62. OBRAS COMPLETAS DE SIGMUND FREUD-VOL. 14 EM UMA RELEITURA DE OSNY MATTANÓ JÚNIOR (2025) MATTANÓ.
Obras Completas de Sigmund Freud em releitura de Osny Mattanó Júnior
A história do movimento psicanalítico, artigos sobre metapsicologia e outros trabalhos
VOLUME XIV
(1914-1916)
Dr. Sigmund Freud
(01/04/2025)
A HISTÓRIA DO MOVIMENTO PSICANALÍTICO (1914)
NOTA DO EDITOR INGLÊS
SOBRE A HISTÓRIA DO MOVIMENTO PSICANALÍTICO
(a)EDIÇÕES ALEMÃS:
1914 Jb. Psicoan ., 6, 207-260.
1918 SKSN ., 4, 1-77. (1922, 2ª ed.)
1924 GS ., 4, 411-480.
1924 Leipzig, Viena e Zurique: Editora Psicanalítica Internacional. Página 72.
1946 GW, 10, 44-113.
(b) TRADUÇÕES INGLESAS:
“The History of the Psychoanalytic Movement”
1916 Psychoan. Rev., 3, 406-454. (Trad. A. A. Brill.)
1917 Nova Iorque: Nervous & Mental Disease Publishing Co. (Série de Monografias Nº 25). Pág. 58. (Mesmo tradutor.)
1938 Em The Basic Writings of Sigmund Freud. Nova Iorque: Modern Librar. Págs. 933-977. (Mesmo tradutor.)
“On the History of the Psycho-Analytic Movement”
1924 C.P., 1, 287-359. (Trad. Joan Riviere.)
A presente tradução é uma versão modificada da publicada em 1924.
Nas edições alemãs anteriores a 1924 a data ‘fevereiro de 1914’ aparece no final da obra. Parece de fato ter sido escrita em janeiro e fevereiro daquele ano. Algumas alterações de menor importância foram feitas na edição de 1924, tendo-se acrescentado a longa nota de rodapé nas págs. 33-4. Esta somente agora está sendo publicada em inglês.
Um relato completo da situação que levou Freud a escrever esta obra é apresentado no Capítulo V do segundo volume de sua biografia escrita por Ernest Jones (1955, 142 e seg.) Aqui basta fazer um pequeno resumo da situação. As discordâncias de Adler quanto aos pontos de vista de Freud culminaram em 1910, e as de Jung uns três anos depois. Apesar das divergências que os afastaram de Freud, ambos persistiam, entretanto, em descrever suas teorias como “psicanálise”. A finalidade do presente artigo foi estabelecer claramente os postulados e hipóteses fundamentais da psicanálise, demonstrar que as teorias de Adler e Jung eram totalmente incompatíveis com eles, e inferir que só levaria à confusão conjuntos de pontos de vista contraditórios receberem todos a mesma designação. E embora por muitos anos a opinião popular continuasse a insistir em que havia “três escolas de psicanálise”, o argumento de Freud finalmente prevaleceu. Adler já escolhera a designação de “Psicologia Individual” para as suas teorias e logo depois Jung adotou a de “Psicologia Analítica” para as suas.
A fim de tornar os princípios essenciais da psicanálise perfeitamente simples, Freud traçou a história do seu desenvolvimento desde os primórdios pré-analíticos. A primeira seção do artigo abrange o período em que ele próprio foi a única pessoa interessada - isto é, até cerca de 1902. A segunda seção continua a história até mais ou menos 1910 -, época em que os pontos de vista psicanalíticos começaram a se estender a círculos mais amplos. Só na terceira seção é que Freud chega ao exame dos pontos de vista dissidentes, primeiro de Adler e a seguir Jung, e assinala os pontos fundamentais em que eles se afastam das descobertas da psicanálise. Nessa última seção e também de uma certa maneira no restante do artigo, encontramos Freud adotando um tom muito mais beligerante do que em qualquer outro dos seus trabalhos. E, tendo em vista suas experiências nos três ou quatro anos anteriores, esse estado de humor diferente não pode ser considerado surpreendente.
Debates sobre os pontos de vista de Adler e Jung encontram-se em duas outras obras de Freud contemporâneas à presente. No artigo sobre “Narcisismo” (1914c), que vinha sendo elaborado quase na mesma época que a “História”, alguns parágrafos de discordância de Jung aparecem no final da Seção I (S.E., 14, págs. 79 e segs.) e um trecho semelhante sobre Adler no início da Seção III (pág. 92). A anamnese do “Homem Lobo” (1918b), escrita sobretudo no fim de 1914, embora somente publicada (com trechos adicionais) em 1918, destinou-se em grande parte a uma refutação empírica de Adler e Jung, e encerra muitos ataques contra as suas teorias. Nas obras ulteriores de Freud existem muitas referências esparsas a essas controvérsias (principalmente em trabalhos expositivos ou semi-autobiográficos), mas estes são sempre em tom mais seco e nunca muito extensos. Menção especial, entretanto, deve ser feita a uma discussão rigorosamente argumentada dos pontos de vista de Adler sobre as forças motoras conducentes à repressão na seção final do artigo de Freud sobre as fantasias de espancamento (1919e), S. E., 17, págs. 201 segs.
Quanto aos aspectos puramente históricos e autobiográficos da obra, deve-se observar que Freud repetiu mais ou menos o que se encontra em seu Estudo Autobiográfico (1925d), embora o Estudo suplemente este trabalho em alguns pontos. Para uma abordagem bem mais ampla do assunto, o leitor deve procurar a biografia de Freud, em três volumes, escrita por Ernest Jones. Nas notas de rodapé à presente tradução não se tentou seguir o mesmo caminho trilhado por aquela obra.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica aqui sua teoria Psicanalítica e a difere da teoria de Adler que recebe o nome de Psicologia Individual e da teoria de Jung que é nomeada de Psicologia Analítica, pois são irreconciliáveis com o ponto de vista de Sigmund Freud na época.
Mattanó aponta que Freud explica aqui sua teoria Psicanalítica e a difere da teoria de Adler que recebe o nome de Psicologia Individual e da teoria de Jung que é nomeada de Psicologia Analítica, pois são irreconciliáveis com o ponto de vista de Sigmund Freud na época. Contudo hoje para Mattanó essas teorias convivem e se entrelaçam histórica, estruturalmente e funcionalmente com seus princípios que parecem bastante pertinentes umas as outras, pois falam da mesma coisa em linguagem diferente e ritualizam eventos e fenômenos de forma diferente, porém os eventos e fenômenos são os mesmos como a família, a vida infantil, a vida doméstica, os traumas, os complexos, os arquétipos, o inconsciente, a inferioridade, a evolução, a seleção e a competição, a linguagem, as relações sociais, os ciclos circadianos, a homeostase, a consciência, a cultura, o conhecimento e a realidade, o tempo e o espaço, a eternidade e a ufologia, a lavagem cerebral e a despersonalização, o estupro virtual, o voyeurismo e a linguagem sexista, a extorsão e a vingança, a paranormalidade e o mundo sobrenatural, etc..
MATTANÓ
(01/04/2025)
O MÉTODO PSICANALÍTICO (2025):
A Psicanálise trata-se justamente de um método de limpeza das ¨sujeirinhas¨ que ficam depositadas e acumuladas no momento em que nos comportamentos, ou seja, ¨uma limpeza de chaminé¨ onde a chaminé é o comportamento e a vida pessoal e coletiva de todos nós, estas ¨sujeirinhas¨ são inconscientes e distorcem a realidade pela força dos seus componentes, por exemplo, os atos falhos, os esquecimentos ou os lapsos de linguagem, as parapraxias, os chistes, os delírios e as alucinações são componentes que contêm estas ¨sujeirinhas¨ que devem ser limpadas pela análise e interpretação, para que o indivíduo se adapte ao meio ambiente sem predomínio destas ¨sujeirinhas¨ em seu comportamento e obtenha insight para se adaptar comportamental, fisiológica e morfologicamente, resolvendo problemas com cálculos matemáticos evolutivos para sua evolução, seleção e competição entre espécies e indivíduos, para que se reproduza e possa sobreviver.
MATTANÓ
(02/04/2025)
HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2025):
Acredito que hoje o nosso país enfrenta uma crise moral, sexual e trabalhista muito intensa que se estende por mais de 20 anos, em função da corrupção do serviço público administrativo, político, educacional e de saúde do Brasil que vem aceitando participar de uma ¨guerra invisível¨ promovida por uma ¨delegacia invisível¨ e por uma ¨promotoria invisível¨, ou seja, por uma delegacia virtual, por uma promotoria virtual que nem sede e funcionários especializados ou contratados para esta finalidade possuem, trata-se de pura corrupção e de desvio de dinheiro público, de abuso do poder e de abuso de autoridade querer ter mando sobre a consciência do outro num mundo e num corpo em que a consciência é livre e autônoma, isto é, depende de sua interconectividade cerebral e corporal, ninguém controla isto! A consciência é justamente uma simulação da realidade para tomada de decisões através da cultura, do conhecimento e da realidade! Contudo temos exemplos de investigação virtual na cidade de Londrina e que essa investigação ultrapassa os limites toleráveis ou limiares de todos em relação a violência, ao abuso sexual, ao estupro virtual, a perseguição, a extorsão, a vingança, a lavagem cerebral, a despersonalização, a loucura, a trapaça, a tentativa de homicídio, a tentativa de roubo, a formação de organização criminosa, a corrupção, a discriminação, ao racismo, ao ódio e a intolerância, a discriminação, ao feminicídio, ao parricídio, ao infanticídio, ao terror e ao horror, a dor e a tortura, ao tratamento desumano e degradante, a invasão de domicílio, de intimidade e de privacidade, de violação de sigilos e de segredos, de abuso de poder e de autoridade, de tráfico de informação e de drogas como meio de vingança e de organização criminosa para outras atividades como roubo de obras de arte ou de literatura e até como forma de tentar incriminar inocentes que testemunharam crimes sexuais e de pedofilia que envolvem ex-embaixador, pessoas importantes e atletas de Londrina, e que praticamente ¨toda a cidade de Londrina¨ conhece e todo mundo aceita porque todo mundo tem medo, se vende e se prostitui sexualmente e moralmente para a família desse ex-embaixador, hoje falecido, de modo que o comércio e outras empresas atuam com o tráfico de drogas tentando eliminar essa vítima e testemunha de crimes sexuais e de pedofilia no Colégio São Paulo que era posse desse ex-embaixador efetuando pagamentos ou ¨pedágios¨ pelo trabalho do tráfico de drogas, pois participa de uma longa e velha história, a história da cidade de Londrina, de sua colonização que foi marcada pela violência sexual, física, patrimonial e moral, onde os mais fortes e mais ricos estupravam as adolescentes e até meninas e por vezes mulheres e prostitutas vindas de São Paulo para satisfazer a ¨Santidade¨ que hoje os londrinenses reclamam ter e um puritanismo tão intenso que me constrange e chega a dar medo, mas sei que também a colonização e formação da cidade de Londrina foi marcada pela violência e por uma forma de ¨cangaço¨ ou trabalho ¨silenciador¨ que calou os historiadores de seus horrores como os pedófilos e estupradores, os capangas e capatazes, os assassinos e comerciantes que resolviam tudo na bala ou na faca, ou seja, na violência, até porque para se adquirir riquezas é necessário ¨silenciar¨ a violência e transformá-la em educação e trabalho, até mesmo é necessário silenciar a pedofilia e o abuso sexual, porém hoje, através da Justiça, pois as crianças não podem ficar desamparadas nesta cidade e neste país para favorecer tantos ignorantes e onde já existem cidades e civilizações, só assim o silêncio terá significado e sentido de paz individual e coletivo, inclusive para a História. Pois bem, não é justo ter que trabalhar numa cidade onde o abuso e a violência sexual imperam e destroem as relações sociais, institucionais e familiares, domésticas e infantis, ou seja, recalcadas e inconscientes, prejudicando todo o futuro destas pessoas, inclusive sua vida trabalhista, profissional e econômica, gerando desafios e problemas trabalhistas que se mal geridos podem terminar como o meu problema na UEL e com o resto da cidade de Londrina, uma luta moral e sexual doentia, inclusive espiritual que torna tudo motivo de denúncia, só a Justiça pode trazer paz e reestabelecer a ordem e a dignidade de todos e julgar aqueles que estão abusando e explorando seus funcionários e trabalhadores para terem benefícios e privilégios indevidos que a Justiça deve investigar, caçar, julgar e punir, pois isto é cidadania!
MATTANÓ
(14/04/2025)
FLUCTUAT NEC MERGITUR (NO BRASÃO DA CIDADE DE PARIS)
I
Não é de se estranhar o caráter subjetivo desta contribuição que me proponho trazer à história do movimento psicanalítico, nem deve causar surpresa o papel que nela desempenho, pois a psicanálise é criação minha; durante dez anos fui a única pessoa que se interessou por ela, e todo o desagrado que o novo fenômeno despertou em meus contemporâneos desabafou sobre a minha cabeça em forma de críticas. Embora de muito tempo para cá eu tenha deixado de ser o único psicanalista existente, acho justo continuar afirmando que ainda hoje ninguém pode saber melhor do que eu o que é a psicanálise, em que ela difere de outras formas de investigação da vida mental, o que deve precisamente ser denominado de psicanálise e o que seria melhor chamar de outro nome qualquer. Ao repudiar assim o que me parece nada menos que uma usurpação, estou indiretamente levando ao conhecimento dos leitores deste Jahrbuch os fatos que provocaram modificações em sua editoria e formato.
Em 1909, no salão de conferências de uma universidade norte-americana, tive a primeira oportunidade de falar em público sobre a psicanálise. A ocasião foi de grande importância para a minha obra, e movido por este pensamento declarei então que não havia sido eu quem criara a psicanálise: o mérito cabia a Joseph Breuer, cuja obra tinha sido realizada numa época em que eu era apenas um aluno preocupado em passar nos exames (1880-2). Depois que fiz aquelas conferências, entretanto, alguns amigos bem intencionados suscitaram em mim uma dúvida: não teria eu, naquela oportunidade, manifestado minha gratidão de uma maneira exagerada? Na opinião deles, devia ter feito o que já estava acostumado a fazer: encarado o “método catártico” de Breuer como um estágio preliminar da psicanálise, e a psicanálise em si como tendo tido início quando deixei de usar a técnica hipnótica e introduzi as associações livres. Seja como for, não tem grande importância que a história da psicanálise seja considerada como tendo início com o método catártico ou com a modificação que nele introduzi; menciono esse detalhe pouco interessante simplesmente porque certos adversários de psicanálise têm o hábito de lembrar vez por outra que, afinal de contas, a arte da psicanálise não foi invenção minha e sim de Breuer. Isto só acontece, naturalmente, quando seus pontos de vista permitem que eles vejam na psicanálise algo merecedor de atenção, pois, quando há uma rejeição absoluta, nem se discute que a psicanálise é obra somente minha. Que eu saiba, a grande participação que teve Breuer na criação da psicanálise jamais fez cair sobre ele o equivalente em críticas e injúrias. Como há muito já reconheci que provocar oposição e despertar rancor é o destino inevitável da psicanálise, cheguei à conclusão de que devo ser eu o verdadeiro criador do que lhe é mais característico. Alegra-me poder acrescentar que nenhuma dessas tentativas de minimizar meu papel na criação desta tão difamada psicanálise jamais partiu de Breuer, nem contou sequer com seu apoio.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud lembra que as origens da psicanálise devem-se a Breuer e a hipnose, foi justamente Breuer quem criou a psicanálise, Freud apenas modificou-a com a introdução e substituição da hipnose pela técnica da associação livre, e Freud não se cansa de nos lembrar que somente ele foi criticado brutalmente por causa da sua teoria e do seu trabalho com a psicanálise, ou seja, Breuer jamais foi criticado, para Freud essas críticas recaiam como injúrias.
Mattanó aponta que as origens da psicanálise devem-se a Breuer e a hipnose, foi justamente Breuer quem criou a psicanálise, Freud apenas modificou-a com a introdução e substituição da hipnose pela técnica da associação livre, e Freud não se cansa de nos lembrar que somente ele foi criticado brutalmente por causa da sua teoria e do seu trabalho com a psicanálise, ou seja, Breuer jamais foi criticado, para Freud essas críticas recaiam como injúrias. Vemos que os caminhos tomados por Breuer e Freud despertaram diferentes opiniões, variando e sugerindo críticas e injúrias, para Freud o responsável pelas críticas e injúrias que recebeu parece ser Breuer em seu inconsciente, sua imago paterna, sua identificação inconsciente edipiana para alicerçar suas atividades sublimadas, escolares, trabalhistas e profissionais, sua teoria e técnica psicanalítica, inclusive sua capacidade de aceitar e elaborar, interpretar as críticas e injúrias que recebia formulando hipóteses e deduções, num trabalho cognitivo, inconsciente e comportamental que substituíam as adversidades por meio de soluções funcionais do tipo S – R – C, estímulo – resposta – consequência, e adaptação comportamental, fisiológica e morfológica do indivíduo ao meio ambiente que é exigente e adverso, que evolui, é seletivo e é competitivo assim como o próprio indivíduo e seu corpo e cérebro.
MATTANÓ
(15/04/2025)
METÁFORA PARA SOLUCIONAR O DRAMA DA PULSÃO AUDITIVA, DO VOYEURISMO, DO ESTUPRO VIRTUAL E DA LINGUAGEM SEXISTA CAUSADA PELA OBRA MUSICAL E O DESEJO INCONSCIENTE (2025);
Pense assim: ¨você acredita em assaltante de banco de memória que vai te deixar com esquizofrenia?¨
Esta metáfora o ajudará a solucionar suas dúvidas acerca da utilidade e das consequências dessas regras quando utilizadas na música e com o desejo inconsciente, ou seja, de que se trata de um ladrão de memórias que vai te deixar com esquizofrenia.
MATTANÓ
(16/04/2025)
SOBRE A ERRADICAÇÃO E EXTINÇÃO DAS DROGAS E DO TRÁFICO DE DROGAS (2025):
Mattanó aponta que ninguém sabe administrar drogas ilícitas para si mesmo ou para outras pessoas de maneira segura e eficaz ou saudável, que promova o seu bem-estar e desenvolvimento bio-psico-social, caso contrário os profissionais da saúde já estariam administrando há muito tempo e também os professores recomendariam o uso delas em sala de aula e para o trabalho, como pilotar aviões, eis que as drogas são mais perigosas do que as armas, pois não existem testes psicológicos que avaliem quem pode e quem não pode utilizar esse tipo de droga ilícita como a maconha, a cocaína, o haxixe, o craque, e acrescento, o fumo e o álcool, etc..
MATTANÓ
(16/04/2025)
DENÚNCIA E HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA ARTE, DA MÚSICA, DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2025):
Testemunho, Osny Mattanó Júnior, que os veículos de comunicação de massa do Brasil e do mundo negligenciam e se omitem quanto às notícias e informações referentes às criações e obras de arte e de ciência que eu criei ao longo de minha história de vida e que estão sendo roubadas por artistas brasileiros e internacionais, para promoção de ódio e intolerância, de vingança e de discriminação, de trabalho escravo, de falsidade ideológica quando mentem sobre a criação de suas obras que têm origem nas minhas, de tortura psicológica, de violência patrimonial, sexual e moral através do conteúdo de suas letras e intenções por meio da argumentação e da linguagem tornando tudo um grande roubo onde os veículos de comunicação de massa podem estar participando, pois promovem esses artistas em seus programas, inclusive clubes de futebol podem estar participando deste esquema de roubo cedendo estádios e arenas de futebol para shows e eventos com esses artistas, para faturarem alto e tentarem me prejudicar, discriminar, humilhar e até assassinar ou sequestrar e a minha família, evento que já aconteceu, e vemos que as autoridades e as polícias do Brasil e do mundo se calam diante deste contexto de violência, guerra e roubo, de sequestro de minha consciência por meio de uma ¨linha restrita¨ de ondas de rádio que o tráfico de drogas tem acesso liberado pelo Presidente da República ou pelo Ministro da Defesa ou pelo Ministro da Justiça, ou todos eles, não sei, e que estão utilizando para me sequestrar, torturar, ameaçar e roubar. Peço providências, investigação e Justiça, pois estão roubando toda a minha vida!
MATTANÓ
(16/04/2025)
MÚSICAS SATÃNICAS, GNÓSTICAS E APÓCRIFAS QUE ¨FALAM¨ DO AMOR DE DEUS, DE JESUS E DE MARIA (2025):
As músicas satânicas, gnósticas e apócrifas que ¨falam¨ do Amor de Deus, de Jesus e de Maria são aquelas músicas roubadas e feitas sem autorização direta e consensual, documental do criador, Osny Mattanó Júnior, o Amor de Deus, de Jesus e de Maria, pois aquelas músicas feitas sem autorização tornam-se satânicas, gnósticas e apócrifas quando distorcem e alteram a Voz e a mensagem do Amor de Deus, de Jesus e de Maria, colocando intenções de pecadores e de pessoas que não amam a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a si mesmo, por isso cantam e tocam músicas e canções satânicas, gnósticas e apócrifas que nada tem a ver com o Evangelho do Amor de Deus, de Jesus e de Maria.
MATTANÓ
(16/04/2025)
A PSICANÁLISE É UMA METÁFORA (2025):
Mattanó aponta que a Psicanálise, a Psicanálise Mitológica e a Psicanálise do Amor são metáforas para solução comportamental ou de adaptação comportamental, de substituição de uma realidade ambiental por outra realidade virtual e metafórica, assim como as metáforas Behavioristas de Hayes que utiliza o distanciamento compreensivo em sua técnica de psicoterapia através de metáforas que substituem o comportamento do paciente lhe oferecendo a oportunidade de se auto-observar e intervir através de conscientização da sua realidade que é constituída de três contextos, de literalidade, de dar razões e de controle, passando a discriminar o contexto, porém Mattanó vai além, além do contexto Mattanó possibilita a liberdade para se viver e para se ensinar a viver, onde o paciente não é mais controlado por contextos, mas pela consciência e depois pela sua reorganização inconsciente, consciente, comportamental e subconsciente através da aceitação dessa nova realidade, e compreendendo que a Psicanálise, a Psicanálise Mitológica e a Psicanálise do Amor são uma metáfora e que não precisam controlar você, ou seja, que você tem o controle sobre elas.
MATTANÓ
(17/04/2025)
ANATOMIA DA CRIAÇÃO (2025):
Para se descobrir se uma pessoa é heterossexual ou homossexual basta lhe perguntar isso para ela e confiar na sua resposta. Pois a identidade, a orientação e o papel sexual são como um órgão independente que se liga ao resto do organismo, ou seja, é como o fígado ou o coração que tem suas funções específicas e se ligam ao resto do corpo e continuam sendo eles mesmos, independentes de aumentamentos ou acréscimos teóricos que apenas distorcem, por um lado, a imagem e as ações dessa pessoa, e por outro lado, as disposições ou simulações no âmbito sexual sócio-histórico, familiar, doméstico, infantil, inconsciente, comportamental, subconsciente e consciente, cultural, de conhecimento e organizador da sua realidade para enfrentar as exigências e adversidades do meio ambiente que é evolutivo, seletivo e competitivo, ou seja, operante e condicionado.
MATTANÓ
(19/04/2025)
As descobertas de Breuer já foram descritas tantas vezes que posso dispensar um exame detalhado das mesmas aqui. O fundamental delas era o fato de que os sintomas de pacientes histéricos baseiam-se em cenas do seu passado que lhes causaram grande impressão mas foram esquecidas (traumas); a terapêutica, nisto apoiada, que consistia em fazê-los lembrar e reproduzir essas experiências num estado de hipnose (catarse); e o fragmento de teoria disto inferido, segundo o qual esses sintomas representavam um emprego anormal de doses de excitação que não haviam sido descarregadas (conversão). Sempre que Breuer, em sua contribuição teórica aos Estudos Sobre a Histeria (1895), referia-se a esse processo de conversão, acrescentava meu nome entre parênteses, como se coubesse a mim a prioridade desta primeira tentativa de avaliação teórica. Creio que, na realidade, esta distinção só se aplica ao termo, e que a concepção nos ocorreu simultaneamente e em conjunto.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que os sintomas de pacientes histéricos baseiam-se em cenas do seu passado que lhes causaram grande impressão mas foram esquecidas (traumas); a terapêutica, nisto apoiada, que consistia em fazê-los lembrar e reproduzir essas experiências num estado de hipnose (catarse); e o fragmento de teoria disto inferido, segundo o qual esses sintomas representavam um emprego anormal de doses de excitação que não haviam sido descarregadas (conversão). Sempre que Breuer, em sua contribuição teórica aos Estudos Sobre a Histeria (1895), referia-se a esse processo de conversão, acrescentava meu nome entre parênteses, como se coubesse a mim a prioridade desta primeira tentativa de avaliação teórica.
Mattanó aponta que os sintomas de pacientes histéricos baseiam-se em cenas do seu passado que lhes causaram grande impressão mas foram esquecidas (traumas); a terapêutica, nisto apoiada, que consistia em fazê-los lembrar e reproduzir essas experiências num estado de hipnose (catarse); e o fragmento de teoria disto inferido, segundo o qual esses sintomas representavam um emprego anormal de doses de excitação que não haviam sido descarregadas (conversão). Sempre que Breuer, em sua contribuição teórica aos Estudos Sobre a Histeria (1895), referia-se a esse processo de conversão, acrescentava meu nome entre parênteses, como se coubesse a mim a prioridade desta primeira tentativa de avaliação teórica. Vemos que Freud cita momentos de sua experiência com Breuer onde vivenciou e ajudou a conduzir os estudos com pacientes histéricos que Breuer tratava.
MATTANÓ
(19/04/2025)
É sabido também que depois de Breuer ter feito sua primeira descoberta do método catártico deixou-o de lado durante anos e só veio a retomá-lo por instigação minha, quando de volta dos meus estudos com Charcot. Breuer tinha uma grande clientela que exigia muito dele; quanto a mim, apenas assumira a contragosto a profissão médica, mas tinha naquela época um forte motivo para ajudar as pessoas que sofriam de afecções nervosas ou pelo menos para desejar compreender algo sobre o estado delas. Adotei a fisioterapia, e me senti completamente desanimado com os resultados desapontadores do meu estudo da Elektrotherapie de Erb [1882], que apresentava tantas indicações e recomendações. Se na época não cheguei por conta própria à conclusão que Moebius estabeleceu depois - de que os êxitos do tratamento elétrico em doentes nervosos são efeito de sugestão -, foi, sem dúvida alguma, apenas por causa da total ausência desses prometidos êxitos. O tratamento pela sugestão durante a hipnose profunda, que aprendi através das impressionantes demonstrações de Liébeault e Bernheim, pareciam então oferecer um substituto satisfatório para o malogrado tratamento elétrico. Mas a prática de investigar pacientes em estado hipnótico, com a qual me familiarizou Breuer - prática que combinava um modo de agir automático com a satisfação da curiosidade científica - era, sem dúvida, incomparavelmente mais atraente do que as proibições monótonas e forçadas usadas no tratamento pela sugestão, proibições que criavam um obstáculo a qualquer pesquisa.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que depois de Breuer ter feito sua primeira descoberta do método catártico deixou-o de lado durante anos e só veio a retomá-lo por instigação minha, quando de volta dos meus estudos com Charcot. Adotei a fisioterapia, e me senti completamente desanimado com os resultados desapontadores do meu estudo da Elektrotherapie de Erb [1882], que apresentava tantas indicações e recomendações. O tratamento pela sugestão durante a hipnose profunda, que aprendi através das impressionantes demonstrações de Liébeault e Bernheim, pareciam então oferecer um substituto satisfatório para o malogrado tratamento elétrico. Mas a prática de investigar pacientes em estado hipnótico, com a qual me familiarizou Breuer - prática que combinava um modo de agir automático com a satisfação da curiosidade científica - era, sem dúvida, incomparavelmente mais atraente do que as proibições monótonas e forçadas usadas no tratamento pela sugestão, proibições que criavam um obstáculo a qualquer pesquisa.
Mattanó aponta que depois de Breuer ter feito sua primeira descoberta do método catártico deixou-o de lado durante anos e só veio a retomá-lo por instigação minha, quando de volta dos meus estudos com Charcot. Adotei a fisioterapia, e me senti completamente desanimado com os resultados desapontadores do meu estudo da Elektrotherapie de Erb [1882], que apresentava tantas indicações e recomendações. O tratamento pela sugestão durante a hipnose profunda, que aprendi através das impressionantes demonstrações de Liébeault e Bernheim, pareciam então oferecer um substituto satisfatório para o malogrado tratamento elétrico. Mas a prática de investigar pacientes em estado hipnótico, com a qual me familiarizou Breuer - prática que combinava um modo de agir automático com a satisfação da curiosidade científica - era, sem dúvida, incomparavelmente mais atraente do que as proibições monótonas e forçadas usadas no tratamento pela sugestão, proibições que criavam um obstáculo a qualquer pesquisa. Vemos que Freud discorre sobre sua experiência pessoal com o método catártico de Breuer através de Charcot, mas também nos fala de seus estudos com a fisioterapia que o desanimou e lhe revelou que a sugestão parecia ser o caminho para a ¨cura¨ ou melhora dos seus pacientes, através da hipnose que para Freud foi bastante limitador como método científico, pois era monótono e forçado pela sugestão, um obstáculo a qualquer pesquisa.
MATTANÓ
(19/04/2025)
Há pouco tempo nos foi dada uma sugestão - que se propunha representar um dos mais recentes desenvolvimentos da psicanálise -, no sentido de que o conflito do momento e o fator desencadeante da doença devem ser trazidos para o primeiro plano na análise. Ora, isto era exatamente o que Breuer e eu fazíamos quando começamos a trabalhar com o método catártico. Conduzíamos a atenção do paciente diretamente para a cena traumática na qual o sintoma surgira e nos esforçávamos por descobrir o conflito mental envolvido naquela cena, e por liberar a emoção nela reprimida. Ao longo deste trabalho, descobrimos o processo mental, característico das neuroses, que chamei depois de “regressão”. As associações do paciente retrocediam, a partir da cena que tentávamos elucidar, até as experiências mais antigas, e compeliam a análise, que tencionava corrigir o presente, a ocupar-se do passado. Esta regressão nos foi conduzindo cada vez mais para trás; a princípio parecia nos levar regularmente até a puberdade; em seguida, fracassos e pontos que continuavam inexplicáveis levaram o trabalho analítico ainda mais para trás, até os anos da infância que até então permaneciam inacessíveis a qualquer espécie de exploração. Essa direção regressiva tornou-se uma característica importante da análise. Era como se a psicanálise não pudesse explicar nenhum aspecto do presente sem se referir a algo do passado; mais ainda, que toda experiência patogênica implicava uma experiência prévia que, embora não patogênica em si, havia, não obstante, dotado esta última de sua qualidade patogênica. Entretanto, a tentação de limitar a atenção ao fator desencadeante conhecido, do momento, era tão forte que, mesmo em análises posteriores, cedi a ela. Na análise da paciente a quem dei o nome de “Dora” [1905e], realizada em 1899, tive conhecimento da cena que ocasionou a irrupção da doença daquele momento. Tentei inúmeras vezes submeter essa experiência à análise, mas nem mesmo exigências diretas conseguiram da paciente mais que a mesma descrição pobre e incompleta. Só depois de ter sido feito um longo desvio, que a levou de volta à mais tenra infância, surgiu um sonho que, ao ser analisado, lhe trouxe à mente detalhes daquela cena, até então esquecidos, e assim uma compreensão e solução do conflito do momento tornaram-se possíveis.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que conduzíamos a atenção do paciente diretamente para a cena traumática na qual o sintoma surgira e nos esforçávamos por descobrir o conflito mental envolvido naquela cena, e por liberar a emoção nela reprimida. Ao longo deste trabalho, descobrimos o processo mental, característico das neuroses, que chamei depois de “regressão”. As associações do paciente retrocediam, a partir da cena que tentávamos elucidar, até as experiências mais antigas, e compeliam a análise, que tencionava corrigir o presente, a ocupar-se do passado. Esta regressão nos foi conduzindo cada vez mais para trás; a princípio parecia nos levar regularmente até a puberdade; em seguida, fracassos e pontos que continuavam inexplicáveis levaram o trabalho analítico ainda mais para trás, até os anos da infância que até então permaneciam inacessíveis a qualquer espécie de exploração. Essa direção regressiva tornou-se uma característica importante da análise. Era como se a psicanálise não pudesse explicar nenhum aspecto do presente sem se referir a algo do passado; mais ainda, que toda experiência patogênica implicava uma experiência prévia que, embora não patogênica em si, havia, não obstante, dotado esta última de sua qualidade patogênica.
Mattanó aponta que conduzíamos a atenção do paciente diretamente para a cena traumática na qual o sintoma surgira e nos esforçávamos por descobrir o conflito mental envolvido naquela cena, e por liberar a emoção nela reprimida. Ao longo deste trabalho, descobrimos o processo mental, característico das neuroses, que chamei depois de “regressão”. As associações do paciente retrocediam, a partir da cena que tentávamos elucidar, até as experiências mais antigas, e compeliam a análise, que tencionava corrigir o presente, a ocupar-se do passado. Esta regressão nos foi conduzindo cada vez mais para trás; a princípio parecia nos levar regularmente até a puberdade; em seguida, fracassos e pontos que continuavam inexplicáveis levaram o trabalho analítico ainda mais para trás, até os anos da infância que até então permaneciam inacessíveis a qualquer espécie de exploração. Essa direção regressiva tornou-se uma característica importante da análise. Era como se a psicanálise não pudesse explicar nenhum aspecto do presente sem se referir a algo do passado; mais ainda, que toda experiência patogênica implicava uma experiência prévia que, embora não patogênica em si, havia, não obstante, dotado esta última de sua qualidade patogênica. Vemos que Freud continuou suas pesquisas e que assim modificou seu método de tratamento indo para a regressão através das associações do paciente que retrocediam cada vez mais, para mais longe, para instâncias mais primitivas de sua infância.
MATTANÓ
(19/04/2025)
O PODER DO UNIVERSO (2025):
Talvez as autoridades jamais anunciem que fomos visitados por extraterrestres, mas por seres evoluídos da nossa própria espécie, a Homo Sapiens, mas do futuro, que podem realizar viagens no tempo e no espaço com tecnologias superiores e até com um cérebro muito mais evoluído, pois eu mesmo já perguntei para esses seres em Cambé, no Brasil, de que planeta eles são ou vieram, e eles desenharam no céu o número ¨3¨, indicando que são e vieram do planeta número ¨3¨, ou seja, o planeta Terra; outras indicações de que podem ser do futuro é que esses seres do futuro realizam profecias e segredos ou mensagens e avisos em forma verbal, telepática ou de sinais, por exemplo, em desenhos em nuvens, indicando como será o futuro e não se importam tanto se estão ou não controlando as pessoas deste mundo, o que me parece indicar que são de outro tempo e de outro espaço, pois o atual pouco lhes importa, ficam apenas realizando experiências científicas conosco e com outros seres vivos, mas os frutos dessas experiências científicas nunca temos acesso, ou seja, não nos beneficiam, talvez porque são de outro tempo e de outro espaço, caso contrário acabaríamos descobrindo o que eles estão fazendo, pesquisando, destruindo, criando, alterando e/ou contribuindo para este mundo, pois temos como fazer isto. Por isso, alienígenas ou seres extraterrestres não existem, mas sim seres mais evoluídos da nossa própria espécie que teve que evoluir, ser seletiva e competir para sobreviver e se reproduzir diante das mudanças, adversidades e exigências do meio ambiente.
MATTANÓ
(20/04/2025)
O PODER DO UNIVERSO (2025):
Podemos especular que os homossexuais de hoje ou a comunidade de LGBTQIAPN+ significam o que significavam os antigos Vodum que eram uma prática religiosa de nossos antigos ancestrais que envolvia ritos de feitiçaria e magia como bonecos que representavam o alvo de suas práticas religiosas, então os homossexuais ou a comunidade de LGBTQIAPN+ substituiu e se transformou numa revisão secundária desses antigos Vodum adquirindo forma ou Gestalt e insight além de organização perceptiva que fundamentasse essa prática através da semelhança, proximidade dos pontos e elementos, continuidade e figura/fundo que nos lembra por associação os bonecos da prática de Vodum, além da sua utilidade que é servir para descarga de agressividade, hostilidade, abandono, negligência, crueldade e violência, além de escravidão e tráfico, seja de humanos, de escravos, de drogas ou de sexo, assim como na maioria dos casos de relações com homossexuais e LGBTQIAPN+. Eis que o Vodum reforçava estas práticas em suas tribos, comunidades e sociedades, excluindo aqueles que os ritos e os mitos desclassificavam ou ditavam os seus destinos, do mesmo jeito que o conteúdo recalcado é capaz de operar hoje em dia em nossas relações.
MATTANÓ
(21/04/2025)
O PODER DO UNIVERSO (2025):
Qual a relevância das políticas contra o clima extremo? Diremos que é de educar e formar através da educação e do trabalho em escolas, empresas, organizações, instituições, universidades, igrejas, comércios, atividades recreativas, através da saúde, etc., indivíduos com uma cultura, consciência, conhecimento e uma preparação para formar e lidar com a realidade que é construída a partir da sua experiência de vida, da sua história de vida infantil, doméstica e familiar, recalcada e inconsciente que por sua vez mantêm padrões comportamentais, subconscientes e conscientes que se transformam no movimento do tempo e do espaço ou do clima que merece a nossa atenção, tanto quanto o nosso inconsciente, o nosso comportamento, subconsciente e a nossa consciência, pois é uma resposta as mudanças causadas pela ação do homem sobre o meio ambiente, significando que nossa autopreservação está perdendo para nossa autodestruição e para a pulsão de morte que vem sendo superior a pulsão de vida, que não estamos tendo noção de limites comportamentais, talvez em função do desenvolvimento de nosso imaginário e do nosso simbólico que fazem da mente inconsciente um trampolim para grandes viagens, muitas delas sem segurança, como esta que provoca o clima extremo. É a consciência através da cultura, do conhecimento e da realidade e nunca através do prazer que nos libertará de nós mesmos e de nossa autodestruição e das suas consequências, como o clima extremo!
MATTANÓ
(21/04/2025)
Este único exemplo mostra quanto desacerto havia na sugestão acima referida e que grau de regressão científica representaria o abandono, por ela proposto, da regressão na técnica analítica.
Minha primeira divergência com Breuer surgiu de uma questão relativa ao mecanismo psíquico mais apurado da histeria. Ele dava preferência a uma teoria que, se poderia dizer, ainda era até certo ponto fisiológica; tentava explicar a divisão mental nos pacientes histéricos pela ausência de comunicação entre vários estados mentais (“estados de consciência”, como os chamávamos naquela época), e construiu então a teoria dos “estados hipnóides” cujos produtos se supunham penetrar na “consciência desperta” como corpos estranhos não assimilados. Eu via a questão de forma menos científica; parecia discernir por toda parte tendências e motivos análogos aos da vida cotidiana, e encarava a própria divisão psíquica como o efeito de um processo de repulsão que naquela época denominei de “defesa”, e depois de “repressão”. Fiz uma tentativa efêmera de permitir que os dois mecanismos existissem lado a lado separados um do outro, mas como a observação me mostrava sempre uma única e mesma coisa, dentro de pouco tempo minha teoria da “defesa” passou a se opor à teoria “hipnóide” de Breuer.
Estou bem certo, contudo, de que esta oposição entre os nossos pontos de vista nada teve que ver com o rompimento de nossas relações que se seguiu pouco depois. Este teve causas mais profundas, mas ocorreu de forma tal que de início não o compreendi; só depois é que, através de claras indicações, pude interpretá-lo. Como se sabe, Breuer disse de sua primeira e famosa paciente que o elemento de sexualidade estava surpreendentemente não desenvolvido nela e que em nada contribuíra para o riquíssimo quadro clínico do caso. Sempre fiquei a imaginar por que os críticos não citam com mais freqüência esta afirmação de Breuer como argumento contra minha alegação referente à etiologia sexual das neuroses, e até hoje não sei se devo considerar a omissão como prova de tato ou de descuido da parte deles. Quem quer que leia agora a história do caso de Breuer à luz dos conhecimentos adquiridos nos últimos vinte anos, perceberá, de imediato, o simbolismo nele existente - as cobras, o enrijecimento, a paralisia do braço - e, levando em conta a situação da jovem à cabeceira do pai enfermo, facilmente chegará à verdadeira interpretação dos sintomas; a opinião do leitor sobre o papel desempenhado pela sexualidade na vida mental da paciente será, portanto, bem diferente daquela do seu médico. No tratamento desse caso, Breuer usou, para com a paciente, de um rapport sugestivo muito intenso, que nos poderá servir como um perfeito protótipo do que chamamos hoje de “transferência”. Tenho agora fortes razões para suspeitar que, depois de ter aliviado todos os sintomas de sua cliente, Breuer deve ter descoberto por outros indícios a motivação sexual dessa transferência, mas que a natureza universal deste fenômeno inesperado lhe escapou, resultando daí que, como se tivesse sido surpreendido por um “fato inconveniente”, ele tenha interrompido qualquer investigação subseqüente. Breuer nunca me falou isso assim, mas me disse o bastante em diferentes ocasiões para justificar esta minha reconstituição do acontecido. Quando depois comecei, cada vez com mais persistência, a chamar a atenção para a significação da sexualidade na etiologia das neuroses, ele foi o primeiro a manifestar a reação de desagrado e repúdio que posteriormente iria tornar-se tão familiar a mim, mas que naquela ocasião eu não tinha ainda aprendido a reconhecer como meu destino inexorável.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que seus estudos com Breuer levaram-no a adquirir conhecimento sobre a etiologia das neuroses que Breuer descartou e desconsiderou em seus estudos e trabalhos, reservando-se a hipnose criando uma teoria hipnóide, enquanto que Freud chamou-a de teoria da ¨defesa¨ e depois de repressão essa atenção para a significação da sexualidade na etiologia das neuroses, causando desagrado e repúdio em Breuer, contudo marcando o destino de Freud.
Mattanó aponta que seus estudos com Breuer levaram-no a adquirir conhecimento sobre a etiologia das neuroses que Breuer descartou e desconsiderou em seus estudos e trabalhos, reservando-se a hipnose criando uma teoria hipnóide, aqui Freud adquire conhecimento, cultura, consciência e realidade para caminhar com suas próprias ideias e opiniões que se transformaram em teorias, uma teoria da ¨defesa¨ que depois passou a ser chamada de repressão, contudo o método de Breuer limitava a investigação científica através da hipnose, enquanto que Freud chamou a atenção para a significação da sexualidade na etiologia das neuroses, pois foi percebendo um simbolismo, como as cobras, o enrijecimento, a paralisia do braço, que levava a interpretação desses sintomas para a significação da sexualidade causando desagrado e repúdio em Breuer, contudo marcando o destino de Freud.
MATTANÓ
(24/04/2025)
O surgimento da transferência sob forma francamente sexual - seja de afeição ou de hostilidade -, no tratamento das neuroses, apesar de não ser desejado ou induzido pelo médico nem pelo paciente, sempre me pareceu a prova mais irrefutável de que a origem das forças impulsionadoras da neurose está na vida sexual. A este argumento nunca foi dado o grau de atenção que ele merece, pois se isso tivesse acontecido, as pesquisas neste campo não deixariam nenhuma outra conclusão em aberto. No que me diz respeito, este argumento continua a ser decisivo, mas decisivo mesmo do que qualquer das descobertas mais específicas do trabalho analítico.
O consolo que tive em face da reação negativa provocada, mesmo no meu círculo de amigos mais íntimos, pelo meu ponto de vista de uma etiologia sexual nas neuroses - pois formou-se rapidamente um vácuo em torno de mim -, foi o pensamento de que estava assumindo a luta por uma idéia nova e original. Mas, um belo dia, vieram-me à mente certas lembranças que perturbaram esta idéia agradável, mas que, por outro lado, me proporcionaram uma percepção (insight) valiosa dos processos da atividade criativa humana e da natureza dos conhecimentos humanos. A idéia pela qual eu estava me tornando responsável de modo algum se originou em mim. Fora-me comunicada por três pessoas cujos pontos de vista tinham merecido meu mais profundo respeito - o próprio Breuer, Charcot e Chrobak, o ginecologista da universidade, talvez o mais eminente de todos os nossos médicos de Viena. Esses três homens me tinham transmitido um conhecimento que, rigorosamente falando, eles próprios não possuíam. Dois deles, mais tarde, negaram tê-lo feito quando lhes lembrei o fato; o terceiro (o grande Charcot) provavelmente teria feito o mesmo se me tivesse sido dado vê-lo novamente. Mas essas três opiniões idênticas, que ouvira sem compreender, tinham ficado adormecidas em minha mente durante anos, até que um dia despertaram sob a forma de uma descoberta aparentemente original.
Um dia, quando eu era ainda um jovem médico residente, passeava com Breuer pela cidade, quando se aproximou de nós um homem que evidentemente desejava falar-lhe com urgência. Deixei-me ficar para trás. Logo que Breuer ficou livre, contou-me com seu jeito amistoso e instrutivo que aquele homem era marido de uma paciente sua e que lhe trouxera algumas notícias a respeito dela. A esposa, acrescentou, comportava-se de maneira tão peculiar em sociedade que lhe fora levada para tratamento como um caso de doença nervosa. Concluiu ele: “Estas coisas são sempre “secrets d’alcôve!” Perguntei-lhe assombrado o que queria dizer e respondeu explicando-me o termo alcôve (“leito conjugal”), pois não se deu conta de quão extraordinário o assunto de sua declaração me parecia.
Alguns anos depois, numa recepção em casa de Charcot, aconteceu-me estar de pé perto do grande mestre no momento em que ele parecia estar contando a Brouardel uma história muito interessante sobre algo que me ocorrera durante o trabalho do dia. Mal ouvi o início, mas pouco a pouco minha atenção foi-se prendendo ao que ele dizia: um jovem casal de um país distante do Oriente - a mulher, um caso de doença grave, o homem impotente ou excessivamente desajeitado. “Tâchez donc”, ouvi Charcot repetindo, “jê vous assure, vous y arriverez”. Brouardel, que falava mais baixo, deve ter externado o seu espanto de que sintomas como os da esposa pudessem ter sido produzidos por tais circunstâncias, pois Charcot de súbito irrompeu com grande animação: “Mais, dans des cas pareils, c’est toujours la chose génitale, toujours… toujours… toujours”; e cruzou os braços sobre o estômago, abraçando-se a si mesmo e pulando para cima e para baixo na ponta dos pés várias vezes com a animação que lhe era característica. Sei que por um momento fiquei quase paralisado de assombro e disse para mim mesmo: “Mas se ele sabe disso, por que não diz nunca?”. Mas a impressão logo foi esquecida; a anatomia do cérebro e a indução experimental de paralisias histéricas absorviam todo o meu interesse.
Um ano depois, iniciara a minha carreira médica em Viena como professor-adjunto de doenças nervosas, e em relação a tudo o que dizia respeito à etiologia das neuroses ainda era tão ignorante e inocente quanto se poderia esperar de um aluno promissor recém-saído de uma universidade. Certo dia, recebi um recado simpático de Chrobak, pedindo-me que visse uma cliente sua a quem não podia dedicar o tempo necessário, por causa de sua recente nomeação para o cargo de professor universitário. Cheguei à casa da cliente antes dele e verifiquei que ela sofria de acessos de ansiedade sem sentido, e só conseguia se acalmar com informações precisas de onde se encontrava o seu médico a cada momento do dia. Quando Chrobak chegou, levou-me a um canto e me disse que a ansiedade da paciente era devida ao fato de que, embora estivesse casada há dezoito anos, ainda era virgo intacta. O marido era absolutamente impotente. Nesses casos, disse ele, o médico nada podia fazer a não ser resguardar esta infelicidade doméstica com sua própria reputação, e resignar-se quando as pessoas dessem de ombros e dissessem dele: “Não vale nada se não pode curá-la depois de tantos anos”. A única receita para essa doença acrescentou, nos é bastante familiar, mas não podemos prescrevê-la. É a seguinte:
“R. Penis normalis dosim repetatur!”
Jamais ouvira tal receita, e tive vontade de fazer ver ao meu protetor que eu reprovava o seu cinismo.
Não revelei a paternidade ilustre desta idéia escandalosa com o intuito de atribuir a outros a responsabilidade dela. Dou-me conta muito bem de que uma coisa é externar uma idéia uma ou duas vezes sob a forma de um aperçu passageiro, e outra bem diferente é levá-la a sério, tomá-la ao pé da letra e persistir nela, apesar dos detalhes contraditórios, até conquistar-lhe um lugar entre as verdades aceitas.
É a diferença entre um flerte fortuito e um casamento legal com todos os seus deveres e dificuldades. “Épouser les idées de…” não é uma figura de linguagem pouco comum, pelo menos em francês.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que suas ideias originaram-se da educação que ganhou de três grandes formadores, eles, Breuer, Charcot e Chrobak, os três assinalaram que os males do comportamento provêm do relacionamento conjugal, então Freud concluiu que existem diferenças entre um flerte fortuito e um casamento legal com todos os seus deveres e dificuldades, indicando que estes problemas se transformam através da conversão em sintomas e reproduzem o conteúdo recalcado do inconsciente da paciente.
Mattanó aponta que as ideias de Freud originaram-se da educação que ele ganhou de três grandes formadores, eles, Breuer, Charcot e Chrobak, os três assinalaram que os males do comportamento provêm do relacionamento conjugal, então Freud concluiu que existem diferenças entre um flerte fortuito e um casamento legal com todos os seus deveres e dificuldades, indicando que estes problemas se transformam através da conversão em sintomas e reproduzem o conteúdo recalcado do inconsciente da paciente, e que esses sintomas possuem significados e sentidos, uma história doméstica, familiar e infantil marcada em seu inconsciente.
MATTANÓ
(29/04/2025)
HISTÓRIA DA SEXUALIDADE CRISTÃ (2025):
É através da História da Sexualidade Cristã que poderemos desenvolver especulações, teorias e práticas melhores sobre a Biologia Cristã, pois ambas estão entrelaçadas, já que a sexualidade depende de um corpo biológico com órgão, estruturas e hormônios que façam a sexualidade se tornar realidade e operante comportamentalmente, além de inconscientemente, cognitivamente, moralmente e socialmente. A História da Sexualidade Cristã visa mapear o caminho da sexualidade, desde sua criação ou gênese com Adão e Eva que substituem inconscientemente o primeiro homem e a primeira mulher Homo Sapiens no processo evolutivo, seletivo e competitivo deste mundo. Mapeando sua ingenuidade e sua malícia através dos vestígios e indícios arqueológicos, como a Sagrada Escritura e os textos apócrifos, por exemplo, e também os textos mais antigos de outras religiões Cristãs, construindo assim um mapa da História da Sexualidade Cristã que nos influencia até os dias de hoje, permitindo-nos ter consciência dos eventos mantenedores e formadores da nossa realidade atual através da nossa consciência, cultura e conhecimento.
MATTANÓ
(05/05/2025)
HISTÓRIA DA INTIMIDADE CRISTÃ (2025):
É através do estudo da História da Intimidade Cristã que podemos investigar, analisar e ter conhecimento especulativo, teórico e prático sobre a História da Intimidade Cristã, desde sua concepção ou Criação com Adão e Eva ou o primeiro homem e a primeira mulher durante a evolução das espécies e a concepção do Homo Sapiens que teve que ser seletivo e competitivo para poder reproduzir e sobreviver num meio ambiente exigente e adverso. A intimidade torna-se assim ferramenta para a evolução, seleção e competição entre espécies diferentes e indivíduos da mesma espécie. O estudo da História da Intimidade Cristã conta com o auxílio da arqueologia que nos auxilia com a investigação dos restos, indícios e vestígios deixados e encontrados nos sítios arqueológicos do mundo inteiro que se referem aos padrões comportamentais, morais, sexuais e sociais de intimidade do Homo Sapiens, que incluem textos Bíblicos e a própria Sagrada Escritura. Poderemos assim construir e elaborar um mapa da História da Intimidade Cristã para nos revelar que a intimidade tem sua própria história, surgimento, desenvolvimento e como qualquer outro evento comportamental, pode ter o seu fim, extinção ou apocalipse, se renovando, se transformando como comportamento, influência inconsciente, moral, sexual, social, cognitiva, trabalhista, escolar, esportiva, religiosa, espiritual, lúdica, de vida vivida, de vida representada e subconsciente, e que a intimidade depende diretamente do estímulo ambiental e do seu significado e do seu sentido para que adquira forma, simulação cerebral ou virtual e depois, comportamento e consequências, que manterão este comportamento. Quando a intimidade é violada por paranormalidade e telepatia, o estímulo ambiental e o seu significado e sentido adquirem forma, simulação cerebral ou virtual e depois se transformam em comportamento, se este for o desejo do indivíduo ¨telepath¨, porém outro evento ocorre, acontece a exibição inconsciente, pois o ¨telepath¨ não tem controle consciente sobre seu comportamento paranormal e telepático, por isso é inconsciente e involuntário, autônomo e cerebral, e essa exibição passa ser reforçada quando entra como comunicação inconsciente, se transformando em comportamento autônomo e simulador, que passa a ser consequência que mantêm esse comportamento. O problema está naquele que controla e comanda a exibição paranormal e telepática do comportamento e não na cadeia comportamental.
MATTANÓ
(05/05/2025)
DENÚNCIA DE NEGLIGÊNCIA E IMPERÍCIA (2025):
Sempre que realizamos atos falhos, esquecimentos e lapsos de linguagem, chistes, piadas, humor, charges, caricaturas, delírios, alucinações, alterações do pensamento, ficamos hostis, agressivos, nos isolamos socialmente, ficamos pobres em nossa linguagem, temos problemas ou transtornos sexuais e afetivos, ganhamos massa e passamos a ficar obesos, ficamos deprimidos e em pânico, ficamos estressados ou com medo, inveja, ciúme, raiva, ódio ou amor por alguém sentimos a necessidade de nos comportar para elaborar o que sentimos e pensamos, tanto conscientemente, quanto inconscientemente e subconscientemente, pois há uma funcionalidade em todos estes eventos que nos ensina que cada R resposta é função de um S estímulo e essa R resposta causa C consequência(s), ou seja, existe um padrão de S – R – C, estímulo – resposta – consequência que se reproduz autonomamente, ou seja, que é cerebral. Em função disto, leis que punem pensamentos e estados de consciência ou o mundo virtual e a realidade virtual, mesmo que a topográfica coclear ou auditiva e a topográfica visual, se tornam leis abusivas e incoerentes com o funcionamento do nosso corpo e do nosso cérebro que é autônomo e funciona segundo uma funcionalidade que determina que tudo tem uma sequência de S – R – C, estímulo – resposta – consequência em sua organização, funcionamento e elaboração, tanto consciente, quanto inconsciente, comportamental e subconsciente. Se você seleciona o S estímulo ou a R reposta ou a C consequência sem relacioná-los em sua cadeia de eventos funcionais você não consegue compreende-los e eles ficam ininteligíveis, até quando estudamos e analisamos o mundo virtual e a realidade virtual, sem a cadeia de eventos funcionais nada concluímos satisfatoriamente, ou seja, necessitamos descarregar nossas energias ou catexias que se formam e se acumulam através de nossas cadeias de eventos funcionais e não no impossível, que apenas num estímulo, numa resposta ou numa consequência, para que tenhamos poder e consciência para formar e compreender cognitivamente seus significados e sentidos, pois o que nos preocupa e incomoda causando desconforto são sempre os significados e os sentidos dos objetos e das relações, dos estímulos e da sua funcionalidade, estado de eventos que acumulamos em nosso cérebro, em nosso mapa cognitivo como aprendizagem, cultura, consciência, conhecimento e realidade. É impossível o cérebro se silenciar como propõem esses Psicólogos do Judiciário que investem nessa abordagem criminal do mundo virtual e da realidade virtual, do mapa cognitivo e dos caminhos cognitivos, pois o cérebro só se silencia na morte como vemos nos Hospitais quando os instrumentos clínicos indicam morte cerebral, fora disto o cérebro continua trabalhando, nem que seja nas e.q.m. (experiências quase morte), por exemplo, ou em coma, nos casos mais complexos e graves. O cérebro enquanto permanece vivo não se silencia!
MATTANÓ
(11/05/2025)
SOBRE A LAVAGEM CEREBRAL (2025):
Na lavagem cerebral o inconsciente pode ser trabalhado através da consciência e do comportamento, ressignificando-o de modo atualizado e realizador, mesmo que intermitente em sua continuidade, ou seja, apoiando-se em reconstruções por meio da atenção e da intenção, do tempo e da eternidade, da liberdade para viver e para se aprender a viver por meio da consciência, da cultura, do conhecimento e da realidade.
MATTANÓ
(13/05/2025)
A VIDA ANÍMICA PODE SUBSTITUIR A PSICOTERAPIA SE FOR INTELIGENTE E CONSCIENTE (2025):
Podemos lidar com a educação da vida anímica aprendendo a deixar viver e a deixar ensinar a viver para que o indivíduo com seu cérebro e sua consciência adquira uma realidade, cultura e conhecimento capazes de guia-lo pelo mundo afora e diante de suas necessidades, interesses, motivações e habilidades inconscientes, comportamentais, conscientes, subconscientes, vividas e representadas, dotando o indivíduo de repertório comportamental para agir, pensar, sentir e se comportar, não segundo um desvio padrão que indique o que é normal, mas segundo o seu potencial e o seu repertório comportamental, sem preconceitos e sem estigmas, sem formas de discriminação, mas ampliando o mapa do que chamamos de indivíduos normais, e descobrindo que a normalidade é apenas um conceito ou uma forma de pensar e de se comportar, de interpretar a realidade e o mundo ao seu redor, seu passado, presente e futuro. Não falo apenas de psicoterapia ou psicanálise, mas também de comportamento institucional, de como devemos nos comportar com nossas famílias, colegas de escola e de trabalho, de religião, de esporte, de cultura, de afetividade, de internamento hospitalar, de tratamento médico ou de saúde, de liberdade, de transporte e de locomoção, de patrimônio, de justiça, de política, de segurança, de alimentação, de necessidades fisiológicas ou básicas, de amor e de garantia, de estabilidade, de promoção, de intimidade e de privacidade, de crise final, de demência, degeneração ou generosidade e de cidadania, de bem-estar bio-psico-social, filosófico, matemático, físico, econômico, espiritual, paranormal, sobrenatural e cósmico. Eis então que podemos utilizar a vida anímica como forma de educação para substituir a psicoterapia e a psicanálise como forma de tratamento se o indivíduo for inteligente e consciente, e se for lúcido, capaz de compreender a realidade, o conhecimento, a cultura e a consciência teórica e prática, pois o cérebro só se silencia com a morte cerebral, ou seja, só para de funcionar e de produzir respostas corretas e erradas no mundo encoberto, incluindo lapsos de linguagem, atos falhos, esquecimentos, niilismos, chistes, piadas, humor, caricaturas e charges, equivalências de estímulos, aprendizagem, quadros relacionais, recuperação espontânea de comportamentos, comportamento verbal autoclítico, entropia e neguentropia, gestalts, organização perceptiva da consciência, insights, e também através da paranormalidade e do mundo sobrenatural que produzem respostas certas e erradas, pois o indivíduo não possui controle dos eventos e nem da sua funcionalidade que pode parecer bastante motivada por superstições, que compõem os totens e tabus, a mágica, a bruxaria e a feitiçaria. Representando a impotência do homem diante destes eventos e do seu conhecimento que é cerebral, assim como esses eventos que são hiperestésicos, dotando o homem de sensibilidade capaz de operar tais eventos, agora comportamentais e parte da sua realidade, devido as conquistas da ciência que se propõe a estuda-los e explica-los.
MATTANÓ
(13/05/2025)
Entre os outros novos fatores que foram acrescentados ao processo catártico como resultado de meu trabalho e que o transformou em psicanálise, posso mencionar em particular a teoria da repressão e da resistência, o reconhecimento da sexuaidade infantil e a interpretação e exploração de sonhos como fonte de conhecimento do inconsciente.
A teoria da repressão sem dúvida alguma ocorreu-me independentemente de qualquer outra fonte; não sei de nenhuma impressão externa que me pudesse tê-la sugerido, e por muito tempo imaginei que fosse inteiramente original, até que Otto Rank (1911a) nos mostrou um trecho da obra de Schopenhauer World as Will and Idea na qual o filósofo procura dar uma explicação da loucura. O que ele diz sobre a luta contra a aceitação da parte dolorosa da realidade coincide tão exatamente com o meu conceito de repressão que, mais uma vez, devo a chance de fazer uma descoberta ao fato de não ser uma pessoa muito lida. Entretanto, outros leram o trecho e passaram por ele sem fazer essa descoberta e talvez o mesmo tivesse acontecido a mim se na juventude tivesse tido mais gosto pela leitura de obras filosóficas. Em anos posteriores, neguei a mim mesmo o enorme prazer da leitura das obras de Nietzsche, com o propósito deliberado de não prejudicar, com qualquer espécie de idéias antecipatórias, a elaboração das impressões recebidas na psicanálise. Tive, portanto, de me preparar - e com satisfação - para renunciar a qualquer pretensão de prioridade nos muitos casos em que a investigação psicanalítica laboriosa pode apenas confirmar as verdades que o filósofo reconheceu por intuição.
A teoria da repressão é a pedra angular sobre a qual repousa toda a estrutura da psicanálise. É a parte mais essencial dela e todavia nada mais é senão a formulação teórica de um fenômeno que pode ser observado quantas vezes se desejar se se empreende a análise de um neurótico sem recorrer a hipnose. Em tais casos encontra-se uma resistência que se opõe ao trabalho da análise e, a fim de frustrá-lo, alega falha de memória. O uso da hipnose ocultava essa resistência; por conseguinte, a história da psicanálise propriamente dita só começa com a nova técnica que dispensa a hipnose. A consideração teórica, decorrente da coincidência dessa resistência com uma amnésia, conduz inevitavelmente ao princípio da atividade mental inconsciente, peculiar à psicanálise, e que também a distingue muito nitidamente das especulações filosóficas em torno do inconsciente. Assim talvez se possa dizer que a teoria da psicanálise é uma tentativa de explicar dois fatos surpreendentes e inesperados que se observam sempre que se tenta remontar os sintomas de um neurótico a suas fontes no passado: a transferência e a resistência. Qualquer linha de investigação que reconheça esses dois fatos e os tome como ponto de partida de seu trabalho tem o direito de chamar-se psicanálise, mesmo que chegue a resultados diferentes dos meus. Mas quem quer que aborde outros aspectos do problema, evitando essas duas hipóteses, dificilmente poderá escapar à acusação de apropriação indébita por tentativa de imitação, se insistir em chamar-se a si próprio de psicanalista. Eu me oporia com maior ênfase a quem procurasse colocar a teoria da repressão e da resistência entre as premissas da psicanálise em vez de colocá-las entre as suas descobertas. Essas premissas, de natureza psicológica e biológica geral, na verdade existem e seria útil considerá-las em outra ocasião; mas a teoria da repressão é um produto do trabalho psicanalítico, uma inferência teórica legitimamente extraída de inúmeras observações.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a teoria da repressão é a pedra angular sobre a qual repousa toda a estrutura da psicanálise. É a parte mais essencial dela e todavia nada mais é senão a formulação teórica de um fenômeno que pode ser observado quantas vezes se desejar se se empreende a análise de um neurótico sem recorrer a hipnose. Em tais casos encontra-se uma resistência que se opõe ao trabalho da análise e, a fim de frustrá-lo, alega falha de memória. O uso da hipnose ocultava essa resistência; por conseguinte, a história da psicanálise propriamente dita só começa com a nova técnica que dispensa a hipnose. A consideração teórica, decorrente da coincidência dessa resistência com uma amnésia, conduz inevitavelmente ao princípio da atividade mental inconsciente, peculiar à psicanálise, e que também a distingue muito nitidamente das especulações filosóficas em torno do inconsciente. Assim talvez se possa dizer que a teoria da psicanálise é uma tentativa de explicar dois fatos surpreendentes e inesperados que se observam sempre que se tenta remontar os sintomas de um neurótico a suas fontes no passado: a transferência e a resistência.
Mattanó aponta que a teoria da repressão é a pedra angular sobre a qual repousa toda a estrutura da psicanálise. É a parte mais essencial dela e todavia nada mais é senão a formulação teórica de um fenômeno que pode ser observado quantas vezes se desejar se se empreende a análise de um neurótico sem recorrer a hipnose. Em tais casos encontra-se uma resistência que se opõe ao trabalho da análise e, a fim de frustrá-lo, alega falha de memória. O uso da hipnose ocultava essa resistência; por conseguinte, a história da psicanálise propriamente dita só começa com a nova técnica que dispensa a hipnose. A consideração teórica, decorrente da coincidência dessa resistência com uma amnésia, conduz inevitavelmente ao princípio da atividade mental inconsciente, peculiar à psicanálise, e que também a distingue muito nitidamente das especulações filosóficas em torno do inconsciente. Assim talvez se possa dizer que a teoria da psicanálise é uma tentativa de explicar dois fatos surpreendentes e inesperados que se observam sempre que se tenta remontar os sintomas de um neurótico a suas fontes no passado: a transferência e a resistência. Vemos que a teoria da repressão constrói significados e sentidos característicos quando ela ocorre, quando ocorre a resistência, quando ocorre a amnésia e a atividade mental inconsciente, e a transferência desse conteúdo inconsciente para o psicanalista.
MATTANÓ
(14/05/2025)
Outro produto dessa espécie foi a hipótese da sexualidade infantil. Isto, porém, foi feito numa data muito ulterior. Nos primeiros dias da investigação experimental pela análise, não se pensou em tal coisa. De início, observou-se apenas que os efeitos das experiências presentes tinham de ser remontados a algo no passado. Mas os investigadores geralmente encontram mais do que procuram. Fomos puxados cada vez mais para o passado; esperávamos poder parar na puberdade, período ao qual se atribui tradicionalmente o despertar dos impulsos sexuais. Mas em vão; as pistas conduziam ainda mais para trás, à infância e aos seus primeiros anos. No caminho, tivemos de superar uma idéia errada que poderia ter sido quase fatal para a nova ciência. Influenciados pelo ponto de vista de Charcot quanto à origem traumática da histeria, estávamos de pronto inclinados a aceitar como verdadeiras e etiologicamente importantes as declarações dos pacientes em que atribuíam seus sintomas a experiências sexuais passivas nos primeiros anos da infância - em outras palavras, à sedução. Quando essa etiologia se desmoronou sob o peso de sua própria improbabilidade e contradição em circunstâncias definitivamente verificáveis, ficamos, de início, desnorteados. A análise nos tinha levado até esses traumas sexuais infantis pelo caminho certo e, no entanto, eles não eram verdadeiros. Deixamos de pisar em terra firme. Nessa época, estive a ponto de desistir por completo do trabalho, exatamente como meu estimado antecessor, Joseph Breuer, quando fez sua descoberta indesejável. Talvez tenha perseverado apenas porque já não tinha outra escolha e não podia então começar uma outra coisa. Por fim, veio a reflexão de que, afinal de contas, não se tem o direito de desesperar por não ver confirmadas as próprias expectativas; deve-se fazer uma revisão dessas expectativas. Se os pacientes histéricos remontam seus sintomas e traumas que são fictícios, então o fato novo que surge é precisamente que eles criam tais cenas na fantasia, e essa realidade psíquica precisa ser levada em conta ao lado da realidade prática. Essa reflexão foi logo seguida pela descoberta de que essas fantasias destinavam-se a encobrir a atividade auto-erótica dos primeiros anos de infância, embelezá-la e elevá-la a um plano mais alto. E agora, de detrás das fantasias, toda a gama da vida sexual da criança vinha à luz.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica a hipótese da sexualidade infantil. Por fim, veio a reflexão de que, afinal de contas, não se tem o direito de desesperar por não ver confirmadas as próprias expectativas; deve-se fazer uma revisão dessas expectativas. Se os pacientes histéricos remontam seus sintomas e traumas que são fictícios, então o fato novo que surge é precisamente que eles criam tais cenas na fantasia, e essa realidade psíquica precisa ser levada em conta ao lado da realidade prática. Essa reflexão foi logo seguida pela descoberta de que essas fantasias destinavam-se a encobrir a atividade auto-erótica dos primeiros anos de infância, embelezá-la e elevá-la a um plano mais alto. E agora, de detrás das fantasias, toda a gama da vida sexual da criança vinha à luz.
Mattanó aponta a hipótese da sexualidade infantil. Contudo, por fim, veio a reflexão de que, afinal de contas, não se tem o direito de desesperar por não ver confirmadas as próprias expectativas, diante de tantas narrativas e comentários acerca de sua história de vida infantil; deve-se fazer uma revisão dessas expectativas. Se os pacientes histéricos remontam seus sintomas e traumas que são fictícios, então o fato novo que surge é precisamente que eles criam tais cenas na fantasia, e essa realidade psíquica precisa ser levada em conta ao lado da realidade prática. Essa reflexão foi logo seguida pela descoberta de que essas fantasias destinavam-se a encobrir a atividade auto-erótica dos primeiros anos de infância, embelezá-la e elevá-la a um plano mais alto. E agora, de detrás das fantasias, toda a gama da vida sexual da criança vinha à luz. Vemos que a história de vida das crianças menores de 14 anos de idade ainda não possuem malícia e assim suas narrativas e comentários são ingênuos e puros, sem maldade e sem malícia sexual, contradizendo Freud, contudo afirmando que existem crianças menores de 14 anos de idade que narram e comentam experiências sexuais, pois foram vítimas de abuso sexual, de exploração sexual, de estupro de vulnerável, de pedofilia, de violência sexual e assim marcaram seu mapa cerebral e o seu inconsciente com essas experiências, de modo que as reproduzem por meio dos seus caminhos cognitivos que são plásticos e flexíveis, atendendo a uma interconectividade cerebral e corporal que podem levar a doenças psicossomáticas. Mas existem caminhos cerebrais que constroem essas fantasias que se destinavam a encobrir a atividade auto-erótica dos primeiros anos de infância, embelezá-la e elevá-la a um plano mais alto. E agora, de detrás das fantasias, toda a gama da vida sexual da criança vinha à luz, por meio da técnica psicanalítica.
MATTANÓ
(14/05/2025)
Com a atividade sexual dos primeiros anos de infância também foi reconhecida a constituição herdada do indivíduo. A disposição e a experiência estão aqui ligadas numa unidade etiológica indissolúvel, pois a disposição exagera impressões - que de outra forma teriam sido inteiramente comuns e não teriam nenhum efeito -, de modo a transformá-las em traumas que dão margem a estímulos e fixações; por outro lado, as experiências despertam fatores na disposição que, sem elas, poderiam ter ficado adormecidos por muito tempo e talvez nunca se desenvolvessem. Abraham (1907) deu a última palavra sobre a questão da etiologia traumática quando ressaltou que a constituição sexual peculiar às crianças é calculada precisamente para provocar experiências sexuais de uma natureza particular, ou seja, traumas.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a atividade sexual dos primeiros anos de infância foi reconhecida a constituição herdada do indivíduo, ela disposição e experiência que estão aqui ligadas numa unidade etiológica indissolúvel. Eis que Abraham (1907) deu a última palavra sobre a questão da etiologia traumática quando ressaltou que a constituição sexual peculiar às crianças é calculada precisamente para provocar experiências sexuais de uma natureza particular, ou seja, traumas.
Mattanó aponta que a atividade sexual dos primeiros anos de infância foi reconhecida a constituição herdada do indivíduo, ela disposição e experiência que estão aqui ligadas numa unidade etiológica indissolúvel. Podemos ressignificar o conceito disposição por genótipo e fenótipo ou hereditariedade e o conceito experiência por aprendizagem e condicionamento. Eis que Abraham (1907) deu a última palavra sobre a questão da etiologia traumática quando ressaltou que a constituição sexual peculiar às crianças é calculada precisamente para provocar experiências sexuais de uma natureza particular, ou seja, traumas. Mattanó acredita que a etiologia traumática das crianças não deriva da constituição sexual, mas sim, da ingenuidade e da pureza diante da malícia dos adultos, ou seja, da ingenuidade diante da constituição sexual dos adultos. Assim a Psicanálise freudiana torna-se uma metáfora de pedófilos, enquanto que a Psicanálise mattanoniana torna-se uma releitura metafórica da Trajetória da Vida e dos Heróis, Monstros e Escravos, do próprio Amor e do Ciclo Cosmogônico ou de formação, destruição e reconstrução do universo, ¨espelho¨ da própria consciência, cultura, conhecimento e realidade do Homo Sapiens em sua jornada evolutiva, seletiva e competitiva. Pois ¨toda¨ a informação está no Universo! No Universo nada se perde, nada se cria, ¨tudo¨ se transforma! Até mesmo a consciência, o inconsciente, o subconsciente, o comportamento e o niilismo dos seres vivos, ou seja, suas metamorfoses ou camuflagens que atendem as necessidades do indivíduo diante o meio ambiente adverso, perigoso e exigente, evolutivo, seletivo e competitivo, necessário para a adaptação comportamental, fisiológica e morfológica desse mesmo indivíduo ao mesmo meio ambiente selecionado para funções e eventos paralelos, interconectados, que interconectam corpo e cérebro, formando uma funcionalidade do tipo S – R – C, estímulo – resposta – consequência, que explica como acontecem estes eventos comportamentais que podem ser até mesmo compartilhados funcionalmente, quando são evocadas duas ou mais respostas paralelas a partir de um único estímulo, gerando consequências que pode ser perturbadoras ou confusas mentalmente.
MATTANÓ
(16/05/2025)
O PODER DO UNIVERSO (2025):
A Visão do Inferno e do Paraíso...
A Igreja ainda não entendeu que o mundo é uma parte do Paraíso, pois são os Jardins do Éden acrescidos do pecado de Adão e Eva, enquanto que o Paraíso não possui o pecado, por isso os Santos podem viver neste mundo que contempla o pecado, mas na verdade é uma parte do Paraíso que Cristo veio redimir com sua Cruz e com Seu Amor, fazendo uma ¨ponte¨ entre o mundo e o inferno e o Paraíso, por último.
Quem peca deixa de experimentar a beleza e a grandeza dos Jardins do Éden, o pecado pode vir de uma tentação e do desejo de roubar da Árvore da Vida que é Jesus Cristo ou da Árvore do Conhecimento que é o Seu Amor e o Amor do Pai e de Maria, pode vir do desejo de incendiar a Árvore da Vida ou a Árvore do Conhecimento e assim destruir os Jardins do Éden por completo, não restando opção senão o pecado e a condenação, pois escolheram o pecado e não a Salvação Eterna que está nos Jardins do Éden.
Osny Mattanó Júnior
Londrina, 18 de maio de 2025.
MATTANÓ
(18/05/2025)
ANATOMIA DA CRIAÇÃO (2025):
A consciência central não requer linguagem e deve tê-la precedido, obviamente em espécies não humanas mas também no homem. Aliás, provavelmente a linguagem não teria evoluído em indivíduos desprovidos de consciência central. Por que precisariam dela? Ao contrário, nos degraus superiores da escala, a consciência autobiográfica apoia-se acentuadamente na linguagem. Vemos que a consciência central não depende da linguagem para sua existência, e toda linguagem deve ter sido precedido por ela, ou seja, por imagens, até mesmo em casos de lavagem cerebral, tortura, extorsão, vingança, despersonalização, voyeurismo, linguagem sexista e estupro virtual com teorias ou ideias a respeito da pulsão auditiva como a de Mattanó de 1995, pois trata-se de uma nova linguagem que se espalhou pelo mundo, tomando por empréstimo a consciência autobiográfica que requer de linguagem. Pois, foi, a linguagem quem efetuou o empréstimo de informações da consciência central para a consciência autobiográfica. A consciência central possui a imagem recalcada e inconsciente de prazer, mesmo que distorcida, por exemplo, de ir de encontro ao seio de sua mãe e a linguagem acrescenta as informações por meio dos significados e sentidos outrora aprendidos, e a consciência autobiográfica renomeia as informações a partir da sua experiência de vida com a malícia, o trabalho, a família, a segurança, a religião e a economia.
MATTANÓ
(23/05/2025)
No começo, minhas declarações sobre a sexualidade infantil basearam-se quase exclusivamente nos achados, da análise de adultos, que remontavam ao passado. Não tive nenhuma oportunidade de fazer observações diretas em crianças. Foi, portanto, uma grande vitória quando, anos depois, tornou-se possível confirmar quase todas as minhas deduções através da observação direta e da análise de crianças muito pequenas - vitória que foi perdendo a sua magnitude à medida que pouco a pouco compreendíamos que a natureza da descoberta era tal que na realidade deveríamos envergonhar-nos de ter tido de fazê-la. Quanto mais se levassem adiante as observações em crianças, mais evidentes os fatos se tornavam; porém o mais surpreendente de tudo era constatar que tivesse havido tanta preocupação em menosprezá-los.
Essa convicção da existência e da importância da sexualidade infantil, entretanto, só pode ser obtida, pelo método da análise, partindo-se dos sintomas e peculiaridades dos neuróticos e acompanhando-os até suas fontes últimas, cuja descoberta então explica o que há nelas de explicável e permite que se modifique o que há de modificável.
Compreendo que se possa chegar a resultados diferentes se, como fez recentemente C. G. Jung, se forma primeiro uma concepção teórica da natureza do instinto sexual e procura-se então explicar a vida das crianças a partir dessa base. Uma concepção dessa natureza será forçosamente uma escolha arbitrária ou dependente de considerações irrelevantes, e corre o risco de evidenciar-se inadequada ao campo a que se está procurando aplicá-la. É verdade que também o método analítico leva a certas dificuldades e obscuridades finais no tocante à sexualidade e à sua relação com a vida total do indivíduo. Mas esses problemas não podem ser eliminados pela especulação; devem aguardar solução através de outras observações ou mediante observações em outros campos.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que através da análise de adultos chegou a teoria da sexualidade infantil que foi reforçada quando teve oportunidade de analisar crianças, porém constatou que isso era constrangedor o bastante para parecer um abuso, mas continuou com seu trabalho de análise dos sintomas e peculiaridades dos neuróticos, descobrindo o que há nelas de explicável e permite que se modifique o que é modificável.
Também considera o método analítico de Carl G. Jung dotado de dificuldades e obscuridades finais no tocante à sexualidade e à sua relação com a vida total do indivíduo, e que estes problemas não podem ser eliminados através da especulação, mas somente através da observação.
Mattanó aponta que através da análise de adultos Freud chegou a teoria da sexualidade infantil que foi reforçada quando teve oportunidade de analisar crianças, porém constatou que isso era constrangedor o bastante para parecer um abuso, mas continuou com seu trabalho de análise dos sintomas e peculiaridades dos neuróticos, descobrindo o que há nelas de explicável e permite que se modifique o que é modificável. Contudo para Mattanó a teoria da sexualidade infantil de Freud é apenas espelho da sua época, de uma época onde a pedofilia ainda não existia e nem era crime, por não existir conceitualmente, por não haver conhecimento sobre os hormônios sexuais masculinos e femininos e a malícia adquirida com a puberdade, com a maturação dos órgãos sexuais dos adolescentes, com a noção de estupro de vulnerável e de menores de 14 anos de idade, de abuso sexual, de violência sexual e de um complexo de Édipo que era fruto dessas influências em sua identificação com o genitor escolhido pela criança na fase fálica.
Também considera o método analítico de Carl G. Jung dotado de dificuldades e obscuridades finais no tocante à sexualidade e à sua relação com a vida total do indivíduo, e que estes problemas não podem ser eliminados através da especulação, mas somente através da observação. Vemos que para Mattanó, o método de Carl G. Jung, torna-se mais analítico e menos sexual, também menos histórico ou dependente da história de vida do paciente, mas influenciado e determinado por símbolos e arquétipos que constroem significados e sentidos, por um inconsciente pessoal e outro inconsciente coletivo que atuam modificando a mente e o comportamento, por meio de símbolos e arquétipos, sinais, significados e sentidos o entendimento do paciente a respeito dos seus problemas, como se estivesse fazendo uma alquimia metafórica com seu método analítico sobre a vida e o inconsciente dos seus pacientes.
MATTANÓ
(23/05/2025)
O PODER DO UNIVERSO (2025):
Contudo ao contemplar o tempo e o sofrimento nos deslumbramos com o incrível e surpreendente poder dos seres que viajam no tempo e no espaço, talvez alienígenas, que nos insinuam não haver mais fim para a vida e o tempo, ou seja, somos imortais e vivemos em diversas dimensões de tempo e espaço que vão do início, ao intermediário até o fim, mas a vida e o tempo no universo e na Criação podem ser imortais e infinitos, sendo, talvez, a Cruz, um símbolo desse conhecimento, revelação e saber, pois foi com a Cruz de Jesus Cristo que o homem se redescobriu imortal. Da mesma forma o homem pode reproduzir o som do assobio metálico alienígena através das suas tecnologias de reprodução de sons e timbres e passar a contemplar o tempo, a vida e o sofrimento que esse som alienígena transmite para nós diante dos mistérios da vida e do universo, e do poder da música no Universo, capaz de agir sobre a consciência central a autobiográfica, revelando que a consciência não depende exclusivamente de palavras, mas de imagens e sons sem significado e sem sentido que compõem a consciência central, enquanto que a consciência autobiográfica depende de palavras e de uma linguagem com significados e sentidos, de cultura, conhecimento e de realidade. A Redenção de Cristo nunca foi testemunhada com palavras e uma linguagem, mas apenas com imagens do nosso imaginário humano, ou seja, com a consciência central, com o self central e nunca com o self autobiográfico ou a consciência autobiográfica, a Redenção ainda não possui significados e sentidos, a não ser o ¨Silêncio de Vida e de Morte¨ de um ¨Cristo incompreendido¨ por não ter Palavras e por suas Palavras serem consideradas Absurdas, através de um Homem numa Cruz e de um Bebê numa Cama de Amor. A Redenção é justamente a Morte e o Nascimento!
MATTANÓ
(23/05/2025)
A TEORIA DA RELATIVIDADE DE MATTANÓ (2025):
Teoria da Relatividade é a denominação dada ao conjunto de duas teorias científicas: a Relatividade Restrita (ou Especial) e a Relatividade Geral, propostas e publicadas em 1905 e 1915, respectivamente por Albert Einstein, concluindo estudos precedentes do físico neerlandês Hendrik Lorentz, entre outros. Ela substitui os conceitos independentes de espaço e tempo da Teoria de Newton pela ideia de espaço-tempo como uma entidade geométrica unificada. O espaço-tempo na relatividade especial consiste de uma variedade diferenciável de 4 dimensões, três espaciais e uma temporal (a quarta dimensão), munida de uma métrica pseudo-riemanniana, o que permite que noções de geometria possam ser utilizadas. É nessa teoria, também, que surge a ideia de velocidade da luz invariante.
O termo especial é usado porque ela é um caso particular do princípio da relatividade em que efeitos da gravidade são ignorados. Dez anos após a publicação da teoria especial, Einstein publicou a Teoria Geral da Relatividade, que é a versão mais ampla da teoria, em que os efeitos da gravitação são integrados, surgindo a noção de espaço-tempo curvo.
O princípio da relatividade foi surgindo ao longo da história da filosofia e da ciência como consequência da compreensão progressiva de que dois referenciais diferentes oferecem visões perfeitamente plausíveis, ainda que diferentes, de um mesmo efeito.
O princípio da relatividade foi inserido na ciência moderna por Galileu Galilei e afirma que o movimento, ou pelo menos o movimento retilíneo uniforme, só tem algum significado quando comparado com algum outro ponto de referência. Segundo o princípio da relatividade de Galileu, não existe sistema de referência absoluto pelo qual todos os outros movimentos possam ser medidos. Galileu referia-se à posição relativa do Sol (ou sistema solar) com as estrelas de fundo. Com isso, elaborou um conjunto de transformações chamadas 'transformações de Galileu', compostas de cinco leis, para sintetizar as leis do movimento quanto a mudanças de referenciais. Mas naquele tempo acreditava-se que a propagação eletromagnética, ou seja, a luz, fosse instantânea; e, portanto, Galileu e mesmo Newton não consideravam em seus cálculos que os acontecimentos observados fossem dissociados dos fatos. Esse fenômeno que separava a luz do som, aqui na Terra, seria mais acentuado quando observado a grandes distâncias, e já mostrava, em fins do século XIX, a importância de estabelecer normas aplicáveis a uma teoria do tempo.
Muitos historiadores e físicos atribuem a criação da famosa fórmula que explica a relação entre massa e energia ao físico italiano Olinto De Pretto, que, segundo especulações, desenvolveu a fórmula dois anos antes que Albert Einstein, e que teria previsto o seu uso para fins bélicos e catastróficos, como o desenvolvimento de bombas atômicas. Apesar disso, foi Einstein o primeiro a dar corpo à teoria, juntando os diversos fatos até então desconexos e os interpretando corretamente.
Postulados da relatividade:
As leis que governam as mudanças de estado em quaisquer sistemas físicos tomam a mesma forma em quaisquer sistemas de coordenadas inerciais.
Nas palavras de Einstein:
"...existem sistemas cartesianos de coordenadas - os chamados sistemas de inércia - relativamente aos quais as leis da mecânica (mais geralmente as leis da física) se apresentam com a forma mais simples. Podemos assim admitir a validade da seguinte proposição: se K é um sistema de inércia, qualquer outro sistema K' em movimento de translação uniforme relativamente a K, é também um sistema de inércia."
A velocidade da luz no vácuo é a mesma para todos os observadores em referenciais inerciais e não depende da velocidade da fonte que está emitindo a luz, tampouco do observador que a está medindo. A luz não requer qualquer meio (como o éter) para se propagar. De fato, a existência do éter é mesmo contraditória com o conjunto dos fatos e com as leis da mecânica.
Apesar do primeiro postulado ser quase senso comum, o segundo não é tão óbvio. Mas ele é de certa forma uma consequência de se utilizar o primeiro postulado ao se analisarem as equações do eletromagnetismo. Através das transformações de Lorentz pode-se demonstrar o segundo postulado.
Porém, é necessário dizer que Einstein, segundo alguns, não quis basear a relatividade nas equações de Maxwell, talvez porque entendesse que a validade destas não era ilimitada. Isto decorre da existência do fóton, o que tacitamente indica que as equações de campo previstas por Maxwell não podem ser rigorosamente lineares.
Consequências da relatividade restrita:
A relatividade restrita (ou especial) tem consequências consideradas bizarras por muitas pessoas. Esta opinião é perfeitamente compreensível, pois estas consequências estão relacionadas a comparações entre observadores movimentando-se a velocidades próximas à da luz, e o ser humano não tem nenhuma experiência com viagens a velocidades comparáveis à velocidade da luz. Eis algumas das consequências:
Ao observar qualquer relógio que se mova em relação ao referencial adotado, observadores estáticos com relógios sincronizados entre si ao longo de sua rota no citado referencial verão o relógio móvel atrasar-se em relação à seus próprios relógios, quando aquele passar por sua posição. O intervalo de tempo próprio corresponde ao menor dos intervalos de tempo separando dois eventos passíveis de serem mensurados mediante observação de relógios no referencial em questão. Ou de forma equivalente, o intervalo de tempo próprio de um dado referencial é usualmente menor que os correspondentes intervalos de tempo próprios de outros referenciais que encontrem-se animados em relação ao primeiro e que estejam a observar os mesmos eventos em consideração.
Eventos que ocorrem simultaneamente em um referencial inercial não são necessariamente simultâneos em outro referencial em movimento relativo (falta de simultaneidade).
Medidas acerca das dimensões de objetos que se movem em relação a um dado referencial serão inferidas com valores menores do que as determinadas para os mesmos objetos quando inferidas em referenciais nos quais estes encontrem-se inanimados. Se um corpo está em movimento ao longo de um eixo em um dado referencial, a dimensão do corpo ao longo deste eixo parecerá menor do que aquela determinada quando o mesmo corpo encontrava-se parado em relação ao referencial do observador (contração dos comprimentos).
Aplicações modernas:
Longe de ser simplesmente de interesse teórico, os efeitos relativísticos são importantes preocupações práticas da engenharia. A medição baseada em satélite precisa levar em consideração os efeitos relativísticos, pois cada satélite está em movimento em relação a um usuário ligado à Terra e, portanto, em um quadro de referência diferente sob a teoria da relatividade. Os sistemas de posicionamento global, como GPS, GLONASS e Galileo, devem levar em conta todos os efeitos relativísticos, como as consequências do campo gravitacional da Terra, para trabalhar com precisão. Este também é o caso da medição de tempo de alta precisão. Instrumentos que variam de microscópios eletrônicos a aceleradores de partículas não funcionariam se as considerações relativísticas fossem omitidas.
Mattanó especula em sua própria Teoria da Relatividade que a velocidade do tempo pode ser dividida segundo a ordem dos compassos que o definem, ou seja, o tempo não é uniforme e nem é estático, mas é também sonoro ou produtor de som, musical. E que ele se comporta segundo as características psicológicas e comportamentais do codificador e do decodificador dele mesmo, ou seja, o tempo passa a ser diferente para diferentes observadores, seja qual for a sua condição, pelo simples fato de você possuir uma consciência, cultura, conhecimento e realidade, um cérebro que realize estas operações mediante uma interconectividade corporal e cerebral que constrói o significado e o sentido que possuímos de tempo, sobretudo o musical, sonoro ou produtor de som e que divide o tempo em diferentes compassos.
Contudo o tempo organizado por compassos quando abordado pela teoria da relatividade restrita revela-nos que os compassos permanecem inalterados, enquanto que a percepção de movimento, crescimento, maturação e desenvolvimento sofrem alterações no tempo, demonstrando que o efeito da teoria da relatividade restrita é psicológico, inconsciente e comportamental, ou psicofísico. Da mesma forma o corpo e o cérebro sofrem alterações segundo a teoria da relatividade restrita, porém a mente e o ego, o sentimento de eu, a percepção de eu, a noção de eu, permanece a mesma, revelando que a música e o som têm propriedades egóicas, que os compassos são parte dos ciclos desse corpo e desse cérebro que vive relações entrópicas e neguentrópicas constantemente, pois é parte do tempo, da velocidade, da aceleração, da massa, da energia, da luz e da matéria que compõem o tempo e o espaço.
MATTANÓ
(26/05/2025)
HISTÓRIA DO BRASIL (2025):
O Presidente da República do Brasil bem que poderia criar uma nova Lei Áurea para os ¨escravos¨ do trabalho institucional Presidencial e Governamental deste país, pois não há liberdade de decisão, de comunicação, de escolhas, de investimentos, de promoção, de trabalho, de denúncias, de investigação, de relacionamento institucional, empresarial, organizacional, social, afetivo e familiar, configurando uma ¨nova escravidão no Brasil¨ onde o Imperador é o Presidente da República e os seus ¨escravos¨ são os profissionais da saúde, da segurança, da justiça, do empresariado, do comércio, da política, da educação, dos transportes, da alimentação, dos esportes, das ciências, da construção civil, da aviação e da comunicação social. Assim essas pessoas poderiam desfrutar novamente de liberdade para viver e trabalhar, para estudar e para administrar suas vidas e patrimônios, sem serem manipulados para se transformarem num exército de ¨escravos¨ alienados que atacam as vítimas e testemunhas de crimes contra a humanidade e tentam roubar a lesar ou corromper as provas produzidas por essas vítimas e testemunhas e que existem em suas casas e cérebros através de violência, tentativas de homicídio, lavagem cerebral, despersonalização, estupro e estupro coletivo virtual ou não, extorsão, vingança, loucura, envenenamento, queimaduras, espancamento, falsidades ideológicas, provas plantadas através de falsidade ideológica com as que a ex-Presidenta Dilma insinuou dizendo que eu ¨fiz a fita da Carolina¨ e ¨que os militares ou marinha, exército iria me libertar em 2005 ou 2006¨, a única coisa que me ¨prende¨ ou me mantêm sem liberdade, neste crime, segundo uma ex-embaixadora dos EUA na ONU é a Rede Globo de Televisão que diante do meu testemunho acusou a Rede Globo de Televisão e solicitou autorização para ataca-la, mas não a concederam. Outra falsidade ideológica foi a do Dr. Milton Bocato que disse para mim e para minha mãe que ¨eu fiz troca-troca¨ e eu disse que não, então ele disse que quem mandou ele dizer isso foi o Presidente Lula, então passei por uma bateria de exames que verificaram se eu fiz ou não o ¨troca-troca¨, isto é, se eu sou virgem, completamente virgem e o resultado foi que não fiz ¨troca-troca¨ pois nunca tive experiência sexual e assim sou virgem. Tem também a filha do governador ou prefeito do Rio de Janeiro que queria que ¨eu passasse a mão na sua boceta¨ para eu virar um estuprador ou bandido, mas eu não fiz nada, como sempre, indicando que isso pode ser armação de muitas mulheres de Londrina, do Paraná e dos veículos de comunicação de massa que eu assisto, só sei que tem muita violência por causa dessa ¨escravidão!¨ E as pessoas precisam de leis que lhes assegurem direitos e deveres através da liberdade e da sua incolumidade patrimonial, como o trabalho e a vida, em Londrina mais de Hospital já fechou as portas em função dessa ¨escravidão¨ que tem como outro objetivo tirar a vida dos doentes envolvidos nesta trama com o Governo Federal e os seus crimes políticos. Precisamos de liberdade e de Justiça, de Cidadania, de direitos e de deveres, obrigações e privilégios e não de ¨escravidão¨ ou de sermos tratados como ¨armas mortais!¨
MATTANÓ
(27/05/2025)
O PODER DO UNIVERSO (2025):
O Direito é uma metáfora, uma metáfora moral! Pois é concebido a partir de palavras e atitudes, comportamentos com significados moral, com inteligência moral e com autonomia e liberdade moral que demandem criatividade, poder, motivação, interesse, habilidades, afetividade e castração, exibindo sua identidade ou identificação moral com seu genitor selecionado através do complexo de Édipo que assim constrói e dá os primeiros passos do recalque e do recalcado, obra que pode definir o futuro moral desse indivíduo através dos seus significados e sentidos a respeito da moralidade, permitindo que ele alcance estágios mais avançados da moral, por isso o Direito é uma metáfora, uma metáfora moral!
MATTANÓ
(28/05/2025)
Pouco preciso dizer sobre a interpretação de sonhos. Surgiu como os prenúncios da inovação técnica que eu adotara quando, após um vago pressentimento, resolvi substituir a hipnose pela livre associação. Minha busca de conhecimentos não se dirigira, de início, para a compreensão dos sonhos. Não sei de nenhuma influência externa que tivesse atraído meu interesse para esse assunto ou que me tivesse inspirado qualquer expectativa valiosa. Antes de Breuer e eu nos separarmos, apenas tinha tido tempo de comunicar-lhe, e numa única frase, que eu, àquela altura, estava sabendo como traduzir os sonhos. Visto ter sido assim a descoberta, conclui-se que o simbolismo na linguagem dos sonhos foi quase a última coisa a tornar-se acessível a mim, pois as associações da pessoa que sonha nos ajudam muito pouco a compreender símbolos. Como tenho o hábito de estudar sempre as próprias coisas antes de procurar informações sobre elas em livros, pude chegar eu mesmo ao simbolismo dos sonhos antes de ser a ele levado pela obra de Scherner sobre o assunto [1861]. Só depois é que vim a apreciar em sua plena extensão essa modalidade de expressão dos sonhos. Isso ocorreu em parte por influência das obras de Stekel, cujos primeiros trabalhos têm muito mérito, mas que depois se desencaminhou totalmente. A estreita ligação entre a interpretação psicanalítica dos sonhos e a arte de interpretá-los segundo a prática tida em tão alta conta na antigüidade, só tornou-se clara para mim muito depois. Mais tarde, descobri a característica essencial e a parte mais importante da minha teoria dos sonhos, ou seja, que a distorção dos sonhos é conseqüência de um conflito interno, uma espécie de desonestidade interna - num autor que embora ignorando a medicina, não ignorava a filosofia, o famoso engenheiro J. Popper, que publicou sua Phantasien einer Realisten [1899] sob o nome de Lynkeys.
A interpretação de sonhos foi para mim um alívio e um apoio naqueles árduos primeiros anos da análise, quando tive de dominar a técnica, os fenômenos clínicos e a terapêutica das neuroses, tudo ao mesmo tempo. Naquele período fiquei completamente isolado e, no emaranhado de problemas e acúmulo de dificuldades, muitas vezes tive medo de me desorientar e de perder a confiança em mim mesmo. A comprovação de minha hipótese de que uma neurose tinha de tornar-se inteligível através da análise se arrastava, em muitos pacientes, por um período de tempo desesperador; mas os sonhos desses pacientes, que poderiam ser considerados análogos aos seus sintomas, quase sempre confirmavam a hipótese.
Foi o meu êxito nessa direção que me permitiu perseverar. Vem dessa época o hábito que adquiri de aferir a medida da compreensão de um psicólogo pela sua atitude em face da interpretação de sonhos; e tenho observado com satisfação que a maior parte dos adversários da psicanálise evitam esse campo por completo, ou então, revelam uma flagrante inabilidade quando tentam lidar com ele. Além do mais; logo me dei conta da necessidade de levar a efeito uma auto-análise, e o fiz com a ajuda de uma série de meus próprios sonhos que me conduziram de volta a todos os fatos da minha infância, sendo ainda hoje de opinião que essa espécie de análise talvez seja o suficiente para uma pessoa que sonhe com freqüência e não seja muito anormal.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que sobre a interpretação de sonhos, houve um momento em que ele teve que substituir a hipnose pela livre associação, o simbolismo na linguagem dos sonhos foi quase a última coisa a tornar-se acessível a mim, pois as associações da pessoa que sonha nos ajudam muito pouco a compreender símbolos. Mais tarde, descobri a característica essencial e a parte mais importante da minha teoria dos sonhos, ou seja, que a distorção dos sonhos é conseqüência de um conflito interno, uma espécie de desonestidade interna.
A interpretação de sonhos foi para mim um alívio e um apoio naqueles árduos primeiros anos da análise, quando tive de dominar a técnica, os fenômenos clínicos e a terapêutica das neuroses, tudo ao mesmo tempo. Naquele período fiquei completamente isolado e, no emaranhado de problemas e acúmulo de dificuldades, muitas vezes tive medo de me desorientar e de perder a confiança em mim mesmo. A comprovação de minha hipótese de que uma neurose tinha de tornar-se inteligível através da análise se arrastava, em muitos pacientes, por um período de tempo desesperador; mas os sonhos desses pacientes, que poderiam ser considerados análogos aos seus sintomas, quase sempre confirmavam a hipótese.
Além do mais; logo me dei conta da necessidade de levar a efeito uma auto-análise, e o fiz com a ajuda de uma série de meus próprios sonhos que me conduziram de volta a todos os fatos da minha infância, sendo ainda hoje de opinião que essa espécie de análise talvez seja o suficiente para uma pessoa que sonhe com freqüência e não seja muito anormal.
Mattanó aponta que sobre a interpretação de sonhos, houve um momento em que Freud teve que substituir a hipnose pela livre associação, o simbolismo na linguagem dos sonhos foi quase a última coisa a tornar-se acessível a ele, pois as associações da pessoa que sonha nos ajudam muito pouco a compreender símbolos. Mais tarde, descobri a característica essencial e a parte mais importante da minha teoria dos sonhos, ou seja, que a distorção dos sonhos é conseqüência de um conflito interno, uma espécie de desonestidade interna. Vemos que os sonhos têm seu próprio simbolismo e que a distorção deles é gerada em função de um conflito interno, uma espécie de desonestidade interna, contudo o simbolismo não pode ser descoberto através das associações da pessoa, nem por meio da hipnose. A hipnose fora substituída pela livre associação para se descobrir o inconsciente e o seu simbolismo, mas apenas o inconsciente tornou-se acessível, pois o simbolismo na linguagem dos sonhos não depende das associações da pessoa para ser desvendado.
A interpretação de sonhos foi para Freud um alívio e um apoio naqueles árduos primeiros anos da análise, quando teve de dominar a técnica, os fenômenos clínicos e a terapêutica das neuroses, tudo ao mesmo tempo. Naquele período fiquei completamente isolado e, no emaranhado de problemas e acúmulo de dificuldades, muitas vezes tive medo de me desorientar e de perder a confiança em mim mesmo. A comprovação de minha hipótese de que uma neurose tinha de tornar-se inteligível através da análise se arrastava, em muitos pacientes, por um período de tempo desesperador; mas os sonhos desses pacientes, que poderiam ser considerados análogos aos seus sintomas, quase sempre confirmavam a hipótese. Vemos que a interpretação dos sonhos foi um alívio para Freud, pois reforçou sua obra e sua técnica psicanalítica, ajudou-o em suas dificuldades e problemas, em seus medos e desorientações, em suas desconfianças, no que estava inteligível, em suas análises e na comprovação de sintomas de seus pacientes, confirmando suas hipóteses, gerando mais significados e sentidos para sua obra.
Além do mais; logo me dei conta da necessidade de levar a efeito uma auto-análise, e o fiz com a ajuda de uma série de meus próprios sonhos que me conduziram de volta a todos os fatos da minha infância, sendo ainda hoje de opinião que essa espécie de análise talvez seja o suficiente para uma pessoa que sonhe com freqüência e não seja muito anormal. Vemos que Freud indica uma auto-análise a partir dos seus próprios sonhos, pois eles podem te levar de volta a infância. Mattanó aponta que a auto-análise paranormal dos seus próprios sonhos onde eles são ¨contaminados¨ pelo conteúdo encoberto, verbal e paranormal dos seus ¨vizinhos¨ pode parecer totalmente perdida, distorcida ou alienada, delirante ou alucinada, mas os sonhos se adaptam comportamentalmente, fisiologicamente e morfologicamente às essas ¨invasões¨ da mesma forma que se adapta ao som de um relógio, a voz de uma pessoa ou de um eletrodoméstico como a televisão, ou seja, a vida onírica ¨limpa a chaminé¨, seja na vida anímica normal ou paranormal, com ou sem violência e lavagem cerebral, tentativas de despersonalização, extorsão, vingança e estupro virtual, a vida onírica é pois, uma defesa cerebral e mental, inconsciente do indivíduo frente as adversidades ambientais e exigências da evolução, seleção natural e competição.
MATTANÓ
(28/05/2025)
ANATOMIA DA CRIAÇÃO (2025):
Muitos de nós sentimos por algum momento e encobrimos a resposta que é um pensamento de matar, violentar, roubar, agredir ou castigar sem motivo algum aquele que se apresenta diante de nós naquele exato momento e desperta essa resposta delirante, pois nem mesmo estabelecemos um diálogo ou uma discussão que levasse a essas consequências, trata-se, pois, de delírios de vingança, de ódio, raiva, ciúme, inveja, missão messiânica, justiça, amor, guerra, roubo, morte e de salvação, de algum tipo de poder especial que você tem e os outros não tem, como um trabalho ou um curso superior, de advogado, de padre, de psicólogo, de psiquiatra, de médico, de filósofo, de cientista, de professor, de lutador, de soldado, de juiz, de militar, de político, de administrador, de empresário, de comerciante, de industrial, de agricultor, de fazendeiro, de artista, de escritor, de pacifista, de biólogo, de historiador, de cientista social, de comunicador, de arquiteto, de desenhista, de artista plástico, fotógrafo, escultor, ator, cantor, compositor, instrumentista, ufólogo, cineasta ou aposentado.
MATTANÓ
(28/05/2025)
Com este relato da história do desenvolvimento da psicanálise creio ter mostrado, melhor do que com uma descrição sistemática, o que ela é. De início não percebi a natureza peculiar do que descobrira. Sem hesitar, sacrifiquei minha crescente popularidade como médico, e restringi o número de clientes nas minhas horas de consulta, para poder proceder a uma investigação sistemática dos fatores sexuais em jogo na causação das neuroses de meus pacientes; e isso me trouxe um grande número de fatos novos que finalmente confirmavam minha convicção quanto à importância prática do fator sexual. Ingenuamente dirigi-me a uma reunião da Sociedade de Psiquiatria e Neurologia de Viena, presidida então por Krafft-Ebing (cf. Freud, 1896c), na esperança de que as perdas materiais que voluntariamente sofri fossem compensadas pelo interesse e reconhecimento dos meus colegas. Considerava minhas descobertas contribuições normais à ciência e esperava que fossem recebidas com esse mesmo espírito. Mas o silêncio provocado pelas minhas comunicações, o vazio que se formou em torno de mim, as insinuações que me foram dirigidas, pouco a pouco me fizeram compreender que as afirmações sobre o papel da sexualidade na etiologia das neuroses não podem contar com o mesmo tipo de tratamento dado ao comum das comunicações. Compreendi que daquele momento em diante eu passara a fazer parte do grupo daqueles que “perturbaram o sono do mundo”, como diz Hebbel e que não poderia contar com objetividade e tolerância. Entretanto, desde que minha convicção quanto à exatidão geral de minhas observações e conclusões era cada vez maior, e que a confiança no meu próprio julgamento e minha coragem moral não era exatamente o que se pode chamar de pequena, o resultado da situação não poderia ser posto em dúvida. Dispus-me a acreditar que tinha tido a sorte de descobrir fatos e ligações particularmente importantes, e resolvi aceitar o destino que às vezes acompanha essas descobertas.
Imaginei o futuro da seguinte forma: - o êxito terapêutico do novo método provavelmente garantiria a minha subsistência, mas a ciência me ignoraria por completo enquanto eu vivesse; décadas depois, alguém infalivelmente chegaria aos mesmos resultados - para os quais não era ainda chegada a hora -, conseguiria que eles fossem reconhecidos e me honraria como um precursor cujo fracasso fora inevitável. Enquanto isso, como Robinson Crusoé, eu me instalava com o maior conforto possível em minha ilha deserta. Quando lanço um olhar retrospectivo àqueles anos solitários, longe das pressões e confusões de hoje, parece-me uma gloriosa época de heroísmo. Meu “splendid isolation” não deixou de ter suas vantagens e encantos. Não tinha obrigação de ler publicações nem de ouvir adversários mal informados; não estava sujeito à influência de qualquer setor; não havia nada a me apressar. Aprendi a controlar as tendências especulativas e a seguir o conselho não esquecido de meu mestre, Charcot: olhar as mesmas coisas repetidas vezes até que elas comecem a falar por si mesmas. Minhas publicações, para as quais encontrei editor, não sem um pouco de dificuldade, sempre podiam não somente atrasar-me muito em relação aos meus conhecimentos mas também serem adiadas quando eu quisesse, desde que não havia nenhuma “prioridade” duvidosa a ser defendida. A Interpretação de Sonhos, por exemplo, foi concluída, no essencial, no início de 1896 mas só foi escrita em definitivo no verão de 1899. A análise de “Dora” terminou no fim de 1899 [1900]; a história clínica foi escrita nas duas semanas seguintes, mas só foi publicada em 1905. Enquanto isso, minhas obras não constavam das resenhas críticas das revistas médicas, ou, quando excepcionalmente constavam, era para serem rechaçadas com expressões desdenhosas ou de superioridade compassiva. Ocasionalmente, um colega fazia referência a mim em uma de suas publicações - sempre muito curta e nunca lisonjeira - em que eram usadas palavras como “excêntrico”, “extremista”, ou “muito estranho”. Uma vez, um assistente da clínica de Viena, em cuja Universidade eu dava ciclos de conferências pediu-me permissão para freqüentar o curso. Prestava muita atenção, mas não dizia nada; depois da última conferência, ofereceu-se para acompanhar-me. Enquanto caminhávamos, disse-me que, com o conhecimento de seu chefe, escrevera um livro combatendo os meus pontos de vista; lamentava muito, contudo, não haver antes se informado melhor acerca dos mesmos através de minhas conferências, pois nesse caso teria escrito o livro de maneira bem diferente. Chegara a perguntar na clínica se não seria melhor ler antes A Interpretação de Sonhos, mas aconselharam-no a não fazê-lo - não valia o esforço. Então ele próprio comparou a estrutura da minha teoria, até onde a compreendia, com a da Igreja Católica no tocante à consistência interna. No interesse da salvação de sua alma, acredito que essa observação implicava certa dose de simpatia. Mas ele concluiu dizendo que era tarde demais para alterar qualquer coisa no livro, visto que já se achava no prelo. Não julgou necessário fazer posteriormente nenhuma confissão pública da mudança de seus pontos de vista em relação à psicanálise; preferiu, na qualidade de crítico regular de uma revista médica, acompanhar o desenvolvimento desse assunto com comentários irreverentes.
Minha suscetibilidade pessoal tornou-se embotada, durante esses anos, para vantagem minha. Só não me tornei uma pessoa amargurada por uma circunstância que nem sempre está presente para ajudar os descobridores solitários. Eles são, em geral, atormentados pela necessidade de explicar a falta de simpatia ou a aversão de seus contemporâneos e sentem essa atitude como uma contradição angustiante à segurança de suas próprias convicções. Eu não precisava me sentir assim, pois a teoria psicanalítica me capacitava a compreender a atitude de meus contemporâneos e vê-la como uma conseqüência natural das premissas analíticas fundamentais. Se era verdade que o conjunto de fatos que eu descobri foram mantidos fora do conhecimento dos próprios pacientes por resistências internas de natureza emocional, então essas resistências forçosamente apareceriam também em pessoas sadias logo que alguma fonte externa as levasse a um confronto com o que fora reprimido. Não era de surpreender que fossem capazes de justificar essa rejeição de minhas idéias com razões intelectuais, embora a razão fosse, de fato, de origem emocional. A mesma coisa aconteceu seguidamente com pacientes; os argumentos que apresentavam eram os mesmos e não muito brilhantes. Nas palavras de Falstaff, os argumentos são “tão abundantes quanto as amoras silvestres.” A única diferença era que com pacientes estávamos em condições de pressioná-los a fim de induzi-los a perceber (insight) suas resistências e superá-las, ao passo que lidando com pessoas pretensamente sadias não contávamos com essa vantagem. Como compelir essas pessoas sadias a examinarem o assunto com espírito frio e cientificamente objetivo constituía um problema insolúvel que era melhor deixar que o tempo elucidasse. Na história da ciência, podemos ver claramente que, com freqüência, proposições que de início só provocam contradição, posteriormente vêm a ser aceitas, embora não tenham sido apresentadas novas provas das mesmas.
Entretanto, ninguém poderia esperar que, durante os anos em que eu sozinho representava a psicanálise, pudesse ter desenvolvido um respeito especial pela opinião do mundo ou qualquer tendência à acomodação intelectual.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que em sua história de vida e da psicanálise, logo de início, não percebeu o que havia descoberto, e para isto teve que sacrificar seu tempo e o número de clientes para poder realizar uma investigação sistemática que lhe trouxe várias descobertas, como a sexualidade infantil, que lhe rendeu grande antipatia ou descrédito, a ponto de lança-lo ao isolamento em seu trabalho, contudo estes anos tornaram-se muito produtivos, pois comprovaram suas ideias e teorias, ajudando-o a lidar com a frustração diante de fracassos em uma reunião da Sociedade de Psiquiatria e Neurologia de Viena, presidida então por Krafft-Ebing (cf. Freud, 1896c), na esperança de que as perdas materiais que voluntariamente sofreu fossem compensadas pelo interesse e reconhecimento dos seus colegas, porém não foi isto o que aconteceu, o negligenciaram. Contudo Charcot apareceu para abrir uma nova porta para Freud, ele lhe deu apoio e leu suas obras várias vezes e decidiu publicá-las planejadamente, de modo que sua opinião começasse a ter respeito e a mudar o mundo, a ter seguidores e a enfrentar à acomodação intelectual da sua época.
Mattanó aponta que na história de vida de Freud e da psicanálise, logo de início, ele não percebeu o que havia descoberto, e para isto teve que sacrificar seu tempo e o número de clientes para poder realizar uma investigação sistemática que lhe trouxe várias descobertas, como a sexualidade infantil, que isto lhe rendeu grande antipatia ou descrédito, a ponto de lança-lo ao isolamento em seu trabalho, contudo estes anos tornaram-se muito produtivos, pois comprovaram suas ideias e teorias, ampliando seus trabalhos, ajudando-o a lidar com a frustração diante de fracassos em uma reunião da Sociedade de Psiquiatria e Neurologia de Viena, presidida então por Krafft-Ebing (cf. Freud, 1896c), na esperança de que as perdas materiais que voluntariamente sofreu fossem compensadas pelo interesse e reconhecimento dos seus colegas, porém não foi isto o que aconteceu, o negligenciaram e o desacreditaram totalmente. Contudo Charcot apareceu para abrir uma nova porta para Freud, ele lhe deu apoio e leu suas obras várias vezes e decidiu publicá-las planejadamente, de modo que sua opinião começasse a ter respeito e a mudar o mundo, a ter seguidores e a enfrentar à acomodação intelectual da sua época, ou seja, a produzir significados e sentidos, conceitos, contextos, comportamentos, funcionalidades, linguagens, relações sociais, Gestalt e insights, topografias virtuais, argumentação e linguagem, pressupostos e subentendidos, atos ilocucionários e atos perlocucionários, a ter um mostrar, dizer e fazer e o posto, uma semântica, hermenêutica, semiótica, a participar da alfabetização, da musicalidade, das artes, da literatura, dos veículos de comunicação, a produzir atos falhos, esquecimentos e lapsos de linguagem, niilismos, substituições, parapraxias, fantasias, contos de fadas, tesouros, deuses e heróis, alquimia e magia, totens e tabus, delírios e alucinações, alterações do pensamento, afetividade, consciência, cultura, conhecimento e realidade, evolução, seleção natural e competição entre espécies e indivíduos da mesma espécie, trabalho e educação, existência e essências, epistemologias, ritos e mitos, hábitos e tradições, modos de relação social, instituições e burocracia, organizações, grupos e espiritualidade, vida, formas de lidar com o universo, a filogênese, a ontogênese, a cultura e o mundo virtual, cognição e inteligências ciclos circadianos, alimentação e nutrição, cuidados fisiológicos e com o corpo e o cérebro, exames médicos e laboratoriais adicionais, cuidados com a fertilidade e a concepção, com a gestação e o parto, bem como com o recém-nascido e a criança em desenvolvimento, crescimento e maturação.
MATTANÓ
(02/06/20025)
ANATOMIA DA CRIAÇÃO (2025):
Os sentimentos primordiais precedem todos os outros sentimentos. Eles se referem especificamente e com exclusividade ao corpo vivo que é interligado a seu tronco cerebral específico. Todos os sentimentos emocionais representam variações dos sentimentos primordiais correntes. Todos os sentimentos causados pela interação de objetos com o organismo são variações dos sentimentos primordiais correntes. Os sentimentos primordiais e suas variações emocionais geram um coro observador que acompanha todas as outras imagens em curso na mente. Vemos que os sentimentos primordiais precedem todos os outros sentimentos e se referem especificamente e com exclusividade ao corpo vivo que é interligado a seu tronco cerebral específico. Todos os outros sentimentos são variações dos sentimentos primordiais. Eles geram um coro observador que acompanha todas as outras imagens em curso na mente. Trata-se justamente do evento que dá início a mente, ao inconsciente através do prazer ou da punição, ou seja, do amor ou do ódio, da vida ou da morte, não como significados e como sentidos, pois a criança ou bebê ainda é incapaz de formar e adquirir significados e sentidos, mesmo de amor e de ódio, de vida e de morte, de prazer e de punição, já que a criança ainda não possui estruturas cognitivas que lhe deem amparo para estas operações, mas como sentimentos primordiais que são também a base dos comportamentos encobertos, do subconsciente e da consciência, da cultura, do conhecimento e da realidade. Eis que temos os primórdios da pulsão de vida e a pulsão de morte com os sentimentos primordiais, já o amor e o ódio dependem e desencadeiam mais operações, como a renúncia e a permanência de objeto no caso do amor, e a transferência de hostilidades no caso do ódio, um bebê ou criança que ainda não sabe significar e dar sentido a sua agressividade e hostilidade, que não sabe nomear o objeto de ódio, é incapaz de odiar ou de transferir ódio para outro objeto, tratam-se de operações cognitivas do período sensório-motor onde a criança imita, discrimina, controla e tem atenção mediante os estímulos do meio ambiente que estimulam o corpo da criança e constituem os sentimentos primordiais, logo no nascimento do bebê, e nunca significados e sentidos, pois esse bebê ainda é incapaz de realizar estas operações cognitivas, mas não é incapaz de ter os sentimentos primordiais.
MATTANÓ
(03/06/2025)
SOBRE O COMPLEXO DE ÉDIPO (2025):
Talvez o complexo de Édipo seja um mecanismo filogenético de impressão ou estampagem e de identificação com a figura de poder e autoridade da sua vida doméstica, infantil e familiar, através do recalque.
MATTANÓ
(04/06/2025)
SOBRE A REALIDADE (2025):
A malícia tem a propriedade de distorcer a realidade, pois crianças menores de 14 anos de idade e que ainda não possuem hormônios sexuais e caracteres sexuais definidos compreendem a realidade de outra forma, considerada ingenuamente, difícil decidir qual realidade torna-se mais adequada e satisfatória, contudo sabemos que ela depende do nosso comportamento, da nossa fisiologia e da nossa morfologia. Assim a realidade dos outros seres vivos também depende da sua constituição comportamental, fisiológica e morfológica, inclusive dos seres alienígenas.
MATTANÓ
(05/06/2025)
SOBRE A REGRESSÃO (2025):
Mattanó aponta que a sua técnica de regressão começa pela técnica de regressão psicanalítica freudiana que é realizada na clínica psicanalítica com o psicanalista e o paciente através da transferência inconsciente de seus conteúdos recalcados infantis, domésticos e familiares, e continua com a técnica de regressão psicanalítica mitológica ou mattanoniana que é a realizada de maneira consciente e por meio da lavagem cerebral induzida por estímulos ambientais controladores e discriminadores que podem levar o paciente a reorganização de sua vida mental e comportamental, diante do choque vivido ao encarar sua realidade atual com a sua realidade clínica, agora sob efeito da lavagem cerebral, que produz contingências e consequências que se ajustarão a realidade histórica do paciente, ou seja, a sua história de vida que assimila e acomoda a nova realidade clínica através da resignificação e do novo sentido oferecido ao problema ou queixa do paciente à sua realidade atual e a sua história de vida, numa regressão consciente e coesa, coerente, argumentativa e lingüística, estruturadora do inconsciente e meio propício para grandes realizações com o subconsciente, e a consciência, a cultura, o conhecimento e a realidade.
MATTANÓ
(11/06/2025)
A TEORIA DA PULSÃO AUDITIVA É AMOR À SABEDORIA (2025):
Mattanó aponta que a sua ideia e posterior teoria da pulsão auditiva, iniciada em 1995 com uma pergunta em sala de aula sobre o que representaria ouvir ¨hare rama¨ da música My Sweet Lord do George Harrison e interpretar como ¨dare mama¨ ou ¨me dá mamá¨, trata-se hoje de amor a sabedoria, pois se refere desde 1995 a sabedoria ou uma forma de se adquirir algum bem ou objeto, neste caso a ¨mama¨ ou o ¨mamá¨, e nunca expressão da libido, pois crianças de 0 a 2 anos de idade e menores de 14 anos de idade ainda não possuem a malícia comportamental e nem a libido que dependem dos hormônios sexuais e do desenvolvimento dos caracteres sexuais masculino e feminino, por isso a Teoria da Pulsão Auditiva de Mattanó refere-se ao Amor a Sabedoria, e não a Libido como me acusavam de pedófilo, abusador, violentador e de estuprador, eis que o crime é de quem me acusou injustamente e indevidamente!
MATTANÓ
(12/06/2025)
II
A partir do ano de 1902, certo número de jovens médicos reuniu-se em torno de mim com a intenção expressa de aprender, praticar e difundir o conhecimento da psicanálise. O estímulo proveio de um colega que experimentara, ele próprio, os efeitos benéficos da terapêutica analítica. Reuniões regulares realizavam-se à noite em minha casa, travavam-se debates de acordo com certas normas, e os participantes se esforçavam por encontrar sua orientação nesse novo e estranho campo de pesquisa, e de despertar em outros o interesse por ele. Um belo dia um jovem que fora aprovado numa escola de ensino técnico apresentou-se com um manuscrito que indicava compreensão fora do comum. Persuadimo-lo a cursar o Gymnasium [escola secundária] e a Universidade e a dedicar-se ao aspecto não-médico da psicanálise. A pequena sociedade adquiriu nele um secretário zeloso e digno de confiança e eu ganhei em Otto Rank um auxiliar e colaborador dos mais fiéis.
O pequeno círculo logo se ampliou e no transcorrer dos cinco anos seguintes muitas vezes mudou de composição. De um modo geral, podia dizer a mim mesmo que quase não era inferior, em riqueza e variedade de talento, à equipe de qualquer professor de clínica. Incluía, desde o início, os que mais tarde viriam a desempenhar papel considerável, embora nem sempre aceitável, na história do movimento psicanalítico. Naquela época, entretanto, não se poderia ainda prever esses desenvolvimentos. Eu tinha todos os motivos para estar satisfeito, e penso que fiz o possível para transmitir meu conhecimento e experiência aos outros. Houve apenas duas circunstâncias inauspiciosas que terminaram por me afastar internamente do grupo. Não consegui estabelecer entre os seus membros as relações amistosas que devem prevalecer entre homens que se acham empenhados no mesmo trabalho difícil, nem consegui evitar a competição pela prioridade a que dá margem, com tanta freqüência, esse tipo de trabalho em equipe. As dificuldades particularmente grandes ligadas ao ensino da prática da psicanálise - responsáveis por grande parte das dissenções havidas - eram patentes nessa Sociedade Psicanalítica de Viena, de caráter particular. Eu mesmo não me aventurei a expor uma técnica e teoria ainda inacabadas e em formação, com a autoridade que provavelmente teria capacitado os outros a evitar certos desvios e suas conseqüências desastrosas. A autoconfiança de trabalhadores intelectuais, sua independência prematura do mestre, é sempre gratificante de um ponto de vista psicológico, mas só traz vantagens para a ciência se esses trabalhadores preencherem certas condições pessoais que não são, de maneira nenhuma, comuns. Para a psicanálise, em particular, uma longa e severa disciplina, além de treinamento na autodisciplina, teria sido necessária. Em vista da coragem revelada pela devoção a um assunto olhado com tanta reserva, e tão pobre de perspectivas, estava disposto a tolerar dos membros do grupo muita coisa que não devia tolerar numa situação diferente. Além de médicos, o círculo incluía outras pessoas - homens instruídos que haviam reconhecido algo importante na psicanálise; escritores, pintores etc. Minha Interpretação de Sonhos e meu livro sobre chistes, entre outros, mostraram desde o início que as teorias da psicanálise não podem ficar restritas ao campo médico, mas são passíveis de aplicação a várias outras ciências mentais.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a partir do ano de 1902, certo número de jovens médicos reuniu-se em torno dele com a intenção expressa de aprender, praticar e difundir o conhecimento da psicanálise. A pequena sociedade adquiriu nele um secretário zeloso e digno de confiança e eu ganhei em Otto Rank um auxiliar e colaborador dos mais fiéis.
O pequeno círculo logo se ampliou e no transcorrer dos cinco anos seguintes muitas vezes mudou de composição. Além de médicos, o círculo incluía outras pessoas - homens instruídos que haviam reconhecido algo importante na psicanálise; escritores, pintores etc. Minha Interpretação de Sonhos e meu livro sobre chistes, entre outros, mostraram desde o início que as teorias da psicanálise não podem ficar restritas ao campo médico, mas são passíveis de aplicação a várias outras ciências mentais.
Mattanó aponta que a partir do ano de 1902, certo número de jovens médicos reuniu-se em torno de Freud com a intenção expressa de aprender, praticar e difundir o conhecimento da psicanálise. A pequena sociedade adquiriu nele um secretário zeloso e digno de confiança e ele ganhou em Otto Rank um auxiliar e colaborador dos mais fiéis. Vemos aqui como a psicanálise foi sendo construída, debatida e escrita, pensada pelos seus intelectuais originais.
O pequeno círculo logo se ampliou e no transcorrer dos cinco anos seguintes muitas vezes mudou de composição. Além de médicos, o círculo incluía outras pessoas - homens instruídos que haviam reconhecido algo importante na psicanálise; escritores, pintores etc. Sua Interpretação de Sonhos e seu livro sobre chistes, entre outros, mostraram desde o início que as teorias da psicanálise não podem ficar restritas ao campo médico, mas são passíveis de aplicação a várias outras ciências mentais. Vemos que Freud continuou seu trabalho mesmo com as ampliações e mudanças de composição no pequeno círculo de médicos que passou a incluir outros homens instruídos como escritores, pintores, etc., e assim sua obra foi sendo escrita e posta ao trabalho ou aplicação de várias ciências que não se limitavam ao campo médico, foi trabalhando assim, com debates e discussões, com textos e pensamentos, com muita pesquisa e empenho que através de obras como a Interpretação dos Sonhos e o seu livro sobre os chistes que ele ampliou a aplicação da sua teoria psicanalítica.
MATTANÓ
(16/06/2025)
HISTÓRIA DO BRASIL E HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2025):
Mattanó testemunha e denuncia que ele é perseguido desde criança por policiais e autoridades por ser de família refugiada da Segunda Grande Guerra Mundial e do campo de concentração de Auschwitz na Alemanha onde seu avô Manoel Mattanó teve que trabalhar como escravo e de coveiro do forno de Auschwitz e se tornou odiado e perseguido, pois também conseguiu escapar de Auschwitz, talvez matando Adolf Hitler e fugindo para o Brasil, onde reiniciou sua vida, porém traumatizada e sequelada de forma permanente, pois adquiriu repertório comportamental depressivo, de alcoólatra e de angustiado com sua vida que lhe causava medo e ansiedade, por exemplo, de ser descoberto e acabar sendo assassinado por ter matado Adolf Hitler, no dia em que Mattanó conheceu sua trisavó, que também era refugiada européia, ela lhe disse ¨você é a nossa esperança¨, eu nada entendi, mas agora compreendo, sou Santo e sou o Amor de Deus, de Jesus e de Maria, vim trazer paz para as vítimas do holocausto e das outras formas de guerras e violência, inclusive a crucificação, para aqueles que são queimados na fogueira da ignorância humana ou das lamentações, da incapacidade de amar e de ser amado ou amada, que são queimados por não fazerem parte de uma elite, por exemplo, de jogadores de futebol ou de policiais e autoridades que investem tudo contra a vida, o patrimônio e a liberdade, inclusive a saúde e a virgindade de muitos indivíduos de uma mesma família que segue o mesmo Deus, Jesus Cristo, e que acredita em Suas Palavras Santas, facilitando para estupradores que atacam jovens, crianças, adolescentes, senhores e senhoras e até idosos e idosas despindo-os de suas vestes através de uma invasão de suas intimidades e privacidades, de suas incolumidades corporais, exibindo tudo sobre suas sexualidade, de modo a excitar sexualmente os veículos de comunicação de massa que passam a abusar e explorar essa sexualidade violentada através de seus programas lançando-os a bandidagem, a criminalidade e a violência sexual, a prática de extorsão sexual e de estupro com vingança, ódio e intolerância, além de lavagem cerebral, tortura e despersonalização, sequestro, tentativas de sequestro, de espancamento e de provocar queimaduras, roubo e loucura, doenças contagiosas como a AIDS, a pobreza e a gravidez indesejada e mal planejada, fruto da violência e do estupro, sequelando as crianças e as famílias até que possam ressignificar sua existência, origem e função na família, o quanto se tornaram necessários devido o amor familiar, porém o estupro e a violência nunca serão necessários.Testemunho que doentes como eu, talvez por ser perseguido por causa da minha família refugiada da Segunda Grande Guerra Mundial, acabam sendo discriminados, odiados e intolerados, mesmo sendo brasileiros e não tendo ficha criminal na polícia, mesmo tendo direitos e deveres garantidos, obrigações e privilégios, mas o poder quando corrompido faz essas coisas, privilegia grupos dominantes, até quando são estupradores e pedófilos, assassinos, ladrões, traficantes, loucos e sequestradores, falsos ideológicamente, pois os mesmos médicos psiquiatras que me medicaram e já me internaram também tem o dever de denunciar e mandar internar e medicar os atletas e profissionais da saúde desses clubes de futebol que deliram ouvir vozes em suas partidas de futebol, em suas Arenas e Estádios, e que assim ficam agressivos, hostis, briguentos e faltosos, com pobreza de linguagem, apelando para xingamentos, trapaçeiros, manipulando resultados, através ou não de bets, para fins de angariar recursos para manter o esquema de vigilância, extorsão e roubo, para sequestro, estupro, tortura e assassinato de testemunhas, como já fizerem com a Lucrécia, minha prima, pois bem doentes e psicóticos não podem trabalhar e não devem ficar sem tomar medicação se estiverem criando problemas como estes, temos aqui um cenário de guerra onde atletas e profissionais da saúde, inclusive políticos e autoridades como o ex-Presidente Jair Bolsonaro participam como agentes e manipuladores, controladores, financiadores, já testemunhei que o governador do Paraná Ratinho Jr. também faz parte deste esquema e que a polícia tem conhecimento de tudo, mas tem que cumprir ordens. Atletas loucos e falsos ideológicamente, ou seja, criminosos, não podem jogar futebol, se estiverem ameaçando a vida, o patrimônio e a liberdade de outras pessoas e famílias, pois eu estou e sou considerado louco desde 1999 e em função disto não posso trabalhar normalmente - escutar vozes durante o trabalho e a partir daí desejar prejudicar, roubar, sequestrar, estuprar e assassinar indivíduos de uma família por causa do que os veículos de comunicação de massa argumentam e nunca comprova, muito pelo contrário espalham fake news abundantemente e isto é crime, pois eu já procurei esses veículos de comunicação de massa para denunciar tudo e eles me disseram para eu tomar remédio, pois estava louco ao dizer que ouvia vozes e conversava através da televisão com as emissoras ou estúdios de comunicação e seus jornalistas e apresentadores de televisão, ou seja, que eu ¨conversava com a televisão¨. Um bom jornalista investigaria o significado e o sentido disto! Eu só quero que o brasileiro e a brasileira tenha mais saúde-mental e menos prejuízos financeiros, por exemplo, com as bets e o tráfico de drogas, ou seja, que o futebol jogue ¨limpo¨, isto é, sem loucura e sem demência!
MATTANÓ
(19/06/2025)
HISTÓRIA DO BRASIL E HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2025):
Mattanó testemunha que ele e sua família são vítimas de políticos que prometem segurança, trabalho, educação, justiça, saúde, liberdade, direito ao patrimônio público e privado, transporte, economia, renda, vida e alimentação antes das eleições e depois que são eleitos se esquecem das suas promessas e deveres de políticos, colocando testemunhas de crimes hediondos em mãos de traficantes e terroristas, de abusadores sexuais e de incapazes, de estupradores e de violentadores, de pessoas que fazem espionagem e lavagem cerebral, despersonalização, extorsão, vingança e estupro virtual, roubo de informações e de segredos, de falsificadores de documentos, de sequestradores e de assassinos que podem atear fogo em você e na sua casa, em sua família e no seu carro, de pedófilos que atuam no esporte nacional e na política quando se omitem e permitem que atletas com menos de 14 anos de idade sejam estupradas e estuprados para aumentarem o seu desempenho nas competições, sejam elas escolares, municipais, estaduais ou nacionais, talvez até internacionais, pedofilia é crime em qualquer contexto amparado pela lei e não há coisa alguma para se discutir, a criança menor de 14 anos de idade e a família sempre saem traumatizados e ficam com problemas pelo resto da vida, inclusive a cidade, o estado e a nação que acabam reproduzindo esse drama de forma inconsciente e/ou comportamental, criando ritos e mitos, totens e tabus que só servem para impor diferenças no entendimento e nas formas de se relacionar com os objetos dessa construção doentia e violenta, de modo que os políticos sintam-se ameaçados ou constrangidos por essa construção e passem a seguir as regras de cada ¨jogo de interesses¨. Transformando suas promessas de campanha em apenas promessas não cumpridas por motivos não muito óbvios ou esclarecidos como a corrupção, o ¨jogo de interesses¨ e a falta de verbas e de recursos para os seus trabalhos. Contudo a verdade pode ser outra, pode ser um prazer sexual de cunho inconsciente do tipo pedófilo por parte desses políticos que se satisfazem no outro, passivamente, para depois se satisfazem neles mesmos através da ideia da pulsão auditiva de Mattanó que foi roubada em 1995 e traficada para a execução, também desse prazer inconsciente e agora ativo em políticos que negligenciavam a pedofilia nos esportes deste país.
MATTANÓ
(19/06/2025)
Em 1907, contra todas as expectativas, a situação mudou de repente. Parecia que a psicanálise havia discretamente despertado interesse e angariado adeptos e que havia até mesmo alguns cientistas que estavam prontos a reconhecê-la. Uma comunicação de Bleuler me informara antes disso que minhas obras tinham sido estudadas e aplicadas no Burghölzli. Em janeiro de 1907, pela primeira vez veio a Viena um membro da clínica de Zurique - o Dr. Eitingon. Outras visitas se seguiram, que levaram a uma animada troca de idéias. Finalmente, a convite de C.G.Jung, naquela época ainda médico assistente de Burghölzli, realizou-se uma primeira reunião em Salzburg na primavera de 1908, que congregou adeptos da psicanálise de Viena, Zurique e outros lugares. Um dos primeiros resultados desse primeiro Congresso Psicanalítico foi a fundação de um periódico intitulado Jahrbuch für psychoanalytische und psycho-pathologische Forschungen sob a direção de Bleuler e Freud e editado por Jung, que apareceu pela primeira vez em 1909. Essa publicação expressava a estreita cooperação entre Viena e Zurique.
Repetidas vezes reconheci com gratidão os grandes serviços prestados pela Escola de Psiquiatria de Zurique na difusão da psicanálise, em particular por Bleuler e Jung, e não hesito em fazê-lo ainda hoje, quando as circunstâncias mudaram tanto. Na verdade, não foi o apoio da Escola de Zurique que fez despertar a atenção do mundo científico para a psicanálise naquela época. O que acontecera foi que o período de latência tinha terminado e por toda parte a psicanálise se tornava objeto de interesse cada vez maior. Mas em todos os outros lugares, esse aumento de interesse de início não produziu senão um vivo repúdio, quase sempre apaixonado, ao passo que em Zurique, pelo contrário, um acordo em linhas gerais foi a nota dominante. Além disso, em nenhum outro lugar havia um grupo tão coeso de partidários, nem uma clínica pública posta a serviço das pesquisas psicanalíticas, nem um professor de clínica que incluísse as teorias psicanalíticas como parte integrante de seu curso de psiquiatria. O grupo de Zurique tornou-se assim o núcleo de pequena associação que lutava pelo reconhecimento da análise. A única oportunidade de aprender a nova arte e de nela trabalhar estava ali. A maior parte dos meus seguidores e colaboradores de hoje chegou a mim via Zurique, mesmo aqueles que se encontravam geograficamente muito mais perto de Viena do que da Suíça. Em relação à Europa ocidental, onde estão os grandes centros de nossa cultura, Viena ocupa uma posição marginal; e seu prestígio tem sido afetado, há muitos anos, por fortes preconceitos. Os representantes das nações mais importantes se reúnem na Suíça, onde a atividade intelectual é tão vívida; um foco de infecção ali estava destinado a ser de grande importância para a difusão da “epidemia psíquica”, como Hoche de Freiburg a denominou.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que em 1907 parecia que a psicanálise mudaria de rumo e seria aceita, pois cientistas começaram a se interessar por ela e em 1908 num Congresso Psicanálitico foi fundado um periódico intitulado Jahrbuch für psychoanalytische und psycho-pathologische Forschungen sob a direção de Bleuler e Freud e editado por Jung, que apareceu pela primeira vez em 1909. Essa publicação expressava a estreita cooperação entre Viena e Zurique.
Repetidas vezes reconheci com gratidão os grandes serviços prestados pela Escola de Psiquiatria de Zurique na difusão da psicanálise, em particular por Bleuler e Jung, e não hesito em fazê-lo ainda hoje, quando as circunstâncias mudaram tanto. Na verdade, não foi o apoio da Escola de Zurique que fez despertar a atenção do mundo científico para a psicanálise naquela época. O que acontecera foi que o período de latência tinha terminado e por toda parte a psicanálise se tornava objeto de interesse cada vez maior. O grupo de Zurique tornou-se assim o núcleo de pequena associação que lutava pelo reconhecimento da análise. A única oportunidade de aprender a nova arte e de nela trabalhar estava ali. A maior parte dos meus seguidores e colaboradores de hoje chegou a mim via Zurique, mesmo aqueles que se encontravam geograficamente muito mais perto de Viena do que da Suíça. Em relação à Europa ocidental, onde estão os grandes centros de nossa cultura, Viena ocupa uma posição marginal; e seu prestígio tem sido afetado, há muitos anos, por fortes preconceitos. Os representantes das nações mais importantes se reúnem na Suíça, onde a atividade intelectual é tão vívida; um foco de infecção ali estava destinado a ser de grande importância para a difusão da “epidemia psíquica”, como Hoche de Freiburg a denominou.
Mattanó aponta que em 1907 parecia que a psicanálise mudaria de rumo e seria aceita, pois cientistas começaram a se interessar por ela e em 1908 num Congresso Psicanálitico foi fundado um periódico intitulado Jahrbuch für psychoanalytische und psycho-pathologische Forschungen sob a direção de Bleuler e Freud e editado por Jung, que apareceu pela primeira vez em 1909. Essa publicação expressava a estreita cooperação entre Viena e Zurique. Vemos como a psicanálise foi se organizando e se estruturando, se difundindo como teoria e técnica através dos congressos e das publicações que aumentavam a sua influência e o seu poder ou valor entre os interessados, através dos argumentos e da linguagem, dos atos ilocucionários e dos atos perlocucionários que produzem a conexão entre codificador, enunciado, argumento, linguagem e decodificador, através da força e dos efeitos produzidos pela sua argumentação, que visa atingir a vontade e convencer o outro por meio de pressupostos e subentendidos.
Repetidas vezes reconheci com gratidão os grandes serviços prestados pela Escola de Psiquiatria de Zurique na difusão da psicanálise, em particular por Bleuler e Jung, e não hesito em fazê-lo ainda hoje, quando as circunstâncias mudaram tanto. Na verdade, não foi o apoio da Escola de Zurique que fez despertar a atenção do mundo científico para a psicanálise naquela época. O que acontecera foi que o período de latência tinha terminado e por toda parte a psicanálise se tornava objeto de interesse cada vez maior. O grupo de Zurique tornou-se assim o núcleo de pequena associação que lutava pelo reconhecimento da análise. A única oportunidade de aprender a nova arte e de nela trabalhar estava ali. A maior parte dos meus seguidores e colaboradores de hoje chegou a mim via Zurique, mesmo aqueles que se encontravam geograficamente muito mais perto de Viena do que da Suíça. Em relação à Europa ocidental, onde estão os grandes centros de nossa cultura, Viena ocupa uma posição marginal; e seu prestígio tem sido afetado, há muitos anos, por fortes preconceitos. Os representantes das nações mais importantes se reúnem na Suíça, onde a atividade intelectual é tão vívida; um foco de infecção ali estava destinado a ser de grande importância para a difusão da “epidemia psíquica”, como Hoche de Freiburg a denominou. Vemos que a psicanálise emprestou os serviços da Escola de Zurique, com maior gratidão, através de Bleuler e Jung, que participaram dando apoio e investimento aos trabalhos da maior parte dos seus seguidores e colaboradores que selecionaram Zurique para trabalhar e estudar a psicanálise, mesmo com a cidade de Viena estando mais próxima, pois Viena era considerada uma cidade doentia e capaz de difundir ¨epidemias psíquicas¨, já Zurique era considerada uma cidade onde a atividade intelectual era vívida e coerente, abundante.
MATTANÓ
(20/06/2025)
ANATOMIA DA CRIAÇÃO (2025):
As palavras tem o poder de modificar a consciência, assim como o som possui o mesmo poder, pois as palavras e o som modificam os sentimentos primordiais e as disposições que formam imagens, respondendo aos estímulos do meio ambiente, de modo que regiões do cérebro como o tálamo sequenciem imagens a ponto de gerar uma consciência viva e ativa, responsorial e superior as áreas de convergência-divergência que são compostas de regiões e zonas de convergência-divergência, com trabalhos especializados e uma funcionalidade específica para cada uma delas, sendo uma responsável pela geração de imagens e a outra pela sequenciação dessas imagens, ou seja, pelo movimento da consciência, evoluindo de imagens fotográficas para verdadeiros filmes de cinema, mas em casos de paranormalidade, até em em holografias e cenas em terceira dimensão ou 3D que possuem movimento e realidade virtuais, inclusive coclear, de modo a servir como ferramenta de dominação, de caça e de luta, de sobrevivência ou de reprodução sexual e cultural e de educação e trabalho para suas comunidades e indivíduos. Eis que a música e o som do assobio metálico alienígena possuem estas propriedades modificadores da consciência e posteriormente, do comportamento e da vida social, familiar, institucional, organizacional, empresarial, esportiva, militar, educacional, criminal, legislativa, executiva, cognitiva, moral, sexual, lúdica, profissional, trabalhista, econômica, comunicacional, política, administrativa, científica, docente, jurídica, policial, alimentar, sanitária, arquitetônica, de engenharia e produção, médica e da saúde, de transportes e de locomoção, de segurança, habitação, liberdade, direitos e deveres, obrigações e privilégios, de cidadania e de modos de se viver socialmente como a Democracia.
MATTANÓ
(25/06/2025)
SOBRE A LOUCURA (2025):
Mattanó aponta que na loucura aqueles comportamentos de nomear culpados ou convidados, personagens para as suas tragédias, dramas e e traumas reflete apenas, a priori, os sentimentos primordiais e assim partes do seu próprio corpo que estava fragmentado e dissociado, ou seja, eventos que ele não conseguia reconhecer como partes do seu próprio corpo psicológico e inconsciente.
Assim descobrimos porque quê a loucura jamais terá cura!?
Porque ela é criada e desenvolvida num período em que a criança ainda não possui habilidades cognitivas para dar significado e sentido para suas relações e objetos, justamente o período sensório-motor ou na fase oral, onde a criança apenas possui repertórios comportamentais básicos como imitar, discriminar, ficar atento e controlar. Vemos que neste período a criança é criada e educada antes de formar significados e sentidos, mas ela pode ter esse conteúdo ressignificado ou revisado secundariamente através da reconstrução da personalidade por meio da Teoria da Abundância de Mattanó.
MATTANÓ
(26/06/2025)
Segundo o testemunho de um colega que presenciou acontecimentos no Burghölzli, parece que a psicanálise despertou interesse ali muito cedo. Na obra de Jung sobre fenômenos ocultos, publicada em 1902, já havia alusão ao meu livro sobre a interpretação de sonhos. A partir de 1903 ou 1904, a psicanálise ocupava o primeiro plano de interesse. Depois de estabelecidas relações pessoais entre Viena e Zurique, uma sociedade informal foi também iniciada, em meados de 1907, no Burghölzli, onde os problemas da psicanálise eram debatidos em reuniões regulares. Na aliança entre as escolas de Viena e Zurique, os suíços não eram de modo algum meros recipientes. Já haviam produzido trabalhos científicos de grande mérito, cujos resultados foram úteis à psicanálise. As experiências de associação iniciadas pela Escola de Wundt tinham sido interpretadas por eles num sentido psicanalítico e revelaram possibilidades de aplicação inesperadas. Através delas, tornara-se possível chegar a uma rápida confirmação experimental das observações psicanalíticas e a demonstrar diretamente a estudantes conexões a respeito das quais um analista poderia apenas falhar-lhes. A primeira ponte ligando a psicologia experimental à psicanálise fora levantada.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a psicanálise através das escolas de Viena e de Zurique iniciou a interpretação das experiências de associação iniciadas pela Escola de Wundt obtendo aplicação inesperadas, de modo que a primeira ponte entre a psicologia experimental e à psicanálise fora levantada.
Mattanó aponta que a psicanálise através das escolas de Viena e de Zurique iniciou a interpretação das experiências de associação iniciadas pela Escola de Wundt obtendo aplicação inesperadas, de modo que a primeira ponte entre a psicologia experimental e à psicanálise fora levantada. Vemos aqui como a psicanálise se esforçou para criar um maior alcance teórico e prático, até mesmo experimental, pois os valores da psicologia experimental prevaleceram e não foram deturpados, foram apenas ressignificados e ganharam um novo sentido.
MATTANÓ
(26/06/2025)
No tratamento psicanalítico, os experimentos de associação permitem uma análise provisória qualitativa do caso, mas não proporcionam nenhuma contribuição essencial à técnica, podendo-se prescindir deles na prática analítica. Mais importante, contudo, foi outra realização da Escola de Zurique, ou de seus líderes, Bleuler e Jung. O primeiro mostrou que se poderia esclarecer grande número de casos, puramente psiquiátricos, reconhecendo neles os mesmos processos reconhecidos pela psicanálise como presentes nos sonhos e nas neuroses (mecanismos freudianos); e Jung [1907] aplicou com êxito o método analítico de interpretação às manifestações mais estranhas e obscuras da demência precoce (esquizofrenia), de modo a trazer à luz suas fontes presentes na história da vida e nos interesses do paciente. Depois disso, foi impossível aos psiquiatras ignorar por mais tempo a psicanálise. A grande obra de Bleuler sobre a esquizofrenia (1911), na qual o ponto de vista psicanalítico foi colocado em pé de igualdade com o clínico-sistemático, completou esse sucesso.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que no tratamento psicanalítico houve realização com a Escola de Zurique através de Bleuer e Jung, seus líderes. Bleurer o mostrou que se poderia esclarecer grande número de casos, puramente psiquiátricos, reconhecendo neles os mesmos processos reconhecidos pela psicanálise como presentes nos sonhos e nas neuroses (mecanismos freudianos); e Jung [1907] aplicou com êxito o método analítico de interpretação às manifestações mais estranhas e obscuras da demência precoce (esquizofrenia), de modo a trazer à luz suas fontes presentes na história da vida e nos interesses do paciente. A grande obra de Bleuler sobre a esquizofrenia (1911), na qual o ponto de vista psicanalítico foi colocado em pé de igualdade com o clínico-sistemático, completou esse sucesso.
Mattanó aponta que no tratamento psicanalítico houve realização com a Escola de Zurique através de Bleuer e Jung, seus líderes. Bleurer o mostrou que se poderia esclarecer grande número de casos, puramente psiquiátricos, reconhecendo neles os mesmos processos reconhecidos pela psicanálise como presentes nos sonhos e nas neuroses (mecanismos freudianos); e Jung [1907] aplicou com êxito o método analítico de interpretação às manifestações mais estranhas e obscuras da demência precoce (esquizofrenia), de modo a trazer à luz suas fontes presentes na história da vida e nos interesses do paciente. A grande obra de Bleuler sobre a esquizofrenia (1911), na qual o ponto de vista psicanalítico foi colocado em pé de igualdade com o clínico-sistemático, completou esse sucesso. Vemos como a psicanálise foi conquistando seu espaço no cenário médico de sua época com seus representantes que investiram anos de estudos e de trabalhos clínicos para difundí-la e torná-la cada vez mais acessível e pública, ou seja, reconhecida.
MATTANÓ
(26/06/2025)
Não deixarei de ressaltar uma divergência que já se podia observar naquela época entre os rumos seguidos pelo trabalho das duas escolas. Já em 1897 eu publicara a análise de um caso de esquizofrenia, o qual, contudo, era de natureza paranóide, de modo que a solução do mesmo não podia ser influenciada pela impressão causada pelas análises de Jung. Mas para mim o ponto importante fora não tanto a possibilidade de interpretar os sintomas, mas o mecanismo psíquico da doença e, acima de tudo, a concordância desse mecanismo com o da histeria, que já fora descoberto. Naquela época, nenhuma luz fora lançada sobre as diferenças entre os dois mecanismos, pois eu ainda visava a uma teoria da libido nas neuroses, que iria explicar todos os fenômenos neuróticos e psicóticos como procedentes de vicissitudes anormais da libido, isto é, como desvios do seu emprego normal. Este ponto de vista escapou aos pesquisadores suíços. Que eu saiba, até hoje Bleuler defende o ponto de vista de que as várias formas de demência precoce têm uma causação orgânica; e no Congresso de Salzburg, em 1908, Jung, cujo livro sobre essa doença surgira em 1907, apoiou a teoria tóxica de sua causação, que não leva em conta a teoria da libido, embora, é verdade, não a exclua. Posteriormente (1912), foi desastrado nesse mesmo ponto, dando demasiada importância ao material que antes se recusara a utilizar.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que houveram divergências pelo trabalho das duas escolas. Para Freud o ponto importante fora não tanto a possibilidade de interpretar os sintomas, mas o mecanismo psíquico da doença e, acima de tudo, a concordância desse mecanismo com o da histeria, que já fora descoberto. Naquela época, nenhuma luz fora lançada sobre as diferenças entre os dois mecanismos, pois Freud ainda visava a uma teoria da libido nas neuroses, que iria explicar todos os fenômenos neuróticos e psicóticos como procedentes de vicissitudes anormais da libido, isto é, como desvios do seu emprego normal. Este ponto de vista escapou aos pesquisadores suíços. Que ele saiba, até hoje Bleuler defende o ponto de vista de que as várias formas de demência precoce têm uma causação orgânica; e no Congresso de Salzburg, em 1908, Jung, cujo livro sobre essa doença surgira em 1907, apoiou a teoria tóxica de sua causação, que não leva em conta a teoria da libido, embora, é verdade, não a exclua. Posteriormente (1912), foi desastrado nesse mesmo ponto, dando demasiada importância ao material que antes se recusara a utilizar.
Mattanó aponta que houveram divergências pelo trabalho das duas escolas. Para Freud o ponto importante fora não tanto a possibilidade de interpretar os sintomas, mas o mecanismo psíquico da doença e, acima de tudo, a concordância desse mecanismo com o da histeria, que já fora descoberto. Naquela época, nenhuma luz fora lançada sobre as diferenças entre os dois mecanismos, pois Freud ainda visava a uma teoria da libido nas neuroses, que iria explicar todos os fenômenos neuróticos e psicóticos como procedentes de vicissitudes anormais da libido, isto é, como desvios do seu emprego normal. Este ponto de vista escapou aos pesquisadores suíços. Que ele saiba, até hoje Bleuler defende o ponto de vista de que as várias formas de demência precoce têm uma causação orgânica; e no Congresso de Salzburg, em 1908, Jung, cujo livro sobre essa doença surgira em 1907, apoiou a teoria tóxica de sua causação, que não leva em conta a teoria da libido, embora, é verdade, não a exclua. Posteriormente (1912), foi desastrado nesse mesmo ponto, dando demasiada importância ao material que antes se recusara a utilizar. Vemos como foi o progresso e o desenvolvimento das teorias psicanalíticas, divergentes ou não divergentes, resultado de muito trabalho e estudo, de muito empenho, insight e fascínio pela mente do Homo Sapiens.
MATTANÓ
(26/06/2025)
Há uma terceira contribuição feita pela Escola Suíça, a ser talvez atribuída totalmente a Jung, à qual eu não dou tanto valor quanto outros, menos ligados a esses assuntos do que eu. Refiro-me à teoria dos “complexos” que decorreu dos Diagnostische Assoziationsstudien [Estudos sobre Associação de Palavras] (1906). Nem ela em si mesma produziu uma teoria psicológica, nem mostrou-se capaz de fácil incorporação ao contexto da teoria psicanalítica. O termo “complexo”, por outro lado, foi naturalizado, por assim dizer, pela linguagem psicanalítica; é um termo conveniente e muitas vezes indispensável para resumir um estado psicológico de maneira descritiva. Nenhuma das outras palavras inventadas pela psicanálise para atender às suas próprias necessidades alcançou uma popularidade tão generalizada ou foi tão mal aplicada em prejuízo da formação de conceitos mais claros. Os analistas começaram a falar entre si de “retorno de um complexo” quando queriam dizer um “retorno do reprimido”, ou adquiriram o hábito de dizer “tenho um complexo contra ele”, quando a expressão correta seria “uma resistência contra ele”.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que Jung introduziu o termo¨complexo¨ na linguagem psicanalítica para dizer que tinham um ¨retorno de um complexo¨ ao invés de dizerem que tinham um ¨retorno do reprimido¨ e adquiriram o hábito de dizer ¨tenho um complexo contra ele¨ e não ¨uma resistência contra ele¨.
Mattanó aponta que Jung introduziu o termo¨complexo¨ na linguagem psicanalítica para dizer que tinham um ¨retorno de um complexo¨ ao invés de dizerem que tinham um ¨retorno do reprimido¨ (segundo Freud) e adquiriram o hábito de dizer ¨tenho um complexo contra ele¨ e não ¨uma resistência contra ele¨ (opção de Freud). Vemos aqui como surgiram e se difundiram os termos das diferentes escolas e divergências psicanalíticas dos tempos de Sigmund Freud. Vemos aqui a História da Psicanálise, seus argumentos e sua linguagem, seus atos ilocucionários e seus atos perlocucionários, seus pressupostos e subentendidos, seu mostrar, fazer e dizer, seu posto, sua semântica e sua hermenêutica, seus significados e sentidos, seus enunciados, seu mundo narrado e seu mundo comentado, seu mundo objetivo e seu mundo subjetivo, e seu mundo concreto e seu mundo abstrato, seu mundo vivido e seu mundo representado ou seu mundo real e seu mundo ideal.
MATTANÓ
(26/06/2025)
HISTÓRIA DO BRASIL (2025):
Segundo a Nationalgeographics:
¨A Segunda Guerra Mundial foi um dos eventos mais importantes do século 20 e ocorreu entre 1939 e 1945. Durante a guerra, os sistemas político, social e econômico de muitos países foram afetados. Mas quais foram seus impactos a longo prazo?
O artigo Os efeitos da Segunda Guerra Mundial nos resultados econômicos e de saúde em toda a Europa, publicado em The Review of Economics and Statistics, aborda as consequências a longo prazo no campo socioeconômico e na saúde dos europeus. Os autores (Iris Kesternich, Bettina M. Siflinger, James P. Smith, Joachim Winter) encontraram fortes efeitos para quatro categorias analisadas: fome, perda de propriedade, perseguição e ausência da figura paterna.
Consequências sociais da Segunda Guerra Mundial
Segundo o artigo, não só os soldados foram afetados pela guerra, mas os civis também sofreram as consequências do combate. Entre eles, aproximadamente metade de todas as vítimas europeias, entre 9,8 e 10,4 milhões de pessoas, foram mortas por razões políticas ou raciais pelo regime nazista.
Além disso, o documento afirma que esta guerra causou graves crises de fome. Como consequência, também aumentou a probabilidade de doenças cardíacas, diabetes e depressão. "As pessoas que passaram pela guerra ou combate têm uma saúde significativamente pior do que as que não a experienciaram".
Outro apontamento é que muitas mulheres não se casaram e muitos filhos cresceram sem o pai, já que foram principalmente os homens que morreram durante a guerra. Este viés masculino nas mortes se concentrou entre os soldados, já que as mortes de civis e do Holocausto foram, em grande parte, neutras em termos de gênero.
Durante a Segunda Guerra Mundial, "milhões de judeus, mas também opositores do regime nazista, foram expropriados e frequentemente enviados para campos de concentração, onde morreram". Ao mesmo tempo, as mudanças nas fronteiras, muitas vezes, induziram milhões a deixar seus locais de residência e fugir.
Além disso, a publicação observa que a experiência da guerra também está associada a menos anos de educação e menor satisfação com a vida.
O artigo também mostra o impacto na força de trabalho feminina. Aproximadamente "metade das mulheres que incorporaram a força de trabalho durante a guerra permaneceu no final dela, proporcionando um possível aumento exógeno na oferta de mão-de-obra feminina".
Consequências econômicas e políticas da Segunda Guerra Mundial
"O impacto imediato da Segunda Guerra Mundial foi aparentemente bastante destrutivo para os países envolvidos, especialmente para os perdedores (Alemanha, Japão e Itália)". No entanto, esta situação foi invertida nos anos seguintes.
"Ao contrário da Primeira Guerra Mundial, que pouco se resolveu, a Segunda Guerra Mundial contribuiu para a construção de nações na Europa", e a parte ocidental do continente estabeleceu regimes democráticos permanentes.¨
Já aqui no Brasil por toda a nossa História caminhamos por longos períodos de fome, pobreza e miséria e até de guerras e conflitos entre populações que aumentam a degradação social, econômica, política e institucional no nosso país, e nunca encontramos um motivo para saltarmos para o futuro como fizeram os países europeus após a Segunda Guerra Mundial que os devastou economicamente, populacionalmente, socialmente, e urbanamente, além de psicológicamente e fisicamente, aumentando os casos de doenças relacionadas aos traumas da guerra, mas aqui no Brasil os traumas sociais somente aumentam a corrupção, a preguiça e a violência, o desejo de aparecer na televisão como um ¨espertinho¨ capaz de fazer coisas impossíveis pelos seus ídolos, mas que nada faz pelo seu país e nem mesmo por Deus, pois devido a sua condição de louco e insano tenta roubar, estuprar e matar pessoas que nunca cometeram crimes contra ela e que são Santas, segundo a Igreja, e que trabalham mais de 10 horas de por dia pelo seu país e pela sua gente, pelo seu futuro, pelo seu desenvolvimento econômico, social, educacional, religioso, populacional, trabalhista, profissional, esportivo, moral, sexual, comunicacional, da cidadania, da justiça, da política e dos direitos, deveres, obrigações e privilégios, do direito a vida e a liberdade, ao patrimônio e a incolumidade, a segurança e a saúde, ao bem-estar e a verdade, a economia e ao acúmulo consciente de riquezas através do trabalho apoiado na educação e na formação profissional, nunca na criminalidade e no roubo ou na violência e na falsidade ideológica. Por isso eu acredito que essas regiões do Brasil que hoje estão pobres, miseráveis e com fome, com desemprego e falta de educação e de oportunidades e de serviços de qualidade deveriam se espelhar nas vivências dos países europeus que passaram coisa muito pior, pois perderam tudo e hoje são grandes e fortes, alguns podem ter problemas e até fome e pobreza, outros guerras, mas estão lutando para sobreviverem com recursos que salvam suas vidas em caso de guerras, mas nós brasileiros somos todos apáticos e quando surgem grandes nomes, grandes professore, grandes cientistas ou grandes artistas e grandes Santos vem aquela loucura típica de Judas Iscariotes, de quem quer ser maior que o seu Mestre, de quem quer controlar o seu Deus ou Santo, de quem quer sacrificar alguém para salvar a vida daqueles que se julga perdidos, mas isso não é um sinal Profético, apenas traumático e alienado, vindo da fome e da pobreza econômica e não da fome e da pobreza espiritual, ou seja, ¨queimar o pão¨ é produto da pobreza e da fome econômica e social e não da fome e pobreza espiritual, não se trata de uma eucaristia, pois a eucaristia não pode ser fruto da pobreza econômica e social, mas somente da pobreza espiritual.
MATTANÓ
(29/06/2025)
A partir de 1907, quando as Escolas de Viena e Zurique se uniram, a psicanálise tomou o extraordinário impulso cujo ímpeto ainda hoje se sente; isto é indicado tanto pela difusão da literatura psicanalítica e pelo constante aumento do número de médicos que a praticam ou estudam, como pela freqüência com que é atacada em congressos e associações eruditas. Penetrou nas terras mais distantes e por toda a parte não somente deixou perplexos os psiquiatras, como dominou a atenção do público culto e de investigadores de outros campos da ciência. Havelock Ellis, que tem acompanhado seu desenvolvimento com simpatia, embora sem jamais se intitular um adepto, escreveu em 1911 num relatório para o Congresso Médico de Australásia: “A psicanálise de Freud é agora defendida e praticada não somente na Áustria e na Suíça, como também nos Estados Unidos, Inglaterra, Índia, Canadá, e, não duvido, na Australásia. Um médico do Chile (provavelmente alemão) falou no Congresso Internacional de Buenos Aires, em 1910, em favor da existência da sexualidade infantil e exaltou os efeitos da terapêutica psicanalítica sobre os sintomas obsessivos. Um neurologista inglês da Índia Central (Berkeley-Hill) informou-me, através de um ilustre colega que visitava a Europa, que as análises de indianos muçulmanos por ele feitas demonstraram que a etiologia de suas neuroses não era diferente das que encontramos em nossos pacientes europeus.
A introdução da psicanálise na América do Norte foi acompanhada de homenagens muito especiais. No outono de 1909, Stanley Hall, Presidente da Clark University, de Worcester, Massachusetts, convidou a Jung e a mim para participarmos das comemorações do vigésimo aniversário da fundação da Universidade, pronunciando uma série de conferências em alemão. Para nossa grande surpresa, verificamos que os membros daquela Universidade, especializada em educação e filosofia, pequena mas muito prestigiada, eram tão desprovidos de preconceitos, que estavam familiarizados com toda a literatura psicanalítica e a haviam incluído em suas aulas. Na América tão puritana foi possível, pelo menos nos círculos acadêmicos, debater livre e cientificamente tudo o que na vida comum é considerado censurável. As cinco conferências que improvisei em Worcester apareceram numa tradução inglesa no Americam Journal of Psychology [1910a], e foram pouco depois publicadas em alemão sob o título Uber Psychoanalyse. Jung leu um trabalho sobre experiências de associação no diagnóstico e outro sobre os conflitos da mente da criança. Fomos agraciados com o título honorário de Doutor em Leis. Durante aquela semana de comemorações em Worcester, a psicanálise foi representada por cinco pessoas: além de Jung e de mim, lá estava Ferenczi, que me acompanhou na viagem, Ernest Jones, então na Universidade de Toronto (Canadá) e agora em Londres, e A.A. Brill, que já exercia a psicanálise em Nova Iorque.
A relação pessoal mais importante que resultou da reunião em Worcester foi com James J. Putnam, Professor de Neuropatologia na Universidade de Harvard. Anos antes, revelara um ponto de vista desfavorável à psicanálise, mas tendo naquela ocasião se reconciliado rapidamente com ela passou a recomendá-la aos seus compatriotas e colegas numa série de conferências que eram tão ricas de conteúdo quanto brilhantes na forma. O prestígio que tinha em toda a América graças ao seu elevado caráter moral e inflexível amor à verdade, foi de grande valia para a psicanálise e a protegeu das denúncias, que muito provavelmente a teriam de outra forma aniquilado. Mais tarde, entregando-se demais à acentuada inclinação ética e filosófica de sua natureza, Putnam fez o que se me afigura uma exigência impossível - esperava que a psicanálise se colocasse a serviço de uma concepção filosófico-moral particular do Universo - mas continua a ser a coluna mestra da psicanálise em sua terra natal.
A difusão posterior do movimento deve muito a Brill e a Jones: em suas publicações chamaram a atenção de seus compatriotas, com incansável persistência, para os fatos fundamentais facilmente observáveis da vida cotidiana, dos sonhos e da neurose. Brill reforçou essa contribuição com sua atividade médica e com as traduções de minhas obras, e Jones com suas conferências instrutivas e seu talento para o debate nos congressos dos Estados Unidos. A ausência de uma tradição científica profundamente enraizada e a menor rigidez da autoridade oficial nos Estados Unidos foram uma vantagem decisiva para o impulso dado por Stanley Hall. Aquele país caracterizou-se, desde o início, pelo fato de diretores e superintendentes de hospitais de doentes mentais demonstrarem tanto interesse pela análise quanto os clínicos independentes. Mas, por isso mesmo, é evidente que teria de ser nos velhos centros de cultura, onde maior resistência foi revelada, que se iria travar a luta decisiva em favor da psicanálise.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a psicanálise nos Estados Unidos, Inglaterra, Índia, Canadá, Australásia e Chile teve sua difusão através da sua técnica inovadora e valor psicoterapêutico que se consolidava cada vez mais através do seu trabalho analítico e interpretativo.
Já na América do Norte a psicanálise foi acompanhada de homenagens muito especiais. No outono de 1909, Stanley Hall, Presidente da Clark University, de Worcester, Massachusetts, convidou a Jung e a mim para participarmos das comemorações do vigésimo aniversário da fundação da Universidade, pronunciando uma série de conferências em alemão. Para nossa grande surpresa, verificamos que os membros daquela Universidade, especializada em educação e filosofia, pequena mas muito prestigiada, eram tão desprovidos de preconceitos, que estavam familiarizados com toda a literatura psicanalítica e a haviam incluído em suas aulas. Fomos agraciados com o título honorário de Doutor em Leis. Durante aquela semana de comemorações em Worcester, a psicanálise foi representada por cinco pessoas: além de Jung e de mim, lá estava Ferenczi, que me acompanhou na viagem, Ernest Jones, então na Universidade de Toronto (Canadá) e agora em Londres, e A.A. Brill, que já exercia a psicanálise em Nova Iorque.
A relação pessoal mais importante que resultou da reunião em Worcester foi com James J. Putnam, Professor de Neuropatologia na Universidade de Harvard. Anos antes, revelara um ponto de vista desfavorável à psicanálise, mas tendo naquela ocasião se reconciliado rapidamente com ela passou a recomendá-la aos seus compatriotas e colegas numa série de conferências que eram tão ricas de conteúdo quanto brilhantes na forma. Putnam fez o que se me afigura uma exigência impossível - esperava que a psicanálise se colocasse a serviço de uma concepção filosófico-moral particular do Universo - mas continua a ser a coluna mestra da psicanálise em sua terra natal.
A difusão posterior do movimento deve muito a Brill e a Jones: em suas publicações chamaram a atenção de seus compatriotas, com incansável persistência, para os fatos fundamentais facilmente observáveis da vida cotidiana, dos sonhos e da neurose. Brill reforçou essa contribuição com sua atividade médica e com as traduções de minhas obras, e Jones com suas conferências instrutivas e seu talento para o debate nos congressos dos Estados Unidos. Aquele país caracterizou-se, desde o início, pelo fato de diretores e superintendentes de hospitais de doentes mentais demonstrarem tanto interesse pela análise quanto os clínicos independentes. Mas, por isso mesmo, é evidente que teria de ser nos velhos centros de cultura, onde maior resistência foi revelada, que se iria travar a luta decisiva em favor da psicanálise.
Mattanó aponta que a psicanálise nos Estados Unidos, Inglaterra, Índia, Canadá, Australásia e Chile teve sua difusão através da sua técnica inovadora e valor psicoterapêutico que se consolidava cada vez mais através do seu trabalho analítico e interpretativo. Vemos que a psicanálise foi se difundindo pelo mundo conforme ganhava adeptos e interesse, cada vez mais valor e estrutura teórica e prática, e adeptos, seguidores, estudiosos, pesquisadores, médicos e novos psicanalistas.
Já na América do Norte a psicanálise foi acompanhada de homenagens muito especiais. No outono de 1909, Stanley Hall, Presidente da Clark University, de Worcester, Massachusetts, convidou a Jung e a mim (Freud) para participarmos das comemorações do vigésimo aniversário da fundação da Universidade, pronunciando uma série de conferências em alemão. Para nossa grande surpresa, verificamos que os membros daquela Universidade, especializada em educação e filosofia, pequena mas muito prestigiada, eram tão desprovidos de preconceitos, que estavam familiarizados com toda a literatura psicanalítica e a haviam incluído em suas aulas. Fomos agraciados com o título honorário de Doutor em Leis. Durante aquela semana de comemorações em Worcester, a psicanálise foi representada por cinco pessoas: além de Jung e de mim, lá estava Ferenczi, que me acompanhou na viagem, Ernest Jones, então na Universidade de Toronto (Canadá) e agora em Londres, e A.A. Brill, que já exercia a psicanálise em Nova Iorque. Vemos que a psicanálise teve seus colaboradores como ingredientes fundamentais de sua receita de sucesso para que atraísse cada vez mais interessados e um público motivado pelos mesmos interesses científicos que os seus colaboradores, certamente para que fosse consumida de forma fácil e agradável, por meio de uma sedução ou argumentação e linguagem que visava atingir a vontade, criar certezas e buscar a adesão de mais participantes as suas propostas.
A relação pessoal mais importante que resultou da reunião em Worcester foi com James J. Putnam, Professor de Neuropatologia na Universidade de Harvard. Anos antes, revelara um ponto de vista desfavorável à psicanálise, mas tendo naquela ocasião se reconciliado rapidamente com ela passou a recomendá-la aos seus compatriotas e colegas numa série de conferências que eram tão ricas de conteúdo quanto brilhantes na forma. Putnam fez o que se me afigura uma exigência impossível - esperava que a psicanálise se colocasse a serviço de uma concepção filosófico-moral particular do Universo - mas continua a ser a coluna mestra da psicanálise em sua terra natal. Vemos que a psicanálise suscita novas teorias e epistemologias, novas formas de conhecimento como sugeriu James, J. Putnam colocando a psicanálise a serviço de uma concepção filosófico-moral particular do Universo.
A difusão posterior do movimento deve muito a Brill e a Jones: em suas publicações chamaram a atenção de seus compatriotas, com incansável persistência, para os fatos fundamentais facilmente observáveis da vida cotidiana, dos sonhos e da neurose. Brill reforçou essa contribuição com sua atividade médica e com as traduções de minhas obras, e Jones com suas conferências instrutivas e seu talento para o debate nos congressos dos Estados Unidos. Aquele país caracterizou-se, desde o início, pelo fato de diretores e superintendentes de hospitais de doentes mentais demonstrarem tanto interesse pela análise quanto os clínicos independentes. Mas, por isso mesmo, é evidente que teria de ser nos velhos centros de cultura, onde maior resistência foi revelada, que se iria travar a luta decisiva em favor da psicanálise. Vemos que grandes colaboradores de Freud o ajudaram com publicação sobre a vida cotidiana, os sonhos e a neurose, sendo que Brill reforçou sua contribuição com sua atividade médica e Jones o fez com conferências instrutivas e debates nos congressos dos Estados Unidos. Foi aqui que houve desde o início interesse de diretores e superintendentes de hospitais de doentes mentais pela análise psicanalítica, contudo foi nos velhos centros de cultura que a psicanálise travou sua maior batalha através do poder da resistência. Vemos que a psicanálise se descortinou assim como se descortina o próprio inconsciente pessoal e a partir daí inicia-se o seu trabalho ou desenvolvimento, com seus mecanismos que incluem o desejo, a fixação e a resistência, e o recalque que o estrutura como a uma linguagem com significados e sentidos, capaz de definir como se desenrola o complexo de Édipo, que ao meu ver apenas leva a identificação da criança com seu genitor do sexo oposto, excluindo o desejo sexual por ele, pois a criança não possui libido e nem caracteres sexuais desenvolvidos de um adolescente para poder manter relações sexuais, além de não possuir a malícia comportamental que se desenrola com o desejo inconsciente do indivíduo maior de 14 anos de idade. A criança menor de 14 anos de idade não faz equivalências de estímulos maliciosas e nem significa e dá sentido sexual para as suas representações, de modo que relações sexuais com menores de 14 anos de idade constituem crime de estupro de vulnerável, de abuso de incapazes, de violência sexual e de pedofilia.
MATTANÓ
(05/07/2025)
INTERVENÇÃO SOBRE A HIPEREROSIA OU IDEIA DA PULSÃO AUDITIVA E A LOUCURA (2025):
Para começarmos somente adoecemos quando nos deixamos controlar literalmente, por razões ou por controle, a respeito do S (estímulo) que passa a dominar a relação do organismo com o meio ambiente através do seu cérebro e da sua consciência e assim respondemos conforme as propriedades do estímulo construindo significados e sentidos a partir do estímulo que podem gerar uma despersonalização ou lavagem cerebral, pois o controle normal da funcionalidade se dá por meio das consequências, pois estas operam transformações na adaptação comportamental, fisiológica e morfológica do indivíduo, enquanto que por meio do estímulo a relação é respondente, mesmo quando tem de ser operante, isto confunde o comportamento, a consciência, a cultura, o conhecimento e a realidade desse indivíduo que passa a se comportar como um louco, insano, delirante, alucinado ou alienado e incapaz, enquanto que ele necessita apenas de treino comportamental para voltar a responder as suas cadeias comportamentais operantes e passar novamente a aprender como todo mundo.
MATTANÓ
(06/07/2025)
O PODER DO UNIVERSO (2025):
Quando falamos de sonhos falamos do inconsciente e se podemos investigá-los podemos ter acesso ao inconsciente e ter conhecimento se esse inconsciente está saudável ou doente; da mesma forma, quando falamos da consciência falamos da cultura, do conhecimento e da realidade e se podemos investigar tudo isso teremos acesso ao cérebro e as regiões que formam a consciência como o tronco cerebral o córtex cerebral e o tálamo, e poderemos deduzir conforme as características dessa consciência o que está saudável ou doente.
MATTANÓ
(06/07/2025)
HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2025):
Testemunho que meus sonhos são sempre muito inteligentes ou geniais, com conteúdos surpreendentes e por vezes invejáveis como Jesus Cristo e Nossa Senhora ou com soluções inteligentes em situações de perigo para a minha liberdade no mundo real como sonhar com uma mulher sedutora loira de cabelos cacheados toda nua me convidando para ela e eu lhe perguntando se ela não tinha dinheiro para comprar roupa, atualmente sou vítima de estupro virtual e já me convidaram para eu trabalhar de ¨estuprador¨ em 1999 de mulheres lindas da televisão como aquela que eu via em minha frente naquele sonho específico, então eu não aceitei e começou uma violência sem fim contra todo mundo depois que eu tentei me matar em 1999, meus sonhos também são traumáticos com cenas e significado e sentido de abuso sexual quando eu era menor de 14 anos de idade, ou seja, vítima de pedofilia e de estupro. E a minha consciência preserva essa inteligência e genialidade, pureza e ausência de malícia, em função dos eventos traumáticos que sobram em minha consciência, cultura, conhecimento e realidade que também são acompanhados de inteligência e genialidade e preservação do desenvolvimento cognitivo. Noutras palavras: se você quer investigar o inconsciente, você pode investigar os sonhos ou a vida onírica e se você quer investigar a consciência, você pode investigar a cultura, o conhecimento e a realidade ou a vida anímica, e a vida anímica contém conteúdos respondentes e operantes que devem ser bem cuidados e administrados, assim como a fala, a visão, a audição, a locomoção, o olfato, a gustação, pois interferem nos pensamentos e na consciência do indivíduo, reorganizando sua cultura, conhecimento e realidade, ou seja, conteúdos respondentes e conteúdos operantes não devem perder suas funções ou funcionalidade, pois quando o estímulo mantêm o comportamento a relação é respondente e quando a consequência mantêm o comportamento a relação é operante e de aprendizagem e isto o que mantêm o comportamento.
MATTANÓ
(06/07/2025)
Entre os países europeus, a França se tem mostrado até agora o menos receptivo à psicanálise, embora um trabalho de mérito em francês, de autoria de A. Maeder de Zurique, tenha facilitado o acesso às teorias psicanalíticas. Os primeiros sinais de simpatia partiram das províncias: Morichau-Beauchant (Pointers) foi o primeiro francês a aderir publicamente à psicanálise. Régis e Hesnard (Bordéus) recentemente [1914] tentaram diluir os preconceitos dos seus compatriotas contra as novas idéias com uma minuciosa exposição, a qual, entretanto, nem sempre denota compreensão, sobretudo no tocante ao simbolismo. Na própria Paris, ainda parece reinar a convicção (à qual o próprio Janet deu eloqüente expressão no Congresso de Londres em 1913) de que tudo de bom na psicanálise é repetição dos pontos de vista de Janet com insignificantes modificações, e o mais não presta. Nesse Congresso, na verdade, Janet teve de submeter-se a uma série de retificações feitas por Ernest Jones, que pôde assim fazê-lo ver seu conhecimento insuficiente do assunto . Mesmo discordando de suas pretensões, não podemos, entretanto, esquecer o valor de sua contribuição na psicologia das neuroses.
Na Itália, depois de inícios promissores, não surgiu nenhum interesse real. Quanto à Holanda, a análise logo teve ali o acesso facilitado pelas ligações pessoais com: Van Emden, Van Ophuijsen, Van Renterghem (Freud en zijn School) [1913] e os dois Stärckes que lá trabalham ativamente, ocupados tanto com a prática como com a teoria. Nos círculos científicos da Inglaterra o interesse pela psicanálise vem-se desenvolvendo muito lentamente, mas tudo leva a crer que o sentido prático dos ingleses e seu grande amor à justiça lhe assegurarão (à psicanálise) um brilhante futuro.
Na Suécia, P. Bjerre, sucessor da clínica de Wetterstrand, abandonou a sugestão hipnótica, pelo menos por algum tempo, em favor do tratamento analítico. R. Vogt (Cristânia) já havia demonstrado simpatia pela psicanálise em seu Psykiatriens grundtraek, publicado em 1907, de modo que o primeiro livro didático de psiquiatria a fazer referência à psicanálise foi escrito na Noruega. Na Rússia, a psicanálise tornou-se bastante conhecida e amplamente difundida; quase todas as minhas obras, assim como as de outros adeptos da análise, foram traduzidas para o russo. Mas uma compreensão verdadeiramente profunda das teorias analíticas ainda não se revelou na Rússia, de modo que as contribuicões de médicos russos até o momento não são muito importantes. O único médico com formação analítica naquele país é M. Wulff, que exerce a clínica em Odessa. A introdução da psicanálise nos círculos científicos e literários poloneses deve-se, sobretudo, a L. Jekels. Da Hungria, geograficamente tão perto da Áustria, e cientificamente tão distante, surgiu um único colaborador, S. Ferenczi, mas que, em compensação, vale por uma sociedade inteira.
Da posição da psicanálise na Alemanha, o que se pode dizer é que ela ocupa o ponto central dos debates científicos e provoca as mais enfáticas expressões de discordância tanto entre médicos como entre leigos; essas discussões ainda não terminaram, ao contrário, estão constantemente irrompendo de novo, por vezes, com intensidade ainda maior. Lá nenhuma instituição educacional reconheceu até agora a psicanálise. Clínicos bem-sucedidos que a empregam são poucos; só algumas instituições, como as de Binswanger em Kreuzlingen (solo suíço) e a de Marcinowski, no Holstein, lhe abriram as portas. Um dos mais ilustres representantes da análise, Karl Abraham, ex-assistente de Bleuler, afirma-se na atmosfera crítica de Berlim. Pode parecer estranho que esse estado de coisas continue inalterado por tantos anos se não se levar em conta que o relato aqui apresentado só representa os aspectos exteriores. Não se deve atribuir demasiada importância à rejeição dos representantes oficiais da ciência, e dos chefes de instituições e suas equipes de colaboradores. É natural que os adversários da psicanálise manifestem com veemência seus pontos de vista, enquanto seus adeptos intimidados mantêm silêncio. Alguns desses últimos, cujas primeiras contribuições à análise criaram expectativas favoráveis, ultimamente se retiraram do movimento sob a pressão das circunstâncias. O próprio movimento avança com segurança, embora em silêncio; vem constantemente ganhando novos adeptos entre psiquiatras e leigos, atrai um número cada vez maior de novos leitores para a literatura psicanalítica e, exatamente por esse motivo, obriga os adversários a esforços defensivos cada vez mais violentos. Pelo menos uma dúzia de vezes durante os últimos anos li em relatórios de congressos e de órgãos científicos, ou em resenhas críticas de certas publicações, que agora a psicanálise está morta, derrotada e eliminada de uma vez por todas. A melhor resposta a isso seria nos termos do telegrama de Mark Twain ao jornalista que publicou a notícia falsa de sua morte: “Informação sobre minha morte muito exagerada”. Depois de cada um desses obituários a psicanálise ganhava novos adeptos e colaboradores ou adquiria novos canais de publicidade. Afinal de contas, ser declarado morto é melhor do que ser enterrado em silêncio.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que entre os países europeus, a França se tem mostrado até agora o menos receptivo à psicanálise, embora um trabalho de mérito em francês, de autoria de A. Maeder de Zurique, tenha facilitado o acesso às teorias psicanalíticas. Os primeiros sinais de simpatia partiram das províncias: Morichau-Beauchant (Pointers) foi o primeiro francês a aderir publicamente à psicanálise. Régis e Hesnard (Bordéus) recentemente [1914] tentaram diluir os preconceitos dos seus compatriotas contra as novas idéias com uma minuciosa exposição, a qual, entretanto, nem sempre denota compreensão, sobretudo no tocante ao simbolismo.
Na Itália, depois de inícios promissores, não surgiu nenhum interesse real. Quanto à Holanda, a análise logo teve ali o acesso facilitado pelas ligações pessoais com: Van Emden, Van Ophuijsen, Van Renterghem (Freud en zijn School) [1913] e os dois Stärckes que lá trabalham ativamente, ocupados tanto com a prática como com a teoria. Nos círculos científicos da Inglaterra o interesse pela psicanálise vem-se desenvolvendo muito lentamente, mas tudo leva a crer que o sentido prático dos ingleses e seu grande amor à justiça lhe assegurarão (à psicanálise) um brilhante futuro.
Na Suécia, P. Bjerre, sucessor da clínica de Wetterstrand, abandonou a sugestão hipnótica, pelo menos por algum tempo, em favor do tratamento analítico. R. Vogt (Cristânia) já havia demonstrado simpatia pela psicanálise em seu Psykiatriens grundtraek, publicado em 1907, de modo que o primeiro livro didático de psiquiatria a fazer referência à psicanálise foi escrito na Noruega. Na Rússia, a psicanálise tornou-se bastante conhecida e amplamente difundida; quase todas as minhas obras, assim como as de outros adeptos da análise, foram traduzidas para o russo. Um dos mais ilustres representantes da análise, Karl Abraham, ex-assistente de Bleuler, afirma-se na atmosfera crítica de Berlim. O próprio movimento avança com segurança, embora em silêncio; vem constantemente ganhando novos adeptos entre psiquiatras e leigos, atrai um número cada vez maior de novos leitores para a literatura psicanalítica e, exatamente por esse motivo, obriga os adversários a esforços defensivos cada vez mais violentos. Pelo menos uma dúzia de vezes durante os últimos anos li em relatórios de congressos e de órgãos científicos, ou em resenhas críticas de certas publicações, que agora a psicanálise está morta, derrotada e eliminada de uma vez por todas. A melhor resposta a isso seria nos termos do telegrama de Mark Twain ao jornalista que publicou a notícia falsa de sua morte: “Informação sobre minha morte muito exagerada”. Depois de cada um desses obituários a psicanálise ganhava novos adeptos e colaboradores ou adquiria novos canais de publicidade. Afinal de contas, ser declarado morto é melhor do que ser enterrado em silêncio.
Mattanó aponta que entre os países europeus, a França se tem mostrado até agora o menos receptivo à psicanálise, embora um trabalho de mérito em francês, de autoria de A. Maeder de Zurique, tenha facilitado o acesso às teorias psicanalíticas. Os primeiros sinais de simpatia partiram das províncias: Morichau-Beauchant (Pointers) foi o primeiro francês a aderir publicamente à psicanálise. Régis e Hesnard (Bordéus) recentemente [1914] tentaram diluir os preconceitos dos seus compatriotas contra as novas idéias com uma minuciosa exposição, a qual, entretanto, nem sempre denota compreensão, sobretudo no tocante ao simbolismo. Vemos como a psicanálise gerou debates e discussões por onde se mostrou e se tornou receptiva as intenções de trabalho dos europeus que realizaram grandes feitos para a História da Psicanálise.
Na Itália, depois de inícios promissores, não surgiu nenhum interesse real. Quanto à Holanda, a análise logo teve ali o acesso facilitado pelas ligações pessoais com: Van Emden, Van Ophuijsen, Van Renterghem (Freud en zijn School) [1913] e os dois Stärckes que lá trabalham ativamente, ocupados tanto com a prática como com a teoria. Nos círculos científicos da Inglaterra o interesse pela psicanálise vem-se desenvolvendo muito lentamente, mas tudo leva a crer que o sentido prático dos ingleses e seu grande amor à justiça lhe assegurarão (à psicanálise) um brilhante futuro. Vemos que o desenvolvimento da psicanálise na Europa seguia os passos de cada país com sua própria vida institucional, educacional e trabalhista, neste caso voltada para a saúde e para as contribuições da psicanálise de Sigmund Freud que ¨vendia e emprestava¨ os seus significados e sentidos para seus pacientes e colaboradores.
Na Suécia, P. Bjerre, sucessor da clínica de Wetterstrand, abandonou a sugestão hipnótica, pelo menos por algum tempo, em favor do tratamento analítico. R. Vogt (Cristânia) já havia demonstrado simpatia pela psicanálise em seu Psykiatriens grundtraek, publicado em 1907, de modo que o primeiro livro didático de psiquiatria a fazer referência à psicanálise foi escrito na Noruega. Na Rússia, a psicanálise tornou-se bastante conhecida e amplamente difundida; quase todas as minhas obras, assim como as de outros adeptos da análise, foram traduzidas para o russo. Um dos mais ilustres representantes da análise, Karl Abraham, ex-assistente de Bleuler, afirma-se na atmosfera crítica de Berlim. O próprio movimento avança com segurança, embora em silêncio; vem constantemente ganhando novos adeptos entre psiquiatras e leigos, atrai um número cada vez maior de novos leitores para a literatura psicanalítica e, exatamente por esse motivo, obriga os adversários a esforços defensivos cada vez mais violentos. Pelo menos uma dúzia de vezes durante os últimos anos li em relatórios de congressos e de órgãos científicos, ou em resenhas críticas de certas publicações, que agora a psicanálise está morta, derrotada e eliminada de uma vez por todas. A melhor resposta a isso seria nos termos do telegrama de Mark Twain ao jornalista que publicou a notícia falsa de sua morte: “Informação sobre minha morte muito exagerada”. Depois de cada um desses obituários a psicanálise ganhava novos adeptos e colaboradores ou adquiria novos canais de publicidade. Afinal de contas, ser declarado morto é melhor do que ser enterrado em silêncio. Vemos como a psicanálise e a vida de Sigmund Freud desenvolveram atitudes, atividades, conhecimento, cultura, consciência e realidade, intelectualidade e afetividade entre os europeus que chegavam a declarar e a acreditar que Sigmund Freud e a sua psicanálise estavam mortas, mas esse tipo de evento verbal apenas aumentava a especulação acerca do valor e do interesse sobre Sigmund Freud e a sua psicanálise, tornando-os cada vez mais influentes e conhecidos devido a sua história bastante dramática e extraordinária, com grandes feitos e muita ousadia para a sua época, de modo a estabelecer jogos de significantes ou de significados e de sentidos para sua comunidade verbal que aprendia através da imitação, controle, atenção e discriminação os seus ensinamentos e valores e os reproduziam socialmente através do comportamento verbal, além das fronteiras de Sigmund Freud.
MATTANÓ
(07/07/2025)
Passo a passo com a expansão da psicanálise no espaço processou-se uma expansão no seu conteúdo; estendeu-se do campo das neuroses e da psiquiatria a outros campos do conhecimento. Não vou entrar em detalhes sobre esse aspecto de seu desenvolvimento visto que isso já foi muito bem feito por Rank e Sachs [1913] num volume (um dos Grenzfragen de Löwenfeld) que aborda, em minúcias, precisamente esse aspecto da pesquisa analítica. Além do mais, esse desenvolvimento está ainda na infância; pouco trabalho foi feito e ele consiste, em sua maior parte, em experiências apenas iniciadas e, de resto, em nada mais que planos. Nenhuma pessoa sensata verá nisso motivo de censura. Uma enorme massa de trabalho se apresenta a um pequeno número de trabalhadores, a maioria dos quais tem como ocupação principal outro tipo de atividade e só pode apresentar as qualificações de um amador em relação aos problemas técnicos dessas áreas da ciência, que desconhecem. Esses trabalhadores, procedentes da psicanálise, não fazem nenhum segredo de ser amadorismo. Sua finalidade é apenas servir de sinaleiros e de substitutos provisórios dos especialistas e pôr à disposição deles a técnica e os princípios analíticos até a época em que possam, os próprios especialistas, tomar a si o trabalho. Que os resultados alcançados não tenham deixado, apesar de tudo, de ser consideráveis, deve-se em parte à fertilidade do método analítico e, em parte, à circunstância de que já existem alguns pesquisadores não-médicos que fizeram da aplicação da psicanálise às ciências mentais sua profissão na vida.
A maior parte dessas aplicações da análise remonta, sem dúvida, a uma sugestão feita em minhas primeiras obras analíticas. O exame analítico de pessoas neuróticas e os sintomas neuróticos de pessoas normais me levaram a supor a existência de condições psicológicas que haveriam de ultrapassar a área do conhecimento na qual tinham sido descobertos. Sendo assim, a análise nos proporcionou não somente a explicação de manifestações patológicas, como revelou sua conexão com a vida mental normal e desvendou relações insuspeitadas entre a psiquiatria e as demais ciências que lidam com as atividades da mente. Certos sonhos típicos, por exemplo, ofereceram a explicação de alguns mitos e contos de fada. Riklin [1908] e Abraham [1909] seguiram essa pista e iniciaram as pesquisas dos mitos, que foram completadas de forma a atender às exigências, mesmo de padrões técnicos, nas obras de Rank sobre mitologia [p. ex. 1909, 1911b]. Investigações posteriores sobre o simbolismo dos sonhos levaram ao âmago dos problemas da mitologia, do folclore (Jones [p. ex. 1910 e 1912] e Storfer [1914]) e às abstrações da religião. Causou profunda impressão à audiência de um dos Congressos psicanalíticos a demonstração feita por um discípulo de Jung, da correspondência entre as fantasias esquizofrênicas e as cosmogonias dos tempos e raças primitivos. O material mitológico recebeu depois ulterior elaboração (que, embora discutível, não deixou de ser muito interessante) por parte de Jung, em obras que tentavam correlacionar as neuroses com fantasias religiosas e mitológicas.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que com a expansão da psicanálise no espaço processou-se uma expansão no seu conteúdo; estendeu-se do campo das neuroses e da psiquiatria a outros campos do conhecimento. Não vou entrar em detalhes sobre esse aspecto de seu desenvolvimento visto que isso já foi muito bem feito por Rank e Sachs [1913] num volume (um dos Grenzfragen de Löwenfeld) que aborda, em minúcias, precisamente esse aspecto da pesquisa analítica. Além do mais, esse desenvolvimento está ainda na infância; pouco trabalho foi feito e ele consiste, em sua maior parte, em experiências apenas iniciadas e, de resto, em nada mais que planos. Esses trabalhadores, procedentes da psicanálise, não fazem nenhum segredo de ser amadorismo. Sua finalidade é apenas servir de sinaleiros e de substitutos provisórios dos especialistas e pôr à disposição deles a técnica e os princípios analíticos até a época em que possam, os próprios especialistas, tomar a si o trabalho. Que os resultados alcançados não tenham deixado, apesar de tudo, de ser consideráveis, deve-se em parte à fertilidade do método analítico e, em parte, à circunstância de que já existem alguns pesquisadores não-médicos que fizeram da aplicação da psicanálise às ciências mentais sua profissão na vida.
A maior parte dessas aplicações da análise remonta, sem dúvida, a uma sugestão feita em minhas primeiras obras analíticas. O exame analítico de pessoas neuróticas e os sintomas neuróticos de pessoas normais me levaram a supor a existência de condições psicológicas que haveriam de ultrapassar a área do conhecimento na qual tinham sido descobertos. A vida mental normal acabou desvendando relações insuspeitadas entre a psiquiatria e as demais ciências que lidam com as atividades da mente. Certos sonhos típicos, por exemplo, ofereceram a explicação de alguns mitos e contos de fada. Riklin [1908] e Abraham [1909] seguiram essa pista e iniciaram as pesquisas dos mitos, que foram completadas de forma a atender às exigências, mesmo de padrões técnicos, nas obras de Rank sobre mitologia [p. ex. 1909, 1911b]. Investigações posteriores sobre o simbolismo dos sonhos levaram ao âmago dos problemas da mitologia, do folclore (Jones [p. ex. 1910 e 1912] e Storfer [1914]) e às abstrações da religião. Causou profunda impressão à audiência de um dos Congressos psicanalíticos a demonstração feita por um discípulo de Jung, da correspondência entre as fantasias esquizofrênicas e as cosmogonias dos tempos e raças primitivos. O material mitológico recebeu depois ulterior elaboração (que, embora discutível, não deixou de ser muito interessante) por parte de Jung, em obras que tentavam correlacionar as neuroses com fantasias religiosas e mitológicas.
Mattanó aponta que com a expansão da psicanálise no espaço processou-se uma expansão no seu conteúdo; estendeu-se do campo das neuroses e da psiquiatria a outros campos do conhecimento. Não vou entrar em detalhes sobre esse aspecto de seu desenvolvimento visto que isso já foi muito bem feito por Rank e Sachs [1913] num volume (um dos Grenzfragen de Löwenfeld) que aborda, em minúcias, precisamente esse aspecto da pesquisa analítica. Além do mais, esse desenvolvimento está ainda na infância; pouco trabalho foi feito e ele consiste, em sua maior parte, em experiências apenas iniciadas e, de resto, em nada mais que planos. Esses trabalhadores, procedentes da psicanálise, não fazem nenhum segredo de ser amadorismo. Sua finalidade é apenas servir de sinaleiros e de substitutos provisórios dos especialistas e pôr à disposição deles a técnica e os princípios analíticos até a época em que possam, os próprios especialistas, tomar a si o trabalho. Que os resultados alcançados não tenham deixado, apesar de tudo, de ser consideráveis, deve-se em parte à fertilidade do método analítico e, em parte, à circunstância de que já existem alguns pesquisadores não-médicos que fizeram da aplicação da psicanálise às ciências mentais sua profissão na vida. Vemos como a psicanálise se expandiu e se desenvolveu com o ingresso da pesquisa analítica realizada por pesquisadores não-médicos, amadores, que aplicaram a psicanálise às ciências mentais e à sua profissão de vida, de modo a ampliar e expandir a rede de relações que sustentavam o significado e o sentido da psicanálise naquela época e naquele período de sua História.
A maior parte dessas aplicações da análise remonta, sem dúvida, a uma sugestão feita em minhas primeiras obras analíticas. O exame analítico de pessoas neuróticas e os sintomas neuróticos de pessoas normais me levaram a supor a existência de condições psicológicas que haveriam de ultrapassar a área do conhecimento na qual tinham sido descobertos. A vida mental normal acabou desvendando relações insuspeitadas entre a psiquiatria e as demais ciências que lidam com as atividades da mente. Certos sonhos típicos, por exemplo, ofereceram a explicação de alguns mitos e contos de fada. Riklin [1908] e Abraham [1909] seguiram essa pista e iniciaram as pesquisas dos mitos, que foram completadas de forma a atender às exigências, mesmo de padrões técnicos, nas obras de Rank sobre mitologia [p. ex. 1909, 1911b]. Investigações posteriores sobre o simbolismo dos sonhos levaram ao âmago dos problemas da mitologia, do folclore (Jones [p. ex. 1910 e 1912] e Storfer [1914]) e às abstrações da religião. Causou profunda impressão à audiência de um dos Congressos psicanalíticos a demonstração feita por um discípulo de Jung, da correspondência entre as fantasias esquizofrênicas e as cosmogonias dos tempos e raças primitivos. O material mitológico recebeu depois ulterior elaboração (que, embora discutível, não deixou de ser muito interessante) por parte de Jung, em obras que tentavam correlacionar as neuroses com fantasias religiosas e mitológicas. Vemos como a psicanálise desencadeou o estudo e o desenvolvimento de teorias acerca das ciências que lidam com a atividade da mente, dentre elas, os sonhos que ofereciam repertório analítico acerca dos mitos e dos contos de fada, contribuindo para o estudo da mitologia, do folclore e das abstrações da religião. Fornamaram-se e organizaram-se Congressos psicanalíticos onde um dos discípulos de Jung demonstrou a correspondência entre as fantasias esquizofrênicas e as cosmogonias dos tempos e raças primitivas. Jung tentou relacionar posteriormente as neuroses com as fantasias religiosas e mitológicas.
Mattanó em suas Novas Teorias e Epistemologias aborda o tema da psicanálise e da psicologia analítica, constantemente em seus livros, oferecendo um repertório analítico sobre as fantasias esquizofrênicas e as cosmogonias dos tempos e das raças primitivas através da sua análise mitológica, religiosa, arqueológica e ufológica.
MATTANÓ
(09/07/2025)
A partir da investigação dos sonhos, uma outra pista nos levou à análise de obras de imaginação e por fim à análise de seus criadores - os escritores e artistas. Ainda numa fase inicial, descobriu-se que os sonhos inventados por escritores muitas vezes prestam-se à análise da mesma forma que os sonhos verdadeiros (cf. Gradiva [1907a]). A concepção da atividade mental inconsciente possibilitou fazer-se uma idéia preliminar da natureza da atividade criadora na literatura de imaginação, e a compreensão, adquirida no estudo dos neuróticos, do papel desempenhado pelos impulsos instintivos nos permitiu descobrir as fontes da produção artística e nos colocou face a dois problemas: como o artista reage a essa instigação e quais os meios que ele emprega para disfarçar suas reações. A maioria dos analistas que têm interesses gerais já contribuíram com algo para a solução desses problemas, que são os mais fascinantes das aplicações possíveis da psicanálise. Naturalmente, aqui também não faltou a hostilidade da parte de pessoas que nada sabiam da psicanálise, apresentando as mesmas manifestações que ocorreram no campo original da pesquisa psicanalítica - as mesmas concepções errôneas e rejeições veementes. Era de esperar-se desde o início que, quaisquer que fossem as regiões em que a psicanálise penetrasse, ela teria inevitavelmente de enfrentar as mesmas lutas com os donos do campo. Alguns setores, entretanto, ainda não tiveram sua atenção despertada para essas tentativas de invasão que os aguardam no futuro. Entre as aplicações rigorosamente científicas da análise à literatura, o exaustivo trabalho de Rank sobre o tema do incesto [1912] é certamente o mais importante. O assunto está fadado a despertar a maior impopularidade. Até agora tem sido pouco o trabalho de aplicação da psicanálise às ciências da linguagem e da história. Eu próprio me aventurei a abordar pela primeira vez os problemas colocados pela psicologia da religião traçando um paralelo entre o ritual religioso e os cerimoniais dos neuróticos (1907b). O Dr. Pfister, pastor em Zurique, remontou a origem do fanatismo religioso às perversões eróticas, em seu livro sobre a devoção do Conde von Zinzendorf [1910], bem como em outras contribuições. Nas últimas obras da escola de Zurique, entretanto, constatamos a presença de idéias religiosas na análise em lugar do resultado oposto que estivera em vista.
Nos quatro ensaios intitulados Totem e Tabu [1912-13] tentei examinar os problemas de antropologia social à luz da psicanálise; esta linha de investigação leva diretamente às origens das instituições mais importantes de nossa civilização - da estrutura do Estado, da moralidade e da religião - e, além disso, da proibição contra o incesto e da consciência. Sem dúvida, ainda é muito cedo para saber até que ponto essas conclusões poderão resistir à crítica.
O primeiro exemplo de uma aplicação da modalidade analítica de pensamento aos problemas da estética estava contido em meu livro sobre chistes [1905c]. Afora isso, tudo está ainda aguardando trabalhadores, que podem esperar uma colheita particularmente rica neste campo. Ressentimo-nos da ausência absoluta de colaboradores especializados em todos esses ramos do conhecimento, e com o fim de atraí-los, Hanns Sachs fundou, em 1912, o periódico Imago editado por ele e Rank. Hitschmann e von Winterstein deram um primeiro passo, examinando sob o ângulo psicanalítico sistemas filosóficos e a personalidade de seus autores: nesse campo há grande necessidade de uma investigação mais ampla e profunda.
As descobertas revolucionárias da psicanálise no tocante à vida mental das crianças - o papel nela desempenhado pelos impulsos sexuais (von Hug-Hellmuth [1913]) e o destino daqueles componentes da sexualidade inúteis para a reprodução - necessariamente cedo fariam a atenção voltar-se para a educação e promoveriam tentativas de colocar os pontos de vista analíticos na vanguarda desse campo de trabalho. Deve-se ao Dr. Pfister ter iniciado, com verdadeiro entusiasmo, a aplicação da psicanálise nessa direção e ter chamado para ela as atenções de clérigos e de interessados em educação. (Cf. The Psycho-Analytic Method, 1913). Conseguiu granjear a simpatia e a participação de grande número de professores suíços. Diz-se que outros colegas de profissão compartilham de seus pontos de vista mas preferem manter-se cautelosamente em segundo plano. Uma parte dos psicanalistas de Viena que se afastaram da psicanálise parece ter chegado a uma espécie de combinação de medicina com educação.
Com este esboço incompleto tentei dar uma idéia da riqueza ainda incalculável de conexões que surgiram entre a psicanálise médica e outros campos da ciência. Existe aí material de trabalho para uma geração de pesquisadores, e não duvido de que ele será realizado tão logo as resistências contra a psicanálise sejam superadas em seu campo de origem.
Escrever a história dessas resistências seria, creio eu, infrutífero e inoportuno, no momento. A história não é muito lisonjeira para os homens de ciência dos nossos dias. Mas devo logo acrescentar que jamais me ocorreu menosprezar os adversários da psicanálise simplesmente por serem adversários - exceção feita aos poucos indivíduos indignos, aos aventureiros e aproveitadores, que sempre aparecem em ambos os lados nos tempos de guerra. Sabia muito bem como explicar o comportamento desses antagonistas e, além disso, aprendera que a psicanálise traz à tona o que há de pior nas pessoas. Mas resolvera não dar resposta aos meus adversários e, na medida de minha influência, evitar que outros se envolvessem em polêmicas. Tendo em vista a peculiaridade da controvérsia sobre a psicanálise, pareceu-me bem pouco provável que o debate público ou por escrito levasse a alguma coisa; já sabia o caminho a ser seguido pela maioria em congressos e reuniões e nunca fiz muita fé na razoabilidade e educação dos cavalheiros que a mim se opunham. A experiência demonstra que apenas pouquíssimas pessoas conseguem manter a linha - para não falar na objetividade - numa discussão científica, e a impressão que me causam essas brigas científicas sempre foi odiosa. Essa minha atitude talvez tenha sido mal interpretada; talvez me tenham julgado de tão boa natureza ou tão facilmente intimidável que não havia necessidade de se ter consideração por mim. Isso era um engano; posso insultar e me enfurecer tanto quanto qualquer um; mas não tenho a arte de expressar essas emoções subjacentes de forma publicável e, por isso, prefiro abster-me por completo.
Sob certos aspectos talvez tivesse sido melhor que eu houvesse dado livre curso a minhas próprias paixões e às dos que me cercavam. Todos já ouvimos falar da interessante tentativa de explicar a psicanálise como um produto do ambiente de Viena. Janet não se acanhou de utilizar esse argumento, já agora em 1913, embora ele próprio com certeza se orgulhe de ser parisiense, e Paris não possa ser considerada uma cidade de moral mais rigorosa que Viena. Segundo essa teoria, a psicanálise, e em particular a idéia de que as neuroses decorrem de perturbações da vida sexual, só poderia ter surgido numa cidade como Viena - de uma atmosfera de sensualidade e imoralidades estranhas a outras cidades - não passando de um reflexo, uma projeção teórica por assim dizer, dessas condições peculiares a Viena. Ora, não sou nenhum bairrista; mas essa teoria, me parece de um absurdo fora do comum - tão absurda mesmo, que às vezes me sinto inclinado a supor que me acusarem de ser vienense é apenas um substitutivo eufemístico de outra acusação que ninguém ousa fazer abertamente. Se as premissas nas quais se baseia o argumento fossem o oposto do que são, então talvez valesse a pena dar-lhes ouvido. Se houvesse uma cidade na qual os habitantes se impusessem restrições excepcionais no tocante à satisfação sexual, e ao mesmo tempo revelassem acentuada tendência a graves perturbações neuróticas, essa cidade poderia por certo dar margem, na mente de um observador, à idéia de que as duas circunstâncias tinham alguma relação entre si, e que uma dependia da outra. Mas nenhuma dessas duas circunstâncias se aplica a Viena. Os vienenses não são mais abstinentes nem mais neuróticos do que os habitantes de qualquer outra capital. Existe um pouco menos de constrangimento - menos pudicícia - em relação a sexo do que nas cidades do oeste e do norte que tanto se orgulham de sua castidade. Essas características peculiares de Viena serviriam mais provavelmente para desorientar o observador do que para esclarecê-lo quanto à acusação das neuroses.
No entanto, Viena tem feito o possível para negar sua participação na gênese da psicanálise. Em nenhum outro lugar, a indiferença hostil da parte erudita e educada da população para com o analista é tão evidente como em Viena.
Pode ser que minha política de evitar ampla publicidade seja, em parte, responsável por isso. Se eu tivesse incentivado ou permitido tempestuosos debates com as sociedades médicas de Viena sobre a psicanálise, talvez eles tivessem servido para descarregar todas as paixões e para dar livre curso a todas as injúrias e ofensas que estavam na língua ou no coração dos nossos adversários - daí, talvez, o anátema contra a psicanálise tivesse sido superado e ela agora não fosse mais uma estranha em sua cidade natal. Aliás, o poeta deve estar com a razão quando faz Wallestein dizer:
Doch das vergeben mir die Wiener nicht,
dass ich um ein Spektakel sie betrog.
A tarefa que estava acima da minha capacidade de fazer ver os adversários da psicanálise suaviter in modo sua injustiça e arbitrariedade - foi realizada com grande habilidade por Bleuler num artigo escrito em 1910, “A Psicanálise de Freud: Uma Defesa e Algumas Observações Críticas”. Seria mais do que natural meu elogio a esse trabalho (que faz críticas a ambos os lados); por isso apresso-me em apontar nele as coisas das quais discordo. Acho que ainda é parcial, ou seja, complacente demais com os defeitos dos inimigos da psicanálise e muito rigoroso com as falhas de seus partidários. Essa característica do artigo talvez explique por que o parecer público de um psiquiatra de tamanha reputação, de capacidade e independência tão indiscutíveis, não teve uma influência maior sobre seus colegas. Não deveria surpreender ao autor de Affectivit (Afetividade) (1906) que a influência de uma obra seja determinada não pelo peso dos argumentos, mas pelo tom emocional da obra. Outra parte de sua influência - esta sobre os seguidores da psicanálise - foi destruída posteriormente pelo próprio Bleuler, quando em 1913 mostrou o lado oposto de sua atitude para com a psicanálise no seu “Criticism of the Freudian Theory” (“Crítica da Teoria Freudiana”). Nesse artigo, ele abala tanto a estrutura da teoria psicanalítica que nossos adversários devem ter ficado satisfeitos com a ajuda que lhes foi dada por esse defensor da psicanálise. Esses julgamentos contrários de Bleuler, entretanto, não se baseiam em novos argumentos ou melhores observações e sim na insuficiência de seus próprios conhecimentos, a qual ele não mais admite, como o fez em suas primeiras obras. Parecia, portanto, que uma perda quase irreparável ameaçava a psicanálise. Mas em sua última publicação, “Criticisms of my Schizophrenia” (“Críticas ao meu livro Esquizofrenia”) (1914), Bleuler reúne suas forças em face dos ataques feitos contra ele por haver introduzido a psicanálise em seu livro sobre esquizofrenia, e faz o que ele próprio denomina de uma “afirmação pretensiosa”. “Mas agora farei uma afirmação pretensiosa: considero que até o momento as várias escolas de psicologia contribuíram muito pouco para a explicação da natureza das doenças e sintomas psicogênicos, mas que a psicologia profunda tem algo a oferecer a uma psicologia ainda por nascer, da qual precisam os médicos para poderem compreender seus pacientes e curá-los racionalmente; e creio mesmo que em minha Schizophrenia dei um passo, ainda que muito pequeno, no sentido dessa compreensão. As duas primeiras afirmações por certo são corretas; a última talvez esteja errada.”
Visto que por “psicologia profunda” ele não quer dizer outra coisa senão psicanálise, podemos por enquanto contentar-nos com esse reconhecimento.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a partir da investigação dos sonhos, uma outra pista nos levou à análise de obras de imaginação e por fim à análise de seus criadores - os escritores e artistas. Ainda numa fase inicial, descobriu-se que os sonhos inventados por escritores muitas vezes prestam-se à análise da mesma forma que os sonhos verdadeiros (cf. Gradiva [1907a]). A concepção da atividade mental inconsciente possibilitou fazer-se uma idéia preliminar da natureza da atividade criadora na literatura de imaginação, e a compreensão, adquirida no estudo dos neuróticos, do papel desempenhado pelos impulsos instintivos nos permitiu descobrir as fontes da produção artística e nos colocou face a dois problemas: como o artista reage a essa instigação e quais os meios que ele emprega para disfarçar suas reações. Entre as aplicações rigorosamente científicas da análise à literatura, o exaustivo trabalho de Rank sobre o tema do incesto [1912] é certamente o mais importante. O assunto está fadado a despertar a maior impopularidade. Até agora tem sido pouco o trabalho de aplicação da psicanálise às ciências da linguagem e da história. Eu próprio me aventurei a abordar pela primeira vez os problemas colocados pela psicologia da religião traçando um paralelo entre o ritual religioso e os cerimoniais dos neuróticos (1907b). O Dr. Pfister, pastor em Zurique, remontou a origem do fanatismo religioso às perversões eróticas, em seu livro sobre a devoção do Conde von Zinzendorf [1910], bem como em outras contribuições. Nas últimas obras da escola de Zurique, entretanto, constatamos a presença de idéias religiosas na análise em lugar do resultado oposto que estivera em vista.
Nos quatro ensaios intitulados Totem e Tabu [1912-13] tentei examinar os problemas de antropologia social à luz da psicanálise; esta linha de investigação leva diretamente às origens das instituições mais importantes de nossa civilização - da estrutura do Estado, da moralidade e da religião - e, além disso, da proibição contra o incesto e da consciência.
O primeiro exemplo de uma aplicação da modalidade analítica de pensamento aos problemas da estética estava contido em meu livro sobre chistes [1905c]
.As descobertas revolucionárias da psicanálise no tocante à vida mental das crianças - o papel nela desempenhado pelos impulsos sexuais (von Hug-Hellmuth [1913]) e o destino daqueles componentes da sexualidade inúteis para a reprodução - necessariamente cedo fariam a atenção voltar-se para a educação e promoveriam tentativas de colocar os pontos de vista analíticos na vanguarda desse campo de trabalho. Deve-se ao Dr. Pfister ter iniciado, com verdadeiro entusiasmo, a aplicação da psicanálise nessa direção e ter chamado para ela as atenções de clérigos e de interessados em educação. (Cf. The Psycho-Analytic Method, 1913). Conseguiu granjear a simpatia e a participação de grande número de professores suíços.
Com este esboço incompleto tentei dar uma idéia da riqueza ainda incalculável de conexões que surgiram entre a psicanálise médica e outros campos da ciência. Existe aí material de trabalho para uma geração de pesquisadores, e não duvido de que ele será realizado tão logo as resistências contra a psicanálise sejam superadas em seu campo de origem.
