verbal.) Por isso é que as coisas mais díspares são prontamente unidas numa idéia obsessiva, sob uma única palavra possuidora de mais de um significado. A tendência à irrupção utiliza-se de uma palavra que tenha essa espécie de ambigüidade com seus di[versos significados] como se se estivessem matando diversas moscas com um só golpe. Veja, por exemplo, o caso que passo a expor. Uma moça, que estava freqüentando uma escola de corte e costura e estava perto da conclusão do seu curso, era atormentada por essa idéia obsessiva: “Não, você não deve ir embora, você ainda não terminou, você deve fazer [machen] mais, precisa aprender muito mais.” Por trás disso estava uma lembrança de cenas de infância em que ela era colocada no urinol, mas queria ir embora e era submetida à mesma compulsão: “Você não pode ir embora, ainda não terminou, precisa fazer [machen] mais. A palavra “machen” [que significa “fazer” possibilitou juntara situação posterior e a situação infantil. As idéias obsessivas, muitas vezes, revestem-se de uma extraordinária imprecisão verbal, a fim de permitir esse emprego múltiplo. Se examinarmos de modo mais atento (consciente) esse exemplo, encontraremos paralelamente a frase “você precisa aprender mais”, que, depois, tornou-se a idéia obsessiva fixa e surgiu através de uma interpretação equivocada desse tipo por parte do consciente.

Isso não é inteiramente arbitrário. A própria palavra “machen” passou por uma transformação análoga em seu significado. Uma antiga fantasia minha, que eu gostaria de recomendar à sua sagacidade lingüística, ocupa-se da derivação de nossos verbos de termos originalmente copro-eróticos como este.

Mal posso enumerar para você todas as coisas que eu (um Midas moderno) transformo em - excremento. Isso se ajusta perfeitamente à teoria do mau cheiro interno [em [1]]. Dinheiro, acima de tudo. Penso que a associação se faz através da palavra “sujo” como sinônimo de “avarento”. Do mesmo modo, tudo o que se relaciona com nascimento, aborto e menstruação remonta a privada, através da palavra “Abort” [“privada, latrina”] (“Abortus”) [“aborto”]. Isso está muito desconjuntado, mas é inteiramente análogo ao processo pelo qual as palavras assumem um significado transferido, tão logo aparecem novos conceitos que exigem designação…

Você viu alguma vez um jornal estrangeiro que tenha passado pela censura russa na fronteira? Palavras, orações e frases inteiras são obliteradas, de modo que o que resta se torna ininteligível. Uma censura russa desse tipo se efetua nas psicoses e produz os delírios aparentemente sem sentido.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

As palavras adquirem um significado transferido, tão logo aparecem novos conceitos que exigem designação.

A censura faz com que as palavras, orações e frases inteiras sejam obliteradas, tornando o resto ininteligível, este fenômeno ocorre nas psicoses e produz os delírios aparentemente sem sentido.

 

MATTANÓ

(26/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha as palavras adquirem um significado transferido, tão logo aparecem novos conceitos que exigem designação.

A censura faz com que as palavras, orações e frases inteiras sejam obliteradas, tornando o resto ininteligível, este fenômeno ocorre nas psicoses e produz os delírios aparentemente sem sentido.

Da mesma forma as palavras adquirem um significado transferido quando surgem novos conceitos que exigem designação e a censura torna o conteúdo ininteligível, evento que ocorre nas psicoses e produz os delírios que aparentemente não tem sentido, eventos que ocorrem também no mundo e na realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo, da metáfora Vermelha, onde as palavras adquirem significado e sentido segundo o contexto e o meio ambiente que acabam influenciando a alfabetização e a aprendizagem individual, que por sua vez está sujeita a censura que torna o conteúdo ininteligível e pode causar as psicoses e os delírios, nos indicando que a cultura, o conhecimento, a consciência e a realidade de um povo ou nação pode ser decisiva para o seu bem-estar, para o seu futuro e para o seu desenvolvimento, ou seja, para que a censura não torne ininteligível eventos e conteúdos determinados e determinantes, eventos que causam as psicoses e os delírios, por exemplo, mas não só isto, também podemos controlar os eventos que determinam a formação de assassinos, ladrões, corruptos, estupradores, vagabundos, tarados, viciados em jogos e em drogas, traficantes, terroristas, assaltantes, curandeiros, charlatões, invasores, violadores, pedófilos, abusadores, exploradores, incendiadores, torturadores, despersonalizadores, escravizadores, falsários, estelionatários, bêbados, vingadores, pessoas que fazem lavagem cerebral, estupro virtual e enlouquecedores, pessoas que empobrecem as famílias, as sociedades e os trabalhadores, falsos amigos, falsos amores, abusadores de incapazes, corruptores de menores, sequestradores, alienados e doentes mentais, para mudar isto devemos mudar a consciência, a cultura, o conhecimento e a realidade de todos para que a censura deixe de operar e de causar estas consequências sociais e comportamentais, que são desastrosas e vergonhosas, só aumentam a fome, a pobreza e a miséria, inclusive a violência.