Outra parte de sua influência - esta sobre os seguidores da psicanálise - foi destruída posteriormente pelo próprio Bleuler, quando em 1913 mostrou o lado oposto de sua atitude para com a psicanálise no seu “Criticism of the Freudian Theory” (“Crítica da Teoria Freudiana”). Nesse artigo, ele abala tanto a estrutura da teoria psicanalítica que nossos adversários devem ter ficado satisfeitos com a ajuda que lhes foi dada por esse defensor da psicanálise. Esses julgamentos contrários de Bleuler, entretanto, não se baseiam em novos argumentos ou melhores observações e sim na insuficiência de seus próprios conhecimentos, a qual ele não mais admite, como o fez em suas primeiras obras. Parecia, portanto, que uma perda quase irreparável ameaçava a psicanálise. Mas em sua última publicação, “Criticisms of my Schizophrenia” (“Críticas ao meu livro Esquizofrenia”) (1914), Bleuler reúne suas forças em face dos ataques feitos contra ele por haver introduzido a psicanálise em seu livro sobre esquizofrenia, e faz o que ele próprio denomina de uma “afirmação pretensiosa”. “Mas agora farei uma afirmação pretensiosa: considero que até o momento as várias escolas de psicologia contribuíram muito pouco para a explicação da natureza das doenças e sintomas psicogênicos, mas que a psicologia profunda tem algo a oferecer a uma psicologia ainda por nascer, da qual precisam os médicos para poderem compreender seus pacientes e curá-los racionalmente; e creio mesmo que em minha Schizophrenia dei um passo, ainda que muito pequeno, no sentido dessa compreensão. As duas primeiras afirmações por certo são corretas; a última talvez esteja errada.”
Visto que por “psicologia profunda” ele não quer dizer outra coisa senão psicanálise, podemos por enquanto contentar-nos com esse reconhecimento.
Mattanó aponta que a partir da investigação dos sonhos, uma outra pista nos levou à análise de obras de imaginação e por fim à análise de seus criadores - os escritores e artistas. Ainda numa fase inicial, descobriu-se que os sonhos inventados por escritores muitas vezes prestam-se à análise da mesma forma que os sonhos verdadeiros (cf. Gradiva [1907a]). A concepção da atividade mental inconsciente possibilitou fazer-se uma idéia preliminar da natureza da atividade criadora na literatura de imaginação, e a compreensão, adquirida no estudo dos neuróticos, do papel desempenhado pelos impulsos instintivos nos permitiu descobrir as fontes da produção artística e nos colocou face a dois problemas: como o artista reage a essa instigação e quais os meios que ele emprega para disfarçar suas reações. Entre as aplicações rigorosamente científicas da análise à literatura, o exaustivo trabalho de Rank sobre o tema do incesto [1912] é certamente o mais importante. O assunto está fadado a despertar a maior impopularidade. Até agora tem sido pouco o trabalho de aplicação da psicanálise às ciências da linguagem e da história. Eu próprio me aventurei a abordar pela primeira vez os problemas colocados pela psicologia da religião traçando um paralelo entre o ritual religioso e os cerimoniais dos neuróticos (1907b). O Dr. Pfister, pastor em Zurique, remontou a origem do fanatismo religioso às perversões eróticas, em seu livro sobre a devoção do Conde von Zinzendorf [1910], bem como em outras contribuições. Nas últimas obras da escola de Zurique, entretanto, constatamos a presença de idéias religiosas na análise em lugar do resultado oposto que estivera em vista. Vemos que a psicanálise a partir da investigação dos sonhos conseguiu analisar as obras da imaginação, dos seus criadores, escritores e artistas, pois fora percebido que os sonhos inventados por escritores tem as mesmas propriedades analíticas que os sonhos verdadeiros, assim a atividade criadora na literatura de imaginação abriu dois caminhos: como o artista reage a essa instigação e quais os meios que ele emprega para disfarçar suas reações. Rank aplicou esse conhecimento ao tema do incesto e Freud traçou um paralelo entre a psicologia da religião e o ritual religioso e os cerimoniais dos neuróticos, gerando debates, pesquisas e discussões sobre o assunto, de modo a ampliar a cadeia de significados e de sentidos sobre o tema.
Nos quatro ensaios intitulados Totem e Tabu [1912-13] tentei examinar os problemas de antropologia social à luz da psicanálise; esta linha de investigação leva diretamente às origens das instituições mais importantes de nossa civilização - da estrutura do Estado, da moralidade e da religião - e, além disso, da proibição contra o incesto e da consciência. Vemos que Freud estudou a formação das instituições mais importantes de nossa civilização através da estrutura do Estado, da moralidade e da religião, em ensaios sobre totens e tabus, uma investigação científica, antropológica social à luz da psicanálise que assim gerou e aperfeiçoou um conjunto de significados e de sentidos que se relacionam se deslocando numa rede de relações onde prevalecem as fixações construídas a partir das condensações inconscientes, fenômeno que pode gerar o comportamento, o niilismo, as relações sociais, a Gestalt e os insights.
O primeiro exemplo de uma aplicação da modalidade analítica de pensamento aos problemas da estética estava contido em meu livro sobre chistes [1905c]. Vemos aqui como a análise do pensamento dirigida à estética pode selecionar o comportamento chistoso através do absurdo e do contraditório que numa abreviação produz uma mensagem.
.As descobertas revolucionárias da psicanálise no tocante à vida mental das crianças - o papel nela desempenhado pelos impulsos sexuais (von Hug-Hellmuth [1913]) e o destino daqueles componentes da sexualidade inúteis para a reprodução - necessariamente cedo fariam a atenção voltar-se para a educação e promoveriam tentativas de colocar os pontos de vista analíticos na vanguarda desse campo de trabalho. Deve-se ao Dr. Pfister ter iniciado, com verdadeiro entusiasmo, a aplicação da psicanálise nessa direção e ter chamado para ela as atenções de clérigos e de interessados em educação. (Cf. The Psycho-Analytic Method, 1913). Conseguiu granjear a simpatia e a participação de grande número de professores suíços. Vemos como a psicanálise motivou o estudo, as pesquisas e o tratamento de doentes sugerindo haver uma sexualidade infantil como motivo de suas neuroses, e como ela influenciou os clérigos interessados em educação, certamente em função de sua argumentação e linguagem, de sua produção de significados e de sentidos, por alcançar a vontade e o desejo do decodificador da sua mensagem.
Com este esboço incompleto tentei dar uma idéia da riqueza ainda incalculável de conexões que surgiram entre a psicanálise médica e outros campos da ciência. Existe aí material de trabalho para uma geração de pesquisadores, e não duvido de que ele será realizado tão logo as resistências contra a psicanálise sejam superadas em seu campo de origem. Vemos como Freud definiu o começo dos seus trabalhos e sonhos, dos seus projetos e serviços, de suas investigações e pesquisas e que ele nomeava de resistências a incapacidade do outro de aceitá-las, compreendê-las e tolerá-las, porém previa que num dado momento essas resistências seriam superadas como qualquer outra na vida psíquica de um indivíduo.
Outra parte de sua influência - esta sobre os seguidores da psicanálise - foi destruída posteriormente pelo próprio Bleuler, quando em 1913 mostrou o lado oposto de sua atitude para com a psicanálise no seu “Criticism of the Freudian Theory” (“Crítica da Teoria Freudiana”). Nesse artigo, ele abala tanto a estrutura da teoria psicanalítica que nossos adversários devem ter ficado satisfeitos com a ajuda que lhes foi dada por esse defensor da psicanálise. Esses julgamentos contrários de Bleuler, entretanto, não se baseiam em novos argumentos ou melhores observações e sim na insuficiência de seus próprios conhecimentos, a qual ele não mais admite, como o fez em suas primeiras obras. Parecia, portanto, que uma perda quase irreparável ameaçava a psicanálise. Mas em sua última publicação, “Criticisms of my Schizophrenia” (“Críticas ao meu livro Esquizofrenia”) (1914), Bleuler reúne suas forças em face dos ataques feitos contra ele por haver introduzido a psicanálise em seu livro sobre esquizofrenia, e faz o que ele próprio denomina de uma “afirmação pretensiosa”. “Mas agora farei uma afirmação pretensiosa: considero que até o momento as várias escolas de psicologia contribuíram muito pouco para a explicação da natureza das doenças e sintomas psicogênicos, mas que a psicologia profunda tem algo a oferecer a uma psicologia ainda por nascer, da qual precisam os médicos para poderem compreender seus pacientes e curá-los racionalmente; e creio mesmo que em minha Schizophrenia dei um passo, ainda que muito pequeno, no sentido dessa compreensão. As duas primeiras afirmações por certo são corretas; a última talvez esteja errada.” Vemos também como surgiram desistências e novos adversários à psicanálise de Freud, como Bleuler, que através da sua resistência inconsciente acabou desistindo da psicanálise, por não ter repertório comportamental para acompanhá-la, ou seja, insuficiência de conhecimentos, que ele mesmo não admitia, causando uma perda quase irreparável que ameaçava a psicanálise, tanto por ser um colaborador e uma testemunha ocular de sua gênese e desenvolvimento como por ser um amigo pessoal de Freud que o instigou e o ajudou desde o começo da psicanálise.
Visto que por “psicologia profunda” ele não quer dizer outra coisa senão psicanálise, podemos por enquanto contentar-nos com esse reconhecimento. Vemos que a psicanálise começou a adquirir apelidos ou outros nomes substitutivos como este, ¨psicologia profunda¨, que tinha por função ampliar o seu interesse e reconhecimento, construindo uma constelação de significados e de sentidos que você poderia observar e se orientar se lembrando e se orientando diante da escuridão do seu inconsciente e da sua mente que pouco sabia nomear seu próprio repertório comportamental que ficava num céu escuro cheio de estrelas, das quais você tinha que se orientar por meio do seu interesse, motivação, habilidades, atenção e intenções, tempo e eternidade, ou seja, através da sua consciência que selecionava a estrela guia e formava um mapa para você seguir em seu cérebro com uma topografia visual e acústica virtuais, como se você tivesse um holofote que iluminasse o céu escuro cheio de estrelas até encontrá-las e produzir um significado e um sentido, ou uma resposta sensório-motora através da imitação, do controle, da atenção e da discriminação.
MATTANÓ
(12/07/2025)
lII
Mach es kurz!
Am Jüngsten Tag ist’s nur ein Furz!
GOETHE
Dois anos depois do primeiro Congresso privado de psicanálise, realizou-se o segundo, dessa vez em Nuremberg, em março de 1910. No intervalo entre os dois, influenciado em parte pela boa receptividade obtida nos Estados Unidos, pela hostilidade cada vez maior nos países de língua alemã e pelo inesperado apoio da escola de Zurique, fiz um projeto que, com a ajuda de meu amigo Ferenczi, realizei nesse segundo Congresso. O que tinha em mente era organizar o movimento psicanalítico, transferir o seu centro para Zurique e dotá-lo de um chefe que cuidasse de seu futuro. Como esse esquema encontrou muita oposição entre os partidários da psicanálise, apresentarei, em detalhes, os motivos que me levaram a formulá-lo. Espero que esses motivos me justifiquem, muito embora reconheça que o que fiz não foi, na verdade, muito prudente.
Achava que a localização do novo movimento em Viena longe de servir-lhe de recomendação, muito pelo contrário, o comprometia. Um lugar como Zurique, no coração da Europa, onde um professor universitário havia aberto as portas de sua instituição à psicanálise, parecia-me muito mais promissor. Via também uma segunda desvantagem em minha própria pessoa, sobre a qual era difícil formar uma opinião por causa das manifestações de admiração e de ódio provenientes das diferentes facções: ou era um comparado a Colombo Darwin e Kepler ou taxado de PGP (paralisia geral progressiva). Desejei, portanto, retirar para o segundo plano tanto a mim como à cidade onde nasceu a psicanálise. Além disso, eu já não era jovem; vi que havia uma longa estrada à frente, e me oprimia a idéia de que o dever de ser um líder tivesse recaído em mim tão tarde na vida. Sentia, porém, que deveria haver alguém na liderança. Conhecia muito bem as armadilhas que aguardam quem quer que comece a exercer a psicanálise e esperava poder evitá-las delegando poderes a uma autoridade que estivesse preparada para aconselhar e orientar. Essa posição, que fora de início ocupada por mim, dado o meu acerto de quinze anos de experiências, devia ser agora transferida para um homem mais jovem, que então, naturalmente, ocuparia meu lugar após a minha morte. Esse homem só poderia ser C. G. Jung, uma vez que Bleuler era de minha própria geração; tinha a seu favor dotes excepcionais, as contribuições que já prestara à psicanálise, sua posição independente e a impressão de firme energia que sua personalidade transmitia. Além disso, parecia estar disposto a entrar num bom relacionamento pessoal comigo e, em consideração a mim, a abrir mão de certos preconceitos raciais que alimentara anteriormente. Eu não tinha, na ocasião, a menor idéia de que apesar de todas essas vantagens a escolha era a mais infeliz possível, que eu havia escolhido uma pessoa incapaz de tolerar a autoridade de outra, mais incapaz ainda de exercê-la ele próprio, e cujas energias se voltavam inteiramente para a promoção de seus próprios interesses.
Julguei necessário formar uma associação oficial porque temia os abusos a que a psicanálise estaria sujeita logo que se tornasse popular. Deveria haver alguma sede cuja função seria declarar: “Todas essas tolices nada têm que ver com a análise; isto não é psicanálise”. Nas sessões dos grupos locais (que reunidos constituíram a associação internacional) seria ensinada a prática da psicanálise e seriam preparados médicos, cujas atividades recebiam assim uma espécie de garantia. Além disso, visto que a ciência oficial lançara um anátema solene contra a psicanálise e tinha declarado um boicote contra médicos e instituições que a praticassem, achei que seria conveniente os partidários da psicanálise se reunirem para uma troca de idéias amistosa, e para apoio mútuo.
Isso, e nada mais, foi o que esperava alcançar com a fundação da “Associação Psicanalítica Internacional”. Mas tudo leva a crer que era querer demais. Do mesmo modo que os meus adversários iriam descobrir que não era possível lutar contra a corrente do novo movimento, assim também eu acabaria percebendo que este não seguiria a direção que eu desejava vê-lo seguir. As propostas feitas por Ferenczi em Nuremberg foram adotadas, é verdade; Jung foi eleito presidente e escolheu Riklin para seu Secretário; concordou-se quanto à publicação de um boletim que devia ligar a Central Executiva com os grupos locais. Declarou-se que o objetivo da Associação era “promover e apoiar a ciência da psicanálise fundada por Freud, tanto como psicologia pura como em sua aplicação à medicina e às ciências mentais e cultivar o apoio mútuo entre os seus membros para que fossem desenvolvidos todos os esforços no sentido da aquisição e difusão de conhecimentos psicanalíticos”. Só o grupo de Viena opôs-se vivamente ao projeto. Adler afirmou, com grande agitação, temer que se pretendesse exercer a “censura e restrições sobre a liberdade científica”. Finalmente, os vienenses cederam, depois de se haverem assegurado de que a sede da Associação não seria sempre Zurique, e sim o local de residência do Presidente que seria eleito por dois anos.
Nesse Congresso, três grupos locais foram constituídos: um em Berlim, sob a presidência de Abraham; outro em Zurique, cujo chefe se tornara o Presidente de toda a Associação; e outro em Viena, cuja direção confiei a Adler. Um quarto grupo, em Budapeste, só pôde ser formado depois. Bleuler não participara do Congresso por motivo de doença, e depois mostrou certa hesitação em fazer parte da Associação, por motivos de ordem geral; deixou-se persuadir, depois de uma conversa pessoal comigo, mas logo afastou-se novamente em conseqüência de discordâncias havidas em Zurique. Isto cortou a ligação entre o grupo de Zurique e a Instituição de Burghölzli.
Um dos resultados do Congresso de Nuremberg foi a fundação da Zentralblatt für Psychoanalyse [Revista Central de Psicanálise], para a qual se uniram Adler e Stekel. O propósito original era, claramente, representar a Oposição: tinha como objetivo reconquistar para Viena a hegemonia ameaçada pela eleição de Jung. Mas quando os dois fundadores da revista, em meio às dificuldades de encontrar um editor, me garantiram suas intenções pacíficas, e como prova de sua sinceridade me deram o direito de veto, aceitei a direção da mesma e trabalhei com energia para o novo órgão, havendo o seu primeiro número aparecido em setembro de 1910.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que depois do primeiro Congresso privado de psicanálise, realizou-se o segundo, dessa vez em Nuremberg, em março de 1910. Freud fez um projeto que, com a ajuda de seu amigo Ferenczi, realizou nesse segundo Congresso.
Achava que a localização do novo movimento em Viena longe de servir-lhe de recomendação, muito pelo contrário, o comprometia. Um lugar como Zurique, no coração da Europa, onde um professor universitário havia aberto as portas de sua instituição à psicanálise, parecia-me muito mais promissor. Via também uma segunda desvantagem em minha própria pessoa, sobre a qual era difícil formar uma opinião por causa das manifestações de admiração e de ódio provenientes das diferentes facções: ou era um comparado a Colombo Darwin e Kepler ou taxado de PGP (paralisia geral progressiva). Desejei, portanto, retirar para o segundo plano tanto a mim como à cidade onde nasceu a psicanálise. Além disso, eu já não era jovem; vi que havia uma longa estrada à frente, e me oprimia a idéia de que o dever de ser um líder tivesse recaído em mim tão tarde na vida. Sentia, porém, que deveria haver alguém na liderança. Conhecia muito bem as armadilhas que aguardam quem quer que comece a exercer a psicanálise e esperava poder evitá-las delegando poderes a uma autoridade que estivesse preparada para aconselhar e orientar. Essa posição, que fora de início ocupada por mim, dado o meu acerto de quinze anos de experiências, devia ser agora transferida para um homem mais jovem, que então, naturalmente, ocuparia meu lugar após a minha morte. Esse homem só poderia ser C. G. Jung, uma vez que Bleuler era de minha própria geração; tinha a seu favor dotes excepcionais, as contribuições que já prestara à psicanálise, sua posição independente e a impressão de firme energia que sua personalidade transmitia. Além disso, parecia estar disposto a entrar num bom relacionamento pessoal comigo e, em consideração a mim, a abrir mão de certos preconceitos raciais que alimentara anteriormente. Eu não tinha, na ocasião, a menor idéia de que apesar de todas essas vantagens a escolha era a mais infeliz possível, que eu havia escolhido uma pessoa incapaz de tolerar a autoridade de outra, mais incapaz ainda de exercê-la ele próprio, e cujas energias se voltavam inteiramente para a promoção de seus próprios interesses.
Isso, e nada mais, foi o que esperava alcançar com a fundação da “Associação Psicanalítica Internacional”. Mas tudo leva a crer que era querer demais. Do mesmo modo que os meus adversários iriam descobrir que não era possível lutar contra a corrente do novo movimento, assim também eu acabaria percebendo que este não seguiria a direção que eu desejava vê-lo seguir. As propostas feitas por Ferenczi em Nuremberg foram adotadas, é verdade; Jung foi eleito presidente e escolheu Riklin para seu Secretário; concordou-se quanto à publicação de um boletim que devia ligar a Central Executiva com os grupos locais. Declarou-se que o objetivo da Associação era “promover e apoiar a ciência da psicanálise fundada por Freud, tanto como psicologia pura como em sua aplicação à medicina e às ciências mentais e cultivar o apoio mútuo entre os seus membros para que fossem desenvolvidos todos os esforços no sentido da aquisição e difusão de conhecimentos psicanalíticos”. Só o grupo de Viena opôs-se vivamente ao projeto. Adler afirmou, com grande agitação, temer que se pretendesse exercer a “censura e restrições sobre a liberdade científica”. Finalmente, os vienenses cederam, depois de se haverem assegurado de que a sede da Associação não seria sempre Zurique, e sim o local de residência do Presidente que seria eleito por dois anos.
Nesse Congresso, três grupos locais foram constituídos: um em Berlim, sob a presidência de Abraham; outro em Zurique, cujo chefe se tornara o Presidente de toda a Associação; e outro em Viena, cuja direção confiei a Adler. Um quarto grupo, em Budapeste, só pôde ser formado depois. Bleuler não participara do Congresso por motivo de doença, e depois mostrou certa hesitação em fazer parte da Associação, por motivos de ordem geral; deixou-se persuadir, depois de uma conversa pessoal comigo, mas logo afastou-se novamente em conseqüência de discordâncias havidas em Zurique. Isto cortou a ligação entre o grupo de Zurique e a Instituição de Burghölzli.
Um dos resultados do Congresso de Nuremberg foi a fundação da Zentralblatt für Psychoanalyse [Revista Central de Psicanálise], para a qual se uniram Adler e Stekel. O propósito original era, claramente, representar a Oposição: tinha como objetivo reconquistar para Viena a hegemonia ameaçada pela eleição de Jung. Mas quando os dois fundadores da revista, em meio às dificuldades de encontrar um editor, me garantiram suas intenções pacíficas, e como prova de sua sinceridade me deram o direito de veto, aceitei a direção da mesma e trabalhei com energia para o novo órgão, havendo o seu primeiro número aparecido em setembro de 1910.
Mattanó aponta que depois do primeiro Congresso privado de psicanálise, realizou-se o segundo, dessa vez em Nuremberg, em março de 1910. Freud fez um projeto que, com a ajuda de seu amigo Ferenczi, realizou nesse segundo Congresso. Vemos como a psicanálise se difundiu através de Congressos que foram resultado de muita luta, esforço, dedicação e empenho, de muito trabalho e de muitas pesquisas realizadas pelo movimento psicanalítico que crescia em sua comunidade verbal, de modo que aumentavam-se sua produção de significados e de sentidos, pois o meio ambiente colaborava com estímulos otimizados para a prática psicanalítica.
Achava que a localização do novo movimento em Viena longe de servir-lhe de recomendação, muito pelo contrário, o comprometia. Um lugar como Zurique, no coração da Europa, onde um professor universitário havia aberto as portas de sua instituição à psicanálise, parecia-me muito mais promissor. Via também uma segunda desvantagem em minha própria pessoa, sobre a qual era difícil formar uma opinião por causa das manifestações de admiração e de ódio provenientes das diferentes facções: ou era um comparado a Colombo Darwin e Kepler ou taxado de PGP (paralisia geral progressiva). Desejei, portanto, retirar para o segundo plano tanto a mim como à cidade onde nasceu a psicanálise. Além disso, eu já não era jovem; vi que havia uma longa estrada à frente, e me oprimia a idéia de que o dever de ser um líder tivesse recaído em mim tão tarde na vida. Sentia, porém, que deveria haver alguém na liderança. Conhecia muito bem as armadilhas que aguardam quem quer que comece a exercer a psicanálise e esperava poder evitá-las delegando poderes a uma autoridade que estivesse preparada para aconselhar e orientar. Essa posição, que fora de início ocupada por mim, dado o meu acerto de quinze anos de experiências, devia ser agora transferida para um homem mais jovem, que então, naturalmente, ocuparia meu lugar após a minha morte. Esse homem só poderia ser C. G. Jung, uma vez que Bleuler era de minha própria geração; tinha a seu favor dotes excepcionais, as contribuições que já prestara à psicanálise, sua posição independente e a impressão de firme energia que sua personalidade transmitia. Além disso, parecia estar disposto a entrar num bom relacionamento pessoal comigo e, em consideração a mim, a abrir mão de certos preconceitos raciais que alimentara anteriormente. Eu não tinha, na ocasião, a menor idéia de que apesar de todas essas vantagens a escolha era a mais infeliz possível, que eu havia escolhido uma pessoa incapaz de tolerar a autoridade de outra, mais incapaz ainda de exercê-la ele próprio, e cujas energias se voltavam inteiramente para a promoção de seus próprios interesses. Vemos como a vida e a obra de Freud foram tomando rumos durante sua trajetória de vida, e que ele teve obstáculos e provações, ajudas impossíveis e conselhos milagrosos, a colaboração de uma equipe e que houveram decepções, escolhas erradas e traições devido os próprios interesses de cada membro da sua equipe, causando sofrimento e frustração, até insensibilidade as contingências, pois poderia ter interpretado como uma tentação ou luta contra o monstro que tentava devorá-lo, luta da qual ele retornaria como o herói com uma mensagem para si mesmo e sua equipe ou comunidade psicanalítica.
Isso, e nada mais, foi o que esperava alcançar com a fundação da “Associação Psicanalítica Internacional”. Mas tudo leva a crer que era querer demais. Do mesmo modo que os meus adversários iriam descobrir que não era possível lutar contra a corrente do novo movimento, assim também eu acabaria percebendo que este não seguiria a direção que eu desejava vê-lo seguir. As propostas feitas por Ferenczi em Nuremberg foram adotadas, é verdade; Jung foi eleito presidente e escolheu Riklin para seu Secretário; concordou-se quanto à publicação de um boletim que devia ligar a Central Executiva com os grupos locais. Declarou-se que o objetivo da Associação era “promover e apoiar a ciência da psicanálise fundada por Freud, tanto como psicologia pura como em sua aplicação à medicina e às ciências mentais e cultivar o apoio mútuo entre os seus membros para que fossem desenvolvidos todos os esforços no sentido da aquisição e difusão de conhecimentos psicanalíticos”. Só o grupo de Viena opôs-se vivamente ao projeto. Adler afirmou, com grande agitação, temer que se pretendesse exercer a “censura e restrições sobre a liberdade científica”. Finalmente, os vienenses cederam, depois de se haverem assegurado de que a sede da Associação não seria sempre Zurique, e sim o local de residência do Presidente que seria eleito por dois anos. Vemos como a estrutura política e administrativa da psicanálise ou do movimento psicanalítico se configurou na sua gênese, cedendo espaço para alguns e tolhendo oportunidades de outros, contudo sempre indicando o caminho correto a ser seguido.
Nesse Congresso, três grupos locais foram constituídos: um em Berlim, sob a presidência de Abraham; outro em Zurique, cujo chefe se tornara o Presidente de toda a Associação; e outro em Viena, cuja direção confiei a Adler. Um quarto grupo, em Budapeste, só pôde ser formado depois. Bleuler não participara do Congresso por motivo de doença, e depois mostrou certa hesitação em fazer parte da Associação, por motivos de ordem geral; deixou-se persuadir, depois de uma conversa pessoal comigo, mas logo afastou-se novamente em conseqüência de discordâncias havidas em Zurique. Isto cortou a ligação entre o grupo de Zurique e a Instituição de Burghölzli. Vemos como foi a formação e como se deram as relações institucionais das comunidades psicanalíticas que seguiam e apoiavam Freud em sua gênese teórica e prática, inclusive quando se tratava de reforço e associações ou extinção de vínculos.
Um dos resultados do Congresso de Nuremberg foi a fundação da Zentralblatt für Psychoanalyse [Revista Central de Psicanálise], para a qual se uniram Adler e Stekel. O propósito original era, claramente, representar a Oposição: tinha como objetivo reconquistar para Viena a hegemonia ameaçada pela eleição de Jung. Mas quando os dois fundadores da revista, em meio às dificuldades de encontrar um editor, me garantiram suas intenções pacíficas, e como prova de sua sinceridade me deram o direito de veto, aceitei a direção da mesma e trabalhei com energia para o novo órgão, havendo o seu primeiro número aparecido em setembro de 1910. Vemos como se exerceu o desenvolvimento das publicações dos artigos e pesquisas dos movimentos psicanalíticos, que por sua vez, ficaram a encargo de Freud com a fundação da Zentralblatt für Psychoanalyse [Revista Central de Psicanálise], para a qual se uniram Adler e Stekel, com o objetivo de reconquistar o poder adquirido por Jung, através da nomeação de Freud como editor. Eis que a história da psicanálise nos revela disputa por poder e autonomia moral em suas relações pessoais e institucionais, não somente em suas pesquisas e trabalhos teóricos e práticos, ou intervenções, até mesmo em sua produção literária científica que pretende colecionar adeptos e resistentes a sua psicanálise ou metáfora freudiana.
MATTANÓ
(14/07/2025)
Prosseguirei agora com a história dos Congressos Psicanalíticos. O terceiro Congresso realizou-se em setembro de 1911, em Weimar, e foi ainda mais bem-sucedido do que os anteriores quanto à atmosfera geral e ao interesse científico. J. J. Putnam, que estava presente nessa ocasião, declarou depois nos Estados Unidos o grande prazer que a reunião lhe proporcionou e externou seu respeito pela “atitude mental” dos participantes, citando algumas palavras que, disseram, eu havia empregado com referência a eles: “Aprenderam a suportar um pouco de verdade.” (Putnam 1912). De fato, ninguém que já houvesse comparecido a outros congressos científicos poderia deixar de levar a uma impressão favorável da Associação Psicanalítica. Eu próprio tinha presidido os dois primeiros Congressos e permitira a cada orador tempo suficiente para expor seu trabalho, deixando que os debates se processassem depois em caráter particular entre os membros. Jung, como Presidente, assumiu a direção em Weimar e voltou a adotar debates formais depois de cada trabalho, o que, entretanto, não trouxe nenhum problema.
Mas as coisas se passaram de forma bem diferente no quarto Congresso realizado em Munique dois anos depois, em setembro de 1913. Todos os que a ele estiveram presentes ainda o trazem bem vivo na memória. Foi dirigido por Jung de maneira desagradável e incorreta; os oradores tiveram seu tempo de exposição limitado e os debates sufocaram os trabalhos apresentados. Por uma infeliz coincidência aconteceu que aquele gênio do mau, Hoche, se instalara no mesmo prédio onde se realizavam as sessões. Diante do comportamento dos analistas, Hoche não deve ter tido dificuldade em perceber quanto se enganara ao descrevê-los como membros de uma seita fanática que obedeciam cegamente ao seu líder. Os debates cansativos e nada construtivos terminaram com a reeleição de Jung para a Presidência da Associação Psicanalítica Internacional, que ele aceitou, embora dois quintos dos presentes lhe negassem apoio. Dispersamo-nos sem nenhuma vontade de nos reunirmos outra vez.
Mais ou menos na época desse Congresso o estado da Associação Psicanalítica Internacional era o seguinte: os grupos locais de Viena, Berlim e Zurique já estavam formados desde o Congresso de Nuremberg, em 1910. Em maio de 1911, surgiu o grupo de Munique, sob a presidência do Dr. L. Seif. No mesmo ano, formou-se o primeiro grupo local norte-americano sob a presidência de A. A. Brill, com o nome de “The New York Psychoanalytic Society”. No Congresso de Weimar foi autorizada a fundação de um segundo grupo norte-americano que começou a funcionar no ano seguinte sob a denominação de “The American Psychoanalytic Association”, e compreendia membros do Canadá e de todos os Estados Unidos; Putnam foi eleito Presidente e Ernest Jones, Secretário. Pouco antes do Congresso de Munique, de 1913, formou-se o grupo local de Budapeste sob a presidência de Ferenczi. Logo depois, foi constituído o primeiro grupo inglês por Ernest Jones, que havia retornado a Londres. O quadro social desses grupos locais, oito ao todo, não pode, naturalmente, servir de base para calcular-se o número de estudantes e adeptos não organizados da psicanálise.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a história dos Congressos Psicanalíticos. O terceiro Congresso realizou-se em setembro de 1911, em Weimar, e foi ainda mais bem-sucedido do que os anteriores quanto à atmosfera geral e ao interesse científico. J. J. Putnam, que estava presente nessa ocasião, declarou depois nos Estados Unidos o grande prazer que a reunião lhe proporcionou e externou seu respeito pela “atitude mental” dos participantes, citando algumas palavras que, disseram, eu havia empregado com referência a eles: “Aprenderam a suportar um pouco de verdade.” (Putnam 1912). De fato, ninguém que já houvesse comparecido a outros congressos científicos poderia deixar de levar a uma impressão favorável da Associação Psicanalítica. Eu próprio tinha presidido os dois primeiros Congressos e permitira a cada orador tempo suficiente para expor seu trabalho, deixando que os debates se processassem depois em caráter particular entre os membros. Jung, como Presidente, assumiu a direção em Weimar e voltou a adotar debates formais depois de cada trabalho, o que, entretanto, não trouxe nenhum problema.
Mas as coisas se passaram de forma bem diferente no quarto Congresso realizado em Munique dois anos depois, em setembro de 1913. Todos os que a ele estiveram presentes ainda o trazem bem vivo na memória. Foi dirigido por Jung de maneira desagradável e incorreta; os oradores tiveram seu tempo de exposição limitado e os debates sufocaram os trabalhos apresentados. Por uma infeliz coincidência aconteceu que aquele gênio do mau, Hoche, se instalara no mesmo prédio onde se realizavam as sessões. Diante do comportamento dos analistas, Hoche não deve ter tido dificuldade em perceber quanto se enganara ao descrevê-los como membros de uma seita fanática que obedeciam cegamente ao seu líder. Os debates cansativos e nada construtivos terminaram com a reeleição de Jung para a Presidência da Associação Psicanalítica Internacional, que ele aceitou, embora dois quintos dos presentes lhe negassem apoio. Dispersamo-nos sem nenhuma vontade de nos reunirmos outra vez.
Mais ou menos na época desse Congresso o estado da Associação Psicanalítica Internacional era o seguinte: os grupos locais de Viena, Berlim e Zurique já estavam formados desde o Congresso de Nuremberg, em 1910. Em maio de 1911, surgiu o grupo de Munique, sob a presidência do Dr. L. Seif. No mesmo ano, formou-se o primeiro grupo local norte-americano sob a presidência de A. A. Brill, com o nome de “The New York Psychoanalytic Society”. No Congresso de Weimar foi autorizada a fundação de um segundo grupo norte-americano que começou a funcionar no ano seguinte sob a denominação de “The American Psychoanalytic Association”, e compreendia membros do Canadá e de todos os Estados Unidos; Putnam foi eleito Presidente e Ernest Jones, Secretário. Pouco antes do Congresso de Munique, de 1913, formou-se o grupo local de Budapeste sob a presidência de Ferenczi. Logo depois, foi constituído o primeiro grupo inglês por Ernest Jones, que havia retornado a Londres. O quadro social desses grupos locais, oito ao todo, não pode, naturalmente, servir de base para calcular-se o número de estudantes e adeptos não organizados da psicanálise.
Mattanó aponta a história dos Congressos Psicanalíticos. O terceiro Congresso realizou-se em setembro de 1911, em Weimar, e foi ainda mais bem-sucedido do que os anteriores quanto à atmosfera geral e ao interesse científico. J. J. Putnam, que estava presente nessa ocasião, declarou depois nos Estados Unidos o grande prazer que a reunião lhe proporcionou e externou seu respeito pela “atitude mental” dos participantes, citando algumas palavras que, disseram, eu havia empregado com referência a eles: “Aprenderam a suportar um pouco de verdade.” (Putnam 1912). De fato, ninguém que já houvesse comparecido a outros congressos científicos poderia deixar de levar a uma impressão favorável da Associação Psicanalítica. Eu próprio tinha presidido os dois primeiros Congressos e permitira a cada orador tempo suficiente para expor seu trabalho, deixando que os debates se processassem depois em caráter particular entre os membros. Jung, como Presidente, assumiu a direção em Weimar e voltou a adotar debates formais depois de cada trabalho, o que, entretanto, não trouxe nenhum problema. Vemos aqui como se deram as relações institucionais e de poder na história da psicanálise acerca dos Congressos que se desenrolaram e definiram suas funções e atividades políticas, administrativas e institucionais e de auto-gestão.
Mas as coisas se passaram de forma bem diferente no quarto Congresso realizado em Munique dois anos depois, em setembro de 1913. Todos os que a ele estiveram presentes ainda o trazem bem vivo na memória. Foi dirigido por Jung de maneira desagradável e incorreta; os oradores tiveram seu tempo de exposição limitado e os debates sufocaram os trabalhos apresentados. Por uma infeliz coincidência aconteceu que aquele gênio do mau, Hoche, se instalara no mesmo prédio onde se realizavam as sessões. Diante do comportamento dos analistas, Hoche não deve ter tido dificuldade em perceber quanto se enganara ao descrevê-los como membros de uma seita fanática que obedeciam cegamente ao seu líder. Os debates cansativos e nada construtivos terminaram com a reeleição de Jung para a Presidência da Associação Psicanalítica Internacional, que ele aceitou, embora dois quintos dos presentes lhe negassem apoio. Dispersamo-nos sem nenhuma vontade de nos reunirmos outra vez. Vemos aqui que o papel dos Congressos para a manutenção e desenvolvimento do movimento psicanalítico foi muito grande e importante, de modo até a aquecer e resfriar as relações políticas, administrativas e institucionais ou de trabalho entre os seus membros, que respondiam as condições do meio ambiente ou do cenário psicanalítico que necessariamente desenvolviam relações entrópicas e neguentrópicas.
Mais ou menos na época desse Congresso o estado da Associação Psicanalítica Internacional era o seguinte: os grupos locais de Viena, Berlim e Zurique já estavam formados desde o Congresso de Nuremberg, em 1910. Em maio de 1911, surgiu o grupo de Munique, sob a presidência do Dr. L. Seif. No mesmo ano, formou-se o primeiro grupo local norte-americano sob a presidência de A. A. Brill, com o nome de “The New York Psychoanalytic Society”. No Congresso de Weimar foi autorizada a fundação de um segundo grupo norte-americano que começou a funcionar no ano seguinte sob a denominação de “The American Psychoanalytic Association”, e compreendia membros do Canadá e de todos os Estados Unidos; Putnam foi eleito Presidente e Ernest Jones, Secretário. Pouco antes do Congresso de Munique, de 1913, formou-se o grupo local de Budapeste sob a presidência de Ferenczi. Logo depois, foi constituído o primeiro grupo inglês por Ernest Jones, que havia retornado a Londres. O quadro social desses grupos locais, oito ao todo, não pode, naturalmente, servir de base para calcular-se o número de estudantes e adeptos não organizados da psicanálise. Vemos aqui como o movimento psicanalítico se desenrolou na América e na Europa e manteve relações políticas, administrativas e institucionais ou de trabalho entre seus diferentes grupos que tinham vida própria, pois eram administrados por Presidente e Secretário calculados ou personalizados e que atendiam às necessidades políticas, administrativas e institucionais do movimento psicanalítico, porém, mesmo sendo em oito ao todo, os grupos organizados, não se podia calcular o número de estudantes e adeptos não organizados da psicanálise.
MATTANÓ
(15/07/2025)
ANATOMIA DA CRIAÇÃO (2025):
O Homo Sapiens é produto da sua consciência que é produto da sua cultura, conhecimento e realidade que são frutos do estímulo selecionado no meio ambiente pelo organismo, segundo as leis da evolução, seleção e competição entre espécies e indivíduos que formatam teorias e práticas comportamentais e inconscientes, inclusive subconscientes, sobrenaturais e paranormais para o repertório comportamental do indivíduo, que assim amplia sua consciência e reorganiza seus caminhos cognitivos, seu mapa cerebral e seu funcionamento corporal, através da homeostase e da interconectividade corporal, cerebral e ambiental, seja na vida anímica, na vida onírica ou na vida paranormal e/ou na vida sobrenatural.
MATTANÓ
(15/07/2025)
É necessário também dizer algumas palavras sobre o desenvolvimento dos periódicos a serviço da psicanálise. O primeiro deles foi uma série de monografias intitulada Schriften zur angewandsten Seelenkunde [“Artigos sobre Ciência Mental Aplicada”] que apareceram irregularmente desde 1907 e agora ai o número de quinze exemplares. (O editor pretendia começar com Heller em Viena e depois F. Deuticke.) Incluem obras de Freud (Nos. 1 e 7), Riklin, Jung, Abraham (Nos. 4 e 11), Rank (Nos. 5 e 13), Sadger, Pfister, Max Graf, Jones (Nos. 10 e 14), Storfer e von Hug-Hellmuth. Com a fundação da revista Imago, esse gênero de publicação perdeu parte de sua importância. Após a reunião de Salzburg, em 1908, fundou-se o Jahrbuch für psychoanalytische und psychopathologische Forschungen [Anuário de Pesquisas Psicanalíticas e Psicopatológicas], o qual veio a lume durante cinco anos sob a diretoria de Jung e que agora ressurgiu, com dois novos redatores e com ligeira alteração no título - passou a chamar-se Jahrbuch der Psyuchoanalyse [Anuário da Psicanálise.] Não mais se destina a ser, como o foi em anos recentes, um simples repositório para publicação de obras autônomas. Em vez disso, seus editores se empenharão em cumprir a finalidade de registrar todos os trabalhos realizados e todos os progressos alcançados no campo da psicanálise. A Zentrablatt für Psychoanalyse, que, como já disse, foi lançada por Adler e Stekel após a fundação da Associação Psicanalítica Internacional em Nuremberg, 1910, teve uma existência breve e tumultuada. Já no décimo número do primeiro volume [julho de 1911] apareceu um aviso na página de frontispício comunicando que, por motivo de divergências científicas de opinião com o diretor, o Dr. Alfred Adler resolvera afastar-se voluntariamente da editoria. Depois disso, o Dr. Stekel continuou o único redator (a partir do verão de 1911). No Congresso de Weimar [setembro de 1911] a Zentralblatt foi elevada à posição de órgão oficial da Associação Internacional e passou a ser remetida a todos os sócios mediante um aumento da contribuição anual. A partir do terceiro número do segundo volume (inverno [dezembro], 1912), Stekel tornou-se o único responsável pelo seu conteúdo. Seu comportamento, do qual é impossível publicar um relato, me obrigou a exonerar-me de sua direção e a criar, às pressas, um novo órgão para a psicanálise - a Internationale Zeitschrift für ärztliche Psychoanalyse [Revista International de Psicanálise Médica]. Os esforços conjuntos de quase todos os nossos colaboradores e de Hugo Heller, o novo editor, resultaram no surgimento do primeiro número, em janeiro de 1913, havendo logo tomado o lugar da Zentralblatt como órgão oficial da Associação Psicanalítica Internacional.
Enquanto isso, no início de 1912, um novo periódico, Imago (publicado por Heller), destinado exclusivamente à aplicação da psicanálise às ciências mentais, foi fundado pelo Dr. Hanns Sachs e pelo Dr. Otto Rank. Imago encontra-se agora na metade de seu terceiro volume, sendo lida com interesse por um número sempre crescente de assinantes, alguns deles com pouca ligação com a análise médica.
Afora essas quatro publicações periódicas (Schriften zur angewandten Seelenkunde, Jahrbuch, Zeitschrift e Imago), outros periódicos alemães e estrangeiros publicam trabalhos que merecem um lugar na literatura psicanalítica. The Journal of Abnormal Psychology, dirigido por Morton Prince, costuma publicar tantas e tão boas contribuições analíticas que deve ser considerado como o principal representante da literatura analítica nos Estados Unidos. No inverno de 1913, White e Jellife em Nova Iorque lançaram um novo periódico (The Psychoanalytic Review) dedicado exclusivamente à psicanálise, sem dúvida levando em conta o fato de que para a maioria dos médicos americanos interessados na psicanálise, a língua alemã é um obstáculo.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica o desenvolvimento dos periódicos a serviço da psicanálise. O primeiro deles foi uma série de monografias intitulada Schriften zur angewandsten Seelenkunde [“Artigos sobre Ciência Mental Aplicada”] que apareceram irregularmente desde 1907 e agora ai o número de quinze exemplares. (O editor pretendia começar com Heller em Viena e depois F. Deuticke.) Incluem obras de Freud (Nos. 1 e 7), Riklin, Jung, Abraham (Nos. 4 e 11), Rank (Nos. 5 e 13), Sadger, Pfister, Max Graf, Jones (Nos. 10 e 14), Storfer e von Hug-Hellmuth. Com a fundação da revista Imago, esse gênero de publicação perdeu parte de sua importância. Após a reunião de Salzburg, em 1908, fundou-se o Jahrbuch für psychoanalytische und psychopathologische Forschungen [Anuário de Pesquisas Psicanalíticas e Psicopatológicas], o qual veio a lume durante cinco anos sob a diretoria de Jung e que agora ressurgiu, com dois novos redatores e com ligeira alteração no título - passou a chamar-se Jahrbuch der Psyuchoanalyse [Anuário da Psicanálise.] A Zentrablatt für Psychoanalyse, que, como já disse, foi lançada por Adler e Stekel após a fundação da Associação Psicanalítica Internacional em Nuremberg, 1910, teve uma existência breve e tumultuada. No Congresso de Weimar [setembro de 1911] a Zentralblatt foi elevada à posição de órgão oficial da Associação Internacional e passou a ser remetida a todos os sócios mediante um aumento da contribuição anual. A partir do terceiro número do segundo volume (inverno [dezembro], 1912), Stekel tornou-se o único responsável pelo seu conteúdo. Seu comportamento, do qual é impossível publicar um relato, me obrigou a exonerar-me de sua direção e a criar, às pressas, um novo órgão para a psicanálise - a Internationale Zeitschrift für ärztliche Psychoanalyse [Revista International de Psicanálise Médica]. Os esforços conjuntos de quase todos os nossos colaboradores e de Hugo Heller, o novo editor, resultaram no surgimento do primeiro número, em janeiro de 1913, havendo logo tomado o lugar da Zentralblatt como órgão oficial da Associação Psicanalítica Internacional.
Enquanto isso, no início de 1912, um novo periódico, Imago (publicado por Heller), destinado exclusivamente à aplicação da psicanálise às ciências mentais, foi fundado pelo Dr. Hanns Sachs e pelo Dr. Otto Rank. Imago encontra-se agora na metade de seu terceiro volume, sendo lida com interesse por um número sempre crescente de assinantes, alguns deles com pouca ligação com a análise médica.
Afora essas quatro publicações periódicas (Schriften zur angewandten Seelenkunde, Jahrbuch, Zeitschrift e Imago), outros periódicos alemães e estrangeiros publicam trabalhos que merecem um lugar na literatura psicanalítica. The Journal of Abnormal Psychology, dirigido por Morton Prince, costuma publicar tantas e tão boas contribuições analíticas que deve ser considerado como o principal representante da literatura analítica nos Estados Unidos. No inverno de 1913, White e Jellife em Nova Iorque lançaram um novo periódico (The Psychoanalytic Review) dedicado exclusivamente à psicanálise, sem dúvida levando em conta o fato de que para a maioria dos médicos americanos interessados na psicanálise, a língua alemã é um obstáculo.
Mattanó aponta o desenvolvimento dos periódicos a serviço da psicanálise. O primeiro deles foi uma série de monografias intitulada Schriften zur angewandsten Seelenkunde [“Artigos sobre Ciência Mental Aplicada”] que apareceram irregularmente desde 1907 e agora ai o número de quinze exemplares. (O editor pretendia começar com Heller em Viena e depois F. Deuticke.) Incluem obras de Freud (Nos. 1 e 7), Riklin, Jung, Abraham (Nos. 4 e 11), Rank (Nos. 5 e 13), Sadger, Pfister, Max Graf, Jones (Nos. 10 e 14), Storfer e von Hug-Hellmuth. Com a fundação da revista Imago, esse gênero de publicação perdeu parte de sua importância. Após a reunião de Salzburg, em 1908, fundou-se o Jahrbuch für psychoanalytische und psychopathologische Forschungen [Anuário de Pesquisas Psicanalíticas e Psicopatológicas], o qual veio a lume durante cinco anos sob a diretoria de Jung e que agora ressurgiu, com dois novos redatores e com ligeira alteração no título - passou a chamar-se Jahrbuch der Psyuchoanalyse [Anuário da Psicanálise.] A Zentrablatt für Psychoanalyse, que, como já disse, foi lançada por Adler e Stekel após a fundação da Associação Psicanalítica Internacional em Nuremberg, 1910, teve uma existência breve e tumultuada. No Congresso de Weimar [setembro de 1911] a Zentralblatt foi elevada à posição de órgão oficial da Associação Internacional e passou a ser remetida a todos os sócios mediante um aumento da contribuição anual. A partir do terceiro número do segundo volume (inverno [dezembro], 1912), Stekel tornou-se o único responsável pelo seu conteúdo. Seu comportamento, do qual é impossível publicar um relato, me obrigou a exonerar-me de sua direção e a criar, às pressas, um novo órgão para a psicanálise - a Internationale Zeitschrift für ärztliche Psychoanalyse [Revista International de Psicanálise Médica]. Os esforços conjuntos de quase todos os nossos colaboradores e de Hugo Heller, o novo editor, resultaram no surgimento do primeiro número, em janeiro de 1913, havendo logo tomado o lugar da Zentralblatt como órgão oficial da Associação Psicanalítica Internacional. Vemos como se desenvolveram as publicações do movimento psicanalítico, que se efetivaram através de periódicos que foram sendo substituídos por outros cada vez mais abrangentes e mais interessantes para o seu movimento e para os seus leitores, contribuindo para difundir a psicanálise e os seus esforços conjuntos.
Enquanto isso, no início de 1912, um novo periódico, Imago (publicado por Heller), destinado exclusivamente à aplicação da psicanálise às ciências mentais, foi fundado pelo Dr. Hanns Sachs e pelo Dr. Otto Rank. Imago encontra-se agora na metade de seu terceiro volume, sendo lida com interesse por um número sempre crescente de assinantes, alguns deles com pouca ligação com a análise médica. Vemos que aqui temos um periódico destinado a psicanálise e às ciências mentais, um periódico que alcançou um crescente número de leitores, muitos deles sem ligação com a classe médica.
Afora essas quatro publicações periódicas (Schriften zur angewandten Seelenkunde, Jahrbuch, Zeitschrift e Imago), outros periódicos alemães e estrangeiros publicam trabalhos que merecem um lugar na literatura psicanalítica. The Journal of Abnormal Psychology, dirigido por Morton Prince, costuma publicar tantas e tão boas contribuições analíticas que deve ser considerado como o principal representante da literatura analítica nos Estados Unidos. No inverno de 1913, White e Jellife em Nova Iorque lançaram um novo periódico (The Psychoanalytic Review) dedicado exclusivamente à psicanálise, sem dúvida levando em conta o fato de que para a maioria dos médicos americanos interessados na psicanálise, a língua alemã é um obstáculo. Vemos como o movimento psicanalítico difundiu sua literatura no mundo e especificamente, aqui, na Europa e na América, nos Estados Unidos que se interessaram prontamente pela psicanálise de Freud, gerando a necessidade de leitura da sua literatura, sobretudo do seu movimento, que passou a ser traduzida para o inglês para atender a demanda, pois a língua alemã era uma pedra no seu caminho, dificultando o trabalho e a compreensão, a significação e a aprendizagem dessa obra pelos interessados.
MATTANÓ
(15/07/2025)
ANATOMIA DA CRIAÇÃO (2025):
O Homo Sapiens e suas tecnologias, ferramentas e instrumentos podem transformar a vida e o comportamento das pessoas, inclusive daquelas que sofrem de amnésia e demência, de perda da memória através da esquizofrenia ou do mal de Alzheimer, criando oportunidades de trabalho e de operações cognitivas mediante a aprendizagem proximal, que é aquela realizada com ajuda de outros instrumentos, pessoas ou objetos, como livros, textos, computadores, chips, cartões de memória, cartões usb, etc., a aprendizagem proximal é um conceito elaborado por Vigotsky em sua Psicologia sócio-interacionista e explica a aprendizagem realizada com a ajuda de terceiros. Já, agora, no caso da demência, da esquizofrenia e do mal de Alzheimer, podemos especular que nossos cientistas e profissionais da saúde poderiam ampliar a rede de associações psicológicas, inconscientes e comportamentais do paciente através de recursos que substituem a memória biológica pela memória tecnológica ou instrumental, mediada e mantida por instrumentos e ferramentas como livros, textos, computadores, chips, cartões de memória, cartões usb, etc., e também através de implantes que alcancem a interconectividade cerebral do paciente, seja através do SNP - Sistema Nervoso Periférico ou do SNC - Sistema Nervoso Central, quem sabe até mesmo da interconectividade do corpo com o cérebro através de implantes do corpo, e numa última hipótese através de implantes no meio ambiente que ativariam o SNC ou o SNP e assim o SNC do paciente que responderia com conteúdos que seu cérebro e seus neurônios, de outra forma, não conseguiriam obter e responder, com uma memória externa, como um HD - Hard Disc de um computador, uma memória externa que aumentaria a capacidade comportamental, inconsciente, subconsciente e social, até escolar e trabalhista desse paciente, melhorando sua autoestima e o seu prognóstico. Assim em casos considerados difíceis e insolúveis como os de hipererosia, ideias motivadas pela teoria da pulsão auditiva de Mattanó, pedofilia, voyeurismo, linguagem sexista, estupro virtual, lavagem cerebral e despersonalização onde o que ocorre inconscientemente é uma distorção. Trata-se, pois, de um jeito novo de se pensar, ainda não reconhecido, mas que ao ser assimilado e acomodado ou reconhecido e aprendido, internalizado, deixamos de vê-lo como algo diferente do nosso self e da nossa consciência, cultura, conhecimento e realidade, mas devemos saber que não nascemos com esse modo de viver e de se pensar, que isso foi aprendido e que não é parte de nós quando passamos a existir, trata-se apenas de uma forma de prazer que substitui a nossa realidade e a sua consciência, cultura e conhecimento, reorganizando o nosso self.
MATTANÓ
(16/07/2025)
Devo agora mencionar duas deserções que houve entre os partidários da psicanálise; a primeira ocorreu entre a fundação da Associação em 1910 e o Congresso de Weimar em 1911; a segunda verificou-se após esse Congresso e evidenciou-se em Munique em 1913. O desapontamento que me causaram talvez tivesse sido evitado se eu tivesse prestado mais atenção às reações de pacientes sob tratamento analítico. Sabia muito bem, naturalmente, que qualquer pessoa, ao primeiro contato com as realidades desagradáveis da análise, pode reagir fugindo; eu próprio sempre havia sustentado que na compreensão da análise, cada indivíduo é limitado por suas próprias repressões (ou antes, pelas resistências que as sustentam) de modo que não pode ir além de um certo ponto em sua relação com a análise. Mas eu não esperava que alguém que houvesse alcançado certa profundidade na compreensão da análise pudesse renunciar a essa compreensão e perdê-la. E, no entanto, a experiência cotidiana com pacientes havia demonstrado que a rejeição total do conhecimento analítico pode ocorrer sempre que surge uma resistência especialmente forte em qualquer profundidade da mente. Às vezes conseguimos, depois de muito trabalho, fazer com que um paciente aprenda algumas partes do conhecimento analítico e possa lidar com elas como posses suas, e mesmo assim podemos vê-lo, sob o domínio da própria resistência seguinte, lançar tudo o que aprendeu às urtigas e ficar na defensiva como o fez nos dias em que era um principiante despreocupado. Tive de aprender que a mesmíssima coisa pode acontecer tanto com psicanalistas como com pacientes em análise.
Não constitui tarefa fácil nem invejável escrever a história dessas duas deserções, em parte porque estou desprovido de qualquer motivo pessoal forte para fazê-lo - não esperava gratidão nem sou particularmente vingativo - e em parte porque sei que agindo assim ficarei ao sabor das ofensas de meus adversários, nada escrupulosos, e vou oferecer aos inimigos da psicanálise o espetáculo que eles tão ardentemente desejam - “os psicanalistas se degladiando entre si”. Depois de tanto autodomínio para não entrar em choque com adversários fora da análise, vejo-me agora forçado a pegar em armas contra os seus ex-seguidores ou pessoas que ainda denominam a si próprias de seguidores. Não tenho escolha, porém: se ficasse calado seria por indolência ou covardia, e o silêncio seria mais prejudicial à psicanálise do que uma exposição franca dos danos já causados. Quem quer que tenha acompanhado o desenvolvimento de outros movimentos científicos sabe que as mesmas convulsões e divergências ocorrem neles com freqüência. Pode ser que se tenham preocupado mais em ocultá-los; mas a psicanálise, que repudia tantas idéias convencionais, também nessa questão é mais honesta.
Outro problema muito sério é que não posso abster-me inteiramente de utilizar os conhecimentos psicanalíticos no exame desses dois movimentos de oposição. A análise, entretanto, não se presta a uso polêmico; pressupõe o consentimento da pessoa que está sendo analisada e uma situação na qual existam um superior e um subordinado. Daí, quem quer que empreenda uma análise com fins polêmicos pode esperar que a pessoa analisada utilize, por sua vez, a análise contra ela, de modo que a discussão atingirá um ponto que exclui inteiramente a possibilidade de convencer qualquer outra pessoa imparcial. Restringirei, portanto, a um mínimo o uso do conhecimento analítico, e, com ele, a indiscrição e a agressividade contra meus adversários; devo também ressaltar que não estou me baseando nesse terreno para nenhuma crítica de caráter científico. Não estou interessado na verdade que possa estar contida nas teorias que venho rejeitando, nem tentarei refutá-las. Deixarei essa tarefa a outros trabalhadores qualificados no campo da psicanálise, tendo sido ela, na verdade, já em parte realizada. Desejo apenas mostrar que essas teorias contrariam os princípios fundamentais da psicanálise (e em que pontos os contrariam) e que por essa razão não devem ser conhecidas pelo nome de psicanálise. Assim vou-me valer da psicanálise apenas para explicar como essas divergências dela podem surgir entre os analistas. Entretanto, quando toco os pontos nos quais as divergências ocorreram, não posso deixar de defender os justos direitos da psicanálise com algumas observações de natureza puramente crítica.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que houve duas deserções entre os partidários da psicanálise; a primeira ocorreu entre a fundação da Associação em 1910 e o Congresso de Weimar em 1911; a segunda verificou-se após esse Congresso e evidenciou-se em Munique em 1913. O desapontamento que me causaram talvez tivesse sido evitado se eu tivesse prestado mais atenção às reações de pacientes sob tratamento analítico. Sabia muito bem, naturalmente, que qualquer pessoa, ao primeiro contato com as realidades desagradáveis da análise, pode reagir fugindo; eu próprio sempre havia sustentado que na compreensão da análise, cada indivíduo é limitado por suas próprias repressões (ou antes, pelas resistências que as sustentam) de modo que não pode ir além de um certo ponto em sua relação com a análise. Mas eu não esperava que alguém que houvesse alcançado certa profundidade na compreensão da análise pudesse renunciar a essa compreensão e perdê-la. E, no entanto, a experiência cotidiana com pacientes havia demonstrado que a rejeição total do conhecimento analítico pode ocorrer sempre que surge uma resistência especialmente forte em qualquer profundidade da mente. Às vezes conseguimos, depois de muito trabalho, fazer com que um paciente aprenda algumas partes do conhecimento analítico e possa lidar com elas como posses suas, e mesmo assim podemos vê-lo, sob o domínio da própria resistência seguinte, lançar tudo o que aprendeu às urtigas e ficar na defensiva como o fez nos dias em que era um principiante despreocupado. Tive de aprender que a mesmíssima coisa pode acontecer tanto com psicanalistas como com pacientes em análise.
Outro problema muito sério é que não posso abster-me inteiramente de utilizar os conhecimentos psicanalíticos no exame desses dois movimentos de oposição. A análise, entretanto, não se presta a uso polêmico; pressupõe o consentimento da pessoa que está sendo analisada e uma situação na qual existam um superior e um subordinado. Daí, quem quer que empreenda uma análise com fins polêmicos pode esperar que a pessoa analisada utilize, por sua vez, a análise contra ela, de modo que a discussão atingirá um ponto que exclui inteiramente a possibilidade de convencer qualquer outra pessoa imparcial.
Mattanó aponta que houve duas deserções entre os partidários da psicanálise; a primeira ocorreu entre a fundação da Associação em 1910 e o Congresso de Weimar em 1911; a segunda verificou-se após esse Congresso e evidenciou-se em Munique em 1913. O desapontamento que me causaram (a Freud) talvez tivesse sido evitado se eu tivesse prestado mais atenção às reações de pacientes sob tratamento analítico. Sabia muito bem, naturalmente, que qualquer pessoa, ao primeiro contato com as realidades desagradáveis da análise, pode reagir fugindo; eu próprio sempre havia sustentado que na compreensão da análise, cada indivíduo é limitado por suas próprias repressões (ou antes, pelas resistências que as sustentam) de modo que não pode ir além de um certo ponto em sua relação com a análise. Mas eu não esperava que alguém que houvesse alcançado certa profundidade na compreensão da análise pudesse renunciar a essa compreensão e perdê-la. E, no entanto, a experiência cotidiana com pacientes havia demonstrado que a rejeição total do conhecimento analítico pode ocorrer sempre que surge uma resistência especialmente forte em qualquer profundidade da mente. Às vezes conseguimos, depois de muito trabalho, fazer com que um paciente aprenda algumas partes do conhecimento analítico e possa lidar com elas como posses suas, e mesmo assim podemos vê-lo, sob o domínio da própria resistência seguinte, lançar tudo o que aprendeu às urtigas e ficar na defensiva como o fez nos dias em que era um principiante despreocupado. Tive de aprender que a mesmíssima coisa pode acontecer tanto com psicanalistas como com pacientes em análise. Vemos como a psicanálise de Freud foi sendo influenciada pelos Congressos que debatiam sobre ela e provocavam ideias e novas respostas para a continuidade do movimento psicanalítico, mesmo quando Freud parecia ficar desapontado, pois a frustração é sinal de resistência e de que algo está encoberto e escondido no inconsciente para ser descoberto, necessitando de uma resposta.
Outro problema muito sério é que não posso abster-me inteiramente de utilizar os conhecimentos psicanalíticos no exame desses dois movimentos de oposição. A análise, entretanto, não se presta a uso polêmico; pressupõe o consentimento da pessoa que está sendo analisada e uma situação na qual existam um superior e um subordinado. Daí, quem quer que empreenda uma análise com fins polêmicos pode esperar que a pessoa analisada utilize, por sua vez, a análise contra ela, de modo que a discussão atingirá um ponto que exclui inteiramente a possibilidade de convencer qualquer outra pessoa imparcial. Vemos como a psicanálise se organizou e se estruturou, impedindo o seu uso polêmico, pois invadiria a intimidade e a liberdade do paciente, constrangendo-o e permitindo que ele a utilize contra o seu psicanalista, deixando de haver uma relação de superior e subordinado ou de médico, psicanalista e paciente, rompendo a relação de análise.
MATTANÓ
(17/07/2025)
SOBRE AS DISTORÇÕES SEGUNDO MATTANÓ (2025):
Mattanó aponta que o inconsciente é uma forma de distorção, assim como a realidade e a consciência, a cultura, o conhecimento e o subconsciente, a paranormalidade e o pré-consciente e o mundo sobrenatural e o mundo e a realidade virtuais, pois para existirem dependem da interconectividade cerebral e corporal, dos sentimentos primordiais que são parte da contribuição fisiológica e morfológica que participam da formação dessas atividades psíquicas e comportamentais e que interagem com o meio ambiente externo mandando informações para o cérebro do indivíduo que responde ao estímulo e adquire as consequências que por sua vez mantêm o comportamento, seja ele qual for, pois é uma distorção ou uma adaptação fisiológica, comportamental e morfológica diante do estímulo como uma resposta, para adquirir as consequências que mantêm essa forma de adaptação do organismo ou do corpo e do cérebro ao meio ambiente.
MATTANÓ
(17/07/2025)
HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2025):
Mattanó testemunha que sua relação com a estagiária de Psicologia de 1992 na Clínica Psicológica de UEL se organizou e se estruturou, com o seu uso polêmico, pois invadiu a intimidade e a liberdade do paciente, constrangendo-o e permitindo que ele a utilize contra o seu psicanalista, deixando de haver uma relação de superior e subordinado ou de psicoterapêuta e paciente, rompendo a relação de análise, para prevalecer uma relação de desconfiança e de roubo de dados e de informações, de constrangimento e de falsidade ideológica, de corrupção e de violência, de abuso de autoridade e de poder, de negligência, omissão e imperícia, rompendo mais do que a relação de análise, rompendo também a relação ética, moral e acadêmica ou universitária.
MATTANÓ
(17/07/2025)
HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2025):
Mattanó testemunha que sua relação de trabalho e de trabalhador na UEL - Universidade Estadual de Londrina, e no HURNPr - Hospital Universitário Regional Norte do Paraná, teve como desencadeante dos crimes e faltas administrativas do funcionário Osny Mattanó Júnior, já a partir da sua contratação em 1988 para o HURNPr o uso polêmcio da relação de autoridade da sua chefia e daquele que o contratou desrespeitando as normas e regras da contratação, de modo a invadir a minha intimidade e privacidade e colocar-me em perigo de contágio de doenças incuráveis e mortais no HURNPr em 1988, sendo que eu era menor de 16 anos de idade e isso era crime do Estado e da UEL, mas tentaram se omitir e destruir as provas da contratação ilegal já em 1988/1989 diante do meu testemunho ocular na CRH - Coordenadoria de Recursos Humanos da UEL, destruíram a relação de superior e subordinado, ainda mais com assédio moral e sexual, com tortura e tentativas de estupro, com humilhação, vergonha e medo psicológico e comportamental, com violação da minha intimidade e privacidade mediante tentativas de assalto e de sequestro de conteúdos históricos vividos e representados, para fins de extermínio da minha família ou de chacina, tortura e espancamento, envenenamento, maus-tratos, lavagem cerebral, despersonalização, extorsão, vingança, estupro virtual, tentativas de estupro e de sequestro, assassinato através de uma seita satânica criada por videntes de Medjugorje (conforme já testemunhei através de esquivas de minha família, do Papa Francisco que já fez breves declarações de que rezou para anular essa seita satânica, e da televisão Canção Nova que através da Terra Santa, da Procissão das Luzes, diz ser eu o ¨Diabo¨), eu já testemunhei o Papa Francisco nos dias próximos de sua morte com o conteúdo virtual de que queriam me crucificar e atear fogo em mim para chamarem a Jesus Cristo através de um rito (que ao meu ver não tem fundamento, pois o pão queimado não é a eucaristia, mas apenas a fome biológica e animal,instintiva, não é a fome espiritual do homem e da mulher e eu como deste pão queimado por fome e pobreza muito antes da Primeira Comunhão que eu comia por fome espiritual e por riqueza, pois sou Santo e o Amor de Deus, de Jesus e de Maria) e cárcere privado.
MATTANÓ
(17/07/2025)
A primeira tarefa com que se defrontou a psicanálise foi a de explicar as neuroses; utilizou a resistência e a transferência como pontos de partida e, levando em consideração a amnésia, explicou os três fatos com as teorias da repressão, das forças sexuais motivadoras da neurose e do inconsciente. A psicanálise jamais pretendeu oferecer uma teoria completa da atividade mental humana em geral, mas esperava apenas que o que ela oferecia pudesse ser aplicado para suplementar e corrigir o conhecimento adquirido por outros meios. A teoria de Adler, entretanto, vai muito além disso, procurando de um só golpe explicar o comportamento e o caráter dos seres humanos bem como de suas doenças neuróticas e psicóticas. Na realidade, presta-se mais a qualquer outro campo do que ao da neurose, embora por motivos ligados à história do seu desenvolvimento ainda situe isso no primeiro plano. Por muitos anos, tive oportunidade de estudar o Dr. Adler e jamais me recusei a reconhecer sua rara capacidade, associada a uma inclinação particularmente especulativa. Como exemplo da “perseguição” a que, ele afirma, eu o submeti, posso lembrar do fato de ter-lhe passado a liderança do grupo de Viena após a fundação da Associação. Só depois de insistentes reclamações feitas por todos os membros da sociedade é que me deixei persuadir a ocupar novamente a presidência nas suas reuniões científicas. Quando percebi quão pouco dotado era Adler para o julgamento de material inconsciente, mudei minha opinião para uma esperança de que ele conseguisse descobrir as ligações da psicanálise com a psicologia e com os fundamentos biológicos dos processos instintivos - esperança justificada, em certo sentido, pelo seu valioso trabalho sobre “a inferioridade dos órgãos”. E ele, na verdade, realizou algo nesse gênero, mas seu trabalho transmite uma impressão “como se” - para empregar seu próprio “jargão” - destinada a provar que a psicanálise estava errada em tudo e que atribuíra tanta importância às forças sexuais motivadoras, por causa de sua facilidade em acreditar nas afirmações dos neuróticos. Posso até mesmo falar publicamente da motivação de ordem pessoal do seu trabalho, desde que ele próprio a anunciou na presença de um pequeno círculo de membros do grupo de Viena: - “O Senhor pensa que é um grande prazer para mim ficar a vida inteira à sua sombra?” Naturalmente, não acho nada condenável que um homem mais jovem admita francamente sua ambição - o que já era evidente ser um dos incentivos do seu trabalho. Mas mesmo uma pessoa dominada por um motivo desses, deve saber evitar ser o que os ingleses, com seu requintado tato social, chamam de “unfair” (desleal) - que em alemão só pode ser dito com uma palavra muito mais grosseira. Quão pouco Adler foi bem-sucedido nisso é indicado pela profusão de mesquinhas explosões de malevolência que desfiguram suas obras e pelos indícios que refletem um anseio desenfreado de prioridade. Na Sociedade Psicanalítica de Viena ouvimo-lo uma vez reivindicar para si a prioridade do conceito da “unidade das neuroses” e do “ponto de vista dinâmico” delas. Isso foi para mim uma grande surpresa, pois sempre pensei que esses dois princípios tivessem sido por mim enunciados antes de ter conhecido Adler.
Essa luta de Adler por um lugar ao sol teve, no entanto, um resultado que está destinado a ser benéfico à psicanálise. Quando divergências científicas inconciliáveis me obrigaram a fazer Adler demitir-se da direção de Zentralblatt, ele abandonou também a sociedade de Viena, e fundou uma nova que, de início, teve o nome curioso de “Sociedade de Psicanálise Livre” [“Verein für freie Psychoanalyse”]. Mas pessoas de fora, que não estão ligadas à psicanálise, são tão incapazes de perceber as diferenças entre os pontos de vista de dois psicanalistas quanto os europeus de fazer distinção entre as caras de dois chineses. A psicanálise “livre” permaneceu à sombra da psicanálise “oficial”, “ortodoxa”, e foi tratada simplesmente como um apêndice dela. Adler então tomou uma atitude pela qual lhe somos gratos; cortou todas as ligações com a psicanálise, e deu a sua teoria o nome de “Psicologia Individual”. Há bastante espaço nesse mundo de Deus, e todos têm o direito de perambular nele sem serem impedidos; mas não é conveniente que pessoas que deixaram de se compreender e que se tornaram incompatíveis permaneçam sob o mesmo teto. A “Psicologia Individual” de Adler é agora uma das numerosas escolas de psicologia contrárias à psicanálise e o seu ulterior desenvolvimento já não nos diz respeito.
A teoria adleriana foi desde o começo um “sistema” - que a psicanálise teve o cuidado de evitar vir a ser. É também um exemplo notável de “revisão secundária”, tal como ocorre, por exemplo, no processo ao qual o pensamento desperto submete o material dos sonhos. No caso de Adler, substitui-se o material dos sonhos pelo novo material obtido através de estudos psicanalíticos; este é então encarado puramente do ponto de vista do ego, reduzido a categorias com as quais o ego está familiarizado, traduzido, distorcido e - exatamente como acontece na formação dos sonhos - mal compreendido. Além disso, a teoria adleriana caracteriza-se menos pelo que afirma do que pelo que nega, de modo que consiste em três espécies de elementos de valor bem desigual: contribuições úteis à psicologia do ego, traduções supérfluas, porém admissíveis, dos fatos analíticos para o novo “jargão”, e distorções e inversões desses fatos quando não obedecem às exigências do ego.
Os elementos do primeiro tipo nunca foram ignorados pela psicanálise, embora não merecessem dela nenhuma atenção especial; estava mais interessada em demonstrar que toda tendência do ego encerra componentes libidinais. A teoria adleriana dá ênfase à contrapartida disso, ou seja, o constituinte egoístico dos impulsos instintivos da libido. Isso teria sido uma aquisição apreciável se Adler não tivesse utilizado essa observação em todas as ocasiões para negar os impulsos libidinais em favor de seus componentes instintivos egoísticos. Sua teoria se comporta como todo paciente e como nosso pensamento consciente, ou seja, faz uso de uma racionalização, como Jones [1908] a denominou, para ocultar o motivo inconsciente. Adler é tão coerente nisso que chega a considerar que a força motivadora mais poderosa no ato sexual é a intenção do homem de afirmar-se como senhor da mulher - de estar “por cima“. Não sei se ele expressou essas idéias monstruosas em suas obras.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a primeira tarefa com que se defrontou a psicanálise foi a de explicar as neuroses; utilizou a resistência e a transferência como pontos de partida e, levando em consideração a amnésia, explicou os três fatos com as teorias da repressão, das forças sexuais motivadoras da neurose e do inconsciente. A psicanálise jamais pretendeu oferecer uma teoria completa da atividade mental humana em geral, mas esperava apenas que o que ela oferecia pudesse ser aplicado para suplementar e corrigir o conhecimento adquirido por outros meios. A teoria de Adler, entretanto, vai muito além disso, procurando de um só golpe explicar o comportamento e o caráter dos seres humanos bem como de suas doenças neuróticas e psicóticas. Na realidade, presta-se mais a qualquer outro campo do que ao da neurose, embora por motivos ligados à história do seu desenvolvimento ainda situe isso no primeiro plano. Adler era pouco dotado para o material do inconsciente. Seu trabalho transmite uma impressão “como se” - para empregar seu próprio “jargão” - destinada a provar que a psicanálise estava errada em tudo e que atribuíra tanta importância às forças sexuais motivadoras, por causa de sua facilidade em acreditar nas afirmações dos neuróticos. Posso até mesmo falar publicamente da motivação de ordem pessoal do seu trabalho, desde que ele próprio a anunciou na presença de um pequeno círculo de membros do grupo de Viena: - “O Senhor pensa que é um grande prazer para mim ficar a vida inteira à sua sombra?” Naturalmente, não acho nada condenável que um homem mais jovem admita francamente sua ambição - o que já era evidente ser um dos incentivos do seu trabalho.
Essa luta de Adler por um lugar ao sol teve, no entanto, um resultado que está destinado a ser benéfico à psicanálise. Quando divergências científicas inconciliáveis me obrigaram a fazer Adler demitir-se da direção de Zentralblatt, ele abandonou também a sociedade de Viena, e fundou uma nova que, de início, teve o nome curioso de “Sociedade de Psicanálise Livre” [“Verein für freie Psychoanalyse”]. Mas pessoas de fora, que não estão ligadas à psicanálise, são tão incapazes de perceber as diferenças entre os pontos de vista de dois psicanalistas quanto os europeus de fazer distinção entre as caras de dois chineses. A psicanálise “livre” permaneceu à sombra da psicanálise “oficial”, “ortodoxa”, e foi tratada simplesmente como um apêndice dela. Adler então tomou uma atitude pela qual lhe somos gratos; cortou todas as ligações com a psicanálise, e deu a sua teoria o nome de “Psicologia Individual”.
A teoria adleriana foi desde o começo um “sistema” - que a psicanálise teve o cuidado de evitar vir a ser. É também um exemplo notável de “revisão secundária”, tal como ocorre, por exemplo, no processo ao qual o pensamento desperto submete o material dos sonhos. No caso de Adler, substitui-se o material dos sonhos pelo novo material obtido através de estudos psicanalíticos; este é então encarado puramente do ponto de vista do ego, reduzido a categorias com as quais o ego está familiarizado, traduzido, distorcido e - exatamente como acontece na formação dos sonhos - mal compreendido. Além disso, a teoria adleriana caracteriza-se menos pelo que afirma do que pelo que nega, de modo que consiste em três espécies de elementos de valor bem desigual: contribuições úteis à psicologia do ego, traduções supérfluas, porém admissíveis, dos fatos analíticos para o novo “jargão”, e distorções e inversões desses fatos quando não obedecem às exigências do ego.
Os elementos do primeiro tipo nunca foram ignorados pela psicanálise, embora não merecessem dela nenhuma atenção especial; estava mais interessada em demonstrar que toda tendência do ego encerra componentes libidinais. A teoria adleriana dá ênfase à contrapartida disso, ou seja, o constituinte egoístico dos impulsos instintivos da libido. Isso teria sido uma aquisição apreciável se Adler não tivesse utilizado essa observação em todas as ocasiões para negar os impulsos libidinais em favor de seus componentes instintivos egoísticos. Sua teoria se comporta como todo paciente e como nosso pensamento consciente, ou seja, faz uso de uma racionalização, como Jones [1908] a denominou, para ocultar o motivo inconsciente. Adler é tão coerente nisso que chega a considerar que a força motivadora mais poderosa no ato sexual é a intenção do homem de afirmar-se como senhor da mulher - de estar “por cima“. Não sei se ele expressou essas idéias monstruosas em suas obras.
Mattanó aponta que a primeira tarefa com que se defrontou a psicanálise foi a de explicar as neuroses; utilizou a resistência e a transferência como pontos de partida e, levando em consideração a amnésia, explicou os três fatos com as teorias da repressão, das forças sexuais motivadoras da neurose e do inconsciente. A psicanálise jamais pretendeu oferecer uma teoria completa da atividade mental humana em geral, mas esperava apenas que o que ela oferecia pudesse ser aplicado para suplementar e corrigir o conhecimento adquirido por outros meios. A teoria de Adler, entretanto, vai muito além disso, procurando de um só golpe explicar o comportamento e o caráter dos seres humanos bem como de suas doenças neuróticas e psicóticas. Na realidade, presta-se mais a qualquer outro campo do que ao da neurose, embora por motivos ligados à história do seu desenvolvimento ainda situe isso no primeiro plano. Adler era pouco dotado para o material do inconsciente. Seu trabalho transmite uma impressão “como se” - para empregar seu próprio “jargão” - destinada a provar que a psicanálise estava errada em tudo e que atribuíra tanta importância às forças sexuais motivadoras, por causa de sua facilidade em acreditar nas afirmações dos neuróticos. Posso até mesmo falar publicamente da motivação de ordem pessoal do seu trabalho, desde que ele próprio a anunciou na presença de um pequeno círculo de membros do grupo de Viena: - “O Senhor pensa que é um grande prazer para mim ficar a vida inteira à sua sombra?” Naturalmente, não acho nada condenável que um homem mais jovem admita francamente sua ambição - o que já era evidente ser um dos incentivos do seu trabalho. Vemos como se deram as relações interpessoais e institucionais, de trabalho entre os membros do movimento psicanalítico onde Freud encontrou resistências em seus aliados e discípulos, um deles, Adler que era ambicioso e queria algo maior do que as sombras de Sigmund Freud.
Essa luta de Adler por um lugar ao sol teve, no entanto, um resultado que está destinado a ser benéfico à psicanálise. Quando divergências científicas inconciliáveis me obrigaram a fazer Adler demitir-se da direção de Zentralblatt, ele abandonou também a sociedade de Viena, e fundou uma nova que, de início, teve o nome curioso de “Sociedade de Psicanálise Livre” [“Verein für freie Psychoanalyse”]. Mas pessoas de fora, que não estão ligadas à psicanálise, são tão incapazes de perceber as diferenças entre os pontos de vista de dois psicanalistas quanto os europeus de fazer distinção entre as caras de dois chineses. A psicanálise “livre” permaneceu à sombra da psicanálise “oficial”, “ortodoxa”, e foi tratada simplesmente como um apêndice dela. Adler então tomou uma atitude pela qual lhe somos gratos; cortou todas as ligações com a psicanálise, e deu a sua teoria o nome de “Psicologia Individual”. Vemos como as relações entre Adler e Freud levaram ao rompimento e saída de Adler do movimento psicanalítico de Freud, levando-o a criar a sua própria sociedade a ¨Sociedade de Psicanálise Livre¨ onde lançou sua teoria com o nome de ¨Psicologia Individual¨, eventos que geraram novas leituras e novas interpretações, novos contextos, significados e sentidos para a psicanálise que estava em desenvolvimento.
A teoria adleriana foi desde o começo um “sistema” - que a psicanálise teve o cuidado de evitar vir a ser. É também um exemplo notável de “revisão secundária”, tal como ocorre, por exemplo, no processo ao qual o pensamento desperto submete o material dos sonhos. No caso de Adler, substitui-se o material dos sonhos pelo novo material obtido através de estudos psicanalíticos; este é então encarado puramente do ponto de vista do ego, reduzido a categorias com as quais o ego está familiarizado, traduzido, distorcido e - exatamente como acontece na formação dos sonhos - mal compreendido. Além disso, a teoria adleriana caracteriza-se menos pelo que afirma do que pelo que nega, de modo que consiste em três espécies de elementos de valor bem desigual: contribuições úteis à psicologia do ego, traduções supérfluas, porém admissíveis, dos fatos analíticos para o novo “jargão”, e distorções e inversões desses fatos quando não obedecem às exigências do ego. Vemos como se difundiram as críticas direcionadas as teoria adleriana, como forma de proteger a teoria freudiana, que competia com a outra num ambiente evolutivo e seletivo, onde o mais forte ou mais adaptado sobreviveria ou permaneceria trabalhando e em atividade.
Os elementos do primeiro tipo nunca foram ignorados pela psicanálise, embora não merecessem dela nenhuma atenção especial; estava mais interessada em demonstrar que toda tendência do ego encerra componentes libidinais. A teoria adleriana dá ênfase à contrapartida disso, ou seja, o constituinte egoístico dos impulsos instintivos da libido. Isso teria sido uma aquisição apreciável se Adler não tivesse utilizado essa observação em todas as ocasiões para negar os impulsos libidinais em favor de seus componentes instintivos egoísticos. Sua teoria se comporta como todo paciente e como nosso pensamento consciente, ou seja, faz uso de uma racionalização, como Jones [1908] a denominou, para ocultar o motivo inconsciente. Adler é tão coerente nisso que chega a considerar que a força motivadora mais poderosa no ato sexual é a intenção do homem de afirmar-se como senhor da mulher - de estar “por cima“. Não sei se ele expressou essas idéias monstruosas em suas obras. Vemos como uma teoria é capaz de causar terror, horror e/ou repugnância entre diferentes cientistas e estudiosos, pois cada indivíduo possui uma história de vida e uma escolha que determina seu padrão de comportamento, seu repertório comportamental, sua linguagem e sua estruturação do inconsciente, mediante sua motivação, interesse e habilidades, é pois a escolha quem seleciona o estímulo no meio ambiente e assim desencadeia o processo funcional S - R - C, estímulo - resposta - consequência. Podemos dizer que uma pessoa sofre de esquizofrenia ao fazer um jogo de linguagem quando escuta uma frase em inglês e acaba ficando condicionada a esse padrão de resposta, visto que o comportamento esquizofrênico delirante se extingue quando segue-se de outro estímulo, podendo permanecer saudável continuamente até que reapareça o estímulo que desencadeie a resposta esquizofrênica delirante, saudável também em sua vida onírica que indica genialidade e não esquizofrenia, pois nunca tem sonhos cometendo crimes ou violentando pessoa alguma, nem mesmo moralmente ou sexualmente, tampouco fisicamente, mas tem sonhos inteligentes auto-atualizados e auto-realizados com Deus e com Nossa Senhora de forma interativa e realística, revelando que o indivíduo acredita em Deus e em Nossa Senhora, que tem uma educação religiosa, e moral, que tem uma espiritualidade e uma responsabilidade social, que respeita as pessoas, sua sexualidade e suas incolumidades, caso contrário sonharia com provações e com os infernos; sonha também com os portões do inferno fechados para ele mesmo, significado que não há espaço para o mal, a maldade, para o racismo, o ódio e a intolerância e a discriminação, a perseguição e a violência, lavagem cerebral, despersonalização, extorsão, vingança, estupro e estupro virtual, e pedofilia em sua vida e em suas relações mais íntimas e privadas, pois o sonho acontece num quarto de uma casa onde geralmente meu pai e minha mãe estão comigo na mesma casa e em outras ocasiões minha irmã e meu irmão. Da mesma forma Adler e Freud viveram suas realidades, mediante suas consciências, culturas e conhecimentos, eventos que desencadearam suas críticas e repertórios comportamentais acerca de seus trabalhos - a vida é uma distorção que aprendemos a interpretar e a analisar através de metáforas e metonímias!
MATTANÓ
(18/07/2025)
PSICOASTROFÍSICA UFOLÓGICA MATTANONIANA (2025):
Mattanó especula que para conseguir dilatar o tempo e o espaço e construir um ¨Portal do Tempo e do Espaço¨ para viagens no tempo e no espaço é necessário calor/fogo atuando sobre determinada região do tempo e do espaço, para que se dilate essa região, da mesma forma o viajante do tempo e do espaço que deve ter seu corpo e cérebro dilatado através do calor do fogo para que possa realizar a viagem no tempo e no espaço, se adaptando ao evento físico e paranormal - hipersensitivo, que possibilita a viagem no tempo e no espaço até que retorne a posição inicial ou estacionária, que é a posição normal mediante um ¨susto¨ ou ¨rompimento¨, ¨desligamento¨ do evento dilatador do tempo e do espaço que abre um Portal ou simplesmente dilata e/ou distorce a realidade do meio ambiente, voltando a responder a estimulação ambiental, evento que havia sido abruptamente extinguido pela força da dilatação do tempo e do espaço.
MATTANÓ
(21/07/2025)
SOBRE A PSICANÁLISE MITOLÓGICA E A PSICANÁLISE DO AMOR (2025):
Mattanó se pergunta de que maneira a mente e o comportamento dos evangelistas se organizou e se manifestou a oferecer a consciência desses homens somente as Palavras necessárias para a Eternidade? Certamente porquê se tratava do inconsciente e/ou do Espírito Santo se manifestando neles! A Psicanálise Mitológica estuda o inconsciente se organizando e se manifestando na vida psíquica e comportamental, de modo a estruturar-se como uma linguagem e deste modo determinando-a, a ponto de participar da produção dos evangelhos através dos seus recursos, como produção de significados, sentidos, conceitos, contextos, comportamentos, funcionalidades, linguagem, topografia, Gestalt e insight, atos falhos, esquecimentos, lapsos de linguagem e niilismos, fantasias, delírios, chistes, piadas e humor, charges e caricaturas, atos perlocucionários e atos ilocucionários, pressupostos e subentendidos, mostrar, dizer e fazer e o posto, parapraxias, folclore, contos de fadas, tesouros, deuses, reis e rainhas, totens e tabus, mágica, xamãs, feitiçaria e bruxaria, alquimia, guerras e batalhas, conflitos e disputas, invasões, desenvolvimento militar e político, econômico e científico, tecnológico, industrial, nas comunicações e nos transportes, no espaço aéreo e na conquista do universo, das estrelas e dos mundos, das riquezas e do poder, da fama e do egoísmo. E a Psicanálise do Amor estuda o Espírito Santo na vida espiritual, psicológica e comportamental do indivíduo, desde o batismo, quando a criança ou o batizado recebe o Espírito Santo no rito de batismo, de modo a operar transformações em sua libido, comunhão e segurança por meio do aprendizado, em todos os seus passos, guiando suas mãos, inteligência, memória, afetividade, consciência, cultura, conhecimento, realidade e comportamento verbal para escrever os evangelhos, levando o indivíduo e a sua sociedade a uma forma de organização social voltada para a fraternidade, solidariedade, compaixão, justiça, amor, misericórdia, trabalho, educação, convívio, perdão estruturado e promoção da paz e da humanidade ou da Santidade. O perdão estruturado é o perdão compreendido em sua natureza espiritual, biológica, psicológica, comportamental, política, econômica, histórica, social, religiosa, financeira, afetiva, vivida, representada, lúdica, moral, sexual, desenvolvimentista, comparativa: de saúde nos momentos em que ficou doente ou de socorro nos momentos em que necessitou de ajuda, humana e civilizada, enquanto direito, dever, obrigação e privilégio de todo cidadão e de todo batizado e de projeto para o hoje ou presente, sua realidade e o seu futuro (se você acha que tem o direito de negar ajuda a outras pessoas que só te deram amor e que agora estão doentes e com problemas graves em função da violência urbana e do egoísmo dos seus atores, que podem estar participando de parte de lavagem cerebral, tortura, despersonalização, roubo, assalto, invasão, extorsão, vingança, estupro e estupro virtual, curandeirismo, charlatanismo, trapaça em jogos esportivos e de loterias, trapaça em concursos, envenenamento, espancamento, falsidade ideológica, organização criminosa, corrupção, desvio de dinheiro público (para fins criminosos, de extermínio, acobertamento e de milícias) e tentativa de golpe de Estado. Já o perdão robotizado e automático faz parte da cultura daqueles que não tem uma consciência acerca dos seus próprios atos, conhecimento, cultura e realidade, que não param para pensar antes de agir, que acreditam que o cérebro acerta tudo e que ele se conecta com um corpo que nunca adoece e assim permanece acertando tudo pois trabalha em ritmo de prazer e reforço, nunca conheceu a dor e a punição, ora cérebros que estão sob dor e punição tendem a errar muito mais do que o normal e muito mais do que a acertar, pois estão doentes, por isso eventos estruturados, ricos em suas cadeias e associações podem trazer alívio e benefício a saúde-mental e comportamental de pacientes, como eu, Osny Mattanó Júnior, que estou muito doente e permaneço no esquema de dor e punição desde 1992 ou 1989 por causa de problemas no trabalho, onde tentavam me estuprar e me roubar direitos e deveres, obrigações e privilégios contra o Estado e a UEL (o empregador que cometeu crimes). O trabalho também pode ajudar nestes casos com a literatura, o trabalho profissional e a música, a composição e a interpretação musical.
MATTANÓ
(23/07/2025)
O PODER DO UNIVERSO (2025):
Os grandes homens da História do Mundo fizeram história se higienizando ou trabalhando muito, ou seja, se limpando ou se sujando e se tornado cada vez um pouco mais imundo, tanto psicológicamente, quanto comportamentalmente e socialmente, pois a consciência com o trabalho vai adquirindo camadas de conhecimento, cultura e distorção que chamamos de realidade, ou seja, sujeira e imundície que levamos para casa e para todos os lados em forma de transtornos mentais que somente profissionais da saúde são capazes de nos ajudar e de nos limpar, como no começo da psicanálise através da ¨limpeza de chaminé¨, somos, pois, como chaminés que representam o nosso inconsciente e que acumulam sujeira e imundície e precisam de trabalhadores para sua limpeza e manutenção - eis que os grandes atos e feitos dos grandes homens da humanidade e da História do Mundo estão envoltos de sujeira e imundície, de conteúdos recalcados e inconscientes, domésticos, infantis e familiares que os impulsionam a tomar decisões e a construir conhecimento e tecnologias, culturas e formas de investimentos que se ajustam a realidade ambiental como sons, ruídos, canções e músicas, transmissões televisivas e de rádio, informações de internet e livros dentre outras mídias como jornais, revistas, fotografias e mp3, pois isto tudo é consequência do investimento em trabalho e no desenvolvimento das sublimações, que por sua vez produzem sujeira e imundície, ora nos sentimos sujos e imundos todos os dias por puro prazer, pois acreditamos que temos que tomar banho todos os dias e não quando há necessidade por pura realidade. Somos obrigados a ter relações sexuais com nossas parceiras ou parceiros, por isso nos sentimos sujos e imundos, com nojo do nosso corpo, que perde a pureza e a mácula, por isso tomamos banho todos os dias e algumas vezes, mais de uma vez, mesmo que por consequência do trabalho que exige esforço físico e mental, gerando suor, cansaço e sujeira, imundície, que é uma forma de substituir o esforço físico e mental, o suor, o cansaço, a sujeira e a imundície do coito, as brigas e discussões no trabalho são uma substituição das brigas e discussões que envolvem a sua vida afetiva, sobretudo a sua vida matrimonial, mesmo quando exigem um esforço do inconsciente, permitindo-se ao conteúdo recalcado como forma de expressão, contudo infantil, doméstica e familiar, ainda sem malícia e sem desejo sexual, diferentemente do matrimônio e do trabalho que possuem a malícia e a maldade, construindo relações adultas ao invés de infantis, domésticas e familiares, relações que permitirão a intimidade, a privacidade, o amor e depois, a crise final com a demência, e a generosidade e a degeneração.
MATTANÓ
(24/07/2025)
A psicanálise cedo reconheceu que todo sintoma neurótico deve sua possibilidade de existência a uma transação. Todo sintoma deve, portanto, de alguma forma obedecer às exigências do ego, o qual manipula a repressão; deve oferecer alguma vantagem, ter alguma aplicação proveitosa, ou haveria de ter o mesmo destino que o próprio impulso instintivo original que foi desviado. A expressão “vantagem da doença” levou isso em conta; é até justificável que se queira fazer distinção entre a vantagem “primária” do ego, que deve estar atuante na ocasião da gênese do sintoma, e uma parte “secundária”, que sobrevém ligada a outras finalidades do ego, a fim de que o sintoma persista. De há muito se sabe que a eliminação dessa vantagem da doença, ou seu desaparecimento em conseqüência da modificação de circunstâncias externas reais, constitui um dos mecanismos da cura de um sintoma. Na doutrina adleriana, a ênfase principal recai sobre essas ligações facilmente verificáveis e claramente inteligíveis, enquanto se menospreza inteiramente o fato de que em inúmeras ocasiões o ego está apenas transformando em virtude a necessidade de submeter-se (por causa de sua utilidade) ao sintoma muito desagradável que lhe é imposto - por exemplo, ao aceitar a ansiedade como um meio de segurança. O ego está aí desempenhando o papel ridículo de um palhaço de circo que, pelos gestos, tenta convencer a platéia de que toda mudança no picadeiro está sendo executada por ordem sua. Mas só as crianças se deixam enganar por ele.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que todo sintoma neurótico deve sua possibilidade de existência a uma transação. Todo sintoma deve, portanto, de alguma forma obedecer às exigências do ego, o qual manipula a repressão; deve oferecer alguma vantagem, a expressão “vantagem da doença” levou isso em conta; é até justificável que se queira fazer distinção entre a vantagem “primária” do ego, que deve estar atuante na ocasião da gênese do sintoma, e uma parte “secundária”, que sobrevém ligada a outras finalidades do ego, a fim de que o sintoma persista. De há muito se sabe que a eliminação dessa vantagem da doença, ou seu desaparecimento em conseqüência da modificação de circunstâncias externas reais, constitui um dos mecanismos da cura de um sintoma. Na doutrina adleriana, a ênfase principal recai sobre essas ligações facilmente verificáveis e claramente inteligíveis, enquanto se menospreza inteiramente o fato de que em inúmeras ocasiões o ego está apenas transformando em virtude a necessidade de submeter-se (por causa de sua utilidade) ao sintoma muito desagradável que lhe é imposto - por exemplo, ao aceitar a ansiedade como um meio de segurança. O ego está aí desempenhando o papel ridículo de um palhaço de circo que, pelos gestos, tenta convencer a platéia de que toda mudança no picadeiro está sendo executada por ordem sua. Mas só as crianças se deixam enganar por ele.
Mattanó aponta que todo sintoma neurótico deve sua possibilidade de existência a uma transação. Todo sintoma deve, portanto, de alguma forma obedecer às exigências do ego, o qual manipula a repressão; deve oferecer alguma vantagem, a expressão “vantagem da doença” levou isso em conta; é até justificável que se queira fazer distinção entre a vantagem “primária” do ego, que deve estar atuante na ocasião da gênese do sintoma, e uma parte “secundária”, que sobrevém ligada a outras finalidades do ego, a fim de que o sintoma persista. De há muito se sabe que a eliminação dessa vantagem da doença, ou seu desaparecimento em conseqüência da modificação de circunstâncias externas reais, constitui um dos mecanismos da cura de um sintoma. Dentre as vantagens da doença temos a vantagem primária que se constitui de significados e sentidos, de uma funcionalidade e muitas vezes de uma aprendizagem por meio da consciência, cultura, conhecimento e realidade desse indivíduo, e temos a vantagem secundária que nos indica qual a finalidade do ego para que o sintoma persista, ou seja, qual ou quais são os mantenedores do comportamento. Na doutrina adleriana, a ênfase principal recai sobre essas ligações facilmente verificáveis e claramente inteligíveis, enquanto se menospreza inteiramente o fato de que em inúmeras ocasiões o ego está apenas transformando em virtude a necessidade de submeter-se (por causa de sua utilidade) ao sintoma muito desagradável que lhe é imposto - por exemplo, ao aceitar a ansiedade como um meio de segurança. O ego está aí desempenhando o papel ridículo de um palhaço de circo que, pelos gestos, tenta convencer a platéia de que toda mudança no picadeiro está sendo executada por ordem sua. Mas só as crianças se deixam enganar por ele. Vemos que com Adler o ego passa a aceitar o sintoma como um meio de segurança, mesmo quando desagradável, indicando que o ego está sendo enganado como a uma criança num circo diante de palhaços, ou seja, está fazendo um papel bobo e ridículo, infantil e sem autonomia alguma, aqui os palhaços são justamente os sintomas que escolhem perturbar a realidade, a cultura, o conhecimento e a consciência desse indivíduo através de contingências que levam o sujeito a seguir regras literalmente, por controle ou por influência de razões, ficando insensível a realidade.
MATTANÓ
(24/07/2025)
SOBRE OS SIGNIFICADOS E OS SENTIDOS (2025):
Podemos apontar que os significados e os sentidos das palavras, frases e enunciados de um indivíduo com comportamento verbal e uma história de vida dependem da sua intenção, isto é, da sua função, se foram projetados para desempenharem funções de significar e dar sentido ou se foram construídos para servirem a necessidade de fazer escolhas através das suas motivações, interesses e habilidades.
MATTANÓ
(25/07/2025)
A psicanálise vê-se obrigada a apoiar o segundo constituinte da teoria de Adler como o faria a algo seu que aquele autor extraiu de fontes abertas a todos durante dez anos de trabalho em comum e que agora rotulou como descoberta sua, através de uma simples mudança de nomenclatura. Eu mesmo considero “reasseguramento [Sicherung]”, por exemplo, um termo melhor do que “medida protetora [schutzmassregel]”, empregado por mim, mas não posso descobrir nenhuma diferença no significado de ambos. Além disso, encontramos um grande número de características familiares nas proposições de Adler quando ele restaura termos mais antigos como “fantasiado” e “fantasia” no lugar de “fingido” [fingiert], “fictício” e “ficção”. A psicanálise insistiria que esses termos são idênticos, mesmo se o seu autor não houvesse tomado parte em nosso trabalho comum por um período de muitos anos.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a psicanálise apoiou a teoria de Adler considerando que ela apenas realizou uma mudança de nomenclatura. Por exemplo, Adler utilizou termos como “reasseguramento [Sicherung]”, no lugar de “reasseguramento [Sicherung]”, empregado por Freud, e também restaura termos mais antigos como “fantasiado” e “fantasia” no lugar de “fingido” [fingiert], “fictício” e “ficção”. A psicanálise insistiria que esses termos são idênticos, mesmo se o seu autor não houvesse tomado parte em nosso trabalho comum por um período de muitos anos.
Mattanó aponta que a psicanálise apoiou a teoria de Adler considerando que ela apenas realizou uma mudança de nomenclatura. Por exemplo, Adler utilizou termos como “reasseguramento [Sicherung]”, no lugar de “reasseguramento [Sicherung]”, empregado por Freud, e também restaura termos mais antigos como “fantasiado” e “fantasia” no lugar de “fingido” [fingiert], “fictício” e “ficção”. A psicanálise insistiria que esses termos são idênticos, mesmo se o seu autor não houvesse tomado parte em nosso trabalho comum por um período de muitos anos. Vemos como a Psicanálise e a Psicologia Individual se estruturaram em seu longo caminho de escolhas, interesses, motivações, habilidades, significados, sentidos, conceitos, contextos, comportamentos, topografias, linguagens, relações sociais, histórias de vida, Gestalt e insights, funcionalidades, argumentação e linguagem, trabalho, estudos e pesquisas, investimentos, ciclos circadianos, lapsos de linguagem, atos falhos, esquecimentos, niilismos, fantasias, chistes, piadas, humor, charges, caricaturas, folclore, contos de fadas, totens e tabus, feitiçaria e xamãnismo , Congressos e debates, discussões e publicações, viagens e alargamento das fronteiras do movimento psicanalítico mediante defesa dos seus interesses, objetos e objetivos.
MATTANÓ
(25/07/2025)
O PODER DO UNIVERSO (2025):
Podemos especular que a passagem Bíblica onde Eva é tentada pela serpente que representa o Demônio, induzindo-a a roubar o fruto da Árvore da Vida e a oferecê-lo a Adão que também peca, tendo como resultado a punição de Deus Pai dirigida para Adão e Eva que são expulsos do Paraíso e devem viver no mundo com o pecado, que é o Amor, este Amor representa o pecado de Eva quando foi seduzida pela serpente diante da Árvore da Vida, a serpente era justamente um pênis ereto, com poder de envolver a mulher e de enfeitiçá-la criando um desejo ou necessidade de pecado, o pênis ereto era o de Adão que acabou sendo levado pelo contexto e pelos seus hormônios sexuais, assim como Eva, que também tinha hormônios sexuais, e o Demônio era justamente o Amor ou a tentação, o desejo sexual despertado entre Adão e Eva. Eis que o Amor é motivo e causa dos nossos pecados, contudo o Amor sexual ou libidinoso que é diferente do Amor do Pai, de Jesus e de Maria que são puros e Santos, se manifestam em forma de comunhão e de segurança.
MATTANÓ
(25/07/2025)
A terceira parte da teoria adleriana, as interpretações deturpadas e as distorções dos fatos desagradáveis revelados pela análise, são o que separa definitivamente a “Psicologia Individual”, como agora deve ser denominada, da psicanálise. Como sabemos, o princípio do sistema de Adler é que o propósito de auto-afirmação do indivíduo, sua “vontade de poder”, é o que, sob a forma de um “protesto masculino”, desempenha papel dominante na sua conduta, na formação do caráter e na neurose. Entretanto, esse “protesto masculino”, a força motivadora adleriana, nada mais é senão a repressão desligada do seu mecanismo psicológico e, além do mais, sexualizada - o que está bem pouco de acordo com a tão apregoada expulsão da sexualidade do seu lugar na vida mental. O “protesto masculino” sem dúvida existe, mas se for transformado na [única] força motivadora da vida mental estamos menosprezando os fatos observados como se abandonássemos um trampolim depois de o havermos utilizado para o salto. Consideremos uma das situações fundamentais em que se sente desejo na infância: a de uma criança que observa o ato sexual entre adultos. A análise demonstra, no caso de pessoas cuja vida o médico estudará depois, que, nesses momentos, dois impulsos se apoderam do espectador imaturo. Nos meninos, um é o impulso de colocar-se no lugar do homem ativo, e o outro, a contracorrente, é o impulso de identificar-se com a mulher passiva. O conflito entre esses dois impulsos esgota as possibilidades de prazer da situação. Somente o primeiro pode ser classificado como protesto masculino, se quisermos dar um sentido a esse conceito. O segundo, entretanto, cujo curso ulterior Adler não leva na devida consideração ou desconhece inteiramente, é o que se tornará mais importante na neurose subseqüente. Adler foi absorvido de tal forma pela estreiteza ciumenta do ego que leva em conta apenas os impulsos instintivos agradáveis ao ego e por ele estimulados; a situação neurótica, na qual os impulsos se opõem ao ego, é precisamente aquela que fica além do horizonte de Adler.
É em relação à tentativa - que a psicanálise tornou necessária - de correlacionar o princípio fundamental de sua teoria com a vida mental das crianças, que Adler apresenta os desvios mais sérios da observação real e a confusão mais fundamental de seus conceitos. Os significados biológico, social e psicológico de “masculino” e “feminino” estão aqui irremediavelmente confundidos. É impossível, e negado pela observação, que uma criança, quer do sexo masculino, quer feminino, baseie seu plano de vida numa depreciação original do sexo feminino e faça do desejo de ser um homem verdadeiro sua “diretriz”. Para começar, as crianças não fazem nenhuma idéia da importância da distinção entre os sexos; pelo contrário, partem da suposição de que ambos possuem o mesmo órgão genital (o masculino); não iniciam suas pesquisas sexuais com o problema da distinção entre os sexos, e a depreciação social das mulheres lhes é completamente estranha. Há mulheres em cuja neurose o desejo de ser homem não desempenhou nenhum papel. O que houve de protesto masculino pode-se facilmente remontar a uma perturbação do narcisismo primário devido a ameaças de castração ou às primeiras coerções das atividades sexuais. Todas as controvérsias sobre a psicogênese das neuroses terminarão sempre por ser resolvidas no campo das neuroses da infância. A dissecção cuidadosa de uma neurose na mais tenra infância põe termo a todos os equívocos sobre a etiologia das neuroses e a todas as dúvidas sobre o papel que os instintos sexuais nela desempenham. Eis por que, em sua crítica ao trabalho de Jung, “Conflitos na Mente da Criança” [1910c], Adler [1911a] foi obrigado a recorrer ao argumento de que os fatos do caso haviam sido ordenados unilateralmente, “sem dúvida pelo pai” [da criança].
Não me estenderei mais sobre o aspecto biológico da teoria adleriana nem discutirei se é a “inferioridade do órgão” real [ver em [1]] ou o sentimento subjetivo do mesmo - não se sabe qual - que pode, na verdade, servir de fundamento ao sistema de Adler. Limitar-me-ei a comentar de passagem que, se fosse assim, a neurose seria um subproduto de toda espécie de decrepitude física, ao passo que a observação mostra que uma grande maioria de pessoas feias, deformadas, aleijadas e infelizes deixam de reagir a seus defeitos através da neurose. Tampouco abordarei a interessante afirmação segundo a qual a inferioridade deve ser remontada ao sentimento de ser um criança, que revela o disfarce sob o qual o fator do infantilismo, a que a psicanálise deu tanta ênfase, reaparece na “Psicologia Individual”. Por outro lado, devo frisar como todas as aquisições psicológicas da psicanálise foram jogadas fora por Adler. Em seu livro Über den nervösen Charakter [1912] o inconsciente ainda aparece como uma peculiaridade psicológica, sem, entretanto, qualquer relação com seu sistema. Posteriormente, ele declarou repetidas vezes que é uma questão indiferente para ele se uma idéia é consciente ou inconsciente. Para começar, Adler nunca deu o menor sinal de ter compreendido o que é a repressão. No resumo de um trabalho lido por ele na Sociedade de Viena (fevereiro de 1911) escreveu que se deve ressaltar que, num caso específico, ficou demonstrado que o paciente nunca havia reprimido sua libido, mas vinha continuamente “reassegurando-se” dela. Pouco depois, num debate na Sociedade de Viena, disse: “Se perguntarmos de onde vem a repressão, nos respondem, ‘da civilização’, mas se perguntarmos depois de onde vem a civilização, nos dizem, ‘da repressão’. Como vêem, é simplesmente um jogo de palavras.” Uma parte mínima da agudeza e engenhosidade que Adler usou para desmascarar os dispositivos defensivos do “caráter nervoso” teria sido suficiente para indicar-lhe a saída desse argumento capcioso. O que se quer dizer é simplesmente que a civilização se baseia nas repressões efetuadas por gerações anteriores, e que se exige de cada nova geração que mantenha essa civilização efetuando as mesmas repressões. Certa vez ouvi falar de uma criança que julgava que as pessoas zombavam dela, e começou a chorar, porque quando perguntou de onde vêm os ovos disseram-lhe que “das galinhas”, e quando perguntou novamente de onde vinham as galinhas responderam-lhe “dos ovos”. Mas não estavam fazendo um jogo de palavras; pelo contrário, estavam dizendo-lhe a verdade.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a terceira parte da teoria adleriana, as interpretações deturpadas e as distorções dos fatos desagradáveis revelados pela análise, são o que separa definitivamente a “Psicologia Individual”, Como sabemos, o princípio do sistema de Adler é que o propósito de auto-afirmação do indivíduo, sua “vontade de poder”, é o que, sob a forma de um “protesto masculino”, desempenha papel dominante na sua conduta, na formação do caráter e na neurose. Entretanto, esse “protesto masculino”, a força motivadora adleriana, nada mais é senão a repressão desligada do seu mecanismo psicológico e, além do mais, sexualizada - o que está bem pouco de acordo com a tão apregoada expulsão da sexualidade do seu lugar na vida mental. O “protesto masculino” sem dúvida existe, mas se for transformado na [única] força motivadora da vida mental estamos menosprezando os fatos observados como se abandonássemos um trampolim depois de o havermos utilizado para o salto. Consideremos uma das situações fundamentais em que se sente desejo na infância: a de uma criança que observa o ato sexual entre adultos. A análise demonstra, no caso de pessoas cuja vida o médico estudará depois, que, nesses momentos, dois impulsos se apoderam do espectador imaturo. Nos meninos, um é o impulso de colocar-se no lugar do homem ativo, e o outro, a contracorrente, é o impulso de identificar-se com a mulher passiva. O conflito entre esses dois impulsos esgota as possibilidades de prazer da situação. Somente o primeiro pode ser classificado como protesto masculino, se quisermos dar um sentido a esse conceito. O segundo, entretanto, cujo curso ulterior Adler não leva na devida consideração ou desconhece inteiramente, é o que se tornará mais importante na neurose subseqüente. Adler foi absorvido de tal forma pela estreiteza ciumenta do ego que leva em conta apenas os impulsos instintivos agradáveis ao ego e por ele estimulados; a situação neurótica, na qual os impulsos se opõem ao ego, é precisamente aquela que fica além do horizonte de Adler.
As crianças não fazem nenhuma idéia da importância da distinção entre os sexos; pelo contrário, partem da suposição de que ambos possuem o mesmo órgão genital (o masculino); não iniciam suas pesquisas sexuais com o problema da distinção entre os sexos, e a depreciação social das mulheres lhes é completamente estranha. Há mulheres em cuja neurose o desejo de ser homem não desempenhou nenhum papel. O que houve de protesto masculino pode-se facilmente remontar a uma perturbação do narcisismo primário devido a ameaças de castração ou às primeiras coerções das atividades sexuais. Todas as controvérsias sobre a psicogênese das neuroses terminarão sempre por ser resolvidas no campo das neuroses da infância. A dissecção cuidadosa de uma neurose na mais tenra infância põe termo a todos os equívocos sobre a etiologia das neuroses e a todas as dúvidas sobre o papel que os instintos sexuais nela desempenham.
Limitar-me-ei a comentar de passagem que, se fosse assim, a neurose seria um subproduto de toda espécie de decrepitude física, ao passo que a observação mostra que uma grande maioria de pessoas feias, deformadas, aleijadas e infelizes deixam de reagir a seus defeitos através da neurose. Tampouco abordarei a interessante afirmação segundo a qual a inferioridade deve ser remontada ao sentimento de ser um criança, que revela o disfarce sob o qual o fator do infantilismo, a que a psicanálise deu tanta ênfase, reaparece na “Psicologia Individual”. Para começar, Adler nunca deu o menor sinal de ter compreendido o que é a repressão. No resumo de um trabalho lido por ele na Sociedade de Viena (fevereiro de 1911) escreveu que se deve ressaltar que, num caso específico, ficou demonstrado que o paciente nunca havia reprimido sua libido, mas vinha continuamente “reassegurando-se” dela. Pouco depois, num debate na Sociedade de Viena, disse: “Se perguntarmos de onde vem a repressão, nos respondem, ‘da civilização’, mas se perguntarmos depois de onde vem a civilização, nos dizem, ‘da repressão’. Como vêem, é simplesmente um jogo de palavras.” Uma parte mínima da agudeza e engenhosidade que Adler usou para desmascarar os dispositivos defensivos do “caráter nervoso” teria sido suficiente para indicar-lhe a saída desse argumento capcioso. O que se quer dizer é simplesmente que a civilização se baseia nas repressões efetuadas por gerações anteriores, e que se exige de cada nova geração que mantenha essa civilização efetuando as mesmas repressões. Certa vez ouvi falar de uma criança que julgava que as pessoas zombavam dela, e começou a chorar, porque quando perguntou de onde vêm os ovos disseram-lhe que “das galinhas”, e quando perguntou novamente de onde vinham as galinhas responderam-lhe “dos ovos”. Mas não estavam fazendo um jogo de palavras; pelo contrário, estavam dizendo-lhe a verdade.
Mattanó aponta que a terceira parte da teoria adleriana, as interpretações deturpadas e as distorções dos fatos desagradáveis revelados pela análise, são o que separa definitivamente a “Psicologia Individual”, Como sabemos, o princípio do sistema de Adler é que o propósito de auto-afirmação do indivíduo, sua “vontade de poder”, é o que, sob a forma de um “protesto masculino”, desempenha papel dominante na sua conduta, na formação do caráter e na neurose. Entretanto, esse “protesto masculino”, a força motivadora adleriana, nada mais é senão a repressão desligada do seu mecanismo psicológico e, além do mais, sexualizada - o que está bem pouco de acordo com a tão apregoada expulsão da sexualidade do seu lugar na vida mental. O “protesto masculino” sem dúvida existe, mas se for transformado na [única] força motivadora da vida mental estamos menosprezando os fatos observados como se abandonássemos um trampolim depois de o havermos utilizado para o salto. Consideremos uma das situações fundamentais em que se sente desejo na infância: a de uma criança que observa o ato sexual entre adultos. A análise demonstra, no caso de pessoas cuja vida o médico estudará depois, que, nesses momentos, dois impulsos se apoderam do espectador imaturo. Nos meninos, um é o impulso de colocar-se no lugar do homem ativo, e o outro, a contracorrente, é o impulso de identificar-se com a mulher passiva. O conflito entre esses dois impulsos esgota as possibilidades de prazer da situação. Somente o primeiro pode ser classificado como protesto masculino, se quisermos dar um sentido a esse conceito. O segundo, entretanto, cujo curso ulterior Adler não leva na devida consideração ou desconhece inteiramente, é o que se tornará mais importante na neurose subseqüente. Adler foi absorvido de tal forma pela estreiteza ciumenta do ego que leva em conta apenas os impulsos instintivos agradáveis ao ego e por ele estimulados; a situação neurótica, na qual os impulsos se opõem ao ego, é precisamente aquela que fica além do horizonte de Adler. Vemos que Adler utiliza o ¨protesto maculino¨ como uma ¨vontade de poder¨ da criança, até mesmo quando observa o coito entre adultos, entre um homem e uma mulher, se identificando ativamente com o homem e passivamente com a mulher, porém como vítima de abuso sexual, exploração sexual, violência sexual, corrupção de menores de 14 anos de idade e até de pedofilia e estupro virtual, pois o ¨protesto masculino¨de uma criança é infantil, doméstico e familiar, sem malícia até os 14 anos de idade com a puberdade, que transforma o ¨protesto masculino¨ em adulto e recalcado, genital, uma forma de amor que se converte em ¨vontade de poder¨, indicando que a sexualidade em condições normais não faz parte da vida infantil, doméstica e familiar, mas sim a consciência, a cultura, o conhecimento e a realidade que se ajustam ao contexto e ao meio ambiente, pois dependem das condições do (S) estímulo.
As crianças não fazem nenhuma idéia da importância da distinção entre os sexos; pelo contrário, partem da suposição de que ambos possuem o mesmo órgão genital (o masculino); não iniciam suas pesquisas sexuais com o problema da distinção entre os sexos, e a depreciação social das mulheres lhes é completamente estranha. Há mulheres em cuja neurose o desejo de ser homem não desempenhou nenhum papel. O que houve de protesto masculino pode-se facilmente remontar a uma perturbação do narcisismo primário devido a ameaças de castração ou às primeiras coerções das atividades sexuais. Todas as controvérsias sobre a psicogênese das neuroses terminarão sempre por ser resolvidas no campo das neuroses da infância. A dissecção cuidadosa de uma neurose na mais tenra infância põe termo a todos os equívocos sobre a etiologia das neuroses e a todas as dúvidas sobre o papel que os instintos sexuais nela desempenham. Vemos que as crianças tendem a não serem controladas pelos estímulos sexuais na infância, como a distinção dos sexos e a depreciação sexual das mulheres que lhes é completamente estranha, todas as controvérsias terminam por serem resolvidas no campo das neuroses da infância, sendo importante perceber que uma criança que não alcançou a puberdade é muito diferente de outra que está em crescimento e desenvolvimento, em amadurecimento, que tem menos de 14 anos de idade que não conhece a malícia comportamental, que muda completamente o cenário lúdico e operante de um adolescente, influenciando suas atitudes sociais e familiares, e novos processos cognitivos que adquirem a capacidade de realizar hipóteses e deduções através de meras especulações ou hipóteses.
Limitar-me-ei a comentar de passagem que, se fosse assim, a neurose seria um subproduto de toda espécie de decrepitude física, ao passo que a observação mostra que uma grande maioria de pessoas feias, deformadas, aleijadas e infelizes deixam de reagir a seus defeitos através da neurose. Tampouco abordarei a interessante afirmação segundo a qual a inferioridade deve ser remontada ao sentimento de ser um criança, que revela o disfarce sob o qual o fator do infantilismo, a que a psicanálise deu tanta ênfase, reaparece na “Psicologia Individual”. Para começar, Adler nunca deu o menor sinal de ter compreendido o que é a repressão. No resumo de um trabalho lido por ele na Sociedade de Viena (fevereiro de 1911) escreveu que se deve ressaltar que, num caso específico, ficou demonstrado que o paciente nunca havia reprimido sua libido, mas vinha continuamente “reassegurando-se” dela. Pouco depois, num debate na Sociedade de Viena, disse: “Se perguntarmos de onde vem a repressão, nos respondem, ‘da civilização’, mas se perguntarmos depois de onde vem a civilização, nos dizem, ‘da repressão’. Como vêem, é simplesmente um jogo de palavras.” Uma parte mínima da agudeza e engenhosidade que Adler usou para desmascarar os dispositivos defensivos do “caráter nervoso” teria sido suficiente para indicar-lhe a saída desse argumento capcioso. O que se quer dizer é simplesmente que a civilização se baseia nas repressões efetuadas por gerações anteriores, e que se exige de cada nova geração que mantenha essa civilização efetuando as mesmas repressões. Certa vez ouvi falar de uma criança que julgava que as pessoas zombavam dela, e começou a chorar, porque quando perguntou de onde vêm os ovos disseram-lhe que “das galinhas”, e quando perguntou novamente de onde vinham as galinhas responderam-lhe “dos ovos”. Mas não estavam fazendo um jogo de palavras; pelo contrário, estavam dizendo-lhe a verdade. Vemos que para Freud o sentimento de ser uma criança é quem produz e esclarece a ¨Psicologia Individual¨, para Freud o sentimento de inferioridade se devia a natureza infantil do seu gerador e era este sentimento quem concebia a ¨Psicologia Individual¨, e que a repressão vem da civilização, contudo a civilização também vem da repressão, de modo que repressões realizadas por gerações anteriores acabam exigindo de cada nova geração que se mantenha a civilização realizando as mesmas repressões, é como tentar explicar o ¨ovo¨ e a ¨galinha¨, quem veio primeiro e quem mantêm esta relação.
MATTANÓ
(28/07/2025)
Tudo que Adler tem a dizer sobre sonhos, a pedra de toque da psicanálise, é igualmente vazio e destituído de sentido. Inicialmente, ele considerava os sonhos como um desvio da linha feminina para a masculina - o que é simplesmente uma tradução da teoria da realização de desejos dos sonhos para a linguagem do “protesto masculino”. Depois descobriu que a essência dos sonhos está em permitir que os homens realizem inconscientemente o que lhes é negado conscientemente. Cabe também a Adler [1911b, 215n.] o mérito da prioridade no confundir sonhos com pensamentos oníricos latentes - confusão na qual se baseia a descoberta de sua “tendência prospectiva”. Maeder [1912] seguiu-lhe o exemplo em relação a isso posteriormente. Aqui se menospreza totalmente o fato de que toda interpretação de um sonho que é incompreensível em sua forma manifesta se baseia precisamente no próprio método de interpretação de sonhos cujas premissas e conclusões são objeto de controvérsia. No tocante à resistência, Adler nos informa que ela serve à finalidade de pôr um vigor a oposição do paciente ao médico. Isso por certo é verdade; vale tanto quanto dizer que ela serve à finalidade da resistência. De onde provém, contudo, ou como acontece que suas manifestações fiquem à disposição do paciente, não é objeto de ulterior indagação, como sendo de nenhum interesse para o ego. O mecanismo pormenorizado dos sintomas e manifestações de doenças, a explicação da múltipla variedade dessas doenças e suas formas de expressão, são negligenciados in toto; pois tudo é igualmente posto a serviço do protesto masculino, da auto-afirmação e do enaltecimento da personalidade. O sistema está completo; produzi-lo custou enorme volume de trabalho de reformulação de interpretação, ao passo que ele próprio não forneceu uma única observação nova. Creio ter deixado claro que ele nada tem que ver com a psicanálise.
A visão da vida refletida no sistema adleriano fundamenta-se exclusivamente no instinto agressivo; nele não há lugar para o amor. Talvez nos surpreenda que essa Weltanschauung tão melancólica tenha merecido alguma atenção, mas não devemos esquecer que os seres humanos, vergados sob o fardo de suas necessidades sexuais, estão prontos a aceitar qualquer coisa se pelo menos a “superação da sexualidade” lhes for oferecida como isca.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o quê Adler tem a dizer sobre sonhos, é igualmente vazio e destituído de sentido. Inicialmente, ele considerava os sonhos como um desvio da linha feminina para a masculina - o que é simplesmente uma tradução da teoria da realização de desejos dos sonhos para a linguagem do “protesto masculino”. Depois descobriu que a essência dos sonhos está em permitir que os homens realizem inconscientemente o que lhes é negado conscientemente. Cabe também a Adler [1911b, 215n.] o mérito da prioridade no confundir sonhos com pensamentos oníricos latentes - confusão na qual se baseia a descoberta de sua “tendência prospectiva”. No tocante à resistência, Adler nos informa que ela serve à finalidade de pôr um vigor a oposição do paciente ao médico. Isso por certo é verdade; vale tanto quanto dizer que ela serve à finalidade da resistência. De onde provém, contudo, ou como acontece que suas manifestações fiquem à disposição do paciente, não é objeto de ulterior indagação, como sendo de nenhum interesse para o ego. O mecanismo pormenorizado dos sintomas e manifestações de doenças, a explicação da múltipla variedade dessas doenças e suas formas de expressão, são negligenciados in toto; pois tudo é igualmente posto a serviço do protesto masculino, da auto-afirmação e do enaltecimento da personalidade. O sistema está completo; produzi-lo custou enorme volume de trabalho de reformulação de interpretação, ao passo que ele próprio não forneceu uma única observação nova. Creio ter deixado claro que ele nada tem que ver com a psicanálise.
A visão da vida refletida no sistema adleriano fundamenta-se exclusivamente no instinto agressivo; nele não há lugar para o amor. Talvez nos surpreenda que essa Weltanschauung tão melancólica tenha merecido alguma atenção, mas não devemos esquecer que os seres humanos, vergados sob o fardo de suas necessidades sexuais, estão prontos a aceitar qualquer coisa se pelo menos a “superação da sexualidade” lhes for oferecida como isca.
Mattanó aponta que o quê Adler tem a dizer sobre sonhos, é igualmente vazio e destituído de sentido. Inicialmente, ele considerava os sonhos como um desvio da linha feminina para a masculina - o que é simplesmente uma tradução da teoria da realização de desejos dos sonhos para a linguagem do “protesto masculino”. Depois descobriu que a essência dos sonhos está em permitir que os homens realizem inconscientemente o que lhes é negado conscientemente. Cabe também a Adler [1911b, 215n.] o mérito da prioridade no confundir sonhos com pensamentos oníricos latentes - confusão na qual se baseia a descoberta de sua “tendência prospectiva”. No tocante à resistência, Adler nos informa que ela serve à finalidade de pôr um vigor a oposição do paciente ao médico. Isso por certo é verdade; vale tanto quanto dizer que ela serve à finalidade da resistência. De onde provém, contudo, ou como acontece que suas manifestações fiquem à disposição do paciente, não é objeto de ulterior indagação, como sendo de nenhum interesse para o ego. O mecanismo pormenorizado dos sintomas e manifestações de doenças, a explicação da múltipla variedade dessas doenças e suas formas de expressão, são negligenciados in toto; pois tudo é igualmente posto a serviço do protesto masculino, da auto-afirmação e do enaltecimento da personalidade. O sistema está completo; produzi-lo custou enorme volume de trabalho de reformulação de interpretação, ao passo que ele próprio não forneceu uma única observação nova. Creio ter deixado claro que ele nada tem que ver com a psicanálise. Vemos como Freud se defendeu das novas abordagens e escolas que surgiam em competição com a sua, a Psicanálise, seu comportamento foi de um verdadeiro pai da Psicanálise tentando ensinar as regras e o caminho correto para os seus discípulos que investiam no movimento psicanalítico.
A visão da vida refletida no sistema adleriano fundamenta-se exclusivamente no instinto agressivo; nele não há lugar para o amor. Talvez nos surpreenda que essa Weltanschauung tão melancólica tenha merecido alguma atenção, mas não devemos esquecer que os seres humanos, vergados sob o fardo de suas necessidades sexuais, estão prontos a aceitar qualquer coisa se pelo menos a “superação da sexualidade” lhes for oferecida como isca. Vemos como Freud justificou sua descredibilidade em relação ao sistema adleriano que fundamentava-se exclusivamente no instinto agressivo, excluindo o amor, como uma forma de ¨superação da sexualidade¨, de modo que se criavam redes de significados e de sentidos sobre o sistema adleriano e a descredibilidade freudiana.
MATTANÓ
(29/07/2025)
A deserção de Adler ocorreu antes do Congresso de Weimar em 1911; depois dessa data teve início a dos suíços. Os primeiros sinais dela, o que é bastante curioso, foram certas observações de Riklin em uns artigos populares aparecidos em publicações suíças, de modo que o grande público soube, antes do que aqueles mais intimamente ligados ao assunto, que a psicanálise havia superado alguns erros lamentáveis que anteriormente a haviam desacreditado. Em 1912, Jung vangloriou-se, numa carta procedente dos Estados Unidos, de que suas modificações da psicanálise haviam vencido as resistências de muitas pessoas que até então não queriam nada com ela. Repliquei que aquilo não constituía nenhum motivo de vanglória, e que quanto mais ele sacrificasse as verdades da psicanálise conquistadas arduamente, mais veria as resistências desaparecendo. Essa modificação, da qual os suíços tanto se orgulharam, mais uma vez nada mais era do que impelir para o segundo plano o fator sexual na teoria psicanalítica. Confesso que desde o começo considerei esse “avanço” como um ajustamento muito exagerado às exigências da realidade.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que Adler desertou antes do Congresso de Weimar em 1911 e que depois desta data teve início a dos suíços. Os primeiros sinais dela foram certas observações de Riklin em artigos populares. Em 1912 Jung se vangloriou numa carta procedente dos Estados Unidos, de que suas modificações da psicanálise haviam vencido as resistências de muitas pessoas que até então não queriam nada com ela. Repliquei que aquilo não constituía nenhum motivo de vanglória, e que quanto mais ele sacrificasse as verdades da psicanálise conquistadas arduamente, mais veria as resistências desaparecendo. Essa modificação, da qual os suíços tanto se orgulharam, mais uma vez nada mais era do que impelir para o segundo plano o fator sexual na teoria psicanalítica. Confesso que desde o começo considerei esse “avanço” como um ajustamento muito exagerado às exigências da realidade.
Mattanó aponta que Adler desertou antes do Congresso de Weimar em 1911 e que depois desta data teve início a dos suíços. Os primeiros sinais dela foram certas observações de Riklin em artigos populares. Em 1912 Jung se vangloriou numa carta procedente dos Estados Unidos, de que suas modificações da psicanálise haviam vencido as resistências de muitas pessoas que até então não queriam nada com ela. Freud replicou que aquilo não constituía nenhum motivo de vanglória, e que quanto mais ele sacrificasse as verdades da psicanálise conquistadas arduamente, mais veria as resistências desaparecendo. Essa modificação, da qual os suíços tanto se orgulharam, mais uma vez nada mais era do que impelir para o segundo plano o fator sexual na teoria psicanalítica. Confessa que desde o começo considerou esse “avanço” como um ajustamento muito exagerado às exigências da realidade. Vemos como ocorreram as deserções de Adler e dos suíços, como a de Jung que alcançou mais popularidade com suas modificações que não foram bem recebidas por Freud, que comentou que as modificações apenas levaram o fator sexual para o segundo plano e que esse ¨avanço¨ tratava-se de um ajustamento muito exagerado às exigências da realidade. Contudo Mattanó comenta que a realidade torna-se cada vez mais exigente na medida em que o Homo Sapiens cresce, se desenvolve e amadurece, cria instrumentos e tecnologias, cria culturas e religiões, cria modos de relação social e cria, gera e acumula riquezas para depois distribuí-las segundo suas escolhas, por exemplo, sem desperdícios e seguindo um modelo econômico, político e ideológico, de administração, ou seja, as necessidades mudam conforme o meio ambiente e os estímulos mudam, se os estímulos ficam mais exigentes as necessidades serão mais exigentes, assim como se os estímulos se tornam menos exigentes as necessidades se tornam menos exigentes, tudo depende dos significados e dos sentidos, e da funcionalidade dos estímulos.
MATTANÓ
(29/07/2025)
Esses dois movimentos de afastamento da psicanálise, que eu agora devo comparar um com o outro, assinalam outro ponto em comum: ambos cortejam uma opinião favorável mediante a formulação de certas idéias elevadas, que encaram as coisas, por assim dizer, sub specie aeternitatis. Em Adler, esse papel é desempenhado pela relatividade de todo conhecimento e pelo direito da personalidade de basear uma interpretação artificial nos dados de conhecimento de acordo com o gosto individual; em Jung, faz-se apelo ao direito histórico da juventude de romper os grilhões com os quais a tirania dos mais velhos e seus pontos de vista tacanhos procuram aprisioná-la. Algumas palavras devem ser dedicadas ao esclarecimento da falácia dessas idéias.
A relatividade do nosso conhecimento é uma consideração que pode ser formulada contra todas as outras ciências, do mesmo modo que contra a psicanálise. Origina-se de conhecidas correntes reacionárias do pensamento atual hostis à ciência, e pretende o surgimento de uma superioridade a que ninguém pode aspirar. Nenhum de nós pode adivinhar qual será o julgamento final da humanidade sobre nossos esforços teóricos. Existem exemplos em que a rejeição das três primeiras gerações foi corrigida pela seguinte e transformada em reconhecimento. Depois de se ter ouvido com cuidado a voz da autocrítica e de haver prestado certa atenção às críticas dos adversários, não resta mais nada a fazer senão sustentar, com todas as forças, as próprias convicções baseadas na experiência. A pessoa deve contentar-se em agir com o máximo de honestidade, não devendo assumir o papel de juiz, reservado ao futuro remoto. Dar ênfase a opiniões pessoais arbitrárias, em assuntos científicos, é mau; constitui claramente uma tentativa de questionar o direito da psicanálise de ser considerada uma ciência - aliás, depois de já ter sido esse valor depreciado pelo que foi dito antes [sobre a natureza relativa de todo o conhecimento]. Quem quer que dê grande valor ao pensamento científico procurará, antes, todos os meios e métodos possíveis para limitar o fator predileções pessoais fantasiosas tanto quanto possível, onde quer que ele desempenhe papel grande demais. Além disso, vale a pena lembrar que não tem cabimento o excessivo zelo em defendermos a nós mesmos. Esses argumentos de Adler não têm intenção séria. Destinam-se apenas a ser utilizados contra seus adversários; não se referem às suas próprias teorias, nem impediram seus seguidores de aclamá-lo como o Messias, para cujo advento a humanidade ansiosa foi preparada por grande número de precursores. O Messias certamente não é nenhum fenômeno relativo.
O argumento ad captandam benevolentiam de Jung repousa na suposição demasiado otimista de que o progresso da raça humana, da civilização e do conhecimento sempre seguiu uma linha ininterrupta, como se não tivesse havido períodos de decadência, reações e restaurações após cada revolução, e gerações não tivessem dado um passo para trás e abandonado as vantagens de seus antecessores. Sua abordagem do ponto de vista das massas, sua renúncia a uma inovação que foi mal recebida, tornam a priori pouco provável que a versão jungiana da psicanálise possa com justiça pretender ser uma atitude jovem de liberação. Afinal de contas, não é a idade do autor que decide isso, mas o caráter da ação.
Dos dois movimentos em discussão, o de Adler é, sem dúvida alguma, o mais importante; embora radicalmente falso, apresenta consistência e coerência. Além disso, se baseia, apesar de tudo, numa teoria dos instintos. A modificação de Jung, por outro lado, afrouxa a conexão dos fenômenos com a vida instintiva; e além disso, conforme seus críticos (p. ex. Abraham, Ferenczi e Jones) ressaltaram, é tão obscura, ininteligível e confusa a ponto de se tornar difícil assumir uma posição em relação a ela. Quando se pensa que se entendeu alguma coisa, pode-se ficar preparado para ouvir dizer que não se entendeu e não se pode saber como tirar uma conclusão correta. Tudo é formulado de uma maneira particularmente vacilante, ora como “uma divergência sutil que não justifica o escarcéu que se fez em torno dela” (Jung), ora como uma nova mensagem de salvação que irá iniciar uma nova era para a psicanálise, e mais ainda, uma nova Weltanschauung para todos.
Quando se pensa nas várias incoerências reveladas em diversos pronunciamentos públicos e privados feitos pelo movimento jungiano, somos levados a perguntar quanto disso se deve à falta de clareza e quanto à falta de sinceridade. Deve-se admitir, contudo, que os expoentes da nova teoria se encontram numa posição difícil. Combatem agora coisas que anteriormente defendiam, e o fazem, além disso, não baseados em novas observações que lhes poderiam ter ensinado algo mais, mas em conseqüência de novas interpretações que fazem com que as coisas que vêem lhes pareçam diferentes do que viam antes. Por esse motivo não estão dispostos a abrir mão da ligação com a psicanálise, como representantes da qual se tornaram conhecidos perante o mundo, e preferem anunciar que a psicanálise mudou. No Congresso de Munique achei necessário esclarecer essa confusão, e o fiz declarando que não reconhecia as inovações dos suíços como continuações legítimas e desenvolvimentos ulteriores da psicanálise que se originou comigo. Críticos alheios ao movimento psicanalítico (como Furtmüller) já haviam observado isso antes, e Abraham tem razão em dizer que Jung se afastou inteiramente da psicanálise. É claro que sou perfeitamente capaz de admitir que cada um tem o direito de pensar e escrever o que quiser, mas não tem o direito de apresentá-lo como uma coisa que não é.
Da mesma forma que a investigação de Adler trouxe algo de novo à psicanálise - uma contribuição à psicologia do ego - e cobrou por esse presente um preço demasiado alto jogando fora todas as teorias fundamentais da análise, assim também Jung e seus seguidores prepararam o caminho para a sua luta contra a psicanálise presenteando-a com uma nova aquisição. Investigaram em detalhes (como Pfister fizera antes deles) o caminho através do qual o material das idéias sexuais pertencentes ao complexo de família e à escolha de objeto incestuoso é utilizado na representação dos interesses éticos e religiosos mais elevados do homem, isto é, aclarando assim um importante exemplo de sublimação das forças eróticas instintivas e de sua transformação em tendências que não podem mais ser chamadas de eróticas. Isso concordava perfeitamente com todas as expectativas da psicanálise e poderia harmonizar-se muito bem com a idéia segundo a qual nos sonhos e neuroses uma dissolução regressiva dessa sublimação, como de todas as outras, se torna visível. Mas o mundo inteiro teria protestado indignado contra a sexualização da ética e da religião. Pelo menos dessa vez não consigo deixar de pensar teologicamente e concluir que esses descobridores não tinham condições de enfrentar essa tormenta de indignação, talvez mesmo presente no íntimo deles próprios.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que esses dois movimentos de afastamento da psicanálise, que eu agora ele deve comparar um com o outro em sua análise para a produção deste texto. Em Adler, esse papel é desempenhado pela relatividade de todo conhecimento e pelo direito da personalidade de basear uma interpretação artificial nos dados de conhecimento de acordo com o gosto individual; em Jung, faz-se apelo ao direito histórico da juventude de romper os grilhões com os quais a tirania dos mais velhos e seus pontos de vista tacanhos procuram aprisioná-la.
A relatividade do nosso conhecimento é uma consideração que pode ser formulada contra todas as outras ciências, do mesmo modo que contra a psicanálise. Origina-se de conhecidas correntes reacionárias do pensamento atual hostis à ciência, e pretende o surgimento de uma superioridade a que ninguém pode aspirar. Nenhum de nós pode adivinhar qual será o julgamento final da humanidade sobre nossos esforços teóricos. Existem exemplos em que a rejeição das três primeiras gerações foi corrigida pela seguinte e transformada em reconhecimento. Depois de se ter ouvido com cuidado a voz da autocrítica e de haver prestado certa atenção às críticas dos adversários, não resta mais nada a fazer senão sustentar, com todas as forças, as próprias convicções baseadas na experiência. A pessoa deve contentar-se em agir com o máximo de honestidade, não devendo assumir o papel de juiz, reservado ao futuro remoto. Dar ênfase a opiniões pessoais arbitrárias, em assuntos científicos, é mau; constitui claramente uma tentativa de questionar o direito da psicanálise de ser considerada uma ciência - aliás, depois de já ter sido esse valor depreciado pelo que foi dito antes [sobre a natureza relativa de todo o conhecimento]. Quem quer que dê grande valor ao pensamento científico procurará, antes, todos os meios e métodos possíveis para limitar o fator predileções pessoais fantasiosas tanto quanto possível, onde quer que ele desempenhe papel grande demais. Além disso, vale a pena lembrar que não tem cabimento o excessivo zelo em defendermos a nós mesmos. Esses argumentos de Adler não têm intenção séria. Destinam-se apenas a ser utilizados contra seus adversários; não se referem às suas próprias teorias, nem impediram seus seguidores de aclamá-lo como o Messias, para cujo advento a humanidade ansiosa foi preparada por grande número de precursores. O Messias certamente não é nenhum fenômeno relativo.
O argumento ad captandam benevolentiam de Jung repousa na suposição demasiado otimista de que o progresso da raça humana, da civilização e do conhecimento sempre seguiu uma linha ininterrupta, como se não tivesse havido períodos de decadência, reações e restaurações após cada revolução, e gerações não tivessem dado um passo para trás e abandonado as vantagens de seus antecessores. Sua abordagem do ponto de vista das massas, sua renúncia a uma inovação que foi mal recebida, tornam a priori pouco provável que a versão jungiana da psicanálise possa com justiça pretender ser uma atitude jovem de liberação. Afinal de contas, não é a idade do autor que decide isso, mas o caráter da ação.
Dos dois movimentos em discussão, o de Adler é, sem dúvida alguma, o mais importante; embora radicalmente falso, apresenta consistência e coerência. Além disso, se baseia, apesar de tudo, numa teoria dos instintos. A modificação de Jung, por outro lado, afrouxa a conexão dos fenômenos com a vida instintiva; e além disso, conforme seus críticos (p. ex. Abraham, Ferenczi e Jones) ressaltaram, é tão obscura, ininteligível e confusa a ponto de se tornar difícil assumir uma posição em relação a ela. Quando se pensa que se entendeu alguma coisa, pode-se ficar preparado para ouvir dizer que não se entendeu e não se pode saber como tirar uma conclusão correta.
Quando se pensa nas várias incoerências reveladas em diversos pronunciamentos públicos e privados feitos pelo movimento jungiano, somos levados a perguntar quanto disso se deve à falta de clareza e quanto à falta de sinceridade. Deve-se admitir, contudo, que os expoentes da nova teoria se encontram numa posição difícil. Combatem agora coisas que anteriormente defendiam, e o fazem, além disso, não baseados em novas observações que lhes poderiam ter ensinado algo mais, mas em conseqüência de novas interpretações que fazem com que as coisas que vêem lhes pareçam diferentes do que viam antes. Por esse motivo não estão dispostos a abrir mão da ligação com a psicanálise, como representantes da qual se tornaram conhecidos perante o mundo, e preferem anunciar que a psicanálise mudou. No Congresso de Munique achei necessário esclarecer essa confusão, e o fiz declarando que não reconhecia as inovações dos suíços como continuações legítimas e desenvolvimentos ulteriores da psicanálise que se originou comigo. Críticos alheios ao movimento psicanalítico (como Furtmüller) já haviam observado isso antes, e Abraham tem razão em dizer que Jung se afastou inteiramente da psicanálise.
Da mesma forma que a investigação de Adler trouxe algo de novo à psicanálise - uma contribuição à psicologia do ego - e cobrou por esse presente um preço demasiado alto jogando fora todas as teorias fundamentais da análise, assim também Jung e seus seguidores prepararam o caminho para a sua luta contra a psicanálise presenteando-a com uma nova aquisição. Investigaram em detalhes (como Pfister fizera antes deles) o caminho através do qual o material das idéias sexuais pertencentes ao complexo de família e à escolha de objeto incestuoso é utilizado na representação dos interesses éticos e religiosos mais elevados do homem, isto é, aclarando assim um importante exemplo de sublimação das forças eróticas instintivas e de sua transformação em tendências que não podem mais ser chamadas de eróticas. Isso concordava perfeitamente com todas as expectativas da psicanálise e poderia harmonizar-se muito bem com a idéia segundo a qual nos sonhos e neuroses uma dissolução regressiva dessa sublimação, como de todas as outras, se torna visível. Mas o mundo inteiro teria protestado indignado contra a sexualização da ética e da religião. Pelo menos dessa vez não consigo deixar de pensar teologicamente e concluir que esses descobridores não tinham condições de enfrentar essa tormenta de indignação, talvez mesmo presente no íntimo deles próprios.
Mattanó aponta que esses dois movimentos de afastamento da psicanálise, que eu agora Freud deve comparar um com o outro em sua análise para a produção deste texto. Em Adler, esse papel é desempenhado pela relatividade de todo conhecimento e pelo direito da personalidade de basear uma interpretação artificial nos dados de conhecimento de acordo com o gosto individual; em Jung, faz-se apelo ao direito histórico da juventude de romper os grilhões com os quais a tirania dos mais velhos e seus pontos de vista tacanhos procuram aprisioná-la. Vemos como se dirigiram os orgumentos e a linguagem de Freud contra os dois movimentos de afastamento da psicanálise, o de Adler e o de Jung, sendo criticados por Freud, o primeiro como uma relatividade de todo o conhecimento de acordo com o gosto individual e o segundo como o direito histórico da juventude de romper com a tirania dos mais velhos e seus pontos de vista que procuram aprisioná-la através dos seus significados e sentidos.
A relatividade do nosso conhecimento é uma consideração que pode ser formulada contra todas as outras ciências, do mesmo modo que contra a psicanálise. Origina-se de conhecidas correntes reacionárias do pensamento atual hostis à ciência, e pretende o surgimento de uma superioridade a que ninguém pode aspirar. Nenhum de nós pode adivinhar qual será o julgamento final da humanidade sobre nossos esforços teóricos. Existem exemplos em que a rejeição das três primeiras gerações foi corrigida pela seguinte e transformada em reconhecimento. Depois de se ter ouvido com cuidado a voz da autocrítica e de haver prestado certa atenção às críticas dos adversários, não resta mais nada a fazer senão sustentar, com todas as forças, as próprias convicções baseadas na experiência. A pessoa deve contentar-se em agir com o máximo de honestidade, não devendo assumir o papel de juiz, reservado ao futuro remoto. Dar ênfase a opiniões pessoais arbitrárias, em assuntos científicos, é mau; constitui claramente uma tentativa de questionar o direito da psicanálise de ser considerada uma ciência - aliás, depois de já ter sido esse valor depreciado pelo que foi dito antes [sobre a natureza relativa de todo o conhecimento]. Quem quer que dê grande valor ao pensamento científico procurará, antes, todos os meios e métodos possíveis para limitar o fator predileções pessoais fantasiosas tanto quanto possível, onde quer que ele desempenhe papel grande demais. Além disso, vale a pena lembrar que não tem cabimento o excessivo zelo em defendermos a nós mesmos. Esses argumentos de Adler não têm intenção séria. Destinam-se apenas a ser utilizados contra seus adversários; não se referem às suas próprias teorias, nem impediram seus seguidores de aclamá-lo como o Messias, para cujo advento a humanidade ansiosa foi preparada por grande número de precursores. O Messias certamente não é nenhum fenômeno relativo. Vemos quais eram os argumentos e a linguagem de Adler para defender seu ponto de vista que Freud tentava derrubar através de suas críticas sobre o pensamento científico, por exemplo.
O argumento ad captandam benevolentiam de Jung repousa na suposição demasiado otimista de que o progresso da raça humana, da civilização e do conhecimento sempre seguiu uma linha ininterrupta, como se não tivesse havido períodos de decadência, reações e restaurações após cada revolução, e gerações não tivessem dado um passo para trás e abandonado as vantagens de seus antecessores. Sua abordagem do ponto de vista das massas, sua renúncia a uma inovação que foi mal recebida, tornam a priori pouco provável que a versão jungiana da psicanálise possa com justiça pretender ser uma atitude jovem de liberação. Afinal de contas, não é a idade do autor que decide isso, mas o caráter da ação. Vemos aqui como foram os argumentos e a linguagem utilizada por Freud para rebater as ideias e teorias de Jung que era otimista em relação a raça humana, a civilização e o conhecimento, mas abandona as vantagens de seus antecessores no movimento psicanalítico.
Dos dois movimentos em discussão, o de Adler é, sem dúvida alguma, o mais importante; embora radicalmente falso, apresenta consistência e coerência. Além disso, se baseia, apesar de tudo, numa teoria dos instintos. A modificação de Jung, por outro lado, afrouxa a conexão dos fenômenos com a vida instintiva; e além disso, conforme seus críticos (p. ex. Abraham, Ferenczi e Jones) ressaltaram, é tão obscura, ininteligível e confusa a ponto de se tornar difícil assumir uma posição em relação a ela. Quando se pensa que se entendeu alguma coisa, pode-se ficar preparado para ouvir dizer que não se entendeu e não se pode saber como tirar uma conclusão correta. Vemos com se desenrolaram as críticas e perseguições contra os dois movimentos que se afastaram do movimento psicanalítico, o de Adler que era mais importante e o de Jung, considerado mais obscuro e incompreensível para Freud.
Quando se pensa nas várias incoerências reveladas em diversos pronunciamentos públicos e privados feitos pelo movimento jungiano, somos levados a perguntar quanto disso se deve à falta de clareza e quanto à falta de sinceridade. Deve-se admitir, contudo, que os expoentes da nova teoria se encontram numa posição difícil. Combatem agora coisas que anteriormente defendiam, e o fazem, além disso, não baseados em novas observações que lhes poderiam ter ensinado algo mais, mas em conseqüência de novas interpretações que fazem com que as coisas que vêem lhes pareçam diferentes do que viam antes. Por esse motivo não estão dispostos a abrir mão da ligação com a psicanálise, como representantes da qual se tornaram conhecidos perante o mundo, e preferem anunciar que a psicanálise mudou. No Congresso de Munique achei necessário esclarecer essa confusão, e o fiz declarando que não reconhecia as inovações dos suíços como continuações legítimas e desenvolvimentos ulteriores da psicanálise que se originou comigo. Críticos alheios ao movimento psicanalítico (como Furtmüller) já haviam observado isso antes, e Abraham tem razão em dizer que Jung se afastou inteiramente da psicanálise. Vemos como se continuaram as críticas ao sistema de Jung, que passou a estudar justamente o que no movimento psicanalítico se opunha, encontrando significado e sentido para sua investigação científica, gerando uma grande confusão entre os pesquisadores de sua época.
Da mesma forma que a investigação de Adler trouxe algo de novo à psicanálise - uma contribuição à psicologia do ego - e cobrou por esse presente um preço demasiado alto jogando fora todas as teorias fundamentais da análise, assim também Jung e seus seguidores prepararam o caminho para a sua luta contra a psicanálise presenteando-a com uma nova aquisição. Investigaram em detalhes (como Pfister fizera antes deles) o caminho através do qual o material das idéias sexuais pertencentes ao complexo de família e à escolha de objeto incestuoso é utilizado na representação dos interesses éticos e religiosos mais elevados do homem, isto é, aclarando assim um importante exemplo de sublimação das forças eróticas instintivas e de sua transformação em tendências que não podem mais ser chamadas de eróticas. Isso concordava perfeitamente com todas as expectativas da psicanálise e poderia harmonizar-se muito bem com a idéia segundo a qual nos sonhos e neuroses uma dissolução regressiva dessa sublimação, como de todas as outras, se torna visível. Mas o mundo inteiro teria protestado indignado contra a sexualização da ética e da religião. Pelo menos dessa vez não consigo deixar de pensar teologicamente e concluir que esses descobridores não tinham condições de enfrentar essa tormenta de indignação, talvez mesmo presente no íntimo deles próprios. Vemos como Freud trabalhou em seu íntimo as diferenças encontradas e geradas pelo processo de crescimento, desenvolvimento e amadurecimento do movimento psicanalítico, como vemos através de Adler e de Jung, que desertaram do movimento psicanalítico e trouxeram contribuições que por uns foram bem vindas e por outros foram mal recebidas, pois desafiavam o poder e a autonomia freudiana, indicando que Freud nunca alcançou o topo da pirâmide, segundo a análise mitológica que nos ensina que lá no topo a visão se abre e passamos a enxergar todos os lados e aspectos do problema ou do meio ambiente, que representava, aqui, o movimento psicanalítico e a sua consciência, cultura, conhecimento e realidade.
MATTANÓ
(30/07/2025)
O PODER DO UNIVERSO (2025):
¨A solução para o nosso povo eu vou dar!¨
O povo brasileiro deveria ver sua própria casa, local de trabalho e de estudo, até mesmo cidade como se fosse a própria Rede Globo de Televisão ou a Seleção Brasileira de Futebol, daí acabava a corrupção, a roubalheira, a violência, o tiroteio, o sequestro, o assassinato, os acidentes, os maus-tratos, o envenenamento, a loucura, a debilidade mental, a preguiça, a falta de vontade de estudar e de trabalhar, a falta de vontade de amar e de ser alguém, de ser alguém melhor nesta vida, de querer poupar dinheiro para o futuro, de querer ter um futuro melhor e construído com um passado honesto e limpo, parava de vender o seu voto e de ficar viciado em jogos e em bets, em vez de dar dinheiro para os clubes de futebol investia na própria casa e na própria família, pois o futebol tenta prejudicar o Brasil quando induz a população e o tráfico a sentirem ódio de mim e de outras pessoas de minha família, além de outras pessoas que também são testemunhas de crimes sexuais e de trapaça em jogos esportivos como Fórmula 1, Fórmula Indy, Copas do Mundo de Futebol, Olimpíadas, Libertadores, torneios de tênis, Campeonatos estaduais e nacionais de futebol e de outras modalidades e na São Silvestre, etc., eis que a Rede Globo de Televisão e a Seleção Brasileira de Futebol podem estar acima dos crimes que denuncio como instituições e organizações sérias, mas os criminosos que lá se instalaram não e devem ser punidos para que haja paz social neste país novamente.
MATTANÓ
(30/07/2025)
SOBRE O DESENVOLVIMENTO MORAL (2025):
O desenvolvimento moral de Piaget é uma teoria que descreve como as crianças evoluem em sua compreensão da moralidade. Segundo Piaget, a moralidade é formada por um sistema de regras que as crianças aprendem a respeitar. Ele identificou três fases principais no desenvolvimento moral:
Anomia: As crianças não têm uma compreensão clara das regras.
Heteronomia: As crianças seguem regras impostas por figuras de autoridade, sem questionar.
Autonomia: As crianças desenvolvem sua própria compreensão das regras e a moralidade se torna mais baseada na justiça e na reciprocidade.
Essas fases não são estágios fixos, mas sim um processo contínuo de desenvolvimento moral.
A teoria do desenvolvimento moral de Lawrence Kohlberg é estruturada em três níveis principais:
Nível Pré-convencional: O comportamento moral é guiado por consequências pessoais, como recompensas e punições.
Nível Convencional: O indivíduo adota normas sociais e expectativas, buscando aprovação e mantendo a ordem social.
Nível Pós-convencional: O raciocínio moral é baseado em princípios éticos universais, onde o indivíduo pode questionar normas sociais em busca de justiça e equidade.
Kohlberg baseou sua teoria na pesquisa de Piaget e propôs que o desenvolvimento moral está intimamente ligado ao desenvolvimento cognitivo.
Temos ainda a teoria do desenvolvimento moral de Osny Mattanó Júnior que é estruturada na análise do inconsciente e do comportamento.
Aqui a moral se desenvolve com a aprendizagem real e proximal das regras que a definem em seu contexto sócio-histórico, podendo haver distorções individuais, grupais, familiares e comunitárias, até entre nações e instituições, pois o que as definem são suas regras aprendidas com ou sem ajuda de terceiros, segundo sua realidade, cultura, conhecimento e consciência que realiza a análise do inconsciente e do comportamento, extraindo o significado e o sentido moral do evento analisado para a sua realidade.
E temos a teoria de Osny Mattanó Júnior que nos ensina que a moral se estutura através dos ritos e dos mitos com sua mitologia.
Aqui a moral se desenvolve e se estrutura através da iniciação e da passagem pelos ritos de uma comunidade que educa o aventureiro, herói ou indivíduo em desenvolvimento e formação moral para saber lidar e adquirir repertório comportamental diante dos mitos e da mitologia que domina sua vida ritualística, como por exemplo, os totens e os tabus que também tem essa função formadora e educativa, impondo limites e resistências, valores morais para a Trajetória da Vida do herói, do aventureiro ou do indivíduo em desenvolvimento e formação moral. A própria Trajetória da Vida ou do Herói acaba oferecendo um aprendizado moral para o herói, aventureiro ou indivíduo em desenvolvimento e formação moral que extrairá dele uma mensagem para si e para sua camunidade, como numa luta conta o monstro ou baleia que te devora e no momento seguinte, você tem que se libertar e superar esse estado de impotência para continuar sua vida, educando a si mesmo e a sua comunidade ou família, até mesmo nação ou planeta inteiro. Aqui a moral se renova e se desenvolve através dos ritos e dos mitos, muitas vezes os próprios heróis, aventureiros ou indivíduos que se formaram e se desenvolveram acabam se transformando em mitos e em outros eventos podem se transformar em totens e tabus, devido o investimento psicológico e comportamental dos seus seguidores que se tranformam em dependentes psicológicos, comportamentais e afetivos desses objetos que foram criados para impor regras e limites, valores morais numa sociedade em formação e em desenvolvimento.
MATTANÓ
(01/08/2025)
A pré-história teológica de tantos suíços não explica sua atitude para com a psicanálise mais do que a pré-história socialista de Adler explica o desenvolvimento de sua psicologia. Isso nos faz lembrar a famosa história de Mark Twain sobre as coisas que aconteceram a seu relógio, e suas palavras conclusivas: “E ele ficava imaginando que fim tinham levado os funileiros, e armeiros, e sapateiros, e ferreiros fracassados; mas ninguém sabia dizer.”
Suponhamos - para fazer uma comparação - que num determinado grupo social vive um parvenu (aventureiro) que se vangloria de ser descendente de uma família nobre que reside em outro lugar. Um dia se descobre que seus pais moram na vizinhança, e são pessoas muito modestas. Só há uma maneira de contornar essa dificuldade e ele se agarra a ela. Já não pode repudiar os pais, mas insiste em que são de linhagem nobre e que simplesmente perderam sua posição social no mundo; e consegue uma árvore genealógica de alguma fonte oficial complacente. Parece-me que os suíços foram obrigados a se comportar da mesma maneira. Se não se permitiu que a ética e a religião fossem sexualizadas porque tinham de ser algo de origem mais “elevada” e se, não obstante, as idéias nelas contidas pareciam ter-se, inegavelmente, originado do complexo de Édipo e do complexo familiar, só podia haver uma saída; que esses complexos não tenham o sentido que aparentam, mas contenham um elevado sentido “anagógico” (como Silberer o denomina) que tenha tornado possível o seu emprego nas abstratas seqüências de pensamento da ética e do misticismo religioso.
Não será surpresa para mim ouvir dizer novamente que não compreendi a substância e objetivo da teoria neozuriquiana; mas o que me interessa é protestar antecipadamente contra pontos de vista contrários às minhas teorias que possam ser encontrados nas publicações daquela escola sendo atribuídos a mim e não a eles. Não vejo outro meio de tornar inteligível a mim próprio o conjunto de inovações de Jung, e de apreender todas as suas implicações. As modificações que Jung propôs que se fizessem na psicanálise decorrem todas de sua intenção de eliminar o lado reprovável dos complexos familiares para não voltar a encontrá-lo na religião e na ética. A libido sexual foi substituída por um conceito abstrato, sobre o qual se pode dizer com segurança que continua tão enigmático e incompreensível para os entendidos quanto para os leigos. O complexo de Édipo tem um significado meramente “simbólico”: a mãe, nele, representa o inacessível, a que se tem de renunciar no interesse da civilização; o pai que é assassinado no mito de Édipo é o pai “interior”, de quem nos devemos libertar a fim de nos tornarmos independentes. Outras partes do material das idéias sexuais serão, por certo, submetidas a reinterpretações semelhantes no decorrer do tempo. Em lugar de um conflito entre as tendências eróticas ego-distônicas e as autopreservadoras, surge um conflito entre as “tarefas da vida” e a “inércia psíquica”; o sentimento de culpa do neurótico corresponde a sua auto-recriminação por não cumprir adequadamente seu “trabalho de viver”. Dessa forma, criou-se um novo sistema ético-religioso, que, tal qual o sistema adleriano, estava destinado a reinterpretar, distorcer ou alijar os achados efetivos da análise. A verdade é que essas pessoas detectaram algumas nuanças culturais da sinfonia da vida e mais uma vez não deram ouvidos à poderosa e primordial melodia dos instintos.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que não compreendeu a substância e objetivo da teoria neozuriquiana; mas o que me interessa é protestar antecipadamente contra pontos de vista contrários às minhas teorias que possam ser encontrados nas publicações daquela escola sendo atribuídos a mim e não a eles. Não vejo outro meio de tornar inteligível a mim próprio o conjunto de inovações de Jung, e de apreender todas as suas implicações. As modificações que Jung propôs que se fizessem na psicanálise decorrem todas de sua intenção de eliminar o lado reprovável dos complexos familiares para não voltar a encontrá-lo na religião e na ética. A libido sexual foi substituída por um conceito abstrato, sobre o qual se pode dizer com segurança que continua tão enigmático e incompreensível para os entendidos quanto para os leigos. O complexo de Édipo tem um significado meramente “simbólico”: a mãe, nele, representa o inacessível, a que se tem de renunciar no interesse da civilização; o pai que é assassinado no mito de Édipo é o pai “interior”, de quem nos devemos libertar a fim de nos tornarmos independentes. Outras partes do material das idéias sexuais serão, por certo, submetidas a reinterpretações semelhantes no decorrer do tempo. Em lugar de um conflito entre as tendências eróticas ego-distônicas e as autopreservadoras, surge um conflito entre as “tarefas da vida” e a “inércia psíquica”; o sentimento de culpa do neurótico corresponde a sua auto-recriminação por não cumprir adequadamente seu “trabalho de viver”. Dessa forma, criou-se um novo sistema ético-religioso, que, tal qual o sistema adleriano, estava destinado a reinterpretar, distorcer ou alijar os achados efetivos da análise. A verdade é que essas pessoas detectaram algumas nuanças culturais da sinfonia da vida e mais uma vez não deram ouvidos à poderosa e primordial melodia dos instintos.
Mattanó aponta que Freud não compreendeu a substância e objetivo da teoria neozuriquiana; mas o que me interessa, a Freud, é protestar antecipadamente contra pontos de vista contrários às minhas teorias que possam ser encontrados nas publicações daquela escola sendo atribuídos a mim e não a eles. Não vejo outro meio de tornar inteligível a mim próprio o conjunto de inovações de Jung, e de apreender todas as suas implicações. As modificações que Jung propôs que se fizessem na psicanálise decorrem todas de sua intenção de eliminar o lado reprovável dos complexos familiares para não voltar a encontrá-lo na religião e na ética. A libido sexual foi substituída por um conceito abstrato, sobre o qual se pode dizer com segurança que continua tão enigmático e incompreensível para os entendidos quanto para os leigos. O complexo de Édipo tem um significado meramente “simbólico”: a mãe, nele, representa o inacessível, a que se tem de renunciar no interesse da civilização; o pai que é assassinado no mito de Édipo é o pai “interior”, de quem nos devemos libertar a fim de nos tornarmos independentes. Outras partes do material das idéias sexuais serão, por certo, submetidas a reinterpretações semelhantes no decorrer do tempo. Em lugar de um conflito entre as tendências eróticas ego-distônicas e as autopreservadoras, surge um conflito entre as “tarefas da vida” e a “inércia psíquica”; o sentimento de culpa do neurótico corresponde a sua auto-recriminação por não cumprir adequadamente seu “trabalho de viver”. Dessa forma, criou-se um novo sistema ético-religioso, que, tal qual o sistema adleriano, estava destinado a reinterpretar, distorcer ou alijar os achados efetivos da análise. A verdade é que essas pessoas detectaram algumas nuanças culturais da sinfonia da vida e mais uma vez não deram ouvidos à poderosa e primordial melodia dos instintos. Vemos como Frued encarou a substância e objetivo da teoria neozuriquiana, sobre tudo Jung que teve sua teoria ou sistema de Psicologia Analítica taxado de sistema ético-religioso, tal qual o sistema de Adler, com sua Psicologia Individual, que estava destinada a detectar algumas nuanças culturais dos caminhos da vida, mas se esquecendo que esses caminhos dependem de construtores ou de mão-de-obra que são os instintos, assim a luta contra a inferioridade e a luta pela superioridade tem diferenças culturais e ligações que as reúnem num único corpo psicológico e comportamental, através dos instintos.
MATTANÓ
(02/08/2025)
A fim de preservar intacto esse sistema, foi necessário afastar-se inteiramente da observação e da técnica da psicanálise. Vez por outra, o entusiasmo pela causa deu margem até mesmo à inobservância da lógica científica - quando Jung acha, por exemplo, que o complexo de Édipo não é bastante “específico” para a etiologia das neuroses, e passa a atribuir essa qualidade específica à inércia, a característica mais universal de toda matéria, animada e inanimada! Deve-se notar, a propósito, que o “complexo de Édipo” representa apenas um tópico com o qual as forças mentais do indivíduo têm de lidar, e não é, em si próprio, uma força, como a “inércia psíquica”. O estudo dos indivíduos tinha demonstrado (e sempre demonstrará) que os complexos sexuais em seu sentido original estão vivos neles. Em conseqüência disso, a investigação de indivíduos foi relegada a segundo plano [nas novas teorias] e substituída por conclusões baseadas em provas oriundas da pesquisa antropológica. O maior risco de defrontar-se com o sentido original e sem disfarces desses complexos reinterpretados seria na tenra infância de cada indivíduo; em conseqüência, na terapia estabeleceu-se a injunção de que essa história passada deve ser resolvida o mínimo possível e a ênfase principal posta no conflito do presente, no qual, além do mais, a coisa essencial de modo algum deveria ser o que era acidental e pessoal, mas o que era geral - de fato, a não-realização das tarefas da vida. Como sabemos, no entanto, o conflito de um neurótico torna-se compreensível e admite solução somente quando é remontado à sua pré-história, quando uma pessoa volta atrás ao longo do caminho que sua libido seguiu quando ela adoeceu.
A forma assumida pela terapêutica neozuriquiana sob essas influências pode ser expressa nas palavras de um paciente que vivenciou isso pessoalmente: “Dessa vez nenhum vestígio de atenção foi dado ao passado ou à transferência. Onde quer que eu pensava haver apreendido esta última, diziam-me tratar-se de um puro símbolo libidinal. Os ensinamentos morais eram muito bonitos e eu os seguia fielmente, mas não avancei um passo. Isso era, naturalmente, muito mais incômodo para mim do que para ele, mas como poderia evitá-lo?… Em vez de libertar-me pela análise, cada dia fazia-me novas e tremendas exigências, que tinham de ser cumpridas se se quisesse que a neurose fosse dominada - por exemplo: concentração interior através da introversão, meditação religiosa, nova vida em comum com uma mulher com amor e dedicação etc. Isso estava quase além das forças de qualquer um; visava a uma radical transformação de toda a minha natureza interna. Deixei a análise como um pobre pecador, com intensos sentimentos de arrependimento e as melhores intenções, mas ao mesmo tempo totalmente desanimado. Qualquer sacerdote teria aconselhado o que ele recomendava, mas onde iria eu encontrar forças para isso?” O paciente chegou mesmo a lembrar ter ouvido falar que a análise do passado e da transferência deveria ser compreendida primeiramente, mas lhe haviam dito que disso ele já tivera o bastante. Desde que essa primeira espécie de análise não o havia ajudado mais, parece-me justificada a conclusão de que o paciente não tivera dela o bastante. Por certo, o tratamento subseqüente, que já não podia pretender chamar-se de psicanálise, não melhorou as coisas. É impressionante que os membros da escola de Zurique tivessem de fazer uma volta tão longa e passar por Viena para chegar à vizinha cidade de Berna, onde Dubois cura as neuroses por meio de incentivos morais, de uma maneira mais sensata.
A incompatibilidade total desse novo movimento com a psicanálise também se revela na maneira de Jung encarar a repressão, que quase já não é mencionada em suas obras, na má compreensão dos sonhos - como Adler [ver em [1]], Jung confunde sonhos com pensamentos oníricos latentes, sem levar em consideração a psicologia dos sonhos - e na perda de toda a compreensão do inconsciente; em suma, em todos os pontos que devo considerar como a essência da psicanálise. Quando Jung nos diz que o complexo de incesto é meramente “simbólico”, que apesar de tudo não possui existência “real”, que afinal de contas um selvagem não sente nenhum desejo por uma mulher velha, prefere uma jovem e bonita, somos tentados a concluir que “simbólico” e “sem existência real” simplesmente significam algo que, em virtude de suas manifestações e efeitos patogênicos, é descrito pela psicanálise como “existindo inconscientemente” - descrição que elimina a contradição aparente.
Se se tiver em mente que os sonhos são algo diferente dos pensamentos oníricos latentes que eles elaboram, não há nada de surpreendente em que os pacientes sonhem com coisas com as quais suas mentes tenham estado repletas durante o tratamento, sejam elas as “tarefas da vida”, “ficar por cima” ou “por baixo”. Não há a menor dúvida de que os sonhos de pessoas em análise podem ser dirigidos, da mesma maneira que o são por estímulos produzidos com fins experimentais. Pode-se determinar uma parte do material que aparece num sonho; nada da essência ou do mecanismo dos sonhos é alterado por isso. Também não acredito que os sonhos “biográficos”, como são chamados, ocorram fora da análise. Se, por outro lado, se analisam sonhos tidos antes do tratamento, ou se se consideram os próprios acréscimos do sonhador ao que lhe tem sido sugerido no tratamento, ou se se evita atribuir-lhe qualquer tarefa dessa natureza, então é fácil convencer-se como está longe da finalidade de um sonho produzir tentativas de solução para as tarefas da vida. Os sonhos são apenas uma forma de pensar; jamais se pode alcançar uma compreensão dessa forma tomando como ponto de referência o conteúdo dos pensamentos; somente uma apreciação do trabalho dos sonhos nos levará a essa compreensão.
Não é difícil refutar com argumentos concretos as concepções errôneas de Jung sobre a psicanálise e os desvios dela. Toda análise conduzida de maneira adequada, e em particular toda análise de criança, fortalece as convicções sobre as quais se fundamenta a teoria da psicanálise, negando as reinterpretações feitas tanto pelos sistemas de Jung como de Adler. Nos dias que antecederam sua iluminação, o próprio Jung [1910b, v. pág. 40] levou a efeito e publicou uma análise dessa espécie, de uma criança; resta ver se ele empreenderá uma nova interpretação dos resultados dessa análise com a ajuda de um diferente “arranjo unilateral dos fatos”, para utilizar a expressão empregada por Adler nesse sentido (ver em [1] e [2]).
O ponto de vista de que a representação sexual de pensamentos “mais elevados” nos sonhos e na neurose nada mais é senão uma modalidade arcaica de expressão, é, naturalmente, inconciliável com o fato de que na neurose esses complexos sexuais provam ser os portadores das quantidades de libido subtraídas à utilização na vida real. Se isso fosse apenas uma questão de “jargão” sexual, não alteraria de maneira nenhuma a economia da libido. O próprio Jung admite isso no seu Darstellung der psychoanalytischen Theorie [1913] e formula a tarefa da terapia como o desligamento das catexias libidinais desses complexos. Entranto, isso jamais pode ser realizado desviando-se o paciente delas e concitando-o a sublimar, e sim através do exame exaustivo das mesmas que as torne plena e completamente conscientes. O primeiro item de realidade com o qual o paciente deve lidar é a sua doença. Esforços no sentido de poupar-lhe essa tarefa indicam incapacidade do médico em ajudá-lo a superar suas resistências, ou então o medo que tem o médico dos resultados do seu trabalho.
Por último, pode-se dizer que com sua “modificação” da psicanálise Jung nos oferece um equivalente da famosa faca de Lichtenberg. Mudou o cabo e botou uma lâmina nova, e porque gravou nela o mesmo nome espera que seja considerada como o instrumento original.
Creio ter deixado claro que, pelo contrário, a nova teoria que visa a substituir a psicanálise significa um abandono da análise e uma deserção da mesma. Algumas pessoas podem ser inclinadas a temer que essa deserção esteja fadada a ter conseqüências mais graves para a análise do que outras, devido ao fato de ter sido iniciada por homens que desempenharam um papel tão grande no movimento e contribuíram tanto para o seu avanço. Eu não compartilho dessa apreensão.
Os homens são fortes enquanto representam uma idéia forte; se enfraquecem quando se opõem a ela. A psicanálise sobreviverá a essa perda e a compensará com a conquista de novos partidários. Para concluir, quero expressar o desejo de que a sorte proporcione um caminho de elevação muito agradável a todos aqueles que acharam a estada no submundo da psicanálise desagradável demais para o seu gosto. E possamos nós, os que ficamos, desenvolver até o fim, sem atropelos, nosso trabalho nas profundezas.
Fevereiro de 1914.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que Jung acha, por exemplo, que o complexo de Édipo não é bastante “específico” para a etiologia das neuroses, e passa a atribuir essa qualidade específica à inércia, a característica mais universal de toda matéria, animada e inanimada! Deve-se notar, a propósito, que o “complexo de Édipo” representa apenas um tópico com o qual as forças mentais do indivíduo têm de lidar, e não é, em si próprio, uma força, como a “inércia psíquica”. O estudo dos indivíduos tinha demonstrado (e sempre demonstrará) que os complexos sexuais em seu sentido original estão vivos neles. Em conseqüência disso, a investigação de indivíduos foi relegada a segundo plano [nas novas teorias] e substituída por conclusões baseadas em provas oriundas da pesquisa antropológica.
A forma assumida pela terapêutica neozuriquiana sob essas influências pode ser expressa nas palavras de um paciente que vivenciou isso pessoalmente: “Dessa vez nenhum vestígio de atenção foi dado ao passado ou à transferência. Onde quer que eu pensava haver apreendido esta última, diziam-me tratar-se de um puro símbolo libidinal. Os ensinamentos morais eram muito bonitos e eu os seguia fielmente, mas não avancei um passo. Isso era, naturalmente, muito mais incômodo para mim do que para ele, mas como poderia evitá-lo?… Em vez de libertar-me pela análise, cada dia fazia-me novas e tremendas exigências, que tinham de ser cumpridas se se quisesse que a neurose fosse dominada - por exemplo: concentração interior através da introversão, meditação religiosa, nova vida em comum com uma mulher com amor e dedicação etc. Isso estava quase além das forças de qualquer um; visava a uma radical transformação de toda a minha natureza interna. Deixei a análise como um pobre pecador, com intensos sentimentos de arrependimento e as melhores intenções, mas ao mesmo tempo totalmente desanimado. Qualquer sacerdote teria aconselhado o que ele recomendava, mas onde iria eu encontrar forças para isso?” O paciente chegou mesmo a lembrar ter ouvido falar que a análise do passado e da transferência deveria ser compreendida primeiramente, mas lhe haviam dito que disso ele já tivera o bastante. Por certo, o tratamento subseqüente, que já não podia pretender chamar-se de psicanálise, não melhorou as coisas.
A incompatibilidade total desse novo movimento com a psicanálise também se revela na maneira de Jung encarar a repressão, que quase já não é mencionada em suas obras, na má compreensão dos sonhos - como Adler [ver em [1]], Jung confunde sonhos com pensamentos oníricos latentes, sem levar em consideração a psicologia dos sonhos - e na perda de toda a compreensão do inconsciente; em suma, em todos os pontos que devo considerar como a essência da psicanálise. Quando Jung nos diz que o complexo de incesto é meramente “simbólico”, que apesar de tudo não possui existência “real”, que afinal de contas um selvagem não sente nenhum desejo por uma mulher velha, prefere uma jovem e bonita, somos tentados a concluir que “simbólico” e “sem existência real” simplesmente significam algo que, em virtude de suas manifestações e efeitos patogênicos, é descrito pela psicanálise como “existindo inconscientemente” - descrição que elimina a contradição aparente.
Se se tiver em mente que os sonhos são algo diferente dos pensamentos oníricos latentes que eles elaboram, não há nada de surpreendente em que os pacientes sonhem com coisas com as quais suas mentes tenham estado repletas durante o tratamento, sejam elas as “tarefas da vida”, “ficar por cima” ou “por baixo”. Não há a menor dúvida de que os sonhos de pessoas em análise podem ser dirigidos, da mesma maneira que o são por estímulos produzidos com fins experimentais. Pode-se determinar uma parte do material que aparece num sonho; nada da essência ou do mecanismo dos sonhos é alterado por isso. Também não acredito que os sonhos “biográficos”, como são chamados, ocorram fora da análise.
Os sonhos são apenas uma forma de pensar; jamais se pode alcançar uma compreensão dessa forma tomando como ponto de referência o conteúdo dos pensamentos; somente uma apreciação do trabalho dos sonhos nos levará a essa compreensão.
Não é difícil refutar com argumentos concretos as concepções errôneas de Jung sobre a psicanálise e os desvios dela. Toda análise conduzida de maneira adequada, e em particular toda análise de criança, fortalece as convicções sobre as quais se fundamenta a teoria da psicanálise, negando as reinterpretações feitas tanto pelos sistemas de Jung como de Adler.
O ponto de vista de que a representação sexual de pensamentos “mais elevados” nos sonhos e na neurose nada mais é senão uma modalidade arcaica de expressão, é, naturalmente, inconciliável com o fato de que na neurose esses complexos sexuais provam ser os portadores das quantidades de libido subtraídas à utilização na vida real. Se isso fosse apenas uma questão de “jargão” sexual, não alteraria de maneira nenhuma a economia da libido. O próprio Jung admite isso no seu Darstellung der psychoanalytischen Theorie [1913] e formula a tarefa da terapia como o desligamento das catexias libidinais desses complexos. Entranto, isso jamais pode ser realizado desviando-se o paciente delas e concitando-o a sublimar, e sim através do exame exaustivo das mesmas que as torne plena e completamente conscientes. O primeiro item de realidade com o qual o paciente deve lidar é a sua doença. Esforços no sentido de poupar-lhe essa tarefa indicam incapacidade do médico em ajudá-lo a superar suas resistências, ou então o medo que tem o médico dos resultados do seu trabalho.
Por último, pode-se dizer que com sua “modificação” da psicanálise Jung nos oferece um equivalente da famosa faca de Lichtenberg. Mudou o cabo e botou uma lâmina nova, e porque gravou nela o mesmo nome espera que seja considerada como o instrumento original.
Creio ter deixado claro que, pelo contrário, a nova teoria que visa a substituir a psicanálise significa um abandono da análise e uma deserção da mesma. Algumas pessoas podem ser inclinadas a temer que essa deserção esteja fadada a ter conseqüências mais graves para a análise do que outras, devido ao fato de ter sido iniciada por homens que desempenharam um papel tão grande no movimento e contribuíram tanto para o seu avanço. Eu não compartilho dessa apreensão.
Os homens são fortes enquanto representam uma idéia forte; se enfraquecem quando se opõem a ela. A psicanálise sobreviverá a essa perda e a compensará com a conquista de novos partidários. Para concluir, quero expressar o desejo de que a sorte proporcione um caminho de elevação muito agradável a todos aqueles que acharam a estada no submundo da psicanálise desagradável demais para o seu gosto. E possamos nós, os que ficamos, desenvolver até o fim, sem atropelos, nosso trabalho nas profundezas.
Mattanó aponta que Jung acha, por exemplo, que o complexo de Édipo não é bastante “específico” para a etiologia das neuroses, e passa a atribuir essa qualidade específica à inércia, a característica mais universal de toda matéria, animada e inanimada! Deve-se notar, a propósito, que o “complexo de Édipo” representa apenas um tópico com o qual as forças mentais do indivíduo têm de lidar, e não é, em si próprio, uma força, como a “inércia psíquica”. O estudo dos indivíduos tinha demonstrado (e sempre demonstrará) que os complexos sexuais em seu sentido original estão vivos neles. Em conseqüência disso, a investigação de indivíduos foi relegada a segundo plano [nas novas teorias] e substituída por conclusões baseadas em provas oriundas da pesquisa antropológica. Vemos aqui como se desenvolveram as críticas de Freud a respeito das teorias de Jung que diminuía a influência e o poder dos complexos sexuais sobre a vida psicológica dos seus pacientes, agregando poder a pesquisa antropológica, de modo a criar e desenvolver redes de significados e sentidos que seriam reproduzidos e reforçados pelos seus interlocutores no meio ambiente que é rico, complexo, adverso e exigente, seletivo e competitivo.
A forma assumida pela terapêutica neozuriquiana sob essas influências pode ser expressa nas palavras de um paciente que vivenciou isso pessoalmente: “Dessa vez nenhum vestígio de atenção foi dado ao passado ou à transferência. Onde quer que eu pensava haver apreendido esta última, diziam-me tratar-se de um puro símbolo libidinal. Os ensinamentos morais eram muito bonitos e eu os seguia fielmente, mas não avancei um passo. Isso era, naturalmente, muito mais incômodo para mim do que para ele, mas como poderia evitá-lo?… Em vez de libertar-me pela análise, cada dia fazia-me novas e tremendas exigências, que tinham de ser cumpridas se se quisesse que a neurose fosse dominada - por exemplo: concentração interior através da introversão, meditação religiosa, nova vida em comum com uma mulher com amor e dedicação etc. Isso estava quase além das forças de qualquer um; visava a uma radical transformação de toda a minha natureza interna. Deixei a análise como um pobre pecador, com intensos sentimentos de arrependimento e as melhores intenções, mas ao mesmo tempo totalmente desanimado. Qualquer sacerdote teria aconselhado o que ele recomendava, mas onde iria eu encontrar forças para isso?” O paciente chegou mesmo a lembrar ter ouvido falar que a análise do passado e da transferência deveria ser compreendida primeiramente, mas lhe haviam dito que disso ele já tivera o bastante. Por certo, o tratamento subseqüente, que já não podia pretender chamar-se de psicanálise, não melhorou as coisas. Vemos ainda as críticas de Freud aos argumentos e a linguagem dos neozuriquianos que reelaboravam seus conceitos, de modo a selecionar alguns e a excluir outros do seu repertório de trabalho, modificando o significado e o sentido de aplicação de conceitos como passado e transferência, de modo a gerar constrangimento em Freud que era consequência de sua resistência as novas ideias e as novas teorias criadas pelos seus ex-colaboradores.
A incompatibilidade total desse novo movimento com a psicanálise também se revela na maneira de Jung encarar a repressão, que quase já não é mencionada em suas obras, na má compreensão dos sonhos - como Adler [ver em [1]], Jung confunde sonhos com pensamentos oníricos latentes, sem levar em consideração a psicologia dos sonhos - e na perda de toda a compreensão do inconsciente; em suma, em todos os pontos que devo considerar como a essência da psicanálise. Quando Jung nos diz que o complexo de incesto é meramente “simbólico”, que apesar de tudo não possui existência “real”, que afinal de contas um selvagem não sente nenhum desejo por uma mulher velha, prefere uma jovem e bonita, somos tentados a concluir que “simbólico” e “sem existência real” simplesmente significam algo que, em virtude de suas manifestações e efeitos patogênicos, é descrito pela psicanálise como “existindo inconscientemente” - descrição que elimina a contradição aparente. Vemos como Freud mirou sua atenção para as alterações de seus ex-colaboradores que pudessem distorcer a psicanálise, mas toda teoria é uma distorção. Freud focou temas como repressão, os sonhos e o complexo do incesto para desestimular seus desertores em suas jornadas pessoais que competiam com o movimento psicanalítico.
Se se tiver em mente que os sonhos são algo diferente dos pensamentos oníricos latentes que eles elaboram, não há nada de surpreendente em que os pacientes sonhem com coisas com as quais suas mentes tenham estado repletas durante o tratamento, sejam elas as “tarefas da vida”, “ficar por cima” ou “por baixo”. Não há a menor dúvida de que os sonhos de pessoas em análise podem ser dirigidos, da mesma maneira que o são por estímulos produzidos com fins experimentais. Pode-se determinar uma parte do material que aparece num sonho; nada da essência ou do mecanismo dos sonhos é alterado por isso. Também não acredito que os sonhos “biográficos”, como são chamados, ocorram fora da análise. Vemos como Freud estudou os sonhos e definiu seus conceitos para defender suas ideias e valores, seus princípios e teorias, e como eles se manifestam e são elaborados, inclusive os sonhos manipulados para fins experimentais, como os sonhos das pessoas em análise que sonham com sua biografia.
Os sonhos são apenas uma forma de pensar; jamais se pode alcançar uma compreensão dessa forma tomando como ponto de referência o conteúdo dos pensamentos; somente uma apreciação do trabalho dos sonhos nos levará a essa compreensão. Vemos como Freud defendia suas ideias e valores, suas teorias e formas de pensar os eventos psicológicos, sobretudo os inconscientes.
Não é difícil refutar com argumentos concretos as concepções errôneas de Jung sobre a psicanálise e os desvios dela. Toda análise conduzida de maneira adequada, e em particular toda análise de criança, fortalece as convicções sobre as quais se fundamenta a teoria da psicanálise, negando as reinterpretações feitas tanto pelos sistemas de Jung como de Adler. Vemos que Freud acreditava que a análise freudiana servia de prova para refutar as demais análises, sobretudo as dos sistemas de Jung e de Adler.
O ponto de vista de que a representação sexual de pensamentos “mais elevados” nos sonhos e na neurose nada mais é senão uma modalidade arcaica de expressão, é, naturalmente, inconciliável com o fato de que na neurose esses complexos sexuais provam ser os portadores das quantidades de libido subtraídas à utilização na vida real. Se isso fosse apenas uma questão de “jargão” sexual, não alteraria de maneira nenhuma a economia da libido. O próprio Jung admite isso no seu Darstellung der psychoanalytischen Theorie [1913] e formula a tarefa da terapia como o desligamento das catexias libidinais desses complexos. Entranto, isso jamais pode ser realizado desviando-se o paciente delas e concitando-o a sublimar, e sim através do exame exaustivo das mesmas que as torne plena e completamente conscientes. O primeiro item de realidade com o qual o paciente deve lidar é a sua doença. Esforços no sentido de poupar-lhe essa tarefa indicam incapacidade do médico em ajudá-lo a superar suas resistências, ou então o medo que tem o médico dos resultados do seu trabalho. Vemos que Freud acreditava que a terapia realizava o desligamento dos complexos através da sublimação e do exame exaustivo dos seus componentes conscientes, pois o primeiro ítem de realidade de um paciente é a sua doença, e o profissional de saúde ou psicanalista deve ajudá-lo a superar suas resistências ou o medo que esse profissional tem dos resultados do seu trabalho.
Por último, pode-se dizer que com sua “modificação” da psicanálise Jung nos oferece um equivalente da famosa faca de Lichtenberg. Mudou o cabo e botou uma lâmina nova, e porque gravou nela o mesmo nome espera que seja considerada como o instrumento original. Vemos que o sistema de Jung, segundo Freud, mudava a consciência e preservava a identidade do paciente que ja vinha gravada em seu inconsciente.
Creio ter deixado claro que, pelo contrário, a nova teoria que visa a substituir a psicanálise significa um abandono da análise e uma deserção da mesma. Algumas pessoas podem ser inclinadas a temer que essa deserção esteja fadada a ter conseqüências mais graves para a análise do que outras, devido ao fato de ter sido iniciada por homens que desempenharam um papel tão grande no movimento e contribuíram tanto para o seu avanço. Eu não compartilho dessa apreensão. Vemos que Freud repudiou extensivamente a nova teoria de Jung, como algo extremamente prejudicial a saúde, ao movimento e para a análise.
Os homens são fortes enquanto representam uma idéia forte; se enfraquecem quando se opõem a ela. A psicanálise sobreviverá a essa perda e a compensará com a conquista de novos partidários. Para concluir, quero expressar o desejo de que a sorte proporcione um caminho de elevação muito agradável a todos aqueles que acharam a estada no submundo da psicanálise desagradável demais para o seu gosto. E possamos nós, os que ficamos, desenvolver até o fim, sem atropelos, nosso trabalho nas profundezas. Vemos que Freud rompeu com seus desertores demonstrando ser a teoria deles um caminho desagradável demais, mas demonstrou interesse na conquista de novos partidários, revelando que continuará com seu trabalho até o fim, sem atropelos, indo até as profundezas, aumentando sua rede de significados e de sentidos que darão sustentabilidade a sua teoria psicanalítica, até as profundezas.
MATTANÓ
(05/08/2025)
SOBRE O NARCISISMO: UMA INTRODUÇÃO (1914)
NOTA DO EDITOR INGLÊS
ZUR EINFÜHRUNG DES NARIZSSMUS
(a)EDIÇÕES ALEMÃS:
1914 Jb. Psychoan., 6, 1-24.
1918 S.K.S.N., 4, 78-112. (1922, 2ª ed.)
1924 Leipzig, Viena e Zurique: Internationaler Psychoanalytischer Verlag. Pág. 35.
1925 G.S. 6, 155-187.
1931 Theoretische Schriften, 25-57.
1946 G.W., 10, 138-170.
(b)TRADUÇÃO INGLESA:
‘On Narcissism: an Introduction’
1925C.P., 4, 30-59. (Trad. C. M. Baines.)
A presente tradução inglesa baseia-se na que foi publicada em 1925.
A tradução mais literal do título deste artigo seria ‘Sobre a Introdução do Conceito de Narcisismo’. Freud já vinha empregando o termo há muitos anos. Sabemos por Ernest Jones (1955, 388) que numa reunião da Sociedade Psicanalítica de Viena, a 10 de novembro de 1909, Freud havia declarado que o narcisismo era uma fase intermediária necessária entre o auto-erotismo e o amor objetal. Mais ou menos na mesma época, ele preparava a segunda edição dos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905d) para o prelo (o prefácio traz a data de ‘dezembro de 1909’), e parece provável que a primeira menção pública do novo termo se encontra numa nota de rodapé acrescentada àquela edição (Edição Standard Brasileira, Vol. VII, pág. 144-5 n, IMAGO Editora, 1972), presumindo-se, vale dizer, que a nova edição tenha aparecido no início de 1910, pois no fim de maio do mesmo ano apareceu o livro de Freud sobre Leonardo (1910c), no qual se faz referência consideravelmente mais extensa ao narcisismo (Edição Standard Brasileira, Vol. XI, pág. 92, IMAGO Editora, 1970). Um artigo de Rank sobre o assunto, mencionado por Freud no início do presente estudo, foi publicado em 1911, e outras referências do próprio Freud logo se seguiram: por exemplo, na Seção III da análise de Schreber (1911c) e em Totem e Tabu (1912-13), Edição Standard Brasileira, Vol. XIII, págs. 111-13, IMAGO Editora, 1974.
A idéia de escrever o presente artigo surgiu nas cartas de Freud pela primeira vez em junho de 1913, tendo ele concluído uma primeira minuta do mesmo no correr de umas férias que passara em Roma na terceira semana de setembro do mesmo ano. Somente no fim de fevereiro de 1914 é que foi começada a versão final, concluída um mês depois.
Trata-se de um dos mais importantes trabalhos de Freud, podendo ser considerado como um dos fatores centrais na evolução de seus conceitos. Resume suas primeiras discussões sobre o tema do narcisismo e considera o lugar ocupado pelo narcisismo no desenvolvimento sexual, indo, porém, além disso, pois penetra nos problemas mais profundos das relações entre o ego e os objetos externos, traçando a nova distinção entre ‘libido do ego’ e ‘libido objetal’. Outrossim - e talvez seja este o ponto mais importante -, introduz os conceitos do ‘ideal do ego’ e do agente auto-observador a ele relacionado, que constituíram a base do que, finalmente, veio a ser descrito como o ‘superego’ em The Ego and the Id (1923b). E, além disso tudo, em duas passagens do artigo - no final da primeira seção e no início da terceira - aborda as controvérsias com Adler e Jung, que foram o principal tema da ‘História do Movimento Psicanalítico’, escrita mais ou menos simultaneamente ao presente trabalho durante os primeiros meses de 1914. Na realidade, um dos motivos de Freud para escrever esse artigo foi, sem dúvida, demonstrar que o conceito de narcisismo oferece uma alternativa à ‘libido’ não-sexual de Jung e ao ‘protesto masculino’ de Adler.
Estes estão longe de ser os únicos tópicos levantados no artigo, e por isso mesmo não causa surpresa sua aparência inusitada de ser supercondensado - sua estrutura prestes a estourar pela quantidade de material que contém. O próprio Freud parece ter sentido algo semelhante. Conta-nos Ernest Jones (1955-340) que ‘ele ficou muito insatisfeito com o resultado’ e escreveu a Abraham: ‘O “Narcisismo” teve um parto difícil e traz todas as marcas de uma deformação correspondente’.
Por mais que isso possa ser assim, o artigo exige e recompensa um estudo prolongado, tendo sido o ponto de partida de muitas linhas de raciocínio ulteriores. Algumas destas, por exemplo, foram desenvolvidas em ‘Luto e Melancolia’ (1917e [1915]), pág. 249 mais adiante, e nos Capítulos VIII e XI de Group Psychology (1921c). O tema do narcisismo, pode-se acrescentar, ocupa a maior parte da Conferência XXVI das Introductory Lectures (1916-17). O ulterior desenvolvimento dos novos conceitos sobre a estrutura da mente, que já começam a se tornar evidentes no presente artigo, levou Freud a reavaliar algumas das afirmações feitas aqui, mormente no tocante ao funcionamento do ego. Nesse sentido, deve-se ressaltar que o significado que Freud atribuiu a ‘das Ich‘ (quase invariavelmente traduzido por o ‘ego’ nesta edição) passou por gradativas modificações. De início, ele empregou a expressão sem grande precisão, tal como poderíamos falar de ‘o eu’; mas em seus últimos escritos deu-lhe um significado muito mais definido e restrito. O presente artigo ocupa um ponto de transição nesse desenvolvimento. O tópico, em sua totalidade, é examinado mais amplamente na Introdução do Editor Inglês a The Ego and the Id (1923b).
Trechos da tradução desse artigo publicados em 1925 foram incluídos em A General Selection from the Works of Sigmund Freud, de Rickman (1937, 118-41).
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que numa reunião da Sociedade Psicanalítica de Viena, a 10 de novembro de 1909, Freud havia declarado que o narcisismo era uma fase intermediária necessária entre o auto-erotismo e o amor objetal. Mais ou menos na mesma época, ele preparava a segunda edição dos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905d) para o prelo (o prefácio traz a data de ‘dezembro de 1909’), e parece provável que a primeira menção pública do novo termo se encontra numa nota de rodapé acrescentada àquela edição (Edição Standard Brasileira, Vol. VII, pág. 144-5 n, IMAGO Editora, 1972), presumindo-se, vale dizer, que a nova edição tenha aparecido no início de 1910, pois no fim de maio do mesmo ano apareceu o livro de Freud sobre Leonardo (1910c), no qual se faz referência consideravelmente mais extensa ao narcisismo (Edição Standard Brasileira, Vol. XI, pág. 92, IMAGO Editora, 1970). Um artigo de Rank sobre o assunto, mencionado por Freud no início do presente estudo, foi publicado em 1911, e outras referências do próprio Freud logo se seguiram: por exemplo, na Seção III da análise de Schreber (1911c) e em Totem e Tabu (1912-13), Edição Standard Brasileira, Vol. XIII, págs. 111-13, IMAGO Editora, 1974.
A idéia de escrever o presente artigo surgiu nas cartas de Freud pela primeira vez em junho de 1913, tendo ele concluído uma primeira minuta do mesmo no correr de umas férias que passara em Roma na terceira semana de setembro do mesmo ano. Somente no fim de fevereiro de 1914 é que foi começada a versão final, concluída um mês depois.
Trata-se de um dos mais importantes trabalhos de Freud, podendo ser considerado como um dos fatores centrais na evolução de seus conceitos. Resume suas primeiras discussões sobre o tema do narcisismo e considera o lugar ocupado pelo narcisismo no desenvolvimento sexual, indo, porém, além disso, pois penetra nos problemas mais profundos das relações entre o ego e os objetos externos, traçando a nova distinção entre ‘libido do ego’ e ‘libido objetal’. Outrossim - e talvez seja este o ponto mais importante -, introduz os conceitos do ‘ideal do ego’ e do agente auto-observador a ele relacionado, que constituíram a base do que, finalmente, veio a ser descrito como o ‘superego’ em The Ego and the Id (1923b). E, além disso tudo, em duas passagens do artigo - no final da primeira seção e no início da terceira - aborda as controvérsias com Adler e Jung, que foram o principal tema da ‘História do Movimento Psicanalítico’, escrita mais ou menos simultaneamente ao presente trabalho durante os primeiros meses de 1914. Na realidade, um dos motivos de Freud para escrever esse artigo foi, sem dúvida, demonstrar que o conceito de narcisismo oferece uma alternativa à ‘libido’ não-sexual de Jung e ao ‘protesto masculino’ de Adler.
Estes estão longe de ser os únicos tópicos levantados no artigo, e por isso mesmo não causa surpresa sua aparência inusitada de ser supercondensado - sua estrutura prestes a estourar pela quantidade de material que contém.
Por mais que isso possa ser assim, o artigo exige e recompensa um estudo prolongado, tendo sido o ponto de partida de muitas linhas de raciocínio ulteriores. Algumas destas, por exemplo, foram desenvolvidas em ‘Luto e Melancolia’ (1917e [1915]), pág. 249 mais adiante, e nos Capítulos VIII e XI de Group Psychology (1921c). O tema do narcisismo, pode-se acrescentar, ocupa a maior parte da Conferência XXVI das Introductory Lectures (1916-17). O ulterior desenvolvimento dos novos conceitos sobre a estrutura da mente, que já começam a se tornar evidentes no presente artigo, levou Freud a reavaliar algumas das afirmações feitas aqui, mormente no tocante ao funcionamento do ego. Nesse sentido, deve-se ressaltar que o significado que Freud atribuiu a ‘das Ich‘ (quase invariavelmente traduzido por o ‘ego’ nesta edição) passou por gradativas modificações. De início, ele empregou a expressão sem grande precisão, tal como poderíamos falar de ‘o eu’; mas em seus últimos escritos deu-lhe um significado muito mais definido e restrito. O presente artigo ocupa um ponto de transição nesse desenvolvimento. O tópico, em sua totalidade, é examinado mais amplamente na Introdução do Editor Inglês a The Ego and the Id (1923b).
Trechos da tradução desse artigo publicados em 1925 foram incluídos em A General Selection from the Works of Sigmund Freud, de Rickman (1937, 118-41).
Mattanó aponta que numa reunião da Sociedade Psicanalítica de Viena, a 10 de novembro de 1909, Freud havia declarado que o narcisismo era uma fase intermediária necessária entre o auto-erotismo e o amor objetal. Mais ou menos na mesma época, ele preparava a segunda edição dos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905d) para o prelo (o prefácio traz a data de ‘dezembro de 1909’), e parece provável que a primeira menção pública do novo termo se encontra numa nota de rodapé acrescentada àquela edição (Edição Standard Brasileira, Vol. VII, pág. 144-5 n, IMAGO Editora, 1972), presumindo-se, vale dizer, que a nova edição tenha aparecido no início de 1910, pois no fim de maio do mesmo ano apareceu o livro de Freud sobre Leonardo (1910c), no qual se faz referência consideravelmente mais extensa ao narcisismo (Edição Standard Brasileira, Vol. XI, pág. 92, IMAGO Editora, 1970). Um artigo de Rank sobre o assunto, mencionado por Freud no início do presente estudo, foi publicado em 1911, e outras referências do próprio Freud logo se seguiram: por exemplo, na Seção III da análise de Schreber (1911c) e em Totem e Tabu (1912-13), Edição Standard Brasileira, Vol. XIII, págs. 111-13, IMAGO Editora, 1974. Vemos aqui como a ideia sobre o narcisismo surgiu e se manifestou em Freud, contribuindo para seu movimento psicanalítico, para suas teorias e trabalho prático, que adquiriram novos significados e novos sentidos a partir desse novo conceito, o conceito de narcisismo.
A idéia de escrever o presente artigo surgiu nas cartas de Freud pela primeira vez em junho de 1913, tendo ele concluído uma primeira minuta do mesmo no correr de umas férias que passara em Roma na terceira semana de setembro do mesmo ano. Somente no fim de fevereiro de 1914 é que foi começada a versão final, concluída um mês depois. Vemos como se desenrolou o conceito de narcisismo, o seu conteúdo, os seus significados e sentidos que foram sendo desenvolvidos na medida em que Freud realizava suas descobertas e pesquisas, seus estudos nesta área.
Trata-se de um dos mais importantes trabalhos de Freud, podendo ser considerado como um dos fatores centrais na evolução de seus conceitos. Resume suas primeiras discussões sobre o tema do narcisismo e considera o lugar ocupado pelo narcisismo no desenvolvimento sexual, indo, porém, além disso, pois penetra nos problemas mais profundos das relações entre o ego e os objetos externos, traçando a nova distinção entre ‘libido do ego’ e ‘libido objetal’. Outrossim - e talvez seja este o ponto mais importante -, introduz os conceitos do ‘ideal do ego’ e do agente auto-observador a ele relacionado, que constituíram a base do que, finalmente, veio a ser descrito como o ‘superego’ em The Ego and the Id (1923b). E, além disso tudo, em duas passagens do artigo - no final da primeira seção e no início da terceira - aborda as controvérsias com Adler e Jung, que foram o principal tema da ‘História do Movimento Psicanalítico’, escrita mais ou menos simultaneamente ao presente trabalho durante os primeiros meses de 1914. Na realidade, um dos motivos de Freud para escrever esse artigo foi, sem dúvida, demonstrar que o conceito de narcisismo oferece uma alternativa à ‘libido’ não-sexual de Jung e ao ‘protesto masculino’ de Adler. Vemos que o conceito de narcisismo de Freud ofereceu a ele uma alternativa à libido não-sexual de Jung e ao ¨protesto masculino¨ de Adler que eram uma controvérsia ao movimento psicanalítico, pois explica os problemas mais profundos das relações entre o ego e os objetos externos, traçando uma nova distinção entre ¨libido de ego¨ e ¨libido objetal¨.
Estes estão longe de ser os únicos tópicos levantados no artigo, e por isso mesmo não causa surpresa sua aparência inusitada de ser supercondensado - sua estrutura prestes a estourar pela quantidade de material que contém. Vemos que essa estrutura é supercondensada devido a quantidade de material que contém, material sensório-motor e dos repertórios comportamentais básicos como imitação, atenção, discriminação e controle.
Por mais que isso possa ser assim, o artigo exige e recompensa um estudo prolongado, tendo sido o ponto de partida de muitas linhas de raciocínio ulteriores. Algumas destas, por exemplo, foram desenvolvidas em ‘Luto e Melancolia’ (1917e [1915]), pág. 249 mais adiante, e nos Capítulos VIII e XI de Group Psychology (1921c). O tema do narcisismo, pode-se acrescentar, ocupa a maior parte da Conferência XXVI das Introductory Lectures (1916-17). O ulterior desenvolvimento dos novos conceitos sobre a estrutura da mente, que já começam a se tornar evidentes no presente artigo, levou Freud a reavaliar algumas das afirmações feitas aqui, mormente no tocante ao funcionamento do ego. Nesse sentido, deve-se ressaltar que o significado que Freud atribuiu a ‘das Ich‘ (quase invariavelmente traduzido por o ‘ego’ nesta edição) passou por gradativas modificações. De início, ele empregou a expressão sem grande precisão, tal como poderíamos falar de ‘o eu’; mas em seus últimos escritos deu-lhe um significado muito mais definido e restrito. O presente artigo ocupa um ponto de transição nesse desenvolvimento. O tópico, em sua totalidade, é examinado mais amplamente na Introdução do Editor Inglês a The Ego and the Id (1923b). Vemos aqui como se desenvolveu a ideia de ego na teoria de Freud e o quanto ela foi relevante em sua obra durante seu trabalho.
Trechos da tradução desse artigo publicados em 1925 foram incluídos em A General Selection from the Works of Sigmund Freud, de Rickman (1937, 118-41). Vemos aqui um pouco mais sobre a tradução desse artigo publicados em outros trabalhos, indicando a influência, importância e relevância dos trabalhos de Sigmund Freud que geravam e aumentavam os significados e os sentidos que mantinham sua obra no cenário médico, científico e cultural, e psicanalítico.
MATTANÓ
(06/08/2025)
SOBRE O NARCISISMO: UMA INTRODUÇÃO
I
O termo narcisismo deriva da descrição clínica e foi escolhido por Paul Näcke em 1899 para denotar a atitude de uma pessoa que trata seu próprio corpo da mesma forma pela qual o corpo de um objeto sexual é comumente tratado - que o contempla, vale dizer, o afaga e o acaricia até obter satisfação completa através dessas atividades. Desenvolvido até esse grau, o narcisismo passa a significar uma perversão que absorveu a totalidade da vida sexual do indivíduo, exibindo, conseqüentemente, as características que esperamos encontrar no estudo de todas as perversões.
Observadores psicanalíticos foram subseqüentemente surpreendidos pelo fato de que aspectos individuais da atitude narcisista são encontrados em muitas pessoas que sofrem de outras perturbações - por exemplo, conforme Sadger ressaltou, em homossexuais -, e finalmente afigurou-se provável que uma localização da libido que merecesse ser descrita como narcisismo talvez estivesse presente em muito maior extensão, podendo mesmo reivindicar um lugar no curso regular do desenvolvimento sexual humano. Dificuldades do trabalho psicanalítico em neuróticos conduziram à mesma suposição, pois parecia que, neles, essa espécie de atitude narcisista constituía um dos limites à sua susceptibilidade à influência. O narcisismo nesse sentido não seria uma perversão, mas o complemento libidinal do egoísmo do instinto de autopreservação, que, em certa medida, pode justificavelmente ser atribuído a toda criatura viva.
Um motivo premente para nos ocuparmos com a concepção de um narcisismo primário e normal surgiu quando se fez a tentativa de incluir o que conhecemos da demência precoce (Kraepelin) ou da esquizofrenia (Bleuler) na hipótese da teoria da libido. Esse tipo de pacientes, que eu propus fossem denominados de parafrênicos, exibem duas características fundamentais: megalomania e desvios de seu interesse do mundo externo - de pessoas e coisas. Em conseqüência da segunda modificação, tornam-se inacessíveis à influência da psicanálise e não podem ser curados por nossos esforços. Mas o afastamento do parafrênico do mundo externo necessita ser mais precisamente caracterizado. Um paciente que sofre de histeria ou de neurose obsessiva, enquanto sua doença persiste, também desiste de sua relação com a realidade. Mas a análise demonstra que ele de modo algum corta suas relações eróticas com as pessoas e as coisas. Ainda as retém na fantasia, isto é, ele substitui, por um lado, os objetos imaginários de sua memória por objetos reais, ou mistura os primeiros com os segundos, e, por outro, renuncia à iniciação das atividades motoras para a obtenção de seus objetivos relacionados àqueles objetos. Essa é a única condição da libido a que podemos legitimamente aplicar o termo ‘introversão’ da libido, empregado por Jung indiscriminadamente. Com o parafrênico a situação é diferente. Ele parece realmente ter retirado sua libido de pessoas e coisas do mundo externo, sem substituí-las por outras na fantasia. Quando realmente as substitui, o processo parece ser secundário e constituir parte de uma tentativa de recuperação, destinada a conduzir a libido de volta a objetos.
Surge a questão: Que acontece à libido que foi afastada dos objetos externos na esquizofrenia? A megalomania característica desses estados aponta o caminho. Essa megalomania, sem dúvida, surge a expensas da libido objetal. A libido afastada do mundo externo é dirigida para o ego e assim dá margem a uma atitude que pode ser denominada de narcisismo. Mas a própria megalomania não constitui uma criação nova; pelo contrário, é, como sabemos, ampliação e manifestação mais clara de uma condição que já existia previamente. Isso nos leva a considerar o narcisismo que surge através da indução de catexias objetais como sendo secundário, superposto a um narcisismo primário que é obscurecido por diversas influências diferentes.
Desejo ressaltar que não me proponho aqui explicar ou penetrar ainda mais no problema da esquizofrenia, limitando-me meramente a reunir o que já foi dito em outras ocasiões, a fim de justificar a introdução do conceito de narcisismo.
Essa extensão da teoria da libido - em minha opinião, legítima - recebe reforço de um terceiro setor, a saber, de nossas observações e conceitos sobre a vida mental das crianças e dos povos primitivos. Nos segundos, encontramos características que, se ocorressem isoladamente, poderiam ser atribuídas à megalomania: uma superestima do poder de seus desejos e atos mentais, a ‘onipotência de pensamentos’, uma crença na força taumatúrgica das palavras, e uma técnica para lidar com o mundo externo - ‘mágica’ - que parece ser uma aplicação lógica dessas premissas grandiosas. Nas crianças de hoje, cujo desenvolvimento é muito mais obscuro para nós, esperamos encontrar uma atitude exatamente análoga em relação ao mundo externo. Assim, formamos a idéia de que há uma catexia libidinal original do ego, parte da qual é posteriormente transmitida a objetos, mas que fundamentalmente persiste e está relacionada com as catexias objetais, assim como o corpo de uma ameba está relacionado com os pseudópodes que produz. Em nossas pesquisas, tomando, como se tomou, os sintomas neuróticos como ponto de partida, essa parte da localização da libido permaneceu necessariamente oculta para nós no início. Tudo que observamos foram emanações dessa libido - as catexias objetais, que podem ser transmitidas e retiradas novamente. Também vemos, em linhas gerais, um antítese entre a libido do ego e a libido objetal. Quanto mais uma é empregada, mais a outra se esvazia. A libido objetal atinge sua fase mais elevada de desenvolvimento no caso de uma pessoa apaixonada, quando o indivíduo parece desistir de sua própria personalidade em favor de uma catexia objetal, ao passo que temos a condição oposta na fantasia do paranóico (ou autopercepção) do ‘fim do mundo’. Finalmente, no tocante à diferenciação das energias psíquicas, somos levados à conclusão de que, para começar, durante o estado de narcisismo, elas existem em conjunto, sendo nossa análise demasiadamente tosca para estabelecer uma distinção entre elas. Somente quando há catexia objetal é que é possível discriminar uma energia sexual - a libido - de uma energia dos instintos do ego.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o termo narcisismo deriva da descrição clínica e foi escolhido por Paul Näcke em 1899 para denotar a atitude de uma pessoa que trata seu próprio corpo da mesma forma pela qual o corpo de um objeto sexual é comumente tratado - que o contempla, vale dizer, o afaga e o acaricia até obter satisfação completa através dessas atividades. Desenvolvido até esse grau, o narcisismo passa a significar uma perversão que absorveu a totalidade da vida sexual do indivíduo, exibindo, conseqüentemente, as características que esperamos encontrar no estudo de todas as perversões.
Observadores psicanalíticos foram subseqüentemente surpreendidos pelo fato de que aspectos individuais da atitude narcisista são encontrados em muitas pessoas que sofrem de outras perturbações - por exemplo, conforme Sadger ressaltou, em homossexuais -, e finalmente afigurou-se provável que uma localização da libido que merecesse ser descrita como narcisismo talvez estivesse presente em muito maior extensão, podendo mesmo reivindicar um lugar no curso regular do desenvolvimento sexual humano. Dificuldades do trabalho psicanalítico em neuróticos conduziram à mesma suposição, pois parecia que, neles, essa espécie de atitude narcisista constituía um dos limites à sua susceptibilidade à influência. O narcisismo nesse sentido não seria uma perversão, mas o complemento libidinal do egoísmo do instinto de autopreservação, que, em certa medida, pode justificavelmente ser atribuído a toda criatura viva.
Um motivo premente para nos ocuparmos com a concepção de um narcisismo primário e normal surgiu quando se fez a tentativa de incluir o que conhecemos da demência precoce (Kraepelin) ou da esquizofrenia (Bleuler) na hipótese da teoria da libido. Esse tipo de pacientes, que eu propus fossem denominados de parafrênicos, exibem duas características fundamentais: megalomania e desvios de seu interesse do mundo externo - de pessoas e coisas. Em conseqüência da segunda modificação, tornam-se inacessíveis à influência da psicanálise e não podem ser curados por nossos esforços. Mas o afastamento do parafrênico do mundo externo necessita ser mais precisamente caracterizado. Um paciente que sofre de histeria ou de neurose obsessiva, enquanto sua doença persiste, também desiste de sua relação com a realidade. Mas a análise demonstra que ele de modo algum corta suas relações eróticas com as pessoas e as coisas. Ainda as retém na fantasia, isto é, ele substitui, por um lado, os objetos imaginários de sua memória por objetos reais, ou mistura os primeiros com os segundos, e, por outro, renuncia à iniciação das atividades motoras para a obtenção de seus objetivos relacionados àqueles objetos. Essa é a única condição da libido a que podemos legitimamente aplicar o termo ‘introversão’ da libido, empregado por Jung indiscriminadamente. Com o parafrênico a situação é diferente. Ele parece realmente ter retirado sua libido de pessoas e coisas do mundo externo, sem substituí-las por outras na fantasia. Quando realmente as substitui, o processo parece ser secundário e constituir parte de uma tentativa de recuperação, destinada a conduzir a libido de volta a objetos.
Surge a questão: Que acontece à libido que foi afastada dos objetos externos na esquizofrenia? A megalomania característica desses estados aponta o caminho. Essa megalomania, sem dúvida, surge a expensas da libido objetal. A libido afastada do mundo externo é dirigida para o ego e assim dá margem a uma atitude que pode ser denominada de narcisismo. Mas a própria megalomania não constitui uma criação nova; pelo contrário, é, como sabemos, ampliação e manifestação mais clara de uma condição que já existia previamente. Isso nos leva a considerar o narcisismo que surge através da indução de catexias objetais como sendo secundário, superposto a um narcisismo primário que é obscurecido por diversas influências diferentes.
Essa extensão da teoria da libido - em minha opinião, legítima - recebe reforço de um terceiro setor, a saber, de nossas observações e conceitos sobre a vida mental das crianças e dos povos primitivos. Nos segundos, encontramos características que, se ocorressem isoladamente, poderiam ser atribuídas à megalomania: uma superestima do poder de seus desejos e atos mentais, a ‘onipotência de pensamentos’, uma crença na força taumatúrgica das palavras, e uma técnica para lidar com o mundo externo - ‘mágica’ - que parece ser uma aplicação lógica dessas premissas grandiosas. Nas crianças de hoje, cujo desenvolvimento é muito mais obscuro para nós, esperamos encontrar uma atitude exatamente análoga em relação ao mundo externo. Assim, formamos a idéia de que há uma catexia libidinal original do ego, parte da qual é posteriormente transmitida a objetos, mas que fundamentalmente persiste e está relacionada com as catexias objetais, assim como o corpo de uma ameba está relacionado com os pseudópodes que produz. Também vemos, em linhas gerais, um antítese entre a libido do ego e a libido objetal. Quanto mais uma é empregada, mais a outra se esvazia. A libido objetal atinge sua fase mais elevada de desenvolvimento no caso de uma pessoa apaixonada, quando o indivíduo parece desistir de sua própria personalidade em favor de uma catexia objetal, ao passo que temos a condição oposta na fantasia do paranóico (ou autopercepção) do ‘fim do mundo’. Finalmente, no tocante à diferenciação das energias psíquicas, somos levados à conclusão de que, para começar, durante o estado de narcisismo, elas existem em conjunto, sendo nossa análise demasiadamente tosca para estabelecer uma distinção entre elas. Somente quando há catexia objetal é que é possível discriminar uma energia sexual - a libido - de uma energia dos instintos do ego.
Mattanó aponta que o termo narcisismo deriva da descrição clínica e foi escolhido por Paul Näcke em 1899 para denotar a atitude de uma pessoa que trata seu próprio corpo da mesma forma pela qual o corpo de um objeto sexual é comumente tratado - que o contempla, vale dizer, o afaga e o acaricia até obter satisfação completa através dessas atividades. Desenvolvido até esse grau, o narcisismo passa a significar uma perversão que absorveu a totalidade da vida sexual do indivíduo, exibindo, conseqüentemente, as características que esperamos encontrar no estudo de todas as perversões. Vemos que o narcisismo exibe o estudo das perversões, onde o indivíduo desenvolve pelo seu corpo contemplação, afago e carícias, uma forma de satisfação, porém comportamental e cognitiva, pois o indivíduo, enquanto menor de 14 anos de idade ainda não possui malícia, transformando o seu objeto sexual em objeto cognitivo-comportamental, mediado pelo prazer sensório-motor e depois pelo prazer pré-operacional que enriquecem o repertório comportamental da criança na medida em que ela cresce e se desenvolve, amadurece, por meio da atenção, da discriminação, do controle e da imitação comportamental, desenvolvendo sua consciência, cultura, conhecimento e realidade.
Observadores psicanalíticos foram subseqüentemente surpreendidos pelo fato de que aspectos individuais da atitude narcisista são encontrados em muitas pessoas que sofrem de outras perturbações - por exemplo, conforme Sadger ressaltou, em homossexuais -, e finalmente afigurou-se provável que uma localização da libido que merecesse ser descrita como narcisismo talvez estivesse presente em muito maior extensão, podendo mesmo reivindicar um lugar no curso regular do desenvolvimento sexual humano. Dificuldades do trabalho psicanalítico em neuróticos conduziram à mesma suposição, pois parecia que, neles, essa espécie de atitude narcisista constituía um dos limites à sua susceptibilidade à influência. O narcisismo nesse sentido não seria uma perversão, mas o complemento libidinal do egoísmo do instinto de autopreservação, que, em certa medida, pode justificavelmente ser atribuído a toda criatura viva. Vemos que o narcisismo faz parte do desenvolvimento sexual humano, porém devemos renomeá-lo de desenvolvimento cognitivo-comportamental, pois o indivíduo menor de 14 anos não possui sexualidade, mesmo possuindo uma libido primária ou sexualidade primária definida pela ocitocina que surge antes dos 14 anos de idade nas crianças. Por ser liberada durante o contato físico, como abraços e carícias, a ocitocina é importante para a formação de relacionamentos e da sensação de carinho. Ao alcançar o organismo, ela promove sentimentos de confiança, empatia e bem-estar. Assim, é a partir desta associação que o cérebro fortalece os vínculos sociais. Além disso, o hormônio do amor é responsável pelas contrações que antecedem o parto e também pelo estímulo à produção de leite materno. Ainda, estudos descobriram que a ocitocina é uma grande aliada da saúde mental porque ela diminui os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e promove uma sensação de calma e relaxamento. Por seus efeitos, é importante para a redução da ansiedade e melhorar a qualidade de vida. A liberação da ocitocina fica ainda mais evidente nas mulheres durante a gravidez, o parto e a amamentação. Alguns processos em que ela influencia são:
Preparação do parto: o neurotransmissor ajuda a sensibilizar o útero às contrações e a torná-lo mais flexível. Além disso, age junto com outros hormônios, como a progesterona e o estrogênio, para garantir o equilíbrio de todas essas substâncias;
Vínculo materno: pelos sentimentos que desperta, ajuda a gestante a criar uma antecipação positiva em relação ao bebê;
Amamentação: é nesse momento em que a conexão entre mãe e filho se fortalece. Da mesma forma, o ato de amamentar faz com que o corpo da mulher libere ocitocina, o que influencia no bem-estar de ambos.
Para os homens, o efeito da ocitocina é similar ao das mulheres, com uma diferença mais notável em relação à sua função no comportamento e hábitos sexuais:
Vida sexual: o hormônio do amor é liberado durante o orgasmo e tem conexão direta com a sensação de prazer e satisfação. Além disso, pode facilitar a ejaculação e aumentar a sensibilidade durante o ato sexual;
Comportamento: o neurotransmissor influencia o comportamento social masculino, pois promove a cooperação, a generosidade e a redução da agressividade;
Regulação da testosterona: a ocitocina pode interagir com a testosterona, o que influencia na expressão de ações sociais e sexuais. Nesses casos, os homens têm um comportamento mais gentil e afetuoso.
Portanto, em linhas gerais, a principal função da ocitocina é influenciar na sensação de prazer e felicidade que acompanha as relações interpessoais. Apesar disso, ela pode influenciar mulheres e homens de formas diferentes, por motivos biológicos.
Para liberar a ocitocina, é preciso de um estímulo físico ou emocional. Alguns dos principais incentivos para esse hormônio ser liberado no corpo são:
Contato físico;
Experiências positivas;
Relações sexuais;
Parto;
Amamentação.
Existem algumas maneiras de colaborar com a produção da ocitocina no corpo. A indicação é praticar atividades que tragam prazer a você, como esportes, meditação e tempo em contato com a natureza.
Um motivo premente para nos ocuparmos com a concepção de um narcisismo primário e normal surgiu quando se fez a tentativa de incluir o que conhecemos da demência precoce (Kraepelin) ou da esquizofrenia (Bleuler) na hipótese da teoria da libido. Esse tipo de pacientes, que eu propus fossem denominados de parafrênicos, exibem duas características fundamentais: megalomania e desvios de seu interesse do mundo externo - de pessoas e coisas. Em conseqüência da segunda modificação, tornam-se inacessíveis à influência da psicanálise e não podem ser curados por nossos esforços. Mas o afastamento do parafrênico do mundo externo necessita ser mais precisamente caracterizado. Um paciente que sofre de histeria ou de neurose obsessiva, enquanto sua doença persiste, também desiste de sua relação com a realidade. Mas a análise demonstra que ele de modo algum corta suas relações eróticas com as pessoas e as coisas. Ainda as retém na fantasia, isto é, ele substitui, por um lado, os objetos imaginários de sua memória por objetos reais, ou mistura os primeiros com os segundos, e, por outro, renuncia à iniciação das atividades motoras para a obtenção de seus objetivos relacionados àqueles objetos. Essa é a única condição da libido a que podemos legitimamente aplicar o termo ‘introversão’ da libido, empregado por Jung indiscriminadamente. Com o parafrênico a situação é diferente. Ele parece realmente ter retirado sua libido de pessoas e coisas do mundo externo, sem substituí-las por outras na fantasia. Quando realmente as substitui, o processo parece ser secundário e constituir parte de uma tentativa de recuperação, destinada a conduzir a libido de volta a objetos. Vemos que o narcisismo pode ser entendido como primário quando focamos a esquizofrenia na teoria da libido, pois se tornam megalomaníacos e desviam o seu interesse do mundo externo, de pessoas e de coisas, devido a isto a psicanálise se torna inutilizável com esses pacientes, pois o esquizofrênico retira sua libido das coisas e das pessoas do mundo externo, sem substituí-las por outras na fantasia, ou seja, fica completamente fora da realidade, e quando as substitui em sua fantasia, destina de volta a sua libido para os objetos. Aqui a fantasia é a consequência da resposta do paciente para os seus estímulos, sejam eles pessoas ou coisas do mundo externo, de modo que se geram e se estruturam redes de significados e sentidos que vão substituindo a realidade pela loucura na vida psíquica e comportamental desse indivíduo.
Surge a questão: Que acontece à libido que foi afastada dos objetos externos na esquizofrenia? A megalomania característica desses estados aponta o caminho. Essa megalomania, sem dúvida, surge a expensas da libido objetal. A libido afastada do mundo externo é dirigida para o ego e assim dá margem a uma atitude que pode ser denominada de narcisismo. Mas a própria megalomania não constitui uma criação nova; pelo contrário, é, como sabemos, ampliação e manifestação mais clara de uma condição que já existia previamente. Isso nos leva a considerar o narcisismo que surge através da indução de catexias objetais como sendo secundário, superposto a um narcisismo primário que é obscurecido por diversas influências diferentes. Vemos que a megalomania surge devido o trabalho da libido objetal. A libido afastada do mundo externo é dirigida para o ego e surge o narcisismo secundário, superposto a um narcisismo primário que é obscurecido no inconsciente por diversas influências como crescimento, desenvolvimento e amadurecimento que geram significados e sentidos.
Essa extensão da teoria da libido - em minha opinião, legítima - recebe reforço de um terceiro setor, a saber, de nossas observações e conceitos sobre a vida mental das crianças e dos povos primitivos. Nos segundos, encontramos características que, se ocorressem isoladamente, poderiam ser atribuídas à megalomania: uma superestima do poder de seus desejos e atos mentais, a ‘onipotência de pensamentos’, uma crença na força taumatúrgica das palavras, e uma técnica para lidar com o mundo externo - ‘mágica’ - que parece ser uma aplicação lógica dessas premissas grandiosas. Nas crianças de hoje, cujo desenvolvimento é muito mais obscuro para nós, esperamos encontrar uma atitude exatamente análoga em relação ao mundo externo. Assim, formamos a idéia de que há uma catexia libidinal original do ego, parte da qual é posteriormente transmitida a objetos, mas que fundamentalmente persiste e está relacionada com as catexias objetais, assim como o corpo de uma ameba está relacionado com os pseudópodes que produz. Também vemos, em linhas gerais, um antítese entre a libido do ego e a libido objetal. Quanto mais uma é empregada, mais a outra se esvazia. A libido objetal atinge sua fase mais elevada de desenvolvimento no caso de uma pessoa apaixonada, quando o indivíduo parece desistir de sua própria personalidade em favor de uma catexia objetal, ao passo que temos a condição oposta na fantasia do paranóico (ou autopercepção) do ‘fim do mundo’. Finalmente, no tocante à diferenciação das energias psíquicas, somos levados à conclusão de que, para começar, durante o estado de narcisismo, elas existem em conjunto, sendo nossa análise demasiadamente tosca para estabelecer uma distinção entre elas. Somente quando há catexia objetal é que é possível discriminar uma energia sexual - a libido - de uma energia dos instintos do ego. Vemos que a teoria da libido recebe reforço de um terceiro setor, a saber, de nossas observações e conceitos sobre a vida mental das crianças e dos povos primitivos. Nos segundos, encontramos características que, se ocorressem isoladamente, poderiam ser atribuídas à megalomania: uma superestima do poder de seus desejos e atos mentais, a ‘onipotência de pensamentos’, uma crença na força taumatúrgica das palavras, e uma técnica para lidar com o mundo externo - ‘mágica’ - que parece ser uma aplicação lógica dessas premissas grandiosas. Nas crianças de hoje, cujo desenvolvimento é mais claro pois temos o movimento cognitivo-comportamental que defende o desenvolvimento cognitivo e o comportamental e temos a psicanálise de Mattanó que defende a libido, a comunhão e a segurança como divisões de uma energia vital que leva o Homo Sapiens a sua Trajetória Evolutiva, Seletiva e Competitiva. Assim, formamos a idéia de que há uma catexia libidinal original do ego, parte da qual é posteriormente transmitida a objetos, mas que fundamentalmente persiste e está relacionada com as catexias objetais, assim como o corpo de uma ameba está relacionado com os pseudópodes que produz. Vemos que a catexia libidinal se estende a de comunhão e de segurança, que compõem a catexia da energia vital, responsável pelos passos e avanços do Homo Sapiens em sua Trajetória da Vida e dos Heróis que espelha a Trajetória Evolutiva, Seletiva e Competitiva do Homo Sapiens no mundo.
MATTANÓ
(07/08/2025)
Antes de prosseguir, devo tocar em duas questões que nos levam ao âmago das dificuldades de nosso assunto. Em primeiro lugar, qual a relação entre o narcisismo de que tratamos e o auto-erotismo, que descrevemos como um estado inicial da libido? Em segundo, se concedemos ao ego uma catexia primária da libido, por que há necessidade de distinguir ainda uma libido sexual de uma energia não-sexual dos instintos do ego? A postulação de uma única espécie de energia psíquica não nos pouparia de todas as dificuldades que residem em diferenciar uma energia dos instintos do ego da libido do ego, e a libido do ego da libido objetal?
No tocante à primeira questão, posso ressaltar que estamos destinados a supor que uma unidade comparável ao ego não pode existir no indivíduo desde o começo; o ego tem de ser desenvolvido. Os instintos auto-eróticos, contudo, ali se encontram desde o início, sendo, portanto, necessário que algo seja adicionado ao auto-erotismo - uma nova ação psíquica - a fim de provocar o narcisismo.
Provocaremos uma inquietação perceptível em qualquer analista de quem se exija uma resposta definitiva à segunda questão. Não é agradável a idéia de abandonar a observação pela controvérsia teórica estéril, mas nem por isso nos devemos esquivar de uma tentativa de elucidação. É verdade que noções tais como a de uma libido do ego, uma energia dos instintos do ego, e assim por diante, não são particularmente fáceis de apreender, nem suficientemente ricas de conteúdo; uma teoria especulativa das relações em questão deveria começar por buscar como base um conceito nitidamente definido. Mas sou da opinião de que é exatamente nisso que consiste a diferença entre uma teoria especulativa e uma ciência erigida a partir da interpretação empírica. Esta última não invejará a especulação por seu privilégio de ter um fundamento suave, logicamente inatacável, contentando-se, de bom grado, com conceitos básicos nebulosos mal imagináveis, que espera apreender mais claramente no decorrer de seu desenvolvimento, ou que está até mesmo preparada para substituir por outros, pois essas idéias não são o fundamento da ciência, no qual tudo repousa: esse fundamento é tão- somente a observação. Não são a base, mas o topo de toda a estrutura, e podem ser substituídas e eliminadas sem prejudicá-la. Em nossos dias, a mesma coisa vem acontecendo na ciência da física, cujas noções básicas no tocante a matéria, centros de força, atração etc. são quase tão discutíveis quanto as noções correspondentes em psicanálise.
O valor dos conceitos ‘libido do ego’ e ‘libido do objeto’ reside no fato de que se originam do estudo das características íntimas dos processos neuróticos e psicóticos. A diferenciação da libido numa espécie que é adequada ao ego e numa outra que está ligada a objetos é o corolário inevitável de uma hipótese original que estabelecia distinção entre os instintos sexuais e os instintos do ego. Seja como for, a análise das neuroses de pura transferência (neurose de histeria e obsessiva) compeliu-me a fazer essa distinção, e sei apenas que todas as tentativas para explicar esses fenômenos por outros meios foram inteiramente infrutíferas.
Na ausência total de qualquer teoria dos instintos que nos ajude a encontrar nossa orientação, podemos permitir-nos, ou antes, cabe-nos começar por elaborar alguma hipótese para a sua conclusão lógica, até que ela ou se desintegre ou seja confirmada. Existem vários pontos a favor da hipótese de ter havido desde o início uma separação entre os instintos sexuais e os outros instintos do ego, além da utilidade de tal hipótese na análise das neuroses de transferência. Admito que somente essa segunda consideração não seria destituída de ambigüidade, porquanto poderia tratar-se de uma energia psíquica indiferente que só se torna libido através do ato de catexização de um objeto. Mas, em primeiro lugar, a distinção feita nesse conceito corresponde à distinção popular comum entre a fome e o amor. Em segundo lugar, há considerações biológicas a seu favor. O indivíduo leva realmente uma existência dúplice: uma para servir as suas próprias finalidades e a outra como um elo numa corrente, que ele serve contra sua vontade ou pelo menos involuntariamente. O indivíduo considera a sexualidade como um dos seus próprios fins, ao passo que, de outro ponto de vista, ele é um apêndice de seu germoplasma, a cuja disposição põe suas energias em troca de uma retribuição de prazer. Ele é o veículo mortal de uma substância (possivelmente) imortal - como o herdeiro de uma propriedade inalienável, que é o único dono temporário de um patrimônio que lhe sobrevive. A separação dos instintos sexuais dos instintos do ego simplesmente refletiria essa função dúplice do indivíduo. Em terceiro lugar, devemos recordar que todas as nossas idéias provisórias em psicologia presumivelmente algum dia se basearão numa subestrutura orgânica. Isso torna provável que as substâncias especiais e os processos químicos sejam os responsáveis pela realização das operações da sexualidade, garantindo a extensão da vida individual na da espécie. Estamos levando essa probabilidade em conta ao substituirmos as substâncias químicas especiais por forças psíquicas especiais.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que há duas questões que nos levam ao âmago das dificuldades de nosso assunto. Em primeiro lugar, qual a relação entre o narcisismo de que tratamos e o auto-erotismo, que descrevemos como um estado inicial da libido? Em segundo, se concedemos ao ego uma catexia primária da libido, por que há necessidade de distinguir ainda uma libido sexual de uma energia não-sexual dos instintos do ego? A postulação de uma única espécie de energia psíquica não nos pouparia de todas as dificuldades que residem em diferenciar uma energia dos instintos do ego da libido do ego, e a libido do ego da libido objetal?
No tocante à primeira questão, posso ressaltar que estamos destinados a supor que uma unidade comparável ao ego não pode existir no indivíduo desde o começo; o ego tem de ser desenvolvido. Os instintos auto-eróticos, contudo, ali se encontram desde o início, sendo, portanto, necessário que algo seja adicionado ao auto-erotismo - uma nova ação psíquica - a fim de provocar o narcisismo.
O valor dos conceitos ‘libido do ego’ e ‘libido do objeto’ reside no fato de que se originam do estudo das características íntimas dos processos neuróticos e psicóticos. A diferenciação da libido numa espécie que é adequada ao ego e numa outra que está ligada a objetos é o corolário inevitável de uma hipótese original que estabelecia distinção entre os instintos sexuais e os instintos do ego.
Existem vários pontos a favor da hipótese de ter havido desde o início uma separação entre os instintos sexuais e os outros instintos do ego, poderia tratar-se de uma energia psíquica indiferente que só se torna libido através do ato de catexização de um objeto. Mas, em primeiro lugar, a distinção feita nesse conceito corresponde à distinção popular comum entre a fome e o amor. Em segundo lugar, há considerações biológicas a seu favor. O indivíduo leva realmente uma existência dúplice: uma para servir as suas próprias finalidades e a outra como um elo numa corrente, que ele serve contra sua vontade ou pelo menos involuntariamente. O indivíduo considera a sexualidade como um dos seus próprios fins, ao passo que, de outro ponto de vista, ele é um apêndice de suas energias em troca de uma retribuição de prazer. Ele é o veículo mortal de uma substância (possivelmente) imortal - como o herdeiro de uma propriedade inalienável, que é o único dono temporário de um patrimônio que lhe sobrevive. A separação dos instintos sexuais dos instintos do ego simplesmente refletiria essa função dúplice do indivíduo. Em terceiro lugar, devemos recordar que todas as nossas idéias provisórias em psicologia presumivelmente algum dia se basearão numa subestrutura orgânica. Isso torna provável que as substâncias especiais e os processos químicos sejam os responsáveis pela realização das operações da sexualidade, garantindo a extensão da vida individual na da espécie. Estamos levando essa probabilidade em conta ao substituirmos as substâncias químicas especiais por forças psíquicas especiais.
Mattanó aponta que há duas questões que nos levam ao âmago das dificuldades de nosso assunto. Em primeiro lugar, qual a relação entre o narcisismo de que tratamos e o auto-erotismo, que descrevemos como um estado inicial da libido? Em segundo, se concedemos ao ego uma catexia primária da libido, por que há necessidade de distinguir ainda uma libido sexual de uma energia não-sexual dos instintos do ego? A postulação de uma única espécie de energia psíquica não nos pouparia de todas as dificuldades que residem em diferenciar uma energia dos instintos do ego da libido do ego, e a libido do ego da libido objetal? Vemos que a energia psíquica pode ter dois caminhos, o ego e os objetos, seja ela libido, comunhão ou segurança.
No tocante à primeira questão, posso ressaltar que estamos destinados a supor que uma unidade comparável ao ego não pode existir no indivíduo desde o começo; o ego tem de ser desenvolvido. Os instintos auto-eróticos, contudo, ali se encontram desde o início, sendo, portanto, necessário que algo seja adicionado ao auto-erotismo - uma nova ação psíquica - a fim de provocar o narcisismo. Vemos que os instintos auto-eróticos existem desde o início da vida psíquica do indivíduo, indicando que daí se provoca o narcisismo.
O valor dos conceitos ‘libido do ego’ e ‘libido do objeto’ reside no fato de que se originam do estudo das características íntimas dos processos neuróticos e psicóticos. A diferenciação da libido numa espécie que é adequada ao ego e numa outra que está ligada a objetos é o corolário inevitável de uma hipótese original que estabelecia distinção entre os instintos sexuais e os instintos do ego. Vemos que os conceitos ¨libido do ego¨ e ¨libido do objeto¨ se aplicam a processos neuróticos e psicóticos onde a libido se dirige ao ego, no caso dos psicóticos, ou a um objeto de amor, no caso dos neuróticos.
Existem vários pontos a favor da hipótese de ter havido desde o início uma separação entre os instintos sexuais e os outros instintos do ego, poderia tratar-se de uma energia psíquica indiferente que só se torna libido através do ato de catexização de um objeto. Mas, em primeiro lugar, a distinção feita nesse conceito corresponde à distinção popular comum entre a fome e o amor. Em segundo lugar, há considerações biológicas a seu favor. O indivíduo leva realmente uma existência dúplice: uma para servir as suas próprias finalidades e a outra como um elo numa corrente, que ele serve contra sua vontade ou pelo menos involuntariamente. O indivíduo considera a sexualidade como um dos seus próprios fins, ao passo que, de outro ponto de vista, ele é um apêndice de suas energias em troca de uma retribuição de prazer. Ele é o veículo mortal de uma substância (possivelmente) imortal - como o herdeiro de uma propriedade inalienável, que é o único dono temporário de um patrimônio que lhe sobrevive. A separação dos instintos sexuais dos instintos do ego simplesmente refletiria essa função dúplice do indivíduo. Em terceiro lugar, devemos recordar que todas as nossas idéias provisórias em psicologia presumivelmente algum dia se basearão numa subestrutura orgânica. Isso torna provável que as substâncias especiais e os processos químicos sejam os responsáveis pela realização das operações da sexualidade, garantindo a extensão da vida individual na da espécie. Estamos levando essa probabilidade em conta ao substituirmos as substâncias químicas especiais por forças psíquicas especiais. Vemos que a catexização de um objeto define se haverá fome ou amor, define também se a sexualidade serve as suas vontades ou próprios fins como meio em troca de prazer, ele torna-se o veículo mortal da sua substância imortal, ou seja, da sua reprodução, e define também resposta as substâncias químicas que operam transformações na sexualidade como medicamentos e drogas, pois a consciência tem sua base orgânica, ou seja, biológica e cerebral, sediada no tronco cerebral, no tálamo e no córtex cerebral que ao se interconectarem aumentam a sua resposta e a sua funcionalidade, otimizando sua adaptação comportamental, fisiológica e morfológica.
MATTANÓ
(08/08/2025)
Tento em geral manter a psicologia isenta de tudo que lhe seja diferente em natureza, inclusive das linhas biológicas de pensamento. Por essa mesma razão, gostaria, nessa altura, de admitir expressamente que a hipótese de instintos do ego e instintos sexuais separados (isto é, a teoria da libido) está longe de repousar, inteiramente, numa base psicológica, extraindo seu principal apoio da biologia. Mas serei suficientemente coerente [com minha norma geral] para abandonar essa hipótese, se o próprio trabalho psicanalítico vier a produzir alguma outra hipótese mais útil sobre os instintos. Até agora, isso não aconteceu. Pode ocorrer que, com mais fundamento e numa visão de maior alcance, a energia sexual - a libido - seja apenas o produto de uma diferenciação na energia que atua generalizadamente na mente. Mas tal assertiva não tem qualquer relevância. Relaciona-se com assuntos que se acham tão afastados dos problemas de nossa observação, e a respeito dos quais conhecemos tão pouco, que é igualmente ocioso contestá-la ou afirmá-la; essa identidade primordial talvez tenha tão pouco que ver com nossos interesses analíticos quanto o parentesco primordial de todas as raças da humanidade tem que ver com a prova de parentesco exigida a fim de se estabelecer um direito legal de herança. Todas essas especulações não nos levam a parte alguma. Visto não podermos esperar que outra ciência nos apresente as conclusões finais sobre a teoria dos instintos, é muito mais objetivo tentar ver que luz pode ser lançada sobre esse problema básico da biologia por uma síntese dos fenômenos psicológicos. Enfrentemos a possibilidade de erro, mas não nos deixemos dissuadir de buscar as implicações lógicas da hipótese, que em primeiro lugar adotamos, de uma antítese entre os instintos do ego e os instintos sexuais (hipótese à qual fomos forçosamente conduzidos pela análise das neuroses de transferência), e de verificar se ela se mostra destituída de contradições e se é profícua, e se pode ser aplicada também a outras perturbações, como a esquizofrenia.
Seria, naturalmente, uma questão diferente se se provasse que a teoria da libido já fracassou na tentativa de explicar essa segunda doença. Isso foi asseverado por C. G. Jung (1912) e é por causa disso que me vi obrigado a entrar nessa última discussão, da qual gostaria de ter sido poupado. Teria preferido seguir até o fim o caminho trilhado na análise do caso Schreber sem qualquer discussão de suas premissas. Mas a asserção de Jung é, para dizer o mínimo, prematura. Os fundamentos que apresenta para ela são deficientes. Em primeiro lugar, recorre a uma confissão, que eu teria feito, de que fora obrigado, devido às dificuldades da análise de Schreber, a estender o conceito de libido (isto é, a desistir de seu conteúdo sexual) e a identificar a libido com o interesse psíquico em geral. Ferenczi (1913b), numa crítica exaustiva à obra de Jung, já disse tudo o que é necessário a título de correção dessa interpretação errônea. Posso apenas corroborar sua crítica e repetir que jamais fiz tal retratação no tocante à teoria da libido. Outro argumento de Jung, a saber, que não podemos supor que a retirada da libido seja em si mesma suficiente para acarretar a perda da função normal da realidade, não é um argumento, mas um ditame. ‘Incorre em petição de princípio’ e poupa discussão, pois se e como isso é possível era precisamente o ponto que devia estar sob investigação. Em sua grande obra seguinte, Jung (1913 [339-40]) simplesmente falha na solução que eu havia indicado: ‘Ao mesmo tempo’, escreve, ‘ainda há o seguinte a ser levado em consideração (um ponto ao qual, incidentalmente, Freud se refere em sua obra sobre o caso Schreber [1911c]) - que a introversão da libido sexualis conduz a uma catexia do “ego”, e que possivelmente é isso que produz o resultado de uma perda da realidade. É realmente uma possibilidade tentadora explicar a psicologia da perda da realidade dessa maneira’. Mas Jung não vai muito além no exame dessa possibilidade. Algumas linhas adiante ele a põe de lado com a observação de que essa determinante ‘resultaria na psicologia de um anacoreta ascético, não em demência precoce’. Quão pouco essa analogia inadequada pode ajudar-nos a resolver a questão fica claro pela consideração de que um anacoreta dessa espécie, que ‘tenta erradicar todos os traços de interesse sexual’ (mas só no sentido popular da palavra ‘sexual’), nem sequer necessariamente exibe qualquer localização patogênica da libido. Ele pode ter desviado inteiramente seu interesse sexual dos seres humanos; contudo, pode tê-lo sublimado num interesse elevado pelo divino, pela natureza, ou pelo reino animal, sem que sua libido tenha sofrido introversão até suas fantasias ou retorno a seu ego. Essa analogia pareceria excluir por antecipação a possibilidade de se estabelecer uma diferenciação entre o interesse que emana de fontes eróticas e os outros. Recordemos, além disso, que as pesquisas da escola suíça, por mais valiosas que sejam, elucidaram apenas duas facetas do quadro da demência precoce - a presença nele de complexos que conhecemos tanto em indivíduos saudáveis como em neuróticos e a similaridade das fantasias que nele ocorrem com mitos populares -, mas não puderam lançar mais luz alguma sobre o mecanismo da doença. Podemos, então, repudiar a asserção de Jung, segundo a qual a teoria da libido não só malogrou na tentativa de explicar a demência precoce, como também, portanto, é eliminada em relação às outras neuroses.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que admitir expressamente que a hipótese de instintos do ego e instintos sexuais separados (isto é, a teoria da libido) está longe de repousar, inteiramente, numa base psicológica, extraindo seu principal apoio da biologia. Visto não podermos esperar que outra ciência nos apresente as conclusões finais sobre a teoria dos instintos, é muito mais objetivo tentar ver que luz pode ser lançada sobre esse problema básico da biologia por uma síntese dos fenômenos psicológicos. Enfrentemos a possibilidade de erro, mas não nos deixemos dissuadir de buscar as implicações lógicas da hipótese, que em primeiro lugar adotamos, de uma antítese entre os instintos do ego e os instintos sexuais, e de verificar se ela se mostra destituída de contradições e se é profícua, e se pode ser aplicada também a outras perturbações, como a esquizofrenia.
Seria, naturalmente, uma questão diferente se se provasse que a teoria da libido já fracassou na tentativa de explicar essa segunda doença. Teria preferido seguir até o fim o caminho trilhado na análise do caso Schreber sem qualquer discussão de suas premissas. Mas a asserção de Jung é, para dizer o mínimo, prematura. Os fundamentos que apresenta para ela são deficientes. Em primeiro lugar, recorre a uma confissão, que eu teria feito, de que fora obrigado, devido às dificuldades da análise de Schreber, a estender o conceito de libido (isto é, a desistir de seu conteúdo sexual) e a identificar a libido com o interesse psíquico em geral. Ferenczi (1913b), numa crítica exaustiva à obra de Jung, já disse tudo o que é necessário a título de correção dessa interpretação errônea. Posso apenas corroborar sua crítica e repetir que jamais fiz tal retratação no tocante à teoria da libido. Outro argumento de Jung, a saber, que não podemos supor que a retirada da libido seja em si mesma suficiente para acarretar a perda da função normal da realidade, não é um argumento, mas um ditame. Em sua grande obra seguinte, Jung (1913 [339-40]) simplesmente falha na solução que eu havia indicado: ‘Ao mesmo tempo’, escreve, ‘ainda há o seguinte a ser levado em consideração (um ponto ao qual, incidentalmente, Freud se refere em sua obra sobre o caso Schreber [1911c]) - que a introversão da libido sexualis conduz a uma catexia do “ego”, e que possivelmente é isso que produz o resultado de uma perda da realidade. É realmente uma possibilidade tentadora explicar a psicologia da perda da realidade dessa maneira’. Mas Jung não vai muito além no exame dessa possibilidade. Algumas linhas adiante ele a põe de lado com a observação de que essa determinante ‘resultaria na psicologia de um anacoreta ascético, não em demência precoce’. Quão pouco essa analogia inadequada pode ajudar-nos a resolver a questão fica claro pela consideração de que um anacoreta dessa espécie, que ‘tenta erradicar todos os traços de interesse sexual’ (mas só no sentido popular da palavra ‘sexual’), nem sequer necessariamente exibe qualquer localização patogênica da libido. Ele pode ter desviado inteiramente seu interesse sexual dos seres humanos; contudo, pode tê-lo sublimado num interesse elevado pelo divino, pela natureza, ou pelo reino animal, sem que sua libido tenha sofrido introversão até suas fantasias ou retorno a seu ego. Essa analogia pareceria excluir por antecipação a possibilidade de se estabelecer uma diferenciação entre o interesse que emana de fontes eróticas e os outros. Recordemos, além disso, que as pesquisas da escola suíça, por mais valiosas que sejam, elucidaram apenas duas facetas do quadro da demência precoce - a presença nele de complexos que conhecemos tanto em indivíduos saudáveis como em neuróticos e a similaridade das fantasias que nele ocorrem com mitos populares -, mas não puderam lançar mais luz alguma sobre o mecanismo da doença.
Mattanó aponta que admitir expressamente que a hipótese de instintos do ego e instintos sexuais separados (isto é, a teoria da libido) está longe de repousar, inteiramente, numa base psicológica, extraindo seu principal apoio da biologia. Visto não podermos esperar que outra ciência nos apresente as conclusões finais sobre a teoria dos instintos, é muito mais objetivo tentar ver que luz pode ser lançada sobre esse problema básico da biologia por uma síntese dos fenômenos psicológicos. Enfrentemos a possibilidade de erro, mas não nos deixemos dissuadir de buscar as implicações lógicas da hipótese, que em primeiro lugar adotamos, de uma antítese entre os instintos do ego e os instintos sexuais, e de verificar se ela se mostra destituída de contradições e se é profícua, e se pode ser aplicada também a outras perturbações, como a esquizofrenia. Vemos como Freud lidou com suas teorias a respeito dos instintos do ego e dos instintos sexuais em sua longa jornada de trabalho científico e epistemológico, tentando lidar com mais de um caminho para elas, tamanha sua complexidade, dificuldade e obscuridade causada pelos seus instintos e pelo seu ego que se defendia criando resistências inconscientes ao seu próprio trabalho, de modo a distorcê-lo.
Seria, naturalmente, uma questão diferente se se provasse que a teoria da libido já fracassou na tentativa de explicar essa segunda doença. Teria preferido seguir até o fim o caminho trilhado na análise do caso Schreber sem qualquer discussão de suas premissas. Mas a asserção de Jung é, para dizer o mínimo, prematura. Os fundamentos que apresenta para ela são deficientes. Em primeiro lugar, recorre a uma confissão, que eu teria feito, de que fora obrigado, devido às dificuldades da análise de Schreber, a estender o conceito de libido (isto é, a desistir de seu conteúdo sexual) e a identificar a libido com o interesse psíquico em geral. Ferenczi (1913b), numa crítica exaustiva à obra de Jung, já disse tudo o que é necessário a título de correção dessa interpretação errônea. Posso apenas corroborar sua crítica e repetir que jamais fiz tal retratação no tocante à teoria da libido. Outro argumento de Jung, a saber, que não podemos supor que a retirada da libido seja em si mesma suficiente para acarretar a perda da função normal da realidade, não é um argumento, mas um ditame. Em sua grande obra seguinte, Jung (1913 [339-40]) simplesmente falha na solução que eu havia indicado: ‘Ao mesmo tempo’, escreve, ‘ainda há o seguinte a ser levado em consideração (um ponto ao qual, incidentalmente, Freud se refere em sua obra sobre o caso Schreber [1911c]) - que a introversão da libido sexualis conduz a uma catexia do “ego”, e que possivelmente é isso que produz o resultado de uma perda da realidade. Vemos como Freud combateu criticando seus desertores, utilizando como exemplo, Jung e a análise do caso Schreber, da qual criticou seus fundamentos, discussões, dificuldades da análise e interpretação errônea que levaram a uma falha na solução, contudo acerta quando se refere a introversão da libido sexualis conduzindo a uma catexia do ego, que possivelmente produz a perda da realidade. Para Mattanó essa libido sexualis compreende a comunhão e a segurança, e a orgone em seu conjunto de energias vitais.
MATTANÓ
(11/08/2025)
É realmente uma possibilidade tentadora explicar a psicologia da perda da realidade dessa maneira’. Mas Jung não vai muito além no exame dessa possibilidade. Algumas linhas adiante ele a põe de lado com a observação de que essa determinante ‘resultaria na psicologia de um anacoreta ascético, não em demência precoce’. Quão pouco essa analogia inadequada pode ajudar-nos a resolver a questão fica claro pela consideração de que um anacoreta dessa espécie, que ‘tenta erradicar todos os traços de interesse sexual’ (mas só no sentido popular da palavra ‘sexual’), nem sequer necessariamente exibe qualquer localização patogênica da libido. Ele pode ter desviado inteiramente seu interesse sexual dos seres humanos; contudo, pode tê-lo sublimado num interesse elevado pelo divino, pela natureza, ou pelo reino animal, sem que sua libido tenha sofrido introversão até suas fantasias ou retorno a seu ego. Essa analogia pareceria excluir por antecipação a possibilidade de se estabelecer uma diferenciação entre o interesse que emana de fontes eróticas e os outros. Recordemos, além disso, que as pesquisas da escola suíça, por mais valiosas que sejam, elucidaram apenas duas facetas do quadro da demência precoce - a presença nele de complexos que conhecemos tanto em indivíduos saudáveis como em neuróticos e a similaridade das fantasias que nele ocorrem com mitos populares -, mas não puderam lançar mais luz alguma sobre o mecanismo da doença.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que Jung desviou o seu interesse por meio de sua teoria do interesse sexual dos seres humanos, podendo tê-lo sublimado e elevado pelo divino, pela natureza, pelo reino animal, sem que sua libido tenha sofrido introversão até suas fantasias ou retorno a seu ego. As pesquisas da escola suíça, por mais valiosas que sejam, elucidaram apenas duas facetas do quadro da demência precoce - a presença nele de complexos que conhecemos tanto em indivíduos saudáveis como em neuróticos e a similaridade das fantasias que nele ocorrem com mitos populares -, mas não puderam lançar mais luz alguma sobre o mecanismo da doença.
Mattanó aponta que Jung desviou o seu interesse por meio de sua teoria do interesse sexual dos seres humanos, podendo tê-lo sublimado e elevado pelo divino, pela natureza, pelo reino animal, sem que sua libido tenha sofrido introversão até suas fantasias ou retorno a seu ego. As pesquisas da escola suíça, por mais valiosas que sejam, elucidaram apenas duas facetas do quadro da demência precoce - a presença nele de complexos que conhecemos tanto em indivíduos saudáveis como em neuróticos e a similaridade das fantasias que nele ocorrem com mitos populares -, mas não puderam lançar mais luz alguma sobre o mecanismo da doença. Vemos como Freud exultou e combateu os avanços e os erros ou distorções que ele nomeou de deserções do movimento psicanalítico, para fortalecer o seu ponto de vista, suas descobertas e a sua teoria, vida e obra, todo o seu trabalho.
MATTANÓ
(12/08/2025)
II
Parece-me que certas dificuldades especiais perturbam o estudo direto do narcisismo. Nosso principal meio de acesso a ele continuará a ser provavelmente a análise das parafrenias. Assim como as neuroses de transferência nos permitiram traçar os impulsos instintuais libidinais, também a demência precoce e a paranóia nos fornecerão uma compreensão interna (insight) da psicologia do ego. Mais uma vez, a fim de chegar à compreensão do que parece tão simples em fenômenos normais, teremos de recorrer ao campo da patologia com suas distorções e exageros. Ao mesmo tempo, outros meios de abordagem nos permanecem acessíveis, e através deles podemos obter um conhecimento melhor do narcisismo. Passarei a examiná-los agora, na seguinte ordem: o estudo da doença orgânica, da hipocondria e da vida erótica dos sexos.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o narcisismo pode ser estudado através do estudo da doença orgânica, da hipocondria e da vida erótica dos sexos.
Mattanó aponta que o narcisismo pode ser estudado através do estudo do inconsciente e dos significados e dos sentidos, do subconsciente através da fé e da crença, bem como da funcionalidade e do comportamento, da consciência, cultura, conhecimento e realidade através da doença orgânica, da hipocondria e da vida erótica dos sexos.
MATTANÓ
(12/08/2025)
Ao avaliar a influência da doença orgânica sobre a distribuição da libido, sigo uma sugestão que me foi feita verbalmente por Sándor Ferenczi. É do conhecimento de todos, e eu o aceito como coisa natural, que uma pessoa atormentada por dor e mal-estar orgânico deixa de se interessar pelas coisas do mundo externo, na medida em que não dizem respeito a seu sofrimento. Uma observação mais detida nos ensina que ela também retira o interesse libidinal de seus objetos amorosos: enquanto sofre, deixa de amar. A banalidade desse fato não justifica que deixemos de traduzi-lo nos termos da teoria da libido. Devemos então dizer: o homem enfermo retira suas catexias libidinais de volta para seu próprio ego, e as põe para fora novamente quando se recupera. ‘Concentrada está a sua alma’, diz Wilhelm Busch a respeito do poeta que sofre de dor de dentes, ‘no estreito orifício do molar’.
Aqui a libido e o interesse do ego partilham do mesmo destino e são mais uma vez indistiguíveis entre si. O egoísmo familiar do enfermo abrange os dois. Achamos isso tão natural porque estamos certos de que, na mesma situação, nosso comportamento seria idêntico. A maneira pela qual os sentimentos de quem ama, por mais fortes que sejam, são banidos pelos males corpóreos, e de súbito substituídos por uma indiferença completa, constitui um tema que tem sido consideravelmente explorado por escritores humorísticos.
A condição do sono também se assemelha à doença, por acarretar uma retirada narcisista das posições da libido até o próprio eu do indivíduo, ou, mais precisamente, até o desejo único de dormir. O egoísmo dos sonhos ajusta-se muito bem nesse contexto. [ver em [1]]. Em ambos os estados temos, pelo menos, exemplos de alterações na distribuição da libido que são resultantes de uma modificação no ego.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que uma pessoa atormentada por dor e mal-estar orgânico deixa de se interessar pelas coisas do mundo externo. Uma observação mais detida nos ensina que ela também retira o interesse libidinal de seus objetos amorosos: enquanto sofre, deixa de amar. A banalidade desse fato não justifica que deixemos de traduzi-lo nos termos da teoria da libido. Devemos então dizer: o homem enfermo retira suas catexias libidinais de volta para seu próprio ego, e as põe para fora novamente quando se recupera.
Aqui a libido e o interesse do ego partilham do mesmo destino e são mais uma vez indistiguíveis entre si. O egoísmo familiar do enfermo abrange os dois. Achamos isso tão natural porque estamos certos de que, na mesma situação, nosso comportamento seria idêntico. A maneira pela qual os sentimentos de quem ama, por mais fortes que sejam, são banidos pelos males corpóreos, e de súbito substituídos por uma indiferença completa, constitui um tema que tem sido consideravelmente explorado por escritores humorísticos.
A condição do sono também se assemelha à doença, por acarretar uma retirada narcisista das posições da libido até o próprio eu do indivíduo, ou, mais precisamente, até o desejo único de dormir. O egoísmo dos sonhos ajusta-se muito bem nesse contexto. [ver em [1]]. Em ambos os estados temos, pelo menos, exemplos de alterações na distribuição da libido que são resultantes de uma modificação no ego.
Mattanó aponta que uma pessoa atormentada por dor e mal-estar orgânico deixa de se interessar pelas coisas do mundo externo. Uma observação mais detida nos ensina que ela também retira o interesse libidinal de seus objetos amorosos: enquanto sofre, deixa de amar. A banalidade desse fato não justifica que deixemos de traduzi-lo nos termos da teoria da libido. Devemos então dizer: o homem enfermo retira suas catexias libidinais de volta para seu próprio ego, e as põe para fora novamente quando se recupera. Vemos que no caso da doença orgânica o indivíduo retira suas catexias libidinais de volta para seu próprio ego, e as põe novamente quando se recupera, ou seja, perde o interesse libidinal de seus objetos amorosos enquanto sofre e deixa de amar. Seus significados e sentidos também indicam este processo de retirada da libido dos objetos externos para o seu próprio ego, até que se recupere, vemos isto acontecer na esquizofrenia e na lavagem cerebral, na extorsão, na vingança e no estupro ou no estupro virtual e nos atentados contra a vida, a saúde, a liberdade, a justiça, a família e o patrimônio como uma nova doença mental, um transtorno globalizado.
Aqui a libido e o interesse do ego partilham do mesmo destino e são mais uma vez indistiguíveis entre si. O egoísmo familiar do enfermo abrange os dois. Achamos isso tão natural porque estamos certos de que, na mesma situação, nosso comportamento seria idêntico. A maneira pela qual os sentimentos de quem ama, por mais fortes que sejam, são banidos pelos males corpóreos, e de súbito substituídos por uma indiferença completa, constitui um tema que tem sido consideravelmente explorado por escritores humorísticos. Vemos que a libido e o interesse do ego acabam partilhando do mesmo destino, determinando um egoísmo familiar, pelo qual os sentimentos se transformam em indiferença completa, se ajustando a doença ou ao transtorno globalizado.
A condição do sono também se assemelha à doença, por acarretar uma retirada narcisista das posições da libido até o próprio eu do indivíduo, ou, mais precisamente, até o desejo único de dormir. O egoísmo dos sonhos ajusta-se muito bem nesse contexto. [ver em [1]]. Em ambos os estados temos, pelo menos, exemplos de alterações na distribuição da libido que são resultantes de uma modificação no ego. Vemos que o sono do indivíduo sofre alterações narcisistas através das posições da libido até o próprio eu do indivíduo com o seu desejo de dormir, sendo que o egoísmo dos sonhos também se ajusta a esse contexto sofrendo alterações que são promovidas por alterações na distribuição da libido que são resultantes de uma modificação no ego, ou seja, de uma modificação no seu processo de escolhas ou de seleção, que se mantêm através dos seus significados e sentidos quando são reforçados e/ou reorganizados.
MATTANÓ
(12/08/2025)
A hipocondria, da mesma forma que a doença orgânica, manifesta-se em sensações corpóreas aflitivas e penosas, tendo sobre a distribuição da libido o mesmo efeito que a doença orgânica. O hipocondríaco retira tanto o interesse quanto a libido - a segunda de forma especialmente acentuada - dos objetos do mundo externo, concentrando ambos no órgão que lhe prende a atenção. Torna-se agora evidente uma diferença entre a hipocondria e a doença orgânica: na segunda, as sensações aflitivas baseiam-se em mudanças demonstráveis [orgânicas]; na primeira, isso não ocorre. Mas estaria inteiramente de acordo com nossa concepção geral dos processos de neurose, se resolvêssemos dizer que a hipocondria deve estar certa: deve-se supor que as modificações orgânicas também estão presentes nela.
Mas o que seriam essas mudanças? Deixar-nos-emos guiar, nessa altura, por nossa experiência, a qual mostra que as sensações corpóreas de natureza desagradável, comparáveis às da hipocondria, ocorrem também nas outras neuroses. Já tive ocasião de dizer que me inclino a classificar a hipocondria, juntamente com a neurastenia e a neurose de angústia, como uma terceira neurose ‘real’ Provavelmente não seria ir muito longe supor que, no caso das outras neuroses, uma pequena dose de hipocondria também se forma regularmente ao mesmo tempo. Temos o melhor exemplo disso, creio eu, na neurose de angústia com sua superestrutura de histeria. Ora, o protótipo familiar de um órgão que é dolorosamente delicado, que de alguma forma é alterado e que, contudo, não está doente no sentido comum do termo, é o órgão genital em seus estados de excitação. Nessa condição, ele fica congestionado de sangue, intumescido e umectado, sendo a sede de uma multiplicidade de sensações. Descrevamos agora, tomando qualquer parte do corpo, sua atividade de enviar estímulos sexualmente excitantes à mente, como sendo sua ‘erogenicidade’, e reflitamos, ainda, que as considerações nas quais se baseou nossa teoria da sexualidade de há muito nos habituou à idéia de que certas outras partes do corpo - as zonas ‘erógenas’ - podem atuar como substitutos dos órgãos genitais e se comportarem analogamente a eles. Temos então apenas mais um passo a dar. Podemos decidir considerar a erogenicidade como uma característica geral de todos os órgãos e, então, podemos falar de um aumento ou diminuição dela numa parte específica do corpo. Para cada uma das modificações na erogenicidade dos órgãos poderia, então, verificar-se uma modificação paralela da catexia libidinal no ego. Tais fatores constituíram aquilo que acreditamos estar subjacente à hipocondria e aquilo que pode exercer o mesmo efeito sobre a distribuição da libido tal como produzida por uma doença material dos órgãos.
Vemos que, se acompanharmos essa linha de raciocínio, nos defrontaremos não só com o problema da hipocondria, mas também com o das outras neuroses ‘reais’ - a neurastenia e a neurose de angústia. Paremos, portanto, nesse ponto. Não pertence ao âmbito de uma indagação puramente psicológica penetrar tanto nas fronteiras da pesquisa fisiológica. Mencionarei simplesmente que, a partir desse ponto de vista, podemos suspeitar que a relação da hipocondria com a parafrenia é semelhante à das outras neuroses ‘reais’ com a histeria e a neurose obsessiva: podemos desconfiar, vale dizer, que ela está na dependência da libido do ego, assim como as outras estão na da libido objetal, e que a ansiedade hipocondríaca é a contrapartida, enquanto provém da libido do ego, da ansiedade neurótica. Além disso, visto já estarmos familiarizados com a idéia de que o mecanismo do adoecer e da formação de sintomas nas neuroses de transferência - o caminho da introversão para a regressão - deve ficar vinculado a um represamento da libido objetal, podemos também ficar mais perto da idéia de um represamento da libido do ego, e podemos estabelecer uma relação dessa idéia com os fenômenos da hipocondria e da parafrenia.
Nesse ponto, nossa curiosidade naturalmente perguntará por que esse represamento da libido no ego teria de ser experimentado como desagradável. Contentar-me-ei com a reposta de que o desprazer é sempre a expressão de um grau mais elevado de tensão, e que, portanto, o que ocorre é que uma quantidade no campo dos acontecimentos materiais é transformada, aqui como em outros lugares, na qualidade psíquica do desprazer. Não obstante, talvez o fator decisivo para a geração do desprazer não seja a magnitude absoluta do acontecimento material, mas antes alguma função específica dessa magnitude absoluta. Aqui podemos até mesmo aventurar-nos a abordar a questão de saber o que torna absolutamente necessário para a nossa vida mental ultrapassar os limites do narcisismo e ligar a libido a objetos. A resposta decorrente de nossa linha de raciocínio mais uma vez seria a de que essa necessidade surge quando a catexia do ego com a libido excede certa quantidade. Um egoísmo forte constitui uma proteção contra o adoecer, mas, num último recurso, devemos começar a amar a fim de não adoecermos, e estamos destinados a cair doentes se, em conseqüência da frustração, formos incapazes de amar. Isso acompanha mais ou menos os versos do quadro que Heine traça sobre a psicogênese da Criação:
Krankheit ist wohl der letzte GrundDes ganzen Schöpferdrangs gewesen;Erschaffend konnte ich genesen,Erschaffend wurde ich gesund.
Reconhecemos nosso aparelho mental como sendo, acima de tudo, um dispositivo destinado a dominar as excitações que de outra forma seriam sentidas como aflitivas ou teriam efeitos patogênicos. Sua elaboração na mente auxilia de forma marcante um escoamento das excitações que são incapazes de descarga direta para fora, ou para as quais tal descarga é, no momento, indesejável. No primeiro caso, contudo, é indiferente que esse processo interno de elaboração seja efetuado em objetos reais ou imaginários. A diferença não surge senão depois - caso a transferência da libido para objetos irreais (introversão) tenha ocasionado seu represamento. Nos parafrênicos, a megalomania permite uma semelhante elaboração interna da libido que voltou ao ego; talvez apenas quando a megalomania falhe, o represamento da libido no ego se torne patogênico e inicie o processo de recuperação que nos dá a impressão de ser uma doença.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a hipocondria, da mesma forma que a doença orgânica, manifesta-se em sensações corpóreas aflitivas e penosas, tendo sobre a distribuição da libido o mesmo efeito que a doença orgânica. O hipocondríaco retira tanto o interesse quanto a libido - a segunda de forma especialmente acentuada - dos objetos do mundo externo, concentrando ambos no órgão que lhe prende a atenção. Torna-se agora evidente uma diferença entre a hipocondria e a doença orgânica: na segunda, as sensações aflitivas baseiam-se em mudanças demonstráveis [orgânicas]; na primeira, isso não ocorre. Mas estaria inteiramente de acordo com nossa concepção geral dos processos de neurose, se resolvêssemos dizer que a hipocondria deve estar certa: deve-se supor que as modificações orgânicas também estão presentes nela.
Mas o que seriam essas mudanças? Deixar-nos-emos guiar, nessa altura, por nossa experiência, a qual mostra que as sensações corpóreas de natureza desagradável, comparáveis às da hipocondria, ocorrem também nas outras neuroses. Provavelmente não seria ir muito longe supor que, no caso das outras neuroses, uma pequena dose de hipocondria também se forma regularmente ao mesmo tempo. Temos o melhor exemplo disso, creio eu, na neurose de angústia com sua superestrutura de histeria. Descrevamos agora, tomando qualquer parte do corpo, sua atividade de enviar estímulos sexualmente excitantes à mente, como sendo sua ‘erogenicidade’, e reflitamos, ainda, que as considerações nas quais se baseou nossa teoria da sexualidade de há muito nos habituou à idéia de que certas outras partes do corpo - as zonas ‘erógenas’ - podem atuar como substitutos dos órgãos genitais e se comportarem analogamente a eles. Temos então apenas mais um passo a dar. Podemos decidir considerar a erogenicidade como uma característica geral de todos os órgãos e, então, podemos falar de um aumento ou diminuição dela numa parte específica do corpo. Para cada uma das modificações na erogenicidade dos órgãos poderia, então, verificar-se uma modificação paralela da catexia libidinal no ego. Tais fatores constituíram aquilo que acreditamos estar subjacente à hipocondria e aquilo que pode exercer o mesmo efeito sobre a distribuição da libido tal como produzida por uma doença material dos órgãos.
Vemos que, se acompanharmos essa linha de raciocínio, nos defrontaremos não só com o problema da hipocondria, mas também com o das outras neuroses ‘reais’ - a neurastenia e a neurose de angústia. Mencionarei simplesmente que, a partir desse ponto de vista, podemos suspeitar que a relação da hipocondria com a parafrenia é semelhante à das outras neuroses ‘reais’ com a histeria e a neurose obsessiva: podemos desconfiar, vale dizer, que ela está na dependência da libido do ego, assim como as outras estão na da libido objetal, e que a ansiedade hipocondríaca é a contrapartida, enquanto provém da libido do ego, da ansiedade neurótica. Além disso, visto já estarmos familiarizados com a idéia de que o mecanismo do adoecer e da formação de sintomas nas neuroses de transferência - o caminho da introversão para a regressão - deve ficar vinculado a um represamento da libido objetal, podemos também ficar mais perto da idéia de um represamento da libido do ego, e podemos estabelecer uma relação dessa idéia com os fenômenos da hipocondria e da parafrenia.
Nesse ponto, nossa curiosidade naturalmente perguntará por que esse represamento da libido no ego teria de ser experimentado como desagradável. Contentar-me-ei com a reposta de que o desprazer é sempre a expressão de um grau mais elevado de tensão, e que, portanto, o que ocorre é que uma quantidade no campo dos acontecimentos materiais é transformada, aqui como em outros lugares, na qualidade psíquica do desprazer. Aqui podemos até mesmo aventurar-nos a abordar a questão de saber o que torna absolutamente necessário para a nossa vida mental ultrapassar os limites do narcisismo e ligar a libido a objetos. A resposta decorrente de nossa linha de raciocínio mais uma vez seria a de que essa necessidade surge quando a catexia do ego com a libido excede certa quantidade. Um egoísmo forte constitui uma proteção contra o adoecer, mas, num último recurso, devemos começar a amar a fim de não adoecermos, e estamos destinados a cair doentes se, em conseqüência da frustração, formos incapazes de amar.
Reconhecemos nosso aparelho mental como sendo, acima de tudo, um dispositivo destinado a dominar as excitações que de outra forma seriam sentidas como aflitivas ou teriam efeitos patogênicos. Sua elaboração na mente auxilia de forma marcante um escoamento das excitações que são incapazes de descarga direta para fora, ou para as quais tal descarga é, no momento, indesejável. No primeiro caso, contudo, é indiferente que esse processo interno de elaboração seja efetuado em objetos reais ou imaginários. A diferença não surge senão depois - caso a transferência da libido para objetos irreais (introversão) tenha ocasionado seu represamento. Nos parafrênicos, a megalomania permite uma semelhante elaboração interna da libido que voltou ao ego; talvez apenas quando a megalomania falhe, o represamento da libido no ego se torne patogênico e inicie o processo de recuperação que nos dá a impressão de ser uma doença.
Mattanó aponta que a hipocondria, da mesma forma que a doença orgânica, manifesta-se em sensações corpóreas aflitivas e penosas, tendo sobre a distribuição da libido o mesmo efeito que a doença orgânica. O hipocondríaco retira tanto o interesse quanto a libido - a segunda de forma especialmente acentuada - dos objetos do mundo externo, concentrando ambos no órgão que lhe prende a atenção. Torna-se agora evidente uma diferença entre a hipocondria e a doença orgânica: na segunda, as sensações aflitivas baseiam-se em mudanças demonstráveis [orgânicas]; na primeira, isso não ocorre. Mas estaria inteiramente de acordo com nossa concepção geral dos processos de neurose, se resolvêssemos dizer que a hipocondria deve estar certa: deve-se supor que as modificações orgânicas também estão presentes nela. Vemos como se processa o mecanismo da hipocondria e da doença orgânica em relação a libido, o hipocondríaco retira o interesse da libido enquanto que a doença orgânica baseia-se em mudanças orgânicas demonstráveis, evento indemonstrável no caso da hipocondria, que sugere apenas significados e sentidos, que por sua vez também participam das doenças orgânicas.
Mas o que seriam essas mudanças? Deixar-nos-emos guiar, nessa altura, por nossa experiência, a qual mostra que as sensações corpóreas de natureza desagradável, comparáveis às da hipocondria, ocorrem também nas outras neuroses. Provavelmente não seria ir muito longe supor que, no caso das outras neuroses, uma pequena dose de hipocondria também se forma regularmente ao mesmo tempo. Temos o melhor exemplo disso, creio eu, na neurose de angústia com sua superestrutura de histeria. Descrevamos agora, tomando qualquer parte do corpo, sua atividade de enviar estímulos sexualmente excitantes à mente, como sendo sua ‘erogenicidade’, e reflitamos, ainda, que as considerações nas quais se baseou nossa teoria da sexualidade de há muito nos habituou à idéia de que certas outras partes do corpo - as zonas ‘erógenas’ - podem atuar como substitutos dos órgãos genitais e se comportarem analogamente a eles. Temos então apenas mais um passo a dar. Podemos decidir considerar a erogenicidade como uma característica geral de todos os órgãos e, então, podemos falar de um aumento ou diminuição dela numa parte específica do corpo. Para cada uma das modificações na erogenicidade dos órgãos poderia, então, verificar-se uma modificação paralela da catexia libidinal no ego. Tais fatores constituíram aquilo que acreditamos estar subjacente à hipocondria e aquilo que pode exercer o mesmo efeito sobre a distribuição da libido tal como produzida por uma doença material dos órgãos. Vemos que as mudanças orgânicas que ocorrem nesses pacientes com doença orgânica comparável às da hipocondria, ocorrem em outras neuroses, como na neurose de angústia, na histeria, devido sua erogenicidade, onde temos certas zonas erógenas do corpo que podem ser substitutos dos órgãos sexuais, porém após a puberdade com a aquisição da malícia comportamental. Podemos falar de variações dessa erogenicidade e a partir daí acreditarmos numa hipocondria construída nessas variações de energia libidinal, bem como de comunhão e de segurança, produzida por uma doença orgânica dos órgãos que, por sua vez, constróem significados e sentidos através da interconectividade cerebral e corporal desse corpo individual, gerando uma consciência, cultura, conhecimento e realidade.
Vemos que, se acompanharmos essa linha de raciocínio, nos defrontaremos não só com o problema da hipocondria, mas também com o das outras neuroses ‘reais’ - a neurastenia e a neurose de angústia. Mencionarei simplesmente que, a partir desse ponto de vista, podemos suspeitar que a relação da hipocondria com a parafrenia é semelhante à das outras neuroses ‘reais’ com a histeria e a neurose obsessiva: podemos desconfiar, vale dizer, que ela está na dependência da libido do ego, assim como as outras estão na da libido objetal, e que a ansiedade hipocondríaca é a contrapartida, enquanto provém da libido do ego, da ansiedade neurótica. Além disso, visto já estarmos familiarizados com a idéia de que o mecanismo do adoecer e da formação de sintomas nas neuroses de transferência - o caminho da introversão para a regressão - deve ficar vinculado a um represamento da libido objetal, podemos também ficar mais perto da idéia de um represamento da libido do ego, e podemos estabelecer uma relação dessa idéia com os fenômenos da hipocondria e da parafrenia. Vemos que a hipocondria tem relação com outras neuroses, como a neurastenia e a neurose de angústia, e também com a parafrenia que se assemelha a histeria e a neurose obsessiva, pois depende de uma conversão que pode se transformar em ritos ou em totens e tabus, em superstições, levando a uma introversão e a um represamento da libido objetal, talvez da comunhão e da segurança objetal, pois esses fenômenos tem relação com a hipocondria e a parafrenia.
Nesse ponto, nossa curiosidade naturalmente perguntará por que esse represamento da libido no ego teria de ser experimentado como desagradável. Contentar-me-ei com a reposta de que o desprazer é sempre a expressão de um grau mais elevado de tensão, e que, portanto, o que ocorre é que uma quantidade no campo dos acontecimentos materiais é transformada, aqui como em outros lugares, na qualidade psíquica do desprazer. Aqui podemos até mesmo aventurar-nos a abordar a questão de saber o que torna absolutamente necessário para a nossa vida mental ultrapassar os limites do narcisismo e ligar a libido a objetos. A resposta decorrente de nossa linha de raciocínio mais uma vez seria a de que essa necessidade surge quando a catexia do ego com a libido excede certa quantidade. Um egoísmo forte constitui uma proteção contra o adoecer, mas, num último recurso, devemos começar a amar a fim de não adoecermos, e estamos destinados a cair doentes se, em conseqüência da frustração, formos incapazes de amar. Vemos que o represamento da libido, da comunhão e da segurança no ego é experimentada, muito provavelmente, como desagradável, devido a tensão e ao desprazer, aqui nossa vida psíquica vence o narcisismo e se liga a objetos, devemos amar para não adoecermos, porém estamos fadados a cair doentes e frustrados, devido a incapacidade de amar, pois amar envolve construção de significados e de sentidos.
Reconhecemos nosso aparelho mental como sendo, acima de tudo, um dispositivo destinado a dominar as excitações que de outra forma seriam sentidas como aflitivas ou teriam efeitos patogênicos. Sua elaboração na mente auxilia de forma marcante um escoamento das excitações que são incapazes de descarga direta para fora, ou para as quais tal descarga é, no momento, indesejável. No primeiro caso, contudo, é indiferente que esse processo interno de elaboração seja efetuado em objetos reais ou imaginários. A diferença não surge senão depois - caso a transferência da libido para objetos irreais (introversão) tenha ocasionado seu represamento. Nos parafrênicos, a megalomania permite uma semelhante elaboração interna da libido que voltou ao ego; talvez apenas quando a megalomania falhe, o represamento da libido no ego se torne patogênico e inicie o processo de recuperação que nos dá a impressão de ser uma doença. Vemos que o aparelho psíquico é produto de uma história evolutiva, seletiva e competitiva da qual herdou a capacidade de dominar as excitações que de outra forma nos destruiriam através da descarga direta ou indireta, substitutiva, para fora, num momento indesejável, tanto com objetos reais quanto com objetos imaginários. Nos esquizofrênicos os sintomas e os comportamentos domésticos, inclusive de trabalho e de educação, acabam fazendo uma elaboração interna da libido, da comunhão e da segurança que voltam para o ego, que por sua vez represa esse energia dando a impressão de ser uma doença.
MATTANÓ
(13/08/2025)
Tentarei aqui penetrar um pouco mais no mecanismo da parafrenia e reunirei os conceitos que já me pareçam merecedores de consideração. A diferença entre as afecções parafrênicas e as neuroses de transferência parecem-me estar na circunstância de que, nas primeiras, a libido liberada pela frustração não permanece ligada a objetos na fantasia, mas se retira para o ego. A megalomania corresponderia, por conseguinte, ao domínio psíquico dessa última quantidade de libido, e seria assim a contrapartida da introversão para as fantasias que é encontrada nas neuroses de transferência; uma falha dessa função psíquica dá margem à hipocondria da parafrenia, e isso é homólogo à ansiedade das neuroses de transferência. Sabemos que essa ansiedade pode ser transformada por uma elaboração psíquica ulterior, isto é, por conversão, formação de reação ou construção de proteções (fobias). O processo correspondente nos parafrênicos consiste numa tentativa de restauração, à qual se devem as surpreendentes manifestações da doença. De uma vez que a parafrenia com freqüência, se não geralmente, acarreta apenas um desligamento parcial da libido dos objetos, podemos distinguir três grupos de fenômenos no quadro clínico: (1) os que representam o que resta de um estado normal de neurose (fenômenos residuais); (2) os que representam o processo mórbido (afastamento da libido dos seus objetos e, além disso, megalomania, hipocondria, perturbações afetivas e todo tipo de regressão); (3) os que representam a restauração, nos quais a libido é mais uma vez ligada a objetos, como uma histeria (na demência precoce ou na parafrenia propriamente dita), ou como numa neurose obsessiva (na paranóia). Essa nova catexia libidinal difere da primária por partir de outro nível e sob outras condições. A diferença entre as neuroses de transferência que ocorrem no caso de nova espécie de catexia libidinal e as formações correspondentes onde o ego é normal devem ser capazes de nos proporcionar a compreensão interna (insight) mais profunda da estrutura de nosso aparelho mental.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que está tentando entrar um pouco mais no mecanismo da parafrenia. A diferença entre as afecções parafrênicas e as neuroses de transferência parecem-me estar na circunstância de que, nas primeiras, a libido liberada pela frustração não permanece ligada a objetos na fantasia, mas se retira para o ego. A megalomania corresponderia, por conseguinte, ao domínio psíquico dessa última quantidade de libido, e seria assim a contrapartida da introversão para as fantasias que é encontrada nas neuroses de transferência; uma falha dessa função psíquica dá margem à hipocondria da parafrenia, e isso é homólogo à ansiedade das neuroses de transferência. Sabemos que essa ansiedade pode ser transformada por uma elaboração psíquica ulterior, isto é, por conversão, formação de reação ou construção de proteções (fobias). O processo correspondente nos parafrênicos consiste numa tentativa de restauração, à qual se devem as surpreendentes manifestações da doença. De uma vez que a parafrenia com freqüência, se não geralmente, acarreta apenas um desligamento parcial da libido dos objetos, podemos distinguir três grupos de fenômenos no quadro clínico: (1) os que representam o que resta de um estado normal de neurose (fenômenos residuais); (2) os que representam o processo mórbido (afastamento da libido dos seus objetos e, além disso, megalomania, hipocondria, perturbações afetivas e todo tipo de regressão); (3) os que representam a restauração, nos quais a libido é mais uma vez ligada a objetos, como uma histeria (na demência precoce ou na parafrenia propriamente dita), ou como numa neurose obsessiva (na paranóia). Essa nova catexia libidinal difere da primária por partir de outro nível e sob outras condições. A diferença entre as neuroses de transferência que ocorrem no caso de nova espécie de catexia libidinal e as formações correspondentes onde o ego é normal devem ser capazes de nos proporcionar a compreensão interna (insight) mais profunda da estrutura de nosso aparelho mental.
Mattanó aponta que está tentando entrar um pouco mais no mecanismo da parafrenia. A diferença entre as afecções parafrênicas e as neuroses de transferência parecem-me estar na circunstância de que, nas primeiras, a libido liberada pela frustração não permanece ligada a objetos na fantasia, mas se retira para o ego. A megalomania corresponderia, por conseguinte, ao domínio psíquico dessa última quantidade de libido, e seria assim a contrapartida da introversão para as fantasias que é encontrada nas neuroses de transferência; uma falha dessa função psíquica dá margem à hipocondria da parafrenia, e isso é homólogo à ansiedade das neuroses de transferência. Sabemos que essa ansiedade pode ser transformada por uma elaboração psíquica ulterior, isto é, por conversão, formação de reação ou construção de proteções (fobias). O processo correspondente nos parafrênicos consiste numa tentativa de restauração, à qual se devem as surpreendentes manifestações da doença. De uma vez que a parafrenia com freqüência, se não geralmente, acarreta apenas um desligamento parcial da libido dos objetos, podemos distinguir três grupos de fenômenos no quadro clínico: (1) os que representam o que resta de um estado normal de neurose (fenômenos residuais); (2) os que representam o processo mórbido (afastamento da libido dos seus objetos e, além disso, megalomania, hipocondria, perturbações afetivas e todo tipo de regressão); (3) os que representam a restauração, nos quais a libido é mais uma vez ligada a objetos, como uma histeria (na demência precoce ou na parafrenia propriamente dita), ou como numa neurose obsessiva (na paranóia). Essa nova catexia libidinal difere da primária por partir de outro nível e sob outras condições. A diferença entre as neuroses de transferência que ocorrem no caso de nova espécie de catexia libidinal e as formações correspondentes onde o ego é normal devem ser capazes de nos proporcionar a compreensão interna (insight) mais profunda da estrutura de nosso aparelho mental. Vemos que os objetos na fantasia, no mecansimo da parafrenia, se retiram para o ego, dando margem à hipocondria da parafrenia e que na parafrenia ocorre com frequência um desligamento parcial da libido dos objetos que pode ser distinguindo em três grupos de fenômenos no quadro clínico:(1) os que representam o que resta de um estado normal de neurose (fenômenos residuais); (2) os que representam o processo mórbido (afastamento da libido dos seus objetos e, além disso, megalomania, hipocondria, perturbações afetivas e todo tipo de regressão); (3) os que representam a restauração, nos quais a libido é mais uma vez ligada a objetos, como uma histeria (na demência precoce ou na parafrenia propriamente dita), ou como numa neurose obsessiva (na paranóia). Essa nova catexia libidinal difere da primária por partir de outro nível e sob outras condições. A diferença entre as neuroses de transferência que ocorrem no caso de nova espécie de catexia libidinal e as formações correspondentes onde o ego é normal devem ser capazes de nos proporcionar a compreensão interna (insight) mais profunda da estrutura de nosso aparelho mental. Isto pois as fantasias tem este poder de reorganizar a nossa catexia libidinal e as nossas formações correspondentes onde o ego deve proporcionar a compreensão interna (insight) da estrutura de nosso aparelho mental através dos significados e sentidos por elas proporcionados.
MATTANÓ
(14/08/2025)
Uma terceira maneira pela qual podemos abordar o estudo do narcisismo é através da observação da vida erótica dos seres humanos, com suas várias espécies de diferenciação no homem e na mulher. Assim como a libido objetal inicialmente ocultava de nossa observação a libido do ego, também em relação à escolha de objeto nas crianças de tenra idade (e nas crianças em crescimento) o que primeiro notamos foi que elas derivavam seus objetos sexuais de suas experiências de satisfação. As primeiras satisfações sexuais auto-eróticas são experimentadas em relação com funções vitais que servem à finalidade de autopreservação. Os instintos sexuais estão, de início, ligados à satisfação dos instintos do ego; somente depois é que eles se tornam independentes destes, e mesmo então encontramos uma indicação dessa vinculação original no fato de que os primeiros objetos sexuais de uma criança são as pessoas que se preocupam com sua alimentação, cuidados e proteção: isto é, no primeiro caso, sua mãe ou quem quer que a substitua. Lado a lado, contudo, com esse tipo e fonte de escolha objetal, que pode ser denominado o tipo ‘anaclítico’, ou de ‘ligação’, a pesquisa da psicanálise revelou um segundo tipo, que não estávamos preparados para encontrar. Descobrimos, de modo especialmente claro, em pessoas cujo desenvolvimento libidinal sofreu alguma perturbação, tais como pervertidos e homossexuais, que em sua escolha ulterior dos objetos amorosos elas adotaram como modelo não sua mãe mas seus próprios eus. Procuram inequivocamente a si mesmas como um objeto amoroso, e exibem um tipo de escolha objetal que deve ser denominado ‘narcisista’. Nessa observação, temos o mais forte dos motivos que nos levaram a adotar a hipótese do narcisismo.
Não concluímos, contudo, que os seres humanos se acham divididos em dois grupos acentuadamente diferenciados, conforme sua escolha objetal se coadune com o tipo anaclítico ou o narcisista; pelo contrário, presumimos que ambos os tipos de escolha objetal estão abertos a cada indivíduo, embora ele possa mostrar preferência por um ou por outro. Dizemos que um ser humano tem originalmente dois objetos sexuais - ele próprio e a mulher que cuida dele - e ao fazê-lo estamos postulando a existência de um narcisismo primário em todos, o qual, em alguns casos, pode manifestar-se de forma dominante em sua escolha objetal.
Uma comparação entre os sexos masculino e feminino indica então que existem diferenças fundamentais entre eles no tocante a seu tipo de escolha objetal, embora essas diferenças naturalmente não sejam universais. O amor objetal completo do tipo de ligação é, propriamente falando, característico do indivíduo do sexo masculino. Ele exibe a acentuada supervalorização sexual que se origina, sem dúvida, do narcisismo original da criança, correspondendo assim a uma transferência desse narcisismo para o objeto sexual. Essa supervalorização sexual é a origem do estado peculiar de uma pessoa apaixonada, um estado que sugere uma compulsão neurótica, cuja origem pode, portanto, ser encontrada num empobrecimento do ego em relação à libido em favor do objeto amoroso. Já com o tipo feminino mais freqüentemente encontrado, provavelmente o mais puro e o mais verdadeiro, o mesmo não ocorre. Com o começo da puberdade, o amadurecimento dos órgãos sexuais femininos, até então em estado de latência, parece ocasionar a intensificação do narcisismo original, e isso é desfavorável para o desenvolvimento de uma verdadeira escolha objetal com a concomitante supervalorização sexual. As mulheres, especialmente se forem belas ao crescerem, desenvolvem certo autocontentamento que as compensa pelas restrições sociais que lhes são impostas em sua escolha objetal. Rigorosamente falando, tais mulheres amam apenas a si mesmas, com uma intensidade comparável à do amor do homem por elas. Sua necessidade não se acha na direção de amar, mas de serem amadas; e o homem que preencher essa condição cairá em suas boas graças. A importância desse tipo de mulher para a vida erótica da humanidade deve ser levada em grande consideração. Tais mulheres exercem o maior fascínio sobre os homens, não apenas por motivos estéticos, visto que em geral são as mais belas, mas também por uma combinação de interessantes fatores psicológicos, pois parece muito evidente que o narcisismo de outra pessoa exerce grande atração sobre aqueles que renunciaram a uma parte de seu próprio narcisismo e estão em busca do amor objetal. O encanto de uma criança reside em grande medida em seu narcisismo, seu autocontentamento e inacessibilidade, assim como também o encanto de certos animais que parecem não se preocupar conosco, tais como os gatos e os grandes animais carniceiros. Realmente, mesmo os grandes criminosos e os humoristas, conforme representados na literatura, atraem nosso interesse pela coerência narcisista com que conseguem afastar do ego qualquer coisa que o diminua. É como se os invejássemos por manterem um bem-aventurado estado de espírito - uma posição libidinal inatacável que nós próprios já abandonamos. O grande encanto das mulheres narcisistas tem, contudo, o seu reverso; grande parte da insatisfação daquele que ama, de suas dúvidas quanto ao amor da mulher, de suas queixas quanto à natureza enigmática da mulher, tem suas raízes nessa incongruência entre os tipos de escolha de objeto.
Talvez não seja fora de propósito apresentar aqui a certeza de que essa descrição da forma feminina de vida erótica não se deve a qualquer desejo tendencioso de minha parte no sentido de depreciar as mulheres. Afora o fato de essa tendenciosidade ser inteiramente estranha a mim, sei que essas diferentes linhas de desenvolvimento correspondem à diferenciação de funções num todo biológico altamente complicado; além disso, estou pronto a admitir que existe um número bem grande de mulheres que amam de acordo com os moldes do tipo masculino e que também desenvolvem a supervalorização sexual própria àquele tipo.
Mesmo para as mulheres narcisistas, cuja atitude para com os homens permanece fria, há um caminho que eleva ao amor objetal completo. Na criança que geram, uma parte de seu próprio corpo as confronta como um objeto estranho, ao qual, partindo de seu próprio narcisismo, podem então dar um amor objetal completo. Existem ainda outras mulheres que não têm de esperar por um filho a fim de darem um passo no desenvolvimento do narcisismo (secundário) para o amor objetal. Antes da puberdade, sentem-se masculinas e se desenvolvem de alguma forma ao longo de linhas masculinas; depois de essa tendência ter sido interrompida de repente ao alcançarem a maturidade feminina, ainda retêm a capacidade de anseio por um ideal masculino - ideal que é de fato uma sobrevivência da natureza de menino que outrora possuíram.
O que eu disse até agora à guisa de indicação pode ser concluído por um breve sumário dos caminhos que levam à escolha de um objeto.
Uma pessoa pode amar:
(1)Em conformidade com o tipo narcisista:
(a) o que ela própria é (isto é, ela mesma),
(b) o que ela própria foi,
(c) o que ela própria gostaria de ser,
(d) alguém que foi uma vez parte dela mesma.
(2)Em conformidade com o tipo anaclítico (de ligação):
(a) a mulher que a alimenta,
(b) o homem que a protege,
e a sucessão de substitutos que tomam o seu lugar. A inclusão do caso (c) do primeiro tipo não pode ser justificada até uma etapa posterior deste exame. [ver em [1]]
A significância da escolha objetal narcisista para a homossexualidade nos homens deve ser considerada em relação a outra coisa.
O narcisismo primário das crianças por nós pressuposto e que forma um dos postulados de nossas teorias da libido é menos fácil de apreender pela observação direta do que de confirmar por alguma outra inferência. Se prestarmos atenção à atitude de pais afetuosos para com os filhos, temos de reconhecer que ela é uma revivescência e reprodução de seu próprio narcisismo, que de há muito abandonaram. O indicador digno de confiança constituído pela supervalorização, que já reconhecemos como um estigma narcisista no caso da escolha objetal, domina, como todos nós sabemos, sua atitude emocional. Assim eles se acham sob a compulsão de atribuir todas as perfeições ao filho - o que uma observação sóbria não permitiria - e de ocultar e esquecer todas as deficiências dele. (Incidentalmente, a negação da sexualidade nas crianças está relacionada a isso.) Além disso, sentem-se inclinados a suspender, em favor da criança, o funcionamento de todas as aquisições culturais que seu próprio narcisismo foi forçado a respeitar, e a renovar em nome dela as reivindicações aos privilégios de há muito por eles próprios abandonados. A criança terá mais divertimentos que seus pais; ela não ficará sujeita às necessidades que eles reconheceram como supremas na vida. A doença, a morte, a renúncia ao prazer, restrições à sua vontade própria não a atingirão; as leis da natureza e da sociedade serão ab-rogadas em seu favor; ela será mais uma vez realmente o centro e o âmago da criação - ‘Sua Majestade o Bebê’, como outrora nós mesmos nos imaginávamos. A criança concretizará os sonhos dourados que os pais jamais realizaram - o menino se tornará um grande homem e um herói em lugar do pai, e a menina se casará com um príncipe como compensação para sua mãe. No ponto mais sensível do sistema narcisista, a imortalidade do ego, tão oprimida pela realidade, a segurança é alcançada por meio do refúgio na criança. O amor dos pais, tão comovedor e no fundo tão infantil, nada mais é senão o narcisismo dos pais renascido, o qual, transformado em amor objetal, inequivocamente revela sua natureza anterior.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que uma terceira maneira pela qual podemos abordar o estudo do narcisismo é através da observação da vida erótica dos seres humanos, com suas várias espécies de diferenciação no homem e na mulher. Assim como a libido objetal inicialmente ocultava de nossa observação a libido do ego, também em relação à escolha de objeto nas crianças de tenra idade (e nas crianças em crescimento) o que primeiro notamos foi que elas derivavam seus objetos sexuais de suas experiências de satisfação. As primeiras satisfações sexuais auto-eróticas são experimentadas em relação com funções vitais que servem à finalidade de autopreservação. Os instintos sexuais estão, de início, ligados à satisfação dos instintos do ego; somente depois é que eles se tornam independentes destes, e mesmo então encontramos uma indicação dessa vinculação original no fato de que os primeiros objetos sexuais de uma criança são as pessoas que se preocupam com sua alimentação, cuidados e proteção: isto é, no primeiro caso, sua mãe ou quem quer que a substitua. Lado a lado, contudo, com esse tipo e fonte de escolha objetal, que pode ser denominado o tipo ‘anaclítico’, ou de ‘ligação’, a pesquisa da psicanálise revelou um segundo tipo, que não estávamos preparados para encontrar. Descobrimos, de modo especialmente claro, em pessoas cujo desenvolvimento libidinal sofreu alguma perturbação, tais como pervertidos e homossexuais, que em sua escolha ulterior dos objetos amorosos elas adotaram como modelo não sua mãe mas seus próprios eus. Procuram inequivocamente a si mesmas como um objeto amoroso, e exibem um tipo de escolha objetal que deve ser denominado ‘narcisista’.
. Dizemos que um ser humano tem originalmente dois objetos sexuais - ele próprio e a mulher que cuida dele - e ao fazê-lo estamos postulando a existência de um narcisismo primário em todos, o qual, em alguns casos, pode manifestar-se de forma dominante em sua escolha objetal.
Uma comparação entre os sexos masculino e feminino indica então que existem diferenças fundamentais entre eles no tocante a seu tipo de escolha objetal, embora essas diferenças naturalmente não sejam universais. O amor objetal completo do tipo de ligação é, propriamente falando, característico do indivíduo do sexo masculino. Ele exibe a acentuada supervalorização sexual que se origina, sem dúvida, do narcisismo original da criança, correspondendo assim a uma transferência desse narcisismo para o objeto sexual. Essa supervalorização sexual é a origem do estado peculiar de uma pessoa apaixonada, um estado que sugere uma compulsão neurótica, cuja origem pode, portanto, ser encontrada num empobrecimento do ego em relação à libido em favor do objeto amoroso. Já com o tipo feminino mais freqüentemente encontrado, provavelmente o mais puro e o mais verdadeiro, o mesmo não ocorre. Com o começo da puberdade, o amadurecimento dos órgãos sexuais femininos, até então em estado de latência, parece ocasionar a intensificação do narcisismo original, e isso é desfavorável para o desenvolvimento de uma verdadeira escolha objetal com a concomitante supervalorização sexual. As mulheres, especialmente se forem belas ao crescerem, desenvolvem certo autocontentamento que as compensa pelas restrições sociais que lhes são impostas em sua escolha objetal. Rigorosamente falando, tais mulheres amam apenas a si mesmas, com uma intensidade comparável à do amor do homem por elas. Sua necessidade não se acha na direção de amar, mas de serem amadas; e o homem que preencher essa condição cairá em suas boas graças. A importância desse tipo de mulher para a vida erótica da humanidade deve ser levada em grande consideração. Tais mulheres exercem o maior fascínio sobre os homens, não apenas por motivos estéticos, visto que em geral são as mais belas, mas também por uma combinação de interessantes fatores psicológicos, pois parece muito evidente que o narcisismo de outra pessoa exerce grande atração sobre aqueles que renunciaram a uma parte de seu próprio narcisismo e estão em busca do amor objetal. O encanto de uma criança reside em grande medida em seu narcisismo, seu autocontentamento e inacessibilidade, assim como também o encanto de certos animais que parecem não se preocupar conosco, tais como os gatos e os grandes animais carniceiros. Realmente, mesmo os grandes criminosos e os humoristas, conforme representados na literatura, atraem nosso interesse pela coerência narcisista com que conseguem afastar do ego qualquer coisa que o diminua. É como se os invejássemos por manterem um bem-aventurado estado de espírito - uma posição libidinal inatacável que nós próprios já abandonamos. O grande encanto das mulheres narcisistas tem, contudo, o seu reverso; grande parte da insatisfação daquele que ama, de suas dúvidas quanto ao amor da mulher, de suas queixas quanto à natureza enigmática da mulher, tem suas raízes nessa incongruência entre os tipos de escolha de objeto.
Afora o fato de essa tendenciosidade ser inteiramente estranha a mim, sei que essas diferentes linhas de desenvolvimento correspondem à diferenciação de funções num todo biológico altamente complicado; além disso, estou pronto a admitir que existe um número bem grande de mulheres que amam de acordo com os moldes do tipo masculino e que também desenvolvem a supervalorização sexual própria àquele tipo.
Existem ainda outras mulheres que não têm de esperar por um filho a fim de darem um passo no desenvolvimento do narcisismo (secundário) para o amor objetal. Antes da puberdade, sentem-se masculinas e se desenvolvem de alguma forma ao longo de linhas masculinas; depois de essa tendência ter sido interrompida de repente ao alcançarem a maturidade feminina, ainda retêm a capacidade de anseio por um ideal masculino - ideal que é de fato uma sobrevivência da natureza de menino que outrora possuíram.
O que eu disse até agora à guisa de indicação pode ser concluído por um breve sumário dos caminhos que levam à escolha de um objeto.
Uma pessoa pode amar:
(1)Em conformidade com o tipo narcisista:
(a) o que ela própria é (isto é, ela mesma),
(b) o que ela própria foi,
(c) o que ela própria gostaria de ser,
(d) alguém que foi uma vez parte dela mesma.
(2)Em conformidade com o tipo anaclítico (de ligação):
(a) a mulher que a alimenta,
(b) o homem que a protege,
e a sucessão de substitutos que tomam o seu lugar. A inclusão do caso (c) do primeiro tipo não pode ser justificada até uma etapa posterior deste exame. [ver em [1]]
A significância da escolha objetal narcisista para a homossexualidade nos homens deve ser considerada em relação a outra coisa.
Se prestarmos atenção à atitude de pais afetuosos para com os filhos, temos de reconhecer que ela é uma revivescência e reprodução de seu próprio narcisismo, que de há muito abandonaram. O indicador digno de confiança constituído pela supervalorização, que já reconhecemos como um estigma narcisista no caso da escolha objetal, domina, como todos nós sabemos, sua atitude emocional. Assim eles se acham sob a compulsão de atribuir todas as perfeições ao filho - o que uma observação sóbria não permitiria - e de ocultar e esquecer todas as deficiências dele. (Incidentalmente, a negação da sexualidade nas crianças está relacionada a isso.) Além disso, sentem-se inclinados a suspender, em favor da criança, o funcionamento de todas as aquisições culturais que seu próprio narcisismo foi forçado a respeitar, e a renovar em nome dela as reivindicações aos privilégios de há muito por eles próprios abandonados. A criança terá mais divertimentos que seus pais; ela não ficará sujeita às necessidades que eles reconheceram como supremas na vida. A doença, a morte, a renúncia ao prazer, restrições à sua vontade própria não a atingirão; as leis da natureza e da sociedade serão ab-rogadas em seu favor; ela será mais uma vez realmente o centro e o âmago da criação - ‘Sua Majestade o Bebê’, como outrora nós mesmos nos imaginávamos. A criança concretizará os sonhos dourados que os pais jamais realizaram - o menino se tornará um grande homem e um herói em lugar do pai, e a menina se casará com um príncipe como compensação para sua mãe. No ponto mais sensível do sistema narcisista, a imortalidade do ego, tão oprimida pela realidade, a segurança é alcançada por meio do refúgio na criança. O amor dos pais, tão comovedor e no fundo tão infantil, nada mais é senão o narcisismo dos pais renascido, o qual, transformado em amor objetal, inequivocamente revela sua natureza anterior.
Mattanó aponta que uma terceira maneira pela qual podemos abordar o estudo do narcisismo é através da observação da vida erótica dos seres humanos, com suas várias espécies de diferenciação no homem e na mulher. Assim como a libido objetal inicialmente ocultava de nossa observação a libido do ego, também em relação à escolha de objeto nas crianças de tenra idade (e nas crianças em crescimento) o que primeiro notamos foi que elas derivavam seus objetos sexuais de suas experiências de satisfação. As primeiras satisfações sexuais auto-eróticas são experimentadas em relação com funções vitais que servem à finalidade de autopreservação. Os instintos sexuais estão, de início, ligados à satisfação dos instintos do ego; somente depois é que eles se tornam independentes destes, e mesmo então encontramos uma indicação dessa vinculação original no fato de que os primeiros objetos sexuais de uma criança são as pessoas que se preocupam com sua alimentação, cuidados e proteção: isto é, no primeiro caso, sua mãe ou quem quer que a substitua. Lado a lado, contudo, com esse tipo e fonte de escolha objetal, que pode ser denominado o tipo ‘anaclítico’, ou de ‘ligação’, a pesquisa da psicanálise revelou um segundo tipo, que não estávamos preparados para encontrar. Descobrimos, de modo especialmente claro, em pessoas cujo desenvolvimento libidinal sofreu alguma perturbação, tais como pervertidos e homossexuais, que em sua escolha ulterior dos objetos amorosos elas adotaram como modelo não sua mãe mas seus próprios eus. Procuram inequivocamente a si mesmas como um objeto amoroso, e exibem um tipo de escolha objetal que deve ser denominado ‘narcisista’. Para Mattanó a escolha do objeto amoroso é comportamental e nunca libidinoso, pois a criança ainda não produz libido através dos seus hormônios sexuais adquiridos na puberdade, após os 14 anos de idade quando a libido começa a produzir não somente energia sexual, mas também desejo sexual. Nota-se que antes dos 14 anos de idade a criança dispõe de libido através da ocitocina que lhe garante a energia sexual.
Dizemos que um ser humano tem originalmente dois objetos sexuais - ele próprio e a mulher que cuida dele - e ao fazê-lo estamos postulando a existência de um narcisismo primário em todos, o qual, em alguns casos, pode manifestar-se de forma dominante em sua escolha objetal. Vemos que o ser humano tem originariamente dois objetos sexuais, de energia sexual, ele mesmo e a mulher que cuida dele, de modo que existe aqui um narcisismo primário gerando comportamentos e significados, sentidos, através da sua habilidade sensório-motora, da imitação, da atenção, da discriminação e do controle, bem como do seu inconsciente e da sua cognição.
Uma comparação entre os sexos masculino e feminino indica então que existem diferenças fundamentais entre eles no tocante a seu tipo de escolha objetal, embora essas diferenças naturalmente não sejam universais. O amor objetal completo do tipo de ligação é, propriamente falando, característico do indivíduo do sexo masculino. Ele exibe a acentuada supervalorização sexual que se origina, sem dúvida, do narcisismo original da criança, correspondendo assim a uma transferência desse narcisismo para o objeto sexual. Essa supervalorização sexual é a origem do estado peculiar de uma pessoa apaixonada, um estado que sugere uma compulsão neurótica, cuja origem pode, portanto, ser encontrada num empobrecimento do ego em relação à libido em favor do objeto amoroso. Já com o tipo feminino mais freqüentemente encontrado, provavelmente o mais puro e o mais verdadeiro, o mesmo não ocorre. Com o começo da puberdade, o amadurecimento dos órgãos sexuais femininos, até então em estado de latência, parece ocasionar a intensificação do narcisismo original, e isso é desfavorável para o desenvolvimento de uma verdadeira escolha objetal com a concomitante supervalorização sexual. As mulheres, especialmente se forem belas ao crescerem, desenvolvem certo autocontentamento que as compensa pelas restrições sociais que lhes são impostas em sua escolha objetal. Rigorosamente falando, tais mulheres amam apenas a si mesmas, com uma intensidade comparável à do amor do homem por elas. Sua necessidade não se acha na direção de amar, mas de serem amadas; e o homem que preencher essa condição cairá em suas boas graças. A importância desse tipo de mulher para a vida erótica da humanidade deve ser levada em grande consideração. Tais mulheres exercem o maior fascínio sobre os homens, não apenas por motivos estéticos, visto que em geral são as mais belas, mas também por uma combinação de interessantes fatores psicológicos, pois parece muito evidente que o narcisismo de outra pessoa exerce grande atração sobre aqueles que renunciaram a uma parte de seu próprio narcisismo e estão em busca do amor objetal. O encanto de uma criança reside em grande medida em seu narcisismo, seu autocontentamento e inacessibilidade, assim como também o encanto de certos animais que parecem não se preocupar conosco, tais como os gatos e os grandes animais carniceiros. Realmente, mesmo os grandes criminosos e os humoristas, conforme representados na literatura, atraem nosso interesse pela coerência narcisista com que conseguem afastar do ego qualquer coisa que o diminua. É como se os invejássemos por manterem um bem-aventurado estado de espírito - uma posição libidinal inatacável que nós próprios já abandonamos. O grande encanto das mulheres narcisistas tem, contudo, o seu reverso; grande parte da insatisfação daquele que ama, de suas dúvidas quanto ao amor da mulher, de suas queixas quanto à natureza enigmática da mulher, tem suas raízes nessa incongruência entre os tipos de escolha de objeto. Vemos que a escolha do objeto pelo homem é completa, com um empobrecimento do ego em relação à libido em favor do objeto amoroso e a escolha do objeto pela mulher é feita com a intensificação do narcisismo original, e isso é desfavorável para o desenvolvimento de uma verdadeira escolha objetal com a concomitante supervalorização sexual. As mulheres, especialmente se forem belas ao crescerem, desenvolvem certo autocontentamento que as compensa pelas restrições sociais que lhes são impostas em sua escolha objetal. Rigorosamente falando, tais mulheres amam apenas a si mesmas, com uma intensidade comparável à do amor do homem por elas. Sua necessidade não se acha na direção de amar, mas de serem amadas; e o homem que preencher essa condição cairá em suas boas graças.O encanto de uma criança reside em grande medida em seu narcisismo, seu autocontentamento e inacessibilidade, assim como também o encanto de certos animais que parecem não se preocupar conosco, tais como os gatos e os grandes animais carniceiros. Realmente, mesmo os grandes criminosos e os humoristas, conforme representados na literatura, atraem nosso interesse pela coerência narcisista com que conseguem afastar do ego qualquer coisa que o diminua. É como se os invejássemos por manterem um bem-aventurado estado de espírito - uma posição libidinal inatacável que nós próprios já abandonamos. O grande encanto das mulheres narcisistas tem, contudo, o seu reverso; grande parte da insatisfação daquele que ama, de suas dúvidas quanto ao amor da mulher, de suas queixas quanto à natureza enigmática da mulher, tem suas raízes nessa incongruência entre os tipos de escolha de objeto, através dos seus significados e sentidos operados mediante uma funcionalidade comportamental que reforça estas relações através das suas consequências reforçadoras.
Afora o fato de essa tendenciosidade ser inteiramente estranha a mim, sei que essas diferentes linhas de desenvolvimento correspondem à diferenciação de funções num todo biológico altamente complicado; além disso, estou pronto a admitir que existe um número bem grande de mulheres que amam de acordo com os moldes do tipo masculino e que também desenvolvem a supervalorização sexual própria àquele tipo. Cada tipo de escolha depende do tipo de marca e de história de vida, de significados e de sentidos adquiridos, construídos elaborados e reelaborados pelo indivíduo, neste caso a mulher que também depende do estímulo e do meio ambiente, do contexto, para responder e adquirir repertório comportamental e marcas no seu inconsciente.
Existem ainda outras mulheres que não têm de esperar por um filho a fim de darem um passo no desenvolvimento do narcisismo (secundário) para o amor objetal. Antes da puberdade, sentem-se masculinas e se desenvolvem de alguma forma ao longo de linhas masculinas; depois de essa tendência ter sido interrompida de repente ao alcançarem a maturidade feminina, ainda retêm a capacidade de anseio por um ideal masculino - ideal que é de fato uma sobrevivência da natureza de menino que outrora possuíram. Vemos que existem mulheres que podem seguir outras linhas de comportamentos, mesmo masculinos, pois tiverem em seu conteúdo recalcado e infantil um ideal masculino e agora tentam manter vivas o menino que outrora possuíram através dos seus significados e sentidos, através dos seus comportamentos e da sua funcionalidade comportamental.
O que eu disse até agora à guisa de indicação pode ser concluído por um breve sumário dos caminhos que levam à escolha de um objeto.
Uma pessoa pode amar:
(1)Em conformidade com o tipo narcisista:
(a) o que ela própria é (isto é, ela mesma),
(b) o que ela própria foi,
(c) o que ela própria gostaria de ser,
(d) alguém que foi uma vez parte dela mesma.
(2)Em conformidade com o tipo anaclítico (de ligação):
(a) a mulher que a alimenta,
(b) o homem que a protege,
e a sucessão de substitutos que tomam o seu lugar. A inclusão do caso (c) do primeiro tipo não pode ser justificada até uma etapa posterior deste exame. [ver em [1]]
A significância da escolha objetal narcisista para a homossexualidade nos homens deve ser considerada em relação a outra coisa.
Se prestarmos atenção à atitude de pais afetuosos para com os filhos, temos de reconhecer que ela é uma revivescência e reprodução de seu próprio narcisismo, que de há muito abandonaram. O indicador digno de confiança constituído pela supervalorização, que já reconhecemos como um estigma narcisista no caso da escolha objetal, domina, como todos nós sabemos, sua atitude emocional. Assim eles se acham sob a compulsão de atribuir todas as perfeições ao filho - o que uma observação sóbria não permitiria - e de ocultar e esquecer todas as deficiências dele. (Incidentalmente, a negação da sexualidade nas crianças está relacionada a isso.) Além disso, sentem-se inclinados a suspender, em favor da criança, o funcionamento de todas as aquisições culturais que seu próprio narcisismo foi forçado a respeitar, e a renovar em nome dela as reivindicações aos privilégios de há muito por eles próprios abandonados. A criança terá mais divertimentos que seus pais; ela não ficará sujeita às necessidades que eles reconheceram como supremas na vida. A doença, a morte, a renúncia ao prazer, restrições à sua vontade própria não a atingirão; as leis da natureza e da sociedade serão ab-rogadas em seu favor; ela será mais uma vez realmente o centro e o âmago da criação - ‘Sua Majestade o Bebê’, como outrora nós mesmos nos imaginávamos. A criança concretizará os sonhos dourados que os pais jamais realizaram - o menino se tornará um grande homem e um herói em lugar do pai, e a menina se casará com um príncipe como compensação para sua mãe. No ponto mais sensível do sistema narcisista, a imortalidade do ego, tão oprimida pela realidade, a segurança é alcançada por meio do refúgio na criança. O amor dos pais, tão comovedor e no fundo tão infantil, nada mais é senão o narcisismo dos pais renascido, o qual, transformado em amor objetal, inequivocamente revela sua natureza anterior. Vemos que a identificação da criança com seu pai ou sua mãe do mesmo sexo pode causar uma revivescência e reprodução de seu próprio narcisismo, que de há muito abandonaram. O indicador digno de confiança constituído pela supervalorização, que já reconhecemos como um estigma narcisista no caso da escolha objetal, domina, como todos nós sabemos, sua atitude emocional. Assim eles se acham sob a compulsão de atribuir todas as perfeições ao filho - o que uma observação sóbria não permitiria - e de ocultar e esquecer todas as deficiências dele, como a sexualidade, a liberdade, o lúdico, as necessidades fisiológicas, de garantia, de estabilidade, de amor, de pertinência, a moralidade, a linguagem e a fala, e o desenvolvimento motor e social. (Incidentalmente, a negação da sexualidade nas crianças está relacionada a isso.) Além disso, sentem-se inclinados a suspender, em favor da criança, o funcionamento de todas as aquisições culturais que seu próprio narcisismo foi forçado a respeitar, e a renovar em nome dela as reivindicações aos privilégios de há muito por eles próprios abandonados, de modo a oferecer os direitos básicos dela enquanto criança. A criança terá mais divertimentos que seus pais; ela não ficará sujeita às necessidades que eles reconheceram como supremas na vida. A doença, a morte, a renúncia ao prazer, restrições à sua vontade própria não a atingirão; as leis da natureza e da sociedade serão ab-rogadas em seu favor; ela será mais uma vez realmente o centro e o âmago da criação - ‘Sua Majestade o Bebê’, como outrora nós mesmos nos imaginávamos. A criança concretizará os sonhos dourados que os pais jamais realizaram - o menino se tornará um grande homem e um herói em lugar do pai, e a menina se casará com um príncipe como compensação para sua mãe. No ponto mais sensível do sistema narcisista, a imortalidade do ego, tão oprimida pela realidade, a segurança é alcançada por meio do refúgio na criança. O amor dos pais, tão comovedor e no fundo tão infantil, nada mais é senão o narcisismo dos pais renascido, o qual, transformado em amor objetal, inequivocamente revela sua natureza anterior. Vemos como o narcisismo se reproduz socialmente através da família e do conteúdo recalcado infantil dos seus pais que sonham com uma criança interior, um herói ou uma Princesinha, alcançando as maiores honrarias deste mundo, graças ao narcisismo dos pais renascido e transformado em amor objetal. Da mesma forma os significados, os sentidos, os conceitos, os contextos, os comportamentos, as relações sociais, a Gestalt e os insights, a linguagem, a funcionalidade, a topografia virtual coclear e do lobo occipital, a argumentação e a linguagem, os atos falhos, os esquecimentos e os lapsos de linguagem, o niilismo, as fantasias, os delírios, as alucinações, os chistes, as piadas, o humor, as charges, as caricaturas, as parapraxias, a magia, o folclore, a alquimia, os contos de fadas, os tabus e os totens, a vida onírica, a vida anímica, a vida paranormal, a vida sobrenatural, o comportamento etológico, o comportamento naturalístico, as psicopatologias, o conteúdo manifesto e o conteúdo latente dos sonhos, a análise e a interpretação do inconsciente, do comportamento, do subconsciente, da consciência, da cultura, do conhecimento e da realidade, dos ciclos circadianos e da homeostase do organismo, da sua relação com o prazer e o reforço e a dor e a punição, da sua relação com a alimentação, com a higiene, com a segurança, com limpeza, com os auto-cuidados, com a autopreservação e a autodestruição, com a arte e a televisão, que tipo de coisa você gosta de escutar? E de fazer? Porquê? Que tipo de roupa você gosta de vestir? E qual o seu sonho de consumo? Através destas perguntas e questionamentos analíticos, interpretativos, levantamos um breve perfil do paciente sobre sua consciência, cultura, conhecimento e realidade, inclusive seu desvio-padrão que pode nos fornecer indicativos de ser ou não ser mais ou menos consciente e ajustado a realidade, de ter ou não ter mais ou menos cultura e conhecimento.
MATTANÓ
(15/08/2025)
III
Os distúrbios aos quais o narcisismo original de uma criança se acha exposto, as reações com que ela procura proteger-se deles e os caminhos aos quais fica sujeita ao fazê-lo - tais são os temas que proponho deixar de lado, como importante campo de trabalho ainda por explorar. Sua parte mais importante, contudo, pode ser isolada sob a forma do ‘complexo de castração’ (nos meninos, a ansiedade em relação ao pênis; nas meninas, a inveja do pênis) e tratada em conexão com o efeito da coerção inicial da atividade sexual. A pesquisa psicanalítica em geral nos permite reconstituir as vicissitudes sofridas pelos instintos libidinais quando estes, isolados dos instintos do ego, ficam em oposição a eles; mas no campo específico do complexo de castração, ela nos permite inferir a existência de uma época e de uma situação psíquica nas quais os dois grupos de instintos, ainda atuando em uníssono e inseparavelmente mesclados, surgem como interesses narcisistas. Foi desse contexto que Adler [1910] extraiu seu conceito de ‘protesto masculino’, quase elevando-o à posição de única força motora na formação tanto do caráter quanto da neurose, e baseando-o não numa tendência narcisista, e portanto ainda libidinal, mas numa valorização social. A pesquisa psicanalítica reconheceu, desde o início, a existência e a importância do ‘protesto masculino’ mas o tem considerado, contrariamente a Adler, como sendo narcisista em sua natureza e oriundo do complexo de castração. O ‘protesto masculino’ está relacionado à formação do caráter, em cuja gênese penetra juntamente com muitos outros fatores, sendo, contudo, inteiramente inadequado para explicar os problemas das neuroses, no tocante às quais Adler nada leva em conta, a não ser a maneira pela qual elas servem aos instintos do ego. Acho inteiramente impossível situar a gênese da neurose na estreita base do complexo de castração, por mais poderosamente que, nos homens, esse complexo ocupe o primeiro plano entre suas resistências à cura de uma neurose. Incidentalmente, conheço casos de neuroses em que o ‘protesto masculino’ ou, como o encaramos, o complexo de castração, não desempenha qualquer papel patogênico, nem sequer chegando a aparecer.
A observação de adultos normais revela que sua megalomania antiga foi arrefecida e que as características psíquicas a partir das quais inferimos seu narcisismo infantil foram apagadas. Que aconteceu à libido do ego? Devemos supor que toda ela se converteu em catexias objetais? Essa possibilidade é claramente contrária ao encaminhamento de nossa argumentação; podemos, porém, encontrar uma sugestão em outra resposta para a pergunta na psicologia da repressão.
Sabemos que os impulsos instintuais libidinais sofrem a vicissitude da repressão patogênica se entram em conflito com as idéias culturais e éticas do indivíduo. Com isso, nunca queremos dizer que o indivíduo em questão dispõe de um conhecimento meramente intelectual da existência de tais idéias; sempre queremos dizer que ele as reconhece como um padrão para si próprio, submetendo-se às exigências que elas lhe fazem. A repressão, como dissemos, provém do ego; poderíamos dizer com maior exatidão que provém do amor-próprio do ego. As mesmas impressões, experiências, impulsos e desejos aos quais um homem se entrega, ou que pelo menos elabora conscientemente, serão rejeitados com a maior indignação por outro, ou mesmo abafados antes que entrem na consciência. A diferença entre os dois, que encerra o fator condicionante da repressão, pode ser facilmente expressa em termos que permitem seja ela explicada pela teoria da libido. Podemos dizer que o primeiro homem fixou um ideal em si mesmo, pelo qual mede seu ego real, ao passo que o outro não formou qualquer ideal desse tipo. Para o ego, a formação de um ideal seria o fator condicionante da repressão.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o narcisismo forma o complexo de castração na criança (nos meninos, a ansiedade em relação ao pênis; nas meninas, a inveja do pênis) e tratada em conexão com o efeito da coerção inicial da atividade sexual. A pesquisa psicanalítica reconheceu, desde o início, a existência e a importância do ‘protesto masculino’ mas o tem considerado, contrariamente a Adler, como sendo narcisista em sua natureza e oriundo do complexo de castração. O ‘protesto masculino’ está relacionado à formação do caráter, em cuja gênese penetra juntamente com muitos outros fatores, sendo, contudo, inteiramente inadequado para explicar os problemas das neuroses, no tocante às quais Adler nada leva em conta, a não ser a maneira pela qual elas servem aos instintos do ego. Acho inteiramente impossível situar a gênese da neurose na estreita base do complexo de castração, por mais poderosamente que, nos homens, esse complexo ocupe o primeiro plano entre suas resistências à cura de uma neurose. Incidentalmente, conheço casos de neuroses em que o ‘protesto masculino’ ou, como o encaramos, o complexo de castração, não desempenha qualquer papel patogênico, nem sequer chegando a aparecer.
Sabemos que os impulsos instintuais libidinais sofrem a vicissitude da repressão patogênica se entram em conflito com as idéias culturais e éticas do indivíduo. Com isso, nunca queremos dizer que o indivíduo em questão dispõe de um conhecimento meramente intelectual da existência de tais idéias; sempre queremos dizer que ele as reconhece como um padrão para si próprio, submetendo-se às exigências que elas lhe fazem. A repressão, como dissemos, provém do ego; poderíamos dizer com maior exatidão que provém do amor-próprio do ego. As mesmas impressões, experiências, impulsos e desejos aos quais um homem se entrega, ou que pelo menos elabora conscientemente, serão rejeitados com a maior indignação por outro, ou mesmo abafados antes que entrem na consciência. A diferença entre os dois, que encerra o fator condicionante da repressão, pode ser facilmente expressa em termos que permitem seja ela explicada pela teoria da libido. Podemos dizer que o primeiro homem fixou um ideal em si mesmo, pelo qual mede seu ego real, ao passo que o outro não formou qualquer ideal desse tipo. Para o ego, a formação de um ideal seria o fator condicionante da repressão.
Mattanó aponta que o narcisismo forma o complexo de castração na criança (nos meninos, a ansiedade em relação ao pênis; nas meninas, a inveja do pênis) e tratada em conexão com o efeito da coerção inicial da atividade sexual - contudo para Mattanó não existe atividade sexual, mas apenas libidinal promovida pelo hormônio ocitocina que produz prazer e uma direção para a sua vida infantil até a puberdade quando adquirirá a malícia comportamental e os hormônios sexuais, inclusive o desenvolvimento dos caracteres sexuais, modificado seu processo de significação e de atribuir sentido a sua vida instintiva, agora sexual. A pesquisa psicanalítica reconheceu, desde o início, a existência e a importância do ‘protesto masculino’ mas o tem considerado, contrariamente a Adler, como sendo narcisista em sua natureza e oriundo do complexo de castração. O ‘protesto masculino’ está relacionado à formação do caráter, em cuja gênese penetra juntamente com muitos outros fatores, sendo, contudo, inteiramente inadequado para explicar os problemas das neuroses, no tocante às quais Adler nada leva em conta, a não ser a maneira pela qual elas servem aos instintos do ego. Acho inteiramente impossível situar a gênese da neurose na estreita base do complexo de castração, por mais poderosamente que, nos homens, esse complexo ocupe o primeiro plano entre suas resistências à cura de uma neurose. Incidentalmente, conheço casos de neuroses em que o ‘protesto masculino’ ou, como o encaramos, o complexo de castração, não desempenha qualquer papel patogênico, nem sequer chegando a aparecer. Vemos que o complexo de castração é bastante diferente do discriminado por Freud e que ele apenas leva a escolha e identificação da criança com seu genitor, de modo a adquirir uma identidade, orientação e papel sexual que começa com o narcisismo.
Sabemos que os impulsos instintuais libidinais sofrem a vicissitude da repressão patogênica se entram em conflito com as idéias culturais e éticas do indivíduo. Com isso, nunca queremos dizer que o indivíduo em questão dispõe de um conhecimento meramente intelectual da existência de tais idéias; sempre queremos dizer que ele as reconhece como um padrão para si próprio, submetendo-se às exigências que elas lhe fazem. A repressão, como dissemos, provém do ego; poderíamos dizer com maior exatidão que provém do amor-próprio do ego. As mesmas impressões, experiências, impulsos e desejos aos quais um homem se entrega, ou que pelo menos elabora conscientemente, serão rejeitados com a maior indignação por outro, ou mesmo abafados antes que entrem na consciência. A diferença entre os dois, que encerra o fator condicionante da repressão, pode ser facilmente expressa em termos que permitem seja ela explicada pela teoria da libido. Podemos dizer que o primeiro homem fixou um ideal em si mesmo, pelo qual mede seu ego real, ao passo que o outro não formou qualquer ideal desse tipo. Para o ego, a formação de um ideal seria o fator condicionante da repressão. Vemos que o fenômeno ou evento da repressão está condicionado as idéias culturais e a ética desse indivíduo, de modo a reconhecer esse padrão de comportamentos e de funcionalidades do tipo S - R - C, ou seja, estímulo - resposta - consequência, e que a repressão vem do seu ego que controla os eventos ambientais através do amor próprio do ego. As relações sociais incentivam trocas que levam a diferenças que se tornam fator desencadeante da repressão. Para o ego formar um ideal torna-se necessário a repressão, e assim as diferenças culturais e éticas entre os indivíduos são fundamentais para este processo inconsciente.
MATTANÓ
(18/08/2025)
Esse ego ideal é agora o alvo do amor de si mesmo (self-love) desfrutado na infância pelo ego real. O narcisismo do indivíduo surge deslocado em direção a esse novo ego ideal, o qual, como o ego infantil, se acha possuído de toda perfeição de valor. Como acontece sempre que a libido está envolvida, mais uma vez aqui o homem se mostra incapaz de abrir mão de uma satisfação de que outrora desfrutou. Ele não está disposto a renunciar à perfeição narcisista de sua infância; e quando, ao crescer, se vê perturbado pelas admoestações de terceiros e pelo despertar de seu próprio julgamento crítico, de modo a não mais poder reter aquela perfeição, procura recuperá-la sob a nova forma de um ego ideal. O que ele projeta diante de si como sendo seu ideal é o substituto do narcisismo perdido de sua infância na qual ele era o seu próprio ideal.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o ego ideal torna-se alvo do amor de si mesmo (self-love) que é desfrutado na infância pelo ego real. Então o narcisismo do indivíduo surge deslocado e em direção a esse novo ego ideal, que como o ego infantil, acha-se perfeito. A libido torna o processo mais difícil, pois não abre mão do que já havia desfrutado através da resistência, mesmo que seja sua perfeição narcisista e infantil, de modo que quando crescer testemunhará admoestações de terceiros e seu próprio julgamento através de uma nova forma, ela, o ego ideal, que substitui a antiga perfeição, ou seja, o seu narcisismo perdido de sua infância na qual ele era o seu próprio ideal.
Mattanó aponta que o ego ideal torna-se alvo do amor de si mesmo (self-love) que é desfrutado na infância pelo ego real. Então o narcisismo do indivíduo surge deslocado e em direção a esse novo ego ideal, que como o ego infantil, acha-se perfeito. A libido torna o processo mais difícil, pois não abre mão do que já havia desfrutado através da resistência, mesmo que seja sua perfeição narcisista e infantil, de modo que quando crescer testemunhará admoestações de terceiros e seu próprio julgamento através de uma nova forma, ela, o ego ideal, que substitui a antiga perfeição, ou seja, o seu narcisismo perdido de sua infância na qual ele era o seu próprio ideal. Vemos com o ego do indivíduo vai se formando e se estruturando, desde o começo com o narcisismo até se transformar em ego real e ego ideal, tendo seus primórdios com um ego infantil que acha-se perfeito, condição derivada da perfeição narcisista e infantil que se desenrola através de histórias e provações, testemunhos de adversidades que levarão a um julgamento assumido em sua nova forma, o ego ideal que passa a organizar sua inteligência sensório-motora e seus repertórios comportamentais básicos como atenção, discriminação, controle e ordem para que possa atribuir significados e sentidos comportamentais, ou seja, verbais, sensoriais, motores e imitativos, para que se desenvolva sua cognição e deste modo passe a atribuir significados e sentidos por meio de uma inteligência que realiza operações cognitivas.
MATTANÓ
(19/08/2025)
Somos naturalmente levados a examinar a relação entre essa formação de um ideal e a sublimação. A sublimação é um processo que diz respeito à libido objetal e consiste no fato de o instinto se dirigir no sentido de uma finalidade diferente e afastada da finalidade da satisfação sexual; nesse processo, a tônica recai na deflexão da sexualidade. A idealização é um processo que diz respeito ao objeto; por ela, esse objeto, sem qualquer alteração em sua natureza, é engrandecido e exaltado na mente do indivíduo. A idealização é possível tanto na esfera da libido do ego quanto na da libido objetal. Por exemplo, a supervalorização sexual de um objeto é uma idealização do mesmo. Na medida em que a sublimação descreve algo que tem que ver com o instinto, e a idealização, algo que tem que ver com o objeto, os dois conceitos devem ser distinguidos um do outro.
A formação de um ideal do ego é muitas vezes confundida com a sublimação do instinto, em detrimento de nossa compreensão dos fatos. Um homem que tenha trocado seu narcisismo para abrigar um ideal elevado do ego, nem por isso foi necessariamente bem-sucedido em sublimar seus instintos libidinais. É verdade que o ideal do ego exige tal sublimação, mas não pode fortalecê-la; a sublimação continua a ser um processo especial que pode ser estimulado pelo ideal, mas cuja execução é inteiramente independente de tal estímulo. É precisamente nos neuróticos que encontramos as mais acentuadas diferenças de potencial entre o desenvolvimento de seu ideal do ego e a dose de sublimação de seus instintos libidinais primitivos; e em geral é muito mais difícil convencer um idealista a respeito da localização inconveniente de sua libido do que um homem simples, cujas pretensões permaneceram mais moderadas. Além disso, a formação de um ideal do ego e a sublimação se acham relacionadas, de forma bem diferente, à causação da neurose. Como vimos, a formação de um ideal aumenta as exigências do ego, constituindo o fator mais poderoso a favor da repressão; a sublimação é uma saída, uma maneira pela qual essas exigências podem ser atendidas sem envolver repressão.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a sublimação é um processo que diz respeito à libido objetal e consiste no fato de o instinto se dirigir no sentido de uma finalidade diferente e afastada da finalidade da satisfação sexual; nesse processo, a tônica recai na deflexão da sexualidade. A idealização é um processo que diz respeito ao objeto; por ela, esse objeto, sem qualquer alteração em sua natureza, é engrandecido e exaltado na mente do indivíduo. A idealização é possível tanto na esfera da libido do ego quanto na da libido objetal. Por exemplo, a supervalorização sexual de um objeto é uma idealização do mesmo. Na medida em que a sublimação descreve algo que tem que ver com o instinto, e a idealização, algo que tem que ver com o objeto, os dois conceitos devem ser distinguidos um do outro.
É precisamente nos neuróticos que encontramos as mais acentuadas diferenças de potencial entre o desenvolvimento de seu ideal do ego e a dose de sublimação de seus instintos libidinais primitivos; e em geral é muito mais difícil convencer um idealista a respeito da localização inconveniente de sua libido do que um homem simples, cujas pretensões permaneceram mais moderadas. Além disso, a formação de um ideal do ego e a sublimação se acham relacionadas, de forma bem diferente, à causação da neurose. Como vimos, a formação de um ideal aumenta as exigências do ego, constituindo o fator mais poderoso a favor da repressão; a sublimação é uma saída, uma maneira pela qual essas exigências podem ser atendidas sem envolver repressão.
Mattanó aponta que a sublimação é um processo que diz respeito à libido objetal e consiste no fato de o instinto se dirigir no sentido de uma finalidade diferente e afastada da finalidade da satisfação sexual; nesse processo, a tônica recai na deflexão da sexualidade. A idealização é um processo que diz respeito ao objeto; por ela, esse objeto, sem qualquer alteração em sua natureza, é engrandecido e exaltado na mente do indivíduo. A idealização é possível tanto na esfera da libido do ego quanto na da libido objetal. Por exemplo, a supervalorização sexual de um objeto é uma idealização do mesmo. Na medida em que a sublimação descreve algo que tem que ver com o instinto, e a idealização, algo que tem que ver com o objeto, os dois conceitos devem ser distinguidos um do outro. Vemos que na sublimação a libido se afasta da satisfação sexual primária durante o período de latência ou durante o objeto de satisfação secundária que é a adulta e genital, maliciosa, no desenvolvimento das sublimações após entrar na puberdade, havendo uma deflexão da sexualidade e começa um processo de idealização em sua mente tanto na esfera da libido do ego quanto na libido objetal, mas isso não é tudo, ocorrem processos semelhantes com a energia da comunhão e da segurança que passam do ego para a sublimação e depois entram numa fase adulta e maliciosa, adquirindo um processo de idealização tanto na esfera da sua energia do ego quando na energia do objeto que podem ser Jesus Cristo e autoridades policiais, por exemplo.
É precisamente nos neuróticos que encontramos as mais acentuadas diferenças de potencial entre o desenvolvimento de seu ideal do ego e a dose de sublimação de seus instintos libidinais primitivos; e em geral é muito mais difícil convencer um idealista a respeito da localização inconveniente de sua libido do que um homem simples, cujas pretensões permaneceram mais moderadas. Além disso, a formação de um ideal do ego e a sublimação se acham relacionadas, de forma bem diferente, à causação da neurose. Como vimos, a formação de um ideal aumenta as exigências do ego, constituindo o fator mais poderoso a favor da repressão; a sublimação é uma saída, uma maneira pela qual essas exigências podem ser atendidas sem envolver repressão. Vemos que a formação de um ideal do ego e a sublimação se acham relacionadas de forma diferente na causação da neurose, pois a formação de um ideal aumenta as exigências do ego, sendo um fator poderoso a favor da repressão, enquanto que a sublimação é uma saída por onde as exigências podem ser atendidas sem envolver a repressão. O idealismo aumenta a energia do ego, seja ela libido, comunhão ou segurança, enquanto que a sublimação retira a energia do ego e a deposita ou transfere para o objeto em forma de libido, comunhão ou segurança.
MATTANÓ
(20/08/2025)
Não nos surpreenderíamos se encontrássemos um agente psíquico especial que realizasse a tarefa de assegurar a satisfação narcisista proveniente do ideal do ego, e que, com essa finalidade em vista, observasse constantemente o ego real, medindo-o por aquele ideal. Admitindo-se que esse agente de fato exista, de forma alguma seria possível chegar a ele como se fosse uma descoberta - podemos tão-somente reconhecê-lo, pois podemos supor que aquilo que chamamos de nossa ‘consciência’ possui as características exigidas. O reconhecimento desse agente nos permite compreender os chamados ‘delírios de sermos notados’ ou, mais corretamente, de sermos vigiados, que constituem sintomas tão marcantes nas doenças paranóides, podendo também ocorrer como uma forma isolada de doença, ou intercalados numa neurose de transferência. Pacientes desse tipo queixam-se de que todos os seus pensamentos são conhecidos e suas ações vigiadas e supervisionadas; eles são informados sobre o funcionamento desse agente por vozes que caracteristicamente lhes falam na terceira pessoa (‘Agora ela está pensando nisso de novo’, ‘Agora ele está saindo’). Essa queixa é justificada; ela descreve a verdade. Um poder dessa espécie, que vigia, que descobre e que critica todas as nossas intenções, existe realmente. Na realidade, existe em cada um de nós em nossa vida normal.
Os delírios de estar sendo vigiado apresentam esse poder numa forma regressiva, revelando assim sua gênese e a razão por que o paciente fica revoltado contra ele, pois o que induziu o indivíduo a formar um ideal do ego, em nome do qual sua consciência atua como vigia, surgiu da influência crítica de seus pais (transmitida a ele por intermédio da voz), aos quais vieram juntar-se, à medida que o tempo passou, aqueles que o educaram e lhe ensinaram, a inumerável e indefinível coorte de todas as outras pessoas de seu ambiente - seus semelhantes - e a opinião pública.
Dessa forma, grandes quantidades de libido de natureza essencialmente homossexual são introduzidas na formação do ideal do ego narcisista, encontrando assim um escoadouro e satisfação em conservá-lo. A instituição da consciência foi, no fundo, uma personificação, primeiro da crítica dos pais, e, subseqüentemente, da sociedade - processo que se repete quando uma tendência à repressão se desenvolve de uma proibição ou obstáculo que proveio, no primeiro caso, de fora. As vozes, bem como a multidão indefinida, são reconduzidas ao primeiro plano pela doença, e assim a evolução da consciência se reproduz de forma regressiva. Mas a revolta contra esse ‘agente de censura’ brota não só do desejo, por parte do indivíduo (de acordo com o caráter fundamental de sua doença), de libertar-se de todas essas influências, a começar pela dos pais, mas também do fato de retirar sua libido homossexual delas. A consciência do paciente então se confronta com ele de maneira regressiva, como sendo uma influência hostil vinda de fora.
As queixas feitas pelos paranóicos também revelam que, no fundo, a autocrítica da consciência coincide com a auto-observação na qual ela se baseia. Assim, a atividade da mente que assumiu a função da consciência também se coloca a serviço da pesquisa interna, que proporciona à filosofia o material para as suas operações intelectuais. Isso pode ter certa relação com a tendência, característica dos paranóicos, de formar sistemas especulativos.
Por certo será de grande importância para nós encontrar provas da atividade desse agente criticamente observador - que se torna elevada na consciência e na introspecção filosófica - também em outros campos. Mencionarei aqui o que Herbert Silberer denominou de ‘fenômeno funcional’, um dos poucos acréscimos indiscutivelmente valiosos à teoria dos sonhos. Silberer, como sabemos, demonstrou que em estados entre o sono e a vigília podemos observar diretamente a tradução dos pensamentos em imagens visuais, mas que, nessas circunstâncias, com freqüência temos a representação, não de um conteúdo do pensamento, mas do estado real (disposição, fadiga etc.) da pessoa que luta contra o sono. De forma semelhante, revelou que as conclusões de alguns sonhos ou de algumas divisões de seu conteúdo significam meramente a própria percepção, por parte daquele que sonha, do seu estado de sono ou de vigília. Silberer demonstrou assim o papel desempenhado pela observação - no sentido dos delírios do paranóico quanto a estar sendo vigiado - na formação dos sonhos. Esse papel não é constante. Provavelmente, desprezei-o por não desempenhar um papel relevante em meus próprios sonhos; nas pessoas filosoficamente dotadas e habituadas à introspecção ele pode tornar-se bastante evidente.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a nossa consciência possui uma característica, o ego ideal que mede o ego real, que nos leva a especular que ela, a consciência, nos permite reconhecer que temos os ¨delírios de sermos notados¨ ou de sermos vigiados que ocorrem na esquizofrenia paranóide ou nas doenças paranóides, onde pacientes desse tipo queixam-se de que todos os seus pensamentos são conhecidos e suas ações vigiadas e supervisionadas; eles são informados sobre o funcionamento desse agente por vozes que caracteristicamente lhes falam na terceira pessoa (‘Agora ela está pensando nisso de novo’, ‘Agora ele está saindo’). Essa queixa é justificada; ela descreve a verdade. Um poder dessa espécie, que vigia, que descobre e que critica todas as nossas intenções, existe realmente. Na realidade, existe em cada um de nós em nossa vida normal.
Os delírios de estar sendo vigiado apresentam esse poder numa forma regressiva, revelando assim sua gênese e a razão por que o paciente fica revoltado contra ele, pois o que induziu o indivíduo a formar um ideal do ego, em nome do qual sua consciência atua como vigia, surgiu da influência crítica de seus pais (transmitida a ele por intermédio da voz), aos quais vieram juntar-se, à medida que o tempo passou, aqueles que o educaram e lhe ensinaram, a inumerável e indefinível coorte de todas as outras pessoas de seu ambiente - seus semelhantes - e a opinião pública.
Dessa forma, grandes quantidades de libido de natureza essencialmente homossexual são introduzidas na formação do ideal do ego narcisista, encontrando assim um escoadouro e satisfação em conservá-lo. A instituição da consciência foi, no fundo, uma personificação, primeiro da crítica dos pais, e, subseqüentemente, da sociedade - processo que se repete quando uma tendência à repressão se desenvolve de uma proibição ou obstáculo que proveio, no primeiro caso, de fora. As vozes, bem como a multidão indefinida, são reconduzidas ao primeiro plano pela doença, e assim a evolução da consciência se reproduz de forma regressiva. Mas a revolta contra esse ‘agente de censura’ brota não só do desejo, por parte do indivíduo (de acordo com o caráter fundamental de sua doença), de libertar-se de todas essas influências, a começar pela dos pais, mas também do fato de retirar sua libido homossexual delas. A consciência do paciente então se confronta com ele de maneira regressiva, como sendo uma influência hostil vinda de fora.
As queixas feitas pelos paranóicos também revelam que, no fundo, a autocrítica da consciência coincide com a auto-observação na qual ela se baseia. Assim, a atividade da mente que assumiu a função da consciência também se coloca a serviço da pesquisa interna, que proporciona à filosofia o material para as suas operações intelectuais. Isso pode ter certa relação com a tendência, característica dos paranóicos, de formar sistemas especulativos.
Por certo será de grande importância para nós encontrar provas da atividade desse agente criticamente observador - que se torna elevada na consciência e na introspecção filosófica - também em outros campos. Mencionarei aqui o que Herbert Silberer denominou de ‘fenômeno funcional’, um dos poucos acréscimos indiscutivelmente valiosos à teoria dos sonhos. Silberer, como sabemos, demonstrou que em estados entre o sono e a vigília podemos observar diretamente a tradução dos pensamentos em imagens visuais, mas que, nessas circunstâncias, com freqüência temos a representação, não de um conteúdo do pensamento, mas do estado real (disposição, fadiga etc.) da pessoa que luta contra o sono. De forma semelhante, revelou que as conclusões de alguns sonhos ou de algumas divisões de seu conteúdo significam meramente a própria percepção, por parte daquele que sonha, do seu estado de sono ou de vigília. Silberer demonstrou assim o papel desempenhado pela observação - no sentido dos delírios do paranóico quanto a estar sendo vigiado - na formação dos sonhos. Esse papel não é constante. Provavelmente, desprezei-o por não desempenhar um papel relevante em meus próprios sonhos; nas pessoas filosoficamente dotadas e habituadas à introspecção ele pode tornar-se bastante evidente.
Mattanó aponta que a nossa consciência possui uma característica, o ego ideal que mede o ego real, que nos leva a especular que ela, a consciência, nos permite reconhecer que temos os ¨delírios de sermos notados¨ ou de sermos vigiados que ocorrem na esquizofrenia paranóide ou nas doenças paranóides, onde pacientes desse tipo queixam-se de que todos os seus pensamentos são conhecidos e suas ações vigiadas e supervisionadas; eles são informados sobre o funcionamento desse agente por vozes que caracteristicamente lhes falam na terceira pessoa (‘Agora ela está pensando nisso de novo’, ‘Agora ele está saindo’). Essa queixa é justificada; ela descreve a verdade. Um poder dessa espécie, que vigia, que descobre e que critica todas as nossas intenções, existe realmente. Na realidade, existe em cada um de nós em nossa vida normal. Vemos que é a consciência, um produto do ego real e do ego ideal que medem seus esforços inconscientes para obter uma resposta consciente, cultural, de conhecimento e que esteja de acordo com a realidade e otimize a adaptação do indivíduo ao meio ambiente através da evolução, da seleção natural e da competição entre espécies e indivíduos da mesma espécie para que possa reproduzir sua cultura e carga genética.
Os delírios de estar sendo vigiado apresentam esse poder numa forma regressiva, revelando assim sua gênese e a razão por que o paciente fica revoltado contra ele, pois o que induziu o indivíduo a formar um ideal do ego, em nome do qual sua consciência atua como vigia, surgiu da influência crítica de seus pais (transmitida a ele por intermédio da voz), aos quais vieram juntar-se, à medida que o tempo passou, aqueles que o educaram e lhe ensinaram, a inumerável e indefinível coorte de todas as outras pessoas de seu ambiente - seus semelhantes - e a opinião pública. Vemos que os delírios são consequência da imago materna e da imago paterna onde a voz de seus pais encontram alto valor energético ou de catexia libidinal, de comunhão e de segurança, da mesma forma assume grande importância a imago fraterna onde seus semelhantes transmitem para o indivíduo por meio da voz algo altamente catexizado, investido de libido, comunhão e de segurança.
Dessa forma, grandes quantidades de libido de natureza essencialmente homossexual são introduzidas na formação do ideal do ego narcisista, encontrando assim um escoadouro e satisfação em conservá-lo. A instituição da consciência foi, no fundo, uma personificação, primeiro da crítica dos pais, e, subseqüentemente, da sociedade - processo que se repete quando uma tendência à repressão se desenvolve de uma proibição ou obstáculo que proveio, no primeiro caso, de fora. As vozes, bem como a multidão indefinida, são reconduzidas ao primeiro plano pela doença, e assim a evolução da consciência se reproduz de forma regressiva. Mas a revolta contra esse ‘agente de censura’ brota não só do desejo, por parte do indivíduo (de acordo com o caráter fundamental de sua doença), de libertar-se de todas essas influências, a começar pela dos pais, mas também do fato de retirar sua libido homossexual delas. A consciência do paciente então se confronta com ele de maneira regressiva, como sendo uma influência hostil vinda de fora. Vemos que a libido, a comunhão e a segurança assumem uma identificação homossexual na formação do ideal do ego narcisista, devido a libido primária, a comunhão e a segurança que encontram um destino e um modo de se conservarem. A consciência foi a personificação da crítica dos pais e depois da sociedade, que veio, no primeiro caso, de fora. As vozes da multidão indefinida se transformam em doença e a consciência se reproduz de forma regressiva. O indivíduo se revolta contra seus pais e tenta retirar sua libido homossexual dos seus pais. Então a consciência do indivíduo se confronta com ele de maneira regressiva, com uma influência hostil vinda de fora. Vemos que a realidade, a cultura, o conhecimento e a consciência do delirante assume um estado permanente de regressão e de hostilidade para com os objetos do mundo de fora, e que as vozes se tornam seu modo de pensamento e de distorção da realidade através desse modo de consciência, cultura e conhecimento, as vozes podem aparecer conforme os estímulos do meio ambiente, desencadeando vozes de seus pais, da sociedade ou de multidões.
As queixas feitas pelos paranóicos também revelam que, no fundo, a autocrítica da consciência coincide com a auto-observação na qual ela se baseia. Assim, a atividade da mente que assumiu a função da consciência também se coloca a serviço da pesquisa interna, que proporciona à filosofia o material para as suas operações intelectuais. Isso pode ter certa relação com a tendência, característica dos paranóicos, de formar sistemas especulativos. Vemos que os paranóicos são excelentes especuladores e grandes filósofos, pois são grandes auto-observadores e se colocam a este tipo de pesquisa interna.
Por certo será de grande importância para nós encontrar provas da atividade desse agente criticamente observador - que se torna elevada na consciência e na introspecção filosófica - também em outros campos. Mencionarei aqui o que Herbert Silberer denominou de ‘fenômeno funcional’, um dos poucos acréscimos indiscutivelmente valiosos à teoria dos sonhos. Silberer, como sabemos, demonstrou que em estados entre o sono e a vigília podemos observar diretamente a tradução dos pensamentos em imagens visuais, mas que, nessas circunstâncias, com freqüência temos a representação, não de um conteúdo do pensamento, mas do estado real (disposição, fadiga etc.) da pessoa que luta contra o sono. De forma semelhante, revelou que as conclusões de alguns sonhos ou de algumas divisões de seu conteúdo significam meramente a própria percepção, por parte daquele que sonha, do seu estado de sono ou de vigília. Silberer demonstrou assim o papel desempenhado pela observação - no sentido dos delírios do paranóico quanto a estar sendo vigiado - na formação dos sonhos. Esse papel não é constante. Provavelmente, desprezei-o por não desempenhar um papel relevante em meus próprios sonhos; nas pessoas filosoficamente dotadas e habituadas à introspecção ele pode tornar-se bastante evidente. Vemos que os delírios vão além dos estudos com a consciência e a filosofia, vão à teoria dos sonhos, aos estados entre o sono e a vigília, a pessoa luta contra o sono, a pessoa se sente vigiada, este papel não é constante, porém pode estar sendo modelado ou controlado por eventos ufológicos e alguma forma de paranormalidade que seleciona e põe em competição a paranóia desse mesmo indivíduo, tanto na vida onírica quanto na vida anímica, causando confusão e mais paranóia.
MATTANÓ
(23/08/2025)
ÚLTIMA MENSAGEM DE JESUS CRISTO SOBRE A MORTE EM 24 DE AGOSTO DE 2025 EM LONDRINA/PR/BRASIL:
¨Vocês que seguem a Pedro e se esquecem de mim e do meu Amor não seguem a mim e nem ao meu Pai, mas apenas a Pedro, por isso hão de morrer se quiserem conhecer o meu Nome.¨
Osny Mattanó Júnior
Londrina, 24 de agosto de 2025.
Lembremo-nos aqui de já termos verificado que a formação de sonhos ocorre sob o domínio de uma censura que força a distorção dos pensamentos oníricos. Não figuramos, contudo, essa censura como tendo um poder especial, mas escolhemos o termo para designar uma faceta das tendências repressivas que regem o ego, a saber, a faceta que está voltada para os pensamentos oníricos. Se penetrarmos ainda mais na estrutura do ego, também poderemos reconhecer, no ideal do ego e nas expressões orais dinâmicas da consciência, o censor dos sonhos. Se esse censor estiver, até certo ponto, alerta, mesmo durante o sono, poderemos compreender como sua atividade sugerida de auto-observação e de autocrítica - com pensamentos tais como ‘agora ele está com muito sono para pensar’, ‘agora ele está despertando’ - presta uma contribuição ao conteúdo do sonho.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a formação dos sonhos ocorre sob o domínio da censura e que esta força a distorção dos pensamentos oníricos diante das tendências repressivas do ego, sendo que no ideal de ego que as expressões orais da consciência são reconhecidas, a consciência é o censor dos sonhos, porém se esse censor estiver alerta, até certo ponto, compreenderemos a auto-observação e a autocrítica com pensamentos tais como ¨agora ele está com muito sono para pensar¨, ¨agora ele está despertando¨, pensamentos que prestam contribuição ao conteúdo do sonho.
Mattanó aponta que a formação dos sonhos ocorre sob o domínio da censura e que esta força a distorção dos pensamentos oníricos diante das tendências repressivas do ego, sendo que no ideal de ego que as expressões orais da consciência são reconhecidas, a consciência é o censor dos sonhos, porém se esse censor estiver alerta, até certo ponto, compreenderemos a auto-observação e a autocrítica com pensamentos tais como ¨agora ele está com muito sono para pensar¨, ¨agora ele está despertando¨, pensamentos que prestam contribuição ao conteúdo do sonho. Este processo de auto-observação e de autocrítica envolve produção de significados e se sentidos, de conceitos, de contextos, de comportamentos, de funcionalidade, de linguagem, de topografia virtual, de Gestalt e de insights, de consciência, cultura, conhecimento e realidade, de desejo de dormir, de homeostase que por sua vez determina a contribuição ao conteúdo do sonho.
MATTANÓ
(25/08/2025)
Nessa altura, podemos tentar um exame da atitude de auto-estima nas pessoas normais e nos neuróticos.
Em primeiro lugar, parece-nos que a auto-estima expressa o tamanho do ego; os vários elementos que irão determinar esse tamanho são aqui irrelevantes. Tudo o que uma pessoa possui ou realiza, todo remanescente do sentimento primitivo de onipotência que sua experiência tenha confirmado, ajuda-a a aumentar sua auto-estima.
Aplicando nossa distinção entre os instintos sexuais e os do ego, devemos reconhecer que a auto-estima depende intimamente da libido narcisista. Aqui somos apoiados por dois fatos fundamentais: o de que, nos parafrênicos, a auto-estima aumenta, enquanto que nas neuroses de transferência ela se reduz; e o de que, nas relações amorosas, o fato de não ser amado reduz os sentimentos de auto-estima, enquanto que o de ser amado os aumenta. Como já tivemos ocasião de assinalar, a finalidade e satisfação em uma escolha objetal narcisista consiste em ser amado.
Além disso, é fácil observar que a catexia objetal libidinal não eleva a auto-estima. A dependência ao objeto amado tem como efeito a redução daquele sentimento: uma pessoa apaixonada é humilde. Um indivíduo que ama priva-se, por assim dizer, de uma parte de seu narcisismo, que só pode ser substituída pelo amor de outra pessoa por ele. Sob todos esses aspectos, a auto-estima parece ficar relacionada com o elemento narcisista do amor.
A compreensão da impotência, da própria incapacidade de amar, em conseqüência de perturbação física ou mental, exerce um efeito extremamente diminuidor sobre a auto-estima. Aqui, em minha opinião, devemos procurar uma das fontes dos sentimentos de inferioridade experimentados por pacientes que sofrem de neuroses de transferência, sentimentos que esses pacientes estão prontos a relatar. A principal fonte desses sentimentos é, contudo, o empobrecimento do ego, por causa das enormes catexias libidinais dele retiradas - por causa, vale dizer, do dano sofrido pelo ego em função de tendências sexuais que já não estão sujeitas a controle.
Adler [1907] tem razão quando sustenta que, quando uma pessoa dotada de vida mental ativa reconhece uma inferioridade em um de seus órgãos, isso age como estímulo, provocando nessa pessoa um nível mais elevado de realização mediante supercompensação. Mas, definitivamente, incorreríamos em exagero se, seguindo o exemplo de Adler, procurássemos atribuir toda realização bem-sucedida a essa inferioridade original de um órgão. Nem todos os pintores são desfavorecidos por uma visão deficiente, e nem todos os oradores foram originariamente gagos. E existem numerosos exemplos de excelentes realizações que brotam de propriedades orgânicas superiores. Na etiologia das neuroses, a inferioridade orgânica e o desenvolvimento imperfeito desempenham papel insignificante - semelhante ao desempenhado por material perceptual geralmente ativo na formação dos sonhos. As neuroses fazem uso de tais inferioridades como um pretexto, assim como o fazem em relação a qualquer outro fator que se preste a isso. Somos tentados a acreditar numa paciente neurótica quando ela nos diz que era inevitável adoecer, visto que, por ser feia, deformada ou carente de encantos, ninguém poderia amá-la; logo, porém, outra neurótica nos prestará melhores esclarecimentos - pois persiste em sua neurose e em sua aversão à sexualidade, embora pareça mais desejável, e seja, de fato, mais desejada, do que a mulher comum. Em sua maioria, as mulheres histéricas são representantes atraentes e mesmo belas de seu sexo, ao passo que, por outro lado, a freqüência da fealdade, de defeitos orgânicos e de enfermidades nas classes inferiores da sociedade não aumenta a incidência da doença neurótica entre elas.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica a atitude de auto-estima nas pessoas normais e nos neuróticos.
Em primeiro lugar, parece-nos que a auto-estima expressa o tamanho do ego; os vários elementos que irão determinar esse tamanho são aqui irrelevantes. Tudo o que uma pessoa possui ou realiza, todo remanescente do sentimento primitivo de onipotência que sua experiência tenha confirmado, ajuda-a a aumentar sua auto-estima.
Aplicando nossa distinção entre os instintos sexuais e os do ego, devemos reconhecer que a auto-estima depende intimamente da libido narcisista. Aqui somos apoiados por dois fatos fundamentais: o de que, nos parafrênicos, a auto-estima aumenta, enquanto que nas neuroses de transferência ela se reduz; e o de que, nas relações amorosas, o fato de não ser amado reduz os sentimentos de auto-estima, enquanto que o de ser amado os aumenta. Como já tivemos ocasião de assinalar, a finalidade e satisfação em uma escolha objetal narcisista consiste em ser amado.
A compreensão da impotência, da própria incapacidade de amar, em conseqüência de perturbação física ou mental, exerce um efeito extremamente diminuidor sobre a auto-estima. Aqui, em minha opinião, devemos procurar uma das fontes dos sentimentos de inferioridade experimentados por pacientes que sofrem de neuroses de transferência, sentimentos que esses pacientes estão prontos a relatar. A principal fonte desses sentimentos é, contudo, o empobrecimento do ego, por causa das enormes catexias libidinais dele retiradas.
Adler [1907] tem razão quando sustenta que, quando uma pessoa dotada de vida mental ativa reconhece uma inferioridade em um de seus órgãos, isso age como estímulo, provocando nessa pessoa um nível mais elevado de realização mediante supercompensação. Mas, definitivamente, incorreríamos em exagero se, seguindo o exemplo de Adler, procurássemos atribuir toda realização bem-sucedida a essa inferioridade original de um órgão. Nem todos os pintores são desfavorecidos por uma visão deficiente, e nem todos os oradores foram originariamente gagos. E existem numerosos exemplos de excelentes realizações que brotam de propriedades orgânicas superiores. Na etiologia das neuroses, a inferioridade orgânica e o desenvolvimento imperfeito desempenham papel insignificante - semelhante ao desempenhado por material perceptual geralmente ativo na formação dos sonhos. As neuroses fazem uso de tais inferioridades como um pretexto, assim como o fazem em relação a qualquer outro fator que se preste a isso. Somos tentados a acreditar numa paciente neurótica quando ela nos diz que era inevitável adoecer, visto que, por ser feia, deformada ou carente de encantos, ninguém poderia amá-la; logo, porém, outra neurótica nos prestará melhores esclarecimentos - pois persiste em sua neurose e em sua aversão à sexualidade, embora pareça mais desejável, e seja, de fato, mais desejada, do que a mulher comum. Em sua maioria, as mulheres histéricas são representantes atraentes e mesmo belas de seu sexo, ao passo que, por outro lado, a freqüência da fealdade, de defeitos orgânicos e de enfermidades nas classes inferiores da sociedade não aumenta a incidência da doença neurótica entre elas.
Mattanó aponta que Freud explica a atitude de auto-estima nas pessoas normais e nos neuróticos.
Em primeiro lugar, parece-nos que a auto-estima expressa o tamanho do ego; os vários elementos que irão determinar esse tamanho são aqui irrelevantes. Tudo o que uma pessoa possui ou realiza, todo remanescente do sentimento primitivo de onipotência que sua experiência tenha confirmado, ajuda-a a aumentar sua auto-estima. Vemos que a auto-estima é consequência do tamanho do ego do indivíduo.
Aplicando nossa distinção entre os instintos sexuais e os do ego, devemos reconhecer que a auto-estima depende intimamente da libido narcisista. Aqui somos apoiados por dois fatos fundamentais: o de que, nos parafrênicos, a auto-estima aumenta, enquanto que nas neuroses de transferência ela se reduz; e o de que, nas relações amorosas, o fato de não ser amado reduz os sentimentos de auto-estima, enquanto que o de ser amado os aumenta. Como já tivemos ocasião de assinalar, a finalidade e satisfação em uma escolha objetal narcisista consiste em ser amado. Vemos que a auto-estima depende muito da libido narcisita do indivíduo, e que esta aumenta nos parafrênicos, enquanto que diminui nas neuroses de transferência, e que a finalidade da escolha objetal narcista é ser amado.
A compreensão da impotência, da própria incapacidade de amar, em conseqüência de perturbação física ou mental, exerce um efeito extremamente diminuidor sobre a auto-estima. Aqui, em minha opinião, devemos procurar uma das fontes dos sentimentos de inferioridade experimentados por pacientes que sofrem de neuroses de transferência, sentimentos que esses pacientes estão prontos a relatar. A principal fonte desses sentimentos é, contudo, o empobrecimento do ego, por causa das enormes catexias libidinais dele retiradas. Vemos que a incapacidade, a impotência, a deficiência e a perturbação física ou mental tem um papel diminuidor da auto-estima, sobretudo nos pacientes que sofrem de neuroses de transferência, pois estes enfrentam uma diminuição da libido narcisista, havendo um empobrecimento do ego, que por sua vez ajuda a manter a incapacidade, impotência, deficiência ou perturbação desse paciente.
Adler [1907] tem razão quando sustenta que, quando uma pessoa dotada de vida mental ativa reconhece uma inferioridade em um de seus órgãos, isso age como estímulo, provocando nessa pessoa um nível mais elevado de realização mediante supercompensação. Mas, definitivamente, incorreríamos em exagero se, seguindo o exemplo de Adler, procurássemos atribuir toda realização bem-sucedida a essa inferioridade original de um órgão. Nem todos os pintores são desfavorecidos por uma visão deficiente, e nem todos os oradores foram originariamente gagos. E existem numerosos exemplos de excelentes realizações que brotam de propriedades orgânicas superiores. Na etiologia das neuroses, a inferioridade orgânica e o desenvolvimento imperfeito desempenham papel insignificante - semelhante ao desempenhado por material perceptual geralmente ativo na formação dos sonhos. As neuroses fazem uso de tais inferioridades como um pretexto, assim como o fazem em relação a qualquer outro fator que se preste a isso. Somos tentados a acreditar numa paciente neurótica quando ela nos diz que era inevitável adoecer, visto que, por ser feia, deformada ou carente de encantos, ninguém poderia amá-la; logo, porém, outra neurótica nos prestará melhores esclarecimentos - pois persiste em sua neurose e em sua aversão à sexualidade, embora pareça mais desejável, e seja, de fato, mais desejada, do que a mulher comum. Em sua maioria, as mulheres histéricas são representantes atraentes e mesmo belas de seu sexo, ao passo que, por outro lado, a freqüência da fealdade, de defeitos orgânicos e de enfermidades nas classes inferiores da sociedade não aumenta a incidência da doença neurótica entre elas. Vemos que Adler sugere a supercompensação como resposta a uma incapacidade, impotência, deficiência ou perturbação, mas Freud contesta esse argumento afirmando que nem todo grande pintor nasce com problemas na visão ou nem todo orador nasce gago. Existem numerosos exemplos de excelentes realizações que brotam de propriedades orgânicas superiores. Na etiologia das neuroses, a inferioridade orgânica e o desenvolvimento imperfeito desempenham papel insignificante - semelhante ao desempenhado por material perceptual geralmente ativo na formação dos sonhos. Isto, pois, a percepção não predomina durante os sonhos, assim como a inferioridade não predomina na etiologia das neuroses, mas a marca ou o prazer e o reforço, e a dor e a punição, ou seja, a homeostase. As neuroses fazem uso de tais inferioridades como um pretexto, assim como o fazem em relação a qualquer outro fator que se preste a isso. Somos tentados a acreditar numa paciente neurótica quando ela nos diz que era inevitável adoecer, visto que, por ser feia, deformada ou carente de encantos, ninguém poderia amá-la; logo, porém, outra neurótica nos prestará melhores esclarecimentos - pois persiste em sua neurose e em sua aversão à sexualidade, embora pareça mais desejável, e seja, de fato, mais desejada, do que a mulher comum. Em sua maioria, as mulheres histéricas são representantes atraentes e mesmo belas de seu sexo, ao passo que, por outro lado, a freqüência da fealdade, de defeitos orgânicos e de enfermidades nas classes inferiores da sociedade não aumenta a incidência da doença neurótica entre elas. Vemos como se dão as relações de incapacidade, impotência, deficiência ou perturbação, de inferioridade na etiologia as neuroses, ficando claro que o controle da consciência da paciente ou do indivíduo está sendo processado em seu equilíbrio corporal e cerebral, em sua homeostase, em suas relações com suas marcas ou mapas cerebrais e caminhos cerebrais ou caminhos cognitivos que respondem a sua homeostase, ou ao seu prazer e reforço, e a sua dor e punição, determinando a sua forma de se adaptar comportamental, fisiológica e morfológicamente as exigências, necessidades e adversidades do meio ambiente, neste caso, para que possa sobreviver e se reproduzir sexualmente e culturalmente.
MATTANÓ
(29/08/2025)
MENSAGEM DE NOSSA SENHORA RAINHA DO AMOR PARA O SEU AMOR EM 30 DE AGOSTO DE 2025 EM LONDRINA/PR/BRASIL:
¨As pessoas que passam na televisão, os atletas, os artistas, os políticos, as autoridades, os policiais, os religiosos, os jogadores de futebol, os cantores e cantoras, os doentes e enfermos, os perseguidos por causa da Justiça, os criminosos, os endividados, as vítimas de crimes e de acidentes, as vítimas de terror e de guerras, as vítimas de perseguição e de violência, as vítimas de estupro, os loucos, os exibicionistas, os libidinosos, os falsários, as vítimas de cobradores de impostos ou de propina para o tráfico e para o crime ou para o terror, as pessoas vítimas de roubo e de homicídio, de envenenamento, de tortura, de lavagem cerebral, de extorsão, vingança, de estupro virtual e de despersonalização, de voyeurismo, de linguagem sexista e de atentados e baixarias, são todas como Jesus Cristo Crucificado em sua Cruz de Amor e de Misericórdia, estão participando do maior espetáculo da Terra através dos veículos de comunicação de massa, como a televisão, que se assemelha ao Calvário de Jesus Cristo onde este foi Crucificado e Morto, para nos dar a Vida Eterna, significando uma passagem, de uma vida para a outra vida, a Vida Eterna, para a Conversão através do Amor do Pai, de Jesus e de Maria.¨
Osny Mattanó Júnior
Londrina, 31 de agosto de 2025.
MENSAGEM DE NOSSA SENHORA RAINHA DO AMOR PARA O SEU AMOR EM 31 DE AGOSTO DE 2025 EM LONDRINA/PR/BRASIL:
¨Todo mundo nasce igual neste mundo e também morre igual, é a vida e são as escolhas de cada um que fazem as diferenças. Ou seja, é o pecado quem distorce a consciência e a realidade que é idêntica para todos nós. É a tentação quem corrompe o homem e a mulher, inclusive o seu trabalho que é um dom do Espírito Santo, gerando inveja, ciúmes, loucura e desejo de possuí-lo ilegalmente, através de violência.¨
Osny Mattanó Júnior
Londrina, 31 de agosto de 2025.
MATTANÓ
(31/08/2025)
SOBRE A FUGA PARA O INCONSCIENTE (OU PARA O ÚTERO DA SUA MÃE) SEGUNDO MATTANÓ (2025):
Mattanó aponta que a criança na vida intra-uterina é totalmente incapaz e assim permanece incapaz de realizar operações cognitivas que transformam a realidade, a cultura, o conhecimento e a consciência em significados e sentidos, pois isto só começa a partir dos 5 anos de idade com o período pré-operacional, que também depende da linguagem, ora na vida intra-uterina não dispomos de linguagem e nem de equivalências de estímulos, pois estas dependem da linguagem e da nomeação dos estímulos, ou seja, dos significados e dos sentidos empregados a eles, assim o bebê e a criança jamais aprendem ou dispõem de marcas para retornarem para a vida intra-uterina, nem mesmo caminhos cognitivos ou mapa cerebral que dêem suporte para este tipo de comportamento, o que eu acredito que acontece com a criança quando está insegura e com medo é simplesmente buscar apoio e segurança de sua mãe, por ser ela uma extensão de seu berço e de todo o seu aprendizado para lidar com as adversidades e exigências do meio ambiente, berço não pode ser comparado a um útero pois a criança não possui cognição para atribuir significado e sentido de útero ou de mãe para esse berço, restando somente a realidade que vai operando transformações no mapa cognitivo dessa criança através da sua consciência, cultura, conhecimento e realidade, assim se você distorce a realidade nomeando o berço de útero e de local para a fuga ou retorno do seu filho em caso de insegurança ou perigo, adversidade, é normal que as coisas aconteçam assim, pois esse é o código para a consciência, cultura, conhecimento e realidade desse grupo ou família, segundo sua história de vida, crescimento, desenvolvimento e amadurecimento cognitivo, psíquico e comportamental.
MATTANÓ
(03/09/2025)
As relações entre auto-estima e erotismo - isto é, catexias objetais libidinais - podem ser expressas concisamente da seguinte forma. Devemos distinguir dois casos, conforme as catexias eróticas sejam ego-sintônicas, ou, pelo contrário, tenham sofrido repressão. No primeiro caso (onde o uso feito da libido é ego-sintônico), o amor é avaliado como qualquer outra atividade do ego. O amar em si, na medida em que envolva anelo e privação, reduz a auto-estima, ao passo que ser amado, ser correspondido no amor, e possuir o objeto amado, eleva-a mais uma vez. Quando a libido é reprimida, sente-se a catexia erótica como grave esgotamento do ego; a satisfação do amor é impossível e o reenriquecimento do ego só pode ser efetuado por uma retirada da libido de seus objetos. A volta da libido objetal ao ego e sua transformação no narcisismo representa, por assim dizer, um novo amor feliz; e, por outro lado, também é verdade que um verdadeiro amor feliz corresponde à condição primeira na qual a libido objetal e a libido do ego não podem ser distinguidas.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que devemos distinguir dois casos, conforme as catexias eróticas sejam ego-sintônicas, ou, pelo contrário, tenham sofrido repressão. No primeiro caso (onde o uso feito da libido é ego-sintônico), o amor é avaliado como qualquer outra atividade do ego. O amar em si, na medida em que envolva anelo e privação, reduz a auto-estima, ao passo que ser amado, ser correspondido no amor, e possuir o objeto amado, eleva-a mais uma vez. Quando a libido é reprimida, sente-se a catexia erótica como grave esgotamento do ego; a satisfação do amor é impossível e o reenriquecimento do ego só pode ser efetuado por uma retirada da libido de seus objetos. A volta da libido objetal ao ego e sua transformação no narcisismo representa, por assim dizer, um novo amor feliz; e, por outro lado, também é verdade que um verdadeiro amor feliz corresponde à condição primeira na qual a libido objetal e a libido do ego não podem ser distinguidas.
Mattanó aponta que devemos distinguir dois casos, conforme as catexias eróticas sejam ego-sintônicas, ou, pelo contrário, tenham sofrido repressão. No primeiro caso (onde o uso feito da libido é ego-sintônico), o amor é avaliado como qualquer outra atividade do ego. O amar em si, na medida em que envolva anelo e privação, reduz a auto-estima, ao passo que ser amado, ser correspondido no amor, e possuir o objeto amado, eleva-a mais uma vez. Quando a libido é reprimida, sente-se a catexia erótica como grave esgotamento do ego; a satisfação do amor é impossível e o reenriquecimento do ego só pode ser efetuado por uma retirada da libido de seus objetos. A volta da libido objetal ao ego e sua transformação no narcisismo representa, por assim dizer, um novo amor feliz; e, por outro lado, também é verdade que um verdadeiro amor feliz corresponde à condição primeira na qual a libido objetal e a libido do ego não podem ser distinguidas. Vemos que o amor correspondido produz no ego do indivíduo um reenquecimento e uma auto-estima, pois retira dos objetos a libido e a investe em seu próprio ego, isto somente sendo amado, já no caso de amar a si mesmo, a auto-estima se reduz provocando um esgotamento do ego, quando temos um amor correspondido ocorre o reenquecimento do ego, pois o ego retira a libido dos seus objetos, nos mostrando o quanto faz bem um novo amor feliz para o ego e para a auto-estima do indivíduo.
MATTANÓ
(04/09/2025)
A importância e o grau de extensão dos tópicos constituem minha justificativa para acrescentar algumas poucas observações de concatenação algo desconexa.
O desenvolvimento do ego consiste num afastamento do narcisismo primário e dá margem a uma vigorosa tentativa de recuperação desse estado. Esse afastamento é ocasionado pelo deslocamento da libido em direção a um ideal do ego imposto de fora, sendo a satisfação provocada pela realização desse ideal.
Ao mesmo tempo, o ego emite as catexias objetais libidinais. Torna-se empobrecido em benefício dessas catexias, do mesmo modo que o faz em benefício do ideal do ego, e se enriquece mais uma vez a partir de suas satisfações no tocante ao objeto, do mesmo modo que o faz, realizando seu ideal.
Uma parte da auto-estima é primária - o resíduo do narcisismo infantil; outra parte decorre da onipotência que é corroborada pela experiência (a realização do ideal do ego), enquanto uma terceira parte provém da satisfação da libido-objetal.
O ideal do ego impõe severas condições à satisfação da libido por meio de objetos, pois ele faz com que alguns deles sejam rejeitados por seu censor como sendo incompatíveis onde não se formou tal ideal, a tendência sexual em questão aparece inalterada na personalidade sob a forma de uma perversão. Tornar a ser seu próprio ideal, como na infância, no que diz respeito às tendências sexuais não menos do que às outras - isso é o que as pessoas se esforçam por atingir como sendo sua felicidade.
O estar apaixonado consiste num fluir da libido do ego em direção ao objeto. Tem o poder de remover as repressões e de reinstalar as perversões. Exalta o objeto sexual transformando-o num ideal sexual. Visto que, com o tipo objetal (ou tipo de ligação), o estar apaixonado ocorre em virtude da realização das condições infantis para amar, podemos dizer que qualquer coisa que satisfaça essa condição é idealizada.
O ideal sexual pode fazer parte de uma interessante relação auxiliar com o ideal do ego. Ele pode ser empregado para satisfação substitutiva onde a satisfação narcisista encontra reais entraves. Nesse caso, uma pessoa amará segundo o tipo narcisista de escolha objetal: amará o que foi outrora e não é mais, ou então o que possui as excelências que ela jamais teve (cf. (c) [ver em [1]]). A fórmula paralela à que se acaba de mencionar diz o seguinte: o que possui a excelência que falta ao ego para torná-lo ideal é amado. Esse expediente é de especial importância para o neurótico, que, por causa de suas excessivas catexias objetais, é empobrecido em seu ego, sendo incapaz de realizar seu ideal do ego. Ele procura então retornar, de seu pródigo dispêndio da libido em objetos, ao narcisismo, escolhendo um ideal sexual segundo o tipo narcisista que possui as excelências que ele não pode atingir. Isso é a cura pelo amor, que ele geralmente prefere à cura pela análise. Na realidade, ele não pode crer em outro mecanismo de cura; em geral traz para o tratamento expectativas dessa espécie, dirigindo-as à pessoa do médico. A incapacidade de amar do paciente, resultante de suas repressões extensivas, naturalmente atrapalha um plano terapêutico dessa natureza. Muitas vezes, se nos depara um resultado não pretendido quando, por meio do tratamento, o paciente é parcialmente liberado de suas repressões: ele suspende o tratamento a fim de escolher um objeto amoroso, deixando que sua cura continue a se processar por uma vida em comum com quem ele ama. Poderíamos ficar satisfeitos com esse resultado, se ele não trouxesse consigo todos os perigos de uma dependência mutiladora em relação àquele que o ajuda.
O ideal do ego desvenda um importante panorama para a compreensão da psicologia de grupo. Além do seu aspecto individual, esse ideal tem seu aspecto social; constitui também o ideal comum de uma família, uma classe ou uma nação. Ele vincula não somente a libido narcisista de uma pessoa, mas também uma quantidade considerável de sua libido homossexual,, que dessa forma retorna ao ego. A falta de satisfação que brota da não realização desse ideal libera a libido homossexual, sendo esta transformada em sentimento de culpa (ansiedade social). Originalmente esse sentimento de culpa era o temor de punição pelos pais, ou, mais corretamente, o medo de perder o seu amor; mais tarde, os pais são substituídos por um número indefinido de pessoas. A freqüente causação da paranóia por um dano ao ego, por uma frustração da satisfação dentro da esfera do ideal do ego, é tornada assim mais inteligível, bem como a convergência da formação do ideal e da sublimação no ideal do ego, e ainda a involução das sublimações e a possível transformação de ideais em perturbações parafrênicas.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o desenvolvimento do ego consiste num afastamento do narcisismo primário e dá margem a uma vigorosa tentativa de recuperação desse estado. Esse afastamento é ocasionado pelo deslocamento da libido em direção a um ideal do ego imposto de fora, sendo a satisfação provocada pela realização desse ideal.
Ao mesmo tempo, o ego emite as catexias objetais libidinais. Torna-se empobrecido em benefício dessas catexias, do mesmo modo que o faz em benefício do ideal do ego, e se enriquece mais uma vez a partir de suas satisfações no tocante ao objeto, do mesmo modo que o faz, realizando seu ideal.
Uma parte da auto-estima é primária - o resíduo do narcisismo infantil; outra parte decorre da onipotência que é corroborada pela experiência (a realização do ideal do ego), enquanto uma terceira parte provém da satisfação da libido-objetal.
O ideal do ego impõe severas condições à satisfação da libido por meio de objetos, pois ele faz com que alguns deles sejam rejeitados por seu censor como sendo incompatíveis onde não se formou tal ideal, a tendência sexual em questão aparece inalterada na personalidade sob a forma de uma perversão. Tornar a ser seu próprio ideal, como na infância, no que diz respeito às tendências sexuais não menos do que às outras - isso é o que as pessoas se esforçam por atingir como sendo sua felicidade.
O estar apaixonado consiste num fluir da libido do ego em direção ao objeto. Tem o poder de remover as repressões e de reinstalar as perversões. Exalta o objeto sexual transformando-o num ideal sexual. Visto que, com o tipo objetal (ou tipo de ligação), o estar apaixonado ocorre em virtude da realização das condições infantis para amar, podemos dizer que qualquer coisa que satisfaça essa condição é idealizada.
O ideal sexual pode fazer parte de uma interessante relação auxiliar com o ideal do ego. Ele pode ser empregado para satisfação substitutiva onde a satisfação narcisista encontra reais entraves. Nesse caso, uma pessoa amará segundo o tipo narcisista de escolha objetal: amará o que foi outrora e não é mais, ou então o que possui as excelências que ela jamais teve (cf. (c) [ver em [1]]). Esse expediente é de especial importância para o neurótico, que, por causa de suas excessivas catexias objetais, é empobrecido em seu ego, sendo incapaz de realizar seu ideal do ego. Ele procura então retornar, de seu pródigo dispêndio da libido em objetos, ao narcisismo, escolhendo um ideal sexual segundo o tipo narcisista que possui as excelências que ele não pode atingir. Isso é a cura pelo amor, que ele geralmente prefere à cura pela análise. Na realidade, ele não pode crer em outro mecanismo de cura; em geral traz para o tratamento expectativas dessa espécie, dirigindo-as à pessoa do médico.
O ideal do ego desvenda um importante panorama para a compreensão da psicologia de grupo. Além do seu aspecto individual, esse ideal tem seu aspecto social; constitui também o ideal comum de uma família, uma classe ou uma nação. Ele vincula não somente a libido narcisista de uma pessoa, mas também uma quantidade considerável de sua libido homossexual,, que dessa forma retorna ao ego. A falta de satisfação que brota da não realização desse ideal libera a libido homossexual, sendo esta transformada em sentimento de culpa (ansiedade social). Originalmente esse sentimento de culpa era o temor de punição pelos pais, ou, mais corretamente, o medo de perder o seu amor; mais tarde, os pais são substituídos por um número indefinido de pessoas. A freqüente causação da paranóia por um dano ao ego, por uma frustração da satisfação dentro da esfera do ideal do ego, é tornada assim mais inteligível, bem como a convergência da formação do ideal e da sublimação no ideal do ego, e ainda a involução das sublimações e a possível transformação de ideais em perturbações parafrênicas.
Mattanó aponta que o desenvolvimento do ego consiste num afastamento do narcisismo primário e dá margem a uma vigorosa tentativa de recuperação desse estado. Esse afastamento é ocasionado pelo deslocamento da libido em direção a um ideal do ego imposto de fora, sendo a satisfação provocada pela realização desse ideal. Vemos que o desenvolvimento do ego deve-se ao afastamento do narcisismo primário através do deslocamento da libido para um ideal imposto de fora que busca a sua realização.
Ao mesmo tempo, o ego emite as catexias objetais libidinais. Torna-se empobrecido em benefício dessas catexias, do mesmo modo que o faz em benefício do ideal do ego, e se enriquece mais uma vez a partir de suas satisfações no tocante ao objeto, do mesmo modo que o faz, realizando seu ideal. Vemos que o ego continua seu desenvolvimento buscando seu ideal do ego e o benefício destas catexias.
Uma parte da auto-estima é primária - o resíduo do narcisismo infantil; outra parte decorre da onipotência que é corroborada pela experiência (a realização do ideal do ego), enquanto uma terceira parte provém da satisfação da libido-objetal. Vemos que temos três partes da auto-estima, a primeira é primária e resultando do narcisismo infantil, a segunda é marcada pela experiência, pela realização do ideal do ego, e a terceira provém da satisfação da libido-objetal.
O ideal do ego impõe severas condições à satisfação da libido por meio de objetos, pois ele faz com que alguns deles sejam rejeitados por seu censor como sendo incompatíveis onde não se formou tal ideal, a tendência sexual em questão aparece inalterada na personalidade sob a forma de uma perversão. Tornar a ser seu próprio ideal, como na infância, no que diz respeito às tendências sexuais não menos do que às outras - isso é o que as pessoas se esforçam por atingir como sendo sua felicidade. Vemos que a satisfação da libido por meio de objetos acaba frustrando e ocasionando a perversão que se torna o seu próprio ideal, como na infância, como método para se alcançar a felicidade.
O estar apaixonado consiste num fluir da libido do ego em direção ao objeto. Tem o poder de remover as repressões e de reinstalar as perversões. Exalta o objeto sexual transformando-o num ideal sexual. Visto que, com o tipo objetal (ou tipo de ligação), o estar apaixonado ocorre em virtude da realização das condições infantis para amar, podemos dizer que qualquer coisa que satisfaça essa condição é idealizada. Vemos que o estar apaixonada reflete a direção ao objeto, remove as repressões e reinstala as perversões, transformando o objeto sexual num ideal sexual que satisfaça essa condição que é idealizada.
O ideal sexual pode fazer parte de uma interessante relação auxiliar com o ideal do ego. Ele pode ser empregado para satisfação substitutiva onde a satisfação narcisista encontra reais entraves. Nesse caso, uma pessoa amará segundo o tipo narcisista de escolha objetal: amará o que foi outrora e não é mais, ou então o que possui as excelências que ela jamais teve (cf. (c) [ver em [1]]). Esse expediente é de especial importância para o neurótico, que, por causa de suas excessivas catexias objetais, é empobrecido em seu ego, sendo incapaz de realizar seu ideal do ego. Ele procura então retornar, de seu pródigo dispêndio da libido em objetos, ao narcisismo, escolhendo um ideal sexual segundo o tipo narcisista que possui as excelências que ele não pode atingir. Isso é a cura pelo amor, que ele geralmente prefere à cura pela análise. Na realidade, ele não pode crer em outro mecanismo de cura; em geral traz para o tratamento expectativas dessa espécie, dirigindo-as à pessoa do médico. Vemos que o ideal sexual pode fazer parte do ideal do ego e fazer parte de uma substituição narcisista de escolha objetal, onde o que é escolhido foi outrora o que não é mais agora, de modo a buscar uma cura através do amor, contudo geralmente o indivíduo prefere a análise e a pessoa do médico.
O ideal do ego desvenda um importante panorama para a compreensão da psicologia de grupo. Além do seu aspecto individual, esse ideal tem seu aspecto social; constitui também o ideal comum de uma família, uma classe ou uma nação. Ele vincula não somente a libido narcisista de uma pessoa, mas também uma quantidade considerável de sua libido homossexual,, que dessa forma retorna ao ego. A falta de satisfação que brota da não realização desse ideal libera a libido homossexual, sendo esta transformada em sentimento de culpa (ansiedade social). Originalmente esse sentimento de culpa era o temor de punição pelos pais, ou, mais corretamente, o medo de perder o seu amor; mais tarde, os pais são substituídos por um número indefinido de pessoas. A freqüente causação da paranóia por um dano ao ego, por uma frustração da satisfação dentro da esfera do ideal do ego, é tornada assim mais inteligível, bem como a convergência da formação do ideal e da sublimação no ideal do ego, e ainda a involução das sublimações e a possível transformação de ideais em perturbações parafrênicas. Vemos que o ideal de ego ajuda-nos a entender a psicologia de grupo e o ideal comum de família, classe ou nação, pois ele não vincula somente a libido narcisista de um indivíduo, mas também sua libido homossexual que retorna ao ego, que ao não ser satisfeta gera o sentimento de culpa, representado no temor de punição e de perder o seu amor que se estende de seus pais para uma número indefinido de pessoas, gerando paranóia e um dano ao ego através da frustração do ideal do ego.
MATTANÓ
(04/09/2025)
ARTIGOS SOBRE METAPSICOLOGIA
INTRODUÇÃO DO EDITOR INGLÊS
Freud publicou o primeiro relato ampliado de seus conceitos sobre teoria psicológica no sétimo capítulo de A Interpretação de Sonhos (1900a) (Edição Standard Brasileira, Vols. IV-V, IMAGO Editora, 1972), que incorpora, de forma transmudada, parte da substância de seu ‘Projeto’ anterior e inédito (1950a [1895]). Afora breves apreciações ocasionais, como a do Capítulo VI de seu livro sobre chistes (1905c), dez anos se passaram antes que ele tornasse a penetrar profundamente nos problemas teóricos. A um artigo exploratório sobre ‘The Two Principles of Mental Functioning’ (1911b) seguiram-se outras abordagens mais ou menos experimentais - na Parte III de sua análise de Schreber (1911c), em seu artigo em inglês sobre o inconsciente (1912g), e na longa discussão sobre o narcisismo (1914c). Finalmente, na primavera e no verão de 1915, ele mais uma vez empreendeu uma exposição completa e sistemática de suas teorias psicológicas.
Os cinco artigos que se seguem formam uma série interligada. Conforme sabemos por uma nota de rodapé ao quarto desses artigos (ver em [1]), fazem parte de uma coletânea que Freud havia originalmente planejado publicar em forma de livro sob o título Zur Verbereitung einer Metapsychologie (Preliminares a uma Metapsicologia). Ele acrescenta que a intenção da série era proporcionar um fundamento teórico estável à psicanálise.
Embora os três primeiros desses artigos tivessem sido publicados em 1915 e os dois últimos em 1917, sabemos pelo Dr. Ernest Jones (1955, 208) que de fato todos foram escritos num período de cerca de sete semanas entre 15 de março e 4 de maio de 1915. Também sabemos pelo Dr. Jones (ibid., 209) que mais sete artigos foram acrescentados à série durante os três meses seguintes, tendo sido toda a coletânea de doze concluída em 9 de agosto. Esses outros sete artigos, contudo, nunca foram publicados por Freud, parecendo provável que numa data posterior ele os tenha destruído, uma vez que não se encontrou vestígio algum dos mesmos. Na realidade, sua própria existência permaneceu desconhecida ou esquecida até que o Dr. Jones veio a examinar as cartas de Freud. Na época em que escrevia, em 1915, manteve seus correspondentes (Abraham, Ferenczi e Jones) informados do seu andamento, mas parece existir apenas uma única referência aos mesmos depois, numa carta a Abraham, em novembro de 1917. Esta deve ter sido escrita mais ou menos na mesma época da publicação dos dois últimos artigos vindo a lume, e parece dar a entender que os sete outros ainda existiam e que ele ainda pretendia publicá-los, embora sentisse que o momento oportuno não havia chegado.
Temos conhecimento dos assuntos tratados por cinco dos últimos sete artigos: Consciência, Ansiedade, Histeria de Conversão, Neurose Obsessiva e as Neuroses de Transferência em Geral, e podemos descobrir possíveis referências aos mesmos nos artigos remanescentes. Podemos até mesmo adivinhar os assuntos que talvez tenham sido abordados pelos dois artigos não especificados - a saber, Sublimação e Projeção (ou Paranóia) -, pois há alusões mais ou menos claras a eles. A coletânea dos doze artigos teria sido assim abrangente, tratando dos processos subjacentes na maioria das principais neuroses e psicoses (histeria de conversão, histeria de angústia, neurose obsessiva, insanidade maníaco-depressiva e paranóia) bem como nos sonhos, com os mecanismos mentais de repressão, sublimação, introjeção e projeção, e com os dois sistemas mentais da consciência e o inconsciente.
É difícil exagerar o que perdemos com o desaparecimento desses artigos. Havia uma conjunção sui generis de fatores favoráveis na época em que Freud os escreveu. Seu principal trabalho teórico (o sétimo capítulo de A Interpretação de Sonhos) fora escrito quinze anos antes, numa etapa relativamente inicial de seus estudos psicológicos. Agora, contudo, ele contava com cerca de vinte e cinco anos de experiência psicanalítica em que basear suas construções teóricas, estando no ápice de sua capacidade intelectual. E foi nessa época que a circunstância acidental da redução de sua clínica, devida à irrupção da Primeira Guerra Mundial, lhe deu o necessário lazer durante cinco meses, nos quais pôde levar a cabo seu projeto. Uma tentativa de consolo reside, sem dúvida, na reflexão de que grande parte do conteúdo dos artigos desaparecidos deve ter chegado aos escritos ulteriores de Freud. Mas muito daríamos para possuir apreciações conexas sobre assuntos tais como consciência ou sublimação, em lugar das alusões dispersas e relativamente escassas com as quais temos, de fato, de nos contentar.
Em vista da importância especial dessa série de artigos, a fidelidade de seu raciocínio e a ocasional obscuridade dos tópicos de que tratam, foram enviados esforços extraordinários para exprimi-los com exatidão. A tradução em todos os seus pormenores (e especialmente onde há trechos duvidosos) acompanhou tão de perto o texto alemão quanto possível, mesmo correndo o risco de tornar árida a sua leitura. (Termos não-ingleses como, por exemplo, ‘o reprimido’ e ‘o mental’ foram empregados com o máximo de liberdade.) Embora a versão publicada em 1925 tenha servido de base, a que se segue é uma tradução inteiramente nova. Também se afigurou razoável incluir mais do que a quantidade comum de material introdutório, anotar o texto com o máximo de liberdade e, em particular, apresentar amplas referências a outras partes dos escritos de Freud que possam lançar luz sobre quaisquer obscuridades. Uma relação dos seus trabalhos teóricos mais importantes será encontrada num apêndice, no fim da série (ver em [1]).
Trechos das traduções publicadas em 1925 de ‘Os Instintos e suas Vicissitudes’, ‘Repressão’ e ‘Luto e Melancolia’ foram incluídos em A General Selection from the Works of Sigmund Freud, de Rickman (1937, 79-98, 99-110 e 142-161).
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud é comentado pelo editor inglês de forma a revelar que seus trabalhos tiveram uma série de mais sete artigos que foram destruídos por Sigmund Freud, em meio a outros que foram publicados, mas muito provavelmente parte desses artigos podem ter sido reaproveitados ou reescritos em outros artigos de Sigmund Freud.
Mattanó aponta que Freud é comentado pelo editor inglês de forma a revelar que seus trabalhos tiveram uma série de mais sete artigos que foram destruídos por Sigmund Freud, em meio a outros que foram publicados, mas muito provavelmente parte desses artigos podem ter sido reaproveitados ou reescritos em outros artigos de Sigmund Freud numa grande produção científica e de significados, de sentidos.
MATTANÓ
(08/09/2025)
OS INSTINTOS E SUAS VICISSITUDES (1915)
NOTA DO EDITOR INGLÊS
TRIEBE UND TRIEBSCHICKSALE
(a)EDIÇÕES ALEMÃS:
1915 Int. Z. Psychoanal., 3 (2), 84-100.
1918 S.K.S.N., 4, 252-278. (1922, 2.ª ed.)
1924 G.S., 5, 443-465.
1924 Techinik und Metapsychol., 165-187.
1931 Theoretische Schriften, 58-82.
1946 G.W., 10, 210-232.
(b)TRADUÇÃO INGLESA:
‘Instincts and their Vicissitudes’
1925 C.P., 4, 69-83. (Trad. C.M. Baines.)
A presente tradução inglesa, embora baseada na de 1925, foi amplamente reescrita.
Freud começou a escrever o presente artigo em 15 de março de 1915; este e o seguinte (‘Repressão’) foram concluídos em 4 de abril.
Deve-se observar, à guisa de prefácio, que aqui (e através de toda a Standard Edition) o termo inglês ‘instinct‘ representa o alemão ‘Trieb‘. A escolha desse equivalente inglês de preferência a possíveis alternativas tais como drive (‘impulso’) ou urge (‘ânsia’) vem examinada na Introdução Geral ao primeiro volume da edição. A palavra ‘instinto’, de qualquer maneira, não é empregada aqui no sentido que parece no momento ser o mais corrente entre os biólogos. Mas Freud assinala, no decorrer desse artigo, o significado que atribui à palavra assim traduzida. Inicialmente, ver em [1] adiante, no artigo ‘O Inconsciente’, ele próprio utiliza o termo alemão ‘Instikt‘, embora possivelmente em sentido bem diferente.
Verifica-se, contudo, uma ambigüidade no uso, por Freud, do termo ‘Trieb‘ (‘instinto’) e ‘Triebrepräsentanz‘ (‘representante instintual’), para a qual se deve chamar a atenção, com o fito de assegurar uma melhor compreensão. Em [1] e [2] ele descreve instinto como sendo ‘um conceito situado na fronteira entre o material e o somático,… o representante psíquico dos estímulos que se origne dentro do organismo e alcançam a mente.’ Em duas ocasiões anteriores ele já havia apresentado descrições quase com as mesmas palavras. Alguns anos antes, perto do final da Seção III de seu exame do caso Schreber (1911c), descreveu o instinto como sendo ‘o conceito na fronteira entre o somático e o mental…, o representante psíquico das forças orgânicas’. E, novamente, num trecho provavelmente escrito alguns meses antes do presente artigo, e acrescentado à terceira edição (publicada em 1915, mas com prefácio datado de ‘Outubro de 1914’) de seus Três Ensaios (1905d), Edição Standard Brasileira, Vol. VII, pág. 171, IMAGO Editora, 1972, descreveu o instinto como sendo ‘o representante psíquico de uma fonte de estímulo endossomática, continuamente a fluir… um conceito que se acha na fronteira entre o mental e o físico’. Essas três descrições parecem tornar claro que Freud não estabelecia qualquer distinção entre um instinto e seu ‘representante psíquico’. Aparentemente considerava o próprio instinto como sendo o representante psíquico de forças somáticas. Se agora, contudo, passarmos aos artigos ulteriores dessa série, teremos a impressão de que Freud traça uma distinção muito acentuada entre o instinto e seu representante psíquico. Isso talvez seja indicado com o máximo de clareza num trecho de ‘O Inconsciente’ (ver em [1]): ‘Um instinto jamais pode tornar-se um objeto da consciência - somente a idéia [Vorstellung] que representa o instinto é que pode. Mesmo no inconsciente, além disso, um instinto não pode ser representado de outra forma senão por uma idéia… Quando, não obstante, falamos de um impulso instintual inconsciente ou de um impulso instintual reprimido… referimo-nos apenas a um impulso instintual cujo representante ideacional é inconsciente’. Esse mesmo conceito aparece em muitos outros trechos. Por exemplo em ‘Repressão’ (ver em [1]) Freud refere-se ao ‘representante (ideacional) psíquico do instinto’ e prossegue: ‘…o representante em questão persiste inalterado e o instinto permanece ligado a ele’; e de novo, no mesmo artigo (ver em [1]), escreve sobre o representante instintual como sendo ‘uma idéia’, ou grupo de idéias, que é catexizada com uma quota definida de energia psíquica (libido, interesse) proveniente de um instinto’, e continua, dizendo que ‘além da idéia, algum outro elemento que representa o instinto tem de ser levado em conta’. Nesse segundo grupo de citações, portanto, o instinto não é mais considerado como sendo o representante psíquico de impulsos somáticos, mas antes como sendo ele próprio algo não-psíquico. Esses dois conceitos, aparentemente divergentes, da natureza de um instinto encontram-se em diversas passagens dos escritos subseqüentes de Freud, embora o segundo predomine. Pode ser, contudo, que a contradição seja mais aparente do que real, e que sua solução esteja precisamente na ambigüidade do próprio conceito - um conceito de fronteira entre o físico e o mental.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica os termos instinto e representante instintual, num trecho de ‘O Inconsciente’ (ver em [1]): ‘Um instinto jamais pode tornar-se um objeto da consciência - somente a idéia [Vorstellung] que representa o instinto é que pode. Mesmo no inconsciente, além disso, um instinto não pode ser representado de outra forma senão por uma idéia… Quando, não obstante, falamos de um impulso instintual inconsciente ou de um impulso instintual reprimido… referimo-nos apenas a um impulso instintual cujo representante ideacional é inconsciente’. Esse mesmo conceito aparece em muitos outros trechos. Por exemplo em ‘Repressão’ (ver em [1]) Freud refere-se ao ‘representante (ideacional) psíquico do instinto’ e prossegue: ‘…o representante em questão persiste inalterado e o instinto permanece ligado a ele’; e de novo, no mesmo artigo (ver em [1]), escreve sobre o representante instintual como sendo ‘uma idéia’, ou grupo de idéias, que é catexizada com uma quota definida de energia psíquica (libido, interesse) proveniente de um instinto’, e continua, dizendo que ‘além da idéia, algum outro elemento que representa o instinto tem de ser levado em conta’. Nesse segundo grupo de citações, portanto, o instinto não é mais considerado como sendo o representante psíquico de impulsos somáticos, mas antes como sendo ele próprio algo não-psíquico.
Mattanó aponta que Freud explica os termos instinto e representante instintual, num trecho de ‘O Inconsciente’ (ver em [1]): ‘Um instinto jamais pode tornar-se um objeto da consciência - somente a idéia [Vorstellung] que representa o instinto é que pode. Mesmo no inconsciente, além disso, um instinto não pode ser representado de outra forma senão por uma idéia… Quando, não obstante, falamos de um impulso instintual inconsciente ou de um impulso instintual reprimido… referimo-nos apenas a um impulso instintual cujo representante ideacional é inconsciente’. Esse mesmo conceito aparece em muitos outros trechos. Por exemplo em ‘Repressão’ (ver em [1]) Freud refere-se ao ‘representante (ideacional) psíquico do instinto’ e prossegue: ‘…o representante em questão persiste inalterado e o instinto permanece ligado a ele’; e de novo, no mesmo artigo (ver em [1]), escreve sobre o representante instintual como sendo ‘uma idéia’, ou grupo de idéias, que é catexizada com uma quota definida de energia psíquica (libido, interesse) proveniente de um instinto’, e continua, dizendo que ‘além da idéia, algum outro elemento que representa o instinto tem de ser levado em conta’. Nesse segundo grupo de citações, portanto, o instinto não é mais considerado como sendo o representante psíquico de impulsos somáticos, mas antes como sendo ele próprio algo não-psíquico. Vemos que o instinto deve assumir forma de ideia para poder ser objeto da consciência, senão estamos falando de um impulso reprimido e inconsciente, eis que o instinto não é um representante psíquico de impulsos somáticos, mas apenas de algo não-psíquico, que não se tornou consciente.
MATTANÓ
(08/09/2025)
Num grande número de trechos, Freud expressou sua insatisfação diante do estado do conhecimento psicológico sobre os instintos. Não muito antes, por exemplo, em seu artigo sobre narcisismo (1914c, pág. 85 acima), ele se queixava da ausência total de qualquer teoria dos instintos que nos ajude ‘a encontrar nossa orientação’. Também depois, em Beyond the Pleasure Principle (1920g), Standard Ed., 18, 34, descreveu os instintos como ‘o elemento ao mesmo tempo mais importante e mais obscuro da pesquisa psicológica’; em seu artigo na Encyclopaedia Britannica (1926f ) confessou que ‘também para a psicanálise a teoria dos instintos é uma região obscura’. O presente artigo é uma tentativa relativamente antiga de lidar com o assunto de maneira abrangente. Seus muitos sucessores corrigiram-no e suplementaram-no em vários pontos; não obstante, esse artigo permanece invicto como o relato mais claro da visão que Freud tinha dos instintos e da forma segundo a qual ele pensava que atuavam. Uma reflexão subseqüente, é verdade, levou-o a alterar seus conceitos sobre a classificação dos instintos, bem como sobre suas determinantes mais profundas, mas esse artigo constitui base indispensável para a compreensão dos desenvolvimentos que se seguiriam.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que sua teoria ou explicação dos instintos começa com uma reflexão ou verdade e termina com outras, mais profundas que se seguiram.
Mattanó aponta que a teoria ou explicação dos instintos de Freud começa com uma reflexão ou verdade e termina com outras, mais profundas que se seguiram, pois o tema era bastante difícil para a época.
MATTANÓ
(08/09/2025)
O curso das alterações pelas quais passaram as opiniões de Freud sobre a classificação dos instintos talvez possa ser apropriadamente resumido aqui. É surpreendente que os instintos apareçam explicitamente num ponto relativamente tardio da seqüência de seus escritos. O termo ‘instinto’ quase não é encontrado nas obras do período de Breuer, ou na correspondência com Fliess, ou mesmo em A Interpretação de Sonhos (1900a). Só a partir dos Três Ensaios (1905d) é que o ‘instinto sexual’ é livremente mencionado como tal; os ‘impulsos instintuais’, que iriam tornar-se um dos termos mais comuns de Freud, parecem não ter aparecido antes do artigo sobre ‘Obsessive Actions and Religions Practices’ (1907b). Mas isso é primordialmente apenas um aspecto verbal: os instintos apareciam, naturalmente, sob outro nome. Empregavam-se amplamente em seu lugar expressões como ‘excitações’, ‘idéias afetivas’, ‘impulsos anelantes’, ‘estímulos endógenos’, e assim por diante. Por exemplo, traça-se adiante (ver em [1]) uma distinção entre um ‘estímulo’, que atua como uma força geradora de um impacto isolado, e um ‘instinto’, que sempre atua como constante. Essa distinção precisa fora traçada por Freud vinte anos antes com palavras quase idênticas, salvo que, em vez de ‘estímulo’ e ‘instinto’, ele se referiu a excitações ‘endógenas’ e ‘exógenas’. De forma semelhante, Freud ressalta adiante (ver em [1]) que o organismo primitivo não pode atuar de forma evasiva contra as necessidades instintuais como o faz contra estímulos externos. Também nesse caso ele previra a idéia vinte anos antes, embora mais uma vez a expressão empregada fosse ‘estímulos endógenos’. Esse segundo trecho, na Seção 1da Parte I do ‘Projeto’ (1950a [1895]), continua dizendo que esses estímulos endógenos ‘têm sua origem nas células do corpo e dão lugar às necessidades principais: fome, respiração e sexualidade’, mas em nenhuma parte aparece o termo ‘instinto’.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o termo ‘instinto’ quase não é encontrado nas obras do período de Breuer, ou na correspondência com Fliess, ou mesmo em A Interpretação de Sonhos (1900a). Só a partir dos Três Ensaios (1905d) é que o ‘instinto sexual’ é livremente mencionado como tal; os ‘impulsos instintuais’, que iriam tornar-se um dos termos mais comuns de Freud, parecem não ter aparecido antes do artigo sobre ‘Obsessive Actions and Religions Practices’ (1907b). Mas isso é primordialmente apenas um aspecto verbal: os instintos apareciam, naturalmente, sob outro nome. Empregavam-se amplamente em seu lugar expressões como ‘excitações’, ‘idéias afetivas’, ‘impulsos anelantes’, ‘estímulos endógenos’, e assim por diante. Freud ressalta adiante (ver em [1]) que o organismo primitivo não pode atuar de forma evasiva contra as necessidades instintuais como o faz contra estímulos externos. Também nesse caso ele previra a idéia vinte anos antes, embora mais uma vez a expressão empregada fosse ‘estímulos endógenos’. Esse segundo trecho, na Seção 1da Parte I do ‘Projeto’ (1950a [1895]), continua dizendo que esses estímulos endógenos ‘têm sua origem nas células do corpo e dão lugar às necessidades principais: fome, respiração e sexualidade’, mas em nenhuma parte aparece o termo ‘instinto’.
Mattanó aponta que Freud explica que o termo ‘instinto’ quase não é encontrado nas obras do período de Breuer, ou na correspondência com Fliess, ou mesmo em A Interpretação de Sonhos (1900a). Só a partir dos Três Ensaios (1905d) é que o ‘instinto sexual’ é livremente mencionado como tal; os ‘impulsos instintuais’, que iriam tornar-se um dos termos mais comuns de Freud, parecem não ter aparecido antes do artigo sobre ‘Obsessive Actions and Religions Practices’ (1907b). Mas isso é primordialmente apenas um aspecto verbal: os instintos apareciam, naturalmente, sob outro nome. Empregavam-se amplamente em seu lugar expressões como ‘excitações’, ‘idéias afetivas’, ‘impulsos anelantes’, ‘estímulos endógenos’, e assim por diante. Freud ressalta adiante (ver em [1]) que o organismo primitivo não pode atuar de forma evasiva contra as necessidades instintuais como o faz contra estímulos externos. Também nesse caso ele previra a idéia vinte anos antes, embora mais uma vez a expressão empregada fosse ‘estímulos endógenos’. Esse segundo trecho, na Seção 1da Parte I do ‘Projeto’ (1950a [1895]), continua dizendo que esses estímulos endógenos ‘têm sua origem nas células do corpo e dão lugar às necessidades principais: fome, respiração e sexualidade’, mas em nenhuma parte aparece o termo ‘instinto’. Vemos que Freud antecipou a discussão sobre os instintos e as necessidades instintuais ou fisiológicas do organismo, colaborando para a construção e formação de novos conceitos científicos.
MATTANÓ
(08/09/2025)
O conflito subjacente às psiconeuroses foi, nesse período inicial, às vezes descrito como situado entre ‘o ego’ e a ‘sexualidade’, e embora o termo ‘libido’ fosse com freqüência empregado, o conceito era o de uma manifestação de ‘tensão sexual somática’, que por sua vez era considerada como um evento químico. Somente nos Três Ensaios foi a libido explicitamente estabelecida como sendo uma expressão de instinto sexual. O outro elemento do conflito, ‘o ego’, permaneceu indefinido por muito tempo. Foi examinado principalmente em relação a suas funções - em particular a ‘repressão’, a ‘resistência’, e o ‘teste da realidade’ -, mas (à parte uma tentativa muito antiga na Seção 14 da Parte I do ‘Projeto’) pouco se disse quer da sua estrutura, quer da sua dinâmica. Quase nunca fez referência aos instintos ‘autopreservativos’, salvo indiretamente em relação à teoria de que a libido se ligara a eles nas fases iniciais de seu desenvolvimento; e parecia não haver razão óbvia para estabelecer uma conexão entre eles e o papel desempenhado pelo ego enquanto agente repressivo em conflitos neuróticos. Então, de modo aparentemente repentino, num breve artigo sobre perturbações psicogênicas da visão (1910i), Freud introduziu a expressão ‘instintos do ego’, identificando-os, por um lado, com os instintos autopreservativos, e, por outro, com a função repressiva. A partir dessa época, o conflito foi regularmente representado como estando entre dois conjuntos de instintos - os instintos da libido e os instintos do ego.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que temos os instintos do ego fazendo o trabalho de identificação, e os instintos autopreservativos com a função repressiva, nomeando dois conjuntos de instintos, os instintos da libido e os instintos do ego que atuam na mente do indivíduo regulando o seu conflito.
Mattanó aponta que temos os instintos do ego fazendo o trabalho de identificação, e os instintos autopreservativos com a função repressiva, nomeando dois conjuntos de instintos, os instintos da libido e os instintos do ego que atuam na mente do indivíduo regulando o seu conflito, de modo a operar significados e sentidos, conceitos e contextos, funcionalidades, linguagens, relações sociais, gestalt e insights, topografias, lapsos de linguagem, atos falhos, esquecimentos, niilismos, fantasias, chistes, piadas, humor, charges e caricaturas, parapraxias, totens e tabus, magia, folclore, contos de fadas, argumentação e linguagem, ciclos circadianos, evolução, seleção e competição, adaptação comportamental, fisiológica e morfológica, e homeostase como resposta e consequência da equilibração entre prazer e reforço, e dor e punição.
MATTANÓ
(08/09/2025)
A introdução do conceito de ‘narcisismo’, contudo, originou uma complicação. Em seu artigo sobre aquela teoria (1914c), Freud apresentou a idéia da ‘libido do ego’ (ou ‘libido narcisista’) que catexiza o ego, em contraste com a ‘libido objetal’ que catexiza objetos (ver em [1] acima). Um trecho desse artigo (loc. cit.), bem como uma observação no presente artigo (ver em [1]), já revelam uma inquietação de sua parte quanto à possibilidade de sua classificação ‘dualista’ dos instintos perdurar. É verdade que na análise de Schreber (1911c) ele insistia na diferença entre ‘catexias do ego’ e ‘libido’, e entre ‘interesse que emana de fontes eróticas’ e ‘interesse em geral’ - distinção que reaparece na réplica a Jung no artigo sobre narcisismo (págs. 87-8) acima. O termo ‘interesse’ é empregado novamente no presente artigo (pág. 140); e na Conferência XXVI das Introductory Lectures (1916-17) ‘interesse do ego’ ou simplesmente ‘interesse’ é em geral posto em contraste com ‘libido’. Não obstante, a natureza exata desses instintos não libidinais era obscura. O ponto crucial da classificação dos instintos feita por Freud foi alcançado em Beyond the Pleasure Principle (1920g). No Capítulo VI daquela obra ele reconheceu francamente a dificuldade da posição que fora alcançada, declarando explicitamente que a ‘libido narcisista era, sem dúvida, uma manifestação da força do instinto sexual’ e que ‘tinha de ser identificada com os “instintos autopreservativos.”’ (Standard Ed., 18, pág. 50 e segs.) Ainda sustentava, contudo, que havia instintos do ego e instintos objetais que não eram libidinais; e foi aqui que, ainda vinculado a um ponto de vista dualista, introduziu sua hipótese do instinto de morte. Um relato do desenvolvimento de seus conceitos sobre a classificação dos instintos até aquele ponto foi apresentado na longa nota de rodapé no final do Capítulo VI de Beyond the Pleasure Principle, Standard Ed., 18, 60-1, e uma ulterior discussão do assunto, à luz de seu quadro recém-concluído da estrutura da mente, ocupou o Capítulo IV de The Ego and the Id (1923b). Percorreu todo o terreno mais uma vez com grandes detalhes no Capítulo VI de O Mal-Estar na Civilização (1930a) (Edição Standard Brasileira, Vol. XXI, IMAGO Editora, 1974), dispensando ali, pela primeira vez, especial consideração aos instintos agressivos e destrutivos. Antes prestara pouca atenção a eles, exceto onde (como no sadismo e no masoquismo) se achavam fundidos com elementos libidinais, mas agora os examinava em sua forma pura e os explicava como derivados do instinto de morte. Uma revisão ainda ulterior do assunto será encontrada na segunda metade da Conferência XXXII das New Introductory Lectures (1933a) e num resumo final, no Capítulo II, da obra póstuma Esboço de Psicanálise (1940a [1938]) (Edição Standard Brasileira, Vol. XXIII, IMAGO Editora, 1974.)
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que em seu artigo sobre aquela teoria (1914c), Freud apresentou a idéia da ‘libido do ego’ (ou ‘libido narcisista’) que catexiza o ego, em contraste com a ‘libido objetal’ que catexiza objetos (ver em [1] acima). Ainda sustentava, contudo, que havia instintos do ego e instintos objetais que não eram libidinais; e foi aqui que, ainda vinculado a um ponto de vista dualista, introduziu sua hipótese do instinto de morte. Dispensou, pela primeira vez, especial consideração aos instintos agressivos e destrutivos. Antes prestara pouca atenção a eles, exceto onde (como no sadismo e no masoquismo) se achavam fundidos com elementos libidinais, mas agora os examinava em sua forma pura e os explicava como derivados do instinto de morte. Uma revisão ainda ulterior do assunto será encontrada na segunda metade da Conferência XXXII das New Introductory Lectures (1933a) e num resumo final, no Capítulo II, da obra póstuma Esboço de Psicanálise (1940a [1938]) (Edição Standard Brasileira, Vol. XXIII, IMAGO Editora, 1974.)
Mattanó aponta que Freud explica em seu artigo algo sobre aquela teoria (1914c), Freud apresentou a idéia da ‘libido do ego’ (ou ‘libido narcisista’) que catexiza o ego, em contraste com a ‘libido objetal’ que catexiza objetos (ver em [1] acima). Ainda sustentava, contudo, que havia instintos do ego e instintos objetais que não eram libidinais; e foi aqui que, ainda vinculado a um ponto de vista dualista, introduziu sua hipótese do instinto de morte. Dispensou, pela primeira vez, especial consideração aos instintos agressivos e destrutivos. Antes prestara pouca atenção a eles, exceto onde (como no sadismo e no masoquismo) se achavam fundidos com elementos libidinais, mas agora os examinava em sua forma pura e os explicava como derivados do instinto de morte. Uma revisão ainda ulterior do assunto será encontrada na segunda metade da Conferência XXXII das New Introductory Lectures (1933a) e num resumo final, no Capítulo II, da obra póstuma Esboço de Psicanálise (1940a [1938]) (Edição Standard Brasileira, Vol. XXIII, IMAGO Editora, 1974.). Vemos que temos os instintos do ego e os instintos objetais que estão ligados a pulsão de morte, pois também tem papel agressivo e violento, como vemos no sadismo e no masoquismo, que se acham fundidos como elementos libidinais, de comunhão e de segurança.
MATTANÓ
(08/09/2025)
O INCONSCIENTE E A TEORIA DA PULSÃO AUDITIVA DE MATTANÓ (2025):
A teoria da Pulsão Auditiva de Mattanó obedece as leis do inconsciente e dos chistes, portanto do condensamento, por isso a palavra e o seu significado e sentido se configuram de maneira tão peculiar e distorcidos. Em função do inconsciente e das suas leis essa teoria da Pulsão Auditiva prevalece sobre o comportamento normal.
MATTANÓ
(08/09/2025)
SOBRE O ENVELHECIMENTO E A APOSENTADORIA (2025):
Mattanó especula que o envelhecimento e a aposentadoria poderiam ser melhor administradas e trabalhadas pelos idosos, aposentados e pelo Governo que deveria estimular a geração de Aposentadorias Criativas, onde o idoso ou o aposentado pode exercer suas habilidades, interesses e motivações comportamentais e sociais, econômicas e familiares de maneira otimizada e criativa, com redução de custos e elevação dos benefícios comportamentais, fisiológicos e morfológicos, inclusive dos benefícios sociais do Governo como forma de estímulo e de reforço para os idosos e suas famílias que seriam selecionadas conforme suas necessidades para tarefas educativas, sociais e criativas, como as artísticas através da música, da literatura, das artes plásticas, da fotografia, da culinária e da comunicação social através do jornalismo, ou da pesquisa científica orientada por docentes capacitados, tudo para que os idosos e os aposentados tenham melhor qualidade de vida e associada ao desenvolvimento da criatividade, mas com memórias vivas e presentes que farão parte do acervo sócio-histórico do município, do estado, do país e talvez do mundo, mas com certeza das suas famílias que terão preservadas as histórias de parte de seus maiores tesouros e poderão com isso gerar renda, lucro, economia e riquezas para suas famílias, cidades, estados e nações, com pouco investimento, senão talvez quase apenas em educação e cultura familiar.
MATTANÓ
(08/09/2025)
OS INSTINTOS E SUAS VICISSITUDES
Ouvimos com freqüência a afirmação de que as ciências devem ser estruturadas em conceitos básicos claros e bem definidos. De fato, nenhuma ciência, nem mesmo a mais exata, começa com tais definições. O verdadeiro início da atividade científica consiste antes na descrição dos fenômenos, passando então a seu agrupamento, sua classificação e sua correlação. Mesmo na fase de descrição não é possível evitar que se apliquem certas idéias abstratas ao material manipulado, idéias provenientes daqui e dali, mas por certo não apenas das novas observações. Tais idéias - que depois se tornarão os conceitos básicos da ciência - são ainda mais indispensáveis à medida que o material se torna mais elaborado. Devem, de início, possuir necessariamente certo grau de indefinição; não pode haver dúvida quanto a qualquer delimitação nítida de seu conteúdo. Enquanto permanecem nessa condição, chegamos a uma compreensão acerca de seu significado por meio de repetidas referências ao material de observação do qual parecem ter provindo, mas ao qual, de fato, foram impostas. Assim, rigorosamente falando, elas são da natureza das convenções - embora tudo dependa de não serem arbitrariamente escolhidas mas determinadas por terem relações significativas com o material empírico, relações que parecemos sentir antes de podermos reconhecê-las e determiná-las claramente. Só depois de uma investigação mais completa do campo de observação, somos capazes de formular seus conceitos científicos básicos com exatidão progressivamente maior, modificando-os de forma a se tornarem úteis e coerentes numa vasta área. Então, na realidade, talvez tenha chegado o momento de confiná-los em definições. O avanço do conhecimento, contudo, não tolera qualquer rigidez, inclusive em se tratando de definições. A física proporciona excelente ilustração da forma pela qual mesmo ‘conceitos básicos’, que tenham sido estabelecidos sob a forma de definições, estão sendo constantemente alterados em seu conteúdo.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o verdadeiro início da atividade científica consiste antes na descrição dos fenômenos, passando então a seu agrupamento, sua classificação e sua correlação. Assim, rigorosamente falando, elas são da natureza das convenções - embora tudo dependa de não serem arbitrariamente escolhidas mas determinadas por terem relações significativas com o material empírico, relações que parecemos sentir antes de podermos reconhecê-las e determiná-las claramente. Só depois de uma investigação mais completa do campo de observação, somos capazes de formular seus conceitos científicos básicos com exatidão progressivamente maior, modificando-os de forma a se tornarem úteis e coerentes numa vasta área. Então, na realidade, talvez tenha chegado o momento de confiná-los em definições. A física proporciona excelente ilustração da forma pela qual mesmo ‘conceitos básicos’, que tenham sido estabelecidos sob a forma de definições, estão sendo constantemente alterados em seu conteúdo.
Mattanó aponta que o verdadeiro início da atividade científica consiste antes na descrição dos fenômenos, passando então a seu agrupamento, sua classificação e sua correlação. Assim, rigorosamente falando, elas são da natureza das convenções - embora tudo dependa de não serem arbitrariamente escolhidas mas determinadas por terem relações significativas com o material empírico, relações que parecemos sentir antes de podermos reconhecê-las e determiná-las claramente. Só depois de uma investigação mais completa do campo de observação, somos capazes de formular seus conceitos científicos básicos com exatidão progressivamente maior, modificando-os de forma a se tornarem úteis e coerentes numa vasta área. Então, na realidade, talvez tenha chegado o momento de confiná-los em definições. A física proporciona excelente ilustração da forma pela qual mesmo ‘conceitos básicos’, que tenham sido estabelecidos sob a forma de definições, estão sendo constantemente alterados em seu conteúdo. Vemos como Freud trabalhou na construção de sua ciência, de seu método científico, desde o início de sua atividade científica, com a descrição dos fenômenos, passando para as fases seguintes até chegar nas definições que segundo ele e a Física estavam sendo constantemente alteradas em seu conteúdo.
MATTANÓ
(11/09/2025)
Um conceito básico convencional dessa espécie, que no momento ainda é algo obscuro, mas que nos é indispensável na psicologia, é o de um ‘instinto’. Tentemos dar-lhe um conteúdo, abordando-o de diferentes ângulos.
Em primeiro lugar, do ângulo da fisiologia. Isso nos forneceu o conceito de um ‘estímulo’ e o modelo do arco reflexo, segundo o qual um estímulo aplicado ao tecido vivo (substância nervosa) a partir de fora é descarregado por ação para fora. Essa ação é conveniente na medida em que, afastando a substância estimulada da influência do estímulo, remove-a de seu raio de atuação.
Qual a relação do ‘instinto’ com o ‘estímulo’? Nada existe que nos impeça de subordinar o conceito de ‘instinto’ ao de ‘estímulo’ e de afirmar que um instinto é um estímulo aplicado à mente. Mas de imediato ficamos prevenidos contra igualar instinto e estímulo mental. Existem evidentemente outros estímulos à mente, além daqueles de natureza instintual, estímulos que se comportam muito mais como fisiológicos. Por exemplo, a luz forte que incide sobre a vista não é um estímulo instintual; já a secura da membrana mucosa da faringe ou a irritação da membrana mucosa do estômago o são.
Obtivemos agora o material necessário para traçarmos uma distinção entre os estímulos instintuais e outros estímulos (fisiológicos) que atuam na mente. Em primeiro lugar, um estímulo instintual não surge do mundo exterior, mas de dentro do próprio organismo. Por esse motivo ele atua diferentemente sobre a mente, e diferentes ações se tornam necessárias para removê-lo. Além disso, tudo que é essencial num estímulo fica encoberto, se presumimos que ele atua com um impacto único, podendo ser removido por uma única ação conveniente. Um exemplo típico disso é a fuga motora proveniente da fonte de estimulação. Esses impactos podem, como é natural, ser repetidos e acrescidos, mas isso em nada modifica nossa noção a respeito do processo e as condições para a eliminação do estímulo. Um instinto, por outro lado, jamais atua como uma força que imprime um impacto momentâneo, mas sempre como um impacto constante. Além disso, visto que ele incide não a partir de fora mas de dentro do organismo, não há como fugir dele. O melhor termo para caracterizar um estímulo instintual seria ‘necessidade’. O que elimina uma necessidade é a ‘satisfação’. Isso pode ser alcançado apenas por uma alteração apropriada (‘adequada’) da fonte interna de estimulação.
Imaginemo-nos na situação de um organismo vivo quase inteiramente inerme, até então sem orientação no mundo, que esteja recebendo estímulos em sua substância nervosa. Esse organismo muito em breve estará em condições de fazer uma primeira distinção e uma primeira orientação. Por um lado, estará cônscio de estímulos que podem ser evitados pela ação muscular (fuga); estes, ele os atribui a um mundo externo. Por outro, também estará cônscio de estímulos contra os quais tal ação não tem qualquer valia e cujo caráter de constante pressão persiste apesar dela; esses estímulos são os sinais de um mundo interno, a prova de necessidadess instintuais. A substância perceptual do organismo vivo terá assim encontrado, na eficácia de sua atividade muscular, uma base para distinguir entre um ‘de fora’ e um ‘de dentro’.
Chegamos assim à natureza essencial dos instintos, considerando em primeiro lugar suas principais características - sua origem em fontes de estimulação dentro do organismo e seu aparecimento como uma força constante - e disso deduzimos uma de suas outras características, a saber, que nenhuma ação de fuga prevalece contra eles. No decorrer do presente exame, contudo, não podemos deixar de nos surpreender com alguma coisa que nos obriga a admitir algo mais. Para nossa orientação, ao lidarmos com o campo de fenômenos psicológicos não nos limitamos a aplicar ao nosso material empírico certas convenções à guisa de conceitos básicos; também empregamos um bom número de postulados complicados. Já fizemos alusão ao mais importante destes, bastando-nos agora enunciá-lo expressamente. Esse postulado é de natureza biológica e utiliza o conceito de ‘finalidade’ (ou talvez de conveniência), podendo ser enunciado da seguinte maneira: o sistema nervoso é um aparelho que tem por função livrar-se dos estímulos que lhe chegam, ou reduzi-los ao nível mais baixo possível; ou que, caso isso fosse viável, se manteria numa condição inteiramente não-estimulada. Não façamos objeção por enquanto à indefinição dessa idéia e atribuamos ao sistema nervoso a tarefa - falando em termos gerais - de dominar estímulos. Vemos então até que ponto o modelo simples do reflexo fisiológico se complica com a introdução dos instintos. Os estímulos externos impõem uma única tarefa: a de afastamento; isso é realizado por movimentos musculares, um dos quais finalmente atinge esse objetivo e, sendo o movimento conveniente, torna-se a partir daí uma disposição hereditária. Não podemos aplicar esse mecanismo ao estímulos instintuais, que se originam de dentro do organismo. Estes exigem muito mais do sistema nervoso, fazendo com que ele empreenda atividades complexas e interligadas, pelas quais o mundo externo se modifica de forma a proporcionar satisfação à fonte interna de estimulação. Acima de tudo, obrigam o sistema nervoso a renunciar à sua intenção ideal de afastar os estímulos, pois mantêm um fluxo incessante e inevitável de estimulação. Podemos, portanto, concluir que os instintos, e não os estímulos externos, constituem as verdadeiras forças motrizes por detrás dos progressos que conduziram o sistema nervoso, com sua capacidade ilimitada, a seu alto nível de desenvolvimento atual. Naturalmente, nada existe que nos impeça de supor que os próprios instintos sejam, pelo menos em parte, precipitados dos efeitos da estimulação externa, que no decorrer da filogênese ocasionaram modificações na substância viva.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que os estímulos externos impõem uma única tarefa: a de afastamento; isso é realizado por movimentos musculares, um dos quais finalmente atinge esse objetivo e, sendo o movimento conveniente, torna-se a partir daí uma disposição hereditária. Não podemos aplicar esse mecanismo ao estímulos instintuais, que se originam de dentro do organismo. Estes exigem muito mais do sistema nervoso, fazendo com que ele empreenda atividades complexas e interligadas, pelas quais o mundo externo se modifica de forma a proporcionar satisfação à fonte interna de estimulação. Acima de tudo, obrigam o sistema nervoso a renunciar à sua intenção ideal de afastar os estímulos, pois mantêm um fluxo incessante e inevitável de estimulação. Podemos, portanto, concluir que os instintos, e não os estímulos externos, constituem as verdadeiras forças motrizes por detrás dos progressos que conduziram o sistema nervoso, com sua capacidade ilimitada, a seu alto nível de desenvolvimento atual. Naturalmente, nada existe que nos impeça de supor que os próprios instintos sejam, pelo menos em parte, precipitados dos efeitos da estimulação externa, que no decorrer da filogênese ocasionaram modificações na substância viva.