 

MATTANÓ

(28/11/2025)

 

 

 

 

 

 

CARTA 84

 

…Não foi uma façanha nada insignificante de sua parte ver o livro dos sonhos concluído diante de você. Ele sofreu uma interrupção novamente, e nesse meio tempo o problema foi aprofundado e ampliado. Parece-me que a teoria da realização de desejos trouxe apenas a solução psicológica, e não a biológica, ou melhor, a metafísica. (Aliás, vou perguntar-lhe com seriedade se posso usar o nome de metapsicologia para minha psicologia que vai além da consciência.) Biologicamente, parece-me que a vida onírica deriva inteiramente dos resíduos do período pré-histórico da vida (entre um e três anos de idade) - o mesmo período que é a fonte do inconsciente e que, sozinho, contém a etiologia de todas as psiconeuroses, o período caracterizado por uma amnésia análoga à amnésia histérica. Parece-me coerente a seguinte fórmula: O que é visto no período pré-histórico produz sonhos; o que é ouvido nesse mesmo período produz fantasias; o que é experimentado sexualmente, ainda no mesmo período, produz as psiconeuroses. A repetição daquilo que foi experimentado nesse período é, em si mesma, a realização de um desejo; um desejo recente só conduz a um sonho quando consegue estar em conexão com material proveniente desse período pré-histórico, quando o desejo recente é um derivado pré-histórico. Ainda resta examinar até que ponto serei capaz de ater-me a essa teoria extremada e até que ponto poderei expô-la no livro dos sonhos.

 

 

O RELEITOR (MATTANÓ):

A teoria dos sonhos de Freud tem a seguinte fórmula:

O que é visto no período pré-histórico produz sonhos;

O que é ouvido no período pré-histórico produz fantasias;

O que é experimentando sexualmente no período pré-histórico produz as psiconeuroses, para Mattanó produz os transtornos mentais.

A repetição do que foi experimentado nesse período é a realização de um desejo; para Freud quando o desejo recente é um derivado pré-histórico conduz a um sonho, para Mattanó o sonho é produzido nos ciclos do sono onde o desejo se manifesta.

 

MATTANÓ

(26/03/2018)

 

 

Para a Psicanálise Vermelha a teoria dos sonhos de Freud tem a seguinte fórmula:

O que é visto no período pré-histórico produz sonhos;

O que é ouvido no período pré-histórico produz fantasias;

O que é experimentando sexualmente no período pré-histórico produz as psiconeuroses, para Mattanó produz os transtornos mentais.

A repetição do que foi experimentado nesse período é a realização de um desejo; para Freud quando o desejo recente é um derivado pré-histórico conduz a um sonho, para Mattanó o sonho é produzido nos ciclos do sono onde o desejo se manifesta.

Da mesma forma podemos especular que o que é visto no período pré-histórico produz os sonhos e que o que é ouvido nesse período produz as fantasias, tudo que é experimentado nesse período produz os transtornos mentais, e a repetição do que foi experimentado trata-se da realização de um desejo, o sonho é produzido nos ciclos do sono onde o desejo se manifesta, o período pré-histórico pode conter dados do mundo e da realidade virtuais do Socialismo e do Comunismo e da metáfora Vermelha, no que é visto, produzindo os sonhos, e no que é ouvido, produzindo as fantasias, esse conjunto de experiências produz os transtornos mentais, enquanto que a repetição do que foi experimentado trata-se da realização de um desejo, contudo o sonho continua sendo produzido em seus ciclos do sono onde o desejo se manifesta.

 

MATTANÓ

(28/11/2025)