Mattanó aponta que os estímulos externos impõem uma única tarefa: a de afastamento; isso é realizado por movimentos musculares, um dos quais finalmente atinge esse objetivo e, sendo o movimento conveniente, torna-se a partir daí uma disposição hereditária. Não podemos aplicar esse mecanismo ao estímulos instintuais, que se originam de dentro do organismo. Estes exigem muito mais do sistema nervoso, fazendo com que ele empreenda atividades complexas e interligadas, pelas quais o mundo externo se modifica de forma a proporcionar satisfação à fonte interna de estimulação. Acima de tudo, obrigam o sistema nervoso a renunciar à sua intenção ideal de afastar os estímulos, pois mantêm um fluxo incessante e inevitável de estimulação. Ou seja, os instintos colocam o indivíduo no mundo real através da satisfação das suas necessidades instintivas. Podemos, portanto, concluir que os instintos, e não os estímulos externos, constituem as verdadeiras forças motrizes por detrás dos progressos que conduziram o sistema nervoso, com sua capacidade ilimitada, a seu alto nível de desenvolvimento atual. Naturalmente, nada existe que nos impeça de supor que os próprios instintos sejam, pelo menos em parte, precipitados dos efeitos da estimulação externa, que no decorrer da filogênese ocasionaram modificações na substância viva, ou seja, participaram da evolução, da seleção natural, da competição entre espécies e indivíduos da mesma espécie, e da involução, de maneira entrópica e neguentrópica, para que esse organismo pudesse sobreviver e se reproduzir sexualmente e culturalmente num meio ambiente adverso e exigente, seletivo e competitivo, e que estimulasse a adaptação comportamental, fisiológica e morfológica.
MATTANÓ
(11/09/2025)
Quando ainda verificamos que até mesmo a atividade do aparelho mental mais desenvolvido está sujeita ao princípio de prazer, isto é, que ela é automaticamente regulada por sentimentos pertencentes à série prazer-desprazer, quase não podemos rejeitar a hipótese ulterior, segundo a qual esses sentimentos refletem a maneira pela qual o processo de dominação de estímulos se verifica - certamente no sentido de que os sentimentos desagradáveis estão ligados a um aumento e os sentimentos agradáveis a uma diminuição do estímulo. Preservaremos cuidadosamente, contudo, essa suposição em sua atual forma altamente indefinida, até conseguirmos, caso possível, descobrir que espécie de relação existe entre o prazer e o desprazer, por um lado, e flutuações nas quantidades de estímulo que afetam a vida mental, por outro. É certo que grande número de várias relações dessa espécie, e relações não muito simples, são possíveis.
Se agora nos dedicarmos a considerar a vida mental de um ponto de vista biológico, um ‘instinto’ nos aparecerá como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente, como uma medida da exigência feita à mente no sentido de trabalhar em conseqüência de sua ligação com o corpo.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a atividade do aparelho mental mais desenvolvido está sujeita ao princípio de prazer, isto é, que ela é automaticamente regulada por sentimentos pertencentes à série prazer-desprazer.
Se agora nos dedicarmos a considerar a vida mental de um ponto de vista biológico, um ‘instinto’ nos aparecerá como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente, como uma medida da exigência feita à mente no sentido de trabalhar em conseqüência de sua ligação com o corpo.
Mattanó aponta que a atividade do aparelho mental mais desenvolvido está sujeita ao princípio de prazer, isto é, que ela é automaticamente regulada por sentimentos pertencentes à série prazer-desprazer. Vemos que o prazer-desprazer depende dos significados e dos sentidos das representações no que diz respeito a vida psíquica e que assim equilibram a relação prazer e reforço por um lado, e dor e punição/desprazer por outro lado, garantindo assim a homeostase do organismo.
Se agora nos dedicarmos a considerar a vida mental de um ponto de vista biológico, um ‘instinto’ nos aparecerá como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente, como uma medida da exigência feita à mente no sentido de trabalhar em conseqüência de sua ligação com o corpo. Vemos que o mental e o somático encontram sua relação através do ¨instinto¨ que por sua vez ajuda a entendermos a construção da homeostase corporal e cerebral do indivíduo, pois participam da equilibração dos processos de prazer e reforço e de dor e punição ou desprazer, sendo assim o ¨instinto¨ o representante dessa equilibração entre o mental e o somático.
MATTANÓ
(15/09/2025)
Estamos agora em condições de examinar certos termos utilizados com referência ao conceito de instinto - por exemplo, sua ‘pressão’, sua ‘finalidade’, seu ‘objeto’ e sua ‘fonte’.
Por pressão [Drang] de um instinto compreendemos seu fator motor, a quantidade de força ou a medida da exigência de trabalho que ela representa. A característica de exercer pressão é comum a todos os instintos; é, de fato, sua própria essência. Todo instinto é uma parcela de atividade; se falarmos em termos gerais de instintos passivos, podemos apenas querer dizer instintos cuja finalidade é passiva.
A finalidade [Ziel] de um instinto é sempre satisfação, que só pode ser obtida eliminando-se o estado de estimulação na fonte do instinto. Mas, embora a finalidade última de cada instinto permaneça imutável, poderá ainda haver diferentes caminhos conducentes à mesma finalidade última, de modo que se pode verificar que um instinto possui várias finalidades mais próximas ou intermediárias, que são combinadas ou intercambiadas umas com as outras. A experiência nos permite também falar de instintos que são ‘inibidos em sua finalidade’, no caso de processos aos quais se permite progredir no sentido da satisfação instintual, sendo então inibidos ou defletidos. Podemos supor que mesmo processos dessa espécie envolvem uma satisfação parcial.
O objeto [Objekt] de um instinto é a coisa em relação à qual ou através da qual o instinto é capaz de atingir sua finalidade. É o que há de mais variável num instinto e, originalmente, não está ligado a ele, só lhe sendo destinado por ser peculiarmente adequado a tornar possível a satisfação. O objeto não é necessariamente algo estranho: poderá igualmente ser uma parte do próprio corpo do indivíduo. Pode ser modificado quantas vezes for necessário no decorrer das vicissitudes que o instinto sofre durante sua existência, sendo que esse deslocamento do instinto desempenha papéis altamente importantes. Pode acontecer que o mesmo objeto sirva para a satisfação de vários instintos simultaneamente, um fenômeno que Adler [1908] denominou de ‘confluência’ de instintos [Triebverschränkung]. Uma ligação particularmente estreita do instinto com seu objeto se distingue pelo termo ‘fixação’. Isso freqüentemente ocorre em períodos muito iniciais do desenvolvimento de um instinto, pondo fim à sua modalidade por meio de sua intensa oposição ao desligamento.
Por fonte [Quelle] de um instinto entendemos o processo somático que ocorre num órgão ou parte do corpo, e cujo estímulo é representado na vida mental por um instinto. Não sabemos se esse processo é invariavelmente de natureza química ou se pode também corresponder à liberação de outras forças, por exemplo, forças mecânicas. O estudo das fontes dos instintos está fora do âmbito da psicologia. Embora os instintos sejam inteiramente determinados por sua origem numa fonte somática, na vida mental nós os conhecemos apenas por suas finalidades. O conhecimento exato das fontes de um instinto não é invariavelmente necessário para fins de investigação psicológica; por vezes sua fonte pode ser inferida de sua finalidade.
Devemos supor que os diferentes instintos que se originam no corpo e atuam na mente são também distinguidos por qualidades diferentes, e que por isso se comportam de formas qualitativamente diferentes na vida mental? Essa suposição não parece ser justificada; é muito mais provável que achemos suficiente a suposição mais simples - a de que todos os instintos são qualitativamente semelhantes e devem o efeito que causam somente à quantidade de excitação que trazem em si, ou talvez, além disso, a certas funções dessa quantidade. O que distingue uns dos outros os efeitos mentais produzidos pelos vários instintos, pode ser encontrado a partir da diferença em suas fontes. Seja como for, só numa relação ulterior seremos capazes de esclarecer o que significa o problema da qualidade dos instintos.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que certos termos utilizados com referência ao conceito de instinto - por exemplo, sua ‘pressão’, sua ‘finalidade’, seu ‘objeto’ e sua ‘fonte’.
Por pressão [Drang] de um instinto compreendemos seu fator motor, a quantidade de força ou a medida da exigência de trabalho que ela representa. A característica de exercer pressão é comum a todos os instintos; é, de fato, sua própria essência. Todo instinto é uma parcela de atividade; se falarmos em termos gerais de instintos passivos, podemos apenas querer dizer instintos cuja finalidade é passiva.
A finalidade [Ziel] de um instinto é sempre satisfação, que só pode ser obtida eliminando-se o estado de estimulação na fonte do instinto. Mas, embora a finalidade última de cada instinto permaneça imutável, poderá ainda haver diferentes caminhos conducentes à mesma finalidade última, de modo que se pode verificar que um instinto possui várias finalidades mais próximas ou intermediárias, que são combinadas ou intercambiadas umas com as outras. A experiência nos permite também falar de instintos que são ‘inibidos em sua finalidade’, no caso de processos aos quais se permite progredir no sentido da satisfação instintual, sendo então inibidos ou defletidos. Podemos supor que mesmo processos dessa espécie envolvem uma satisfação parcial.
O objeto [Objekt] de um instinto é a coisa em relação à qual ou através da qual o instinto é capaz de atingir sua finalidade. É o que há de mais variável num instinto e, originalmente, não está ligado a ele, só lhe sendo destinado por ser peculiarmente adequado a tornar possível a satisfação. O objeto não é necessariamente algo estranho: poderá igualmente ser uma parte do próprio corpo do indivíduo.
Por fonte [Quelle] de um instinto entendemos o processo somático que ocorre num órgão ou parte do corpo, e cujo estímulo é representado na vida mental por um instinto. Não sabemos se esse processo é invariavelmente de natureza química ou se pode também corresponder à liberação de outras forças, por exemplo, forças mecânicas. O estudo das fontes dos instintos está fora do âmbito da psicologia.
Todos os instintos são qualitativamente semelhantes e devem o efeito que causam somente à quantidade de excitação que trazem em si, ou talvez, além disso, a certas funções dessa quantidade. O que distingue uns dos outros os efeitos mentais produzidos pelos vários instintos, pode ser encontrado a partir da diferença em suas fontes. Seja como for, só numa relação ulterior seremos capazes de esclarecer o que significa o problema da qualidade dos instintos.
Mattanó aponta que estudaremos certos termos utilizados com referência ao conceito de instinto - por exemplo, sua ‘pressão’, sua ‘finalidade’, seu ‘objeto’ e sua ‘fonte’.
Por pressão [Drang] de um instinto compreendemos seu fator motor, a quantidade de força ou a medida da exigência de trabalho que ela representa. A característica de exercer pressão é comum a todos os instintos; é, de fato, sua própria essência. Todo instinto é uma parcela de atividade; se falarmos em termos gerais de instintos passivos, podemos apenas querer dizer instintos cuja finalidade é passiva. Vemos que a pressão desencadeia a resposta motora instintual do organismo ou indivíduo.
A finalidade [Ziel] de um instinto é sempre satisfação, que só pode ser obtida eliminando-se o estado de estimulação na fonte do instinto. Mas, embora a finalidade última de cada instinto permaneça imutável, poderá ainda haver diferentes caminhos conducentes à mesma finalidade última, de modo que se pode verificar que um instinto possui várias finalidades mais próximas ou intermediárias, que são combinadas ou intercambiadas umas com as outras. A experiência nos permite também falar de instintos que são ‘inibidos em sua finalidade’, no caso de processos aos quais se permite progredir no sentido da satisfação instintual, sendo então inibidos ou defletidos. Podemos supor que mesmo processos dessa espécie envolvem uma satisfação parcial. Vemos que a finalidade do instinto é a sua satisfação, e está só é possível quando se elimina a estimulação na fonte do instinto. E quando o instinto possui várias finalidades ele acaba num processo de satisfação parcial, pois torna-se inibido ou defletido.
O objeto [Objekt] de um instinto é a coisa em relação à qual ou através da qual o instinto é capaz de atingir sua finalidade. É o que há de mais variável num instinto e, originalmente, não está ligado a ele, só lhe sendo destinado por ser peculiarmente adequado a tornar possível a satisfação. O objeto não é necessariamente algo estranho: poderá igualmente ser uma parte do próprio corpo do indivíduo. Vemos que o objeto de um instinto é a coisa pelo qual ele atinge sua finalidade, ele pode ser uma parte do seu próprio corpo, pois o objeto costuma não ser algo estranho para o indivíduo.
Por fonte [Quelle] de um instinto entendemos o processo somático que ocorre num órgão ou parte do corpo, e cujo estímulo é representado na vida mental por um instinto. Não sabemos se esse processo é invariavelmente de natureza química ou se pode também corresponder à liberação de outras forças, por exemplo, forças mecânicas. O estudo das fontes dos instintos está fora do âmbito da psicologia. Vemos que a fonte de um instinto é o processo somático que ocorre num órgão ou parte do corpo, cujo estímulo é representado na vida mental por um instinto, esse processo é fisiológico, comportamental e morfológico, isto é, adaptativo e envolve o corpo e o cérebro do indivíduo como um todo através de estudos biológicos e psicológicos.
Todos os instintos são qualitativamente semelhantes e devem o efeito que causam somente à quantidade de excitação que trazem em si, ou talvez, além disso, a certas funções dessa quantidade. O que distingue uns dos outros os efeitos mentais produzidos pelos vários instintos, pode ser encontrado a partir da diferença em suas fontes. Seja como for, só numa relação ulterior seremos capazes de esclarecer o que significa o problema da qualidade dos instintos. Vemos que os instintos apresentam diferenças entre eles, tanto fisiológica, comportamental e morfológicamente, ou seja, em sua biologia e psicologia, a sede de cada um deles é morfológicamente diferente uma de cada uma, e não por coincidência apresentam diferenças comportamentais e fisiológicas uns dos outros, mesmo quando parciais, pois suas fontes são regiões do corpo que não são substituíveis como os comportamentos, são essenciais, pertencem a existência e a vida do organismo, são fundamentais, sem elas não seríamos os mesmos Homo Sapiens com toda a riqueza de pensamentos conscientes, inconscientes e subconscientes que dispomos e que constróem a nossa cultura, conhecimento e realidade.
MATTANÓ
(18/09/2025)
Que instintos devemos supor que existem, e quantos? É óbvio que isso dá ampla margem a escolhas arbitrárias. Não se pode objetar a que qualquer pessoa empregue o conceito de um instinto lúdico ou de destruição ou de estado gregário, quando o assunto o exige e as limitações da análise psicológica o permitem. Não obstante, não devemos deixar de nos perguntar se motivos instintuais como esses, tão altamente especializados, por um lado, não permitem ulterior dissecação de acordo com as fontes do instinto, de modo que somente os instintos primordiais - os que não podem ser ulteriormente dissecados - podem reivindicar importância.
Propus que se distingam dois grupos de tais instintos primordiais: os instintos do ego, ou autopreservativos, e os instintos sexuais. Mas essa suposição não tem status de postulado necessário, como tem, por exemplo, nossa suposição sobre a finalidade biológica do aparelho mental (ver em [1] e [2]); ela não passa de uma hipótese de trabalho, a ser conservada apenas enquanto se mostrar útil, e pouca diferença fará aos resultados do nosso trabalho de descrição e classificação se for substituída por outra. A ocasião para essa hipótese surgiu no decurso da evolução da psicanálise, que foi empregada pela primeira vez nas psiconeuroses, ou, mais precisamente, no grupo descrito como ‘neuroses de transferência’ (histeria e neurose obsessiva); estas revelaram que, na raiz de todas as afecções desse tipo, se encontra um conflito entre as exigências da sexualidade e as do ego. É sempre possível que um estudo exaustivo das outras afecções neuróticas (em especial das psiconeuroses narcisistas, das esquizofrenias) possa obrigar-nos a alterar essa fórmula e proceder a uma diferente classificação dos instintos primordiais. Mas, por enquanto, não conhecemos essa fórmula, nem encontramos qualquer argumento desfavorável para traçar esse contraste entre os instintos sexuais e os do ego.
Tenho as maiores dúvidas de que se possa chegar a indicadores decisivos para a diferenciação e classificação dos instintos a partir da elaboração do material psicológico. Essa própria elaboração parece exigir, até certo ponto, a aplicação de suposições definidas, concernentes à vida instintual, àquele material, e seria desejável que essas suposições pudessem ser extraídas de algum outro ramo de conhecimento e levadas para a psicologia. Aqui, a contribuição da biologia por certo não vai de encontro à distinção entre os instintos sexuais e os do ego. A biologia ensina que a sexualidade não deve ser colocada em pé de igualdade com outras funções do indivíduo, pois suas finalidades ultrapassam o indivíduo e têm como seu conteúdo a produção de novos indivíduos - isto é, a preservação da espécie. Ela mostra, ainda, que dois conceitos, ao que tudo indica igualmente bem fundamentados, podem ser adotados quanto à relação entre o ego e a sexualidade. De um ponto de vista, o indivíduo é a coisa principal, sendo a sexualidade uma das suas atividades e a satisfação sexual uma de suas necessidades; ao passo que, de outro ponto de vista, o indivíduo é um apêndice temporário e passageiro do idioplasma quase imortal, que é confiado a ele pelo processo de geração. A hipótese de que a função sexual difere de outros processos corpóreos em virtude de uma química especial também é, creio eu, um postulado da escola de pesquisa biológica de Ehrlich.
Visto que um estudo da vida instintual a partir da direção da consciência apresenta dificuldades quase insuperáveis, a principal fonte de nossos conhecimentos continua a ser a investigação psicanalítica das perturbações mentais. A psicanálise, contudo, em conseqüência do curso tomado pelo seu desenvolvimento, até agora só tem sido capaz de nos proporcionar informações de natureza razoavelmente satisfatória acerca dos instintos sexuais, pois este é precisamente o único grupo que pode ser observado isoladamente, por assim dizer, nas psiconeuroses. Com a extensão da psicanálise às outras afecções neuróticas, sem dúvida, encontraremos também uma base para o nosso conhecimento dos instintos do ego, embora seja temerário esperar condições de observação igualmente favoráveis nesse outro campo de pesquisa.
Isso é tudo que pode ser dito à guisa de uma caracterização geral dos instintos sexuais. São numerosos, emanam de grande variedade de fontes orgânicas, atuam em princípio independentemente um do outro e só alcançam uma síntese mais ou menos completa numa etapa posterior. A finalidade pela qual cada um deles luta é a consecução do ‘prazer do órgão’, somente quando a síntese é alcançada é que eles entram a serviço da função reprodutora, tornando-se então identificáveis, de modo geral, como instintos sexuais. Logo que surgem, estão ligados aos instintos da autopreservação, dos quais só gradativamente se separam; também na sua escolha objetal, seguem os caminhos indicados pelos instintos do ego. Parte deles permanece associada aos instintos do ego pela vida inteira, fornecendo-lhes componentes libidinais, que, no funcionamento normal, escapam à observação com facilidade, só sendo revelados de maneira clara no início da doença. Distinguem-se por possuírem em ampla medida a capacidade de agir vicariamente uns pelos outros, e por serem capazes de mudar prontamente de objetos. Em conseqüência dessas últimas propriedades, são capazes de funções que se acham muito distantes de suas ações intencionais originais - isto é, capazes de ‘sublimação’.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que os instintos sexuais são numerosos, emanam de grande variedade de fontes orgânicas, atuam em princípio independentemente um do outro e só alcançam uma síntese mais ou menos completa numa etapa posterior. A finalidade pela qual cada um deles luta é a consecução do ‘prazer do órgão’, somente quando a síntese é alcançada é que eles entram a serviço da função reprodutora, tornando-se então identificáveis, de modo geral, como instintos sexuais. Logo que surgem, estão ligados aos instintos da autopreservação, dos quais só gradativamente se separam; também na sua escolha objetal, seguem os caminhos indicados pelos instintos do ego. Parte deles permanece associada aos instintos do ego pela vida inteira, fornecendo-lhes componentes libidinais, que, no funcionamento normal, escapam à observação com facilidade, só sendo revelados de maneira clara no início da doença. Distinguem-se por possuírem em ampla medida a capacidade de agir vicariamente uns pelos outros, e por serem capazes de mudar prontamente de objetos. Em conseqüência dessas últimas propriedades, são capazes de funções que se acham muito distantes de suas ações intencionais originais - isto é, capazes de ‘sublimação’.
Mattanó aponta que os instintos sexuais são numerosos, emanam de grande variedade de fontes orgânicas, atuam em princípio independentemente um do outro e só alcançam uma síntese mais ou menos completa numa etapa posterior. A finalidade pela qual cada um deles luta é a consecução do ‘prazer do órgão’, somente quando a síntese é alcançada é que eles entram a serviço da função reprodutora, tornando-se então identificáveis, de modo geral, como instintos sexuais. Logo que surgem, estão ligados aos instintos da autopreservação, dos quais só gradativamente se separam; também na sua escolha objetal, seguem os caminhos indicados pelos instintos do ego. Parte deles permanece associada aos instintos do ego pela vida inteira, fornecendo-lhes componentes libidinais, que, no funcionamento normal, escapam à observação com facilidade, só sendo revelados de maneira clara no início da doença. Distinguem-se por possuírem em ampla medida a capacidade de agir vicariamente uns pelos outros, e por serem capazes de mudar prontamente de objetos. Em conseqüência dessas últimas propriedades, são capazes de funções que se acham muito distantes de suas ações intencionais originais - isto é, capazes de ‘sublimação’. Também diante da escolha objetal esses instintos do ego se diferencial em libidinal, de comunhão e de segurança, conforme o crescimento, o desenvolvimento e o amadurecimento da criança indo além da função reprodutora, mas também para a função social e de convivência ou fraternal e para a função de segurança ou de autoproteção, que é o desenvolvimento da função dos instintos da autoconservação. Nota-se que evolutivamente somos um animal assassino ou um ¨macaco assassino¨ que sobreviveu as condições adversas do meio ambiente graças a esta habilidade, habilidade de predador, do maior predador da Terra e que em função disto temos habilidades de segurança, comunhão e libido diferenciadas e interconectadas cerebralmente e corporalmente que nos dão uma identidade, consciência, cultura, conhecimento e realidade que é evolutiva, seletiva e competitiva, senão também, involutiva.
MATTANÓ
(23/09/2025)
TEORIA DA ABUNDÂNCIA PARA A PARANORMALIDADE ALIENÍGENA (2025):
Especulo que diante da paranormalidade alienígena todos nós acabamos, muitas vezes, nos comportando e nos sentindo dominados por eles, mesmo sem saber como, pois trata-se do efeito ou consequência da sua paranormalidade alienígena que está sendo utilizada para exploração territorial, animal e tentativa de abdução ou teste para abdução que demanda um comportamento e sentimento de estar sob domínio de algo ou de uma força de fora desconhecida e que não há como se defender dela, mas para Mattanó que é vítima de tentativas de abdução alienígena desde criança e que já pode ter sido abduzido quando era menino, já que há um sumiço e uma amnésia na sua história de vida infantil, onde houve um apagão de memórias e um lapso temporal relativamente grande, ainda mais porque houve deslocamento desse menino (eu) de uma região da cidade, do centro para outra região, a vila portuguesa de Londrina, aparentemente sem explicação alguma, eu não consigo me lembrar o que aconteceu e como fui parar lá em casa, vindo da região central, de uma escola, com apenas 3 ou 4 anos de idade, simplesmente não sei. Assim aprendi que, mesmo contaminado por radiação alienígena, devo deixar passar a pressão paranormal que é gerada quando vem sua estimulação de fora ou de dentro de mim, não posso pensar em nada, as vezes tenho que parar de respirar e me concentrar olhando desfocadamente para um ponto fixo a fim de recobrar o controle da minha mente e da minha consciência, cultura, conhecimento e realidade que por vezes são substituídas por uma pressão inconsciente e paranormal que depende de estímulos ambientais e de contextos para que se exerça e tenha poder sobre minha mente consciente, este fenômeno acontece na vida anímica, também ocorre durante a vida onírica mas de outra forma, ele se faz inconscientemente e involuntariamente, meio que simbióticamente, utiliza outros indivíduos que estejam dormindo e sonhando de modo a alterar o seu padrão de sono, não se altera ou se apenas confunde a mente do sonhador em suas ondas lentas ou em sua atividade REM, inclusive no estado de vigília, pois conteúdos que não eram para estarem presentes no inconsciente durante a vida onírica ou estado de vigília de maneira natural, tornam-se presentes por contaminação virtual e inconsciente dessa atividade. Especulo que essa contaminação tem o poder ou a força de interferir no comportamento, no desempenho do comportamento, da vida onírica, por exemplo, assim como tem o poder de interferir e participar do mecanismo alienígena de abdução, desta forma especulo que um bom observador da atividade onírica paranormal pode especular para si mesmo que está testemunhando um objeto de abdução alienígena em algum tempo e espaço determinados.
MATTANÓ
(23/09/2025)
O TRABALHO PSÍQUICO SEGUNDO MATTANÓ (2025):
Segundo Mattanó o trabalho psíquico inconsciente, subconsciente, pré-consciente, consciente e comportamental permanece independente um do outro e das condições motivacionais, de habilidades e de interesses que seguem um caminho paralelo ao dos instintos, que por sua vez determinam como funciona o inconsciente, o subconsciente, o pré-consciente, o consciente e o comportamento durante nossas vidas, crescimento, desenvolvimento e amadurecimento, pois podem ser, cada um deles, uma forma de inteligência que se organiza e se reorganiza independentemente uma da outra, porém sofrendo influências e trocas, umas das outras, de modo que, por exemplo, o inconsciente pode funcionar segundo suas próprias leis por toda a vida, assim como o subconsciente, o pré-consciente, o consciente e o comportamento e o indivíduo pode ter grupos ou classes e subclasses de comportamentos e classificações, como as cognitivas que aumentam o poder de nosso cérebro e de nossa mente, tornando-a mais evoluída, seletiva e competitiva, mas flexível e plástica, adaptada ao meio ambiente, as suas exigências e adversidades que nos impõem seleção e competição entre espécies e indivíduos da mesma espécie, e agora também entre recursos e instrumentos comportamentais, cognitivos e psíquicos como o inconsciente, o subconsciente, o pré-consciente, o consciente e o comportamento.
MATTANÓ
(25/09/2025)
Nossa investigação sobre as várias vicissitudes pelas quais passam os instintos no processo de desenvolvimento e no decorrer da vida deve ficar confinada aos instintos sexuais, que nos são mais familiares. A observação nos mostra que um instinto pode passar pelas seguintes vicissitudes:
Reversão a seu oposto.
Retorno em direção ao próprio eu (self) do indivíduo.
Repressão.
Sublimação.
Visto que não pretendo tratar aqui da sublimação e que a repressão exige um capítulo especial [cf. o artigo seguinte,ver em [1]], resta-nos apenas descrever e examinar os dois primeiros pontos. Tendo em mente a existência de forças motoras que impedem que um instinto seja elevado até o fim de forma não modificada, também podemos considerar essas vicissitudes como modalidades de defesa contra os instintos.
A reversão de um instinto a seu oposto transforma-se, mediante um exame mais detido, em dois processos diferentes: uma mudança da atividade para a passividade e uma reversão de seu conteúdo. Os dois processos, sendo diferentes em sua natureza, devem ser tratados separadamente.
Encontram-se exemplos do primeiro processo nos dois pares de opostos: sadismo-masoquismo e escopofilia-exibicionismo. A reversão afeta apenas as finalidades dos instintos. A finalidade ativa (torturar, olhar), é substituída pela finalidade passiva (ser torturado, ser olhado). A reversão do conteúdo encontra-se no exemplo isolado da transformação do amor em ódio.
O retorno de um instinto em direção ao próprio eu (self) do indivíduo se torna plausível pela reflexão de que o masoquismo é, na realidade, o sadismo que retorna em direção ao próprio ego do indivíduo, e de que o exibicionismo abrange o olhar para o seu próprio corpo. A observação analítica, realmente, não nos deixa duvidar de que o masoquista partilha da fruição do assalto a que é submetido e de que o exibicionista partilha da fruição de [a visão de] sua exibição. A essência do processo é, assim, a mudança do objeto, ao passo que a finalidade permanece inalterada. Não podemos deixar de observar, contudo, que, nesses exemplos, o retorno em direção ao eu do indivíduo e a transformação da atividade em passividade convergem ou coincidem.
Para elucidar a situação, faz-se essencial uma investigação mais completa.
No caso do par de opostos sadismo-masoquismo, o processo pode ser representado da seguinte maneira:
(a) O sadismo consiste no exercício de violência ou poder sobre uma outra pessoa como objeto.
(b) Esse objeto é abandonado e substituído pelo eu do indivíduo. Com o retorno em direção ao eu, efetua-se também a mudança de uma finalidade instintual ativa para uma passiva.
(c) Uma pessoa estranha é mais uma vez procurada como objeto; essa pessoa, em conseqüência da alteração que ocorreu na finalidade instintual, tem de assumir o papel do sujeito.
O caso (c) é o que comumente se denomina de masoquismo. Também aqui a satisfação segue o caminho do sadismo original, voltando o ego passivo, em fantasia, ao seu papel inicial, que foi agora, de fato, assumido pelo sujeito estranho. Se existe, além disso, uma satisfação masoquista mais direta, é muito duvidoso. Um masoquismo primário, não derivado do sadismo na forma que descrevi, não parece ser encontrado. Veremos que não é supérfluo presumir a existência da fase (b) pelo comportamento do instinto sádico na neurose obsessiva. Ali existe um retorno em direção ao eu do sujeito sem uma atitude de passividade para com outra pessoa: a modificação só vai até a fase (b). O desejo de torturar transforma-se em autotortura e autopunição, não em masoquismo. A voz ativa muda, não para a passiva, mas para a voz reflexiva média.
Nosso conceito de sadismo fica ainda mais prejudicado pela circunstância de que esse instinto, lado a lado com sua finalidade geral (ou talvez, de preferência, dentro dela) parece esforçar-se pela realização de uma finalidade bem especial - não só humilhar e dominar, como também, além disso, infligir dor. A psicanálise pareceria demonstrar que infligir dor não desempenha um papel entre as ações intencionais originais do instinto. Uma criança sádica não se apercebe de que inflige dor ou não, nem pretende fazê-lo. Mas, uma vez ocorrida a transformação em masoquismo, a dor é muito apropriada para proporcionar uma finalidade masoquista passiva, pois temos todos os motivos para acreditar que as sensações de dor, assim como outras sensações desagradáveis, beiram a excitação sexual e produzem uma condição agradável, em nome da qual o sujeito, inclusive, experimentará de boa vontade o desprazer da dor. Uma vez que sentir dor se transforme numa finalidade masoquista, a finalidade sádica de causar dor também pode surgir, retrogressivamente, pois, enquanto essas dores estão sendo infligidas a outras pessoas, são fruídas masoquisticamente pelo sujeito através da identificação dele com o objeto sofredor. Em ambos os casos, naturalmente, não é a dor em si que é fruída, mas a excitação sexual concomitante - de modo que isso pode ser feito de uma maneira especialmente conveniente a partir da posição sádica. A fruição da dor seria, assim, uma finalidade originalmente masoquista, que só pôde tornar-se uma finalidade instintual em alguém que era originalmente sádico.
A bem da inteireza, posso acrescentar que os sentimentos de piedade não podem ser descritos como sendo o resultado de uma transformação do instinto que ocorre no sadismo, mas carecem da idéia de uma formação de reação contra esse instinto. (Quanto à diferença, ver adiante.)
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que um instinto pode passar pelas seguintes vicissitudes:
Reversão a seu oposto.
Retorno em direção ao próprio eu (self) do indivíduo.
Repressão.
Sublimação.
Visto que não pretendo tratar aqui da sublimação e que a repressão exige um capítulo especial [cf. o artigo seguinte,ver em [1]], resta-nos apenas descrever e examinar os dois primeiros pontos.
A reversão de um instinto a seu oposto transforma-se, mediante um exame mais detido, em dois processos diferentes: uma mudança da atividade para a passividade e uma reversão de seu conteúdo.
Encontram-se exemplos do primeiro processo nos dois pares de opostos: sadismo-masoquismo e escopofilia-exibicionismo. A reversão afeta apenas as finalidades dos instintos. A finalidade ativa (torturar, olhar), é substituída pela finalidade passiva (ser torturado, ser olhado). A reversão do conteúdo encontra-se no exemplo isolado da transformação do amor em ódio.
O retorno de um instinto em direção ao próprio eu (self) do indivíduo se torna plausível pela reflexão de que o masoquismo é, na realidade, o sadismo que retorna em direção ao próprio ego do indivíduo, e de que o exibicionismo abrange o olhar para o seu próprio corpo. A essência do processo é, assim, a mudança do objeto, ao passo que a finalidade permanece inalterada. Não podemos deixar de observar, contudo, que, nesses exemplos, o retorno em direção ao eu do indivíduo e a transformação da atividade em passividade convergem ou coincidem.
Para elucidar a situação, faz-se essencial uma investigação mais completa.
No caso do par de opostos sadismo-masoquismo, o processo pode ser representado da seguinte maneira:
(a) O sadismo consiste no exercício de violência ou poder sobre uma outra pessoa como objeto.
(b) Esse objeto é abandonado e substituído pelo eu do indivíduo. Com o retorno em direção ao eu, efetua-se também a mudança de uma finalidade instintual ativa para uma passiva.
(c) Uma pessoa estranha é mais uma vez procurada como objeto; essa pessoa, em conseqüência da alteração que ocorreu na finalidade instintual, tem de assumir o papel do sujeito.
O caso (c) é o que comumente se denomina de masoquismo. Também aqui a satisfação segue o caminho do sadismo original, voltando o ego passivo, em fantasia, ao seu papel inicial, que foi agora, de fato, assumido pelo sujeito estranho. Se existe, além disso, uma satisfação masoquista mais direta, é muito duvidoso. Um masoquismo primário, não derivado do sadismo na forma que descrevi, não parece ser encontrado. Veremos que não é supérfluo presumir a existência da fase (b) pelo comportamento do instinto sádico na neurose obsessiva. Ali existe um retorno em direção ao eu do sujeito sem uma atitude de passividade para com outra pessoa: a modificação só vai até a fase (b). O desejo de torturar transforma-se em autotortura e autopunição, não em masoquismo. A voz ativa muda, não para a passiva, mas para a voz reflexiva média.
Nosso conceito de sadismo fica ainda mais prejudicado pela circunstância de que esse instinto, lado a lado com sua finalidade geral (ou talvez, de preferência, dentro dela) parece esforçar-se pela realização de uma finalidade bem especial - não só humilhar e dominar, como também, além disso, infligir dor. A psicanálise pareceria demonstrar que infligir dor não desempenha um papel entre as ações intencionais originais do instinto. Uma criança sádica não se apercebe de que inflige dor ou não, nem pretende fazê-lo. Mas, uma vez ocorrida a transformação em masoquismo, a dor é muito apropriada para proporcionar uma finalidade masoquista passiva, pois temos todos os motivos para acreditar que as sensações de dor, assim como outras sensações desagradáveis, beiram a excitação sexual e produzem uma condição agradável, em nome da qual o sujeito, inclusive, experimentará de boa vontade o desprazer da dor. Uma vez que sentir dor se transforme numa finalidade masoquista, a finalidade sádica de causar dor também pode surgir, retrogressivamente, pois, enquanto essas dores estão sendo infligidas a outras pessoas, são fruídas masoquisticamente pelo sujeito através da identificação dele com o objeto sofredor. Em ambos os casos, naturalmente, não é a dor em si que é fruída, mas a excitação sexual concomitante - de modo que isso pode ser feito de uma maneira especialmente conveniente a partir da posição sádica. A fruição da dor seria, assim, uma finalidade originalmente masoquista, que só pôde tornar-se uma finalidade instintual em alguém que era originalmente sádico.
A bem da inteireza, posso acrescentar que os sentimentos de piedade não podem ser descritos como sendo o resultado de uma transformação do instinto que ocorre no sadismo, mas carecem da idéia de uma formação de reação contra esse instinto.
Mattanó aponta que um instinto pode passar pelas seguintes vicissitudes:
Reversão a seu oposto.
Retorno em direção ao próprio eu (self) do indivíduo.
Repressão.
Sublimação.
Visto que não pretendo tratar aqui da sublimação e que a repressão exige um capítulo especial [cf. o artigo seguinte,ver em [1]], resta-nos apenas descrever e examinar os dois primeiros pontos.
A reversão de um instinto a seu oposto transforma-se, mediante um exame mais detido, em dois processos diferentes: uma mudança da atividade para a passividade e uma reversão de seu conteúdo.
Encontram-se exemplos do primeiro processo nos dois pares de opostos: sadismo-masoquismo e escopofilia-exibicionismo. A reversão afeta apenas as finalidades dos instintos. A finalidade ativa (torturar, olhar), é substituída pela finalidade passiva (ser torturado, ser olhado). A reversão do conteúdo encontra-se no exemplo isolado da transformação do amor em ódio. Vemos que a reversão do conteúdo leva a reversão dos significados e sentidos.
O retorno de um instinto em direção ao próprio eu (self) do indivíduo se torna plausível pela reflexão de que o masoquismo é, na realidade, o sadismo que retorna em direção ao próprio ego do indivíduo, e de que o exibicionismo abrange o olhar para o seu próprio corpo. A essência do processo é, assim, a mudança do objeto, ao passo que a finalidade permanece inalterada. Não podemos deixar de observar, contudo, que, nesses exemplos, o retorno em direção ao eu do indivíduo e a transformação da atividade em passividade convergem ou coincidem. Vemos que temos mudança de objeto e uma finalidade que se mantêm inalterada.
Para elucidar a situação, faz-se essencial uma investigação mais completa.
No caso do par de opostos sadismo-masoquismo, o processo pode ser representado da seguinte maneira:
(a) O sadismo consiste no exercício de violência ou poder sobre uma outra pessoa como objeto.
(b) Esse objeto é abandonado e substituído pelo eu do indivíduo. Com o retorno em direção ao eu, efetua-se também a mudança de uma finalidade instintual ativa para uma passiva.
(c) Uma pessoa estranha é mais uma vez procurada como objeto; essa pessoa, em conseqüência da alteração que ocorreu na finalidade instintual, tem de assumir o papel do sujeito.
O caso (c) é o que comumente se denomina de masoquismo. Também aqui a satisfação segue o caminho do sadismo original, voltando o ego passivo, em fantasia, ao seu papel inicial, que foi agora, de fato, assumido pelo sujeito estranho. Se existe, além disso, uma satisfação masoquista mais direta, é muito duvidoso. Um masoquismo primário, não derivado do sadismo na forma que descrevi, não parece ser encontrado. Veremos que não é supérfluo presumir a existência da fase (b) pelo comportamento do instinto sádico na neurose obsessiva. Ali existe um retorno em direção ao eu do sujeito sem uma atitude de passividade para com outra pessoa: a modificação só vai até a fase (b). O desejo de torturar transforma-se em autotortura e autopunição, não em masoquismo. A voz ativa muda, não para a passiva, mas para a voz reflexiva média. Vemos que o instinto muda seu caminho, voltando para a passividade, para assumir a posição de masoquista e de sujeito estranho, adquirindo o desejo de se torturar com a autotortura e a autopunição. Isto pode ficar aumentado com a telepatia e a lavagem cerebral, quando o indivíduo não se reconhece e assume a posição de sujeito estranho e de masoquista, adquirindo o desejo de se torturar com a autotortura e a autopunição.
Nosso conceito de sadismo fica ainda mais prejudicado pela circunstância de que esse instinto, lado a lado com sua finalidade geral (ou talvez, de preferência, dentro dela) parece esforçar-se pela realização de uma finalidade bem especial - não só humilhar e dominar, como também, além disso, infligir dor. A psicanálise pareceria demonstrar que infligir dor não desempenha um papel entre as ações intencionais originais do instinto. Uma criança sádica não se apercebe de que inflige dor ou não, nem pretende fazê-lo. Mas, uma vez ocorrida a transformação em masoquismo, a dor é muito apropriada para proporcionar uma finalidade masoquista passiva, pois temos todos os motivos para acreditar que as sensações de dor, assim como outras sensações desagradáveis, beiram a excitação sexual e produzem uma condição agradável, em nome da qual o sujeito, inclusive, experimentará de boa vontade o desprazer da dor. Uma vez que sentir dor se transforme numa finalidade masoquista, a finalidade sádica de causar dor também pode surgir, retrogressivamente, pois, enquanto essas dores estão sendo infligidas a outras pessoas, são fruídas masoquisticamente pelo sujeito através da identificação dele com o objeto sofredor. Em ambos os casos, naturalmente, não é a dor em si que é fruída, mas a excitação sexual concomitante - de modo que isso pode ser feito de uma maneira especialmente conveniente a partir da posição sádica. A fruição da dor seria, assim, uma finalidade originalmente masoquista, que só pôde tornar-se uma finalidade instintual em alguém que era originalmente sádico. Vemos que infligir dor, para a criança, segundo Mattanó é a finalidade do sadismo, pois ela não possui malícia comportamental para saber o que é a vida sexual e o desejo sexual, ou a finalidade sexual de um adulto.
A bem da inteireza, posso acrescentar que os sentimentos de piedade não podem ser descritos como sendo o resultado de uma transformação do instinto que ocorre no sadismo, mas carecem da idéia de uma formação de reação contra esse instinto. Vemos que os sentimentos de piedade são uma transformação do sadismo como uma reação contra esse instinto através dos seus significados e sentidos, alcançando os comportamentos do indivíduo.
MATTANÓ
(27/09/2025)
Achados bem mais simples e diferentes são proporcionados pela investigação de outro par de opostos - os instintos cuja finalidade respectiva é olhar e exibir-se (escopofilia e exibicionismo, na linguagem das perversões). Aqui novamente podemos postular as mesmas fases como no exemplo anterior: - (a) O olhar como uma atividade dirigida para um objeto estranho. (b) O desistir do objeto e dirigir o instinto escopofílico para uma parte do próprio corpo do sujeito; com isso, transformação no sentido de passividade e o estabelecimento de uma nova finalidade - a de ser olhado. (c) Introdução de um novo sujeito diante do qual a pessoa se exibe a fim de ser olhada por ele. Também aqui dificilmente se pode duvidar de que a finalidade ativa surge antes da passiva, de que o olhar precede o ser olhado. Mas existe uma importante divergência com respeito ao que acontece no caso do sadismo, pelo fato de que podemos reconhecer no caso do instinto escopofílico uma fase ainda mais anterior à descrita em (a). Para o início de sua atividade, o instinto escopofílico é auto-erótico; ele possui na realidade um objeto, mas esse objeto é parte do próprio corpo do sujeito. Só mais tarde é que o instinto é levado, por um processo de comparação, a trocar esse objeto por uma parte análoga do corpo de outrem - fase (a). Essa fase preliminar é interessante porque constitui a fonte de ambas as situações representadas no par de opostos resultante, uma ou outra dependendo do elemento modificado na situação original. O que se segue poderia servir de quadro diagramático do instinto escopofílico:
() Alguém olhando para um órgão sexual
= Um órgão sexual sendo olhado por alguém
() Alguém olhando para um objeto estranho (escopofilia ativa)
() Um objeto que é alguém ou parte de alguém sendo olhado por uma pessoa estranha (exibicionismo)
Esse tipo de fase preliminar se acha ausente no sadismo, que desde o começo é dirigido para um objeto estranho, embora talvez não fosse inteiramente absurdo compor tal fase a partir dos esforços da criança para obter controle sobre seus próprios membros.
No tocante a ambos os instintos que acabamos de tomar como exemplos, deve-se observar que sua transformação por uma reversão da atividade para a passividade e por um retorno em direção ao sujeito nunca implica, de fato, toda a quota do impulso instintual. A direção ativa anterior do instinto persiste, em certa medida, lado a lado com sua direção passiva ulterior, mesmo quando o processo de sua transformação tenha sido muito extenso. A única afirmação correta a fazer sobre o instinto escopofílico seria a de que todas as fases de seu desenvolvimento, tanto sua fase preliminar auto-erótica quanto sua forma ativa ou passiva final, coexistem lado a lado; e a verdade disso se tornará evidente se basearmos nossa opinião, não nas ações às quais o instinto conduz, mas no mecanismo de sua satisfação. Talvez, contudo, seja admissível encarar o assunto e representá-lo ainda de outra forma. Podemos dividir a vida de cada instinto numa série de ondas sucessivas isoladas, cada uma delas homogênea durante o período de tempo que possa vir a durar, qualquer que seja ele, e cuja relação de umas com as outras é comparável à de sucessivas erupções de lava. Podemos então talvez figurar a primeira erupção original do instinto como se processando de forma inalterada, sem experimentar qualquer desenvolvimento. A onda seguinte seria modificada desde o início - sendo transformada, por exemplo, de ativa em passiva -, e seria então, com essa nova característica, acrescentada à onda anterior, e assim por diante. Se fôssemos então proceder a um levantamento do impulso instintual desde seu começo até um determinado ponto, a sucessão de ondas que descrevemos inevitavelmente apresentaria o quadro de um desenvolvimento definido do instinto.
O fato de que, nesse período ulterior de desenvolvimento de um impulso instintual, seu oposto (passivo) possa ser observado ao lado dele merece ser assinalado pelo termo bem adequado introduzido por Bleuler - ‘ambivalência’. Essa referência à história do desenvolvimento dos instintos e a permanência de suas fases intermediárias deve tornar o desenvolvimento dos instintos razoavelmente inteligível para nós. A experiência mostra que a quantidade de ambivalência demonstrável varia muito entre indivíduos, grupos e raças. A acentuada ambivalência instintual num ser humano que vive nos dias atuais pode ser considerada como uma herança arcaica, pois temos motivos para supor que o papel desempenhado na vida instintual pelos impulsos ativos em sua forma inalterada foi maior nos tempos primevos do que é em média hoje em dia.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que os instintos cuja finalidade respectiva é olhar e exibir-se (escopofilia e exibicionismo, na linguagem das perversões). Aqui novamente podemos postular as mesmas fases como no exemplo anterior: - (a) O olhar como uma atividade dirigida para um objeto estranho. (b) O desistir do objeto e dirigir o instinto escopofílico para uma parte do próprio corpo do sujeito; com isso, transformação no sentido de passividade e o estabelecimento de uma nova finalidade - a de ser olhado. (c) Introdução de um novo sujeito diante do qual a pessoa se exibe a fim de ser olhada por ele. Também aqui dificilmente se pode duvidar de que a finalidade ativa surge antes da passiva, de que o olhar precede o ser olhado. Mas existe uma importante divergência com respeito ao que acontece no caso do sadismo, pelo fato de que podemos reconhecer no caso do instinto escopofílico uma fase ainda mais anterior à descrita em (a). Para o início de sua atividade, o instinto escopofílico é auto-erótico; ele possui na realidade um objeto, mas esse objeto é parte do próprio corpo do sujeito. Só mais tarde é que o instinto é levado, por um processo de comparação, a trocar esse objeto por uma parte análoga do corpo de outrem - fase (a). Essa fase preliminar é interessante porque constitui a fonte de ambas as situações representadas no par de opostos resultante, uma ou outra dependendo do elemento modificado na situação original.
Podemos dividir a vida de cada instinto numa série de ondas sucessivas isoladas, cada uma delas homogênea durante o período de tempo que possa vir a durar, qualquer que seja ele, e cuja relação de umas com as outras é comparável à de sucessivas erupções de lava. Podemos então talvez figurar a primeira erupção original do instinto como se processando de forma inalterada, sem experimentar qualquer desenvolvimento. A onda seguinte seria modificada desde o início - sendo transformada, por exemplo, de ativa em passiva -, e seria então, com essa nova característica, acrescentada à onda anterior, e assim por diante. Se fôssemos então proceder a um levantamento do impulso instintual desde seu começo até um determinado ponto, a sucessão de ondas que descrevemos inevitavelmente apresentaria o quadro de um desenvolvimento definido do instinto.
O fato de que, nesse período ulterior de desenvolvimento de um impulso instintual, seu oposto (passivo) possa ser observado ao lado dele merece ser assinalado pelo termo bem adequado introduzido por Bleuler - ‘ambivalência’. Essa referência à história do desenvolvimento dos instintos e a permanência de suas fases intermediárias deve tornar o desenvolvimento dos instintos razoavelmente inteligível para nós. A experiência mostra que a quantidade de ambivalência demonstrável varia muito entre indivíduos, grupos e raças. A acentuada ambivalência instintual num ser humano que vive nos dias atuais pode ser considerada como uma herança arcaica, pois temos motivos para supor que o papel desempenhado na vida instintual pelos impulsos ativos em sua forma inalterada foi maior nos tempos primevos do que é em média hoje em dia.
Mattanó aponta que os instintos cuja finalidade respectiva é olhar e exibir-se (escopofilia e exibicionismo, na linguagem das perversões). Aqui novamente podemos postular as mesmas fases como no exemplo anterior: - (a) O olhar como uma atividade dirigida para um objeto estranho. (b) O desistir do objeto e dirigir o instinto escopofílico para uma parte do próprio corpo do sujeito; com isso, transformação no sentido de passividade e o estabelecimento de uma nova finalidade - a de ser olhado. (c) Introdução de um novo sujeito diante do qual a pessoa se exibe a fim de ser olhada por ele. Também aqui dificilmente se pode duvidar de que a finalidade ativa surge antes da passiva, de que o olhar precede o ser olhado. Mas existe uma importante divergência com respeito ao que acontece no caso do sadismo, pelo fato de que podemos reconhecer no caso do instinto escopofílico uma fase ainda mais anterior à descrita em (a). Para o início de sua atividade, o instinto escopofílico é auto-erótico; ele possui na realidade um objeto, mas esse objeto é parte do próprio corpo do sujeito. Só mais tarde é que o instinto é levado, por um processo de comparação, a trocar esse objeto por uma parte análoga do corpo de outrem - fase (a). Essa fase preliminar é interessante porque constitui a fonte de ambas as situações representadas no par de opostos resultante, uma ou outra dependendo do elemento modificado na situação original. Vemos aqui como os instintos cuja finalidade respectiva é olhar e exibir-se (escopofilia e exibicionismo, na linguagem das perversões) se desenrolam na vida libidinal dos indivíduos, mas também na vida de comunhão e de segurança, pois desenrolam núcleos de fraternidade e de autopreservação que geram relações mais elaboradas como as espirituais e as sociais.
Podemos dividir a vida de cada instinto numa série de ondas sucessivas isoladas, cada uma delas homogênea durante o período de tempo que possa vir a durar, qualquer que seja ele, e cuja relação de umas com as outras é comparável à de sucessivas erupções de lava. Podemos então talvez figurar a primeira erupção original do instinto como se processando de forma inalterada, sem experimentar qualquer desenvolvimento. A onda seguinte seria modificada desde o início - sendo transformada, por exemplo, de ativa em passiva -, e seria então, com essa nova característica, acrescentada à onda anterior, e assim por diante. Se fôssemos então proceder a um levantamento do impulso instintual desde seu começo até um determinado ponto, a sucessão de ondas que descrevemos inevitavelmente apresentaria o quadro de um desenvolvimento definido do instinto. Vemos que os instintos se desenrolam numa sucessão de ondas ou de camadas que formam significados e sentidos cada vez mais elaborados e sofisticados.
O fato de que, nesse período ulterior de desenvolvimento de um impulso instintual, seu oposto (passivo) possa ser observado ao lado dele merece ser assinalado pelo termo bem adequado introduzido por Bleuler - ‘ambivalência’. Essa referência à história do desenvolvimento dos instintos e a permanência de suas fases intermediárias deve tornar o desenvolvimento dos instintos razoavelmente inteligível para nós. A experiência mostra que a quantidade de ambivalência demonstrável varia muito entre indivíduos, grupos e raças. A acentuada ambivalência instintual num ser humano que vive nos dias atuais pode ser considerada como uma herança arcaica, pois temos motivos para supor que o papel desempenhado na vida instintual pelos impulsos ativos em sua forma inalterada foi maior nos tempos primevos do que é em média hoje em dia. Vemos que os impulsos ou a vida instintual foi muito mais ativa nos tempos primevos do que nos tempos de hoje, onde dispomos de uma civilização, de modo que a ambivalência instintual num ser humano varia entre indivíduos, grupos e raças, pois é consequência de uma herança arcaica.
MATTANÓ
(03/10/2025)
Ficamos habituados a denominar a fase inicial do desenvolvimento do ego, durante a qual seus instintos sexuais encontram satisfação auto-erótica, de ‘narcisismo’, sem de imediato travarmos um debate sobre a relação entre o auto-erotismo e o narcisismo. Segue-se que a fase preliminar do instinto escopofílico, na qual o próprio corpo do sujeito é o objeto da escopofilia, deve ser classificada sob o narcisismo, e que devemos descrevê-la como uma formação narcisista. O instinto escopofílico ativo desenvolve-se a partir daí, deixando o narcisismo para trás. O instinto escopofílico passivo, pelo contrário, aferra-se ao objeto narcisista. De maneira semelhante, a transformação do sadismo em masoquismo acarreta um retorno ao objeto narcisista. E em ambos esses casos [isto é, na escopofilia passiva e no masoquismo] o sujeito narcisista é, através da identificação, substituído por outro ego, estranho. Se levarmos em conta a fase do sadismo preliminar e narcisista que construímos, estaremos aproximando-nos de uma compreensão mais geral - a saber, que as vicissitudes instintuais, que consistem no fato de o instinto retornar em direção ao próprio ego do sujeito e sofrer reversão da atividade para a passividade, se acham na dependência da organização narcisista do ego e trazem o cunho dessa fase. Correspondem talvez às tentativas de defesa que, em fases mais elevadas do desenvolvimento do ego, são efetuadas por outros meios. [Ver acima, em [1] e [2].]
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que denominamos a fase inicial do desenvolvimento do ego, durante a qual seus instintos sexuais encontram satisfação auto-erótica, de ‘narcisismo’. Segue-se que a fase preliminar do instinto escopofílico, na qual o próprio corpo do sujeito é o objeto da escopofilia, deve ser classificada sob o narcisismo, e que devemos descrevê-la como uma formação narcisista. O instinto escopofílico ativo desenvolve-se a partir daí, deixando o narcisismo para trás. O instinto escopofílico passivo, pelo contrário, aferra-se ao objeto narcisista. De maneira semelhante, a transformação do sadismo em masoquismo acarreta um retorno ao objeto narcisista. E em ambos esses casos [isto é, na escopofilia passiva e no masoquismo] o sujeito narcisista é, através da identificação, substituído por outro ego, estranho. Se levarmos em conta a fase do sadismo preliminar e narcisista que construímos, estaremos aproximando-nos de uma compreensão mais geral - a saber, que as vicissitudes instintuais, que consistem no fato de o instinto retornar em direção ao próprio ego do sujeito e sofrer reversão da atividade para a passividade, se acham na dependência da organização narcisista do ego e trazem o cunho dessa fase. Correspondem talvez às tentativas de defesa que, em fases mais elevadas do desenvolvimento do ego, são efetuadas por outros meios.
Mattanó aponta que denominamos a fase inicial do desenvolvimento do ego, durante a qual seus instintos sexuais encontram satisfação auto-erótica, de ‘narcisismo’. Segue-se que a fase preliminar do instinto escopofílico, na qual o próprio corpo do sujeito é o objeto da escopofilia, deve ser classificada sob o narcisismo, e que devemos descrevê-la como uma formação narcisista. O instinto escopofílico ativo desenvolve-se a partir daí, deixando o narcisismo para trás. O instinto escopofílico passivo, pelo contrário, aferra-se ao objeto narcisista. De maneira semelhante, a transformação do sadismo em masoquismo acarreta um retorno ao objeto narcisista. E em ambos esses casos [isto é, na escopofilia passiva e no masoquismo] o sujeito narcisista é, através da identificação, substituído por outro ego, estranho. Se levarmos em conta a fase do sadismo preliminar e narcisista que construímos, estaremos aproximando-nos de uma compreensão mais geral - a saber, que as vicissitudes instintuais, que consistem no fato de o instinto retornar em direção ao próprio ego do sujeito e sofrer reversão da atividade para a passividade, se acham na dependência da organização narcisista do ego e trazem o cunho dessa fase. Correspondem talvez às tentativas de defesa que, em fases mais elevadas do desenvolvimento do ego, são efetuadas por outros meios. Vemos como se desenrola o desenvolvimento dos instintos sexuais que através de uma satisfação auto-erótica geram o narcisismo. Daqui nasce o instinto escopofílico, onde o próprio corpo do sujeito é o objeto da escopofilia, numa formação narcisista. O instinto escopofílico ativo desenvolve-se a partir daí, deixando o narcisismo para trás. Ocorre a transformação do sadismo em masoquismo que por sua vez leva ao retorno ao objeto narcisista. Então o sujeito narcisista, através da identificação, é substituído por outro ego, estranho. A reversão da atividade para a passividade, se acha na dependência dessa organização narcisista do ego e trazem o cunho dessa fase com suas tentativas de defesa entre fases mais elevadas do desenvolvimento do ego que se realizam por outros meios. Este conjunto de eventos egóicos e instintuais acompanha o desenvolvimento comportamental e cognitivo da criança, de modo que ela passa do período sensório-motor para o período pré-operacional cognitivo e amplia seu repertório comportamental através dos repertórios comportamentais básicos, através da imitação, da atenção, do controle e da discriminação e começa a representar e viver seu corpo, bem como a ter uma moral.
MATTANÓ
(03/10/2025)
A PSICANÁLISE, O CÉREBRO, A SEXUALIDADE E O INCONSCIENTE SEGUNDO MATTANÓ (2025):
Mattanó aponta que a Psicanálise deve considerar que o cérebro não possui estruturas que sejam responsáveis pela sexualidade e pelo inconsciente senão apenas estruturas que dependem de estados fisiológicos para responderem e desencadearem comportamentos observáveis, privados e inconscientes de caráter sexual como os que dependem da malícia comportamental, que é produto do crescimento, amadurecimento e desenvolvimento das crianças que atingem a puberdade e desenvolvem os caracteres sexuais e adquirem os hormônios sexuais, masculino e feminino, de modo que haja uma transformação psicológica, comportamental e social, familiar na vida desses indivíduos, em função dos seus hormônios sexuais e das alterações morfológicas nos adolescentes, da mesma maneira o inconsciente depende dos estados fisiológicos para sua geração, manutenção, desenvolvimento e alteração, ou seja, o cérebro e o corpo se interconectam para formarem a sexualidade e o inconsciente. Assim, por exemplo, quando uma mente invasiva e paranormal toma conta de você, o seu corpo ou o seu cérebro ou mesmo os dois não responderão, não se interconectarão com essa mente invasiva e paranormal, pois ela não faz parte da sua constituição biológica, homeostática, comportamental, fisiológica e morfológica, ou seja, adaptativa e a vítima desenvolverá doenças e transtornos devido ao desequilíbrio homeostático que se acentua e prevalece sem o seu consentimento, como acontece comigo e com várias outras vítimas, por exemplo, de minha família, desde 1999 em Londrina.
MATTANÓ
(03/10/2025)
Nesse ponto podemos recordar que até agora consideramos apenas dois pares de instintos opostos: sadismo-masoquismo e escopofilia-exibicionismo. Estes são os instintos sexuais mais conhecidos que aparecem de maneira ambivalente. Os outros componentes da função sexual ulterior não são ainda suficientemente acessíveis à análise para que possamos examiná-los de maneira semelhante. Em geral, podemos assegurar, em relação a eles, que suas atividades são auto-eróticas; isto é, seu objeto é insignificante em comparação com o órgão que lhes serve de fonte, via de regra coincidindo com esse órgão. O objeto do instinto escopofílico, contudo, embora também a princípio seja parte do próprio corpo do sujeito, não é o olho em si; e no sadismo a fonte orgânica, que é provavelmente o aparelho muscular com sua capacidade para a ação, aponta inequivocamente para outro objeto que não ele próprio, muito embora esse objeto seja parte do próprio corpo do sujeito. Nos instintos auto-eróticos, o papel desempenhado pela fonte orgânica é tão decisivo que, de acordo com uma sugestão plausível de Federn (1913) e Jekels (1913), a forma e a função do órgão determinam a atividade ou a passividade da finalidade instintual.
A mudança do conteúdo [ver em [1]] de um instinto em seu oposto só é observada num exemplo isolado - a transformação do amor em ódio. Visto ser particularmente comum encontrar ambos dirigidos simultaneamente para o mesmo objeto, sua coexistência oferece o exemplo mais importante de ambivalência de sentimento. [Ver em [1]]
O caso de amor e ódio adquire especial interesse pela circunstância de que se recusa a ajustar-se a nosso esquema dos instintos. É impossível duvidar de que exista a mais íntima das relações entre esses dois sentimentos opostos e a vida sexual, mas naturalmente relutamos em pensar no amor como sendo uma espécie de instinto componente específico da sexualidade, da mesma forma que os outros que vimos examinando. Preferiríamos considerar o amor como sendo a expressão de toda a corrente sexual de sentimento, mas essa idéia não elucida nossas dificuldades e não podemos ver que significado poderia ser atribuído a um conteúdo oposto dessa corrente.
O amor não admite apenas um, mas três opostos. Além da antítese ‘amar-odiar’, existe a outra de ‘amar-ser amado’; além destas, o amar e o odiar considerados em conjunto são o oposto da condição de desinteresse ou indiferença. A segunda dessas três antíteses, amar-ser amado, corresponde exatamente à transformação da atividade em passividade e pode remontar a uma situação subjacente, da mesma forma que no caso do instinto escopofílico. Essa situação é a de amar-se a si próprio, que consideramos como sendo o traço característico do narcisismo. Então, conforme o objeto ou o sujeito seja substituído por um estranho, o que resulta é a finalidade ativa de amar ou a passiva de ser amado - ficando a segunda perto do narcisismo.
Talvez cheguemos a uma melhor compreensão dos vários opostos do amar, se refletirmos que nossa vida mental como um todo se rege por três polaridades, as antíteses
Sujeito (ego) - Objeto (mundo externo),
Prazer - Desprazer, e
Ativo - Passivo.
A antítese ego-não-ego (externo), isto é, sujeito-objeto, é, como já tivemos oportunidade de dizer [ver em [1]], lançada sobre o organismo individual numa fase inicial, pela experiência de que pode silenciar os estímulos externos por meio de ação muscular, mas é inerme contra estímulos instintuais. Essa antítese permanece, acima de tudo, soberana em nossa atividade intelectual e cria para a pesquisa a situação básica que esforço algum pode alterar. A polaridade do prazer-desprazer está ligada a uma escala de sentimentos, cuja importância suprema na determinação de nossas ações (nossa vontade) já foi ressaltada [ver em [1] e [2]]. A antítese ativo-passivo não deve ser confundida com a antítese sujeito do ego-objeto do mundo externo. A relação do ego com o mundo externo é passiva na medida em que o primeiro recebe estímulos do segundo, e ativa quando reage a eles. Ela é forçada por seus instintos a um grau bem especial de atividade para com o mundo externo, de modo que talvez pudéssemos ressaltar o ponto essencial se disséssemos que o sujeito do ego é passivo no tocante aos estímulos externos, mas ativo através de seus próprios instintos. A antítese ativo-passivo funde-se depois com a antítese masculino-feminino, a qual, até que isso tenha ocorrido, não possui qualquer significado psicológico. A junção da atividade com a masculinidade e da passividade com a feminilidade nos defronta, na realidade, com um fato biológico, mas não é de forma alguma tão invariavelmente completa e exclusiva como tendemos a presumir.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que consideramos apenas dois pares de instintos opostos: sadismo-masoquismo e escopofilia-exibicionismo. Estes são os instintos sexuais mais conhecidos que aparecem de maneira ambivalente. Em geral, podemos assegurar, em relação a eles, que suas atividades são auto-eróticas; isto é, seu objeto é insignificante em comparação com o órgão que lhes serve de fonte, via de regra coincidindo com esse órgão. A forma e a função do órgão determinam a atividade ou a passividade da finalidade instintual.
A mudança do conteúdo [ver em [1]] de um instinto em seu oposto só é observada num exemplo isolado - a transformação do amor em ódio. Visto ser particularmente comum encontrar ambos dirigidos simultaneamente para o mesmo objeto, sua coexistência oferece o exemplo mais importante de ambivalência de sentimento.
O amor não admite apenas um, mas três opostos. Além da antítese ‘amar-odiar’, existe a outra de ‘amar-ser amado’; além destas, o amar e o odiar considerados em conjunto são o oposto da condição de desinteresse ou indiferença. A segunda dessas três antíteses, amar-ser amado, corresponde exatamente à transformação da atividade em passividade e pode remontar a uma situação subjacente, da mesma forma que no caso do instinto escopofílico. Essa situação é a de amar-se a si próprio, que consideramos como sendo o traço característico do narcisismo. Então, conforme o objeto ou o sujeito seja substituído por um estranho, o que resulta é a finalidade ativa de amar ou a passiva de ser amado - ficando a segunda perto do narcisismo.
Talvez cheguemos a uma melhor compreensão dos vários opostos do amar, se refletirmos que nossa vida mental como um todo se rege por três polaridades, as antíteses
Sujeito (ego) - Objeto (mundo externo),
Prazer - Desprazer, e
Ativo - Passivo.
A antítese ego-não-ego (externo), isto é, sujeito-objeto, é, como já tivemos oportunidade de dizer [ver em [1]], lançada sobre o organismo individual numa fase inicial, pela experiência de que pode silenciar os estímulos externos por meio de ação muscular, mas é inerme contra estímulos instintuais. Essa antítese permanece, acima de tudo, soberana em nossa atividade intelectual e cria para a pesquisa a situação básica que esforço algum pode alterar. A polaridade do prazer-desprazer está ligada a uma escala de sentimentos, cuja importância suprema na determinação de nossas ações (nossa vontade) já foi ressaltada [ver em [1] e [2]]. A antítese ativo-passivo não deve ser confundida com a antítese sujeito do ego-objeto do mundo externo. A relação do ego com o mundo externo é passiva na medida em que o primeiro recebe estímulos do segundo, e ativa quando reage a eles. Ela é forçada por seus instintos a um grau bem especial de atividade para com o mundo externo, de modo que talvez pudéssemos ressaltar o ponto essencial se disséssemos que o sujeito do ego é passivo no tocante aos estímulos externos, mas ativo através de seus próprios instintos. A antítese ativo-passivo funde-se depois com a antítese masculino-feminino, a qual, até que isso tenha ocorrido, não possui qualquer significado psicológico. A junção da atividade com a masculinidade e da passividade com a feminilidade nos defronta, na realidade, com um fato biológico, mas não é de forma alguma tão invariavelmente completa e exclusiva como tendemos a presumir.
Mattanó aponta que consideramos apenas dois pares de instintos opostos: sadismo-masoquismo e escopofilia-exibicionismo. Estes são os instintos sexuais mais conhecidos que aparecem de maneira ambivalente. Em geral, podemos assegurar, em relação a eles, que suas atividades são auto-eróticas; isto é, seu objeto é insignificante em comparação com o órgão que lhes serve de fonte, via de regra coincidindo com esse órgão. A forma e a função do órgão determinam a atividade ou a passividade da finalidade instintual. Vemos que temos dois pares de instintos opostos que têm relações auto-eróticas, pois seu objeto é insignificante em comparação ao órgão que lhes serve de fonte, da mesma forma seus significados e sentidos, conceitos, comportamentos, símbolos, linguagens, funcionalidades, relações sociais, topografias, gestalts e insights, pressupostos e subentendidos, atos ilocucionários e atos perlocucionários, mostrar, dizer e fazer, o posto, niilismo, lapsos de linguagem, esquecimentos, atos falhos, chistes, piadas, humor, charges, caricaturas, fantasias, totens e tabus, folclore, magia, alquimia, tesouros, ritos e mitos, parapraxias, vida anímica, vida onírica, vida paranormal, vida sobrenatural, ciclos circadianos, são menos importantes do que o órgão que lhes serve de fonte, contudo o equilíbrio do organismo depende do equilíbrio homeostático desses órgãos.
A mudança do conteúdo [ver em [1]] de um instinto em seu oposto só é observada num exemplo isolado - a transformação do amor em ódio. Visto ser particularmente comum encontrar ambos dirigidos simultaneamente para o mesmo objeto, sua coexistência oferece o exemplo mais importante de ambivalência de sentimento. Vemos que a mudança de conteúdo pode transformar amor em ódio enquanto que a simultaneidade conteúdo gera a ambivalência de sentimento, ou seja, a sua coexistência, inclusive no mundo de significados e sentidos, enquanto que na mudança de conteúdo os significados e os sentidos também mudam de conteúdo, expressando amor ou ódio.
O amor não admite apenas um, mas três opostos. Além da antítese ‘amar-odiar’, existe a outra de ‘amar-ser amado’; além destas, o amar e o odiar considerados em conjunto são o oposto da condição de desinteresse ou indiferença. A segunda dessas três antíteses, amar-ser amado, corresponde exatamente à transformação da atividade em passividade e pode remontar a uma situação subjacente, da mesma forma que no caso do instinto escopofílico. Essa situação é a de amar-se a si próprio, que consideramos como sendo o traço característico do narcisismo. Então, conforme o objeto ou o sujeito seja substituído por um estranho, o que resulta é a finalidade ativa de amar ou a passiva de ser amado - ficando a segunda perto do narcisismo. Vemos que a finalidade ativa da substituição do objeto ou sujeito por um estranho produz o amor pelo objeto e a sua finalidade ativa, enquanto que esse mesmo comportamento pode gerar o amor por si próprio através da finalidade passiva de ser amado, redundando numa aproximação do narcisismo, contudo agora com o auxílio de significados e sentidos, eventos inexistentes no período narcisista original, pois a criança não possui requisitos cognitivos para isto.
Talvez cheguemos a uma melhor compreensão dos vários opostos do amar, se refletirmos que nossa vida mental como um todo se rege por três polaridades, as antíteses
Sujeito (ego) - Objeto (mundo externo),
Prazer - Desprazer, e
Ativo - Passivo.
A antítese ego-não-ego (externo), isto é, sujeito-objeto, é, como já tivemos oportunidade de dizer [ver em [1]], lançada sobre o organismo individual numa fase inicial, pela experiência de que pode silenciar os estímulos externos por meio de ação muscular, mas é inerme contra estímulos instintuais. Essa antítese permanece, acima de tudo, soberana em nossa atividade intelectual e cria para a pesquisa a situação básica que esforço algum pode alterar. A polaridade do prazer-desprazer está ligada a uma escala de sentimentos, cuja importância suprema na determinação de nossas ações (nossa vontade) já foi ressaltada [ver em [1] e [2]]. A antítese ativo-passivo não deve ser confundida com a antítese sujeito do ego-objeto do mundo externo. A relação do ego com o mundo externo é passiva na medida em que o primeiro recebe estímulos do segundo, e ativa quando reage a eles. Ela é forçada por seus instintos a um grau bem especial de atividade para com o mundo externo, de modo que talvez pudéssemos ressaltar o ponto essencial se disséssemos que o sujeito do ego é passivo no tocante aos estímulos externos, mas ativo através de seus próprios instintos. A antítese ativo-passivo funde-se depois com a antítese masculino-feminino, a qual, até que isso tenha ocorrido, não possui qualquer significado psicológico. A junção da atividade com a masculinidade e da passividade com a feminilidade nos defronta, na realidade, com um fato biológico, mas não é de forma alguma tão invariavelmente completa e exclusiva como tendemos a presumir. Vemos que o indivíduo possui comportamentos e habilidades para silenciar os estímulos externos por meio da ação muscular através da antítese sujeito-objeto. A polaridade do prazer-desprazer está ligada a uma escala de sentimentos. A antítese ativo-passivo não deve ser confundida com a antítese sujeito do ego-objeto do mundo externo. A relação do ego com o mundo externo é passiva na medida em que o primeiro recebe estímulos do segundo, e ativa quando reage a eles. Ela é forçada por seus instintos a um grau bem especial de atividade para com o mundo externo, de modo que talvez pudéssemos ressaltar o ponto essencial se disséssemos que o sujeito do ego é passivo no tocante aos estímulos externos, mas ativo através de seus próprios instintos. A antítese ativo-passivo funde-se depois com a antítese masculino-feminino, a qual, até que isso tenha ocorrido, não possui qualquer significado psicológico. A junção da atividade com a masculinidade e da passividade com a feminilidade nos defronta, na realidade, com um fato biológico e ao meu ver, filogenético, sexual, reprodutivo.
MATTANÓ
(08/10/2025)
As três polaridades da mente estão ligadas umas às outras de várias maneiras altamente significativas. Existe uma situação psíquica primordial na qual duas delas coincidem. Originalmente, no próprio começo da vida mental, o ego é catexizado com os instintos, sendo, até certo ponto, capaz de satisfazê-los em si mesmo. Denominamos essa condição de ‘narcisismo’, e essa forma de obter satisfação, de ‘auto-erótica’. Nessa ocasião, o mundo externo não é catexizado com interesse (num sentido geral), sendo indiferente aos propósitos de satisfação. Durante esse período, portanto, o sujeito do ego coincide com o que é agradável, e o mundo externo, com o que é indiferente (ou possivelmente desagradável, como sendo uma fonte de estimulação). Se por enquanto definimos o amar como a relação do ego com suas fontes de prazer, a situação na qual o ego ama somente a si próprio e é indiferente ao mundo externo, ilustra o primeiro dos opostos que encontramos para ‘o amor’.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que no próprio começo da vida mental, o ego é catexizado com os instintos, sendo, até certo ponto, capaz de satisfazê-los em si mesmo. Denominamos essa condição de ‘narcisismo’, e essa forma de obter satisfação, de ‘auto-erótica’. Nessa ocasião, o mundo externo não é catexizado com interesse (num sentido geral), sendo indiferente aos propósitos de satisfação. Durante esse período, portanto, o sujeito do ego coincide com o que é agradável, e o mundo externo, com o que é indiferente (ou possivelmente desagradável, como sendo uma fonte de estimulação). Se por enquanto definimos o amar como a relação do ego com suas fontes de prazer, a situação na qual o ego ama somente a si próprio e é indiferente ao mundo externo, ilustra o primeiro dos opostos que encontramos para ‘o amor’.
Mattanó aponta que no próprio começo da vida mental, o ego é catexizado com os instintos, sendo, até certo ponto, capaz de satisfazê-los em si mesmo. Denominamos essa condição de ‘narcisismo’, e essa forma de obter satisfação, de ‘auto-erótica’. Nessa ocasião, o mundo externo não é catexizado com interesse (num sentido geral), sendo indiferente aos propósitos de satisfação. Durante esse período, portanto, o sujeito do ego coincide com o que é agradável, e o mundo externo, com o que é indiferente (ou possivelmente desagradável, como sendo uma fonte de estimulação). Se por enquanto definimos o amar como a relação do ego com suas fontes de prazer, a situação na qual o ego ama somente a si próprio e é indiferente ao mundo externo, ilustra o primeiro dos opostos que encontramos para ‘o amor’. Vemos aqui que o ego coincide com a incapacidade de formular significados e sentidos para suas representações a respeito do seu mundo externo e interno, pois nesta fase, do narcisismo não possui requisitos cognitivos para tanto, de modo que sua inteligência é basicamente sensório-motora e adquirida através dos repertórios comportamentais básicos, como imitar, ficar atento, controlar e discriminar.
MATTANÓ
(08/10/2025)
Na medida em que o ego é auto-erótico, não necessita do mundo externo, mas, em conseqüência das experiências sofridas pelos instintos de autopreservação, ele adquire objetos daquele mundo, e, apesar de tudo, não pode evitar sentir como desagradáveis, por algum tempo, estímulos instintuais internos. Sob o domínio do princípio de prazer ocorre agora um desenvolvimento ulterior no ego. Na medida em que os objetos que lhe são apresentados constituem fontes de prazer, ele os toma para si próprio, os ‘introjeta’ (para empregar o termo de Ferenczi [1909]); e, por outro lado, expele o que quer que dentro de si mesmo se torne uma causa de desprazer. (Ver adiante [ver em [1] e [2]] o mecanismo da projeção).
Assim, o ‘ego da realidade’, original, que distinguiu o interno e o externo por meio de um sólido critério objetivo se transforma num ‘ego do prazer’ purificado, que coloca a característica do prazer acima de todas as outras. Para o ego do prazer, o mundo externo está dividido numa parte que é agradável, que ele incorporou a si mesmo, e num remanescente que lhe é estranho. Isolou uma parte do seu próprio eu, que projeta no mundo externo e sente como hostil. Após esse novo arranjo, as duas polaridades coincidem mais uma vez: o sujeito do ego coincide com o prazer, e o mundo externo com o desprazer (com o que anteriormente era indiferente).
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que na medida em que o ego é auto-erótico, não necessita do mundo externo, mas, em conseqüência das experiências sofridas pelos instintos de autopreservação, ele adquire objetos daquele mundo, e, apesar de tudo, não pode evitar sentir como desagradáveis, por algum tempo, estímulos instintuais internos. Sob o domínio do princípio de prazer ocorre agora um desenvolvimento ulterior no ego. Na medida em que os objetos que lhe são apresentados constituem fontes de prazer, ele os toma para si próprio, os ‘introjeta’ (para empregar o termo de Ferenczi [1909]); e, por outro lado, expele o que quer que dentro de si mesmo se torne uma causa de desprazer. (Ver adiante [ver em [1] e [2]] o mecanismo da projeção).
Assim, o ‘ego da realidade’, original, que distinguiu o interno e o externo por meio de um sólido critério objetivo se transforma num ‘ego do prazer’ purificado, que coloca a característica do prazer acima de todas as outras. Para o ego do prazer, o mundo externo está dividido numa parte que é agradável, que ele incorporou a si mesmo, e num remanescente que lhe é estranho. Isolou uma parte do seu próprio eu, que projeta no mundo externo e sente como hostil. Após esse novo arranjo, as duas polaridades coincidem mais uma vez: o sujeito do ego coincide com o prazer, e o mundo externo com o desprazer (com o que anteriormente era indiferente).
Mattanó aponta que na medida em que o ego é auto-erótico, não necessita do mundo externo, mas, em conseqüência das experiências sofridas pelos instintos de autopreservação, ele adquire objetos daquele mundo, e, apesar de tudo, não pode evitar sentir como desagradáveis, por algum tempo, estímulos instintuais internos. Sob o domínio do princípio de prazer ocorre agora um desenvolvimento ulterior no ego. Na medida em que os objetos que lhe são apresentados constituem fontes de prazer, ele os toma para si próprio, os ‘introjeta’ (para empregar o termo de Ferenczi [1909]); e, por outro lado, expele o que quer que dentro de si mesmo se torne uma causa de desprazer. (Ver adiante [ver em [1] e [2]] o mecanismo da projeção). Vemos que o ego por ser auto-erótico tem experiências instintuais de autopreservação, onde não pode de deixar de sentir como desagradáveis os estímulos instintuais internos. Daí desenvolve-se o princípio do prazer e o próprio ego, onde ele introjeta fontes de prazer e usa o mecanismo da projeção para o que lhe causa desprazer, utilizando significados e sentidos para suas experiências de prazer e de desprazer.
Assim, o ‘ego da realidade’, original, que distinguiu o interno e o externo por meio de um sólido critério objetivo se transforma num ‘ego do prazer’ purificado, que coloca a característica do prazer acima de todas as outras. Para o ego do prazer, o mundo externo está dividido numa parte que é agradável, que ele incorporou a si mesmo, e num remanescente que lhe é estranho. Isolou uma parte do seu próprio eu, que projeta no mundo externo e sente como hostil. Após esse novo arranjo, as duas polaridades coincidem mais uma vez: o sujeito do ego coincide com o prazer, e o mundo externo com o desprazer (com o que anteriormente era indiferente). Vemos que o ¨ego da realidade¨, original, se transforma num ¨ego do prazer¨ que interpreta o mundo como agradável e estranho, de modo a projetar o que é estranho, através, por exemplo, dos significados e dos sentidos.
MATTANÓ
(08/10/2025)
Quando, durante a fase do narcisismo primário, o objeto faz a sua aparição, o segundo oposto ao amar, a saber, o odiar, atinge seu desenvolvimento.
Como já vimos, o objeto é levado do mundo externo para o ego, a princípio, pelos instintos de autopreservação; não se pode negar que também o odiar, originalmente, caracterizou a relação entre o ego e o mundo externo alheio com os estímulos que introduz. A indiferença se enquadra como um caso especial de ódio ou desagrado, após ter aparecido inicialmente como sendo seu precursor. Logo no começo, ao que parece, o mundo externo, objetos e o que é odiado são idênticos. Se depois um objeto bem a ser uma fonte de prazer, ele é amado, mas é também incorporado ao ego, de modo que para o ego do prazer purificado mais uma vez os objetos coincidem com o que é estranho e odiado.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o desenvolvimento do amar leva ao odiar. Um objeto bem a ser uma fonte de prazer, ele é amado, mas é também incorporado ao ego, de modo que para o ego do prazer purificado mais uma vez os objetos coincidem com o que é estranho e odiado. Trata-se, pois do desenvolvimento do narcisismo.
Mattanó aponta que o desenvolvimento do amar leva ao odiar. Um objeto bem a ser uma fonte de prazer, ele é amado, mas é também incorporado ao ego, de modo que para o ego do prazer purificado mais uma vez os objetos coincidem com o que é estranho e odiado. Trata-se, pois do desenvolvimento do narcisismo. Nos revelando que o objeto incorporado do ego e que gerava prazer, que era amado tornou-se agora odiado, causador de desprazer.
MATTANÓ
(08/10/2025)
Agora, contudo, podemos notar que da mesma forma que o par de opostos amor-indiferença reflete a polaridade ego-mundo externo, assim também a segunda antítese amor-ódio reproduz a polaridade prazer-desprazer, que está ligada à primeira polaridade. Quando a fase puramente narcisista cede lugar à fase objetal, o prazer e o desprazer significam relações entre o ego e o objeto. Se o objeto se torna uma fonte de sensações agradáveis, estabelece-se uma ânsia (urge) motora que procura trazer o objeto para mais perto do ego e incorporá-lo ao ego. Falamos da ‘atração’ exercida pelo objeto proporcionador de prazer, e dizemos que ‘amamos’ esse objeto. Inversamente, se o objeto for uma fonte de sensações desagradáveis, há uma ânsia (urge) que se esforça por aumentar a distância entre o objeto e o ego, e a repetir em relação ao objeto a tentativa original de fuga do mundo externo com sua emissão de estímulos. Sentimos a ‘repulsão’ do objeto, e o odiamos; esse ódio pode depois intensificar-se ao ponto de uma inclinação agressiva contra o objeto - uma intenção de destruí-lo.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que da mesma forma que o par de opostos amor-indiferença reflete a polaridade ego-mundo externo, assim também a segunda antítese amor-ódio reproduz a polaridade prazer-desprazer, que está ligada à primeira polaridade. Quando a fase puramente narcisista cede lugar à fase objetal, o prazer e o desprazer significam relações entre o ego e o objeto. Se o objeto se torna uma fonte de sensações agradáveis, estabelece-se uma ânsia (urge) motora que procura trazer o objeto para mais perto do ego e incorporá-lo ao ego. Falamos da ‘atração’ exercida pelo objeto proporcionador de prazer, e dizemos que ‘amamos’ esse objeto. Inversamente, se o objeto for uma fonte de sensações desagradáveis, há uma ânsia (urge) que se esforça por aumentar a distância entre o objeto e o ego, e a repetir em relação ao objeto a tentativa original de fuga do mundo externo com sua emissão de estímulos. Sentimos a ‘repulsão’ do objeto, e o odiamos; esse ódio pode depois intensificar-se ao ponto de uma inclinação agressiva contra o objeto - uma intenção de destruí-lo.
Mattanó aponta que da mesma forma que o par de opostos amor-indiferença reflete a polaridade ego-mundo externo, assim também a segunda antítese amor-ódio reproduz a polaridade prazer-desprazer, que está ligada à primeira polaridade. Quando a fase puramente narcisista cede lugar à fase objetal, o prazer e o desprazer significam relações entre o ego e o objeto. Se o objeto se torna uma fonte de sensações agradáveis, estabelece-se uma ânsia (urge) motora que procura trazer o objeto para mais perto do ego e incorporá-lo ao ego. Falamos da ‘atração’ exercida pelo objeto proporcionador de prazer, e dizemos que ‘amamos’ esse objeto. Inversamente, se o objeto for uma fonte de sensações desagradáveis, há uma ânsia (urge) que se esforça por aumentar a distância entre o objeto e o ego, e a repetir em relação ao objeto a tentativa original de fuga do mundo externo com sua emissão de estímulos. Sentimos a ‘repulsão’ do objeto, e o odiamos; esse ódio pode depois intensificar-se ao ponto de uma inclinação agressiva contra o objeto - uma intenção de destruí-lo. Vemos que o par de opostos amor-indiferença pode significar o ego-mundo externo, assim como a antítese amor-ódio significa prazer-desprazer. A fase objetal é inaugurada com o prazer e desprazer das relações entre ego e o objeto. O objeto pode desencadear sensações agradáveis e uma ânsia (urge) motora que procura trazer o objeto para perto do ego incorporando-o. Mas se o objeto produzir uma sensação desagradável, surgirá uma ânsia (urge) que tende a aumentar a distância entre o objeto e o ego numa tentativa de fuga do mundo externo. Acabamos sentido ¨repulsão¨ do objeto e o odiamos, evento que pode se transformar numa inclinação agressiva contra o objeto, com a intenção de destruí-lo. Eventos que contam com o auxílio dos significados e sentidos das palavras, da argumentação e da linguagem, com seus atos ilocucionários e atos perlocucionários, pressupostos e subentendidos, mostrar, dizer e fazer, o posto, ¨sintomas¨ de uma sociopatia que busca convencer, manipular e atingir a vontade através das palavras e não por meio da cidadania e da Justiça, do respeito humano, da igualdade e da dignidade, do direito a felicidade e a mesma vida que os privilegiados gozam e desfrutam neste país, certamente para roubar, corromper, sequestrar e até assassinar e estuprar os pequenos deste Brasil em nome de uma telinha de televisão, dos seus jogos de poder e de fama, de humilhação.
MATTANÓ
(08/10/2025)
SOBRE OS CHISTES (2025):
Mattanó aponta que os chistes também podem ter um papel trágico e outro criativo sobre o comportamento do decodificador e do codificador da mensagem, ou seja, do chiste, por exemplo, chistes racistas que disfarçam outros objetos ou chistes de nomes de instituições que disfarçam crimes de racismo, são chistes trágicos e que escondem tragédias, abismos sociais, histórias de vidas pobres e com repertórios de comportamentos inassertivos, mal adaptados, transtornados ou problemáticos, mas também podem expressar chistes criativos com soluções inovadoras através da educação e da formação, da cidadania e da moralidade, da Justiça Social que serve de trampolim para repressão desses chistes no inconsciente do codificador e do decodificador, revelando que a repressão pode alterar o conteúdo dos chistes, inclusive se o percebemos como produto de uma consciência, realidade, cultura e conhecimento que influencia ou determina por ação do meio ambiente, do contexto, e dos seus estímulos como será a sua resposta a um desses estímulos, ou seja, o seu chiste e a sua compreensão como consequência dessa resposta, formando um novo contexto, com uma neguentropia ambiental, isto é, com uma reorganização de estímulos do meio ambiente.
MATTANÓ
(09/10/2025)
Poderíamos, num caso de emergência, dizer que um instinto ‘ama’ o objeto no sentido do qual ele luta por propósitos de satisfação, mas dizer que um instinto ‘odeia’ um objeto, nos parece estranho. Assim, tornamo-nos cônscios de que as atitudes de amor e ódio não podem ser utilizadas para as relações entre os instintos e seus objetos, mas estão reservadas para as relações entre o ego total e os objetos. Mas, se considerarmos o uso lingüístico, que por certo não é destituído de significação, veremos que há outra limitação ao significado do amor e do ódio. Não costumamos dizer que amamos os objetos que servem aos interesses da autopreservação; ressaltamos o fato de que necessitamos deles, e talvez expressemos uma espécie de relação adicional diferente para com eles, utilizando-nos de palavras que detonam um grau muito reduzido de amor - tais como, por exemplo, ‘ser afeiçoado a’, ‘gostar’ ou ‘achar agradável’.
Assim, a palavra ‘amar’ desloca-se cada vez mais para a esfera da pura relação de prazer entre o ego e o objeto, e finalmente se fixa a objetos sexuais no sentido mais estrito e àqueles que satisfazem as necessidades dos instintos sexuais sublimados. A distinção entre os instintos do ego e os instintos sexuais que impusemos à nossa psicologia é dessa forma encarada como estando em conformidade com o espírito de nossa língua. O fato de não termos o hábito de dizer que um instinto sexual isolado ama o seu objeto, mas considerarmos a relação entre o ego e seu objeto sexual como o caso mais apropriado no qual empregar a palavra ‘amor’ - esse fato nos ensina que a palavra só pode começar a ser aplicada nesse sentido após ter havido uma síntese de todos os instintos componentes da sexualidade sob a primazia dos órgãos genitais e a serviço da função reprodutora.
É digno de nota que no uso da palavra ‘ódio’ não aparece essa conexão íntima com o prazer sexual e a função sexual. A relação de desprazer parece ser a única decisiva. O ego odeia, abomina e persegue, com intenção de destruir, todos os objetos que constituem uma fonte de sensação desagradável para ele, sem levar em conta que significam uma frustração quer da satisfação sexual, quer da satisfação das necessidades autopreservativas. Realmente, pode-se asseverar que os verdadeiros protótipos da relação de ódio se originam não da vida sexual, mas da luta do ego para preservar-se e manter-se.
Vemos, assim, que o amor e o ódio, que se nos apresentam como opostos completos em seu conteúdo, afinal de contas não mantêm entre si uma relação simples. Não surgiram da cisão de uma entidade originalmente comum, mas brotaram de fontes diferentes, tendo cada um deles se desenvolvido antes que a influência da relação prazer-desprazer os transformasse em opostos.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que as atitudes de amor e ódio não podem ser utilizadas para as relações entre os instintos e seus objetos, mas estão reservadas para as relações entre o ego total e os objetos.
Assim, a palavra ‘amar’ desloca-se cada vez mais para a esfera da pura relação de prazer entre o ego e o objeto, e finalmente se fixa a objetos sexuais no sentido mais estrito e àqueles que satisfazem as necessidades dos instintos sexuais sublimados. Os instintos componentes da sexualidade que estão sob a primazia dos órgãos genitais estão a serviço da reprodução.
É digno de nota que no uso da palavra ‘ódio’ não aparece essa conexão íntima com o prazer sexual e a função sexual. A relação de desprazer parece ser a única decisiva. O ego odeia, abomina e persegue, com intenção de destruir, todos os objetos que constituem uma fonte de sensação desagradável para ele, sem levar em conta que significam uma frustração quer da satisfação sexual, quer da satisfação das necessidades autopreservativas. Realmente, pode-se asseverar que os verdadeiros protótipos da relação de ódio se originam não da vida sexual, mas da luta do ego para preservar-se e manter-se.
Vemos, assim, que o amor e o ódio, que se nos apresentam como opostos completos em seu conteúdo, afinal de contas não mantêm entre si uma relação simples. Não surgiram da cisão de uma entidade originalmente comum, mas brotaram de fontes diferentes, tendo cada um deles se desenvolvido antes que a influência da relação prazer-desprazer os transformasse em opostos.
Mattanó aponta que as atitudes de amor e ódio não podem ser utilizadas para as relações entre os instintos e seus objetos, mas estão reservadas para as relações entre o ego total e os objetos. Vemos que as atitudes de amor e de ódio relacionam-se ao ego total e aos seus objetos e nunca aos instintos e seus objetos. O ego total através dos seus objetos cria significados e sentidos que desenrolam atitudes de amor e de ódio.
Assim, a palavra ‘amar’ desloca-se cada vez mais para a esfera da pura relação de prazer entre o ego e o objeto, e finalmente se fixa a objetos sexuais no sentido mais estrito e àqueles que satisfazem as necessidades dos instintos sexuais sublimados. Os instintos componentes da sexualidade que estão sob a primazia dos órgãos genitais estão a serviço da reprodução. Vemos que a palavra ¨amar¨ tem propriedades comportamentais de vincular-se a uma relação de prazer entre o ego e o objeto, indo em direção aos objetos sexuais que satisfazem os instintos sexuais sublimados. Sabe-se que os instintos da sexualidade estão sob a primazia dos órgãos genitais e a serviço da reprodução, inclusive com seus significados e sentidos que adquirem a malícia comportamental.
É digno de nota que no uso da palavra ‘ódio’ não aparece essa conexão íntima com o prazer sexual e a função sexual. A relação de desprazer parece ser a única decisiva. O ego odeia, abomina e persegue, com intenção de destruir, todos os objetos que constituem uma fonte de sensação desagradável para ele, sem levar em conta que significam uma frustração quer da satisfação sexual, quer da satisfação das necessidades autopreservativas. Realmente, pode-se asseverar que os verdadeiros protótipos da relação de ódio se originam não da vida sexual, mas da luta do ego para preservar-se e manter-se. Vemos que a palavra ¨ódio¨ não tem conexão íntima com o prazer sexual e a função sexual, mas sim com a intenção de destruir todos os objetos que constituem uma fonte de sensação desagradável para ele, ou seja, da luta do ego para se preservar e se manter, e para isto utiliza seus significados e sentidos, inclusive sua malícia que se converte em maldade.
Vemos, assim, que o amor e o ódio, que se nos apresentam como opostos completos em seu conteúdo, afinal de contas não mantêm entre si uma relação simples. Não surgiram da cisão de uma entidade originalmente comum, mas brotaram de fontes diferentes, tendo cada um deles se desenvolvido antes que a influência da relação prazer-desprazer os transformasse em opostos. Vemos que o amor e o ódio surgem de fontes diferentes e mantêm uma relação simples de prazer-desprazer que se transforma em opostos, gerando significados e sentidos que também são opostos completos que podemos testemunhar nas relações da argumentação e da linguagem com o inconsciente, ela através da linguagem, dos símbolos, das metáforas e das metonímias, da semântica, dos conceitos, da literalidade, das razões, do controle, dos contextos, da topografia, dos atos falhos, dos esquecimentos, dos lapsos de linguagem, dos niilismos, atos ilocucionários, atos perlocucionários, dos pressupostos e subentendidos, do mostrar, dizer e fazer, do posto, das parapraxias, por exemplo.
MATTANÓ
(09/10/2025)
SOBRE A INVESTIGAÇÃO PARANORMAL POR TELEPATIA (2025):
Mattanó aponta que a investigação paranormal por telepatia suscita o poder de abusar, explorar e controlar as contingências envolvidas no crime de pedofilia, de lavagem cerebral, de extorsão, de vingança, de estupro virtual, de voyeurismo e de despersonalização que põem em evidência o inconsciente do investigado, revelando o trauma, o infantil, o doméstico e o familiar que está recalcado em seu inconsciente, em sua história de vida.
MATTANÓ
(13/10/2025)
O PODER DO UNIVERSO (2025):
O Santo Sudário pode ser um ¨retrato¨ de um cadáver que quando Homem e em vida foi torturado e teve muita dor, loucura e muito sofrimento, pobreza e miséria, inclusive fome e sede, que foi a vida toda desfigurado e despersonalizado como vemos nos Evangelhos da Sagrada Escritura.
MATTANÓ
(13/10/2025)
HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2025):
Mattanó aponta que atualmente o Brasil e o mundo, sobretudo Londrina, vivem um meio ambiente contingenciado pela lavagem cerebral e pela despersonalização, pela violência, pela extorsão, pela vingança e pelo estupro virtual, pelo voyeurismo e pela loucura que acabam traumatizando as crianças e as demais pessoas que vivem nestes meios ambientes, onde são obrigadas e conviverem com estas contingências e relações que se transformam em relações sociais traumáticas, pois todo Homo Sapiens, é potencialmente, segundo a teoria psicanalíticamente, objeto de amor e de frustração, e nessa relação onde a intensidade da frustração, ocorre a modelagem do trauma psíquico e comportamental na criança e no adulto, que recorre ao seu conteúdo recalcado e inconsciente, infantil, doméstico e familiar, de modo que todos nós imersos neste ambiente cultural violento, de tráfico e de terror, de guerra e de conflito acabamos desenvolvendo traumas relacionados aos conteúdos oferecidos pelos estímulos do meio ambiente, se forem violentos e sexuais, pedófilos e estupradores ou homicidas e larápios ou torturadores acabaremos nos comportando assim, conforme as propriedades dos estímulos que desencadearão respostas e consequências como a loucura, a fome, a pobreza, a miséria, o desemprego, a evasão escolar, o satanismo, os homicídios, os roubos, os estupros, a guerra, os incêndios, a loucura, os conflitos, os tiroteios, a violência sexual e moral, a pornografia e a telepatia como forma de violência, ameaça e fuga da realidade, esta forma de administração revela-se muito perversa pois desvia-se dos caminhos obrigatórios e institucionais de uma administração e de uma investigação admirada e respeitada por todos os povos e nações deste mundo, como se fosse uma forma de satisfação sexual aliada a outra perversão que não se destina a função sexual, mas as demais zonas erógenas do corpo, da mesma forma essa administração e investigação utiliza todas as zonas erógenas do nosso corpo para suas finalidades sexuais e pouco responsáveis pela administração, investigação e segurança de todos, sem privilégios e discriminações, mas respeitando a universalidade dos povos e da nossa espécie, a Homo Sapiens. Sabemos que na literatura psicanalítica freudiana os casos de trauma ocorrem mediante coisas simples, mas de grande significação, de grande impacto e de grande sentido que é distorcido, como vemos hoje no Brasil e no mundo, sobretudo aqui em Londrina, desde 1995 ou antes mesmo, desde os anos 1975 com a ditadura militar, as comunicações, os atletas, a educação, os artistas, eu e minha família, meus amigos e amigas, a Igreja, as autoridades, os profissionais da saúde e da segurança. Agora todos nesta cidade ou nação estamos enfrentando o mesmo problema de lavagem cerebral, despersonalização, violência, estupro virtual, vingança, voyeurismo, loucura, tortura, depressão, síndrome de bournout, escravidão, injustiças, morte e perseguição, discriminação e ódio, intolerância e sentimento de abandono. E acabamos sendo negligenciados em nosso sofrimento, muitas vezes não diagnosticam nossos traumas e transtornos mentais por falta de capacidade técnica ou operacional, talvez até porque também são violentados e torturados, sofrem lavagem cerebral e acabam canalizando sua agressividade inconsciente para determinados pacientes, até mesmo políticos como o Presidente da República podem fazer isto com documentos que deem ordens para profissionais da saúde matar determinados pacientes que ele não tolere nenhum pouco, documentos como já testemunhei de uma funcionária de Hospital de Londrina chamado de ¨carta branca para matar¨. E o direito a vida e a saúde de todos?! Talvez por causa disto me envolvem e a minha família com crimes e brigas ou rixas com o tráfico de drogas em determinados locais como o Super Muffato de Londrina - e o direito a vida, a alimentação, ao trabalho, ao patrimônio, as finanças e a economia, a família, a liberdade, a consciência e a liberdade de pensamento, ao ir e vir, ao transporte, ao silêncio, aos segredos e ao sigilo, a segurança? Isto é uma vergonha!
MATTANÓ
(13/10/2025)
Resta-nos agora reunir o que sabemos da gênese do amor e do ódio. O amor deriva da capacidade do ego de satisfazer auto-eroticamente alguns dos seus impulsos instintuais pela obtenção do prazer do órgão. É originalmente narcisista, passando então para objetos, que foram incorporados ao ego ampliado, e expressando os esforços motores do ego em direção a esses objetos como fontes de prazer. Tornar-se intimamente vinculado à atividade dos instintos sexuais ulteriores e, quando estes são inteiramente sintetizados, coincide com o impulso sexual como um todo. As fases preliminares do amor surgem como finalidades sexuais provisórias enquanto os instintos sexuais passam por seu complicado desenvolvimento. Reconhecemos a fase de incorporação ou devoramento como sendo a primeira dessas finalidades - um tipo de amor que é compatível com a abolição da existência separada do objeto e que, portanto, pode ser descrito como ambivalente. Na fase mais elevada da organização sádico-anal pré-genital, a luta pelo objeto aparece sob a forma de uma ânsia (urge) de dominar, para a qual o dano ou o aniquilamento do objeto é indiferente. O amor nessa forma e nessa fase preliminar quase não se distingue do ódio em sua atitude para com o objeto. Só depois de estabelecida a organização genital é que o amor se torna o oposto do ódio.
O ódio, enquanto relação com objetos, é mais antigo que o amor. Provém do repúdio primordial do ego narcisista ao mundo externo com seu extravasamento de estímulos. Enquanto expressão da reação do desprazer evocado por objetos, sempre permanece numa relação íntima com os instintos autopreservativos, de modo que os instintos sexuais e os do ego possam prontamente desenvolver uma antítese que repete a do amor e do ódio. Quando os instintos do ego dominam a função sexual, como é o caso na fase da organização anal-sádica, eles transmitem as qualidades de ódio também à finalidade instintual.
A história das origens e relações do amor nos permite compreender como é que o amor com tanta freqüência se manifesta como ‘ambivalente’ - isto é, acompanhado de impulsos de ódio contra o mesmo objeto. O ódio que se mescla ao amor provém em parte das fases preliminares do amar não inteiramente superadas; baseia-se também em parte nas reações de repúdio aos instintos do ego, os quais, em vista dos freqüentes conflitos entre os interesses do ego e os do amor, podem encontrar fundamentos em motivos reais e contemporâneos. Em ambos os casos, portanto, o ódio mesclado tem como sua fonte os instintos auto-preservativos. Se uma relação de amor com um dado objeto for rompida, freqüentemente o ódio surgirá em seu lugar, de modo que temos a impressão de uma transformação do amor em ódio. Esse relato do que acontece leva ao conceito de que o ódio, que tem seus motivos reais, é aqui reforçado por uma regressão do amor à fase preliminar sádica, de modo que o ódio adquire um caráter erótico, ficando assegurada a continuidade de uma relação de amor.
A terceira antítese do amar, a transformação do amar em ser amado, corresponde à atuação da polaridade da atividade e da passividade, devendo ser julgada da mesma maneira que os casos de escopofilia e sadismo.
Podemos resumir dizendo que o traço essencial das vicissitudes sofridas pelos instintos está na sujeição dos impulsos instintuais às influências das três grandes polaridades que dominam a vida mental. Dessas três polaridades podemos descrever a da atividade-passividade como a biológica, a do ego-mundo externo como a real, e finalmente a do prazer-desprazer como a polaridade econômica.
A vicissitude instintual da repressão constituirá assunto de uma indagação que se segue [no artigo seguinte].
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que O amor deriva da capacidade do ego de satisfazer auto-eroticamente alguns dos seus impulsos instintuais pela obtenção do prazer do órgão. É originalmente narcisista, passando então para objetos, que foram incorporados ao ego ampliado, e expressando os esforços motores do ego em direção a esses objetos como fontes de prazer. Tornar-se intimamente vinculado à atividade dos instintos sexuais ulteriores e, quando estes são inteiramente sintetizados, coincide com o impulso sexual como um todo. As fases preliminares do amor surgem como finalidades sexuais provisórias enquanto os instintos sexuais passam por seu complicado desenvolvimento. Reconhecemos a fase de incorporação ou devoramento como sendo a primeira dessas finalidades - um tipo de amor que é compatível com a abolição da existência separada do objeto e que, portanto, pode ser descrito como ambivalente. Na fase mais elevada da organização sádico-anal pré-genital, a luta pelo objeto aparece sob a forma de uma ânsia (urge) de dominar, para a qual o dano ou o aniquilamento do objeto é indiferente. O amor nessa forma e nessa fase preliminar quase não se distingue do ódio em sua atitude para com o objeto. Só depois de estabelecida a organização genital é que o amor se torna o oposto do ódio.
O ódio, enquanto relação com objetos, é mais antigo que o amor. Provém do repúdio primordial do ego narcisista ao mundo externo com seu extravasamento de estímulos. Enquanto expressão da reação do desprazer evocado por objetos, sempre permanece numa relação íntima com os instintos autopreservativos, de modo que os instintos sexuais e os do ego possam prontamente desenvolver uma antítese que repete a do amor e do ódio. Quando os instintos do ego dominam a função sexual, como é o caso na fase da organização anal-sádica, eles transmitem as qualidades de ódio também à finalidade instintual.
A história das origens e relações do amor nos permite compreender como é que o amor com tanta freqüência se manifesta como ‘ambivalente’ - isto é, acompanhado de impulsos de ódio contra o mesmo objeto. O ódio que se mescla ao amor provém em parte das fases preliminares do amar não inteiramente superadas; baseia-se também em parte nas reações de repúdio aos instintos do ego, os quais, em vista dos freqüentes conflitos entre os interesses do ego e os do amor, podem encontrar fundamentos em motivos reais e contemporâneos. Em ambos os casos, portanto, o ódio mesclado tem como sua fonte os instintos auto-preservativos. Se uma relação de amor com um dado objeto for rompida, freqüentemente o ódio surgirá em seu lugar, de modo que temos a impressão de uma transformação do amor em ódio. Esse relato do que acontece leva ao conceito de que o ódio, que tem seus motivos reais, é aqui reforçado por uma regressão do amor à fase preliminar sádica, de modo que o ódio adquire um caráter erótico, ficando assegurada a continuidade de uma relação de amor.
A terceira antítese do amar, a transformação do amar em ser amado, corresponde à atuação da polaridade da atividade e da passividade, devendo ser julgada da mesma maneira que os casos de escopofilia e sadismo.
Podemos resumir dizendo que o traço essencial das vicissitudes sofridas pelos instintos está na sujeição dos impulsos instintuais às influências das três grandes polaridades que dominam a vida mental. Dessas três polaridades podemos descrever a da atividade-passividade como a biológica, a do ego-mundo externo como a real, e finalmente a do prazer-desprazer como a polaridade econômica.
Mattanó aponta que o amor deriva da capacidade do ego de satisfazer auto-eroticamente alguns dos seus impulsos instintuais pela obtenção do prazer do órgão. É originalmente narcisista, passando então para objetos, que foram incorporados ao ego ampliado, e expressando os esforços motores do ego em direção a esses objetos como fontes de prazer. Tornar-se intimamente vinculado à atividade dos instintos sexuais ulteriores e, quando estes são inteiramente sintetizados, coincide com o impulso sexual como um todo. As fases preliminares do amor surgem como finalidades sexuais provisórias enquanto os instintos sexuais passam por seu complicado desenvolvimento. Reconhecemos a fase de incorporação ou devoramento como sendo a primeira dessas finalidades - um tipo de amor que é compatível com a abolição da existência separada do objeto e que, portanto, pode ser descrito como ambivalente. Na fase mais elevada da organização sádico-anal pré-genital, a luta pelo objeto aparece sob a forma de uma ânsia (urge) de dominar, para a qual o dano ou o aniquilamento do objeto é indiferente. O amor nessa forma e nessa fase preliminar quase não se distingue do ódio em sua atitude para com o objeto. Só depois de estabelecida a organização genital é que o amor se torna o oposto do ódio. Vemos aqui como o amor surge, como algo narcisista que através dos esforços motores em direção aos objetos de prazer encontra satisfação, tornando-se intimamente vinculado à atividade dos instintos sexuais ulteriores que passam por um complicado desenvolvimento. Este se realiza com a fase de incorporação ou devoramento, um tipo de amor que é compatível com a abolição da existência separada do objeto e que pode ser descrita como ambivalente. Aqui o amor é sensório-motor, e imitativo, controlado, discriminado e atento. Onde na fase da mais elevada da organização sádio-anal pré-genital, a luta pelo objeto aparece através de uma ânsia (urge) de dominar, para o qual o dano ou o aniquilamento do objeto é indiferente. O amor nessa fase quase não se distingue do ódio em sua atitude para com o objeto. Aqui o amor é pré-operacional, começa a adquirir uma linguagem, significado e sentido.
O ódio, enquanto relação com objetos, é mais antigo que o amor. Provém do repúdio primordial do ego narcisista ao mundo externo com seu extravasamento de estímulos. Enquanto expressão da reação do desprazer evocado por objetos, sempre permanece numa relação íntima com os instintos autopreservativos, de modo que os instintos sexuais e os do ego possam prontamente desenvolver uma antítese que repete a do amor e do ódio. Quando os instintos do ego dominam a função sexual, como é o caso na fase da organização anal-sádica, eles transmitem as qualidades de ódio também à finalidade instintual. Vemos aqui que o ódio enquanto relação com os objetos é mais antigo que o amor. Ele provém do repúdio primordial do ego narcisista ao mundo externo com seu extravasamento de estímulos. Ou seja, ele deriva do seu descontentamento narcisista em relação ao mundo externo que lhe é hostil e adverso ou exigente, evolutivo, seletivo e competitivo. Enquanto expressão da reação do desprazer evocado por objetos, sempre permanece numa relação íntima com os instintos autopreservativos, de modo que os instintos sexuais e os do ego possam prontamente desenvolver uma antítese que repete a do amor e do ódio. As reações de desprazer do ego diante do meio ambiente externo que é exigente, evolutivo, seletivo e competitivo, fazem com que o indivíduo permaneça numa relação íntima com os seus instintos autopreservativos que desenvolvem uma antítise que reproduz a do amor e do ódio. Quando os instintos do ego dominam a função sexual, como é o caso na fase da organização anal-sádica, eles transmitem as qualidades de ódio também à finalidade instintual. E quando os instintos do ego dominam a função sexual, como na fase da organização anal-sádica, eles exibem as qualidades de ódio também a finalidade instintual através das suas consequências adversas e exigentes.
A história das origens e relações do amor nos permite compreender como é que o amor com tanta freqüência se manifesta como ‘ambivalente’ - isto é, acompanhado de impulsos de ódio contra o mesmo objeto. O ódio que se mescla ao amor provém em parte das fases preliminares do amar não inteiramente superadas; baseia-se também em parte nas reações de repúdio aos instintos do ego, os quais, em vista dos freqüentes conflitos entre os interesses do ego e os do amor, podem encontrar fundamentos em motivos reais e contemporâneos. Em ambos os casos, portanto, o ódio mesclado tem como sua fonte os instintos auto-preservativos. Se uma relação de amor com um dado objeto for rompida, freqüentemente o ódio surgirá em seu lugar, de modo que temos a impressão de uma transformação do amor em ódio. Esse relato do que acontece leva ao conceito de que o ódio, que tem seus motivos reais, é aqui reforçado por uma regressão do amor à fase preliminar sádica, de modo que o ódio adquire um caráter erótico, ficando assegurada a continuidade de uma relação de amor. Vemos que a história o amor sempre foi ambivalente, isto é, acompanhada de ódio. O ódio que se mescla ao amor provém em parte das fases preliminares do amar não inteiramente superadas; baseia-se também em parte nas reações de repúdio aos instintos do ego, os quais, em vista dos freqüentes conflitos entre os interesses do ego e os do amor, podem encontrar fundamentos em motivos reais e contemporâneos. Em ambos os casos, portanto, o ódio mesclado tem como sua fonte os instintos auto-preservativos. Vemos que os instintos auto-preservativos mantêm o indivíduo no mundo real, tema ver com o princípio da realidade, opondo-se ao princípio do prazer. Se uma relação de amor com um dado objeto for rompida, freqüentemente o ódio surgirá em seu lugar, de modo que temos a impressão de uma transformação do amor em ódio. Vemos que quando o amor é rompido numa relação ele é substituído pelo ódio, de modo a ressignificar o mundo de significados e sentidos dessas pessoas, de maneira inconsciente e automática.
A terceira antítese do amar, a transformação do amar em ser amado, corresponde à atuação da polaridade da atividade e da passividade, devendo ser julgada da mesma maneira que os casos de escopofilia e sadismo. Vemos que a transformação do amar em ser amado nos revela a polaridade da atividade e da passividade da terceira antítese do amor, como nos casos de escopofilia e sadismo. Assim passamos da condição de sentir amor para nos sentirmos amados devido a polaridade atividade e passividade da pulsão da escopifilia e do sadismo.
Podemos resumir dizendo que o traço essencial das vicissitudes sofridas pelos instintos está na sujeição dos impulsos instintuais às influências das três grandes polaridades que dominam a vida mental. Dessas três polaridades podemos descrever a da atividade-passividade como a biológica, a do ego-mundo externo como a real, e finalmente a do prazer-desprazer como a polaridade econômica. Vemos que temos três grandes polaridades que dominam a vida mental: a atividade-passividade, a do ego-mundo externo com a real, e a do prazer-desprazer como a polaridade econômica da vida mental.
MATTANÓ
(16/10/2025)
O NIILISMO E A CONSCIÊNCIA (2025):
Mattanó aponta que as neuroses, psicoses, sociopatias e/ou transtornos mentais surgem para tomar o espaço que está ocioso e niilista em nossa vida psíquica e comportamental, de modo que assumam o controle com sua literalidade, razões, controle ou contextualização e até com sua dessensibilização por meio da consciência que acaba dominando sua cultura, conhecimento e realidade. Assim o significado do vazio é ser preenchido por algo que sirva de instrumento para sua adaptação comportamental, fisiológica e morfológica diante das adversidades e exigências do meio ambiente que sempre serão evolutivas, seletivas e competitivas, podendo levar até mesmo a processos involutivos.
MATTANÓ
(17/10/2025)
SOBRE A CONTINGÊNCIA E A FUNCIONALIDADE (2025):
Mattanó aponta que o determinante de um evento está diretamente associado as propriedades do seu estímulo - resposta - consequência, funcionalidade, que depende da contingência, de relações do tipo ¨se..., então...¨, para que tenha seu significado e seu sentido operantes na relação do indivíduo com o meio ambiente. Assim o estímulo, a resposta, a consequência e a contingência tornam-se os grandes mantenedores ou modificadores do comportamento humano e animal, sendo que o comportamento humano inclui mais duas propriedades, os significados e os sentidos, em função da sua consciência, cultura, conhecimento e realidade, mas isto tudo só é possível porque o cérebro pode possuir neurônios que são competitivos, uns com os outros, ou seja, evolutivos, seletivos e competitivos e até, involutivos que podem gerar novas habilidades como a paranormalidade e a hiperestesia ou descartar outras habilidades, como trepar e viver em árvores, tornando-nos mais especializados e capacitados em determinadas áreas do comportamento e do psiquismo, justamente para solucionarmos problemas e sobrevivermos as exigências e adversidades do meio ambiente.
MATTANÓ
(22/10/2025)
HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2025):
Mattanó comenta que o Ministério Público de Justiça é corrupto e ladrão pois jamais me informou que eu tinha e tenho direito a indenizações de vários crimes desde os anos 1975, como nunca informou meus familiares, pai, mãe, irmão e irmã e demais, mas informa toda a cidade de Londrina de 1999 que terão direito a indenização por violação da intimidade e da privacidade causada por mim, segundo acusações da Justiça de Londrina, que jamais me defendeu e parece já ter autorizado me deixarem falecer no Hospital Psiquiátrico do Shangri-lá de Londrina em 1999, especificamente, o promotor da área de saúde, o Presidente da República, o Ministro da Saúde, o Papa, o Presidente dos Estados Unidos da América e que tentaram jogar a culpa através de agentes vizinhos de minha residência que falaram ou telefonaram para meus familiares e pediram autorização para me matar, mas eu já havia morrido e esse tipo de pedido é transferência de responsabilidade, é tentativa de matar o resto de minha família, então ainda hoje sou perseguido pelo Ministério Público que parece solicitar aos profissionais da saúde que me negligenciem como testemunhei ontem no Posto de Saúde do Cafezal, onde ouvi conversas de que o promotor da área da saúde mandou negar um pedido de minha mãe que é amparado por lei federal para solucionar o meu problema de apnéia grave que vem se arrastando há uns 10 anos, conforme exames, que segundo a Cláudia Celi, virtualmente, da RPC/Rede Globo também houve negligência médica por ordem superior para tentarem me matar, mas eu não morri de apnéia grave, mesmo já tendo tido um infarto. Será que o comitê do Prêmio Nobel também está envolvido nisto? Ou estão mentindo até mesmo para o comitê do Prêmio Nobel!? Quando haverá Justiça neste país?
MATTANÓ
(22/10/2025)
REPRESSÃO (1915)
NOTA DO EDITOR INGLÊS DIE VERDRÏNGUNG
(a) EDIÇÕES ALEMÃS:
1915 Int. Z. Psychoanal., 3 (3), 129-38.
1918 S.K.S.N., 4, 279-93. (1922, 2ª ed.)
1924 G.S., 5, 466-79.
1924 Techinik und Metapsychol., 188-201.
1931 Theoretische Schriften, 83-97.
1946 G.W., 10, 248-61.
(b) TRADUÇÃO INGLESA:
‘Repression’
1925 C.P., 4, 84-97. (Trad. C. M. Baines.)
A presente tradução inglesa, embora baseada na de 1925, foi amplamente reescrita.
Em sua ‘História do Movimento Psicanalítico’ (1914d), Freud declarou que ‘a teoria da repressão é pedra angular sobre a qual repousa toda a estrutura da psicanálise’ (ver em [1] acima); e no presente ensaio, juntamente com a Seção IV do artigo sobre ‘O Inconsciente’ que a ela se segue (ver em [1] e segs.), oferece-nos sua formulação mais elaborada dessa teoria.
O conceito de repressão remonta historicamente aos primórdios da psicanálise. A primeira referência a ele que foi publicada, consta da ‘Comunicação Preliminar’ de Breuer e Freud (Edição Standard Brasileira, Vol. II, pág. 51, IMAGO Editora, 1974). O termo ‘Verdrängung‘ fora empregado pelo psicólogo Herbart, no início do século XIX, e possivelmente chegou ao conhecimento de Freud através de seu mestre Meynert, que tinha sido admirador de Herbart. Mas, como o próprio Freud insistiu no trecho da ‘História’ já citado (pág. acima), ‘a teoria da repressão, sem dúvida alguma, ocorreu-me independentemente de qualquer outra fonte’. ‘Foi uma novidade’, escreveu em seu Autobiographical Study (1925d), ‘e nada semelhante havia sido reconhecido anteriormente na vida mental.’ Existem, nos escritos de Freud, vários relatos de como ocorreu a descoberta: por exemplo, nos Estudos sobre a Histeria (1895d), Edição Standard Brasileira, Vol. II, págs. 324-6, IMAGO Editora, 1974, e novamente na ‘História’, pág. 36 acima. Todos esses relatos são unânimes em ressaltar o fato de que o conceito de repressão foi inevitavelmente sugerido pelo fenômeno clínico da resistência, que por sua vez foi trazido à luz por uma inovação técnica - a saber, o abandono da hipnose no tratamento catártico da histeria.
Notar-se-á que no relato feito nos Estudos o termo realmente empregado para descrever o processo não é ‘repressão’ mas ‘defesa’. Nesse período inicial, os dois termos foram utilizados por Freud indiretamente, quase como equivalentes, embora ‘defesa’ fosse talvez o mais comum. Logo, contudo, como observou em seu artigo sobre a sexualidade nas neuroses (1960a), Edição Standard Brasileira, Vol. VII, pág. 288, anamnese do ‘Homem dos Ratos’ (1909d) Freud examinou o mecanismo de ‘repressão’ na neurose obsessiva - isto é, o deslocamento da catexia emocional da idéia objetável, em contraste com a expulsão completa da idéia da consciência, na histeria - e referiu-se a ‘duas espécies de repressão’ (Standard Ed., 10, 196). De fato, é nesse sentido mais amplo que o termo é utilizado no presente artigo, como fica demonstrado pela discussão, que aparece quase no final, sobre os diferentes mecanismos de repressão nas várias formas da psiconeurose. Parece bastante claro, todavia, que a forma da repressão que Freud tinha em mente, aqui, era sobretudo a que ocorre na histeria; e muito mais adiante, no Capítulo XI, Seção A (c), de Inhibitions, Symptons and Anxiety (1926d), ele propôs restringir o termo ‘repressão’ a esse único mecanismo particular, e reviver ‘defesa’ como ‘uma designação geral para todas as técnicas empregadas pelo ego em conflitos que possam levar a uma neurose’. A importância de estabelecer essa distinção foi depois ilustrada por ele na Seção V de ‘Analysis Terminable and Interminable’ (1937c).
O problema especial da natureza da força motora, que permite à repressão operar, constitui uma fonte constante de preocupação para Freud, embora quase não seja abordado no presente artigo. Em particular, havia a questão da relação entre a repressão e o sexo, em relação à qual Freud, inicialmente, não tinha uma posição definida, como se pode ver em muitos pontos da correspondência de Fliess (1950a). Subseqüentemente, contudo, ele rejeitou com firmeza qualquer tentativa de ‘sexualizar’ a repressão. Um exame completo dessa questão (com particular referência aos conceitos de Adler) será encontrado na última seção de “A Child is Being Beaten”, (1919e), Standard Ed., 17, 200 e segs. Mais tarde ainda, em Inhibitions Symptons and Anxiety (1926d), especialmente no Capítulo IV, e na parte inicial da Conferência XXXII das New Introductory Lectures (1933a), ele lançou nova luz sobre o assunto argumentando que a ansiedade não era, como sustentara anteriormente e como afirma no artigo que se segue, por exemplo nas págs. 157 e 159, uma conseqüência da repressão, mas uma das principais forças motoras conducentes à mesma.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que ‘a teoria da repressão é pedra angular sobre a qual repousa toda a estrutura da psicanálise’. O conceito de repressão remonta historicamente aos primórdios da psicanálise. A primeira referência a ele que foi publicada, consta da ‘Comunicação Preliminar’ de Breuer e Freud (Edição Standard Brasileira, Vol. II, pág. 51, IMAGO Editora, 1974). O termo ‘Verdrängung‘ fora empregado pelo psicólogo Herbart, no início do século XIX, e possivelmente chegou ao conhecimento de Freud através de seu mestre Meynert, que tinha sido admirador de Herbart. Mas, como o próprio Freud insistiu no trecho da ‘História’ já citado (pág. acima), ‘a teoria da repressão, sem dúvida alguma, ocorreu-me independentemente de qualquer outra fonte’. ‘Foi uma novidade’, escreveu em seu Autobiographical Study (1925d), ‘e nada semelhante havia sido reconhecido anteriormente na vida mental.’ Existem, nos escritos de Freud, vários relatos de como ocorreu a descoberta: por exemplo, nos Estudos sobre a Histeria (1895d), Edição Standard Brasileira, Vol. II, págs. 324-6, IMAGO Editora, 1974, e novamente na ‘História’, pág. 36 acima. Todos esses relatos são unânimes em ressaltar o fato de que o conceito de repressão foi inevitavelmente sugerido pelo fenômeno clínico da resistência, que por sua vez foi trazido à luz por uma inovação técnica - a saber, o abandono da hipnose no tratamento catártico da histeria.
Notar-se-á que no relato feito nos Estudos o termo realmente empregado para descrever o processo não é ‘repressão’ mas ‘defesa’. Nesse período inicial, os dois termos foram utilizados por Freud indiretamente, quase como equivalentes, embora ‘defesa’ fosse talvez o mais comum.
No Capítulo XI, Seção A (c), de Inhibitions, Symptons and Anxiety (1926d), ele propôs restringir o termo ‘repressão’ a esse único mecanismo particular, e reviver ‘defesa’ como ‘uma designação geral para todas as técnicas empregadas pelo ego em conflitos que possam levar a uma neurose’. A importância de estabelecer essa distinção foi depois ilustrada por ele na Seção V de ‘Analysis Terminable and Interminable’ (1937c).
Mais tarde ainda, em Inhibitions Symptons and Anxiety (1926d), especialmente no Capítulo IV, e na parte inicial da Conferência XXXII das New Introductory Lectures (1933a), ele lançou nova luz sobre o assunto argumentando que a ansiedade não era, como sustentara anteriormente e como afirma no artigo que se segue, por exemplo nas págs. 157 e 159, uma conseqüência da repressão, mas uma das principais forças motoras conducentes à mesma.
Mattanó aponta que ‘a teoria da repressão é pedra angular sobre a qual repousa toda a estrutura da psicanálise’. O conceito de repressão remonta historicamente aos primórdios da psicanálise. A primeira referência a ele que foi publicada, consta da ‘Comunicação Preliminar’ de Breuer e Freud (Edição Standard Brasileira, Vol. II, pág. 51, IMAGO Editora, 1974). O termo ‘Verdrängung‘ fora empregado pelo psicólogo Herbart, no início do século XIX, e possivelmente chegou ao conhecimento de Freud através de seu mestre Meynert, que tinha sido admirador de Herbart. Mas, como o próprio Freud insistiu no trecho da ‘História’ já citado (pág. acima), ‘a teoria da repressão, sem dúvida alguma, ocorreu-me independentemente de qualquer outra fonte’. ‘Foi uma novidade’, escreveu em seu Autobiographical Study (1925d), ‘e nada semelhante havia sido reconhecido anteriormente na vida mental.’ Existem, nos escritos de Freud, vários relatos de como ocorreu a descoberta: por exemplo, nos Estudos sobre a Histeria (1895d), Edição Standard Brasileira, Vol. II, págs. 324-6, IMAGO Editora, 1974, e novamente na ‘História’, pág. 36 acima. Todos esses relatos são unânimes em ressaltar o fato de que o conceito de repressão foi inevitavelmente sugerido pelo fenômeno clínico da resistência, que por sua vez foi trazido à luz por uma inovação técnica - a saber, o abandono da hipnose no tratamento catártico da histeria. Vemos que a repressão como conceito surgiu entre o abandono da hipnose como tratamento e o descobrimento da resistência como fenômeno clínico, derivado dessa inovação técnica.
Notar-se-á que no relato feito nos Estudos o termo realmente empregado para descrever o processo não é ‘repressão’ mas ‘defesa’. Nesse período inicial, os dois termos foram utilizados por Freud indiretamente, quase como equivalentes, embora ‘defesa’ fosse talvez o mais comum. Vemos que o termo ¨repressão¨ diz respeito a uma ¨defesa¨ psíquica.
No Capítulo XI, Seção A (c), de Inhibitions, Symptons and Anxiety (1926d), ele propôs restringir o termo ‘repressão’ a esse único mecanismo particular, e reviver ‘defesa’ como ‘uma designação geral para todas as técnicas empregadas pelo ego em conflitos que possam levar a uma neurose’. A importância de estabelecer essa distinção foi depois ilustrada por ele na Seção V de ‘Analysis Terminable and Interminable’ (1937c). Vemos que a ¨repressão¨ é um mecanismo que visa reviver uma ¨defesa¨ empregada pelo ego em conflitos que possam desencadear uma neurose.
Mais tarde ainda, em Inhibitions Symptons and Anxiety (1926d), especialmente no Capítulo IV, e na parte inicial da Conferência XXXII das New Introductory Lectures (1933a), ele lançou nova luz sobre o assunto argumentando que a ansiedade não era, como sustentara anteriormente e como afirma no artigo que se segue, por exemplo nas págs. 157 e 159, uma conseqüência da repressão, mas uma das principais forças motoras conducentes à mesma. Vemos, pois, que a ansiedade não é consequência da repressão, mas sim uma dos caminhos ou forças que a produziam, ou seja, que levavam a ela, isto é a ansiedade leva a ¨repressão¨ ou a ¨defesa¨.
MATTANÓ
(25/10/2025)
HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2025):
Mattanó aponta que pode haver autoridades e mandatários no mundo atual que não estão sabendo reprimir sua sexualidade quando dão ordens para estuprar ou estuprar virtualmente indivíduos, famílias ou comunidades inteiras, inclusive de crianças e de religiosos e religiosas através da música e das forças armadas, que podem estar utilizando de lavagem cerebral, despersonalização, tortura, extorsão, vingança, voyeurismo, linguagem sexista e loucura para administrarem e castigarem seus inimigos ou opositores que se encontram em condição de não terem como se defenderem dessas ações, acabando mergulhando no inconsciente e no comportamento insalubre mediado pela loucura sexual de seus administradores, que vêem nesse contexto o meio ambiente ideal para exibirem esses dotes psicológicos, comportamentais, sexuais, sociais e morais, de modo a incrementarem seus atos com o extermínio de seus inimigos e opositores, que inconscientemente são opositores sexuais e morais.
MATTANÓ
(25/10/2025)
AS ESCOLAS DE HOJE (2025):
Mattanó aponta que as escolas de hoje, inclusive as universidades e os cursos de Psicologia não educam seus alunos para terem uma identidade, orientação e papel sexuais do tipo LGBTQIAPN+:
L: Lésbicas (mulheres que se relacionam com mulheres);
G: Gays (homens que se relacionam com homens);
B: Bissexuais (pessoas que se relacionam com ambos os sexos);
T: Transsexuais e travestis (quem passou por transição de gênero);
Q: Queer (Pessoas que transitam entre os gêneros, como as drag queens);
I: Interssexo (Pessoa com qualidades e características masculinas e femininas);
A: Assexuais (quem não sente atração sexual por quaisquer pessoas);
P: Panssexuais (quem se se relaciona com quaisquer gêneros ou orientações sexuais);
N: Não-binário (sem gênero);
Pois se o fizessem chocariam o mundo e as famílias, e dentro destas instituições prevalece a educação tradicional heterossexual, pois ensinam biologia, e a biologia rivaliza com a psicologia que ensina a cultura e o padrão de comportamento LGBTQIAPN+, tentando se afirmar e desconstruir a vida biológica e natural da nossa espécie, a Homo Sapiens para por em evidência um padrão sexual e moral construído numa consciência, cultura, conhecimento e realidade distorcidas da original, até mesmo virtual, pois cria uma rede complexa de relações virtuais que dependem de pactos sociais para existirem, enquanto que a heterossexualidade prevalece naturalmente, através de padrões fixos de comportamentos, de leis etológicas e biológicas, e não de pactos sociais - sexualidade é um padrão hormonal que produz desejo e malícia comportamental a partir da puberdade, isto não depende de pactos sociais, mas sim de padrões fixos de comportamentos, de um organismo biológico, de leis etológicas que desencadeiam padrões de comportamento para a sua reprodução e sobrevivência.
MATTANÓ
(25/10/2025)
O PARADIGMA DA LAVAGEM CEREBRAL E DA DESPERSONALIZAÇÃO (2025):
Temos um CONTEXTO onde temos um indivíduo com sua CONSCIÊNCIA, pela qual cria um FEEDFOWARD para ter um planejamento ou uma esperança, ele seleciona um ESTÍMULO que desencadeia uma RESPOSTA (a CONTINGÊNCIA), que produz CONSEQUÊNCIAS como LAVAGEM CEREBRAL, DESPERSONALIZAÇÃO, EXTORSÃO, VINGANÇA, ESTUPRO VIRTUAL, VOYEURISMO, LINGUAGEM SEXISTA, TORTURA e ESTELIONATO, para gerar um NOVO CONTEXTO.
MATTANÓ
(25/10/2025)
REPRESSÃO
Uma das vicissitudes que um impulso instintual pode sofrer é encontrar resistências que procuram torná-lo inoperante. Em certas condições, que logo investigaremos mais detidamente, o impulso passa então para o estado de ‘repressão’ [‘Verdrängung‘]. Se o que estava em questão era o funcionamento de um estímulo externo, obviamente se deveria adotar a fuga como método apropriado; para o instinto, a fuga não tem qualquer valia, pois o ego não pode escapar de si próprio. Em dado período ulterior, se verificará que a rejeição baseada no julgamento (condenação) constituirá um bom método a ser adotado contra um impulso instintual. A repressão é uma etapa preliminar da condenação, algo entre a fuga e a condenação; trata-se de um conceito que não poderia ter sido formulado antes da época dos estudos psicanalíticos.
Não é fácil deduzir em teoria a possibilidade de algo como a repressão. Por que deve um impulso instintual sofrer uma vicissitude como essa? Condição necessária para que ela ocorra deve ser, sem dúvida, que a consecução, pelo instinto, de sua finalidade produza desprazer em vez de prazer. Contudo, não podemos imaginar facilmente tal eventualidade. Não existem tais instintos: a satisfação de um instinto é sempre agradável. Teríamos de supor a existência de certas circunstâncias peculiares, alguma espécie de processo através do qual o prazer da satisfação se transforma em desprazer.
A fim de melhor determinar a repressão, examinemos algumas outras situações instintuais. Pode acontecer que um estímulo externo seja internalizado - corroendo e destruindo, por exemplo, algum órgão corpóreo -, de modo que surja uma nova fonte de excitação constante e de aumento de tensão. Assim, o estímulo adquire uma similaridade de longo alcance com um instinto. Sabemos que um caso desse tipo é experimentado por nós como dor. A finalidade desse pseudo-instinto, no entanto, consiste simplesmente na cessação da mudança no órgão e do desprazer que lhe é concomitante. Não há outro prazer direto a ser alcançado pela cessação da dor. Além disso, a dor é imperativa; as únicas coisas diante das quais ela pode ceder são a eliminação por algum agente tóxico ou a influência da distração mental.
O caso da dor é por demais obscuro para nos servir de ajuda em nossos propósitos. Tomemos o caso em que um estímulo instintual como a fome permanece insatisfeito. Ele se torna então imperativo e só pode ser aliviado pela ação que o satisfaz, mantendo uma constante tensão de necessidade. Nesse caso, nada da natureza de uma repressão, sequer remotamente, parece estar em questão.
Assim, por certo, a repressão não surge nos casos em que a tensão produzida pela falta de satisfação de um impulso instintual é elevada a um grau insuportável. Os métodos de defesa acessíveis ao organismo contra essa situação devem ser examinados em outra conexão.
Limitemo-nos, portanto, à experiência clínica, tal como encontrada na prática psicanalítica. Aprendemos então que a satisfação de um instinto que se acha sob repressão seria bastante possível, e, além disso, que tal satisfação seria invariavelmente agradável em si mesma, embora irreconciliável com outras reivindicações e intenções. Ela causaria, por conseguinte, prazer num lugar e desprazer em outro. Em conseqüência disso, torna-se condição para repressão que a força motora do desprazer adquira mais vigor do que o prazer obtido da satisfação. Ademais, a observação psicanalítica das neuroses de transferência leva-nos a concluir que a repressão não é um mecanismo defensivo que esteja presente desde o início; que ela só pode surgir quando tiver ocorrido uma cisão marcante entre a atividade mental consciente e a inconsciente; e que a essência da repressão consiste simplesmente em afastar determinada coisa do consciente, mantendo-a à distância. Esse conceito de repressão ficaria mais completo se supuséssemos que, antes de a organização mental alcançar essa fase, a tarefa de rechaçar os impulsos instintuais cabia às outras vicissitudes, às quais os instintos podem estar sujeitos - por exemplo, a reversão no oposto ou o retorno em direção ao próprio eu (self) do sujeito [ver em [1]].
Afigura-se-nos agora que, em vista da grande extensão da correlação entre repressão e o que é inconsciente, devemos adiar o exame mais aprofundado da natureza da repressão até que tenhamos aprendido mais sobre a estrutura da sucessão de agentes psíquicos e sobre a diferenciação entre o que é inconsciente e consciente. [Ver o artigo seguinte em [1] e segs.] Até então, tudo o que podemos fazer é reunir de maneira puramente descritiva algumas características da repressão que tenham sido observadas clinicamente, ainda que corramos o risco de ter de repetir, sem modificação, muito do que já foi dito em outros lugares.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a repressão é uma etapa preliminar da condenação, algo entre a fuga e a condenação; trata-se de um conceito que não poderia ter sido formulado antes da época dos estudos psicanalíticos.
Condição necessária para que ela ocorra deve ser, sem dúvida, que a consecução, pelo instinto, de sua finalidade produza desprazer em vez de prazer. Teríamos de supor a existência de certas circunstâncias peculiares, alguma espécie de processo através do qual o prazer da satisfação se transforma em desprazer.
A fim de melhor determinar a repressão, examinemos algumas outras situações instintuais. Pode acontecer que um estímulo externo seja internalizado - corroendo e destruindo, por exemplo, algum órgão corpóreo -, de modo que surja uma nova fonte de excitação constante e de aumento de tensão.
Não há outro prazer direto a ser alcançado pela cessação da dor. Além disso, a dor é imperativa; as únicas coisas diante das quais ela pode ceder são a eliminação por algum agente tóxico ou a influência da distração mental.
O caso da dor é por demais obscuro para nos servir de ajuda em nossos propósitos. Tomemos o caso em que um estímulo instintual como a fome permanece insatisfeito. Ele se torna então imperativo e só pode ser aliviado pela ação que o satisfaz, mantendo uma constante tensão de necessidade.
Assim, por certo, a repressão não surge nos casos em que a tensão produzida pela falta de satisfação de um impulso instintual é elevada a um grau insuportável. Os métodos de defesa acessíveis ao organismo contra essa situação devem ser examinados em outra conexão.
Limitemo-nos, portanto, à experiência clínica, tal como encontrada na prática psicanalítica. Aprendemos então que a satisfação de um instinto que se acha sob repressão seria bastante possível, e, além disso, que tal satisfação seria invariavelmente agradável em si mesma, embora irreconciliável com outras reivindicações e intenções. Ela causaria, por conseguinte, prazer num lugar e desprazer em outro. Em conseqüência disso, torna-se condição para repressão que a força motora do desprazer adquira mais vigor do que o prazer obtido da satisfação. Ademais, a observação psicanalítica das neuroses de transferência leva-nos a concluir que a repressão não é um mecanismo defensivo que esteja presente desde o início; que ela só pode surgir quando tiver ocorrido uma cisão marcante entre a atividade mental consciente e a inconsciente; e que a essência da repressão consiste simplesmente em afastar determinada coisa do consciente, mantendo-a à distância. Esse conceito de repressão ficaria mais completo se supuséssemos que, antes de a organização mental alcançar essa fase, a tarefa de rechaçar os impulsos instintuais cabia às outras vicissitudes, às quais os instintos podem estar sujeitos - por exemplo, a reversão no oposto ou o retorno em direção ao próprio eu (self) do sujeito [ver em [1]].
Mattanó aponta que a repressão é uma etapa preliminar da condenação, algo entre a fuga e a condenação; trata-se de um conceito que não poderia ter sido formulado antes da época dos estudos psicanalíticos. Vemos que a repressão também depende dos significados e dos sentidos das representações e dos objetos para que possa existir como algo entre a fuga e a condenação psicológica diante de alguma coisa ou objeto.
Condição necessária para que ela ocorra deve ser, sem dúvida, que a consecução, pelo instinto, de sua finalidade produza desprazer em vez de prazer. Teríamos de supor a existência de certas circunstâncias peculiares, alguma espécie de processo através do qual o prazer da satisfação se transforma em desprazer. Vemos que a repressão depende da produção de desprazer em vez de prazer, sendo este o seu mecanismo de satisfação.
A fim de melhor determinar a repressão, examinemos algumas outras situações instintuais. Pode acontecer que um estímulo externo seja internalizado - corroendo e destruindo, por exemplo, algum órgão corpóreo -, de modo que surja uma nova fonte de excitação constante e de aumento de tensão. Vemos que podemos examinar o mecanismo da repressão através de algum órgão corpóreo que esteja sendo destruído ou adoecendo, pois através da repressão um estímulo externo pode ser internalizado levando a um aumento de tensão corporal ou de algum órgão, que por sua vez adoece através do desprazer, ou seja, do desequilíbrio corporal e do desequilíbrio da sua homeostase, gerando dor e punição ao invés de prazer e reforço.
Não há outro prazer direto a ser alcançado pela cessação da dor. Além disso, a dor é imperativa; as únicas coisas diante das quais ela pode ceder são a eliminação por algum agente tóxico ou a influência da distração mental. Vemos que a dor e a punição só são cessadas por algum agente tóxico ou medicamento e pela influência da distração mental ou psicoterapia, que proporcionam uma reorganização da sua homeostase corporal, proporcionando prazer e reforço.
O caso da dor é por demais obscuro para nos servir de ajuda em nossos propósitos. Tomemos o caso em que um estímulo instintual como a fome permanece insatisfeito. Ele se torna então imperativo e só pode ser aliviado pela ação que o satisfaz, mantendo uma constante tensão de necessidade. Vemos que a fome torna-se outro exemplo de desequilíbrio da homeostase corporal quando proporciona fome, dor e punição e busca de alimento para que tenha prazer e reforço.
Assim, por certo, a repressão não surge nos casos em que a tensão produzida pela falta de satisfação de um impulso instintual é elevada a um grau insuportável. Os métodos de defesa acessíveis ao organismo contra essa situação devem ser examinados em outra conexão. Vemos que os métodos de defesa do indivíduo são mais amplos e tem outras conexões.
Limitemo-nos, portanto, à experiência clínica, tal como encontrada na prática psicanalítica. Aprendemos então que a satisfação de um instinto que se acha sob repressão seria bastante possível, e, além disso, que tal satisfação seria invariavelmente agradável em si mesma, embora irreconciliável com outras reivindicações e intenções. Ela causaria, por conseguinte, prazer num lugar e desprazer em outro. Em conseqüência disso, torna-se condição para repressão que a força motora do desprazer adquira mais vigor do que o prazer obtido da satisfação. Ademais, a observação psicanalítica das neuroses de transferência leva-nos a concluir que a repressão não é um mecanismo defensivo que esteja presente desde o início; que ela só pode surgir quando tiver ocorrido uma cisão marcante entre a atividade mental consciente e a inconsciente; e que a essência da repressão consiste simplesmente em afastar determinada coisa do consciente, mantendo-a à distância. Esse conceito de repressão ficaria mais completo se supuséssemos que, antes de a organização mental alcançar essa fase, a tarefa de rechaçar os impulsos instintuais cabia às outras vicissitudes, às quais os instintos podem estar sujeitos - por exemplo, a reversão no oposto ou o retorno em direção ao próprio eu (self) do sujeito [ver em [1]]. Vemos que a satisfação de um instinto normalmente causaria prazer por um lado e por outro lado, desprazer. Contudo para que a repressão exista ela deve considerar que o desprazer deve ser maior que o prazer, e ela só surge quando há uma cisão entre a atividade mental consciente e inconsciente, onde a coisa consciente é mantida longe da consciência, antes dela, da repressão, outros mecanismos agiam na mente, como a reversão no oposto ou o retorno em direção ao próprio eu (self) do sujeito, devido aos significados e sentidos dos seus objetos e representações que contém atos ilocucionários e atos perlocucionários, pressupostos e subentendidos, mostrar, dizer e fazer, um posto, maneiras de se atingir a vontade e de se convencer, buscar a adesão para eventos internos e externos, mediante uma entropia e neguentropia da consciência, da cultura, do conhecimento e da realidade.
MATTANÓ
(27/10/2025)
1a MENSAGEM DE JESUS CRISTO SOBRE OS 24 FRUTOS DA VIDA PARA O SEU AMOR EM 01 DE NOVEMBRO DE 2025, EM LONDRINA/PR/BRASIL ÀS 20 HORAS:
¨Por mais que você trabalhe na vida, você jamais terá tudo.¨
INTERPRETAÇÃO
O trabalho e a vida não oferecem tudo o que precisamos na vida, mas sim a oração e o Amor e a Misericórdia de Deus. O trabalho pode tentar o homem com seus frutos proibidos, através do roubo e da corrupção, da ganância e da luxúria, do estupro e da loucura, da tortura e da violência, da lavagem cerebral, da extorsão, da vingança e da despersonalização. Só o Amor e a Misericórdia de Deus reconciliam o homem com a Criação, o trabalho, a vida e o próprio Deus.
Osny Mattanó Júnior
Londrina, 02 de novembro de 2025.
MATTANÓ
(02/11/2025)
SOBRE O TRABALHO EDUCATIVO DA TRADUÇÃO (2025):
Mattanó aponta que o trabalho educativo da tradução do inconsciente pode ajudar a melhorar os relacionamentos sociais entre crianças, jovens, adultos e idosos, seja qual for o contexto ou meio ambiente, pois estariam aprendendo a traduzir e a lidar com forças inconscientes que atuam sobre a pedofilia, o abuso, a exploração, a violência, a tortura, o bullying, o racismo, o ódio e a intolerância, de modo que construam e elaborem planos ou feedfowards que substituam o castigo pela tradução de qualquer uma dessas linguagens, e assim pela consciência, cultura, conhecimento e realidade, pelo insight. Pois ao mesmo tempo em que considerarmos esses eventos, formas de violência, eles são formas de linguagens que quando canalizados para o Psicanalista ou Psicólogo tornam-se apenas transferência de conteúdo recalcado inconsciente, doméstico, infantil e familiar. Isto pois, quando falamos com alguém que tem uma língua ou linguagem que não compreendemos acabamos ficando sem significado e sem sentido, desorientados e confusos, somos assim também com essas pessoas que são vítimas de forças inconscientes e genéticas como a pedofilia ou a violência e a esquizofrenia. Vivemos num mundo de muitas línguas e de muitas linguagens, precisamos, sim, aprender a traduzir o que é mais importante para a nossa sobrevivência, dignidade, igualdade, justiça, fraternidade, solidariedade, bravura, liberdade, fé, paz e economia psíquica.
MATTANÓ
(10/11/2025)
SOBRE O TRABALHO E O MATTANONIANISMO (2025):
Para Mattanó o trabalho evoluiu do fordismo para taylorismo e deste para o toyotismo, mas continuou para o mattanonianismo onde o trabalho de um trabalhador vale pelo trabalho de dez, vinte ou cem trabalhadores, e esse trabalho pode ser realizado fora da organização ou da empresa, em locais nunca imaginados como parques, bares, discotecas, boates, lojas, shoopings centers, convenções, debates, cursos, em casa, no transporte, em momentos de laser e de práticas de exercícios físicos e de tratamentos de saúde como fisioterapia ou consultas médicas e psicológias ou psicanalíticas, se divertindo ou dançando, batendo papo e até namorando e amando, e nas atividades domésticas e de rotina de casa, inclusive durante a vida onírica se o trabalhador dispor de recursos comportamentais para ler e interpretar e tornar produtivo o seu conteúdo manifesto e o seu conteúdo latente, do seu sonho, de maneira a otimizar sua relação com o seu trabalho e com seus colegas de trabalho, até mesmo com seus negócios e operações, investimentos e decisões profissionais, mas o mattanonianismo aumenta também a necessidade de incentivar, investir e reforçar o trabalhador a ter iniciativa para criar seu próprio negócio, organização ou empresa, para que aumente, por exemplo, o número de postos de trabalho na sua cidade ou região e movimente a economia, buscando a liberdade para viver e para se ensinar a viver através do trabalho, que por sua vez acabará aumentando o investimento em educação na sua cidade e região, inclusive o desenvolvimento da cidadania terá um alcance muito mais significativo, pois ela fará sentido e terá um significado para o indivíduo, cidadão, trabalhador ou paciente.
MATTANÓ
(15/11/2025)
Temos motivos suficientes para supor que existe uma repressão primeva, uma primeira fase de repressão, que consiste em negar entrada no consciente ao representante psíquico (ideacional) do instinto. Com isso, estabelece-se uma fixação; a partir de então, o representante em questão continua inalterado, e o instinto permanece ligado a ele. Isso se deve às propriedades dos processos inconscientes, de que falaremos depois [ver em [1]].
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a repressão em sua primeira fase consiste em negar entrada no consciente ao representante psíquico (ideacional) do instinto. Com isso, estabelece-se uma fixação; a partir de então, o representante em questão continua inalterado, e o instinto permanece ligado a ele. Isso se deve às propriedades dos processos inconscientes.
Mattanó aponta que a repressão em sua primeira fase consiste em negar entrada no consciente ao representante psíquico (ideacional) do instinto. Com isso, estabelece-se uma fixação; a partir de então, o representante em questão continua inalterado, e o instinto permanece ligado a ele. Isso se deve às propriedades dos processos inconscientes. A repressão depende do conteúdo do representante psíquico (ideacional) do instinto, ou seja, dos seus significados e dos seus sentidos que determinam o que deve e o que não deve causar a fixação, mantendo o representante inalterado e o instinto ligado a ele.
MATTANÓ
(15/11/2025)
A segunda fase da repressão, a repressão propriamente dita, afeta os derivados mentais do representante reprimido, ou sucessões de pensamento que, originando-se em outra parte, tenham entrado em ligação associativa com ele. Por causa dessa associação, essas idéias sofrem o mesmo destino daquilo que foi primevamente reprimido. Na realidade, portanto, a repressão propriamente dita é uma pressão posterior Além disso, é errado dar ênfase apenas à repulsão que atua a partir da direção do consciente sobre o que deve ser reprimido; igualmente importante é a atração exercida por aquilo que foi primevamente repelido sobre tudo aquilo com que ele possa estabelecer uma ligação. Provavelmente, a tendência no sentido da repressão falharia em seu propósito, caso essas duas forças não cooperassem, caso não existisse algo previamente reprimido pronto para receber aquilo que é repelido pelo consciente.
Sob a influência do estudo das psiconeuroses, que coloca diante de nós os importantes efeitos da repressão, inclinamo-nos a supervalorizar sua dimensão psicológica e a esquecer, demasiado depressa, o fato de que a repressão não impede que o representante instintual continue a existir no inconsciente, se organize ainda mais, dê origem a derivados, e estabeleça ligações. Na verdade, a repressão só interfere na relação do representante instintual com um único sistema psíquico, a saber, o do consciente.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a segunda fase da repressão afeta os derivados mentais do representante reprimido, ou sucessões de pensamento que, originando-se em outra parte, tenham entrado em ligação associativa com ele. Por causa dessa associação, essas idéias sofrem o mesmo destino daquilo que foi primevamente reprimido. Na realidade, portanto, a repressão propriamente dita é uma pressão posterior.
Sob a influência do estudo das psiconeuroses, que coloca diante de nós os importantes efeitos da repressão, inclinamo-nos a supervalorizar sua dimensão psicológica e a esquecer, demasiado depressa, o fato de que a repressão não impede que o representante instintual continue a existir no inconsciente, se organize ainda mais, dê origem a derivados, e estabeleça ligações. Na verdade, a repressão só interfere na relação do representante instintual com um único sistema psíquico, a saber, o do consciente.
Mattanó aponta que a segunda fase da repressão afeta os derivados mentais do representante reprimido, ou sucessões de pensamento que, originando-se em outra parte, tenham entrado em ligação associativa com ele. Por causa dessa associação, essas idéias sofrem o mesmo destino daquilo que foi primevamente reprimido. Na realidade, portanto, a repressão propriamente dita é uma pressão posterior. Vemos que a repressão atua sobre o psicológico e não sobre os instintos.
Sob a influência do estudo das psiconeuroses, que coloca diante de nós os importantes efeitos da repressão, inclinamo-nos a supervalorizar sua dimensão psicológica e a esquecer, demasiado depressa, o fato de que a repressão não impede que o representante instintual continue a existir no inconsciente, se organize ainda mais, dê origem a derivados, e estabeleça ligações. Na verdade, a repressão só interfere na relação do representante instintual com um único sistema psíquico, a saber, o do consciente. Vemos que a repressão só interfere na consciência do indivíduo que é o seu representante psicológico e nunca sobre os instintos que são seu representantes biológicos.
MATTANÓ
(15/11/2025)
A psicanálise também é capaz de nos revelar outras coisas importantes para a compreensão dos efeitos da repressão nas psiconeuroses. Mostra-nos, por exemplo, que o representante instintual se desenvolverá com menos interferência e mais profusamente, se for retirado da influência consciente pela expressão. Ele prolifera no escuro, por assim dizer, e assume formas extremas de expressão, que uma vez traduzidas e apresentadas ao neurótico irão não só lhe parecer estranhas mas também assustá-lo, mostrando-lhe o quadro de uma extraordinária e perigosa força do instinto. Essa força falaz do instinto resulta de um desenvolvimento desinibido da fantasia e do represamento ocasionado pela satisfação frustrada. O fato de esse último resultado estar vinculado à repressão indica a direção em que a verdadeira importância da repressão deve ser procurada.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a repressão se desenvolverá com menos interferência e mais profusamente, se deixar de ter controle consciente pela expressão, que pode assustar o neurótico, mostrando a poderosa força do instinto, força que se desinibe através da fantasia e do represamento pela satisfação frustrada, este represamento pode indicar a direção em que a verdadeira importância da repressão deve ser procurada.
Mattanó aponta que a repressão se desenvolverá com menos interferência e mais profusamente, se deixar de ter controle consciente pela expressão, que pode assustar o neurótico, mostrando a poderosa força do instinto, força que se desinibe através da fantasia e do represamento pela satisfação frustrada, este represamento pode indicar a direção em que a verdadeira importância da repressão deve ser procurada, agora na consciência do indivíduo, de modo que indicará a direção do represamento e da importância da repressão através do conhecimento, da cultura e da realidade, dos eventos mediados pelo tronco cerebral, pelo córtex cerebral e pelo tálamo que em interconectividade com outras estruturas e o resto do corpo responderá e desenvolverá com uma consciência às suas necessidades e estimulações, ou seja, à sua funcionalidade gerando um padrão de equilíbrio corporal mediado pelo prazer e reforço, e pela dor e punição, de modo a construir e manter sua homeostase, para que possa se adaptar comportamentalmente, fisiológicamente e morfológicamente, sempre buscando a superação das adversidades e exigências ambientais, por meio da evolução, seleção, competição e involução.
MATTANÓ
(15/11/2025)
SOBRE O PSICODIAGNÓSTICO (2025):
Mattanó aponta que o psicodiagnóstico pode passar a ser entendido como uma ¨pintura¨ com sua técnica e não causar mais constrangimento algum, pois a personalidade deixará de controlar a vida, o inconsciente e o comportamento do indivíduo para controlar a sua consciência através da dessensibilização da argumentação e da linguagem, do comportamento verbal do falante e do ouvinte, e das metáforas e metonímias com a Teoria da Abundância de Mattanó. Assim você não ficará mais controlado por razões, controle ou literalidade por parte do psicodiagnóstico e desenvolverá habilidades para se comportar conforme o contexto ou sua consciência que será retrato fiel de sua liberdade para se viver e para se ensinar a viver.
MATTANÓ
(26/11/2025)
SOBRE A AUTORIDADE E O MOVIMENTO DA CONSCIÊNCIA EM RELAÇÃO A REALIDADE (2025):
Mattanó aponta que podemos continuar com nossa autoridade e poder sobre a realidade, seja ela virtual ou não, como a operante, de acordo com o movimento dela e da consciência, da cultura e do conhecimento que depende das forças Físicas do meio ambiente como o espaço-tempo, de modo a determinar metáforas do tipo: ¨você pode deixar a Cruz passar por você ou o Crucificado passar por você no mundo virtual, sem ter que crucificá-lo no mundo real, que você perceberá que a Cruz, o Crucificado ou Jesus Cristo e a Salvação permanecerão no mesmo lugar, com o mesmo significado e o mesmo sentido através da Palavra e da Sagrada Escritura, trata-se apenas de uma questão psicológica, comportamental, interior e de desejo, de enfrentamento do medo e do Amor.¨
MATTANÓ
(26/11/2025)
DENÚNCIA E HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2025):
Osny Mattanó Júnior denuncia que pode haver policiais federais nesta região da cidade, próximos a minha residência em Londrina que interferem, manipulam e controlam o nosso inconsciente, subconsciente, comportamento e consciente, cultura, conhecimento e realidade desde 1997 ou 1999, pois testemunho que há uns 10 anos que eu venho sendo convidado para torturar presidiários e investigados da polícia e dentre eles já estiveram o ex-Presidente Lula, o ex-Presidente Bolsonaro, a Gleisi Hoffmann, o professor Ricardo Justino Flores, a psicóloga Marcia Regina Rubin, as minhas colegas e amigos, Luiz Fernando Gomes de Souza, a Greice do Curso de Psicologia, a Miltis do Curso de Psicologia, a Karina do Curso de Biologia, juízes e promotores de Londrina, ex-reitores da UEL, o Marcelo Militão, etc., e para isto fui convencido pois foram apresentados argumentos virtuais que levaram-me a aderir a proposta de escrever vários livros e vários discos com temas de tortura psicológica e emocional contra essas vítimas, inclusive contra mim e minha família, pois já tentei perdoá-los e fui impedido da mesma forma, com argumentos de que eram criminosos e continuam torturando a mim e a minha família, por exemplo, com a Receita Federal que foi corrupta ao atribuir a mim a responsabilidade pela contratação de uma funcionária que eu nem conheço e nem tenho saúde para trabalhar e pagar o seu salário com os meus rendimentos, que não existiam na época do evento que a polícia federal conhece e conhece o responsável por essa ¨criação¨ documental e não responde com cadeia e justiça, mas responde torturando a mim, minha mãe e meu pai todas as noites, madrugada a dentro com som alto e telepatia, com hipnose que serve também para comprovar se eu contratei alguma funcionária em algum momento da minha vida, eu nunca fiz isto! Estão me hipnotizando para nos roubarem, estuprarem e beneficiarem pedófilos como ex-embaixador Marco Antônio Lafranchi e a sua família que cometeu crime de pedofilia contra mim no Colégio São Paulo e isso nunca foi resolvido, mesmo com denuncias, querem beneficiar outros pedófilos que atuam nos veículos de comunicação de massa e já passaram pelo Governo Federal, que sempre se beneficiaram da pedofilia para aumentar o rendimento dos atletas do nosso país, o Brasil pedófilo! O meu pai é torturado e está com a boca toda fraturada e a polícia federal não prende que fez isso com ele e obstrui a justiça, isto é crime, os atletas obstruem a justiça quando impedem investigações alegando que essa investigação está dando prejuízo, ou seja, o trabalho da justiça e da polícia dão prejuízo? Mas para quem? Certamente para os bandidos, para os criminosos, pois se não existissem crimes não existiriam investigações e intervenções?! Cadeia para vagabundo que obstrui a justiça e tenta matar vítimas e testemunhas de vários crimes! Eu acho que dá para entender o que eu quis escrever bem claramente!
MATTANÓ
(28/11/2025)
DENÚNCIA E HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2025):
Osny Mattanó Júnior denuncia e testemunha que entre 1989 e 2025 foi humilhado, envergonhado e passou muito medo de ser assassinado, roubado, estuprado ou sequestrado no interior ou no estacionamento, mas também nos pontos de ônibus do Shopping Center Catuaí de Londrina, e que desde 1989 quando adquiriu o hábíto de fazer compras no crediário, com cartão de crédito ou à vista que eu vinha sendo ameaçado virtualmente e em fofocas dos vendedores e das vendedoras de que eu era um ladrão, mas nunca roubei coisa alguma nesse Shopping Center, e o pior é que várias lojas começaram a fazer esquemas para me envolver em crimes desde 1995 como as Pernambucanas com uma vitrine viva, a Fernanda Guerra que envolveu também uma agência de modelos, a CDI, dois jornais, a Folha de Londrina e o Jornal de Londrina que publicou uma foto dela perto do dia 15 de abril de 1995 com vestes semelhantes a que eu havia comprado nas Pernambucanas e a minha irmã disse ¨vai começar a novela!¨, depois se calou! Então a loja M.Korn de artigos em ouro e joalheria argumentava que eu era ladrão e corrupto quando passava em frente a sua loja, que eu já havia roubado. A loja C&A também tinha esse hábito de me difamar como se eu fosse um ladrão. A livraria Saraiva ficou alguns anos armando para mim um esquema onde eu ficava selecionando livros desejados para comprar, mas não tinha recursos para comprar tudo e por vezes desistia de adquirí-los, mas seus funcionários e compradores saiam do local no segundo pavimento e vinham ideias de roubar esses livros acompanhadas de que eu não sou ladrão e que nunca roubei livro algum, depois a Saraiva fechou. O Carrefour ficava insinuando que eu era ladrão e maníaco, que perseguia a vitrine viva, que era obra também da UEL, da professora Esmeralda Aparecida Colombo de Medeiros que me disse em 1995 numa conversa depressiva ¨você acha que ninguém gosta de você? Você vai ver só!?¨ E então começou a perseguição contra a vitrine viva, a Fernanda Guerra, prometida pela professora Esmeralda A. C. de Medeiros, depois pelo professor Ricardo Justino Flores, pelo meu pai Osni Mattanó e por uma loja de camas que entregou três camas de tubos que nunca foram pagas, mas que num certo dia surgiu um carro de mulher rica com uma mulher que disse ¨vocês não precisam pagar a cama, já foi paga!¨ Eu acabei ficando endividado, bastante endividado e com depressão, com esquizofrenia a partir daí e mesmo assim procurei essa loja uns dois ou três anos depois para saber da minha dívida e se alguma pessoa ou mulher havia vindo pagá-la, mas a loja de camas não existia mais! Porquê? Eu procurei vários canais de televisão e jornais para denunciar estes acontecimentos virtuais e reais, mas me disseram que era tudo loucura, inclusive os profissionais de saúde e da justiça! Não sei o que fazer a não ser esperar pelo prêmio Nobel!
MATTANÓ
(04/12/2025)
Voltando, porém, mais uma vez ao aspecto oposto da repressão, deixemos claro que tampouco é correto supor que a repressão retira do consciente todos os derivados daquilo que foi primevamente reprimido. Se esses derivados se tornarem suficientemente afastados do representante reprimido - quer devido à adoção de distorções, quer por causa do grande número de elos intermediários inseridos -, eles terão livre acesso ao consciente. Tudo se passa como se a resistência do consciente contra eles constituísse uma função da distância existente entre eles e aquilo que foi originalmente reprimido. Ao executarmos a técnica da psicanálise, continuamos exigindo que o paciente produza, de tal forma, derivados do reprimido, que, em conseqüência de sua distância no tempo, ou de sua distorção, eles possam passar pela censura do consciente. Na realidade, as associações que exigimos que o paciente faça sem sofrer a influência de qualquer idéia intencional consciente ou de qualquer crítica, e a partir das quais reconstituímos uma tradução consciente do representante reprimido - essas associações nada mais são do que derivados remotos e distorcidos desse tipo. No correr desse processo, observamos que o paciente pode continuar a desfiar sua meada de associações, até ser levado de encontro a um pensamento, cuja relação com o reprimido fique tão óbvia, que o force a repetir sua tentativa de repressão. Também os sintomas neuróticos devem satisfazer a essa mesma condição, já que são derivados do reprimido, o qual, por intermédio deles, finalmente teve acesso à consciência, acesso este que anteriormente lhe era negado.
Não podemos formular uma regra geral sobre o grau de distorção e de distância no tempo necessário para a eliminação da resistência por parte do consciente. Ocorre aqui um delicado equilíbrio, cujo jogo não nos é revelado; no entanto, sua modalidade de atuação nos permite inferir que se trata de pôr um paradeiro à catexia do inconsciente quando esta alcança certa intensidade - intensidade além da qual o inconsciente venceria as resistências, chegando à satisfação. A repressão atua, portanto, de uma forma altamente individual. Cada derivado isolado do reprimido pode ter sua própria vicissitude especial; um pouco mais ou um pouco menos de distorção altera totalmente o resultado. Nesse sentido, podemos compreender a razão por que os objetos mais preferidos pelos homens, isto é, seus ideais, procedem das mesmas percepções e experiências que os objetos mais abominados por eles, e porque, originalmente, eles só se distinguiam um dos outros através de ligeiras modificações. [ver em [1]] Realmente, tal como verificamos ao remontarmos à origem do fetiche, o representante instintual original pode ser dividido em duas partes: uma que sofre repressão, ao passo que a restante, precisamente por causa dessa ligação íntima, passa pela idealização.
O mesmo resultado oriundo de um aumento ou de uma diminuição do grau de distorção também pode ser alcançado na outra extremidade do aparelho, por assim dizer, por uma modificação da condição de produção de prazer e desprazer. Desenvolveram-se técnicas especiais, com o propósito de provocar tais mudanças no jogo das forças mentais, que aquilo que de outra forma daria lugar ao desprazer, pudesse, nessa ocasião, resultar em prazer; e, sempre que um dispositivo técnico desse tipo entra em funcionamento, elimina-se a repressão de um representante instintual que, de outro modo, seria repudiado. Até agora, apenas no que se refere aos chistes, essas técnicas foram estudadas com algum detalhe. Via de regra, a repressão só é removida temporariamente, reinstalando-se imediatamente.
Observações como esta, contudo, permitem-nos notar outras características da repressão. Ela é não só individual em seu funcionamento, conforme acabamos de assinalar, como também é extremamente móbil. O processo de repressão não deve ser encarado como um fato que acontece uma vez, produzindo resultados permanentes, tal como, por exemplo, se mata um ser vivo que, a partir de então, está morto; a repressão exige um dispêndio persistente de força, e se esta viesse a cessar, o êxito da repressão correria perigo, tornando necessário um novo ato de repressão. Podemos supor que o reprimido exerce uma pressão contínua em direção ao consciente, de forma que essa pressão pode ser equilibrada por uma contrapressão incessante. Assim, a manutenção de uma repressão acarreta ininterrupto dispêndio de força, ao passo que sua eliminação, encarada de um ponto de vista econômico, resulta numa poupança. Incidentalmente, a mobilidade da repressão também encontra expressão nas características psíquicas do estado do sono, o único a tornar possível a formação de sonhos. Com o retorno à vida de vigília, as catexias repressivas absorvidas são mais uma vez expulsas.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que as associações que exigimos que o paciente faça sem sofrer a influência de qualquer idéia intencional consciente ou de qualquer crítica, e a partir das quais reconstituímos uma tradução consciente do representante reprimido - essas associações nada mais são do que derivados remotos e distorcidos desse tipo. No correr desse processo, observamos que o paciente pode continuar a desfiar sua meada de associações, até ser levado de encontro a um pensamento, cuja relação com o reprimido fique tão óbvia, que o force a repetir sua tentativa de repressão. Também os sintomas neuróticos devem satisfazer a essa mesma condição, já que são derivados do reprimido, o qual, por intermédio deles, finalmente teve acesso à consciência, acesso este que anteriormente lhe era negado.
A repressão atua, portanto, de uma forma altamente individual. Cada derivado isolado do reprimido pode ter sua própria vicissitude especial; um pouco mais ou um pouco menos de distorção altera totalmente o resultado.
O mesmo resultado oriundo de um aumento ou de uma diminuição do grau de distorção também pode ser alcançado na outra extremidade do aparelho, por assim dizer, por uma modificação da condição de produção de prazer e desprazer. Desenvolveram-se técnicas especiais, com o propósito de provocar tais mudanças no jogo das forças mentais, que aquilo que de outra forma daria lugar ao desprazer, pudesse, nessa ocasião, resultar em prazer; e, sempre que um dispositivo técnico desse tipo entra em funcionamento, elimina-se a repressão de um representante instintual que, de outro modo, seria repudiado. Até agora, apenas no que se refere aos chistes, essas técnicas foram estudadas com algum detalhe. Via de regra, a repressão só é removida temporariamente, reinstalando-se imediatamente.
Observações como esta, contudo, permitem-nos notar outras características da repressão. Ela é não só individual em seu funcionamento, conforme acabamos de assinalar, como também é extremamente móbil. O processo de repressão não deve ser encarado como um fato que acontece uma vez, produzindo resultados permanentes, tal como, por exemplo, se mata um ser vivo que, a partir de então, está morto; a repressão exige um dispêndio persistente de força, e se esta viesse a cessar, o êxito da repressão correria perigo, tornando necessário um novo ato de repressão. Podemos supor que o reprimido exerce uma pressão contínua em direção ao consciente, de forma que essa pressão pode ser equilibrada por uma contrapressão incessante. Assim, a manutenção de uma repressão acarreta ininterrupto dispêndio de força, ao passo que sua eliminação, encarada de um ponto de vista econômico, resulta numa poupança. Incidentalmente, a mobilidade da repressão também encontra expressão nas características psíquicas do estado do sono, o único a tornar possível a formação de sonhos. Com o retorno à vida de vigília, as catexias repressivas absorvidas são mais uma vez expulsas.
Mattanó aponta que as associações que exigimos que o paciente faça sem sofrer a influência de qualquer idéia intencional consciente ou de qualquer crítica, e a partir das quais reconstituímos uma tradução consciente do representante reprimido - essas associações nada mais são do que derivados remotos e distorcidos desse tipo. No correr desse processo, observamos que o paciente pode continuar a desfiar sua meada de associações, até ser levado de encontro a um pensamento, cuja relação com o reprimido fique tão óbvia, que o force a repetir sua tentativa de repressão. Também os sintomas neuróticos devem satisfazer a essa mesma condição, já que são derivados do reprimido, o qual, por intermédio deles, finalmente teve acesso à consciência, acesso este que anteriormente lhe era negado. Vemos que o conteúdo reprimido depende de seus significados e sentidos, de suas contingências que atuam sobre o inconsciente e o comportamento.
A repressão atua, portanto, de uma forma altamente individual. Cada derivado isolado do reprimido pode ter sua própria vicissitude especial; um pouco mais ou um pouco menos de distorção altera totalmente o resultado. Vemos porque a repressão auta de forma altamente individual, pois os seus significados e sentidos são produzidos de forma individual, inclusive suas contingências que atuarão sobre seu inconsciente e seu comportamento.
O mesmo resultado oriundo de um aumento ou de uma diminuição do grau de distorção também pode ser alcançado na outra extremidade do aparelho, por assim dizer, por uma modificação da condição de produção de prazer e desprazer. Desenvolveram-se técnicas especiais, com o propósito de provocar tais mudanças no jogo das forças mentais, que aquilo que de outra forma daria lugar ao desprazer, pudesse, nessa ocasião, resultar em prazer; e, sempre que um dispositivo técnico desse tipo entra em funcionamento, elimina-se a repressão de um representante instintual que, de outro modo, seria repudiado. Até agora, apenas no que se refere aos chistes, essas técnicas foram estudadas com algum detalhe. Via de regra, a repressão só é removida temporariamente, reinstalando-se imediatamente. Vemos que a repressão responde ao prazer e ao desprazer, ou seja, aos significados e sentidos que atuam sobre o inconsciente e o comportamento mantendo ou modificando a homeostase do organismo, levando-o ao prazer e ao reforço ou a dor e a punição como respostas para os seus estímulos que produzem prazer ou desprazer.
Observações como esta, contudo, permitem-nos notar outras características da repressão. Ela é não só individual em seu funcionamento, conforme acabamos de assinalar, como também é extremamente móbil. O processo de repressão não deve ser encarado como um fato que acontece uma vez, produzindo resultados permanentes, tal como, por exemplo, se mata um ser vivo que, a partir de então, está morto; a repressão exige um dispêndio persistente de força, e se esta viesse a cessar, o êxito da repressão correria perigo, tornando necessário um novo ato de repressão. Podemos supor que o reprimido exerce uma pressão contínua em direção ao consciente, de forma que essa pressão pode ser equilibrada por uma contrapressão incessante. Assim, a manutenção de uma repressão acarreta ininterrupto dispêndio de força, ao passo que sua eliminação, encarada de um ponto de vista econômico, resulta numa poupança. Incidentalmente, a mobilidade da repressão também encontra expressão nas características psíquicas do estado do sono, o único a tornar possível a formação de sonhos. Com o retorno à vida de vigília, as catexias repressivas absorvidas são mais uma vez expulsas. Vemos que a repressão tem sua própria mobilidade e é inesgotável ou incessante, mesmo quando morre ou se esgota, pois implica num ininterrupto dispêndio de força que em contrapartida gera, quando eliminada, uma poupança, que encontramos no sono, na vigília e nas catexias repressivas absorvidas que são mais uma vez expulsas, isto em função dos seus significados e sentidos e das suas contingências que atuam sobre o inconsciente e o comportamento desse indivíduo.
MATTANÓ
(04/12/2025)
Finalmente, não nos devemos esquecer de que, na verdade, ao se estabelecer que um impulso instintual é reprimido, muito pouco se disse a respeito dele. Tal impulso pode ocorrer em estados amplamente diferentes, sem prejuízo para sua repressão. Pode ser inativo, isto é, só muito levemente catexizado com energia mental; ou pode ser catexizado em graus variáveis, permitindo-se-lhe, assim, que seja ativo. É verdade que sua ativação não resultará numa eliminação direta da repressão, mas porá em movimento todos os processos que terminam na penetração do impulso na consciência por caminhos indiretos. Com derivados não reprimidos do inconsciente, o destino de uma idéia específica é, com freqüência, decidido pelo grau de sua atividade ou catexia. Enquanto esse derivado representa apenas uma pequena quantidade de energia, quase sempre permanece não reprimido, embora pudesse calcular que seu conteúdo entrasse em conflito com o que é dominante na consciência. O fator quantitativo torna-se decisivo para esse conflito: tão logo a idéia basicamente detestável ultrapassa certo grau de força, o conflito se torna real, e é precisamente essa ativação que leva à repressão. Assim, no tocante à repressão, um aumento da catexia energética atua no mesmo sentido que uma abordagem ao inconsciente, ao passo que uma diminuição dessa catexia atua no mesmo sentido que o caráter remoto do inconsciente ou da distorção. Vemos que as tendências repressivas podem encontrar um substituto para a repressão num enfraquecimento do que é detestável.
Até esse momento, em nosso exame, tratamos da repressão de um representante instintual, entendendo por este último uma idéia, ou grupo de idéias, catexizadas com uma quota definida de energia psíquica (libido ou interesse) proveniente de um instinto. Agora, a observação clínica nos obriga a dividir aquilo que até o presente consideramos como sendo uma entidade única, de uma vez que essa observação nos indica que, além da idéia, outro elemento representativo do instinto tem de ser levado em consideração, e que esse outro elemento passa por vicissitudes de repressão que podem ser bem diferentes das experimentadas pela idéia. Geralmente, a expressão quota de afeto tem sido adotada para designar esse outro elemento do representante psíquico. Corresponde ao instinto na medida em que este se afasta da idéia e encontra expressão, proporcional à sua quantidade, em processos que são sentidos como afetos. A partir desse ponto, ao descrevermos um caso de repressão, teremos de acompanhar separadamente aquilo que acontece à idéia como resultado da repressão e aquilo que acontece à energia instintual vinculada a ela.
Gostaríamos de fazer algumas afirmações genéricas a respeito das vicissitudes de ambos, coisa que, depois de nos situarmos, será efetivamente possível. A idéia que representa o instinto passa por uma vicissitude geral que consiste em desaparecer do consciente, caso fosse previamente consciente, ou em ser afastada da consciência, caso estivesse prestes a se tornar consciente. Essa diferença não é importante, correspondendo à mesma coisa que a diferença entre ordenar a um hóspede indesejável que saia da minha sala de visitas (ou do meu hall de entrada), e impedir, após reconhecê-lo, que cruze a soleira de minha porta. O fator quantitativo do representante instintual possui três vicissitudes possíveis, tal como podemos verificar pelo breve exame das observações feitas pela psicanálise: ou o instinto é inteiramente suprimido, de modo que não se encontra qualquer vestígio dele, ou aparece como um afeto que de uma maneira ou de outra é qualitativamente colorido, ou transformado em ansiedade. As duas últimas possibilidades nos apontam a tarefa de levar em conta, como sendo uma vicissitude instintual ulterior, a transformação em afetos, e especialmente em ansiedade, das energias psíquicas dos instintos.
Recordamos o fato de que o motivo e o propósito da repressão nada mais eram do que a fuga ao desprazer. Depreende-se disso que a vicissitude da quota de afeto pertencente ao representante é muito mais importante do que a vicissitude da idéia, sendo esse fato decisivo para nossa avaliação do processo da repressão. Se uma repressão não conseguir impedir que surjam sentimentos de desprazer ou de ansiedade, podemos dizer que falhou, ainda que possa ter alcançado seu propósito no tocante à parcela ideacional. Evidentemente, as repressões que falharam exercerão maior influência sobre nosso interesse do que qualquer outra que possa ter sido bem-sucedida, já que esta, na maioria das vezes, escapará ao nosso exame.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que na verdade, ao se estabelecer que um impulso instintual é reprimido, muito pouco se disse a respeito dele. Tal impulso pode ocorrer em estados amplamente diferentes, sem prejuízo para sua repressão. Pode ser inativo, isto é, só muito levemente catexizado com energia mental; ou pode ser catexizado em graus variáveis, permitindo-se-lhe, assim, que seja ativo. É verdade que sua ativação não resultará numa eliminação direta da repressão, mas porá em movimento todos os processos que terminam na penetração do impulso na consciência por caminhos indiretos. Com derivados não reprimidos do inconsciente, o destino de uma idéia específica é, com freqüência, decidido pelo grau de sua atividade ou catexia. Enquanto esse derivado representa apenas uma pequena quantidade de energia, quase sempre permanece não reprimido, embora pudesse calcular que seu conteúdo entrasse em conflito com o que é dominante na consciência. O fator quantitativo torna-se decisivo para esse conflito: tão logo a idéia basicamente detestável ultrapassa certo grau de força, o conflito se torna real, e é precisamente essa ativação que leva à repressão. Assim, no tocante à repressão, um aumento da catexia energética atua no mesmo sentido que uma abordagem ao inconsciente, ao passo que uma diminuição dessa catexia atua no mesmo sentido que o caráter remoto do inconsciente ou da distorção.
Até esse momento, em nosso exame, tratamos da repressão de um representante instintual, entendendo por este último uma idéia, ou grupo de idéias, catexizadas com uma quota definida de energia psíquica (libido ou interesse) proveniente de um instinto. Geralmente, a expressão quota de afeto tem sido adotada para designar esse outro elemento do representante psíquico. Corresponde ao instinto na medida em que este se afasta da idéia e encontra expressão, proporcional à sua quantidade, em processos que são sentidos como afetos.
A idéia que representa o instinto passa por uma vicissitude geral que consiste em desaparecer do consciente, caso fosse previamente consciente, ou em ser afastada da consciência, caso estivesse prestes a se tornar consciente. O fator quantitativo do representante instintual possui três vicissitudes possíveis, tal como podemos verificar pelo breve exame das observações feitas pela psicanálise: ou o instinto é inteiramente suprimido, de modo que não se encontra qualquer vestígio dele, ou aparece como um afeto que de uma maneira ou de outra é qualitativamente colorido, ou transformado em ansiedade. As duas últimas possibilidades nos apontam a tarefa de levar em conta, como sendo uma vicissitude instintual ulterior, a transformação em afetos, e especialmente em ansiedade, das energias psíquicas dos instintos.
Recordamos o fato de que o motivo e o propósito da repressão nada mais eram do que a fuga ao desprazer. Depreende-se disso que a vicissitude da quota de afeto pertencente ao representante é muito mais importante do que a vicissitude da idéia, sendo esse fato decisivo para nossa avaliação do processo da repressão. Se uma repressão não conseguir impedir que surjam sentimentos de desprazer ou de ansiedade, podemos dizer que falhou, ainda que possa ter alcançado seu propósito no tocante à parcela ideacional. Evidentemente, as repressões que falharam exercerão maior influência sobre nosso interesse do que qualquer outra que possa ter sido bem-sucedida, já que esta, na maioria das vezes, escapará ao nosso exame.
Mattanó aponta que na verdade, ao se estabelecer que um impulso instintual é reprimido, muito pouco se disse a respeito dele. Tal impulso pode ocorrer em estados amplamente diferentes, sem prejuízo para sua repressão. Pode ser inativo, isto é, só muito levemente catexizado com energia mental; ou pode ser catexizado em graus variáveis, permitindo-se-lhe, assim, que seja ativo. É verdade que sua ativação não resultará numa eliminação direta da repressão, mas porá em movimento todos os processos que terminam na penetração do impulso na consciência por caminhos indiretos. Com derivados não reprimidos do inconsciente, o destino de uma idéia específica é, com freqüência, decidido pelo grau de sua atividade ou catexia. Enquanto esse derivado representa apenas uma pequena quantidade de energia, quase sempre permanece não reprimido, embora pudesse calcular que seu conteúdo entrasse em conflito com o que é dominante na consciência. O fator quantitativo torna-se decisivo para esse conflito: tão logo a idéia basicamente detestável ultrapassa certo grau de força, o conflito se torna real, e é precisamente essa ativação que leva à repressão. Assim, no tocante à repressão, um aumento da catexia energética atua no mesmo sentido que uma abordagem ao inconsciente, ao passo que uma diminuição dessa catexia atua no mesmo sentido que o caráter remoto do inconsciente ou da distorção. Vemos que todo conteúdo reprimido torna-se indiscriminável, pois está longe do alcance da consciência, porém o conteúdo e o seu impulso podem se manifestar em estados amplamente diferentes, podendo ser levemente catexizado ou inativo, ou pode ser catexizado e assim ativo, contudo a repressão persistirá e haverá caminhos indiretos para a consciência. Conforme a ideia detestável ultrapassa certos limites de força, o conflito se torna real,levando a ativação da repressão, assim se temos um aumento da catexia energética temos uma abordagem do inconsciente, e se temos uma diminuição dessa catexia teremos uma atuação remota do inconsciente ou da distorção, a ideia carrega consigo significados e sentidos que levarão a escolha do que é ou não investido mais intensamente, ou seja, para a repressão ou para os caminhos indiretos para a consciência.
Até esse momento, em nosso exame, tratamos da repressão de um representante instintual, entendendo por este último uma idéia, ou grupo de idéias, catexizadas com uma quota definida de energia psíquica (libido ou interesse) proveniente de um instinto. Geralmente, a expressão quota de afeto tem sido adotada para designar esse outro elemento do representante psíquico. Corresponde ao instinto na medida em que este se afasta da idéia e encontra expressão, proporcional à sua quantidade, em processos que são sentidos como afetos. Vemos que a repressão trata de um representante instintual, de uma ideia ou de um grupo de ideias que são catexizadas por uma quota definida de libido ou interesse, como a comunhão ou a segurança. Na medida em que os instintos se afastam das ideias e encontram expressão, temos processos que são sentidos como afetos.
A idéia que representa o instinto passa por uma vicissitude geral que consiste em desaparecer do consciente, caso fosse previamente consciente, ou em ser afastada da consciência, caso estivesse prestes a se tornar consciente. O fator quantitativo do representante instintual possui três vicissitudes possíveis, tal como podemos verificar pelo breve exame das observações feitas pela psicanálise: ou o instinto é inteiramente suprimido, de modo que não se encontra qualquer vestígio dele, ou aparece como um afeto que de uma maneira ou de outra é qualitativamente colorido, ou transformado em ansiedade. As duas últimas possibilidades nos apontam a tarefa de levar em conta, como sendo uma vicissitude instintual ulterior, a transformação em afetos, e especialmente em ansiedade, das energias psíquicas dos instintos. Vemos que a ideia representa o instinto, que busca desaparecer do consciente ou mesmo, se afastar do consciente. O instinto possui três vicissitudes: a primeira nos ensina que o instinto é inteiramente suprimido, o segundo e o terceiro nos ensinam que existe uma transformação ulterior, em afetos, sobretudo em ansiedade, das energias psíquicas dos instintos. Aprendemos aqui que os instintos não dependem dos significados e dos sentidos para tomarem forma e se manifestarem no psiquismo do indivíduo, ou seja, a linguagem não é fundamental a vida instintual.
Recordamos o fato de que o motivo e o propósito da repressão nada mais eram do que a fuga ao desprazer. Depreende-se disso que a vicissitude da quota de afeto pertencente ao representante é muito mais importante do que a vicissitude da idéia, sendo esse fato decisivo para nossa avaliação do processo da repressão. Se uma repressão não conseguir impedir que surjam sentimentos de desprazer ou de ansiedade, podemos dizer que falhou, ainda que possa ter alcançado seu propósito no tocante à parcela ideacional. Evidentemente, as repressões que falharam exercerão maior influência sobre nosso interesse do que qualquer outra que possa ter sido bem-sucedida, já que esta, na maioria das vezes, escapará ao nosso exame. Vemos que o objetivo da repressão é a fuga ao desprazer ou a ansiedade, quando isto não ocorre, dizemos que a repressão falhou, mas criou o que na maioria das vezes, chamamos de pacientes, objetos de análise e de interpretação, de estudos, de convenções, etc., que não escapam ao nosso exame.
MATTANÓ
(06/12/2025)
Agora, devemos tentar obter uma compreensão interna (insight) do mecanismo do processo de repressão. Em particular, desejamos saber se existe apenas um mecanismo isolado, ou mais de um, e se cada uma das psiconeuroses se distingue por um mecanismo de repressão que lhe é peculiar. Contudo já no início dessa indagação nos defrontamos com complicações. O mecanismo de uma repressão só nos será acessível se deduzirmos esse mecanismo a partir do resultado da repressão. Limitando nossas observações ao efeito da repressão sobre a parcela ideacional do representante, descobrimos que, via de regra, ele cria uma formação substitutiva. Qual é o mecanismo através do qual esse substituto é formado? Ou será que devemos, também aqui, distinguir vários mecanismos? Além disso, sabemos que a repressão deixa sintomas em seu rastro. Podemos então supor que a formação de substitutos e a formação de sintomas coincidem, e, admitindo que isso aconteça de um modo geral, será o mecanismo formador de sintomas o mesmo que o da repressão? A probabilidade geral pareceria ser a de que os dois são amplamente diferentes, e a de que não é a própria repressão que produz formações substitutivas e sintomas, mas que estes últimos são indicações de um retorno do reprimido e devem sua existência a processos inteiramente outros. Seria também aconselhável examinar os mecanismos através dos quais se formam os substitutos e os sintomas, antes de considerarmos os mecanismos de repressão.
Obviamente não se trata de um assunto para especulação ulterior. O lugar dessa especulação deve ser assumido por uma análise cuidadosa dos resultados da repressão observáveis nas diferentes neuroses. Sugiro, porém, que também adiemos essa tarefa até que tenhamos formado concepções dignas de confiança a respeito da relação entre o consciente e o inconsciente. Mas, a fim de que o presente exame não seja de todo infrutífero, direi de antemão que (1) o mecanismo de repressão de fato não coincide com o mecanismo ou mecanismos da formação de substitutos, (2) existem numerosos e diferentes mecanismos de formação de substitutos e (3) os mecanismos de repressão têm pelo menos uma coisa em comum: uma retirada da catexia de energia (ou da libido, quando lidamos com os instintos sexuais).
Além disso, restringindo-me às três formas mais conhecidas da psiconeurose, mostrarei por meio de alguns exemplos como os conceitos aqui introduzidos se aplicam ao estudo da repressão.
No campo da histeria da ansiedade escolherei um exemplo bem analisado de uma fobia animal. Aqui, o impulso instintual sujeito à repressão é uma atitude libidinal para com o pai, aliado ao medo dele. Após a repressão, esse impulso desaparece da consciência: o pai não aparece nela como um objeto da libido. Substituindo o pai, encontramos num lugar correspondente um animal que se presta, de modo mais ou menos adequado, a ser um objeto de ansiedade. A formação do substituto para a parcela ideacional [do representante instintual] ocorreu por deslocamento ao longo de uma cadeia de conexões determinada de maneira particular. A parcela quantitativa não desapareceu, mas foi transformada em ansiedade. O resultado é o medo de um lobo, em vez de uma exigência, de amor feita aos pais. As categorias empregadas aqui não bastam, naturalmente, para explicar de forma adequada nem mesmo o caso mais simples de psiconeurose: há sempre outras considerações a levar em conta. Deve-se descrever uma repressão, tal como a que ocorre numa fobia animal, como sendo radicalmente destituída de êxito. Ela apenas remove e substitui a idéia, falhando inteiramente em poupar o desprazer. É também por esse motivo que o trabalho da neurose não cessa. Prossegue até uma segunda fase, a fim de atingir seu mais importante e imediato propósito. O que se segue é uma tentativa de fuga - a formação da fobia propriamente dita, de um grande número de evitações destinadas a impedir a liberação da ansiedade. Uma pesquisa mais especializada permite-nos compreender o mecanismo pelo qual a fobia alcança sua finalidade. [Ver em [1] e segs. adiante.]
Somos obrigados a adotar um conceito inteiramente distinto a respeito do processo de repressão, quando consideramos o quadro de uma verdadeira histeria de conversão. Aqui, o ponto relevante reside em que é possível provocar um desaparecimento total da quota de afeto. Quando isso ocorre, o paciente exibe, em relação a seus sintomas, aquilo que Charcot denominava de ‘la belle indifférence des hystériques‘. Em outros casos, essa supressão não se mostra tão bem-sucedida: sensações aflitivas podem ligar-se aos próprios sintomas, ou talvez venha a ser impossível impedir certa liberação de ansiedade, que por sua vez põe em ação o mecanismo de formação de uma fobia. O conteúdo ideacional do representante instintual é totalmente retirado da consciência; como um substituto - e ao mesmo tempo como um sintoma - temos uma inervação surperforte (em casos típicos, uma inervação somática), às vezes de natureza sensorial, às vezes, motora, quer como uma excitação, quer como uma inibição. Num exame mais detido, a área superinervada revela-se como sendo parte do próprio representante instintual reprimido, parte que - como se isso se verificasse através de um processo de condensação, atrai toda a catexia para si própria. Evidentemente, essas observações não trazem à luz o mecanismo completo de uma histeria de conversão; o fator regressão, em especial, a ser considerado em outra conexão, também tem de ser levado em conta. Na medida em que a repressão na histeria [de conversão] só se torna possível pela extensa formação de substitutos, ela pode ser julgada inteiramente destituída de êxito; contudo, ao lidar com a quota de afeto - a verdadeira tarefa da repressão -, ela geralmente significa um êxito total. Na histeria de conversão, o processo de repressão é completado pela formação do sintoma, e não precisa, como na histeria de ansiedade, continuar até uma segunda fase - ou antes, rigorosamente falando, continuar interminavelmente.
Um quadro totalmente diferente da repressão se revela, mais uma vez, na terceira perturbação, que consideraremos para os propósitos de nossa ilustração - na neurose obsessiva. Aqui ficamos inicialmente em dúvida quanto ao que devemos considerar como sendo o representante instintual sujeito à repressão - se se trata de uma tendência libidinal ou hostil. Essa incerteza surge porque a neurose obsessiva tem por base uma regressão devido à qual uma tendência sádica foi substituída por uma afetiva. É esse impulso hostil contra alguém que é amado, que se acha sujeito à repressão. O efeito, numa fase inicial, do trabalho da repressão é bem diferente do que se verifica numa posterior. De início, a repressão é inteiramente cercada de êxito; o conteúdo ideacional é rejeitado, fazendo com que o afeto desapareça. Como formação substitutiva, surge no ego uma alteração sob a forma de maior consciência, quase não se podendo dar a isso o nome de sintoma. Aqui, substituto e sintoma não coincidem. Com isso, aprendemos também alguma coisa sobre o mecanismo da repressão. Nesse exemplo, como em todos os outros, a repressão ocasionou um afastamento da libido; aqui, porém, ela fez uso da formação da reação para atingir esse propósito, intensificando um oposto. Assim, nesse caso, a formação de um substituto tem o mesmo mecanismo que a repressão e, no fundo, coincide com ela, ao passo que cronologicamente, tanto quanto conceptualmente, é diferente da formação de um sintoma. É bastante provável que todo esse processo se torne possível pela relação ambivalente na qual o impulso sádico a ser reprimido é introduzido. No entanto, a repressão, que foi de início bem-sucedida, não se firma; no decorrer dos acontecimentos, seu fracasso se torna cada vez mais acentuado. A ambivalência que permitiu que a repressão ocorresse através da formação de reação, constitui também o ponto em que o reprimido consegue retornar. A emoção desaparecida retorna, em sua forma transformada, como ansiedade social, ansiedade moral e autocensura ilimitadas; a idéia rejeitada é substituída por um substituto por deslocamento, freqüentemente um deslocamento para algo muito pequeno ou indiferente. Uma tendência no sentido de um restabelecimento completo da idéia reprimida acha-se, em geral, inegavelmente presente. O fracasso na repressão do fator quantitativo afetivo põe em jogo o mesmo mecanismo de fuga, por meio de evitação e proibições, tal como vimos em funcionamento na formação de fobias histéricas. A rejeição da idéia oriunda do consciente é, contudo, obstinadamente mantida, porque provoca a abstenção oriunda da ação, um aprisionamento motor do impulso. Assim, na neurose obsessiva, o trabalho da repressão se prolonga numa luta estéril e interminável.
A curta série de comparações apresentada aqui pode facilmente convencer-nos de que se fazem necessárias pesquisas mais abrangentes, antes que possamos esperar compreender inteiramente os processos ligados à repressão e à formação de sintomas neuróticos. A extraordinária complexidade de todos os fatores a serem levados em consideração nos permite apenas uma maneira de apresentá-los. Devemos selecionar primeiro um e, depois, outro ponto de vista, e acompanhá-lo através do material enquanto sua aplicação pareça proporcionar resultados. Cada abordagem isolada do assunto será incompleta em si mesma, não podendo deixar de haver obscuridades sempre que ela se defrontar com material ainda não examinado; no entanto, podemos esperar que uma síntese final conduza a uma compreensão adequada.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a fim de que o presente exame não seja de todo infrutífero, direi de antemão que (1) o mecanismo de repressão de fato não coincide com o mecanismo ou mecanismos da formação de substitutos, (2) existem numerosos e diferentes mecanismos de formação de substitutos e (3) os mecanismos de repressão têm pelo menos uma coisa em comum: uma retirada da catexia de energia (ou da libido, quando lidamos com os instintos sexuais).
Além disso, restringindo-me às três formas mais conhecidas da psiconeurose, mostrarei por meio de alguns exemplos como os conceitos aqui introduzidos se aplicam ao estudo da repressão.
No campo da histeria da ansiedade escolherei um exemplo bem analisado de uma fobia animal. Aqui, o impulso instintual sujeito à repressão é uma atitude libidinal para com o pai, aliado ao medo dele. Após a repressão, esse impulso desaparece da consciência: o pai não aparece nela como um objeto da libido. Substituindo o pai, encontramos num lugar correspondente um animal que se presta, de modo mais ou menos adequado, a ser um objeto de ansiedade. A formação do substituto para a parcela ideacional [do representante instintual] ocorreu por deslocamento ao longo de uma cadeia de conexões determinada de maneira particular. A parcela quantitativa não desapareceu, mas foi transformada em ansiedade. O resultado é o medo de um lobo, em vez de uma exigência, de amor feita aos pais. As categorias empregadas aqui não bastam, naturalmente, para explicar de forma adequada nem mesmo o caso mais simples de psiconeurose: há sempre outras considerações a levar em conta. Deve-se descrever uma repressão, tal como a que ocorre numa fobia animal, como sendo radicalmente destituída de êxito. Ela apenas remove e substitui a idéia, falhando inteiramente em poupar o desprazer. É também por esse motivo que o trabalho da neurose não cessa. Prossegue até uma segunda fase, a fim de atingir seu mais importante e imediato propósito. O que se segue é uma tentativa de fuga - a formação da fobia propriamente dita, de um grande número de evitações destinadas a impedir a liberação da ansiedade. Uma pesquisa mais especializada permite-nos compreender o mecanismo pelo qual a fobia alcança sua finalidade. [Ver em [1] e segs. adiante.]
Somos obrigados a adotar um conceito inteiramente distinto a respeito do processo de repressão, quando consideramos o quadro de uma verdadeira histeria de conversão. Aqui, o ponto relevante reside em que é possível provocar um desaparecimento total da quota de afeto. Quando isso ocorre, o paciente exibe, em relação a seus sintomas, aquilo que Charcot denominava de ‘la belle indifférence des hystériques‘. Em outros casos, essa supressão não se mostra tão bem-sucedida: sensações aflitivas podem ligar-se aos próprios sintomas, ou talvez venha a ser impossível impedir certa liberação de ansiedade, que por sua vez põe em ação o mecanismo de formação de uma fobia. O conteúdo ideacional do representante instintual é totalmente retirado da consciência; como um substituto - e ao mesmo tempo como um sintoma - temos uma inervação surperforte (em casos típicos, uma inervação somática), às vezes de natureza sensorial, às vezes, motora, quer como uma excitação, quer como uma inibição. Num exame mais detido, a área superinervada revela-se como sendo parte do próprio representante instintual reprimido, parte que - como se isso se verificasse através de um processo de condensação, atrai toda a catexia para si própria. Evidentemente, essas observações não trazem à luz o mecanismo completo de uma histeria de conversão; o fator regressão, em especial, a ser considerado em outra conexão, também tem de ser levado em conta. Na medida em que a repressão na histeria [de conversão] só se torna possível pela extensa formação de substitutos, ela pode ser julgada inteiramente destituída de êxito; contudo, ao lidar com a quota de afeto - a verdadeira tarefa da repressão -, ela geralmente significa um êxito total. Na histeria de conversão, o processo de repressão é completado pela formação do sintoma, e não precisa, como na histeria de ansiedade, continuar até uma segunda fase - ou antes, rigorosamente falando, continuar interminavelmente.
Um quadro totalmente diferente da repressão se revela, mais uma vez, na terceira perturbação, que consideraremos para os propósitos de nossa ilustração - na neurose obsessiva. Aqui ficamos inicialmente em dúvida quanto ao que devemos considerar como sendo o representante instintual sujeito à repressão - se se trata de uma tendência libidinal ou hostil. Essa incerteza surge porque a neurose obsessiva tem por base uma regressão devido à qual uma tendência sádica foi substituída por uma afetiva. É esse impulso hostil contra alguém que é amado, que se acha sujeito à repressão. O efeito, numa fase inicial, do trabalho da repressão é bem diferente do que se verifica numa posterior. De início, a repressão é inteiramente cercada de êxito; o conteúdo ideacional é rejeitado, fazendo com que o afeto desapareça. Como formação substitutiva, surge no ego uma alteração sob a forma de maior consciência, quase não se podendo dar a isso o nome de sintoma. Aqui, substituto e sintoma não coincidem. Com isso, aprendemos também alguma coisa sobre o mecanismo da repressão. Nesse exemplo, como em todos os outros, a repressão ocasionou um afastamento da libido; aqui, porém, ela fez uso da formação da reação para atingir esse propósito, intensificando um oposto. Assim, nesse caso, a formação de um substituto tem o mesmo mecanismo que a repressão e, no fundo, coincide com ela, ao passo que cronologicamente, tanto quanto conceptualmente, é diferente da formação de um sintoma. É bastante provável que todo esse processo se torne possível pela relação ambivalente na qual o impulso sádico a ser reprimido é introduzido. No entanto, a repressão, que foi de início bem-sucedida, não se firma; no decorrer dos acontecimentos, seu fracasso se torna cada vez mais acentuado. A ambivalência que permitiu que a repressão ocorresse através da formação de reação, constitui também o ponto em que o reprimido consegue retornar. A emoção desaparecida retorna, em sua forma transformada, como ansiedade social, ansiedade moral e autocensura ilimitadas; a idéia rejeitada é substituída por um substituto por deslocamento, freqüentemente um deslocamento para algo muito pequeno ou indiferente. Uma tendência no sentido de um restabelecimento completo da idéia reprimida acha-se, em geral, inegavelmente presente. O fracasso na repressão do fator quantitativo afetivo põe em jogo o mesmo mecanismo de fuga, por meio de evitação e proibições, tal como vimos em funcionamento na formação de fobias histéricas. A rejeição da idéia oriunda do consciente é, contudo, obstinadamente mantida, porque provoca a abstenção oriunda da ação, um aprisionamento motor do impulso. Assim, na neurose obsessiva, o trabalho da repressão se prolonga numa luta estéril e interminável.
A curta série de comparações apresentada aqui pode facilmente convencer-nos de que se fazem necessárias pesquisas mais abrangentes, antes que possamos esperar compreender inteiramente os processos ligados à repressão e à formação de sintomas neuróticos. A extraordinária complexidade de todos os fatores a serem levados em consideração nos permite apenas uma maneira de apresentá-los. Devemos selecionar primeiro um e, depois, outro ponto de vista, e acompanhá-lo através do material enquanto sua aplicação pareça proporcionar resultados. Cada abordagem isolada do assunto será incompleta em si mesma, não podendo deixar de haver obscuridades sempre que ela se defrontar com material ainda não examinado; no entanto, podemos esperar que uma síntese final conduza a uma compreensão adequada.
Mattanó aponta que a fim de que o presente exame não seja de todo infrutífero, direi de antemão que (1) o mecanismo de repressão de fato não coincide com o mecanismo ou mecanismos da formação de substitutos, (2) existem numerosos e diferentes mecanismos de formação de substitutos e (3) os mecanismos de repressão têm pelo menos uma coisa em comum: uma retirada da catexia de energia (ou da libido, quando lidamos com os instintos sexuais, mas também da comunhão quando falamos da fraternidade e da convivência, e do exercício da força quando falamos da segurança).
Além disso, restringindo-me às três formas mais conhecidas da psiconeurose, mostrarei por meio de alguns exemplos como os conceitos aqui introduzidos se aplicam ao estudo da repressão.
No campo da histeria da ansiedade escolherei um exemplo bem analisado de uma fobia animal. Aqui, o impulso instintual sujeito à repressão é uma atitude libidinal para com o pai, aliado ao medo dele. Após a repressão, esse impulso desaparece da consciência: o pai não aparece nela como um objeto da libido. Substituindo o pai, encontramos num lugar correspondente um animal que se presta, de modo mais ou menos adequado, a ser um objeto de ansiedade. A formação do substituto para a parcela ideacional [do representante instintual] ocorreu por deslocamento ao longo de uma cadeia de conexões determinada de maneira particular. A parcela quantitativa não desapareceu, mas foi transformada em ansiedade. O resultado é o medo de um lobo, em vez de uma exigência, de amor feita aos pais. As categorias empregadas aqui não bastam, naturalmente, para explicar de forma adequada nem mesmo o caso mais simples de psiconeurose: há sempre outras considerações a levar em conta. Deve-se descrever uma repressão, tal como a que ocorre numa fobia animal, como sendo radicalmente destituída de êxito. Ela apenas remove e substitui a idéia, falhando inteiramente em poupar o desprazer. É também por esse motivo que o trabalho da neurose não cessa. Prossegue até uma segunda fase, a fim de atingir seu mais importante e imediato propósito. O que se segue é uma tentativa de fuga - a formação da fobia propriamente dita, de um grande número de evitações destinadas a impedir a liberação da ansiedade. Uma pesquisa mais especializada permite-nos compreender o mecanismo pelo qual a fobia alcança sua finalidade. [Ver em [1] e segs. adiante.]. Vemos aqui uma fobia com seus mecanismos de repressão, donde retira sua catexia ou energia libidinal, de comunhão e de segurança.
Somos obrigados a adotar um conceito inteiramente distinto a respeito do processo de repressão, quando consideramos o quadro de uma verdadeira histeria de conversão. Aqui, o ponto relevante reside em que é possível provocar um desaparecimento total da quota de afeto. Quando isso ocorre, o paciente exibe, em relação a seus sintomas, aquilo que Charcot denominava de ‘la belle indifférence des hystériques‘. Em outros casos, essa supressão não se mostra tão bem-sucedida: sensações aflitivas podem ligar-se aos próprios sintomas, ou talvez venha a ser impossível impedir certa liberação de ansiedade, que por sua vez põe em ação o mecanismo de formação de uma fobia. O conteúdo ideacional do representante instintual é totalmente retirado da consciência; como um substituto - e ao mesmo tempo como um sintoma - temos uma inervação surperforte (em casos típicos, uma inervação somática), às vezes de natureza sensorial, às vezes, motora, quer como uma excitação, quer como uma inibição. Num exame mais detido, a área superinervada revela-se como sendo parte do próprio representante instintual reprimido, parte que - como se isso se verificasse através de um processo de condensação, atrai toda a catexia para si própria. Evidentemente, essas observações não trazem à luz o mecanismo completo de uma histeria de conversão; o fator regressão, em especial, a ser considerado em outra conexão, também tem de ser levado em conta. Na medida em que a repressão na histeria [de conversão] só se torna possível pela extensa formação de substitutos, ela pode ser julgada inteiramente destituída de êxito; contudo, ao lidar com a quota de afeto - a verdadeira tarefa da repressão -, ela geralmente significa um êxito total. Na histeria de conversão, o processo de repressão é completado pela formação do sintoma, e não precisa, como na histeria de ansiedade, continuar até uma segunda fase - ou antes, rigorosamente falando, continuar interminavelmente. Vemos que no caso da histeria a repressão acaba provocando um desaparecimento da quota de afeto, pois as sensações aflitivas ligam-se aos sintomas formando a fobia, forma-se na consciência um substituto e ao mesmo tempo um sintoma motor que revela-se representante do reprimido. Assim na histeria de conversão a repressão é completada pelo sintoma, diferentemente da histeria de ansiedade que precisa continuar esse processo interminavelmente.
Um quadro totalmente diferente da repressão se revela, mais uma vez, na terceira perturbação, que consideraremos para os propósitos de nossa ilustração - na neurose obsessiva. Aqui ficamos inicialmente em dúvida quanto ao que devemos considerar como sendo o representante instintual sujeito à repressão - se se trata de uma tendência libidinal ou hostil. Essa incerteza surge porque a neurose obsessiva tem por base uma regressão devido à qual uma tendência sádica foi substituída por uma afetiva. É esse impulso hostil contra alguém que é amado, que se acha sujeito à repressão. O efeito, numa fase inicial, do trabalho da repressão é bem diferente do que se verifica numa posterior. De início, a repressão é inteiramente cercada de êxito; o conteúdo ideacional é rejeitado, fazendo com que o afeto desapareça. Como formação substitutiva, surge no ego uma alteração sob a forma de maior consciência, quase não se podendo dar a isso o nome de sintoma. Aqui, substituto e sintoma não coincidem. Com isso, aprendemos também alguma coisa sobre o mecanismo da repressão. Nesse exemplo, como em todos os outros, a repressão ocasionou um afastamento da libido; aqui, porém, ela fez uso da formação da reação para atingir esse propósito, intensificando um oposto. Assim, nesse caso, a formação de um substituto tem o mesmo mecanismo que a repressão e, no fundo, coincide com ela, ao passo que cronologicamente, tanto quanto conceptualmente, é diferente da formação de um sintoma. É bastante provável que todo esse processo se torne possível pela relação ambivalente na qual o impulso sádico a ser reprimido é introduzido. No entanto, a repressão, que foi de início bem-sucedida, não se firma; no decorrer dos acontecimentos, seu fracasso se torna cada vez mais acentuado. A ambivalência que permitiu que a repressão ocorresse através da formação de reação, constitui também o ponto em que o reprimido consegue retornar. A emoção desaparecida retorna, em sua forma transformada, como ansiedade social, ansiedade moral e autocensura ilimitadas; a idéia rejeitada é substituída por um substituto por deslocamento, freqüentemente um deslocamento para algo muito pequeno ou indiferente. Uma tendência no sentido de um restabelecimento completo da idéia reprimida acha-se, em geral, inegavelmente presente. O fracasso na repressão do fator quantitativo afetivo põe em jogo o mesmo mecanismo de fuga, por meio de evitação e proibições, tal como vimos em funcionamento na formação de fobias histéricas. A rejeição da idéia oriunda do consciente é, contudo, obstinadamente mantida, porque provoca a abstenção oriunda da ação, um aprisionamento motor do impulso. Assim, na neurose obsessiva, o trabalho da repressão se prolonga numa luta estéril e interminável. Vemos que na neurose obsessiva temos por base uma regressão devido à qual uma tendência sádica foi substituída por uma afetiva. É esse impulso hostil contra alguém que é amado, que se acha sujeito à repressão. É esse impulso hostil contra alguém que é amado, que se acha sujeito à repressão. De início, a repressão é inteiramente cercada de êxito; o conteúdo ideacional é rejeitado, fazendo com que o afeto desapareça. Como formação substitutiva, surge no ego uma alteração sob a forma de maior consciência, quase não se podendo dar a isso o nome de sintoma. Aqui, substituto e sintoma não coincidem. Com isso, aprendemos também alguma coisa sobre o mecanismo da repressão. Aqui como em todos os outros, a repressão ocasionou um afastamento da libido; aqui, porém, ela fez uso da formação da reação para atingir esse propósito, intensificando um oposto. Assim, nesse caso, a formação de um substituto tem o mesmo mecanismo que a repressão e, no fundo, coincide com ela, ao passo que cronologicamente, tanto quanto conceptualmente, é diferente da formação de um sintoma. É bastante provável que todo esse processo se torne possível pela relação ambivalente na qual o impulso sádico a ser reprimido é introduzido. No entanto, a repressão, que foi de início bem-sucedida, não se firma; no decorrer dos acontecimentos, seu fracasso se torna cada vez mais acentuado. A ambivalência que permitiu que a repressão ocorresse através da formação de reação, constitui também o ponto em que o reprimido consegue retornar. A emoção desaparecida retorna, em sua forma transformada, como ansiedade social, ansiedade moral e autocensura ilimitadas; a idéia rejeitada é substituída por um substituto por deslocamento, freqüentemente um deslocamento para algo muito pequeno ou indiferente. Uma tendência no sentido de um restabelecimento completo da idéia reprimida acha-se, em geral, inegavelmente presente. O fracasso na repressão do fator quantitativo afetivo põe em jogo o mesmo mecanismo de fuga, por meio de evitação e proibições, tal como vimos em funcionamento na formação de fobias histéricas. A rejeição da idéia oriunda do consciente é, contudo, obstinadamente mantida, porque provoca a abstenção oriunda da ação, um aprisionamento motor do impulso. Assim, na neurose obsessiva, o trabalho da repressão se prolonga numa luta estéril e interminável, pois os significados e os sentidos que são formados no processo de recalque levam o paciente a uma luta interminável, visto que o conteúdo recalcado torna-se o conteúdo do trabalho da repressão nesta luta sem fim.
A curta série de comparações apresentada aqui pode facilmente convencer-nos de que se fazem necessárias pesquisas mais abrangentes, antes que possamos esperar compreender inteiramente os processos ligados à repressão e à formação de sintomas neuróticos. A extraordinária complexidade de todos os fatores a serem levados em consideração nos permite apenas uma maneira de apresentá-los. Devemos selecionar primeiro um e, depois, outro ponto de vista, e acompanhá-lo através do material enquanto sua aplicação pareça proporcionar resultados. Cada abordagem isolada do assunto será incompleta em si mesma, não podendo deixar de haver obscuridades sempre que ela se defrontar com material ainda não examinado; no entanto, podemos esperar que uma síntese final conduza a uma compreensão adequada. Vemos que o estudo da repressão e da formação de sintomas neuróticos começava e era bastante complexo, de difícil discriminação, análise e interpretação, necessitava de mais investimentos e de mais estudos, de mais material, de mais pesquisas.
MATTANÓ
(06/12/2025)
O PODER DO UNIVERSO (2025):
Especulo que os homossexuais são diferentes ideológicamente ou metafóricamente dos LGBTQIAPN+:
L: Lésbicas (mulheres que se relacionam com mulheres);
G: Gays (homens que se relacionam com homens);
B: Bissexuais (pessoas que se relacionam com ambos os sexos);
T: Transsexuais e travestis (quem passou por transição de gênero);
Q: Queer (Pessoas que transitam entre os gêneros, como as drag queens);
I: Interssexo (Pessoa com qualidades e características masculinas e femininas);
A: Assexuais (quem não sente atração sexual por quaisquer pessoas);
P: Panssexuais (quem se se relaciona com quaisquer gêneros ou orientações sexuais);
N: Não-binário (sem gênero);
Pois, estes não assumem sua natureza fisionômica, morfológica, anatômica e fisiológica, apelando para o comportamento quando investem em trajes diferentes do normal para serem identificados como LGBTQIAPN+, encobrindo seu corpo e sua aparência com roupas e assessórios, com maquiagem, como se estivessem mascarados e mascaradas, se escondendo de algo ou de alguma coisa, que é justamente o que lhes assegura seu conteúdo recalcado inconsciente, doméstico e familiar, as fezes e os esfíncteres que adquirem significado e sentido de coisa feia e que deve ser escondida ou até descartada, aqui representando sua sexualidade natural e filogenética, heterossexual, que passa a ser objeto de descarte, de repressão e de substituição pela sexualidade que está por ser confirmada através da identificação edipiana homossexual na fase seguinte, porém o drama e os trajes desta peça teatral prevalecem, inclusive seus acessórios. Contudo torna-se dever informar que no caso da lavagem cerebral com recuperação cerebral e cognitiva não devemos considerar como acessórios a cultura induzida por estímulos, por exemplo, as música programada para desencadear respostas delirantes e alucinantes que incapacitam o indivíduo através da paranormalidade, com o uso da telepatia e de drogas controladas para o controle dessas respostas delirantes e alucinógenas, inclusive hostis, agressivas, que envolvem isolamento social, pobreza da linguagem e violência, estupro virtual, extorsão, despersonalização e loucura como a esquizofrenia paranoica, pois o estímulo controla a resposta e o comportamento, e se ele tem propriedades de lavagem cerebral como homossexualismo, mesmo assim continuará sendo somente uma resposta de lavagem cerebral, pois isto deforma a consciência, a cultura, o conhecimento, a realidade e o comportamento, extinguindo a força do homossexualismo nessa resposta.
MATTANÓ
(15/12/2025)
OUTRA TÉCNICA PARA LIDAR COM A LAVAGEM CEREBRAL DO MUNDO EXPLÍCITO (2025):
MATTANÓ
(16/12/2025)
ANATOMIA DA CRIAÇÃO (2025):
Mattanó especula que o nosso cérebro possui características comportamentais que o tornam singular e personalizado como seu comportamento, fisiologia, morfologia, maturação, fenótipo e inconsciente, sendo este, o inconsciente, responsável pela ¨vida¨ que pode ser chamada também de ¨alma¨ do nosso cérebro, segundo a Filósofa Luiza Aparecida da Silva que comentou a especulação de Mattanó que dissertava que o cérebro torna-se ímpar a partir do seu inconsciente, pois é este quem lhe proporciona eventos como os lapsos de linguagem, os esquecimentos, os atos falhos, as fantasias, os chistes, as piadas e o humor, as caricaturas e as charges, o delírios e as alucinações, os significados e os sentidos, a linguagem, as parapraxias, o folclore, os contos de fadas, os totens e os tabus, o id, o ego e o superego, as pulsões, o princípio do prazer e o princípio da realidade, as fases psicossexuais, a libido, a comunhão e o exercício da força, a orgone e a energia vital, o real e o ideal, o imaginário e o simbólico, o que prevalece e como se organizam os arranjos inconscientes e a topografia virtual cerebral coclear, visual, gustativa, olfativa e do tato, inclusive a paranormal, hiperestésica ou sensitiva, os arquétipos e o estilo de vida. Especulo que a topografia virtual, seja ela qual for, obedece leis e princípios comportamentais como reforço, esquiva, fuga, extinção, discriminação e generalização, mas também obedece leis e princípios de nossa natureza inconsciente, onde vislumbramos os lapsos de linguagem, os esquecimentos, os atos falhos, as fantasias, os chistes, as piadas e o humor, as caricaturas e as charges, o delírios e as alucinações, os significados e os sentidos, a linguagem, as parapraxias, o folclore, os contos de fadas, os totens e os tabus, o id, o ego e o superego, as pulsões, o princípio do prazer e o princípio da realidade, as fases psicossexuais, a libido, a comunhão e o exercício da força, a orgone e a energia vital, o real e o ideal, o imaginário e o simbólico, os arquétipos e o estilo de vida, o que prevalece e como se organizam os arranjos inconscientes como meios personalizadores que nos dão a nossa ¨vida¨ e a nossa ¨alma¨ individual diante do mundo objetal. Desta forma acredito que os processos inconscientes ajudam a personalizar, conforme a maturação cerebral e dos neurônios, pois este evento torna diferente para cada indivíduo a sua leitura e tradução dos eventos comportamentais e inconscientes do meio ambiente, já que não sabemos como se dá a relação entre cognição, inconsciente e comportamento quando lemos e traduzimos eventos como lapsos de linguagens de crianças, de adultos e de idosos no mesmo ambiente. Da mesma forma lemos e traduzimos outros eventos como os esquecimentos, os atos falhos, as fantasias, os chistes, as piadas e o humor, as caricaturas e as charges, o delírios e as alucinações, os significados e os sentidos, a linguagem, as parapraxias, o folclore, os contos de fadas, os totens e os tabus, o id, o ego e o superego, as pulsões, o princípio do prazer e o princípio da realidade, as fases psicossexuais, a libido, a comunhão e o exercício da força, a orgone e a energia vital, o real e o ideal, o imaginário e o simbólico, o que prevalece e como se organizam os arranjos inconscientes e a topografia virtual cerebral coclear, visual, gustativa, olfativa e do tato, inclusive a paranormal, hiperestésica ou sensitiva, os arquétipos e o estilo de vida.
MATTANÓ
(18/12/2025)
DENÚNCIA E HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2025):
Osny Mattanó Júnior testemunha e denuncia que em 2006 denunciou para o disk 100 do Governo Federal, para denunciar abusos sexuais infantis, dos quais ele era vítima e hospedeiro, pois já havia sido vítima de vários abusos sexuais em sua infância por várias vezes, contribuindo para a formação do seu inconsciente, comportamento, mapa cerebral, caminhos cognitivos, programação cerebral, consciência, subconsciente, cultura, conhecimento e realidade, através do seu tronco cerebral, córtex cerebral, prosencéfalo, hipocampo e tálamo, por exemplo, que servem para compor sua consciência e realidade, maneira de lidar com o mundo e de se comportar, de se adaptar as adversidades ambientais e exigências da realidade, sejam elas reais ou ideais, então telefonei para o disk 100 e denunciei que era utilizado para fins de abuso sexual infantil na praia de Ipanema no litoral do Paraná em 2006 e percebi, testemunhei, virtualmente a atendente insinuando que o pedófilo era eu, Osny Mattanó Júnior, mas eu tenho o direito de estar doente mentalmente, pois adquiri este transtorno em sala de aula, em 1995, no curso de Psicologia da UEL - Universidade Estadual de Londrina, na aula da Professora Denise dal Coll que fazia uma explicação sobre a ¨panela de pressão¨ e o inconsciente, ou seja, que o inconsciente agia como uma panela de pressão e podia estourar a qualquer momento se não houvessem mecanismos para diminuir ou liberar essa pressão do inconsciente, da ¨panela de pressão¨, então perguntei depois que a aula terminou se uma criança poderia escutar ¨dare mamᨠou ¨dá mamᨠquando deveria escutar ¨hare hama¨ ao ouvir a música My sweet lord do George Harrison e que isso correspondia a uma pulsão auditiva, talvez também imaginei a um resíduo auditivo na época, eu continuei tendo aulas com ela e tendo paranormalidade, e a docente nunca me respondeu, ela me disse, sim em 2003 que não se lembrava de coisa alguma, mas depois de 2006, não me lembro o ano, no Hospital do Coração, na recepção, ela me disse virtualmente ou telepaticamente que se lembrava da minha pergunta mas que nunca iria contar isso para pessoa alguma. Hoje sou licenciado e bacharel em Psicologia pela UEL, desde 1999.
MATTANÓ
(20/12/2025)
SOBRE A IMAGO E O INCONSCIENTE (2025):
Mattanó especula que a Imago materna, a Imago paterna e a Imago fraterna são adquiridas conforme o inconsciente se forma e se desenvolve, inclusive se mantêm, através da imago vivida, da imago desenvolvida e da imago representada que torna o inconsciente uma imagem vivida, desenvolvida e representada conforme a criança cresce, amadurece e se desenvolve, de modo que a verdade codificada na palavra durante a sessão tem somente estes três caminhos, o vivido, o desenvolvido e o representado, assim a transferência e a imagem que temos do pai ou da mãe do paciente torna-se vivida, desenvolvida ou representada, depende do contexto e dos significados e sentidos, da coerência da argumentação e da linguagem, porém sempre ideal ou derivada do princípio do prazer, pois a transferência vincula o prazer e não a realidade, ou seja, demanda amor e delírios obrigatóriamente, pois amar é delirar.
MATTANÓ
(20/12/2025)
SOBRE AS FASES PSICOSSEXUAIS SEGUNDO MATTANÓ (2025):
As fases psicossexuais do desenvolvimento humano, sobretudo infantil demanda, segundo Osny Mattanó Júnior, uma energia libidinal, de comunhão e de exercício da força, além de uma energia vital, orgone e força psicomotora que atuam sobre as fases auditiva, do olhar, oral, anal, fálica, o período de latência, a genital e o desenvolvimento das sublimações, alcançando a intimidade, a privacidade, a produtividade, o amor e a crise final do indivíduo que responde ao controle do estímulo e ao controle inconsciente, comportamental e cognitivo da sua tradução da realidade com a produção da sua resposta, que como vemos é função do estímulo, mas também do inconsciente, do comportamento e da cognição que se somam, de acordo com a realidade ambiental e corporal desse indivíduo, isto é, se ele é uma criança de 6 meses de idade e está mamando, temos a pulsão oral marcando sua atitude passiva ou ativa, sua personalidade que pode estar sendo definida ou estar em construção, segundo seu prazer obtido nessa relação, mas também repertórios comportamentais básicos como a atenção, a imitação, a discriminação e o controle que serão base para novos e mais complexos repertórios comportamentais, além da sua cognição que está em formação, aqui no período sensório-motor, onde a criança se relaciona e apreende o mundo com seus sensorial e sua motricidade, seus olhos, sua boca e seus gestos, mesmo que desordenados e descoordenados. Já uma criança com 4 anos de idade que está aprendendo a controlar os seus esfíncteres marcando sua atitude controladora e dominadora, sua personalidade que pode estar sendo definida ou estar em construção, segundo o prazer obtido nesta relação, mas também em repertórios comportamentais básicos que participarão de mais complexos, além da sua cognição que neste período é pré-operacional, ou seja, está em formação, sua inteligência, capacidade de controlar e de manipular a si mesma e ao meio ambiente está em construção. Agora, uma criança de 5 anos de idade, na fase fálica, está na fase de se identificar com o seu genitor do mesmo sexo e assim adquirir uma identidade sexual que se consolida com o complexo de Édipo, que tem esta função, e nada sexual como Freud propunha, pois a criança não conhece a malícia comportamental, que só aparece e é adquirida na fase genital, mas com os repertórios comportamentais básicos a criança adquire a capacidade para a aprendizagem e o condicionamento, inclusive para a equivalência de estímulos, e com a cognição a criança adquire a linguagem, a noção de conservação, de volume, de quantidade, de número, de altura, de comprimento, de tamanho, de significados e de sentidos. No período de latência, entre os 6 ou 7 anos de idade e os 9 ou 11 anos de idade, a criança desenvolve as sublimações, ou seja, a capacidade de estudar e aprender, de jogar e compreender os jogos e as brincadeiras, de poder jogar socialmente e lúdicamente, de trapacear e de julgar, comportamentalmente a criança desenvolve mais repertórios comportamentais associados a aprendizagem e aos conteúdos da escola como estudar, jogar, brincar, julgar, trapacear, errar e corrigir, e cognitivamente a criança avança para o período das operações concretas onde ela conceitua suas operações e passa a acreditar no que estudou e aprendeu na escola. Na fase genital o adolescente passa a elaborar pesquisas, hipóteses e deduções, conhecimento, cultura, realidade e consciência que se consolidam na busca de amor fora do seu próprio corpo, de duas maneiras, através dos amigos, formando grupos que reforçam suas atitudes, ideias e valores, comportamentos, e a através da afetividade, da sexualidade, pois ele adquire a malícia comportamental com a puberdade que lhe oferece desenvolvimento e crescimento dos seus caracteres sexuais, crescimentos dos pêlos, mudança na voz, nos tronco, nos seios das garotas, na altura, do desejo e do apetite sexual, desafios morais e éticos, o enfrentamento das drogas, do alcoolismo e do estupro, da violência e das armas, da ausência de sentido, comportamentalmente o adolescente adquire muito repertório comportamental que pode colocá-lo entre a saúde e o transtorno mental, fazê-lo usuário de drogas de álcool, de fumo, de cigarro eletrônico, de prostituição, de pornografia, de violência, de armas, como pode projetá-lo para o sucesso e para uma grande carreira através de um grande curso universitário com bom desempenho acadêmico e depois, profissional, depende do tipo de amor que ele buscar, de acordo com sua história de vida e de reforçamento, e cognitivamente o adolescente desenvolve a intuição e a sensibilidade através das hipóteses e das deduções que se tornam sua melhor ferramenta de adaptação a realidade e as suas necessidades operantes, ou seja, as suas exigências ambientais que são fruto da evolução, da seleção, da competição e da involução, vemos que as hipóteses e as dedução voltar-se-ão para um dos dois amores do adolescente, o grupo de amigos e a sociedade ou o objeto sexual e afetivo até que entre na fase de desenvolvimento das sublimações, e começa a desenvolver sua intimidade com seu objeto de amor, partindo depois para a privacidade, pois possuirá uma família, e assim uma produtividade que consolidará sua casa e seu patrimônio, para que desfrute do seu amor plenamente e ingresse com saúde na crise final, de modo que a generosidade versus a degeneração e a demência não sejam um fim trágico, mas uma passagem feliz e programada pela família e pelos cuidadores.
MATTANÓ
(26/12/2025)
O INCONSCIENTE (1915)
NOTA DO EDITOR INGLÊS DAS UNBEWUSSTE
(a) EDIÇÕES ALEMÃS:
1915 Int. Z. Psychoanal., 3 (4), 189-203 e (5), 257-69
1918 S.K.S.N., 4, 294-338. (1922, 2ª ed.)
1924 G.S., 5, 480-519.
1924 Techinik und Metapsychol., 202-41.
1931 Theoretische Schriften, 98-140.
1946 G.W., 10, 264-303.
(b) TRADUÇÃO INGLESA:
‘The Unconscious’
1925 C.P., 4, 98-136. (Trad. C.M. Baines.)
A presente tradução inglesa, embora baseada na de 1925, foi amplamente reescrita.
Parece que o presente artigo levou menos de três semanas para ser escrito - de 4 a 23 de abril de 1915. Posteriormente, no mesmo ano, foi publicado no Internationale Zeitschrift em duas partes, a primeira contendo as Seções I-IV e a segunda, as Seções V-VII. Nas edições anteriores a 1924, o artigo não foi dividido em seções, mas o que agora constitui os títulos foi impresso como subtítulos na margem. A única exceção a isso é que a expressão ‘O Ponto de Vista Topográfico’, que agora faz parte do título da Seção II, se encontra originalmente na margem, no início do segundo parágrafo da seção, à altura das palavras ‘Passando agora…’ (ver em [1]). Algumas pequenas alterações também foram feitas no texto da edição de 1924.
Se a série ‘Artigos Sobre Metapsicologia’ talvez seja considerada como o mais importante de todos os escritos teóricos de Freud, não há dúvida alguma de que este ensaio sobre ‘O Inconsciente’ constitui seu ponto culminante.
O conceito segundo o qual existem processos mentais inconscientes, é, naturalmente, fundamental para a teoria psicanalítica. Freud nunca se cansou de insistir nos argumentos que o apóiam e de combater as objeções levantadas contra ele. Na realidade, até mesmo a última parte não concluída de seus escritos teóricos, o fragmento escrito por ele em 1938, a que deu o título, em inglês, de ‘Some Elementary Lessons in Psycho-Analysis’ (1940b), constitui uma nova justificação daquele conceito.
Contudo, deve-se esclarecer de imediato que o interesse de Freud por essa suposição jamais foi de natureza filosófica - embora, sem dúvida, problemas filosóficos se encontrassem inevitavelmente próximos. Seu interesse era prático. Ele achava que, sem fazer essa suposição, era incapaz de explicar ou mesmo de descrever a grande variedade de fenômenos com que se defrontava. Por outro lado, procedendo assim, encontrou o caminho aberto para uma região imensamente fértil em novos conhecimentos.
Desde o início, e em seu ambiente mais próximo, não pode ter havido grande resistência a essa idéia. Seus professores diretos - Meynert, por exemplo -, na medida em que se interessavam pela psicologia, orientavam-se principalmente pelos conceitos de J. F. Herbart (1776-1841), e parece que um livro de texto contendo os princípios herbartianos era usado na escola secundária freqüentada por Freud (Jones, 1953, 409 e segs.). O reconhecimento da existência de processos mentais inconscientes desempenhou papel essencial no sistema de Herbart. Apesar disso, porém, Freud não adotou imediatamente essa hipótese nas primeiras fases de suas pesquisas psicopatológicas. É verdade que ele parece, desde o início, ter sentido a força do argumento a que dá tanta ênfase nas páginas iniciais do presente artigo - isto é, o argumento segundo o qual restringir os fatos mentais aos que são conscientes e entremeá-los de fatos puramente físicos e neurais, ‘rompe as continuidades psíquicas’ e introduz lacunas ininteligíveis na cadeia de fenômenos observados. Havia, no entanto, duas formas pelas quais essa dificuldade poderia ser superada. Poderíamos desprezar os fatos físicos e adotar a hipótese de que as lacunas são preenchidas com eventos mentais inconscientes; mas, por outro lado, poderíamos desprezar os fatos mentais conscientes e estruturar uma cadeia puramente física, ininterrupta, que abrangeria todos os eventos da observação. Para Freud, cuja carreira científica, no princípio, fora inteiramente voltada para a fisiologia, essa segunda possibilidade mostrou-se de início irresistivelmente atraente. Atração esta sem dúvida fortalecida pelos conceitos de Hughlings-Jackson, por cuja obra Freud revelou admiração em sua monografia sobre afasia (1891b), encontrando-se adiante, no Apêndice B (pág. 213), um trecho pertinente à mesma. Conseqüentemente, Freud começou por adotar o método neurológico de descrição dos fenômenos psicopatológicos, e todos os seus escritos do período de Breuer se baseiam confessadamente naquele método. Ele ficou intelectualmente fascinado pela possibilidade de construir uma ‘psicologia’ a partir de ingredientes puramente neurológicos, tendo dedicado vários meses do ano de 1895 à realização dessa tarefa. Assim, a 27 de abril daquele ano (Freud, 1950a, Carta 23), escrevia ele a Fliess: ‘Estou tão profundamente mergulhado na “Psicologia para Neurologistas”, que ela me consome inteiramente, a ponto de me ver obrigado a interromper minhas atividades por excesso de trabalho. Jamais estive tão intensamente preocupado com alguma coisa. E será que isso redundará em alguma coisa? Espero que sim, mas a caminhada é árdua e lenta.’ Isso redundou em alguma coisa muitos meses depois - a obra incompleta que conhecemos como o ‘Projeto para uma Psicologia Científica’, encaminhado a Fliess em setembro e outubro de 1895. Essa surpreendente produção visa a descrever e explicar toda a gama do comportamento humano, normal e patológico, por meio de uma manipulação complicada de duas entidades materiais - o neurônio e a ‘quantidade numa condição de fluxo’, uma energia física ou química não especificada. A necessidade de postular quaisquer processos mentais inconscientes foi, dessa forma, inteiramente evitada: a cadeia de eventos físicos era ininterrupta e completa.
Sem dúvida, muitas razões contribuíram para que o ‘Projeto’ jamais tenha sido concluído e para que toda a linha de raciocínio por detrás dele fosse logo abandonada. O motivo principal, porém, foi que Freud, o neurologista, estava sendo superado e deslocado por Freud, o psicólogo: tornava-se cada vez mais evidente que até mesmo o elaborado mecanismo dos sintomas neurônicos era canhestro e grosseiro demais para lidar com as sutilezas que estavam sendo trazidas à luz pela ‘análise psicológica’, sutilezas que só poderiam ser explicadas na linguagem dos processos mentais. De fato, vinha ocorrendo, muito gradativamente, um deslocamento do interesse de Freud. Na altura da publicação da Afasia, seu tratamento do caso de Frau Emmy von N. já datava de dois ou três anos, e sua anamnese foi escrita mais de um ano antes do ‘Projeto’. É numa nota de rodapé a essa anamnese (Edição Standard Brasileira, Vol. II, pág. 120, IMAGO Editora, 1974) que se encontra publicado pela primeira vez o termo ‘o inconsciente’; e, embora a teoria ostensiva subjacente à participação de Freud nos Estudos sobre a Histeria (1895d) pudesse ser neurológica, a psicologia - e com ela a necessidade de processos mentais inconscientes - já se insinuava firmemente. Na realidade, toda a base da teoria de repressão da histeria e a do método catártico de tratamento clamavam por uma explanação psicológica, e só através dos mais penosos esforços elas foram explicadas neurologicamente na Parte II do ‘Projeto’. Alguns anos depois, em A Interpretação de Sonhos (1900a), ocorrera uma estranha transformação: não só o relato neurológico da psicologia desaparecera completamente, como também grande parte do que Freud escrevera no ‘Projeto’ em termos de sistema nervoso se tornara agora válido, e muito mais inteligível, ao ser traduzido em termos mentais. Estabeleceu-se o inconsciente de uma vez por todas.
Deve-se, porém, repetir que Freud não estabeleceu uma mera entidade metafísica. O que ele fez no Capítulo VII de A Interpretação de Sonhos foi, por assim dizer, revestir a entidade metafísica de carne e sangue. Pela primeira vez, revelou o inconsciente, tal como era, como funcionava, como diferia de outras partes da mente, e quais eram suas relações recíprocas com elas. São essas as descobertas que ele retoma, ampliando-as e aprofundando-as, no artigo que se segue.
Numa fase anterior, todavia, tornara-se evidente que o termo ‘inconsciente’ era ambíguo. Três anos antes, no artigo que escreveu em inglês para a Sociedade de Pesquisas Psíquicas (1912g), e que, sob muitos aspectos, é preliminar ao presente artigo, Freud investigara cuidadosamente essas ambigüidades e estabelecera diferenças entre os empregos ‘descritivo’, ‘dinâmico’ e ‘sistemático’ da palavra. Ele repete as distinções na Seção II deste artigo (ver em, [1] e segs.), embora de forma ligeiramente diversa, tendo novamente voltado a elas no Capítulo I de The Ego and the Id (1923b) e, numa extensão ainda maior, na Conferência XXXI das New Introductory Lectures (1933a). A maneira desordenada pela qual o contraste entre ‘consciente’ e ‘inconsciente’ se ajusta às diferenças entre os vários sistemas da mente já é mencionada claramente adiante (ver em [1]); mas a posição em seu todo só foi posta em perspectiva quando, em The Ego and the Id, Freud introduziu um novo quadro estrutural da mente. Apesar, contudo, da atuação insatisfatória do critério ‘consciente ou inconsciente’, Freud sempre insistiu em dizer (como o faz em dois pontos aqui, (ver em [1] e [2] ), e novamente tanto em The Ego and the Id como nas New Introductory Lectures) que esse critério ‘é, em última instância, o nosso único farol nas trevas da psicologia profunda’.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que os fenômenos de natureza filosófica não eram de seu interesse no início de sua carreira, mas sim os fenômenos físicos e neurais onde existem lacunas que são preenchidas com os eventos mentais inconscientes, então as sutilezas comportamentais poderíam ser explicadas como processos mentais inconscientes. Na realidade, toda a base da teoria de repressão da histeria e a do método catártico de tratamento clamavam por uma explanação psicológica, e só através dos mais penosos esforços elas foram explicadas neurologicamente na Parte II do ‘Projeto’. Alguns anos depois, em A Interpretação de Sonhos (1900a), ocorrera uma estranha transformação: não só o relato neurológico da psicologia desaparecera completamente, como também grande parte do que Freud escrevera no ‘Projeto’ em termos de sistema nervoso se tornara agora válido, e muito mais inteligível, ao ser traduzido em termos mentais. Estabeleceu-se o inconsciente de uma vez por todas.
Numa fase anterior, todavia, tornara-se evidente que o termo ‘inconsciente’ era ambíguo. Três anos antes, no artigo que escreveu em inglês para a Sociedade de Pesquisas Psíquicas (1912g), e que, sob muitos aspectos, é preliminar ao presente artigo, Freud investigara cuidadosamente essas ambigüidades e estabelecera diferenças entre os empregos ‘descritivo’, ‘dinâmico’ e ‘sistemático’ da palavra. A maneira desordenada pela qual o contraste entre ‘consciente’ e ‘inconsciente’ se ajusta às diferenças entre os vários sistemas da mente já é mencionada claramente adiante (ver em [1]); mas a posição em seu todo só foi posta em perspectiva quando, em The Ego and the Id, Freud introduziu um novo quadro estrutural da mente. Apesar, contudo, da atuação insatisfatória do critério ‘consciente ou inconsciente’, Freud sempre insistiu em dizer (como o faz em dois pontos aqui, (ver em [1] e [2] ), e novamente tanto em The Ego and the Id como nas New Introductory Lectures) que esse critério ‘é, em última instância, o nosso único farol nas trevas da psicologia profunda’.
Mattanó aponta que os fenômenos de natureza filosófica não eram de interesse de Freud no início de sua carreira, mas sim os fenômenos físicos e neurais onde existem lacunas que são preenchidas com os eventos mentais inconscientes, então as sutilezas comportamentais poderíam ser explicadas como processos mentais inconscientes. Na realidade, toda a base da teoria de repressão da histeria e a do método catártico de tratamento clamavam por uma explanação psicológica, e só através dos mais penosos esforços elas foram explicadas neurológicamente na Parte II do ‘Projeto’. Alguns anos depois, em A Interpretação de Sonhos (1900a), ocorrera uma estranha transformação: não só o relato neurológico da psicologia desaparecera completamente, como também grande parte do que Freud escrevera no ‘Projeto’ em termos de sistema nervoso se tornara agora válido, e muito mais inteligível, ao ser traduzido em termos mentais. Estabeleceu-se o inconsciente de uma vez por todas. Vemos como surgiu a ideia e o conceito de inconsciente para Freud em suas Obras, inclusive o seu significado e o seu sentido que foi evoluindo progressivamente.
Numa fase anterior, todavia, tornara-se evidente que o termo ‘inconsciente’ era ambíguo. Três anos antes, no artigo que escreveu em inglês para a Sociedade de Pesquisas Psíquicas (1912g), e que, sob muitos aspectos, é preliminar ao presente artigo, Freud investigara cuidadosamente essas ambigüidades e estabelecera diferenças entre os empregos ‘descritivo’, ‘dinâmico’ e ‘sistemático’ da palavra. A maneira desordenada pela qual o contraste entre ‘consciente’ e ‘inconsciente’ se ajusta às diferenças entre os vários sistemas da mente já é mencionada claramente adiante (ver em [1]); mas a posição em seu todo só foi posta em perspectiva quando, em The Ego and the Id, Freud introduziu um novo quadro estrutural da mente. Apesar, contudo, da atuação insatisfatória do critério ‘consciente ou inconsciente’, Freud sempre insistiu em dizer (como o faz em dois pontos aqui, (ver em [1] e [2] ), e novamente tanto em The Ego and the Id como nas New Introductory Lectures) que esse critério ‘é, em última instância, o nosso único farol nas trevas da psicologia profunda’. Vemos que o inconsciente continuou evoluindo conceitualmente na teoria freudiana, contudo apoiado na teoria do consciente e do inconsciente e na teoria dos instintos, que eram o único farol nas trevas da psicologia profunda.
MATTANÓ
(29/12/2025)
O INCONSCIENTE
Aprendemos com a psicanálise que a essência do processo de repressão não está em pôr fim, em destruir a idéia que representa um instinto, mas em evitar que se torne consciente. Quando isso acontece, dizemos que a idéia se encontra num estado ‘inconsciente’, e podemos apresentar boas provas para mostrar que, inclusive quando inconsciente, ela pode produzir efeitos, incluindo até mesmo alguns que finalmente atingem a consciência. Tudo que é reprimido deve permanecer inconsciente; mas, logo de início, declaremos que o reprimido não abrange tudo que é inconsciente. O alcance do inconsciente é mais amplo: o reprimido não é apenas uma parte do inconsciente.
Como devemos chegar a um conhecimento do inconsciente? Certamente, só o conhecemos como algo consciente, depois que ele sofreu transformação ou tradução para algo consciente. A cada dia, o trabalho psicanalítico nos mostra que esse tipo de tradução é possível. A fim de que isso aconteça, a pessoa sob análise deve superar certas resistências - resistências como aquelas que, anteriormente, transformaram o material em questão em algo reprimido rejeitando-o do consciente.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o inconsciente se refere a aquilo que é barrado ou evitado da nossa consciência e não necessariamente ao que é reprimido, e o conteúdo reprimido é aquele que foi rejeitado do consciente através das resistências que transformam esse material em algo reprimido.
Mattanó aponta que o inconsciente se refere a aquilo que é barrado ou evitado da nossa consciência e não necessariamente ao que é reprimido, e o conteúdo reprimido é aquele que foi rejeitado do consciente através das resistências que transformam esse material em algo reprimido. Vemos que o conteúdo inconsciente refere-se ao não consciente, ao barrado ou evitado da consciência e não necessariamente ao conteúdo reprimido, que é aquele que foi rejeitado do consciente através das resistências que realizam uma tradução desse conteúdo em algo reprimido. Ou seja, temos um salão escuro, o inconsciente, e temos um holofote que ilumina parte desse salão escuro progressivamente nos revelando resistências e uma tradução que transforma objetos em conteúdo reprimido, mas também temos conteúdos barrados e evitados que permanecem no escuro ou nas trevas do inconsciente, como o cérebro e o corpo que trabalham interconectados mas selecionam apenas o que for necessário para a sobrevivência do organismo através da sua mente consciente que barra e evita conteúdos constantemente, mas traduz outros conteúdos para sua adaptação e sobrevivência, como a sua mente inconsciente.
MATTANÓ
(29/12/2025)
SOBRE EDUCAÇÃO E TREINO DO INCONSCIENTE (2025):
Mattanó especula que a educação e o treino do inconsciente e dos seus processos, inclusive do seu trabalho de análise e interpretação pode gerar indivíduos mais inteligentes, pois estaríamos aperfeiçoando parte do cérebro desses indivíduos de maneira mais rápida e eficaz do que com psicoterapia ou psicanálise, pois estas demandam muito mais tempo e investimento, sem falar dos perigos psicológicos, seja para o Psicanalista ou para o paciente, pelo treino e pela educação a aprendizagem é muito mais rápida e mais segura, e o que acontece no cérebro também, sobretudo nos neurônios, nos caminhos cognitivos e no mapa cerebral, no GPS da personalidade, ou seja, os significados e os sentidos gerados e adquiridos serão muito mais seguros e trabalhados muito mais rapidamente do que na sessão normal sem treino e sem educação. Acredito que devemos saber encurtar as informações e dados sem significado e sem sentido que possam estar tomando lugar em nossos cérebros e neurônios com caminhos inúteis, através de uma educação, treino e formação na sessão de Psicanálise que venha a ser útil assim como a própria ¨limpeza de chaminé¨. Eis que a ¨limpeza de chaminé¨ se parece com essa educação, treino e formação através da associação livre, pois o cérebro e os neurônios vão ficando cada vez mais ¨limpos¨ com essa técnica de educação, treino e formação psicanalítica.
MATTANÓ
(30/12/2025)
ANATOMIA DA CRIAÇÃO (2025):
Mattanó especula que o comportamento tem sua funcionalidade como uma P.A. ou progressão aritmética que é uma sequência numérica onde a diferença entre termos consecutivos é sempre constante, chamada de razão. Já o inconsciente tem sua funcionalidade como a uma P.G. ou progressão geométrica que é uma sequência numérica onde cada termo, a partir do segundo, é obtido pela multiplicação do termo anterior por uma constante chamada razão (q). Por exemplo, em uma PG com razão 3 e primeiro termo 2, a sequência seria: 2, 6, 18, 54, .... A razão é calculada dividindo um termo pelo seu antecessor. A partir daqui visualizamos como são diferentes as progressões do comportamento e do inconsciente no cérebro e no corpo humano.
MATTANÓ
(31/12/2025)
ANATOMIA DA CRIAÇÃO (2025):
Mattanó especula que a malícia pode ser entendida muito além do comportamento, passando a ser compreendida também como cognição, pois possui a conservação de organização, que é a responsável pela organização de repertórios como os da malícia e da maldade. Contudo aponta que os hormônios sexuais não são responsáveis pela produção de trabalho, mas sim pela produção de malícia e de conhecimento adquirido por ela como ao da teoria da pulsão auditiva de Mattanó, mas somente a partir da puberdade. Por isso acreditar que os hormônios sexuais aumentam a capacidade de trabalho do Homo Sapiens através da libido, como sugere Freud, parece um engano, pois o que aumenta a capacidade de trabalho do Homo Sapiens é a sua aprendizagem, cognição, interesse, motivação, habilidades e repertório comportamental, inclusive sua história de vida e a sua capacidade para o trabalho e não a libido que aumenta apenas a malícia e o desejo sexual que ficam emparelhados com estes ítens que constróem o labor do Homo Sapiens, inclusive eventos novos e adversos, como os acadêmicos e científicos, como a produção de conhecimento que ocorreu com a teoria da pulsão auditiva de Mattanó, já a partir de 1995 na UEL. Se hormônios sexuais aumentam a produtividade e a malícia então eu, Osny Mattanó Júnior, deveria ser considerado um grande idiota e ignorante intelectualmente, sendo impossível escrever tantas obras psicanalíticas e epistemológicas, arqueológicas e ufológicas, e ter composto tantas canções e músicas desde quando entrei na andropausa, há uns 3 ou 4 anos, deveria ter sido um ignorante e idiota também, antes da puberdade, mas não fui, eu era um excelente aluno, costumava tirar a nota máxima em quase tudo até a puberdade, eis, pois que foi com o início da puberdade que as minhas notas e a minha produção escolar baixou, engraçado, com libido fiquei idiota e ignorante.
MATTANÓ
(31/12/2025)
DENÚNCIA E HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2026):
Osny Mattanó Júnior denuncia e testemunha que a Igreja Católica parece seguir o exemplo de uma comunidade violentadora, exploradora, abusadora, estupradora, pedófila, escravizadora, sequestradora e exterminadora de crianças que vemos no programa ¨Dignidade¨ do canal History atualmente, onde crianças passaram por estes dramas com suas famílias que não sofreram menos. Eu por exemplo sou controlado pela Igreja para representar o Demônio e uma Hóstia em chamas, eventos construídos através da invasão de intimidade e de privacidade e de testemunho de loucura após estupro, onde fui vítima aos 4 anos de idade e levei várias surras pelo mal entendimento do evento violento que foi o estupro realizado pela empregada doméstica, então passei por eventos cognitivos de dar vida a coisas e objetos sem vida, como o pão que passou, aos poucos a representar a Jesus Cristo e as vezes, a Jesus Cristo sendo incendiado em sua Cruz ou numa Cruz de Fogo, que era o pão queimado, em função da fome e por não haver dinheiro para comprar pão novo, então queimávamos pão um pouco mais velho com manteiga, será que dá para passar manteiga na Hóstia ou em Jesus Cristo? Então uma pessoa delirante poderá me dizer que a manteiga representa um combustível ou patê! De fato aquele que delira enxerga na ausência da coisa vista, escuta na ausência da coisa falada, responde na ausência do estímulo, ou seja, tudo começou com um delírio infantil meu a respeito do pão queimado que era Jesus Cristo, eu estava delirando, vendo na ausência da coisa vista e eu tinha outros delírios na época, delírios sexuais de pessoa estuprada, de criança estuprada por mulher adulta, certamente eu iria dar um jeito de querer repetir este prazer eliminando o adversário, o homem adulto com a figura de Jesus Cristo e do pão queimado, assim o homem estaria morto e a mulher adulta seria inteiramente minha para meu prazer sexual de criança estuprada e vítima de pedofilia.
Denuncio que este prazer inconsciente pode estar provocando tentativas de homicídio contra meus pais e meus irmãos, inclusive contra mim, pois a empregada doméstica tornou-se o objeto inconsciente de desejo sexual das autoridades policiais e políticas deste caso, tanto é que demoraram mais de 30 anos para prende-la e esta prisão representa uma forma de tê-la sob controle e próxima deles para satisfação dos seus desejos inconscientes que podem ser substituídos e convertidos em aspirações morais elevadas ou em formas de tortura que são formas de perversão sexual, de sexualidade, de desejo de coito e de se formar e organizar famílias com essa criminosa que era e é um símbolo sexual inconsciente associado as formas de tortura e de perversão sexual, assim denuncio que quando as polícias e a justiça federal da ordem para deixaram som alto de madrugada muito perto de nossa residência é porque pode ter relação inconsciente com estas histórias e dramas inconscientes de minha família que acabam despertando desejo e mecanismos inconscientes para sua satisfação, e isto está acontecendo muito e em diversos casos de violência sexual, estupro e de pedofilia até agora acobertados.
MATTANÓ
(01/01/2026)
SOBRE A TEORIA DA PULSÃO AUDITIVA DE MATTANÓ (2026):
Freud explica que a censura, oblitera as palavras, orações e frases, tornando o conteúdo transferido ininteligível, como vemos nas psicoses e nos delírios. Contudo o conteúdo normal das palavras é que formem algum significado e algum sentido com a transferência, aparecendo novos conceitos que por sua vez desenvolvem e exigem designação.
Mattanó aponta que o conteúdo normal das palavras vai além dos significados e sentidos, está numa fase anterior, está no niilismo, no nada, na ausência de significado e na ausência de sentido, está também na formação de comportamentos, de Gestalt e de relações sociais. Assim a Teoria da Pulsão Auditiva de Mattanó defende esta constelação de eventos inconscientes, do comportamento, da Gestalt e da psicologia social, enquanto teoria do esquema da panela de pressão que resguarda a engeria do inconsciente, que é capaz de se acumular e de explodir quando mal tratada, espalhando todos estes eventos, fenômenos ou repertórios pelo seu meio ambiente, inclusive a paranormalidade e os repertórios sexuais infantis dos quais você um dia foi vítima de pedofilia e estupro ou estupro coletivo e violência sexual, contaminando toda a sociedade.
MATTANÓ
(02/01/2026)
SOBRE A LIBIDO DO HOMO SAPIENS (2026):
A fome sexual só é tratável com a repressão e a socialização, com a educação e com a moralidade, senão tendo que viver em uma sociedade com tabus. Pois se vivemos numa sociedade sem tabus e sem moralidade, sem regras que nos auxiliem a nos comportar em situações de eventos afetivos e sexuais ou libidinosos, onde todos teriam liberdade para satisfazerem suas necessidade sexuais instantaneamente com qualquer parceiro ou parceiro próxima e disponível, como propõe e induz a teoria da pulsão auditiva de Mattanó de 1995, isto justamente, comprova que necessitamos de tabus, moral, regras e leis para educar e controlar nosso apetite sexual e a nossa liberdade sexual, ou seja, a libido do Homo Sapiens. Torna-se necessário esclarecer que o poder dessa teoria da pulsão auditiva de Mattanó de 1995 está no S estímulo e não, a priori, na consciência, na cultura, no conhecimento e na realidade, pois é o S estímulo quem controla e determina a R resposta e a C consequência, ou seja, toda a funcionalidade do tipo S - R - C, estímulo - resposta - consequência.
MATTANÓ
(04/01/2026)
O PODER DO UNIVERSO (2026):
Podemos especular que nações que trazem em sua História um grande repertório de heróis, monstros e escravos podem estar encobrindo um passado, presente ou futuro abusivo, explorador, violento, torturador, extorsor, vingativo, estuprador, guerreiro, pedófilo, tarado, corruptor e corrupto, despersonalizador, brutalizante, alienador e invasor, senão injusto para com seus habitantes e para com as outras nações, pois se tornam infladas em seu ego ideal, de modo a se acharem super-poderosas e com o direito de defenderem o mundo, pois possuem o maior número de heróis infantis, ou de histórias infantis que inundam a consciência, o inconsciente, o subconsciente e o comportamento dos mais ignorantes que se veem a segui-los como se fossem a única e melhor saída para os seus problemas, contudo uma saída com significado doentio e criminoso, encoberto pelo poder dos exércitos que reprimem violentamente essa energia inconsciente herdada de nossos antepassados e ancestrais e que não sabemos lidar, senão apenas reprimindo violentamente e assassinando indivíduos para a nossa alegria e prazer primitivo, do tempo dos hominídeos, que tinham que lutar e matar para assegurar a paz, a alimentação, a segurança e a ordem em suas famílias e comunidades. Eis que somos como os homens primitivos quando invadimos e sequestramos outros indivíduos injustamente, pois estamos agindo por motivos inconscientes e que a nossa consciência não suporte, por isso inventamos desculpas, histórias e mentiras para enganar a comunidade e dar continuidade ao nosso plano de roubo, invasão e sequestro, todo ladrão costuma mentir para conseguir roubar e levar o seu objeto de roubo para o seu deleite intenso, seja ele, cultural, econômico, material, patrimonial, artístico, filosófico, científico, profissional, ou financeiro como algum tesouro. O ego do ladrão costuma inflar com o que roubou e ele é capaz de matar para defender o que roubou. Nações que têm muitos ladrões tem muitos indivíduos que tem armas e estão dispostos a roubar, invadir e sequestrar indivíduos valiosos e seus tesouros para o aumento do ego infantil e inflado desses ladrões que parecem não ter autonomia moral para julgar e discriminar o que é certo e o que é errado? Isto é se estão agindo por motivos criminosos, primitivos, ancestrais, até ufológicos, ou paranormais e antropológicos, ou se estão fazendo a coisa certa, pois se julgam heróis, mas heróis não roubam, matam e nem sequestram indivíduos inocentes, valiosos e seus tesouros! Nações que não proíbem o porte de armas tendem a ter muitos problemas sociais com violência, pois as crianças são forçadas e reprimir desde cedo o significado e o sentido das armas e do porte de armas para os seus comportamentos e relações sociais, inclusive atitudes e decisões, alargando o gatilho para a vida sexual imatura e sem amor, pois um pai ou uma mãe com uma arma em casa pode facilmente significar para a criança pouco ou nenhum amor, mas medo e perigo em suas relações familiares, domésticas e infantis, marcando seu inconsciente e seu conteúdo recalcado, de modo que uma das saídas para estas pessoas torna-se o exército e suas operações militares justas e injustas, pois a família desses indivíduos foi justa e foi injusta, ou seja, foi imatura e insegura com ele e agora ele reproduz esse conteúdo em sua carreira militar, inclusive política.
MATTANÓ
(05/01/2026)
SOBRE A LIBIDO, A COMUNHÃO E O EXERCÍCIO DA FORÇA (2026):
Podemos especular que o desenvolvimento da libido, da comunhão e do exercício da força no Homo Sapiens tem características inconscientes, comportamentais, cognitivas e gestálticas na sua análise funcional que descreve sua relação do tipo S - R - C, estímulo - resposta - consequência, sendo que o S ou estímulo determina a R, resposta, pois a controla através de relações inconscientes de Amor que descrevem a Teoria Psicossexual de Mattanó, onde não existe mais a paranóia, a compulsão, a obsessão, a depressão, o maníaco-despressivo, o esquizofrênico, pois a criança nesta fase de sua vida é incapaz de nomear e de dar significado e sentido para suas representações, inclusive lembranças, pensamentos, afetos, comportamentos, getalts e estados cognitivos, ele conhece apenas seu mundo vivido, sua moral que é uma anômia, sua cognição que está no estágio sensório-motor até os 2 anos de idade, onde sua inteligência é sensorial e motora, e depois entra no estágio pré-operacional onde desenvolve as pré-operações cognitivas, adquirindo capacidade para a linguagem e a alfabetização, para a socialização, e adquire a capacidade de nomear e dar significado e sentido para suas representações por volta dos 5 anos de idade, temos ainda a incapacidade comportamental de compreender o mundo ao seu redor entre o nascimento e os 2 anos de idade, onde responde apenas com seus repertórios comportamentais básicos de imitação, discriminação, atenção e controle, somente por volta dos 5 anos de idade é que ela adquire capacidade para desenvolver aprendizado comportamental e realizar operações como significar e dar sentido aos objetos do meio ambiente e resolver problemas, através de jogos, somente por volta dos 5 anos que a criança se identifica com o seu genitor do mesmo sexo e adquire uma identidade que chamamos de parte do complexo de Édipo, pois ele envolve mais, envolve, conceber significados e sentidos a partir dessa nova identidade que se diferencia em papel e orientação sexual, assim vemos que antes da capacidade de significar e de dar sentido as suas representações, a criança é incapaz de adquirir transtornos mentais, como a esquizofrenia, a paranóia, a depressão, a compulsão, o maníaco-depressivo como marcas inconscientes de um conteúdo recalcado, pois não possui condições cognitivas de realizar estas operações, mas apenas operações de Amor inconsciente, de repertórios comportamentais básicos, de operações cognitivas e de gestalt que incluem eventos como os princípios gestálticos da organização da percepção que são simetria, proximidade, continuidade, semelhança, complementação, simplicidade e figura/fundo. O que temos são outros dados inconscientes, comportamentais, cognitivos e da gestalt que analisamos e interpretamos erroneamente. Necessitamos agir como arqueólogos da mente e do comportamento para descobrir o que há por debaixo destas camadas de dados e informações freudianas.
MATTANÓ
(08/01/2026)
DENÚNCIA E HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2026):
Osny Mattanó Júnior denúncia que já há alguns anos que eu e minha mãe testemunhamos e vivemos o terror no supermercado Super Muffato zona sul de Londrina, onde desde o estacionamento quando chegamos e saíamos de volta para nossa casa vivemos cenas virtuais e reais, dramáticas, mesmo que histéricas e esquizofrênicas, mas são coisas reais que nos causam medo, constrangimento, dor emocional, problemas psicológicos, comportamentais e sociais, perseguição, violência, medo, humilhação, vergonha, intimidação, ameaças, são cenas ritualizadas que se repetem todas as vezes que vamos ao supermercado Super Muffato zona sul de Londrina, talvez até ensaiadas e treinadas para nos constrangerem e colocarem em situação de risco e de perigo como com o estado islâmico, pois estou realizando trabalho de elaboração de uma Psicanálise que aborda o islâmismo, a religião islâmica com a Psicanálise da Leitura que no início foi ameaçada por vizinha da polícia brasileira, talvez polícia federal, que não queria que eu fizesse essa teoria, então no supermercado Super Muffato zona sul de Londrina passaram a ocorrer situações de violência onde eu corria perigo de ser espancado com minha mãe testemunhando e desamparada, com seus 80 anos de idade e com policiais assistindo a tudo, mulheres me assediavam e homens me ameaçavam de morte e de espancamento se eu olhasse para elas, então ontem outro homem ficou me encarando querendo brigar comigo por causa do comércio de Londrina que contrata bandidos do tráfico de drogas para me assassinarem e sequestraram há vários anos, inclusive a minha mãe, e já tentarem fazer isto sequestrando uma familiar nossa, a Lucrécia, não apenas comerciantes, mas também industriais, empresários, artistas, atletas e comunicadores pagam pedágio e fortunas para o tráfico de drogas para nos roubarem, sequestrarem, estuprarem e matarem, só porque não gostam do estilo do meu cérebro e da sua programação cerebral realizada durante minha história de vida, escolar e universitária, e depois profissional, durante todo este tempo programei meu cérebro para realizar operações cognitivas e comportamentais de simulação topográfica de abuso sexual, violência sexual, física e moral, exploração sexual, estupro, estupro coletivo e estupro virtual coletivo ou individual, pedofilia, terror, horror, dor, loucura, esquizofrenia, depressão, pânico, mania, compulsão, obsessão, histeria, transtornos sexuais, obesidade, demência, assassinato e homicídio, criminologia, roubo, corrupção, estelionato, vingança, despersonalização, lavagem cerebral, tortura, sequestro, dor, morte, salvamento, resgate, luta e combate, batalha, guerra, conflito, ataque, medo, vergonha, humilhação, paz, respeito, dignidade, valores sociais e humanos, trabalho e educação, combate em sequestro virtual, técnicas de sobrevivência e de homeostase como lutar contra delírios alienígenas através de reprogramação cerebral por meio de educação, trabalho, literatura e música, delírios alienígenas que desenvolvem loucura e que podem causar acidentes domésticos e de trânsito, mas aqui com respiração e técnicas de controle da topografia visual ou do olhar, olhando para um ¨ponto morto¨, técnicas de relacionamento familiar, doméstico e infantil, escolar, universitário e trabalhista, afetivo e profissional, de convivência que são postas em perigo quando eu e minha mãe entramos no supermercado Super Muffato zona sul de Londrina que cria um meio ambiente propício para a violência virtual, inclusive para aberrações virtuais quando apelo para o estado islâmico para impedir que venham a me estuprar, sequestrar, roubar, mutilar e matar e a minha mãe que tem 80 anos de idade, com um monte de policiais testemunhando tudo e tendo a obrigação de dar voz de prisão para quem executa esses planos com garotas que parecem ser do tráfico de drogas que me perseguem por toda a cidade e os comerciantes dizem que a polícia vai deixar os traficantes executarem o sequestro, roubo, mutilação, estupro e assassinato de vocês. Que o Governo Federal ou o Presidente Luís Inácio Lula da Silva vai deixar o tráfico executar a gente, assim como já havia tentado o ex-Presidente Jair Messias Bolsonaro que hoje está na prisão, pois isso tudo era parte de uma tentativa de golpe que o atual Presidente Lula também há de se explicar e de se defender se comprovado, ou seja, de atos anti-democráticos.
MATTANÓ
(09/01/2026)
DENÚNCIA E HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2026):
Osny Mattanó Júnior denuncia que a partir de 1992 sua família tornou-se refém da estagiária do Curso de Psicologia Marcia Regina Rubin que passou a tentar controlar as minhas relações familiares e pessoais através de minha mãe, que respondeu prontamente como toda mãe responderia diante de um caso alarmante de saúde-mental onde o filho estava a perigo de cometer suicídio, e esta mãe conhecia a história de vida deste filho que era bastante problemática, pois sabia que ele já havia sido estuprado. Então a estagiária do Curso de Psicologia começou a dominar esta família com suas práticas acadêmicas e anti-éticas que desencadearam raiva no paciente, Osny Mattanó Júnior, que responde com raiva tentando controlá-la até a última sessão de 1992 e puní-la acadêmicamente, mas sem sucesso. Então ocorreram novos acontecimentos anti-éticos que desencadearam raiva, medo, vergonha e humilhação no paciente, Osny Mattanó Júnior, que desencadeiam estes comportamentos até hoje, em 2026, pois isso se espalhou de modo horrível como uma pandemia devido a loucura dessas pessoas que tentavam me prender e me acusar de crimes que eu não tinha parte e nem histórico de vida ou criminal, como estupro de noivas, assassinatos, tiroteios, roubos, armadilhas e tramóias em automóveis sugeridas durante os encontros com a ex-estagiária, agora Psicóloga formada, em 1993. Em 1992 aconteceram eventos estranhos como o massacre do Carandiru, o aniversário da UEL e da estagiária Marcia Regina Rubin no mesmo dia, 7 de outubro de 1992 e depois o seriado As Noivas de Copacabana da Rede Globo onde me identifiquei com o estuprador e as estupradas, mas achei melhor selecionar os estuprador, pois sou homem, mas nunca estuprei pessoa alguma, nem nunca tive noiva qualquer e nem namorada, nem sequer beijei na boca, e depois aconteceu o disco dos Titãs, Tudo ao mesmo tempo agora, que segundo o Arnaldo Antunes era coisa do exército, para me tratarem como um Tiradentes, um herói da pátria, que na realidade era um bandido para as autoridades, pois tramavam contra ele e sua família desde os anos 1972. Então a Psicóloga assumiu a responsabilidade sobre o comportamento e o funcionamento do inconsciente da minha família que se tornou depende dela, ou seja, criou laços de transferência, de amor e de loucura, de delírios traumáticos que ela só piorou e aumentou com a ajuda dos veículos de comunicação de massa que passaram a substituir a Psicóloga a partir de 1999 com mais violência, de modo a criar um meio ambiente perverso, louco, sociopata e criminoso que visava beneficiar somente aqueles que controlavam estas operações inconscientes, comportamentais e sociais.
MATTANÓ
(10/01/2026)
DENÚNCIA E HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2026):
Osny Mattanó Júnior testemunha denuncia que até 1995 e depois em 1999 nunca apresentou comportamento delirante que lhe causasse sofrimento mental e comportamental, inclusive social e de descarga com veículos de comunicação de massa, ou seja, de forma doentia e patológica, anormal, onde perdia o controle das relações de transferência, indo do normal para o absurdo e para o violento, para o estupro e para o homicídio, até para o roubo e para o racismo e para relações de pedofilia, contudo tudo amparado pelo direito do aluno do Curso de Psicologia da UEL e depois pelos direitos do licenciado e bacharel em Psicologia pela UEL respectivamente, foi a partir de 1999 que foi moldado para adquirir o comportamento esquizofrênico paranóico, pois não tinha esse comportamento até então segundo vários psiquiatras e psicólogos, porém uma perícia e julgamento trabalhista determinaram que eu possuo essa doença desde 1996, pois econtraram provas e registros que levaram a esta conclusão, como delírios em sala de aula em 1995 e comportamento esquizofrênico a partir daí, decorrentes de tortura psicológica, sequestro, tentativas de estupro, erros médicos e psicológicos, faltas éticas, corrupção, organização criminosa, fraude contratual, trabalho escravo, periclitação da vida e da saúde, omissão, negligência e imperícia, roubo, falsidade ideológica, extorsão, vingança, estelionato, trabalho ruinoso, discriminação, perseguição, assédio moral e assédio sexual, lavagem cerebral, despersonalização, pornografia, destruição de provas e de documentos públicos, e estupro virtual, eventos emitidos desde a minha admissão na UEL em 1998 pela CRH para trabalhar no HURNPr no novo setor para portadores de HIV+ e eu era menor 16 anos de idade, o que caracterizava crime, crime que foi abafado pelas polícias e pelas autoridades, inclusive pelos jornalistas e seus veículos de comunicação de massa como a Rede Globo, o SBT, a Rede Bandeirantes, por exemplo, que tinham conhecimento dos fatos via ¨linha restrita¨, uma linha de comunicação criado pelo Governo para investigar e controlar a mim e a minha família que somos testemunhas de crimes sexuais e de pedofilia no Governo, como de um ex-embaixador, o Marco Antônio Lafranqui e sua família que eram donos do Colégio São Paulo em Londrina, que foi utilizado para pedofilia e crimes sexuais em alunos desse colégio e atletas de GRD - ginástica rítmica desportiva. O fato é que este homem era muito rico e poderoso e comprava todo mundo, inclusive traficantes e assassinos para se livrar de ameaças como eu e minha família, nem que seja através de escolas, empresas, organizações, univesidades, indústrias e instituições que ele adquiriu ao longo da vida para sustentar sua vida sexual criminosa e de sua família que era pedófilia e violenta e assim juntar um exército de ¨pedófilos¨ inconscientes ou passivos que satisfazem o seu desejo sexual na figura do seu ¨herói¨, líder ou comandante, através de ritos como leis e ordens judiciais compradas e vendidas a preços altos e exorbitantes, que somente os gloriosos criminosos e mais temidos bandidos conseguem obter neste mundo sujo e imundo, onde o dinheiro é o papel higiênico para limpar a imundície despejada por esse tipo de pessoa que vive num chiqueiro, que representa seus tesouros e sua riqueza, seu dinheiro acumulado do qual ele se banha e se diverte como um animal imundo que só pensa na sua glória, isto é, na sua própria banha, que representa o triste fim que tiveram suas vítimas.
MATTANÓ
(12/01/2026)
REPROGRAMAÇÃO MENTAL (2026):
Reprogramação mental feita em 5 etapas.
A mente subconsciente é uma parte fundamental da nossa psique. Ela é responsável por controlar nossos pensamentos, emoções, comportamentos e até mesmo nossas crenças.
É por isso que a reprogramação mental é uma técnica tão poderosa, pois ela pode nos ajudar a mudar nossos pensamentos e crenças subconscientes, o que pode levar a mudanças positivas em nossas vidas.
O que é reprogramação mental?
Trata-se de uma técnica que consiste em trabalhar diretamente o nosso subconsciente. Dessa forma, eliminaremos todos os resquícios de crenças negativas. Isso sendo que essas crenças nos atrapalham a desenvolver o melhor de nós em qualquer área de nossas vidas.
É importante frisar que essa tem sido uma técnica muito procurada hoje em dia. Isso se dá pela mudança real que ela vem ajudando a fazer. Afinal, o principal objetivo dessa técnica é acabar com os bloqueios que nos impossibilitam de chegar à realização plena de nosso propósito.
O que são as crenças negativas?
Mas o que são essas crenças negativas? Elas são coisas que acreditamos desde nossa infância. Esse tipo de crença diz respeito a ideias limitantes que nos foram impostas, muitas vezes, de maneira sutil. Estas ideias, por sua vez, são decorrentes de traumas, situações e informações que acabamos por internalizar.
Conforme vamos crescendo, mesmo que não haja confirmação real, esse tipo de ideal imposto se torna uma verdade, um valor. Assim sendo, é preciso apontar que uma criança não tem capacidade analítica, principalmente quando muito nova. Ou seja, tudo se torna muito maior e verdadeiro para ela.
Dessa forma, se você internalizou algo inverídico quando criança, você não se torna horrível por isso. Você só era uma criança. Porém, como vimos, essas crenças podem nos limitar. A reprogramação mental nos ajuda a mexer nisso.
Como funciona a reprogramação mental?
Mas, afinal, como funciona essa técnica de reprogramação mental?
Primeiramente, nossa mente é algo muito complexo. Há muitas divisões conscientes, inconscientes e subconscientes. A psicanálise, por exemplo, conta com muitos estudiosos que dedicam ou dedicaram sua vida para tentar entendê-la.
Diante disso, a reprogramação mental vai basear seu trabalho em imagens subliminares e frequência sonoras na nossa mente.
Durante o processo, a audição vai agir de maneira única. Isso porque ela vai disparar, automaticamente, uma abertura no subconsciente. Por essa abertura, vão ser introjetadas mensagens positivas de maneira eficaz.
Dessa forma, a partir de repetições e ideias, a pessoa vai conseguir sair do padrão negativo. No entanto, não é apenas isso: ela vai conseguir também criar crenças que vão transformar positivamente suas vidas.
Benefícios da reprogramação mental:
Ao fazer a reprogramação mental, você irá se aproximar com mais disposição de todos os seus objetivos. Você conseguirá alcançá-los apenas modificando seus pensamentos que antes eram negativos em positivos.
Essa transformação vai fazer com que você perceba novas habilidades que estavam escondidas em você. Você terá mais disposição para correr atrás dos seus sonhos. Afinal, você não terá mais uma crença para dizer que você não é capaz.
Portanto, a reprogramação mental pode ajudar as pessoas a:
Alcançar seus objetivos pessoais e profissionais.
Melhorar sua autoestima e autoconfiança.
Lidar com o estresse e a ansiedade.
Superar traumas e bloqueios emocionais.
Ter uma vida mais feliz e plena.
Lidar com lavagem cerebral e com despersonalização.
Lidar com extorsão, vingança e estupro virtual.
Lidar com violência e tortura.
Técnicas/etapas que ajudam na reprogramação mental
Agora, vamos as técnicas de reprogramação mental. Elas são feitas de maneira prática e simples. Assim, a grande chance para atingir o sucesso com a mesma, é a vontade e decisão da pessoa que se submete ao tratamento.
Com isso, no dia a dia a pessoa pode utilizar uma ou mais das técnicas que vamos listar aqui.
A hipnose trabalha diretamente com a mente subconsciente. Ela é uma prática muito eficaz e pode ajudar você a alcançar os seus objetivos mais ousados. Ademais, estar em um estado de relaxamento extremo ajuda a aplicá-la.
Isso ocorre porque enquanto você estiver neste estado, a mente consciente se libera de seu aperto. Dessa forma, as atenuações autocríticas e a mente subconsciente tornam-se de mais fácil acesso.
Com isso, a sua mente subconsciente passa a aceitar de maneira mais fácil novos pensamentos. Logo, a reprogramação mental para realizar seus objetivos é mais eficaz.
Essa técnica pode ser feita com um hipnoterapeuta clínico. No entanto, se você não estiver interessado em gastar dinheiro, é possível usar uma das muitas gravações de auto hipnose que estão disponíveis online.
Os hábitos saudáveis devem fazer parte da rotina das pessoas que desejam mudar as suas vidas. Assim, a pessoa deve:
agregar alimentação inteligente;
prática de atividades físicas;
e meditação para alcançar um nível de entendimento maior.
Ou seja, é necessário reprogramar a sua mente não só com crenças, mas com práticas positivas. Afinal, nosso corpo e mente são partes de nós e não podemos trabalhar um e negligenciar o outro.
A visualização é a prática de criar imagens mentais detalhadas que retratam o que desejamos. É projetar no mundo real aquilo que você tem em sua mente. Por exemplo, a fotografia daquela cidade que você tanto quer conhecer.
Essas imagens vão estimular o seu subconsciente. Dessa forma, ele vai aceitá-las como realidade e vai dirigir os seus comportamentos para que isso aconteça.
Porém, o processo não se resume apenas a ver uma imagem. Trata-se, principalmente, de pensar detalhadamente sobre o que está sendo visualizado, isto é, abrigar isso em sua mente. Entenda melhor com este exemplo: não basta só ver o lugar para o qual quer viajar, mas se ver lá, acreditar que está passeando pelas ruas, tirando fotos.
Esse detalhamento vai trazer riqueza de detalhes para sua mente e os planos para chegar lá serão melhores.
As afirmações positivas são declarações de que algo que você quer já é real. Você deve declará-las no presente e com uso pessoal. Elas devem conter emoções intensas e você conseguirá substituir seu pensamento negativo por um padrão positivo.
Não se deve declará-las apenas uma vez, mas repeti-las sempre. Isso ajudará seu subconsciente a criar novos caminhos. Além disso, você perceberá que seus pensamentos e emoções mudarão.
Afinal, ao repetir algo muitas vezes, sua mente vai passar a acreditar nisso. Sabe o que dissemos sobre internalização quando se é criança? Então, aqui essa internalização será motivada por algo que você quer e considera bom.
E quando você for fazer algo que se relacione aquilo que você quer, sua mente conectará essa verdade estabelecida. Consequentemente, você terá comportamentos que te levem a isso.
Assim como precisamos repetir várias vezes algo até sermos bons nisso, repetir as frases é fundamental para acreditar em seu conteúdo.
A PNL tem uma série de técnicas e processos que trabalham diretamente com o subconsciente. Conheça algumas mais abaixo:
O Swish é usado para substituir rapidamente uma imagem negativa por uma positiva. Isso é feito rapidamente, de 10 a 20 vezes, e a pessoa muda automaticamente muda essas imagens.
Além disso, a ancoragem é uma técnica maravilhosa para acessar os sentimentos poderosos e positivos do subconsciente. Para aplicar essa técnica, é preciso algum conhecimento consciente para provocar a âncora. Porém, isso vai tornar-se mais inconsciente ao longo do tempo.
Também há a cura de fobia. Essa pode ser usada para embaralhar uma memória do passado para não promover um sentimento negativo no presente.
O que é PNL.
A programação neurolinguística (PNL) é um campo da psicologia que se concentra na relação entre os processos mentais, o comportamento e a linguagem. A PNL se propõe a ajudar as pessoas a atingir seus objetivos de forma mais eficaz.
Esse estudo é focado em processos conscientes e inconscientes que se combinam e resultam nos comportamentos. Por essa razão, a PNL se propõe a, através da programação neurolinguística, alterar as estruturas de determinados comportamentos.
É a busca pela reprogramação que leva uma pessoa a atingir melhores resultados.
O que é o efeito ancoragem.
O efeito de ancoragem é um viés cognitivo que descreve a tendência de as pessoas se basearem em uma informação inicial, ou âncora, ao tomar decisões.
Ele funciona porque as pessoas atribuem um peso desproporcional à informação inicial. Essa informação inicial pode ser qualquer coisa, desde um número até uma palavra ou uma imagem.
Uma âncora é uma associação entre uma informação e uma resposta. Por exemplo, uma pessoa pode associar uma música a um sentimento de felicidade ou uma palavra a uma lembrança específica.
Isso significa que quando recebemos uma informação, a gente tem uma primeira impressão fixa sobre ela. Assim, a gente não consegue afastar dessa primeira impressão, pois ficamos ancorados a ela.
Há inúmeros estudos que vem testando esse efeito. O principal método é apresentar uma informação e pedir para se tomar uma decisão que nada tenha a ver com isso.
Porém, essa mesma decisão deve ser em relação a algo que a pessoa não possua muito conhecimento. Os resultados apontam que, mesmo não tendo influência real, a informação influencia em como a pessoa reagirá.
Vemos que a música pode influenciar a reação do indivíduo através da sua informação que pode estar distorcida pela lavagem cerebral, pela extorsão, vingança, tortura, estupro virtual e despersonalização, voyeurismo e linguagem sexista e até pedofilia, mesmo quando não compreendida pois sua mensagem é compreendida pelo subconsciente que através dos processos mentais, do comportamento e da linguagem produz uma reação ou resposta que produz consequências que tendem a ser reforçadoras e que modificam o meio ambiente mantendo operantes que se tornam objeto de prazer e de realidade, na dialética da psicanálise.
A ancoragem para a Psicanálise:
A psicanálise vê o efeito de ancoragem como um fenômeno que pode ser influenciado pelo inconsciente. Por exemplo, uma pessoa pode ter uma âncora inconsciente que a leva a tomar decisões que são prejudiciais para si mesma.
A psicanálise pode ser usada para tratar traumas psicológicos que estão enraizados em ancoragens inconscientes. Ao ajudar a pessoa a identificar e compreender suas ancoragens inconscientes, a psicanálise pode ajudá-la a tomar decisões mais conscientes e saudáveis.
Saiba mais…
Ela entende que coisas profundas, como os traumas de nossa infância podem interferir em nossas tomadas de decisão. Afinal, para a Psicanálise, situações que vivemos na nossa primeira infância nos marcam profundamente. É preciso, portanto, entender quais são as nossas âncoras.
Não podemos esquecer também que o efeito de ancoragem é tendência de fixarmos em uma informação como ponto de partida. Afinal, uma vez fixado este ponto, temos dificuldade de ajuste diante de informações posteriores. E por isso, além de entender nossas âncoras, é entender como modificar essas informações.
Ela é um mecanismo automático, inato e involuntário. Por isso, resistir a essa âncora é difícil e um processo complicado. Assim sendo, a terapia psicanalista tenta relacionar toda a questão inconsciente com os comportamentos resultantes.
A ancoragem para o PNL.
A PNL vê o efeito de ancoragem como uma ferramenta que pode ser usada para melhorar o desempenho. Por exemplo, uma pessoa pode ancorar-se a um estado positivo, como confiança ou motivação, para melhorar seu desempenho em uma tarefa.
A PNL também pode ser usada para tratar traumas psicológicos. Por exemplo, uma pessoa pode ancorar-se a um sentimento de segurança e conforto para ajudá-la a lidar com situações que são estressantes ou traumáticas.
Considerações finais sobre o efeito de ancoragem.
O efeito de ancoragem é um fenômeno complexo que tem implicações importantes para nossa vida. Ao entender o efeito de ancoragem, podemos torná-lo uma ferramenta para melhorar nosso desempenho e tomar decisões mais informadas.
Diante destes eventos denuncio que eu e minha família e muitas outras somos vítimas de reprogramação mental e que utilizam suas técnicas de hipnose, auto-hipnose, hábitos saudáveis, visualização, afirmações e PNL - Programação Neurolingüística para extraírem informações que nos incriminem e também plantarem provas desde os anos 1970, quando tudo começou e nunca fomos denunciados ou presos por qualquer tipo de crime, pois somos vítimas e testemunhas de crimes como tráfico de pessoas e de órgãos, de trabalho escravo, extorsão, vingança, estupro virtual, despersonalização, lavagem cerebral, sequestro, abuso de poder e de autoridade, corrupção, tentativas de homicídio e de chacinas, estupros, violência, tortura, espancamento, esfaqueamento, lesões corporais, envenenamento, trapaças em jogos, concursos e loterias, violações de sigilo e de segredos de banco e de correspondência, de voto, de serviço militar obrigatório, de exames médicos, clínicos e laboratoriais, de invasões a domicílio, e a intimidade e privacidade, de pedofilia, de exploração sexual, de tráfico de drogas, de terrorismo, de narcoterrorismo, de roubo, de periclitação da vida e da saúde, de omissão, negligência e imperícia, de manipulação de armas de fogo sem devida proteção psicológica, visto que sofremos lavagem cerebral, somos estuprados e torturados e somos indivíduos com traumas psicológicos infantis que promovem comportamentos agressivos e desviantes nesses indivíduos de minha família que manipulam armas de fogo, deveriam sim, é aposentar quem esta doente e trabalhando e sob os cuidados da polícia, que também investe em reprogramação cerebral nesses indivíduos de minha família, utilizando as 5 etapas religiosamente, aliás, contando com uma ajudinha da Igreja que contribui com violência e reprogramação cerebral perseguindo minha família e a mim que somos vítimas de curandeirismo e de charlatanismo por parte dela, tanto a Católica quanto a Evangélica, que participam de um grande caso de acobertamento.
MATTANÓ
(15/01/2026)
I - JUSTIFICAÇÃO DO CONCEITO DE INCONSCIENTE
Nosso direito de supor a existência de algo mental inconsciente, e de empregar tal suposição visando às finalidades do trabalho científico, tem sido vastamente contestado. A isso podemos responder que nossa suposição a respeito do inconsciente é necessária e legítima, e que dispomos de numerosas provas de sua existência.
Ela é necessária porque os dados da consciência apresentam um número muito grande de lacunas; tanto nas pessoas sadias como nas doentes ocorrem com freqüência atos psíquicos que só podem ser explicados pela pressuposição de outros atos, para os quais, não obstante, a consciência não oferece qualquer prova. Estes não só incluem parapraxias e sonhos em pessoas sadias, mas também tudo aquilo que é descrito como um sintoma psíquico ou uma obsessão nas doentes; nossa experiência diária mais pessoal nos tem familiarizado com idéias que assomam à nossa mente vindas não sabemos de onde, e com conclusões intelectuais que alcançamos não sabemos como. Todos esses atos conscientes permanecerão desligados e ininteligíveis, se insistirmos em sustentar que todo ato mental que ocorre conosco, necessariamente deve também ser experimentado por nós através da consciência; por outro lado, esses atos se enquadrarão numa ligação demonstrável, se interpolarmos entre eles os atos inconscientes sobre os quais estamos conjeturando. Uma apreensão maior do significado das coisas constitui motivo perfeitamente justificável para ir além dos limites da experiência direta. Quando, ademais, disso resultar que a suposição da existência de um inconsciente nos possibilita a construção de uma norma bem-sucedida, através da qual podemos exercer uma influência efetiva sobre o curso dos processos conscientes, esse sucesso nos terá fornecido uma prova indiscutível da existência daquilo que havíamos suposto. Assim sendo, devemos adotar a posição segundo a qual o fato de exigir que tudo quanto acontece na mente deve também ser conhecido pela consciência, significa fazer uma reivindicação insustentável.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que devemos compreender e explicar o inconsciente, pois essa explicação é necessária porque os dados da consciência apresentam um número muito grande de lacunas; tanto nas pessoas sadias como nas doentes ocorrem com freqüência atos psíquicos que só podem ser explicados pela pressuposição de outros atos, para os quais, não obstante, a consciência não oferece qualquer prova. Estes não só incluem parapraxias e sonhos em pessoas sadias, mas também tudo aquilo que é descrito como um sintoma psíquico ou uma obsessão nas doentes; nossa experiência diária mais pessoal nos tem familiarizado com idéias que assomam à nossa mente vindas não sabemos de onde, e com conclusões intelectuais que alcançamos não sabemos como. Devemos adotar a posição segundo a qual o fato de exigir que tudo quanto acontece na mente deve também ser conhecido pela consciência, significa fazer uma reivindicação insustentável.
Mattanó aponta que devemos compreender e explicar o inconsciente, pois essa explicação é necessária porque os dados da consciência apresentam um número muito grande de lacunas; tanto nas pessoas sadias como nas doentes ocorrem com freqüência atos psíquicos que só podem ser explicados pela pressuposição de outros atos, para os quais, não obstante, a consciência não oferece qualquer prova. Estes não só incluem parapraxias e sonhos em pessoas sadias, mas também tudo aquilo que é descrito como um sintoma psíquico ou uma obsessão nas doentes; nossa experiência diária mais pessoal nos tem familiarizado com idéias que assomam à nossa mente vindas não sabemos de onde, e com conclusões intelectuais que alcançamos não sabemos como. Devemos adotar a posição segundo a qual o fato de exigir que tudo quanto acontece na mente deve também ser conhecido pela consciência, significa fazer uma reivindicação insustentável. Isto, pois a mente consciente é como um holofote mirando num grande salão escuro que é o inconsciente, onde se encontram os fenômenos inconscientes da mente, que incluem as parapraxias, os sonhos e os sintomas psíquicos como as obsessões, os delírios, as alucinações, as compulsões, o exibicionismo, a agressividade, a pobreza de linguagem, a hostilidade, a paranóia, a depressão, o pânico, os transtornos sexuais, os transtornos alimentares, a esquizofrenia, a psicopatia, a violência sexual e a pedofilia, o suicídio, a autodestruição e a lavagem cerebral ou despersonalização, extorsão, vingança, voyeurismo, linguagem sexista, lascívia, tortura, maus-tratos, roubo, sequestro, privação sensorial e estupro, estupro coletivo virtual e estupro virtual e reprogramação mental ou cerebral para fins de manutenção de violência, extorsão, estupro, tortura, assassinatos, ação de tribunais do crime, lavagem de dinheiro, roubo de obras de arte, roubo de informações sigilosas e de segredos que ficam expostos numa ¨linha restrita¨ que dá acesso ao tráfico de drogas do Brasil, com permissão de autoridades, aumentando o nosso sofrimento e perigo de sermos sequestrados, assassinados e roubados por bandidos que também são pagos por artistas, comunicadores e atletas, jogadores de futebol que não respeitam as polícias e nem a intimidade e a privacidade de famílias sequestradas desde os anos 1972. Como vemos a consciência não é capaz de armazenar toda esta história e sua continuidade, inclusive seu histórico, somente o inconsciente é capaz de armazenar e de dar significado e sentido para estes eventos históricos, comportamentais e sociais, o papel da consciência é justamente focar ou ¨iluminar¨ determinado tema ou evento e assim, através do inconsciente e dos seus significados e sentidos, agora conscientes, responder e obter consequências, ou seja, uma funcionalidade, e modificar o contexto com um novo contexto.
MATTANÓ
(17/01/2026)
Podemos ir além e afirmar, em apoio da existência de um estado psíquico inconsciente, que, em um dado momento qualquer, o conteúdo da consciência é muito pequeno, de modo que a maior parte do que chamamos conhecimento consciente deve permanecer, por consideráveis períodos de tempo, num estado de latência, isto é, deve estar psiquicamente inconsciente. Quando todas as nossas lembranças latentes são levadas em consideração, fica totalmente incompreensível que a existência do inconsciente possa ser negada. Aqui, porém, encontramos a objeção de que essas lembranças latentes já não podem ser descritas como psíquicas, pois correspondem a resíduos de processos somáticos a partir dos quais o psíquico pode mais uma vez aflorar. A resposta óbvia a isso é a de que uma lembrança latente é, pelo contrário, um resíduo inquestionável de um processo psíquico. Contudo, é mais importante conceber claramente que essa objeção se baseia na equivalência - que, na verdade, não é explicitamente declarada, embora considerada axiomática - entre o consciente e o mental. Essa equivalência ou é um petitio principii, que incorre em petição de princípio ao supor que tudo que é psíquico é também necessariamente consciente, ou é uma questão de convenção, de nomenclatura. Nesse último caso, como qualquer outra convenção, não está evidentemente sujeita à refutação. Permanece, contudo, a questão de saber se a convenção é suficientemente adequada para estarmos propensos a adotá-la. A isso podemos responder que a equivalência convencional entre o psíquico e o consciente é totalmente inadequada. Ela rompe as continuidades psíquicas, mergulha-nos nas dificuldades insolúveis do paralelismo psicofísico, está sujeita à censura de, sem um motivo óbvio, superestimar o papel desempenhado pela consciência, forçando-nos prematuramente a abandonar o campo da pesquisa psicológica sem ser capaz de nos oferecer qualquer compensação de outros campos.
Está claro, em todo caso, que essa questão - a de saber se os estados latentes da vida mental, cuja existência é inegável, devem ser concebidos como estados mentais conscientes ou como estados físicos - ameaça transformar-se numa controvérsia verbal. Portanto, é melhor focalizarmos nossa atenção naquilo que conhecemos com certeza a respeito da natureza desses estados controvertidos. No que se refere às suas características físicas, elas nos são totalmente inacessíveis: nenhum conceito psicológico ou processo químico pode dar-nos qualquer idéia a respeito de sua natureza. Por outro lado, sabemos com certeza que possuem abundantes pontos de contato com processos mentais conscientes; com o auxílio de um pouco de trabalho podem ser transformados em processos mentais conscientes ou substituídos por eles, e todas as categorias que empregamos para descrever os atos mentais conscientes, tais como idéias, propósitos, resoluções, e assim por diante, podem ser aplicadas a eles. Na verdade, somos forçados a dizer de alguns desses estados latentes que o único aspecto em que diferem dos estados conscientes é precisamente na ausência de consciência. Assim, não hesitaremos em tratá-los como objetos de pesquisa psicológica, e em manipulá-los na mais íntima conexão com atos mentais conscientes.
A obstinada recusa em atribuir um caráter psíquico aos atos mentais latentes se deve à circunstância de que a maioria dos fenômenos em foco não fora estudada fora da psicanálise. Basta que qualquer pessoa não familiarizada com os fatos patológicos, que considera as parapraxias de pessoas normais como acidentais, e que está satisfeita com o velho adágio de que os sonhos são futilidades [‘Träume sind Schäume‘], ignore mais alguns problemas da psicologia da consciência, para abster-se de qualquer necessidade de admitir uma atividade mental inconsciente. Incidentalmente, mesmo antes da época da psicanálise, as experiências com a hipnose, especialmente a sugestão pós-hipnótica, já tinham demonstrado tangivelmente a existência e o modo de operação do inconsciente mental.
A suposição de um inconsciente é, além disso, uma suposição perfeitamente legítima, visto que ao postulá-la não nos estamos afastando um só passo de nosso habitual e geralmente aceito modo de pensar. A consciência torna cada um de nós cônscio apenas de seus próprios estados mentais; que também outras pessoas possuam uma consciência é uma dedução que inferimos por analogia de suas declarações e ações observáveis, a fim de que sua conduta fique inteligível para nós. (Indubitavelmente, seria psicologicamente mais correto expressá-lo da seguinte maneira: que sem qualquer reflexão especial atribuímos a todos os demais a nossa própria constituição, e portanto também a nossa consciência, e que essa identificação é uma condição sine qua non para a nossa compreensão.) Essa inferência (ou essa identificação) foi anteriormente estendida pelo ego a outros seres humanos, a animais, a plantas, a objetos inanimados e ao mundo em geral, e revelou-se útil enquanto sua semelhança com o ego individual era esmagadora; contudo, tornou-se menos digna de confiança na medida em que a diferença entre o ego e esses ‘outros’ aumentou. Hoje em dia, nosso julgamento crítico já se põe em dúvida quanto à questão da existência de consciência nos animais; recusamo-nos a admiti-la nas plantas e encaramos como misticismo a suposição de sua existência nas coisas inanimadas. Mas, mesmo onde a inclinação original à identificação resistiu à crítica - isto é, quando os ‘outros’ são nossos semelhantes - a suposição da existência de uma consciência neles se apóia numa inferência, e não pode participar da certeza imediata que possuímos a respeito de nossa própria consciência.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o inconsciente pode ser explicado por um estado de latência que mantêm as lembranças num estado latente. Explica também que existe uma equivalência convencional entre o psíquico e o consciente que é totalmente inadequada. Os estados latentes da vida mental, cuja existência é inegável, devem ser concebidos como estados mentais conscientes ou como estados físicos? No que se refere às suas características físicas, elas nos são totalmente inacessíveis: nenhum conceito psicológico ou processo químico pode dar-nos qualquer idéia a respeito de sua natureza. Por outro lado, sabemos com certeza que possuem abundantes pontos de contato com processos mentais conscientes; com o auxílio de um pouco de trabalho podem ser transformados em processos mentais conscientes ou substituídos por eles, e todas as categorias que empregamos para descrever os atos mentais conscientes, tais como idéias, propósitos, resoluções, e assim por diante, podem ser aplicadas a eles. Na verdade, somos forçados a dizer de alguns desses estados latentes que o único aspecto em que diferem dos estados conscientes é precisamente na ausência de consciência. Assim, não hesitaremos em tratá-los como objetos de pesquisa psicológica, e em manipulá-los na mais íntima conexão com atos mentais conscientes.
A obstinada recusa em atribuir um caráter psíquico aos atos mentais latentes se deve à circunstância de que a maioria dos fenômenos em foco não fora estudada fora da psicanálise.
A suposição de um inconsciente é, além disso, uma suposição perfeitamente legítima, visto que ao postulá-la não nos estamos afastando um só passo de nosso habitual e geralmente aceito modo de pensar. A consciência torna cada um de nós cônscio apenas de seus próprios estados mentais; que também outras pessoas possuam uma consciência é uma dedução que inferimos por analogia de suas declarações e ações observáveis, a fim de que sua conduta fique inteligível para nós. Essa inferência (ou essa identificação) foi anteriormente estendida pelo ego a outros seres humanos, a animais, a plantas, a objetos inanimados e ao mundo em geral, e revelou-se útil enquanto sua semelhança com o ego individual era esmagadora; contudo, tornou-se menos digna de confiança na medida em que a diferença entre o ego e esses ‘outros’ aumentou. Mas, mesmo onde a inclinação original à identificação resistiu à crítica - isto é, quando os ‘outros’ são nossos semelhantes - a suposição da existência de uma consciência neles se apóia numa inferência, e não pode participar da certeza imediata que possuímos a respeito de nossa própria consciência.
Mattanó aponta que o inconsciente pode ser explicado por um estado de latência que mantêm as lembranças num estado latente. Explica também que existe uma equivalência convencional entre o psíquico e o consciente que é totalmente inadequada. Os estados latentes da vida mental, cuja existência é inegável, devem ser concebidos como estados mentais conscientes ou como estados físicos? No que se refere às suas características físicas, elas nos são totalmente inacessíveis: nenhum conceito psicológico ou processo químico pode dar-nos qualquer idéia a respeito de sua natureza. Por outro lado, sabemos com certeza que possuem abundantes pontos de contato com processos mentais conscientes; com o auxílio de um pouco de trabalho podem ser transformados em processos mentais conscientes ou substituídos por eles, e todas as categorias que empregamos para descrever os atos mentais conscientes, tais como idéias, propósitos, resoluções, e assim por diante, podem ser aplicadas a eles. Na verdade, somos forçados a dizer de alguns desses estados latentes que o único aspecto em que diferem dos estados conscientes é precisamente na ausência de consciência. Assim, não hesitaremos em tratá-los como objetos de pesquisa psicológica, e em manipulá-los na mais íntima conexão com atos mentais conscientes. Vemos que os estados latentes da vida mental são aqueles que estão no ¨salão escuro¨ da nossa mente onde a consciência ou o holofote ilumina ou trás a consciência, não são, pois os estados mentais conscientes e nem os estados físicos.
A obstinada recusa em atribuir um caráter psíquico aos atos mentais latentes se deve à circunstância de que a maioria dos fenômenos em foco não fora estudada fora da psicanálise.
A suposição de um inconsciente é, além disso, uma suposição perfeitamente legítima, visto que ao postulá-la não nos estamos afastando um só passo de nosso habitual e geralmente aceito modo de pensar. A consciência torna cada um de nós cônscio apenas de seus próprios estados mentais; que também outras pessoas possuam uma consciência é uma dedução que inferimos por analogia de suas declarações e ações observáveis, a fim de que sua conduta fique inteligível para nós. Essa inferência (ou essa identificação) foi anteriormente estendida pelo ego a outros seres humanos, a animais, a plantas, a objetos inanimados e ao mundo em geral, e revelou-se útil enquanto sua semelhança com o ego individual era esmagadora; contudo, tornou-se menos digna de confiança na medida em que a diferença entre o ego e esses ‘outros’ aumentou. Mas, mesmo onde a inclinação original à identificação resistiu à crítica - isto é, quando os ‘outros’ são nossos semelhantes - a suposição da existência de uma consciência neles se apóia numa inferência, e não pode participar da certeza imediata que possuímos a respeito de nossa própria consciência. Vemos que a consciência nos torna cônscio dos nossos próprios estados mentais e o inconsciente é apenas uma suposição com leis que o personalizam através das parapraxias, dos sonhos, dos chistes e dos significados e dos sentidos, por exemplo. O inconsciente personaliza a filogênese, a ontogênese, a cultura, o mundo virtual, a espiritualidade, a vida e o universo do Homo Sapiens, mostrando que os ¨outros¨ são semelhantes apenas do que julgamos ser a nossa própria consciência.
MATTANÓ
(17/01/2026)
A psicanálise exige apenas que também apliquemos esse processo de inferência a nós mesmos - procedimento a que, na verdade, não estamos por natureza inclinados. Se o fizermos, deveremos dizer: todos os atos e manifestações que noto em mim mesmo, e que não sei como ligar ao resto de minha vida mental, devem ser julgados como se pertencessem a outrem; devem ser explicados por uma vida mental atribuída a essa outra pessoa. Além disso, a experiência mostra que compreendemos muito bem como interpretar em outras pessoas (isto é, como encaixar em sua cadeia de eventos mentais) os mesmos atos que nos recusamos a aceitar como mentais em nós mesmos. Aqui, evidentemente, algum impedimento especial desvia nossas investigações de nosso próprio eu, impedindo que obtenhamos dele um conhecimento real.
Esse processo de inferência, quando aplicado ao próprio indivíduo, apesar da oposição interna, não leva, contudo, à revelação de um inconsciente; leva, logicamente, à suposição de uma outra segunda consciência que, no próprio eu do indivíduo, está unida à consciência que se conhece. Mas, a essa altura, certas críticas mostram-se cabíveis. Em primeiro lugar, uma consciência a respeito da qual seu próprio possuidor nada conhece é algo muito diferente de uma consciência pertencente a outra pessoa, e é discutível que tal consciência, carente, como está, de sua característica mais importante, mereça qualquer exame. Aqueles que resistiram à suposição de um elemento psíquico inconsciente provavelmente não estão dispostos a trocá-lo por uma consciência inconsciente. Em segundo lugar, a análise revela que os diferentes processos mentais latentes que inferimos desfrutam de alto grau de independência mútua, como se não tivessem ligação um com o outro, e nada soubessem um do outro. Nesse caso, devemos estar preparados para supor a existência em nós não apenas de uma segunda consciência, mas também de uma terceira, de uma quarta, talvez de um número ilimitado de estados de consciência, todos desconhecidos para nós e desconhecidos entre si. Em terceiro lugar - e este é o mais convincente de todos os argumentos -, devemos levar em conta o fato de que a investigação analítica revela alguns desses processos latentes como possuidores de características e peculiaridades que parecem estranhas a nós, ou mesmo incríveis, e que vão diretamente de encontro aos atributos da consciência que nos são familiares. Assim, temos motivos para modificar nossa inferência a respeito de nós mesmos e dizer que o que está provado não é a existência de uma segunda consciência em nós, mas a existência de atos psíquicos que carecem de consciência. Também estaremos certos em rejeitar o termo ‘subconsciência’ como incorreto e enganoso. Os casos notórios de ‘double cosncience‘ (divisão da consciência) nada provam contra nossa concepção. Podemos descrevê-los com o máximo de propriedade como casos de uma divisão das atividades mentais em dois grupos, e dizer que essa mesma consciência se volta, alternadamente, para um ou outro desses grupos.
Na psicanálise, não temos outra opção senão afirmar que os processos mentais são inconscientes em si mesmos, e assemelhar a percepção deles por meio da consciência à percepção do mundo externo por meio dos órgãos sensoriais. Podemos mesmo esperar que novos conhecimentos sejam adquiridos a partir dessa comparação. A suposição psicanalítica a respeito da atividade mental inconsciente nos aparece, por um lado, como uma nova expansão de animismo primitivo, que nos fez ver cópias de nossa própria consciência em tudo o que nos cerca, e, por outro, como uma extensão das correções efetuadas por Kant em nossos conceitos sobre percepção externa. Assim como Kant nos advertiu para não desprezarmos o fato de que as nossas percepções estão subjetivamente condicionadas, não devendo ser consideradas como idênticas ao que, embora incognoscível, é percebido, assim também a psicanálise nos adverte para não estabelecermos uma equivalência entre as percepções adquiridas por meio da consciência e os processos mentais inconscientes que constituem seu objeto. Assim como o físico, o psíquico, na realidade, não é necessariamente o que nos parece ser. Teremos satisfação em saber, contudo, que a correção da percepção interna não oferecerá dificuldades tão grandes como a correção da percepção externa - que os objetos internos são menos incognoscíveis do que o mundo externo.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que todos os atos e manifestações que noto em mim mesmo, e que não sei como ligar ao resto de minha vida mental, devem ser julgados como se pertencessem a outrem; devem ser explicados por uma vida mental atribuída a essa outra pessoa. Além disso, a experiência mostra que compreendemos muito bem como interpretar em outras pessoas os mesmos atos que nos recusamos a aceitar como mentais em nós mesmos. Aqui, evidentemente, algum impedimento especial desvia nossas investigações de nosso próprio eu, impedindo que obtenhamos dele um conhecimento real.
Esse processo de inferência, quando aplicado ao próprio indivíduo, apesar da oposição interna, não leva, contudo, à revelação de um inconsciente; leva, logicamente, à suposição de uma outra segunda consciência que, no próprio eu do indivíduo, está unida à consciência que se conhece. Nesse caso, devemos estar preparados para supor a existência em nós não apenas de uma segunda consciência, mas também de uma terceira, de uma quarta, talvez de um número ilimitado de estados de consciência, todos desconhecidos para nós e desconhecidos entre si. Em terceiro lugar - e este é o mais convincente de todos os argumentos -, devemos levar em conta o fato de que a investigação analítica revela alguns desses processos latentes como possuidores de características e peculiaridades que parecem estranhas a nós, ou mesmo incríveis, e que vão diretamente de encontro aos atributos da consciência que nos são familiares. Assim, temos motivos para modificar nossa inferência a respeito de nós mesmos e dizer que o que está provado não é a existência de uma segunda consciência em nós, mas a existência de atos psíquicos que carecem de consciência. Também estaremos certos em rejeitar o termo ‘subconsciência’ como incorreto e enganoso. Os casos notórios de ‘double cosncience‘ (divisão da consciência) nada provam contra nossa concepção.
Na psicanálise, não temos outra opção senão afirmar que os processos mentais são inconscientes em si mesmos, e assemelhar a percepção deles por meio da consciência à percepção do mundo externo por meio dos órgãos sensoriais. Podemos mesmo esperar que novos conhecimentos sejam adquiridos a partir dessa comparação. Assim como o físico, o psíquico, na realidade, não é necessariamente o que nos parece ser. Teremos satisfação em saber, contudo, que a correção da percepção interna não oferecerá dificuldades tão grandes como a correção da percepção externa - que os objetos internos são menos incognoscíveis do que o mundo externo.
Mattanó aponta que todos os atos e manifestações que noto em mim mesmo, e que não sei como ligar ao resto de minha vida mental, devem ser julgados como se pertencessem a outrem; devem ser explicados por uma vida mental atribuída a essa outra pessoa. Além disso, a experiência mostra que compreendemos muito bem como interpretar em outras pessoas os mesmos atos que nos recusamos a aceitar como mentais em nós mesmos. Aqui, evidentemente, algum impedimento especial desvia nossas investigações de nosso próprio eu, impedindo que obtenhamos dele um conhecimento real. Vemos que atos e comportamentos não reconhecidos devem ser lidos como pertencentes a outrem e não fazem parte de nossa análise ou auto-análise.
Esse processo de inferência, quando aplicado ao próprio indivíduo, apesar da oposição interna, não leva, contudo, à revelação de um inconsciente; leva, logicamente, à suposição de uma outra segunda consciência que, no próprio eu do indivíduo, está unida à consciência que se conhece. Nesse caso, devemos estar preparados para supor a existência em nós não apenas de uma segunda consciência, mas também de uma terceira, de uma quarta, talvez de um número ilimitado de estados de consciência, todos desconhecidos para nós e desconhecidos entre si. Em terceiro lugar - e este é o mais convincente de todos os argumentos -, devemos levar em conta o fato de que a investigação analítica revela alguns desses processos latentes como possuidores de características e peculiaridades que parecem estranhas a nós, ou mesmo incríveis, e que vão diretamente de encontro aos atributos da consciência que nos são familiares. Assim, temos motivos para modificar nossa inferência a respeito de nós mesmos e dizer que o que está provado não é a existência de uma segunda consciência em nós, mas a existência de atos psíquicos que carecem de consciência. Também estaremos certos em rejeitar o termo ‘subconsciência’ como incorreto e enganoso. Os casos notórios de ‘double cosncience‘ (divisão da consciência) nada provam contra nossa concepção. Vemos que podemos desenvolver pela inferência uma ou mais consciências que num enfoque mais apurado revela necessitar, sim, de consciência ou de uma dupla consciência, de uma divisão da consciência.
Na psicanálise, não temos outra opção senão afirmar que os processos mentais são inconscientes em si mesmos, e assemelhar a percepção deles por meio da consciência à percepção do mundo externo por meio dos órgãos sensoriais. Podemos mesmo esperar que novos conhecimentos sejam adquiridos a partir dessa comparação. Assim como o físico, o psíquico, na realidade, não é necessariamente o que nos parece ser. Teremos satisfação em saber, contudo, que a correção da percepção interna não oferecerá dificuldades tão grandes como a correção da percepção externa - que os objetos internos são menos incognoscíveis do que o mundo externo. Vemos que o inconsciente é tão incompreensível quando o consciente, pois dependem dos órgãos sensoriais e da interconectividade cerebral e corporal.
MATTANÓ
(17/01/2026)
SOBRE A DESPERSONALIZAÇÃO E A DUPLA CONSCIÊNCIA (2026):
Mattanó aponta que a despersonalização ou a lavagem cerebral é muito diferente da dupla consciência, pois esta envolve a psicoterapia ou psicanálise, a análise ou a auto-análise, onde encontramos comportamentos e pensamentos que não pertencem a nós, a nossa história de vida inconsciente e recalcada, já a despersonalização e a lavagem cerebral envolve uma contingência do tipo ¨se..., então....¨, que desencadeia o processo de despersonalização e de lavagem cerebral em nossa mente e comportamento, como a induzida pela teoria ou ideia da pulsão auditiva de Mattanó de 1995 que leva a este processo devido seu mau uso e ao seu tráfico, já a partir de 1995 na UEL que a espalhou pelo mundo todo. A despersonalização e a lavagem cerebral envolvem basicamente a informação e os veículos de comunicação de massa, como a televisão, a música, o rádio, o cinema, a internet, o cd, o lp, o k-7 e o mp3 em interação ideológica com a psicanálise acadêmica e de iniciação científica, ainda não-profissional da UEL em 1995 até 1999 que foi mau utilizada, abusada, explorada e violentada, violada e traficada para fins de violência e discriminação, ódio e intolerância mediante tortura, tentativas de estupro e de assassinatos e de envenenamento, e erro administrativo, clínico, médico e psicológico.
MATTANÓ
(19/01/2026)
II - VÁRIOS SIGNIFICADOS DE ‘O INCONSCIENTE’ O PONTO DE VISTA TOPOGRÁFICO
Antes de prosseguirmos, enunciemos o fato importante, embora inconveniente, de que o atributo de ser inconsciente é apenas um dos aspectos do elemento psíquico, de modo algum bastando para caracterizá-lo. Há atos psíquicos de valor muito variável que, no entanto, concordam em possuir a característica de ser inconsciente. O inconsciente abrange, por um lado, atos que são meramente latentes, temporariamente inconscientes, mas que em nenhum outro aspecto diferem dos atos conscientes, e, por outro lado, abrange processos tais como os reprimidos, que, caso se tornassem conscientes, estariam propensos a sobressair num contraste mais grosseiro com o restante dos processos conscientes. Acabaríamos com todos os mal-entendidos se, doravante, ao descrevermos os vários tipos de atos psíquicos, desprezássemos a questão de saber se são conscientes ou inconscientes, e os classificássemos e correlacionássemos apenas em função de sua relação com instintos e finalidades, de sua composição e da hierarquia dos sistemas psíquicos a que pertencem. Isso, contudo, e por várias razões, é impraticável, de modo que não podemos escapar à ambigüidade de empregar as palavras ‘consciente’ e ‘inconsciente’ algumas vezes num sentido descritivo, algumas vezes num sentido sistemático, sendo que, neste último, elas significam a inclusão em sistemas particulares e a posse de certas características. Podemos tentar evitar a confusão, atribuindo aos sistemas psíquicos que distinguimos certos nomes arbitrariamente escolhidos, sem qualquer referência ao atributo de ser consciente. Apenas, temos que primeiro especificar os motivos pelos quais distinguimos os sistemas, e, ao fazê-lo, talvez não sejamos capazes de fugir ao atributo de sermos conscientes, visto que ele constitui o ponto de partida de todas as nossas investigações. Talvez nos possamos valer da proposta para empregar, pelo menos por escrito, a abreviação Cs. para consciência e Ics., para o que é inconsciente, quando estivermos usando as duas palavras em seu sentido sistemático.
Passando agora para um relato das descobertas positivas da psicanálise, podemos dizer que, em geral, um ato psíquico passa por duas fases quanto a seu estado, entre as quais se interpõe uma espécie de teste (censura). Na primeira fase, o ato psíquico é inconsciente e pertence ao sistema Ics; se, no teste, for rejeitado pela censura, não terá permissão para passar à segunda fase; diz-se então que foi ‘reprimido’, devendo permanecer inconsciente. Se, porém, passar por esse teste, entrará na segunda fase e, subseqüentemente, pertencerá ao segundo sistema, que chamaremos de sistema Cs. Mas o fato de pertencer a esse sistema ainda não determina de modo inequívoco sua relação com a consciência. Ainda não é consciente, embora, certamente, seja capaz de se tornar consciente (para usar a expressão de Breuer) - isto é, pode agora, sob certas condições, tornar-se um objeto da consciência sem qualquer resistência especial. Em vista dessa capacidade de se tornar consciente, também denominamos o sistema Cs. de ‘pré-consciente’. Se ocorrer que uma certa censura também desempenhe um papel em determinar se o pré-consciente se torna consciente, procederemos a uma discriminação mais acentuada entre os sistemas Pcs. e Cs. [ver em [1] e segs.]. Por ora contentemo-nos em ter em mente que o sistema Pcs. participa das características do sistema Cs., e que a censura rigorosa exerce sua função no ponto de transição do Ics. para o Pcs. (ou Cs.).
Aceitando a existência desses dois (ou três) sistemas psíquicos, a psicanálise desviou-se mais um passo da ‘psicologia da consciência’ descritiva e levantou novos problemas, adquirindo um novo conteúdo. Até o momento, tem diferido daquela psicologia devido principalmente a seu conceito dinâmico dos processos mentais; agora, além disso, parece levar em conta também a topografia psíquica, e indicar, em relação a determinado ato mental, dentro de que sistema ou entre que sistemas ela se verifica. Ainda por causa dessa tentativa, recebeu a designação de ‘psicologia profunda’. Viremos a saber que ela poderá ser bem mais enriquecida se ainda se levar em conta um outro ponto de vista. [ver em [1].]
Se vamos considerar seriamente a topografia dos atos mentais, devemos dirigir nosso interesse para uma dúvida que surge nesse ponto. Quando um ato psíquico (limitemo-nos aqui a um ato que seja da natureza de uma idéia) é transposto do sistema Ics. para o sistema Cs. (ou Pcs.), devemos nós supor que essa transição acarreta um registro novo - por assim dizer, um segundo registro - da idéia em questão, que, assim, pode também ser situada numa nova localidade psíquica, paralelamente à qual o registro inconsciente original continua a existir? Ou, antes, devemos acreditar que a transposição consiste numa mudança no estado da idéia, mudança que envolve o mesmo material e ocorre na mesma localidade? Essa questão pode parecer obscura, mas deve ser levantada, caso desejemos formar um conceito mais definido a respeito da topografia psíquica, da dimensão da profundidade na mente. Isso é difícil, porque vai além da psicologia pura e aborda as relações entre o mecanismo mental e a anatomia. Sabemos que, mesmo no sentido mais grosseiro, tais relações existem. A pesquisa nos tem fornecido provas irrefutáveis de que a atividade mental está vinculada à função do cérebro como a nenhum outro órgão. Avançamos - não sabemos até que ponto - com a descoberta da importância desigual das diferentes partes do cérebro e de suas relações especiais com partes específicas do corpo e com atividades mentais específicas. Mas todas as tentativas para, a partir disso, descobrir uma localização dos processos mentais, todos os esforços para conceber idéias armazenadas em células nervosas e excitações que percorrem as fibras nervosas, têm fracassado redondamente. O mesmo fim aguardaria qualquer teoria que tentasse reconhecer, digamos, a posição anatômica do sistema Cs. - atividade mental consciente - como estando situada no córtex, e localizar os processos inconscientes nas partes subcorticais do cérebro. Verifica-se aqui um hiato que, por enquanto, não pode ser preenchido, e não constitui tarefa da psicologia preenchê-lo. Nossa topografia psíquica, no momento, nada tem que ver com a anatomia; refere-se não a localidades anatômicas, mas a regiões do mecanismo mental, onde quer que estejam situadas no corpo.
A esse respeito, então, nosso trabalho está desembaraçado, podendo prosseguir em função de suas próprias necessidades. Contudo, será útil lembrar que, no pé em que as coisas estão, nossas hipóteses nada mais exprimem do que ilustrações gráficas. A primeira das duas possibilidades que consideramos - isto é, que a fase Cs. de uma idéia acarreta um novo registro dessa idéia, situado em outro lugar -, é sem dúvida a mais grosseira, embora também mais conveniente. A segunda hipótese - a de uma mudança de estado meramente funcional - é à priori mais provável, embora menos plástica, menos fácil de manipular. À primeira hipótese, a topográfica, está estreitamente vinculada a de uma separação topográfica dos sistemas Ics. e Cs., e também a possibilidade de que uma idéia possa existir simultaneamente em dois lugares no mecanismo mental - na realidade, a possibilidade de que, se não estiver inibida pela censura, ela avançará regularmente de uma posição para outra, sem perder talvez sua primeira localização ou registro.
Essa concepção talvez pareça estranha, mas pode ser apoiada por observações da prática psicanalítica. Se comunicamos a um paciente uma idéia reprimida por ele em certa ocasião, mas que conseguimos descobrir, o fato de lhe dizermos isso não provoca de início qualquer mudança em sua condição mental. Acima de tudo, não remove a repressão nem anula seus efeitos, como talvez se pudesse esperar do fato de a idéia previamente inconsciente ter-se tornado agora consciente. Pelo contrário, tudo o que de início conseguiremos será uma nova rejeição da idéia reprimida. No entanto, agora, o paciente tem de modo concreto a mesma idéia, sob duas formas, em diferentes lugares em seu mecanismo mental: primeiro, ele possui a lembrança consciente do traço auditivo da idéia, transmitido no que lhe dissemos; segundo, também possui - como temos certeza - a lembrança inconsciente de sua experiência - em sua forma primitiva. Realmente, não há supressão de repressão até que a idéia consciente, após as resistências terem sido vencidas, entre em ligação com o traço de lembrança inconsciente. Só quando este último se torna consciente é que se alcança o êxito. Numa consideração superficial, isso pareceria revelar que as idéias conscientes e inconscientes constituem registros distintos, topograficamente separados, do mesmo teor. Mas basta uma reflexão momentânea para mostrar que a identidade entre a informação dada ao paciente e sua lembrança reprimida é apenas aparente. Ouvir algo e experimentar algo são, em sua natureza psicológica, duas coisas bem diferentes, ainda que o conteúdo de ambas seja o mesmo.
Assim, por ora não estamos em condições de decidir entre as duas possibilidades que acabamos de examinar. Talvez mais tarde venhamos a nos deparar com fatores que possam fazer a balança pender a favor de uma ou de outra. Talvez façamos a descoberta de que nossa pergunta foi inadequadamente articulada e de que a diferença entre uma idéia inconsciente e outra consciente deve ser definida de maneira totalmente diferente.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que existem vários significados de consciente e de inconsciente e propõe um ponto de vista topográfico, onde ele discrimina que existe o inconsciente , o pré-consciente e o consciente segundo seu ponto de vista topográfico da mente, pois o cérebro ainda não pode ser explicado cientificamente bem para atender as necessidades da psicanálise e da psicologia com suas perguntas e dúvidas, e termina explicando que uma ideia coexiste no inconsciente e na consciência ao mesmo tempo, ou seja, uma não anula a outra. Ouvir algo e experimentar algo são, em sua natureza psicológica, duas coisas bem diferentes, ainda que o conteúdo de ambas seja o mesmo.
Mattanó aponta que existem vários significados de consciente e de inconsciente e propõe um ponto de vista topográfico, onde ele discrimina que existe o inconsciente , o pré-consciente e o consciente segundo seu ponto de vista topográfico da mente, pois o cérebro ainda não pode ser explicado cientificamente bem para atender as necessidades da psicanálise e da psicologia com suas perguntas e dúvidas, e termina explicando que uma ideia coexiste no inconsciente e na consciência ao mesmo tempo, ou seja, uma não anula a outra. Ouvir algo e experimentar algo são, em sua natureza psicológica, duas coisas bem diferentes, ainda que o conteúdo de ambas seja o mesmo. Ou seja, através da equivalência de estímulos as ideias podem transitar do inconsciente para o consciente, mesmo depois de terem sofrido o efeito da simetria e da reflexividade, pois estes eventos ou equivalências nunca se extinguem, não cessam e não desaparecem, pois estão gravados nos neurônios respectivos de cada estímulo ou informação, formando caminhos cognitivos e mapas cerebrais, GPS da personalidade, e programando a mente do indivíduo para responder as exigências e adversidades do meio ambiente.
MATTANÓ
(19/01/2026)
DENÚNCIA E HISTÓRIA DO BRASIL E DO MUNDO (2026):
Osny Mattanó Júnior testemunha e denuncia que em seu país as autoridades discursam sobre a paz na Ucrânia e já falaram da paz na Palestina quando ela estava em guerra com Israel, como vimos o Presidente Luís Inácio Lula da Silva abordando os dois temas várias vezes, mas nunca se pronuncia sobre a paz no Brasil, no Paraná e em Londrina, inclusive em minha família que possui um histórico semelhante ao do público alvo dos Médicos Sem Fronteiras, da Fundação Abrinq, do Criança Esperança, da Cruz Vermelha, por exemplo, onde seus acolhidos muitos deles, se encontram entre a vida e a morte e em situação de miséria ou pobreza e fome, de doenças e de loucura, de transtornos mentais como a esquizofrenia e a depressão, o analfabetismo, a evasão escolar, o desemprego, a criminalidade, o tráfico e a prostituição, mas mesmo assim são ajudadas por milhões ou bilhões de pessoas em todo o mundo que doam parte do seu dinheiro para essas organizações que socorrem esse tipo de público, sem julgá-los e sem discriminá-los, mas apenas oferecendo socorro e ajuda, oportunidade de se reerguerem e de poderem voltar a viver e buscar o caminho legítimo de cada sociedade, onde se inserem, são ajudadas por artistas, juízes, jogadores de futebol, tenistas, pilotos de carros de corridas, atletas, comunicadores, cineastas, atores e atrizes, cantores e cantoras, promotores e promotoras, delegados, investigadores, professores, cientistas, comerciantes, empresários, industriais, trabalhadores, bancários, banqueiros, médicos, profissionais da saúde, psicólogos, terapeutas e psicanalistas, locutores de rádio, escritores, jornalistas, todo tipo de gente e de profissional, que também se esquece que minha família inteira tem esse histórico de fome, miséria e pobreza, de vivier fora, até mesmo das favelas,, ou seja, além dos ¨burgos¨, de viver em campos de concentração da Segunda Grande Guerra Mundial como o de Auschwitz e também no meio do mato, além das cidades, por não ter recursos e se enquadrar perfeitamente no público alvo dessas organizações como a Médicos Sem Fronteiras, da Fundação Abrinq, do Criança Esperança, da Cruz Vermelha, por exemplo, pois ganhar R$ 1,00 era tudo para essas famílias em seu sofrimento quando estavam nas ruas, desamparadas, como a partir do momento em que o Estado as desamparou e ofereceu riqueza em troca de tortura e de sacrifício de membro(s) de sua mesma família, se um R$ 1,00 era tudo, imagine então milhões ou bilhões de dólares por um serviço fácil e amparado por autoridades corruptas - eu acredito na Justiça e que esse crime foi premeditado e planejado por muito tempo por artistas e atletas, por exemplo, antes de ser executado, a partir de 1992 ou 1994.
MATTANÓ
(24/01/2026)
HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2026):
Da mesma forma julgar e descarregar sua tensão num objeto do mundo e da realidade virtuais através da paranormalidade torna-se possível apenas quando o ego reconhece o objeto desejado como real, sua imagem mnêmica e a sua percepção, ou seja, sua simulação topográfica virtual. Mas quando não reconhece como real, torna-se não-real, inseguro para iniciar uma descarga, de tal modo que o indivíduo inicia um perpétuo estado crítico e de avaliação, autoclítico e de julgamento, pois o ego é evocado pela dessemelhança entre a catexia do objeto de desejo e a catexia perceptual, mesmo que seja no caso da paranormalidade utilizada com telepatia e lavagem cerebral, como acontece comigo desde 1999, causando confusão mental e desorientação que é julgada como esquizofrenia paranóide e tratada como tal, pois a paranormalidade evoca estados delíriantes e alucinógenos que não são tratados em todos os casos semelhantes, gerando rixas, brigas e confusão que se transforma em arma de guerra.
MATTANÓ
(26/01/2026)
SOBRE A IDEIA E A TEORIA DA PULSÃO AUDITIVA DE MATTANÓ (2026):
Mattanó aponta que Sigmund Freud explica que o coito seguro é sempre o recomendável para os casais, desta forma com a ideia e a teoria da pulsão auditiva de Mattanó podemos ter dois caminhos:
O primeiro: aumentar o investimento sobre o coito seguro discriminando os horrores e os perigos, inclusive crimes que essa ideia e teoria nos sugerem como, por exemplo, a pedofilia e o estupro ou a prostituição e a pornografia, e a violência sexual, ou o abuso sexual e de incapazes, a lascívia, o atentado ao pudor, o ato libidinoso e o voyeurismo, a linguagem sexista e o estupro virtual, além da tortura, da extorsão, da vingança, da homofobia, da gordofobia, da esquizofobia, do racismo, do ódio e da intolerância, da discriminação, da perseguição, do crime de stalker e do feminícido, além da corrupção, do desejo de cometer roubo e sequestro e do aumento de psicopatias.
O segundo: diminuir o investimento sobre o coito seguro e se transformar num criminoso e doente sexual, exposto a doenças venéreas e transtornos sexuais, a infelicidade e a frustração sexual, psicológica e comportamental, se transformar num psicopata, psicótico e depressivo que vive em pânico e ansioso, angustiado e também impotente, pois não consegue realizar seus desejos sexuais que remetem ao conteúdo recalcado, doméstico, infantil e familiar, donde apenas substituiu o amor pela manipulação comportamental para escapar, justamente do amor da sua mãe e do controle do seu pai, transformando-se num psicopata que foge do amor genital para buscar os jogos e a manipulação social ou de grupos que substituam o amor de sua mãe e o de seu pai, vivido aqui como um controle ou nome do Pai que vai modelando seu superego, sua moralidade.
MATTANÓ
(28/01/2026)
SOBRE AS LACUNAS E OS ESPAÇOS INTERMEDIÁRIOS (2026):
Mattanó aponta que é justamente nas lacunas e nos espaços intermediários que se faz o processo de lavagem cerebral, pois aqui a lavagem cerebral se aproveita de um espaço vago entre duas representações, significados ou sentidos para atuar e despersonalizar o indivíduo. Contudo aponta também que nestas lacunas e espaços intermediários pode ser realizada a ressignificação da personalidade de qualquer tipo de transtorno mental, representando um avanço. Mas como fazer isto? Com auxílio da música, da literatura, da televisão e do cinema, do trabalho e da educação, por exemplo, que se inserem nos espaços intermediários ou nas lacunas quando estão sendo utilizados pelo público, mas agora como terapia de ressignificação, até mesmo de lavagem cerebral e de despersonalização.
MATTANÓ
(29/01/2026)
SOBRE A IDEIA E A TEORIA DA PULSÃO AUDITIVA DE MATTANÓ DE 1995 (2026):
Mattanó aponta que o acúmulo de tensão resulta numa propensão à descarga, ou seja, a teoria da ¨panela de pressão¨ que aumenta de pressão quando fica sob pressão e sem válvula de escape, ela pode explodir a qualquer momento e produzir um acidente no meio ambiente ou mesmo doméstico, no meu caso produziu um acidente escolar e acadêmico a partir de 1992 quando comecei a ter problemas mentais e comportamentais no curso de Comunicação Social, como sentir sono durante as aulas, faltas as aulas, cair a minha produtividade, baixarem as minhas notas, ter problemas de relacionamentos com colegas e começar a delirar os comportamentos da série da Rede Globo de Televisãoo, As Noivas de Copacabana com algumas colegas que tiveram mudanças comportamentais drásticas para comigo de um momento para o outro, além de reprovação escolar e abandono do curso de Comunicação Social, eu me sentia perseguido desde o primeiro dia de aula em 1991/2 quando tentaram me estuprar duas vezes, com um beijo na boca e depois com ereção pêniana no ônibus de transporte da Grande Londrina, parece que queriam me destruir, pois me conheciam e haviam planejado, eram policiais ou modelos de televisão, então este processo adquire função secundária de comunicação, ou seja, se transforma em comportamento verbal ou em palavras que podem estar distorcidas como as da minha pergunta em sala de aula para a docente Denise dal Coll: ¨e se a criança escuta em vez de hare hama a palavra dare mama ou me dá mamᨠe acaba dizendo isso ¨mamá, me dá mamᨠatravés da função secundária de comunicação que pode distorcer o comportamento verbal devido sua tensão, e é a fonte primordial de todos os motivos morais, ou seja, do que ela há de julgar como aceitável e reprovável em sua vida moral.
MATTANÓ
(30/01/2026)
III - EMOÇÕES INCONSCIENTES
Limitamos a apreciação anterior a idéias; agora podemos levantar uma nova questão, cuja resposta se destina a contribuir para a elucidação de nossos conceitos teóricos. Dissemos que há idéias conscientes e inconscientes; contudo, haverá também impulsos instintuais, emoções e sentimentos inconscientes, ou, nesse caso, não terá sentido formar combinações desse tipo?
De fato, sou de opinião que a antítese entre consciente e inconsciente não se aplica aos instintos. Um instinto nunca pode tornar-se objeto da consciência - só a idéia que o representa pode. Além disso, mesmo no inconsciente, um instinto não pode ser representado de outra forma a não ser por uma idéia. Se o instinto não se prendeu a uma idéia ou não se manifestou como um estado afetivo, nada poderemos conhecer sobre ele. Não obstante, quando falamos de um impulso instintual inconsciente ou de um impulso instintual reprimido, a imprecisão da fraseologia é inofensiva. Podemos apenas referir-nos a um impulso instintual cuja representação ideacional é inconsciente, pois nada mais entra em consideração.
Devemos esperar que a resposta à questão dos sentimentos, emoções e afetos inconscientes seja dada com igual facilidade. Por certo, faz parte da natureza de uma emoção que estejamos cônscios dela, isto é, que ela se torne conhecida pela consciência. Assim, a possibilidade do atributo da inconsciência seria completamente excluída no tocante às emoções, sentimentos e afetos. Na prática psicanalítica, porém, estamos habituados a falar de amor, ódio, ira etc. inconscientes, e achamos impossível evitar até mesmo a estranha conjunção ‘consciência inconsciente de culpa’, ou uma ‘ansiedade inconsciente’ paradoxal. Haverá mais sentido em empregar esses termos do que em falar de ‘instintos inconscientes’?
De fato, os dois casos não são idênticos. Em primeiro lugar, pode ocorrer que um impulso afetivo ou emocional seja sentido mas mal interpretado. Devido à repressão de seu representante adequado, é forçado a ligar-se a outra idéia, sendo então considerado pela consciência como manifestação dessa idéia. Se restaurarmos a verdadeira conexão, chamaremos o impulso afetivo original de ‘inconsciente’. Contudo, seu afeto nunca foi inconsciente; o que aconteceu foi que sua idéia sofreu repressão. Em geral, o emprego das expressões ‘afeto inconsciente’ e ‘emoção inconsciente’ refere-se a vicissitudes sofridas, em conseqüência da repressão, pelo fator quantitativo no impulso instintual. Sabemos que três dessas vicissitudes são possíveis: ou o afeto permanece, no todo ou em parte, como é; ou é transformado numa quota de afeto qualitativamente diferente, sobretudo em ansiedade; ou é suprimido, isto é, impedido de se desenvolver. (Essas possibilidades talvez possam ser estudadas mais facilmente na elaboração dos sonhos do que nas neuroses.) Sabemos, também, que suprimir o desenvolvimento do afeto constitui a verdadeira finalidade da repressão, e que seu trabalho ficará incompleto se essa finalidade não for alcançada. Em todos os casos em que a repressão consegue inibir o desenvolvimento de afetos, denominamos esses afetos (que restauramos quando desfazemos o trabalho da repressão) de ‘inconscientes’. Assim, não se pode negar que o emprego das expressões em causa é coerente, embora, em comparação com idéias inconscientes, se verifique a importante diferença de que, após a repressão, idéias inconscientes continuam a existir como estruturas reais no sistema Ics., ao passo que tudo o que naquele sistema corresponde aos afetos inconscientes é um início potencial impedido de se desenvolver. A rigor, então, e ainda que não se possa criticar o uso lingüístico, não existem afetos inconscientes da mesma forma que existem idéias inconscientes. Pode, porém, muito bem haver estruturas afetivas no sistema Ics., que, como outras, se tornam conscientes. A diferença toda decorre do fato de que idéias são catexias - basicamente de traços de memória -, enquanto que os afetos e as emoções correspondem a processos de descarga, cujas manifestações finais são percebidas como sentimentos. No presente estado de nosso conhecimento a respeito dos afetos e das emoções, não podemos exprimir essa diferença mais claramente.
É de especial interesse para nós o estabelecimento do fato de que a repressão pode conseguir inibir um impulso instintual, impedindo-o de se transformar numa manifestação de afeto. Isso mostra que o sistema Cs. normalmente controla não só a afetividade como também o acesso à motilidade, e realça a importância da repressão, mostrando que ela resulta não apenas em reter coisas provenientes da consciência, mas igualmente em cercear o desenvolvimento do afeto e o desencadeamento da atividade muscular. Inversamente, também, podemos dizer que, enquanto o sistema Cs. controla a afetividade e a motilidade, a condição mental da pessoa em questão é considerada como normal. Não obstante, há uma diferença inconfundível na relação entre o sistema de controle e os dois processos contíguos de descarga. Enquanto que o controle do Cs. sobre a motilidade voluntária se acha firmemente enraizado, suporta regularmente a investida da neurose e só cessa na psicose, o controle do Cs. sobre o desenvolvimento dos afetos é menos seguro. Mesmo dentro dos limites da vida normal podemos reconhecer que uma luta constante pela primazia sobre a afetividade prossegue entre os sistemas Cs. e Ics., que certas camadas de influência são eliminadas de cada um deles e que ocorrem misturas entre as forças operativas.
A importância do sistema Cs. (Pcs.) no que se refere ao acesso à liberação do afeto e à ação, permite-nos também compreender o papel desempenhado pelas idéias substitutivas na determinação da forma assumida pela doença. É possível ao desenvolvimento do afeto proceder diretamente do sistema Ics.; nesse caso, o afeto sempre tem a natureza de ansiedade, pela qual são trocados todos os afetos ‘reprimidos’. Com freqüência, contudo, o impulso instintual tem de esperar até que encontre uma idéia substitutiva no sistema Cs. O desenvolvimento do afeto pode então provir desse substituto consciente e a natureza desse substituto determina o caráter qualitativo do afeto. Afirmamos [ver em [1]] que na repressão ocorre uma ruptura entre o afeto e a idéia à qual ele pertence, e que cada um deles então passa por vicissitudes isoladas. Descritivamente, isso é incontestável; na realidade, porém, o afeto, de modo geral, não se apresenta até que o irromper de uma nova apresentação no sistema Cs. tenha sido alcançado com êxito.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que há idéias conscientes e inconscientes; contudo, haverá também impulsos instintuais, emoções e sentimentos inconscientes, ou, nesse caso, não terá sentido formar combinações desse tipo?
Um instinto nunca pode tornar-se objeto da consciência - só a idéia que o representa pode. Além disso, mesmo no inconsciente, um instinto não pode ser representado de outra forma a não ser por uma idéia. Se o instinto não se prendeu a uma idéia ou não se manifestou como um estado afetivo, nada poderemos conhecer sobre ele.
Devemos esperar que a resposta à questão dos sentimentos, emoções e afetos inconscientes seja dada com igual facilidade. Por certo, faz parte da natureza de uma emoção que estejamos cônscios dela, isto é, que ela se torne conhecida pela consciência. Assim, a possibilidade do atributo da inconsciência seria completamente excluída no tocante às emoções, sentimentos e afetos. Na prática psicanalítica, porém, estamos habituados a falar de amor, ódio, ira etc. inconscientes, e achamos impossível evitar até mesmo a estranha conjunção ‘consciência inconsciente de culpa’, ou uma ‘ansiedade inconsciente’ paradoxal. Haverá mais sentido em empregar esses termos do que em falar de ‘instintos inconscientes’?
De fato, os dois casos não são idênticos. Em primeiro lugar, pode ocorrer que um impulso afetivo ou emocional seja sentido mas mal interpretado. Devido à repressão de seu representante adequado, é forçado a ligar-se a outra idéia, sendo então considerado pela consciência como manifestação dessa idéia. Se restaurarmos a verdadeira conexão, chamaremos o impulso afetivo original de ‘inconsciente’. Contudo, seu afeto nunca foi inconsciente; o que aconteceu foi que sua idéia sofreu repressão. Em geral, o emprego das expressões ‘afeto inconsciente’ e ‘emoção inconsciente’ refere-se a vicissitudes sofridas, em conseqüência da repressão, pelo fator quantitativo no impulso instintual. Sabemos que três dessas vicissitudes são possíveis: ou o afeto permanece, no todo ou em parte, como é; ou é transformado numa quota de afeto qualitativamente diferente, sobretudo em ansiedade; ou é suprimido, isto é, impedido de se desenvolver. (Essas possibilidades talvez possam ser estudadas mais facilmente na elaboração dos sonhos do que nas neuroses.) Sabemos, também, que suprimir o desenvolvimento do afeto constitui a verdadeira finalidade da repressão, e que seu trabalho ficará incompleto se essa finalidade não for alcançada. Em todos os casos em que a repressão consegue inibir o desenvolvimento de afetos, denominamos esses afetos (que restauramos quando desfazemos o trabalho da repressão) de ‘inconscientes’. Assim, não se pode negar que o emprego das expressões em causa é coerente, embora, em comparação com idéias inconscientes, se verifique a importante diferença de que, após a repressão, idéias inconscientes continuam a existir como estruturas reais no sistema Ics., ao passo que tudo o que naquele sistema corresponde aos afetos inconscientes é um início potencial impedido de se desenvolver. A rigor, então, e ainda que não se possa criticar o uso lingüístico, não existem afetos inconscientes da mesma forma que existem idéias inconscientes. Pode, porém, muito bem haver estruturas afetivas no sistema Ics., que, como outras, se tornam conscientes. A diferença toda decorre do fato de que idéias são catexias - basicamente de traços de memória -, enquanto que os afetos e as emoções correspondem a processos de descarga, cujas manifestações finais são percebidas como sentimentos. No presente estado de nosso conhecimento a respeito dos afetos e das emoções, não podemos exprimir essa diferença mais claramente.
É de especial interesse para nós o estabelecimento do fato de que a repressão pode conseguir inibir um impulso instintual, impedindo-o de se transformar numa manifestação de afeto. Isso mostra que o sistema Cs. normalmente controla não só a afetividade como também o acesso à motilidade, e realça a importância da repressão, mostrando que ela resulta não apenas em reter coisas provenientes da consciência, mas igualmente em cercear o desenvolvimento do afeto e o desencadeamento da atividade muscular. Inversamente, também, podemos dizer que, enquanto o sistema Cs. controla a afetividade e a motilidade, a condição mental da pessoa em questão é considerada como normal. Não obstante, há uma diferença inconfundível na relação entre o sistema de controle e os dois processos contíguos de descarga. Enquanto que o controle do Cs. sobre a motilidade voluntária se acha firmemente enraizado, suporta regularmente a investida da neurose e só cessa na psicose, o controle do Cs. sobre o desenvolvimento dos afetos é menos seguro. Mesmo dentro dos limites da vida normal podemos reconhecer que uma luta constante pela primazia sobre a afetividade prossegue entre os sistemas Cs. e Ics., que certas camadas de influência são eliminadas de cada um deles e que ocorrem misturas entre as forças operativas.
A importância do sistema Cs. (Pcs.) no que se refere ao acesso à liberação do afeto e à ação, permite-nos também compreender o papel desempenhado pelas idéias substitutivas na determinação da forma assumida pela doença. É possível ao desenvolvimento do afeto proceder diretamente do sistema Ics.; nesse caso, o afeto sempre tem a natureza de ansiedade, pela qual são trocados todos os afetos ‘reprimidos’. Com freqüência, contudo, o impulso instintual tem de esperar até que encontre uma idéia substitutiva no sistema Cs. O desenvolvimento do afeto pode então provir desse substituto consciente e a natureza desse substituto determina o caráter qualitativo do afeto. Afirmamos [ver em [1]] que na repressão ocorre uma ruptura entre o afeto e a idéia à qual ele pertence, e que cada um deles então passa por vicissitudes isoladas. Descritivamente, isso é incontestável; na realidade, porém, o afeto, de modo geral, não se apresenta até que o irromper de uma nova apresentação no sistema Cs. tenha sido alcançado com êxito.
Mattanó aponta que há idéias conscientes e inconscientes; contudo, haverá também impulsos instintuais, emoções e sentimentos inconscientes, ou, nesse caso, não terá sentido formar combinações desse tipo? Para Mattanó os impulsos instintuais, emoções e sentimentos inconscientes são justamente aqueles que estão à margem da consciência ou encobertos por processos fisiológicos, ou seja, pela interconectividade corporal e cerebral.
Um instinto nunca pode tornar-se objeto da consciência - só a idéia que o representa pode. Além disso, mesmo no inconsciente, um instinto não pode ser representado de outra forma a não ser por uma idéia. Se o instinto não se prendeu a uma idéia ou não se manifestou como um estado afetivo, nada poderemos conhecer sobre ele. Para Mattanó um instinto pode ser reconhecido pela consciência quando assume a forma de uma ideia com um significado e um sentido através dos processos inconscientes.
Devemos esperar que a resposta à questão dos sentimentos, emoções e afetos inconscientes seja dada com igual facilidade. Por certo, faz parte da natureza de uma emoção que estejamos cônscios dela, isto é, que ela se torne conhecida pela consciência. Assim, a possibilidade do atributo da inconsciência seria completamente excluída no tocante às emoções, sentimentos e afetos. Na prática psicanalítica, porém, estamos habituados a falar de amor, ódio, ira etc. inconscientes, e achamos impossível evitar até mesmo a estranha conjunção ‘consciência inconsciente de culpa’, ou uma ‘ansiedade inconsciente’ paradoxal. Haverá mais sentido em empregar esses termos do que em falar de ‘instintos inconscientes’? Para Mattanó quando falamos de emoções falamos de eventos que as desencadeiam como as lembranças, lembranças são produtos do conteúdo recalcado inconsciente infantil, doméstico e familiar, as lembranças estão associadas as emoções, sentimentos e aos afetos, justamente quando reconhecemos uma emoção, sentimento ou afeto, da mesma forma que reconhecemos uma lembrança, aliviamos ou descarregamos a nossa tensão correspondente.
De fato, os dois casos não são idênticos. Em primeiro lugar, pode ocorrer que um impulso afetivo ou emocional seja sentido mas mal interpretado. Devido à repressão de seu representante adequado, é forçado a ligar-se a outra idéia, sendo então considerado pela consciência como manifestação dessa idéia. Se restaurarmos a verdadeira conexão, chamaremos o impulso afetivo original de ‘inconsciente’. Contudo, seu afeto nunca foi inconsciente; o que aconteceu foi que sua idéia sofreu repressão. Em geral, o emprego das expressões ‘afeto inconsciente’ e ‘emoção inconsciente’ refere-se a vicissitudes sofridas, em conseqüência da repressão, pelo fator quantitativo no impulso instintual. Sabemos que três dessas vicissitudes são possíveis: ou o afeto permanece, no todo ou em parte, como é; ou é transformado numa quota de afeto qualitativamente diferente, sobretudo em ansiedade; ou é suprimido, isto é, impedido de se desenvolver. (Essas possibilidades talvez possam ser estudadas mais facilmente na elaboração dos sonhos do que nas neuroses.) Sabemos, também, que suprimir o desenvolvimento do afeto constitui a verdadeira finalidade da repressão, e que seu trabalho ficará incompleto se essa finalidade não for alcançada. Em todos os casos em que a repressão consegue inibir o desenvolvimento de afetos, denominamos esses afetos (que restauramos quando desfazemos o trabalho da repressão) de ‘inconscientes’. Assim, não se pode negar que o emprego das expressões em causa é coerente, embora, em comparação com idéias inconscientes, se verifique a importante diferença de que, após a repressão, idéias inconscientes continuam a existir como estruturas reais no sistema Ics., ao passo que tudo o que naquele sistema corresponde aos afetos inconscientes é um início potencial impedido de se desenvolver. A rigor, então, e ainda que não se possa criticar o uso lingüístico, não existem afetos inconscientes da mesma forma que existem idéias inconscientes. Pode, porém, muito bem haver estruturas afetivas no sistema Ics., que, como outras, se tornam conscientes. A diferença toda decorre do fato de que idéias são catexias - basicamente de traços de memória -, enquanto que os afetos e as emoções correspondem a processos de descarga, cujas manifestações finais são percebidas como sentimentos. No presente estado de nosso conhecimento a respeito dos afetos e das emoções, não podemos exprimir essa diferença mais claramente. Para Mattanó temos a ideia original que é inconsciente e o consciente, mas a ideia original inconsciente sofre repressão e surgem três vicissitudes ou caminhos possíveis: ou o afeto permanece, no todo ou em parte, como é; ou é transformado numa quota de afeto qualitativamente diferente, sobretudo em ansiedade; ou é suprimido, isto é, impedido de se desenvolver. Sabemos, também, que suprimir o desenvolvimento do afeto constitui a verdadeira finalidade da repressão, e que seu trabalho ficará incompleto se essa finalidade não for alcançada. Em todos os casos em que a repressão consegue inibir o desenvolvimento de afetos, denominamos esses afetos de ‘inconscientes’. Assim, não se pode negar que o emprego das expressões em causa é coerente, embora, em comparação com idéias inconscientes, se verifique a importante diferença de que, após a repressão, idéias inconscientes continuam a existir como estruturas reais no sistema Ics., ao passo que tudo o que naquele sistema corresponde aos afetos inconscientes é um início potencial impedido de se desenvolver. A rigor, então, e ainda que não se possa criticar o uso lingüístico, não existem afetos inconscientes da mesma forma que existem idéias inconscientes. Pode, porém, muito bem haver estruturas afetivas no sistema Ics., que, como outras, se tornam conscientes. A diferença toda decorre do fato de que idéias são catexias - basicamente de traços de memória -, enquanto que os afetos e as emoções correspondem a processos de descarga, cujas manifestações finais são percebidas como sentimentos. No presente estado de nosso conhecimento a respeito dos afetos e das emoções, não podemos exprimir essa diferença mais claramente.
É de especial interesse para nós o estabelecimento do fato de que a repressão pode conseguir inibir um impulso instintual, impedindo-o de se transformar numa manifestação de afeto. Isso mostra que o sistema Cs. normalmente controla não só a afetividade como também o acesso à motilidade, e realça a importância da repressão, mostrando que ela resulta não apenas em reter coisas provenientes da consciência, mas igualmente em cercear o desenvolvimento do afeto e o desencadeamento da atividade muscular. Inversamente, também, podemos dizer que, enquanto o sistema Cs. controla a afetividade e a motilidade, a condição mental da pessoa em questão é considerada como normal. Não obstante, há uma diferença inconfundível na relação entre o sistema de controle e os dois processos contíguos de descarga. Enquanto que o controle do Cs. sobre a motilidade voluntária se acha firmemente enraizado, suporta regularmente a investida da neurose e só cessa na psicose, o controle do Cs. sobre o desenvolvimento dos afetos é menos seguro. Mesmo dentro dos limites da vida normal podemos reconhecer que uma luta constante pela primazia sobre a afetividade prossegue entre os sistemas Cs. e Ics., que certas camadas de influência são eliminadas de cada um deles e que ocorrem misturas entre as forças operativas. Vemos que o sistema consciente controla não somente a afetividade, mas também a motilidade do indivíduo, e realça a importância da repressão, mostrando que ela resulta não apenas em reter coisas provenientes da consciência, mas igualmente em cercear o desenvolvimento do afeto e o desencadeamento da atividade muscular. Inversamente, também, podemos dizer que, enquanto o sistema Cs. controla a afetividade e a motilidade, a condição mental da pessoa em questão é considerada como normal. Enquanto que o controle do Cs. sobre a motilidade voluntária se acha firmemente enraizado, suporta regularmente a investida da neurose e só cessa na psicose, o controle do Cs. sobre o desenvolvimento dos afetos é menos seguro. Vemos aqui que o desenvolvimento psicomotor e afetivo é menos seguro para os psicóticos segundo sua consciência, enquanto que para os indivíduos normais o desenvolvimento psicomotor e afetivo permanece seguro e em desenvolvimento constante segundo sua consciência.
A importância do sistema Cs. (Pcs.) no que se refere ao acesso à liberação do afeto e à ação, permite-nos também compreender o papel desempenhado pelas idéias substitutivas na determinação da forma assumida pela doença. É possível ao desenvolvimento do afeto proceder diretamente do sistema Ics.; nesse caso, o afeto sempre tem a natureza de ansiedade, pela qual são trocados todos os afetos ‘reprimidos’. Com freqüência, contudo, o impulso instintual tem de esperar até que encontre uma idéia substitutiva no sistema Cs. O desenvolvimento do afeto pode então provir desse substituto consciente e a natureza desse substituto determina o caráter qualitativo do afeto. Afirmamos [ver em [1]] que na repressão ocorre uma ruptura entre o afeto e a idéia à qual ele pertence, e que cada um deles então passa por vicissitudes isoladas. Descritivamente, isso é incontestável; na realidade, porém, o afeto, de modo geral, não se apresenta até que o irromper de uma nova apresentação no sistema Cs. tenha sido alcançado com êxito. Vemos aqui que o sistema consciente se refere ao acesso à liberação do afeto e a ação, mas também ao papel das ideias substitutivas na doença. O afeto sempre tem a natureza de ansiedade pela qual são trocados todos os afetos reprimidos. A ideia substitutiva surge do consciente a qualquer momento como uma metáfora e dão-se as vicissitutes ou caminhos possíveis. O afeto se apresenta quando irrompe uma nova apresentação no sistema consciente.
MATTANÓ
(02/02/2026)
HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PSICOLOGIA E DA PSICANÁLISE (2026):
Mattanó testemunha que a estagiária Marcia R. R. e o docente Ricardo J. F. da UEL em 1992 do Curso de Psicologia cometeram outro erro:
O objetivo do psicanalista é levar o paciente psicótico e transferir o seu amor delirante para o psicoterapêuta, num primeiro momento, depois disso fazer com que o paciente renuncie a esse amor e procure um amor genital ou no mundo externo, mas o psicanalista tem que seduzir o cliente com sua técnica e transferência, e não foi o que aconteceu comigo e a estagiária Marcia R. R. em 1992, pois eu já a amava desde 1989 quando a vi pela primeira vez perto da pastelaria Bode Cheiroso e depois o ponto de ônibus da rua debaixo da Senador Sousa Naves, quando ela sorriu para mim e eu gostei dos seus dentes pretos e eu não sabia porquê? Foi aí que tudo começou..., ela reagiu com constrangimento.... Isto é anti-ético para um histórico transferencial entre paciente e psicoterapêuta! Ou seja, não foi a psicoterapia que fez eu gostar dela, mas sim a vida, o acaso, a história de vida, tanto é que eu lhe mandei flores e um cartão dizendo ¨Ao silêncio do qual tudo brota e tudo retorna.¨ Apontando para ela que tudo era passado sobre a psicoterapia e a UEL, que ela poderia estar perdoada, mas ela se comportou de modo tão adverso e contaminou todo mundo e muita gente de minha família com seu comportamento anti-ético, eu, minha família e meus amigos enlouqueceram por causa dos delírios de amor, de perseguição e de missão messiânica da ex-estagiária e do docente Ricardo J. F..
MATTANÓ
(02/02/2026)
IV - TOPOGRAFIA E DINÂMICA DA REPRESSÃO
Chegamos à conclusão de que a repressão constitui essencialmente um processo que afeta as idéias na fronteira entre os sistemas Ics. e Pcs. (Cs.). Podemos fazer agora uma nova tentativa de descrever o processo com maiores detalhes.
Deve tratar-se de uma retirada da catexia; mas a questão é: em que sistema ocorre a retirada e a que sistema pertence a catexia retirada? A idéia reprimida permanece capaz de agir no Ics., e deve, portanto, ter conservado sua catexia. O que foi retirado deve ter sido outra coisa. [ver em [1] e [2], adiante.] Tomemos o caso da repressão propriamente dita (‘pressão posterior’) [ver em [1]], quando afeta uma idéia pré-consciente ou mesmo consciente. Aqui, a repressão só pode consistir em retirar da idéia da catexia (pré)-consciente que pertence ao sistema Pcs. A idéia, portanto, ou permanece não catexizada, ou recebe a catexia do Ics., ou retém a catexia do Ics. que já possuía. Assim, há uma retirada da catexia pré-consciente, uma retenção de catexia inconsciente, ou uma substituição da catexia pré-inconsciente por uma inconsciente. Notemos, além disso, que baseamos essas reflexões (por assim dizer, intencionalmente) na suposição de que a transição do sistema Ics. para o sistema seguinte não se processa pela efetuação de um novo registro, mas por uma modificação em seu estado, uma alteração em sua catexia. Aqui, a hipótese funcional anulou facilmente a topográfica. [Ver, acima, em [1] e [2].]
Mas esse processo de retirada da libido não é suficiente para tornar compreensível uma outra característica da repressão. Não está clara a razão por que a idéia que permaneceu catexizada ou que recebeu a catexia do Ics., não deve, em virtude de sua catexia, renovar a tentativa de penetrar no sistema Pcs. Se pudesse fazê-lo, a retirada da libido dessa idéia teria de ser repetida e o mesmo desempenho se processaria interminavelmente; o resultado, porém, não seria a repressão. Da mesma forma, quando se trata de descrever a repressão primeva, o mecanismo da retirada da catexia pré-consciente, que acabamos de examinar, deixaria de atender ao caso, pois aqui estamos lidando com uma idéia inconsciente que ainda não recebeu qualquer catexia do Pcs. e, portanto, não pode ter essa catexia retirada dela.
Necessitamos, por conseguinte, de outro processo que, no primeiro caso, mantenha a repressão [isto é, o caso da pressão posterior] e, no segundo [isto é, o da repressão primeva], assegure o seu estabelecimento e continuidade. Esse outro processo só pode ser encontrado mediante a suposição de uma anticatexia, por meio da qual o sistema Pcs. se protege da pressão que sofre por parte da idéia inconsciente. Veremos, por meio de exemplos clínicos, como tal anticatexia, atuando no sistema Pcs., se manifesta. É isso que representa o permanente dispêndio [de energia] de uma repressão primeva, garantindo, igualmente, a permanência dessa repressão. A anticatexia é o único mecanismo da repressão primeva; no caso da repressão propriamente dita (‘pressão posterior’) verifica-se, além disso, a retirada da catexia do Pcs. É bem possível que seja precisamente a catexia retirada da idéia a utilizada para a anticatexia.
Vemos como gradativamente fomos levados a adotar um terceiro ponto de vista em nosso relato dos fenômenos psíquicos. Além dos pontos de vista dinâmico e topográfico [ver em [1]], adotamos o econômico. Este se esforça por levar até as últimas conseqüências as vicissitudes de quantidades de excitação e chegar pelo menos a uma estimativa relativa de sua magnitude.
Não será descabido dar uma denominação especial a essa maneira global de considerar nosso tema, pois ela é a consumação da pesquisa psicanalítica. Proponho que, quando tivermos conseguido descrever um processo psíquico em seus aspectos dinâmico, topográfico e econômico, passemos a nos referir a isso como uma apresentação metapsicológica. Devemos afirmar, de imediato, que no presente estado de nosso conhecimento há apenas alguns pontos nos quais essa tarefa terá êxito.
Esforcemo-nos tentativamente por apresentar uma descrição metapsicológica do processo de repressão nas três neuroses de transferência que nos são familiares. Aqui podemos substituir ‘catexia’ por ‘libido’, porque, como sabemos, estaremos lidando com as vicissitudes dos impulsos sexuais.
Na histeria da ansiedade, uma primeira fase do processo é comumente desprezada e talvez, de fato, passe despercebida; mediante detida observação, contudo, ela pode ser claramente discernida. Consiste no surgimento da ansiedade sem que o indivíduo saiba o que teme. Devemos supor que determinado impulso amoroso se encontrava presente no Ics., exigindo ser transposto para o sistema Pcs.; mas a catexia a ele dirigida a partir desse último sistema retrai-se do impulso (como se se tratasse de uma tentativa de fuga) e a catexia libidinal inconsciente da idéia rejeitada é descarregada sob a forma de ansiedade.
Por ocasião de uma repetição (caso haja repetição) desse processo, dá-se o primeiro passo no sentido de dominar o desenvolvimento importuno da ansiedade. A catexia [do Pcs.] que entrou em fuga se apega a uma idéia substitutiva - que, por um lado, se relaciona por associação à idéia rejeitada e, por outro, escapa à repressão em vista de sua distância daquela idéia. Essa idéia substitutiva um ‘substituto por deslocamento’ [ver em [1]] - permite que o desenvolvimento, até então desinibido, da ansiedade seja racionalizado. Ela passa a desempenhar o papel de uma anticatexia para o sistema Cs. (Pcs.), protegendo-o contra uma emergência da idéia reprimida no Cs. Por outro lado, é, ou age como se fosse, o ponto de partida para a liberação do afeto revestido de ansiedade, que agora se tornou inteiramente desinibida. A observação clínica revela, por exemplo, que uma criança que sofre de uma fobia animal experimenta ansiedade sob duas condições: em primeiro lugar, quando seu impulso amoroso reprimido se intensifica e, em segundo, quando percebe o animal que teme. A idéia substitutiva atua, no primeiro caso, como um ponto em que há uma passagem através do sistema Ics. para o sistema Cs., e, no outro, como uma fonte auto-suficiente para liberação da ansiedade. A extensa preponderância do sistema Cs. em geral se manifesta no fato de que a primeira dessas duas modalidades de excitação da idéia substitutiva dá cada vez mais lugar à segunda. A criança talvez possa vir a se comportar como se não tivesse absolutamente qualquer predileção pelo pai, tornando-se inteiramente livre dele, e como se seu medo do animal fosse um temor real - exceto, porém, se esse medo do animal, alimentado, como é, a partir de uma fonte instintual inconsciente, mostre ser inexorável e exagerado em face de todas as influências oriundas do sistema Cs. postas em ação, denunciando com isso sua derivação do sistema Ics. - Na segunda fase da histeria de ansiedade, portanto, a anticatexia proveniente do sistema Cs. leva à formação do substituto.
Em breve o mesmo mecanismo encontra nova aplicação. O processo de repressão, como sabemos, ainda não está completo, encontrando uma finalidade posterior na tarefa de inibir o desenvolvimento da ansiedade proveniente do substituto. Isto é alcançado pelo fato de que todo o ambiente associado da idéia substitutiva é catexizado com intensidade especial, exibindo, assim, um elevado grau de sensibilidade à excitação. A excitação de qualquer ponto dessa estrutura externa, dada sua ligação com a idéia substitutiva, deve, inevitavelmente, dar lugar a um ligeiro desenvolvimento da ansiedade; isso passa a ser utilizado como um sinal para inibir, por meio de uma nova fuga da catexia [do Pcs.], o progresso posterior do desenvolvimento da ansiedade. Quanto mais distantes do substituto temido as sensíveis e vigilantes anticatexias estiverem situadas, com maior precisão poderá funcionar o mecanismo destinado a isolar a idéia substitutiva e a protegê-la de novas excitações. Essas precauções, naturalmente, limitam-se a resguardar a idéia substitutiva de excitações que vêm de fora, através da percepção; nunca a protegem da excitação instintual, que alcança a idéia substitutiva a partir da direção de seu elo com a idéia reprimida. Assim, as preocupações não começam a atuar até que o substituto tenha assumido satisfatoriamente a representação do reprimido, e jamais podem atuar de maneira inteiramente fidedigna. A cada aumento da excitação instintual, a muralha protetora em torno da idéia substitutiva deve ser deslocada um pouco mais para fora. À totalidade dessa construção, que é erigida de forma análoga nas demais neuroses, denominamos fobia. A fuga de uma catexia consciente da idéia substitutiva se manifesta nas evitações, nas renúncias e nas proibições, por meio das quais reconhecemos a histeria de ansiedade.
Fazendo um levantamento de todo o processo, podemos dizer que a terceira fase repete o trabalho da segunda numa escala mais ampla. O sistema Cs. se defende agora da ativação da idéia substitutiva por meio de uma anticatexia do seu ambiente, da mesma maneira pela qual, anteriormente, se defendia da emergência da idéia reprimida por meio de uma catexia da idéia substitutiva. Desse modo, prossegue a formação de substitutos por deslocamento. Devemos também acrescentar que, embora o sistema Cs. só disponha, de início, de uma pequena área na qual o impulso instintual reprimido pode irromper, a saber, a idéia substitutiva, em última instância esse enclave da influência inconsciente se estende a toda a estrutura externa fóbica. Além disso, podemos dar ênfase à interessante consideração de que, pondo-se assim em ação todo o mecanismo defensivo, consegue-se projetar para fora o perigo instintual. O ego comporta-se como se o perigo de um desenvolvimento da ansiedade o ameaçasse, não a partir da direção de um impulso instintual, mas da direção de uma percepção, tornando-se assim capaz de reagir contra esse perigo externo através das tentativas de fuga representadas por evitações fóbicas. Nesse processo, a repressão é bem-sucedida num ponto particular: a liberação da ansiedade pode, até certo ponto, ser represada, mas somente à custa de um pesado sacrifício da liberdade pessoal. Via de regra, porém, as tentativas de fuga às exigências do instinto são inúteis, e, apesar de tudo, o resultado da fuga fóbica permanece insatisfatório.
Grande parte daquilo que verificamos na histeria de ansiedade também é válido para as duas outras neuroses, de modo que podemos limitar nosso exame a seus pontos de diferença e ao papel desempenhado pela anticatexia. Na histeria de conversão, a catexia instintual da idéia reprimida converte-se na inervação do sintoma. Até que ponto e em que circunstâncias a idéia inconsciente é esvaziada por essa descarga na inervação, de modo a suspender a pressão que exerce sobre o sistema Cs. - essas e outras perguntas semelhantes devem ser reservadas para uma investigação especial da histeria. Na histeria de conversão o papel desempenhado pela anticatexia proveniente do sistemas Cs. (Pcs.) é nítido e se torna manifesto na formação do sintoma. É a anticatexia que decide em que porção do representante instintual pode concentrar-se toda a catexia do último. A porção assim escolhida para ser um sintoma atende à condição de expressar a finalidade impregnada de desejo do impulso instintual, bem como os esforços defensivos ou punitivos do sistema Cs. na repressão não precisa ser tão grande quanto a mantida, de ambas as direções, como a idéia substitutiva na histeria de ansiedade. Dessa circunstância podemos concluir sem hesitação que a quantidade de energia despendida pelo sistema Cs. na repressão não precisa ser tão grande quanto a energia catexial do sintoma, pois a força da repressão é medida pela quantidade de anticatexia despendida, ao passo que o sintoma é sustentado não somente por essa anticatexia, como também pela catexia instintual oriunda do sistema Ics. que se acha condensada no sintoma.
Quanto à neurose obsessiva, só precisamos acrescentar às observações formuladas no artigo anterior [ver em [1] e segs.] que é aqui que a anticatexia proveniente do sistema Cs. se coloca da forma mais conspícua no primeiro plano. É isso que, organizado como uma formação de reação, provoca a primeira repressão, constituindo depois o ponto no qual a idéia reprimida irrompe. Podemos aventurar a suposição de que é devido à predominância da anticatexia e à ausência de descarga que o trabalho de repressão parece muito menos bem-sucedido na histeria de ansiedade e na neurose obsessiva do que na histeria de conversão.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a consumação da pesquisa psicanalítica se efetuará quando tivermos conseguido descrever um processo psíquico em seus aspectos dinâmico, topográfico e econômico, e passemos a nos referir a isso como uma apresentação metapsicológica.
Esforcemo-nos tentativamente por apresentar uma descrição metapsicológica do processo de repressão nas três neuroses de transferência que nos são familiares. Aqui podemos substituir ‘catexia’ por ‘libido’, porque, como sabemos, estaremos lidando com as vicissitudes dos impulsos sexuais.
Na histeria da ansiedade, uma primeira fase do processo é comumente desprezada e talvez, de fato, passe despercebida; mediante detida observação, contudo, ela pode ser claramente discernida. Consiste no surgimento da ansiedade sem que o indivíduo saiba o que teme. Devemos supor que determinado impulso amoroso se encontrava presente no Ics., exigindo ser transposto para o sistema Pcs.; mas a catexia a ele dirigida a partir desse último sistema retrai-se do impulso (como se se tratasse de uma tentativa de fuga) e a catexia libidinal inconsciente da idéia rejeitada é descarregada sob a forma de ansiedade.
Por ocasião de uma repetição (caso haja repetição) desse processo, dá-se o primeiro passo no sentido de dominar o desenvolvimento importuno da ansiedade. A catexia [do Pcs.] que entrou em fuga se apega a uma idéia substitutiva - que, por um lado, se relaciona por associação à idéia rejeitada e, por outro, escapa à repressão em vista de sua distância daquela idéia. Essa idéia substitutiva um ‘substituto por deslocamento’ [ver em [1]] - permite que o desenvolvimento, até então desinibido, da ansiedade seja racionalizado. Ela passa a desempenhar o papel de uma anticatexia para o sistema Cs. (Pcs.), protegendo-o contra uma emergência da idéia reprimida no Cs. Por outro lado, é, ou age como se fosse, o ponto de partida para a liberação do afeto revestido de ansiedade, que agora se tornou inteiramente desinibida. A observação clínica revela, por exemplo, que uma criança que sofre de uma fobia animal experimenta ansiedade sob duas condições: em primeiro lugar, quando seu impulso amoroso reprimido se intensifica e, em segundo, quando percebe o animal que teme. A idéia substitutiva atua, no primeiro caso, como um ponto em que há uma passagem através do sistema Ics. para o sistema Cs., e, no outro, como uma fonte auto-suficiente para liberação da ansiedade. A extensa preponderância do sistema Cs. em geral se manifesta no fato de que a primeira dessas duas modalidades de excitação da idéia substitutiva dá cada vez mais lugar à segunda. A criança talvez possa vir a se comportar como se não tivesse absolutamente qualquer predileção pelo pai, tornando-se inteiramente livre dele, e como se seu medo do animal fosse um temor real - exceto, porém, se esse medo do animal, alimentado, como é, a partir de uma fonte instintual inconsciente, mostre ser inexorável e exagerado em face de todas as influências oriundas do sistema Cs. postas em ação, denunciando com isso sua derivação do sistema Ics. - Na segunda fase da histeria de ansiedade, portanto, a anticatexia proveniente do sistema Cs. leva à formação do substituto.
Em breve o mesmo mecanismo encontra nova aplicação. O processo de repressão, como sabemos, ainda não está completo, encontrando uma finalidade posterior na tarefa de inibir o desenvolvimento da ansiedade proveniente do substituto. Isto é alcançado pelo fato de que todo o ambiente associado da idéia substitutiva é catexizado com intensidade especial, exibindo, assim, um elevado grau de sensibilidade à excitação. A excitação de qualquer ponto dessa estrutura externa, dada sua ligação com a idéia substitutiva, deve, inevitavelmente, dar lugar a um ligeiro desenvolvimento da ansiedade; isso passa a ser utilizado como um sinal para inibir, por meio de uma nova fuga da catexia [do Pcs.], o progresso posterior do desenvolvimento da ansiedade. Quanto mais distantes do substituto temido as sensíveis e vigilantes anticatexias estiverem situadas, com maior precisão poderá funcionar o mecanismo destinado a isolar a idéia substitutiva e a protegê-la de novas excitações. Essas precauções, naturalmente, limitam-se a resguardar a idéia substitutiva de excitações que vêm de fora, através da percepção; nunca a protegem da excitação instintual, que alcança a idéia substitutiva a partir da direção de seu elo com a idéia reprimida. Assim, as preocupações não começam a atuar até que o substituto tenha assumido satisfatoriamente a representação do reprimido, e jamais podem atuar de maneira inteiramente fidedigna. A cada aumento da excitação instintual, a muralha protetora em torno da idéia substitutiva deve ser deslocada um pouco mais para fora. À totalidade dessa construção, que é erigida de forma análoga nas demais neuroses, denominamos fobia. A fuga de uma catexia consciente da idéia substitutiva se manifesta nas evitações, nas renúncias e nas proibições, por meio das quais reconhecemos a histeria de ansiedade.
Fazendo um levantamento de todo o processo, podemos dizer que a terceira fase repete o trabalho da segunda numa escala mais ampla. O sistema Cs. se defende agora da ativação da idéia substitutiva por meio de uma anticatexia do seu ambiente, da mesma maneira pela qual, anteriormente, se defendia da emergência da idéia reprimida por meio de uma catexia da idéia substitutiva. Desse modo, prossegue a formação de substitutos por deslocamento. Devemos também acrescentar que, embora o sistema Cs. só disponha, de início, de uma pequena área na qual o impulso instintual reprimido pode irromper, a saber, a idéia substitutiva, em última instância esse enclave da influência inconsciente se estende a toda a estrutura externa fóbica. Além disso, podemos dar ênfase à interessante consideração de que, pondo-se assim em ação todo o mecanismo defensivo, consegue-se projetar para fora o perigo instintual. O ego comporta-se como se o perigo de um desenvolvimento da ansiedade o ameaçasse, não a partir da direção de um impulso instintual, mas da direção de uma percepção, tornando-se assim capaz de reagir contra esse perigo externo através das tentativas de fuga representadas por evitações fóbicas. Nesse processo, a repressão é bem-sucedida num ponto particular: a liberação da ansiedade pode, até certo ponto, ser represada, mas somente à custa de um pesado sacrifício da liberdade pessoal. Via de regra, porém, as tentativas de fuga às exigências do instinto são inúteis, e, apesar de tudo, o resultado da fuga fóbica permanece insatisfatório.
Grande parte daquilo que verificamos na histeria de ansiedade também é válido para as duas outras neuroses, de modo que podemos limitar nosso exame a seus pontos de diferença e ao papel desempenhado pela anticatexia. Na histeria de conversão, a catexia instintual da idéia reprimida converte-se na inervação do sintoma. Até que ponto e em que circunstâncias a idéia inconsciente é esvaziada por essa descarga na inervação, de modo a suspender a pressão que exerce sobre o sistema Cs. - essas e outras perguntas semelhantes devem ser reservadas para uma investigação especial da histeria. Na histeria de conversão o papel desempenhado pela anticatexia proveniente do sistemas Cs. (Pcs.) é nítido e se torna manifesto na formação do sintoma. É a anticatexia que decide em que porção do representante instintual pode concentrar-se toda a catexia do último. A porção assim escolhida para ser um sintoma atende à condição de expressar a finalidade impregnada de desejo do impulso instintual, bem como os esforços defensivos ou punitivos do sistema Cs. na repressão não precisa ser tão grande quanto a mantida, de ambas as direções, como a idéia substitutiva na histeria de ansiedade. Dessa circunstância podemos concluir sem hesitação que a quantidade de energia despendida pelo sistema Cs. na repressão não precisa ser tão grande quanto a energia catexial do sintoma, pois a força da repressão é medida pela quantidade de anticatexia despendida, ao passo que o sintoma é sustentado não somente por essa anticatexia, como também pela catexia instintual oriunda do sistema Ics. que se acha condensada no sintoma.
Quanto à neurose obsessiva, só precisamos acrescentar às observações formuladas no artigo anterior [ver em [1] e segs.] que é aqui que a anticatexia proveniente do sistema Cs. se coloca da forma mais conspícua no primeiro plano. É isso que, organizado como uma formação de reação, provoca a primeira repressão, constituindo depois o ponto no qual a idéia reprimida irrompe. Podemos aventurar a suposição de que é devido à predominância da anticatexia e à ausência de descarga que o trabalho de repressão parece muito menos bem-sucedido na histeria de ansiedade e na neurose obsessiva do que na histeria de conversão.
Mattanó aponta que Freud explica que a consumação da pesquisa psicanalítica se efetuará quando tivermos conseguido descrever um processo psíquico em seus aspectos dinâmico, topográfico e econômico, e passemos a nos referir a isso como uma apresentação metapsicológica.
Esforcemo-nos tentativamente por apresentar uma descrição metapsicológica do processo de repressão nas três neuroses de transferência que nos são familiares. Aqui podemos substituir ‘catexia’ por ‘libido’, porque, como sabemos, estaremos lidando com as vicissitudes dos impulsos sexuais. Contudo para Mattanó devemos também estudar as vicissitudes dos impulsos da comunhão e do exercício da força.
Na histeria da ansiedade, uma primeira fase do processo é comumente desprezada e talvez, de fato, passe despercebida; mediante detida observação, contudo, ela pode ser claramente discernida. Consiste no surgimento da ansiedade sem que o indivíduo saiba o que teme. Devemos supor que determinado impulso amoroso se encontrava presente no Ics., exigindo ser transposto para o sistema Pcs.; mas a catexia a ele dirigida a partir desse último sistema retrai-se do impulso (como se se tratasse de uma tentativa de fuga) e a catexia libidinal, de comunhão e de exercício da força inconsciente da idéia rejeitada é descarregada sob a forma de ansiedade.
Por ocasião de uma repetição (caso haja repetição) desse processo, dá-se o primeiro passo no sentido de dominar o desenvolvimento importuno da ansiedade. A catexia [do Pcs.] que entrou em fuga se apega a uma idéia substitutiva - que, por um lado, se relaciona por associação à idéia rejeitada e, por outro, escapa à repressão em vista de sua distância daquela idéia. Essa idéia substitutiva um ‘substituto por deslocamento’ [ver em [1]] - permite que o desenvolvimento, até então desinibido, da ansiedade seja racionalizado. Ela passa a desempenhar o papel de uma anticatexia para o sistema Cs. (Pcs.), protegendo-o contra uma emergência da idéia reprimida no Cs. Por outro lado, é, ou age como se fosse, o ponto de partida para a liberação do afeto revestido de ansiedade, que agora se tornou inteiramente desinibida. A observação clínica revela, por exemplo, que uma criança que sofre de uma fobia animal experimenta ansiedade sob duas condições: em primeiro lugar, quando seu impulso amoroso reprimido se intensifica e, em segundo, quando percebe o animal que teme, contudo podem haver mais condições como quando o impulso para a comunhão ou fraternidade se intensifica e, em seguida, quando percebe o animal que teme, ou quando o impulso para o exercício da força ou segurança se intensifica e, num segundo momento, quando percebe o animal que teme. A idéia substitutiva atua, no primeiro caso, como um ponto em que há uma passagem através do sistema Ics. para o sistema Cs., e, no outro, como uma fonte auto-suficiente para liberação da ansiedade. A extensa preponderância do sistema Cs. em geral se manifesta no fato de que a primeira dessas duas modalidades de excitação da idéia substitutiva dá cada vez mais lugar à segunda. A criança talvez possa vir a se comportar como se não tivesse absolutamente qualquer predileção pelo pai, tornando-se inteiramente livre dele, e como se seu medo do animal fosse um temor real - exceto, porém, se esse medo do animal, alimentado, como é, a partir de uma fonte instintual inconsciente, mostre ser inexorável e exagerado em face de todas as influências oriundas do sistema Cs. postas em ação, denunciando com isso sua derivação do sistema Ics. - Na segunda fase da histeria de ansiedade, portanto, a anticatexia proveniente do sistema Cs. leva à formação do substituto.
Em breve o mesmo mecanismo encontra nova aplicação. O processo de repressão, como sabemos, ainda não está completo, encontrando uma finalidade posterior na tarefa de inibir o desenvolvimento da ansiedade proveniente do substituto. Isto é alcançado pelo fato de que todo o ambiente associado da idéia substitutiva é catexizado com intensidade especial, exibindo, assim, um elevado grau de sensibilidade à excitação. A excitação de qualquer ponto dessa estrutura externa, dada sua ligação com a idéia substitutiva, deve, inevitavelmente, dar lugar a um ligeiro desenvolvimento da ansiedade; isso passa a ser utilizado como um sinal para inibir, por meio de uma nova fuga da catexia [do Pcs.], o progresso posterior do desenvolvimento da ansiedade. Quanto mais distantes do substituto temido as sensíveis e vigilantes anticatexias estiverem situadas, com maior precisão poderá funcionar o mecanismo destinado a isolar a idéia substitutiva e a protegê-la de novas excitações. Essas precauções, naturalmente, limitam-se a resguardar a idéia substitutiva de excitações que vêm de fora, através da percepção; nunca a protegem da excitação instintual, que alcança a idéia substitutiva a partir da direção de seu elo com a idéia reprimida. Assim, as preocupações não começam a atuar até que o substituto tenha assumido satisfatoriamente a representação do reprimido, e jamais podem atuar de maneira inteiramente fidedigna. A cada aumento da excitação instintual, a muralha protetora em torno da idéia substitutiva deve ser deslocada um pouco mais para fora. À totalidade dessa construção, que é erigida de forma análoga nas demais neuroses, denominamos fobia. A fuga de uma catexia consciente da idéia substitutiva se manifesta nas evitações, nas renúncias e nas proibições, por meio das quais reconhecemos a histeria de ansiedade.
Fazendo um levantamento de todo o processo, podemos dizer que a terceira fase repete o trabalho da segunda numa escala mais ampla. O sistema Cs. se defende agora da ativação da idéia substitutiva por meio de uma anticatexia do seu ambiente, da mesma maneira pela qual, anteriormente, se defendia da emergência da idéia reprimida por meio de uma catexia da idéia substitutiva. Desse modo, prossegue a formação de substitutos por deslocamento. Devemos também acrescentar que, embora o sistema Cs. só disponha, de início, de uma pequena área na qual o impulso instintual reprimido pode irromper, a saber, a idéia substitutiva, em última instância esse enclave da influência inconsciente se estende a toda a estrutura externa fóbica. Além disso, podemos dar ênfase à interessante consideração de que, pondo-se assim em ação todo o mecanismo defensivo, consegue-se projetar para fora o perigo instintual. O ego comporta-se como se o perigo de um desenvolvimento da ansiedade o ameaçasse, não a partir da direção de um impulso instintual, mas da direção de uma percepção, tornando-se assim capaz de reagir contra esse perigo externo através das tentativas de fuga representadas por evitações fóbicas. Nesse processo, a repressão é bem-sucedida num ponto particular: a liberação da ansiedade pode, até certo ponto, ser represada, mas somente à custa de um pesado sacrifício da liberdade pessoal. Via de regra, porém, as tentativas de fuga às exigências do instinto são inúteis, e, apesar de tudo, o resultado da fuga fóbica permanece insatisfatório.
Grande parte daquilo que verificamos na histeria de ansiedade também é válido para as duas outras neuroses, de modo que podemos limitar nosso exame a seus pontos de diferença e ao papel desempenhado pela anticatexia. Na histeria de conversão, a catexia instintual da idéia reprimida converte-se na inervação do sintoma. Até que ponto e em que circunstâncias a idéia inconsciente é esvaziada por essa descarga na inervação, de modo a suspender a pressão que exerce sobre o sistema Cs. - essas e outras perguntas semelhantes devem ser reservadas para uma investigação especial da histeria. Na histeria de conversão o papel desempenhado pela anticatexia proveniente do sistemas Cs. (Pcs.) é nítido e se torna manifesto na formação do sintoma. É a anticatexia que decide em que porção do representante instintual pode concentrar-se toda a catexia do último. A porção assim escolhida para ser um sintoma atende à condição de expressar a finalidade impregnada de desejo do impulso instintual, bem como os esforços defensivos ou punitivos do sistema Cs. na repressão não precisa ser tão grande quanto a mantida, de ambas as direções, como a idéia substitutiva na histeria de ansiedade. Dessa circunstância podemos concluir sem hesitação que a quantidade de energia despendida pelo sistema Cs. na repressão não precisa ser tão grande quanto a energia catexial do sintoma, pois a força da repressão é medida pela quantidade de anticatexia despendida, ao passo que o sintoma é sustentado não somente por essa anticatexia, como também pela catexia instintual oriunda do sistema Ics. que se acha condensada no sintoma.
Quanto à neurose obsessiva, só precisamos acrescentar às observações formuladas no artigo anterior [ver em [1] e segs.] que é aqui que a anticatexia proveniente do sistema Cs. se coloca da forma mais conspícua no primeiro plano. É isso que, organizado como uma formação de reação, provoca a primeira repressão, constituindo depois o ponto no qual a idéia reprimida irrompe. Podemos aventurar a suposição de que é devido à predominância da anticatexia e à ausência de descarga que o trabalho de repressão parece muito menos bem-sucedido na histeria de ansiedade e na neurose obsessiva do que na histeria de conversão. Vemos que a descarga da tensão e a sua descarga juntamente com a anticatexia leva ao trabalho de repressão na histeria de ansiedade e na neurose obsessiva produzindo significados e sentidos, conceitos, contextos, funcionalidades, literalidade, razões e controle, argumentação e linguagem, comportamento verbal, parapraxias que colaboram para o sucesso deste trabalho de repressão, enquanto que na histeria de conversão o trabalho de conversão parece estar mal-sucedido, mesmo produzindo significados e sentidos, conceitos, contextos, funcionalidades, literalidade, razões e controle, argumentação e linguagem, comportamento verbal, parapraxias que reforçam esta operação mal-sucedida.
MATTANÓ
(02/02/2026)
SOBRE AS PRELIMINARES SEXUAIS (2026):
Mattanó aponta que as músicas sempre foram parte dos ritos nas preliminares sexuais e que agora estão tomadas de contingências explícitas, de lavagem cerebral, de despersonalização, de tortura, de extorsão, de vingança, de estupro e de estupro coletivo bem como na modalidade virtual, de voyeurismo, de linguagem sexista, de lascívia,de atentado violento ao pudor, de ato obsceno, de ato libidinoso, de corrupção de menores de 14 anos de idade, de pedofilia, de corrupção, de violência, de abuso de incapazes, de exploração sexual, de assédio moral e sexual, de violência patrimonial, de loucura, de conflitos e de guerras promovidas por questões que antes eram normais, mas que agora devido a contaminação dos ritos preliminares do amor e do sexo se tornaram um problema, uma adversidade colossal. Mas que podem ser ressignificadas, pois dependem diretamente do estímulo e das regras; sabemos que o estímulo não é necessariamente o conteúdo do inconsciente, pois ele pode ser inserido e manipulado através das regras, e a sua metáfora também não segue necessariamente o estímulo, pois pode ser mudada por meio da ressignificação, mesmo que este processo seja difícil e e custoso para o paciente e leve bastante tempo como no caso das preliminares sexuais com a lavagem cerebral e a despersonalização através das ideias e teorias da pulsão auditiva de Mattanó de 1995, que são muito resistentes de serem mudadas, tanto psicológica quanto comportamentalmente, e devolvidas ao estado de normalidade, pois podem gerar aversão ao sexo e transtornos sexuais como a impotência que se transforma num asilo seguro para o transtornado, como uma defesa psíquica e comportamental que justifique seu isolamento, ocasionando tratamento adicional, para o seu novo problema se ele estiver lhe causando prejuízos psicológicos e comportamentais, inclusive sociais.
MATTANÓ
(03/02/2026)
V - AS CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS DO SISTEMA Ics.
A distinção que estabelecemos entre os dois sistemas psíquicos ganha novo significado quando observamos que os processos em um dos sistemas, o Ics., apresentam características que não tornamos a encontrar no sistema imediatamente acima dele.
O núcleo do Ics. consiste em representantes instintuais que procuram descarregar sua catexia; isto é, consiste em impulsos carregados de desejo. Esses impulsos instintuais são coordenados entre si, existem lado a lado sem se influenciarem mutuamente, e estão isentos de contradição mútua. Quando dois impulsos carregados de desejo, cujas finalidades são aparentemente incompatíveis, se tornam simultaneamente ativos, um dos impulsos não reduz ou cancela o outro, mas os dois se combinam para formar uma finalidade intermediária, um meio-termo.
Não há nesse sistema lugar para negação, dúvida ou quaisquer graus de certeza: tudo isso só é introduzido pelo trabalho da censura entre o Ics. e o Pcs. A negação é um substituto, em grau mais elevado, da repressão. No Ics. só existem conteúdos catexizados com maior ou menor força.
As intensidades catexiais [no Ics.] são muito mais móveis. Pelo processo de deslocamento uma idéia pode ceder a outra toda a sua quota de catexia; pelo processo de condensação pode apropriar-se de toda a catexia de várias outras idéias. Propus que esses dois processos fossem considerados como marcos distintivos do assim denominado processo psíquico primário. No sistema Pcs. o processo secundário é dominante. Quando se permite que um processo primário siga seu curso em conexão com elementos que pertencem ao sistema Pcs., ele parece ‘cômico’ e provoca o riso.
Os processos do sistema Ics. são intemporais; isto é, não são ordenados temporalmente, não se alteram com a passagem do tempo; não têm absolutamente qualquer referência ao tempo. A referência ao tempo vincula-se, mais uma vez, ao trabalho do sistema Cs.
Do mesmo modo os processos Ics. dispensam pouca atenção à realidade. Estão sujeitos ao princípio do prazer; seu destino depende apenas do grau de sua força e do atendimento às exigências da regulação prazer-desprazer.
Resumindo: a isenção de contradição mútua, o processo primário (mobilidade das catexias), a intemporalidade e a substituição da realidade externa pela psíquica - tais são as características que podemos esperar encontrar nos processos pertencentes ao sistema Ics.
Os processos inconscientes se tornam cognoscíveis por nós sob as condições de sonho e neurose - vale dizer, quando os processos do sistema Pcs., mais elevado, são levados de volta a uma fase anterior, a um nível mais baixo (pela regressão). Por si sós não são percebidos; na realidade, são até mesmo incapazes de conduzir sua existência, pois o sistema Ics. se acha muito prematuramente sobrecarregado pelo Pcs. que ganhou acesso à consciência e à motilidade. A descarga do sistema Ics. passa a inervação somática, que leva ao desenvolvimento do afeto; mas mesmo esse caminho da descarga é, conforme já vimos [ver em [1] e segs.], contestado pelo Pcs. Por si só, o sistema Ics. não seria capaz, em condições normais, de provocar quaisquer atos musculares adequados, à exceção dos já organizados como reflexos.
Só poderíamos apreciar a importância total das características do sistema Ics. acima descritas contrastando-as e comparando-as com as do sistema Pcs. Mas isso nos levaria para tão longe, que proponho que paremos mais uma vez e só empreendamos a comparação dos dois quando pudermos fazê-lo em relação com nossa apreciação do sistema mais elevado. Apenas os pontos mais prementes serão mencionados nessa fase.
Os processos do sistema Pcs. exibem - não importando se já são conscientes ou somente capazes de se tornarem conscientes - uma inibição da tendência de idéias catexizadas à descarga. Quando um processo passa de uma idéia para outra, a primeira idéia conserva uma parte de sua catexia e apenas uma pequena parcela é submetida a deslocamento. Os deslocamentos e as condensações, tais como ocorrem no processo primário, são excluídos ou bastante restringidos. Essa circunstância levou Breuer a presumir a existência de dois estados diferentes de energia catexial na vida mental: um em que a energia se acha tonicamente ‘vinculada’ e outro no qual é livremente móvel e pressiona no sentido da descarga. Em minha opinião, essa distinção representa a compreensão interna (insight) mais profunda que alcançamos até agora a respeito da natureza da energia nervosa, e não vejo como podemos evitar fazê-la. Uma apresentação metapsicológica exigiria com a máxima urgência um exame ulterior desse ponto, embora, talvez, isso fosse ainda um empreendimento muito ousado.
Além disso, cabe ao sistema Pcs. efetuar a comunicação possível entre os diferentes conteúdos ideacionais de modo que possam influenciar uns aos outros, a fim de dar-lhes uma ordem no tempo e estabelecer uma censura ou várias censuras; também o ‘teste da realidade’, bem como o princípio de realidade, se encontram em seu domínio. A lembrança consciente, outrossim, parece depender inteiramente do Pcs. Isso deve ser claramente distinguido dos traços de memória nos quais se fixam as experiências do Ics., correspondendo provavelmente a um registro especial como o que propusemos (e depois rejeitamos) para explicar a relação entre as idéias conscientes e as inconscientes [ver em [1] e segs.]. Nesse sentido, também, encontramos meios para pôr termo a nossas oscilações quanto à designação do sistema mais elevado - sobre o qual até agora nos referimos de maneira indiferente, às vezes como Pcs., às vezes como Cs.
A essa altura, também não será fora de propósito fazer uma advertência contra qualquer generalização apressada a respeito do que trouxemos à luz no tocante à distribuição das várias funções mentais entre os dois sistemas. Estamos descrevendo o estado de coisas tal como aparece no ser humano adulto, no qual o sistema Ics. só atua, rigorosamente falando, como uma fase preliminar da organização mais elevada. Qual é o conteúdo e quais são as ligações desse sistema durante o desenvolvimento do indivíduo, e, ainda, qual a importância que possui nos animais - são questões sobre as quais não se pode deduzir qualquer conclusão a partir de nossa descrição: devem ser investigadas independentemente. Além disso, devemos estar preparados para encontrar nos seres humanos possíveis condições patológicas sob as quais os dois sistemas alteram, ou mesmo permutam, tanto seu conteúdo como suas características.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que as intensidades catexiais [no Ics.] são muito mais móveis. Pelo processo de deslocamento uma idéia pode ceder a outra toda a sua quota de catexia; pelo processo de condensação pode apropriar-se de toda a catexia de várias outras idéias. Propus que esses dois processos fossem considerados como marcos distintivos do assim denominado processo psíquico primário. No sistema Pcs. o processo secundário é dominante. Quando se permite que um processo primário siga seu curso em conexão com elementos que pertencem ao sistema Pcs., ele parece ‘cômico’ e provoca o riso.
Os processos do sistema Ics. são intemporais; isto é, não são ordenados temporalmente, não se alteram com a passagem do tempo; não têm absolutamente qualquer referência ao tempo. A referência ao tempo vincula-se, mais uma vez, ao trabalho do sistema Cs.
Do mesmo modo os processos Ics. dispensam pouca atenção à realidade. Estão sujeitos ao princípio do prazer; seu destino depende apenas do grau de sua força e do atendimento às exigências da regulação prazer-desprazer.
Os processos inconscientes se tornam cognoscíveis por nós sob as condições de sonho e neurose - vale dizer, quando os processos do sistema Pcs., mais elevado, são levados de volta a uma fase anterior, a um nível mais baixo (pela regressão). Por si sós não são percebidos; na realidade, são até mesmo incapazes de conduzir sua existência, pois o sistema Ics. se acha muito prematuramente sobrecarregado pelo Pcs. que ganhou acesso à consciência e à motilidade. A descarga do sistema Ics. passa a inervação somática, que leva ao desenvolvimento do afeto; mas mesmo esse caminho da descarga é, conforme já vimos [ver em [1] e segs.], contestado pelo Pcs. Por si só, o sistema Ics. não seria capaz, em condições normais, de provocar quaisquer atos musculares adequados, à exceção dos já organizados como reflexos.
Os processos do sistema Pcs. exibem - não importando se já são conscientes ou somente capazes de se tornarem conscientes - uma inibição da tendência de idéias catexizadas à descarga. Quando um processo passa de uma idéia para outra, a primeira idéia conserva uma parte de sua catexia e apenas uma pequena parcela é submetida a deslocamento. Os deslocamentos e as condensações, tais como ocorrem no processo primário, são excluídos ou bastante restringidos. Essa circunstância levou Breuer a presumir a existência de dois estados diferentes de energia catexial na vida mental: um em que a energia se acha tonicamente ‘vinculada’ e outro no qual é livremente móvel e pressiona no sentido da descarga. Em minha opinião, essa distinção representa a compreensão interna (insight) mais profunda que alcançamos até agora a respeito da natureza da energia nervosa, e não vejo como podemos evitar fazê-la. Uma apresentação metapsicológica exigiria com a máxima urgência um exame ulterior desse ponto, embora, talvez, isso fosse ainda um empreendimento muito ousado.
Além disso, cabe ao sistema Pcs. efetuar a comunicação possível entre os diferentes conteúdos ideacionais de modo que possam influenciar uns aos outros, a fim de dar-lhes uma ordem no tempo e estabelecer uma censura ou várias censuras; também o ‘teste da realidade’, bem como o princípio de realidade, se encontram em seu domínio. A lembrança consciente, outrossim, parece depender inteiramente do Pcs. Isso deve ser claramente distinguido dos traços de memória nos quais se fixam as experiências do Ics., correspondendo provavelmente a um registro especial como o que propusemos (e depois rejeitamos) para explicar a relação entre as idéias conscientes e as inconscientes [ver em [1] e segs.]. Nesse sentido, também, encontramos meios para pôr termo a nossas oscilações quanto à designação do sistema mais elevado - sobre o qual até agora nos referimos de maneira indiferente, às vezes como Pcs., às vezes como Cs.
A essa altura, também não será fora de propósito fazer uma advertência contra qualquer generalização apressada a respeito do que trouxemos à luz no tocante à distribuição das várias funções mentais entre os dois sistemas. Estamos descrevendo o estado de coisas tal como aparece no ser humano adulto, no qual o sistema Ics. só atua, rigorosamente falando, como uma fase preliminar da organização mais elevada. Qual é o conteúdo e quais são as ligações desse sistema durante o desenvolvimento do indivíduo, e, ainda, qual a importância que possui nos animais - são questões sobre as quais não se pode deduzir qualquer conclusão a partir de nossa descrição: devem ser investigadas independentemente. Além disso, devemos estar preparados para encontrar nos seres humanos possíveis condições patológicas sob as quais os dois sistemas alteram, ou mesmo permutam, tanto seu conteúdo como suas características.
Mattanó aponta que as intensidades catexiais [no Ics.] são muito mais móveis. Pelo processo de deslocamento uma idéia pode ceder a outra toda a sua quota de catexia; pelo processo de condensação pode apropriar-se de toda a catexia de várias outras idéias. Propus que esses dois processos fossem considerados como marcos distintivos do assim denominado processo psíquico primário. No sistema Pcs. o processo secundário é dominante. Quando se permite que um processo primário siga seu curso em conexão com elementos que pertencem ao sistema Pcs., ele parece ‘cômico’ e provoca o riso. Vemos que no processo primário o imaginário se destaca se deslocando de catexia para outra catexia ou para toda a catexia de várias outras catexias.
Os processos do sistema Ics. são intemporais; isto é, não são ordenados temporalmente, não se alteram com a passagem do tempo; não têm absolutamente qualquer referência ao tempo. A referência ao tempo vincula-se, mais uma vez, ao trabalho do sistema Cs. Vemos que a referência de tempo depende da consciência, da cultura, do conhecimento e da realidade e não do inconsciente que tem seus processos intemporais.
Do mesmo modo os processos Ics. dispensam pouca atenção à realidade. Estão sujeitos ao princípio do prazer; seu destino depende apenas do grau de sua força e do atendimento às exigências da regulação prazer-desprazer. Vemos que os processos do inconsciente dispensam à realidade, a consciência, a cultura e o conhecimento, norteando-se somente pela regulação de sua homeostase, através do prazer-desprazer.
Os processos inconscientes se tornam cognoscíveis por nós sob as condições de sonho e neurose - vale dizer, quando os processos do sistema Pcs., mais elevado, são levados de volta a uma fase anterior, a um nível mais baixo (pela regressão). Por si sós não são percebidos; na realidade, são até mesmo incapazes de conduzir sua existência, pois o sistema Ics. se acha muito prematuramente sobrecarregado pelo Pcs. que ganhou acesso à consciência e à motilidade. A descarga do sistema Ics. passa a inervação somática, que leva ao desenvolvimento do afeto; mas mesmo esse caminho da descarga é, conforme já vimos [ver em [1] e segs.], contestado pelo Pcs. Por si só, o sistema Ics. não seria capaz, em condições normais, de provocar quaisquer atos musculares adequados, à exceção dos já organizados como reflexos. Vemos que os processos inconscientes dispensam conhecimento, cultura, realidade e consciência, porém tornam-se inteligíveis através do sonho e da neurose e da psicanálise que utiliza a regressão e a associação livre. O inconsciente sempre está sobrecarregado pelo pré-consciente que ganha acesso à consciência e a resposta motora através dos músculos, inclusive ao desenvolvimento dos afetos.
Os processos do sistema Pcs. exibem - não importando se já são conscientes ou somente capazes de se tornarem conscientes - uma inibição da tendência de idéias catexizadas à descarga. Quando um processo passa de uma idéia para outra, a primeira idéia conserva uma parte de sua catexia e apenas uma pequena parcela é submetida a deslocamento. Os deslocamentos e as condensações, tais como ocorrem no processo primário, são excluídos ou bastante restringidos. Essa circunstância levou Breuer a presumir a existência de dois estados diferentes de energia catexial na vida mental: um em que a energia se acha tonicamente ‘vinculada’ e outro no qual é livremente móvel e pressiona no sentido da descarga. Em minha opinião, essa distinção representa a compreensão interna (insight) mais profunda que alcançamos até agora a respeito da natureza da energia nervosa, e não vejo como podemos evitar fazê-la. Uma apresentação metapsicológica exigiria com a máxima urgência um exame ulterior desse ponto, embora, talvez, isso fosse ainda um empreendimento muito ousado. Vemos que as ideias ou o imaginário exibe suas ideias catexizadas à descarga através de um processo que passa de uma ideia para outra, onde a primeira ideia conserva uma parte da sua catexia e apenas uma pequena quantidade dessa catexia é submetida ao deslocamento. Freud explica que os deslocamentos e as condensações no pré-consciente, tais como ocorrem no processo primário, são excluídos ou bastante restringidos.
Além disso, cabe ao sistema Pcs. efetuar a comunicação possível entre os diferentes conteúdos ideacionais de modo que possam influenciar uns aos outros, a fim de dar-lhes uma ordem no tempo e estabelecer uma censura ou várias censuras; também o ‘teste da realidade’, bem como o princípio de realidade, se encontram em seu domínio. A lembrança consciente, outrossim, parece depender inteiramente do Pcs. Isso deve ser claramente distinguido dos traços de memória nos quais se fixam as experiências do Ics., correspondendo provavelmente a um registro especial como o que propusemos (e depois rejeitamos) para explicar a relação entre as idéias conscientes e as inconscientes [ver em [1] e segs.]. Nesse sentido, também, encontramos meios para pôr termo a nossas oscilações quanto à designação do sistema mais elevado - sobre o qual até agora nos referimos de maneira indiferente, às vezes como Pcs., às vezes como Cs. Vemos que cabe ao sistema pré-consciente estabelecer a comunicação entre os conteúdos ideacionais ou do imaginário, para que possa se estabelecer uma censura e uma ordem no tempo, um teste de realidade, bem como se faz com o princípio de realidade que se encontra em seu domínio. Nesse sentido referimo-nos de maneira indiferente, às vezes como pré-consciente e outras vezes como consciente à estes conteúdos ideacionais.
A essa altura, também não será fora de propósito fazer uma advertência contra qualquer generalização apressada a respeito do que trouxemos à luz no tocante à distribuição das várias funções mentais entre os dois sistemas. Estamos descrevendo o estado de coisas tal como aparece no ser humano adulto, no qual o sistema Ics. só atua, rigorosamente falando, como uma fase preliminar da organização mais elevada. Qual é o conteúdo e quais são as ligações desse sistema durante o desenvolvimento do indivíduo, e, ainda, qual a importância que possui nos animais - são questões sobre as quais não se pode deduzir qualquer conclusão a partir de nossa descrição: devem ser investigadas independentemente. Além disso, devemos estar preparados para encontrar nos seres humanos possíveis condições patológicas sob as quais os dois sistemas alteram, ou mesmo permutam, tanto seu conteúdo como suas características. Vemos que estamos nos primórdios destes estudos sobre estes dois sistemas e devemos instigar outros cientistas, acadêmicos, estudiosos e pesquisadores a investirem no conteúdo destes dois sistemas, seja no Homo Sapiens ou em outro animal que se possa deduzir sua existência e funcionamento.
MATTANÓ
(03/02/2026)
SOBRE A PULSÃO AUDITIVA (2026):
Mattanó aponta que a criança ao nascer e até os dois anos de idade é incapaz de significar e de dar sentido as suas representações mentais, comportamentais e cognitivas, que a sua inteligência é apenas constituída de elementos sensoriais e motores, e de repertórios comportamentais básicos que vão se desenvolvendo e amadurecendo conforme seu crescimento, eles, a imitação, a atenção, o controle e a discriminação e que essa pulsão auditiva se desenvolve paralelamente a pulsão oral, entre o nascimento e os dois anos de idade e que da mesma forma a criança ainda é incapaz de significar e de dar sentido as suas representações, sejam elas passivas ou ativas (de quem aceita tudo ou tem uma atitude canibalesca), assim o processo de aprendizagem é progressivo e desenvolvimentista, onde a criança adquire primeiro um comportamento básico para enriquecê-lo com outro e assim por diante, de modo a complexificá-lo, tanto sensorialmente, motoramente, quanto cognitivamente, verbalmente e socialmente, de tal modo que vai construindo seus caminhos cognitivos e o seu mapa cerebral ou mapa cognitivo, inclusive seu GPS da personalidade que a guiará em suas escolhas e decisões ao longo de sua vida, pois adquirirá núcleos ou marcas inconscientes que tem a propriedade de estarem condensados e de estarem associados uns aos outros por equivalências de estímulos que deslocam seu ¨holofote¨ diante do imenso inconsciente, todo escuro e que guarda toda a informação possível individual e coletiva sobre você e sua espécie que será trazida à luz da consciência pelo ¨holofote¨, este deslocamento obedece às leis da equivalência de estímulos, da reflexividade, da simetria e da transitividade, onde um objeto A corresponde a outro objeto A (no caso da reflexividade), um objeto A corresponde a outro objeto B e este objeto B corresponde ao objeto A (no caso da simetria), e um objeto A corresponde a outro objeto B e a outro objeto C e então emerge a relação do objeto B para o objeto C (no caso da transitividade). A mente e o comportamento da criança vão se formando e se desenvolvendo conforme estas leis e também segundo a mielinização dos neurônios, que são os grandes responsáveis pelo desenvolvimento cognitivo das crianças, e incluímos no desenvolvimento cognitivo o desenvolvimento psicossexual, reconstruindo sua leitura e sua abordagem teórica, visto que não existe sexualidade infantil. A sexualidade é vivida, desenvolvida e representada a partir da puberdade e dos 14 anos de idade, convencionalmente.
MATTANÓ
(04/02/2026)
MENSAGEM DE NOSSA SENHORA RAINHA DO AMOR PARA O SEU AMOR EM 04 DE FEVEREIRO DE 2026 EM LONDRINA/PR/BRASIL ÀS 09HO5:
¨Deus Pai é um Universo que gerou um Filho, um outro Universo, ele, Jesus Cristo e o Seu Amor, que são Um Só, por isso este Universo e tudo o que existe nele é Amor, é fruto do Amor.¨
INTERPRETAÇÃO
Deus Pai, Jesus Cristo e o Seu Amor são dois Universos, e são Três Pessoas, Três Homens que existem e fazem a existência através do Amor, que é Um Só e em Quatro Formas, pois inclui a Virgem Maria ou a Rainha do Amor.
Osny Mattanó Júnior
Londrina, 04 de fevereiro de 2026.
MATTANÓ
(04/02/2026)
VI - COMUNICAÇÃO ENTRE OS DOIS SISTEMAS
Seria não obstante errôneo imaginar que o Ics. permanece em repouso enquanto todo o trabalho da mente é realizado pelo Pcs. - que o Ics. é algo liquidado, um órgão vestigial, um resíduo do processo de desenvolvimento. Também é errôneo supor que a comunicação entre os dois sistemas se acha confinada ao ato de repressão, com o Pcs. lançando tudo que lhe parece perturbador no abismo do Ics. Pelo contrário, o Ics. permanece vivo e capaz de desenvolvimento, mantendo grande número de outras relações com o Pcs., entre as quais a da cooperação. Em suma, deve-se dizer que o Ics. continua naquilo que conhecemos como derivados, que é acessível às impressões da vida, que influencia constantemente o Pcs., e que, por sua vez, está inclusive sujeito à influência do Pcs.
O estudo dos derivados do Ics. desapontará inteiramente nossas expectativas quanto a uma distinção esquematicamente nítida entre os dois sistemas psíquicos. Isso, sem dúvida, provocará insatisfação no que diz respeito a nossos resultados e, provavelmente, será utilizado para lançar dúvidas sobre o valor do modo pelo qual dividimos os processos psíquicos. Respondemos, porém, que não temos outra finalidade senão a de traduzir em teoria os resultados da observação, e negamos que haja qualquer obrigação de nossa parte de alcançar em nossa primeira tentativa uma teoria completa que se recomende por sua simplicidade. Defenderemos as complicações de nossa teoria enquanto verificarmos que atendem aos resultados da observação, e não abandonaremos nossas expectativas quanto a chegarmos, no final, por meio dessas próprias complicações, à descoberta de um estado de coisas que, embora simples em si, possa explicar todas as complicações da realidade.
Entre os derivados dos impulsos instintuais do Ics., do tipo que descrevemos, existem alguns que reúnem em si características de uma espécie oposta. Por um lado, são altamente organizados, livres de autocontradição, tendo usado todas as aquisições do sistema Cs., dificilmente distinguindo-se, a nosso ver, das formações daquele sistema. Por outro, são inconscientes e incapazes de se tornarem conscientes. Assim, qualitativamente pertencem ao sistema Pcs., mas factualmente, ao Ics. É sua origem que decide seu destino. Podemos compará-los a indivíduos de raça mestiça que, num apanhado geral, se assemelham a brancos, mas que traem sua ascendência de cor por uma ou outra característica marcante, sendo, por causa disso, excluídos da sociedade, deixando de gozar dos privilégios dos brancos. Essa é a natureza das fantasias de pessoas normais, bem como de neuróticas, fantasias que reconhecemos como sendo etapas preliminares da formação tanto dos sonhos como dos sintomas e que, apesar de seu alto grau de organização, permanecem reprimidas, não podendo, portanto, tornar-se conscientes. Aproximam-se da consciência e permanecem imperturbadas enquanto não dispõem de uma catexia intensa, mas, tão longo excedem certo grau de catexia, são lançadas para trás. As formações substitutivas também são derivados altamente organizados do Ics. desse tipo; mas, em circunstâncias favoráveis, conseguem irromper até a consciência - por exemplo, caso unam suas forças com uma anticatexia proveniente do Pcs.
Quando, em outro lugar, examinarmos mais detidamente as precondições para se tornarem conscientes, seremos capazes de encontrar uma solução para algumas das dificuldades que surgem nesse ponto. No presente momento, parece um bom plano olhar as coisas sob o ângulo da consciência, em contraste com nossa abordagem prévia, que ascendia a partir do Ics. Para a consciência, toda a soma dos processos psíquicos se apresenta como o domínio do pré-consciente. Grande parte desse pré-consciente origina-se no inconsciente, tem a natureza dos seus derivados e está sujeita a censura antes de poder tornar-se consciente. Outra parte do Pcs. é capaz de se tornar consciente sem qualquer censura. Aqui, chegamos a uma contradição de uma suposição anterior. Ao ventilarmos o assunto da repressão fomos obrigados a situar a censura, que é decisiva para o processo de conscientização, entre os sistemas Ics. e Pcs. [ver em [1]]. Agora, passa a ser provável que haja uma censura entre o Pcs. e o Cs. Não obstante, faremos bem em não considerarmos essa complicação como uma dificuldade, mas em presumirmos que, a cada transição de um sistema para o que se encontra imediatamente acima dele (isto é, cada passo no sentido de uma etapa mais elevada da organização psíquica), corresponde uma nova censura. Isso, pode-se observar, elimina a suposição de uma armazenagem contínua de novos registros [ver em [1]].
A razão de ser de todas essas dificuldades reside na circunstância de que o atributo de ser consciente, única característica dos processos psíquicos que nos é diretamente apresentada, de forma alguma se presta a servir de critério para a diferenciação de sistemas. [ver em [1], acima.] Independentemente do fato de o consciente nem sempre ser consciente, mas também às vezes latente, a observação tem demonstrado que grande parte daquilo que partilha das características do sistema Pcs. não se torna consciente; além disso, sabemos que o ato de se tornar consciente depende de que a atenção do Pcs. esteja voltada para certas direções. Por isso a consciência não se situa numa relação simples, quer com os diferentes sistemas, quer com a repressão. A verdade é que não é apenas o psiquicamente reprimido que permanece alheio à consciência, mas também alguns dos impulsos que dominam nosso ego - algo, portanto, que forma a mais forte das antíteses funcionais ao reprimido. Quanto mais procuramos encontrar nosso caminho para uma concepção metapsicológica da vida mental, mais devemos aprender a nos emancipar da importância do sistema de ‘ser consciente’.
Enquanto ainda nos apegarmos a essa crença, veremos nossas generalizações regularmente desfeitas por exceções. Por um lado, verificamos que derivados do Ics. se tornam conscientes na qualidade de formações e sintomas substitutivos - em geral, é verdade, depois de terem sofrido grande distorção em confronto com o inconsciente, embora conservando freqüentemente muitas características que exigem repressão. Por outro lado, verificamos que numerosas formações pré-conscientes permanecem inconscientes, embora devêssemos esperar que, por sua natureza, pudessem muito bem ter-se tornado conscientes. Provavelmente, no último caso a atração mais forte do Ics. está-se afirmando. Somos levados a procurar a distinção mais importante como estando situada, não entre o consciente e o pré-consciente, mas entre o pré-consciente e o inconsciente. O Ics. é rechaçado, na fronteira do Pcs., pela censura, mas os derivados do Ics. podem contornar essa censura, atingir um alto grau de organização e alcançar certa intensidade de catexia no Pcs. Quando, contudo, essa intensidade é ultrapassada e eles tentam forçar sua passagem para a consciência, são reconhecidos como derivados do Ics. e outra vez reprimidos na fronteira da censura, entre o Pcs. e o Cs. Assim, a primeira dessas censuras é exercida contra o próprio Ics., e a segunda, contra os seus derivados do Pcs. Poder-se-ia supor que no decorrer do desenvolvimento individual a censura deu um passo à frente.
No tratamento psicanalítico fica provada, sem sombra de dúvida, a existência da segunda censura, localizada entre os sistemas Pcs. e Cs. Pedimos ao paciente que forme numerosos derivados do Ics., fazemos com que ele se comprometa a superar as objeções da censura a essas formações pré-conscientes que se tornam conscientes, e, pondo abaixo essa censura, desbravamos o caminho para ab-rogação da repressão realizada pela anterior. A isso acrescentemos que a existência da censura entre o Pcs e o Cs. nos ensina que o tornar-se consciente não constitui um mero ato de percepção, sendo provavelmente também uma hipercatexia, um avanço ulterior na organização psíquica.
Voltemos às comunicações entre o Ics. e os outros sistemas, menos para estabelecer algo de novo do que para evitar a omissão daquilo que é mais proeminente. Nas raízes da atividade instintual, os sistemas se comunicam entre si mais extensivamente. Uma parcela dos processos que lá são excitados passa através do Ics., como que por uma etapa preparatória e atinge o desenvolvimento psíquico mais elevado no Cs.; outra parcela é retida como Ics. Mas o Ics. é também afetado por experiências oriundas da percepção externa. Normalmente, todos os caminhos desde a percepção até o Ics. permanecem abertos e só os que partem do Ics. estão sujeitos ao bloqueio pela repressão.
Constitui fato marcante que o Ics. de um ser humano possa reagir ao de outro, sem passar através do Cs. Isso merece uma investigação mais detida, principalmente com o fim de descobrir se podemos excluir a atividade pré-consciente do desempenho de um papel nesse caso; descritivamente falando, porém, o fato é incontestável. [Cf. um exemplo disso em Freud, 1913i.]
O conteúdo do sistema Pcs. (ou Cs.) deriva em parte da vida instintual (por intermédio do Ics.) e em parte da percepção. Desconhecemos até que ponto os processos desse sistema podem exercer influência direta sobre o Ics.; o exame de casos patológicos muitas vezes revela uma incrível independência e uma falta de suscetibilidade à influência por parte do Ics. Uma completa divergência de suas tendências, uma total separação dos dois sistemas, é o que acima de tudo caracteriza uma condição de doença. Não obstante, o tratamento psicanalítico se baseia numa influência do Ics. a partir da direção do Cs., e pelo menos demonstra que, embora se trate de uma tarefa laboriosa, não é impossível. Os derivados do Ics. que agem como intermediários entre os dois sistemas desvendam o caminho, conforme já dissemos [ver em [1]], para que isso se realize. Contudo, podemos presumir com segurança que uma alteração espontaneamente efetuada no Ics. a partir da direção do Cs. constitui um processo difícil e lento.
A cooperação entre um impulso pré-consciente e um inconsciente, mesmo quando o segundo é intensamente reprimido, pode ocorrer caso haja uma situação na qual o impulso inconsciente possa atuar no mesmo sentido que um impulso de uma das tendências dominantes. Nessa circunstância, a repressão é removida e a atividade reprimida é admitida como reforço da atividade pretendida pelo ego. O inconsciente torna-se ego-sintônico no tocante a essa conjunção isolada, sem que ocorra qualquer outra modificação em sua repressão. Nessa cooperação, a influência do Ics.é inconfundível: as tendências reforçadas se revelam como sendo, não obstante, diferente do normal; possibilitam um funcionamento especialmente perfeito e manifestam, em face da oposição, uma resistência semelhante à oferecida por exemplo, pelos sintomas obsessivos.
O conteúdo do Ics, pode ser comparado à presença de uma população aborígine na mente. Se existem no ser humano formações mentais herdadas - algo análogo ao instinto nos animais -, elas constituem o núcleo do Ics. Depois, junta-se a elas o que foi descartado durante o desenvolvimento da infância como sendo inútil; e isso não precisa diferir, em sua natureza, daquilo que é herdado. Em geral, uma divisão acentuada e final entre o conteúdo dos dois sistemas não ocorre até a puberdade.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o Ics. permanece vivo e capaz de desenvolvimento, mantendo grande número de outras relações com o Pcs., entre as quais a da cooperação. Em suma, deve-se dizer que o Ics. continua naquilo que conhecemos como derivados, que é acessível às impressões da vida, que influencia constantemente o Pcs., e que, por sua vez, está inclusive sujeito à influência do Pcs.
Entre os derivados dos impulsos instintuais do Ics., do tipo que descrevemos, qualitativamente pertencem ao sistema Pcs., mas factualmente, ao Ics. É sua origem que decide seu destino. Podemos compará-los a indivíduos de raça mestiça que, num apanhado geral, se assemelham a brancos, mas que traem sua ascendência de cor por uma ou outra característica marcante, sendo, por causa disso, excluídos da sociedade, deixando de gozar dos privilégios dos brancos. Essa é a natureza das fantasias de pessoas normais, bem como de neuróticas, fantasias que reconhecemos como sendo etapas preliminares da formação tanto dos sonhos como dos sintomas e que, apesar de seu alto grau de organização, permanecem reprimidas, não podendo, portanto, tornar-se conscientes. Aproximam-se da consciência e permanecem imperturbadas enquanto não dispõem de uma catexia intensa, mas, tão longo excedem certo grau de catexia, são lançadas para trás. As formações substitutivas também são derivados altamente organizados do Ics. desse tipo; mas, em circunstâncias favoráveis, conseguem irromper até a consciência - por exemplo, caso unam suas forças com uma anticatexia proveniente do Pcs.
Quando, em outro lugar, examinarmos mais detidamente as precondições para se tornarem conscientes, seremos capazes de encontrar uma solução para algumas das dificuldades que surgem nesse ponto. No presente momento, parece um bom plano olhar as coisas sob o ângulo da consciência, em contraste com nossa abordagem prévia, que ascendia a partir do Ics. Para a consciência, toda a soma dos processos psíquicos se apresenta como o domínio do pré-consciente. Grande parte desse pré-consciente origina-se no inconsciente, tem a natureza dos seus derivados e está sujeita a censura antes de poder tornar-se consciente. Outra parte do Pcs. é capaz de se tornar consciente sem qualquer censura. Aqui, chegamos a uma contradição de uma suposição anterior. Ao ventilarmos o assunto da repressão fomos obrigados a situar a censura, que é decisiva para o processo de conscientização, entre os sistemas Ics. e Pcs. [ver em [1]]. Agora, passa a ser provável que haja uma censura entre o Pcs. e o Cs. Não obstante, faremos bem em não considerarmos essa complicação como uma dificuldade, mas em presumirmos que, a cada transição de um sistema para o que se encontra imediatamente acima dele (isto é, cada passo no sentido de uma etapa mais elevada da organização psíquica), corresponde uma nova censura. Isso, pode-se observar, elimina a suposição de uma armazenagem contínua de novos registros [ver em [1]].
A razão de ser de todas essas dificuldades reside na circunstância de que o atributo de ser consciente, única característica dos processos psíquicos que nos é diretamente apresentada, de forma alguma se presta a servir de critério para a diferenciação de sistemas. [ver em [1], acima.] Independentemente do fato de o consciente nem sempre ser consciente, mas também às vezes latente, a observação tem demonstrado que grande parte daquilo que partilha das características do sistema Pcs. não se torna consciente; além disso, sabemos que o ato de se tornar consciente depende de que a atenção do Pcs. esteja voltada para certas direções. Por isso a consciência não se situa numa relação simples, quer com os diferentes sistemas, quer com a repressão. A verdade é que não é apenas o psiquicamente reprimido que permanece alheio à consciência, mas também alguns dos impulsos que dominam nosso ego - algo, portanto, que forma a mais forte das antíteses funcionais ao reprimido. Quanto mais procuramos encontrar nosso caminho para uma concepção metapsicológica da vida mental, mais devemos aprender a nos emancipar da importância do sistema de ‘ser consciente’.
Enquanto ainda nos apegarmos a essa crença, veremos nossas generalizações regularmente desfeitas por exceções. Por um lado, verificamos que derivados do Ics. se tornam conscientes na qualidade de formações e sintomas substitutivos - em geral, é verdade, depois de terem sofrido grande distorção em confronto com o inconsciente, embora conservando freqüentemente muitas características que exigem repressão. Por outro lado, verificamos que numerosas formações pré-conscientes permanecem inconscientes, embora devêssemos esperar que, por sua natureza, pudessem muito bem ter-se tornado conscientes. Provavelmente, no último caso a atração mais forte do Ics. está-se afirmando. Somos levados a procurar a distinção mais importante como estando situada, não entre o consciente e o pré-consciente, mas entre o pré-consciente e o inconsciente. O Ics. é rechaçado, na fronteira do Pcs., pela censura, mas os derivados do Ics. podem contornar essa censura, atingir um alto grau de organização e alcançar certa intensidade de catexia no Pcs. Quando, contudo, essa intensidade é ultrapassada e eles tentam forçar sua passagem para a consciência, são reconhecidos como derivados do Ics. e outra vez reprimidos na fronteira da censura, entre o Pcs. e o Cs. Assim, a primeira dessas censuras é exercida contra o próprio Ics., e a segunda, contra os seus derivados do Pcs. Poder-se-ia supor que no decorrer do desenvolvimento individual a censura deu um passo à frente.
No tratamento psicanalítico fica provada, sem sombra de dúvida, a existência da segunda censura, localizada entre os sistemas Pcs. e Cs. Pedimos ao paciente que forme numerosos derivados do Ics., fazemos com que ele se comprometa a superar as objeções da censura a essas formações pré-conscientes que se tornam conscientes, e, pondo abaixo essa censura, desbravamos o caminho para ab-rogação da repressão realizada pela anterior. A isso acrescentemos que a existência da censura entre o Pcs e o Cs. nos ensina que o tornar-se consciente não constitui um mero ato de percepção, sendo provavelmente também uma hipercatexia, um avanço ulterior na organização psíquica.
A cooperação entre um impulso pré-consciente e um inconsciente, mesmo quando o segundo é intensamente reprimido, pode ocorrer caso haja uma situação na qual o impulso inconsciente possa atuar no mesmo sentido que um impulso de uma das tendências dominantes. Nessa circunstância, a repressão é removida e a atividade reprimida é admitida como reforço da atividade pretendida pelo ego. O inconsciente torna-se ego-sintônico no tocante a essa conjunção isolada, sem que ocorra qualquer outra modificação em sua repressão. Nessa cooperação, a influência do Ics.é inconfundível: as tendências reforçadas se revelam como sendo, não obstante, diferente do normal; possibilitam um funcionamento especialmente perfeito e manifestam, em face da oposição, uma resistência semelhante à oferecida por exemplo, pelos sintomas obsessivos.
O conteúdo do Ics, pode ser comparado à presença de uma população aborígine na mente. Se existem no ser humano formações mentais herdadas - algo análogo ao instinto nos animais -, elas constituem o núcleo do Ics. Depois, junta-se a elas o que foi descartado durante o desenvolvimento da infância como sendo inútil; e isso não precisa diferir, em sua natureza, daquilo que é herdado. Em geral, uma divisão acentuada e final entre o conteúdo dos dois sistemas não ocorre até a puberdade.
Mattanó aponta que o Ics. permanece vivo e capaz de desenvolvimento, mantendo grande número de outras relações com o Pcs., entre as quais a da cooperação. Em suma, deve-se dizer que o Ics. continua naquilo que conhecemos como derivados, que é acessível às impressões da vida, que influencia constantemente o Pcs., e que, por sua vez, está inclusive sujeito à influência do Pcs. Vemos que o inconsciente possui vida e funcionamento próprios, pois possui uma trajetória de desenvolvimento que mantêm relações de cooperação com o pré-consciente.
Entre os derivados dos impulsos instintuais do Ics., do tipo que descrevemos, qualitativamente pertencem ao sistema Pcs., mas factualmente, ao Ics. É sua origem que decide seu destino. Podemos compará-los a indivíduos de raça mestiça que, num apanhado geral, se assemelham a brancos, mas que traem sua ascendência de cor por uma ou outra característica marcante, sendo, por causa disso, excluídos da sociedade, deixando de gozar dos privilégios dos brancos. Essa é a natureza das fantasias de pessoas normais, bem como de neuróticas, fantasias que reconhecemos como sendo etapas preliminares da formação tanto dos sonhos como dos sintomas e que, apesar de seu alto grau de organização, permanecem reprimidas, não podendo, portanto, tornar-se conscientes. Aproximam-se da consciência e permanecem imperturbadas enquanto não dispõem de uma catexia intensa, mas, tão longo excedem certo grau de catexia, são lançadas para trás. As formações substitutivas também são derivados altamente organizados do Ics. desse tipo; mas, em circunstâncias favoráveis, conseguem irromper até a consciência - por exemplo, caso unam suas forças com uma anticatexia proveniente do Pcs. Vemos que os derivados dos impulsos instintuais do Ics., do tipo que descrevemos, qualitativamente pertencem ao sistema Pcs., mas factualmente, ao Ics, são elas as fantasias de pessoas normais, bem como de neuróticas, fantasias que reconhecemos como sendo etapas preliminares da formação tanto dos sonhos como dos sintomas e que, apesar de seu alto grau de organização, permanecem reprimidas, não podendo, portanto, tornar-se conscientes. Aproximam-se da consciência e permanecem imperturbadas enquanto não dispõem de uma catexia intensa, mas, tão longo excedem certo grau de catexia, são lançadas para trás. As formações substitutivas também são derivados altamente organizados do Ics. desse tipo; mas, em circunstâncias favoráveis, conseguem irromper até a consciência - por exemplo, caso unam suas forças com uma anticatexia proveniente do Pcs. Para que estas fantasias se aproximem da consciência dependemos do nosso imaginário e do nosso simbólico, e em outras formações dependemos também dos significados e sentidos.
Quando, em outro lugar, examinarmos mais detidamente as pré-condições para se tornarem conscientes, seremos capazes de encontrar uma solução para algumas das dificuldades que surgem nesse ponto. No presente momento, parece um bom plano olhar as coisas sob o ângulo da consciência, em contraste com nossa abordagem prévia, que ascendia a partir do Ics. Para a consciência, toda a soma dos processos psíquicos se apresenta como o domínio do pré-consciente. Grande parte desse pré-consciente origina-se no inconsciente, tem a natureza dos seus derivados e está sujeita a censura antes de poder tornar-se consciente. Outra parte do Pcs. é capaz de se tornar consciente sem qualquer censura. Aqui, chegamos a uma contradição de uma suposição anterior. Ao ventilarmos o assunto da repressão fomos obrigados a situar a censura, que é decisiva para o processo de conscientização, entre os sistemas Ics. e Pcs. [ver em [1]]. Agora, passa a ser provável que haja uma censura entre o Pcs. e o Cs. Não obstante, faremos bem em não considerarmos essa complicação como uma dificuldade, mas em presumirmos que, a cada transição de um sistema para o que se encontra imediatamente acima dele (isto é, cada passo no sentido de uma etapa mais elevada da organização psíquica), corresponde uma nova censura. Isso, pode-se observar, elimina a suposição de uma armazenagem contínua de novos registros [ver em [1]]. Vemos que os processos do inconsciente se originam do pré-consciente e a consciência é a soma dos processos psíquicos do pré-consciente, e que existe uma nova censura agindo entre o sistema inconsciente e pré-consciente, esta censura elimina a suposição de que possa existir uma contínua armazenagem de novos registros. Vemos que a censura faz uma ¨limpeza de chaminé¨ através dela mesma e da sua natureza evolutiva, seletiva, competitiva e involutiva, para que supere, justamente, as exigências e adversidades do meio ambiente.
A razão de ser de todas essas dificuldades reside na circunstância de que o atributo de ser consciente, única característica dos processos psíquicos que nos é diretamente apresentada, de forma alguma se presta a servir de critério para a diferenciação de sistemas. [ver em [1], acima.] Independentemente do fato de o consciente nem sempre ser consciente, mas também às vezes latente, a observação tem demonstrado que grande parte daquilo que partilha das características do sistema Pcs. não se torna consciente; além disso, sabemos que o ato de se tornar consciente depende de que a atenção do Pcs. esteja voltada para certas direções. Por isso a consciência não se situa numa relação simples, quer com os diferentes sistemas, quer com a repressão. A verdade é que não é apenas o psiquicamente reprimido que permanece alheio à consciência, mas também alguns dos impulsos que dominam nosso ego - algo, portanto, que forma a mais forte das antíteses funcionais ao reprimido. Quanto mais procuramos encontrar nosso caminho para uma concepção metapsicológica da vida mental, mais devemos aprender a nos emancipar da importância do sistema de ‘ser consciente’. Vemos que o atributo de ser consciente é o critério para diferenciar os sintomas. Contudo o consciente pode também se apresentar latente e partilhar de características do sistema pré-consciente, percebemos que permanecem fora do ego outros conteúdos como as antíteses funcionais ao reprimido, por isso o sistema ¨ser consciente¨ parece uma utopia, pois somos conscientes, pré-conscientes e inconscientes, mas também possuímos a subconsciência e o comportamento que equivale ao condicionamento, ao reflexo e as equivalências de estímulos, por exemplo, e o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo.
Enquanto ainda nos apegarmos a essa crença, veremos nossas generalizações regularmente desfeitas por exceções. Por um lado, verificamos que derivados do Ics. se tornam conscientes na qualidade de formações e sintomas substitutivos - em geral, é verdade, depois de terem sofrido grande distorção em confronto com o inconsciente, embora conservando freqüentemente muitas características que exigem repressão. Por outro lado, verificamos que numerosas formações pré-conscientes permanecem inconscientes, embora devêssemos esperar que, por sua natureza, pudessem muito bem ter-se tornado conscientes. Provavelmente, no último caso a atração mais forte do Ics. está-se afirmando. Somos levados a procurar a distinção mais importante como estando situada, não entre o consciente e o pré-consciente, mas entre o pré-consciente e o inconsciente. O Ics. é rechaçado, na fronteira do Pcs., pela censura, mas os derivados do Ics. podem contornar essa censura, atingir um alto grau de organização e alcançar certa intensidade de catexia no Pcs. Quando, contudo, essa intensidade é ultrapassada e eles tentam forçar sua passagem para a consciência, são reconhecidos como derivados do Ics. e outra vez reprimidos na fronteira da censura, entre o Pcs. e o Cs. Assim, a primeira dessas censuras é exercida contra o próprio Ics., e a segunda, contra os seus derivados do Pcs. Poder-se-ia supor que no decorrer do desenvolvimento individual a censura deu um passo à frente. Vemos que verificamos que derivados do Ics. se tornam conscientes na qualidade de formações e sintomas substitutivos - em geral, é verdade, depois de terem sofrido grande distorção em confronto com o inconsciente, embora conservando freqüentemente muitas características que exigem repressão. Por outro lado, verificamos que numerosas formações pré-conscientes permanecem inconscientes, embora devêssemos esperar que, por sua natureza, pudessem muito bem ter-se tornado conscientes. Provavelmente, no último caso a atração mais forte do Ics. está-se afirmando. Percebemos aqui a atuação da censura. A censura faz sua ¨limpeza de chaminé¨ obedecendo suas próprias regras e não as da associação livre, mas sim se impondo como um limite com um limiar.
No tratamento psicanalítico fica provada, sem sombra de dúvida, a existência da segunda censura, localizada entre os sistemas Pcs. e Cs. Pedimos ao paciente que forme numerosos derivados do Ics., fazemos com que ele se comprometa a superar as objeções da censura a essas formações pré-conscientes que se tornam conscientes, e, pondo abaixo essa censura, desbravamos o caminho para ab-rogação da repressão realizada pela anterior. A isso acrescentemos que a existência da censura entre o Pcs e o Cs. nos ensina que o tornar-se consciente não constitui um mero ato de percepção, sendo provavelmente também uma hipercatexia, um avanço ulterior na organização psíquica. Vemos que ficou comprovada a existência de uma segunda censura entre os sistemas pré-consciente e consciente com o trabalho de Sigmund Freud.
A cooperação entre um impulso pré-consciente e um inconsciente, mesmo quando o segundo é intensamente reprimido, pode ocorrer caso haja uma situação na qual o impulso inconsciente possa atuar no mesmo sentido que um impulso de uma das tendências dominantes. Nessa circunstância, a repressão é removida e a atividade reprimida é admitida como reforço da atividade pretendida pelo ego. O inconsciente torna-se ego-sintônico no tocante a essa conjunção isolada, sem que ocorra qualquer outra modificação em sua repressão. Nessa cooperação, a influência do Ics.é inconfundível: as tendências reforçadas se revelam como sendo, não obstante, diferente do normal; possibilitam um funcionamento especialmente perfeito e manifestam, em face da oposição, uma resistência semelhante à oferecida por exemplo, pelos sintomas obsessivos. Vemos que podemos ter casos onde existe uma cooperação entre um impulso pré-consciente e um inconsciente, mesmo quando o inconsciente é reprimido, isto pode acontecer quando eles se unem na mesma direção ou finalidade, ou tendência dominante, então a repressão é removida e a atividade é admitida, o inconsciente se torna um ego-sintônico modificando sua repressão por meio da cooperação, vemos isto nos sintomas obsessivos, os significados e os sentidos cooperam entre os impulsos do imaginário e do simbólico, inclusive do mundo real e ideal construindo arranjos que se organizam segundo o que acaba por prevalecer, modificando a repressão e gerando sintomas ou comportamentos.
O conteúdo do Ics, pode ser comparado à presença de uma população aborígine na mente. Se existem no ser humano formações mentais herdadas - algo análogo ao instinto nos animais -, elas constituem o núcleo do Ics. Depois, junta-se a elas o que foi descartado durante o desenvolvimento da infância como sendo inútil; e isso não precisa diferir, em sua natureza, daquilo que é herdado. Em geral, uma divisão acentuada e final entre o conteúdo dos dois sistemas não ocorre até a puberdade. Vemos que o conteúdo do inconsciente na mente depende dos instintos, do desenvolvimento na infância, do desenvolvimento na puberdade, na vida adulta e na terceira idade, e daquilo que é herdado geneticamente, bem como do condicionamento, do reforço, do reflexo, do comportamento verbal e das equivalências de estímulos, e do desenvolvimento da cognição.
MATTANÓ
(05/02/2026)
VII - AVALIAÇÃO DO INCONSCIENTE
O que reunimos nas apreciações precedentes é provavelmente tudo que podemos dizer sobre o Ics., enquanto nos limitamos a extrair nossos conhecimentos da vida onírica das neuroses de transferência. Por certo não é muito e em alguns pontos dá a impressão de obscuridade e confusão, sendo que, acima de tudo, não nos oferece qualquer possibilidade de coordenar ou de fundir o Ics. em um contexto com o qual já estejamos familiarizados. Só a análise de uma das afecções que denominamos de psiconeurose narcisista promete proporcionar-nos concepções através das quais o enigmático Ics. ficará mais ao nosso alcance, tornando-se, por assim dizer, tangível.
Desde a publicação de uma obra de Abraham (1908) - atribuída por esse consciencioso escritor à minha instigação -, tentamos basear nossa caracterização da ‘dementia praecox‘ de Kraepelin (‘esquizofrenia’ de Bleuler) em sua posição relativa à antítese entre ego e objeto. Nas neuroses de transferência (histeria de ansiedade, histeria de conversão e neurose obsessiva) nada havia que desse especial proeminência a essa antítese. Sabíamos, realmente, que a frustração quanto ao objeto acarreta a irrupção da neurose e que esta envolve uma renúncia ao objeto real; sabíamos também que a libido que é retirada do objeto real reverte primeiro a um objeto fantasiado e então a um objeto reprimido (introversão). Mas nessas perturbações a catexia objetal geralmente é retida com grande energia, e um exame mais pormenorizado do processo de repressão nos obrigou a presumir que a catexia objetal persiste no sistema Ics. apesar da repressão - ou antes, em conseqüência desta. [ver em [1]] Na realidade, a capacidade de transferência, que usamos com propósitos terapêuticos nessas afecções, pressupõe uma catexia objetal inalterada.
No caso da esquizofrenia, por outro lado, fomos levados à suposição de que, após o processo de repressão, a libido que foi retirada não procura um novo objeto e refugia-se no ego; isto é, que aqui as catexias objetais são abandonadas, restabelecendo-se uma primitiva condição de narcisismo de ausência de objeto. A incapacidade de transferência desses pacientes (até onde o processo patológico se estende), sua conseqüente inacessibilidade aos esforços terapêuticos, seu repúdio característico ao mundo externo, o surgimento de sinais de uma hipercatexia do seu próprio ego, o resultado final de completa apatia - todas essas características clínicas parecem concordar plenamente com a suposição de que suas catexias objetais foram abandonadas. Quanto à relação dos dois sistemas psíquicos entre si, todos os observadores se surpreendem com o fato de que muito do que é expresso na esquizofrenia como sendo consciente, nas neuroses de transferência só pode revelar sua presença no Ics. através da psicanálise. De início, porém, não fomos capazes de estabelecer qualquer conexão inteligível entre a relação do objeto do ego e as relações da consciência.
O que procuramos parece apresentar-se da seguinte, e inesperada, maneira. Nos esquizofrênicos observamos - especialmente nas etapas iniciais, tão instrutivas - grande número de modificações na fala, algumas das quais merecem ser consideradas de um ponto de vista particular. Freqüentemente, o paciente devota especial cuidado a sua maneira de se expressar, que se torna ‘ afetada ‘ e ‘ preciosa ‘. A construção de suas frases passa por uma desorganização peculiar, que as torna incompreensíveis para nós, a ponto de suas observações parecerem disparatadas. Referências a órgãos corporais ou a inervações quase sempre ganham proeminência no conteúdo dessas observações. A isso pode-se acrescentar o fato de que, em tais sintomas da esquizofrenia, em comparação com as formações substitutivas de histeria ou de neurose obsessiva, a relação entre o substituto e o material reprimido, não obstante, exibe peculiaridades que nos surpreenderiam nessas duas formas de neuroses.
O Dr. Victor Tausk, de Viena, pôs à minha disposição algumas observações que fez nas etapas iniciais da esquizofrenia de um paciente, particularmente valiosas, visto que a própria paciente se prontificava a explicar suas manifestações orais. Lançarei mão de dois dos seus exemplos para ilustrar o conceito que desejo formular, e não tenho dúvida de que todo observador poderia apresentar material abundante dessa natureza.
Uma paciente de Tausk, uma moça levada à clínica após uma discussão com o amante, queixou-se de que seus olhos não estavam direitos, estavam tortos. Ela mesma explicou o fato, apresentando, em linguagem coerente, uma série de acusações contra o amante. ‘De forma alguma ela conseguia compreendê-lo, a cada vez ele parecia diferente; era hipócrita, um entortador de olhos, ele tinha entortado os olhos dela; agora ela tinha olhos tortos; não eram mais os olhos dela; agora via o mundo com olhos diferentes.’
Os comentários da paciente sobre sua observação ininteligível têm o valor de uma análise, pois contêm o equivalente à observação expressa numa forma geralmente compreensível. Lançam luz ao mesmo tempo sobre o significado e sobre a gênese da formação de palavras esquizofrênicas. Concordo com Tausk quando ressalta nesse exemplo que a relação da paciente com o órgão corporal (o olho) arrogou-se a si a representação de todo o conteúdo [dos pensamentos dela]. Aqui a manifestação oral esquizofrênica exibe uma característica hipocondríaca: tornou-se ‘fala do órgão‘.
A mesma paciente fez uma segunda comunicação: ‘Ela estava de pé na igreja. De súbito sentiu um solavanco: teve de mudar de posição, como se alguém a estivesse pondo numa posição, como se ela estivesse sendo posta numa certa posição.’
Veio então a análise disso através de uma nova série de acusações contra o amante. ‘Ele era vulgar, ele a tornara vulgar também, embora ela fosse naturalmente requintada. Ele a fizera igual a ele, levando-a a pensar que era superior a ela; agora ela se tornara igual a ele, porque ela pensava que seria melhor para ela se fosse igual a ele. Ele dera uma falsa impressão da posição dele; agora ela era igual a ele’ (por identificação), ‘ele a pusera numa falsa posição‘.
O movimento físico de ‘mudar-lhe a posição’, observa Tausk, retratava as palavras ‘pondo-a numa falsa posição’ e sua identificação com o amante. Gostaria de chamar a atenção mais uma vez para o fato de que todo encadeamento de pensamento é dominado pelo elemento que possui como conteúdo uma inervação do corpo (ou, antes, a sensação dela). Além disso, no primeiro exemplo, uma histérica teria, de fato, entortado convulsivamente os olhos, e, no segundo, dado solavancos, em vez de ter o impulso para agir dessa forma ou a sensação de agir dessa forma; e em nenhum dos dois casos ela teria tido quaisquer pensamentos conscientes concomitantes, nem teria sido capaz de expressar quaisquer pensamentos depois.
Essas duas observações, então, atuam a favor do que denominamos de fala hipocondríaca ou de ‘fala do órgão’. Mas, e isso nos parece mais importante, também apontam para outra coisa, da qual conhecemos inúmeros casos (por exemplo, os casos coligidos na monografia de Bleuler [1911]), que podem ser reduzidos a uma fórmula definida. Na esquizofrenia, as palavras estão sujeitas a um processo igual ao que interpreta as imagens oníricas dos pensamentos oníricos latentes - que chamamos de processo psíquico primário. Passam por uma condensação, e por meio de deslocamento transferem integralmente suas catexias de umas para as outras. O processo pode ir tão longe, que uma única palavra, se for especialmente adequada devido a suas numerosas conexões, assume a representação de todo um encadeamento de pensamento. As obras de Bleuler, de Jung e de seus discípulos oferecem grande quantidade de material que apóia particularmente essa assertiva.
Antes de tirarmos qualquer conclusão de impressões como essas, consideremos ainda as distinções entre a formação de substitutos na esquizofrenia, por um lado, e na histeria e neurose obsessiva, por outro - distinções sutis que, não obstante, causam uma estranha impressão. Um paciente, que no momento tenho sob observação, permitiu-se ficar afastado de todos os interesses da vida em virtude do mau estado da pele de seu rosto. Afirma ter cravos e profundos orifícios no rosto que todo mundo nota. A análise demonstra que ele faz da pele o palco de seu complexo de castração. De início, atacava esses cravos sem piedade e ficava muito satisfeito ao espremê-los, porque, como dizia, algo esguichava quando o fazia. Começou então a pensar que surgia uma profunda cavidade cada vez que se livrava de um cravo, e se censurava com a maior veemência por ter arruinado a pele para sempre ‘por não saber deixar as mãos sossegadas’. Espremer o conteúdo dos cravos é para ele, nitidamente, um substituto da masturbação. A cavidade que então surge por sua culpa é o órgão genital feminino, isto é, a realização da ameaça de castração (ou a fantasia que representa essa ameaça) provocada pela sua masturbação. Essa formação substitutiva, apesar de seu caráter hipocondríaco, assemelha-se consideravelmente a uma conversão histérica; contudo, temos a sensação de que algo diferente deve estar ocorrendo aqui, que uma formação substitutiva como essa não pode ser atribuída à histeria, mesmo antes que possamos dizer em que consiste a diferença. Uma cavidade tão minúscula como um poro de pele dificilmente seria utilizada por um histérico como símbolo da vagina, símbolo este que, de outra forma, ele está pronto para comparar com todo objeto imaginável que encerre um espaço oco. Além disso, devemos esperar que a multiplicidade dessas pequenas cavidades o impeça de empregá-las como substituto do órgão genital feminino. A mesma coisa se aplica ao caso de um paciente jovem encaminhado por Tausk há alguns anos à Sociedade Psicanalítica de Viena. Esse paciente se comportava, sob outros aspectos, exatamente como se sofresse de uma neurose obsessiva; levava horas para tomar banho e se vestir, e assim por diante. Tornou-se observável, contudo, que ele era capaz de fornecer o significado de suas inibições sem qualquer resistência. Ao calçar as meias, por exemplo, ficava perturbado pela idéia de que ia separar os pontos da malha, isto é, os furos, e para ele cada furo era um símbolo do orifício genital feminino. Isso, mais uma vez, é algo que não podemos atribuir a um neurótico obsessivo. Reitler observou um paciente desse último tipo, que também sofria por ter de levar muito tempo para calçar as meias; esse homem, após superar suas resistências, encontrou a explicação de que seu pé simbolizava um pênis, que calçar a meia representava um ato masturbatório, e que ele tinha de ficar a botar e tirar a meia, em parte para completar o quadro da masturbação, em parte para desfazer esse ato.
Se perguntarmos o que é que empresta o caráter de estranheza à formação substitutiva e ao sintoma na esquizofrenia, compreenderemos finalmente que é a predominância do que tem a ver com as palavras sobre o que tem que ver com as coisas. Até onde se pode perceber, existe apenas uma similaridade muito pequena entre o espremer um cravo e uma emissão do pênis, e ela é ainda menor entre os inúmeros poros rasos da pele e a vagina; mas no primeiro caso há, em ambos os exemplos, um ‘esguicho’, enquanto que, no último, o cínico ditado ‘um buraco é um buraco’ é verdadeiro em seu sentido verbal. O que dita a substituição não é a semelhança entre as coisas denotadas, mas a uniformidade das palavras empregadas para expressá-las. Onde as duas - palavras e coisas - não coincidem, a formação de substitutos na esquizofrenia diverge do que ocorre nas neuroses de transferência.
Se agora pusermos essa descoberta ao lado da hipótese de que na esquizofrenia as catexiais objetais são abandonadas, seremos obrigados a modificar a hipótese, acrescentando que a catexia das apresentações da palavra de objetos é retida. O que livremente denominamos de apresentação consciente do objeto pode agora ser dividido na apresentação da palavra e na apresentação da coisa; a última consiste na catexia, se não das imagens diretas da memória da coisa, pelo menos de traços de memória mais remotos derivados delas. Agora parece que sabemos de imediato qual a diferença entre uma apresentação consciente e uma inconsciente [ver em [1]]. As duas não são, como supúnhamos, registros diferentes do mesmo conteúdo em diferentes localidades psíquicas, nem tampouco diferentes estados funcionais de catexias na mesma localidade; mas a apresentação consciente abrange a apresentação da coisa mais a apresentação da palavra que pertence a ela, ao passo que a apresentação inconsciente é a apresentação da coisa apenas. O sistema Ics. contém as catexias da coisa dos objetos, as primeiras e verdadeiras catexias objetais; o sistema Pcs. ocorre quando essa apresentação da coisa é hipercatexizada através da ligação com as apresentações da palavra que lhe correspondem. São essas hipercatexias, podemos supor, que provocam uma organização psíquica mais elevada, possibilitando que o processo primário seja sucedido pelo processo secundário, dominante no Pcs. Ora, também estamos em condições de declarar precisamente o que é que a repressão nega à apresentação rejeitada nas neuroses de transferência [ver em [1]]: o que ele nega à apresentação é a tradução em palavras que permanecerá ligada ao objeto. Uma apresentação que não seja posta em palavras, ou um ato psíquico que não seja hipercatexizado, permanece a partir de então no Ics. em estado de repressão.
Gostaríamos de ressaltar que já dispomos há algum tempo da compreensão interna (insight) que hoje nos permite entender uma das características mais impressionantes da esquizofrenia. Nas últimas páginas de A Interpretação de Sonhos, publicada em 1900, foi desenvolvido o conceito de que os processos do pensamento, isto é, os atos de catexia que se acham relativamente distantes da percepção, são em si mesmos destituídos de qualidade e inconscientes, e só atingem sua capacidade para se tornarem conscientes através de ligação com os resíduos de percepções de palavras. Mas as apresentações da palavra, também, por seu lado, se originam das percepções sensoriais, da mesma forma que as apresentações da coisa; poder-se-ia, portanto, perguntar por que as apresentações de objetos não podem tornar-se conscientes por intermédio de seus próprios resíduos perceptivos. Provavelmente, contudo, o pensamento prossegue em sistemas tão distantes dos resíduos perceptivos originais, que já não retêm coisa alguma das qualidades desses resíduos, e, para se tornarem conscientes, precisam ser reforçados por novas qualidades. Além disso, estando ligadas a palavras, as catexias podem ser dotadas de qualidade mesmo quando representem apenas relações entre apresentações de objetos, sendo assim incapazes de extrair qualquer qualidade das percepções. Tais relações, que só se tornam compreensíveis através de palavras, constituem uma das principais partes dos nossos processos do pensamento. Como podemos ver, estar ligado às apresentações da palavra ainda não é a mesma coisa que tornar-se consciente, mas limita-se a possibilitar que isso aconteça; é, portanto, algo característico do sistema Pcs., e somente desse sistema. Com essas apreciações, contudo, evidentemente nos afastamos de nosso assunto propriamente dito e mergulhamos em problemas concernentes ao pré-consciente e ao consciente, que por boas razões estamos reservando para uma apreciação isolada.
Quanto à esquizofrenia, que apenas abordamos na medida em que parece indispensável a uma compreensão geral do Ics., devemos indagar se o processo denominado aqui de repressão tem alguma coisa em comum com a repressão que se verifica nas neuroses de transferência. A fórmula segundo a qual a repressão é um processo que ocorre entre os sistemas Ics. e Pcs. (ou Cs.), resultando em manter-se algo à distância da consciência [ver em [1]], deve, de qualquer maneira, ser modificada, a fim de também poder incluir o caso da demência precoce e outras afecções narcisistas. Mas a tentativa de fuga do ego, que se expressa na retirada da catexia consciente, permanece, não obstante, um fator comum [às duas classes de neurose]. A mais superficial das reflexões nos revela quão mais radical e profundamente essa tentativa de fuga, essa fuga do ego, é posta em funcionamento nas neuroses narcisistas.
Se, na esquizofrenia, essa fuga consiste na retirada da catexia instintual dos pontos que representam a apresentação inconsciente do objeto, pode parecer estranho que a parte da apresentação desse objeto pertencente ao sistema Pcs. - a saber, as apresentações da palavra que lhe correspondem - deva, pelo contrário, receber uma catexia mais intensa. Deveríamos antes esperar que a apresentação da palavra, sendo a parte pré-consciente, tivesse de suportar o primeiro impacto da repressão e fosse totalmente incatexizável depois que a repressão tivesse chegado às apresentações inconscientes da coisa. Isso, é verdade, é algo difícil de compreender. Acontece que a catexia da apresentação da palavra não faz parte do ato de repressão, mas representa a primeira das tentativas de recuperação ou de cura que tão manifestamente dominam o quadro clínico da esquizofrenia. Essas tentativas são dirigidas para a recuperação do objeto perdido, e pode ser que, para alcançar esse propósito, enveredem por um caminho que conduz ao objeto através de sua parte verbal, vendo-se então obrigadas a se contentar com palavras em vez de coisas. É uma verdade geral que nossa atividade mental se movimenta em duas direções opostas: ou parte dos instintos e passa através do sistema Ics. até a atividade de pensamento consciente, ou, começando com uma instigação de fora, passa através do sistema Cs. e do Pcs. até alcançar as catexias do Ics. do ego e dos objetos. Esse segundo caminho deve, apesar da repressão que ocorre, continuar percorrível, e permanece, até certo ponto, aberto aos esforços envidados pela neurose para recuperar seus objetos. Quando pensamos em abstrações, há o perigo de que possamos negligenciar as relações de palavras com as apresentações inconscientes da coisa, devendo-se externar que a expressão e o conteúdo do nosso filosofar começam então a adquirir uma semelhança desagradável com a modalidade de operação dos esquizofrênicos. Podemos, por outro lado, tentar uma caracterização da modalidade de pensamento do esquizofrênico dizendo que ele trata as coisas concretas como se fossem abstratas.
Se é que fizemos uma verdadeira apreciação da natureza do Ics. e se definimos corretamente a diferença entre uma apresentação pré-consciente e uma inconsciente, então, inevitavelmente, nossas pesquisas nos trarão, de numerosos outros pontos, de volta para essa mesma compreensão interna (insight).
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que desde a publicação de uma obra de Abraham (1908) - atribuída por esse consciencioso escritor à minha instigação -, tentamos basear nossa caracterização da ‘dementia praecox‘ de Kraepelin (‘esquizofrenia’ de Bleuler) em sua posição relativa à antítese entre ego e objeto. Nas neuroses de transferência (histeria de ansiedade, histeria de conversão e neurose obsessiva) nada havia que desse especial proeminência a essa antítese. Sabíamos, realmente, que a frustração quanto ao objeto acarreta a irrupção da neurose e que esta envolve uma renúncia ao objeto real; sabíamos também que a libido que é retirada do objeto real reverte primeiro a um objeto fantasiado e então a um objeto reprimido (introversão). Mas nessas perturbações a catexia objetal geralmente é retida com grande energia, e um exame mais pormenorizado do processo de repressão nos obrigou a presumir que a catexia objetal persiste no sistema Ics. apesar da repressão - ou antes, em conseqüência desta. [ver em [1]] Na realidade, a capacidade de transferência, que usamos com propósitos terapêuticos nessas afecções, pressupõe uma catexia objetal inalterada.
No caso da esquizofrenia, por outro lado, fomos levados à suposição de que, após o processo de repressão, a libido que foi retirada não procura um novo objeto e refugia-se no ego; isto é, que aqui as catexias objetais são abandonadas, restabelecendo-se uma primitiva condição de narcisismo de ausência de objeto. A incapacidade de transferência desses pacientes (até onde o processo patológico se estende), sua conseqüente inacessibilidade aos esforços terapêuticos, seu repúdio característico ao mundo externo, o surgimento de sinais de uma hipercatexia do seu próprio ego, o resultado final de completa apatia - todas essas características clínicas parecem concordar plenamente com a suposição de que suas catexias objetais foram abandonadas. Quanto à relação dos dois sistemas psíquicos entre si, todos os observadores se surpreendem com o fato de que muito do que é expresso na esquizofrenia como sendo consciente, nas neuroses de transferência só pode revelar sua presença no Ics. através da psicanálise.
O que procuramos parece apresentar-se da seguinte, e inesperada, maneira. Nos esquizofrênicos observamos - especialmente nas etapas iniciais, tão instrutivas - grande número de modificações na fala, algumas das quais merecem ser consideradas de um ponto de vista particular. Freqüentemente, o paciente devota especial cuidado a sua maneira de se expressar, que se torna ‘ afetada ‘ e ‘ preciosa ‘. A construção de suas frases passa por uma desorganização peculiar, que as torna incompreensíveis para nós, a ponto de suas observações parecerem disparatadas. Referências a órgãos corporais ou a inervações quase sempre ganham proeminência no conteúdo dessas observações.
Uma paciente de Tausk, uma moça levada à clínica após uma discussão com o amante, queixou-se de que seus olhos não estavam direitos, estavam tortos. Ela mesma explicou o fato, apresentando, em linguagem coerente, uma série de acusações contra o amante. ‘De forma alguma ela conseguia compreendê-lo, a cada vez ele parecia diferente; era hipócrita, um entortador de olhos, ele tinha entortado os olhos dela; agora ela tinha olhos tortos; não eram mais os olhos dela; agora via o mundo com olhos diferentes.’
Os comentários da paciente sobre sua observação ininteligível têm o valor de uma análise, pois contêm o equivalente à observação expressa numa forma geralmente compreensível. Lançam luz ao mesmo tempo sobre o significado e sobre a gênese da formação de palavras esquizofrênicas. Concordo com Tausk quando ressalta nesse exemplo que a relação da paciente com o órgão corporal (o olho) arrogou-se a si a representação de todo o conteúdo [dos pensamentos dela]. Aqui a manifestação oral esquizofrênica exibe uma característica hipocondríaca: tornou-se ‘fala do órgão‘.
A mesma paciente fez uma segunda comunicação: ‘Ela estava de pé na igreja. De súbito sentiu um solavanco: teve de mudar de posição, como se alguém a estivesse pondo numa posição, como se ela estivesse sendo posta numa certa posição.’
Veio então a análise disso através de uma nova série de acusações contra o amante. ‘Ele era vulgar, ele a tornara vulgar também, embora ela fosse naturalmente requintada. Ele a fizera igual a ele, levando-a a pensar que era superior a ela; agora ela se tornara igual a ele, porque ela pensava que seria melhor para ela se fosse igual a ele. Ele dera uma falsa impressão da posição dele; agora ela era igual a ele’ (por identificação), ‘ele a pusera numa falsa posição‘.
O movimento físico de ‘mudar-lhe a posição’, observa Tausk, retratava as palavras ‘pondo-a numa falsa posição’ e sua identificação com o amante. Gostaria de chamar a atenção mais uma vez para o fato de que todo encadeamento de pensamento é dominado pelo elemento que possui como conteúdo uma inervação do corpo (ou, antes, a sensação dela). Além disso, no primeiro exemplo, uma histérica teria, de fato, entortado convulsivamente os olhos, e, no segundo, dado solavancos, em vez de ter o impulso para agir dessa forma ou a sensação de agir dessa forma; e em nenhum dos dois casos ela teria tido quaisquer pensamentos conscientes concomitantes, nem teria sido capaz de expressar quaisquer pensamentos depois.
Na esquizofrenia, as palavras estão sujeitas a um processo igual ao que interpreta as imagens oníricas dos pensamentos oníricos latentes - que chamamos de processo psíquico primário. Passam por uma condensação, e por meio de deslocamento transferem integralmente suas catexias de umas para as outras. O processo pode ir tão longe, que uma única palavra, se for especialmente adequada devido a suas numerosas conexões, assume a representação de todo um encadeamento de pensamento.
Antes de tirarmos qualquer conclusão de impressões como essas, consideremos ainda as distinções entre a formação de substitutos na esquizofrenia, por um lado, e na histeria e neurose obsessiva, por outro - distinções sutis que, não obstante, causam uma estranha impressão. Um paciente, que no momento tenho sob observação, permitiu-se ficar afastado de todos os interesses da vida em virtude do mau estado da pele de seu rosto. Afirma ter cravos e profundos orifícios no rosto que todo mundo nota. A análise demonstra que ele faz da pele o palco de seu complexo de castração. De início, atacava esses cravos sem piedade e ficava muito satisfeito ao espremê-los, porque, como dizia, algo esguichava quando o fazia. Começou então a pensar que surgia uma profunda cavidade cada vez que se livrava de um cravo, e se censurava com a maior veemência por ter arruinado a pele para sempre ‘por não saber deixar as mãos sossegadas’. Espremer o conteúdo dos cravos é para ele, nitidamente, um substituto da masturbação. A cavidade que então surge por sua culpa é o órgão genital feminino, isto é, a realização da ameaça de castração (ou a fantasia que representa essa ameaça) provocada pela sua masturbação. Essa formação substitutiva, apesar de seu caráter hipocondríaco, assemelha-se consideravelmente a uma conversão histérica; contudo, temos a sensação de que algo diferente deve estar ocorrendo aqui, que uma formação substitutiva como essa não pode ser atribuída à histeria, mesmo antes que possamos dizer em que consiste a diferença. Uma cavidade tão minúscula como um poro de pele dificilmente seria utilizada por um histérico como símbolo da vagina, símbolo este que, de outra forma, ele está pronto para comparar com todo objeto imaginável que encerre um espaço oco. Além disso, devemos esperar que a multiplicidade dessas pequenas cavidades o impeça de empregá-las como substituto do órgão genital feminino. A mesma coisa se aplica ao caso de um paciente jovem encaminhado por Tausk há alguns anos à Sociedade Psicanalítica de Viena. Esse paciente se comportava, sob outros aspectos, exatamente como se sofresse de uma neurose obsessiva; levava horas para tomar banho e se vestir, e assim por diante. Tornou-se observável, contudo, que ele era capaz de fornecer o significado de suas inibições sem qualquer resistência. Ao calçar as meias, por exemplo, ficava perturbado pela idéia de que ia separar os pontos da malha, isto é, os furos, e para ele cada furo era um símbolo do orifício genital feminino. Isso, mais uma vez, é algo que não podemos atribuir a um neurótico obsessivo. Reitler observou um paciente desse último tipo, que também sofria por ter de levar muito tempo para calçar as meias; esse homem, após superar suas resistências, encontrou a explicação de que seu pé simbolizava um pênis, que calçar a meia representava um ato masturbatório, e que ele tinha de ficar a botar e tirar a meia, em parte para completar o quadro da masturbação, em parte para desfazer esse ato.
Se perguntarmos o que é que empresta o caráter de estranheza à formação substitutiva e ao sintoma na esquizofrenia, compreenderemos finalmente que é a predominância do que tem a ver com as palavras sobre o que tem que ver com as coisas. Até onde se pode perceber, existe apenas uma similaridade muito pequena entre o espremer um cravo e uma emissão do pênis, e ela é ainda menor entre os inúmeros poros rasos da pele e a vagina; mas no primeiro caso há, em ambos os exemplos, um ‘esguicho’, enquanto que, no último, o cínico ditado ‘um buraco é um buraco’ é verdadeiro em seu sentido verbal. O que dita a substituição não é a semelhança entre as coisas denotadas, mas a uniformidade das palavras empregadas para expressá-las. Onde as duas - palavras e coisas - não coincidem, a formação de substitutos na esquizofrenia diverge do que ocorre nas neuroses de transferência.
Se agora pusermos essa descoberta ao lado da hipótese de que na esquizofrenia as catexiais objetais são abandonadas, seremos obrigados a modificar a hipótese, acrescentando que a catexia das apresentações da palavra de objetos é retida. O que livremente denominamos de apresentação consciente do objeto pode agora ser dividido na apresentação da palavra e na apresentação da coisa; a última consiste na catexia, se não das imagens diretas da memória da coisa, pelo menos de traços de memória mais remotos derivados delas. Agora parece que sabemos de imediato qual a diferença entre uma apresentação consciente e uma inconsciente [ver em [1]]. As duas não são, como supúnhamos, registros diferentes do mesmo conteúdo em diferentes localidades psíquicas, nem tampouco diferentes estados funcionais de catexias na mesma localidade; mas a apresentação consciente abrange a apresentação da coisa mais a apresentação da palavra que pertence a ela, ao passo que a apresentação inconsciente é a apresentação da coisa apenas. O sistema Ics. contém as catexias da coisa dos objetos, as primeiras e verdadeiras catexias objetais; o sistema Pcs. ocorre quando essa apresentação da coisa é hipercatexizada através da ligação com as apresentações da palavra que lhe correspondem. São essas hipercatexias, podemos supor, que provocam uma organização psíquica mais elevada, possibilitando que o processo primário seja sucedido pelo processo secundário, dominante no Pcs. Ora, também estamos em condições de declarar precisamente o que é que a repressão nega à apresentação rejeitada nas neuroses de transferência [ver em [1]]: o que ele nega à apresentação é a tradução em palavras que permanecerá ligada ao objeto. Uma apresentação que não seja posta em palavras, ou um ato psíquico que não seja hipercatexizado, permanece a partir de então no Ics. em estado de repressão.
Gostaríamos de ressaltar que já dispomos há algum tempo da compreensão interna (insight) que hoje nos permite entender uma das características mais impressionantes da esquizofrenia. Nas últimas páginas de A Interpretação de Sonhos, publicada em 1900, foi desenvolvido o conceito de que os processos do pensamento, isto é, os atos de catexia que se acham relativamente distantes da percepção, são em si mesmos destituídos de qualidade e inconscientes, e só atingem sua capacidade para se tornarem conscientes através de ligação com os resíduos de percepções de palavras. Mas as apresentações da palavra, também, por seu lado, se originam das percepções sensoriais, da mesma forma que as apresentações da coisa; poder-se-ia, portanto, perguntar por que as apresentações de objetos não podem tornar-se conscientes por intermédio de seus próprios resíduos perceptivos. Provavelmente, contudo, o pensamento prossegue em sistemas tão distantes dos resíduos perceptivos originais, que já não retêm coisa alguma das qualidades desses resíduos, e, para se tornarem conscientes, precisam ser reforçados por novas qualidades. Além disso, estando ligadas a palavras, as catexias podem ser dotadas de qualidade mesmo quando representem apenas relações entre apresentações de objetos, sendo assim incapazes de extrair qualquer qualidade das percepções. Tais relações, que só se tornam compreensíveis através de palavras, constituem uma das principais partes dos nossos processos do pensamento. Como podemos ver, estar ligado às apresentações da palavra ainda não é a mesma coisa que tornar-se consciente, mas limita-se a possibilitar que isso aconteça; é, portanto, algo característico do sistema Pcs., e somente desse sistema. Com essas apreciações, contudo, evidentemente nos afastamos de nosso assunto propriamente dito e mergulhamos em problemas concernentes ao pré-consciente e ao consciente, que por boas razões estamos reservando para uma apreciação isolada.
Quanto à esquizofrenia, que apenas abordamos na medida em que parece indispensável a uma compreensão geral do Ics., devemos indagar se o processo denominado aqui de repressão tem alguma coisa em comum com a repressão que se verifica nas neuroses de transferência. A fórmula segundo a qual a repressão é um processo que ocorre entre os sistemas Ics. e Pcs. (ou Cs.), resultando em manter-se algo à distância da consciência [ver em [1]], deve, de qualquer maneira, ser modificada, a fim de também poder incluir o caso da demência precoce e outras afecções narcisistas. Mas a tentativa de fuga do ego, que se expressa na retirada da catexia consciente, permanece, não obstante, um fator comum [às duas classes de neurose]. A mais superficial das reflexões nos revela quão mais radical e profundamente essa tentativa de fuga, essa fuga do ego, é posta em funcionamento nas neuroses narcisistas.
Se, na esquizofrenia, essa fuga consiste na retirada da catexia instintual dos pontos que representam a apresentação inconsciente do objeto, pode parecer estranho que a parte da apresentação desse objeto pertencente ao sistema Pcs. - a saber, as apresentações da palavra que lhe correspondem - deva, pelo contrário, receber uma catexia mais intensa. Deveríamos antes esperar que a apresentação da palavra, sendo a parte pré-consciente, tivesse de suportar o primeiro impacto da repressão e fosse totalmente incatexizável depois que a repressão tivesse chegado às apresentações inconscientes da coisa. Isso, é verdade, é algo difícil de compreender. Acontece que a catexia da apresentação da palavra não faz parte do ato de repressão, mas representa a primeira das tentativas de recuperação ou de cura que tão manifestamente dominam o quadro clínico da esquizofrenia. Essas tentativas são dirigidas para a recuperação do objeto perdido, e pode ser que, para alcançar esse propósito, enveredem por um caminho que conduz ao objeto através de sua parte verbal, vendo-se então obrigadas a se contentar com palavras em vez de coisas. É uma verdade geral que nossa atividade mental se movimenta em duas direções opostas: ou parte dos instintos e passa através do sistema Ics. até a atividade de pensamento consciente, ou, começando com uma instigação de fora, passa através do sistema Cs. e do Pcs. até alcançar as catexias do Ics. do ego e dos objetos. Esse segundo caminho deve, apesar da repressão que ocorre, continuar percorrível, e permanece, até certo ponto, aberto aos esforços envidados pela neurose para recuperar seus objetos. Quando pensamos em abstrações, há o perigo de que possamos negligenciar as relações de palavras com as apresentações inconscientes da coisa, devendo-se externar que a expressão e o conteúdo do nosso filosofar começam então a adquirir uma semelhança desagradável com a modalidade de operação dos esquizofrênicos. Podemos, por outro lado, tentar uma caracterização da modalidade de pensamento do esquizofrênico dizendo que ele trata as coisas concretas como se fossem abstratas.
Se é que fizemos uma verdadeira apreciação da natureza do Ics. e se definimos corretamente a diferença entre uma apresentação pré-consciente e uma inconsciente, então, inevitavelmente, nossas pesquisas nos trarão, de numerosos outros pontos, de volta para essa mesma compreensão interna (insight).
Mattanó aponta que desde a publicação de uma obra de Abraham (1908) - atribuída por esse consciencioso escritor à minha instigação -, tentamos basear nossa caracterização da ‘dementia praecox‘ de Kraepelin (‘esquizofrenia’ de Bleuler) em sua posição relativa à antítese entre ego e objeto. Nas neuroses de transferência (histeria de ansiedade, histeria de conversão e neurose obsessiva) nada havia que desse especial proeminência a essa antítese. Sabíamos, realmente, que a frustração quanto ao objeto acarreta a irrupção da neurose e que esta envolve uma renúncia ao objeto real; sabíamos também que a libido que é retirada do objeto real reverte primeiro a um objeto fantasiado e então a um objeto reprimido (introversão). Mas nessas perturbações a libido que é retirada do objeto real reverte primeiro a um objeto fantasiado e então a um objeto reprimido (introversão) e um exame mais pormenorizado do processo de repressão nos obrigou a presumir que a catexia objetal persiste no sistema Ics. apesar da repressão - ou antes, em conseqüência desta. [ver em [1]] Na realidade, a capacidade de transferência, que usamos com propósitos terapêuticos nessas afecções, pressupõe uma catexia objetal inalterada. Vemos que na esquizofrenia a frustração quanto ao objeto acarreta a irrupção da neurose e que esta envolve uma renúncia ao objeto real, a libido que é retirada do objeto real reverte primeiro a um objeto fantasiado e então a um objeto reprimido (introversão), a libido que é retirada do objeto real reverte primeiro a um objeto fantasiado e então a um objeto reprimido (introversão), a repressão nos obrigou a presumir que a catexia objetal persiste no sistema Ics. apesar da repressão - ou antes, em conseqüência desta, a capacidade de transferência pressupõe uma catexia objetal inalterada, de tal forma que os seus significados e sentidos permanecem inalterados, com uma catexia objetal inalterada, reservando ao paciente isolamento social, embotamento, pobreza de linguagem, agressividade, hostilidade, alteração do pensamento, delírios e alucinações.
No caso da esquizofrenia, por outro lado, fomos levados à suposição de que, após o processo de repressão, a libido que foi retirada não procura um novo objeto e refugia-se no ego; isto é, que aqui as catexias objetais são abandonadas, restabelecendo-se uma primitiva condição de narcisismo de ausência de objeto. A incapacidade de transferência desses pacientes (até onde o processo patológico se estende), sua conseqüente inacessibilidade aos esforços terapêuticos, seu repúdio característico ao mundo externo, o surgimento de sinais de uma hipercatexia do seu próprio ego, o resultado final de completa apatia - todas essas características clínicas parecem concordar plenamente com a suposição de que suas catexias objetais foram abandonadas. Quanto à relação dos dois sistemas psíquicos entre si, todos os observadores se surpreendem com o fato de que muito do que é expresso na esquizofrenia como sendo consciente, nas neuroses de transferência só pode revelar sua presença no Ics. através da psicanálise. Vemos que o que é expresso na esquizofrenia é justamente o que pertence ao sistema inconsciente de um paciente que está incapaz de transferir conteúdos conscientes para seus relacionamentos, inclusive seu psicanalista, ou seja, não está lúcido.
O que procuramos parece apresentar-se da seguinte, e inesperada, maneira. Nos esquizofrênicos observamos - especialmente nas etapas iniciais, tão instrutivas - grande número de modificações na fala, algumas das quais merecem ser consideradas de um ponto de vista particular. Freqüentemente, o paciente devota especial cuidado a sua maneira de se expressar, que se torna ‘ afetada ‘ e ‘ preciosa ‘. A construção de suas frases passa por uma desorganização peculiar, que as torna incompreensíveis para nós, a ponto de suas observações parecerem disparatadas. Referências a órgãos corporais ou a inervações quase sempre ganham proeminência no conteúdo dessas observações. Vemos que os pacientes esquizofrênicos desenvolvem uma pobreza de linguagem que é caracterizada por maneiras de se expressar, que se tornam ¨afetadas e preciosas¨ e a construção de suas frases passa por uma desorganização peculiar, que as tornam incompreensíveis para nós, com observações disparatadas, e com referências a órgãos corporais e partes do corpo que adquirem saliência em suas considerações, de tal jeito que permanecem com uma catexia objetal permanente.
Uma paciente de Tausk, uma moça levada à clínica após uma discussão com o amante, queixou-se de que seus olhos não estavam direitos, estavam tortos. Ela mesma explicou o fato, apresentando, em linguagem coerente, uma série de acusações contra o amante. ‘De forma alguma ela conseguia compreendê-lo, a cada vez ele parecia diferente; era hipócrita, um entortador de olhos, ele tinha entortado os olhos dela; agora ela tinha olhos tortos; não eram mais os olhos dela; agora via o mundo com olhos diferentes.’ Vemos que o paciente esquizofrênico distorce a realidade com sua demência que tem a propriedade de empobrecer sua linguagem e de promover delírios e alucinações, alterações do pensamento, agressividade e hostilidade, e isolamento social.
Os comentários da paciente sobre sua observação ininteligível têm o valor de uma análise, pois contêm o equivalente à observação expressa numa forma geralmente compreensível. Lançam luz ao mesmo tempo sobre o significado e sobre a gênese da formação de palavras esquizofrênicas. Concordo com Tausk quando ressalta nesse exemplo que a relação da paciente com o órgão corporal (o olho) arrogou-se a si a representação de todo o conteúdo [dos pensamentos dela]. Aqui a manifestação oral esquizofrênica exibe uma característica hipocondríaca: tornou-se ‘fala do órgão‘. Vemos que a representação do paciente esquizofrênico é consequência da sua condição, de estar demente, de distorcer a realidade, o conhecimento, a cultura e a consciência das coisas ou objetos, de modo que os seus comentários tornam-se analíticos diante da observação ininteligível, pois assumem forma compreensível e isto já é o bastante para uma boa análise de um paciente esquizofrênico, ou seja, a análise destes pacientes dispensa a interpretação e a super-interpretação.
A mesma paciente fez uma segunda comunicação: ‘Ela estava de pé na igreja. De súbito sentiu um solavanco: teve de mudar de posição, como se alguém a estivesse pondo numa posição, como se ela estivesse sendo posta numa certa posição.’
Veio então a análise disso através de uma nova série de acusações contra o amante. ‘Ele era vulgar, ele a tornara vulgar também, embora ela fosse naturalmente requintada. Ele a fizera igual a ele, levando-a a pensar que era superior a ela; agora ela se tornara igual a ele, porque ela pensava que seria melhor para ela se fosse igual a ele. Ele dera uma falsa impressão da posição dele; agora ela era igual a ele’ (por identificação), ‘ele a pusera numa falsa posição‘.
O movimento físico de ‘mudar-lhe a posição’, observa Tausk, retratava as palavras ‘pondo-a numa falsa posição’ e sua identificação com o amante. Gostaria de chamar a atenção mais uma vez para o fato de que todo encadeamento de pensamento é dominado pelo elemento que possui como conteúdo uma inervação do corpo (ou, antes, a sensação dela). Além disso, no primeiro exemplo, uma histérica teria, de fato, entortado convulsivamente os olhos, e, no segundo, dado solavancos, em vez de ter o impulso para agir dessa forma ou a sensação de agir dessa forma; e em nenhum dos dois casos ela teria tido quaisquer pensamentos conscientes concomitantes, nem teria sido capaz de expressar quaisquer pensamentos depois. Vemos que a paciente esquizofrênica pensa que ¨mudou de lugar¨, que foi através de um movimento físico ¨pondo-a numa falsa posição¨ destacando as partes do corpo que dominam a sensação dela, não existem pensamentos conscientes concomitantes, temos delírios, alucinações, alterações de pensamento, provavelmente isolamento social, agressividade, hostilidade e pobreza de linguagem, pois se comunica muito mal e fugindo da realidade.
Na esquizofrenia, as palavras estão sujeitas a um processo igual ao que interpreta as imagens oníricas dos pensamentos oníricos latentes - que chamamos de processo psíquico primário. Passam por uma condensação, e por meio de deslocamento transferem integralmente suas catexias de umas para as outras. O processo pode ir tão longe, que uma única palavra, se for especialmente adequada devido a suas numerosas conexões, assume a representação de todo um encadeamento de pensamento. Vemos que as palavras na esquizofrenia adquirem o mesmo processo de significação dos sonhos e devem ser interpretadas da mesma forma, como os pensamentos oníricos latentes, que passam por meio de uma condensação e depois se deslocam integralmente, transferindo suas catexias de umas para as outras, contudo uma única palavra e suas conexões pode assumir a representação de todo um encadeamento de pensamento. Da mesma forma os significados e os sentidos podem se deslocar de uns para os outros ou se condensar e representar toda uma cadeia de significados e de sentidos, ou seja, de pensamentos.
Antes de tirarmos qualquer conclusão de impressões como essas, consideremos ainda as distinções entre a formação de substitutos na esquizofrenia, por um lado, e na histeria e neurose obsessiva, por outro - distinções sutis que, não obstante, causam uma estranha impressão. Um paciente, que no momento tenho sob observação, permitiu-se ficar afastado de todos os interesses da vida em virtude do mau estado da pele de seu rosto. Afirma ter cravos e profundos orifícios no rosto que todo mundo nota. A análise demonstra que ele faz da pele o palco de seu complexo de castração. De início, atacava esses cravos sem piedade e ficava muito satisfeito ao espremê-los, porque, como dizia, algo esguichava quando o fazia. Começou então a pensar que surgia uma profunda cavidade cada vez que se livrava de um cravo, e se censurava com a maior veemência por ter arruinado a pele para sempre ‘por não saber deixar as mãos sossegadas’. Espremer o conteúdo dos cravos é para ele, nitidamente, um substituto da masturbação. A cavidade que então surge por sua culpa é o órgão genital feminino, isto é, a realização da ameaça de castração (ou a fantasia que representa essa ameaça) provocada pela sua masturbação. Essa formação substitutiva, apesar de seu caráter hipocondríaco, assemelha-se consideravelmente a uma conversão histérica; contudo, temos a sensação de que algo diferente deve estar ocorrendo aqui, que uma formação substitutiva como essa não pode ser atribuída à histeria, mesmo antes que possamos dizer em que consiste a diferença. Uma cavidade tão minúscula como um poro de pele dificilmente seria utilizada por um histérico como símbolo da vagina, símbolo este que, de outra forma, ele está pronto para comparar com todo objeto imaginável que encerre um espaço oco. Além disso, devemos esperar que a multiplicidade dessas pequenas cavidades o impeça de empregá-las como substituto do órgão genital feminino. A mesma coisa se aplica ao caso de um paciente jovem encaminhado por Tausk há alguns anos à Sociedade Psicanalítica de Viena. Esse paciente se comportava, sob outros aspectos, exatamente como se sofresse de uma neurose obsessiva; levava horas para tomar banho e se vestir, e assim por diante. Tornou-se observável, contudo, que ele era capaz de fornecer o significado de suas inibições sem qualquer resistência. Ao calçar as meias, por exemplo, ficava perturbado pela idéia de que ia separar os pontos da malha, isto é, os furos, e para ele cada furo era um símbolo do orifício genital feminino. Isso, mais uma vez, é algo que não podemos atribuir a um neurótico obsessivo. Reitler observou um paciente desse último tipo, que também sofria por ter de levar muito tempo para calçar as meias; esse homem, após superar suas resistências, encontrou a explicação de que seu pé simbolizava um pênis, que calçar a meia representava um ato masturbatório, e que ele tinha de ficar a botar e tirar a meia, em parte para completar o quadro da masturbação, em parte para desfazer esse ato. Vemos que as substituições podem mascarar os transtornos mentais e para se diagnosticar eficazmente devemos ter em mente as antíteses entre a realidade e o prazer ou o ideal e o real, entre o imaginário e o simbólico, sem nos esquecermos do que prevalece e do arranjo psicanalítico inconscientes.
Se perguntarmos o que é que empresta o caráter de estranheza à formação substitutiva e ao sintoma na esquizofrenia, compreenderemos finalmente que é a predominância do que tem a ver com as palavras sobre o que tem que ver com as coisas. Até onde se pode perceber, existe apenas uma similaridade muito pequena entre o espremer um cravo e uma emissão do pênis, e ela é ainda menor entre os inúmeros poros rasos da pele e a vagina; mas no primeiro caso há, em ambos os exemplos, um ‘esguicho’, enquanto que, no último, o cínico ditado ‘um buraco é um buraco’ é verdadeiro em seu sentido verbal. O que dita a substituição não é a semelhança entre as coisas denotadas, mas a uniformidade das palavras empregadas para expressá-las. Onde as duas - palavras e coisas - não coincidem, a formação de substitutos na esquizofrenia diverge do que ocorre nas neuroses de transferência. Vemos que a formação de substitutos na esquizofrenia distorcem o trabalho do psicanalista, pois o funcionamento da mente desses pacientes demanda o inconsciente e não a consciência, e assim a loucura.
Se agora pusermos essa descoberta ao lado da hipótese de que na esquizofrenia as catexiais objetais são abandonadas, seremos obrigados a modificar a hipótese, acrescentando que a catexia das apresentações da palavra de objetos é retida. O que livremente denominamos de apresentação consciente do objeto pode agora ser dividido na apresentação da palavra e na apresentação da coisa; a última consiste na catexia, se não das imagens diretas da memória da coisa, pelo menos de traços de memória mais remotos derivados delas. Agora parece que sabemos de imediato qual a diferença entre uma apresentação consciente e uma inconsciente [ver em [1]]. As duas não são, como supúnhamos, registros diferentes do mesmo conteúdo em diferentes localidades psíquicas, nem tampouco diferentes estados funcionais de catexias na mesma localidade; mas a apresentação consciente abrange a apresentação da coisa mais a apresentação da palavra que pertence a ela, ao passo que a apresentação inconsciente é a apresentação da coisa apenas. O sistema Ics. contém as catexias da coisa dos objetos, as primeiras e verdadeiras catexias objetais; o sistema Pcs. ocorre quando essa apresentação da coisa é hipercatexizada através da ligação com as apresentações da palavra que lhe correspondem. São essas hipercatexias, podemos supor, que provocam uma organização psíquica mais elevada, possibilitando que o processo primário seja sucedido pelo processo secundário, dominante no Pcs. Ora, também estamos em condições de declarar precisamente o que é que a repressão nega à apresentação rejeitada nas neuroses de transferência [ver em [1]]: o que ele nega à apresentação é a tradução em palavras que permanecerá ligada ao objeto. Uma apresentação que não seja posta em palavras, ou um ato psíquico que não seja hipercatexizado, permanece a partir de então no Ics. em estado de repressão. Vemos que podemos encontrar pacientes esquizofrênicos onde a palavra permanece catexizada com a apresentação da coisa que é a apresentação do inconsciente. O sistema inconsciente contém as catexias da coisa dos objetos; o sistema pré-consciente ocorre quando essa coisa é hipercatexizada. Estas hipercatexias produzem uma organização psíquica mais elevada e um ato psíquico que não seja hipercatexizado, permanece a partir disto no inconsciente, em estado de repressão. Esta coisa pode ser os significados e os sentidos dos objetos.
Gostaríamos de ressaltar que já dispomos há algum tempo da compreensão interna (insight) que hoje nos permite entender uma das características mais impressionantes da esquizofrenia. Nas últimas páginas de A Interpretação de Sonhos, publicada em 1900, foi desenvolvido o conceito de que os processos do pensamento, isto é, os atos de catexia que se acham relativamente distantes da percepção, são em si mesmos destituídos de qualidade e inconscientes, e só atingem sua capacidade para se tornarem conscientes através de ligação com os resíduos de percepções de palavras. Mas as apresentações da palavra, também, por seu lado, se originam das percepções sensoriais, da mesma forma que as apresentações da coisa; poder-se-ia, portanto, perguntar por que as apresentações de objetos não podem tornar-se conscientes por intermédio de seus próprios resíduos perceptivos. Provavelmente, contudo, o pensamento prossegue em sistemas tão distantes dos resíduos perceptivos originais, que já não retêm coisa alguma das qualidades desses resíduos, e, para se tornarem conscientes, precisam ser reforçados por novas qualidades. Além disso, estando ligadas a palavras, as catexias podem ser dotadas de qualidade mesmo quando representem apenas relações entre apresentações de objetos, sendo assim incapazes de extrair qualquer qualidade das percepções. Tais relações, que só se tornam compreensíveis através de palavras, constituem uma das principais partes dos nossos processos do pensamento. Como podemos ver, estar ligado às apresentações da palavra ainda não é a mesma coisa que tornar-se consciente, mas limita-se a possibilitar que isso aconteça; é, portanto, algo característico do sistema Pcs., e somente desse sistema. Com essas apreciações, contudo, evidentemente nos afastamos de nosso assunto propriamente dito e mergulhamos em problemas concernentes ao pré-consciente e ao consciente, que por boas razões estamos reservando para uma apreciação isolada. Vemos que o sistema pré-consciente é uma das principais partes dos nossos pensamentos e estar ligado as apresentações da palavra não é a mesma coisa que estar consciente delas, para isto dependemos do pré-consciente.
Quanto à esquizofrenia, que apenas abordamos na medida em que parece indispensável a uma compreensão geral do Ics., devemos indagar se o processo denominado aqui de repressão tem alguma coisa em comum com a repressão que se verifica nas neuroses de transferência. A fórmula segundo a qual a repressão é um processo que ocorre entre os sistemas Ics. e Pcs. (ou Cs.), resultando em manter-se algo à distância da consciência [ver em [1]], deve, de qualquer maneira, ser modificada, a fim de também poder incluir o caso da demência precoce e outras afecções narcisistas. Mas a tentativa de fuga do ego, que se expressa na retirada da catexia consciente, permanece, não obstante, um fator comum [às duas classes de neurose]. A mais superficial das reflexões nos revela quão mais radical e profundamente essa tentativa de fuga, essa fuga do ego, é posta em funcionamento nas neuroses narcisistas. Vemos que a esquizofrenia é uma das formas de tentativa de fuga do ego, assim como as neuroses narcisistas.
Se, na esquizofrenia, essa fuga consiste na retirada da catexia instintual dos pontos que representam a apresentação inconsciente do objeto, pode parecer estranho que a parte da apresentação desse objeto pertencente ao sistema Pcs. - a saber, as apresentações da palavra que lhe correspondem - deva, pelo contrário, receber uma catexia mais intensa. Deveríamos antes esperar que a apresentação da palavra, sendo a parte pré-consciente, tivesse de suportar o primeiro impacto da repressão e fosse totalmente incatexizável depois que a repressão tivesse chegado às apresentações inconscientes da coisa. Isso, é verdade, é algo difícil de compreender. Acontece que a catexia da apresentação da palavra não faz parte do ato de repressão, mas representa a primeira das tentativas de recuperação ou de cura que tão manifestamente dominam o quadro clínico da esquizofrenia. Essas tentativas são dirigidas para a recuperação do objeto perdido, e pode ser que, para alcançar esse propósito, enveredem por um caminho que conduz ao objeto através de sua parte verbal, vendo-se então obrigadas a se contentar com palavras em vez de coisas. É uma verdade geral que nossa atividade mental se movimenta em duas direções opostas: ou parte dos instintos e passa através do sistema Ics. até a atividade de pensamento consciente, ou, começando com uma instigação de fora, passa através do sistema Cs. e do Pcs. até alcançar as catexias do Ics. do ego e dos objetos. Esse segundo caminho deve, apesar da repressão que ocorre, continuar percorrível, e permanece, até certo ponto, aberto aos esforços envidados pela neurose para recuperar seus objetos. Quando pensamos em abstrações, há o perigo de que possamos negligenciar as relações de palavras com as apresentações inconscientes da coisa, devendo-se externar que a expressão e o conteúdo do nosso filosofar começam então a adquirir uma semelhança desagradável com a modalidade de operação dos esquizofrênicos. Podemos, por outro lado, tentar uma caracterização da modalidade de pensamento do esquizofrênico dizendo que ele trata as coisas concretas como se fossem abstratas. Vemos que os esquizofrênicos possuem uma atividade mental que se movimenta em duas direções opostas: ou parte dos instintos e passa através do sistema Ics. até a atividade de pensamento consciente, ou, começando com uma instigação de fora, passa através do sistema Cs. e do Pcs. até alcançar as catexias do Ics. do ego e dos objetos. Esse segundo caminho deve, apesar da repressão que ocorre, continuar percorrível, e permanece, até certo ponto, aberto aos esforços envidados pela neurose para recuperar seus objetos. Quando pensamos em abstrações, há o perigo de que possamos negligenciar as relações de palavras com as apresentações inconscientes da coisa, devendo-se externar que a expressão e o conteúdo do nosso filosofar começam então a adquirir uma semelhança desagradável com a modalidade de operação dos esquizofrênicos. Podemos, por outro lado, tentar uma caracterização da modalidade de pensamento do esquizofrênico dizendo que ele trata as coisas concretas como se fossem abstratas. Isto pois os esquizofrênicos fogem da realidade e relacionam-se a partir da loucura do seu próprio inconsciente.
Se é que fizemos uma verdadeira apreciação da natureza do Ics. e se definimos corretamente a diferença entre uma apresentação pré-consciente e uma inconsciente, então, inevitavelmente, nossas pesquisas nos trarão, de numerosos outros pontos, de volta para essa mesma compreensão interna (insight). Vemos que o trabalho epistemológico repercute bons frutos para os acadêmicos e pesquisadores que investem sobre o pré-consciente e o inconsciente através de novos trabalhos científicos.
MATTANÓ
(05/02/2026)
APÊNDICE A: FREUD E EWALD HERING
Dentre os professores de Freud em Viena figurava o fisiólogo Ewald Hering (1834-1918), que, conforme sabemos pelo Dr. Jones (1953-244), ofereceu ao jovem um cargo como seu assistente em Praga em 1884. Um episódio ocorrido cerca de quarenta anos depois parece sugerir, como Ernst Kris (1956) ressaltou, que a influência de Hering pode ter contribuído para a formação dos conceitos de Freud sobre o inconsciente. (ver acima em [1].) Em 1880, Samuel Butler publicou Unconscious Memory. Esse trabalho abrangia a tradução de uma conferência pronunciada por Hering em 1870. ‘Uber das Gedächtnis als eine allgemeine Funktion der organisierten Materie’ (‘Sobre a Memória como uma Função Universal da Matéria Organizada’), com a qual Butler concordou de maneira geral. Um livro intitulado The Unconscious, de Israel Levine, veio a lume na Inglaterra em 1923; e uma tradução alemã do mesmo, feita por Anna Freud, apareceu em 1926. Uma seção dessa obra, contudo (Parte I, Seção 13), que trata de Samuel Butler, foi traduzida pelo próprio Freud. O autor, Levine, embora mencionasse a conferência de Hering, estava mais preocupado com Butler do que com Hering, e, em relação a isso (na pág. 34 da tradução alemã), Freud acrescentou uma nota de rodapé do seguinte teor:
‘Os leitores alemães, familiarizados com essa conferência de Hering e considerando-a uma obra-prima, não estariam, naturalmente, inclinados a colocar em primeiro plano as considerações de Butler, que nela se basearam. Além disso, encontramos em Hering algumas observações pertinentes, que concedem à psicologia o direito de presumir a existência da atividade mental inconsciente: “Quem poderia esperar desemaranhar a tessitura de nossa vida interior, com suas complexidades multifárias, se estivéssemos dispostos a acompanhar seus fios somente até o ponto em que atravessam a consciência?… Cadeias como essas, de processos nervosos de material inconsciente, que terminam num elo acompanhado de uma percepção consciente, foram descritas como ‘encadeamentos inconscientes de idéias’ e ‘inferências inconscientes’; e, do ponto de vista da psicologia, isso pode ser justificado, pois a mente quase sempre escaparia por entre os dedos da psicologia, se esta se recusasse a manter uma garra sobre os estados inconscientes da mente.” [Hering, 1870, 11 e 13.]’
O RELEITOR (MATTANÓ):
Dentre os professores de Freud em Viena figurava o fisiólogo Ewald Hering (1834-1918), que, conforme sabemos pelo Dr. Jones (1953-244), ofereceu ao jovem um cargo como seu assistente em Praga em 1884. Um episódio ocorrido cerca de quarenta anos depois parece sugerir, como Ernst Kris (1956) ressaltou, que a influência de Hering pode ter contribuído para a formação dos conceitos de Freud sobre o inconsciente. (ver acima em [1].) Em 1880, Samuel Butler publicou Unconscious Memory. Esse trabalho abrangia a tradução de uma conferência pronunciada por Hering em 1870. ‘Uber das Gedächtnis als eine allgemeine Funktion der organisierten Materie’ (‘Sobre a Memória como uma Função Universal da Matéria Organizada’), com a qual Butler concordou de maneira geral. Um livro intitulado The Unconscious, de Israel Levine, veio a lume na Inglaterra em 1923; e uma tradução alemã do mesmo, feita por Anna Freud, apareceu em 1926. Uma seção dessa obra, contudo (Parte I, Seção 13), que trata de Samuel Butler, foi traduzida pelo próprio Freud. O autor, Levine, embora mencionasse a conferência de Hering, estava mais preocupado com Butler do que com Hering, e, em relação a isso (na pág. 34 da tradução alemã), Freud acrescentou uma nota de rodapé do seguinte teor:
‘Os leitores alemães, familiarizados com essa conferência de Hering e considerando-a uma obra-prima, não estariam, naturalmente, inclinados a colocar em primeiro plano as considerações de Butler, que nela se basearam. Além disso, encontramos em Hering algumas observações pertinentes, que concedem à psicologia o direito de presumir a existência da atividade mental inconsciente: “Quem poderia esperar desemaranhar a tessitura de nossa vida interior, com suas complexidades multifárias, se estivéssemos dispostos a acompanhar seus fios somente até o ponto em que atravessam a consciência?… Cadeias como essas, de processos nervosos de material inconsciente, que terminam num elo acompanhado de uma percepção consciente, foram descritas como ‘encadeamentos inconscientes de idéias’ e ‘inferências inconscientes’; e, do ponto de vista da psicologia, isso pode ser justificado, pois a mente quase sempre escaparia por entre os dedos da psicologia, se esta se recusasse a manter uma garra sobre os estados inconscientes da mente.” [Hering, 1870, 11 e 13.]’
Mattanó aponta que Freud evidentemente teve um encontro primevo com ideias e teorias que despertaram seu interesse, motivação e habilidades para estudar e trabalhar com o inconsciente em sua teoria psicanalítica que floresceria conforme fosse descobrindo a si mesmo e as suas motivações psicológicas, aqui inconscientes ou nomeadas de inconscientes, conforme a cultura e o zeitgeist de sua época.
MATTANÓ
(09/02/2026)
APÊNDICE B: PARALELISMO PSICOFÍSICO
[Ressaltou-se acima (ver em [1]) que os conceitos emitidos anteriormente sobre a relação entre a mente e o sistema nervoso foram grandemente influenciados por Hughlings-Jackson. Isso é indicado de maneira específica pelo trecho que se segue, extraído de sua monografia sobre afasia (1891b, 56-8). É especialmente instrutivo comparar as últimas frases sobre o tema de lembranças latentes com a posição ulterior de Freud. A fim de preservar a uniformidade da terminologia, fez-se nova tradução.]
Após essa digressão retornamos à consideração da afasia. Podemos recordar que, à base dos ensinamentos de Meynert, se desenvolveu a teoria de que o aparelho fonador consiste em centros corticais distintos, em cujas células se encontram as apresentações da palavra, estando esses centros separados por uma região cortical desprovida de função, ligados por fibras brancas (fascíolos associativos). De imediato, pode-se levantar a questão de saber se uma hipótese dessa natureza, que abarca apresentações em células nervosas, pode de algum modo ser correta e permissível. Penso que não.
A tendência da medicina em períodos anteriores era a de localizar faculdades mentais inteiras, conforme definidas pela nomenclatura psicológica, em certas regiões do cérebro. Em contraste, portanto, não podia deixar de parecer um grande avanço o fato de Wernick ter declarado que somente os elementos psíquicos mais simples, as diferentes apresentações sensoriais, poderiam legitimamente ser localizadas - localizadas na terminação central do nervo periférico que recebeu a impressão. Contudo, não estaremos, em princípio, cometendo o mesmo erro, tentando localizar ou um conceito complicado, ou toda uma atividade mental, ou um elemento psíquico? Será que se justifica tomar uma fibra nervosa - que em toda a extensão de seu curso é uma estrutura puramente fisiológica, sujeita a modificações puramente fisiológicas -, mergulhar-lhe a extremidade na esfera da mente, e ajustar essa extremidade a uma apresentação ou a uma imagem mnêmica? Se a ‘vontade’, a ‘inteligência’, e assim por diante, foram reconhecidas como termos técnicos psicológicos aos quais correspondem estados de coisas muito complicados no mundo fisiológico, será que nos podemos sentir um pouco mais seguros quanto ao fato de que uma ‘simples apresentação sensorial’ não passa de uma expressão técnica do mesmo tipo?
É provável que a cadeia de eventos fisiológicos do sistema nervoso não esteja numa ligação causal com os eventos psíquicos. Os eventos fisiológicos não cessam tão logo se iniciam os psíquicos; ao contrário, a cadeia fisiológica continua. O que acontece é simplesmente que, após certo tempo, cada um (ou alguns) de seus elos tem um fenômeno fisiológico que lhe corresponde. Em conseqüência, o psíquico é um processo paralelo ao fisiológico - ‘um concomitante dependente’.
Sei muito bem que não posso acusar as pessoas, cujos conceitos estou discutindo aqui, de terem dado esse salto e alterado, sem maiores considerações, seu ângulo científico de abordagem [isto é, do fisiológico para o psicológico]. Obviamente, elas não querem dizer outra coisa senão que a modificação fisiológica das fibras nervosas que acompanha a excitação sensorial produz outra modificação na célula nervosa central, e que essa última modificação se torna o correlato fisiológico da ‘apresentação’. Já que podem dizer muito mais sobre apresentações do que sobre modificações, das quais absolutamente nenhuma caracterização fisiológica foi ainda alcançada, permanecendo desconhecidas, elas fazem uso da declaração elíptica segundo a qual a apresentação está localizada na célula nervosa. Essa maneira de apresentar as coisas, contudo, leva de imediato a uma confusão entre as duas coisas, que não precisam ser semelhantes entre si. Na psicologia, uma apresentação simples é algo elementar, que podemos distinguir bem nitidamente de suas ligações com outras apresentações. Isso nos leva a supor que o correlato fisiológico da apresentação - isto é, a modificação que se origina na fibra nervosa excitada com sua terminação no centro - também é algo simples, que pode ser localizado num ponto particular. Traçar um paralelo dessa espécie é, naturalmente, totalmente injustificável; as características da modificação devem ser estabelecidas por sua própria conta e independentemente de seu equivalente psicológico.
O que é, então, o correlato fisiológico de uma apresentação simples ou da mesma apresentação quando se repete? Claramente, nada de estático, mas algo da natureza de um processo. Esse processo admite localização. Parte de um ponto particular do córtex e se espalha a partir daí por todo o córtex ou por certos tratos. Quando esse processo é incluído, deixa para trás uma modificação no córtex que foi afetado por ele - a possibilidade de recordar. É também altamente duvidoso que exista algo psíquico que corresponda a essa modificação. Nossa consciência nada revela que justifique, do ponto de vista psíquico, o nome de uma ‘imagem mnêmica latente’. Mas sempre que o mesmo estado do córtex é novamente provocado, o aspecto psíquico passa outra vez a existir como uma imagem mnêmica…
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que é provável que a cadeia de eventos fisiológicos do sistema nervoso não esteja numa ligação causal com os eventos psíquicos. Os eventos fisiológicos não cessam tão logo se iniciam os psíquicos; ao contrário, a cadeia fisiológica continua. O que acontece é simplesmente que, após certo tempo, cada um (ou alguns) de seus elos tem um fenômeno fisiológico que lhe corresponde. Em conseqüência, o psíquico é um processo paralelo ao fisiológico - ‘um concomitante dependente’.
Quando nossa consciência nada revela que justifique, do ponto de vista psíquico, o nome desse evento chamamos de uma ‘imagem mnêmica latente’. Mas sempre que o mesmo estado do córtex é novamente provocado, o aspecto psíquico passa outra vez a existir como uma imagem mnêmica…
Mattanó aponta que é provável que a cadeia de eventos fisiológicos do sistema nervoso não esteja numa ligação causal com os eventos psíquicos. Os eventos fisiológicos não cessam tão logo se iniciam os psíquicos; ao contrário, a cadeia fisiológica continua. O que acontece é simplesmente que, após certo tempo, cada um (ou alguns) de seus elos tem um fenômeno fisiológico que lhe corresponde. Em conseqüência, o psíquico é um processo paralelo ao fisiológico - ‘um concomitante dependente’. A isto chamamos de adaptação, que ainda inclui o fenômeno morfológico que também depende do fenômeno fisiológico e do fenômeno psíquico que é o responsável pela consciência, ou melhor, pelo comportamento do indivíduo.
Quando nossa consciência nada revela que justifique, do ponto de vista psíquico, o nome desse evento chamamos de uma ‘imagem mnêmica latente’. Mas sempre que o mesmo estado do córtex é novamente provocado, o aspecto psíquico passa outra vez a existir como uma imagem mnêmica… A isto chamamos de reconhecimento ponto-a-ponto pelo córtex cerebral que através da primeira camada do cérebro apenas reconhece o objeto ponto-a-ponto, passando para a segunda camada do cérebro que decodifica essa informação no tálamo e finalmente na terceira camada ocorre a interpretação dessa informação no tronco cerebral onde formamos nossa consciência, porém a imagem do objeto começa a ser formada no córtex cerebral de forma latente, depois no tálamo onde adquire movimento e imagem mnêmica, para se tornar consciência no tronco cerebral, e também conhecimento, cultura e realidade.
MATTANÓ
(09/02/2026)
APÊNDICE C: PALAVRAS E COISAS
[A seção final do artigo de Freud sobre ‘O Inconsciente’ parece ter raízes em sua antiga monografia sobre afasia (1891b). Por conseguinte, talvez seja de interesse reproduzir aqui um trecho daquele trabalho que, embora não particularmente fácil de acompanhar, lança luz sobre as suposições subjacentes a alguns dos conceitos ulteriores de Freud. O trecho possui ainda o interesse incidental de apresentar Freud na posição bastante inusitada de se expressar na linguagem técnica da psicologia ‘acadêmica’ do fim do século XIX. A passagem aqui reproduzida vem depois de uma sucessão de argumentos anatômicos e fisiológicos destrutivos e construtivos, a qual conduziu Freud a um esquema hipotético a respeito do funcionamento neurológico por ele descrito como o ‘aparelho da fala’. Deve-se observar, contudo, que há uma diferença importante, e talvez perturbadora, entre a terminologia que Freud emprega aqui e a que emprega em ‘O Inconsciente’. Aqui, o que ele denomina de ‘apresentação do objeto’ é o que em ‘O Inconsciente’, chama de ‘apresentação da coisa’; ao passo que o que em ‘O Inconsciente’ ele denomina de a ‘apresentação do objeto’ denota um complexo formado pela ‘apresentação da coisa’ e pela ‘apresentação do objeto’ combinadas - um complexo que não recebeu nome algum no trecho da Afasia. A tradução foi feita especialmente para esta ocasião, já que, por motivos de terminologia, a que foi publicada não se adapta inteiramente à finalidade presente. Da mesma forma que na última seção de ‘O Inconsciente’, aqui empregamos sempre a palavra ‘apresentação’ para traduzir o alemão ‘Vorstellung‘, enquanto ‘imagem’ traduz o alemão ‘Bild‘. O trecho vai da pág. 74 à pág. 81 da edição alemã original.]
Proponho agora considerar quais as hipóteses necessárias para explicar as perturbações da fala à base de um aparelho fonador construído dessa maneira - em outras palavras, considerar o que o estudo da perturbação da fala nos ensina sobre a função desse aparelho. Ao fazê-lo, manterei os aspectos psicológico e anatômico da questão tão isolados quanto possível.
Do ponto de vista da psicologia, a unidade da função da fala é a “palavra”, uma apresentação complexa, que vem a ser uma combinação de elementos auditivos, visuais e cinestésicos. Devemos nosso conhecimento dessa combinação à patologia, que nos mostra que, nas lesões orgânicas do aparelho da fala, ocorre uma desintegração da fala nos moldes em que a combinação é feita. Esperamos assim verificar que a ausência de um desses elementos da apresentação da palavra venha a ser a indicação mais importante para que cheguemos a uma localização da doença. Distinguem-se, em geral, quatro componentes da apresentação da palavra: a ‘imagem sonora’, a ‘imagem visual da letra’, a ‘imagem motora da fala’ e a ‘imagem motora da escrita’. Essa combinação, porém, se torna mais complicada quando se entra no processo provável da associação que se verifica em cada uma das várias atividades da fala: -
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que segundo a psicologia, a unidade da função da fala é a “palavra”, uma apresentação complexa, que vem a ser uma combinação de elementos auditivos, visuais e cinestésicos. Devemos nosso conhecimento dessa combinação à patologia, que nos mostra que, nas lesões orgânicas do aparelho da fala, ocorre uma desintegração da fala nos moldes em que a combinação é feita. Esperamos assim verificar que a ausência de um desses elementos da apresentação da palavra venha a ser a indicação mais importante para que cheguemos a uma localização da doença. Distinguem-se, em geral, quatro componentes da apresentação da palavra: a ‘imagem sonora’, a ‘imagem visual da letra’, a ‘imagem motora da fala’ e a ‘imagem motora da escrita’. Essa combinação, porém, se torna mais complicada quando se entra no processo provável da associação que se verifica em cada uma das várias atividades da fala: -
Aprendemos a falar associando uma ‘imagem sonora de uma palavra’ com um ‘sentido da inervação de uma palavra’. Após termos falado, ficamos também de posse de uma ‘apresentação motora da fala’ de modo que, sob um aspecto motor, a ‘palavra’ é duplamente determinada para nós. Dos dois elementos determinantes, o primeiro - seu aparecimento, se é que ele ocorre, como fator psíquico pode ser contestado. O segundo é uma imagem sonora que não precisa ser a mesma que a primeira, mas apenas associada a ela.
Mattanó aponta que segundo a psicologia, a unidade da função da fala é a “palavra”, uma apresentação complexa, que vem a ser uma combinação de elementos auditivos, visuais e cinestésicos. Devemos nosso conhecimento dessa combinação à patologia, que nos mostra que, nas lesões orgânicas do aparelho da fala, ocorre uma desintegração da fala nos moldes em que a combinação é feita. Esperamos assim verificar que a ausência de um desses elementos da apresentação da palavra venha a ser a indicação mais importante para que cheguemos a uma localização da doença. Distinguem-se, em geral, quatro componentes da apresentação da palavra: a ‘imagem sonora’, a ‘imagem visual da letra’, a ‘imagem motora da fala’ e a ‘imagem motora da escrita’. Essa combinação, porém, se torna mais complicada quando se entra no processo provável da associação que se verifica em cada uma das várias atividades da fala: -
Aprendemos a falar associando uma ‘imagem sonora de uma palavra’ com um ‘sentido da inervação de uma palavra’. Para Mattanó aprendemos a falar através do reforço das vogais das palavras que fazem parte da rotina de cuidados dos nossos bebês, como ¨mamãe¨, ¨papai¨, ¨nenem¨, ¨midinha¨, ¨papinha¨, ¨mamá¨, ¨cacá¨, ¨xixi¨, ¨bainho¨, ¨irmão¨, ¨irmã¨, ¨vovô, ¨vovó¨, ¨titio e titia¨, ¨priminho e priminha¨, os bebês reproduzem apenas uma ou duas vogais no início e vão ampliando seu repertório comportamental de acordo com o reforço dos pais e cuidadores, geralmente os bebês selecionam uma , duas ou três dessas palavras para se expressarem com suas vogais, mas não há nada que os impeçam de se comunicarem com mudança de palavras, ou seja, as mesmas vogais, mas com intenções diferentes, mesmo que estas intenções sejam fisiológicas, comportamentais, morfológicas e adaptativas. Após termos falado, ficamos também de posse de uma ‘apresentação motora da fala’ de modo que, sob um aspecto motor, a ‘palavra’ é duplamente determinada para nós. Dos dois elementos determinantes, o primeiro - seu aparecimento, se é que ele ocorre, como fator psíquico pode ser contestado. O segundo é uma imagem sonora que não precisa ser a mesma que a primeira, mas apenas associada a ela. Para Mattanó a criança só passa a falar quando adquire estruturas cognitivas para realizar esta operação que vai se consolidando no período pré-operacional, quando a criança adquire a linguagem e as palavras e mais adiante os significados e os sentidos das palavras, de modo que seu repertório comportamental motor e psicomotor passam a adquirir também significado e sentido e classificação.
MATTANÓ
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(2) Aprendemos a falar a língua de outras pessoas esforçando-nos por tornar a imagem sonora produzida por nós tão igual quanto possível à que deu lugar à nossa inervação da fala. Aprendemos dessa forma a ‘repetir’ - ‘dizer à imitação de’ outra pessoa. Quando justapomos as palavras no discurso encadeado, retemos a inervação da palavra seguinte até que a imagem sonora ou a apresentação motora da fala (ou ambas) da palavra precedente nos tenha alcançado. A segurança de nossa fala é assim superdeterminada, podendo facilmente suportar a perda de um ou outro dos fatores determinantes. Por outro lado, uma perda da correção exercida pela segunda imagem sonora e pela imagem motora da fala explica algumas das peculiaridades, tanto fisiológicas como patológicas, da parafasia.
(3) Aprendemos a soletrar ligando as imagens visuais das letras a novas imagens sonoras, as quais, por seu lado, devem nos lembrar os sons verbais que já conhecemos. Imediatamente ‘repetimos’ a imagem sonora que denota a letra, de modo que também se observa que as letras são determinadas por duas imagens sonoras que coincidem, e duas apresentações motoras que se correspondem.
(4) Aprendemos a ler ligando, de acordo com certas regras, a sucessão de apresentações inervatórias e motoras da palavra que recebemos quando enunciamos letras isoladas, de modo a fazer surgir novas apresentações motoras da palavra. Assim que dizemos em voz alta essas novas apresentações da palavra, descobrimos por suas imagens sonoras que as duas imagens motoras e imagens sonoras que recebemos dessa forma, de há muito nos são familiares e idênticas às imagens empregadas no falar. Associamos então o significado ligado aos sons verbais primários às imagens sonoras adquiridas pela soletração. Agora lemos com compreensão. Se o que foi falado primariamente foi um dialeto e não uma língua literária, as imagens motoras e sonoras das palavras adquiridas pela soletração têm de ser superassociadas às imagens antigas; assim, temos de aprender uma nova língua - tarefa facilitada pela semelhança entre o dialeto e a língua literária.
Ver-se-á, por essa descrição da aprendizagem da leitura, que se trata de um processo muito complicado, no qual o curso das associações deve repetidamente mover-se para frente e para trás. Estaremos também preparados para verificar que perturbações da leitura na afasia tendem a ocorrer numa grande variedade de formas. A única coisa que decisivamente indica uma lesão no elemento visual da leitura é uma perturbação na leitura de letras separadas. A combinação de letras numa palavra ocorre durante a transmissão ao trato da palavra e conseqüentemente será abolida na afasia motora. Só se chega a uma compreensão do que é lido por intermédio das imagens sonoras produzidas pelas palavras que foram enunciadas, ou através das imagens motoras de palavras que surgiram ao falarmos. Vê-se, portanto, que se trata de uma função que é extinta não somente onde há lesões motoras, mas também onde há lesões acústicas. Verifica-se, ainda, que compreender o que é lido é uma função independente do desempenho da leitura. Qualquer um pode descobrir pela auto-observação que existem várias espécies de leitura, em algumas das quais não chegamos a compreender o que é lido. Quando estou lendo provas com a intenção de prestar atenção especial às imagens visuais das letras e de outros sinais tipográficos, o sentido do que leio me escapa tão inteiramente, que tenho de ler todas as provas novamente de maneira especial, se quiser corrigir o estilo. Quando, por outro lado, leio um livro que me interessa, um romance, por exemplo, desprezo todos os erros de impressão; e pode acontecer que os nomes das personagens deixem apenas uma impressão confusa em minha mente - uma recordação, talvez, de que são longos ou curtos, ou contêm alguma letra inusitada, como um ‘x’ ou um ‘z’. Quando tenho de ler em voz alta, e tenho de prestar particular atenção às imagens sonoras de minhas palavras e aos intervalos entre elas mais uma vez corro o perigo de me preocupar muito pouco com o significado das palavras e logo que me fatigo leio de tal maneira que, embora outras pessoas ainda possam compreender o que estou lendo, eu próprio não sei mais o que leio. Esses são fenômenos de atenção dividida, que surgem precisamente aqui porque uma compreensão do que é lido só ocorre de forma muito indireta. Se o processo da própria leitura oferece dificuldades, não há mais dúvida quanto à compreensão. Isso fica claro pela analogia com o nosso comportamento quando estamos aprendendo a ler; devemos ter o cuidado de não considerar a ausência de compreensão como prova de interrupção de um trato. A leitura em voz alta não deve ser considerada como um processo de algum modo diferente da leitura silenciosa, a não ser pelo fato de que ela ajuda a atenção da parte sensorial do processo de leitura.
(5) Aprendemos a escrever reproduzindo as imagens visuais das letras por meio de imagens inervatórias da mão, até que essas mesmas imagens visuais ou outras semelhantes apareçam. Em geral, as imagens da escrita são apenas semelhantes às imagens da leitura e superassociadas a elas, visto que o que aprendemos a ler é impresso e o que aprendemos a escrever é manuscrito. Escrever vem a ser um processo comparativamente simples e que não está tão sujeito à perturbação quanto a leitura.
(6) É de se presumir que posteriormente também realizemos essas diferentes funções da fala nos mesmos moldes associativos em que as aprendemos. Nessa fase ulterior, podem ocorrer abreviaturas e substituições, mas nem sempre é fácil dizer qual a sua natureza. Sua importância é diminuída pela consideração de que em casos de lesão orgânica o aparelho da fala provavelmente será, até certo ponto, danificado em seu todo e compelido a voltar às modalidades de associação primárias, bem estabelecidas e mais extensas. Quanto à leitura, a ‘imagem visual da palavra’ indubitavelmente faz sentir sua influência em leitores dotados de prática, de modo que as palavras individuais (particularmente os nomes próprios) podem ser lidas sem que sejam soletradas.
Uma palavra é, portanto, uma apresentação complexa que consiste nas imagens acima enumeradas; ou, dizendo-o de outra forma, corresponde à palavra um complicado processo associativo no qual se reúnem os elementos de origem visual, acústica e cenestésica enumerados acima.
Uma palavra, contudo, adquire seu significado ligando-se a uma ‘apresentação do objeto’, pelo menos se nos restringirmos a uma consideração de substantivos. A própria apresentação do objeto é, mais uma vez, um complexo de associações formado por uma grande variedade de apresentações visuais, acústicas, táteis, cenestésicas e outras. A filosofia nos diz que uma apresentação do objeto consiste simplesmente nisso - que a aparência de haver uma ‘coisa’ de cujos vários ‘atributos’ essas impressões dos sentidos dão testemunho, deve-se meramente ao fato de que, ao enumerarmos as impressões sensoriais que recebemos de um objeto, pressupomos a possibilidade de haver grande número de outras impressões na mesma cadeia de associações (J.S. Mill). Assim, a apresentação do objeto é vista como uma apresentação que não é fechada e quase como uma que não pode ser fechada, enquanto que a apresentação da palavra é vista como algo fechado, muito embora capaz de extensão.
A patologia das perturbações da fala leva-nos a asseverar que a apresentação da palavra está ligada em sua extremidade sensorial (por suas imagens sonoras) à apresentação do objeto. Chegamos, assim, a duas espécies de perturbação da fala: (1) uma afasia de primeira ordem, afasia verbal, na qual somente são perturbadas as associações entre os elementos separados da apresentação da palavra; e (2) uma afasia de segunda ordem, afasia assimbólica, na qual é perturbada a associação entre a apresentação da palavra e a apresentação do objeto.
Emprego o termo ‘assimbolia’ num sentido diverso do que lhe tem sido comumente atribuído desde Finkelnburg, porque me parece que a relação entre a [apresentação da] palavra e a apresentação do objeto merece muito mais ser descrita como ‘simbólica’ do que a relação entre o objeto e a apresentação do objeto. Para as perturbações no reconhecimento de objetos que Finkelnburg classifica como assimbolia, gostaria de propor o termo ‘agnosia’. É possível que perturbações ‘agnósticas’ (que só podem ocorrer em casos de lesões corticais bilaterais e extensas) possam também acarretar uma perturbação da fala, visto que todos os incitamentos ao falar espontâneo provêm do campo das associações de objeto. Eu chamaria essas perturbações da fala de afasias de terceira ordem ou afasias agnósticas. A observação clínica trouxe de fato ao nosso conhecimento alguns casos que devem ser encarados dessa forma…
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica como era a sua teoria a respeito da fala e da alfabetização, da compreensão das palavras e do símbolo e da relação entre objeto e a apresentação do objeto, abordou o que ele chamou de perturbações agnósticas, que eram perturbações da fala.
Mattanó aponta como Freud explicava como era a sua teoria a respeito da fala e da alfabetização, da compreensão das palavras e do símbolo e da relação entre objeto e a apresentação do objeto, e como ele abordou o que ele chamou de perturbações agnósticas, que eram perturbações da fala. Contudo Mattanó acrescenta que hoje as perturbações da fala são conteúdo e área de interesse da Psicologia Escolar que possui corpo teórico e prático especializado para lidar e tratar, diagnosticar os problemas das crianças, jovens e adultos nas escolas que apresentem dificuldades com a fala, por exemplo, e a aprendizagem.
MATTANÓ
(09/02/2026)
SUPLEMENTO METAPSICOLÓGICO À TEORIA DOS SONHOS (1916 [1915])
NOTA DO EDITOR INGLÊS - METAPSYCHOLOGISCHE ERGÄNZUNGZUR TRAUMLEHRE
(a) EDIÇÕES ALEMÃS:
1917 Int. Z. Psychoanal., 4 (6), 277-87.
1918 S.K.S.N., 4, 339-55. (1922, 2ª ed.)
1924 G.S., 5, 520-34.
1924 Technik und Metapsychol., 242-56.
1931 Theoretische Schriften, 141-56.
1946 G.W., 10, 412-26.
(b)TRADUÇÃO INGLESA:
‘Metapsychological Supplement to the Theory of Dreams’
1925 C.P., 4, 137-151. (Trad. C. M. Baines.)
A presente tradução inglesa, embora baseada na de 1925, foi amplamente reescrita.
Este artigo, juntamente com o seguinte (‘Luto e Melancolia’), parece ter sido escrito num período de onze dias, entre 23 de abril e 4 de maio de 1915, só tendo sido publicado dois anos depois. Como transparece em seu título, é essencialmente uma aplicação do esquema teórico recém-formulado de Freud às hipóteses apresentadas no Capítulo VII de A Interpretação de Sonhos. Termina, porém, por se transformar num exame dos efeitos produzidos pelo estado de sono sobre os diferentes ‘sistemas’ da mente. E esse exame, por sua vez, se concentra principalmente no problema da alucinação e numa investigação do modo como, em nosso estado normal, somos capazes de distinguir entre a fantasia e a realidade.
Freud se ocupou desse problema desde os primeiros tempos. Muito espaço foi dedicado a ele em seu ‘Projeto’ de 1895 (Freud, 1950a, especialmente na Parte I, Seções 15 e 16, e na Parte III, Seção 1). E a solução por ele proposta, embora enunciada numa terminologia diferente, se assemelha visivelmente à formulada no presente artigo. Abrangia duas linhas principais de pensamento. Freud argumentava que por si mesmos os ‘processos psíquicos primários’ não estabelecem qualquer distinção entre uma idéia e uma percepção; precisam, em primeiro lugar, ser inibidos pelos ‘processos psíquicos secundários’, que, por sua vez, só podem entrar em ação onde há um ‘ego’ com reserva suficientemente grande de catexia capaz de suprir a energia necessária para acionar a inibição. A finalidade da inibição consiste em dar tempo para que ‘indicações de realidade’ cheguem do aparelho perceptual. Mas, em segundo lugar, além dessa função inibidora e retardadora, o ego é também responsável por dirigir as catexias da ‘atenção’ (ver acima, em [1] e nota de rodapé) para o mundo externo, sem as quais as indicações da realidade não poderiam ser observadas.
Em A Interpretação de Sonhos (1900a), Edição Standard Brasileira, vol. V, págs. 603 e segs. e 636 e segs., IMAGO Editora, 1972, a função da inibição e da demora voltou a ser objeto de insistência como um fator essencial no processo de julgar se as coisas são ou não reais, tendo sido novamente atribuída ao ‘processo secundário’, embora o ego já não fosse mencionado como tal. A outra importante apreciação do assunto por parte de Freud está em seu artigo sobre ‘The Two Principles of Mental Functioning’ (1911b), onde pela primeira vez empregou a expressão ‘teste da realidade’. Mais uma vez aqui a característica de delonga do processo foi ressaltada, embora a função da atenção tenha passado a merecer maior consideração. Foi descrita como sendo um exame periódico do mundo externo e relacionada particularmente aos órgãos dos sentidos à consciência. É essa última faceta do problema, o papel desempenhado pelos sistemas Pcpt e Cs., que é principalmente examinada no artigo a seguir.
Contudo, o interesse de Freud pelo assunto de modo algum se esgotou com a presente apreciação. Em Group Psychology (1921c), por exemplo, atribuiu o trabalho de teste da realidade ao ideal do ego (Standard Ed., 18, 114) - uma atribuição que, no entanto, retirou logo depois, numa nota de rodapé no início do Capítulo III de The Ego and the Id (1923b). E agora, pela primeira vez desde o início de ‘Projeto’, o teste da realidade foi definitivamente atribuído ao ego. Num exame mais posterior ainda e particularmente interessante do assunto no artigo sobre ‘Negation’ (1925h), demonstrou-se que o teste da realidade depende da estreita relação genética do ego com os instrumentos da percepção sensorial. Naquele artigo, também (bem como no final do trabalho quase contemporâneo sobre o ‘Mystic Writing Pad‘ (1925a), havia outras referências ao hábito do ego de emitir catexias exploratórias periódicas para o mundo exterior - evidentemente uma alusão, em termos diferentes, ao que fora originalmente descrito como ‘atenção’. Mas em ‘Negation’ Freud levou ainda mais adiante a análise do teste da realidade, e rastreou todo o decorrer do seu desenvolvimento até chegar às relações objetais mais antigas do indivíduo.
O crescente interesse de Freud pela psicologia do ego em anos ulteriores levou-o a um exame mais detalhado das relações do ego com o mundo externo. Em dois breves artigos (1924b e 1924e), publicados logo após a The Ego and the Id, examinou a distinção entre a relação do ego com a realidade em neuroses e psicoses. E no artigo sobre ‘Fetishism’ (1927e) apresentou seu primeiro relato pormenorizado de um método de defesa do ego - ‘Verleugnung‘ (‘repúdio’ ou ‘negação’) - que anteriormente não fora claramente diferenciado da repressão, e que descrevia a reação do ego a uma realidade externa intolerável. Esse tema foi mais desenvolvido ainda em alguns dos últimos escritos de Freud, particularmente no Capítulo VII da obra póstuma Esboço de Psicanálise (1940a [1938] ).
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a investigação da alucinação e do modo como, em nosso estado normal, somos capazes de distinguir entre a fantasia e a realidade.
Freud argumentava que por si mesmos os ‘processos psíquicos primários’ não estabelecem qualquer distinção entre uma idéia e uma percepção; precisam, em primeiro lugar, ser inibidos pelos ‘processos psíquicos secundários’, que, por sua vez, só podem entrar em ação onde há um ‘ego’ com reserva suficientemente grande de catexia capaz de suprir a energia necessária para acionar a inibição. A finalidade da inibição consiste em dar tempo para que ‘indicações de realidade’ cheguem do aparelho perceptual. Mas, em segundo lugar, além dessa função inibidora e retardadora, o ego é também responsável por dirigir as catexias da ‘atenção’ (ver acima, em [1] e nota de rodapé) para o mundo externo, sem as quais as indicações da realidade não poderiam ser observadas.
Em A Interpretação de Sonhos (1900a), Edição Standard Brasileira, vol. V, págs. 603 e segs. e 636 e segs., IMAGO Editora, 1972, a função da inibição e da demora voltou a ser objeto de insistência como um fator essencial no processo de julgar se as coisas são ou não reais, tendo sido novamente atribuída ao ‘processo secundário’, embora o ego já não fosse mencionado como tal. A outra importante apreciação do assunto por parte de Freud está em seu artigo sobre ‘The Two Principles of Mental Functioning’ (1911b), onde pela primeira vez empregou a expressão ‘teste da realidade’. Mais uma vez aqui a característica de delonga do processo foi ressaltada, embora a função da atenção tenha passado a merecer maior consideração. Foi descrita como sendo um exame periódico do mundo externo e relacionada particularmente aos órgãos dos sentidos à consciência. É essa última faceta do problema, o papel desempenhado pelos sistemas Pcpt e Cs., que é principalmente examinada no artigo a seguir.
Contudo, o interesse de Freud pelo assunto de modo algum se esgotou com a presente apreciação. Em Group Psychology (1921c), por exemplo, atribuiu o trabalho de teste da realidade ao ideal do ego (Standard Ed., 18, 114) - uma atribuição que, no entanto, retirou logo depois, numa nota de rodapé no início do Capítulo III de The Ego and the Id (1923b). E agora, pela primeira vez desde o início de ‘Projeto’, o teste da realidade foi definitivamente atribuído ao ego. Num exame mais posterior ainda e particularmente interessante do assunto no artigo sobre ‘Negation’ (1925h), demonstrou-se que o teste da realidade depende da estreita relação genética do ego com os instrumentos da percepção sensorial. Naquele artigo, também (bem como no final do trabalho quase contemporâneo sobre o ‘Mystic Writing Pad‘ (1925a), havia outras referências ao hábito do ego de emitir catexias exploratórias periódicas para o mundo exterior - evidentemente uma alusão, em termos diferentes, ao que fora originalmente descrito como ‘atenção’. Mas em ‘Negation’ Freud levou ainda mais adiante a análise do teste da realidade, e rastreou todo o decorrer do seu desenvolvimento até chegar às relações objetais mais antigas do indivíduo.
O crescente interesse de Freud pela psicologia do ego em anos ulteriores levou-o a um exame mais detalhado das relações do ego com o mundo externo. Em dois breves artigos (1924b e 1924e), publicados logo após a The Ego and the Id, examinou a distinção entre a relação do ego com a realidade em neuroses e psicoses. E no artigo sobre ‘Fetishism’ (1927e) apresentou seu primeiro relato pormenorizado de um método de defesa do ego - ‘Verleugnung‘ (‘repúdio’ ou ‘negação’) - que anteriormente não fora claramente diferenciado da repressão, e que descrevia a reação do ego a uma realidade externa intolerável. Esse tema foi mais desenvolvido ainda em alguns dos últimos escritos de Freud, particularmente no Capítulo VII da obra póstuma Esboço de Psicanálise (1940a [1938] ).
Mattanó aponta Freud explicou a investigação da alucinação e do modo como, em nosso estado normal, somos capazes de distinguir entre a fantasia e a realidade. Vemos que Freud investigou em suas investigações científicas acerca da alucinações, da fantasia e da realidade, distinguindo o funcionamento psíquico de cada uma delas.
Freud argumentava que por si mesmos os ‘processos psíquicos primários’ não estabelecem qualquer distinção entre uma idéia e uma percepção; precisam, em primeiro lugar, ser inibidos pelos ‘processos psíquicos secundários’, que, por sua vez, só podem entrar em ação onde há um ‘ego’ com reserva suficientemente grande de catexia capaz de suprir a energia necessária para acionar a inibição. A finalidade da inibição consiste em dar tempo para que ‘indicações de realidade’ cheguem do aparelho perceptual. Mas, em segundo lugar, além dessa função inibidora e retardadora, o ego é também responsável por dirigir as catexias da ‘atenção’ (ver acima, em [1] e nota de rodapé) para o mundo externo, sem as quais as indicações da realidade não poderiam ser observadas. Vemos que os processos psíquicos primários não distinguem uma ideia de uma percepção pois se passam na primeira camada do cérebro, no córtex cerebral, já os processos psíquicos secundários passam pela segundo e pela terceira camadas do cérebro, ou seja, pelo tálamo e pelo tronco cerebral, aqui há um ego e uma reserva grande de catexia para acionar a inibição que indica a realidade através da atenção para o mundo externo.
Em A Interpretação de Sonhos (1900a), Edição Standard Brasileira, vol. V, págs. 603 e segs. e 636 e segs., IMAGO Editora, 1972, a função da inibição e da demora voltou a ser objeto de insistência como um fator essencial no processo de julgar se as coisas são ou não reais, tendo sido novamente atribuída ao ‘processo secundário’, embora o ego já não fosse mencionado como tal. A outra importante apreciação do assunto por parte de Freud está em seu artigo sobre ‘The Two Principles of Mental Functioning’ (1911b), onde pela primeira vez em, pregou a expressão ‘teste da realidade’. Mais uma vez aqui a característica de delonga do processo foi ressaltada, embora a função da atenção tenha passado a merecer maior consideração. Foi descrita como sendo um exame periódico do mundo externo e relacionada particularmente aos órgãos dos sentidos à consciência. É essa última faceta do problema, o papel desempenhado pelos sistemas Pcpt e Cs., que é principalmente examinada no artigo a seguir. Vemos que o processo secundário é uma função inibidora, uma forma de se julgar se as coisas são ou não reais; da mesma forma o teste da realidade que submete os órgãos dos sentidos à consciência.
Contudo, o interesse de Freud pelo assunto de modo algum se esgotou com a presente apreciação. Em Group Psychology (1921c), por exemplo, atribuiu o trabalho de teste da realidade ao ideal do ego (Standard Ed., 18, 114) - uma atribuição que, no entanto, retirou logo depois, numa nota de rodapé no início do Capítulo III de The Ego and the Id (1923b). E agora, pela primeira vez desde o início de ‘Projeto’, o teste da realidade foi definitivamente atribuído ao ego. Num exame mais posterior ainda e particularmente interessante do assunto no artigo sobre ‘Negation’ (1925h), demonstrou-se que o teste da realidade depende da estreita relação genética do ego com os instrumentos da percepção sensorial. Naquele artigo, também (bem como no final do trabalho quase contemporâneo sobre o ‘Mystic Writing Pad‘ (1925a), havia outras referências ao hábito do ego de emitir catexias exploratórias periódicas para o mundo exterior - evidentemente uma alusão, em termos diferentes, ao que fora originalmente descrito como ‘atenção’. Mas em ‘Negation’ Freud levou ainda mais adiante a análise do teste da realidade, e rastreou todo o decorrer do seu desenvolvimento até chegar às relações objetais mais antigas do indivíduo. Vemos que Freud submete o teste da realidade a uma estreita relação genética do ego com os instrumentos da percepção sensorial, onde prevalece o hábito do ego de emitir catexias exploratórias periódicas para o mundo exterior, contudo este trabalho pode chegar a uma estreita relação objetal mais antiga do individuo.
O crescente interesse de Freud pela psicologia do ego em anos ulteriores levou-o a um exame mais detalhado das relações do ego com o mundo externo. Em dois breves artigos (1924b e 1924e), publicados logo após a The Ego and the Id, examinou a distinção entre a relação do ego com a realidade em neuroses e psicoses. E no artigo sobre ‘Fetishism’ (1927e) apresentou seu primeiro relato pormenorizado de um método de defesa do ego - ‘Verleugnung‘ (‘repúdio’ ou ‘negação’) - que anteriormente não fora claramente diferenciado da repressão, e que descrevia a reação do ego a uma realidade externa intolerável. Esse tema foi mais desenvolvido ainda em alguns dos últimos escritos de Freud, particularmente no Capítulo VII da obra póstuma Esboço de Psicanálise (1940a [1938] ). Vemos que Freud detalha seu interesse pelas relações do ego com o mundo externo e assim com a realidade das neuroses e das psicoses, onde explica um método de defesa do ego que não fora claramente diferenciado da repressão, repúdio ou negação, onde a reação do ego ocorre diante de uma realidade externa intolerável.
MATTANÓ
(09/02/2026)
SUPLEMENTO METAPSICOLÓGICO À TEORIA DOS SONHOS
Descobriremos em várias conexões até que ponto se beneficiarão nossas indagações, se certos estados e manifestações, que podem ser considerados como protótipos normais das afecções patológicas, forem evocados para fins comparativos. Entre estes podemos incluir tanto estados afetivos, como o pesar e o estar apaixonado, quanto o estado de sono e o fenômeno do sonhos.
Não estamos habituados a pensar muito no fato de que todas as noites os seres humanos põem de lado os invólucros com que envolvem sua pele, e qualquer coisa que possam usar como suplemento aos órgãos de seu corpo (na medida em que tenham conseguido compensar as deficiências desses órgãos por substitutos), por exemplo, os óculos, os cabelos e os dentes postiços, e assim por diante. Podemos acrescentar que, quando vão dormir, despem de modo inteiramente análogo suas mentes, pondo de lado a maioria de suas aquisições psíquicas. Assim, sob ambos os aspectos, aproximam-se consideravelmente da situação na qual começaram a vida. Somaticamente, o sono é uma reativação da existência intra-uterina, na medida em que atende às condições de repouso, calor e exclusão do estímulo; na realidade, durante o sono muitas pessoas retomam a posição fetal. O estado psíquico de uma pessoa adormecida se caracteriza por uma retirada quase completa do mundo circundante e de uma cessação de todo interesse por ele.
Na investigação dos estados psiconeuróticos, somos levados a ressaltar em cada um deles o que se conhece por regressões temporais, isto é, a quantidade de recessão de desenvolvimento que lhe é peculiar. Distinguimos duas dessas regressões - uma que afeta o desenvolvimento do ego, e outra, o da libido. No estado de sono, a última é levada ao ponto de restauração do narcisismo primitivo, enquanto a primeira remonta à etapa da satisfação alucinatória dos desejos. [ver em [1] adiante]
É, sem dúvida, o estudo dos sonhos que nos ensina o que sabemos das características psíquicas do estado de sono. É verdade que os sonhos só nos revelam aquele que sonha na medida em que ele não está dormindo; não obstante, estão fadados a revelar ao mesmo tempo características do próprio sono. Viemos a conhecer pela observação algumas peculiaridades dos sonhos que de início não pudemos compreender, mas que agora podemos encaixar no quadro sem dificuldade. Desse modo, sabemos que os sonhos são inteiramente egoístas e que a pessoa que desempenha o principal papel em suas cenas deve sempre ser reconhecida como aquela que sonha. Isso é agora facilmente explicado pelo narcisismo do estado de sono. O narcisismo e o egoísmo, na realidade, coincidem; a palavra narcisismo destina-se apenas a ressaltar o fato de que o egoísmo é também um fenômeno libidinal; ou, expressando-o de outra maneira, o narcisismo pode ser descrito como o complemento libidinal do egoísmo. A capacidade de ‘diagnóstico’ dos sonhos - um fenômeno geralmente reconhecido, mas considerado enigmático - se torna igualmente compreensível. Nos sonhos, a doença física incipiente é com freqüência detectada mais cedo e mais claramente do que na vida de vigília, e todas as sensações costumeiras do corpo assumem proporções gigantescas. Essa amplificação é por natureza hipocondríaca; depende da retirada de todas as catexias psíquicas do mundo externo para o ego, tornando possível o reconhecimento precoce das modificações corporais que, na vida de vigília, permaneceriam inobservadas ainda por algum tempo.
Um sonho nos diz que estava acontecendo alguma coisa que tendia a interromper o sono, e nos permite compreender de que maneira foi possível desviar essa interrupção. O resultado final é aquele que dorme, sonha e é capaz de continuar dormindo; a exigência interna que lutava por ocupá-lo foi substituída por uma experiência externa, cuja exigência foi eliminada. Um sonho é, portanto, entre outras coisas, uma projeção: uma externalização de um processo interno. Podemos recordar que já encontramos a projeção em outra parte, entre os meios adotados para defesa. Também o mecanismo de uma fobia histérica culmina no fato de que o indivíduo é capaz de se proteger mediante tentativas de fuga contra um perigo externo que ocupa o lugar de uma reivindicação instintual interna. Adiaremos, contudo, o estudo mais detalhado da projeção até que cheguemos a analisar a desordem narcisista na qual esse mecanismo desempenha um papel muito marcante.
De que forma, porém, pode surgir um caso em que a intenção de dormir se choca com uma interrupção? A interrupção pode provir de uma excitação interna ou de um estímulo externo. Consideremos primeiro o caso mais obscuro e mais interessante da interrupção que parte de dentro. A observação revela que os sonhos são instigados por resíduos do dia anterior - catexias do pensamento que não foram submetidas à retirada geral das catexias, mas retiveram, apesar disso, certa quantidade de interesse libidinal ou de outra natureza. Assim, o narcisismo do sono, desde o início, teve de abrir uma exceção nesse ponto, e é aqui que começa a formação de sonhos. Na análise, tomamos conhecimento desses ‘resíduos do dia’ sob a forma de pensamentos oníricos latentes e, por causa tanto de sua natureza quanto de toda a situação, devemos considerá-los como idéias pré-conscientes, pertencentes ao sistema Pcs.
Não podemos prosseguir com a explicação da formação dos sonhos até que certas dificuldades tenham sido superadas. O narcisismo do estado de sono implica uma retirada da catexia de todas as idéias de objetos, das parcelas tanto inconscientes quanto pré-conscientes dessas idéias. Então, se certos resíduos do dia retêm sua catexia, hesitamos em supor que, durante a noite, adquiram energia suficiente para exigir a atenção da consciência; ficaríamos mais inclinados a supor que a catexia retida é muito mais fraca do que a que possuíam durante o dia. Aqui a análise nos poupa ulteriores especulações, porquanto revela que, se esses resíduos do dia quiserem figurar como construtores de sonhos, devem receber um esforço que tem sua fonte nos impulsos instintuais inconscientes. Essa hipótese não apresenta dificuldades imediatas, pois temos todos os motivos para supor que, no sono, a censura entre o Pcs. e o Ics. fica grandemente reduzida, o que faz com que a comunicação entre os dois sistemas se torne mais fácil.
Mas há outra dúvida, sobre a qual não devemos silenciar. Se o estado narcisista do sono tiver resultado numa retração de todas as catexias dos sistemas Ics. e Pcs., então já não haverá qualquer possibilidade de que os resíduos pré-conscientes do dia venham a ser reforçados por impulsos instintuais inconscientes, visto que estes cederam suas catexias ao ego. Aqui, a teoria da formação dos sonhos termina numa contradição, a menos que possamos salvá-la mediante uma modificação em nossa suposição sobre o narcisismo do sono.
Uma modificação restritiva dessa natureza, como veremos posteriormente, também é necessária na teoria da demência precoce. Presumivelmente isso se deve ao fato de que a parcela reprimida do sistema Ics. não atende ao desejo de dormir proveniente do ego, de que retém sua catexia no todo ou em parte, e de que, em geral, em conseqüência da repressão, adquire certa independência do ego. Em conseqüência, também, parte do que é dispendido na repressão (anticatexia) - teria de ser mantida durante a noite inteira, a fim de fazer face ao perigo instintual - embora a inacessibilidade de todos os caminhos que levam a uma liberação do afeto e à motilidade possa reduzir consideravelmente a altura da anticatexia necessária. Assim, deveríamos configurar a situação que conduz à formação de sonhos da seguinte maneira. O desejo de dormir esforça-se por absorver todas as catexias transmitidas pelo ego e por estabelecer um narcisismo absoluto. Isso só pode ter um sucesso parcial, pois o que é reprimido no sistema Ics. não obedece ao desejo de dormir. Portanto, uma parte das anticatexias tem de ser mantida, e a censura entre o Ics. e o Pcs. deve permanecer, mesmo que não seja com toda a sua força. Até onde se estende o domínio do ego, todos os sistemas ficam esvaziados de catexias. Quanto mais fortes forem as catexias instintuais do Ics., mais instável será o sono. Estamos familiarizados também com o caso extremo em que o ego desiste do desejo de dormir, porque se sente incapaz de inibir os impulsos reprimidos liberados durante o sono - em outras palavras, em que renuncia ao sono por temer seus sonhos.
Adiante, aprenderemos a reconhecer a portentosa natureza dessa hipótese referente à rebeldia dos impulsos reprimidos. No momento, acompanhemos a situação que ocorre na formação de sonhos.
A possibilidade mencionada acima [ver em [1]] - de que alguns dos pensamentos pré-conscientes do dia também podem revelar-se resistentes e reter uma parte de sua catexia - deve ser reconhecida como uma segunda brecha no narcisismo. No fundo, os dois casos podem ser idênticos. A resistência dos resíduos do dia pode originar-se num elo com impulsos inconscientes, já existente durante a vida de vigília; ou o processo pode ser menos simples, e os resíduos do dia que não tenham sido inteiramente esvaziados de catexia só podem estabelecer uma conexão com o material reprimido depois da ocorrência do estado de sono, graças à facilitação da comunicação entre o Pcs. e o Ics. Em ambos os casos, segue-se o mesmo passo decisivo na formação de sonhos: forma-se o desejo onírico pré-consciente, e isso dá expressão ao impulso inconsciente no material dos resíduos pré-conscientes do dia.
Deve-se distinguir acentuadamente esse desejo onírico dos resíduos do dia; ele não precisa ter existido na vida de vigília e já pode exibir o caráter irracional possuído por tudo que é inconsciente quando o traduzimos para o consciente. Além disso, o desejo onírico não deve ser confundido com os impulsos carregados de desejo que podem estar presentes - embora, certamente, não precisem necessariamente estar presentes - entre os pensamentos oníricos pré-conscientes (latentes). Se, contudo, houvesse tais desejos pré-conscientes, o desejo onírico se associara a eles, como um reforço muito eficaz dos mesmos.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o sono é uma reativação da existência intra-uterina, na medida em que atende às condições de repouso, calor e exclusão do estímulo; na realidade, durante o sono muitas pessoas retomam a posição fetal. O estado psíquico de uma pessoa adormecida se caracteriza por uma retirada quase completa do mundo circundante e de uma cessação de todo interesse por ele.
O estudo dos sonhos que nos ensina o que sabemos das características psíquicas do estado de sono. É verdade que os sonhos só nos revelam aquele que sonha na medida em que ele não está dormindo; não obstante, estão fadados a revelar ao mesmo tempo características do próprio sono. Desse modo, sabemos que os sonhos são inteiramente egoístas e que a pessoa que desempenha o principal papel em suas cenas deve sempre ser reconhecida como aquela que sonha. Isso é agora facilmente explicado pelo narcisismo do estado de sono. O narcisismo e o egoísmo, na realidade, coincidem; a palavra narcisismo destina-se apenas a ressaltar o fato de que o egoísmo é também um fenômeno libidinal; ou, expressando-o de outra maneira, o narcisismo pode ser descrito como o complemento libidinal do egoísmo. Nos sonhos, a doença física incipiente é com freqüência detectada mais cedo e mais claramente do que na vida de vigília, e todas as sensações costumeiras do corpo assumem proporções gigantescas. Essa amplificação é por natureza hipocondríaca; depende da retirada de todas as catexias psíquicas do mundo externo para o ego, tornando possível o reconhecimento precoce das modificações corporais que, na vida de vigília, permaneceriam inobservadas ainda por algum tempo.
Um sonho nos diz que estava acontecendo alguma coisa que tendia a interromper o sono, e nos permite compreender de que maneira foi possível desviar essa interrupção. O resultado final é aquele que dorme, sonha e é capaz de continuar dormindo; a exigência interna que lutava por ocupá-lo foi substituída por uma experiência externa, cuja exigência foi eliminada. Um sonho é, portanto, entre outras coisas, uma projeção: uma externalização de um processo interno. Podemos recordar que já encontramos a projeção em outra parte, entre os meios adotados para defesa. Também o mecanismo de uma fobia histérica culmina no fato de que o indivíduo é capaz de se proteger mediante tentativas de fuga contra um perigo externo que ocupa o lugar de uma reivindicação instintual interna. Adiaremos, contudo, o estudo mais detalhado da projeção até que cheguemos a analisar a desordem narcisista na qual esse mecanismo desempenha um papel muito marcante.
A observação revela que os sonhos são instigados por resíduos do dia anterior - catexias do pensamento que não foram submetidas à retirada geral das catexias, mas retiveram, apesar disso, certa quantidade de interesse libidinal ou de outra natureza. Assim, o narcisismo do sono, desde o início, teve de abrir uma exceção nesse ponto, e é aqui que começa a formação de sonhos. Na análise, tomamos conhecimento desses ‘resíduos do dia’ sob a forma de pensamentos oníricos latentes e, por causa tanto de sua natureza quanto de toda a situação, devemos considerá-los como idéias pré-conscientes, pertencentes ao sistema Pcs.
Não podemos prosseguir com a explicação da formação dos sonhos até que certas dificuldades tenham sido superadas. O narcisismo do estado de sono implica uma retirada da catexia de todas as idéias de objetos, das parcelas tanto inconscientes quanto pré-conscientes dessas idéias. Então, se certos resíduos do dia retêm sua catexia, hesitamos em supor que, durante a noite, adquiram energia suficiente para exigir a atenção da consciência; ficaríamos mais inclinados a supor que a catexia retida é muito mais fraca do que a que possuíam durante o dia. Aqui a análise nos poupa ulteriores especulações, porquanto revela que, se esses resíduos do dia quiserem figurar como construtores de sonhos, devem receber um esforço que tem sua fonte nos impulsos instintuais inconscientes. Essa hipótese não apresenta dificuldades imediatas, pois temos todos os motivos para supor que, no sono, a censura entre o Pcs. e o Ics. fica grandemente reduzida, o que faz com que a comunicação entre os dois sistemas se torne mais fácil.
Mas há outra dúvida, sobre a qual não devemos silenciar. Se o estado narcisista do sono tiver resultado numa retração de todas as catexias dos sistemas Ics. e Pcs., então já não haverá qualquer possibilidade de que os resíduos pré-conscientes do dia venham a ser reforçados por impulsos instintuais inconscientes, visto que estes cederam suas catexias ao ego. Aqui, a teoria da formação dos sonhos termina numa contradição, a menos que possamos salvá-la mediante uma modificação em nossa suposição sobre o narcisismo do sono.
Uma modificação restritiva dessa natureza, como veremos posteriormente, também é necessária na teoria da demência precoce. Presumivelmente isso se deve ao fato de que a parcela reprimida do sistema Ics. não atende ao desejo de dormir proveniente do ego, de que retém sua catexia no todo ou em parte, e de que, em geral, em conseqüência da repressão, adquire certa independência do ego. Em conseqüência, também, parte do que é dispendido na repressão (anticatexia) - teria de ser mantida durante a noite inteira, a fim de fazer face ao perigo instintual - embora a inacessibilidade de todos os caminhos que levam a uma liberação do afeto e à motilidade possa reduzir consideravelmente a altura da anticatexia necessária. Assim, deveríamos configurar a situação que conduz à formação de sonhos da seguinte maneira. O desejo de dormir esforça-se por absorver todas as catexias transmitidas pelo ego e por estabelecer um narcisismo absoluto. Isso só pode ter um sucesso parcial, pois o que é reprimido no sistema Ics. não obedece ao desejo de dormir. Portanto, uma parte das anticatexias tem de ser mantida, e a censura entre o Ics. e o Pcs. deve permanecer, mesmo que não seja com toda a sua força. Até onde se estende o domínio do ego, todos os sistemas ficam esvaziados de catexias. Quanto mais fortes forem as catexias instintuais do Ics., mais instável será o sono. Estamos familiarizados também com o caso extremo em que o ego desiste do desejo de dormir, porque se sente incapaz de inibir os impulsos reprimidos liberados durante o sono - em outras palavras, em que renuncia ao sono por temer seus sonhos.
Adiante, aprenderemos a reconhecer a portentosa natureza dessa hipótese referente à rebeldia dos impulsos reprimidos. No momento, acompanhemos a situação que ocorre na formação de sonhos.
A possibilidade mencionada acima [ver em [1]] - de que alguns dos pensamentos pré-conscientes do dia também podem revelar-se resistentes e reter uma parte de sua catexia - deve ser reconhecida como uma segunda brecha no narcisismo. No fundo, os dois casos podem ser idênticos. A resistência dos resíduos do dia pode originar-se num elo com impulsos inconscientes, já existente durante a vida de vigília; ou o processo pode ser menos simples, e os resíduos do dia que não tenham sido inteiramente esvaziados de catexia só podem estabelecer uma conexão com o material reprimido depois da ocorrência do estado de sono, graças à facilitação da comunicação entre o Pcs. e o Ics. Em ambos os casos, segue-se o mesmo passo decisivo na formação de sonhos: forma-se o desejo onírico pré-consciente, e isso dá expressão ao impulso inconsciente no material dos resíduos pré-conscientes do dia.
Deve-se distinguir acentuadamente esse desejo onírico dos resíduos do dia; ele não precisa ter existido na vida de vigília e já pode exibir o caráter irracional possuído por tudo que é inconsciente quando o traduzimos para o consciente. Além disso, o desejo onírico não deve ser confundido com os impulsos carregados de desejo que podem estar presentes - embora, certamente, não precisem necessariamente estar presentes - entre os pensamentos oníricos pré-conscientes (latentes). Se, contudo, houvesse tais desejos pré-conscientes, o desejo onírico se associara a eles, como um reforço muito eficaz dos mesmos.
Mattanó aponta que Freud considera o sono é uma reativação da existência intra-uterina, na medida em que atende às condições de repouso, calor e exclusão do estímulo; na realidade, durante o sono muitas pessoas retomam a posição fetal. O estado psíquico de uma pessoa adormecida se caracteriza por uma retirada quase completa do mundo circundante e de uma cessação de todo interesse por ele. Mas para Mattanó o sono é capaz de adquirir estímulos como os auditivos que estimulam a audição do feto, de tal modo que podem marcar o seu mapa cerebral, construir seu mapa cognitivo através da sua cóclea e da sua topografia virtual coclear, que marca o que nomeei de pulsão auditiva. Durante a vida intra-uterina a pulsão auditiva é passiva e só depois do nascimento quando o bebê passa a se escutar a pulsão auditiva passa a ser ativa. A associação da pulsão auditiva com a pulsão oral e a esquizofrenia paranóica pode desencadear a lavagem cerebral e a despersonalização.
O estudo dos sonhos que nos ensina o que sabemos das características psíquicas do estado de sono. É verdade que os sonhos só nos revelam aquele que sonha na medida em que ele não está dormindo; não obstante, estão fadados a revelar ao mesmo tempo características do próprio sono. Desse modo, sabemos que os sonhos são inteiramente egoístas e que a pessoa que desempenha o principal papel em suas cenas deve sempre ser reconhecida como aquela que sonha. Isso é agora facilmente explicado pelo narcisismo do estado de sono. O narcisismo e o egoísmo, na realidade, coincidem; a palavra narcisismo destina-se apenas a ressaltar o fato de que o egoísmo é também um fenômeno libidinal; ou, expressando-o de outra maneira, o narcisismo pode ser descrito como o complemento libidinal do egoísmo. Nos sonhos, a doença física incipiente é com freqüência detectada mais cedo e mais claramente do que na vida de vigília, e todas as sensações costumeiras do corpo assumem proporções gigantescas. Essa amplificação é por natureza hipocondríaca; depende da retirada de todas as catexias psíquicas do mundo externo para o ego, tornando possível o reconhecimento precoce das modificações corporais que, na vida de vigília, permaneceriam inobservadas ainda por algum tempo. Vemos que os sonhos são puramente egoístas segundo Freud, devido o narcisismo do estado de sono, estes fenômenos são fenômenos libidinais, de comunhão e de exercício da força, as doenças físicas nos sonhos são detectadas nos sonhos muito mais cedo do que no estado de vigília devido a hipocondria que retira as catexias psíquicas do mundo externo para o ego, tornando possível o reconhecimento precoce das modificações corporais.
Um sonho nos diz que estava acontecendo alguma coisa que tendia a interromper o sono, e nos permite compreender de que maneira foi possível desviar essa interrupção. O resultado final é aquele que dorme, sonha e é capaz de continuar dormindo; a exigência interna que lutava por ocupá-lo foi substituída por uma experiência externa, cuja exigência foi eliminada. Um sonho é, portanto, entre outras coisas, uma projeção: uma externalização de um processo interno. Podemos recordar que já encontramos a projeção em outra parte, entre os meios adotados para defesa. Também o mecanismo de uma fobia histérica culmina no fato de que o indivíduo é capaz de se proteger mediante tentativas de fuga contra um perigo externo que ocupa o lugar de uma reivindicação instintual interna. Adiaremos, contudo, o estudo mais detalhado da projeção até que cheguemos a analisar a desordem narcisista na qual esse mecanismo desempenha um papel muito marcante. Vemos que a exigência do sono é continuar dormindo, de tal forma que uma experiência externa acaba sendo eliminada, assim um sonho pode ser uma projeção, uma externalização de um processo interno, uma forma de defesa comportamental ou inconsciente.
A observação revela que os sonhos são instigados por resíduos do dia anterior - catexias do pensamento que não foram submetidas à retirada geral das catexias, mas retiveram, apesar disso, certa quantidade de interesse libidinal ou de outra natureza. Assim, o narcisismo do sono, desde o início, teve de abrir uma exceção nesse ponto, e é aqui que começa a formação de sonhos. Na análise, tomamos conhecimento desses ‘resíduos do dia’ sob a forma de pensamentos oníricos latentes e, por causa tanto de sua natureza quanto de toda a situação, devemos considerá-los como idéias pré-conscientes, pertencentes ao sistema Pcs. Vemos que os sonhos são formados por resíduos do dia anterior, pensamentos oníricos latentes, ideias pré-conscientes que pertencem ao sistema pré-consciente, pois não foram submetidas à retirada geral das catexias, mas retiveram certa quantidade de energia libidinal, de comunhão e/ou de exercício da força.
Não podemos prosseguir com a explicação da formação dos sonhos até que certas dificuldades tenham sido superadas. O narcisismo do estado de sono implica uma retirada da catexia de todas as idéias de objetos, das parcelas tanto inconscientes quanto pré-conscientes dessas idéias. Então, se certos resíduos do dia retêm sua catexia, hesitamos em supor que, durante a noite, adquiram energia suficiente para exigir a atenção da consciência; ficaríamos mais inclinados a supor que a catexia retida é muito mais fraca do que a que possuíam durante o dia. Aqui a análise nos poupa ulteriores especulações, porquanto revela que, se esses resíduos do dia quiserem figurar como construtores de sonhos, devem receber um esforço que tem sua fonte nos impulsos instintuais inconscientes. Essa hipótese não apresenta dificuldades imediatas, pois temos todos os motivos para supor que, no sono, a censura entre o Pcs. e o Ics. fica grandemente reduzida, o que faz com que a comunicação entre os dois sistemas se torne mais fácil. Vemos que o narcisismo retira partes inconscientes quanto pré-conscientes de todas as ideias de objetos do estado de sono, no sono, a censura entre o Pcs. e o Ics. fica grandemente reduzida, o que faz com que a comunicação entre os dois sistemas se torne mais fácil.
Mas há outra dúvida, sobre a qual não devemos silenciar. Se o estado narcisista do sono tiver resultado numa retração de todas as catexias dos sistemas Ics. e Pcs., então já não haverá qualquer possibilidade de que os resíduos pré-conscientes do dia venham a ser reforçados por impulsos instintuais inconscientes, visto que estes cederam suas catexias ao ego. Aqui, a teoria da formação dos sonhos termina numa contradição, a menos que possamos salvá-la mediante uma modificação em nossa suposição sobre o narcisismo do sono. Vemos que a teoria da formação dos sonhos apresenta uma contradição, pois se o estado narcisista do sono tiver resultado numa retração de todas as catexias dos sistemas Ics. e Pcs., então já não haverá qualquer possibilidade de que os resíduos pré-conscientes do dia venham a ser reforçados por impulsos instintuais inconscientes, visto que estes cederam suas catexias ao ego.
Uma modificação restritiva dessa natureza, como veremos posteriormente, também é necessária na teoria da demência precoce. Presumivelmente isso se deve ao fato de que a parcela reprimida do sistema Ics. não atende ao desejo de dormir proveniente do ego, de que retém sua catexia no todo ou em parte, e de que, em geral, em conseqüência da repressão, adquire certa independência do ego. Em conseqüência, também, parte do que é dispendido na repressão (anticatexia) - teria de ser mantida durante a noite inteira, a fim de fazer face ao perigo instintual - embora a inacessibilidade de todos os caminhos que levam a uma liberação do afeto e à motilidade possa reduzir consideravelmente a altura da anticatexia necessária. Assim, deveríamos configurar a situação que conduz à formação de sonhos da seguinte maneira. O desejo de dormir esforça-se por absorver todas as catexias transmitidas pelo ego e por estabelecer um narcisismo absoluto. Isso só pode ter um sucesso parcial, pois o que é reprimido no sistema Ics. não obedece ao desejo de dormir. Portanto, uma parte das anticatexias tem de ser mantida, e a censura entre o Ics. e o Pcs. deve permanecer, mesmo que não seja com toda a sua força. Até onde se estende o domínio do ego, todos os sistemas ficam esvaziados de catexias. Quanto mais fortes forem as catexias instintuais do Ics., mais instável será o sono. Estamos familiarizados também com o caso extremo em que o ego desiste do desejo de dormir, porque se sente incapaz de inibir os impulsos reprimidos liberados durante o sono - em outras palavras, em que renuncia ao sono por temer seus sonhos. Vemos que quando o reprimido no sistema inconsciente não obedece ao desejo de dormir e parte de suas anticatexias tem de ser mantida, e a censura entre o inconsciente e o pré-consciente permanece, todos os sistemas ficam sem catexias e quanto mais fortes forem as catexias instintuais do inconsciente, mais instável será o sono, então o ego desiste do desejo de dormir porque renuncia ao sono por temer seus sonhos, ou seja, o seu significado e o seu sentido.
Adiante, aprenderemos a reconhecer a portentosa natureza dessa hipótese referente à rebeldia dos impulsos reprimidos. No momento, acompanhemos a situação que ocorre na formação de sonhos.
A possibilidade mencionada acima [ver em [1]] - de que alguns dos pensamentos pré-conscientes do dia também podem revelar-se resistentes e reter uma parte de sua catexia - deve ser reconhecida como uma segunda brecha no narcisismo. No fundo, os dois casos podem ser idênticos. A resistência dos resíduos do dia pode originar-se num elo com impulsos inconscientes, já existente durante a vida de vigília; ou o processo pode ser menos simples, e os resíduos do dia que não tenham sido inteiramente esvaziados de catexia só podem estabelecer uma conexão com o material reprimido depois da ocorrência do estado de sono, graças à facilitação da comunicação entre o Pcs. e o Ics. Em ambos os casos, segue-se o mesmo passo decisivo na formação de sonhos: forma-se o desejo onírico pré-consciente, e isso dá expressão ao impulso inconsciente no material dos resíduos pré-conscientes do dia. Vemos que alguns dos pensamentos pré-conscientes do dia podem apresentar resistência e reter alguma catexia, uma brecha no narcisismo. A resistência nos resíduos do dia pode originar-se dos impulsos inconscientes durante a vida de vigília; ou podem surgir do material reprimido depois da ocorrência do sono, da comunicação entre pré-consciente e inconsciente.
Deve-se distinguir acentuadamente esse desejo onírico dos resíduos do dia; ele não precisa ter existido na vida de vigília e já pode exibir o caráter irracional possuído por tudo que é inconsciente quando o traduzimos para o consciente. Além disso, o desejo onírico não deve ser confundido com os impulsos carregados de desejo que podem estar presentes - embora, certamente, não precisem necessariamente estar presentes - entre os pensamentos oníricos pré-conscientes (latentes). Se, contudo, houvesse tais desejos pré-conscientes, o desejo onírico se associara a eles, como um reforço muito eficaz dos mesmos. Vemos que devemos distinguir o desejo onírico dos resíduos do dia; ele não precisa ter existido na vida de vigília e já pode exibir o caráter irracional possuído por tudo que é inconsciente quando o traduzimos para o consciente. Além disso, o desejo onírico não deve ser confundido com os impulsos carregados de desejo que podem estar presentes - embora, certamente, não precisem necessariamente estar presentes - entre os pensamentos oníricos pré-conscientes (latentes). Se, contudo, houvesse tais desejos pré-conscientes, o desejo onírico se associara a eles, como um reforço muito eficaz dos mesmos. Pois desejo onírico indica o desejo inconsciente do sonho e os resíduos do dia indicam como os sonhos foram formados ou criados no inconsciente.
MATTANÓ
(09/02/2026)
Temos agora de considerar as outras vicissitudes sofridas por esse impulso carregado de desejo, que em sua essência representa uma exigência instintual inconsciente e que se formou no Pcs. como um desejo onírico (uma fantasia que satisfaz o desejo). A reflexão nos diz que esse impulso carregado de desejo pode seguir três caminhos diferentes. Pode seguir o caminho que seria normal na vida de vigília, exercendo pressão do Pcs. para a consciência; pode desviar-se do Cs. e achar uma descarga motora direta; ou pode tomar o caminho inesperado que a observação nos permite de fato traçar. No primeiro caso, transformar-se-ia num delírio, tendo como conteúdo a satisfação do desejo; no estado do sono, porém, isso jamais acontece. Com nossos parcos conhecimentos das condições metapsicológicas dos processos mentais, talvez possamos aceitar esse fato como uma indicação de que um esvaziamento completo de um sistema o torna pouco suscetível à instigação. O segundo caso, o da descarga motora direta, deve ser excluído pelo mesmo princípio, pois geralmente o acesso à motilidade ainda fica outro passo além da censura da consciência. Mas não deixamos de encontrar casos excepcionais em que isso acontece, sob a forma de sonambulismo. Não conhecemos as condições que tornam isso possível, nem sabemos por que não ocorre com mais freqüência. O que de fato acontece na formação de sonhos é uma marcante e imprevista sucessão de eventos. O processo, iniciado no Pcs., e reforçado pelo Ics., segue um curso às avessas, através do Ics. até a percepção, que exerce pressão sobre a consciência. Essa regressão é a terceira fase da formação de sonhos. A bem da clareza, repetiremos as duas primeiras: o reforço dos resíduos do dia do Pcs. pelo Ics. e a formação do desejo onírico.
Chamaremos essa espécie de regressão de topografia, para distingui-la da regressão temporal ou de desenvolvimento mencionada previamente ver em [1]]. As duas nem sempre coincidem necessariamente, mas o fazem no exemplo específico diante de nós. A reversão do curso da excitação proveniente do Pcs., através do Ics. até a percepção, é ao mesmo tempo um retorno à etapa inicial da satisfação do desejo que ocorre na alucinação.
Já descrevemos em A Interpretação de Sonhos [Edição Standard Brasileira, Vol. V, pág. 578 e segs. IMAGO Editora, 1972] a forma pela qual a regressão dos resíduos pré-conscientes do dia ocorre na formação de sonhos. Nesse processo, os pensamentos são transformados em imagens, principalmente de natureza visual; isto é, as apresentações da palavra são levadas de volta às apresentações da coisa que lhes correspondem, como se, em geral, o processo fosse dominado por considerações de representabilidade [ibid., Vol. V, ver na pág. 548]. Quando a regressão é concluída, resta grande número de catexias no sistema Ics. - catexias de lembranças de coisas. Leva-se o processo psíquico primário a relacionar-se com essas lembranças, até que, pela condensação destas e pelo deslocamento entre suas respectivas catexias, tenha plasmado o conteúdo onírico manifesto. Somente quando as apresentações da palavra que ocorrem nos resíduos do dia são resíduos recentes e costumeiros de percepções, e não a expressão de pensamentos, é que são tratadas como apresentações da coisa, e sujeitas à influência da condensação e do deslocamento. Daí, a regra formulada em A Interpretação de Sonhos [ibid., Vol. V, ver na pág. 446 e segs.], e desde então confirmada, acima de qualquer dúvida, de que as palavras e as falas no conteúdo onírico não constituem novas formações, mas seguem o modelo de falas do dia que precedeu o sonho (ou de outras impressões recentes, tal como algo que se leu). É notável quão pouco a elaboração do sonho obedece às apresentações da palavra; ela está sempre pronta a trocar uma palavra por outra até encontrar a expressão mais conveniente para representação plástica.
É nesse sentido que a diferença essencial entre a elaboração de sonhos e a esquizofrenia se torna clara. Na última, o que se torna objeto de modificação pelo processo primário são as próprias palavras nas quais o pensamento pré-consciente foi expresso; nos sonhos, o que está sujeito a essa modificação não são as palavras, mas a apresentação da coisa à qual as palavras foram levadas de volta. Nos sonhos há uma regressão topográfica; na esquizofrenia, não. Nos sonhos existe livre comunicação entre catexias da palavra (Pcs.) e catexias da coisa (Ics.), enquanto é uma característica da esquizofrenia que essa comunicação seja interrompida. A impressão que essa diferença causa sobre alguém é diminuída precisamente pelas interpretações de sonho que realizamos na prática psicanalítica. Com efeito, devido ao fato de a interpretação de sonhos seguir o curso tomado pela elaboração de sonhos, ela segue os caminhos que vão dos pensamentos latentes aos elementos oníricos, revela a maneira pela qual as ambigüidades verbais são exploradas e ressalta as pontes verbais entre os diferentes grupos de material - devido a tudo isso, recebemos a impressão ora de um chiste, ora de esquizofrenia, e somos capazes de esquecer que para um sonho todas as operações com palavras não passam de preparação para uma regressão a coisas.
A conclusão do processo onírico consiste no conteúdo do pensamento - regressivamente transformado e elaborado numa fantasia carregada de desejo -, tornando-se consciente como uma percepção sensorial; enquanto isso ocorre, ele passa por uma revisão secundária, à qual todo conceito perceptual está sujeito. O desejo onírico, como dizemos, é alucinado, e, como uma alucinação, encontra-se com a crença na realidade de sua satisfação. É precisamente em torno dessa peça concludente na formação de sonhos que se centralizam as mais graves incertezas, e é com o propósito de elucidá-las que nos propomos comparar os sonhos com estados patológicos que lhes são afins.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que temos agora de considerar as outras vicissitudes sofridas por esse impulso carregado de desejo, que em sua essência representa uma exigência instintual inconsciente e que se formou no Pcs. como um desejo onírico (uma fantasia que satisfaz o desejo). A reflexão nos diz que esse impulso carregado de desejo pode seguir três caminhos diferentes. Pode seguir o caminho que seria normal na vida de vigília, exercendo pressão do Pcs. para a consciência; pode desviar-se do Cs. e achar uma descarga motora direta; ou pode tomar o caminho inesperado que a observação nos permite de fato traçar. No primeiro caso, transformar-se-ia num delírio, tendo como conteúdo a satisfação do desejo; no estado do sono, porém, isso jamais acontece. Com nossos parcos conhecimentos das condições metapsicológicas dos processos mentais, talvez possamos aceitar esse fato como uma indicação de que um esvaziamento completo de um sistema o torna pouco suscetível à instigação. O segundo caso, o da descarga motora direta, deve ser excluído pelo mesmo princípio, pois geralmente o acesso à motilidade ainda fica outro passo além da censura da consciência. Mas não deixamos de encontrar casos excepcionais em que isso acontece, sob a forma de sonambulismo. Não conhecemos as condições que tornam isso possível, nem sabemos por que não ocorre com mais freqüência. O que de fato acontece na formação de sonhos é uma marcante e imprevista sucessão de eventos. O processo, iniciado no Pcs., e reforçado pelo Ics., segue um curso às avessas, através do Ics. até a percepção, que exerce pressão sobre a consciência. Essa regressão é a terceira fase da formação de sonhos. A bem da clareza, repetiremos as duas primeiras: o reforço dos resíduos do dia do Pcs. pelo Ics. e a formação do desejo onírico.
A reversão do curso da excitação proveniente do Pcs., através do Ics. até a percepção, é ao mesmo tempo um retorno à etapa inicial da satisfação do desejo que ocorre na alucinação.
Já descrevemos em A Interpretação de Sonhos [Edição Standard Brasileira, Vol. V, pág. 578 e segs. IMAGO Editora, 1972] a forma pela qual a regressão dos resíduos pré-conscientes do dia ocorre na formação de sonhos. Nesse processo, os pensamentos são transformados em imagens, principalmente de natureza visual; isto é, as apresentações da palavra são levadas de volta às apresentações da coisa que lhes correspondem, como se, em geral, o processo fosse dominado por considerações de representabilidade [ibid., Vol. V, ver na pág. 548]. Quando a regressão é concluída, resta grande número de catexias no sistema Ics. - catexias de lembranças de coisas. Leva-se o processo psíquico primário a relacionar-se com essas lembranças, até que, pela condensação destas e pelo deslocamento entre suas respectivas catexias, tenha plasmado o conteúdo onírico manifesto. Somente quando as apresentações da palavra que ocorrem nos resíduos do dia são resíduos recentes e costumeiros de percepções, e não a expressão de pensamentos, é que são tratadas como apresentações da coisa, e sujeitas à influência da condensação e do deslocamento. Daí, a regra formulada em A Interpretação de Sonhos [ibid., Vol. V, ver na pág. 446 e segs.], e desde então confirmada, acima de qualquer dúvida, de que as palavras e as falas no conteúdo onírico não constituem novas formações, mas seguem o modelo de falas do dia que precedeu o sonho (ou de outras impressões recentes, tal como algo que se leu).
É nesse sentido que a diferença essencial entre a elaboração de sonhos e a esquizofrenia se torna clara. Na última, o que se torna objeto de modificação pelo processo primário são as próprias palavras nas quais o pensamento pré-consciente foi expresso; nos sonhos, o que está sujeito a essa modificação não são as palavras, mas a apresentação da coisa à qual as palavras foram levadas de volta. Nos sonhos há uma regressão topográfica; na esquizofrenia, não. Nos sonhos existe livre comunicação entre catexias da palavra (Pcs.) e catexias da coisa (Ics.), enquanto é uma característica da esquizofrenia que essa comunicação seja interrompida. A impressão que essa diferença causa sobre alguém é diminuída precisamente pelas interpretações de sonho que realizamos na prática psicanalítica. Com efeito, devido ao fato de a interpretação de sonhos seguir o curso tomado pela elaboração de sonhos, ela segue os caminhos que vão dos pensamentos latentes aos elementos oníricos, revela a maneira pela qual as ambigüidades verbais são exploradas e ressalta as pontes verbais entre os diferentes grupos de material - devido a tudo isso, recebemos a impressão ora de um chiste, ora de esquizofrenia, e somos capazes de esquecer que para um sonho todas as operações com palavras não passam de preparação para uma regressão a coisas.
A conclusão do processo onírico consiste no conteúdo do pensamento - regressivamente transformado e elaborado numa fantasia carregada de desejo -, tornando-se consciente como uma percepção sensorial; enquanto isso ocorre, ele passa por uma revisão secundária, à qual todo conceito perceptual está sujeito. O desejo onírico, como dizemos, é alucinado, e, como uma alucinação, encontra-se com a crença na realidade de sua satisfação. É precisamente em torno dessa peça concludente na formação de sonhos que se centralizam as mais graves incertezas, e é com o propósito de elucidá-las que nos propomos comparar os sonhos com estados patológicos que lhes são afins.
Mattanó aponta que temos agora de considerar as outras vicissitudes sofridas por esse impulso carregado de desejo, que em sua essência representa uma exigência instintual inconsciente e que se formou no Pcs. como um desejo onírico (uma fantasia que satisfaz o desejo). A reflexão nos diz que esse impulso carregado de desejo pode seguir três caminhos diferentes. Pode seguir o caminho que seria normal na vida de vigília, exercendo pressão do Pcs. para a consciência; pode desviar-se do Cs. e achar uma descarga motora direta; ou pode tomar o caminho inesperado que a observação nos permite de fato traçar. No primeiro caso, transformar-se-ia num delírio, tendo como conteúdo a satisfação do desejo; no estado do sono, porém, isso jamais acontece. Com nossos parcos conhecimentos das condições metapsicológicas dos processos mentais, talvez possamos aceitar esse fato como uma indicação de que um esvaziamento completo de um sistema o torna pouco suscetível à instigação. O segundo caso, o da descarga motora direta, deve ser excluído pelo mesmo princípio, pois geralmente o acesso à motilidade ainda fica outro passo além da censura da consciência. Mas não deixamos de encontrar casos excepcionais em que isso acontece, sob a forma de sonambulismo. Não conhecemos as condições que tornam isso possível, nem sabemos por que não ocorre com mais freqüência. O que de fato acontece na formação de sonhos é uma marcante e imprevista sucessão de eventos. O processo, iniciado no Pcs., e reforçado pelo Ics., segue um curso às avessas, através do Ics. até a percepção, que exerce pressão sobre a consciência. Essa regressão é a terceira fase da formação de sonhos. A bem da clareza, repetiremos as duas primeiras: o reforço dos resíduos do dia do Pcs. pelo Ics. e a formação do desejo onírico. Vemos que o impulso carregado de desejo pode assumir três caminhos: no primeiro, segue normal na vida de vigília e exerce pressão do pré-consciente para a consciência, podendo transformar-se num delírio, tendo como conteúdo a satisfação do desejo, porém, no estado de sono, isso jamais acontece; no segundo caso, o da descarga motora direta, geralmente o acesso à motilidade ainda fica outro passo além da censura da consciência, encontramos casos de sonambulismo; na terceira fase de formação de sonhos encontramos a regressão um processo iniciado pelo pré-consciente e reforçado pelo inconsciente, através do inconsciente até a percepção, que exerce pressão sobre a consciência, onde se repete as duas primeiras fases: o reforço dos resíduos do dia do pré-consciente pelo inconsciente e a formação do desejo onírico.
A reversão do curso da excitação proveniente do Pcs., através do Ics. até a percepção, é ao mesmo tempo um retorno à etapa inicial da satisfação do desejo que ocorre na alucinação. Isto pois prevalece a percepção inconsciente que retorna a satisfação do desejo, de tal modo que ocorre a alucinação.
Já descrevemos em A Interpretação de Sonhos [Edição Standard Brasileira, Vol. V, pág. 578 e segs. IMAGO Editora, 1972] a forma pela qual a regressão dos resíduos pré-conscientes do dia ocorre na formação de sonhos. Nesse processo, os pensamentos são transformados em imagens, principalmente de natureza visual; isto é, as apresentações da palavra são levadas de volta às apresentações da coisa que lhes correspondem, como se, em geral, o processo fosse dominado por considerações de representabilidade [ibid., Vol. V, ver na pág. 548]. Quando a regressão é concluída, resta grande número de catexias no sistema Ics. - catexias de lembranças de coisas. Leva-se o processo psíquico primário a relacionar-se com essas lembranças, até que, pela condensação destas e pelo deslocamento entre suas respectivas catexias, tenha plasmado o conteúdo onírico manifesto. Somente quando as apresentações da palavra que ocorrem nos resíduos do dia são resíduos recentes e costumeiros de percepções, e não a expressão de pensamentos, é que são tratadas como apresentações da coisa, e sujeitas à influência da condensação e do deslocamento. Daí, a regra formulada em A Interpretação de Sonhos [ibid., Vol. V, ver na pág. 446 e segs.], e desde então confirmada, acima de qualquer dúvida, de que as palavras e as falas no conteúdo onírico não constituem novas formações, mas seguem o modelo de falas do dia que precedeu o sonho (ou de outras impressões recentes, tal como algo que se leu). Vemos que as palavras e as falas do conteúdo onírico não são novas formações, mas sim conteúdos do dia que precedeu o sonho, ou de outras impressões recentes, tal como algo que se leu, da mesma forma os conteúdos traumáticos infantis, são eles conteúdos do dia que precedeu o sonho ou de outras fontes recentes.
É nesse sentido que a diferença essencial entre a elaboração de sonhos e a esquizofrenia se torna clara. Na última, o que se torna objeto de modificação pelo processo primário são as próprias palavras nas quais o pensamento pré-consciente foi expresso; nos sonhos, o que está sujeito a essa modificação não são as palavras, mas a apresentação da coisa à qual as palavras foram levadas de volta. Nos sonhos há uma regressão topográfica; na esquizofrenia, não. Nos sonhos existe livre comunicação entre catexias da palavra (Pcs.) e catexias da coisa (Ics.), enquanto é uma característica da esquizofrenia que essa comunicação seja interrompida. A impressão que essa diferença causa sobre alguém é diminuída precisamente pelas interpretações de sonho que realizamos na prática psicanalítica. Com efeito, devido ao fato de a interpretação de sonhos seguir o curso tomado pela elaboração de sonhos, ela segue os caminhos que vão dos pensamentos latentes aos elementos oníricos, revela a maneira pela qual as ambigüidades verbais são exploradas e ressalta as pontes verbais entre os diferentes grupos de material - devido a tudo isso, recebemos a impressão ora de um chiste, ora de esquizofrenia, e somos capazes de esquecer que para um sonho todas as operações com palavras não passam de preparação para uma regressão a coisas. Vemos que a esquizofrenia e a elaboração dos sonhos tem suas diferenças. Na esquizofrenia as palavras se modificam pelo processo primário, onde o pensamento pré-consciente foi expresso; nos sonhos a modificação está na coisa à qual as palavras foram levadas de volta. Nos sonhos há uma regressão topográfica enquanto que na esquizofrenia, não. Nos sonhos existe livre comunicação entre entre catexias da palavra (pré-consciente) e catexias da coisa (inconsciente), enquanto é uma característica da esquizofrenia que essa comunicação seja interrompida. Devido ao fato de a interpretação de sonhos seguir o curso tomado pela elaboração de sonhos, ela segue os caminhos que vão dos pensamentos latentes aos elementos oníricos, revela a maneira pela qual as ambigüidades verbais são exploradas e ressalta as pontes verbais entre os diferentes grupos de material, recebemos a impressão ora de um chiste, ora de esquizofrenia, e somos capazes de esquecer que para um sonho todas as operações com palavras não passam de preparação para uma regressão a coisas.
A conclusão do processo onírico consiste no conteúdo do pensamento - regressivamente transformado e elaborado numa fantasia carregada de desejo -, tornando-se consciente como uma percepção sensorial; enquanto isso ocorre, ele passa por uma revisão secundária, à qual todo conceito perceptual está sujeito. O desejo onírico, como dizemos, é alucinado, e, como uma alucinação, encontra-se com a crença na realidade de sua satisfação. É precisamente em torno dessa peça concludente na formação de sonhos que se centralizam as mais graves incertezas, e é com o propósito de elucidá-las que nos propomos comparar os sonhos com estados patológicos que lhes são afins. Vemos que o processo onírico consiste no conteúdo do pensamento, regressivamente transformado e elaborado numa fantasia carregada de desejo -, tornando-se consciente como uma percepção sensorial; durante este processo ele passa por uma revisão secundária, donde forma-se o conceito. O desejo onírico é então alucinado e encontra-se como a crença na realidade de sua satisfação, é em torno disto que comparamos os sonhos com os estados patológicos que lhes correspondem.
MATTANÓ
(10/02/2026)
A formação da fantasia carregada de desejo e a sua regressão à alucinação constituem as partes mais essenciais do trabalho onírico, mas não pertencem exclusivamente aos sonhos. São também encontradas em dois estados mórbidos: na confusão alucinatória aguda (‘amência’ de Meynert) e na fase alucinatória da esquizofrenia. O delírio alucinatório da amência é uma fantasia carregada de desejo claramente reconhecível, com freqüência inteiramente bem ordenada como um perfeito devaneio. Poder-se-ia falar de maneira bastante geral de uma ‘psicose alucinatória carregada de desejo’ e atribuí-la igualmente aos sonhos e à amência. Existem até sonhos que não passam de fantasias carregadas de desejo não distorcidas, com um conteúdo muito rico. A fase alucinatória da esquizofrenia tem sido estudada com menor aprofundamento; parece ser, em geral, de natureza composta, mas em sua essência poderia corresponder a uma nova tentativa de restituição, destinada a restaurar uma catexia libidinal às idéias de objetos. Não posso estender a comparação a outros estados alucinatórios em várias desordens patológicas, porque não tenho experiência própria nesses casos da qual me possa valer, e não posso utilizar a de outros observadores.
Queremos esclarecer que a psicose alucinatória carregada de desejo - nos sonhos ou em outras situações - alcança dois resultados que de modo algum são idênticos. Ela não só traz desejos ocultos ou reprimidos para a consciência, como também os representa, com toda a crença do indivíduo, como satisfeitos. A concomitância desses dois resultados exige explicação. É de todo impossível sustentar que os desejos inconscientes devem necessariamente ser considerados como realidades tão logo se tenham tornado conscientes, pois, como sabemos, somos capazes de distinguir as realidades de idéias e desejos, por mais intensos que possam ser. Por outro lado, parece justificável presumir que a crença na realidade está vinculada à percepção através dos sentidos. Uma vez que um pensamento tenha enveredado pela regressão até chegar aos traços de memória inconscientes dos objetos e daí à percepção, aceitamos essa percepção como real. Assim, a alucinação traz consigo a crença na realidade. Agora temos de nos perguntar o que é que determina a formação de uma alucinação. A primeira resposta seria a regressão, e isso substituiria o problema da origem da alucinação pelo do mecanismo da regressão. No tocante aos sonhos, esse último problema não precisa permanecer por muito tempo sem resposta. A regressão dos pensamentos oníricos do Pcs. às imagens mnêmicas das coisas constitui claramente o resultado da atração que os representantes instintuais do Ics. - por exemplo, lembranças reprimidas de experiências - exercem sobre os pensamentos postos em palavras. Mas logo percebemos que estamos numa pista falsa. Se o segredo da alucinação nada mais é que o da regressão, toda regressão com intensidade suficiente produziria alucinação com crença em sua realidade. Estamos, no entanto, bem familiarizados com situações nas quais em processo de reflexão regressiva traz à consciência imagens visuais mnêmicas muito claras, embora nem por isso as consideremos, por um momento que seja, como percepções reais. Além disso, poderíamos muito bem imaginar a elaboração de sonhos penetrando em imagens mnêmicas dessa natureza, tornando consciente para nós o que era previamente inconsciente, e nos expondo uma fantasia carregada de desejo que desperte nosso anseio, mas que não devemos considerar como uma real satisfação do desejo. A alucinação, portanto, deve ser algo mais que a revivescência regressiva de imagens mnêmicas que em si mesmas são Ics.
Além disso, tenhamos ainda em mente a grande importância prática de distinguir as percepções das idéias, por mais intensamente que sejam recordadas. Toda a nossa relação com o mundo externo, com a realidade, depende de nossa capacidade nesse sentido. Formulamos a ficção de que nem sempre possuímos essa capacidade e de que, no começo de nossa vida mental, de fato alucinamos o objeto que nos satisfaria quando sentimos necessidade disso. Mas em tal situação a satisfação não ocorreu, e essa falha deve ter feito com que logo criássemos algum dispositivo com a ajuda do qual fosse possível distinguir tais percepções carregadas de desejo de uma real satisfação e evitá-las no futuro. Em outras palavras, desistimos da satisfação alucinatória de nossos desejos ainda muito cedo e estabelecemos uma espécie de ‘teste da realidade’. Precisamos saber agora em que é que consistia esse teste da realidade e como a psicose alucinatória carregada de desejo que aparece nos sonhos, na amência e em condições semelhantes, consegue aboli-lo e restabelecer a antiga modalidade de satisfação.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a formação da fantasia carregada de desejo e a sua regressão à alucinação constituem as partes mais essenciais do trabalho onírico, mas não pertencem exclusivamente aos sonhos. São também encontradas em dois estados mórbidos: na confusão alucinatória aguda (‘amência’ de Meynert) e na fase alucinatória da esquizofrenia.
Queremos esclarecer que a psicose alucinatória carregada de desejo - nos sonhos ou em outras situações - alcança dois resultados que de modo algum são idênticos. Ela não só traz desejos ocultos ou reprimidos para a consciência, como também os representa, com toda a crença do indivíduo, como satisfeitos. Se o segredo da alucinação nada mais é que o da regressão, toda regressão com intensidade suficiente produziria alucinação com crença em sua realidade. Estamos, no entanto, bem familiarizados com situações nas quais em processo de reflexão regressiva traz à consciência imagens visuais mnêmicas muito claras, embora nem por isso as consideremos, por um momento que seja, como percepções reais. Além disso, poderíamos muito bem imaginar a elaboração de sonhos penetrando em imagens mnêmicas dessa natureza, tornando consciente para nós o que era previamente inconsciente, e nos expondo uma fantasia carregada de desejo que desperte nosso anseio, mas que não devemos considerar como uma real satisfação do desejo. A alucinação, portanto, deve ser algo mais que a revivescência regressiva de imagens mnêmicas que em si mesmas são Ics.
Em outras palavras, desistimos da satisfação alucinatória de nossos desejos ainda muito cedo e estabelecemos uma espécie de ‘teste da realidade’. Precisamos saber agora em que é que consistia esse teste da realidade e como a psicose alucinatória carregada de desejo que aparece nos sonhos, na amência e em condições semelhantes, consegue aboli-lo e restabelecer a antiga modalidade de satisfação.
Mattanó aponta que a formação da fantasia carregada de desejo e a sua regressão à alucinação constituem as partes mais essenciais do trabalho onírico, mas não pertencem exclusivamente aos sonhos. São também encontradas em dois estados mórbidos: na confusão alucinatória aguda (‘amência’ de Meynert) e na fase alucinatória da esquizofrenia. Vemos que a formação da fantasia e a sua regressão à alucinação no trabalho onírico também pertence ao universo da confusão alucinatória aguda e da fase alucinatória da esquizofrenia gerando significados e sentidos que participam desse conjunto de sintomas.
Queremos esclarecer que a psicose alucinatória carregada de desejo - nos sonhos ou em outras situações - alcança dois resultados que de modo algum são idênticos. Ela não só traz desejos ocultos ou reprimidos para a consciência, como também os representa, com toda a crença do indivíduo, como satisfeitos. Se o segredo da alucinação nada mais é que o da regressão, toda regressão com intensidade suficiente produziria alucinação com crença em sua realidade. Estamos, no entanto, bem familiarizados com situações nas quais em processo de reflexão regressiva traz à consciência imagens visuais mnêmicas muito claras, embora nem por isso as consideremos, por um momento que seja, como percepções reais. Além disso, poderíamos muito bem imaginar a elaboração de sonhos penetrando em imagens mnêmicas dessa natureza, tornando consciente para nós o que era previamente inconsciente, e nos expondo uma fantasia carregada de desejo que desperte nosso anseio, mas que não devemos considerar como uma real satisfação do desejo. A alucinação, portanto, deve ser algo mais que a revivescência regressiva de imagens mnêmicas que em si mesmas são Ics. Vemos que a revivência regressiva de imagens mnêmicas que são em si mesma inconscientes e alucinações e satisfação de desejo, pois traz em si desejos ocultos ou reprimidos para a consciência, como também representa, com toda a crença do indivíduo, como satisfeitos, por isso verbaliza-os, com crença em sua realidade, em seus significados e sentidos.
Em outras palavras, desistimos da satisfação alucinatória de nossos desejos ainda muito cedo e estabelecemos uma espécie de ‘teste da realidade’. Precisamos saber agora em que é que consistia esse teste da realidade e como a psicose alucinatória carregada de desejo que aparece nos sonhos, na amência e em condições semelhantes, consegue aboli-lo e restabelecer a antiga modalidade de satisfação. Vemos que temos ainda o teste de realidade como forma de desistir da satisfação alucinatória de nossos desejos ainda muito cedo, promovidos pela psicose alucinatória, carregada de desejo que aparece nos sonhos e em condições semelhantes consegue abolí-lo e restabelecer a antiga modalidade de satisfação, onde a alucinação é superada pelo teste de realidade e não prevalece.
MATTANÓ
(10/02/2026)
A resposta poderá ser dada se agora passarmos a definir mais precisamente o terceiro de nossos sistemas psíquicos, o sistema Cs., que até o momento não distinguimos nitidamente do Pcs. Em A Interpretação de Sonhos já tínhamos sido levados a considerar a percepção consciente como a função de um sistema especial, ao qual atribuímos certas propriedades curiosas, e ao qual teremos agora bons motivos para atribuir também outras características. Podemos considerar esse sistema, lá denominado Pcpt., como coincidindo com o sistema Cs., de cuja atividade o tornar-se consciente em geral depende. Não obstante, mesmo assim, o fato de uma coisa se tornar consciente ainda não coincide inteiramente com o fato de ela pertencer a um sistema, pois aprendemos que é possível estarmos cônscios de imagens sensoriais mnêmicas às quais de forma alguma podemos permitir uma localização psíquica nos sistemas Cs. ou Pcpt.
Devemos, contudo, adiar o exame dessa dificuldade até que possamos focalizar nosso interesse no próprio sistema Cs. Por ora podemos presumir que a alucinação consiste numa catexia do sistema Cs. (Pcpt)., a qual, contudo, não se origina - como normalmente - do exterior, mas do interior, e que uma condição necessária para a ocorrência da alucinação é que a regressão seja levada longe o suficiente para alcançar esse próprio sistema, sendo, assim, capaz de passar pelo teste da realidade.
Num trecho anterior atribuímos ao organismo ainda inerme a capacidade de efetuar uma primeira orientação no mundo por meio dessas percepções, distinguindo ‘externo’ e ‘interno’ de acordo com a relação entre essas percepções e a ação muscular do organismo. Uma percepção que desaparece por meio de uma ação é reconhecida como externa, como realidade; nos casos em que tal ação tem influência, a percepção se origina dentro do próprio corpo do indivíduo - não é real. É valioso para o indivíduo possuir um meio como esse, que lhe permita reconhecer a realidade, que ao mesmo tempo o ajude a lidar com ela, e ele bem gostaria de estar equipado com um poder semelhante contra as reivindicações muitas vezes implacáveis de seus instintos. Eis por que se dá ao trabalho de transpor para fora o que se torna problemático dentro dele - isto é, a projetá-lo.
Essa função de orientar o indivíduo no mundo pela discriminação entre o que é interno e o que é externo deve agora, após pormenorizada dissecção do aparelho mental, ser exclusivamente atribuída ao sistema Cs. (Pcpt.). O Cs. deve ter à sua disposição uma inervação motora que determina se se pode fazer com que a percepção desapareça, ou se ela oferece resistência. O teste da realidade nada mais precisa ser do que esse dispositivo. Não podemos ser mais precisos sobre esse ponto, de uma vez que ainda sabemos muito pouco a respeito da natureza e da modalidade de funcionamento do sistema Cs. Situaremos o teste da realidade entre as principais instituições do ego, ao lado das censuras que viemos a reconhecer entre os sistemas psíquicos, e esperaremos que a análise das desordens narcisistas nos ajude a trazer à luz outras instituições semelhantes. [ver em [1].]
Por outro lado, já podemos aprender com a patologia a maneira pela qual o teste da realidade pode ser eliminado ou posto fora de ação. Veremos isso mais claramente na psicose carregada de desejo da amência do que na de sonhos. A amência é a reação a uma perda que a realidade afirma, mas que o ego tem de negar, por achá-la insuportável. Portanto, o ego rompe sua relação com a realidade; retira a catexia do sistema de percepções, Cs. - ou antes, talvez, retira uma catexia, cuja natureza especial pode ser objeto de indagação ulterior. Com esse desvio da realidade, o teste da realidade é posto de lado, as fantasias carregadas de desejo (irreprimidas, inteiramente conscientes) são capazes de exercer pressão avançando para dentro do sistema, sendo por ali consideradas como uma realidade melhor. Tal retirada pode ser equiparada aos processos de repressão. A amência apresenta o interessante espetáculo de um rompimento entre o ego e um dos seus órgãos - talvez o que tivesse sido o seu servidor mais fiel e estivesse mais intimamente vinculado a ele.
O que na amência é realizado por essa ‘repressão’, nos sonhos é realizado pela renúncia voluntária. O estado de sono não deseja conhecer coisa alguma do mundo externo; não se interessa pela realidade, ou só se interessa na medida em que o abandono do estado de sono - o despertar - se acha em causa. Por conseguinte, retira a catexia do sistema CS., bem como dos outros sistemas, do Pcs., e do Ics., na medida em que as catexias neles obedecem ao desejo de dormir. Com o sistema Cs. assim não-catexizado, a possibilidade do teste da realidade é abandonada, e as excitações que, independentemente do estado de sono, entraram no caminho da regressão, encontrarão esse caminho desimpedido até o sistema Cs., onde elas valerão como realidade indiscutida.
Quanto à psicose alucinatória da demência precoce, inferiremos de nosso exame que essa psicose não pode estar entre os sintomas iniciais da afecção. Só se torna possível quando o ego do paciente se acha de tal forma desintegrado, que o teste da realidade não atrapalha mais a alucinação.
No que diz respeito à psicologia dos processos oníricos chegamos ao resultado segundo o qual todas as características essenciais dos sonhos são determinadas pelo fator condicionante do sono. Aristóteles, há muito tempo, estava inteiramente certo ao afirmar, em seu modesto pronunciamento, que os sonhos constituem a atividade mental daquele que dorme. Podemos ampliar esse conceito e afirmar: os sonhos são um resíduo da atividade mental, tornado possível pelo fato de que o estado narcisista de sono não pôde ser completamente estabelecido. Isso não parece diferir muito daquilo que psicólogos e filósofos sempre afirmaram, mas se baseia em concepções bem diferentes sobre a estrutura e função do aparelho mental. Essas concepções têm uma vantagem sobre as anteriores: a de nos terem permitido compreender, também, todas as características pormenorizadas dos sonhos.
Finalmente, consideremos mais uma vez o significativo esclarecimento que a topografia do processo de repressão nos dá sobre o mecanismo das perturbações mentais. Nos sonhos, a retirada da catexia (libido ou interesse) afeta igualmente todos os sistemas; nas neuroses de transferência, a catexia do Pcs. é retirada; na esquizofrenia, a catexia do Ics.; na amência, a do Cs.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o fato de uma coisa se tornar consciente ainda não coincide inteiramente com o fato de ela pertencer a um sistema, pois aprendemos que é possível estarmos cônscios de imagens sensoriais mnêmicas às quais de forma alguma podemos permitir uma localização psíquica nos sistemas Cs. ou Pcpt.
Devemos, contudo, adiar o exame dessa dificuldade até que possamos focalizar nosso interesse no próprio sistema Cs. Por ora podemos presumir que a alucinação consiste numa catexia do sistema Cs. (Pcpt)., a qual, contudo, não se origina - como normalmente - do exterior, mas do interior, e que uma condição necessária para a ocorrência da alucinação é que a regressão seja levada longe o suficiente para alcançar esse próprio sistema, sendo, assim, capaz de passar pelo teste da realidade.
Num trecho anterior atribuímos ao organismo ainda inerme a capacidade de efetuar uma primeira orientação no mundo por meio dessas percepções, distinguindo ‘externo’ e ‘interno’ de acordo com a relação entre essas percepções e a ação muscular do organismo. Eis por que se dá ao trabalho de transpor para fora o que se torna problemático dentro dele - isto é, a projetá-lo.
Essa função de orientar o indivíduo no mundo pela discriminação entre o que é interno e o que é externo deve agora, após pormenorizada dissecção do aparelho mental, ser exclusivamente atribuída ao sistema Cs. (Pcpt.). O Cs. deve ter à sua disposição uma inervação motora que determina se se pode fazer com que a percepção desapareça, ou se ela oferece resistência. O teste da realidade nada mais precisa ser do que esse dispositivo.
Veremos isso mais claramente na psicose carregada de desejo da amência do que na de sonhos. A amência é a reação a uma perda que a realidade afirma, mas que o ego tem de negar, por achá-la insuportável. Portanto, o ego rompe sua relação com a realidade; retira a catexia do sistema de percepções, Cs. - ou antes, talvez, retira uma catexia, cuja natureza especial pode ser objeto de indagação ulterior. Com esse desvio da realidade, o teste da realidade é posto de lado, as fantasias carregadas de desejo (irreprimidas, inteiramente conscientes) são capazes de exercer pressão avançando para dentro do sistema, sendo por ali consideradas como uma realidade melhor. Tal retirada pode ser equiparada aos processos de repressão.
O que na amência é realizado por essa ‘repressão’, nos sonhos é realizado pela renúncia voluntária. O estado de sono não deseja conhecer coisa alguma do mundo externo; não se interessa pela realidade, ou só se interessa na medida em que o abandono do estado de sono - o despertar - se acha em causa. Por conseguinte, retira a catexia do sistema CS., bem como dos outros sistemas, do Pcs., e do Ics., na medida em que as catexias neles obedecem ao desejo de dormir. Com o sistema Cs. assim não-catexizado, a possibilidade do teste da realidade é abandonada, e as excitações que, independentemente do estado de sono, entraram no caminho da regressão, encontrarão esse caminho desimpedido até o sistema Cs., onde elas valerão como realidade indiscutida.
Quanto à psicose alucinatória da demência precoce, inferiremos de nosso exame que essa psicose não pode estar entre os sintomas iniciais da afecção. Só se torna possível quando o ego do paciente se acha de tal forma desintegrado, que o teste da realidade não atrapalha mais a alucinação.
No que diz respeito à psicologia dos processos oníricos chegamos ao resultado segundo o qual todas as características essenciais dos sonhos são determinadas pelo fator condicionante do sono. Aristóteles, há muito tempo, estava inteiramente certo ao afirmar, em seu modesto pronunciamento, que os sonhos constituem a atividade mental daquele que dorme. Podemos ampliar esse conceito e afirmar: os sonhos são um resíduo da atividade mental, tornado possível pelo fato de que o estado narcisista de sono não pôde ser completamente estabelecido. Isso não parece diferir muito daquilo que psicólogos e filósofos sempre afirmaram, mas se baseia em concepções bem diferentes sobre a estrutura e função do aparelho mental. Essas concepções têm uma vantagem sobre as anteriores: a de nos terem permitido compreender, também, todas as características pormenorizadas dos sonhos.
Finalmente, consideremos mais uma vez o significativo esclarecimento que a topografia do processo de repressão nos dá sobre o mecanismo das perturbações mentais. Nos sonhos, a retirada da catexia (libido ou interesse) afeta igualmente todos os sistemas; nas neuroses de transferência, a catexia do Pcs. é retirada; na esquizofrenia, a catexia do Ics.; na amência, a do Cs.
Mattanó aponta que o fato de uma coisa se tornar consciente ainda não coincide inteiramente com o fato de ela pertencer a um sistema, pois aprendemos que é possível estarmos cônscios de imagens sensoriais mnêmicas às quais de forma alguma podemos permitir uma localização psíquica nos sistemas Cs. ou Pcpt. Vemos que as imagens sensoriais mnêmicas conscientes podem pertencer aos sistemas consciente ou pré-consciente, de tal modo que é difícil determinar sua localização.
Devemos, contudo, adiar o exame dessa dificuldade até que possamos focalizar nosso interesse no próprio sistema Cs. Por ora podemos presumir que a alucinação consiste numa catexia do sistema Cs. (Pcpt)., a qual, contudo, não se origina - como normalmente - do exterior, mas do interior, e que uma condição necessária para a ocorrência da alucinação é que a regressão seja levada longe o suficiente para alcançar esse próprio sistema, sendo, assim, capaz de passar pelo teste da realidade. Vemos que o teste da realidade realiza um exame de dificuldade focado no interesse do sistema consciente. A alucinação surge da catexia do sistema consciente (pré-consciente), do interior e não do exterior, da regressão, de modo que seja capaz de passar pelo teste da realidade.
Num trecho anterior atribuímos ao organismo ainda inerme a capacidade de efetuar uma primeira orientação no mundo por meio dessas percepções, distinguindo ‘externo’ e ‘interno’ de acordo com a relação entre essas percepções e a ação muscular do organismo. Eis por que se dá ao trabalho de transpor para fora o que se torna problemático dentro dele - isto é, a projetá-lo. Vemos que o indivíduo passa a projetar seu conteúdo interno e nunca o externo, pois distingue o interno do externo como mecanismo da alucinação ou dessas percecpções.
Essa função de orientar o indivíduo no mundo pela discriminação entre o que é interno e o que é externo deve agora, após pormenorizada dissecção do aparelho mental, ser exclusivamente atribuída ao sistema Cs. (Pcpt.). O Cs. deve ter à sua disposição uma inervação motora que determina se se pode fazer com que a percepção desapareça, ou se ela oferece resistência. O teste da realidade nada mais precisa ser do que esse dispositivo. Vemos que o teste da realidade aperfeiçoa-se e adquire inervação motora, de modo que a percepção desapareça ou mesmo se ela oferece resistência, pois o indivíduo pode discriminar o que é interno e o que é externo e compreender melhor seu aparelho mental.
Veremos isso mais claramente na psicose carregada de desejo da amência do que na de sonhos. A amência é a reação a uma perda que a realidade afirma, mas que o ego tem de negar, por achá-la insuportável. Portanto, o ego rompe sua relação com a realidade; retira a catexia do sistema de percepções, Cs. - ou antes, talvez, retira uma catexia, cuja natureza especial pode ser objeto de indagação ulterior. Com esse desvio da realidade, o teste da realidade é posto de lado, as fantasias carregadas de desejo (irreprimidas, inteiramente conscientes) são capazes de exercer pressão avançando para dentro do sistema, sendo por ali consideradas como uma realidade melhor. Tal retirada pode ser equiparada aos processos de repressão. Vemos que na confusão alucinatória aguda ou na amência ocorre uma perda da realidade, onde o ego tem de negá-la por acreditar sê-la insuportável. Com esse desvio da realidade, o teste da realidade é posto de lado, as fantasias carregadas de desejo (irreprimidas, inteiramente conscientes) são capazes de exercer pressão avançando para dentro do sistema, sendo por ali consideradas como uma realidade melhor. Tal retirada pode ser equiparada aos processos de repressão, ou seja, as fantasias passam a prevalecer.
O que na amência é realizado por essa ‘repressão’, nos sonhos é realizado pela renúncia voluntária. O estado de sono não deseja conhecer coisa alguma do mundo externo; não se interessa pela realidade, ou só se interessa na medida em que o abandono do estado de sono - o despertar - se acha em causa. Por conseguinte, retira a catexia do sistema CS., bem como dos outros sistemas, do Pcs., e do Ics., na medida em que as catexias neles obedecem ao desejo de dormir. Com o sistema Cs. assim não-catexizado, a possibilidade do teste da realidade é abandonada, e as excitações que, independentemente do estado de sono, entraram no caminho da regressão, encontrarão esse caminho desimpedido até o sistema Cs., onde elas valerão como realidade indiscutida. Vemos que na confusão alucinatória aguda ou na amência o estado de sono não deseja conhecer o mundo externo, não se interessa pela realidade até que desperte, quando desperta passa, então a retirar a catexia do sistema consciente, do sistema pré-consciente e do sistema inconsciente, pois elas não obedecem ao desejo de dormir, então o teste de realidade é abandonado e começa a regressão até o sistema consciente, onde a realidade torna-se indiscutida, realidade preenchida por fantasias que prevalecem.
Quanto à psicose alucinatória da demência precoce, inferiremos de nosso exame que essa psicose não pode estar entre os sintomas iniciais da afecção. Só se torna possível quando o ego do paciente se acha de tal forma desintegrado, que o teste da realidade não atrapalha mais a alucinação. Vemos que no caso da psicose alucinatória da demência precoce provavelmente os sintomas estão começando e assim o teste da realidade não atrapalha mais a alucinação, pois só repercute quando o ego do paciente se encontra de tal modo desintegrado.
No que diz respeito à psicologia dos processos oníricos chegamos ao resultado segundo o qual todas as características essenciais dos sonhos são determinadas pelo fator condicionante do sono. Aristóteles, há muito tempo, estava inteiramente certo ao afirmar, em seu modesto pronunciamento, que os sonhos constituem a atividade mental daquele que dorme. Podemos ampliar esse conceito e afirmar: os sonhos são um resíduo da atividade mental, tornado possível pelo fato de que o estado narcisista de sono não pôde ser completamente estabelecido. Isso não parece diferir muito daquilo que psicólogos e filósofos sempre afirmaram, mas se baseia em concepções bem diferentes sobre a estrutura e função do aparelho mental. Essas concepções têm uma vantagem sobre as anteriores: a de nos terem permitido compreender, também, todas as características pormenorizadas dos sonhos. Vemos que os sonhos tem sido motivo de especulação e de interesse científico por muito tempo, desde Aristóteles, pelo que se sabe, e que essas concepções aliadas as atuais e as de Freud nos enriquecem teórica e praticamente, de tal forma que podemos compreender melhor os sonhos e o sono.
Finalmente, consideremos mais uma vez o significativo esclarecimento que a topografia do processo de repressão nos dá sobre o mecanismo das perturbações mentais. Nos sonhos, a retirada da catexia (libido ou interesse) afeta igualmente todos os sistemas; nas neuroses de transferência, a catexia do Pcs. é retirada; na esquizofrenia, a catexia do Ics.; na amência, a do Cs. Vemos que temos uma topografia do processo de repressão sobre o mecanismo das perturbações mentais. Nos sonhos, as retirada da catexia (libido, comunhão e exercício da força ou mesmo interesse) afeta igualmente todos os sintomas; nas neuroses de transferência, a catexia do pré-consciente é retirada; na esquizofrenia, a catexia do inconsciente; na amência ou confusão alucinatória aguda, a do consciente.
MATTANÓ
(10/02/2026)
LUTO E MELANCOLIA (1917[1915])
NOTA DO EDITOR INGLÊS - TRAUER UND MELANCOLIE
(a) EDIÇÕES ALEMÃS:
1917 Int. Z. Psychoanal., 4 (6) 288-301.
1918 S.K.S.N., 4, 356-77. (1922, 2ª ed.)
1924 G.S., 5, 535-53.
1924 Technik und Metapsychol., 257-75.
1931 Theoretische Schriften, 157-77.
1946 G.W., 10, 428-46.
(b) TRADUÇÃO INGLESA:
‘Mourning and Melancholia’
1925 C.P., 4, 152-70. (Trad. Joan Riviere.)
A presente tradução inglesa, embora baseada na de 1925, foi amplamente reescrita.
Como sabemos pelo Dr. Ernest Jones (1955, 367-8), Freud lhe expusera o tema do presente artigo em janeiro de 1914, e falou sobre ele perante a Sociedade Psicanalítica de Viena em 30 de dezembro daquele ano. Escreveu um primeiro rascunho do artigo em fevereiro de 1915, tendo-o submetido à apreciação de Abraham, que lhe enviou extensos comentários, entre os quais a importante sugestão de que havia uma ligação entre a melancolia e a fase oral do desenvolvimento libidinal (pág. 255). O rascunho final do artigo foi concluído em 4 de maio de 1915, mas, como o anterior, só foi publicado dois anos depois.
Bem no início (provavelmente em janeiro de 1895), Freud enviara a Fliess uma elaborada tentativa de explicar a melancolia (sob cuja designação ele regularmente incluía o que agora em geral se descreve como estados de depressão) em termos puramente neurológicos (Freud, 1950a, Rascunho G).
Essa tentativa não se mostrou particularmente profícua, mas foi logo substituída por uma abordagem psicológica do assunto. Só dois anos depois encontramos um dos exemplos mais notáveis de previsão de Freud. Esta ocorre num manuscrito, também endereçado a Fliess, e trazendo o título ‘Notas (III)’. Esse manuscrito, datado de 31 de maio de 1897, é incidentalmente aquele no qual Freud, pela primeira vez, antecipa o complexo de Édipo (Freud, 1950a, Rascunho N.). O trecho em questão, cujo significado é tão condensado a ponto de ser obscuro em certas passagens, merece ser citado na íntegra:
‘Os impulsos hostis contra os pais (o desejo de que morram) são também um constituinte integrante das neuroses. Vêm à luz conscientemente como idéias obsessivas. Na paranóia, o que há de pior nos delírios de perseguição (desconfiança patológica de governantes e monarcas) corresponde a esses impulsos. São reprimidos quando a compaixão pelos pais é ativa - nas ocasiões de sua doença ou morte. Em tais ocasiões, é uma manifestação de luto recriminar-se a si próprio pela morte deles (o que se conhece como melancolia) ou punir-se a si mesmo de uma maneira histérica (por intermédio da idéia de retribuição) com os mesmos estados [de doença] que tenham tido. A identificação que ocorre aqui, como podemos ver, não passa de uma modalidade de pensar e não nos exime da necessidade de procurar o motivo.’
A aplicação à melancolia da linha de pensamento delineada neste trecho parece ter sido deixada completamente de lado por Freud. Realmente, ele raramente tornou a mencionar essa condição antes do presente artigo, salvo algumas observações num debate sobre suicídio na Sociedade Psicanalítica de Viena em 1910 (Edição Standard Brasileira, Vol. XI, pág. 218, IMAGO Editora, 1970), quando ressaltou a importância de traçar uma comparação entre a melancolia e os estados normais de luto, declarando, contudo, que o problema psicológico em jogo ainda era insolúvel.
O que permitiu a Freud reabrir o assunto foi, naturalmente, a introdução dos conceitos de narcisismo e de ideal do ego. O presente artigo poderá, talvez, ser considerado como um prolongamento do trabalho sobre narcisismo que Freud escrevera um ano antes (1914c). Do mesmo modo que aquele artigo havia descrito as atividades do ‘agente crítico’ em casos de paranóia (ver acima, em [1] e segs.), este vê o mesmo agente em atuação na melancolia.
Mas as implicações desse artigo estavam destinadas a ser mais importantes do que a explanação do mecanismo de um estado patológico específico, embora essas implicações não se tornassem imediatamente óbvias. O material contido aqui levou à consideração ulterior do ‘agente crítico’ que se encontra no Capítulo XI de Group Psychology (1921c), Standard Ed., 18, 129 e segs.; e isso por sua vez levou à hipótese do superego em The Ego and the Id (1923b) e a uma nova avaliação do sentimento de culpa.
Sob um outro aspecto, esse artigo exigia um exame de toda a questão da natureza da identificação. Parece que Freud se mostrou inclinado, de início, a considerá-la intimamente associada e, talvez, dependente da fase oral ou canibalista do desenvolvimento libidinal. Assim, em Totem e Tabu (1912-13), Edição Standard Brasileira, Vol. XIII, pág. 170, IMAGO Editora, 1974, ele havia escrito, sobre a relação entre os filhos e o pai da horda primeva, que ‘no ato de devorá-lo realizavam sua identificação com ele’. E, mais uma vez, num trecho acrescentado à terceira edição dos Três Ensaios, publicado em 1915 mas escrito alguns meses antes do presente artigo, descreveu a fase oral canibalista como ‘o protótipo de um processo que, sob a forma de identificação, irá depois desempenhar um papel psicológico tão importante’. No presente artigo (ver em [1]), fala da identificação como ‘uma etapa preliminar da escolha objetal… a primeira forma pela qual o ego escolhe um “objeto”’, acrescentando que ‘o ego deseja incorporar a si esse objeto, e, em conformidade com a fase oral ou canibalista do desenvolvimento libidinal em que se acha, deseja fazer isso devorando-o’. E na realidade, embora Abraham possa ter sugerido a relevância da fase oral para a melancolia, o próprio Freud já começara a se interessar por ela, como se demonstra pelo exame disso na anamnese do ‘Homem dos Lobos’ (1918b), escrita durante o outono de 1914, na qual aquela fase desempenhou um papel proeminente. (Ver Standard Ed., 17, 106.) Alguns anos depois, em Group Psychology (1921c), Standard Ed., 18. 105 e segs., onde o tema da identificação é retomado, explicitamente em continuação ao presente exame, uma modificação do conceito anterior - ou talvez apenas um esclarecimento do mesmo - parece surgir. A identificação, aprendemos ali, é algo que precede a catexia objetal, sendo distinta dela, embora ele ainda diga que ‘ela se comporta como um derivado da primeira fase, a oral’. Esse conceito de identificação é reiteradamente ressaltado em muitos dos escritos ulteriores de Freud, como, por exemplo, no Capítulo III de The Ego and the Id (1923b), onde ele escreve que a identificação com os pais ‘aparentemente não é, inicialmente, a conseqüência ou resultado de uma catexia objetal; é uma identificação direta e imediata, e se verifica mais cedo do que qualquer catexia objetal’.
O que mais tarde Freud parece ter considerado a característica mais significante deste artigo foi, contudo, o relato do processo pelo qual, na melancolia, uma catexia objetal é substituída por uma identificação. No Cap. III de The Ego and the Id, argumentou que esse processo não se restringe à melancolia, mas é de ocorrência bastante geral. Essas identificações regressivas, ressaltou ele, são, em grande medida, a base do que descrevemos como o ‘caráter’ de uma pessoa. Mas, e isso era muito mais importante, ele sugeriu que as mais antigas dessas identificações regressivas - as derivadas da dissolução do complexo de Édipo - vêm ocupar uma posição muito especial, e formam, de fato, o núcleo do superego.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que havia uma ligação entre a melancolia e a fase oral do desenvolvimento libidinal e acabou escrevendo:
‘Os impulsos hostis contra os pais (o desejo de que morram) são também um constituinte integrante das neuroses. Vêm à luz conscientemente como idéias obsessivas. Na paranóia, o que há de pior nos delírios de perseguição (desconfiança patológica de governantes e monarcas) corresponde a esses impulsos. São reprimidos quando a compaixão pelos pais é ativa - nas ocasiões de sua doença ou morte. Em tais ocasiões, é uma manifestação de luto recriminar-se a si próprio pela morte deles (o que se conhece como melancolia) ou punir-se a si mesmo de uma maneira histérica (por intermédio da idéia de retribuição) com os mesmos estados [de doença] que tenham tido. A identificação que ocorre aqui, como podemos ver, não passa de uma modalidade de pensar e não nos exime da necessidade de procurar o motivo.’
A aplicação à melancolia da linha de pensamento delineada neste trecho parece ter sido deixada completamente de lado por Freud. Realmente, ele raramente tornou a mencionar essa condição antes do presente artigo, salvo algumas observações num debate sobre suicídio na Sociedade Psicanalítica de Viena em 1910 (Edição Standard Brasileira, Vol. XI, pág. 218, IMAGO Editora, 1970), quando ressaltou a importância de traçar uma comparação entre a melancolia e os estados normais de luto, declarando, contudo, que o problema psicológico em jogo ainda era insolúvel.
O que permitiu a Freud reabrir o assunto foi, naturalmente, a introdução dos conceitos de narcisismo e de ideal do ego. O presente artigo poderá, talvez, ser considerado como um prolongamento do trabalho sobre narcisismo que Freud escrevera um ano antes (1914c). Do mesmo modo que aquele artigo havia descrito as atividades do ‘agente crítico’ em casos de paranóia (ver acima, em [1] e segs.), este vê o mesmo agente em atuação na melancolia.
Mas as implicações desse artigo estavam destinadas a ser mais importantes do que a explanação do mecanismo de um estado patológico específico, embora essas implicações não se tornassem imediatamente óbvias. O material contido aqui levou à consideração ulterior do ‘agente crítico’ que se encontra no Capítulo XI de Group Psychology (1921c), Standard Ed., 18, 129 e segs.; e isso por sua vez levou à hipótese do superego em The Ego and the Id (1923b) e a uma nova avaliação do sentimento de culpa.
Sob um outro aspecto, esse artigo exigia um exame de toda a questão da natureza da identificação. Parece que Freud se mostrou inclinado, de início, a considerá-la intimamente associada e, talvez, dependente da fase oral ou canibalista do desenvolvimento libidinal. Assim, em Totem e Tabu (1912-13), Edição Standard Brasileira, Vol. XIII, pág. 170, IMAGO Editora, 1974, ele havia escrito, sobre a relação entre os filhos e o pai da horda primeva, que ‘no ato de devorá-lo realizavam sua identificação com ele’. E, mais uma vez, num trecho acrescentado à terceira edição dos Três Ensaios, publicado em 1915 mas escrito alguns meses antes do presente artigo, descreveu a fase oral canibalista como ‘o protótipo de um processo que, sob a forma de identificação, irá depois desempenhar um papel psicológico tão importante’. No presente artigo (ver em [1]), fala da identificação como ‘uma etapa preliminar da escolha objetal… a primeira forma pela qual o ego escolhe um “objeto”’, acrescentando que ‘o ego deseja incorporar a si esse objeto, e, em conformidade com a fase oral ou canibalista do desenvolvimento libidinal em que se acha, deseja fazer isso devorando-o’. E na realidade, embora Abraham possa ter sugerido a relevância da fase oral para a melancolia, o próprio Freud já começara a se interessar por ela, como se demonstra pelo exame disso na anamnese do ‘Homem dos Lobos’ (1918b), escrita durante o outono de 1914, na qual aquela fase desempenhou um papel proeminente. (Ver Standard Ed., 17, 106.) Alguns anos depois, em Group Psychology (1921c), Standard Ed., 18. 105 e segs., onde o tema da identificação é retomado, explicitamente em continuação ao presente exame, uma modificação do conceito anterior - ou talvez apenas um esclarecimento do mesmo - parece surgir. A identificação, aprendemos ali, é algo que precede a catexia objetal, sendo distinta dela, embora ele ainda diga que ‘ela se comporta como um derivado da primeira fase, a oral’. Esse conceito de identificação é reiteradamente ressaltado em muitos dos escritos ulteriores de Freud, como, por exemplo, no Capítulo III de The Ego and the Id (1923b), onde ele escreve que a identificação com os pais ‘aparentemente não é, inicialmente, a conseqüência ou resultado de uma catexia objetal; é uma identificação direta e imediata, e se verifica mais cedo do que qualquer catexia objetal’.
O que mais tarde Freud parece ter considerado a característica mais significante deste artigo foi, contudo, o relato do processo pelo qual, na melancolia, uma catexia objetal é substituída por uma identificação. No Cap. III de The Ego and the Id, argumentou que esse processo não se restringe à melancolia, mas é de ocorrência bastante geral. Essas identificações regressivas, ressaltou ele, são, em grande medida, a base do que descrevemos como o ‘caráter’ de uma pessoa. Mas, e isso era muito mais importante, ele sugeriu que as mais antigas dessas identificações regressivas - as derivadas da dissolução do complexo de Édipo - vêm ocupar uma posição muito especial, e formam, de fato, o núcleo do superego.
Mattanó aponta que Freud explica que havia uma ligação entre a melancolia e a fase oral do desenvolvimento libidinal e acabou escrevendo:
‘Os impulsos hostis contra os pais (o desejo de que morram) são também um constituinte integrante das neuroses. Vêm à luz conscientemente como idéias obsessivas. Na paranóia, o que há de pior nos delírios de perseguição (desconfiança patológica de governantes e monarcas) corresponde a esses impulsos. São reprimidos quando a compaixão pelos pais é ativa - nas ocasiões de sua doença ou morte. Em tais ocasiões, é uma manifestação de luto recriminar-se a si próprio pela morte deles (o que se conhece como melancolia) ou punir-se a si mesmo de uma maneira histérica (por intermédio da idéia de retribuição) com os mesmos estados [de doença] que tenham tido. A identificação que ocorre aqui, como podemos ver, não passa de uma modalidade de pensar e não nos exime da necessidade de procurar o motivo.’ Para Mattanó estes impulsos hostis são filogenéticos e operam segundo a ontogênese e a identificação cultural da criança com seus pais, quando seleciona o objeto de amor e o de ódio, porém comportamental e não sexual, pois não existe a sexualidade infantil, já que ainda não opera a malícia comportamental que é adquirida na puberdade com os hormônios sexuais.
A aplicação à melancolia da linha de pensamento delineada neste trecho parece ter sido deixada completamente de lado por Freud. Realmente, ele raramente tornou a mencionar essa condição antes do presente artigo, salvo algumas observações num debate sobre suicídio na Sociedade Psicanalítica de Viena em 1910 (Edição Standard Brasileira, Vol. XI, pág. 218, IMAGO Editora, 1970), quando ressaltou a importância de traçar uma comparação entre a melancolia e os estados normais de luto, declarando, contudo, que o problema psicológico em jogo ainda era insolúvel. Vemos que Freud tentou debater a melancolia sob o aspecto do suicídio e do luto, porém de maneira insolúvel.
O que permitiu a Freud reabrir o assunto foi, naturalmente, a introdução dos conceitos de narcisismo e de ideal do ego. O presente artigo poderá, talvez, ser considerado como um prolongamento do trabalho sobre narcisismo que Freud escrevera um ano antes (1914c). Do mesmo modo que aquele artigo havia descrito as atividades do ‘agente crítico’ em casos de paranóia (ver acima, em [1] e segs.), este vê o mesmo agente em atuação na melancolia. Vemos que Freud voltou a debater o assunto da melancolia e acrescentou o narcisismo e o ideal de ego como atividades do ¨agente crítico¨ em casos de paranóia, da mesma forma na melancolia.
Mas as implicações desse artigo estavam destinadas a ser mais importantes do que a explanação do mecanismo de um estado patológico específico, embora essas implicações não se tornassem imediatamente óbvias. O material contido aqui levou à consideração ulterior do ‘agente crítico’ que se encontra no Capítulo XI de Group Psychology (1921c), Standard Ed., 18, 129 e segs.; e isso por sua vez levou à hipótese do superego em The Ego and the Id (1923b) e a uma nova avaliação do sentimento de culpa. Vemos como surgiu a hipótese do superego e a avaliação do sentimento de culpa, através de uma consideração ulterior do ¨agente crítico¨.
Sob um outro aspecto, esse artigo exigia um exame de toda a questão da natureza da identificação. Parece que Freud se mostrou inclinado, de início, a considerá-la intimamente associada e, talvez, dependente da fase oral ou canibalista do desenvolvimento libidinal. Assim, em Totem e Tabu (1912-13), Edição Standard Brasileira, Vol. XIII, pág. 170, IMAGO Editora, 1974, ele havia escrito, sobre a relação entre os filhos e o pai da horda primeva, que ‘no ato de devorá-lo realizavam sua identificação com ele’. E, mais uma vez, num trecho acrescentado à terceira edição dos Três Ensaios, publicado em 1915 mas escrito alguns meses antes do presente artigo, descreveu a fase oral canibalista como ‘o protótipo de um processo que, sob a forma de identificação, irá depois desempenhar um papel psicológico tão importante’. No presente artigo (ver em [1]), fala da identificação como ‘uma etapa preliminar da escolha objetal… a primeira forma pela qual o ego escolhe um “objeto”’, acrescentando que ‘o ego deseja incorporar a si esse objeto, e, em conformidade com a fase oral ou canibalista do desenvolvimento libidinal em que se acha, deseja fazer isso devorando-o’. E na realidade, embora Abraham possa ter sugerido a relevância da fase oral para a melancolia, o próprio Freud já começara a se interessar por ela, como se demonstra pelo exame disso na anamnese do ‘Homem dos Lobos’ (1918b), escrita durante o outono de 1914, na qual aquela fase desempenhou um papel proeminente. (Ver Standard Ed., 17, 106.) Alguns anos depois, em Group Psychology (1921c), Standard Ed., 18. 105 e segs., onde o tema da identificação é retomado, explicitamente em continuação ao presente exame, uma modificação do conceito anterior - ou talvez apenas um esclarecimento do mesmo - parece surgir. A identificação, aprendemos ali, é algo que precede a catexia objetal, sendo distinta dela, embora ele ainda diga que ‘ela se comporta como um derivado da primeira fase, a oral’. Esse conceito de identificação é reiteradamente ressaltado em muitos dos escritos ulteriores de Freud, como, por exemplo, no Capítulo III de The Ego and the Id (1923b), onde ele escreve que a identificação com os pais ‘aparentemente não é, inicialmente, a conseqüência ou resultado de uma catexia objetal; é uma identificação direta e imediata, e se verifica mais cedo do que qualquer catexia objetal’. Vemos que Freud considerou a fase canibalista a fase oral responsável pela identificação da criança com seus pais, pois ela desejaria devorá-los, ‘uma etapa preliminar da escolha objetal… a primeira forma pela qual o ego escolhe um “objeto”’, acrescentando que ‘o ego deseja incorporar a si esse objeto, e, em conformidade com a fase oral ou canibalista do desenvolvimento libidinal em que se acha, deseja fazer isso devorando-o’.
O que mais tarde Freud parece ter considerado a característica mais significante deste artigo foi, contudo, o relato do processo pelo qual, na melancolia, uma catexia objetal é substituída por uma identificação. No Cap. III de The Ego and the Id, argumentou que esse processo não se restringe à melancolia, mas é de ocorrência bastante geral. Essas identificações regressivas, ressaltou ele, são, em grande medida, a base do que descrevemos como o ‘caráter’ de uma pessoa. Mas, e isso era muito mais importante, ele sugeriu que as mais antigas dessas identificações regressivas - as derivadas da dissolução do complexo de Édipo - vêm ocupar uma posição muito especial, e formam, de fato, o núcleo do superego. Vemos que na melancolia a catexia objetal é substituída pela identificação, este fenômeno é bastante geral e ele surge por identificações regressivas, que devemos ao caráter de uma pessoa, e isto levava a dissolução do complexo de Édipo, formando o núcleo do superego.
MATTANÓ
(10/02/2026)
LUTO E MELANCOLIA
Tendo os sonhos nos servido de protótipo das perturbações mentais narcisistas na vida normal, tentaremos agora lançar alguma luz sobre a natureza da melancolia, comparando-a com o afeto normal do luto. Dessa vez, porém, devemos começar por fazer uma confissão, como advertência contra qualquer superestimação do valor de nossas conclusões. A melancolia, cuja definição varia inclusive na psiquiatria descritiva, assume várias formas clínicas, cujo agrupamento numa única unidade não parece ter sido estabelecido com certeza, sendo que algumas dessas formas sugerem afecções antes somáticas do que psicogênicas. Nosso material, independentemente de tais impressões acessíveis a todo observador, limita-se a um pequeno número de casos de natureza psicogênica indiscutível. Desde o início, portanto abandonaremos toda e qualquer reivindicação à validade geral de nossas conclusões, e nos consolaremos com a reflexão de que, com os meios de pesquisa à nossa disposição hoje em dia, dificilmente descobriríamos alguma coisa que não fosse típica, se não de toda uma classe de perturbações, pelo menos de um pequeno grupo delas.
A correlação entre a melancolia e o luto parece ser justificada pelo quadro geral dessas duas condições. Além disso, as causas excitantes devidas a influências ambientais são, na medida em que podemos discerni-las, as mesmas para ambas as condições. O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante. Em algumas pessoas, as mesmas influências produzem melancolia em vez de luto; por conseguinte, suspeitamos de que essas pessoas possuem uma disposição patológica. Também vale a pena notar que, embora o luto envolva graves afastamentos daquilo que constitui a atitude normal para com a vida, jamais nos ocorre considerá-lo como sendo uma condição patológica e submetê-lo a tratamento médico. Confiamos em que seja superado após certo lapso de tempo, e julgamos inútil ou mesmo prejudicial qualquer interferência em relação a ele.
Os traços mentais distintivos da melancolia são um desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade, e uma diminuição dos sentimentos de auto-estima a ponto de encontrar expressão em auto-recriminação e auto-envilecimento, culminando numa expectativa delirante de punição. Esse quadro torna-se um pouco mais inteligível quando consideramos que, com uma única exceção, os mesmos traços são encontrados no luto. A perturbação da auto-estima está ausente no luto; afora isso, porém, as características são as mesmas. O luto profundo, a reação à perda de alguém que se ama, encerra o mesmo estado de espírito penoso, a mesma perda de interesse pelo mundo externo - na medida em que este não evoca esse alguém -, a mesma perda da capacidade de adotar um novo objeto de amor (o que significaria substituí-lo) e o mesmo afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre ele. É fácil constatar que essa inibição e circunscrisão do ego é expressão de uma exclusiva devoção ao luto, devoção que nada deixa a outros propósitos ou a outros interesses. E, realmente, só porque sabemos explicá-la tão bem é que essa atitude não nos parece patológica.
Parece-nos também uma comparação adequada chamar a disposição para o luto de ‘dolorosa’. É bem provável que vejamos a justificação disso quando estivermos em condições de apresentar uma caracterização da economia da dor.
Em que consiste, portanto, o trabalho que o luto realiza? Não me parece forçado apresentá-lo da forma que se segue. O teste da realidade revelou que o objeto amado não existe mais, passando a exigir que toda a libido seja retirada de suas ligações com aquele objeto. Essa exigência provoca uma oposição compreensível - é fato notório que as pessoas nunca abandonam de bom grado uma posição libidinal, nem mesmo, na realidade, quando um substituto já se lhes acena. Esta oposição pode ser tão intensa, que dá lugar a um desvio da realidade e a um apego ao objeto por intermédio de uma psicose alucinatória carregada de desejo. Normalmente, prevalece o respeito pela realidade, ainda que suas ordens não possam ser obedecidas de imediato. São executadas pouco a pouco, com grande dispêndio de tempo e de energia catexial, prolongando-se psiquicamente, nesse meio tempo, a existência do objeto perdido. Cada uma das lembranças e expectativas isoladas através das quais a libido está vinculada ao objeto é evocada e hipercatexizada, e o desligamento da libido se realiza em relação a cada uma delas. Por que essa transigência, pela qual o domínio da realidade se faz fragmentariamente, deve ser tão extraordinariamente penosa, de forma alguma é coisa fácil de explicar em termos de economia. É notável que esse penoso desprazer seja aceito por nós como algo natural. Contudo, o fato é que, quando o trabalho do luto se conclui, o ego fica outra vez livre e desinibido.
Apliquemos agora à melancolia o que aprendemos sobre o luto. Num conjunto de casos é evidente que a melancolia também pode constituir reação à perda de um objeto amado. Onde as causas excitantes se mostram diferentes, pode-se reconhecer que existe uma perda de natureza mais ideal. O objeto talvez não tenha realmente morrido, mas tenha sido perdido enquanto objeto de amor (como no caso, por exemplo, de uma noiva que tenha levado o fora). Ainda em outros casos nos sentimos justificados em sustentar a crença de que uma perda dessa espécie ocorreu; não podemos, porém, ver claramente o que foi perdido, sendo de todo razoável supor que também o paciente não pode conscientemente receber o que perdeu. Isso, realmente, talvez ocorra dessa forma, mesmo que o paciente esteja cônscio da perda que deu origem à sua melancolia, mas apenas no sentido de que sabe quem ele perdeu, mas não o que perdeu nesse alguém. Isso sugeriria que a melancolia está de alguma forma relacionada a uma perda objetal retirada da consciência, em contraposição ao luto, no qual nada existe de inconsciente a respeito da perda.
No luto, verificamos que a inibição e a perda de interesse são plenamente explicadas pelo trabalho do luto no qual o ego é absorvido. Na melancolia, a perda desconhecida resultará num trabalho interno semelhante, e será, portanto, responsável pela inibição melancólica. A diferença consiste em que a inibição do melancólico nos parece enigmática porque não podemos ver o que é que o está absorvendo tão completamente. O melancólico exibe ainda uma outra coisa que está ausente no luto - uma diminuição extraordinária de sua auto-estima, um empobrecimento de seu ego em grande escala. No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego. O paciente representa seu ego para nós como sendo desprovido de valor, incapaz de qualquer realização e moralmente desprezível; ele se repreende e se envilece, esperando ser expulso e punido. Degrada-se perante todos, e sente comiseração por seus próprios parentes por estarem ligados a uma pessoa tão desprezível. Não acha que uma mudança se tenha processado nele, mas estende sua autocrítica até o passado, declarando que nunca foi melhor. Esse quadro de um delírio de inferioridade (principalmente moral) é completado pela insônia e pela recusa a se alimentar, e - o que é psicologicamente notável - por uma superação do instinto que compele todo ser vivo a se apegar à vida.
Seria igualmente infrutífero, de um ponto de vista científico e terapêutico, contradizer um paciente que faz tais acusações contra seu ego. Certamente, de alguma forma ele deve estar com a razão, e descreve algo que é como lhe parece ser. Devemos, portanto, confirmar de imediato, e sem reservas, algumas de suas declarações. Ele se encontra, de fato, tão desinteressado e tão incapaz de amor e de realização quanto afirma. Mas isso, como sabemos, é secundário; trata-se do efeito do trabalho interno que lhe consome o ego - trabalho que, nos sendo desconhecido, é, porém, comparável ao do luto. O paciente também nos parece justificado em fazer outras auto-acusações; apenas, ele dispõe de uma visão mais penetrante da verdade do que outras pessoas que não são melancólicas. Quando, em sua exacerbada autocrítica, ele se descreve como mesquinho, egoísta, desonesto, carente de independência, alguém cujo único objetivo tem sido ocultar as fraquezas de sua própria natureza, pode ser, até onde sabemos, que tenha chegado bem perto de se compreender a si mesmo; ficamos imaginando, tão-somente, por que um homem precisa adoecer para ter acesso a uma verdade dessa espécie. Com efeito, não pode haver dúvida de que todo aquele que sustenta e comunica a outros uma opinião de si mesmo como esta (opinião que Hamlet tinha a respeito tanto de si quanto de todo mundo), está doente, quer fale a verdade, quer se mostre mais ou menos injusto para consigo mesmo. Tampouco é difícil ver que, até onde podemos julgar, não há correspondência entre o grau de autodegradação e sua real justificação. Uma mulher boa, capaz e conscienciosa, não terá palavras mais elogiosas para si mesma, durante a melancolia, do que uma que de fato seja desprovida de valor; realmente, talvez a primeira tenha mais probabilidades de contrair a doença do que a segunda, a cujo respeito também nós nada teríamos a dizer de bom. Por fim, deve ocorrer-nos que, afinal de contas, o melancólico não se comporta da mesma maneira que uma pessoa esmagada, de uma forma normal, pelo remorso e pela auto-recriminação. Sentimentos de vergonha diante de outras pessoas, que, mais do qualquer outra coisa, caracterizariam essa última condição, faltam ao melancólico, ou pelo menos não são proeminentes nele. Poder-se-ia ressaltar a presença nele de um traço quase oposto, de uma insistente comunicabilidade, que encontra satisfação no desmascaramento de si mesmo.
O ponto essencial, portanto, não consiste em saber se a autodifamação aflitiva do melancólico é correta, no sentido de que sua autocrítica esteja de acordo com a opinião de outras pessoas. O ponto consiste, antes, em saber se ele está apresentando uma descrição correta de sua situação psicológica. Ele perdeu seu amor-próprio e deve ter tido boas razões para tanto. É verdade que então nos deparamos com uma contradição que coloca um problema de difícil solução. A analogia com o luto nos levou a concluir que ele sofrera uma perda relativa a um objeto; o que o paciente nos diz aponta para uma perda relativa a seu ego.
Antes de passarmos a essa contradição, detenhamo-nos um pouco no conceito que a perturbação do melancólico oferece a respeito da constituição do ego humano. Vemos como nele uma parte do ego se coloca contra a outra, julga-a criticamente, e, por assim dizer, toma-a como seu objeto. Nossa desconfiança de que o agente crítico, que aqui se separa do ego, talvez também revele sua independência em outras circunstâncias, será confirmada ao longo de toda a observação ulterior. Realmente, encontraremos fundamentos para distinguir esse agente do restante do ego. Aqui, estamo-nos familiarizando com o agente comumente denominado ‘consciência’; vamos incluí-lo, juntamente com a censura da consciência e do teste da realidade, entre as principais instituições do ego, e poderemos provar que ela pode ficar doente por sua própria causa. No quadro clínico da melancolia, a insatisfação com o ego constitui, por motivos de ordem moral, a característica mais marcante. Freqüentemente, a auto-avaliação do paciente se preocupa muito menos com a enfermidade do corpo, a feiúra ou a fraqueza, ou com a inferioridade social; quanto a essa categoria, somente seu temor da pobreza e as afirmações de que vai ficar pobre ocupam posição proeminente.
Há uma observação, de modo algum difícil de ser feita, que leva à explicação da contradição mencionada acima [no fim do penúltimo parágrafo]. Se se ouvir pacientemente as muitas e variadas auto-acusações de um melancólico, não se poderá evitar, no fim, a impressão de que freqüentemente as mais violentas delas dificilmente se aplicam ao próprio paciente, mas que, com ligeiras modificações, se ajustam realmente a outrem, a alguém que o paciente ama, amou ou deveria amar. Toda vez que se examinam os fatos, essa conjectura é confirmada. É assim que encontramos a chave do quadro clínico: percebemos que as auto-recriminações são recriminações feitas a um objeto amado, que foram deslocadas desse objeto para o ego do próprio paciente.
A mulher que lamenta em altos brados o fato de o marido estar preso a uma esposa incapaz como ela, na verdade está acusando o marido de ser incapaz, não importando o sentido que ela possa atribuir a isso. Não há por que se surpreender com o fato de haver algumas auto-recriminações autênticas difundidas entre as que foram transpostas. Permite-se que estas se intrometam, de uma vez que ajudam a mascarar as outras e a tornar impossível o reconhecimento do verdadeiro estado de coisas. Além disso, elas derivam dos prós e dos contras do conflito amoroso que levou à perda do amor. Também o comportamento dos pacientes, agora, se torna bem mais inteligível. Suas queixas são realmente ‘queixumes’, no sentido antigo da palavra. Eles não se envergonham nem se ocultam, já que tudo de desairoso que dizem sobre eles próprios refere-se, no fundo, à outra pessoa. Além disso, estão longe de demonstrar perante aqueles que o cercam uma atitude de humildade e submissão, única que caberia a pessoas tão desprezíveis. Pelo contrário, tornam-se as pessoas mais maçantes, dando sempre a impressão de que se sentem desconsideradas e de que foram tratadas com grande injustiça. Tudo isso só é possível porque as reações expressas em seu comportamento ainda procedem de uma constelação mental de revolta, que, por um certo processo, passou então para o estado esmagado de melancolia.
Não é difícil reconstruir esse processo. Existem, num dado momento, uma escolha objetal, uma ligação da libido a uma pessoa particular; então, devido a uma real desconsideração ou desapontamento proveniente da pessoa amada, a relação objetal foi destroçada. O resultado não foi o normal - uma retirada da libido desse objeto e um deslocamento da mesma para um novo -, mas algo diferente, para cuja ocorrência várias condições parecem ser necessárias. A catexia objetal provou ter pouco poder de resistência e foi liquidada. Mas a libido livre não foi deslocada para outro objeto; foi retirada para o ego. Ali, contudo, não foi empregada de maneira não especificada, mas serviu para estabelecer uma identificação do ego com o objeto abandonado. Assim a sombra do objeto caiu sobre o ego, e este pôde, daí por diante, ser julgado por um agente especial, como se fosse um objeto, o objeto abandonado. Dessa forma, uma perda objetal se transformou numa perda do ego, e o conflito entre o ego e a pessoa amada, numa separação entre a atividade crítica do ego e o ego enquanto alterado pela identificação.
Uma ou duas coisas podem ser diretamente inferidas no tocante às precondições e aos efeitos de um processo como este. Por um lado, uma forte fixação no objeto amado deve ter estado presente; por outro, em contradição a isso, a catexia objetal deve ter tido pouco poder de resistência. Conforme Otto Rank observou com propriedade, essa contradição parece implicar que a escolha objetal é efetuada numa base narcisista, de modo que a catexia objetal, ao se defrontar com obstáculos, pode retroceder para o narcisismo. A identificação narcisista com o objeto se torna, então, um substituto da catexia erótica, e, em conseqüência, apesar do conflito com a pessoa amada, não é preciso renunciar à relação amorosa. Essa substituição da identificação pelo amor objetal constitui importante mecanismo nas afecções narcisistas; Karl Laudauer (1914), recentemente, teve ocasião de indicá-lo no processo de recuperação num caso de esquizofrenia. Ele representa, naturalmente, uma regressão de um tipo de escolha objetal para o narcisismo original. Mostramos em outro ponto que a identificação é uma etapa preliminar da escolha objetal, que é a primeira forma - e uma forma expressa de maneira ambivalente - pela qual o ego escolhe um objeto. O ego deseja incorporar a si esse objeto, e, em conformidade com a fase oral ou canibalista do desenvolvimento libidinal em que se acha, deseja fazer isso devorando-o. Abraham, sem dúvida, tem razão em atribuir a essa conexão a recusa de alimento encontrada em formas graves de melancolia.
A conclusão que nossa teoria exigiria - a saber, que a tendência a adoecer de melancolia (ou parte dessa tendência) reside na predominância do tipo narcisista da escolha objetal - infelizmente ainda não foi confirmada pela observação. Nas observações introdutórias deste artigo, admiti que o material empírico em que se fundamentou este estudo é insuficiente para as nossas necessidades. Se pudéssemos presumir um acordo entre os resultados da observação e o que inferimos, não hesitaríamos em incluir em nossa caracterização da melancolia essa regressão da catexia objetal para a fase oral ainda narcisista da libido. Também nas neuroses de transferência as identificações com o objeto de modo algum são raras; na realidade, constituem um conhecido mecanismo de formação de sintomas, especialmente na histeria. Contudo, a diferença entre a identificação narcisista e a histérica pode residir no seguinte: ao passo que na primeira a catexia objetal é abandonada, na segunda persiste e manifesta sua influência, embora isso em geral esteja confinado a certas ações e inervações isoladas. Seja como for, também nas neuroses de transferência a identificação é a expressão da existência de algo em comum, que pode significar amor. A identificação narcisista é a mais antiga das duas e prepara o caminho para uma compreensão da identificação histérica, que tem sido estudada menos profundamente.
A melancolia, portanto, toma emprestado do luto alguns dos seus traços e, do processo de regressão, desde a escolha objetal narcisista para o narcisismo, os outros. É por um lado, como o luto, uma reação à perda real de um objeto amado; mas, acima de tudo isso, é assinalada por uma determinante que se acha ausente no luto normal ou que, se estiver presente, transforma este em luto patológico. A perda de um objeto amoroso constitui excelente oportunidade para que a ambivalência nas relações amorosas se faça efetiva e manifesta. Onde existe uma disposição para a neurose obsessiva, o conflito devido à ambivalência empresta um cunho patológico ao luto, forçando-o a expressar-se sob forma de auto-recriminação, no sentido de que a própria pessoa enlutada é culpada pela perda do objeto amado, isto é, que ela a desejou. Esses estados obsessivos de depressão que se seguem à morte de uma pessoa amada revelam-nos o que o conflito devido à ambivalência pode alcançar por si mesmo quando também não há uma retração regressiva da libido. Na melancolia, as ocasiões que dão margem à doença vão, em sua maior parte, além do caso nítido de uma perda por morte, incluindo as situações de desconsideração, desprezo ou desapontamento, que podem trazer para a relação sentimentos opostos de amor e ódio, ou reforçar uma ambivalência já existente. Esse conflito devido à ambivalência, que por vezes surge mais de experiências reais, por vezes mais de fatores constitucionais, não deve ser desprezado entre as precondições da melancolia. Se o amor pelo objeto - um amor que não pode ser renunciado, embora o próprio objeto o seja - se refugiar na identificação narcisista, então o ódio entra em ação nesse objeto substitutivo, dele abusando, degradando-o, fazendo-o sofrer e tirando satisfação sádica de seu sofrimento. A autotortura na melancolia, sem dúvida agradável, significa, do mesmo modo que o fenômeno correspondente na neurose obsessiva, uma satisfação das tendências do sadismo e do ódio relacionadas a um objeto, que retornaram ao próprio eu do indivíduo nas formas que vimos examinando. Via de regra, em ambas as desordens, os pacientes ainda conseguem, pelo caminho indireto da autopunição, vingar-se do objeto original e torturar o ente amado através de sua doença, à qual recorrem a fim de evitar a necessidade de expressar abertamente sua hostilidade para com ele. Afinal de contas, a pessoa que ocasionou a desordem emocional do paciente, e na qual na doença se centraliza, em geral se encontra eu seu ambiente imediato. A catexia erótica do melancólico no tocante a seu objeto sofreu assim uma dupla vicissitude: parte dela retrocedeu à identificação, mas a outra parte, sob a influência do conflito devido à ‘ambivalência’, foi levada de volta à etapa de sadismo que se acha mais próxima do conflito.
É exclusivamente esse sadismo que soluciona o enigma da tendência ao suicídio, que torna a melancolia tão interessante - e tão perigosa. Tão imenso é o amor de si mesmo do ego (self-love), que chegamos a reconhecer como sendo o estado primevo do qual provém a vida instintual, e tão vasta é a quantidade de libido narcisista que vemos liberada no medo surgido de uma ameaça à vida, que não podemos conceber como esse ego consente em sua própria destruição. De há muito, é verdade, sabemos que nenhum neurótico abriga pensamentos de suicídio que não consistam em impulsos assassinos contra outros, que ele volta contra si mesmo, mas jamais fomos capazes de explicar que forças interagem para levar a cabo esse propósito. A análise da melancolia mostra agora que o ego só pode se matar se, devido ao retorno da catexia objetal, puder tratar a si mesmo como um objeto - se for capaz de dirigir contra si mesmo a hostilidade relacionada a um objeto, e que representa a reação original do ego para com objetos do mundo externo. Assim, na regressão desde a escolha objetal narcisista, é verdade que nos livramos do objeto; ele, não obstante, se revelou mais poderoso do que o próprio ego. Nas duas situações opostas, de paixão intensa e de suicídio, o ego é dominado pelo objeto, embora de maneiras totalmente diferentes.
Quanto ao marcante traço particular da melancolia que mencionamos [ver em[1]], a proeminência do medo de ficar pobre, parece plausível supor que se origina do erotismo anal que foi arrancado de seu contexto e alterado num sentido regressivo.
A melancolia ainda nos confronta com outros problemas, cuja resposta em parte nos escapa. O fato de desaparecer após certo tempo, sem deixar quaisquer vestígios de grandes alterações, é uma característica que ela compartilha com o luto. Verificamos, à guisa de explanação [ver em [1] e [2]], que, no luto, se necessita de tempo para que o domínio do teste da realidade seja levado a efeito em detalhe, e que, uma vez realizado esse trabalho, o ego consegue libertar sua libido do objeto perdido. Podemos imaginar que o ego se ocupa com um trabalho análogo no decorrer de uma melancolia; em nenhum dos dois casos dispomos de qualquer compreensão interna (insight) da economia do curso dos eventos. Na melancolia, a insônia atesta a rigidez da condição, a impossibilidade de se efetuar o retraimento geral das catexias necessário ao sono. O complexo de melancolia se comporta como uma ferida aberta, atraindo a si as energias catexiais - que nas neuroses de transferência denominamos de ‘anticatexias’ - provenientes de todas as direções, e esvaziando o ego até este ficar totalmente empobrecido. Facilmente, esse complexo pode provar ser resistente ao desejo, por parte do ego, de dormir.
O que provavelmente é um fator somático, fator este que não pode ser explicado psicologicamente, torna-se visível na melhoria regular da condição, que se verifica por volta do anoitecer. Essas considerações nos levam a perguntar se uma perda no ego, independentemente do objeto - um golpe puramente narcisista contra o ego -, não bastará para produzir o quadro de melancolia, e se um empobrecimento da libido do ego, diretamente por causa de toxinas, não será capaz de produzir certas formas da doença.
A característica mais notável da melancolia, e aquela que mais precisa de explicação, é sua tendência a se transformar em mania - estado este que é o oposto dela em seus sintomas. Como sabemos, isso não acontece a toda melancolia. Alguns casos seguem seu curso em recaídas periódicas, entre cujos intervalos sinais de mania talvez estejam inteiramente ausentes ou sejam apenas muito leves. Outros revelam a alteração regular de fases melancólicas e maníacas que leva à hipótese de uma insanidade circular. Veríamo-nos tentados a considerar esses casos como não sendo psicogênicos, se não fosse o fato de que o método psicanalítico conseguiu chegar a uma solução e efetuar uma melhoria terapêutica em vários casos precisamente dessa espécie. Não é apenas permissível, portanto, mas imperioso, estender uma explanação analítica da melancolia também à mania.
Não posso prometer que essa tentativa venha a ser inteiramente satisfatória. Mal nos leva além da possibilidade de tomarmos nossa orientação inicial. Temos duas coisas a empreender: a primeira é uma impressão psicanalítica; a segunda, o que talvez possamos chamar de um tema de experiência econômica geral. A impressão que vários investigadores psicanalíticos já puseram em palavras é que o conteúdo da mania em nada difere do da melancolia, que ambas as desordens lutam com o mesmo ‘complexo’, mas que provavelmente, na melancolia, o ego sucumbe ao complexo, ao passo que, na mania, domina-o ou o põe de lado. Nosso segundo indicador é proporcionado pela observação de que todos os estados, tais como a alegria, a exultação ou o triunfo, que nos fornecem o modelo normal para a mania, dependem das mesmas condições econômicas. Aqui, aconteceu que, como resultado de alguma influência, um grande dispêndio de energia psíquica, de há muito mantido ou que ocorre habitualmente, finalmente se torna desnecessário, de modo que se encontra disponível para numerosas aplicações e possibilidades de descarga - quando, por exemplo, algum pobre miserável, ganhando uma grande soma de dinheiro, fica subitamente aliviado da preocupação crônica com seu pão de cada dia, ou quando uma longa e árdua luta se vê afinal coroada de êxito, ou quando um homem se encontra em condições de se desfazer, de um só golpe, de alguma compulsão opressiva, alguma posição falsa que teve de manter por muito tempo, e assim por diante. Todas essas situações se caracterizam pela animação, pelos sinais de descarga de uma emoção jubilosa e por maior disposição para todas as espécies de ação - da mesma maneira que na mania, e em completo contraste com a depressão e a inibição da melancolia. Podemos aventurar-nos a afirmar que a mania nada mais é do que um triunfo desse tipo; só que aqui, mais uma vez, aquilo que o ego dominou e aquilo sobre o qual está triunfando permanecem ocultos dele. A embriaguez alcoólica, que pertence à mesma classe de estados, pode (na medida em que é de exaltação) ser explicada da mesma maneira; aqui, provavelmente, ocorre uma suspensão, produzida por toxinas, de dispêndios de energia na repressão. A opinião popular gosta de presumir que uma pessoa num estado maníaco desse tipo se deleita no movimento e na ação porque ela é muito ‘alegre’. Naturalmente, essa falsa conexão deve ser corrigida. O fato é que a condição econômica na mente do indivíduo, mencionada acima, foi atendida, sendo essa a razão por que ele se acha tão animado, por um lado, e tão desinibido em sua ação, por outro.
Se reunirmos essas duas indicações, encontraremos o seguinte. Na mania, o ego deve ter superado a perda do objeto (ou seu luto pela perda, ou talvez o próprio objeto), e, conseqüentemente, toda a quota de anticatexia que o penoso sofrimento da melancolia tinha atraído para si vinda do ego e ‘vinculado’ se terá tornado disponível [ver em [1]]. Além disso, o indivíduo maníaco demonstra claramente sua liberação do objeto que causou seu sofrimento, procurando, como um homem vorazmente faminto, novas catexias objetais.
Essa explicação certamente parece plausível, mas, em primeiro lugar, é por demais idefinida, e, em segundo, dá margem a mais novos problemas e dúvidas do que podemos responder. Não fugiremos a um exame dos mesmos, embora não possamos esperar que esse exame nos leve a uma compreensão nítida.
Em primeiro lugar, também o luto normal supera a perda de objeto, e também, enquanto persiste, absorve todas as energias do ego. Por que, então, depois de seguir seu curso, não há, em seu caso, qualquer indício da condição econômica necessária a uma fase de triunfo? Acho impossível responder a essa objeção diretamente. Também chama a nossa atenção para o fato de que nem sequer conhecemos os meios econômicos pelos quais o luto executa sua tarefa [ver em [1]]. Possivelmente, contudo, uma conjectura nos ajudará aqui. Cada uma das lembranças e situações de expectativa que demonstram a ligação da libido ao objeto perdido se defrontam com o veredicto da realidade segundo o qual o objeto não mais existe; e o ego, confrontado, por assim dizer, com a questão de saber se partilhará desse destino, é persuadido, pela soma das satisfações narcisistas que deriva de estar vivo, a romper sua ligação com o objeto abolido. Talvez possamos supor que esse trabalho de rompimento seja tão lento e gradual, que, na ocasião em que tiver sido concluído, o dispêndio de energia necessária a ele também se tenha dissipado.
É tentador continuar a partir dessa conjectura sobre o trabalho do luto e tentar apresentar um relato do trabalho da melancolia. Aqui, de início, nos defrontamos com uma incerteza. Até agora, quase não consideramos a melancolia do ponto de vista topográfico, nem perguntamos a nós mesmos, nesse meio tempo, em que ou entre que sistemas psíquicos o trabalho de melancolia se processa. Que parte dos processos mentais da doença ainda se verifica em conexão com as catexias objetais inconscientes abandonadas, e que parte em conexão com seu substituto, por identificação, no ego?
A resposta rápida e fácil é que ‘a apresentação (da coisa) inconsciente do objeto foi abandonada pela libido’. Na realidade, contudo, essa apresentação é composta de inumeráveis impressões isoladas (ou traços inconscientes delas) e essa retirada da libido não é um processo que possa ser realizado num momento, mas deve, por certo, como no luto, ser um processo extremamente prolongado e gradual. Se ele começa simultaneamente em vários pontos ou se segue alguma espécie de seqüência fixa não é fácil decidir; nas análises, torna-se freqüentemente evidente que primeiro uma lembrança, e depois outra, é ativada, e que os lamentos que soam sempre como os mesmos, e são tediosos em sua monotonia, procedem, não obstante, cada vez de uma fonte inconsciente diferente. Se o objeto não possui uma tão grande importância para o ego - importância reforçada por mil elos -, então também sua perda não será suficiente para provocar quer o luto, quer a melancolia. Essa característica de separar pouco a pouco a libido deve, portanto, ser atribuída de igual modo ao luto e à melancolia, sendo provavelmente apoiada pela mesma situação econômica e servindo aos mesmos propósitos em ambos.
Como já vimos, contudo [ver em [1] e segs.], a melancolia contém algo mais que o luto normal. Na melancolia, a relação com o objeto não é simples; ela é complicada pelo conflito devido a uma ambivalência. Esta ou é constitucional, isto é, um elemento de toda relação amorosa formada por esse ego particular, ou provém precisamente daquelas experiências que envolveram a ameaça da perda do objeto. Por esse motivo, as causas excitantes da melancolia têm uma amplitude muito maior do que as do luto, que é, na maioria das vezes, ocasionado por uma perda real do objeto, por sua morte. Na melancolia, em conseqüência, travam-se inúmeras lutas isoladas em torno do objeto, nas quais o ódio e o amor se digladiam; um procura separar a libido do objeto, o outro, defender essa posição da libido contra o assédio. A localização dessas lutas isoladas só pode ser atribuída ao sistema Ics., a região dos traços de memória de coisas (em contraste com as catexias da palavra). No luto, também, os esforços para separar a libido são envidados nesse mesmo sistema; mas nele nada impede que esses processos sigam o caminho normal através do Pcs. até a consciência. Esse caminho, devido talvez a um certo número de causas ou a uma combinação delas, está bloqueado para o trabalho da melancolia. A ambivalência constitucional pertence por natureza ao reprimido; as experiências traumáticas em relação ao objeto podem ter ativado outro material reprimido. Assim, tudo que tem que ver com essas lutas devidas à ambivalência permanece retirado da consciência, até que o resultado característico da melancolia se fixe. Isso, como sabemos, consiste no abandono, por fim, do objeto pela catexia libidinal ameaçada, só que, porém, para recuar ao local do ego de onde tinha provindo. Dessa forma, refugiando-se no ego, o amor escapa à extinção. Após essa regressão da libido, o processo pode tornar-se consciente, sendo representado à consciência como um conflito entre uma parte do ego e o agente crítico.
No trabalho da melancolia, portanto, a consciência está cônscia de uma parte que não é essencial, e nem sequer é uma parte à qual possamos atribuir o mérito de ter contribuído para o término da doença. Vemos que o ego se degrada e se enfurece contra si mesmo, e compreendemos tão pouco quanto o paciente a que é que isso pode levar e como pode modificar-se. De forma mais imediata, podemos atribuir tal função à parte inconsciente do trabalho, pois não é difícil perceber uma analogia essencial entre o trabalho da melancolia e o do luto. Do mesmo modo que o luto compele o ego a desistir do objeto, declarando-o morto e oferecendo ao ego o incentivo de continuar a viver [ver em [1]], assim também cada luta isolada da ambivalência distende a fixação da libido ao objeto, depreciando-o, denegrindo-o e mesmo, por assim dizer, matando-o. É possível que o processo no Ics. chegue a um fim, quer após a fúria ter-se dissipado, quer após o objeto ter sido abandonado como destituído de valor. Não podemos dizer qual dessas duas possibilidades é a regular ou a mais usual para levar a melancolia a um fim, nem que influência esse término exerce sobre o futuro curso do caso. O ego pode derivar daí a satisfação de saber que é o melhor dos dois, que é superior ao objeto.
Mesmo que aceitemos esse conceito a respeito do trabalho da melancolia, ele ainda não proporciona uma explanação do único ponto que nos interessa esclarecer. Esperávamos que a condição econômica para o surgimento da mania, após a melancolia ter seguido o seu curso, fosse encontrada na ambivalência que domina essa afecção, e nisso encontramos um apoio proveniente de analogias em vários outros campos. Mas existe um fato diante do qual essa expectativa tem de se render. Das três precondições da melancolia - perda do objeto, ambivalência e regressão da libido ao ego -, as duas primeiras também se encontram nas auto-recriminações obsessivas que surgem depois da ocorrência de uma morte. Indubitavelmente, nesses caso é a ambivalência que constitui a força motora do conflito, revelando-nos a observação que, depois de determinado o conflito, nada mais resta que se assemelhe ao triunfo de um estado de mente maníaco. Somos levados assim a considerar o terceiro fator como o único responsável pelo resultado. O acúmulo de catexia que, de início, fica vinculado e, terminado o trabalho da melancolia, se torna livre, fazendo com que a mania seja possível, deve ser ligado à regressão da libido ao narcisismo. O conflito dentro do ego, que a melancolia substitui pela luta pelo objeto, deve atuar como uma ferida dolorosa que exige uma anticatexia extraordinariamente elevada. - Aqui, porém, mais uma vez, será bom parar e adiar qualquer outra explicação da mania até que tenhamos obtido certa compreensão interna (insight) da natureza econômica, primeiro da dor física, depois da dor mental análoga a ela. Conforme já sabemos, a interdependência dos complicados problemas da mente nos força a interromper qualquer indagação antes que esta esteja concluída - até que o resultado de uma outra indagação possa vir em sua ajuda.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante. Em algumas pessoas, as mesmas influências produzem melancolia em vez de luto; por conseguinte, suspeitamos de que essas pessoas possuem uma disposição patológica. Também vale a pena notar que, embora o luto envolva graves afastamentos daquilo que constitui a atitude normal para com a vida, jamais nos ocorre considerá-lo como sendo uma condição patológica e submetê-lo a tratamento médico. Confiamos em que seja superado após certo lapso de tempo, e julgamos inútil ou mesmo prejudicial qualquer interferência em relação a ele.
Os traços mentais distintivos da melancolia são um desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade, e uma diminuição dos sentimentos de auto-estima a ponto de encontrar expressão em auto-recriminação e auto-envilecimento, culminando numa expectativa delirante de punição. Esse quadro torna-se um pouco mais inteligível quando consideramos que, com uma única exceção, os mesmos traços são encontrados no luto. A perturbação da auto-estima está ausente no luto; afora isso, porém, as características são as mesmas. O luto profundo, a reação à perda de alguém que se ama, encerra o mesmo estado de espírito penoso, a mesma perda de interesse pelo mundo externo - na medida em que este não evoca esse alguém -, a mesma perda da capacidade de adotar um novo objeto de amor (o que significaria substituí-lo) e o mesmo afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre ele.
Em que consiste, portanto, o trabalho que o luto realiza? Não me parece forçado apresentá-lo da forma que se segue. O teste da realidade revelou que o objeto amado não existe mais, passando a exigir que toda a libido seja retirada de suas ligações com aquele objeto. Essa exigência provoca uma oposição compreensível - é fato notório que as pessoas nunca abandonam de bom grado uma posição libidinal, nem mesmo, na realidade, quando um substituto já se lhes acena. Esta oposição pode ser tão intensa, que dá lugar a um desvio da realidade e a um apego ao objeto por intermédio de uma psicose alucinatória carregada de desejo. Normalmente, prevalece o respeito pela realidade, ainda que suas ordens não possam ser obedecidas de imediato. São executadas pouco a pouco, com grande dispêndio de tempo e de energia catexial, prolongando-se psiquicamente, nesse meio tempo, a existência do objeto perdido. Cada uma das lembranças e expectativas isoladas através das quais a libido está vinculada ao objeto é evocada e hipercatexizada, e o desligamento da libido se realiza em relação a cada uma delas. Por que essa transigência, pela qual o domínio da realidade se faz fragmentariamente, deve ser tão extraordinariamente penosa, de forma alguma é coisa fácil de explicar em termos de economia. É notável que esse penoso desprazer seja aceito por nós como algo natural. Contudo, o fato é que, quando o trabalho do luto se conclui, o ego fica outra vez livre e desinibido.
Apliquemos agora à melancolia o que aprendemos sobre o luto. Num conjunto de casos é evidente que a melancolia também pode constituir reação à perda de um objeto amado. Onde as causas excitantes se mostram diferentes, pode-se reconhecer que existe uma perda de natureza mais ideal. O objeto talvez não tenha realmente morrido, mas tenha sido perdido enquanto objeto de amor (como no caso, por exemplo, de uma noiva que tenha levado o fora). Ainda em outros casos nos sentimos justificados em sustentar a crença de que uma perda dessa espécie ocorreu; não podemos, porém, ver claramente o que foi perdido, sendo de todo razoável supor que também o paciente não pode conscientemente receber o que perdeu. Isso, realmente, talvez ocorra dessa forma, mesmo que o paciente esteja cônscio da perda que deu origem à sua melancolia, mas apenas no sentido de que sabe quem ele perdeu, mas não o que perdeu nesse alguém. Isso sugeriria que a melancolia está de alguma forma relacionada a uma perda objetal retirada da consciência, em contraposição ao luto, no qual nada existe de inconsciente a respeito da perda.
No luto, verificamos que a inibição e a perda de interesse são plenamente explicadas pelo trabalho do luto no qual o ego é absorvido. Na melancolia, a perda desconhecida resultará num trabalho interno semelhante, e será, portanto, responsável pela inibição melancólica. A diferença consiste em que a inibição do melancólico nos parece enigmática porque não podemos ver o que é que o está absorvendo tão completamente. O melancólico exibe ainda uma outra coisa que está ausente no luto - uma diminuição extraordinária de sua auto-estima, um empobrecimento de seu ego em grande escala. No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego. O paciente representa seu ego para nós como sendo desprovido de valor, incapaz de qualquer realização e moralmente desprezível; ele se repreende e se envilece, esperando ser expulso e punido. Degrada-se perante todos, e sente comiseração por seus próprios parentes por estarem ligados a uma pessoa tão desprezível. Não acha que uma mudança se tenha processado nele, mas estende sua autocrítica até o passado, declarando que nunca foi melhor. Esse quadro de um delírio de inferioridade (principalmente moral) é completado pela insônia e pela recusa a se alimentar, e - o que é psicologicamente notável - por uma superação do instinto que compele todo ser vivo a se apegar à vida.
O melancólico não se comporta da mesma maneira que uma pessoa esmagada, de uma forma normal, pelo remorso e pela auto-recriminação. Sentimentos de vergonha diante de outras pessoas, que, mais do qualquer outra coisa, caracterizariam essa última condição, faltam ao melancólico, ou pelo menos não são proeminentes nele. Poder-se-ia ressaltar a presença nele de um traço quase oposto, de uma insistente comunicabilidade, que encontra satisfação no desmascaramento de si mesmo.
Freqüentemente, a auto-avaliação do paciente se preocupa muito menos com a enfermidade do corpo, a feiúra ou a fraqueza, ou com a inferioridade social; quanto a essa categoria, somente seu temor da pobreza e as afirmações de que vai ficar pobre ocupam posição proeminente.
A mulher que lamenta em altos brados o fato de o marido estar preso a uma esposa incapaz como ela, na verdade está acusando o marido de ser incapaz, não importando o sentido que ela possa atribuir a isso. Não há por que se surpreender com o fato de haver algumas auto-recriminações autênticas difundidas entre as que foram transpostas. Permite-se que estas se intrometam, de uma vez que ajudam a mascarar as outras e a tornar impossível o reconhecimento do verdadeiro estado de coisas. Além disso, elas derivam dos prós e dos contras do conflito amoroso que levou à perda do amor. Também o comportamento dos pacientes, agora, se torna bem mais inteligível. Suas queixas são realmente ‘queixumes’, no sentido antigo da palavra. Eles não se envergonham nem se ocultam, já que tudo de desairoso que dizem sobre eles próprios refere-se, no fundo, à outra pessoa. Além disso, estão longe de demonstrar perante aqueles que o cercam uma atitude de humildade e submissão, única que caberia a pessoas tão desprezíveis. Pelo contrário, tornam-se as pessoas mais maçantes, dando sempre a impressão de que se sentem desconsideradas e de que foram tratadas com grande injustiça. Tudo isso só é possível porque as reações expressas em seu comportamento ainda procedem de uma constelação mental de revolta, que, por um certo processo, passou então para o estado esmagado de melancolia.
Não é difícil reconstruir esse processo. Existem, num dado momento, uma escolha objetal, uma ligação da libido a uma pessoa particular; então, devido a uma real desconsideração ou desapontamento proveniente da pessoa amada, a relação objetal foi destroçada. O resultado não foi o normal - uma retirada da libido desse objeto e um deslocamento da mesma para um novo -, mas algo diferente, para cuja ocorrência várias condições parecem ser necessárias. A catexia objetal provou ter pouco poder de resistência e foi liquidada. Mas a libido livre não foi deslocada para outro objeto; foi retirada para o ego. Ali, contudo, não foi empregada de maneira não especificada, mas serviu para estabelecer uma identificação do ego com o objeto abandonado. Assim a sombra do objeto caiu sobre o ego, e este pôde, daí por diante, ser julgado por um agente especial, como se fosse um objeto, o objeto abandonado. Dessa forma, uma perda objetal se transformou numa perda do ego, e o conflito entre o ego e a pessoa amada, numa separação entre a atividade crítica do ego e o ego enquanto alterado pela identificação.
Uma ou duas coisas podem ser diretamente inferidas no tocante às precondições e aos efeitos de um processo como este. Por um lado, uma forte fixação no objeto amado deve ter estado presente; por outro, em contradição a isso, a catexia objetal deve ter tido pouco poder de resistência. Conforme Otto Rank observou com propriedade, essa contradição parece implicar que a escolha objetal é efetuada numa base narcisista, de modo que a catexia objetal, ao se defrontar com obstáculos, pode retroceder para o narcisismo. A identificação narcisista com o objeto se torna, então, um substituto da catexia erótica, e, em conseqüência, apesar do conflito com a pessoa amada, não é preciso renunciar à relação amorosa. Essa substituição da identificação pelo amor objetal constitui importante mecanismo nas afecções narcisistas; Karl Laudauer (1914), recentemente, teve ocasião de indicá-lo no processo de recuperação num caso de esquizofrenia. Ele representa, naturalmente, uma regressão de um tipo de escolha objetal para o narcisismo original. Mostramos em outro ponto que a identificação é uma etapa preliminar da escolha objetal, que é a primeira forma - e uma forma expressa de maneira ambivalente - pela qual o ego escolhe um objeto. O ego deseja incorporar a si esse objeto, e, em conformidade com a fase oral ou canibalista do desenvolvimento libidinal em que se acha, deseja fazer isso devorando-o. Abraham, sem dúvida, tem razão em atribuir a essa conexão a recusa de alimento encontrada em formas graves de melancolia.
A conclusão que nossa teoria exigiria - a saber, que a tendência a adoecer de melancolia (ou parte dessa tendência) reside na predominância do tipo narcisista da escolha objetal - infelizmente ainda não foi confirmada pela observação. Nas observações introdutórias deste artigo, admiti que o material empírico em que se fundamentou este estudo é insuficiente para as nossas necessidades. Se pudéssemos presumir um acordo entre os resultados da observação e o que inferimos, não hesitaríamos em incluir em nossa caracterização da melancolia essa regressão da catexia objetal para a fase oral ainda narcisista da libido. Também nas neuroses de transferência as identificações com o objeto de modo algum são raras; na realidade, constituem um conhecido mecanismo de formação de sintomas, especialmente na histeria. Contudo, a diferença entre a identificação narcisista e a histérica pode residir no seguinte: ao passo que na primeira a catexia objetal é abandonada, na segunda persiste e manifesta sua influência, embora isso em geral esteja confinado a certas ações e inervações isoladas. Seja como for, também nas neuroses de transferência a identificação é a expressão da existência de algo em comum, que pode significar amor. A identificação narcisista é a mais antiga das duas e prepara o caminho para uma compreensão da identificação histérica, que tem sido estudada menos profundamente.
A melancolia, portanto, toma emprestado do luto alguns dos seus traços e, do processo de regressão, desde a escolha objetal narcisista para o narcisismo, os outros. É por um lado, como o luto, uma reação à perda real de um objeto amado; mas, acima de tudo isso, é assinalada por uma determinante que se acha ausente no luto normal ou que, se estiver presente, transforma este em luto patológico. A perda de um objeto amoroso constitui excelente oportunidade para que a ambivalência nas relações amorosas se faça efetiva e manifesta. Onde existe uma disposição para a neurose obsessiva, o conflito devido à ambivalência empresta um cunho patológico ao luto, forçando-o a expressar-se sob forma de auto-recriminação, no sentido de que a própria pessoa enlutada é culpada pela perda do objeto amado, isto é, que ela a desejou. Esses estados obsessivos de depressão que se seguem à morte de uma pessoa amada revelam-nos o que o conflito devido à ambivalência pode alcançar por si mesmo quando também não há uma retração regressiva da libido. Na melancolia, as ocasiões que dão margem à doença vão, em sua maior parte, além do caso nítido de uma perda por morte, incluindo as situações de desconsideração, desprezo ou desapontamento, que podem trazer para a relação sentimentos opostos de amor e ódio, ou reforçar uma ambivalência já existente. Esse conflito devido à ambivalência, que por vezes surge mais de experiências reais, por vezes mais de fatores constitucionais, não deve ser desprezado entre as precondições da melancolia. Se o amor pelo objeto - um amor que não pode ser renunciado, embora o próprio objeto o seja - se refugiar na identificação narcisista, então o ódio entra em ação nesse objeto substitutivo, dele abusando, degradando-o, fazendo-o sofrer e tirando satisfação sádica de seu sofrimento. A autotortura na melancolia, sem dúvida agradável, significa, do mesmo modo que o fenômeno correspondente na neurose obsessiva, uma satisfação das tendências do sadismo e do ódio relacionadas a um objeto, que retornaram ao próprio eu do indivíduo nas formas que vimos examinando. Via de regra, em ambas as desordens, os pacientes ainda conseguem, pelo caminho indireto da autopunição, vingar-se do objeto original e torturar o ente amado através de sua doença, à qual recorrem a fim de evitar a necessidade de expressar abertamente sua hostilidade para com ele. Afinal de contas, a pessoa que ocasionou a desordem emocional do paciente, e na qual na doença se centraliza, em geral se encontra eu seu ambiente imediato. A catexia erótica do melancólico no tocante a seu objeto sofreu assim uma dupla vicissitude: parte dela retrocedeu à identificação, mas a outra parte, sob a influência do conflito devido à ‘ambivalência’, foi levada de volta à etapa de sadismo que se acha mais próxima do conflito.
É exclusivamente esse sadismo que soluciona o enigma da tendência ao suicídio, que torna a melancolia tão interessante - e tão perigosa. Tão imenso é o amor de si mesmo do ego (self-love), que chegamos a reconhecer como sendo o estado primevo do qual provém a vida instintual, e tão vasta é a quantidade de libido narcisista que vemos liberada no medo surgido de uma ameaça à vida, que não podemos conceber como esse ego consente em sua própria destruição. De há muito, é verdade, sabemos que nenhum neurótico abriga pensamentos de suicídio que não consistam em impulsos assassinos contra outros, que ele volta contra si mesmo, mas jamais fomos capazes de explicar que forças interagem para levar a cabo esse propósito. A análise da melancolia mostra agora que o ego só pode se matar se, devido ao retorno da catexia objetal, puder tratar a si mesmo como um objeto - se for capaz de dirigir contra si mesmo a hostilidade relacionada a um objeto, e que representa a reação original do ego para com objetos do mundo externo. Assim, na regressão desde a escolha objetal narcisista, é verdade que nos livramos do objeto; ele, não obstante, se revelou mais poderoso do que o próprio ego. Nas duas situações opostas, de paixão intensa e de suicídio, o ego é dominado pelo objeto, embora de maneiras totalmente diferentes.
Quanto ao marcante traço particular da melancolia que mencionamos [ver em[1]], a proeminência do medo de ficar pobre, parece plausível supor que se origina do erotismo anal que foi arrancado de seu contexto e alterado num sentido regressivo.
Na melancolia, a insônia atesta a rigidez da condição, a impossibilidade de se efetuar o retraimento geral das catexias necessário ao sono. O complexo de melancolia se comporta como uma ferida aberta, atraindo a si as energias catexiais - que nas neuroses de transferência denominamos de ‘anticatexias’ - provenientes de todas as direções, e esvaziando o ego até este ficar totalmente empobrecido. Facilmente, esse complexo pode provar ser resistente ao desejo, por parte do ego, de dormir.
A característica mais notável da melancolia, e aquela que mais precisa de explicação, é sua tendência a se transformar em mania - estado este que é o oposto dela em seus sintomas. Como sabemos, isso não acontece a toda melancolia. Alguns casos seguem seu curso em recaídas periódicas, entre cujos intervalos sinais de mania talvez estejam inteiramente ausentes ou sejam apenas muito leves.
Temos duas coisas a empreender: a primeira é uma impressão psicanalítica; a segunda, o que talvez possamos chamar de um tema de experiência econômica geral. A impressão que vários investigadores psicanalíticos já puseram em palavras é que o conteúdo da mania em nada difere do da melancolia, que ambas as desordens lutam com o mesmo ‘complexo’, mas que provavelmente, na melancolia, o ego sucumbe ao complexo, ao passo que, na mania, domina-o ou o põe de lado. Nosso segundo indicador é proporcionado pela observação de que todos os estados, tais como a alegria, a exultação ou o triunfo, que nos fornecem o modelo normal para a mania, dependem das mesmas condições econômicas. Aqui, aconteceu que, como resultado de alguma influência, um grande dispêndio de energia psíquica, de há muito mantido ou que ocorre habitualmente, finalmente se torna desnecessário, de modo que se encontra disponível para numerosas aplicações e possibilidades de descarga - quando, por exemplo, algum pobre miserável, ganhando uma grande soma de dinheiro, fica subitamente aliviado da preocupação crônica com seu pão de cada dia, ou quando uma longa e árdua luta se vê afinal coroada de êxito, ou quando um homem se encontra em condições de se desfazer, de um só golpe, de alguma compulsão opressiva, alguma posição falsa que teve de manter por muito tempo, e assim por diante. Todas essas situações se caracterizam pela animação, pelos sinais de descarga de uma emoção jubilosa e por maior disposição para todas as espécies de ação - da mesma maneira que na mania, e em completo contraste com a depressão e a inibição da melancolia. Podemos aventurar-nos a afirmar que a mania nada mais é do que um triunfo desse tipo; só que aqui, mais uma vez, aquilo que o ego dominou e aquilo sobre o qual está triunfando permanecem ocultos dele. A embriaguez alcoólica, que pertence à mesma classe de estados, pode (na medida em que é de exaltação) ser explicada da mesma maneira; aqui, provavelmente, ocorre uma suspensão, produzida por toxinas, de dispêndios de energia na repressão. A opinião popular gosta de presumir que uma pessoa num estado maníaco desse tipo se deleita no movimento e na ação porque ela é muito ‘alegre’. Naturalmente, essa falsa conexão deve ser corrigida. O fato é que a condição econômica na mente do indivíduo, mencionada acima, foi atendida, sendo essa a razão por que ele se acha tão animado, por um lado, e tão desinibido em sua ação, por outro.
Se reunirmos essas duas indicações, encontraremos o seguinte. Na mania, o ego deve ter superado a perda do objeto (ou seu luto pela perda, ou talvez o próprio objeto), e, conseqüentemente, toda a quota de anticatexia que o penoso sofrimento da melancolia tinha atraído para si vinda do ego e ‘vinculado’ se terá tornado disponível [ver em [1]]. Além disso, o indivíduo maníaco demonstra claramente sua liberação do objeto que causou seu sofrimento, procurando, como um homem vorazmente faminto, novas catexias objetais.
Em primeiro lugar, também o luto normal supera a perda de objeto, e também, enquanto persiste, absorve todas as energias do ego. Por que, então, depois de seguir seu curso, não há, em seu caso, qualquer indício da condição econômica necessária a uma fase de triunfo? Acho impossível responder a essa objeção diretamente. Também chama a nossa atenção para o fato de que nem sequer conhecemos os meios econômicos pelos quais o luto executa sua tarefa [ver em [1]]. Possivelmente, contudo, uma conjectura nos ajudará aqui. Cada uma das lembranças e situações de expectativa que demonstram a ligação da libido ao objeto perdido se defrontam com o veredicto da realidade segundo o qual o objeto não mais existe; e o ego, confrontado, por assim dizer, com a questão de saber se partilhará desse destino, é persuadido, pela soma das satisfações narcisistas que deriva de estar vivo, a romper sua ligação com o objeto abolido. Talvez possamos supor que esse trabalho de rompimento seja tão lento e gradual, que, na ocasião em que tiver sido concluído, o dispêndio de energia necessária a ele também se tenha dissipado.
Que parte dos processos mentais da doença ainda se verifica em conexão com as catexias objetais inconscientes abandonadas, e que parte em conexão com seu substituto, por identificação, no ego?
A resposta rápida e fácil é que ‘a apresentação (da coisa) inconsciente do objeto foi abandonada pela libido’. Na realidade, contudo, essa apresentação é composta de inumeráveis impressões isoladas (ou traços inconscientes delas) e essa retirada da libido não é um processo que possa ser realizado num momento, mas deve, por certo, como no luto, ser um processo extremamente prolongado e gradual. Se ele começa simultaneamente em vários pontos ou se segue alguma espécie de seqüência fixa não é fácil decidir; nas análises, torna-se freqüentemente evidente que primeiro uma lembrança, e depois outra, é ativada, e que os lamentos que soam sempre como os mesmos, e são tediosos em sua monotonia, procedem, não obstante, cada vez de uma fonte inconsciente diferente. Se o objeto não possui uma tão grande importância para o ego - importância reforçada por mil elos -, então também sua perda não será suficiente para provocar quer o luto, quer a melancolia. Essa característica de separar pouco a pouco a libido deve, portanto, ser atribuída de igual modo ao luto e à melancolia, sendo provavelmente apoiada pela mesma situação econômica e servindo aos mesmos propósitos em ambos.
Como já vimos, contudo [ver em [1] e segs.], a melancolia contém algo mais que o luto normal. Na melancolia, a relação com o objeto não é simples; ela é complicada pelo conflito devido a uma ambivalência. Esta ou é constitucional, isto é, um elemento de toda relação amorosa formada por esse ego particular, ou provém precisamente daquelas experiências que envolveram a ameaça da perda do objeto. Por esse motivo, as causas excitantes da melancolia têm uma amplitude muito maior do que as do luto, que é, na maioria das vezes, ocasionado por uma perda real do objeto, por sua morte. Na melancolia, em conseqüência, travam-se inúmeras lutas isoladas em torno do objeto, nas quais o ódio e o amor se digladiam; um procura separar a libido do objeto, o outro, defender essa posição da libido contra o assédio. A localização dessas lutas isoladas só pode ser atribuída ao sistema Ics., a região dos traços de memória de coisas (em contraste com as catexias da palavra). No luto, também, os esforços para separar a libido são envidados nesse mesmo sistema; mas nele nada impede que esses processos sigam o caminho normal através do Pcs. até a consciência. Esse caminho, devido talvez a um certo número de causas ou a uma combinação delas, está bloqueado para o trabalho da melancolia. A ambivalência constitucional pertence por natureza ao reprimido; as experiências traumáticas em relação ao objeto podem ter ativado outro material reprimido. Assim, tudo que tem que ver com essas lutas devidas à ambivalência permanece retirado da consciência, até que o resultado característico da melancolia se fixe. Isso, como sabemos, consiste no abandono, por fim, do objeto pela catexia libidinal ameaçada, só que, porém, para recuar ao local do ego de onde tinha provindo. Dessa forma, refugiando-se no ego, o amor escapa à extinção. Após essa regressão da libido, o processo pode tornar-se consciente, sendo representado à consciência como um conflito entre uma parte do ego e o agente crítico.
No trabalho da melancolia, portanto, a consciência está cônscia de uma parte que não é essencial, e nem sequer é uma parte à qual possamos atribuir o mérito de ter contribuído para o término da doença. Vemos que o ego se degrada e se enfurece contra si mesmo, e compreendemos tão pouco quanto o paciente a que é que isso pode levar e como pode modificar-se. De forma mais imediata, podemos atribuir tal função à parte inconsciente do trabalho, pois não é difícil perceber uma analogia essencial entre o trabalho da melancolia e o do luto. Do mesmo modo que o luto compele o ego a desistir do objeto, declarando-o morto e oferecendo ao ego o incentivo de continuar a viver [ver em [1]], assim também cada luta isolada da ambivalência distende a fixação da libido ao objeto, depreciando-o, denegrindo-o e mesmo, por assim dizer, matando-o. É possível que o processo no Ics. chegue a um fim, quer após a fúria ter-se dissipado, quer após o objeto ter sido abandonado como destituído de valor. Não podemos dizer qual dessas duas possibilidades é a regular ou a mais usual para levar a melancolia a um fim, nem que influência esse término exerce sobre o futuro curso do caso. O ego pode derivar daí a satisfação de saber que é o melhor dos dois, que é superior ao objeto.
Das três precondições da melancolia - perda do objeto, ambivalência e regressão da libido ao ego -, as duas primeiras também se encontram nas auto-recriminações obsessivas que surgem depois da ocorrência de uma morte. Indubitavelmente, nesses caso é a ambivalência que constitui a força motora do conflito, revelando-nos a observação que, depois de determinado o conflito, nada mais resta que se assemelhe ao triunfo de um estado de mente maníaco. Somos levados assim a considerar o terceiro fator como o único responsável pelo resultado. O acúmulo de catexia que, de início, fica vinculado e, terminado o trabalho da melancolia, se torna livre, fazendo com que a mania seja possível, deve ser ligado à regressão da libido ao narcisismo. O conflito dentro do ego, que a melancolia substitui pela luta pelo objeto, deve atuar como uma ferida dolorosa que exige uma anticatexia extraordinariamente elevada. - Aqui, porém, mais uma vez, será bom parar e adiar qualquer outra explicação da mania até que tenhamos obtido certa compreensão interna (insight) da natureza econômica, primeiro da dor física, depois da dor mental análoga a ela. Conforme já sabemos, a interdependência dos complicados problemas da mente nos força a interromper qualquer indagação antes que esta esteja concluída - até que o resultado de uma outra indagação possa vir em sua ajuda.
Mattanó aponta que o luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante. Em algumas pessoas, as mesmas influências produzem melancolia em vez de luto; por conseguinte, suspeitamos de que essas pessoas possuem uma disposição patológica. Também vale a pena notar que, embora o luto envolva graves afastamentos daquilo que constitui a atitude normal para com a vida, jamais nos ocorre considerá-lo como sendo uma condição patológica e submetê-lo a tratamento médico. Confiamos em que seja superado após certo lapso de tempo, e julgamos inútil ou mesmo prejudicial qualquer interferência em relação a ele. Vemos que o luto é uma reação à perda de um entre querido ou amado, à perda de alguma abstração como o país, a liberdade, o ideal ou o heroísmo que ocupou o lugar e um ente querido ou amado; o luto não é uma condição patológica e nunca deve ser submetido a tratamento, mas a acompanhamento, mas em outras pessoas as mesmas influências podem produzir a melancolia que é uma disposição patológica, já o luto envolve um ciclo e uma trajetória, a trajetória do luto que é composta de fases:
1.O chamado
O chamado pode ser um sinal no céu, um som, uma canção, um toque de um amigo, uma oração, uma revelação, um oráculo, uma passagem ou uma iniciação, um rito ou um mito, uma instituição, um poder, uma família, um indivíduo, um trabalho, uma educação, um esporte, um ato ou um pensamento, um delírio ou uma alucinação, uma voz, um pedido, uma ordem, um julgamento, etc.. O indivíduo deve saber percebê-lo e senti-lo como parte de sua própria vida, pois a morte e o luto fazem parte da vida de cada um de nós.
2.O chamado pode ser recusado
O chamado pode ser recusado pelo herói se ele não o reconhecer ou se ele não estiver preparado pare ele, tanto psicologicamente, quanto filosoficamente, socialmente e espiritualmente e até economicamente ou profissionalmente, academicamente ou familiarmente, tornando o chamado algo obtuso e sem significado, sem sentido para ele que não responde e nem se comporta aceitando-o. O indivíduo pode recusar lidar com a morte e o luto de várias maneiras em sua vida.
3.Os problemas do caminho
Os problemas do caminho podem ser muitos como adversidades biológicas, psicológicas, sociais, filosóficas, espirituais, econômicas, matemáticas, físicas, extraterrestres, da vida ou do universo e até sobrenaturais. O indivíduo pode encontrar diversos problemas em seu caminho em decorrência da morte e do luto, ele deve ser inteligente para lidar com eles.
4.A ajuda sobrenatural
A ajuda sobrenatural refere-se a ajuda de um ser que aparece miraculosamente no seu caminho ou em sua trajetória oferecendo-lhe meios e amuletos para se comportar e pensar de modo que vença suas adversidades, tornando-se mais forte e superior, como que vencendo suas inferioridades. O indivíduo encontrará forças e ajudas sobrenaturais que o levarão a lidar melhor com a morte e o luto, ele deve saber integrar esse aspecto de sua vida.
5.O enfrentamento do problema
O enfrentamento do problema refere-se a capacidade, a oportunidade e a obrigatoriedade do herói ter que lidar com situações de problema onde ele terá que lidar com adversidades ambientais de várias formas e contingências, levando-o a compreender que para vencer é preciso lutar e enfrentar. O indivíduo deve compreender que para vencer seus problemas com a morte e o luto ele deve lutar e enfrenta-los com dignidade.
6.O contato com o monstro
O contato com o monstro refere-se a quando o herói entra em contato com o monstro, com a baleia e é engolido. O indivíduo deve saber que a morte e o luto o engolirão um dia e o assustarão.
7.A vitória ou a derrota
A vitória ou a derrota dependem de como o herói se comportou, se ele aceitou seu destino, lutou e venceu seu monstro, a baleia, ou se não aceitou seu destino, não lutou e perdeu para o monstro, a baleia e foi digerido por ela. O indivíduo deve compreender que vencer ou perder sua luta contra a morte e o luto depende de como ele se organizou e se arranjou, de como ele se comportou.
8.A mensagem
A mensagem depende da vitória do herói que retorna do ventre da baleia e conta sua história de luta e de vitória. O indivíduo voltará com uma mensagem se for o vencedor de sua luta contra a morte e o luto.
9.A caminhada
A caminhada reflete sua vitória, sua mensagem, seu destino de aceitação, luta e vitória para a perpetuação de sua comunidade e de sua família. O indivíduo terá uma caminhada com sua mensagem contra a morte e o luto para sua vida e comunidade.
10.O regresso
O regresso refere-se ao retorno do herói com sua mensagem até sua comunidade, com sua experiência, com seus rituais e suas instituições. O indivíduo regressará para sua comunidade com sua mensagem sobre a morte e o luto, seja ela como for.
11.O novo acontecimento adverso
O novo acontecimento adverso reflete que o herói foi chamado novamente para a luta e para o combate, para lidar com um novo acontecimento adverso em sua caminhada. O indivíduo será novamente chamado para enfrentar a morte e o luto em sua caminhada.
12.A nova luta e o novo enfrentamento
A nova luta e o novo enfrentamento referem-se ao novo combate e ao novo desafio pelo herói enfrentado, se ele o aceita ou não e a sua própria história. O indivíduo terá que aceitar ou não aceitar sua nova luta contra a morte e o luto, suas consequências.
13.A vitória ou a derrota
A vitória ou a derrota dependem de como o herói selecionou seu destino, se ele o aceitou ou se renunciou a ele e ao seu novo combate. O indivíduo terá que selecionar seu destino, se aceitou ou se renunciou as mensagens sobre a morte e o luto em sua caminhada.
14.A 2ª mensagem
A 2ª mensagem refere-se ao segundo desafio concluído e refletido, todo pensado e arranjado, elaborado. O indivíduo elaborará seu segundo desafio sobre a morte e o luto através do conhecimento.
15.A contínua caminhada
A contínua caminhada refere-se a contínua jornada do herói que jamais termina enquanto ele estiver em sua comunidade e estiver vivo, pois há problemas e desafios por todos os lados em nossas comunidades. O indivíduo continuará sua caminhada, mesmo em meio a problemas, pois ele está vivo e a morte é uma consequência da vida e o luto é uma consequência da morte.
16.O regresso
O regresso refere-se ao retorno do herói da sua nova caminhada com uma nova mensagem para sua comunidade, para sua família. O indivíduo retornará de sua nova caminhada com uma nova mensagem sobre a morte e o luto, aperfeiçoando-a, para sua comunidade e família.
17.Outro acontecimento adverso
Outro acontecimento adverso refere-se ao mesmo que não há limites ao número de acontecimentos adversos a que está submetido o herói em nossa sociedade e em nossas comunidades e famílias, pois o mundo é assim. O indivíduo aprende que não existe um número definido de acontecimentos adversos, desta maneira ele aprende que a morte e o luto não tem um número fixo de acontecimentos ou limitado, mas livre e ilimitado, indeterminado.
18.Outra luta e outro enfrentamento
Outra luta e outro enfrentamento referem-se ao número ilimitados de problemas que gerarão luta e enfrentamento para o nosso herói nos tempos atuais. O indivíduo aprende que outra luta e outro enfrentamento são indeterminados, seja qual for o tempo e o contexto, para a morte e o luto.
19.A outra vitória ou a outra derrota
A outra vitória e a outra derrota referem-se ao número de vitórias e de derrotas que o herói pode enfrentar em sua jornada e trajetória. O indivíduo aprende que o múmero de vitórias e de derrotas são indeterminados para a morte e o luto.
20.A mensagem
A mensagem refere-se ao número ilimitado de vezes que ela foi gerada pela experiência do herói. O indivíduo aprende que a mensagem pode ser gerada ilimitadamente, de acordo com a sua experiência a respeito da morte e do luto.
21.A caminhada
A caminhada refere-se ao número ilimitado de vezes que o herói teve que sair para enfrentar sua jornada, sua trajetória e alcançar sua vitória ou ter sua derrota. O indivíduo aprende que a caminhada é necessária para alcançar a vitória ou a derrota perante a morte e o luto.
22.O regresso
O regresso refere-se ao número ilimitado de vezes que o herói teve que regressar para sua comunidade com sua vitória e mensagem ou derrotado e destruído. O indivíduo aprende que o regresso é ilimitado e de acordo com a mensagem de vitória ou de derrota perante a morte e o luto.
23.O encontro com a sua comunidade
O encontro com a sua comunidade é marcado pela chegada e pela recepção, por uma ansiedade e uma angústia. O indivíduo aprende que o encontro com a comunidade gera ansiedade e angústia em função da morte e do luto.
24.A entrega do seu tesouro, cabeça do monstro ou revelação
A entrega do seu tesouro, cabeça do monstro ou revelação mostra que o tesouro são as riquezas conquistadas pelo herói, a cabeça do monstro é justamente a cabeça do minotauro arrancada pelo herói, e a revelação e obviamente a mensagem sobrenatural que Deus, um anjo ou Nossa Senhora entregou para um herói ou Santo. O indivíduo aprende que a entrega do tesouro é justamente a entrega da cabeça do monstro, do que lhe assustava e agora está elaborado e dominado através da morte e do luto – todo morte é um minotauro ou um monstro para algum outro indivíduo que desejava sua morte.
25.O tesouro causa alegria e exautação
O tesouro causa alegria e exautação pois se trata de riquezas e grandes belezas, grandes fortunas e bens incalculáveis. O indivíduo aprende que o tesouro, a cabeça do monstro, do minotauro, causa alegria e exautação, pois se trata de riquezas e de grandes belezas, de grandes fortunas e bens incalculáveis, como o próprio Cristo.
26.A cabeça do monstro causa medo e temor
A cabeça do monstro causa medo e temor pois se trata da cabeça do monstro, do minotauro, do demônio, que seduz as crianças e as pessoas puras e Santas com sexo, dinheiro, bens, violência, drogas e poder. O indivíduo aprende que a cabeça do monstro, do minotauro, do demônio, do próprio Cristo julgado, acusado e condenado a Cruz, que seduz as crianças e as pessoas puras e Santas com sexo e amor, dinheiro, bens e obras, violência e segurança, drogas e remédios, e poder e milagres perante a morte e o luto causa medo e temor.
27.A revelação causa admiração e endeusamento
A revelação causa admiração e endeusamento pois se trata de Deus, de um Santo, de um anjo, do Amor de Deus, da Graça de Deus, da Misericórdia de Deus, da Família de Deus. O indivíduo aprende que a revelação causa admiração e endeusamento perante a morte e o luto.
28.A apoteose e a liberdade
A apoteose e a liberdade referem-se ao grande momento de maravilhamento, extasiamento, deslumbramento oriundo da auto-atualização e auto-realização, do processo de individuação que geram liberdade e libido, comunhão e segurança. O indivíduo aprende que sua caminhada gerou liberdade e libido, comunhão e segurança para enfrentar a morte e o luto com uma mensagem para si e sua comunidade.
29.A liberdade para se viver e para se ensinar a viver
A liberdade para se viver e para se ensinar a viver revela que o herói adquiriu todo o conhecimento necessário para viver e ensinar a viver em sua comunidade, mostrando autonomia e independência, capacidade de auto-significação. O indivíduo aprende que a liberdade para se viver e para se ensinar a viver o ensinou a lidar com a morte e o luto de forma autônoma e independente, com capacidade de auto-signifcação.
Auto-significação segundo Osny Mattanó Júnior é gerar significado, sentido, conceito, contexto, comportamento, funcionalidade, simbologia, topografia, intensidade, magnitude, latência, amplitude, limiar, frequência, linguagem, relação social, gestalt, insight, chiste, fantasias, desejo, desejo de dormir, conteúdo manifesto e conteúdo latente, piadas e humor, pressupostos e subentendidos, espiritualidade, imunidade, homeostase, história de vida, conclusão e interpretação final, atividade, consciência, identidade, alienação e afetividade, trabalho e estilo de vida.
Osny Mattanó Júnior
Londrina, 23 de setembro de 2020.
Os traços mentais distintivos da melancolia são um desânimo profundamente penoso, a cessação de interesse pelo mundo externo, a perda da capacidade de amar, a inibição de toda e qualquer atividade, e uma diminuição dos sentimentos de auto-estima a ponto de encontrar expressão em auto-recriminação e auto-envilecimento, culminando numa expectativa delirante de punição. Esse quadro torna-se um pouco mais inteligível quando consideramos que, com uma única exceção, os mesmos traços são encontrados no luto. A perturbação da auto-estima está ausente no luto; afora isso, porém, as características são as mesmas. O luto profundo, a reação à perda de alguém que se ama, encerra o mesmo estado de espírito penoso, a mesma perda de interesse pelo mundo externo - na medida em que este não evoca esse alguém -, a mesma perda da capacidade de adotar um novo objeto de amor (o que significaria substituí-lo) e o mesmo afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre ele. Vemos que a melancolia tem como traços o desânimo profundo e penoso, a perda de capacidade de amar, o desinteresse pelo mundo externo, a inibição por qualquer atividade, a diminuição da auto-estima, a auto-recriminação e ao auto-envilecimento, e uma expectativa delirante de punição, já o luto traduz a realidade com outro significado e outro sentido.
Em que consiste, portanto, o trabalho que o luto realiza? Não me parece forçado apresentá-lo da forma que se segue. O teste da realidade revelou que o objeto amado não existe mais, passando a exigir que toda a libido seja retirada de suas ligações com aquele objeto. Essa exigência provoca uma oposição compreensível - é fato notório que as pessoas nunca abandonam de bom grado uma posição libidinal, nem mesmo, na realidade, quando um substituto já se lhes acena. Esta oposição pode ser tão intensa, que dá lugar a um desvio da realidade e a um apego ao objeto por intermédio de uma psicose alucinatória carregada de desejo. Normalmente, prevalece o respeito pela realidade, ainda que suas ordens não possam ser obedecidas de imediato. São executadas pouco a pouco, com grande dispêndio de tempo e de energia catexial, prolongando-se psiquicamente, nesse meio tempo, a existência do objeto perdido. Cada uma das lembranças e expectativas isoladas através das quais a libido está vinculada ao objeto é evocada e hipercatexizada, e o desligamento da libido se realiza em relação a cada uma delas. Por que essa transigência, pela qual o domínio da realidade se faz fragmentariamente, deve ser tão extraordinariamente penosa, de forma alguma é coisa fácil de explicar em termos de economia. É notável que esse penoso desprazer seja aceito por nós como algo natural. Contudo, o fato é que, quando o trabalho do luto se conclui, o ego fica outra vez livre e desinibido. Vemos que no luto o indivíduo deve se desligar do objeto amado que não existe mais através do teste da realidade que pode gerar uma desvio da realidade e um apego a uma psicose alucinatória carregada de desejo, somente quando o trabalho de luto é concluído que o ego fica outra vez livre e desinibido, inclusive com seus significados e sentidos característicos.
Apliquemos agora à melancolia o que aprendemos sobre o luto. Num conjunto de casos é evidente que a melancolia também pode constituir reação à perda de um objeto amado. Onde as causas excitantes se mostram diferentes, pode-se reconhecer que existe uma perda de natureza mais ideal. O objeto talvez não tenha realmente morrido, mas tenha sido perdido enquanto objeto de amor (como no caso, por exemplo, de uma noiva que tenha levado o fora). Ainda em outros casos nos sentimos justificados em sustentar a crença de que uma perda dessa espécie ocorreu; não podemos, porém, ver claramente o que foi perdido, sendo de todo razoável supor que também o paciente não pode conscientemente receber o que perdeu. Isso, realmente, talvez ocorra dessa forma, mesmo que o paciente esteja cônscio da perda que deu origem à sua melancolia, mas apenas no sentido de que sabe quem ele perdeu, mas não o que perdeu nesse alguém. Isso sugeriria que a melancolia está de alguma forma relacionada a uma perda objetal retirada da consciência, em contraposição ao luto, no qual nada existe de inconsciente a respeito da perda. Vemos que a melancolia também pode gerar a reação à perda de um objeto amado, porém ideal, de tal forma que a melancolia está relacionada e retirada da consciência de um objeto idealizado que possui algum significado e algum sentido inconscientes.
No luto, verificamos que a inibição e a perda de interesse são plenamente explicadas pelo trabalho do luto no qual o ego é absorvido. Na melancolia, a perda desconhecida resultará num trabalho interno semelhante, e será, portanto, responsável pela inibição melancólica. A diferença consiste em que a inibição do melancólico nos parece enigmática porque não podemos ver o que é que o está absorvendo tão completamente. O melancólico exibe ainda uma outra coisa que está ausente no luto - uma diminuição extraordinária de sua auto-estima, um empobrecimento de seu ego em grande escala. No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego. O paciente representa seu ego para nós como sendo desprovido de valor, incapaz de qualquer realização e moralmente desprezível; ele se repreende e se envilece, esperando ser expulso e punido. Degrada-se perante todos, e sente comiseração por seus próprios parentes por estarem ligados a uma pessoa tão desprezível. Não acha que uma mudança se tenha processado nele, mas estende sua autocrítica até o passado, declarando que nunca foi melhor. Esse quadro de um delírio de inferioridade (principalmente moral) é completado pela insônia e pela recusa a se alimentar, e - o que é psicologicamente notável - por uma superação do instinto que compele todo ser vivo a se apegar à vida. Vemos que no luto o ego fica inibido e perde interesse em função do objeto de luto deixando o mundo vazio, enquanto que na melancolia a inibição e a perda de interesse ficam mascarados pelo inconsciente que empobrece o ego, gerando um delírio de inferioridade, sobretudo moral, que o compele a se apegar à vida, através de significados e sentidos.
O melancólico não se comporta da mesma maneira que uma pessoa esmagada, de uma forma normal, pelo remorso e pela auto-recriminação. Sentimentos de vergonha diante de outras pessoas, que, mais do qualquer outra coisa, caracterizariam essa última condição, faltam ao melancólico, ou pelo menos não são proeminentes nele. Poder-se-ia ressaltar a presença nele de um traço quase oposto, de uma insistente comunicabilidade, que encontra satisfação no desmascaramento de si mesmo. Vemos que o melancólico torna evidente sua forma de desmascaramento por meio de sua comunicabilidade que é insistente, não exibindo remorso e nem auto-recriminação em seus significados e sentidos.
Freqüentemente, a auto-avaliação do paciente se preocupa muito menos com a enfermidade do corpo, a feiúra ou a fraqueza, ou com a inferioridade social; quanto a essa categoria, somente seu temor da pobreza e as afirmações de que vai ficar pobre ocupam posição proeminente. Vemos que o melancólico prefere se preocupar com a pobreza e as afirmações de que vai ficar pobre, do que com doenças do corpo, feiúra ou fraqueza e inferioridade social.
A mulher que lamenta em altos brados o fato de o marido estar preso a uma esposa incapaz como ela, na verdade está acusando o marido de ser incapaz, não importando o sentido que ela possa atribuir a isso. Não há por que se surpreender com o fato de haver algumas auto-recriminações autênticas difundidas entre as que foram transpostas. Permite-se que estas se intrometam, de uma vez que ajudam a mascarar as outras e a tornar impossível o reconhecimento do verdadeiro estado de coisas. Além disso, elas derivam dos prós e dos contras do conflito amoroso que levou à perda do amor. Também o comportamento dos pacientes, agora, se torna bem mais inteligível. Suas queixas são realmente ‘queixumes’, no sentido antigo da palavra. Eles não se envergonham nem se ocultam, já que tudo de desairoso que dizem sobre eles próprios refere-se, no fundo, à outra pessoa. Além disso, estão longe de demonstrar perante aqueles que o cercam uma atitude de humildade e submissão, única que caberia a pessoas tão desprezíveis. Pelo contrário, tornam-se as pessoas mais maçantes, dando sempre a impressão de que se sentem desconsideradas e de que foram tratadas com grande injustiça. Tudo isso só é possível porque as reações expressas em seu comportamento ainda procedem de uma constelação mental de revolta, que, por um certo processo, passou então para o estado esmagado de melancolia. Vemos que os melancólicos gostam de se queixar dos outros e não se envergonham quando dizem eles mesmos sobre à outra pessoa, não demonstram atitude de humildade e de submissão, são, pois desprezíveis e por isso tornam-se maçantes e argumentam serem injustiçados e se mostram revoltados através da sua cultura.
Não é difícil reconstruir esse processo. Existem, num dado momento, uma escolha objetal, uma ligação da libido a uma pessoa particular; então, devido a uma real desconsideração ou desapontamento proveniente da pessoa amada, a relação objetal foi destroçada. O resultado não foi o normal - uma retirada da libido desse objeto e um deslocamento da mesma para um novo -, mas algo diferente, para cuja ocorrência várias condições parecem ser necessárias. A catexia objetal provou ter pouco poder de resistência e foi liquidada. Mas a libido livre não foi deslocada para outro objeto; foi retirada para o ego. Ali, contudo, não foi empregada de maneira não especificada, mas serviu para estabelecer uma identificação do ego com o objeto abandonado. Assim a sombra do objeto caiu sobre o ego, e este pôde, daí por diante, ser julgado por um agente especial, como se fosse um objeto, o objeto abandonado. Dessa forma, uma perda objetal se transformou numa perda do ego, e o conflito entre o ego e a pessoa amada, numa separação entre a atividade crítica do ego e o ego enquanto alterado pela identificação. Vemos que quando a catexia objetal tem pouco poder de resistência e foi liquidada e a libido não foi deslocada para outro objeto, foi retirada para o ego que se vê abandonado, então a perda objetal significa numa perda de ego, e o conflito entre o ego e a pessoa amada significa uma atividade crítica do ego e o ego alterado pela identificação.
Uma ou duas coisas podem ser diretamente inferidas no tocante às precondições e aos efeitos de um processo como este. Por um lado, uma forte fixação no objeto amado deve ter estado presente; por outro, em contradição a isso, a catexia objetal deve ter tido pouco poder de resistência. Conforme Otto Rank observou com propriedade, essa contradição parece implicar que a escolha objetal é efetuada numa base narcisista, de modo que a catexia objetal, ao se defrontar com obstáculos, pode retroceder para o narcisismo. A identificação narcisista com o objeto se torna, então, um substituto da catexia erótica, e, em conseqüência, apesar do conflito com a pessoa amada, não é preciso renunciar à relação amorosa. Essa substituição da identificação pelo amor objetal constitui importante mecanismo nas afecções narcisistas; Karl Laudauer (1914), recentemente, teve ocasião de indicá-lo no processo de recuperação num caso de esquizofrenia. Ele representa, naturalmente, uma regressão de um tipo de escolha objetal para o narcisismo original. Mostramos em outro ponto que a identificação é uma etapa preliminar da escolha objetal, que é a primeira forma - e uma forma expressa de maneira ambivalente - pela qual o ego escolhe um objeto. O ego deseja incorporar a si esse objeto, e, em conformidade com a fase oral ou canibalista do desenvolvimento libidinal em que se acha, deseja fazer isso devorando-o. Abraham, sem dúvida, tem razão em atribuir a essa conexão a recusa de alimento encontrada em formas graves de melancolia. Vemos que a melancolia pode apresentar uma conexão entre a recusa de alimento em suas formas mais graves e a fase oral ou canibalista do desenvolvimento libidinal, de comunhão e do exercício da força em que se encontra, deseja pois fazer isso devorando o objeto escolhido. Contudo a escolha objetal tem como base o narcisismo.
A conclusão que nossa teoria exigiria - a saber, que a tendência a adoecer de melancolia (ou parte dessa tendência) reside na predominância do tipo narcisista da escolha objetal - infelizmente ainda não foi confirmada pela observação. Nas observações introdutórias deste artigo, admiti que o material empírico em que se fundamentou este estudo é insuficiente para as nossas necessidades. Se pudéssemos presumir um acordo entre os resultados da observação e o que inferimos, não hesitaríamos em incluir em nossa caracterização da melancolia essa regressão da catexia objetal para a fase oral ainda narcisista da libido. Também nas neuroses de transferência as identificações com o objeto de modo algum são raras; na realidade, constituem um conhecido mecanismo de formação de sintomas, especialmente na histeria. Contudo, a diferença entre a identificação narcisista e a histérica pode residir no seguinte: ao passo que na primeira a catexia objetal é abandonada, na segunda persiste e manifesta sua influência, embora isso em geral esteja confinado a certas ações e inervações isoladas. Seja como for, também nas neuroses de transferência a identificação é a expressão da existência de algo em comum, que pode significar amor. A identificação narcisista é a mais antiga das duas e prepara o caminho para uma compreensão da identificação histérica, que tem sido estudada menos profundamente. Vemos aqui a evolução dos estudos, trabalhos e descobertas de Sigmund Freud, desde a fase oral até a significação do amor e a identificação narcisista.
A melancolia, portanto, toma emprestado do luto alguns dos seus traços e, do processo de regressão, desde a escolha objetal narcisista para o narcisismo, os outros. É por um lado, como o luto, uma reação à perda real de um objeto amado; mas, acima de tudo isso, é assinalada por uma determinante que se acha ausente no luto normal ou que, se estiver presente, transforma este em luto patológico. A perda de um objeto amoroso constitui excelente oportunidade para que a ambivalência nas relações amorosas se faça efetiva e manifesta. Onde existe uma disposição para a neurose obsessiva, o conflito devido à ambivalência empresta um cunho patológico ao luto, forçando-o a expressar-se sob forma de auto-recriminação, no sentido de que a própria pessoa enlutada é culpada pela perda do objeto amado, isto é, que ela a desejou. Esses estados obsessivos de depressão que se seguem à morte de uma pessoa amada revelam-nos o que o conflito devido à ambivalência pode alcançar por si mesmo quando também não há uma retração regressiva da libido. Na melancolia, as ocasiões que dão margem à doença vão, em sua maior parte, além do caso nítido de uma perda por morte, incluindo as situações de desconsideração, desprezo ou desapontamento, que podem trazer para a relação sentimentos opostos de amor e ódio, ou reforçar uma ambivalência já existente. Esse conflito devido à ambivalência, que por vezes surge mais de experiências reais, por vezes mais de fatores constitucionais, não deve ser desprezado entre as precondições da melancolia. Se o amor pelo objeto - um amor que não pode ser renunciado, embora o próprio objeto o seja - se refugiar na identificação narcisista, então o ódio entra em ação nesse objeto substitutivo, dele abusando, degradando-o, fazendo-o sofrer e tirando satisfação sádica de seu sofrimento. A autotortura na melancolia, sem dúvida agradável, significa, do mesmo modo que o fenômeno correspondente na neurose obsessiva, uma satisfação das tendências do sadismo e do ódio relacionadas a um objeto, que retornaram ao próprio eu do indivíduo nas formas que vimos examinando. Via de regra, em ambas as desordens, os pacientes ainda conseguem, pelo caminho indireto da autopunição, vingar-se do objeto original e torturar o ente amado através de sua doença, à qual recorrem a fim de evitar a necessidade de expressar abertamente sua hostilidade para com ele. Afinal de contas, a pessoa que ocasionou a desordem emocional do paciente, e na qual na doença se centraliza, em geral se encontra eu seu ambiente imediato. A catexia erótica do melancólico no tocante a seu objeto sofreu assim uma dupla vicissitude: parte dela retrocedeu à identificação, mas a outra parte, sob a influência do conflito devido à ‘ambivalência’, foi levada de volta à etapa de sadismo que se acha mais próxima do conflito. Vemos que o melancólico sofre uma dupla vicissitude em relação ao seu objeto: parte dela retrocedeu à identificação, e a outra parte, sob a influência do conflito devido à ambivalência, foi levada de volta ao sadismo que se acha mais próxima do conflito, isto para causas o que Freud chamou de autotortura na melancolia, que corresponde na neurose obsessiva ao sadismo e ao ódio relacionadas a um objeto., e que retornam ao próprio eu do indivíduo.
É exclusivamente esse sadismo que soluciona o enigma da tendência ao suicídio, que torna a melancolia tão interessante - e tão perigosa. Tão imenso é o amor de si mesmo do ego (self-love), que chegamos a reconhecer como sendo o estado primevo do qual provém a vida instintual, e tão vasta é a quantidade de libido narcisista que vemos liberada no medo surgido de uma ameaça à vida, que não podemos conceber como esse ego consente em sua própria destruição. De há muito, é verdade, sabemos que nenhum neurótico abriga pensamentos de suicídio que não consistam em impulsos assassinos contra outros, que ele volta contra si mesmo, mas jamais fomos capazes de explicar que forças interagem para levar a cabo esse propósito. A análise da melancolia mostra agora que o ego só pode se matar se, devido ao retorno da catexia objetal, puder tratar a si mesmo como um objeto - se for capaz de dirigir contra si mesmo a hostilidade relacionada a um objeto, e que representa a reação original do ego para com objetos do mundo externo. Assim, na regressão desde a escolha objetal narcisista, é verdade que nos livramos do objeto; ele, não obstante, se revelou mais poderoso do que o próprio ego. Nas duas situações opostas, de paixão intensa e de suicídio, o ego é dominado pelo objeto, embora de maneiras totalmente diferentes. Vemos que o enigma da tendência ao suicídio pode ser explicada por essa autortura na melancolia que se volta contra o próprio eu do indivíduo em forma de ameaça à vida, o ego consente em sua própria destruição. O ego só pode se matar com o retorno da catexia objetal, dirigida contra si mesmo, através de significados e sentidos, por exemplo, por meio da lavagem cerebral, da extorsão, da violência, da vingança, do estupro e do estupro virtual, de despersonalização, do voyeurismo, da lascívia, da pedofilia, do ato libidinoso, do atentado violento ao pudor, da invasão da intimidade e da privacidade, da tortura, do espancamento, do choque elétrico, das queimaduras, dos acidentes fatais, do terror, do tráfico, da falsidade ideológica, do envenenamento, do curandeirismo e do charlatanismo, da periclitação da vida e da saúde, do roubo, das invasões, da perseguição, da discriminação, do ódio e da intolerância, do racismo, etc..
Quanto ao marcante traço particular da melancolia que mencionamos [ver em[1]], a proeminência do medo de ficar pobre, parece plausível supor que se origina do erotismo anal que foi arrancado de seu contexto e alterado num sentido regressivo.
Na melancolia, a insônia atesta a rigidez da condição, a impossibilidade de se efetuar o retraimento geral das catexias necessário ao sono. O complexo de melancolia se comporta como uma ferida aberta, atraindo a si as energias catexiais - que nas neuroses de transferência denominamos de ‘anticatexias’ - provenientes de todas as direções, e esvaziando o ego até este ficar totalmente empobrecido. Facilmente, esse complexo pode provar ser resistente ao desejo, por parte do ego, de dormir.
A característica mais notável da melancolia, e aquela que mais precisa de explicação, é sua tendência a se transformar em mania - estado este que é o oposto dela em seus sintomas. Como sabemos, isso não acontece a toda melancolia. Alguns casos seguem seu curso em recaídas periódicas, entre cujos intervalos sinais de mania talvez estejam inteiramente ausentes ou sejam apenas muito leves. Isto acontece também com os seus significados e sentidos.
Temos duas coisas a empreender: a primeira é uma impressão psicanalítica; a segunda, o que talvez possamos chamar de um tema de experiência econômica geral. A impressão que vários investigadores psicanalíticos já puseram em palavras é que o conteúdo da mania em nada difere do da melancolia, que ambas as desordens lutam com o mesmo ‘complexo’, mas que provavelmente, na melancolia, o ego sucumbe ao complexo, ao passo que, na mania, domina-o ou o põe de lado. Nosso segundo indicador é proporcionado pela observação de que todos os estados, tais como a alegria, a exultação ou o triunfo, que nos fornecem o modelo normal para a mania, dependem das mesmas condições econômicas. Aqui, aconteceu que, como resultado de alguma influência, um grande dispêndio de energia psíquica, de há muito mantido ou que ocorre habitualmente, finalmente se torna desnecessário, de modo que se encontra disponível para numerosas aplicações e possibilidades de descarga - quando, por exemplo, algum pobre miserável, ganhando uma grande soma de dinheiro, fica subitamente aliviado da preocupação crônica com seu pão de cada dia, ou quando uma longa e árdua luta se vê afinal coroada de êxito, ou quando um homem se encontra em condições de se desfazer, de um só golpe, de alguma compulsão opressiva, alguma posição falsa que teve de manter por muito tempo, e assim por diante. Todas essas situações se caracterizam pela animação, pelos sinais de descarga de uma emoção jubilosa e por maior disposição para todas as espécies de ação - da mesma maneira que na mania, e em completo contraste com a depressão e a inibição da melancolia. Podemos aventurar-nos a afirmar que a mania nada mais é do que um triunfo desse tipo; só que aqui, mais uma vez, aquilo que o ego dominou e aquilo sobre o qual está triunfando permanecem ocultos dele. A embriaguez alcoólica, que pertence à mesma classe de estados, pode (na medida em que é de exaltação) ser explicada da mesma maneira; aqui, provavelmente, ocorre uma suspensão, produzida por toxinas, de dispêndios de energia na repressão. A opinião popular gosta de presumir que uma pessoa num estado maníaco desse tipo se deleita no movimento e na ação porque ela é muito ‘alegre’. Naturalmente, essa falsa conexão deve ser corrigida. O fato é que a condição econômica na mente do indivíduo, mencionada acima, foi atendida, sendo essa a razão por que ele se acha tão animado, por um lado, e tão desinibido em sua ação, por outro. Vemos que a melancolia pode se transformar em mania e as manias tem como característica sinais de uma descarga jubilosa, tais como a alegria, a exultação ou o triunfo, a alegria acaba por tornar o indivíduo desinibido em sua ação.
Se reunirmos essas duas indicações, encontraremos o seguinte. Na mania, o ego deve ter superado a perda do objeto (ou seu luto pela perda, ou talvez o próprio objeto), e, conseqüentemente, toda a quota de anticatexia que o penoso sofrimento da melancolia tinha atraído para si vinda do ego e ‘vinculado’ se terá tornado disponível [ver em [1]]. Além disso, o indivíduo maníaco demonstra claramente sua liberação do objeto que causou seu sofrimento, procurando, como um homem vorazmente faminto, novas catexias objetais. Vemos que na mania o individuo está vorazmente faminto e procura novas catexias objetais.
Em primeiro lugar, também o luto normal supera a perda de objeto, e também, enquanto persiste, absorve todas as energias do ego. Por que, então, depois de seguir seu curso, não há, em seu caso, qualquer indício da condição econômica necessária a uma fase de triunfo? Acho impossível responder a essa objeção diretamente. Também chama a nossa atenção para o fato de que nem sequer conhecemos os meios econômicos pelos quais o luto executa sua tarefa [ver em [1]]. Possivelmente, contudo, uma conjectura nos ajudará aqui. Cada uma das lembranças e situações de expectativa que demonstram a ligação da libido ao objeto perdido se defrontam com o veredicto da realidade segundo o qual o objeto não mais existe; e o ego, confrontado, por assim dizer, com a questão de saber se partilhará desse destino, é persuadido, pela soma das satisfações narcisistas que deriva de estar vivo, a romper sua ligação com o objeto abolido. Talvez possamos supor que esse trabalho de rompimento seja tão lento e gradual, que, na ocasião em que tiver sido concluído, o dispêndio de energia necessária a ele também se tenha dissipado. Vemos que o luto normal supera a perda de objeto e quando persiste, absorve as energias do ego.
Que parte dos processos mentais da doença ainda se verifica em conexão com as catexias objetais inconscientes abandonadas, e que parte em conexão com seu substituto, por identificação, no ego?
A resposta rápida e fácil é que ‘a apresentação (da coisa) inconsciente do objeto foi abandonada pela libido’. Na realidade, contudo, essa apresentação é composta de inumeráveis impressões isoladas (ou traços inconscientes delas) e essa retirada da libido não é um processo que possa ser realizado num momento, mas deve, por certo, como no luto, ser um processo extremamente prolongado e gradual. Se ele começa simultaneamente em vários pontos ou se segue alguma espécie de seqüência fixa não é fácil decidir; nas análises, torna-se freqüentemente evidente que primeiro uma lembrança, e depois outra, é ativada, e que os lamentos que soam sempre como os mesmos, e são tediosos em sua monotonia, procedem, não obstante, cada vez de uma fonte inconsciente diferente. Se o objeto não possui uma tão grande importância para o ego - importância reforçada por mil elos -, então também sua perda não será suficiente para provocar quer o luto, quer a melancolia. Essa característica de separar pouco a pouco a libido deve, portanto, ser atribuída de igual modo ao luto e à melancolia, sendo provavelmente apoiada pela mesma situação econômica e servindo aos mesmos propósitos em ambos. Vemos que o luto é um processo gradual ou um ciclo e uma trajetória enquanto que a melancolia é inconsciente e ambos podem como não podem existir, só depende da intensidade das catexias!
Como já vimos, contudo [ver em [1] e segs.], a melancolia contém algo mais que o luto normal. Na melancolia, a relação com o objeto não é simples; ela é complicada pelo conflito devido a uma ambivalência. Esta ou é constitucional, isto é, um elemento de toda relação amorosa formada por esse ego particular, ou provém precisamente daquelas experiências que envolveram a ameaça da perda do objeto. Por esse motivo, as causas excitantes da melancolia têm uma amplitude muito maior do que as do luto, que é, na maioria das vezes, ocasionado por uma perda real do objeto, por sua morte. Na melancolia, em conseqüência, travam-se inúmeras lutas isoladas em torno do objeto, nas quais o ódio e o amor se degladiam; um procura separar a libido do objeto, o outro, defender essa posição da libido contra o assédio. A localização dessas lutas isoladas só pode ser atribuída ao sistema Ics., a região dos traços de memória de coisas (em contraste com as catexias da palavra). No luto, também, os esforços para separar a libido são envidados nesse mesmo sistema; mas nele nada impede que esses processos sigam o caminho normal através do Pcs. até a consciência. Esse caminho, devido talvez a um certo número de causas ou a uma combinação delas, está bloqueado para o trabalho da melancolia. A ambivalência constitucional pertence por natureza ao reprimido; as experiências traumáticas em relação ao objeto podem ter ativado outro material reprimido. Assim, tudo que tem que ver com essas lutas devidas à ambivalência permanece retirado da consciência, até que o resultado característico da melancolia se fixe. Isso, como sabemos, consiste no abandono, por fim, do objeto pela catexia libidinal ameaçada, só que, porém, para recuar ao local do ego de onde tinha provindo. Dessa forma, refugiando-se no ego, o amor escapa à extinção. Após essa regressão da libido, o processo pode tornar-se consciente, sendo representado à consciência como um conflito entre uma parte do ego e o agente crítico. Vemos que na melancolia encontramos algo a mais que o luto normal, encontramos o conflito que deriva da ambivalência, ela é constitucional e amorosa ou é derivada da perda do objeto, as causas excitantes da melancolia tem a ver com a perda do objeto, coma sua morte. Aqui o amor e o ódio se degladiam. A ambivalência constitucional pertence por natureza ao reprimido. Assim, tudo que tem que ver com essas lutas devidas à ambivalência permanece retirado da consciência, até que o resultado característico da melancolia se fixe. Isso, como sabemos, consiste no abandono, por fim, do objeto pela catexia libidinal, de comunhão e/ou de exercício da força ameaçada, só que, porém, para recuar ao local do ego de onde tinha provindo. Dessa forma, refugiando-se no ego, o amor escapa à extinção. Após essa regressão da libido, da comunhão e/ou do exercício da força o processo pode tornar-se consciente, sendo representado à consciência como um conflito entre uma parte do ego e o agente crítico.
No trabalho da melancolia, portanto, a consciência está cônscia de uma parte que não é essencial, e nem sequer é uma parte à qual possamos atribuir o mérito de ter contribuído para o término da doença. Vemos que o ego se degrada e se enfurece contra si mesmo, e compreendemos tão pouco quanto o paciente a que é que isso pode levar e como pode modificar-se. De forma mais imediata, podemos atribuir tal função à parte inconsciente do trabalho, pois não é difícil perceber uma analogia essencial entre o trabalho da melancolia e o do luto. Do mesmo modo que o luto compele o ego a desistir do objeto, declarando-o morto e oferecendo ao ego o incentivo de continuar a viver [ver em [1]], assim também cada luta isolada da ambivalência distende a fixação da libido ao objeto, depreciando-o, denegrindo-o e mesmo, por assim dizer, matando-o. É possível que o processo no Ics. chegue a um fim, quer após a fúria ter-se dissipado, quer após o objeto ter sido abandonado como destituído de valor. Não podemos dizer qual dessas duas possibilidades é a regular ou a mais usual para levar a melancolia a um fim, nem que influência esse término exerce sobre o futuro curso do caso. O ego pode derivar daí a satisfação de saber que é o melhor dos dois, que é superior ao objeto. Vemos que na melancolia o trabalho da consciência está cônscia de uma parte que não é essencial, e nem sequer é uma parte à qual possamos atribuir o mérito de ter contribuído para o término da doença. Vemos que o ego se degrada e se enfurece contra si mesmo. Já no luto o ego desiste do objeto, declarando-o morto.
Das três precondições da melancolia - perda do objeto, ambivalência e regressão da libido ao ego -, as duas primeiras também se encontram nas auto-recriminações obsessivas que surgem depois da ocorrência de uma morte. Indubitavelmente, nesses caso é a ambivalência que constitui a força motora do conflito, revelando-nos a observação que, depois de determinado o conflito, nada mais resta que se assemelhe ao triunfo de um estado de mente maníaco. Somos levados assim a considerar o terceiro fator como o único responsável pelo resultado. O acúmulo de catexia que, de início, fica vinculado e, terminado o trabalho da melancolia, se torna livre, fazendo com que a mania seja possível, deve ser ligado à regressão da libido ao narcisismo. O conflito dentro do ego, que a melancolia substitui pela luta pelo objeto, deve atuar como uma ferida dolorosa que exige uma anticatexia extraordinariamente elevada. - Aqui, porém, mais uma vez, será bom parar e adiar qualquer outra explicação da mania até que tenhamos obtido certa compreensão interna (insight) da natureza econômica, primeiro da dor física, depois da dor mental análoga a ela. Conforme já sabemos, a interdependência dos complicados problemas da mente nos força a interromper qualquer indagação antes que esta esteja concluída - até que o resultado de uma outra indagação possa vir em sua ajuda. Vemos que a melancolia se distingue pela perda do objeto, pela ambivalência e pela regressão da libido, da comunhão e do exercício da força ao ego. O acúmulo de catexia no trabalho da melancolia se torna livre, fazendo com que a mania seja possível, deve ser ligado à regressão da libido, da comunhão e do exercício da força ao narcisismo. O conflito dentro do ego é substituído pela luta pelo objeto na melancolia. Devemos então nos empenhar em obter um insight da natureza econômica, primeiro da dor física, depois da dor mental análoga a ela, pois o progresso fica interrompido a menos que analisemos os significados e os sentidos, os conceitos, os contextos, a funcionalidade, a linguagem, a simbologia, os arquétipos, o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo, a argumentação e a linguagem, as parapraxias, a homeostase, a consciência, a cultura, o conhecimento e a realidade, o subconsciente, o comportamento, o condicionamento, o reforço, os paradigmas do comportamento, as equivalências de estímulos, o comportamento verbal do falante e do ouvinte, os quadros relacionais, a cognição, o estilo de vida, a auto-atualização e a auto-realização, a fenomenologia e a adaptação comportamental, fisiológica e morfológica, a paranormalidade e o mundo sobrenatural, a arqueologia e a ufologia e a religião ou espiritualidade, e a vida e a biologia, a filogênese e a ontogênese, e o mundo virtual.
MATTANÓ
(11/02/2026)
A FUNCIONALIDADE DA PULSÃO AUDITIVA DE MATTANÓ (2026):
A funcionalidade da ideia e das teorias da pulsão auditiva de Mattanó, desde 1995, que desencadearam a lavagem cerebral, a extorsão, a vingança, a estupro virtual, a despersonalização, o voyeurismo, a tortura, a violência, a perseguição, o ódio e a intolerância, e a linguagem sexista acrescenta o organismo (O) ao (Ctx) contexto donde se seleciona um (S) estímulo que desencadeia uma (R) resposta que produz (C) consequência(s) e um novo contexto (NCtx), ficando assim:
O + Ctx - S - R - C - NCtx.
O (O) organismo é o responsável pela cultura do indivíduo e a cultura produz diferenças na seleção de um (S) estímulo no (Ctx) contexto para sua adaptação comportamental, fisiológica e morfológica.
MATTANÓ
(11/02/2026)
APÊNDICE: RELAÇÃO DOS TRABALHOS DE FREUD QUE TRATAM PRINCIPALMENTE DA TEORIA PSICOLÓGICA GERAL
[Cada título vem precedido de uma data que corresponde ao ano durante o qual o trabalho em questão provavelmente foi escrito. A data da publicação aparece no final e essa data servirá de referência para informações mais detalhadas sobre o trabalho na Bibliografia e no Índice Remissivo de Autores. Os itens entre colchetes foram publicados postumamente.]
[1895‘Um Projeto para uma Psicologia Científica’ (1950a).]
[1896Cartas a Fliess de 1º de janeiro e 6 de dezembro (1950a).]
1899 A Interpretação de Sonhos, Capítulo VII (1900a).
1910-11Formulações sobre os Dois Princípios do Funcionamento Mental’(1911b).
1911‘Notas Psicanalíticas sobre um Relato Autobiográfico de um Caso deParanóia (Dementia Paranoides)’, Seção III (1911c).
1912‘Uma Nota sobre o Inconsciente na Psicanálise (1912g).
1914‘Sobre o Narcisismo: Uma Introdução’ (1914c).
1915‘Os Instintos e suas Vicissitudes’ (1915c).
1915‘Repressão’ (1915d).
1915‘O Inconsciente’ (1915e).
1915‘Um Suplemento Metapsicológico à Teoria dos Sonhos’ (1917d).
1915‘Luto e Melancolia’ (1917e).
1916-17Conferências Introdutórias sobre a Psicanálise, ConferênciasXXII e XXVI (1916-17).
1920 Mais Além do Princípio do Prazer (1920g).
1921 Psicologia de Grupo e a Análise do Ego, Capítulos VII e XI (1921c).
1922‘Dois Artigos de Enciclopédia: (B) A Teoria da Libido’ (1923a).
1923O Ego e o Id (1923b).
1924‘Neurose e Psicose’ (1924b).
1924‘O Problema Econômico do Masoquismo’ (1924c).
1924‘A Perda da Realidade na Neurose e na Psicose’ (1924e).
1925‘Uma Nota sobre o “Bloco de Escrever Mágico”’, (1925a).
1925‘Negação’ (1925h).
1929O Mal-Estar na Civilização, Capítulos VI, VII e VIII (1930a).
1932 Novas Conferências Introdutórias sobre Psicanálise, ConferênciasXXXI e XXXII (1933a).
[1938 Esboço de Psicanálise, Capítulos I, II, IV, VIII e IX (1940a).
[1938‘Algumas Lições Elementares de Psicanálise’ (1940b).]
UM CASO DE PARANÓIA QUE CONTRARIA A
TEORIA PSICANALÍTICA DA DOENÇA (1915)
MITTEILUNG EINES DER PSYCHOANALYTISCHEN - THEORIE WINDERSPRECHENDENFALLES VON PARANOIA
(a) EDIÇÕES ALEMÃS:
1915 Int. Z. Psychoanal., 3 (6), 321-9.
1918 S.K.S.N., 4, 125-138. (1922, 2ª ed.)
1924 G.S., 5, 288-300.
1926 Psychoanalyse der Neurosen, 23-37.
1931 Neurosenlehre und Techinik, 23-36.
1946 G.W., 10, 234-246.
(b)TRADUÇÃO INGLESA:
‘A Case of Paranoia Running Counter to the Psycho-Analytical Theory of the Disease’
1924 C.P., 2, 151-161. (Trad. E. Glover.)
A presente tradução inglesa se baseia na que foi publicada em 1924.
A anamnese apresentada neste artigo serve como confirmação ao conceito formulado por Freud em sua análise de Schreber (1911c), segundo o qual existe estreita ligação entre a paranóia e o homossexualismo. Constitui, incidentalmente, uma lição objetiva para clínicos quanto ao perigo de fundamentarem uma opinião apressada sobre um caso num conhecimento superficial dos fatos. As últimas páginas contêm algumas observações interessantes de natureza mais geral sobre os processos em ação durante um conflito neurótico.
UM CASO DE PARANÓIA QUE CONTRARIA A TEORIA PSICANALÍTICA DA DOENÇA
Há alguns anos um advogado bastante conhecido consultou-me a respeito de um caso que havia despertado certas dúvidas em seu espírito. Uma jovem pedira-lhe que a protegesse das investidas de um homem que a arrastava para uma aventura amorosa. Declarou que esse homem abusara de sua confiança, pois conseguira que testemunhas ocultas os fotografassem enquanto faziam amor; agora, com a exibição das fotografias, ele estava em condições de desonrá-la e forçá-la a pedir demissão do emprego. Seu advogado era bastante experiente para reconhecer o cunho patológico dessa acusação; observou, contudo, que, como aquilo que parece incrível muitas vezes na realidade acontece, gostaria de ouvir a opinião de um psiquiatra sobre o assunto. Prometeu visitar-me novamente na companhia da queixosa.
(Antes de prosseguir o relato, devo confessar que modifiquei o milieu do caso a fim de manter incógnitas as pessoas interessadas, mas não alterei mais nada. Considero prática errônea, por excelente que seja o motivo, alterar qualquer detalhe na apresentação de um caso. Jamais se pode dizer qual aspecto de um caso pode ser escolhido por um leitor capaz de julgamento independente, correndo-se o risco de induzi-lo a erro.)
Logo depois ,travei conhecimento pessoal com a paciente. Muito atraente e bela, contava trinta anos de idade e parecia muito mais jovem do que na verdade era, possuindo um tipo marcantemente feminino. Era evidente que se ressentia da interferência de um médico, e não se deu ao trabalho de ocultar sua desconfiança. Estava claro que só a influência de seu advogado, que se achava presente, a induziu a narrar-me a história que se segue e que me trouxe um problema que será mencionado depois. Nem por sua atitude, nem por qualquer espécie de expressão de emoção, traía ela a menor vergonha ou acanhamento, como era de esperar que sentisse na presença de um estranho. Mostrou-se inteiramente dominada pela apreensão provocada por sua experiência.
Por muitos anos ela fizera parte do quadro de uma grande firma comercial, onde ocupava um cargo de responsabilidade. Seu trabalho lhe proporcionara satisfação e tinha sido apreciado por seus superiores. Jamais procurara casos amorosos com homens, tendo vivido tranqüilamente com sua velha mãe, de quem era o único arrimo. Não tinha irmãos nem irmãs, e o pai morrera havia já muitos anos. Recentemente, um empregado da mesma firma, homem bastante culto e atraente, lhe dispensara atenções, e ela, por sua vez, se sentira atraída por ele. Por motivos externos, o casamento estava fora de cogitação, embora o homem não quisesse ouvir falar de desistir de sua relação por causa disso. Suplicara que não fazia sentido sacrificar às convenções sociais tudo aquilo que ambos tinham desejado ardentemente e que tinham o direito indiscutível de desfrutar, algo que, como nenhuma outra coisa, poderia enriquecer-lhes a vida. Como prometera não expô-la a qualquer risco, ela por fim consentira em visitá-lo em seus aposentos de solteiro durante o dia. Ali, deitados um ao lado do outro, beijaram-se e abraçaram-se, e ele começou a admirar os encantos então parcialmente revelados. De repente, no meio dessa cena idílica, ela se assustou com um ruído, uma espécie de pancada ou estalido, vindo da escrivaninha, junto à janela; o espaço entre a escrivaninha e a janela era parcialmente ocupado por uma pesada cortina. Imediatamente ela perguntou ao amigo o que significava aquele barulho, tendo sido informada, pelo menos foi o que ela disse, que provavelmente viera do pequeno relógio sobre a escrivaninha. Aventurar-me-ei, contudo, a comentar em seguida essa parte da narrativa.
Ao sair da casa, ela se encontrou com dois indivíduos na escada, que murmuraram algo entre si quando a viram. Um dos estranhos carregava um embrulho que parecia uma pequena caixa. Ela ficou muito preocupada com esse encontro e, a caminho de sua casa, já havia concatenado as seguintes idéias: a caixa poderia muito bem ter sido uma máquina fotográfica e o homem, um fotógrafo que ficara escondido por detrás da cortina enquanto ela se encontrava no quarto; o estalido fora o ruído do obturador; a fotografia fora tirada tão logo ele a viu numa posição particularmente comprometedora, que desejava registrar. A partir daquele momento, nada pôde diminuir sua suspeita em relação ao amante. Ela passou a persegui-lo com recriminações e a atormentá-lo com pedidos de explicações e garantias, não apenas quando se encontravam, como também por correspondência. Em vão, porém, ele tentou convencê-la de que seus sentimentos eram sinceros e de que as desconfianças dela eram inteiramente destituídas de fundamento. Por fim, ela visitou o advogado, narrou-lhe sua experiência e entregou-lhe as cartas que o suspeito lhe havia escrito sobre o incidente. Depois, tive oportunidade de ver algumas dessas cartas. Causaram-me impressão bastante favorável; consistiam, principalmente, em expressões de pesar pelo fato de que uma relação tão bela e terna tivesse sido destruída por uma ‘infeliz idéia mórbida.’
Quase não preciso justificar minha concordância com esse julgamento. Mas o caso tinha um interesse especial para mim, além de um mero diagnóstico. Já se expressara, na literatura psicanalítica, o conceito de que os pacientes que sofrem de paranóia lutam contra uma intensificação de suas tendências homossexuais - fato que aponta para uma escolha objetal narcisista. E posteriormente já se fizera uma outra interpretação: que o perseguidor é, no fundo, alguém que o paciente ama ou já amou no passado. Uma síntese das duas proposições nos levaria à conclusão necessária de que o perseguidor deve ser do mesmo sexo que a pessoa perseguida. Não sustentamos, é verdade, como universalmente válida e sem exceção, a tese de que a paranóia é determinada pelo homossexualismo, mas isso apenas porque nossas observações não eram suficientemente numerosas; tratava-se de uma dessas teses que, em vista de certas considerações, só se tornam importantes quando se pode reivindicar para elas uma aplicação universal. Na literatura psiquiátrica, por certo, não faltam casos em que o paciente se imagina perseguido por uma pessoa de sexo oposto. Uma coisa, contudo, é ler a respeito de tais casos, e outra bem diversa é entrar em contato pessoal com um deles. Minhas próprias observações e análises, e as dos meus amigos, haviam até então confirmado a relação entre a paranóia e o homossexualismo sem qualquer dificuldade. Mas o presente caso contradizia isso com toda ênfase. A moça parecia estar-se defendendo contra o amor por um homem, transformando diretamente o amante num perseguidor: não havia sinais da influência de uma mulher, nenhum vestígio de luta contra uma ligação homossexual.
Nessas circunstâncias, a coisa mais simples teria sido abandonar a teoria de que o delírio de perseguição invariavelmente depende do homossexualismo, abandonando ao mesmo tempo tudo o que decorria dessa teoria. Ou abandonamos a teoria, ou, em vista desse afastamento de nossas expectativas, devemos tomar o partido do advogado e presumir que não se tratavam de uma combinação paranóica, mas de uma experiência real que fora corretamente interpretada. Contudo, vi outra saída, pela qual um veredicto final poderia ser momentaneamente adiado. Recordei-me de quantas vezes são adotados conceitos errôneos sobre pessoas psiquicamente doentes, simplesmente porque o médico não as estudou suficientemente e, assim, não aprendeu o bastante a seu respeito. Por conseguinte, disse que não podia formar uma opinião imediata, e pedi à paciente que me fizesse outra visita, quando então poderia relatar-me sua história mais uma vez, com maior amplitude, e acrescentar quaisquer detalhes subsidiários que talvez tivessem sido omitidos. Graças à influência do advogado, consegui essa promessa da relutante paciente; ele ainda me ajudou de outra maneira, dizendo que em nosso segundo encontro sua presença seria desnecessária.
A história que me foi narrada pela paciente nessa segunda ocasião não entrou em choque com a anterior, mas os detalhes adicionais que ela forneceu dissiparam todas as dúvidas e dificuldades. Para começar, ela visitara o jovem em seus aposentos não uma, mas duas vezes. Foi na segunda ocasião que ela ficou perturbada com o ruído suspeito: em sua história original ela suprimiu, ou deixou de mencionar, a primeira visita porque não lhe parecera importante. Nessa primeira visita, não aconteceu nada digno de nota, mas no dia seguinte aconteceu. Seu departamento na firma era dirigido por uma senhora idosa, por ela descrita da seguinte forma: ‘Ela tem cabelos brancos como minha mãe’. Essa chefe idosa tinha grande apreço por ela e a tratava com afeição, embora algumas vezes implicasse com ela: a moça se considerava como de sua predileção especial. No dia subseqüente à sua primeira visita aos aposentos do jovem, ele apareceu no escritório para discutir um assunto de natureza comercial com essa senhora idosa. Enquanto conversavam em voz baixa, a paciente de súbito se convenceu de que ele falava de sua aventura do dia anterior - na realidade, de que os dois vinham tendo há algum tempo um caso amoroso, do qual, até então, ela não se tinha apercebido. A maternal e idosa senhora de cabelos brancos agora sabia de tudo, e sua conversa e conduta no decorrer do dia confirmaram a suspeita da paciente. Na primeira oportunidade, ela recriminou o amante por sua traição. Ele, como é natural, protestou veementemente contra o que denominou de uma acusação sem sentido. Por algum tempo, de fato, conseguiu libertá-la de seu delírio, tendo ela recuperado bastante confiança para repetir sua visita aos aposentos do jovem pouco tempo - creio que algumas semanas - depois. O restante já sabemos pela sua primeira narrativa.
Em primeiro lugar, essa nova informação elimina quaisquer dúvidas quanto à natureza patológica de sua suspeita. É fácil ver que a idosa chefe de cabelos brancos era uma substituta da mãe; que, apesar da sua juventude, o amante fora posto no lugar do pai dela; e que fora a força do seu complexo materno que impelira a paciente a suspeitar de uma relação amorosa entre esses parceiros mal ajustados, por mais improvável que tal relação pudesse ser. Além do mais, isso remove a aparente contradição com a expectativa, baseada na teoria psicanalítica, de que o desenvolvimento de um delírio de perseguição virá a ser determinado por uma ligação homossexual muito poderosa. Aqui, o perseguidor original - o agente de cuja influência a paciente deseja escapar - é mais uma vez não um homem mas uma mulher. A chefe soube da relação amorosa da moça, desaprovou-a, e demonstrou sua desaprovação mediante insinuações misteriosas. O apreço da paciente a seu próprio sexo se opunha a suas tentativas de adotar uma pessoa do outro sexo como objeto amoroso. Seu amor pela mãe se tornara o porta-voz de todas as tendências que, desempenhando o papel de uma ‘consciência’, procuram embargar o primeiro passo de uma moça na nova estrada que leva à satisfação sexual normal - sob muitos aspectos perigosa -, e na realidade conseguiu perturbar sua relação com homens.
Quando uma mãe obsta ou detém a atividade sexual de uma filha, está realizando uma função normal cujos fundamentos são estabelecidos pelos eventos na infância, cujos motivos são perigosos e inconscientes, e que recebeu a sanção da sociedade. Constitui tarefa da filha emancipar-se dessa influência e resolver por si mesma, num terreno amplo e racional, qual deverá ser sua parcela de fruição ou negação do prazer sexual. Se, na tentativa de emancipar-se, vier a ser vítima de uma neurose, isso implica a presença de um complexo materno que, em geral, é superpoderoso e por certo não dominado. O conflito entre esse complexo e a nova direção tomada pela libido é tratado sob a forma de uma ou outra neurose, segundo a disposição do indivíduo. A manifestação da reação neurótica será sempre determinada, contudo, não por sua relação atual com o que sua mãe é hoje, mas pelas relações infantis com sua imagem mais antiga da mãe.
Sabemos que nossa paciente era órfã de pai havia muitos anos: também podemos supor que ela não deveria ter-se conservado afastada de homens até a idade de trinta anos, se não tivesse sido apoiada por uma poderosa ligação emocional com sua mãe. Esse apoio tornou-se um pesado jugo quando sua libido começou a se voltar para um homem em resposta a seus insistentes galanteios. Ela tentou libertar-se, desfazer-se de sua ligação homossexual; e sua disposição, que não precisa ser examinada aqui, permitiu que isso ocorresse sob a forma de um delírio paranóico. A mãe tornou-se assim a observadora e a perseguidora hostil e malévola. Como tal, ela poderia ter sido dominada, se o complexo materno não tivesse conservado bastante força para levar a cabo seu propósito de manter a paciente à distância dos homens. Assim, no fim da primeira fase do conflito, a paciente se tinha afastado da mãe sem se ter passado definitivamente para o homem. Na realidade, ambos tramavam contra ela. Em seguida, os vigorosos esforços do homem conseguiram atraí-la decisivamente para ele. Ela superou a oposição da mãe em sua mente e estava disposta a conceder ao amante um segundo encontro. No desenrolar ulterior dos acontecimentos, a mãe não reapareceu, mas podemos insistir com segurança que, nessa [primeira] fase, o amante não se convertera diretamente no perseguidor, mas através da mãe e em virtude da relação dele com a mãe, que desempenhara o papel principal no primeiro delírio.
Pensaríamos que agora a resistência estava definitivamente superada, que a moça, até então vinculada à mãe, conseguira chegar a amar um homem. Mas, após a segunda visita, surgiu um novo delírio, que, fazendo uso engenhoso de algumas circunstâncias acidentais, destruiu esse amor e assim atingiu com êxito o propósito do complexo materno. Ainda parece estranho que uma mulher tenha de se proteger de amar um homem por meio de um delírio paranóico; antes, porém, de examinarmos mais detidamente esse estado de coisas, lancemos um olhar às circunstâncias acidentais que formaram a base desse segundo delírio, exclusivamente dirigido contra o homem.
Deitada parcialmente despida no sofá ao lado do amante, ela ouviu um ruído semelhante a um estalido ou batida. Não conhecia a sua causa, mas atinou com uma interpretação após ter-se encontrado com dois homens na escada, um dos quais carregava algo que parecia uma caixa tampada. Convenceu-se de que alguém, agindo segundo instruções do amante, a observara e fotografara durante seu íntimo tête-à-tête. Nem por um momento imaginou, naturalmente, que, se o malfadado ruído não tivesse ocorrido, o delírio não se teria formado; pelo contrário, deve-se ver algo de inevitável por trás dessa circunstância acidental, algo destinado a afirmar-se compulsivamente na paciente, assim como sua suposição de que havia uma liaison entre o amante e a chefe idosa, a substituta de sua mãe. Entre o acervo de fantasias inconscientes de todos os neuróticos, e provavelmente de todos os seres humanos, existe uma que raramente se acha ausente e que pode ser revelada pela análise: é a fantasia de observar as relações sexuais dos pais. Chamo tais fantasias - da observação do ato sexual dos pais, da sedução, da castração e outras - de ‘fantasias primevas’; examinarei, em outro lugar, com detalhes, sua origem e sua relação com a experiência individual. O ruído acidental, assim, desempenhou meramente o papel de um fator provocador que ativou a fantasia típica de estar sendo ouvida sem saber, o que consistiu um componente do complexo parental. Na realidade, é duvidoso que corretamente possamos dominar o ruído de ‘acidental’. Conforme Otto Rank teve ocasião de observar para mim, tais ruídos constituem, pelo contrário, parte indispensável da fantasia de escutar, e reproduzem ou os sons que traem o coito parental ou aqueles pelos quais a criança que escuta teme trair-se. Agora, porém, sabemos de imediato onde nos encontramos. O amante da paciente ainda era o pai dela, e ela própria havia tomado o lugar da mãe. O papel de ouvinte tinha de ser atribuído a uma terceira pessoa. Podemos ver por que meio a moça se libertou de sua dependência homossexual em relação à mãe. Foi por meio de uma pequena regressão: em vez de escolher sua mãe como objeto amoroso, identificou-se com ela - ela própria se tornou a mãe. A possibilidade dessa regressão aponta para a origem narcisista de sua escolha objetal homossexual e assim para sua disposição paranóica. Poder-se-ia esboçar um encadeamento de pensamentos que provocaria o mesmo resultado que essa identificação: ‘Se minha mãe o faz, eu também posso fazê-lo; tenho o mesmo direito que ela.’
Pode-se dar um passo além ao se negar a natureza acidental do ruído. Não pedimos, contudo, a nossos leitores que nos sigam, já que a ausência de qualquer investigação analítica mais profunda torna impossível, nesse caso, ir além de certo grau de possibilidade. Em sua primeira entrevista comigo, a paciente mencionou que exigira imediatamente uma explicação a respeito do ruído, tendo recebido a resposta de que, provavelmente, era o tique-taque do pequeno relógio sobre a escrivaninha. Aventuro-me, porém, a explicar o que ela me disse sendo uma lembrança errada. Afigura-se-me muito mais provável que, a princípio, ela não tenha reagido absolutamente ao ruído, que só se tornou importante depois de seu encontro com os dois homens na escada. Seu amante, que provavelmente nem sequer ouvira o ruído, pode ter tentado, talvez numa ocasião posterior, quando ela o assediou com suspeitas, explicá-lo dessa forma: ‘Não sei que ruído você pode ter ouvido. Talvez fosse o pequeno relógio; algumas vezes ele faz esse barulho’. Esse uso retardado de impressões e esse deslocamento de lembranças com freqüência ocorrem precisamente na paranóia e são característicos dela. Como, no entanto, nunca pude encontrar o homem, nem pude continuar com a análise da mulher, minha hipótese não pôde ser provada.
Ainda poderia ir mais adiante na análise desse ‘acidente’ ostensivamente real. Não creio que o relógio jamais tivesse feito barulho ou que tivesse havido qualquer outro tipo de ruído. A situação da mulher justificava uma sensação de pancada ou batida em seu clitóris. E foi isso que, subseqüentemente, ela projetou como sendo uma percepção de um objeto externo. A mesma espécie de coisa pode ocorrer nos sonhos. Uma de minhas pacientes histéricas certa vez relatou-me um curto sonho do tipo que leva a acordar, ao qual não podia trazer qualquer associação espontânea. Ela simplesmente sonhara que alguém estava batendo e então acordara. Ninguém batera à porta, mas durante as noites anteriores ela fora despertada por aflitivas sensações de poluções: dispunha assim de um motivo para despertar logo que sentia o primeiro sinal de excitação genital. Tinha havido uma ‘pancada’ em seu clitóris. No caso de nossa paciente paranóica, devo substituir o ruído acidental por um processo semelhante de projeção. Por certo não posso garantir que, no curso de nosso breve conhecimento, a paciente, que relutantemente cedia à compulsão, me tenha feito um relato fiel de tudo que ocorrera durante os dois encontros dos amantes. Mas uma contração isolada do clitóris combinava com sua declaração de que não se verificara qualquer contato dos órgãos genitais. Em sua subseqüente rejeição do homem, a falta de satisfação indubitavelmente desempenhou um papel, bem como a ‘consciência’.
Consideremos mais uma vez o fato relevante de que a paciente se protegia contra seu amor por um homem por meio de um delírio paranóico. A chave da compreensão disso deve ser encontrada no histórico do desenvolvimento do delírio. Como poderíamos ter esperado, este visava, a princípio, à mulher. Agora, porém, nessa base paranóica, realizava-se o avanço de um objeto feminino para um masculino. Tal avanço é inusitado na paranóia; em geral, verificamos que a vítima da perseguição permanece fixada nas mesmas pessoas e, portanto, no mesmo sexo ao qual pertenciam seus objetos amorosos antes que se verificasse a transformação paranóica. Entretanto, a desordem neurótica não impede um avanço dessa espécie, e nossa observação pode ser típica em relação a muitos outros. Muitos processos semelhantes, que ocorrem fora da paranóia, ainda não foram encarados por esse ângulo, encontrando-se entre eles alguns muito familiares. Por exemplo, a assim chamada ligação inconsciente do neurastênico a objetos amorosos incestuosos impede-o de escolher uma mulher estranha como seu objeto e restringe sua atividade sexual à fantasia. Mas, dentro dos limites da fantasia, ele alcança o progresso que lhe é negado e consegue substituir a mãe e a irmã por objetos estranhos. De uma vez que o veto da censura não entra em ação no que diz respeito a esses objetos, ele pode tornar-se consciente, em suas fantasias, da escolha dessas figuras substitutas.
Esses, portanto, são fenômenos de um avanço tentado a partir do terreno novo que foi, em geral, regressivamente adquirido; e podemos colocar ao lado deles os esforços envidados em algumas neuroses para recuperar uma posição da libido que certa vez foi mantida e subseqüentemente perdida. Na realidade, dificilmente podemos traçar qualquer distinção conceptual entre essas duas classes de fenômenos. Vemo-nos por demais inclinados a pensar que o conflito subjacente a uma neurose chega ao fim quando se forma o sintoma. Na realidade, depois disso a luta pode continuar de diversas maneiras. De ambos os lados surgem novos componentes instintuais que a prolongam. O próprio sintoma se torna um objeto dessa luta; certas tendências, ansiosas por preservá-la, entram em conflito com outras que se esforçam por removê-la e restabelecer o statu quo ante. Freqüentemente, procuram-se métodos para tornar o sintoma insignificante, tentando-se recuperar por outras linhas de abordagem o que se perdeu e é agora retido pelo sintoma. Esses fatos esclarecem bastante uma declaração feita por C.G. Jung no sentido de que uma ‘inércia psíquica’ peculiar, que se opõe à modificação e ao progresso, é a precondição fundamental da neurose. Essa inércia é realmente muito peculiar; não é geral, e sim altamente especializada; não é sequer todo-poderosa dentro de seu próprio campo, mas luta contra tendências no sentido do progresso e da recuperação, que permanecem ativas mesmo depois da formação de sintomas neuróticos. Se procurarmos o ponto de partida dessa inércia especial, descobriremos que é a manifestação de vínculos muito antigos - vínculos difíceis de serem desfeitos - entre instintos e impressões e os objetos envolvidos nessas impressões. Esses vínculos têm o efeito de paralisar o desenvolvimento dos instintos em causa. Ou, em outras palavras, essa ‘inércia psíquica’ especializada é apenas uma expressão diferente, embora dificilmente melhor, daquilo que em psicanálise estamos habituamos a denominar de ‘fixação’.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que atendeu um caso de uma mulher que tinha um amante e que se sentia perseguida por outro homem, um fotógrafo, que se escondia detrás das cortinas do aposento onde ela e o seu namorado se amavam e colocava-se a fotografá-la nessa situação, conforme seu delírio desencadeado por ter escutado um som que vinha daquela direção, e que promoveu o comportamento de verificar o que havia naquela região, levando Freud a concluir que a paranóia nem sempre está relacionada ao homossexualismo, já que neste caso está relacionada ao heterossexualismo.
Consideremos mais uma vez o fato relevante de que a paciente se protegia contra seu amor por um homem por meio de um delírio paranóico. A chave da compreensão disso deve ser encontrada no histórico do desenvolvimento do delírio. Como poderíamos ter esperado, este visava, a princípio, à mulher. Agora, porém, nessa base paranóica, realizava-se o avanço de um objeto feminino para um masculino. Tal avanço é inusitado na paranóia; em geral, verificamos que a vítima da perseguição permanece fixada nas mesmas pessoas e, portanto, no mesmo sexo ao qual pertenciam seus objetos amorosos antes que se verificasse a transformação paranóica. Entretanto, a desordem neurótica não impede um avanço dessa espécie, e nossa observação pode ser típica em relação a muitos outros. Muitos processos semelhantes, que ocorrem fora da paranóia, ainda não foram encarados por esse ângulo, encontrando-se entre eles alguns muito familiares. Por exemplo, a assim chamada ligação inconsciente do neurastênico a objetos amorosos incestuosos impede-o de escolher uma mulher estranha como seu objeto e restringe sua atividade sexual à fantasia. Mas, dentro dos limites da fantasia, ele alcança o progresso que lhe é negado e consegue substituir a mãe e a irmã por objetos estranhos. De uma vez que o veto da censura não entra em ação no que diz respeito a esses objetos, ele pode tornar-se consciente, em suas fantasias, da escolha dessas figuras substitutas.
Esses, portanto, são fenômenos de um avanço tentado a partir do terreno novo que foi, em geral, regressivamente adquirido; e podemos colocar ao lado deles os esforços envidados em algumas neuroses para recuperar uma posição da libido que certa vez foi mantida e subseqüentemente perdida. Na realidade, dificilmente podemos traçar qualquer distinção conceptual entre essas duas classes de fenômenos. Vemo-nos por demais inclinados a pensar que o conflito subjacente a uma neurose chega ao fim quando se forma o sintoma. Na realidade, depois disso a luta pode continuar de diversas maneiras. De ambos os lados surgem novos componentes instintuais que a prolongam. O próprio sintoma se torna um objeto dessa luta; certas tendências, ansiosas por preservá-la, entram em conflito com outras que se esforçam por removê-la e restabelecer o statu quo ante. Freqüentemente, procuram-se métodos para tornar o sintoma insignificante, tentando-se recuperar por outras linhas de abordagem o que se perdeu e é agora retido pelo sintoma. Esses fatos esclarecem bastante uma declaração feita por C.G. Jung no sentido de que uma ‘inércia psíquica’ peculiar, que se opõe à modificação e ao progresso, é a precondição fundamental da neurose. Essa inércia é realmente muito peculiar; não é geral, e sim altamente especializada; não é sequer todo-poderosa dentro de seu próprio campo, mas luta contra tendências no sentido do progresso e da recuperação, que permanecem ativas mesmo depois da formação de sintomas neuróticos. Se procurarmos o ponto de partida dessa inércia especial, descobriremos que é a manifestação de vínculos muito antigos - vínculos difíceis de serem desfeitos - entre instintos e impressões e os objetos envolvidos nessas impressões. Esses vínculos têm o efeito de paralisar o desenvolvimento dos instintos em causa. Ou, em outras palavras, essa ‘inércia psíquica’ especializada é apenas uma expressão diferente, embora dificilmente melhor, daquilo que em psicanálise estamos habituamos a denominar de ‘fixação’.
Mattanó aponta que Freud explica que atendeu um caso de uma mulher que tinha um amante e que se sentia perseguida por outro homem, um fotógrafo, que se escondia detrás das cortinas do aposento onde ela e o seu namorado se amavam e colocava-se a fotografá-la nessa situação, conforme seu delírio desencadeado por ter escutado um som que vinha daquela direção, e que promoveu o comportamento de verificar o que havia naquela região, levando Freud a concluir que a paranóia nem sempre está relacionada ao homossexualismo, já que neste caso está relacionada ao heterossexualismo, pois o que estava encoberto em seu delírio era outro homem, um fotógrafo que tinha um comparsa.
Consideremos mais uma vez o fato relevante de que a paciente se protegia contra seu amor por um homem por meio de um delírio paranóico. A chave da compreensão disso deve ser encontrada no histórico do desenvolvimento do delírio. Como poderíamos ter esperado, este visava, a princípio, à mulher. Agora, porém, nessa base paranóica, realizava-se o avanço de um objeto feminino para um masculino. Tal avanço é inusitado na paranóia; em geral, verificamos que a vítima da perseguição permanece fixada nas mesmas pessoas e, portanto, no mesmo sexo ao qual pertenciam seus objetos amorosos antes que se verificasse a transformação paranóica. Entretanto, a desordem neurótica não impede um avanço dessa espécie, e nossa observação pode ser típica em relação a muitos outros. Muitos processos semelhantes, que ocorrem fora da paranóia, ainda não foram encarados por esse ângulo, encontrando-se entre eles alguns muito familiares. Por exemplo, a assim chamada ligação inconsciente do neurastênico a objetos amorosos incestuosos impede-o de escolher uma mulher estranha como seu objeto e restringe sua atividade sexual à fantasia. Mas, dentro dos limites da fantasia, ele alcança o progresso que lhe é negado e consegue substituir a mãe e a irmã por objetos estranhos. De uma vez que o veto da censura não entra em ação no que diz respeito a esses objetos, ele pode tornar-se consciente, em suas fantasias, da escolha dessas figuras substitutas. Vemos que a paciente se protegia contra seu amor por um homem por meio de um delírio paranóico. A chave da compreensão disso deve ser encontrada no histórico do desenvolvimento do delírio. Como poderíamos ter esperado, este visava, a princípio, à mulher. Agora, porém, nessa base paranóica, realizava-se o avanço de um objeto feminino para um masculino. Tal avanço é inusitado na paranóia; em geral, verificamos que a vítima da perseguição permanece fixada nas mesmas pessoas e, portanto, no mesmo sexo ao qual pertenciam seus objetos amorosos antes que se verificasse a transformação paranóica. Mas, dentro dos limites da fantasia, ele alcança o progresso que lhe é negado e consegue substituir a mãe e a irmã por objetos estranhos. De uma vez que o veto da censura não entra em ação no que diz respeito a esses objetos, ele pode tornar-se consciente, em suas fantasias, da escolha dessas figuras substitutas. Então a escolha é heterossexual, pois escolhe o homem como alvo de defesa e de seu delírio paranóico.
Esses, portanto, são fenômenos de um avanço tentado a partir do terreno novo que foi, em geral, regressivamente adquirido; e podemos colocar ao lado deles os esforços envidados em algumas neuroses para recuperar uma posição da libido que certa vez foi mantida e subseqüentemente perdida. Na realidade, dificilmente podemos traçar qualquer distinção conceptual entre essas duas classes de fenômenos. Vemo-nos por demais inclinados a pensar que o conflito subjacente a uma neurose chega ao fim quando se forma o sintoma. Na realidade, depois disso a luta pode continuar de diversas maneiras. De ambos os lados surgem novos componentes instintuais que a prolongam. O próprio sintoma se torna um objeto dessa luta; certas tendências, ansiosas por preservá-la, entram em conflito com outras que se esforçam por removê-la e restabelecer o statu quo ante. Freqüentemente, procuram-se métodos para tornar o sintoma insignificante, tentando-se recuperar por outras linhas de abordagem o que se perdeu e é agora retido pelo sintoma. Esses fatos esclarecem bastante uma declaração feita por C.G. Jung no sentido de que uma ‘inércia psíquica’ peculiar, que se opõe à modificação e ao progresso, é a precondição fundamental da neurose. Essa inércia é realmente muito peculiar; não é geral, e sim altamente especializada; não é sequer todo-poderosa dentro de seu próprio campo, mas luta contra tendências no sentido do progresso e da recuperação, que permanecem ativas mesmo depois da formação de sintomas neuróticos. Se procurarmos o ponto de partida dessa inércia especial, descobriremos que é a manifestação de vínculos muito antigos - vínculos difíceis de serem desfeitos - entre instintos e impressões e os objetos envolvidos nessas impressões. Esses vínculos têm o efeito de paralisar o desenvolvimento dos instintos em causa. Ou, em outras palavras, essa ‘inércia psíquica’ especializada é apenas uma expressão diferente, embora dificilmente melhor, daquilo que em psicanálise estamos habituamos a denominar de ‘fixação’. Vemos que o conflito de uma neurose chega ao fim quando se forma o sintoma, onde a libido, a comunhão e o exercício da força avançam, são mentidos e se perdem, o sintoma se torna exemplo dessa luta, onde a catexia avança, é mantida e se perde, contudo é justamente uma ¨inércia psíquica¨ que se opõe à modificação e ao progresso, ou seja, mantêm a mesma condição, a pré-condição fundamental da neurose. Essa ¨inércia psíquica¨ especializada é o que denominamos de ¨fixação¨.
MATTANÓ
(12/02/2026)
REFLEXÕES PARA OS TEMPOS DE GUERRA E MORTE
ZEITGEMÄSSES ÜBER KRIEG UND TOD
(a) EDIÇÕES ALEMÃS:
1915 Imago, 4 (1), 1-21.
1918 S.K.S.N., 4, 486-520. (1922, 2ª ed.)
1924 G.S., 10, 315-346.
1924 Leipzig, Viena e Zurique: Internationaler Psychoanalytischer Verlag, Pág. 35.
1946 G.W., 10, 324-355.
(b) TRADUÇÕES INGLESAS:
Reflections on War and Death
1918 Nova Iorque: Moffat, Yard. Págs. iii + 72. (Trad. A. A. Brill e A. B. Kuttner.)
‘Thoughts for the Times on War and Death’
1925 C.P., 4, 288-317. (Trad. E. C. Mayne.)
A presente tradução inglesa baseia-se na que foi publicada em 1925.
Estes dois ensaios foram escritos por volta de março e abril de 1915, cerca de seis meses após o deflagrar da Primeira Guerra Mundial, e expressam algumas das abalizadas considerações de Freud sobre a mesma. A descrição de suas reações mais pessoais será encontrada no Capítulo VII do segundo volume do livro de Ernest Jones (1955). Uma carta escrita por ele a um seu conhecido holandês, o Dr. Frederik van Eeden, foi publicada pouco antes do presente trabalho: aparece, como apêndice, adiante, ver em [1]. Em fins do mesmo ano, 1915, Freud escreveu outro ensaio acerca de um tema análogo, ‘Sobre a Transitoriedade’, que também será encontrado adiante (ver em [1]). Muitos anos depois, mais uma vez voltou ao tema, em sua carta aberta a Einstein, Why War? (1935b). O segundo destes dois ensaios - sobre a morte - parece ter sido lido pela primeira vez por Freud numa reunião, no início de abril de 1915, do B’nai B’rith, o clube judaico de Viena a que pertenceu durante grande parte de sua vida. (Cf. 1941e.) Este ensaio, naturalmente, se baseia em grande medida no mesmo material que a Seção II de Totem e Tabu (1912-13).
Excertos da tradução desta obra publicados em 1925 foram incluídos em Civilizations, War and Death, Selections from Three Works by Sigmund Freud (1939, 1-25).
O RELEITOR ( MATTANÓ):
Estes dois ensaios, ¨Reflexões para os tempos de guerra e de morte¨, foram escritos por volta de março e abril de 1915, cerca de seis meses após o deflagrar da Primeira Guerra Mundial, e expressam algumas das abalizadas considerações de Freud sobre a mesma.
Mattanó aponta que estes dois ensaios, ¨Reflexões para os tempos de guerra e de morte¨, foram escritos por volta de março e abril de 1915, cerca de seis meses após o deflagrar da Primeira Guerra Mundial, e expressam algumas das abalizadas considerações de Freud sobre a mesma, contendo sua argumentação e linguagem e seus significados e sentidos desencadeados por esses tempos.
MATTANÓ
(12/02/2026)
I - A DESILUSÃO DA GUERRA
Na confusão dos tempos de guerra em que nos encontramos, confiando, como somos obrigados a, em informações unilaterais, demasiadamente próximos das grandes mudanças que já se verificaram ou que começam a se verificar, e sem um vislumbre do futuro que está sendo plasmado, nós próprios ficamos perplexos diante da importância das impressões que nos pressionam e diante do valor dos julgamentos que formamos. Não podemos deixar de sentir que jamais um evento destruiu tanto de precioso nos bens comuns da humanidade, confundiu tantas das inteligências mais lúcidas, ou degradou de forma tão completa o que existe de mais elevado. A própria ciência perdeu sua imparcialidade desapaixonada; seus servidores, profundamente amargurados, procuram nela as armas com que contribuir para a luta contra o inimigo. Os antropólogos sentem-se impelidos a declará-lo inferior e degenerado, os psiquiatras dão um diagnóstico da sua doença da mente do espírito. Provavemente, contudo , nosso sentimento quanto a esses males imediatos é desproporcionalmente forte e não temos o direito de compará-los com os males de outros tempos que não experimentamos.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a guerra é capaz de destruir a humanidade e os seus bens mais preciosos, é capaz de confundir as inteligências mais lúcidas e de degradar o que ora foi tão elevado, como a ciência, que perde a sua imparcialidade e os seus servidores que buscam armas para contribuir na luta contra o inimigo, temos os antropólogos que diminuem os inimigos taxando-os de inferiores e degenerados, e os psiquiatras chamando-os de doentes da mente.
Mattanó aponta que a guerra é capaz de destruir a humanidade e os seus bens mais preciosos, é capaz de confundir as inteligências mais lúcidas e de degradar o que ora foi tão elevado, como a ciência, que perde a sua imparcialidade e os seus servidores que buscam armas para contribuir na luta contra o inimigo, temos os antropólogos que diminuem os inimigos taxando-os de inferiores e degenerados, e os psiquiatras chamando-os de doentes da mente. Freud adverte que estes males foram comuns em outros períodos de guerra e de morte e que não temos o direito de compará-los uns com os outros, pois não os experimentamos,ou seja, a experiência faz o mal e o sofrimento em tempos de guerra e de morte e não um simples ou complexo estudo.
MATTANÓ
(12/02/2026)
O indivíduo que não é ele um combatente - e dessa forma um dente da gigantesca engrenagem da guerra - sente-se atônito em sua orientação e inibido em seus poderes e atividades. Creio que receberá de bom grado qualquer indício, por mais leve que seja, que lhe torne mais fácil encontrar seu rumo pelo menos dentro de si. Proponho escolher dois dentre os fatores responsáveis pela aflição mental sentida pelos não-combatentes, fatores contra os quais constitui tarefa tão pesada lutar, e abordá-los aqui: a desilusão que essa guerra provocou, e a modificação da atitude diante da morte a que essa - como qualquer outra guerra - nos forçou.
Quando me refiro à desilusão, de imediato todos saberão o que quero dizer. Não é necessário ser sentimentalista; pode-se perceber a necessidade biológica e psicológica do sofrimento na economia da vida humana e, contudo, condenar a guerra, tanto em seus meios quanto em seus fins, e ansiar pela cessação de todas as guerras. Já dissemos a nós mesmos, sem dúvida, que as guerras jamais podem cessar enquanto as nações viverem sob condições tão amplamente diferentes, enquanto o valor da vida individual for tão diversamente apreciado entre elas, e enquanto as animosidades que as dividem representarem forças motrizes tão poderosas na mente. Estávamos preparados para verificar que as guerras entre os povos primitivos e civilizados, entre as raças que se acham divididas pela cor da pele - as guerras até mesmo contra e entre as nacionalidades da Europa cuja civilização se acha pouco desenvolvida ou se perdeu - ocupariam a humanidade ainda por algum tempo. Mas nos permitimos ter outras esperanças. Esperávamos que as grandes nações de raça branca, dominadoras do mundo, às quais cabe a liderança da espécie humana, que sabíamos possuírem como preocupação interesses de âmbito mundial, a cujos poderes criadores se deviam não só nossos progressos técnicos no sentido do controle da natureza, como também os padrões artísticos e científicos da civilização - esperávamos que esses povos conseguissem descobrir outra maneira de solucionar incompreensões e conflitos de interesse. Dentro de cada uma dessas nações, elevadas normas de conduta moral foram formuladas para o indivíduo, às quais sua maneira de vida devia conformar-se, se ele desejasse participar de uma comunidade civilizada. Esses ditames, não raro demasiado rigorosos, exigiam muito dele - uma grande dose de autodomínio, de renúncia à satisfação dos instintos. Acima de tudo, via-se proibido de fazer uso das imensas vantagens auferidas pela prática da mentira e da fraude na competição com seus semelhantes. Os Estados civilizados consideravam esses padrões morais como sendo a base de sua existência. Adotavam medidas sérias se qualquer um se aventurasse a violá-los, e freqüentemente declaravam impróprio até mesmo submetê-los ao exame de uma inteligência crítica. Devia-se supor, portanto, que o próprio Estado os respeitaria e não pensaria em empreender contra eles qualquer coisa que viesse a contradizer a base de sua própria existência. A observação demonstrou, por certo, que enraizados nesses Estados civilizados havia remanescentes de certos outros povos, universalmente impopulares e que, portanto, apenas de maneira relutante, e assim mesmo não integralmente, haviam sido admitidos à participação no trabalho comum da civilização, trabalho para o qual se tinham revelado bastante adequados. Poder-se-ia supor, porém, que as próprias grandes nações adquiriam tanta compreensão do que possuíam em comum, e tanta tolerância quanto a suas divergências, que ‘estrangeiro’ e ‘inimigo’ já não podiam fundir-se, tal como na Antiguidade clássica, num conceito único.
Confiando nessa unidade entre os povos civilizados, inúmeros homens e mulheres trocaram sua terra natal por uma estrangeira, e fizeram com que sua experiência dependesse das intercomunicações entre nações amigas. Além disso, qualquer um que não estivesse, por força das circunstâncias, confinado a um único ponto, poderia criar para si mesmo, a partir de todas as vantagens e atrações desses países civilizados, uma pátria nova e mais ampla, na qual poderia movimentar-se sem entraves ou suspeitas. Dessa forma, ele desfrutara o mar azul e o cinzento; a beleza de montanhas cobertas de neve e a de campinas verdejantes; a magia das florestas setentrionais e o esplendor da vegetação do sul; o estado de espírito evocado pelas paisagens que relembram grandes eventos históricos, e o silêncio da natureza intocada. Para ele, essa nova pátria era também um museu, repleto de todos os tesouros que os artistas da humanidade civilizada haviam criado durante séculos sucessivos e deixado atrás de si. Ao caminhar despreocupadamente de uma galeria para outra desse museu, podia reconhecer com apreciação imparcial os mais variados tipos de perfeição que uma mescla de sangue, o curso da história e a qualidade especial da sua terra natal produziram entre seus compatriotas nesse sentido mais amplo. Aqui, encontrava a energia fria e inflexível desenvolvida até o mais alto grau; ali, a graciosa arte de embelezar a existência; mais adiante, o sentimento da ordem e da lei, ou outras das qualidades que fizeram da humanidade os senhores da Terra.
Tampouco devemos esquecer que cada um desses cidadãos do mundo civilizado criou para si mesmo o seu próprio ‘Parnaso’ e a sua própria ‘Escola de Atenas’. Dentre os grandes pensadores, escritores e artistas de todas as nações, escolheu aqueles a quem considerou dever o melhor do que ele fora capaz de alcançar em deleite e compreensão da vida, e os venerou juntamente com os antigos imortais e os mestres familiares de sua própria língua. Nenhum desses grandes homens lhe pareceu estrangeiro por falar outra língua - nem o incomparável explorador das paixões humanas, nem o embriagado cultor da beleza, nem o profeta poderoso e ameaçador, nem o sutil satirista; e jamais teve razões para repreender a si próprio por ser um renegado para com sua própria nação e sua amada língua materna.
A fruição dessa civilização comum era perturbada de tempos em tempos por vozes de advertência, que declararam que antigas divergências tradicionais tornavam as guerras inevitáveis, inclusive entre os membros de uma comunidade como essa. Recusávamo-nos a crer nisso; mas se essa guerra tinha de ocorrer, como é que a imaginávamos? Nós a víamos como uma oportunidade de demonstrar o progresso da civilidade entre os homens, desde a era em que o Conselho Anfictiônico Grego proclamou que nenhuma cidade da liga poderia ser destruída, nem os seus olivais derrubados, nem o seu abastecimento de água interrompido; nós a imaginávamos como um embate de armas cavalheiresco, que se limitaria a estabelecer a superioridade de uma facção na luta, enquanto evitaria, tanto quanto possível, graves sofrimentos, que em nada pudessem contribuir para a decisão, concedendo completa imunidade aos feridos que tivessem de retirar-se da contenda, bem como aos médicos e enfermeiras que se dedicassem à recuperação deles. Haveria, naturalmente, o máximo de consideração pelas camadas não-combatentes da população - pelas mulheres que não tomam parte nas atividades guerreiras, e pelas crianças de ambas as facções que, quando crescerem, devem tornar-se amigos e auxiliares mútuos. E mais uma vez, todos os empreendimentos e instituições internacionais, nos quais a civilização comum da época de paz se encarnou, seriam mantidos.
Mesmo uma guerra como essa teria produzido bastante terror e sofrimentos, mas não interrompido o desenvolvimento das relações éticas entre os componentes coletivos da humanidade - os povos e os Estados.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que temos fatores responsáveis pela aflição mental sentida pelos não-combatentes, fatores contra os quais constitui tarefa tão pesada lutar, e abordá-los aqui: a desilusão que essa guerra provocou, e a modificação da atitude diante da morte a que essa - como qualquer outra guerra - nos forçou.
Já dissemos a nós mesmos, sem dúvida, que as guerras jamais podem cessar enquanto as nações viverem sob condições tão amplamente diferentes, enquanto o valor da vida individual for tão diversamente apreciado entre elas, e enquanto as animosidades que as dividem representarem forças motrizes tão poderosas na mente. Estávamos preparados para verificar que as guerras entre os povos primitivos e civilizados, entre as raças que se acham divididas pela cor da pele - as guerras até mesmo contra e entre as nacionalidades da Europa cuja civilização se acha pouco desenvolvida ou se perdeu - ocupariam a humanidade ainda por algum tempo. Mas nos permitimos ter outras esperanças. Esperávamos que as grandes nações de raça branca, dominadoras do mundo, às quais cabe a liderança da espécie humana, que sabíamos possuírem como preocupação interesses de âmbito mundial, a cujos poderes criadores se deviam não só nossos progressos técnicos no sentido do controle da natureza, como também os padrões artísticos e científicos da civilização - esperávamos que esses povos conseguissem descobrir outra maneira de solucionar incompreensões e conflitos de interesse. Dentro de cada uma dessas nações, elevadas normas de conduta moral foram formuladas para o indivíduo, às quais sua maneira de vida devia conformar-se, se ele desejasse participar de uma comunidade civilizada. Esses ditames, não raro demasiado rigorosos, exigiam muito dele - uma grande dose de autodomínio, de renúncia à satisfação dos instintos. Acima de tudo, via-se proibido de fazer uso das imensas vantagens auferidas pela prática da mentira e da fraude na competição com seus semelhantes. Os Estados civilizados consideravam esses padrões morais como sendo a base de sua existência. Adotavam medidas sérias se qualquer um se aventurasse a violá-los, e freqüentemente declaravam impróprio até mesmo submetê-los ao exame de uma inteligência crítica. Devia-se supor, portanto, que o próprio Estado os respeitaria e não pensaria em empreender contra eles qualquer coisa que viesse a contradizer a base de sua própria existência. A observação demonstrou, por certo, que enraizados nesses Estados civilizados havia remanescentes de certos outros povos, universalmente impopulares e que, portanto, apenas de maneira relutante, e assim mesmo não integralmente, haviam sido admitidos à participação no trabalho comum da civilização, trabalho para o qual se tinham revelado bastante adequados. Poder-se-ia supor, porém, que as próprias grandes nações adquiriam tanta compreensão do que possuíam em comum, e tanta tolerância quanto a suas divergências, que ‘estrangeiro’ e ‘inimigo’ já não podiam fundir-se, tal como na Antiguidade clássica, num conceito único.
Confiando nessa unidade entre os povos civilizados, inúmeros homens e mulheres trocaram sua terra natal por uma estrangeira, e fizeram com que sua experiência dependesse das intercomunicações entre nações amigas. Além disso, qualquer um que não estivesse, por força das circunstâncias, confinado a um único ponto, poderia criar para si mesmo, a partir de todas as vantagens e atrações desses países civilizados, uma pátria nova e mais ampla, na qual poderia movimentar-se sem entraves ou suspeitas.
Tampouco devemos esquecer que cada um desses cidadãos do mundo civilizado criou para si mesmo o seu próprio ‘Parnaso’ e a sua própria ‘Escola de Atenas’. Dentre os grandes pensadores, escritores e artistas de todas as nações, escolheu aqueles a quem considerou dever o melhor do que ele fora capaz de alcançar em deleite e compreensão da vida, e os venerou juntamente com os antigos imortais e os mestres familiares de sua própria língua. Nenhum desses grandes homens lhe pareceu estrangeiro por falar outra língua - nem o incomparável explorador das paixões humanas, nem o embriagado cultor da beleza, nem o profeta poderoso e ameaçador, nem o sutil satirista; e jamais teve razões para repreender a si próprio por ser um renegado para com sua própria nação e sua amada língua materna.
Haveria, naturalmente, o máximo de consideração pelas camadas não-combatentes da população - pelas mulheres que não tomam parte nas atividades guerreiras, e pelas crianças de ambas as facções que, quando crescerem, devem tornar-se amigos e auxiliares mútuos. E mais uma vez, todos os empreendimentos e instituições internacionais, nos quais a civilização comum da época de paz se encarnou, seriam mantidos.
Mesmo uma guerra como essa teria produzido bastante terror e sofrimentos, mas não interrompido o desenvolvimento das relações éticas entre os componentes coletivos da humanidade - os povos e os Estados.
Mattanó aponta que temos fatores responsáveis pela aflição mental sentida pelos não-combatentes, fatores contra os quais constitui tarefa tão pesada lutar, e abordá-los aqui: a desilusão que essa guerra provocou, e a modificação da atitude diante da morte a que essa - como qualquer outra guerra - nos forçou. Vemos que o comportamento atua como uma ¨panela de pressão¨ sem válvula de escape em tempos de guerra e de morte, o que torna pesada a tarefa de lutar e acaba modificando a atitude diante da morte, mediante sua força ou pressão, através dos significados e sentidos.
Já dissemos a nós mesmos, sem dúvida, que as guerras jamais podem cessar enquanto as nações viverem sob condições tão amplamente diferentes, enquanto o valor da vida individual for tão diversamente apreciado entre elas, e enquanto as animosidades que as dividem representarem forças motrizes tão poderosas na mente. Estávamos preparados para verificar que as guerras entre os povos primitivos e civilizados, entre as raças que se acham divididas pela cor da pele - as guerras até mesmo contra e entre as nacionalidades da Europa cuja civilização se acha pouco desenvolvida ou se perdeu - ocupariam a humanidade ainda por algum tempo. Mas nos permitimos ter outras esperanças. Esperávamos que as grandes nações de raça branca, dominadoras do mundo, às quais cabe a liderança da espécie humana, que sabíamos possuírem como preocupação interesses de âmbito mundial, a cujos poderes criadores se deviam não só nossos progressos técnicos no sentido do controle da natureza, como também os padrões artísticos e científicos da civilização - esperávamos que esses povos conseguissem descobrir outra maneira de solucionar incompreensões e conflitos de interesse. Dentro de cada uma dessas nações, elevadas normas de conduta moral foram formuladas para o indivíduo, às quais sua maneira de vida devia conformar-se, se ele desejasse participar de uma comunidade civilizada. Esses ditames, não raro demasiado rigorosos, exigiam muito dele - uma grande dose de autodomínio, de renúncia à satisfação dos instintos. Acima de tudo, via-se proibido de fazer uso das imensas vantagens auferidas pela prática da mentira e da fraude na competição com seus semelhantes. Os Estados civilizados consideravam esses padrões morais como sendo a base de sua existência. Adotavam medidas sérias se qualquer um se aventurasse a violá-los, e freqüentemente declaravam impróprio até mesmo submetê-los ao exame de uma inteligência crítica. Devia-se supor, portanto, que o próprio Estado os respeitaria e não pensaria em empreender contra eles qualquer coisa que viesse a contradizer a base de sua própria existência. A observação demonstrou, por certo, que enraizados nesses Estados civilizados havia remanescentes de certos outros povos, universalmente impopulares e que, portanto, apenas de maneira relutante, e assim mesmo não integralmente, haviam sido admitidos à participação no trabalho comum da civilização, trabalho para o qual se tinham revelado bastante adequados. Poder-se-ia supor, porém, que as próprias grandes nações adquiriam tanta compreensão do que possuíam em comum, e tanta tolerância quanto a suas divergências, que ‘estrangeiro’ e ‘inimigo’ já não podiam fundir-se, tal como na Antiguidade clássica, num conceito único. Vemos que o ¨estrangeiro¨ e o ¨inimigo¨ deixaram de coexistir num único conceito depois que a humanidade adotou para de cada uma dessas nações, elevadas normas de conduta moral que foram formuladas para o indivíduo, às quais sua maneira de vida devia conformar-se, se ele desejasse participar de uma comunidade civilizada. Esses ditames, não raro demasiado rigorosos, exigiam muito dele - uma grande dose de autodomínio, de renúncia à satisfação dos instintos. Acima de tudo, via-se proibido de fazer uso das imensas vantagens auferidas pela prática da mentira e da fraude na competição com seus semelhantes. Contudo o racismo e o satanismo resistiram em várias sociedades, sobretudo nas mais pobres economicamente, culturalmente, moralmente, sexualmente e socialmente.
Confiando nessa unidade entre os povos civilizados, inúmeros homens e mulheres trocaram sua terra natal por uma estrangeira, e fizeram com que sua experiência dependesse das intercomunicações entre nações amigas. Além disso, qualquer um que não estivesse, por força das circunstâncias, confinado a um único ponto, poderia criar para si mesmo, a partir de todas as vantagens e atrações desses países civilizados, uma pátria nova e mais ampla, na qual poderia movimentar-se sem entraves ou suspeitas. Vemos que ocorreu um período de migração e de êxodo para as nações amigas, em busca da ¨terra prometida¨.
Tampouco devemos esquecer que cada um desses cidadãos do mundo civilizado criou para si mesmo o seu próprio ‘Parnaso’ e a sua própria ‘Escola de Atenas’. Dentre os grandes pensadores, escritores e artistas de todas as nações, escolheu aqueles a quem considerou dever o melhor do que ele fora capaz de alcançar em deleite e compreensão da vida, e os venerou juntamente com os antigos imortais e os mestres familiares de sua própria língua. Nenhum desses grandes homens lhe pareceu estrangeiro por falar outra língua - nem o incomparável explorador das paixões humanas, nem o embriagado cultor da beleza, nem o profeta poderoso e ameaçador, nem o sutil satirista; e jamais teve razões para repreender a si próprio por ser um renegado para com sua própria nação e sua amada língua materna. Vemos que existiu um processo da endoculturação e de adaptação cultural onde os escritores e artistas continuaram defendendo seus valores nacionais em território estrangeiro, de modo que se tornaram grandes expoentes da literatura e das artes que amavam sua própria língua.
Haveria, naturalmente, o máximo de consideração pelas camadas não-combatentes da população - pelas mulheres que não tomam parte nas atividades guerreiras, e pelas crianças de ambas as facções que, quando crescerem, devem tornar-se amigos e auxiliares mútuos. E mais uma vez, todos os empreendimentos e instituições internacionais, nos quais a civilização comum da época de paz se encarnou, seriam mantidos. Vemos que a sociedade se auto-regulou em seu empreendimento de paz através das crianças e das mulheres, e depois através das instituições internacionais e dos empreendimentos, nos quais a paz se encarnou e era o seu objeto.
Mesmo uma guerra como essa teria produzido bastante terror e sofrimentos, mas não interrompido o desenvolvimento das relações éticas entre os componentes coletivos da humanidade - os povos e os Estados. Vemos que uma guerra pode gerar terror e sofrimento, mas não interrompe o desenvolvimento das relações éticas e morais entre os componentes coletivos da humanidade, ou seja, os povos e os Estados.
MATTANÓ
(12/02/2026)
Então, a guerra na qual nos recusávamos a acreditar irrompeu, e trouxe desilusão. Não é apenas mais sanguinária e mais destrutiva do que qualquer guerra de outras eras, devido à perfeição enormemente aumentada das armas de ataque e defesa; é, pelo menos, tão cruel, tão encarniçada, tão implacável quanto qualquer outra que a tenha precedido. Despreza todas as restrições conhecidas como direito internacional, que na época de paz os Estados se comprometeram a observar; ignora as prerrogativas dos feridos e do serviço médico, a distinção entre os setores civil e militar da população, os direitos da propriedade privada. Esmaga com fúria cega tudo que surge em seu caminho, como se, após seu término, não mais fosse haver nem futuro nem paz entre os homens. Corta todos os laços comuns entre os povos contendores, e ameaça deixar um legado de exacerbação que tornará impossível, durante muito tempo, qualquer renovação desse laços.
Além disso, trouxe à luz um fenômeno quase incrível: as nações civilizadas se conhecem e se compreendem tão pouco, que uma pode voltar-se contra a outra com ódio e asco. Na verdade, uma das grandes nações civilizadas é tão universalmente impopular, que realmente se pode tentar excluí-la da comunidade civilizada como sendo ‘bárbara’, embora de há muito tenha provado sua adequação pelas magníficas contribuições que prestou a essa comunidade. Vivemos na esperança de que as páginas de uma história imparcial venham provar que essa nação, em cuja língua escrevemos e para cuja vitória nossos entes queridos estão combatendo, foi precisamente aquela que menos transgrediu as leis da civilização. Mas numa época como essa quem ousará erigir-se como juiz em causa própria?
Os povos são mais ou menos representados pelos Estados que formam, e esses Estados, pelos governos que os dirigem. Nessa guerra, o cidadão individual pode, com horror, convencer-se do que ocasionalmente lhe cruzaria o pensamento em tempos de paz - que o Estado proíbe ao indivíduo a prática do mal, não porque deseja aboli-la, mas porque deseja monopolizá-la, tal como o sal e o fumo. Um estado beligerante permite-se todos os malefícios, todos os atos de violência que desgraçariam o indivíduo. Emprega contra o inimigo não apenas as ruses de guerre aceitas, como também a mentira deliberada e a fraude - e isso a um ponto que parece ultrapassar esse emprego em guerras anteriores. O Estado exige o grau máximo de obediência e de sacrifício de seus cidadãos; ao mesmo tempo, porém, trata-os como crianças, mediante um excesso de sigilo e uma censura quanto a notícias e expressões de opinião, que deixa os espíritos daqueles, cujos intelectos ele assim suprime, sem defesa contra toda mudança desfavorável dos eventos e todo boato sinistro. Exime-se das garantias e tratados que o vinculavam a outros Estados, e confessa desavergonhadamente sua própria capacidade e sede de poder, que o cidadão tem então de sancionar em nome do patriotismo.
Não se deve objetar que o Estado não pode abster-se de praticar o mal, de uma vez que isso o colocaria em desvantagem . Não é menos desvantajoso, em geral, para o indivíduo, conformar-se aos padrões de moralidade e abster-se de uma conduta brutal e arbitrária; e poucas vezes o Estado prova ser capaz de indenizá-lo pelos sacrifícios que exige. Nem deve constituir surpresa que esse relaxamento de todos os laços morais entre os indivíduos coletivos da humanidade deva ter repercussões sobre a moralidade dos indivíduos, pois nossa consciência não é o juiz inflexível que os professores de ética declaram, mas é, em sua origem, ‘ansiedade social’ e nada mais. Quando a comunidade não levanta mais objeções, verifica-se também um fim à supressão das paixões más, e os homens perpetram atos de crueldade, fraude, traição e barbárie tão incompatíveis com seu nível de civilização, que qualquer um os julgaria impossíveis.
É compreensível que o cidadão do mundo civilizado a quem me referi possa permanecer desamparado num mundo que se lhe tornou estranho - sua grande pátria desintegrada, suas propriedades comuns devastadas, seus concidadãos divididos e vilipendiados!
Há, contudo, algo a ser dito como crítica a seu desapontamento. Rigorosamente falando, este não se justifica, pois consiste na destruição de uma ilusão. Acolhemos as ilusões porque nos poupam sentimentos desagradáveis, permitindo-nos em troca gozar de satisfações. Portanto, não devemos reclamar se, repetidas vezes, essas ilusões entrarem em choque com alguma parcela da realidade e se despedaçarem contra ela.
Duas coisas nessa guerra despertaram nosso sentimento de desilusão: a baixa moralidade revelada externamente por Estados que, em suas relações internas, se intitulam guardiães dos padrões morais, e a brutalidade demonstrada por indivíduos que, enquanto participantes da mais alta civilização humana, não julgaríamos capazes de tal comportamento.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a guerra despertou o sentimento de desilusão, acompanhado de uma baixa moralidade revelada externamente pelos Estados que, em suas relações internas, se dizem protetores dos valores morais, e a brutalidade exibida pelos indivíduos que, enquanto membros da mais alta civilização humana, acreditávamos serem incapazes de terem tal comportamento, os homens perpetram atos de crueldade, fraude, traição e barbárie tão incompatíveis com seu nível de civilização, que qualquer um os julgaria impossíveis.
Mattanó aponta que a guerra despertou o sentimento de desilusão, acompanhado de uma baixa moralidade revelada externamente pelos Estados que, em suas relações internas, se dizem protetores dos valores morais, e a brutalidade exibida pelos indivíduos que, enquanto membros da mais alta civilização humana, acreditávamos serem incapazes de terem tal comportamento, os homens perpetram atos de crueldade, fraude, traição e barbárie tão incompatíveis com seu nível de civilização, que qualquer um os julgaria impossíveis. Vemos que o sentimento de desilusão é poderoso e capaz de alterar a moralidade do Estado e dos indivíduos, que podem passar a exibir padrões de comportamentos que não acreditávamos serem capazes de existir para essas pessoas e Estados, como a crueldade, a fraude, a traição e a barbárie, pois são incompatíveis com a civilização.
MATTANÓ
(13/02/2026)
Comecemos pelo segundo ponto e tentemos formular, em poucas palavras, o ponto de vista que desejamos criticar. De fato, como é que imaginamos o processo pelo qual um indivíduo se alça a um plano comparativamente alto de moralidade? A primeira resposta será, sem dúvida, simplesmente que ele é virtuoso e nobre desde o seu nascimento - desde o começo mesmo de sua vida. Não consideraremos mais esse ponto de vista aqui. Uma segunda resposta sugerirá que estamos preocupados com um processo de desenvolvimento, e provavelmente presumirá que o desenvolvimento consiste em erradicar as tendências humanas más desse indivíduo e, sob a influência da educação e de um ambiente civilizado, em substituí-las por boas. Caso isso seja assim, é, não obstante, surpreendente que o mal ressurja com tamanha força em qualquer um que tenha sido educado dessa forma.
No entanto, essa resposta também encerra a tese que nos propomos contradizer. Na realidade, não existe essa ‘erradicação’ do mal. A pesquisa psicológica - ou, falando mais rigorosamente, psicanalítica - revela, ao contrário, que a essência mais profunda da natureza humana consiste em impulsos instintuais de natureza elementar, semelhantes em todos os homens e que visam à satisfação de certas necessidades primevas. Em si mesmos, esses impulsos não são nem bons e nem maus. Classificamos esses impulsos, bem como suas expressões, dessa maneira, segundo sua relação com as necessidades e as exigências da comunidade humana. Deve-se admitir que todos os impulsos que a sociedade condena como maus - tomemos como representativos os egoísticos e cruéis - são de natureza primitiva.
Esses impulsos primitivos passam por um longo processo de desenvolvimento antes que se lhes permita tornarem-se ativos no adulto. São inibidos, dirigidos no sentido de outras finalidades e outros campos, mesclam-se, alteram seus objetos e revertem, até certo ponto, a seu possuidor. Formações de reação contra certos instintos assumem a forma enganadora de uma mudança em seu conteúdo, como se o egoísmo se tivesse transmudado em altruísmo ou a crueldade em piedade. Essas formações de reação são facilitadas pela circunstância de que alguns impulsos instintuais surgem, quase que desde o início, em pares de opostos - um fenômeno muito marcante, e estranho ao público leigo, denominado ‘ambivalência de sentimento’. O exemplo mais facilmente observado e compreensível disso reside no fato de que o amor intenso e o ódio intenso são, com tanta freqüência, encontrados juntos na mesma pessoa. A psicanálise acrescenta que esses dois sentimentos opostos, não raramente, têm como objeto a mesma pessoa.
Só quando todas essas ‘vicissitudes instintuais’ foram superadas é que se forma aquilo que denominamos de caráter de uma pessoa, e este, como sabemos, só de forma inadequada pode ser classificado como ‘bom’ ou ‘mau’. Raramente um ser humano é totalmente bom ou mau; via de regra ele é ‘bom’ em relação a determinada coisa e ‘mau’ em relação a outra, ou ‘bom’ em certas circunstâncias externas e em outras indiscutivelmente ‘mau’. É interessante verificar que, na primeira infância, a preexistência de fortes impulsos ‘maus’ constitui muitas vezes a condição para uma inequívoca inclinação no sentido do ‘bom’ no adulto. Aqueles que, enquanto crianças, foram os mais pronunciados egoístas, podem muito bem tornar-se os mais prestimosos e abnegados membros da comunidade; a maioria dos sentimentalistas, amigos da humanidade e protetores de animais, evoluíram de pequenos sádicos e atormentadores de animais.
A transformação dos ‘maus’ instintos é ocasionada por dois fatores, um interno e outro externo, que atuam na mesma direção. O fator interno consiste na influência exercida sobre os instintos maus (digamos, egoístas) pelo erotismo - isto é, pela necessidade humana de amor, tomada em seu sentido mais amplo. Pela mistura dos componentes eróticos, os instintos egoístas são transformados em sociais. Aprendemos a valorizar o fato de sermos amados como uma vantagem em função da qual estamos dispostos a sacrificar outras vantagens. O fator externo é a força exercida pela educação, que representa as reivindicações de nosso ambiente cultural, posteriormente continuadas pela pressão direta desse ambiente. A civilização foi alcançada através da renúncia à satisfação instintual, exigindo ela, por sua vez, a mesma renúncia de cada recém-chegado. No decorrer da vida de um indivíduo, há uma substituição constante da compulsão externa pela interna. As influências da civilização provocam, por uma mescla de elementos eróticos, uma sempre crescente formação das tendências egoístas em tendências altruístas e sociais. Em última infância, pode-se supor que toda compulsão interna que se faz sentir no desenvolvimento dos seres humanos foi originalmente - isto é, na história da humanidade - apenas uma compulsão externa. Os que nascem hoje trazem comigo, como organização herdada, certo grau de tendência (disposição) para a formação dos instintos egoístas em sociais, sendo essa disposição facilmente estimulada a provocar esse resultado. Outra parte dessa transformação instintual tem de ser realizada durante a vida do próprio indivíduo. Assim, o ser humano está sujeito não só à pressão de seu ambiente cultural imediato, mas também à influência da história cultural de seus ancestrais.
Se dermos a denominação de ‘suscetibilidade à cultura’ à capacidade pessoal de um homem para transformar os impulsos egoístas sob a influência do erotismo, poderemos ainda afirmar que essa suscetibilidade se compõe de duas partes, uma inata e outra adquirida no curso da vida, e que a relação das duas, tanto entre si quanto com a parte da vida instintual que permanece inalterada, é muito variável.
Falando de forma mais geral, inclinamo-nos a atribuir demasiada importância à parte inata; além disso, corremos o risco de superestimar a suscetibilidade total à cultura em comparação com a parte da vida instintual que permaneceu primitiva - isto é, somos levados enganosamente a considerar os homens como ‘melhores’ do que de fato são, de uma vez que existe ainda outro elemento que obscurece nosso julgamento e falseia o problema num sentido favorável.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que como é que imaginamos o processo pelo qual um indivíduo se alça a um plano comparativamente alto de moralidade? A primeira resposta será, sem dúvida, simplesmente que ele é virtuoso e nobre desde o seu nascimento - desde o começo mesmo de sua vida. Não consideraremos mais esse ponto de vista aqui. Uma segunda resposta sugerirá que estamos preocupados com um processo de desenvolvimento, e provavelmente presumirá que o desenvolvimento consiste em erradicar as tendências humanas más desse indivíduo e, sob a influência da educação e de um ambiente civilizado, em substituí-las por boas. Caso isso seja assim, é, não obstante, surpreendente que o mal ressurja com tamanha força em qualquer um que tenha sido educado dessa forma.
No entanto, essa resposta também encerra a tese que nos propomos contradizer. Na realidade, não existe essa ‘erradicação’ do mal. A pesquisa psicológica - ou, falando mais rigorosamente, psicanalítica - revela, ao contrário, que a essência mais profunda da natureza humana consiste em impulsos instintuais de natureza elementar, semelhantes em todos os homens e que visam à satisfação de certas necessidades primevas. Em si mesmos, esses impulsos não são nem bons e nem maus. Classificamos esses impulsos, bem como suas expressões, dessa maneira, segundo sua relação com as necessidades e as exigências da comunidade humana. Deve-se admitir que todos os impulsos que a sociedade condena como maus - tomemos como representativos os egoísticos e cruéis - são de natureza primitiva.
Esses impulsos primitivos passam por um longo processo de desenvolvimento antes que se lhes permita tornarem-se ativos no adulto. São inibidos, dirigidos no sentido de outras finalidades e outros campos, mesclam-se, alteram seus objetos e revertem, até certo ponto, a seu possuidor. Formações de reação contra certos instintos assumem a forma enganadora de uma mudança em seu conteúdo, como se o egoísmo se tivesse transmudado em altruísmo ou a crueldade em piedade. Essas formações de reação são facilitadas pela circunstância de que alguns impulsos instintuais surgem, quase que desde o início, em pares de opostos - um fenômeno muito marcante, e estranho ao público leigo, denominado ‘ambivalência de sentimento’. O exemplo mais facilmente observado e compreensível disso reside no fato de que o amor intenso e o ódio intenso são, com tanta freqüência, encontrados juntos na mesma pessoa. A psicanálise acrescenta que esses dois sentimentos opostos, não raramente, têm como objeto a mesma pessoa.
Só quando todas essas ‘vicissitudes instintuais’ foram superadas é que se forma aquilo que denominamos de caráter de uma pessoa, e este, como sabemos, só de forma inadequada pode ser classificado como ‘bom’ ou ‘mau’. Raramente um ser humano é totalmente bom ou mau; via de regra ele é ‘bom’ em relação a determinada coisa e ‘mau’ em relação a outra, ou ‘bom’ em certas circunstâncias externas e em outras indiscutivelmente ‘mau’. É interessante verificar que, na primeira infância, a preexistência de fortes impulsos ‘maus’ constitui muitas vezes a condição para uma inequívoca inclinação no sentido do ‘bom’ no adulto.
A transformação dos ‘maus’ instintos é ocasionada por dois fatores, um interno e outro externo, que atuam na mesma direção. O fator interno consiste na influência exercida sobre os instintos maus (digamos, egoístas) pelo erotismo - isto é, pela necessidade humana de amor, tomada em seu sentido mais amplo. Pela mistura dos componentes eróticos, os instintos egoístas são transformados em sociais. Aprendemos a valorizar o fato de sermos amados como uma vantagem em função da qual estamos dispostos a sacrificar outras vantagens. O fator externo é a força exercida pela educação, que representa as reivindicações de nosso ambiente cultural, posteriormente continuadas pela pressão direta desse ambiente. A civilização foi alcançada através da renúncia à satisfação instintual, exigindo ela, por sua vez, a mesma renúncia de cada recém-chegado. No decorrer da vida de um indivíduo, há uma substituição constante da compulsão externa pela interna. As influências da civilização provocam, por uma mescla de elementos eróticos, uma sempre crescente formação das tendências egoístas em tendências altruístas e sociais. Em última infância, pode-se supor que toda compulsão interna que se faz sentir no desenvolvimento dos seres humanos foi originalmente - isto é, na história da humanidade - apenas uma compulsão externa. Os que nascem hoje trazem comigo, como organização herdada, certo grau de tendência (disposição) para a formação dos instintos egoístas em sociais, sendo essa disposição facilmente estimulada a provocar esse resultado. Outra parte dessa transformação instintual tem de ser realizada durante a vida do próprio indivíduo. Assim, o ser humano está sujeito não só à pressão de seu ambiente cultural imediato, mas também à influência da história cultural de seus ancestrais.
Mattanó aponta que como é que imaginamos o processo pelo qual um indivíduo se alça a um plano comparativamente alto de moralidade? A primeira resposta será, sem dúvida, simplesmente que ele é virtuoso e nobre desde o seu nascimento - desde o começo mesmo de sua vida. Não consideraremos mais esse ponto de vista aqui. Uma segunda resposta sugerirá que estamos preocupados com um processo de desenvolvimento, e provavelmente presumirá que o desenvolvimento consiste em erradicar as tendências humanas más desse indivíduo e, sob a influência da educação e de um ambiente civilizado, em substituí-las por boas. Caso isso seja assim, é, não obstante, surpreendente que o mal ressurja com tamanha força em qualquer um que tenha sido educado dessa forma. Vemos que a moralidade para Freud é consequência do desenvolvimento do indivíduo desde o nascimento, por um lado, mas por outro pode ser consequência do desenvolvimento e do meio ambiente ou da educação. Para Mattanó a moralidade é genética e cognitiva e apresenta as seguintes fase, segundo Piaget:
ANOMIA (do grego: a – negação e nomos – lei – sem lei). É a etapa do comportamento puramente intuitivo, que se orienta apenas pelo prazer e pela dor. A criança procura o prazer e foge da dor, sem relacioná-los a qualquer norma moral. Para os adultos revela um nível baixo de moralidade, ou seja, falta de responsabilidade e de ideia moral. Exemplo: o caso de um motorista que “voa” ao volante apenas pelo prazer de correr, sem considerar as consequências de seus actos.
HETERONOMIA (do latim: heteros – outros e nomos – lei – lei estabelecida ou imposta por outrém). A criança obedece as ordens para receber a recompensa ou evitar o castigo. Nos adultos, é o caso do motorista que observa as leis de trânsito só para não ser multado.
SOCIONOMIA (do latim: socius – companheiro, colega e do grego nomos – lei – lei interiorizada no indivíduo). Os critérios morais da criança vão se afirmando por meio de suas relações com outras crianças. Ela vai interiorizando as noções de responsabilidade, justiça obrigação e respeito. Começa a não fazer aos outros o que não gostaria que fizessem a ela. Agem sempre buscando a aprovação ou evitando a censura dos outros. Nos adultos, é o caso do motorista que dirige preocupado consigo mesmo e, sobretudo, com que os outros pensam dele.
AUTONOMIA (do grego: autód- próprio e nomos – lei – lei própria). Nesta fase a criança já interiorizou as normas morais e passa a comportar-se de acordo com elas. Nos adultos, é o caso do motorista que, ao dirigir, orientar-se pelas leis do trânsito e por seus próprios princípios internos de conduta.
E temos ainda a teoria de Kholberg sobre o desenvolvimento moral:
A sua teoria propõe três níveis de moralidade:
As decisões morais são egocêntricas, o que significa que as decisões são baseadas nos interesses pessoais. O julgamento se baseia nas necessidades pessoais e nas regras dos outros.
Estádio I: Orientação da punição-obediência
As regras são obedecidas para evitar a punição. Uma ação boa ou má é determinada por suas consequências físicas. As crianças avaliam-se a elas próprias como boas ou más com base nas recompensas e nos castigos administrados pelos adultos. As regras são percebidas como sendo absolutas e devem ser cumpridas independentemente das circunstâncias. As crianças abstêm-se de ter um comportamento inaceitável porque têm medo de ser apanhadas.
A resposta da criança ao dilema pode ser: “errado roubar porque poderá ser apanhado”. A resposta reflete o egocentrismo básico da criança. O raciocínio pode ser “o que aconteceria comigo se eu roubasse algo? Eu poderia ser apanhado e punido”.
A criança poderia dizer que ele não devia roubar o medicamento porque fazendo isso seria punido e iria preso.
Estádio II: Orientação da Recompensa Pessoal
As necessidades pessoais determinam o que é certo e errado. No ponto de vista da criança o que é certo é o que a faz feliz. A criança inibe-se de ser injusta se os outros não forem injustos com ela.
A criança seria motivada pela recompensa. A criança argumentaria que o marido deveria roubar o medicamento para salvar a vida da esposa porque uma vez fora da prisão, ele poderia usufruir da sua companhia outra vez.
Centrado no social – tem em conta os interesses dos outros numa determinada sociedade. O sujeito é capaz de olhar para além das consequências pessoais imediatas e considerar o ponto de vista, e especialmente a aprovação dos outros. Exemplo, “roubar é errado porque é contra lei”. Outra resposta dando um valor alto à lealdade, à lealdade, à família e aos entes queridos, mas ainda respeitando a lei, seria: “é certo roubar porque o homem tem boas intenções – ele está tentando ajudar sua mulher”. “Mas ele ainda vai ter que pagar o químico quando puder, ou aceitar a penalidade por infringir a lei”.
O julgamento baseia-se na aprovação dos outros, nas expectativas familiares, nos valores tradicionais, nas leis da sociedade e na lealdade ao País.
Estádio III: Orientação do/para o bom menino-boa menina
As crianças evitam envolver-se em comportamentos inaceitáveis, de forma a impressionar os seus pais e mostrar que são boas. As crianças portam-se bem mais para ir ao encontro da aprovação dos outros do que por acreditarem nos princípios morais. O bom significa “agradável”. Ele é determinado por aquilo que agrada e é aprovado pelos outros.
A criança poderia dizer que roubar o medicamento seria compreensível porque se ele não o fizesse, as pessoas poderiam pensar que ele era insensível e que não amava.
Estádio IV: Orientação para a ordem e lei (da lei e da ordem)
A lei serve como princípio orientador para que as pessoas recusem envolver-se em certos comportamentos, na medida em que esse comportamento for proibido por lei. É compreendido que a lei deve ser mantida a todo custo. Se as leis não forem observadas e obedecidas, o caos é provavelmente instalado. A aceitação da pessoa perante a sociedade depende do seu conformismo para com as leis. A autoridade deve ser respeitada e a ordem social mantida.
A pessoa poderia dizer que roubar é contra lei e, por conseguinte, o marido não deveria roubar.
Nem é egocêntrico nem social, mas autónomo no seu juízo. As pessoas mantêm princípios de justiça que transcendem as leis existentes e as convenções aceites.
Exemplo, “a pessoa do pós-convencional teria um ponto de vista semelhante roubar porque iria violar a lei, mas se roubar para puder salvar uma vida, ela violaria a lei”.
Estádio V: Orientação para o Contrato Social
Neste estádio existem situações em que as leis podem ser quebradas a que as leis são injustas, devendo ser alteradas. Também é sustentado que as regras devem envolver acordo mútuo e que devem ter como objetivo proteger os direitos individuais. A mudança da lei compreendida para alterar a interpretação do que é certo ou errado. Nada é absoluto. O bem é determinado por padrões socialmente aceites de direitos individuais.
Exemplo, “a pessoa diria que as pessoas têm o dever de salvar uma vida humana”.
Estádio VI: Orientação do Princípio Ético Universal
Os princípios são baseados na vida humana. É sustentado que o conceito de justiça está além da ordem estabelecida e da justiça universal. Quem opera neste estádio tem um interesse permanente entre as pessoas, na regra de outro “faz como tu gostarias que te fizessem, na dignidade humana e na universalidade desses princípios”.
Exemplo, “a pessoa poderia argumentar que seria moralmente errado não roubar quando está em jogo uma vida humana. A importância e o carácter sagrado da vida está acima do ganho”.
O bem e o direito são questões da consciência individuais e envolvem abstractos de justiça, dignidade humana e igualdade.
Assim a moralidade torna-se um contrato social que só é possível devido o desenvolvimento do indivíduo e a sua carga genética.
No entanto, essa resposta também encerra a tese que nos propomos contradizer. Na realidade, não existe essa ‘erradicação’ do mal. A pesquisa psicológica - ou, falando mais rigorosamente, psicanalítica - revela, ao contrário, que a essência mais profunda da natureza humana consiste em impulsos instintuais de natureza elementar, semelhantes em todos os homens e que visam à satisfação de certas necessidades primevas. Em si mesmos, esses impulsos não são nem bons e nem maus. Classificamos esses impulsos, bem como suas expressões, dessa maneira, segundo sua relação com as necessidades e as exigências da comunidade humana. Deve-se admitir que todos os impulsos que a sociedade condena como maus - tomemos como representativos os egoísticos e cruéis - são de natureza primitiva. Vemos que o Homo Sapiens depende em sua essência de impulsos instintuais que visam à satisfação de certas necessidades primevas ou exigências da comunidade humana, impulsos egoísticos e maus.
Esses impulsos primitivos passam por um longo processo de desenvolvimento antes que se lhes permita tornarem-se ativos no adulto. São inibidos, dirigidos no sentido de outras finalidades e outros campos, mesclam-se, alteram seus objetos e revertem, até certo ponto, a seu possuidor. Formações de reação contra certos instintos assumem a forma enganadora de uma mudança em seu conteúdo, como se o egoísmo se tivesse transmudado em altruísmo ou a crueldade em piedade. Essas formações de reação são facilitadas pela circunstância de que alguns impulsos instintuais surgem, quase que desde o início, em pares de opostos - um fenômeno muito marcante, e estranho ao público leigo, denominado ‘ambivalência de sentimento’. O exemplo mais facilmente observado e compreensível disso reside no fato de que o amor intenso e o ódio intenso são, com tanta freqüência, encontrados juntos na mesma pessoa. A psicanálise acrescenta que esses dois sentimentos opostos, não raramente, têm como objeto a mesma pessoa. Vemos que os impulsos primitivos se desenvolvem para se tornarem ativos no indivíduo adulto, tornando-se formações de reação, uma forma enganadora de uma mudança de conteúdo, transformando altruísmo ou crueldade em piedade, fenômenos que gera a ¨ambivalência de sentimento¨ ou amor intenso e ódio intenso na mesma pessoa, possivelmente em função da atividade do tronco cerebral e do prosencéfalo que equilibram a formação da consciência, da cultura, do conhecimento e da realidade deste homem.
Só quando todas essas ‘vicissitudes instintuais’ foram superadas é que se forma aquilo que denominamos de caráter de uma pessoa, e este, como sabemos, só de forma inadequada pode ser classificado como ‘bom’ ou ‘mau’. Raramente um ser humano é totalmente bom ou mau; via de regra ele é ‘bom’ em relação a determinada coisa e ‘mau’ em relação a outra, ou ‘bom’ em certas circunstâncias externas e em outras indiscutivelmente ‘mau’. É interessante verificar que, na primeira infância, a preexistência de fortes impulsos ‘maus’ constitui muitas vezes a condição para uma inequívoca inclinação no sentido do ‘bom’ no adulto. Vemos que agora pode se formar o caráter dessa pessoa, classificando como ¨bom¨ ou ¨mau¨ o que ele se relaciona ou determinada coisa. É interessante verificar que, na primeira infância, a preexistência de fortes impulsos ‘maus’ constitui muitas vezes a condição para uma inequívoca inclinação no sentido do ‘bom’ no adulto.
A transformação dos ‘maus’ instintos é ocasionada por dois fatores, um interno e outro externo, que atuam na mesma direção. O fator interno consiste na influência exercida sobre os instintos maus (digamos, egoístas) pelo erotismo - isto é, pela necessidade humana de amor, tomada em seu sentido mais amplo. Pela mistura dos componentes eróticos, os instintos egoístas são transformados em sociais. Aprendemos a valorizar o fato de sermos amados como uma vantagem em função da qual estamos dispostos a sacrificar outras vantagens. O fator externo é a força exercida pela educação, que representa as reivindicações de nosso ambiente cultural, posteriormente continuadas pela pressão direta desse ambiente. A civilização foi alcançada através da renúncia à satisfação instintual, exigindo ela, por sua vez, a mesma renúncia de cada recém-chegado. No decorrer da vida de um indivíduo, há uma substituição constante da compulsão externa pela interna. As influências da civilização provocam, por uma mescla de elementos eróticos, uma sempre crescente formação das tendências egoístas em tendências altruístas e sociais. Em última infância, pode-se supor que toda compulsão interna que se faz sentir no desenvolvimento dos seres humanos foi originalmente - isto é, na história da humanidade - apenas uma compulsão externa. Os que nascem hoje trazem comigo, como organização herdada, certo grau de tendência (disposição) para a formação dos instintos egoístas em sociais, sendo essa disposição facilmente estimulada a provocar esse resultado. Outra parte dessa transformação instintual tem de ser realizada durante a vida do próprio indivíduo. Assim, o ser humano está sujeito não só à pressão de seu ambiente cultural imediato, mas também à influência da história cultural de seus ancestrais. Vemos que os ¨maus¨ instintos são transformados pelo erotismo, pela necessidade humana de amor e pela mistura dos componentes eróticos são transformados em sociais, então aprendemos a ser amados e a educação, que representa as reivindicações de nosso ambiente cultural, posteriormente continuadas pela pressão direta desse ambiente. A civilização foi alcançada através da renúncia à satisfação instintual, exigindo ela, por sua vez, a mesma renúncia de cada recém-chegado. No decorrer da vida de um indivíduo, há uma substituição constante da compulsão externa pela interna. As influências da civilização provocam, por uma mescla de elementos eróticos, uma sempre crescente formação das tendências egoístas em tendências altruístas e sociais. Outra parte dessa transformação instintual tem de ser realizada durante a vida do próprio indivíduo. Assim, o ser humano está sujeito não só à pressão de seu ambiente cultural imediato, mas também à influência da história cultural de seus ancestrais. Vemos que nos atos de guerra quando a transformação instintual não é realizada com sucesso, opera-se a barbárie, a traição, a violência, o estupro, a extorsão, a invasão, a tortura, o encarceramento e a privação, a crueldade e a fraude ou a corrupção, a lavagem cerebral, a despersonalização, o voyeurismo e a linguagem sexista, o ato obsceno, a lascívia, o atentado ao pudor, o estupro coletivo e o estupro virtual, inclusive o estupro virtual coletivo, o horror, o genocídio e o terror, a falsidade ideológica, o curandeirismo e o charlatanismo e o terror, a periclitação da vida e da saúde.
MATTANÓ
(13/02/2026)
ANATOMIA DA CRIAÇÃO (2026):
Talvez o SNC - Sistema Nervoso Central tenha neurônios capazes de responder de maneira especializada e assim de tal modo que responda de forma diferente ou aleatória e organizada, interconectada, como que selecionando estímulos e respostas para se adaptar de maneira adaptativa com os demais neurônios que estão excluídos deste processo ou evento determinado. Assim podemos ter neurônios que se adaptem e tenham o papel de efetuar o reforço, outros a punição, outros a generalização, outros a extinção, etc., outros a memória, outros as imagens, outros os movimentos das imagens e do corpo, outros as sensações e outros as percepções, etc.. Desta forma os neurônios investem nos estímulos mais produtivos e geram respostas que tendem a ser cada vez mais produtivas devido a evolução, seleção, competição e involução entre espécies e indivíduos. Desta produtividade origina-se a cognição e a inteligência comportamental, cognitiva, subconsciente e inconsciente.
MATTANÓ
(14/02/2026)
SOCIOLOGIA DA PRODUÇÃO (2026):
Para Mattanó o Estado deve investir em quem produz. E tornar produtivo todo aquele que não produz, pois o objetivo do Estado é formar uma economia através da geração e do acúmulo de riquezas, sem desperdícios de recursos, de tal modo que saiba distribuí-las sem perdê-las e sem distorcê-las, de modo que não gere e nem desenvolva transtornos e conflitos sociais, econômicos, políticos, administrativos, biológicos e psicológicos no seu meio ambiente, evitando perda de recursos, fome, pobreza, miséria e guerras, lutas, movimentos e protestos que apenas dispersam a sociedade do seu estado organizado e institucional, prejudicando o trabalho burocrático, que é o objetivo de toda Sociologia da Produção, pois esta mantêm e assegura a paz e a ordem institucional e social ou as fronteiras do seu trabalho que devem ser respeitadas, pois elas significam paz e segurança, equilíbrio e bem-estar geral, uma forma de Produção que não corrompe a máquina e nem a capital, o liberalismo ou o socialismo. Mas que assegura ao trabalhador uma identidade produtiva e geradora de riquezas, de patrimônio e de liberdade social, econômica, de consumo, de ideias, de ideais, de valores, de formação e de educação, de trabalho e de conquistas, num mundo que continua crescendo e se desenvolvendo, abandonando os muros da sua infância moral e social, ou da sua infância política e administrativa que fora regada pela própria vida recalcada e inconsciente, familiar, histórica, doméstica e infantil, porém agora superando estes muros e os guardiões destes muros infantis, nossos próprios pais e mães, representados por monstros ou autoridades que castram o povo impedindo o desenvolvimento de suas liberdades, ou seja, de suas vidas adultas e sadias, longe dos muros do passado. Esta é a Sociologia da Produção de Mattanó.
MATTANÓ
(14/02/2026)
Os impulsos instintuais de outras pessoas estão, naturalmente, ocultos à nossa observação. Inferimo-los de suas ações e de seu comportamento, remontando a motivos provenientes de sua vida instintual. Em muitos casos, essa inferência está fadada a ser errônea. Esta ou aquela ação, ‘boa’ do ponto de vista cultural, pode, num determinado caso, originar-se de um motivo ‘nobre’, e em outro, não. Os teóricos da ética classificam como ‘boas’ ações apenas as que resultam de bons impulsos; quanto às outras, recusam reconhecimento. No cômputo geral, porém, a sociedade, muito prática em suas finalidades, não fica perturbada por essa distinção; dá-se por satisfeita se um homem regula seu comportamento e suas ações pelos preceitos da civilização, pouco se preocupando com os seus motivos.
Aprendemos que a compulsão externa exercida sobre um ser humano por sua educação e por seu ambiente produz ulterior transformação no sentido do bem em sua vida instintual - um afastamento ulterior do egoísmo para o altruísmo. Esse, porém, não é o efeito regular ou necessário da compulsão externa. A educação e o ambiente não só oferecem benefícios no tocante ao amor, como também empregam outros tipos de incentivo, a saber, recompensas e punições. Dessa maneira, seu efeito pode vir a ser que uma pessoa sujeita à sua influência escolha comportar-se bem, no sentido cultural dessa expressão, embora nenhum enobrecimento do instinto, nenhuma transformação de inclinações egoístas em altruístas se tenham operado nela. O resultado será, grosso modo, o mesmo; só uma específica concatenação de circunstâncias revelará que um homem sempre age bem porque suas inclinações instintuais o compelem a isso, e que outro só é bom na medida em que, e enquanto, esse comportamento cultural for vantajoso para seus propósitos egoístas. Contudo, o conhecimento superficial de um indivíduo não nos permitirá distinguir entre esses dois casos, e decerto somos enganosamente levados por nosso otimismo a exagerar grosseiramente o número de seres humanos que têm sido transformados num sentido cultural.
A sociedade civilizada, que exige boa conduta e não se preocupa com a base instintual dessa conduta, conquistou assim a obediência de muitas pessoas que, para tanto, deixam de seguir suas próprias naturezas. Estimulada por esse êxito, a sociedade se permitiu o engano de tornar maximamente rigoroso o padrão moral, e assim forçou os seus membros a um alheamento ainda maior de sua disposição instintual. Conseqüentemente, eles estão sujeitos a uma incessante supressão do instinto, e a tensão resultante disso se trai nos mais notáveis fenômenos de reação e compensação. No domínio da sexualidade, onde é mais difícil realizar essa supressão, o resultado se manifesta nos fenômenos reativos das desordens neuróticas. Em outros lugares, é verdade que a pressão da civilização não traz em seu rastro quaisquer resultados patológicos, mas se revela em deformações do caráter e na perpétua presteza dos instintos inibidos em irromper, em qualquer oportunidade adequada, em proveito da satisfação. Qualquer um, compelido dessa forma a agir continuamente em conformidade com preceitos que não são a expressão de suas inclinações instintuais, está, psicologicamente falando, vivendo acima de seus meios, e pode objetivamente ser descrito como um hipócrita, esteja ou não claramente cônscio dessa incongruência. É inegável que nossa civilização contemporânea favorece, num grau extraordinário, a produção dessa forma de hipocrisia. Poder-se-ia dizer que ela está alicerçada nessa hipocrisia, e que teria de se submeter a modificações de grande alcance, caso as pessoas se comprometessem a viver em conformidade com a verdade psicológica. Assim, existem muito mais hipócritas culturais do que homens verdadeiramente civilizados - na realidade, trata-se de um ponto discutível saber se certo grau de hipocrisia cultural não é indispensável à manutenção da civilização, uma vez que a suscetibilidade à cultura, que até agora se organizou nas mentes dos homens dos nossos dias, talvez não se revele suficiente para essa tarefa. Por outro lado, a manutenção da civilização, mesmo numa base tão dúbia, fornece a perspectiva de, a cada nova geração, preparar o caminho para uma transformação de maior alcance do instinto, a qual será o veículo de uma civilização melhor.
Já podemos extrair um consolo desse exame: nossa mortificação e nossa penosa desilusão em virtude do comportamento incivilizado de nossos concidadãos do mundo durante a presente guerra foram injustificadas. Basearam-se numa ilusão a que havíamos cedido. Na realidade, nossos concidadãos não decaíram tanto quanto temíamos porque nunca subiram tanto quanto acreditávamos. O fato de a coletividade de indivíduos da humanidade, os povos e os Estados, terem mutuamente ab-rogado de suas restrições morais, naturalmente estimulou esses cidadãos individuais a se afastarem momentaneamente da constante pressão da civilização e a concederem uma satisfação temporária aos instintos que vinham mantendo sob pressão. Isso provavelmente não envolveu qualquer violação de sua moralidade relativa dentro de suas próprias nações.
Podemos, contudo, obter uma compreensão interna (insight) mais profunda na mudança acarretada pela guerra em nossos antigos compatriotas, e, ao mesmo tempo, ser advertidos a não cometer uma injustiça contra eles, pois o desenvolvimento da mente revela uma peculiaridade que não se acha presente em qualquer outro processo de desenvolvimento. Quando uma aldeia se transforma numa cidade, ou uma criança num homem, a aldeia e a criança ficam perdidas na cidade e no homem. Só a memória pode descobrir as antigas feições nesse novo quadro; e, de fato, os antigos materiais ou formas foram abandonados e substituídos por novos. O mesmo não ocorre com o desenvolvimento da mente. Aqui, pode-se descrever o estado de coisas, que não encontra termo algum de comparação, com a mera afirmativa de que, nesse caso, cada etapa anterior de desenvolvimento persiste ao lado da etapa posterior dela derivada; aqui, a sucessão também envolve a coexistência, embora toda a série de transformações tenha sido aplicada aos mesmos materiais. O estado mental anterior pode não ter-se manifestado durante anos; não obstante, está presente há tanto tempo, que poderá, em qualquer época, tornar-se novamente a modalidade de expressão das forças da mente, e na realidade a única, como se todos os desenvolvimentos posteriores tivessem sido anulados ou desfeitos. Essa extraordinária plasticidade dos desenvolvimentos mentais não se restringe ao que diz respeito à direção; pode ser descrita como uma capacidade especial para a involução - para a regressão -, de uma vez que pode muito bem acontecer que uma etapa posterior e mais elevada de desenvolvimento, tão logo abandonada, talvez não seja alcançada de novo. Contudo, as etapas primitivas sempre podem ser restabelecidas; a mente primitiva é, no sentido mais pleno desse termo, imperecível.
O que chamamos de doenças mentais inevitavelmente produz a impressão, no leigo, de que a vida intelectual e mental foi destruída. Na realidade, a destruição só se aplica a aquisições e desenvolvimentos ulteriores. A essência da doença mental reside num retorno a estados anteriores de vida afetiva e de funcionamento. Um excelente exemplo da plasticidade da vida mental é proporcionado pelo estado do sono, que todas as noites constitui a nossa meta. Desde que aprendemos a interpretar os sonhos, inclusive os mais absurdos e confusos, sabemos que sempre que vamos dormir nos despojamos de nossa moralidade arduamente conquistada como se fosse uma peça de vestuário, tornando a envergá-la na manhã seguinte. Esse desnudamento de nós mesmos, naturalmente, não é perigoso, já que ficamos paralisados, condenados à inatividade, pelo estado de sono. Apenas os sonhos nos podem informar a respeito da regressão de nossa vida emocional a uma das primeiras etapas de desenvolvimento. Por exemplo, é digno de nota que todos os nossos sonhos sejam regidos por motivos puramente egoísticos. Um de meus amigos ingleses apresentou essa tese numa reunião científica nos Estados Unidos da América, ao que uma senhora ali pressente observou que aquilo talvez fosse o caso na Áustria, mais podia asseverar, quanto a ela própria e a suas amigas, que elas eram altruístas inclusive em seus sonhos. Embora de raça inglesa, meu amigo, com base em sua própria experiência na análise de sonhos, foi obrigado a contradizer enfaticamente a senhora, declarando que, em seus sonhos, as magnânimas senhoras norte-americanas eram tão egoístas quanto as austríacas.
Assim, a transformação do instinto, em que se baseia nossa suscetibilidade à cultura, também poderá ser permanente ou temporariamente desfeita pelos impactos da vida. Sem dúvida, as influências da guerra se encontram entre as forças que podem provocar tal involução; dessa forma, não precisamos negar a suscetibilidade à cultura a todos que no momento se comportam de maneira incivilizada, e podemos prever que o enobrecimento dos seus instintos será restaurado em tempos mais pacíficos.
Existe, porém, em nossos concidadãos outro sintoma do mundo que talvez nos tenha deixado tão atônitos e chocados quanto a queda de suas alturas éticas que nos provocou tanta dor. O que tenho em mente é a falta de compreensão interna (insight) demonstrada pelos melhores intelectos, sua obstinação, sua inacessibilidade aos mais convincentes argumentos, e sua credulidade destituída de senso crítico para com as asserções mais discutíveis. Isso realmente apresenta um quadro lamentável e desejo dizer com toda ênfase que, quanto a esse aspecto, não sou de modo algum um partidário cego que só encontra todas as deficiências intelectuais apenas de um lado. Esse fenômeno é, no entanto, muito mais fácil de explicar e muito menos inquietador do que aquele que acabamos de considerar. Os estudiosos da natureza humana e os filósofos de há muito nos ensinaram que nos enganamos ao considerar nossa inteligência uma força independente e ao negligenciar sua dependência em relação à vida emocional. Nosso intelecto, segundo nos ensinam, só pode funcionar de maneira digna de confiança quando afastado das influências de fortes impulsos emocionais; do contrário, comporta-se simplesmente como um instrumento da vontade e fornece a inferência que a vontade exige. Assim, na opinião deles, os argumentos lógicos são impotentes contra os interesses afetivos; por isso, os debates apoiados por razões, na frase de Falstaff ‘tão abundantes quanto as amoras silvestres’, mostram-se tão infrutíferos no mundo dos interesses. A experiência psicanalítica, na medida do possível, tem confirmado ainda mais essa declaração. Diariamente, ela pode indicar que de repente as pessoas mais sagazes se comportam sem compreensão interna (insight), como se fossem imbecis, tão logo a compreensão interna (insight) necessária se defronta com uma resistência emocional, recuperando, porém, inteiramente a compreensão uma vez superada essa resistência. O aturdimento lógico que a presente guerra provocou em nossos concidadãos, não poucos dentre eles sendo o que há de melhor em sua espécie, constitui, portanto, um fenômeno secundário, uma conseqüência da excitação emocional, e está fadado, conforme esperamos, a desaparecer com ela.
Tendo assim, mais uma vez, chegado a compreender nossos concidadãos que agora se acham alienados de nós, suportaremos com muito maior facilidade o desapontamento que as nações, a coletividade de indivíduos da humanidade, nos causaram, pois nossas exigências em relação a eles devem ser muito mais modestas. Talvez estejam recapitulando o curso do desenvolvimento individual e, ainda hoje, representem etapas muito primitivas da organização e da formação de unidades mais elevadas. Corrobora isso o fato de, até agora, o fator educativo de uma compulsão externa no sentido da moralidade, cuja eficácia nos indivíduos foi por nós verificada, ser muito pouco discernível neles. Decerto, nutríramos a esperança de que a ampla comunidade de interesses estabelecida pelo comércio e pela produção constituiria o germe de tal compulsão, mas, aparentemente, as nações ainda obedecem a suas paixões muito mais prontamente do que a seus interesses. Estes lhes servem, na melhor das hipóteses, como racionalizações de suas paixões; elas exprimem seus interesses a fim de poderem apresentar razões para satisfazerem suas paixões. Sem dúvida, constituem mistério os motivos pelos quais, na coletividade de indivíduos, estes devem de fato desprezar-se, odiar-se e detestar-se mutuamente - cada nação contra outra nação -, inclusive em épocas de paz. Não posso dizer por que isso é assim. É algo como se, quando se trata de um grande número de pessoas, para não dizer milhões, todas as conquistas morais individuais fossem obliteradas, e só restassem as atitudes mentais mais primitivas, mais antigas e mais toscas. Talvez só etapas posteriores do desenvolvimento sejam capazes de efetuar alguma mudança nesse lamentável estado de coisas. Contudo, um pouco mais de veracidade e de honestidade por parte de todas as facções - nas relações dos homens uns com os outros, e entre eles e seus governantes - deve também aplainar o caminho para essa transformação.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que os impulsos instintuais de outras pessoas estão, naturalmente, ocultos à nossa observação. Inferimo-los de suas ações e de seu comportamento, remontando a motivos provenientes de sua vida instintual. Em muitos casos, essa inferência está fadada a ser errônea. Esta ou aquela ação, ‘boa’ do ponto de vista cultural, pode, num determinado caso, originar-se de um motivo ‘nobre’, e em outro, não. Os teóricos da ética classificam como ‘boas’ ações apenas as que resultam de bons impulsos; quanto às outras, recusam reconhecimento.
Aprendemos que a compulsão externa exercida sobre um ser humano por sua educação e por seu ambiente produz ulterior transformação no sentido do bem em sua vida instintual - um afastamento ulterior do egoísmo para o altruísmo. Esse, porém, não é o efeito regular ou necessário da compulsão externa. A educação e o ambiente não só oferecem benefícios no tocante ao amor, como também empregam outros tipos de incentivo, a saber, recompensas e punições.
A sociedade civilizada, que exige boa conduta e não se preocupa com a base instintual dessa conduta, conquistou assim a obediência de muitas pessoas que, para tanto, deixam de seguir suas próprias naturezas. Estimulada por esse êxito, a sociedade se permitiu o engano de tornar maximamente rigoroso o padrão moral, e assim forçou os seus membros a um alheamento ainda maior de sua disposição instintual. Conseqüentemente, eles estão sujeitos a uma incessante supressão do instinto, e a tensão resultante disso se trai nos mais notáveis fenômenos de reação e compensação. No domínio da sexualidade, onde é mais difícil realizar essa supressão, o resultado se manifesta nos fenômenos reativos das desordens neuróticas. A sociedade civilizada, que exige boa conduta e não se preocupa com a base instintual dessa conduta, conquistou assim a obediência de muitas pessoas que, para tanto, deixam de seguir suas próprias naturezas. Estimulada por esse êxito, a sociedade se permitiu o engano de tornar maximamente rigoroso o padrão moral, e assim forçou os seus membros a um alheamento ainda maior de sua disposição instintual. Conseqüentemente, eles estão sujeitos a uma incessante supressão do instinto, e a tensão resultante disso se trai nos mais notáveis fenômenos de reação e compensação. No domínio da sexualidade, onde é mais difícil realizar essa supressão, o resultado se manifesta nos fenômenos reativos das desordens neuróticas. Assim, existem muito mais hipócritas culturais do que homens verdadeiramente civilizados - na realidade, trata-se de um ponto discutível saber se certo grau de hipocrisia cultural não é indispensável à manutenção da civilização, uma vez que a suscetibilidade à cultura, que até agora se organizou nas mentes dos homens dos nossos dias, talvez não se revele suficiente para essa tarefa. Por outro lado, a manutenção da civilização, mesmo numa base tão dúbia, fornece a perspectiva de, a cada nova geração, preparar o caminho para uma transformação de maior alcance do instinto, a qual será o veículo de uma civilização melhor.
Quando uma aldeia se transforma numa cidade, ou uma criança num homem, a aldeia e a criança ficam perdidas na cidade e no homem. Só a memória pode descobrir as antigas feições nesse novo quadro; e, de fato, os antigos materiais ou formas foram abandonados e substituídos por novos. O mesmo não ocorre com o desenvolvimento da mente. Aqui, pode-se descrever o estado de coisas, que não encontra termo algum de comparação, com a mera afirmativa de que, nesse caso, cada etapa anterior de desenvolvimento persiste ao lado da etapa posterior dela derivada; aqui, a sucessão também envolve a coexistência, embora toda a série de transformações tenha sido aplicada aos mesmos materiais. O estado mental anterior pode não ter-se manifestado durante anos; não obstante, está presente há tanto tempo, que poderá, em qualquer época, tornar-se novamente a modalidade de expressão das forças da mente, e na realidade a única, como se todos os desenvolvimentos posteriores tivessem sido anulados ou desfeitos. Essa extraordinária plasticidade dos desenvolvimentos mentais não se restringe ao que diz respeito à direção; pode ser descrita como uma capacidade especial para a involução - para a regressão -, de uma vez que pode muito bem acontecer que uma etapa posterior e mais elevada de desenvolvimento, tão logo abandonada, talvez não seja alcançada de novo. Contudo, as etapas primitivas sempre podem ser restabelecidas; a mente primitiva é, no sentido mais pleno desse termo, imperecível.
O que chamamos de doenças mentais inevitavelmente produz a impressão, no leigo, de que a vida intelectual e mental foi destruída. Na realidade, a destruição só se aplica a aquisições e desenvolvimentos ulteriores. A essência da doença mental reside num retorno a estados anteriores de vida afetiva e de funcionamento. Um excelente exemplo da plasticidade da vida mental é proporcionado pelo estado do sono, que todas as noites constitui a nossa meta. Desde que aprendemos a interpretar os sonhos, inclusive os mais absurdos e confusos, sabemos que sempre que vamos dormir nos despojamos de nossa moralidade arduamente conquistada como se fosse uma peça de vestuário, tornando a envergá-la na manhã seguinte.
Assim, a transformação do instinto, em que se baseia nossa suscetibilidade à cultura, também poderá ser permanente ou temporariamente desfeita pelos impactos da vida. Sem dúvida, as influências da guerra se encontram entre as forças que podem provocar tal involução; dessa forma, não precisamos negar a suscetibilidade à cultura a todos que no momento se comportam de maneira incivilizada, e podemos prever que o enobrecimento dos seus instintos será restaurado em tempos mais pacíficos.
Existe, porém, em nossos concidadãos outro sintoma do mundo que talvez nos tenha deixado tão atônitos e chocados quanto a queda de suas alturas éticas que nos provocou tanta dor. O que tenho em mente é a falta de compreensão interna (insight) demonstrada pelos melhores intelectos, sua obstinação, sua inacessibilidade aos mais convincentes argumentos, e sua credulidade destituída de senso crítico para com as asserções mais discutíveis. Isso realmente apresenta um quadro lamentável e desejo dizer com toda ênfase que, quanto a esse aspecto, não sou de modo algum um partidário cego que só encontra todas as deficiências intelectuais apenas de um lado. Esse fenômeno é, no entanto, muito mais fácil de explicar e muito menos inquietador do que aquele que acabamos de considerar. Os estudiosos da natureza humana e os filósofos de há muito nos ensinaram que nos enganamos ao considerar nossa inteligência uma força independente e ao negligenciar sua dependência em relação à vida emocional. Nosso intelecto, segundo nos ensinam, só pode funcionar de maneira digna de confiança quando afastado das influências de fortes impulsos emocionais; do contrário, comporta-se simplesmente como um instrumento da vontade e fornece a inferência que a vontade exige.
Tendo assim, mais uma vez, chegado a compreender nossos concidadãos que agora se acham alienados de nós, suportaremos com muito maior facilidade o desapontamento que as nações, a coletividade de indivíduos da humanidade, nos causaram, pois nossas exigências em relação a eles devem ser muito mais modestas. Talvez estejam recapitulando o curso do desenvolvimento individual e, ainda hoje, representem etapas muito primitivas da organização e da formação de unidades mais elevadas. Corrobora isso o fato de, até agora, o fator educativo de uma compulsão externa no sentido da moralidade, cuja eficácia nos indivíduos foi por nós verificada, ser muito pouco discernível neles. Decerto, nutríramos a esperança de que a ampla comunidade de interesses estabelecida pelo comércio e pela produção constituiria o germe de tal compulsão, mas, aparentemente, as nações ainda obedecem a suas paixões muito mais prontamente do que a seus interesses. Estes lhes servem, na melhor das hipóteses, como racionalizações de suas paixões; elas exprimem seus interesses a fim de poderem apresentar razões para satisfazerem suas paixões. Sem dúvida, constituem mistério os motivos pelos quais, na coletividade de indivíduos, estes devem de fato desprezar-se, odiar-se e detestar-se mutuamente - cada nação contra outra nação -, inclusive em épocas de paz. Não posso dizer por que isso é assim. É algo como se, quando se trata de um grande número de pessoas, para não dizer milhões, todas as conquistas morais individuais fossem obliteradas, e só restassem as atitudes mentais mais primitivas, mais antigas e mais toscas. Talvez só etapas posteriores do desenvolvimento sejam capazes de efetuar alguma mudança nesse lamentável estado de coisas. Contudo, um pouco mais de veracidade e de honestidade por parte de todas as facções - nas relações dos homens uns com os outros, e entre eles e seus governantes - deve também aplainar o caminho para essa transformação.
Mattanó aponta que os impulsos instintuais de outras pessoas estão, naturalmente, ocultos à nossa observação. Inferimo-los de suas ações e de seu comportamento, remontando a motivos provenientes de sua vida instintual. Em muitos casos, essa inferência está fadada a ser errônea. Esta ou aquela ação, ‘boa’ do ponto de vista cultural, pode, num determinado caso, originar-se de um motivo ‘nobre’, e em outro, não. Os teóricos da ética classificam como ‘boas’ ações apenas as que resultam de bons impulsos; quanto às outras, recusam reconhecimento. Vemos que o que não testemunhamos naturalmente acabamos inferindo e essa atitude pode levar ao erro e criar o que os teóricos da ética chamam de ¨boas¨ ações para os bons impulsos, enquanto que as demais são rejeitadas, isto parte do ponto de vista cultural, pois depende da sua formação e da sua educação, da sua consciência, cultura, conhecimento e realidade.
Aprendemos que a compulsão externa exercida sobre um ser humano por sua educação e por seu ambiente produz ulterior transformação no sentido do bem em sua vida instintual - um afastamento ulterior do egoísmo para o altruísmo. Esse, porém, não é o efeito regular ou necessário da compulsão externa. A educação e o ambiente não só oferecem benefícios no tocante ao amor, como também empregam outros tipos de incentivo, a saber, recompensas e punições. Vemos que a educação e o meio ambiente são responsáveis pelo comportamento do indivíduo, pela sua cultura e pela sua formação, através da transformação da vida instintual por meio de recompensas e punições, ou seja, do condicionamento.
A sociedade civilizada, que exige boa conduta e não se preocupa com a base instintual dessa conduta, conquistou assim a obediência de muitas pessoas que, para tanto, deixam de seguir suas próprias naturezas. Estimulada por esse êxito, a sociedade se permitiu o engano de tornar maximamente rigoroso o padrão moral, e assim forçou os seus membros a um alheamento ainda maior de sua disposição instintual. Conseqüentemente, eles estão sujeitos a uma incessante supressão do instinto, e a tensão resultante disso se trai nos mais notáveis fenômenos de reação e compensação. No domínio da sexualidade, onde é mais difícil realizar essa supressão, o resultado se manifesta nos fenômenos reativos das desordens neuróticas. A sociedade civilizada, que exige boa conduta e não se preocupa com a base instintual dessa conduta, conquistou assim a obediência de muitas pessoas que, para tanto, deixam de seguir suas próprias naturezas. Estimulada por esse êxito, a sociedade se permitiu o engano de tornar maximamente rigoroso o padrão moral, e assim forçou os seus membros a um alheamento ainda maior de sua disposição instintual. Conseqüentemente, eles estão sujeitos a uma incessante supressão do instinto, e a tensão resultante disso se trai nos mais notáveis fenômenos de reação e compensação. No domínio da sexualidade, onde é mais difícil realizar essa supressão, o resultado se manifesta nos fenômenos reativos das desordens neuróticas. Assim, existem muito mais hipócritas culturais do que homens verdadeiramente civilizados - na realidade, trata-se de um ponto discutível saber se certo grau de hipocrisia cultural não é indispensável à manutenção da civilização, uma vez que a suscetibilidade à cultura, que até agora se organizou nas mentes dos homens dos nossos dias, talvez não se revele suficiente para essa tarefa. Por outro lado, a manutenção da civilização, mesmo numa base tão dúbia, fornece a perspectiva de, a cada nova geração, preparar o caminho para uma transformação de maior alcance do instinto, a qual será o veículo de uma civilização melhor. Vemos que a sociedade seleciona a cultura e a educação e nunca a vida instintual como forma de modelagem do seu comportamento e para que deixem de seguir suas naturezas, adotando rigoroso padrão moral que leva a supressão do instinto, a tensão leva a reação e a compensação, de forma que geram desordens neuróticas. Desta forma temos hipocrisias culturais de que temos homens verdadeiramente civilizados e temos homens que preparam o caminho para uma transformação de maior alcance através do instinto, para uma civilização melhor, capaz de não negar e nem negligenciar suas bases constitucionais que são puramente biológicas e filogenéticas e que a ontogênese e a cultura dependem da filogênese, assim como o mundo virtual, a espiritualidade, a vida e o universo.
Quando uma aldeia se transforma numa cidade, ou uma criança num homem, a aldeia e a criança ficam perdidas na cidade e no homem. Só a memória pode descobrir as antigas feições nesse novo quadro; e, de fato, os antigos materiais ou formas foram abandonados e substituídos por novos. O mesmo não ocorre com o desenvolvimento da mente. Aqui, pode-se descrever o estado de coisas, que não encontra termo algum de comparação, com a mera afirmativa de que, nesse caso, cada etapa anterior de desenvolvimento persiste ao lado da etapa posterior dela derivada; aqui, a sucessão também envolve a coexistência, embora toda a série de transformações tenha sido aplicada aos mesmos materiais. O estado mental anterior pode não ter-se manifestado durante anos; não obstante, está presente há tanto tempo, que poderá, em qualquer época, tornar-se novamente a modalidade de expressão das forças da mente, e na realidade a única, como se todos os desenvolvimentos posteriores tivessem sido anulados ou desfeitos. Essa extraordinária plasticidade dos desenvolvimentos mentais não se restringe ao que diz respeito à direção; pode ser descrita como uma capacidade especial para a involução - para a regressão -, de uma vez que pode muito bem acontecer que uma etapa posterior e mais elevada de desenvolvimento, tão logo abandonada, talvez não seja alcançada de novo. Contudo, as etapas primitivas sempre podem ser restabelecidas; a mente primitiva é, no sentido mais pleno desse termo, imperecível. Vemos que somos fruto de uma evolução, seleção, competição e involução que produz transformações como a regressão, a fixação e o desenvolvimento, contudo é através da regressão que testemunhamos o poder das etapas primitivas da mente que podem ser sempre restabelecidas, pois a mente primitiva é imperecível, seja ela individual ou coletiva.
O que chamamos de doenças mentais inevitavelmente produz a impressão, no leigo, de que a vida intelectual e mental foi destruída. Na realidade, a destruição só se aplica a aquisições e desenvolvimentos ulteriores. A essência da doença mental reside num retorno a estados anteriores de vida afetiva e de funcionamento. Um excelente exemplo da plasticidade da vida mental é proporcionado pelo estado do sono, que todas as noites constitui a nossa meta. Desde que aprendemos a interpretar os sonhos, inclusive os mais absurdos e confusos, sabemos que sempre que vamos dormir nos despojamos de nossa moralidade arduamente conquistada como se fosse uma peça de vestuário, tornando a envergá-la na manhã seguinte. Vemos que as doenças mentais podem dar a impressão de que a mente e a intelectualidade foram destruídas, mas não é isto o que acontece, pois o indivíduo doente mentalmente acaba regredindo para estados anteriores de sua vida afetiva e de funcionamento psíquico e sua mente e intelectualidade assumem esta forma. Vemos isto nos sonhos quando o indivíduo se despede de sua moralidade e mergulha num mundo confuso e absurdo que irá envergonhá-lo na manhã seguinte, aqui houve uma regressão.
Assim, a transformação do instinto, em que se baseia nossa suscetibilidade à cultura, também poderá ser permanente ou temporariamente desfeita pelos impactos da vida. Sem dúvida, as influências da guerra se encontram entre as forças que podem provocar tal involução; dessa forma, não precisamos negar a suscetibilidade à cultura a todos que no momento se comportam de maneira incivilizada, e podemos prever que o enobrecimento dos seus instintos será restaurado em tempos mais pacíficos. Vemos como o instinto se transforma perante à cultura e os seus impactos diante da vida, inclusive suas influências em tempos de guerras que podem provocar tal involução. Vemos que modos incivilizados podem ser restaurados em tempos mais pacíficos.
Existe, porém, em nossos concidadãos outro sintoma do mundo que talvez nos tenha deixado tão atônitos e chocados quanto a queda de suas alturas éticas que nos provocou tanta dor. O que tenho em mente é a falta de compreensão interna (insight) demonstrada pelos melhores intelectos, sua obstinação, sua inacessibilidade aos mais convincentes argumentos, e sua credulidade destituída de senso crítico para com as asserções mais discutíveis. Isso realmente apresenta um quadro lamentável e desejo dizer com toda ênfase que, quanto a esse aspecto, não sou de modo algum um partidário cego que só encontra todas as deficiências intelectuais apenas de um lado. Esse fenômeno é, no entanto, muito mais fácil de explicar e muito menos inquietador do que aquele que acabamos de considerar. Os estudiosos da natureza humana e os filósofos de há muito nos ensinaram que nos enganamos ao considerar nossa inteligência uma força independente e ao negligenciar sua dependência em relação à vida emocional. Nosso intelecto, segundo nos ensinam, só pode funcionar de maneira digna de confiança quando afastado das influências de fortes impulsos emocionais; do contrário, comporta-se simplesmente como um instrumento da vontade e fornece a inferência que a vontade exige. Vemos que a vida emocional age sobre o intelecto como um instrumento da vontade e fornece a inferência que a vontade exige, deste modo para um bom funcionamento do intelecto precisamos isolar os impulsos emocionais.
Tendo assim, mais uma vez, chegado a compreender nossos concidadãos que agora se acham alienados de nós, suportaremos com muito maior facilidade o desapontamento que as nações, a coletividade de indivíduos da humanidade, nos causaram, pois nossas exigências em relação a eles devem ser muito mais modestas. Talvez estejam recapitulando o curso do desenvolvimento individual e, ainda hoje, representem etapas muito primitivas da organização e da formação de unidades mais elevadas. Corrobora isso o fato de, até agora, o fator educativo de uma compulsão externa no sentido da moralidade, cuja eficácia nos indivíduos foi por nós verificada, ser muito pouco discernível neles. Decerto, nutríramos a esperança de que a ampla comunidade de interesses estabelecida pelo comércio e pela produção constituiria o germe de tal compulsão, mas, aparentemente, as nações ainda obedecem a suas paixões muito mais prontamente do que a seus interesses. Estes lhes servem, na melhor das hipóteses, como racionalizações de suas paixões; elas exprimem seus interesses a fim de poderem apresentar razões para satisfazerem suas paixões. Sem dúvida, constituem mistério os motivos pelos quais, na coletividade de indivíduos, estes devem de fato desprezar-se, odiar-se e detestar-se mutuamente - cada nação contra outra nação -, inclusive em épocas de paz. Não posso dizer por que isso é assim. É algo como se, quando se trata de um grande número de pessoas, para não dizer milhões, todas as conquistas morais individuais fossem obliteradas, e só restassem as atitudes mentais mais primitivas, mais antigas e mais toscas. Talvez só etapas posteriores do desenvolvimento sejam capazes de efetuar alguma mudança nesse lamentável estado de coisas. Contudo, um pouco mais de veracidade e de honestidade por parte de todas as facções - nas relações dos homens uns com os outros, e entre eles e seus governantes - deve também aplainar o caminho para essa transformação. Vemos que o desenvolvimento individual e coletivo representam etapas primitivas do desenvolvimento por meio da regressão, o fator educativo e a moralidade são aspectos culturais que o Homo Sapiens cria e desenvolve para desenvolver seus instintos, de tal forma que cria o comércio, as paixões e demais interesses que lhe servem para racionalizar suas paixões, sem dúvida alguma explicam o porque que as nações se detestam umas das outras, inclusive em tempos de paz, exprimindo atitudes primitivas, antigas e toscas, onde apenas etapas posteriores do desenvolvimento possam ser capazes de realizar mudanças nesse cenário lamentável, onde as relações sociais, institucionais e políticas deveriam ditar o rumo destas mudanças e não a afirmação de que o mundo sempre foi e será ou continuará sendo assim, por causa da cultura, da formação e da educação dos nossos eleitores e governantes.
MATTANÓ
(16/02/2026)
TEORIA DA MENTE SEGUNDO MATTANÓ (2026):
A mente é o invólucro dos órgãos e sistemas do nosso organismo, da sua funcionalidade, ou seja, da sua razão de ser. Assim a mente é como a pele que reveste o corpo, ela reveste o DNA das pedras do espaço; ela é como o coração que bombeia o sangue para o corpo, ela transmite comandos e conteúdos para todo o corpo; ela é como os pulmões que fazem a oxigenação do organismo, ela faz a ¨limpeza de chaminé¨ ou a psicoterapia individual e coletiva; ela é como os rins que filtram o sangue de suas impurezas, ela faz a separação do conteúdo bom do conteúdo doentio do nosso comportamento e do nosso inconsciente; ela é como o pâncreas que faz a transformação da glicose em energia, ela faz o inconsciente se transformar em comportamento, em motivação; ela é como o fígado que faz o metabolismo, ela faz o processamento dos conteúdos do inconsciente, consciente, pré-consciente e subconsciente se tornarem elaborados; ela é como o estômago que faz a digestão dos alimentos, ela faz a transformação dos seus conteúdos, relações sociais, gestalts e insights, sonhos e paranormalidade; ela é como o intestinto que faz a absorção e a evacuação dos dejetos, ela faz a compreensão por meio da assimilação e da acomodação ou da cognição dos conteúdos processados em seu interior, pela internalização, e depois os transforma em resposta intelectual, afetiva, social ou motora.
MATTANÓ
(16/02/2026)
ANÁLISE DE SONHO (2026):
¨Eu sonhei que estava com calor no rosto e que podia me comunicar com um observador externo que me manipulava e estimulava, ao meu rosto, com seu comportamento verbal telepático, que eu decodificava e respondia no mesmo momento, me adaptando, como se fosse uma resposta homeostática do meu inconsciente, porém uma resposta homeostática consciente, onde o calor no meu rosto se transformou numa imagem colorida como uma palavra em inglês que representava ¨febre¨, mas não era ¨fever¨, a imagem era amarela, laranja a vermelha, e o observador externo atuou com uma voz que falou de maneira telepática, que eu decodificava e respondia codificando respostas, me adaptando a estimulação de calor com meu sonho de forma consciente e inconsciente.¨
ANÁLISE
Este sonho comprova que o inconsciente é capaz de analisar e interpretar a realidade por meio de regras ou padrões que conhecemos e julgamos ser, conscientes, mas que na realidade podem ser apenas regras ou contingências dos resíduos do dia.
Osny Mattanó Júnior
Londrina, 16 de fevereiro de 2026.2.16
MATTANÓ
(16/02/2026)
II - NOSSA ATITUDE PARA COM A MORTE
O segundo fator ao qual atribuo nosso atual sentimento de alheamento deste mundo outrora belo e conveniente é a perturbação que ocorreu na atitude que, até o momento, adotamos em relação à morte.
Essa atitude estava longe de ser direta. A qualquer um que nos desse ouvidos nos mostrávamos, naturalmente, preparados para sustentar que a morte era o resultado necessário da vida, que cada um deve à natureza uma morte e deve esperar pagar a dívida - em suma, que a morte era natural, inegável e inevitável. Na realidade, contudo, estávamos habituados a nos comportar como se fosse diferente. Revelávamos uma tendência inegável para pôr a morte de lado, para eliminá-la da vida. Tentávamos silenciá-la; na realidade, dispomos até mesmo de um provérbio [em alemão]: ‘pensar em alguma coisa como se fosse a morte’. Isto é, como se fosse nossa própria morte, naturalmente. De fato, é impossível imaginar nossa própria morte e, sempre que tentamos fazê-lo, podemos perceber que ainda estamos presentes como espectadores. Por isso, a escola psicanalítica pôde aventurar-se a afirmar que no fundo ninguém crê em sua própria morte, ou, dizendo a mesma coisa de outra maneira, que no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade.
Quando se trata da morte de outrem, o homem civilizado cuidadosamente evita falar de tal possibilidade no campo auditivo da pessoa condenada. Apenas as crianças desprezam essa restrição e desembaraçadamente se ameaçam uma às outras com a possibilidade de morrer, chegando inclusive ao ponto de fazer a mesma coisa com alguém que amam, como, por exemplo: ‘Querida mãezinha, quando você morrer eu farei isso ou aquilo’. Dificilmente o adulto civilizado sequer pode alimentar o pensamento da morte de outra pessoa, sem parecer diante de seus próprios olhos empedernido ou malvado; a menos que, naturalmente, como médico ou advogado ou algo assim, tenha de lidar com a morte em caráter profissional. Menos ainda ele se permitirá pensar na morte de outra pessoa se algum proveito em termos de liberdade, propriedade ou posição estiver ligado a ela. Essa nossa sensibilidade não impede, naturalmente, a ocorrência de mortes; quando uma de fato acontece, ficamos sempre profundamente atingidos e é como se fôssemos muito abalados em nossas expectativas. Nosso hábito é dar ênfase à causação fortuita da morte - acidente, doença, infecção, idade avançada; dessa forma, traímos um esforço para reduzir a morte de uma necessidade para um fato fortuito. Grande número de mortes simultâneas nos atinge como algo extremamente terrível. Para com a pessoa que morreu, adotamos uma atitude especial - algo próximo da admiração por alguém que realizou uma tarefa muito difícil. Deixamos de criticá-la, negligenciamos suas possíveis más ações, declaramos que ‘de mortuis nil nisi bonum‘, e julgamos justificável realçar tudo o que seja de mais favorável à sua lembrança na oração fúnebre e sobre a lápide tumular. A consideração pelos mortos, que, afinal de contas, não mais necessitam dela, é mais importante para nós do que a verdade, e certamente, para a maioria de nós, do que a consideração pelos vivos.
O complemento a essa atitude cultural e convencional para com a morte é proporcionado por nosso completo colapso quando a morte abate alguém que amamos - um progenitor ou um cônjuge, um irmão ou irmã, um filho ou um amigo íntimo. Nossas esperanças, nossos desejos e nossos prazeres jazem no túmulo com essa pessoa, nada nos consola, nada preenche o vazio deixado pelo ente perdido. Comportamo-nos como se fôssemos um dos Asra, que morrem quando aqueles que eles amam também morrem. Mas essa nossa atitude para com a morte exerce poderoso efeito sobre nossas vidas. A vida empobrece, perde em interesse, quando a mais alta aposta no jogo da vida, a própria vida, não pode ser arriscada. Torna-se tão chã e vazia como, digamos, um flerte nos Estados Unidos da América, no qual desde o início fica compreendido que nada irá acontecer, em contraste com um caso amoroso na Europa, no qual ambas as partes constantemente devem ter em mente suas sérias conseqüências. Nossos laços emocionais, a insuportável intensidade de nosso pesar, nos desestimulam a cortejar o perigo para nós mesmos e para aqueles que nos pertencem. Inúmeros empreendimentos, perigosos mas de fato indispensáveis, tais como tentativas de vôo artificial, expedições a países distantes ou experiências com substâncias explosivas, nem sequer chegam a ser considerados. Ficamos paralisados pelo pensamento de quem irá substituir o filho junto à mãe, o marido junto à esposa, o pai junto aos filhos, se sobrevier um desastre. Assim, a tendência de excluir a morte de nossos projetos de vida traz em seu rastro muitas outras renúncias e exclusões. No entanto, o lema da Liga Hanseática dizia: ‘Navigare necesse est, vivere, non necesse’ (‘Navegar é preciso, viver não é preciso.’)
Constitui resultado inevitável de tudo isso que passamos a procurar no mundo da ficção, na literatura e no teatro a compensação pelo que se perdeu na vida. Ali encontraremos pessoas que sabem morrer - que conseguem inclusive matar alguém. Também só ali pode ser preenchida a condição que possibilita nossa reconciliação com a morte: a saber, que por detrás de todas as vicissitudes da vida devemos ainda ser capazes de preservar intacta uma vida, pois é realmente muito triste que tudo na vida deva ser como num jogo de xadrez, onde um movimento em falso pode forçar-nos a desistir dele, com a diferença, porém, de que não podemos começar uma segunda partida, uma revanche. No domínio da ficção, encontramos a pluralidade de vidas de que necessitamos. Morremos com o herói com o qual nos identificamos; contudo, sobrevivemos a ele, e estamos prontos a morrer novamente, desde que com a mesma segurança, com outro herói.
É evidente que a guerra está fadada a varrer esse tratamento convencional da morte. Esta não mais será negada; somos forçados a acreditar nela. As pessoas realmente morrem, e não mais uma a uma, porém muitas, freqüentemente dezenas de milhares, num único dia. E a morte não é mais um acontecimento fortuito. Certamente, ainda parece uma questão de acaso o fato de uma bala atingir esse ou aquele homem, mas uma segunda bala pode muito bem atingir o sobrevivente; e o acúmulo de mortes põe um termo à impressão de acaso. A vida, na realidade, tornou-se interessante novamente; recuperou seu pleno conteúdo.
Deve-se estabelecer aqui uma distinção entre dois grupos - os que arriscam suas vidas no campo de batalha e os que permanecem em casa, tendo apenas de esperar pela perda de seus entes queridos por ferimentos, moléstia ou infecção. Seria muito interessante, sem dúvida, estudar as modificações na psicologia dos combatentes, mas sei muito pouco a esse respeito. Devemos restringir-nos ao segundo grupo, ao qual nós próprios pertencemos. Já tive ocasião de dizer que em minha opinião o aturdimento e a paralisia de capacidade de que sofremos são essencialmente determinados, entre outras coisas, pela circunstância de que somos incapazes de manter nossa atitude anterior em relação à morte, não tendo encontrado, ainda, uma nova. Talvez nos sirva de ajuda proceder dessa forma, se dirigirmos nossa indagação psicológica no sentido de duas outras relações com a morte - a que podemos atribuir aos homens primevos, pré-históricos, e a que ainda existe em cada um de nós, mas que se oculta, invisível à consciência, nas camadas mais profundas de nossa vida mental.
Naturalmente, só podemos saber qual era a atitude do homem pré-histórico para com a morte por meio de inferências e interpretações; creio, porém, que esses métodos nos têm proporcionado conclusões mais ou menos dignas de confiança.
O homem primevo assumia uma atitude notável em relação à morte. Longe de ser coerente, era, na realidade, altamente contraditória. Por um lado, encarava a morte seriamente, reconhecia-a como o término da vida, utilizando-a nesse sentido; por outro, também negava a morte e a reduzia a nada. Essa contradição surgia do fato de que ele assumia atitudes radicalmente diferentes para com a morte de outras pessoas, de estranhos, de inimigos, e para com sua própria morte. Não fazia qualquer objeção à morte de outrem; ela significava o aniquilamento de alguém que ele odiava, e o homem primitivo não tinha quaisquer escrúpulos em ocasioná-lo. Era, sem dúvida, uma criatura muito impulsiva e mais cruel e maligna do que outros animais. Gostava de matar, e fazia isso como uma coisa natural. O instinto que, segundo se diz, refreia outros animais de matar e de devorar sua própria espécie, não precisa ser atribuído a ele.
Por isso, a história primeva da humanidade está repleta de assassinatos. Mesmo hoje, a história do mundo que nossos filhos aprendem na escola é essencialmente uma série de assassinatos de povos. O obscuro sentimento de culpa ao qual a humanidade tem estado sujeita desde épocas pré-históricas e que, em algumas religiões, foi condensado na doutrina da culpa primeva, do pecado original, é provavelmente o resultado de uma culpa de homicídio em que teria incorrido o homem pré-histórico. Em meu livro Totem e Tabu (1912-13) tentei, seguindo pistas fornecidas por Robertson Smith, Atkinson e Charles Darwin, adivinhar a natureza dessa culpa primeva, e creio, também, que a doutrina cristã de nossos dias nos permite deduzi-la. Se o Filho de Deus foi obrigado a sacrificar sua vida para redimir a humanidade do pecado original, então, pela lei de talião, dente por dente, olho por olho, aquele pecado deve ter sido uma morte, um assassinato. Nada mais poderia exigir o sacrifício de uma vida para a sua expiação. E, se o pecado original foi uma ofensa contra Deus Pai, o crime primevo da humanidade deve ter sido um parricídio, a morte do pai primevo da horda humana primitiva, cuja imagem mnêmica foi depois transfigurada numa deidade.
Para o homem primevo, sua própria morte era certamente tão inimaginável e irreal quanto o é para qualquer um de nós hoje em dia. No entanto, no seu caso, uma circunstância fez com que as duas atitudes opostas para com a morte colidissem e entrassem em conflito uma com a outra, circunstância essa que se tornou altamente importante, produzindo conseqüências de longo alcance. Ocorreu quando o homem primevo viu morrer alguém que lhe pertencia - a esposa, o filho, o amigo - a quem indubitavelmente ele amava como amamos os nossos, já que o amor não pode ser muito mais jovem do que a volúpia de matar. Então, em sua dor, foi forçado a aprender que cada um de nós pode morrer, e todo o seu ser revoltou-se contra a admissão desse fato, pois cada um desses antes amados era, afinal de contas, uma parte de seu próprio eu amado. Por outro lado, porém, mortes como essas também o agradavam, de uma vez que em cada uma das pessoas amadas havia também alguma coisa de estranho. A lei de ambivalência do sentimento, que até hoje rege nossas relações emocionais com aqueles a quem mais amamos, por certo tinha uma validade muito mais ampla nos tempos primevos. Assim, esses mortos amados também tinham sido inimigos e estranhos que haviam despertado nele certo grau de sentimento hostil.
Os filósofos declararam que o enigma intelectual apresentado ao homem primevo pelo quadro da morte forçou-o à reflexão, tornando-se assim o ponto de partida de toda especulação. Acho que aqui os filósofos estão pensando filosoficamente demais e concedendo pouquíssima consideração aos motivos que eram primordialmente operativos. Gostaria, portanto, de limitar e corrigir sua asserção. Em minha opinião, o homem primevo deve ter exultado ao lado do corpo de seu inimigo assassinado, sem ser levado a dar tratos à bola sobre o enigma da vida e da morte. O que liberou o espírito de indagação no homem não foi o enigma intelectual, e nem qualquer morte, mas o conflito de sentimento quando da morte de pessoas amadas e, contudo, estranhas e odiadas. A psicologia foi o primeiro rebento desse conflito de sentimento. O homem já não podia manter a morte à distância, pois a havia provado em sua dor pelos mortos; não obstante, não estava disposto a reconhecê-la, porquanto não podia conceber-se a si próprio como morto. Assim, idealizou um meio-termo; admitiu também o fato de sua própria morte, negando-lhe porém, o significado de aniquilamento - significado que ele não tivera motivo para negar no que dizia respeito à morte de seu inimigo. Foi ao lado do cadáver de alguém amado por ele que inventou os espíritos, e seu sentimento de culpa pela satisfação mesclado à sua tristeza transformou esses espíritos recém-nascidos em demônios maus que tinham de ser temidos. As modificações [físicas] acarretadas pela morte lhe sugeriram a divisão do indivíduo em corpo e alma - originalmente várias almas. Dessa maneira, seu encadeamento de pensamento corria paralelo ao processo de desintegração que sobrevém com a morte. Sua persistente lembrança dos mortos tornou-se a base para a suposição de outras formas de existência, fornecendo-lhe a concepção de uma vida que continua após morte aparente.
De início, essas existências subseqüentes não passavam de apêndices à existência à qual a morte pusera termo - sombrias, vazias de conteúdo e de pouca valia até épocas ulteriores; traziam, ainda, o caráter de desventurados artifícios. Podemos relembrar a resposta dada a Ulisses pela alma de Aquiles:
‘Pois desde outrora, quando estavas vivo, nós os argivos te honrávamos mesmo como a um deus, e agora que estás aqui, governas soberanamente sobre os mortos. Portanto, não lamentes absolutamente estares morto, Aquiles.’
Assim falei, e ele imediatamente respondeu, dizendo: ‘Não, não procures falar-me brandamente da morte, glorioso Ulisses. Eu escolheria, para que pudesse viver na terra, antes ser o servo de outrem, de algum homem sem fortuna cujos recursos fossem os mais parcos, do que ser o senhor de todos os mortos que pereceram.’
Ou na poderosa e amarga paródia de Heine:
Der Kleinste lebendige PhilisterZu Stuckert am NeckarViel glücklicher ist erAls ich, der Pelide, der tote Held,Der Schattenfürst in der Unterwelt.
Só mais tarde as religiões conseguiram representar essa vida futura como a mais desejável, a única verdadeiramente válida, a reduzir a vida que termina com a morte a uma mera preparação. Depois disso, passou a ser apenas coerente estender a vida para trás até o passado, elaborar a noção de existências pretéritas, da transmigração das almas e da reencarnação, tudo com a finalidade de despojar a morte do seu significado de término da vida. Assim, a origem da negação da morte, que descrevemos [ver em [1]] como uma ‘atitude convencional e cultural’, remonta aos tempos mais antigos.
Ao lado do corpo sem vida do ente amado, passou a existir não só a doutrina da alma, a crença na imortalidade e uma poderosa fonte de sentimento de culpa do homem, mas também os primeiros mandamentos éticos. A primeira e mais importante proibição feita pela consciência que despertava foi: ‘Não matarás’. Surgiu em relação a pessoas mortas que eram amadas, como uma reação contra a satisfação do ódio que se ocultava sob o pesar, estendendo-se gradativamente a estranhos que não eram amados e, finalmente, até mesmo a inimigos.
Essa extensão final do mandamento já não é experimentada pelo homem civilizado. Quando a furiosa luta da guerra atual for decidida, cada um dos combatentes vitoriosos retornará alegremente à pátria, para sua esposa e seus filhos, sem ser questionado nem perturbado por pensamentos sobre os inimigos que, quer de perto, quer de longe, matou. É digno de nota que as raças primitivas que ainda sobrevivem no mundo, e que indubitavelmente se acham mais próximas do que nós do homem primevo, agem de modo diferente em relação a isso, ou pelo menos agiam até ficarem sob a influência de nossa civilização. Selvagens - australianos, boximanes, fueguinos - estão longe de ser assassinos implacáveis; quando voltam vitoriosos da guerra não pisam em suas aldeias nem tocam em suas esposas até que tenham expiado os assassinatos que perpetraram na guerra por penitências, quase sempre longas e tediosas. É fácil, naturalmente, atribuir isso à sua superstição: o selvagem ainda teme os espíritos vingativos dos assassinados. Mas os espíritos de seus inimigos mortos nada mais são do que a expressão de sua consciência pesada por causa de sua culpa de homicídio; por detrás dessa superstição jaz oculta uma veia de sensibilidade ética que foi perdida por nós, homens civilizados.
Sem dúvida, as almas piedosas, que gostariam de crer que nossa natureza está distanciada de qualquer contato com o que é mau e degradante, não deixarão de utilizar o aparecimento e a premência iniciais da proibição contra o assassinato como a base para conclusões gratificantes quanto à força dos impulsos éticos que devem ter sido implantados em nós. Infelizmente, esse argumento fortalece ainda mais o ponto de vista oposto. Uma proibição tão poderosa só pode ser dirigida contra um impulso igualmente poderoso. O que nenhuma alma humana deseja não precisa de proibição; é excluído automaticamente. A própria ênfase dada ao mandamento ‘Não matarás’ nos assegura que brotamos de uma série interminável de gerações de assassinos, que tinham a sede de matar em seu sangue, como, talvez, nós próprios tenhamos hoje. Os esforços éticos da humanidade, cuja força e significância não precisamos absolutamente depreciar, foram adquiridos no curso da história do homem; desde então se tornaram, embora infelizmente apenas em grau variável, o patrimônio herdado pelos homens contemporâneos.
Deixemos agora o homem primevo, e passemos para o inconsciente em nossa própria vida mental. Aqui dependemos inteiramente do método psicanalítico de investigação, o único que atinge tais profundezas. Qual, perguntamos, é a atitude do nosso inconsciente para com o problema da morte? A resposta deve ser: quase exatamente a mesma que a do homem primevo. Nesse ponto, como em muitos outros, o homem das épocas pré-históricas sobrevive inalterado em nosso inconsciente. Nosso inconsciente, portanto, não crê em sua própria morte; comporta-se como se fosse imortal. O que chamamos de nosso ‘inconsciente’ - as camadas mais profundas de nossas mentes, compostas de impulsos instintuais - desconhece tudo o que é negativo e toda e qualquer negação; nele as contradições coincidem. Por esse motivo, não conhece sua própria morte, pois a isso só podemos dar um conteúdo negativo. Assim, não existe nada de instintual em nós que reaja a uma crença na morte. Talvez, inclusive, isso seja o segredo do heroísmo. Os fundamentos racionais do heroísmo repousam num juízo segundo o qual a própria vida do indivíduo não pode ser tão preciosa quanto certos bens abstratos e gerais. Em minha opinião, porém, é muito mais freqüente o heroísmo instintivo e impulsivo que desconhece tais razões e zomba do perigo, no mesmo espírito do Steinklopferhans de Anzengruber: ‘Nada pode acontecer a mim.’ Ou então, aquelas razões servem apenas para dissipar as hesitações que poderiam tolher a reação heróica que corresponde ao inconsciente. O medo da morte, que nos domina com mais freqüência do que pensamos, é, por outro lado, algo secundário e, via de regra, o resultado de um sentimento de culpa.
Por outro lado, admitimos a morte para estranhos e inimigos, destinando-os a ela tão prontamente e tão sem hesitação quanto o homem primitivo. Aqui, é verdade, há uma distinção que será declarada decisiva no que diz respeito à vida real. Nosso inconsciente não executa o ato de matar; ele simplesmente o pensa e o deseja. Mas seria completamente errado subestimar essa realidade psíquica quando posta em confronto com a realidade factual. Ela é bastante importante e grave. Em nossos impulsos inconscientes, diariamente e a todas as horas, nos livramos de alguém que nos atrapalha, de alguém que nos ofendeu ou nos prejudicou. A expressão ‘Que o Diabo o carregue!’, que tantas vezes o aflora aos lábios das pessoas em tom de brincadeira e que, na realidade, significa ‘Que a morte o carregue!’, é em nosso inconsciente um sério e poderoso desejo de morte. De fato, nosso inconsciente assassinará até mesmo por motivos insignificantes; como o antigo ateniense de Drácon, ele não conhece outra punição para o crime a não ser a morte. E isso mostra certa coerência, já que cada agravo a nosso ego todo-poderoso e autocrático é, no fundo, um crime de lesa-majestade.
Destarte, caso sejamos julgados por nossos impulsos inconscientes impregnados de desejo, nós próprios seremos, como o homem primevo, uma malta de assassinos. Ainda bem que nem todos esses desejos possuem a potência que lhes era atribuída nos tempos primevos; no fogo cruzado dos vitupérios mútuos, a humanidade de há muito teria perdido, e com ela os melhores e mais sábios homens, e as mais formosas e belas mulheres.
Em geral, a psicanálise não encontra crédito entre os leigos para afirmações como essas. Rejeitam-nas como calúnias que são refutadas pela experiência consciente, e prontamente desprezam os fracos indícios pelos quais até mesmo o inconsciente está inclinado a trair-se à consciência. É, portanto, pertinente ressaltar que muitos pensadores, que não poderiam ter sido influenciados pela psicanálise, acusaram de modo muito bem definido nossos pensamentos não-expressos de estarem prontos, não obstante a proibição contra o assassinato, para livrar-se de qualquer coisa que nos atrapalha. Dentre os muitos exemplos desse tipo escolherei um que se tornou famoso:
Em Le Père Gariot, Balzac faz alusão a um trecho das obras de J. J. Rousseau onde o escritor pergunta ao leitor o que ele faria se - sem deixar Paris e, obviamente, sem ser descoberto - pudesse matar, com grande lucro para si, um velho mandarim em Pequim por um mero ato de vontade. Rousseau dá a entender que não daria grande coisa pela vida daquele dignitário. ‘Tuer son mandarim‘ tornou-se uma frase proverbial para essa disposição secreta, presente inclusive no homem moderno.
Existe também grande número de chistes e anedotas cínicas que revelam a mesma tendência - como, por exemplo, as palavras atribuídas a um marido: ‘Se um de nós dois morrer, eu me mudarei para Paris.’ Esses chistes cínicos não seriam possíveis a menos que encerrassem uma verdade não reconhecida que não poderia ser admitida se fosse expressa seriamente e sem disfarce. Até mesmo na brincadeira - coisa bem sabida - pode-se dizer a verdade.
Da mesma forma que para o homem primevo, também para nosso inconsciente há um caso em que as duas atitudes opostas para com a morte, aquela que a reconhece como sendo a extinção da vida, e aquela que a nega porque irreal, se chocam e entram em conflito. Esse caso é idêntico ao das eras primevas: a morte, ou o risco de morte, de alguém que amamos, pai ou mãe, esposo ou esposa, irmão ou irmã, filho ou amigo dileto. Esses seres amados constituem, por um lado, uma posse interna, componentes de nosso próprio ego; por outro, contudo, são parcialmente estranhos, até mesmo inimigos. À exceção de apenas pouquíssimas situações, adere à mais terna e à mais íntima de nossas relações amorosas uma pequena parcela de hostilidade que pode excitar um desejo de morte inconsciente. No entanto, esse conflito devido à ambivalência não conduz agora, como o fazia então, à doutrina da alma e à ética, mas à neurose, que nos proporciona uma profunda compreensão interna (insight) também da vida mental normal. Não poucas vezes médicos que praticam a psicanálise tiveram de lidar com o sintoma de uma preocupação exagerada pelo bem-estar de parentes, ou com auto-recriminações inteiramente infundadas após a morte de uma pessoa amada. O estudo de tais fenômenos não deixou qualquer dúvida quanto à extensão e à importância dos desejos de morte inconscientes.
O leigo sente um horror extraordinário diante da possibilidade de tais sentimentos e toma essa aversão como legítimo fundamento para descrer das asserções da psicanálise. Erroneamente, penso eu. Não se pretende aqui uma depreciação dos sentimentos de amor, depreciação que de fato não existe. Realmente, é estranho tanto à nossa inteligência quanto a nossos sentimentos aliar assim o amor ao ódio; mas a Natureza, fazendo uso desse par de opostos, consegue manter o amor sempre vigilante e renovado, a fim de protegê-lo contra o ódio que jaz, à espreita, por detrás dele. Poder-se-ia dizer que devemos as mais belas florações de nosso amor à reação contra o impulso hostil que sentimos dentro de nós.
Em suma: nosso inconsciente é tão inacessível à idéia de nossa própria morte, tão inclinado ao assassinato em relação a estranhos, tão dividido (isto é, ambivalente) para com aqueles que amamos, como era o homem primevo. Contudo, como nos distanciamos desse estado primevo em nossa atitude convencional e cultural para com a morte!
É fácil ver como a guerra se choca com essa dicotomia. Ela nos despoja dos acréscimos ulteriores da civilização e põe a nu o homem primevo que existe em cada um de nós. Compele-nos mais uma vez a sermos heróis que não podem crer em sua própria morte; estigmatiza os estranhos como inimigos, cuja morte deve ser provocada ou desejada; diz-nos que desprezemos a morte daqueles que amamos. A guerra, porém, não pode ser abolida; enquanto as condições de existência entre as nações continuarem tão diferentes e sua repulsa mútua tão violenta, sempre haverá guerras. É então que surge a pergunta: Não somos nós que devemos ceder, que nos devemos adaptar à guerra? Não devemos confessar que em nossa atitude civilizada para com a morte estamos mais uma vez vivendo psicologicamente acima de nossos meios, e não devemos, antes, voltar atrás e reconhecer a verdade? Não seria melhor dar à morte o lugar na realidade e em nossos pensamentos que lhe é devido, e dar um pouco mais de proeminência à atitude inconsciente para com a morte, que, até agora, tão cuidadosamente suprimimos? Isso dificilmente parece um progresso no sentido de uma realização mais elevada, mas antes, sob certos aspectos, um passo atrás - uma regressão; mas tem a vantagem de levar mais em conta a verdade e de novamente tornar a vida mais tolerável para nós. Tolerar a vida continua a ser, afinal de contas, o primeiro dever de todos os seres vivos. A ilusão perderá todo o seu valor, se tornar isso mais difícil para nós.
Lembramo-nos do velho ditado: Si vis pacem, para bellum. Se queres preservar a paz, prepara-te para a guerra.
Estaria de acordo com o tempo em que vivemos alterá-lo para: Si vis vitam, para mortem. Se queres suportar a vida, preparar-te para a morte.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o segundo fator ao qual atribuo nosso atual sentimento de alheamento deste mundo outrora belo e conveniente é a perturbação que ocorreu na atitude que, até o momento, adotamos em relação à morte.
A escola psicanalítica pôde aventurar-se a afirmar que no fundo ninguém crê em sua própria morte, ou, dizendo a mesma coisa de outra maneira, que no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade.
Quando se trata da morte de outrem, o homem civilizado cuidadosamente evita falar de tal possibilidade no campo auditivo da pessoa condenada. Apenas as crianças desprezam essa restrição e desembaraçadamente se ameaçam uma às outras com a possibilidade de morrer, chegando inclusive ao ponto de fazer a mesma coisa com alguém que amam. A consideração pelos mortos, que, afinal de contas, não mais necessitam dela, é mais importante para nós do que a verdade, e certamente, para a maioria de nós, do que a consideração pelos vivos.
O complemento a essa atitude cultural e convencional para com a morte é proporcionado por nosso completo colapso quando a morte abate alguém que amamos - um progenitor ou um cônjuge, um irmão ou irmã, um filho ou um amigo íntimo. Nossas esperanças, nossos desejos e nossos prazeres jazem no túmulo com essa pessoa, nada nos consola, nada preenche o vazio deixado pelo ente perdido.
Constitui resultado inevitável de tudo isso que passamos a procurar no mundo da ficção, na literatura e no teatro a compensação pelo que se perdeu na vida. Ali encontraremos pessoas que sabem morrer - que conseguem inclusive matar alguém. Também só ali pode ser preenchida a condição que possibilita nossa reconciliação com a morte: a saber, que por detrás de todas as vicissitudes da vida devemos ainda ser capazes de preservar intacta uma vida, pois é realmente muito triste que tudo na vida deva ser como num jogo de xadrez, onde um movimento em falso pode forçar-nos a desistir dele, com a diferença, porém, de que não podemos começar uma segunda partida, uma revanche. No domínio da ficção, encontramos a pluralidade de vidas de que necessitamos. Morremos com o herói com o qual nos identificamos; contudo, sobrevivemos a ele, e estamos prontos a morrer novamente, desde que com a mesma segurança, com outro herói.
É evidente que a guerra está fadada a varrer esse tratamento convencional da morte. Esta não mais será negada; somos forçados a acreditar nela. As pessoas realmente morrem, e não mais uma a uma, porém muitas, freqüentemente dezenas de milhares, num único dia. E a morte não é mais um acontecimento fortuito. Certamente, ainda parece uma questão de acaso o fato de uma bala atingir esse ou aquele homem, mas uma segunda bala pode muito bem atingir o sobrevivente; e o acúmulo de mortes põe um termo à impressão de acaso. A vida, na realidade, tornou-se interessante novamente; recuperou seu pleno conteúdo.
Deve-se estabelecer aqui uma distinção entre dois grupos - os que arriscam suas vidas no campo de batalha e os que permanecem em casa, tendo apenas de esperar pela perda de seus entes queridos por ferimentos, moléstia ou infecção. Seria muito interessante, sem dúvida, estudar as modificações na psicologia dos combatentes, mas sei muito pouco a esse respeito. Devemos restringir-nos ao segundo grupo, ao qual nós próprios pertencemos. Já tive ocasião de dizer que em minha opinião o aturdimento e a paralisia de capacidade de que sofremos são essencialmente determinados, entre outras coisas, pela circunstância de que somos incapazes de manter nossa atitude anterior em relação à morte, não tendo encontrado, ainda, uma nova. Talvez nos sirva de ajuda proceder dessa forma, se dirigirmos nossa indagação psicológica no sentido de duas outras relações com a morte - a que podemos atribuir aos homens primevos, pré-históricos, e a que ainda existe em cada um de nós, mas que se oculta, invisível à consciência, nas camadas mais profundas de nossa vida mental.
Naturalmente, só podemos saber qual era a atitude do homem pré-histórico para com a morte por meio de inferências e interpretações; creio, porém, que esses métodos nos têm proporcionado conclusões mais ou menos dignas de confiança.
O homem primevo assumia uma atitude notável em relação à morte. Longe de ser coerente, era, na realidade, altamente contraditória. Por um lado, encarava a morte seriamente, reconhecia-a como o término da vida, utilizando-a nesse sentido; por outro, também negava a morte e a reduzia a nada. Essa contradição surgia do fato de que ele assumia atitudes radicalmente diferentes para com a morte de outras pessoas, de estranhos, de inimigos, e para com sua própria morte. Não fazia qualquer objeção à morte de outrem; ela significava o aniquilamento de alguém que ele odiava, e o homem primitivo não tinha quaisquer escrúpulos em ocasioná-lo. Era, sem dúvida, uma criatura muito impulsiva e mais cruel e maligna do que outros animais. Gostava de matar, e fazia isso como uma coisa natural. O instinto que, segundo se diz, refreia outros animais de matar e de devorar sua própria espécie, não precisa ser atribuído a ele.
Por isso, a história primeva da humanidade está repleta de assassinatos. Mesmo hoje, a história do mundo que nossos filhos aprendem na escola é essencialmente uma série de assassinatos de povos. O obscuro sentimento de culpa ao qual a humanidade tem estado sujeita desde épocas pré-históricas e que, em algumas religiões, foi condensado na doutrina da culpa primeva, do pecado original, é provavelmente o resultado de uma culpa de homicídio em que teria incorrido o homem pré-histórico. Em meu livro Totem e Tabu (1912-13) tentei, seguindo pistas fornecidas por Robertson Smith, Atkinson e Charles Darwin, adivinhar a natureza dessa culpa primeva, e creio, também, que a doutrina cristã de nossos dias nos permite deduzi-la. Se o Filho de Deus foi obrigado a sacrificar sua vida para redimir a humanidade do pecado original, então, pela lei de talião, dente por dente, olho por olho, aquele pecado deve ter sido uma morte, um assassinato. Nada mais poderia exigir o sacrifício de uma vida para a sua expiação. E, se o pecado original foi uma ofensa contra Deus Pai, o crime primevo da humanidade deve ter sido um parricídio, a morte do pai primevo da horda humana primitiva, cuja imagem mnêmica foi depois transfigurada numa deidade.
Para o homem primevo, sua própria morte era certamente tão inimaginável e irreal quanto o é para qualquer um de nós hoje em dia. No entanto, no seu caso, uma circunstância fez com que as duas atitudes opostas para com a morte colidissem e entrassem em conflito uma com a outra, circunstância essa que se tornou altamente importante, produzindo conseqüências de longo alcance. Ocorreu quando o homem primevo viu morrer alguém que lhe pertencia - a esposa, o filho, o amigo - a quem indubitavelmente ele amava como amamos os nossos, já que o amor não pode ser muito mais jovem do que a volúpia de matar. Então, em sua dor, foi forçado a aprender que cada um de nós pode morrer, e todo o seu ser revoltou-se contra a admissão desse fato, pois cada um desses antes amados era, afinal de contas, uma parte de seu próprio eu amado. Por outro lado, porém, mortes como essas também o agradavam, de uma vez que em cada uma das pessoas amadas havia também alguma coisa de estranho. A lei de ambivalência do sentimento, que até hoje rege nossas relações emocionais com aqueles a quem mais amamos, por certo tinha uma validade muito mais ampla nos tempos primevos. Assim, esses mortos amados também tinham sido inimigos e estranhos que haviam despertado nele certo grau de sentimento hostil.
Só mais tarde as religiões conseguiram representar essa vida futura como a mais desejável, a única verdadeiramente válida, a reduzir a vida que termina com a morte a uma mera preparação. Depois disso, passou a ser apenas coerente estender a vida para trás até o passado, elaborar a noção de existências pretéritas, da transmigração das almas e da reencarnação, tudo com a finalidade de despojar a morte do seu significado de término da vida. Assim, a origem da negação da morte, que descrevemos [ver em [1]] como uma ‘atitude convencional e cultural’, remonta aos tempos mais antigos.
É digno de nota que as raças primitivas que ainda sobrevivem no mundo, e que indubitavelmente se acham mais próximas do que nós do homem primevo, agem de modo diferente em relação a isso, ou pelo menos agiam até ficarem sob a influência de nossa civilização. Selvagens - australianos, boximanes, fueguinos - estão longe de ser assassinos implacáveis; quando voltam vitoriosos da guerra não pisam em suas aldeias nem tocam em suas esposas até que tenham expiado os assassinatos que perpetraram na guerra por penitências, quase sempre longas e tediosas. É fácil, naturalmente, atribuir isso à sua superstição: o selvagem ainda teme os espíritos vingativos dos assassinados. Mas os espíritos de seus inimigos mortos nada mais são do que a expressão de sua consciência pesada por causa de sua culpa de homicídio; por detrás dessa superstição jaz oculta uma veia de sensibilidade ética que foi perdida por nós, homens civilizados.
Sem dúvida, as almas piedosas, que gostariam de crer que nossa natureza está distanciada de qualquer contato com o que é mau e degradante, não deixarão de utilizar o aparecimento e a premência iniciais da proibição contra o assassinato como a base para conclusões gratificantes quanto à força dos impulsos éticos que devem ter sido implantados em nós. Infelizmente, esse argumento fortalece ainda mais o ponto de vista oposto. Uma proibição tão poderosa só pode ser dirigida contra um impulso igualmente poderoso. O que nenhuma alma humana deseja não precisa de proibição; é excluído automaticamente. A própria ênfase dada ao mandamento ‘Não matarás’ nos assegura que brotamos de uma série interminável de gerações de assassinos, que tinham a sede de matar em seu sangue, como, talvez, nós próprios tenhamos hoje. Os esforços éticos da humanidade, cuja força e significância não precisamos absolutamente depreciar, foram adquiridos no curso da história do homem; desde então se tornaram, embora infelizmente apenas em grau variável, o patrimônio herdado pelos homens contemporâneos.
Deixemos agora o homem primevo, e passemos para o inconsciente em nossa própria vida mental. Aqui dependemos inteiramente do método psicanalítico de investigação, o único que atinge tais profundezas. Qual, perguntamos, é a atitude do nosso inconsciente para com o problema da morte? A resposta deve ser: quase exatamente a mesma que a do homem primevo. Nesse ponto, como em muitos outros, o homem das épocas pré-históricas sobrevive inalterado em nosso inconsciente. Nosso inconsciente, portanto, não crê em sua própria morte; comporta-se como se fosse imortal. O que chamamos de nosso ‘inconsciente’ - as camadas mais profundas de nossas mentes, compostas de impulsos instintuais - desconhece tudo o que é negativo e toda e qualquer negação; nele as contradições coincidem. Por esse motivo, não conhece sua própria morte, pois a isso só podemos dar um conteúdo negativo. Assim, não existe nada de instintual em nós que reaja a uma crença na morte. Talvez, inclusive, isso seja o segredo do heroísmo. Os fundamentos racionais do heroísmo repousam num juízo segundo o qual a própria vida do indivíduo não pode ser tão preciosa quanto certos bens abstratos e gerais. Em minha opinião, porém, é muito mais freqüente o heroísmo instintivo e impulsivo que desconhece tais razões e zomba do perigo, no mesmo espírito do Steinklopferhans de Anzengruber: ‘Nada pode acontecer a mim.’ Ou então, aquelas razões servem apenas para dissipar as hesitações que poderiam tolher a reação heróica que corresponde ao inconsciente. O medo da morte, que nos domina com mais freqüência do que pensamos, é, por outro lado, algo secundário e, via de regra, o resultado de um sentimento de culpa.
Por outro lado, admitimos a morte para estranhos e inimigos, destinando-os a ela tão prontamente e tão sem hesitação quanto o homem primitivo. Aqui, é verdade, há uma distinção que será declarada decisiva no que diz respeito à vida real. Nosso inconsciente não executa o ato de matar; ele simplesmente o pensa e o deseja. Mas seria completamente errado subestimar essa realidade psíquica quando posta em confronto com a realidade factual. Ela é bastante importante e grave. Em nossos impulsos inconscientes, diariamente e a todas as horas, nos livramos de alguém que nos atrapalha, de alguém que nos ofendeu ou nos prejudicou. A expressão ‘Que o Diabo o carregue!’, que tantas vezes o aflora aos lábios das pessoas em tom de brincadeira e que, na realidade, significa ‘Que a morte o carregue!’, é em nosso inconsciente um sério e poderoso desejo de morte. De fato, nosso inconsciente assassinará até mesmo por motivos insignificantes; como o antigo ateniense de Drácon, ele não conhece outra punição para o crime a não ser a morte. E isso mostra certa coerência, já que cada agravo a nosso ego todo-poderoso e autocrático é, no fundo, um crime de lesa-majestade.
Destarte, caso sejamos julgados por nossos impulsos inconscientes impregnados de desejo, nós próprios seremos, como o homem primevo, uma malta de assassinos. Ainda bem que nem todos esses desejos possuem a potência que lhes era atribuída nos tempos primevos; no fogo cruzado dos vitupérios mútuos, a humanidade de há muito teria perdido, e com ela os melhores e mais sábios homens, e as mais formosas e belas mulheres.
Existe também grande número de chistes e anedotas cínicas que revelam a mesma tendência - como, por exemplo, as palavras atribuídas a um marido: ‘Se um de nós dois morrer, eu me mudarei para Paris.’ Esses chistes cínicos não seriam possíveis a menos que encerrassem uma verdade não reconhecida que não poderia ser admitida se fosse expressa seriamente e sem disfarce. Até mesmo na brincadeira - coisa bem sabida - pode-se dizer a verdade.
Da mesma forma que para o homem primevo, também para nosso inconsciente há um caso em que as duas atitudes opostas para com a morte, aquela que a reconhece como sendo a extinção da vida, e aquela que a nega porque irreal, se chocam e entram em conflito. Esse caso é idêntico ao das eras primevas: a morte, ou o risco de morte, de alguém que amamos, pai ou mãe, esposo ou esposa, irmão ou irmã, filho ou amigo dileto. Esses seres amados constituem, por um lado, uma posse interna, componentes de nosso próprio ego; por outro, contudo, são parcialmente estranhos, até mesmo inimigos. À exceção de apenas pouquíssimas situações, adere à mais terna e à mais íntima de nossas relações amorosas uma pequena parcela de hostilidade que pode excitar um desejo de morte inconsciente. No entanto, esse conflito devido à ambivalência não conduz agora, como o fazia então, à doutrina da alma e à ética, mas à neurose, que nos proporciona uma profunda compreensão interna (insight) também da vida mental normal. Não poucas vezes médicos que praticam a psicanálise tiveram de lidar com o sintoma de uma preocupação exagerada pelo bem-estar de parentes, ou com auto-recriminações inteiramente infundadas após a morte de uma pessoa amada. O estudo de tais fenômenos não deixou qualquer dúvida quanto à extensão e à importância dos desejos de morte inconscientes.
O leigo sente um horror extraordinário diante da possibilidade de tais sentimentos e toma essa aversão como legítimo fundamento para descrer das asserções da psicanálise. Erroneamente, penso eu. Não se pretende aqui uma depreciação dos sentimentos de amor, depreciação que de fato não existe. Realmente, é estranho tanto à nossa inteligência quanto a nossos sentimentos aliar assim o amor ao ódio; mas a Natureza, fazendo uso desse par de opostos, consegue manter o amor sempre vigilante e renovado, a fim de protegê-lo contra o ódio que jaz, à espreita, por detrás dele. Poder-se-ia dizer que devemos as mais belas florações de nosso amor à reação contra o impulso hostil que sentimos dentro de nós.
Em suma: nosso inconsciente é tão inacessível à idéia de nossa própria morte, tão inclinado ao assassinato em relação a estranhos, tão dividido (isto é, ambivalente) para com aqueles que amamos, como era o homem primevo. Contudo, como nos distanciamos desse estado primevo em nossa atitude convencional e cultural para com a morte!
É fácil ver como a guerra se choca com essa dicotomia. Ela nos despoja dos acréscimos ulteriores da civilização e põe a nu o homem primevo que existe em cada um de nós. Compele-nos mais uma vez a sermos heróis que não podem crer em sua própria morte; estigmatiza os estranhos como inimigos, cuja morte deve ser provocada ou desejada; diz-nos que desprezemos a morte daqueles que amamos. A guerra, porém, não pode ser abolida; enquanto as condições de existência entre as nações continuarem tão diferentes e sua repulsa mútua tão violenta, sempre haverá guerras. É então que surge a pergunta: Não somos nós que devemos ceder, que nos devemos adaptar à guerra? Não devemos confessar que em nossa atitude civilizada para com a morte estamos mais uma vez vivendo psicologicamente acima de nossos meios, e não devemos, antes, voltar atrás e reconhecer a verdade? Não seria melhor dar à morte o lugar na realidade e em nossos pensamentos que lhe é devido, e dar um pouco mais de proeminência à atitude inconsciente para com a morte, que, até agora, tão cuidadosamente suprimimos? Isso dificilmente parece um progresso no sentido de uma realização mais elevada, mas antes, sob certos aspectos, um passo atrás - uma regressão; mas tem a vantagem de levar mais em conta a verdade e de novamente tornar a vida mais tolerável para nós. Tolerar a vida continua a ser, afinal de contas, o primeiro dever de todos os seres vivos. A ilusão perderá todo o seu valor, se tornar isso mais difícil para nós.
Lembramo-nos do velho ditado: Si vis pacem, para bellum. Se queres preservar a paz, prepara-te para a guerra.
Estaria de acordo com o tempo em que vivemos alterá-lo para: Si vis vitam, para mortem. Se queres suportar a vida, preparar-te para a morte.
Mattanó aponta que o segundo fator ao qual atribuo nosso atual sentimento de alheamento deste mundo outrora belo e conveniente é a perturbação que ocorreu na atitude que, até o momento, adotamos em relação à morte. Vemos que a morte pode ser encarada como o segundo fator de alheamento deste mundo ou de perturbação que ocorre na atitude, em função do seu significado e do seu sentido, mas também da sua linguagem, da sua conceituação e contextualização, da sua simbologia, e funcionalidade, da sua gestalt e dos seus insights, das suas parapraxias, e da sua argumentação, além dos seus arquétipos e sentimento de inferioridade que leva a um estilo de vida, de modo que sua homeostase fique alterada.
A escola psicanalítica pôde aventurar-se a afirmar que no fundo ninguém crê em sua própria morte, ou, dizendo a mesma coisa de outra maneira, que no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade. Vemos que a morte é um tema aversivo para o inconsciente, de tal forma que o inconsciente não o incorpora a sua metáfora.
Quando se trata da morte de outrem, o homem civilizado cuidadosamente evita falar de tal possibilidade no campo auditivo da pessoa condenada. Apenas as crianças desprezam essa restrição e desembaraçadamente se ameaçam uma às outras com a possibilidade de morrer, chegando inclusive ao ponto de fazer a mesma coisa com alguém que amam. A consideração pelos mortos, que, afinal de contas, não mais necessitam dela, é mais importante para nós do que a verdade, e certamente, para a maioria de nós, do que a consideração pelos vivos. Vemos que somente as crianças apresentam o repertório comportamental de falar da morte de outrem, inclusive se ameaçam umas as outras com a possibilidade de morrer, incluindo quem ama, de tal forma que os indivíduos adultos regredidos também apresentam este repertório comportamental, inclusive os que sofrem lavagem cerebral, estupro virtual, extorsão, vingança, tortura e despersonalização. O complemento a essa atitude cultural e convencional para com a morte é proporcionado por nosso completo colapso quando a morte abate alguém que amamos - um progenitor ou um cônjuge, um irmão ou irmã, um filho ou um amigo íntimo. Nossas esperanças, nossos desejos e nossos prazeres jazem no túmulo com essa pessoa, nada nos consola, nada preenche o vazio deixado pelo ente perdido. Vemos que a morte abate imediatamente roubando nossas esperanças, desejos e prazeres que são depositados junto ao túmulo do morto, restando um vazio em nossos significados e sentidos.
Constitui resultado inevitável de tudo isso que passamos a procurar no mundo da ficção, na literatura e no teatro a compensação pelo que se perdeu na vida. Ali encontraremos pessoas que sabem morrer - que conseguem inclusive matar alguém. Também só ali pode ser preenchida a condição que possibilita nossa reconciliação com a morte: a saber, que por detrás de todas as vicissitudes da vida devemos ainda ser capazes de preservar intacta uma vida, pois é realmente muito triste que tudo na vida deva ser como num jogo de xadrez, onde um movimento em falso pode forçar-nos a desistir dele, com a diferença, porém, de que não podemos começar uma segunda partida, uma revanche. No domínio da ficção, encontramos a pluralidade de vidas de que necessitamos. Morremos com o herói com o qual nos identificamos; contudo, sobrevivemos a ele, e estamos prontos a morrer novamente, desde que com a mesma segurança, com outro herói. Vemos que através desse inevitável destino passamos pelo imaginário e pelo simbólico a navegar pelo mundo da ficção onde todos sabem morrer e ressuscitar ou se reconciliar com a morte, ter uma revanche, com outro herói que reconstrói seu mundo de significados e de sentidos.
É evidente que a guerra está fadada a varrer esse tratamento convencional da morte. Esta não mais será negada; somos forçados a acreditar nela. As pessoas realmente morrem, e não mais uma a uma, porém muitas, freqüentemente dezenas de milhares, num único dia. E a morte não é mais um acontecimento fortuito. Certamente, ainda parece uma questão de acaso o fato de uma bala atingir esse ou aquele homem, mas uma segunda bala pode muito bem atingir o sobrevivente; e o acúmulo de mortes põe um termo à impressão de acaso. A vida, na realidade, tornou-se interessante novamente; recuperou seu pleno conteúdo. Vemos que a guerra ressignifica e dá um novo sentido a morte através da quantidade de mortes em relação ao tratamento convencional da morte, são dezenas de milhares que realmente morrem. A vida neste cenário de guerra, só volta a se tornar interessante quando tudo se torna obra do acaso, então a vida readquire significado e sentido, um conteúdo.
Deve-se estabelecer aqui uma distinção entre dois grupos - os que arriscam suas vidas no campo de batalha e os que permanecem em casa, tendo apenas de esperar pela perda de seus entes queridos por ferimentos, moléstia ou infecção. Seria muito interessante, sem dúvida, estudar as modificações na psicologia dos combatentes, mas sei muito pouco a esse respeito. Devemos restringir-nos ao segundo grupo, ao qual nós próprios pertencemos. Já tive ocasião de dizer que em minha opinião o aturdimento e a paralisia de capacidade de que sofremos são essencialmente determinados, entre outras coisas, pela circunstância de que somos incapazes de manter nossa atitude anterior em relação à morte, não tendo encontrado, ainda, uma nova. Talvez nos sirva de ajuda proceder dessa forma, se dirigirmos nossa indagação psicológica no sentido de duas outras relações com a morte - a que podemos atribuir aos homens primevos, pré-históricos, e a que ainda existe em cada um de nós, mas que se oculta, invisível à consciência, nas camadas mais profundas de nossa vida mental. Vemos que arriscar a vida num campo de batalha e por outro lado, permanecer em casa, são atributos dos homens primevos, pré-históricos, que ainda existem em nós, invisíveis à consciência, nas camadas mais profundas da vida mental individual e coletiva.
Naturalmente, só podemos saber qual era a atitude do homem pré-histórico para com a morte por meio de inferências e interpretações; creio, porém, que esses métodos nos têm proporcionado conclusões mais ou menos dignas de confiança. Vemos que o estudo do homem pré-histórico só é capaz através de inferências e de interpretações que geram significados e sentidos específicos.
O homem primevo assumia uma atitude notável em relação à morte. Longe de ser coerente, era, na realidade, altamente contraditória. Por um lado, encarava a morte seriamente, reconhecia-a como o término da vida, utilizando-a nesse sentido; por outro, também negava a morte e a reduzia a nada. Essa contradição surgia do fato de que ele assumia atitudes radicalmente diferentes para com a morte de outras pessoas, de estranhos, de inimigos, e para com sua própria morte. Não fazia qualquer objeção à morte de outrem; ela significava o aniquilamento de alguém que ele odiava, e o homem primitivo não tinha quaisquer escrúpulos em ocasioná-lo. Era, sem dúvida, uma criatura muito impulsiva e mais cruel e maligna do que outros animais. Gostava de matar, e fazia isso como uma coisa natural. O instinto que, segundo se diz, refreia outros animais de matar e de devorar sua própria espécie, não precisa ser atribuído a ele. Vemos que o homem primevo era na realidade incoerente e contraditório, na realidade encarava a morte como o fim da vida, também negava a morte e a reduzia a nada, pois era sem escrúpulos, impulsivo e cruel, o mais maligno dos animais, gostava de matar, inclusive sua própria espécie, porém isto não precisa ser atribuído a ele mesmo.
Por isso, a história primeva da humanidade está repleta de assassinatos. Mesmo hoje, a história do mundo que nossos filhos aprendem na escola é essencialmente uma série de assassinatos de povos. O obscuro sentimento de culpa ao qual a humanidade tem estado sujeita desde épocas pré-históricas e que, em algumas religiões, foi condensado na doutrina da culpa primeva, do pecado original, é provavelmente o resultado de uma culpa de homicídio em que teria incorrido o homem pré-histórico. Em meu livro Totem e Tabu (1912-13) tentei, seguindo pistas fornecidas por Robertson Smith, Atkinson e Charles Darwin, adivinhar a natureza dessa culpa primeva, e creio, também, que a doutrina cristã de nossos dias nos permite deduzi-la. Se o Filho de Deus foi obrigado a sacrificar sua vida para redimir a humanidade do pecado original, então, pela lei de talião, dente por dente, olho por olho, aquele pecado deve ter sido uma morte, um assassinato. Nada mais poderia exigir o sacrifício de uma vida para a sua expiação. E, se o pecado original foi uma ofensa contra Deus Pai, o crime primevo da humanidade deve ter sido um parricídio, a morte do pai primevo da horda humana primitiva, cuja imagem mnêmica foi depois transfigurada numa deidade. Vemos que o pecado original ou o parricídio deve significar a morte de Deus Pai simbolizada na Árvore da Vida que significa Deus Pai, o Criador, e Jesus Cristo, a Vida ou Deus Filho, a história pré-histórica da humanidade.
Para o homem primevo, sua própria morte era certamente tão inimaginável e irreal quanto o é para qualquer um de nós hoje em dia. No entanto, no seu caso, uma circunstância fez com que as duas atitudes opostas para com a morte colidissem e entrassem em conflito uma com a outra, circunstância essa que se tornou altamente importante, produzindo conseqüências de longo alcance. Ocorreu quando o homem primevo viu morrer alguém que lhe pertencia - a esposa, o filho, o amigo - a quem indubitavelmente ele amava como amamos os nossos, já que o amor não pode ser muito mais jovem do que a volúpia de matar. Então, em sua dor, foi forçado a aprender que cada um de nós pode morrer, e todo o seu ser revoltou-se contra a admissão desse fato, pois cada um desses antes amados era, afinal de contas, uma parte de seu próprio eu amado. Por outro lado, porém, mortes como essas também o agradavam, de uma vez que em cada uma das pessoas amadas havia também alguma coisa de estranho. A lei de ambivalência do sentimento, que até hoje rege nossas relações emocionais com aqueles a quem mais amamos, por certo tinha uma validade muito mais ampla nos tempos primevos. Assim, esses mortos amados também tinham sido inimigos e estranhos que haviam despertado nele certo grau de sentimento hostil. Vemos que o homem primevo descobriu que poderia morrer e assim descobriu o amor, o amor por aqueles que ele mais amava, desfrutando de uma ambivalência de sentimento que gerava significados e sentidos característicos.
Só mais tarde as religiões conseguiram representar essa vida futura como a mais desejável, a única verdadeiramente válida, a reduzir a vida que termina com a morte a uma mera preparação. Depois disso, passou a ser apenas coerente estender a vida para trás até o passado, elaborar a noção de existências pretéritas, da transmigração das almas e da reencarnação, tudo com a finalidade de despojar a morte do seu significado de término da vida. Assim, a origem da negação da morte, que descrevemos [ver em [1]] como uma ‘atitude convencional e cultural’, remonta aos tempos mais antigos. Vemos que só mais tarde as religiões conseguiram apresentar o futuro como promessa mais desejável, e a morte como uma preparação, gerou-se a negação da morte, uma atitude convencional e cultural
É digno de nota que as raças primitivas que ainda sobrevivem no mundo, e que indubitavelmente se acham mais próximas do que nós do homem primevo, agem de modo diferente em relação a isso, ou pelo menos agiam até ficarem sob a influência de nossa civilização. Selvagens - australianos, boximanes, fueguinos - estão longe de ser assassinos implacáveis; quando voltam vitoriosos da guerra não pisam em suas aldeias nem tocam em suas esposas até que tenham expiado os assassinatos que perpetraram na guerra por penitências, quase sempre longas e tediosas. É fácil, naturalmente, atribuir isso à sua superstição: o selvagem ainda teme os espíritos vingativos dos assassinados. Mas os espíritos de seus inimigos mortos nada mais são do que a expressão de sua consciência pesada por causa de sua culpa de homicídio; por detrás dessa superstição jaz oculta uma veia de sensibilidade ética que foi perdida por nós, homens civilizados. Vemos que o homem civilizado perdeu o sentimento de culpa pelo homicídio em tempos de morte e de guerra como ainda tem aqueles povos primitivos que se sentem contaminados pelos espíritos dos mortos, devido à sua superstição e a sua consciência que gera culpa pelo homicídio.
Sem dúvida, as almas piedosas, que gostariam de crer que nossa natureza está distanciada de qualquer contato com o que é mau e degradante, não deixarão de utilizar o aparecimento e a premência iniciais da proibição contra o assassinato como a base para conclusões gratificantes quanto à força dos impulsos éticos que devem ter sido implantados em nós. Infelizmente, esse argumento fortalece ainda mais o ponto de vista oposto. Uma proibição tão poderosa só pode ser dirigida contra um impulso igualmente poderoso. O que nenhuma alma humana deseja não precisa de proibição; é excluído automaticamente. A própria ênfase dada ao mandamento ‘Não matarás’ nos assegura que brotamos de uma série interminável de gerações de assassinos, que tinham a sede de matar em seu sangue, como, talvez, nós próprios tenhamos hoje. Os esforços éticos da humanidade, cuja força e significância não precisamos absolutamente depreciar, foram adquiridos no curso da história do homem; desde então se tornaram, embora infelizmente apenas em grau variável, o patrimônio herdado pelos homens contemporâneos. Vemos que a civilização herdou mandamentos como ¨não matarás¨, pois o homem vem de uma história de assassinatos, de gerações de assassinos, esta é a história do homem.
Deixemos agora o homem primevo, e passemos para o inconsciente em nossa própria vida mental. Aqui dependemos inteiramente do método psicanalítico de investigação, o único que atinge tais profundezas. Qual, perguntamos, é a atitude do nosso inconsciente para com o problema da morte? A resposta deve ser: quase exatamente a mesma que a do homem primevo. Nesse ponto, como em muitos outros, o homem das épocas pré-históricas sobrevive inalterado em nosso inconsciente. Nosso inconsciente, portanto, não crê em sua própria morte; comporta-se como se fosse imortal. O que chamamos de nosso ‘inconsciente’ - as camadas mais profundas de nossas mentes, compostas de impulsos instintuais - desconhece tudo o que é negativo e toda e qualquer negação; nele as contradições coincidem. Por esse motivo, não conhece sua própria morte, pois a isso só podemos dar um conteúdo negativo. Assim, não existe nada de instintual em nós que reaja a uma crença na morte. Talvez, inclusive, isso seja o segredo do heroísmo. Os fundamentos racionais do heroísmo repousam num juízo segundo o qual a própria vida do indivíduo não pode ser tão preciosa quanto certos bens abstratos e gerais. Em minha opinião, porém, é muito mais freqüente o heroísmo instintivo e impulsivo que desconhece tais razões e zomba do perigo, no mesmo espírito do Steinklopferhans de Anzengruber: ‘Nada pode acontecer a mim.’ Ou então, aquelas razões servem apenas para dissipar as hesitações que poderiam tolher a reação heróica que corresponde ao inconsciente. O medo da morte, que nos domina com mais freqüência do que pensamos, é, por outro lado, algo secundário e, via de regra, o resultado de um sentimento de culpa. Vemos que o inconsciente não aceita como seu o que é negado e assim a morte pertence a este reino, pois o homem sempre a negou, como a um herói que acredita que nada pode lhe acontecer, mas o medo da morte gera o sentimento de culpa.
Por outro lado, admitimos a morte para estranhos e inimigos, destinando-os a ela tão prontamente e tão sem hesitação quanto o homem primitivo. Aqui, é verdade, há uma distinção que será declarada decisiva no que diz respeito à vida real. Nosso inconsciente não executa o ato de matar; ele simplesmente o pensa e o deseja. Mas seria completamente errado subestimar essa realidade psíquica quando posta em confronto com a realidade factual. Ela é bastante importante e grave. Em nossos impulsos inconscientes, diariamente e a todas as horas, nos livramos de alguém que nos atrapalha, de alguém que nos ofendeu ou nos prejudicou. A expressão ‘Que o Diabo o carregue!’, que tantas vezes o aflora aos lábios das pessoas em tom de brincadeira e que, na realidade, significa ‘Que a morte o carregue!’, é em nosso inconsciente um sério e poderoso desejo de morte. De fato, nosso inconsciente assassinará até mesmo por motivos insignificantes; como o antigo ateniense de Drácon, ele não conhece outra punição para o crime a não ser a morte. E isso mostra certa coerência, já que cada agravo a nosso ego todo-poderoso e autocrático é, no fundo, um crime de lesa-majestade. Vemos que o nosso inconsciente não executa o ato de matar, mas apenas pode pensar e desejar com expressões do tipo ¨Que o Diabo o carregue!¨, que significa ¨Que a morte o carregue!¨, ele pode desejar a morte como punição para o crime, pois ele não conhece outra punição, ele considera cada agravo ao nosso ego todo-poderoso e autocrático um crime de lesa-majestade, em função disto a coerência é punir com a morte o criminoso.
Destarte, caso sejamos julgados por nossos impulsos inconscientes impregnados de desejo, nós próprios seremos, como o homem primevo, uma malta de assassinos. Ainda bem que nem todos esses desejos possuem a potência que lhes era atribuída nos tempos primevos; no fogo cruzado dos vitupérios mútuos, a humanidade de há muito teria perdido, e com ela os melhores e mais sábios homens, e as mais formosas e belas mulheres. Vemos que em função da humanidade ter evoluído, selecionado e competido por caminhos um tanto involutivos como selecionar a morte e ser um assassino, inclusive de seus melhores e mais sábios homens e formosas mulheres, ele percebeu que a humanidade e a civilização estariam perdidas se não desenvolvesse amor por estas pessoas mais importantes, sábias e mais belas e passasse a valoriza-las como seu próprio ideal de ego.
Existe também grande número de chistes e anedotas cínicas que revelam a mesma tendência - como, por exemplo, as palavras atribuídas a um marido: ‘Se um de nós dois morrer, eu me mudarei para Paris.’ Esses chistes cínicos não seriam possíveis a menos que encerrassem uma verdade não reconhecida que não poderia ser admitida se fosse expressa seriamente e sem disfarce. Até mesmo na brincadeira - coisa bem sabida - pode-se dizer a verdade. Vemos que temos outros casos, como os chistes cínicos, onde a verdade não reconhecida e que não pode ser dita ou admitida, é expressa seriamente e sem disfarce; ou mesmo na brincadeira, onde podemos dizer a verdade inconsciente.
Da mesma forma que para o homem primevo, também para nosso inconsciente há um caso em que as duas atitudes opostas para com a morte, aquela que a reconhece como sendo a extinção da vida, e aquela que a nega porque irreal, se chocam e entram em conflito. Esse caso é idêntico ao das eras primevas: a morte, ou o risco de morte, de alguém que amamos, pai ou mãe, esposo ou esposa, irmão ou irmã, filho ou amigo dileto. Esses seres amados constituem, por um lado, uma posse interna, componentes de nosso próprio ego; por outro, contudo, são parcialmente estranhos, até mesmo inimigos. À exceção de apenas pouquíssimas situações, adere à mais terna e à mais íntima de nossas relações amorosas uma pequena parcela de hostilidade que pode excitar um desejo de morte inconsciente. No entanto, esse conflito devido à ambivalência não conduz agora, como o fazia então, à doutrina da alma e à ética, mas à neurose, que nos proporciona uma profunda compreensão interna (insight) também da vida mental normal. Não poucas vezes médicos que praticam a psicanálise tiveram de lidar com o sintoma de uma preocupação exagerada pelo bem-estar de parentes, ou com auto-recriminações inteiramente infundadas após a morte de uma pessoa amada. O estudo de tais fenômenos não deixou qualquer dúvida quanto à extensão e à importância dos desejos de morte inconscientes. Vemos que a extinção da vida leva ao conflito, a morte e ao risco de morte, de alguém que amamos, aqui destina-se pouca parcela de hostilidade que possa excitar um desejo de morte inconsciente, pois amamos o objeto, então esse conflito leva a neurose que nos proporciona um insight da vida mental normal. Este bem-estar desencadeado por este contexto leva a auto-recriminações infundadas após a morte de uma pessoa amada.
O leigo sente um horror extraordinário diante da possibilidade de tais sentimentos e toma essa aversão como legítimo fundamento para descrer das asserções da psicanálise. Erroneamente, penso eu. Não se pretende aqui uma depreciação dos sentimentos de amor, depreciação que de fato não existe. Realmente, é estranho tanto à nossa inteligência quanto a nossos sentimentos aliar assim o amor ao ódio; mas a Natureza, fazendo uso desse par de opostos, consegue manter o amor sempre vigilante e renovado, a fim de protegê-lo contra o ódio que jaz, à espreita, por detrás dele. Poder-se-ia dizer que devemos as mais belas florações de nosso amor à reação contra o impulso hostil que sentimos dentro de nós. Vemos que a natureza através dos opostos, consegue manter o amor sempre vigilante e renovado, com o objetivo de protegê-lo do ódio que jaz, à espreita, por detrás dele. O amor é justamente uma reação contra o impulso hostil que sentimos dentro de nós.
Em suma: nosso inconsciente é tão inacessível à idéia de nossa própria morte, tão inclinado ao assassinato em relação a estranhos, tão dividido (isto é, ambivalente) para com aqueles que amamos, como era o homem primevo. Contudo, como nos distanciamos desse estado primevo em nossa atitude convencional e cultural para com a morte! Vemos que inconsciente não tolera a própria morte e por isso constrói um indivíduo assassino e dividido em relação aos seus amores, contudo a atitude convencional e cultural pode ressignificar o modo desse indivíduo pensar, sentir e se comportar em relação a morte.
É fácil ver como a guerra se choca com essa dicotomia. Ela nos despoja dos acréscimos ulteriores da civilização e põe a nu o homem primevo que existe em cada um de nós. Compele-nos mais uma vez a sermos heróis que não podem crer em sua própria morte; estigmatiza os estranhos como inimigos, cuja morte deve ser provocada ou desejada; diz-nos que desprezemos a morte daqueles que amamos. A guerra, porém, não pode ser abolida; enquanto as condições de existência entre as nações continuarem tão diferentes e sua repulsa mútua tão violenta, sempre haverá guerras. É então que surge a pergunta: Não somos nós que devemos ceder, que nos devemos adaptar à guerra? Não devemos confessar que em nossa atitude civilizada para com a morte estamos mais uma vez vivendo psicologicamente acima de nossos meios, e não devemos, antes, voltar atrás e reconhecer a verdade? Não seria melhor dar à morte o lugar na realidade e em nossos pensamentos que lhe é devido, e dar um pouco mais de proeminência à atitude inconsciente para com a morte, que, até agora, tão cuidadosamente suprimimos? Isso dificilmente parece um progresso no sentido de uma realização mais elevada, mas antes, sob certos aspectos, um passo atrás - uma regressão; mas tem a vantagem de levar mais em conta a verdade e de novamente tornar a vida mais tolerável para nós. Tolerar a vida continua a ser, afinal de contas, o primeiro dever de todos os seres vivos. A ilusão perderá todo o seu valor, se tornar isso mais difícil para nós. Vemos que diante destes eventos, desde a guerra, o homem primevo e a civilização que existem em cada um de nós, devemos estigmatizar estranhos como consequência de nossos atos heróicos, as nações continuarão se estranhando, pois são diferentes umas das outras, qual o papel da morte? Devemos aprender a tolerar a vida, este é o primeiro dever de cada ser humano! Então a ilusão e o mundo virtual perderão o seu sentido.
Lembramo-nos do velho ditado: Si vis pacem, para bellum. Se queres preservar a paz, prepara-te para a guerra. Vemos que a guerra é acordar, viver e ir para o trabalho, depois voltar para casa e cuidar da sua família e dormir e poder sonhar, de tal forma que a sua paz seja preservada.
Estaria de acordo com o tempo em que vivemos alterá-lo para: Si vis vitam, para mortem. Se queres suportar a vida, preparar-te para a morte. Vemos que suportar a vida corresponde a suportar o dia e o trabalho, para a sociedade ou para a sua comunidade, família ou instituição, e preparar-te para a morte, significa preparar-te para a noite, para o sono e os sonhos.
MATTANÓ
(17/02/2026)
APÊNDICE: CARTA A FREDERIK VAN EEDEN
[Esta carta foi escrita por Freud no fim de 1914, alguns meses depois de deflagrada a Primeira Guerra Mundial e alguns meses antes da elaboração de suas ‘Reflexões para os Tempos de Guerra e Morte.’ Van Eeden, a quem a carta foi endereçada, era um psicopatologista holandês, mais conhecido, contudo, como homem de letras. Embora velho conhecido de Freud, nunca aceitou seus conceitos. A carta foi publicada pela primeira vez em alemão por Van Eeden num semanário de Amsterdam, De Amsterdammer, a 17 de janeiro de 1915 (Nº 1960, pág. 3). Parece que até agora não foi reimpressa em alemão. Uma tradução para o inglês está incluída no segundo volume da vida de Freud escrita pelo Dr. Ernest Jones (1955, 413), e a versão que se segue é a mesma, exceto algumas mudanças verbais.]
Viena, 28 de dezembro de 1914.
Prezado Dr. Van Eeden,
Aventuro-me, sob o impacto da guerra, a lembrar-lhe duas teses formuladas pela psicanálise e que, sem dúvida, contribuíram para sua impopularidade.
A psicanálise inferiu dos sonhos e das parapraxias das pessoas saudáveis, bem como dos sintomas dos neuróticos, que os impulsos primitivos, selvagens e maus da humanidade não desapareceram em qualquer de seus membros individuais, mas persistem, embora num estado reprimido, no inconsciente (para empregar nossos termos técnicos) e aguardam as oportunidades para se tornarem ativos mais uma vez. Ela nos ensinou, ainda, que nosso intelecto é algo débil e dependente, um joguete e um instrumento de nossos instintos e afetos, e que todos nós somos compelidos a nos comportar inteligente ou estupidamente, de acordo com as ordens de nossas atitudes [emocionais] e resistências internas.
Se, agora, o senhor observar o que está acontecendo na presente guerra - as crueldades e as injustiças pelas quais as nações mais civilizadas são responsáveis, a maneira distinta pela qual julgam suas próprias mentiras e maldades e as de seus inimigos, e a falta geral de compreensão interna (insight) que predomina -, terá de admitir que a psicanálise tem estado certa em ambas as suas teses.
Talvez ela não tenha sido inteiramente original nisso; não poucos pensadores e estudiosos da humanidade fizeram afirmações semelhantes. Nossa ciência, porém, as elaborou detalhadamente e as empregou a fim de lançar luz sobre muitos enigmas psicológicos.
Espero que venhamos a nos encontrar em tempos mais felizes.
Seu, sinceramente,
Sigm. Freud
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a psicanálise inferiu dos sonhos e das parapraxias das pessoas saudáveis, bem como dos sintomas dos neuróticos, que os impulsos primitivos, selvagens e maus da humanidade não desapareceram em qualquer de seus membros individuais, mas persistem, embora num estado reprimido, no inconsciente (para empregar nossos termos técnicos) e aguardam as oportunidades para se tornarem ativos mais uma vez. Ela nos ensinou, ainda, que nosso intelecto é algo débil e dependente, um joguete e um instrumento de nossos instintos e afetos, e que todos nós somos compelidos a nos comportar inteligente ou estupidamente, de acordo com as ordens de nossas atitudes [emocionais] e resistências internas.
Se, agora, o senhor observar o que está acontecendo na presente guerra - as crueldades e as injustiças pelas quais as nações mais civilizadas são responsáveis, a maneira distinta pela qual julgam suas próprias mentiras e maldades e as de seus inimigos, e a falta geral de compreensão interna (insight) que predomina -, terá de admitir que a psicanálise tem estado certa em ambas as suas teses.
Talvez ela não tenha sido inteiramente original nisso; não poucos pensadores e estudiosos da humanidade fizeram afirmações semelhantes. Nossa ciência, porém, as elaborou detalhadamente e as empregou a fim de lançar luz sobre muitos enigmas psicológicos.
Mattanó aponta que a psicanálise inferiu dos sonhos e das parapraxias das pessoas saudáveis, bem como dos sintomas dos neuróticos, que os impulsos primitivos, selvagens e maus da humanidade não desapareceram em qualquer de seus membros individuais, mas persistem, embora num estado reprimido, no inconsciente (para empregar nossos termos técnicos) e aguardam as oportunidades para se tornarem ativos mais uma vez. Ela nos ensinou, ainda, que nosso intelecto é algo débil e dependente, um joguete e um instrumento de nossos instintos e afetos, e que todos nós somos compelidos a nos comportar inteligente ou estupidamente, de acordo com as ordens de nossas atitudes [emocionais] e resistências internas. Vemos que Freud explicou a que se propunha a psicanálise em sua carta, abordando o contexto atual do mundo e da Europa, que enfrentava a Primeira Guerra Mundial, sem menos da sua psicanálise que contava com sonhos e parapraxias e sintomas de neuróticos e inferências através de impulsos primitivos, selvagens e maus da humanidade.
Se, agora, o senhor observar o que está acontecendo na presente guerra - as crueldades e as injustiças pelas quais as nações mais civilizadas são responsáveis, a maneira distinta pela qual julgam suas próprias mentiras e maldades e as de seus inimigos, e a falta geral de compreensão interna (insight) que predomina -, terá de admitir que a psicanálise tem estado certa em ambas as suas teses. Vemos como Freud defendeu sua teoria psicanalítica diante da realidade e da cultura, conhecimento e consciência de muitos e de uma época.
Talvez ela não tenha sido inteiramente original nisso; não poucos pensadores e estudiosos da humanidade fizeram afirmações semelhantes. Nossa ciência, porém, as elaborou detalhadamente e as empregou a fim de lançar luz sobre muitos enigmas psicológicos. Vemos como Freud se esforçou para detalhar a nobreza e a riqueza de sua obra perante as demais com quem competiam em relação aos enigmas psicológicos do seu tempo.
MATTANÓ
(17/02/2026)
SOBRE A TRANSITORIEDADE (1916 [1915])
VERGÄNGLICHKEIT
(a) EDIÇÕES ALEMÃS:
1916 Em Das Land Goethes 1914-1916. Stuttgart: Deutsche Verlagsanstalt. Pág. 37-8.
1926 Almlanach 1927, 39-42.
1928 G.S., 11, 291-4.
1946 G.W., 10, 358-61.
(b) TRADUÇÃO INGLESA:
‘On Transience’
1942 Int. J. Psycho-Anal., 23 (2), 84-5. (Trad. de James Strachey.)
1950 C.P., 5, 79-82. (Mesmo tradutor.)
A presente tradução inglesa é uma reimpressão ligeiramente alterada da que foi publicada em 1950.
Este ensaio foi escrito em novembro de 1915, a convite da Berliner Goetherbund (Sociedade Goethe de Berlim) para um volume comemorativo lançado no ano seguinte sob o título de Das Land Goethes (O País de Goethe). Esse volume, produzido com esmero, enfeixava grande número de contribuições de autores e artistas conhecidos, passados e atuais, como von Bülow, von Brentano, Ricardo Huch, Hauptmann e Liebermann. O original alemão (exceto o quadro que apresenta dos sentimetnos de Freud sobre a guerra, que estava então em seu segundo ano) constitui excelente prova de seus poderes literários. É interessante notar que o ensaio abrange um enunciado da teoria do luto contido em ‘Luto e Melancolia’ (1971e), que Freud escrevera alguns meses antes, mas que só foi publicado dois anos depois.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica aqui seus sentimentos sobre a guerra, que estava então em seu segundo ano, enunciando a teoria do luto, contida em ¨Luto e Melancolia¨.
Mattanó aponta que Freud explica aqui seus sentimentos sobre a guerra, que estava então em seu segundo ano, enunciando a teoria do luto, contida em ¨Luto e Melancolia¨, acertando excelente prova de seus poderes literários.
MATTANÓ
(18/02/2026)
SOBRE A TRANSITORIEDADE
Não faz muito tempo empreendi, num dia de verão, uma caminhada através de campos sorridentes na companhia de um amigo taciturno e de um poeta jovem mas já famoso. O poeta admirava a beleza do cenário à nossa volta, mas não extraía disso qualquer alegria. Perturbava-o o pensamento de que toda aquela beleza estava fadada à extinção, de que desapareceria quando sobreviesse o inverno, como toda a beleza humana e toda a beleza e esplendor que os homens criaram ou poderão criar. Tudo aquilo que, em outra circunstância, ele teria amado e admirado, pareceu-lhe despojado de seu valor por estar fadado à transitoriedade.
A propensão de tudo que é belo e perfeito à decadência, pode, como sabemos, dar margem a dois impulsos diferentes na mente. Um leva ao penoso desalento sentido pelo jovem poeta, ao passo que o outro conduz à rebelião contra o fato consumado. Não! É impossível que toda essa beleza da Natureza e da Arte, do mundo de nossas sensações e do mundo externo, realmente venha a se desfazer em nada. Seria por demais insensato, por demais pretensioso acreditar nisso. De uma maneira ou de outra essa beleza deve ser capaz de persistir e de escapar a todos os poderes de destruição.
Mas essa exigência de imortalidade, por ser tão obviamente um produto dos nossos desejos, não pode reivindicar seu direito à realidade; o que é penoso pode, não obstante, ser verdadeiro. Não vi como discutir a transitoriedade de todas as coisas, nem pude insistir numa exceção em favor do que é belo e perfeito. Não deixei, porém, de discutir o ponto de vista pessimista do poeta de que a transitoriedade do que é belo implica uma perda de seu valor.
Pelo contrário, implica um aumento! O valor da transitoriedade é o valor da escassez no tempo. A limitação da possibilidade de uma fruição eleva o valor dessa fruição. Era incompreensível, declarei, que o pensamento sobre a transitoriedade da beleza interferisse na alegria que dela derivamos. Quanto à beleza da Natureza, cada vez que é destruída pelo inverno, retorna no ano seguinte, do modo que, em relação à duração de nossas vidas, ela pode de fato ser considerada eterna. A beleza da forma e da face humana desaparece para sempre no decorrer de nossas próprias vidas; sua evanescência, porém, apenas lhes empresta renovado encanto. Uma flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela. Tampouco posso compreender melhor por que a beleza e a perfeição de uma obra de arte ou de uma realização intelectual deveriam perder seu valor devido à sua limitação temporal. Realmente, talvez chegue o dia em que os quadros e estátuas que hoje admiramos venham a ficar reduzidos a pó, ou que nos possa suceder uma raça de homens que venha a não mais compreender as obras de nossos poetas e pensadores, ou talvez até mesmo sobrevenha uma era geológica na qual cesse toda vida animada sobre a Terra; visto, contudo, que o valor de toda essa beleza e perfeição é determinado somente por sua significação para nossa própria vida emocional, não precisa sobreviver a nós, independendo, portanto, da duração absoluta.
Essas considerações me pareceram incontestáveis, mas observei que não causara impressão quer no poeta quer em meu amigo. Meu fracasso levou-me a inferir que algum fator emocional poderoso se achava em ação, perturbando-lhes o discernimento, e acreditei, depois, ter descoberto o que era. O que lhes estragou a fruição da beleza deve ter sido uma revolta em suas mentes contra o luto. A idéia de que toda essa beleza era transitória comunicou a esses dois espíritos sensíveis uma antecipação de luto pela morte dessa mesma beleza; e, como a mente instintivamente recua de algo que é penoso, sentiram que em sua fruição de beleza interferiam pensamentos sobre sua transitoriedade.
O luto pela perda de algo que amamos ou admiramos se afigura tão natural ao leigo, que ele o considera evidente por si mesmo. Para os psicólogos, porém, o luto constitui um grande enigma, um daqueles fenômenos que por si sós não podem ser explicados, mas a partir dos quais podem ser rastreadas outras obscuridades. Possuímos, segundo parece, certa dose de capacidade para o amor - que denominamos de libido - que nas etapas iniciais do desenvolvimento é dirigido no sentido de nosso próprio ego. Depois, embora ainda numa época muito inicial, essa libido é desviada do ego para objetos, que são assim, num certo sentido, levados para nosso ego. Se os objetos forem destruídos ou se ficarem perdidos para nós, nossa capacidade para o amor (nossa libido) será mais uma vez liberada e poderá então ou substituí-los por outros objetos ou retornar temporariamente ao ego. Mas permanece um mistério para nós o motivo pelo qual esse desligamento da libido de seus objetos deve constituir um processo tão penoso, até agora não fomos capazes de formular qualquer hipótese para explicá-lo. Vemos apenas que a libido se apega a seus objetos e não renuncia àqueles que se perderam, mesmo quando um substituto se acha bem à mão. Assim é o luto.
Minha palestra com o poeta ocorreu no verão antes da guerra. Um ano depois, irrompeu o conflito que lhe subtraiu o mundo de suas belezas. Não só destruiu a beleza dos campos que atravessava e as obras de arte que encontrava em seu caminho, como também destroçou nosso orgulho pelas realizações de nossa civilização, nossa admiração por numerosos filósofos e artistas, e nossas esperanças quanto a um triunfo final sobre as divergências entre as nações e as raças. Maculou a elevada imparcialidade da nossa ciência, revelou nossos instintos em toda a sua nudez e soltou de dentro de nós os maus espíritos que julgávamos terem sido domados para sempre, por séculos de ininterrupta educação pelas mais nobres mentes. Amesquinhou mais uma vez nosso país e tornou o resto do mundo bastante remoto. Roubou-nos do muito que amáramos e mostrou-nos quão efêmeras eram inúmeras coisas que consideráramos imutáveis.
Não pode surpreender-nos o fato de que nossa libido, assim privada de tantos dos seus objetos, se tenha apegado com intensidade ainda maior ao que nos sobrou, que o amor pela nossa pátria, nossa afeição pelos que se acham mais próximos de nós e nosso orgulho pelo que nos é comum, subitamente se tenham tornado mais vigorosos. Contudo, será que aqueles outros bens, que agora perdemos, realmente deixaram de ter qualquer valor para nós por se revelarem tão perecíveis e tão sem resistência? Isso parece ser o caso de muitos de nós; só que, na minha opinião, mais uma vez, erradamente. Creio que aqueles que pensam assim, de e parecem prontos a aceitar uma renúncia permanente porque o que era precioso revelou não ser duradouro, encontram-se simplesmente num estado de luto pelo que se perdeu. O luto, como sabemos, por mais doloroso que possa ser, chega a um fim espontâneo. Quando renunciou a tudo que foi perdido, então consumiu-se a si próprio, e nossa libido fica mais uma vez livre (enquanto ainda formos jovens e ativos) para substituir os objetos perdidos por novos igualmente, ou ainda mais, preciosos. É de esperar que isso também seja verdade em relação às perdas causadas pela presente guerra. Quando o luto tiver terminado, verificar-se-á que o alto conceito em que tínhamos as riquezas da civilização nada perdeu com a descoberta de sua fragilidade. Reconstruiremos tudo o que a guerra destruiu, e talvez em terreno mais firme e de forma mais duradoura do que antes.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que tudo aquilo que, em outra circunstância, ele teria amado e admirado, pareceu-lhe despojado de seu valor por estar fadado à transitoriedade.
A propensão de tudo que é belo e perfeito à decadência, pode, como sabemos, dar margem a dois impulsos diferentes na mente. Um leva ao penoso desalento sentido pelo jovem poeta, ao passo que o outro conduz à rebelião contra o fato consumado. Não! É impossível que toda essa beleza da Natureza e da Arte, do mundo de nossas sensações e do mundo externo, realmente venha a se desfazer em nada. Seria por demais insensato, por demais pretensioso acreditar nisso. De uma maneira ou de outra essa beleza deve ser capaz de persistir e de escapar a todos os poderes de destruição.
Mas essa exigência de imortalidade, por ser tão obviamente um produto dos nossos desejos, não pode reivindicar seu direito à realidade; o que é penoso pode, não obstante, ser verdadeiro. Não vi como discutir a transitoriedade de todas as coisas, nem pude insistir numa exceção em favor do que é belo e perfeito. Não deixei, porém, de discutir o ponto de vista pessimista do poeta de que a transitoriedade do que é belo implica uma perda de seu valor.
Pelo contrário, implica um aumento! O valor da transitoriedade é o valor da escassez no tempo. A limitação da possibilidade de uma fruição eleva o valor dessa fruição. Era incompreensível, declarei, que o pensamento sobre a transitoriedade da beleza interferisse na alegria que dela derivamos. Quanto à beleza da Natureza, cada vez que é destruída pelo inverno, retorna no ano seguinte, do modo que, em relação à duração de nossas vidas, ela pode de fato ser considerada eterna. A beleza da forma e da face humana desaparece para sempre no decorrer de nossas próprias vidas; sua evanescência, porém, apenas lhes empresta renovado encanto. Uma flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela. Tampouco posso compreender melhor por que a beleza e a perfeição de uma obra de arte ou de uma realização intelectual deveriam perder seu valor devido à sua limitação temporal. Realmente, talvez chegue o dia em que os quadros e estátuas que hoje admiramos venham a ficar reduzidos a pó, ou que nos possa suceder uma raça de homens que venha a não mais compreender as obras de nossos poetas e pensadores, ou talvez até mesmo sobrevenha uma era geológica na qual cesse toda vida animada sobre a Terra; visto, contudo, que o valor de toda essa beleza e perfeição é determinado somente por sua significação para nossa própria vida emocional, não precisa sobreviver a nós, independendo, portanto, da duração absoluta.
O luto pela perda de algo que amamos ou admiramos se afigura tão natural ao leigo, que ele o considera evidente por si mesmo. Para os psicólogos, porém, o luto constitui um grande enigma, um daqueles fenômenos que por si sós não podem ser explicados, mas a partir dos quais podem ser rastreadas outras obscuridades. Possuímos, segundo parece, certa dose de capacidade para o amor - que denominamos de libido - que nas etapas iniciais do desenvolvimento é dirigido no sentido de nosso próprio ego. Depois, embora ainda numa época muito inicial, essa libido é desviada do ego para objetos, que são assim, num certo sentido, levados para nosso ego. Se os objetos forem destruídos ou se ficarem perdidos para nós, nossa capacidade para o amor (nossa libido) será mais uma vez liberada e poderá então ou substituí-los por outros objetos ou retornar temporariamente ao ego. Mas permanece um mistério para nós o motivo pelo qual esse desligamento da libido de seus objetos deve constituir um processo tão penoso, até agora não fomos capazes de formular qualquer hipótese para explicá-lo. Vemos apenas que a libido se apega a seus objetos e não renuncia àqueles que se perderam, mesmo quando um substituto se acha bem à mão. Assim é o luto.
Minha palestra com o poeta ocorreu no verão antes da guerra. Um ano depois, irrompeu o conflito que lhe subtraiu o mundo de suas belezas. Não só destruiu a beleza dos campos que atravessava e as obras de arte que encontrava em seu caminho, como também destroçou nosso orgulho pelas realizações de nossa civilização, nossa admiração por numerosos filósofos e artistas, e nossas esperanças quanto a um triunfo final sobre as divergências entre as nações e as raças. Maculou a elevada imparcialidade da nossa ciência, revelou nossos instintos em toda a sua nudez e soltou de dentro de nós os maus espíritos que julgávamos terem sido domados para sempre, por séculos de ininterrupta educação pelas mais nobres mentes. Amesquinhou mais uma vez nosso país e tornou o resto do mundo bastante remoto. Roubou-nos do muito que amáramos e mostrou-nos quão efêmeras eram inúmeras coisas que consideráramos imutáveis.
Não pode surpreender-nos o fato de que nossa libido, assim privada de tantos dos seus objetos, se tenha apegado com intensidade ainda maior ao que nos sobrou, que o amor pela nossa pátria, nossa afeição pelos que se acham mais próximos de nós e nosso orgulho pelo que nos é comum, subitamente se tenham tornado mais vigorosos. Contudo, será que aqueles outros bens, que agora perdemos, realmente deixaram de ter qualquer valor para nós por se revelarem tão perecíveis e tão sem resistência? Isso parece ser o caso de muitos de nós; só que, na minha opinião, mais uma vez, erradamente. Creio que aqueles que pensam assim, de e parecem prontos a aceitar uma renúncia permanente porque o que era precioso revelou não ser duradouro, encontram-se simplesmente num estado de luto pelo que se perdeu. O luto, como sabemos, por mais doloroso que possa ser, chega a um fim espontâneo. Quando renunciou a tudo que foi perdido, então consumiu-se a si próprio, e nossa libido fica mais uma vez livre (enquanto ainda formos jovens e ativos) para substituir os objetos perdidos por novos igualmente, ou ainda mais, preciosos. É de esperar que isso também seja verdade em relação às perdas causadas pela presente guerra. Quando o luto tiver terminado, verificar-se-á que o alto conceito em que tínhamos as riquezas da civilização nada perdeu com a descoberta de sua fragilidade. Reconstruiremos tudo o que a guerra destruiu, e talvez em terreno mais firme e de forma mais duradoura do que antes.
Mattanó aponta que tudo aquilo que, em outra circunstância, ele teria amado e admirado, pareceu-lhe despojado de seu valor por estar fadado à transitoriedade. Vemos que a transitoriedade é um fenômeno universal e que faz parte de tudo o que amamos e admiramos, inclusive dos seus significados e sentidos.
A propensão de tudo que é belo e perfeito à decadência, pode, como sabemos, dar margem a dois impulsos diferentes na mente. Um leva ao penoso desalento sentido pelo jovem poeta, ao passo que o outro conduz à rebelião contra o fato consumado. Não! É impossível que toda essa beleza da Natureza e da Arte, do mundo de nossas sensações e do mundo externo, realmente venha a se desfazer em nada. Seria por demais insensato, por demais pretensioso acreditar nisso. De uma maneira ou de outra essa beleza deve ser capaz de persistir e de escapar a todos os poderes de destruição. Vemos que tudo que é belo e perfeito marcha rumo à decadência em função do desalento e da rebelião contra o fato consumado, ou seja, contra a destruição, contra ter que acreditar nisso, contra a impotência.
Mas essa exigência de imortalidade, por ser tão obviamente um produto dos nossos desejos, não pode reivindicar seu direito à realidade; o que é penoso pode, não obstante, ser verdadeiro. Não vi como discutir a transitoriedade de todas as coisas, nem pude insistir numa exceção em favor do que é belo e perfeito. Não deixei, porém, de discutir o ponto de vista pessimista do poeta de que a transitoriedade do que é belo implica uma perda de seu valor. Vemos que a transitoriedade escolhe o que é belo e perfeito e implica numa perda de seu valor, onde a imortalidade não pode reivindicar seus desejos e seu direito à realidade, pois é custoso discutir a verdade.
Pelo contrário, implica um aumento! O valor da transitoriedade é o valor da escassez no tempo. A limitação da possibilidade de uma fruição eleva o valor dessa fruição. Era incompreensível, declarei, que o pensamento sobre a transitoriedade da beleza interferisse na alegria que dela derivamos. Quanto à beleza da Natureza, cada vez que é destruída pelo inverno, retorna no ano seguinte, do modo que, em relação à duração de nossas vidas, ela pode de fato ser considerada eterna. A beleza da forma e da face humana desaparece para sempre no decorrer de nossas próprias vidas; sua evanescência, porém, apenas lhes empresta renovado encanto. Uma flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela. Tampouco posso compreender melhor por que a beleza e a perfeição de uma obra de arte ou de uma realização intelectual deveriam perder seu valor devido à sua limitação temporal. Realmente, talvez chegue o dia em que os quadros e estátuas que hoje admiramos venham a ficar reduzidos a pó, ou que nos possa suceder uma raça de homens que venha a não mais compreender as obras de nossos poetas e pensadores, ou talvez até mesmo sobrevenha uma era geológica na qual cesse toda vida animada sobre a Terra; visto, contudo, que o valor de toda essa beleza e perfeição é determinado somente por sua significação para nossa própria vida emocional, não precisa sobreviver a nós, independendo, portanto, da duração absoluta. Vemos que o valor da transitoriedade se relaciona com o valor da escassez no tempo do seu objeto. Assim a natureza, a obra de arte, a realização intelectual, a era geológica em que vivemos e toda a vida animada sobre a Terra dependem da sua duração ou da sua transitoriedade.
O luto pela perda de algo que amamos ou admiramos se afigura tão natural ao leigo, que ele o considera evidente por si mesmo. Para os psicólogos, porém, o luto constitui um grande enigma, um daqueles fenômenos que por si sós não podem ser explicados, mas a partir dos quais podem ser rastreadas outras obscuridades. Possuímos, segundo parece, certa dose de capacidade para o amor - que denominamos de libido - que nas etapas iniciais do desenvolvimento é dirigido no sentido de nosso próprio ego. Depois, embora ainda numa época muito inicial, essa libido é desviada do ego para objetos, que são assim, num certo sentido, levados para nosso ego. Se os objetos forem destruídos ou se ficarem perdidos para nós, nossa capacidade para o amor (nossa libido) será mais uma vez liberada e poderá então ou substituí-los por outros objetos ou retornar temporariamente ao ego. Mas permanece um mistério para nós o motivo pelo qual esse desligamento da libido de seus objetos deve constituir um processo tão penoso, até agora não fomos capazes de formular qualquer hipótese para explicá-lo. Vemos apenas que a libido se apega a seu objeto e não renuncia àqueles que se perderam, mesmo quando um substituto se acha bem à mão. Assim é o luto. Vemos que o luto pode ser explicado como o produto do desenvolvimento do amor e da libido, inclusive da comunhão e do exercício da força que num primeiro momento são dirigidos para o nosso próprio ego. Depois, começam a serem desviados para outros objetos que são levados para o nosso ego. Se os objetos forem perdidos nossa capacidade para amar ficará livre e poderemos utilizar a libido, a comunhão e o exercício da força substituindo os objetos, de tal forma que podemos retornar para o ego. Contudo esse desligamento da libido, da comunhão e do exercício da força dos objetos é processo bastante penoso. A libido, a comunhão e o exercício da força se apegam aos seus objetos e não renunciam àqueles que se perderam, mesmo quando um substituto se acha bem à mão. Assim é o luto.
Minha palestra com o poeta ocorreu no verão antes da guerra. Um ano depois, irrompeu o conflito que lhe subtraiu o mundo de suas belezas. Não só destruiu a beleza dos campos que atravessava e as obras de arte que encontrava em seu caminho, como também destroçou nosso orgulho pelas realizações de nossa civilização, nossa admiração por numerosos filósofos e artistas, e nossas esperanças quanto a um triunfo final sobre as divergências entre as nações e as raças. Maculou a elevada imparcialidade da nossa ciência, revelou nossos instintos em toda a sua nudez e soltou de dentro de nós os maus espíritos que julgávamos terem sido domados para sempre, por séculos de ininterrupta educação pelas mais nobres mentes. Amesquinhou mais uma vez nosso país e tornou o resto do mundo bastante remoto. Roubou-nos do muito que amáramos e mostrou-nos quão efêmeras eram inúmeras coisas que consideráramos imutáveis. Vemos que Freud ministrou uma palestra com um poeta no verão antes da guerra e um ano depois, começou o conflito que roubou do mundo suas belezas, destruindo a beleza dos campos, das obras de arte, da nossa civilização, dos nossos filósofos e artistas, e de nossas esperanças quanto as divergências entre nações e raças, tornando evidente a incapacidade das ciências perante a morte e a guerra.
Não pode surpreender-nos o fato de que nossa libido, assim privada de tantos dos seus objetos, se tenha apegado com intensidade ainda maior ao que nos sobrou, que o amor pela nossa pátria, nossa afeição pelos que se acham mais próximos de nós e nosso orgulho pelo que nos é comum, subitamente se tenham tornado mais vigorosos. Contudo, será que aqueles outros bens, que agora perdemos, realmente deixaram de ter qualquer valor para nós por se revelarem tão perecíveis e tão sem resistência? Isso parece ser o caso de muitos de nós; só que, na minha opinião, mais uma vez, erradamente. Creio que aqueles que pensam assim, de e parecem prontos a aceitar uma renúncia permanente porque o que era precioso revelou não ser duradouro, encontram-se simplesmente num estado de luto pelo que se perdeu. O luto, como sabemos, por mais doloroso que possa ser, chega a um fim espontâneo. Quando renunciou a tudo que foi perdido, então consumiu-se a si próprio, e nossa libido fica mais uma vez livre (enquanto ainda formos jovens e ativos) para substituir os objetos perdidos por novos igualmente, ou ainda mais, preciosos. É de esperar que isso também seja verdade em relação às perdas causadas pela presente guerra. Quando o luto tiver terminado, verificar-se-á que o alto conceito em que tínhamos as riquezas da civilização nada perdeu com a descoberta de sua fragilidade. Reconstruiremos tudo o que a guerra destruiu, e talvez em terreno mais firme e de forma mais duradoura do que antes. Vemos que o amor a nossa pátria e ao que nos sobrou e ao que é comum parece ser agora muito mais valiosos e vigorosos, pois tudo o que perdemos gerou um estado de luto pelo que se perdeu que gerou uma desorganização ou neguentropia, a fim de causar outra organização ou entropia psicológica e comportamental, onde o luto possa fazer o seu trabalho e chegar a um fim espontâneo. Quando o luto tiver terminado, constataremos as riquezas da civilização perdidas pela guerra e como a civilização é tão frágil, e reconstruiremos tudo novamente, comprovando que somos fortes e resilientes, que buscamos terrenos mais firmes e formas mais duradouras de relação social do que antes.
MATTANÓ
(18/02/2026)
ALGUNS TIPOS DE CARÁTER ENCONTRADOS NO TRABALHO PSICANALÍTICO
EINIGE CHARAKTERTYPEN AUS DERPSYCHOANALYTISCHEN ARBEIT
(a) EDIÇÕES ALEMÃS:
1916 Imago, 4 (6), 317-336.
1918 S.K.S.N., 4, 521-552. (1922. 2ª ed.)
1924 G.S., 10, 287-314.
1924 Dichtung und Kunst, 59-86.
1925 Almanach 1926, 21-6. (Somente a Seção I.)
1936 Psychoan. Pädagog., 9, 193-4. (Somente a Seção III.)
1946 G.W., 10, 364-391.
(b) TRADUÇÃO INGLESA:
[Some Character-Types Met with in Psycho-Analytic Work]
1925 C.P., 4, 318-344. (Trad. E. C. Mayne.)
A presente tradução inglesa baseia-se na que foi publicada em 1925.
Estes três ensaios foram publicados no último número de Imago referente ao ano de 1916. O terceiro deles, embora o mais curto, provocou tantas repercussões quanto qualquer dos escritos não médicos de Freud, pois lançou uma luz inteiramente nova sobre os problemas da psicologia do crime.
Trechos da tradução deste trabalho publicados em 1925 foram incluídos em A General Selection from the Works of Sigmund Freud, de Rickman (1937, 111-17).
ALGUNS TIPOS DE CARÁTER ENCONTRADOS NO TRABALHO PSICANALÍTICO
Quando um médico empreende o tratamento psicanalítico de um neurótico, seu interesse não se dirige de modo algum em primeiro lugar para o caráter do paciente. Prefere saber o que significam os sintomas, quais os impulsos instintuais ocultos por detrás deles e por eles satisfeitos, e qual o curso seguido pelo caminho misterioso que conduziu dos desejos instintuais aos sintomas. Contudo, a técnica que ele é obrigado a seguir logo o compele a dirigir sua curiosidade imediata para outros objetivos. Observa que sua investigação se acha ameaçada por resistências erguidas contra ele pelo paciente, podendo o médico, com razão, encarar essas resistências como parte do caráter do paciente. Isso passa a adquirir a prioridade de seu interesse.
O que se opõe aos esforços do médico nem sempre são os traços de caráter que o paciente reconhece em si mesmo e que lhe são atribuídos por pessoas que o cercam. As peculiaridades que parecera possuir apenas em grau modesto são com freqüência trazidas à luz com intensidade surpreendentemente maior, ou então nele se revelam atitudes que não tinham sido denunciadas em outras relações da vida. As páginas que se seguem serão dedicadas a descrever e a rastrear alguns desses surpreendentes traços de caráter.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que quando um médico empreende o tratamento psicanalítico de um neurótico, seu interesse não se dirige de modo algum em primeiro lugar para o caráter do paciente. Prefere saber o que significam os sintomas, quais os impulsos instintuais ocultos por detrás deles e por eles satisfeitos, e qual o curso seguido pelo caminho misterioso que conduziu dos desejos instintuais aos sintomas. Contudo, a técnica que ele é obrigado a seguir logo o compele a dirigir sua curiosidade imediata para outros objetivos. Observa que sua investigação se acha ameaçada por resistências erguidas contra ele pelo paciente, podendo o médico, com razão, encarar essas resistências como parte do caráter do paciente. Isso passa a adquirir a prioridade de seu interesse.
O que se opõe aos esforços do médico nem sempre são os traços de caráter que o paciente reconhece em si mesmo e que lhe são atribuídos por pessoas que o cercam. As peculiaridades que parecera possuir apenas em grau modesto são com freqüência trazidas à luz com intensidade surpreendentemente maior, ou então nele se revelam atitudes que não tinham sido denunciadas em outras relações da vida. As páginas que se seguem serão dedicadas a descrever e a rastrear alguns desses surpreendentes traços de caráter.
Mattanó aponta que quando um médico empreende o tratamento psicanalítico de um neurótico, seu interesse não se dirige de modo algum em primeiro lugar para o caráter do paciente. Prefere saber o que significam os sintomas, quais os impulsos instintuais ocultos por detrás deles e por eles satisfeitos, e qual o curso seguido pelo caminho misterioso que conduziu dos desejos instintuais aos sintomas. Contudo, a técnica que ele é obrigado a seguir logo o compele a dirigir sua curiosidade imediata para outros objetivos. Observa que sua investigação se acha ameaçada por resistências erguidas contra ele pelo paciente, podendo o médico, com razão, encarar essas resistências como parte do caráter do paciente. Isso passa a adquirir a prioridade de seu interesse. Vemos que o caminho da análise segue o caminho da fala do paciente ou da escuta do psicanalista.
O que se opõe aos esforços do médico nem sempre são os traços de caráter que o paciente reconhece em si mesmo e que lhe são atribuídos por pessoas que o cercam. As peculiaridades que parecera possuir apenas em grau modesto são com freqüência trazidas à luz com intensidade surpreendentemente maior, ou então nele se revelam atitudes que não tinham sido denunciadas em outras relações da vida. As páginas que se seguem serão dedicadas a descrever e a rastrear alguns desses surpreendentes traços de caráter. Vemos que o paciente traz com frequência traços de caráter que reconhece em si mesmo e que lhe são atribuídos por pessoas do seu convívio, neles se revelam atitudes denunciadas em outras relações da vida, bem como uma consciência, cultura, conhecimento e realidade, pois são significados e sentidos vindos do meio ambiente, mediante uma aprendizagem operante que também é comportamental.
MATTANÓ
(18/02/2026)
I - AS EXCEÇÕES
O trabalho psicanalítico continuamente se defronta com a tarefa de induzir o paciente a renunciar a uma dose imediata e diretamente atingível de prazer. Não se pede a ele que renuncie a todo prazer; talvez não se possa esperar isso de nenhum ser humano, e até mesmo a religião é obrigada a apoiar sua exigência de que o prazer terreno seja posto de lado prometendo proporcionar em seu lugar uma quantidade incomparavelmente maior de um prazer superior no outro mundo. Não, apenas se pede ao paciente que renuncie às satisfações que inevitavelmente trarão conseqüências prejudiciais. Sua privação deve ser apenas temporária; ele só tem de aprender a trocar uma dose imediata de prazer por uma mais segura, ainda que adiada. Ou, em outras palavras, sob a orientação do médico, pede-se a ele que avance do princípio do prazer para o princípio da realidade pelo qual o ser humano maduro se distingue de uma criança. Nesse processo educativo, dificilmente se pode dizer que a compreensão interna (insight) mais nítida do médico desempenha um papel decisivo; via de regra, ele só poderia dizer a seu paciente o que a própria razão deste pode dizer-lhe. Mas saber uma coisa em nossa própria mente não é o mesmo que ouvi-la de alguém de fora. O médico desempenha o papel eficaz estranho; faz uso da influência que um ser humano exerce sobre outro. Ou - recordando que é hábito da psicanálise substituir o que é derivado e estiolado pelo que é original e básico - digamos que o médico, em seu trabalho educativo, faz uso de um dos componentes do amor. Nesse trabalho de educação posterior, provavelmente nada mais faz do que repetir o processo que, de início, tornou possível qualquer espécie de educação. Lado a lado com as exigências da vida, o amor é o grande educador, e é pelo amor daqueles que se encontram mais próximos dele que o ser humano incompleto é induzido a respeitar os ditames da necessidade e a poupar-se do castigo que sobrevém a qualquer infração dos mesmos.
Quando, dessa maneira, pedimos ao paciente que renuncie provisoriamente a alguma satisfação agradável, que faça um sacrifício, que se mostre disposto a aceitar um sofrimento temporário a fim de chegar a um resultado melhor, ou mesmo, simplesmente, que se decida a se submeter a uma necessidade que se aplica a todos, encontramos indivíduos que resistem a esse apelo por um motivo especial. Dizem que já renunciaram bastante e já sofreram bastante e têm direito de ser poupados de quaisquer outras exigências; não se submeterão mais a qualquer necessidade desagradável, pois são exceções e, além disso, pretendem continuar assim. Nesse tipo de paciente essa reivindicação se transforma na convicção de que uma providência especial vela por ele, protegendo-o de quaisquer sacrifícios penosos dessa natureza. Os argumentos do médico nada conseguem contra uma confiança interna que se expressa de forma tão vigorosa quanto esta; mesmo a influência dele, na realidade, é inicialmente impotente, ficando evidente para ele que deve descobrir as fontes das quais essa prevenção prejudicial se alimenta.
Ora, sem dúvida é verdade que cada um gostaria de se considerar uma ‘exceção’ e reivindicar privilégios em relação aos demais. Mas, precisamente por causa disso, deve haver uma razão específica, e não universalmente presente, para que alguém realmente se proclame uma exceção e se comporte como tal. Essa razão pode ser de mais de uma natureza; nos casos que investiguei, consegui descobrir uma peculiaridade comum às experiências mais antigas das vidas desses pacientes. Suas neuroses se ligavam a alguma experiência ou sofrimento a que estiveram sujeitos em sua primeira infância, e em relação aos quais eles próprios sabiam não ter culpa, podendo encará-los como sendo uma desvantagem injusta a eles imposta. Os privilégios que reclamavam como resultado dessa injustiça, e a rebeldia que ela engendrava, contribuíram, e não em pequena dose, para intensificar os conflitos que levaram à irrupção de sua neurose. Num desses pacientes, uma mulher, a atitude para com a vida, ora objeto de seu exame, chegou ao máximo quando ela soube que uma perturbação dolorosa, de ordem orgânica, que a havia impedido de alcançar seus objetivos na vida, era de origem congênita. Enquanto considerou esse mal como uma aquisição acidental e tardia, suportou-o pacientemente; tão logo, porém, verificou ser ele parte de uma herança inata, tornou-se rebelde. Um jovem que se acreditava velado por uma providência especial, em sua infância fora vítima de uma infecção acidental provocada por sua ama-de-leite, e depois passou toda a sua vida fazendo reivindicações de compensação, uma pensão por acidente, por assim dizer, sem ter qualquer idéia que servisse de base para essas alegações. Nesse caso, a análise que construiu esse fato a partir de resíduos mnêmicos obscuros e de interpretações dos sintomas, foi confirmada objetivamente por informações prestadas pela família.
Por motivos que serão facilmente compreendidos, não posso alongar-me muito sobre essas e outras anamneses, nem me proponho penetrar na evidente analogia entre deformações de caráter resultantes de uma prolongada doença na infância e o comportamento de nações inteiras cuja história passada foi cheia de sofrimentos. Em vez disso, contudo, aproveitarei a oportunidade para chamar a atenção para uma figura criada pelo maior dos poetas - uma figura em cujo caráter a reivindicação à exceção se mostra estreitamente vinculada à circunstância de uma desvantagem congênita, sendo por ela motivada.
No monólogo inicial de Ricardo III, de Shakespeare, Gloucester, que depois vem a ser Rei, diz
Mas eu, que não fui talhado para habilidades esportivas, nem para cortejar um espelho amoroso; que, grosseiramente feito e sem a majestade do amor para pavonear-me diante de uma ninfa de lascivos meneios; eu, privado dessa bela proporção, desprovido de todo encanto pela pérfida natureza; disforme, inacabado, enviado por ela antes do tempo para este mundo dos vivos; terminado pela metade e isso tão imperfeitamente e fora de moda que os cães ladram para mim quando paro perto deles;
* * *
E assim, já que não posso mostrar-me como amante, para entreter estes belos dias da galanteria, resolvi portar-me como vilão e odiar os frívolos prazeres deste tempo.
À primeira vista, essa investida talvez dê a impressão de não estar relacionada a nosso presente tema. Ricardo parece nada dizer além de: ‘Considero tediosos esses tempos frívolos, e quero divertir-me. Como não posso desempenhar o papel de amante por causa da minha deformidade, serei o vilão; conspirarei, assassinarei e farei tudo o que quiser. Essa motivação frívola só sufocaria qualquer sentimento de simpatia no auditório, se não fosse um pano de fundo para algo mais grave. Do contrário, a peça seria psicologicamente impossível, pois o escritor deve saber como nos fornecer antecedentes secretos que despertem simpatia pelo seu herói, a fim de que possamos admirar sua ousadia e desembaraço sem protesto interior; e essa simpatia só pode basear-se na compreensão ou no sentimento de uma possível solidariedade interior em relação a ele.
Penso, portanto, que o monólogo de Ricardo não diz tudo, dando meramente uma sugestão, e deixando que preenchamos o que ele sugere. Quando o fazemos, contudo, a aparência de frivolidade desaparece, a amargura e a minudência com que Ricardo retratou sua deformidade exercem todo o seu efeito, e percebemos claramente o sentimento de solidariedade que compele nossa simpatia mesmo para com um vilão como ele. Assim, o que o monólogo significa é: ‘A Natureza me causou um doloroso mal ao negar-me a beleza das formas que conquista o amor humano. A vida me deve uma reparação por isso, e farei tudo para consegui-la. Tenho o direito de ser uma exceção, de desprezar os escrúpulos pelos quais os outros se deixam tolher. Posso fazer o mal, já que a mim foi feito mal.’ Agora, sentimos que nós mesmos poderíamos ficar como Ricardo; que em pequena escala, realmente, já somos como ele. Ricardo é uma enorme ampliação de algo que encontramos em nós mesmos. Todos nós pensamos que temos motivo para repreender a Natureza e o nosso destino por desvantagens congênitas e infantis; todos exigimos reparação por antigos ferimentos ao nosso narcisismo, ao nosso amor-próprio. Por que a Natureza não nos deu os cachos dourados de Balder ou a força de Siegfried, ou a expressão altaneira do gênio, ou o nobre perfil de aristocracia? Por que nascemos num lar de classe média e não num palácio real? Poderíamos exibir beleza e distinção tão bem quanto qualquer um daqueles em quem agora somos obrigados a invejar essas qualidades.
Constitui, contudo, uma sutil economia de arte no poeta não permitir a seu herói exprimir franca e completamente todos os seus motivos secretos. Por esse meio, obriga-nos a suplementá-los; ele ocupa nossa atividade intelectual, desvia-a da reflexão crítica e nos mantém firmemente identificados com seu herói. Um indivíduo canhestro, em seu lugar, daria expressão consciente a tudo que desejasse revelar-nos, e então se depararia com nossa inteligência fria e sem entraves, que impediria qualquer aprofundamento da ilusão.
Antes de deixarmos as ‘exceções’, contudo, podemos ressaltar que a reivindicação das mulheres a privilégios e à isenção de tantas das importunidades da vida repousa na mesma base. Conforme aprendemos pelo trabalho psicanalítico, as mulheres se consideram como tendo sido prejudicadas na infância, como tendo sido imerecidamente privadas de algo e injustamente tratadas; e a amargura de tantas filhas contra suas mães provém, em última análise, da censura contra estas por as terem trazido ao mundo como mulheres e não como homens.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que o trabalho psicanalítico continuamente se defronta com a tarefa de induzir o paciente a renunciar a uma dose imediata e diretamente atingível de prazer. Não se pede a ele que renuncie a todo prazer; talvez não se possa esperar isso de nenhum ser humano, e até mesmo a religião é obrigada a apoiar sua exigência de que o prazer terreno seja posto de lado prometendo proporcionar em seu lugar uma quantidade incomparavelmente maior de um prazer superior no outro mundo. Não, apenas se pede ao paciente que renuncie às satisfações que inevitavelmente trarão conseqüências prejudiciais. Sua privação deve ser apenas temporária; ele só tem de aprender a trocar uma dose imediata de prazer por uma mais segura, ainda que adiada. Ou, em outras palavras, sob a orientação do médico, pede-se a ele que avance do princípio do prazer para o princípio da realidade pelo qual o ser humano maduro se distingue de uma criança. Nesse processo educativo, dificilmente se pode dizer que a compreensão interna (insight) mais nítida do médico desempenha um papel decisivo; via de regra, ele só poderia dizer a seu paciente o que a própria razão deste pode dizer-lhe. Mas saber uma coisa em nossa própria mente não é o mesmo que ouvi-la de alguém de fora. O médico desempenha o papel eficaz estranho; faz uso da influência que um ser humano exerce sobre outro. Ou - recordando que é hábito da psicanálise substituir o que é derivado e estiolado pelo que é original e básico - digamos que o médico, em seu trabalho educativo, faz uso de um dos componentes do amor. Nesse trabalho de educação posterior, provavelmente nada mais faz do que repetir o processo que, de início, tornou possível qualquer espécie de educação. Lado a lado com as exigências da vida, o amor é o grande educador, e é pelo amor daqueles que se encontram mais próximos dele que o ser humano incompleto é induzido a respeitar os ditames da necessidade e a poupar-se do castigo que sobrevém a qualquer infração dos mesmos.
Todos nós pensamos que temos motivo para repreender a Natureza e o nosso destino por desvantagens congênitas e infantis; todos exigimos reparação por antigos ferimentos ao nosso narcisismo, ao nosso amor-próprio. Por que a Natureza não nos deu os cachos dourados de Balder ou a força de Siegfried, ou a expressão altaneira do gênio, ou o nobre perfil de aristocracia? Por que nascemos num lar de classe média e não num palácio real? Poderíamos exibir beleza e distinção tão bem quanto qualquer um daqueles em quem agora somos obrigados a invejar essas qualidades.
Antes de deixarmos as ‘exceções’, contudo, podemos ressaltar que a reivindicação das mulheres a privilégios e à isenção de tantas das importunidades da vida repousa na mesma base. Conforme aprendemos pelo trabalho psicanalítico, as mulheres se consideram como tendo sido prejudicadas na infância, como tendo sido imerecidamente privadas de algo e injustamente tratadas; e a amargura de tantas filhas contra suas mães provém, em última análise, da censura contra estas por as terem trazido ao mundo como mulheres e não como homens.
Mattanó aponta que o trabalho psicanalítico continuamente se defronta com a tarefa de induzir o paciente a renunciar a uma dose imediata e diretamente atingível de prazer. Não se pede a ele que renuncie a todo prazer; talvez não se possa esperar isso de nenhum ser humano, e até mesmo a religião é obrigada a apoiar sua exigência de que o prazer terreno seja posto de lado prometendo proporcionar em seu lugar uma quantidade incomparavelmente maior de um prazer superior no outro mundo. Não, apenas se pede ao paciente que renuncie às satisfações que inevitavelmente trarão conseqüências prejudiciais. Sua privação deve ser apenas temporária; ele só tem de aprender a trocar uma dose imediata de prazer por uma mais segura, ainda que adiada. Ou, em outras palavras, sob a orientação do médico, pede-se a ele que avance do princípio do prazer para o princípio da realidade pelo qual o ser humano maduro se distingue de uma criança. Nesse processo educativo, dificilmente se pode dizer que a compreensão interna (insight) mais nítida do médico desempenha um papel decisivo; via de regra, ele só poderia dizer a seu paciente o que a própria razão deste pode dizer-lhe. Mas saber uma coisa em nossa própria mente não é o mesmo que ouvi-la de alguém de fora. O médico desempenha o papel eficaz estranho; faz uso da influência que um ser humano exerce sobre outro. Ou - recordando que é hábito da psicanálise substituir o que é derivado e estiolado pelo que é original e básico - digamos que o médico, em seu trabalho educativo, faz uso de um dos componentes do amor. Nesse trabalho de educação posterior, provavelmente nada mais faz do que repetir o processo que, de início, tornou possível qualquer espécie de educação. Lado a lado com as exigências da vida, o amor é o grande educador, e é pelo amor daqueles que se encontram mais próximos dele que o ser humano incompleto é induzido a respeitar os ditames da necessidade e a poupar-se do castigo que sobrevém a qualquer infração dos mesmos. Vemos que o trabalho do psicanalista consiste em fazer com que o seu paciente desista do princípio do prazer, sua privação deve ser momentânea e segura, fazendo com que ele avance para o princípio da realidade e abandone os muros da sua infância, aqui o insight cabe ao psicanalista, este deve saber usar a sua influência sobre seu paciente para lhe falar sobre sua mente, contudo através do amor que passa a ser o método educativo, lado a lado com as exigências da vida, pois o amor os aproxima e os induz a se respeitarem, e as suas necessidades, inclusive poupando de qualquer castigo causado por qualquer infração dos mesmos.
Todos nós pensamos que temos motivo para repreender a Natureza e o nosso destino por desvantagens congênitas e infantis; todos exigimos reparação por antigos ferimentos ao nosso narcisismo, ao nosso amor-próprio. Por que a Natureza não nos deu os cachos dourados de Balder ou a força de Siegfried, ou a expressão altaneira do gênio, ou o nobre perfil de aristocracia? Por que nascemos num lar de classe média e não num palácio real? Poderíamos exibir beleza e distinção tão bem quanto qualquer um daqueles em quem agora somos obrigados a invejar essas qualidades. Vemos que costumamos repreender a Natureza e o nosso destino pelos nossas desvantagens congênitas e infantis, buscamos reparação por ferimentos por antigos ferimentos ao nosso narcisismo, ao nosso amor-próprio. Reclamamos o direito de sermos perfeitos como os super-heróis e os grandes homens e mulheres com sua beleza e formosura, os grandes gênios da humanidade, invejamos suas qualidades e os imitamos, vivendo no mundo da lua, distante da realidade, consumindo ¨enlatados, gordura, refrigerante e ópio!¨
Antes de deixarmos as ‘exceções’, contudo, podemos ressaltar que a reivindicação das mulheres a privilégios e à isenção de tantas das importunidades da vida repousa na mesma base. Conforme aprendemos pelo trabalho psicanalítico, as mulheres se consideram como tendo sido prejudicadas na infância, como tendo sido imerecidamente privadas de algo e injustamente tratadas; e a amargura de tantas filhas contra suas mães provém, em última análise, da censura contra estas por as terem trazido ao mundo como mulheres e não como homens. Vemos que entre as ¨exceções¨ estão as mulheres que se sentem discriminadas e imerecidamente privadas de algo e injustamente tratadas, de tal maneira que desejariam terem sido trazido ao mundo não como mulheres, mas como homens, em função dos seus significados e sentidos.
MATTANÓ
(18/02/2026)
II - OS ARRUINADOS PELO ÊXITO
O trabalho psicanalítico proporcionou-nos a tese segundo a qual as pessoas adoecem de neurose como resultado de frustração. Referimo-nos à frustração da satisfação de seus desejos libidinais, fazendo-se necessária uma digressão a fim de tornarmos a tese inteligível. Para que uma neurose seja gerada, deve haver um conflito entre os desejos libidinais de uma pessoa e a parte de sua personalidade que denominamos de ego, que é a expressão do seu instinto de autopreservação e que também abrange os ideais de sua personalidade. Um conflito patogênico dessa espécie só ocorre quando a libido tenta seguir caminhos e objetivos que o ego de há muito superou e condenou e, portanto, proibiu para sempre, e isso a libido só faz se for privada da possibilidade de uma satisfação ego-sintônica ideal. Por isso, a privação, a frustração de uma satisfação real, é a primeira condição para a geração de uma neurose, embora, na verdade, esteja longe de ser a única.
Parece ainda mais surpreendente, e na realidade atordoante, quando, na qualidade de médico, se faz a descoberta de que as pessoas ocasionalmente adoecem precisamente no momento em que um desejo profundamente enraizado e de há muito alimentado atinge a realização. Então, é como se elas não fossem capazes de tolerar sua felicidade, pois não pode haver dúvida de que existe uma ligação causal entre seu êxito e o fato de adoecerem.
Tive oportunidade de obter uma compreensão interna (insight) da anamnese de uma mulher, que me proponho descrever como algo típico dessas ocorrências trágicas. Era bem nascida e bem educada; no entanto, ainda muito jovem, não pôde conter seu gosto de viver; fugiu de casa e perambulou pelo mundo em busca de aventuras, até travar conhecimento com um pintor, que não só pôde apreciar seus encantos femininos mas também captar, apesar de sua degradação, as qualidades mais requintadas que ela possuía. Levou-a para viver com ele e ela provou ser uma companheira fiel, parecendo apenas carecer de reabilitação social para alcançar uma felicidade completa. Após muitos anos de vida em comum, o pintor conseguiu fazer com que a família dele se reconciliasse com ela; estava então preparado para torná-la sua esposa legítima. Foi nesse momento que ela começou a desmoronar. Descuidou da casa da qual agora estava prestes a tornar-se dona por direito; imaginou-se perseguida pelos parentes dele, que desejavam fazê-la parte da família; proibiu ao amante, com seu ciúme insensato, todo contato social; prejudicou-o em seu trabalho artístico, e logo sucumbiu a uma doença mental incurável.
Em outra ocasião, defrontei-me com o caso de um respeitável senhor, professor universitário, que nutria havia muitos anos o desejo natural de ser o sucessor do mestre que o iniciara nos estudos. Quando esse professor mais antigo se aposentou e os colegas informaram ao pretendente que ele fora escolhido para substituí-lo, começou a hesitar, depreciou seus méritos, declarou-se indigno de preencher o cargo para o qual fora designado, e caiu numa melancolia que o deixou incapaz de toda e qualquer atividade durante vários anos.
Não obstante esses dois casos serem diferentes sob outros aspectos, existe uma concordância no seguinte ponto: a doença seguiu de perto a realização de um desejo e pôs termo a toda fruição do mesmo.
A contradição entre tais experiências e a norma segundo a qual aquilo que induz à doença é a frustração não é insolúvel. Desaparecerá se estabelecermos uma distinção entre uma frustração externa e uma interna. Se o objeto no qual a libido pode encontrar sua satisfação está contido na realidade, isso constitui uma frustração externa. Em si, ela é inoperante, não patogênica, até que uma frustração interna se junte a ela. Esta última deve provir do ego, e deve disputar o acesso da libido a outros objetos, objetos estes que agora a libido procura apreender. Só então surgem um conflito e a possibilidade de uma doença neurótica, isto é, de uma satisfação substitutiva alcançada indiretamente por meio do inconsciente reprimido. Por conseguinte, a frustração interna está potencialmente presente em todos os casos, só que não entra em ação até que a frustração externa real tenha preparado o terreno para ela. Nos casos excepcionais em que as pessoas adoecem por causa do êxito, a frustração interna atua por si mesma; na realidade, só surge depois que uma frustração externa foi substituída por realização de um desejo. À primeira vista, há algo de estranho nisso, mas, por ocasião de um exame mais detido, refletiremos que não é absolutamente incomum para o ego tolerar um desejo tão inofensivo na medida em que ele só existe na fantasia e cuja realização parece distante; pelo contrário, porém, o ego se defenderá ardentemente contra esse desejo tão logo este se aproxime da realização e ameace tornar-se uma realidade. A distinção entre isso e as situações comuns na formação da neurose consiste meramente em que, via de regra, são as intensificações internas da catexia libidinal que transformam a fantasia, até então merecedora de pouca consideração e tolerada, num oponente temido, ao passo que nesses casos o sinal para a irrupção do conflito é dado por uma mudança externa real.
O trabalho analítico não encontra dificuldade alguma em demonstrar que são as forças da consciência que proíbem ao indivíduo obter a tão almejada vantagem proveniente da feliz mudança da realidade. Constitui tarefa difícil, contudo, descobrir a essência e a origem dessas tendências julgadoras e punitivas, cuja existência, onde não esperamos encontrá-las, tantas vezes nos surpreende. Pelas razões habituais, não examinarei o que sabemos ou conjecturamos em relação a casos de observação clínica, mas em relação a figuras que grandes autores criaram a partir de seu rico conhecimento da mente.
Podemos tomar como exemplo de pessoa que sucumbe ao atingir o êxito, após lutar exclusivamente por ele com todas as suas forças, a figura de Lady Macbeth, criada por Shakespeare. De início, não há qualquer hesitação, qualquer sinal de conflito interno nela, qualquer esforço senão o de vencer os escrúpulos de seu ambicioso, embora compassivo, marido. Ela se mostra pronta a sacrificar até mesmo sua feminilidade à sua intenção assassina, sem refletir no papel decisivo que esta feminilidade deverá desempenhar quando, posteriormente, surgir a questão de preservar a finalidade de sua ambição, alcançada através de um crime.
Vinde, espíritos sinistros
Que servis aos desígnios assassinos!Dessexuai-me, enchei-me, da cabeçaAos pés, da mais horrível crueldade!
(Ato I, Cena 5.)
…Bem conheçoAs delícias de amar um tenro filhoQue se amamenta: embora! eu lhe arrancaraÀs gengivas sem dente, ainda quandoVendo-o sorrir-se para mim, o bicoDe meu seio, e faria sem piedadeSaltaram-lhe os miolos, se tivesse Jurado assim fazer, como jurasteCumprir esta empreitada. (Ato I, Cena 7.)
Apenas um leve e isolado frêmito de relutância dela se apossa antes do feito:
…Se no seu sono não lembrasse tantoMeu pai, tê-lo-ia eu mesma apunhalado!
(Ato II, Cena 2.)
Então, quando se torna Rainha pelo assassinato de Duncan, ela trai por um momento algo como um desapontamento, algo como uma desilusão. Não podemos dizer por que razão.
…Tudo perdemos quando o que queríamos,Obtemos sem nenhum contentamento:Mais vale ser a vítima destruídaDo que, por a destruir, destruir com elaO gosto de viver.
(Ato III, Cena 2.)
Não obstante, ela se mantém firme. Na cena do banquete que se segue a essas palavras, somente ela se conserva serena, encobre o estado de confusão do marido e encontra um pretexto para dispensar os convivas. E então desaparece de vista. A seguir, vêmo-la na casa de sonambulismo do último Ato, fixada nas impressões da noite do assassinato. Mais uma vez, como antes, procura incutir coragem ao marido:
Por quem sois, meu senhor, que vergonha!Um soldado com medo?Por que havemos de recear que alguém o saiba,se ninguém nos pode pedir contas?
(Ato V, Cena 1.)
Ela ouve a pancada na porta, que apavorou o marido depois do feito. Mas ao mesmo tempo luta por ‘desfazer a ação que não pode ser desfeita’. Lava as mãos, manchadas de sangue e que cheiram a sangue, e fica cônscia da futilidade da tentativa. Ela que parecia tão sem remorsos, parece ter sido abatida pelo remorso. Quando morre, Macbeth, que nesse meio tempo se tornou tão inexorável quanto ela no começo, encontra apenas um breve epitáfio para ela: É morta… Não devia ser agora.Sempre seria tempo para ouvir-seEssas palavras.
(Ato V, Cena 5.)
E agora nos perguntamos: o que foi que quebrantou esse caráter que parecia ter sido forjado do metal mais rijo? Terá sido somente a desilusão - o aspecto diferente revelado pelo fato consumado -, e devemos inferir que, mesmo em Lady Macbeth, uma natureza originalmente dócil e feminina foi levada a um ponto de concentração e de alta tensão que não pôde suportar por muito tempo, ou devemos procurar indícios de uma motivação mais profunda, que tornará essa derrocada mais humanamente inteligível para nós?
Parece-me impossível chegar a uma decisão. Macbeth, de Shakespeare, é uma pièce d’occasion, escrita para a ascensão de Jaime, até então Rei da Escócia. O enredo foi feito de encomenda e já fora trabalhado por outros escritores contemporâneos, de cuja obra Shakespeare provavelmente se utilizou, como costumava fazer. Apresentava notáveis analogias com a situação real. A ‘virginal’ Elisabeth, de quem se dizia que jamais fora capaz de ter filhos e que certa vez se descrevera a si própria como um ‘tronco estéril’, numa angustiosa exclamação pela notícia do nascimento de Jaime, foi obrigada por essa mesma esterilidade a fazer do rei escocês seu sucessor. E ele era o filho de Maria Stuart, cuja execução ela, embora relutantemente, ordenara, e que, apesar do toldamento de suas relações por causa de preocupações políticas, era não obstante do seu sangue e podia ser chamada de sua hóspede.
A ascensão de Jaime I foi como uma demonstração da maldição da esterilidade e das bênçãos da geração contínua. E a ação do Macbeth de Shakespeare baseia-se nesse mesmo contraste.
As Bruxas asseguram a Macbeth que seria rei, mas a Banquo prometeram que seus filhos herdariam a coroa. Macbeth se enfurece com esse ditame do destino. Não fica contente com a satisfação de sua própria ambição. Deseja fundar uma dinastia - e não ter cometido assassinato em benefício de estranhos. Esse ponto será negligenciado se a peça de Shakespeare for considerada apenas como uma tragédia de ambição. É claro que Macbeth não pode viver para sempre, e assim existe apenas uma forma para que ele invalide a parte da profecia que lhe é desfavorável - a saber, ter ele mesmo filhos que possam sucedê-lo. E ele parece esperá-los de sua indomável esposa:
Não concebas nuncaSenão filhos varões; tua alma indomávelO pede assim.
(Ato I, Cena 7.)
E é igualmente claro que, se for desapontado nessa expectativa, deverá submeter-se ao destino; do contrário, suas ações perdem toda finalidade e são transformadas na fúria cega de alguém condenado à destruição, que está resolvido a destruir de antemão tudo o que pode alcançar. Vemos Macbeth passar por esse processo, e no clímax da tragédia ouvimos o grito lancinante de Macduff, que com tanta freqüência é considerado ambíguo e que talvez possa conter a chave da mudança em Macbeth:
Ele não tem filhos!
(Ato IV, Cena 3.)
Não há dúvida de que isso significa: ‘Somente porque ele próprio não tem filhos é que pôde assassinar meus filhos.’ No entanto, algo mais pode estar implícito nisso e, acima de tudo, poderia pôr a nu o motivo mais profundo que não apenas força Macbeth a ir muito além de sua própria natureza, como também toca no único ponto fraco do caráter insensível de sua esposa. Se se examinar toda a peça, a partir do clímax assinalado pelas palavras de Macduff, ver-se-á que ela está repleta de referências à relação pai-filhos. O assassinato do bondoso Duncan não passa de parricídio; no caso de Banquo, Macbeth mata o pai, enquanto o filho se lhe escapa; e no de Macduff, ele mata os filhos porque o pai fugira dele. Uma criança ensangüentada e a seguir uma coroada lhe são mostradas pelas Bruxas na cena da aparição; a cabeça armada que é vista antes sem dúvida é o próprio Macbeth. Mas no segundo plano ergue-se a forma sinistra do vingador, Macduff, ele próprio uma exceção às leis da geração, visto que não nasceu de sua mãe mas foi arrancado de seu ventre.
Seria um exemplo perfeito de justiça poética à maneira de talião se a ausência de filhos de Macbeth e a infecundidade de sua Lady fossem o castigo pelos seus crimes contra a santidade da geração - se Macbeth não pudesse tornar-se pai porque roubara de um pai os filhos, e dos filhos um pai, e se Lady Macbeth sofresse o assexuamento que exigira dos espíritos do assassinato. Creio que a doença de Lady Macbeth, a transformação de sua impiedade em penitência, poderia ser explicada diretamente como uma reação à sua infecundidade, pela qual ela se convence de sua impotência contra os ditames da natureza, sendo ao mesmo tempo lembrada de que foi através de sua própria falta que seu crime foi roubado da melhor parte dos seus frutos.
Na Chronicle (1577), de Holinshed, da qual Shakespeare extraiu o argumento de Macbeth, Lady Macbeth é mencionada apenas uma vez como a esposa ambiciosa que instiga o marido ao assassinato para que ela possa tornar-se rainha. Não há menção a seu destino subseqüente nem ao desenvolvimento de seu caráter. Por outro lado, afigurar-se-ia que a transformação de Macbeth num tirano sanguinário é atribuída aos mesmos motivos que sugerimos aqui, pois em Holinshed decorrem dez anos entre o assassinato de Duncan, através do qual Macbeth se torna rei, e suas más ações ulteriores; e nesses dez anos ele é mostrado como um governante severo porém justo. Só depois desse lapso de tempo é que se inicia nele a mudança, sob a influência do medo atormentador de que a profecia a Banquo possa realizar-se, assim como aconteceu com a profecia de seu próprio destino. Só então é que ele engendra o assassinato de Banquo, e, como em Shakespeare, é impelido de um crime a outro. Não é expressamente mencionado em Holinshed que foi a ausência de filhos que o impeliu a esses caminhos, mas se dá bastante tempo e espaço para esse motivo plausível. Isso não ocorre em Shakespeare. Os eventos nos chegam de roldão na tragédia, com pressa ofegante, de modo que, a julgar pelas declarações de suas personagens, o curso de sua ação abrange cerca de uma semana. Essa aceleração retira a base de todas as nossas interpretações dos motivos da mudança no caráter de Macbeth e no de sua esposa. Não há tempo para que um longo desapontamento quanto às suas esperanças de nascimento de filhos faça a mulher sucumbir e leve o homem a uma fúria desafiadora, e permanece a contradição de que, apesar de tantas inter-relações sutis no enredo, e entre este e a sua ocasião, apontarem para uma origem comum no tema da infecundidade, a economia de tempo na tragédia, não obstante, impede expressamente um desenvolvimento de caráter oriundo de quaisquer motivos que não sejam aqueles inerentes à própria ação.
Quais, contudo, teriam sido os motivos que, num tão curto espaço de tempo, puderam transformar o homem hesitante e ambicioso num desabrido tirano, e sua instigadora de coração empedernido numa mulher doente corroída pelo remorso, é, na minha opinião, impossível adivinhar. Devemos, penso eu, abandonar toda e qualquer esperança de penetrar na tríplice camada de obscuridade em que se condensaram a má preservação do texto, a intenção desconhecida do dramaturgo e o propósito oculto da lenda. Mas eu não aprovaria a objeção de que investigações como estas são vãs, em face do poderoso efeito que a tragédia exerce sobre o espectador. O dramaturgo pode realmente, durante a representação, dominar-nos pela sua arte e paralisar nossos poderes de reflexão; mas não nos pode impedir de que, subseqüentemente, tentemos aprender seu efeito mediante o estudo de seu mecanismo psicológico. Nem o argumento de que um dramaturgo tem a liberdade de encurtar à vontade a cronologia natural dos fatos que ele apresenta diante de nós, se pelo sacrifício da probabilidde comum ele puder realçar o efeito dramático, me parece pertinente nesse caso, pois tal sacrifício só se justifica quando meramente interfere na probabilidade, e não quando rompe a relação causal; além disso, o efeito dramático dificilmente teria sido afetado se se tivesse deixado a passagem do tempo indeterminada, em vez de ficar expressamente limitada a poucos dias.
Fica-se tão pouco inclinado a abandonar um problema como o de Macbeth por considerá-lo insolúvel, que me aventurarei a apresentar um novo ponto, que talvez ofereça outra saída para a dificuldade. Ludwig Jekels, num recente estudo shakesperiano, pensa ter descoberto uma técnica particular do poeta, e isso poderia aplicar-se a Macbeth. Ele crê que Shakespeare muitas vezes divide um tipo em duas personagens, as quais, tomadas isoladamente, não são inteiramente compreensíveis e somente vêm a sê-lo quando reunidas mais uma vez numa unidade. Macbeth e Lady Macbeth poderiam estar nesse caso. Ainda sendo, seria destituído de fundamento considerá-la como um tipo independente e procurar os motivos de sua modificação, sem considerar o Macbeth que a completa. Não seguirei mais essa pista; não obstante, gostaria de ressaltar algo que confirma esse ponto de vista de maneira impressionante: os germes do medo que irrompem em Macbeth na noite do assassinato já não se desenvolvem nele, mas nela. É ele quem tem a alucinação do punhal antes do crime; mas é ela quem depois adoece de uma perturbação mental. É ele que após o assassinato ouve o grito na casa: ‘Não durmas mais! Macbeth de fato trucida o sono…’ e assim ‘Macbeth não mais dormirá’, contudo, mais! ouvimos dizer que ele dormiu mais, ao passo que a Rainha, como vemos, ergue-se de seu leito e, falando enquanto dorme, trai sua culpa. É ele que fica desamparado com as mãos cobertas de sangue, lamentando que ‘todo o grande oceano de Netuno’ não as limpará, enquanto ela o consola: ‘Um pouco de água nos limpa desta ação’; mas depois é ela que lava as mãos durante um quarto de hora e não consegue livrar-se das manchas de sangue: ‘Todas as essências da Arábia não purificarão esta mãozinha.’ Assim, o que ele temia em seus tormentos de consciência, se realiza nela; ela se torna toda remorso e ele, todo desafio. Juntos esgotam as possibilidades de reação ao crime, como duas partes desunidas de uma individualidade psíquica, sendo possível que ambos tenham sido copiados de um protótipo único.
Se fomos incapazes de responder por que Lady Macbeth sucumbiu após seu êxito, talvez tenhamos uma oportunidade melhor, passando à criação de outro grande dramaturgo, que muito parecia acompanhar, com inflexível rigor, problemas de responsabilidade psicológica.
Rebecca Gamvik, filha de uma parteira, foi educada por seu pai adotivo, o Dr. West, para ser uma livre-pensadora e para desprezar as restrições que uma moral fundamentada na crença religiosa procura impor aos desejos da vida. Após a morte do médico, ela encontra um emprego em Rosmersholm, o lar, por muitas gerações, de uma antiga família cujos membros desconhecem o riso e que sacrificaram a alegria ao rígido cumprimento do dever. Seus ocupantes são Johannes Rosmer, ex-pastor, e sua esposa inválida, a infecunda Beata. Dominada por ‘uma paixão selvagem e incontrolável’ pelo amor de Rosmer, de alta linhagem, Rebecca resolve eliminar a esposa, que constitui um obstáculo para seus planos; para tanto, faz uso da sua vontade ‘impávida e livre’, não restringida por quaisquer escrúpulos. Arquiteta um plano para que Beata leia um livro de medicina, no qual a finalidade do casamento é representada como sendo a procriação, de modo que a pobre mulher começa a duvidar da razão de ser de seu próprio casamento. Rebecca então dá a entender que Rosmer, de cujos estudos e idéias ela partilha, está prestes a abandonar a velha fé e aliar-se ao ‘grupo dos esclarecidos’; e após ter assim abalado a confiança da esposa na integridade moral do marido, finalmente lhe dá a entender que ela, Rebecca, logo abandonará a casa, a fim de ocultar as conseqüências de suas relações ilícitas com Rosmer. A trama criminosa é coroada de êxito. A pobre esposa, que passa por deprimida e irresponsável, atira-se da estrada ao lado do moinho no açude, dominada pelo sentimento de sua própria inutilidade e não mais desejando antepor-se entre seu amado marido e a felicidade dele.
Por mais de um ano, Rebecca e Rosmer vivem sozinhos em Rosmesholm, mantendo uma relação que ele deseja considerar como uma amizade puramente intelectual e ideal. Mas, quando essa relação começa a ser obscurecida de fora pela primeira sombra de bisbilhotice e quando, ao mesmo tempo, surgem em Rosmer dúvidas atormentadoras sobre os motivos que levaram a esposa a pôr termo à existência, ele suplica a Rebecca que seja sua segunda esposa, de modo a poder contrabalançar o passado infeliz com uma nova realidade viva (Ato II). Por um momento, ela solta uma exclamação de alegria diante de sua proposta, mas logo depois declara que isso nunca poderá acontecer, e que, se ele continuar a insistir, ela ‘seguirá o mesmo caminho que Beata’. Rosmer não consegue compreender essa rejeição e muito menos nós, que conhecemos as ações e desígnios de Rebecca. Só podemos ter certeza de uma coisa: de que seu ‘não’ é veemente.
Como veio a acontecer que a aventureira dotada de vontade ‘impávida e livre’, que forjou implacavelmente seu caminho para a meta desejada, agora se recuse a colher o fruto do êxito, quando este lhe é oferecido? Ela própria nos dá a explicação no quarto Ato: ‘Esta é a parte terrível de tudo isso: que agora, quando toda a felicidade da vida se acha ao meu alcance … meu coração esteja mudado e meu próprio passado dela me exclua. Isto é, nesse meio tempo, ela se tornou um ser diferente; sua consciência despertou, ela adquiriu um sentimento de culpa que a priva de fruição.
E o que lhe despertou a consciência? Ouçamos o que ela mesma tem a dizer, e consideremos depois se podemos acreditar nela inteiramente. ‘Foi a visão rosmeriana da vida - ou, seja como for, sua visão da vida - que contaminou minha vontade. E a tornou doente. Escravizou-a a leis que antes não tinham qualquer poder sobre mim. Você - a vida com você - enobreceu minha mente.’
Essa influência, devemos ainda compreender, só se tornou efetiva a partir do momento em que ela pôde viver sozinha com Rosmer. ‘Na quietude…na solidão…quando sem reservas você me revelou todos os seus pensamentos…todos os sentimentos ternos e delicados, exatamente como lhe vinham…então se operou a grande mudança em mim.’
Pouco antes disso, ela havia lamentado o outro aspecto da mudança: ‘Porque Rosmersholm minou minhas forças. Aqui, minha antiga vontade indômita teve suas asas cortadas. Ficou aleijada! Já se foi a época em que eu tinha coragem para tudo no mundo. Perdi o poder de ação, Rosmer.’
Rebecca faz essa declaração após ter-se revelado uma criminosa, numa confissão voluntária a Rosmer e ao Prior Kroll, irmão da mulher de quem se descarta. Ibsen deixa claro, por pequenos toques de magistral sutileza, que Rebecca na realidade não está dizendo mentiras, mas nunca é inteiramente honesta. Do mesmo modo que, apesar de toda a sua liberdade quanto a preconceitos, ela diminui sua idade de um ano, assim também sua confissão aos dois homens é incompleta, e em decorrência de insistência de Kroll é suplementada em alguns pontos importantes. Por isso, é-nos permitido supor que sua explicação de sua renúncia expõe um motivo apenas para ocultar outro.
Por certo, não temos motivos para não acreditar nela quando declara que a atmosfera de Rosmersholm e sua ligação com o brioso Rosmer a enobreceram - e a aleijaram. Aqui, ela expressa o que sabe e o que sentiu. Mas isso não é necessariamente tudo o que aconteceu dentro dela, nem é preciso que ela tenha compreendido tudo o que ocorreu. A influência de Rosmer pode ter sido apenas um véu, que ocultou outra influência atuante, e um notável indício aponta nessa outra direção.
Mesmo após a confissão dela, Rosmer, na última conversa entre os dois que encerra a peça, mais uma vez lhe suplica que seja sua esposa. Perdoa-lhe o crime que ela cometeu em nome do amor que sentia por ele. E agora ela não responde, como devia, perdão algum pode livrá-la do sentimento de culpa em que incorreu por ter maldosamente enganado a pobre Beata; mas se recrimina por outra coisa que nos atinge por originar-se estranhamente dessa livre-pensadora, e está longe de merecer a importância que Rebecca lhe atribui: ‘Querido - nunca mais fale nisso! É impossível! Pois você deve saber, Rosmer, que eu tenho um… um passado.’ Ela quer dizer, naturalmente, que teve relação sexuais com outro homem, e não deixamos de observar que essas relações, que ocorreram numa época em que ela era livre e não tinha de dar contas a ninguém, lhe parecem um empecilho maior à união com Rosmer do que seu verdadeiro comportamento criminoso para com a esposa dele.
Rosmer recusa-se a ouvir o que quer que seja sobre esse passado. Podemos adivinhar o que foi, embora tudo que se refira a ele na peça seja, por assim dizer, subterrâneo e tenha de ser construído a partir de indícios e fragmentos. Não obstante, trata-se de indícios inseridos com tal arte que é impossível não compreendê-los.
Entre a primeira recusa de Rebecca e sua confissão ocorre algo que exerce influência decisiva sobre seu futuro destino. O Prior Kroll chega um belo dia à casa com o fito de humilhar Rebecca, dizendo-lhe que ele sabe que ela é uma criança ilegítima, filha do próprio Dr. West que a adotou após a morte da mãe dela. O ódio lhe aguçou as percepções, mas mesmo assim ele não supõe que isso seja novidade para ela. ‘Realmente não supunha que ignorasse isso, caso contrário teria sido muito estranho que você tivesse deixado o Dr. West adotá-la…’ ‘E então ele a leva para a casa dele - logo que sua mãe morre. Ele a trata asperamente. Mas você fica com ele. Você sabe que ele não lhe deixará um vintém - na verdade, só lhe coube uma estante com livros -, mas você continua; você o atura; você cuida dele até o fim.’… ‘Atribuo seu cuidado por ele ao natural instinto filial de uma filha. Realmente, creio que toda a sua conduta é um resultado natural da sua origem.’
Mas Kroll está enganado. Rebecca não tinha a menor idéia de que pudesse ser filha do Dr. West. Quando Kroll começou com as sombrias alusões a seu passado, ela deve ter pensado que se referia a uma outra coisa. Depois de ter compreendido o que ele queria dizer, pôde ainda conservar sua compostura por algum tempo, pois foi-lhe possível supor que seu inimigo baseava seus cálculos na idade dela, sobre a qual ela mentira, quando de uma visita anterior. Kroll, porém, arrasa essa objeção dizendo: ‘Bem, que seja assim, mas, apesar disso, meu cálculo pode estar certo, pois o Dr. West esteve lá numa breve visita um ano antes de obter o cargo’. Depois dessa nova informação, ela perde a presença de espírito. ‘Não é verdade!’ Anda de um lado para o outro retorcendo as mãos. ‘É impossível. O senhor quer induzir-me a acreditar nisso. Isso nunca, nunca pode ser verdade. Não pode ser verdade. Jamais neste mundo!…’ A agitação dela é tão extrema, que Kroll não pode atribuí-la apenas à informação dele.
‘KROLL: Mas, minha cara Senhorita West… por que, em nome dos céus, está tão terrivelmente agitada? Você me deixa assustado. Em que devo pensar… acreditar…?
‘REBECCA: Em nada. O senhor não deve pensar nem acreditar em nada.
‘KROLL: Então, você deve realmente dizer-me como pode levar esse caso… essa possibilidade… tão terrivelmente a sério.
‘REBECCA (dominando-se): É perfeitamente simples, Prior Kroll. De forma alguma desejo ser tomada por uma filha ilegítima.’
O enigma do comportamento de Rebecca é suscetível de uma única solução. A notícia de que o Dr. West era seu pai é o golpe mais rude que lhe pode sobrevir, pois não só era sua filha adotiva, como também fora sua amante. Quando Kroll começou a falar, ela pensou que estivesse fazendo alusão a essas relações, cuja verdade ela teria provavelmente admitido e justificado por causa de suas idéias emancipadas. Isso, porém, estava longe da intenção do Prior; ele nada sabia da ligação amorosa com o Dr. West, assim como ela nada sabia a respeito de o Dr. West ser pai dela. Ela não pode ter tido outra coisa em sua mente a não ser essa ligação amorosa, quando justificou sua rejeição final de Rosmer sobre o fundamento de que tinha um passado que a tornava indigna de ser sua esposa. E, provavelmente, se Rosmer tivesse consentido em ouvir falar desse passado, ela teria só confessado metade de seu segredo e teria silenciado sobre a parte mais grave.
Agora, porém, compreendemos, naturalmente, que esse passado lhe deve ter parecido o obstáculo mais grave à união dos dois - o crime mais grave.Depois de saber que fora amante de seu próprio pai, ela se entrega inteiramente a seu já então superdominador sentimento de culpa. Faz a Rosmer e a Kroll a confissão que a estigmatiza como assassina; rejeita para sempre a felicidade para a qual preparou o caminho pelo crime, e se prepara para partir. Mas o verdadeiro motivo de seu sentimento de culpa, que faz com que ela seja destroçada pelo êxito, permanece um segredo. Como vimos, é algo bem diverso da atmosfera de Romersholm e da aprimoradora influência de Rosmer.
Nessa altura, qualquer um que nos tenha acompanhado não deixará de formular uma objeção passível de justificar algumas dúvidas. A primeira recusa de Rosmer por Rebecca ocorre antes da segunda visita de Kroll e, portanto, antes da revelação feita por ele quanto à sua origem ilegítima, e numa ocasião em que ela nada sabe ainda sobre seu incesto - se é que compreendemos bem o dramaturgo. Todavia, essa primeira recusa é enérgica para valer. O sentimento de culpa que a convida a renunciar ao fruto de suas ações é assim efetivo antes que ela saiba de qualquer coisa sobre seu crime fundamental; e se admitimos isso, devemos talvez pôr inteiramente de lado seu incesto como uma fonte desse sentimento de culpa.
Até agora tratamos Rebecca West como se ela fosse uma pessoa viva e não uma criação da imaginação de Ibsen, sempre dirigida pela mais crítica inteligência. Podemos, portanto, tentar manter a mesma posição ao lidarmos com a objeção levantada. A objeção é válida: antes do conhecimento de seu incesto, a consciência já havia despertado parcialmente em Rebecca, nada impedindo que responsabilizemos por essa mudança a influência admitida e acusada pela própria Rebecca. Mas isso não nos isenta de reconhecermos o segundo motivo. O comportamento de Rebecca quando ouve o que Kroll tem a lhe dizer, a confissão que é sua reação imediata, não deixa dúvida de que só então o motivo mais forte e decisivo de renúncia começa a fazer efeito. Trata-se de fato de um caso de motivação múltipla, no qual um motivo mais profundo aparece por detrás do mais superficial. As leis de economia poética exigem que seja esta a maneira de apresentar a situação, pois esse motivo mais profundo não podia ser explicitamente enunciado. Tinha de permanecer oculto, afastado da fácil percepção do espectador ou do leitor; do contrário, teriam surgido sérias resistências, baseadas nas emoções mais aflitivas, as quais talvez pusessem em perigo o efeito do drama.
Temos, contudo, o direito de exigir que o motivo explícito não fique desprovido de uma ligação interna com o oculto, mas apareça como uma atenuação e uma derivação deste último. E, se pudermos confiar no fato de que a combinação criadora consciente do dramaturgo surgiu logicamente de premissas inconscientes, poderemos agora tentar mostrar que ele atendeu a essa exigência. O sentimento de culpa de Rebecca tem sua fonte na exprobração do incesto, mesmo antes de Kroll, com perspicácia analítica, tê-la tornado consciente disso. Se reconstruirmos o passado dela, ampliando e preenchendo os indícios fornecidos pelo escritor, poderemos sentir-nos seguros de que ela não pode ter deixado de suspeitar da existência de uma relação íntima entre sua mãe e o Dr. West. Deve ter ficado fortemente impressionada ao se tornar a sucessora da mãe junto a esse homem. Ficou sob o domínio do complexo de Édipo, embora não soubesse que, em seu caso, essa fantasia universal se convertera em realidade. Quando chegou a Rosmersholm, a força interna dessa primeira experiência impeliu-a a provocar, por uma ação vigorosa, a mesma situação que já se realizara no exemplo original devido à sua inação - a livrar-se da esposa e da mãe, de modo a poder ocupar o lugar desta junto ao marido e ao pai. Ela descreve com insistência convincente como, contra vontade, foi obrigada a avançar, passo a passo, até a eliminação de Beata.
‘O senhor pensa então que eu era fria, calculista e serena o tempo todo! Não era então a mesma mulher que sou agora, quando estou aqui a lhe contar tudo. Além disso, existem duas espécies de vontade em nós, creio eu! Queria Beata afastada, de uma maneira ou de outra, mas nunca realmente acreditei que isso viesse a acontecer. À medida que avançava cautelosamente, a cada passo que eu aventurava, parecia ouvir alguma coisa dentro de mim que exclamava: Não vá adiante! Nem mais um passo à frente! E contudo eu não podia parar. Tinha de aventurar só mais um pouquinho. E somente mais um milímetro. E logo depois mais um - e sempre mais um. E então aconteceu. - É assim que essas coisas acontecem.’
Não se trata de uma versão enfeitada das coisas, mas de uma descrição autêntica. Tudo que lhe aconteceu em Rosmersholm, sua paixão por Rosmer e sua hostilidade para com a esposa dele, foi, desde o começo, uma conseqüência do complexo de Édipo - uma réplica inevitável de suas relações com sua mãe e com o Dr. West.
Assim, o sentimento de culpa, que inicialmente faz com que ela rejeite a proposta de Rosmer, no fundo não difere do sentimento de culpa maior que a impele à confissão, depois que Kroll lhe abriu os olhos. Da mesma forma, porém, que sob a influência do Dr. West ela se tornara uma livre-pensadora e passara a menosprezar a moral religiosa, assim também ela se transforma, por seu amor a Rosmer, num ser de consciência e nobreza. Ela chega a compreender esse aspecto dos processos mentais dentro de si, justificando-se assim ao descrever a influência de Rosmer como o motivo de sua mudança - o motivo que se tornara acessível a ela.
O clínico psicanalista sabe quão freqüentemente, ou quão invariavelmente, uma moça que entra para o serviço de uma casa como criada, dama de companhia ou governanta, consciente ou inconscientemente tece um devaneio, oriundo do complexo de Édipo, no qual a dona da casa desaparece, vindo o dono a receber a recém-chegada como sua esposa no lugar da outra. Rosmersholm é a maior obra de arte desse tipo que aborda essa fantasia comum em moças. O que a transforma num drama trágico é a circunstância extra de que o devaneio da heroína tenha sido precedido na sua infância por uma realidade precisamente correspondente.
Após essa longa digressão pela literatura, retornemos à experiência clínica - mas apenas para estabelecermos em poucas palavras a inteira concordância entre elas. O trabalho psicanalítico nos ensina que as forças da consciência que induzem à doença, em conseqüência do êxito, em vez de, como normalmente, em conseqüência da frustração, se acham intimamente relacionadas com o complexo de Édipo, a relação com o pai e a mãe - como talvez, na realidade, se ache o nosso sentimento de culpa em geral.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a frustração é o motivo pelo qual as pessoas adoecem de neurose. Referimo-nos à frustração da satisfação de seus desejos libidinais, fazendo-se necessária uma digressão a fim de tornarmos a tese inteligível. Para que uma neurose seja gerada, deve haver um conflito entre os desejos libidinais de uma pessoa e a parte de sua personalidade que denominamos de ego, que é a expressão do seu instinto de autopreservação e que também abrange os ideais de sua personalidade. Um conflito patogênico dessa espécie só ocorre quando a libido tenta seguir caminhos e objetivos que o ego de há muito superou e condenou e, portanto, proibiu para sempre, e isso a libido só faz se for privada da possibilidade de uma satisfação ego-sintônica ideal. Por isso, a privação, a frustração de uma satisfação real, é a primeira condição para a geração de uma neurose, embora, na verdade, esteja longe de ser a única.
Parece ainda mais surpreendente, e na realidade atordoante, quando, na qualidade de médico, se faz a descoberta de que as pessoas ocasionalmente adoecem precisamente no momento em que um desejo profundamente enraizado e de há muito alimentado atinge a realização. Então, é como se elas não fossem capazes de tolerar sua felicidade, pois não pode haver dúvida de que existe uma ligação causal entre seu êxito e o fato de adoecerem.
Descrevo estas situações ou ocorrências como tragédias.
Não obstante esses dois casos serem diferentes sob outros aspectos, existe uma concordância no seguinte ponto: a doença seguiu de perto a realização de um desejo e pôs termo a toda fruição do mesmo.
A contradição entre tais experiências e a norma segundo a qual aquilo que induz à doença é a frustração não é insolúvel. Desaparecerá se estabelecermos uma distinção entre uma frustração externa e uma interna. Se o objeto no qual a libido pode encontrar sua satisfação está contido na realidade, isso constitui uma frustração externa. Em si, ela é inoperante, não patogênica, até que uma frustração interna se junte a ela. Esta última deve provir do ego, e deve disputar o acesso da libido a outros objetos, objetos estes que agora a libido procura apreender. Só então surgem um conflito e a possibilidade de uma doença neurótica, isto é, de uma satisfação substitutiva alcançada indiretamente por meio do inconsciente reprimido. Por conseguinte, a frustração interna está potencialmente presente em todos os casos, só que não entra em ação até que a frustração externa real tenha preparado o terreno para ela. Nos casos excepcionais em que as pessoas adoecem por causa do êxito, a frustração interna atua por si mesma; na realidade, só surge depois que uma frustração externa foi substituída por realização de um desejo. À primeira vista, há algo de estranho nisso, mas, por ocasião de um exame mais detido, refletiremos que não é absolutamente incomum para o ego tolerar um desejo tão inofensivo na medida em que ele só existe na fantasia e cuja realização parece distante; pelo contrário, porém, o ego se defenderá ardentemente contra esse desejo tão logo este se aproxime da realização e ameace tornar-se uma realidade. A distinção entre isso e as situações comuns na formação da neurose consiste meramente em que, via de regra, são as intensificações internas da catexia libidinal que transformam a fantasia, até então merecedora de pouca consideração e tolerada, num oponente temido, ao passo que nesses casos o sinal para a irrupção do conflito é dado por uma mudança externa real.
O trabalho analítico não encontra dificuldade alguma em demonstrar que são as forças da consciência que proíbem ao indivíduo obter a tão almejada vantagem proveniente da feliz mudança da realidade. Constitui tarefa difícil, contudo, descobrir a essência e a origem dessas tendências julgadoras e punitivas, cuja existência, onde não esperamos encontrá-las, tantas vezes nos surpreende. Pelas razões habituais, não examinarei o que sabemos ou conjecturamos em relação a casos de observação clínica, mas em relação a figuras que grandes autores criaram a partir de seu rico conhecimento da mente.
Agora, porém, compreendemos, naturalmente, que esse passado lhe deve ter parecido o obstáculo mais grave à união dos dois - o crime mais grave.Depois de saber que fora amante de seu próprio pai, ela se entrega inteiramente a seu já então superdominador sentimento de culpa. Faz a Rosmer e a Kroll a confissão que a estigmatiza como assassina; rejeita para sempre a felicidade para a qual preparou o caminho pelo crime, e se prepara para partir. Mas o verdadeiro motivo de seu sentimento de culpa, que faz com que ela seja destroçada pelo êxito, permanece um segredo. Como vimos, é algo bem diverso da atmosfera de Romersholm e da aprimoradora influência de Rosmer.
Nessa altura, qualquer um que nos tenha acompanhado não deixará de formular uma objeção passível de justificar algumas dúvidas. A primeira recusa de Rosmer por Rebecca ocorre antes da segunda visita de Kroll e, portanto, antes da revelação feita por ele quanto à sua origem ilegítima, e numa ocasião em que ela nada sabe ainda sobre seu incesto - se é que compreendemos bem o dramaturgo. Todavia, essa primeira recusa é enérgica para valer. O sentimento de culpa que a convida a renunciar ao fruto de suas ações é assim efetivo antes que ela saiba de qualquer coisa sobre seu crime fundamental; e se admitimos isso, devemos talvez pôr inteiramente de lado seu incesto como uma fonte desse sentimento de culpa.
Temos, contudo, o direito de exigir que o motivo explícito não fique desprovido de uma ligação interna com o oculto, mas apareça como uma atenuação e uma derivação deste último. E, se pudermos confiar no fato de que a combinação criadora consciente do dramaturgo surgiu logicamente de premissas inconscientes, poderemos agora tentar mostrar que ele atendeu a essa exigência. O sentimento de culpa de Rebecca tem sua fonte na exprobração do incesto, mesmo antes de Kroll, com perspicácia analítica, tê-la tornado consciente disso. Se reconstruirmos o passado dela, ampliando e preenchendo os indícios fornecidos pelo escritor, poderemos sentir-nos seguros de que ela não pode ter deixado de suspeitar da existência de uma relação íntima entre sua mãe e o Dr. West. Deve ter ficado fortemente impressionada ao se tornar a sucessora da mãe junto a esse homem. Ficou sob o domínio do complexo de Édipo, embora não soubesse que, em seu caso, essa fantasia universal se convertera em realidade. Quando chegou a Rosmersholm, a força interna dessa primeira experiência impeliu-a a provocar, por uma ação vigorosa, a mesma situação que já se realizara no exemplo original devido à sua inação - a livrar-se da esposa e da mãe, de modo a poder ocupar o lugar desta junto ao marido e ao pai. Ela descreve com insistência convincente como, contra vontade, foi obrigada a avançar, passo a passo, até a eliminação de Beata.
‘O senhor pensa então que eu era fria, calculista e serena o tempo todo! Não era então a mesma mulher que sou agora, quando estou aqui a lhe contar tudo. Além disso, existem duas espécies de vontade em nós, creio eu! Queria Beata afastada, de uma maneira ou de outra, mas nunca realmente acreditei que isso viesse a acontecer. À medida que avançava cautelosamente, a cada passo que eu aventurava, parecia ouvir alguma coisa dentro de mim que exclamava: Não vá adiante! Nem mais um passo à frente! E contudo eu não podia parar. Tinha de aventurar só mais um pouquinho. E somente mais um milímetro. E logo depois mais um - e sempre mais um. E então aconteceu. - É assim que essas coisas acontecem.’
Não se trata de uma versão enfeitada das coisas, mas de uma descrição autêntica. Tudo que lhe aconteceu em Rosmersholm, sua paixão por Rosmer e sua hostilidade para com a esposa dele, foi, desde o começo, uma conseqüência do complexo de Édipo - uma réplica inevitável de suas relações com sua mãe e com o Dr. West.
Assim, o sentimento de culpa, que inicialmente faz com que ela rejeite a proposta de Rosmer, no fundo não difere do sentimento de culpa maior que a impele à confissão, depois que Kroll lhe abriu os olhos. Da mesma forma, porém, que sob a influência do Dr. West ela se tornara uma livre-pensadora e passara a menosprezar a moral religiosa, assim também ela se transforma, por seu amor a Rosmer, num ser de consciência e nobreza. Ela chega a compreender esse aspecto dos processos mentais dentro de si, justificando-se assim ao descrever a influência de Rosmer como o motivo de sua mudança - o motivo que se tornara acessível a ela.
O clínico psicanalista sabe quão freqüentemente, ou quão invariavelmente, uma moça que entra para o serviço de uma casa como criada, dama de companhia ou governanta, consciente ou inconscientemente tece um devaneio, oriundo do complexo de Édipo, no qual a dona da casa desaparece, vindo o dono a receber a recém-chegada como sua esposa no lugar da outra. Rosmersholm é a maior obra de arte desse tipo que aborda essa fantasia comum em moças. O que a transforma num drama trágico é a circunstância extra de que o devaneio da heroína tenha sido precedido na sua infância por uma realidade precisamente correspondente.
Após essa longa digressão pela literatura, retornemos à experiência clínica - mas apenas para estabelecermos em poucas palavras a inteira concordância entre elas. O trabalho psicanalítico nos ensina que as forças da consciência que induzem à doença, em conseqüência do êxito, em vez de, como normalmente, em conseqüência da frustração, se acham intimamente relacionadas com o complexo de Édipo, a relação com o pai e a mãe - como talvez, na realidade, se ache o nosso sentimento de culpa em geral.
Mattanó aponta que a frustração é o motivo pelo qual as pessoas adoecem de neurose. Referimo-nos à frustração da satisfação de seus desejos libidinais, fazendo-se necessária uma digressão a fim de tornarmos a tese inteligível. Para que uma neurose seja gerada, deve haver um conflito entre os desejos libidinais, da comunhão e do exercício da força de uma pessoa e a parte de sua personalidade que denominamos de ego, que é a expressão do seu instinto de autopreservação e que também abrange os ideais de sua personalidade. Um conflito patogênico dessa espécie só ocorre quando a libido tenta seguir caminhos e objetivos que o ego de há muito superou e condenou e, portanto, proibiu para sempre, e isso a libido, a comunhão e o exercício da força só fazem se forem privadas da possibilidade de uma satisfação ego-sintônica ideal. Por isso, a privação, a frustração de uma satisfação real, é a primeira condição para a geração de uma neurose, embora, na verdade, esteja longe de ser a única.
Parece ainda mais surpreendente, e na realidade atordoante, quando, na qualidade de médico, se faz a descoberta de que as pessoas ocasionalmente adoecem precisamente no momento em que um desejo profundamente enraizado e de há muito alimentado atinge a realização. Então, é como se elas não fossem capazes de tolerar sua felicidade, pois não pode haver dúvida de que existe uma ligação causal entre seu êxito e o fato de adoecerem. Vemos que muitas vezes a neurose pode surgir pelo fato de não tolerarem sua própria felicidade que atinge realização, ficando evidente que o seu êxito tem ligação com sua doença.
Descrevo estas situações ou ocorrências como tragédias.
Não obstante esses casos são diferentes sob outros aspectos, existe uma concordância no seguinte ponto: a doença seguiu de perto a realização de um desejo e pôs termo a toda fruição do mesmo. Vemos que a doença surgiu com a sua realização e esta pôs fim a sua alegria ou satisfação.
A contradição entre tais experiências e a norma segundo a qual aquilo que induz à doença é a frustração não é insolúvel. Desaparecerá se estabelecermos uma distinção entre uma frustração externa e uma interna. Se o objeto no qual a libido, a comunhão e o exercício da força podem encontrar sua satisfação está contido na realidade, isso constitui uma frustração externa. Em si, ela é inoperante, não patogênica, até que uma frustração interna se junte a ela. Esta última deve provir do ego, e deve disputar o acesso da libido, a comunhão e o exercício da força aos outros objetos, objetos estes que agora a libido, a comunhão e o exercício da força procura apreender. Só então surgem um conflito e a possibilidade de uma doença neurótica, isto é, de uma satisfação substitutiva alcançada indiretamente por meio do inconsciente reprimido. Por conseguinte, a frustração interna está potencialmente presente em todos os casos, só que não entra em ação até que a frustração externa real tenha preparado o terreno para ela. Nos casos excepcionais em que as pessoas adoecem por causa do êxito, a frustração interna atua por si mesma; na realidade, só surge depois que uma frustração externa foi substituída por realização de um desejo. À primeira vista, há algo de estranho nisso, mas, por ocasião de um exame mais detido, refletiremos que não é absolutamente incomum para o ego tolerar um desejo tão inofensivo na medida em que ele só existe na fantasia e cuja realização parece distante; pelo contrário, porém, o ego se defenderá ardentemente contra esse desejo tão logo este se aproxime da realização e ameace tornar-se uma realidade. A distinção entre isso e as situações comuns na formação da neurose consiste meramente em que, via de regra, são as intensificações internas da catexia libidinal, da comunhão e do exercício da força que transformam a fantasia, até então merecedora de pouca consideração e tolerada, num oponente temido, ao passo que nesses casos o sinal para a irrupção do conflito é dado por uma mudança externa real. Vemos que a realidade externa afronta a realidade interna que responde com uma fantasia, cuja realização parece distante, mas a fantasia se transforma em conflito devido a mudança externa real.
O trabalho analítico não encontra dificuldade alguma em demonstrar que são as forças da consciência que proíbem ao indivíduo obter a tão almejada vantagem proveniente da feliz mudança da realidade. Constitui tarefa difícil, contudo, descobrir a essência e a origem dessas tendências julgadoras e punitivas, cuja existência, onde não esperamos encontrá-las, tantas vezes nos surpreende. Pelas razões habituais, não examinarei o que sabemos ou conjecturamos em relação a casos de observação clínica, mas em relação a figuras que grandes autores criaram a partir de seu rico conhecimento da mente. Vemos que a mudança da realidade pode ser analisada pelo rico conhecimento da mente.
Agora, porém, compreendemos, naturalmente, que esse passado lhe deve ter parecido o obstáculo mais grave à união dos dois - o crime mais grave. Depois de saber que fora amante de seu próprio pai, ela se entrega inteiramente a seu já então superdominador sentimento de culpa. Faz a Rosmer e a Kroll a confissão que a estigmatiza como assassina; rejeita para sempre a felicidade para a qual preparou o caminho pelo crime, e se prepara para partir. Mas o verdadeiro motivo de seu sentimento de culpa, que faz com que ela seja destroçada pelo êxito, permanece um segredo. Como vimos, é algo bem diverso da atmosfera de Romersholm e da aprimoradora influência de Rosmer. Vemos que encontramos mudança da realidade onde a personagem confessa que se tornou uma assassina e rejeitou a felicidade, seguindo o caminho pelo crime, motivo pelo seu sentimento de culpa, motivo que a destroça e a faz permanecer em segredo.
Nessa altura, qualquer um que nos tenha acompanhado não deixará de formular uma objeção passível de justificar algumas dúvidas. A primeira recusa de Rosmer por Rebecca ocorre antes da segunda visita de Kroll e, portanto, antes da revelação feita por ele quanto à sua origem ilegítima, e numa ocasião em que ela nada sabe ainda sobre seu incesto - se é que compreendemos bem o dramaturgo. Todavia, essa primeira recusa é enérgica para valer. O sentimento de culpa que a convida a renunciar ao fruto de suas ações é assim efetivo antes que ela saiba de qualquer coisa sobre seu crime fundamental; e se admitimos isso, devemos talvez pôr inteiramente de lado seu incesto como uma fonte desse sentimento de culpa. Vemos como o dramaturgo aborda suas personagens e o tema do crime e do incesto como motivo para a mudança da realidade e manutenção do segredo.
Temos, contudo, o direito de exigir que o motivo explícito não fique desprovido de uma ligação interna com o oculto, mas apareça como uma atenuação e uma derivação deste último. E, se pudermos confiar no fato de que a combinação criadora consciente do dramaturgo surgiu logicamente de premissas inconscientes, poderemos agora tentar mostrar que ele atendeu a essa exigência. O sentimento de culpa de Rebecca tem sua fonte na exprobração do incesto, mesmo antes de Kroll, com perspicácia analítica, tê-la tornado consciente disso. Se reconstruirmos o passado dela, ampliando e preenchendo os indícios fornecidos pelo escritor, poderemos sentir-nos seguros de que ela não pode ter deixado de suspeitar da existência de uma relação íntima entre sua mãe e o Dr. West. Deve ter ficado fortemente impressionada ao se tornar a sucessora da mãe junto a esse homem. Ficou sob o domínio do complexo de Édipo, embora não soubesse que, em seu caso, essa fantasia universal se convertera em realidade. Quando chegou a Rosmersholm, a força interna dessa primeira experiência impeliu-a a provocar, por uma ação vigorosa, a mesma situação que já se realizara no exemplo original devido à sua inação - a livrar-se da esposa e da mãe, de modo a poder ocupar o lugar desta junto ao marido e ao pai. Ela descreve com insistência convincente como, contra vontade, foi obrigada a avançar, passo a passo, até a eliminação de Beata. Vemos que o dramaturgo apela para as premissas do seu inconsciente para exprimir seus significados e sentidos contidos na relação de incesto e de segredo, de crime com as personagens, de modo que nos induz suspeitar que o passado de Rebecca tem sua fonte no incesto e assim na existência da relação íntima entre sua mãe e o Dr. West, pois sucedeu sua mãe junto a esse homem, ficando sob o domínio do complexo de Édipo, pela identificação comportamental, levando-a a competir com uma esposa e uma mãe, de modo a poder ocupar o lugar desta junto ao marido e ao pai.
‘O senhor pensa então que eu era fria, calculista e serena o tempo todo! Não era então a mesma mulher que sou agora, quando estou aqui a lhe contar tudo. Além disso, existem duas espécies de vontade em nós, creio eu! Queria Beata afastada, de uma maneira ou de outra, mas nunca realmente acreditei que isso viesse a acontecer. À medida que avançava cautelosamente, a cada passo que eu aventurava, parecia ouvir alguma coisa dentro de mim que exclamava: Não vá adiante! Nem mais um passo à frente! E contudo eu não podia parar. Tinha de aventurar só mais um pouquinho. E somente mais um milímetro. E logo depois mais um - e sempre mais um. E então aconteceu. - É assim que essas coisas acontecem.’ Vemos que a mudança de realidade faz com que o indivíduo continue seguindo suas novas regras cegamente, literalmente, dando razões e sob controle delas, ficando insensível ao contexto, as contingências e a dessensibilização que pode ser feita com reprogramação mental e Teoria da Abundância de Mattanó.
Não se trata de uma versão enfeitada das coisas, mas de uma descrição autêntica. Tudo que lhe aconteceu em Rosmersholm, sua paixão por Rosmer e sua hostilidade para com a esposa dele, foi, desde o começo, uma conseqüência do complexo de Édipo - uma réplica inevitável de suas relações com sua mãe e com o Dr. West. Vemos que o que aconteceu aqui foi uma resposta ao conteúdo recalcado e inconsciente, infantil, doméstico e familiar, produzido pelo complexo de Édipo que fornece pela identificação comportamental repertório comportamental para a vida adulta.
Assim, o sentimento de culpa, que inicialmente faz com que ela rejeite a proposta de Rosmer, no fundo não difere do sentimento de culpa maior que a impele à confissão, depois que Kroll lhe abriu os olhos. Da mesma forma, porém, que sob a influência do Dr. West ela se tornara uma livre-pensadora e passara a menosprezar a moral religiosa, assim também ela se transforma, por seu amor a Rosmer, num ser de consciência e nobreza. Ela chega a compreender esse aspecto dos processos mentais dentro de si, justificando-se assim ao descrever a influência de Rosmer como o motivo de sua mudança - o motivo que se tornara acessível a ela. Vemos que a mudança de realidade pode ocorrer devido o recalcado e inconsciente, infantil, doméstico e familiar, justificado por estímulos do meio ambiente.
O clínico psicanalista sabe quão freqüentemente, ou quão invariavelmente, uma moça que entra para o serviço de uma casa como criada, dama de companhia ou governanta, consciente ou inconscientemente tece um devaneio, oriundo do complexo de Édipo, no qual a dona da casa desaparece, vindo o dono a receber a recém-chegada como sua esposa no lugar da outra. Rosmersholm é a maior obra de arte desse tipo que aborda essa fantasia comum em moças. O que a transforma num drama trágico é a circunstância extra de que o devaneio da heroína tenha sido precedido na sua infância por uma realidade precisamente correspondente. Vemos que o passado histórico é importante nos casos de mudança de realidade, pois participa da construção do conteúdo recalcado inconsciente e infantil, doméstico e familiar de cada indivíduo.
Após essa longa digressão pela literatura, retornemos à experiência clínica - mas apenas para estabelecermos em poucas palavras a inteira concordância entre elas. O trabalho psicanalítico nos ensina que as forças da consciência que induzem à doença, em conseqüência do êxito, em vez de, como normalmente, em conseqüência da frustração, se acham intimamente relacionadas com o complexo de Édipo, a relação com o pai e a mãe - como talvez, na realidade, se ache o nosso sentimento de culpa em geral. Vemos que a mudança de realidade segundo o trabalho psicanalítico, aprendemos que as forças da consciência induzem à doença, em assim a frustração, que se acha intimamente relacionada ao complexo de Édipo que se torna, em relação a realidade, malicioso, com a puberdade, e deste modo nos proporcionando, o sentimento de culpa em geral, pois a sexualidade infantil não existe.
MATTANÓ
(18/02/2026)
III - CRIMINOSOS EM CONSEQÜÊNCIA DE UM SENTIMENTO DE CULPA
Ao me terem falado sobre sua juventude, mormente antes da puberdade, pessoas que, mais tarde, freqüentemente se tonaram muito respeitáveis, me informaram sobre ações proibidas que praticam naquele período - tais como furtos, fraudes e até mesmo incêndio voluntário. Eu tinha o hábito de me descartar dessas declarações com o comentário de que estamos familiarizados com a fraqueza das inibições morais daquele período de vida e não fazia qualquer tentativa para localizá-las em um contexto mais importante. Mas eventualmente fui levado a proceder a um estudo mais completo de tais incidentes por alguns casos gritantes e mais acessíveis, nos quais as más ações eram cometidas enquanto os pacientes se encontravam sob meus cuidados, e já não eram tão jovens. O trabalho analítico trouxe então a surpreendente descoberta de que tais ações eram praticadas principalmente por serem proibidas e por sua execução acarretar, para seu autor, um alívio mental. Este sofria de um opressivo sentimento de culpa, cuja origem não conhecia, e, após praticar uma ação má, essa opressão se atenuava. Seu sentimento de culpa estava pelo menos ligado a algo. Por mais paradoxal que isso possa parecer, devo sustentar que o sentimento de culpa se encontrava presente antes da ação má, não tendo surgido a partir dela, mas, inversamente - a iniqüidade decorreu do sentimento de culpa. Essas pessoas podem ser apropriadamente descritas como criminosas em conseqüência do sentimento de culpa. A preexistência do sentimento de culpa fora, naturalmente, demonstrada por todo um conjunto de outras manifestações e efeitos.
O trabalho científico, porém, não se satisfaz com o estabelecimento de um fato curioso. Existem ainda duas outras perguntas a responder: qual a origem desse obscuro sentimento de culpa antes da ação; é provável que essa espécie de causação desempenhe um papel considerável no crime humano?
Um exame da primeira questão mantinha a promessa de nos trazer informações sobre a fonte do sentimento de culpa da humanidade em geral. O resultado invariável do trabalho analítico era demonstrar que esse obscuro sentimento de culpa provinha do complexo de Édipo e constituía uma reação às duas grandes intenções criminosas de matar o pai e de ter relações sexuais com a mãe. Em comparação com esses dois, os crimes perpetrados com o propósito de fixar o sentimento de culpa em alguma coisa vinham como um alívio para os sofredores. Nesse sentido, devemos lembrar que o parricídio e o incesto com a mãe são os dois grandes crimes humanos, os únicos que, como tais, são perseguidos e execrados nas comunidades primitivas. Também devemos lembrar como outras investigações nos aproximaram da hipótese segundo a qual a consciência da humanidade, que agora aparece como uma força mental herdada, foi adquirida em relação ao complexo de Édipo.Para responder à segunda pergunta, devemos ir além do âmbito do trabalho psicanalítico. No tocante às crianças, é fácil observar que muitas vezes são propositadamente ‘travessas’ para provarem o castigo, e ficam quietas e contentes depois de terem sido punidas. Freqüentemente, a investigação analítica posterior pode situar-nos na trilha do sentimento de culpa que as induziu a procurarem punição. Entre criminosos adultos devemos, sem dúvida, excetuar aqueles que praticam crimes sem qualquer sentimento de culpa; que, ou não desenvolveram quaisquer inibições morais, ou, em seu conflito com a sociedade, consideram sua ação justificada. Contudo, no tocante à maioria dos outros criminosos, aqueles para os quais medidas punitivas são realmente criadas, tal motivação para o crime poderia muito bem ser levada em consideração; ela poderia lançar luz sobre alguns pontos obscuros da psicologia do criminoso e oferecer punição com uma nova base psicológica.
Um amigo chamou minha atenção para o fato de que o ‘criminoso em conseqüência de um sentimento de culpa’ também já era do conhecimento de Nietzsche. A preexistência do sentimento de culpa e a utilização de uma ação a fim de racionalizar esse sentimento cintilam diante de nós nas máximas de Zaratustra ‘Sobre o Criminoso Pálido’. Deixemos para uma futura pesquisa a decisão quanto ao número de criminosos que devem ser incluídos entre esses ‘pálidos’.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que existem ainda duas perguntas a responder sobre os crimes e os criminosos: qual a origem desse obscuro sentimento de culpa antes da ação; é provável que essa espécie de causação desempenhe um papel considerável no crime humano?
O resultado invariável do trabalho analítico era demonstrar que esse obscuro sentimento de culpa provinha do complexo de Édipo e constituía uma reação às duas grandes intenções criminosas de matar o pai e de ter relações sexuais com a mãe. Em comparação com esses dois, os crimes perpetrados com o propósito de fixar o sentimento de culpa em alguma coisa vinham como um alívio para os sofredores. Nesse sentido, devemos lembrar que o parricídio e o incesto com a mãe são os dois grandes crimes humanos, os únicos que, como tais, são perseguidos e execrados nas comunidades primitivas. Também devemos lembrar como outras investigações nos aproximaram da hipótese segundo a qual a consciência da humanidade, que agora aparece como uma força mental herdada, foi adquirida em relação ao complexo de Édipo. No tocante às crianças, é fácil observar que muitas vezes são propositadamente ‘travessas’ para provarem o castigo, e ficam quietas e contentes depois de terem sido punidas. Freqüentemente, a investigação analítica posterior pode situar-nos na trilha do sentimento de culpa que as induziu a procurarem punição. Entre criminosos adultos devemos, sem dúvida, excetuar aqueles que praticam crimes sem qualquer sentimento de culpa; que, ou não desenvolveram quaisquer inibições morais, ou, em seu conflito com a sociedade, consideram sua ação justificada. Contudo, no tocante à maioria dos outros criminosos, aqueles para os quais medidas punitivas são realmente criadas, tal motivação para o crime poderia muito bem ser levada em consideração; ela poderia lançar luz sobre alguns pontos obscuros da psicologia do criminoso e oferecer punição com uma nova base psicológica.
Mattanó aponta que existem ainda duas perguntas a responder sobre os crimes e os criminosos: qual a origem desse obscuro sentimento de culpa antes da ação; é provável que essa espécie de causação desempenhe um papel considerável no crime humano? Mattanó pergunta se não seria o significado e o sentido do sentimento de culpa e do que ele pode causar no outro?
O resultado invariável do trabalho analítico era demonstrar que esse obscuro sentimento de culpa provinha do complexo de Édipo e constituía uma reação às duas grandes intenções criminosas de matar o pai e de ter relações sexuais com a mãe. Em comparação com esses dois, os crimes perpetrados com o propósito de fixar o sentimento de culpa em alguma coisa vinham como um alívio para os sofredores. Nesse sentido, devemos lembrar que o parricídio e o incesto com a mãe são os dois grandes crimes humanos, os únicos que, como tais, são perseguidos e execrados nas comunidades primitivas. Também devemos lembrar como outras investigações nos aproximaram da hipótese segundo a qual a consciência da humanidade, que agora aparece como uma força mental herdada, foi adquirida em relação ao complexo de Édipo. No tocante às crianças, é fácil observar que muitas vezes são propositadamente ‘travessas’ para provarem o castigo, e ficam quietas e contentes depois de terem sido punidas. Freqüentemente, a investigação analítica posterior pode situar-nos na trilha do sentimento de culpa que as induziu a procurarem punição. Entre criminosos adultos devemos, sem dúvida, excetuar aqueles que praticam crimes sem qualquer sentimento de culpa; que, ou não desenvolveram quaisquer inibições morais, ou, em seu conflito com a sociedade, consideram sua ação justificada. Contudo, no tocante à maioria dos outros criminosos, aqueles para os quais medidas punitivas são realmente criadas, tal motivação para o crime poderia muito bem ser levada em consideração; ela poderia lançar luz sobre alguns pontos obscuros da psicologia do criminoso e oferecer punição com uma nova base psicológica. Vemos que os dois motivos dos crimes são o parricídio e o incesto com a mãe, desde os homens primitivos, inclusive a consciência, a cultura, o conhecimento e a realidade e os seus significados e sentidos em relação ao complexo de Édipo que adquire força e poder com a puberdade, através da malícia. Surge então o sentimento de culpa que induz a procurar punição. Contudo existem aqueles adultos criminosos que agem sem qualquer sentimento de culpa ou inibição moral, ou de conflito com a sociedade e considerem sua ação justificada. E para a maioria dos outros crimes, tal motivação para o crime poderia muito bem ser considerada com uma nova base psicológica, pois oferece punição ao criminoso inconscientemente e comportamentalmente.
MATTANÓ
(18/02/2026)
BREVES ESCRITOS (1915-1916)
UM PARALELO MITOLÓGICO COM UMA OBSESSÃO VISUAL (1916)
Num paciente com cerca de vinte e um anos de idade, os produtos da atividade mental inconsciente tornavam-se conscientes não apenas em pensamentos obsessivos, mas também em imagens obsessivas. Ambos podiam acompanhar-se mutuamente ou aparecerem independentemente. Numa ocasião específica, sempre que via o pai entrar no quarto, vinha-lhe à mente, em estreita relação, uma palavra obsessiva e uma imagem obsessiva. A palavra era ‘Vaterarsch‘ [‘father-arse‘ (ânus do pai)]; a imagem concomitante representava o pai com a parte inferior de um corpo despida, provida de braços e pernas, mas sem a cabeça ou qualquer outra parte superior. Não havia indicação dos órgãos genitais e as feições do rosto apareciam pintadas no abdome.
Ajudará à explicação desse sintoma, mais absurdo do que o comum, a menção de que o paciente, homem de intelecto plenamente desenvolvido e elevados ideais morais, manifestou um erotismo anal muito vívido, das mais variadas formas, até os dez anos de idade. Superado isso, sua vida sexual foi mais uma vez forçada a voltar à fase anal preliminar devido à sua luta ulterior contra o erotismo genital. Ele amava e respeitava muito o pai, e também o temia bastante; contudo, a julgar por seus próprios altos padrões no tocante ao ascetismo e à supressão dos instintos, o pai lhe parecia uma pessoa inclinada à devassidão e à busca do prazer em coisas materiais.
A palavra ‘Vaterarsch’ logo foi explicada como uma germanização jocosa do título honorífico de ‘Patriarch‘ (patriarca). A imagem obsessiva é uma caricatura evidente. Lembra outras representações que, tendo em vista um fim depreciativo, substituem toda uma pessoa por um de seus órgãos, por exemplo, os órgãos genitais; também nos faz recordar fantasias inconscientes que levam à identificação dos órgãos genitais com a pessoa toda, e também jocosas figuras de linguagem, como ‘Sou todo ouvidos’.
De início, a colocação das feições do rosto no abdome da criatura me pareceu algo muito estranho. Mas logo me lembrei de ter visto a mesma coisa em caricaturas francesas. O acaso me levou então a uma representação antiga, que coincidia exatamente com a imagem obsessiva do meu paciente.
De acordo com a lenda grega, Deméter dirigiu-se a Elêusis em busca da filha raptada, tendo sido recebida como hóspede por Dysaules e sua esposa Baubo; mas em sua grande dor recusou-se a tocar em qualquer alimento. Logo depois, sua anfitrioa Baubo fê-la rir levantando subitamente o vestido e expondo seu corpo. Um exame dessa anedota, que provavelmente se destinava a explicar um cerimonial mágico que já não era compreendido, encontra-se no quarto volume da obra de Salomon Reinach, Cultes, Mythes, et Religions, 1912 [115]. No mesmo trecho, o autor menciona que, no correr das escavações em Priene, na Ásia Menor, foram encontradas algumas terracotas que representavam Baubo. Mostram o corpo de uma mulher sem a cabeça ou o peito, com o rosto desenhado no abdome: o vestido erguido emoldura esse rosto como uma coroa de cabelos (ibid., 117).
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que num paciente com cerca de vinte e um anos de idade, os produtos da atividade mental inconsciente tornavam-se conscientes não apenas em pensamentos obsessivos, mas também em imagens obsessivas. Ambos podiam acompanhar-se mutuamente ou aparecerem independentemente. Numa ocasião específica, sempre que via o pai entrar no quarto, vinha-lhe à mente, em estreita relação, uma palavra obsessiva e uma imagem obsessiva. A palavra era ‘Vaterarsch‘ [‘father-arse‘ (ânus do pai)]; a imagem concomitante representava o pai com a parte inferior de um corpo despida, provida de braços e pernas, mas sem a cabeça ou qualquer outra parte superior. Não havia indicação dos órgãos genitais e as feições do rosto apareciam pintadas no abdome.
Ajudará à explicação desse sintoma, mais absurdo do que o comum, a menção de que o paciente, homem de intelecto plenamente desenvolvido e elevados ideais morais, manifestou um erotismo anal muito vívido, das mais variadas formas, até os dez anos de idade. Superado isso, sua vida sexual foi mais uma vez forçada a voltar à fase anal preliminar devido à sua luta ulterior contra o erotismo genital. Ele amava e respeitava muito o pai, e também o temia bastante; contudo, a julgar por seus próprios altos padrões no tocante ao ascetismo e à supressão dos instintos, o pai lhe parecia uma pessoa inclinada à devassidão e à busca do prazer em coisas materiais.
A palavra ‘Vaterarsch’ logo foi explicada como uma germanização jocosa do título honorífico de ‘Patriarch‘ (patriarca). A imagem obsessiva é uma caricatura evidente. Lembra outras representações que, tendo em vista um fim depreciativo, substituem toda uma pessoa por um de seus órgãos, por exemplo, os órgãos genitais; também nos faz recordar fantasias inconscientes que levam à identificação dos órgãos genitais com a pessoa toda, e também jocosas figuras de linguagem, como ‘Sou todo ouvidos’.
De início, a colocação das feições do rosto no abdome da criatura me pareceu algo muito estranho. Mas logo me lembrei de ter visto a mesma coisa em caricaturas francesas. O acaso me levou então a uma representação antiga, que coincidia exatamente com a imagem obsessiva do meu paciente.
Mattanó aponta que num paciente com cerca de vinte e um anos de idade, os produtos da atividade mental inconsciente tornavam-se conscientes não apenas em pensamentos obsessivos, mas também em imagens obsessivas. Ambos podiam acompanhar-se mutuamente ou aparecerem independentemente. Numa ocasião específica, sempre que via o pai entrar no quarto, vinha-lhe à mente, em estreita relação, uma palavra obsessiva e uma imagem obsessiva. A palavra era ‘Vaterarsch‘ [‘father-arse‘ (ânus do pai)]; a imagem concomitante representava o pai com a parte inferior de um corpo despida, provida de braços e pernas, mas sem a cabeça ou qualquer outra parte superior. Não havia indicação dos órgãos genitais e as feições do rosto apareciam pintadas no abdome. Vemos um dos casos de Sigmund Freud que podem ter relação com a equivalência de estímulos, onde ocorre a reflexividade, a simetria e a transitividade entre estímulos e assim o que é imagem pode se tornar palavra e depois em parte do corpo humano.
Ajudará à explicação desse sintoma, mais absurdo do que o comum, a menção de que o paciente, homem de intelecto plenamente desenvolvido e elevados ideais morais, manifestou um erotismo anal muito vívido, das mais variadas formas, até os dez anos de idade. Superado isso, sua vida sexual foi mais uma vez forçada a voltar à fase anal preliminar devido à sua luta ulterior contra o erotismo genital. Ele amava e respeitava muito o pai, e também o temia bastante; contudo, a julgar por seus próprios altos padrões no tocante ao ascetismo e à supressão dos instintos, o pai lhe parecia uma pessoa inclinada à devassidão e à busca do prazer em coisas materiais. Vemos que este paciente tendia a devassidão e a busca de prazer em coisas materiais devido seu erotismo anal que lhe emprestava repertório comportamental e não sexualidade infantil, de modo que ao chegar na fase gential regrediu a fase anal, mas agora com conteúdo malicioso oriundo da puberdade e do comportamento.
A palavra ‘Vaterarsch’ logo foi explicada como uma germanização jocosa do título honorífico de ‘Patriarch‘ (patriarca). A imagem obsessiva é uma caricatura evidente. Lembra outras representações que, tendo em vista um fim depreciativo, substituem toda uma pessoa por um de seus órgãos, por exemplo, os órgãos genitais; também nos faz recordar fantasias inconscientes que levam à identificação dos órgãos genitais com a pessoa toda, e também jocosas figuras de linguagem, como ‘Sou todo ouvidos’. Vemos que o paciente passou a se identificar com sua imagem obsessiva.
De início, a colocação das feições do rosto no abdome da criatura me pareceu algo muito estranho. Mas logo me lembrei de ter visto a mesma coisa em caricaturas francesas. O acaso me levou então a uma representação antiga, que coincidia exatamente com a imagem obsessiva do meu paciente. Vemos que a imagem obsessiva do paciente coincidia com a do rosto no abdome da criatura.
MATTANÓ
(18/02/2026)
UMA LIGAÇÃO ENTRE UM SÍMBOLO E UM SINTOMA (1916)
A experiência na análise dos sonhos estabeleceu suficientemente bem o chapéu como um símbolo do órgão genital, mais freqüentemente do órgão masculino. Não se pode dizer, contudo, que o símbolo seja inteligível. Nas fantasias e em numerosos sintomas, também a cabeça aparece como um símbolo dos órgãos genitais masculinos, ou, se assim se prefere dizer, como algo que os representa. Algumas vezes, ter-se-á observado que pacientes que sofrem de obsessões expressam uma dose muito maior de abominação e de indignação contra pena pela decapitação do que por qualquer outra forma de morte; em tais casos o analista pode ser levado a lhes explicar que estão considerando a decapitação como um substituto da castração. Já foram analisados e publicados numerosos casos de sonhos de pacientes jovens ou relatados como tendo ocorrido na juventude, que diziam respeito ao assunto da castração, nos quais era mencionada uma bola redonda que só poderia ser interpretada como a cabeça do pai daquele que sonhou. Recentemente, fui capaz de solucionar um cerimonial realizado por uma paciente antes de ir dormir, no qual ela tinha de colocar o pequeno travesseiro superior disposto em forma de losango sobre os outros, e de repousar a cabeça exatamente no sentido da diagonal maior. O losango tinha o significado que os desenhos nas paredes [grafitos] nos tornou familiar; a cabeça supostamente representava um órgão masculino.
Pode ser que o significado simbólico do chapéu provenha do da cabeça, na medida em que um chapéu possa ser considerado como um prolongamento da cabeça, embora destacável. Com relação a isso, recordo-me de um sintoma por meio do qual neuróticos obsessivos conseguem causar a si próprios tormentos contínuos. Quando estão na rua, ficam constantemente de sobreaviso para ver se algum conhecido os cumprimenta primeiro tirando o chapéu, ou se parece estar esperando pelo cumprimento deles; e cortam relações com grande número de seus conhecidos após descobrirem que não os saúdam mais ou não retribuem sua própria saudação de maneira apropriada. No que diz respeito a isso, suas dificuldades não têm fim; encontram-nas por toda parte conforme seu estado de ânimo e sua fantasia. Não alteram seu comportamento quando lhes dizemos, o que todos eles já sabem, que uma saudação mediante o ato de retirar o chapéu tem o significado de uma humilhação perante a pessoa cumprimentada - que um grande do reino de Espanha, por exemplo, gozava do privilégio de permanecer com a cabeça coberta na presença do rei -, e que sua própria sensibilidade no tocante à saudação significa, portanto, que estão pouco dispostos a demonstrar que são menos importantes do que a outra pessoa julgar ser. A resistência de sua sensibilidade a explicações como essa sugere que um motivo menos familiar à consciência está em ação; e a fonte desse sentimento exagerado pode ser facilmente encontrada em sua relação com o complexo de castração.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que a experiência na análise dos sonhos estabeleceu suficientemente bem o chapéu como um símbolo do órgão genital, mais freqüentemente do órgão masculino. Não se pode dizer, contudo, que o símbolo seja inteligível. Nas fantasias e em numerosos sintomas, também a cabeça aparece como um símbolo dos órgãos genitais masculinos, ou, se assim se prefere dizer, como algo que os representa. Algumas vezes, ter-se-á observado que pacientes que sofrem de obsessões expressam uma dose muito maior de abominação e de indignação contra pena pela decapitação do que por qualquer outra forma de morte; em tais casos o analista pode ser levado a lhes explicar que estão considerando a decapitação como um substituto da castração. Já foram analisados e publicados numerosos casos de sonhos de pacientes jovens ou relatados como tendo ocorrido na juventude, que diziam respeito ao assunto da castração, nos quais era mencionada uma bola redonda que só poderia ser interpretada como a cabeça do pai daquele que sonhou. Recentemente, fui capaz de solucionar um cerimonial realizado por uma paciente antes de ir dormir, no qual ela tinha de colocar o pequeno travesseiro superior disposto em forma de losango sobre os outros, e de repousar a cabeça exatamente no sentido da diagonal maior. O losango tinha o significado que os desenhos nas paredes [grafitos] nos tornou familiar; a cabeça supostamente representava um órgão masculino.
Pode ser que o significado simbólico do chapéu provenha do da cabeça, na medida em que um chapéu possa ser considerado como um prolongamento da cabeça, embora destacável. Com relação a isso, recordo-me de um sintoma por meio do qual neuróticos obsessivos conseguem causar a si próprios tormentos contínuos. Quando estão na rua, ficam constantemente de sobreaviso para ver se algum conhecido os cumprimenta primeiro tirando o chapéu, ou se parece estar esperando pelo cumprimento deles; e cortam relações com grande número de seus conhecidos após descobrirem que não os saúdam mais ou não retribuem sua própria saudação de maneira apropriada. No que diz respeito a isso, suas dificuldades não têm fim; encontram-nas por toda parte conforme seu estado de ânimo e sua fantasia. Não alteram seu comportamento quando lhes dizemos, o que todos eles já sabem, que uma saudação mediante o ato de retirar o chapéu tem o significado de uma humilhação perante a pessoa cumprimentada - que um grande do reino de Espanha, por exemplo, gozava do privilégio de permanecer com a cabeça coberta na presença do rei -, e que sua própria sensibilidade no tocante à saudação significa, portanto, que estão pouco dispostos a demonstrar que são menos importantes do que a outra pessoa julgar ser. A resistência de sua sensibilidade a explicações como essa sugere que um motivo menos familiar à consciência está em ação; e a fonte desse sentimento exagerado pode ser facilmente encontrada em sua relação com o complexo de castração.
Mattanó aponta que a experiência na análise dos sonhos estabeleceu suficientemente bem o chapéu como um símbolo do órgão genital, mais freqüentemente do órgão masculino. Não se pode dizer, contudo, que o símbolo seja inteligível. Nas fantasias e em numerosos sintomas, também a cabeça aparece como um símbolo dos órgãos genitais masculinos, ou, se assim se prefere dizer, como algo que os representa. Algumas vezes, ter-se-á observado que pacientes que sofrem de obsessões expressam uma dose muito maior de abominação e de indignação contra pena pela decapitação do que por qualquer outra forma de morte; em tais casos o analista pode ser levado a lhes explicar que estão considerando a decapitação como um substituto da castração. Já foram analisados e publicados numerosos casos de sonhos de pacientes jovens ou relatados como tendo ocorrido na juventude, que diziam respeito ao assunto da castração, nos quais era mencionada uma bola redonda que só poderia ser interpretada como a cabeça do pai daquele que sonhou. Recentemente, fui capaz de solucionar um cerimonial realizado por uma paciente antes de ir dormir, no qual ela tinha de colocar o pequeno travesseiro superior disposto em forma de losango sobre os outros, e de repousar a cabeça exatamente no sentido da diagonal maior. O losango tinha o significado que os desenhos nas paredes [grafitos] nos tornou familiar; a cabeça supostamente representava um órgão masculino. Vemos que os neuróticos obsessivos tem seu rituais como forma de organizarem o seu conteúdo recalcado inconsciente e infantil, doméstico e familiar, que quando estes rituais são desobedecidos ou frustrados eles, os neuróticos obsessivos, se desorientam e ficam perturbados, transtornados.
Pode ser que o significado simbólico do chapéu provenha do da cabeça, na medida em que um chapéu possa ser considerado como um prolongamento da cabeça, embora destacável. Com relação a isso, recordo-me de um sintoma por meio do qual neuróticos obsessivos conseguem causar a si próprios tormentos contínuos. Quando estão na rua, ficam constantemente de sobreaviso para ver se algum conhecido os cumprimenta primeiro tirando o chapéu, ou se parece estar esperando pelo cumprimento deles; e cortam relações com grande número de seus conhecidos após descobrirem que não os saúdam mais ou não retribuem sua própria saudação de maneira apropriada. No que diz respeito a isso, suas dificuldades não têm fim; encontram-nas por toda parte conforme seu estado de ânimo e sua fantasia. Não alteram seu comportamento quando lhes dizemos, o que todos eles já sabem, que uma saudação mediante o ato de retirar o chapéu tem o significado de uma humilhação perante a pessoa cumprimentada - que um grande do reino de Espanha, por exemplo, gozava do privilégio de permanecer com a cabeça coberta na presença do rei -, e que sua própria sensibilidade no tocante à saudação significa, portanto, que estão pouco dispostos a demonstrar que são menos importantes do que a outra pessoa julgar ser. A resistência de sua sensibilidade a explicações como essa sugere que um motivo menos familiar à consciência está em ação; e a fonte desse sentimento exagerado pode ser facilmente encontrada em sua relação com o complexo de castração. Vemos que a resistência dos neuróticos obsessivos deve-se ao complexo de castração, motivo que mantêm seus rituais como forma de expressarem seu conteúdo recalcado inconsciente e infantil, doméstico e familiar.
MATTANÓ
(18/02/2026)
CARTA À DRA. HERMINE VON HUG-HELLMUTH (1919-[1915])
O diário é uma pequena jóia. Realmente acredito que jamais foi possível obter uma visão tão nítida e verdadeira dos impulsos mentais que caracterizam o desenvolvimento de uma jovem em nosso meio social e cultural durante os anos que precedem a puberdade. Temos a indicação de como seus sentimentos desabrocham de um egoísmo infantil até alcançarem a maturidade social; aprendemos que forma assumem inicialmente suas relações com os pais e com os irmãos e irmãs, e como gradativamente ganham em seriedade e sentimento interior; como as amizades são feitas e desfeitas; como sua afeição vai tateando no sentido de seus primeiros objetos; e, acima de tudo, como o segredo da vida sexual começa a despontar indistintamente, adquirindo então plena posse da mente da criança; como, na consciência de seu conhecimento secreto, ela inicialmente sofre, mas pouco a pouco supera isso. Tudo é expresso de modo tão encantador, tão natural e tão sério nessas notas despretensiosas, que elas não podem deixar de despertar o maior interesse em educadores e psicólogos… É seu dever, julgo eu, publicar o diário. Meus leitores lhe ficarão gratos por isso.
O RELEITOR (MATTANÓ):
Freud explica que ¨O diário é uma pequena jóia. Realmente acredito que jamais foi possível obter uma visão tão nítida e verdadeira dos impulsos mentais que caracterizam o desenvolvimento de uma jovem em nosso meio social e cultural durante os anos que precedem a puberdade. Temos a indicação de como seus sentimentos desabrocham de um egoísmo infantil até alcançarem a maturidade social; aprendemos que forma assumem inicialmente suas relações com os pais e com os irmãos e irmãs, e como gradativamente ganham em seriedade e sentimento interior; como as amizades são feitas e desfeitas; como sua afeição vai tateando no sentido de seus primeiros objetos; e, acima de tudo, como o segredo da vida sexual começa a despontar indistintamente, adquirindo então plena posse da mente da criança; como, na consciência de seu conhecimento secreto, ela inicialmente sofre, mas pouco a pouco supera isso. Tudo é expresso de modo tão encantador, tão natural e tão sério nessas notas despretensiosas, que elas não podem deixar de despertar o maior interesse em educadores e psicólogos… É seu dever, julgo eu, publicar o diário. Meus leitores lhe ficarão gratos por isso.¨
Mattanó aponta que Freud explica que ¨O diário é uma pequena jóia. Realmente acredito que jamais foi possível obter uma visão tão nítida e verdadeira dos impulsos mentais que caracterizam o desenvolvimento de uma jovem em nosso meio social e cultural durante os anos que precedem a puberdade. Temos a indicação de como seus sentimentos desabrocham de um egoísmo infantil até alcançarem a maturidade social; aprendemos que forma assumem inicialmente suas relações com os pais e com os irmãos e irmãs, e como gradativamente ganham em seriedade e sentimento interior; como as amizades são feitas e desfeitas; como sua afeição vai tateando no sentido de seus primeiros objetos; e, acima de tudo, como o segredo da vida sexual começa a despontar indistintamente, adquirindo então plena posse da mente da criança; como, na consciência de seu conhecimento secreto, ela inicialmente sofre, mas pouco a pouco supera isso. Tudo é expresso de modo tão encantador, tão natural e tão sério nessas notas despretensiosas, que elas não podem deixar de despertar o maior interesse em educadores e psicólogos… É seu dever, julgo eu, publicar o diário. Meus leitores lhe ficarão gratos por isso.¨
Contudo hoje sabemos que a sexualidade infantil não existe e nunca existiu, pois nenhuma criança menor e que ainda não tenha ingressado na puberdade ainda não produz hormônios sexuais, que de tal forma fazem modificações nos caracteres sexuais e nos corpos do adolescente e da adolescente, inclusive na vida psicológica, comportamental e social destes indivíduos, lembro apenas que existe o hormônio ocitocina, um hormônio com duas funções: A ocitocina é fundamental no processo de parto, estimulando as contrações uterinas necessárias para o nascimento do bebê. Assim, após o parto, este hormônio tem um papel vital na lactação, facilitando a ejeção do leite ao estimular as células musculares lisas dos ductos mamários; .Além de suas funções reprodutivas, a ocitocina é essencial para a formação e manutenção de vínculos sociais. Estudos demonstram que a ocitocina pode aumentar a confiança e reduzir o medo, facilitando interações sociais e fortalecendo relacionamentos. Ela é particularmente conhecida por promover vínculos entre mães e seus filhos recém-nascidos, bem como influenciar emoções e comportamentos em relacionamentos íntimos. Mas vemos que a ocitocina começa a agir no parto e na lactação somente após a puberdade, quando a adolescente adquire um organismo adequado para a concepção, gestação, parto e lactação, de tal modo que a sexualidade infantil continua não existindo.
MATTANÓ
(18/02/2026)
A HUMANIDADE DECIFRANDO SEUS SÍMBOLOS
Osny Mattanó Júnior
(Releitura da primeira parte de O Homem e os Seus
Símbolos de Carl G. Jung)
Introdução
Mattanó explica que este livro é uma interpretação e adaptação do livro O Homem e Seus Símbolos de Carl G. Jung, por isso ele pode parecer muitas vezes muito assustador, complexo, complicado ou mal-elaborado.
Mattanó explica que você pode ler a história de Chapéuzinho Vermelho ou a Branca de Neve ou os Três Porquinhos num livro ou ouvi-las de uma criança livremente, o que ela entendeu e se lembra delas, ou num sonho, não importa, mitologicamente a história é a mesma, seu significado é o mesmo. Falamos em diversas línguas mas há somente um codificador, o ser humano.
Mattanó contribui para o desenvolvimento da Psicologia Jungiana criando a Psicologia Analítica Mitológica e advertindo que o indivíduo que sonha reproduz seu inconsciente e assim pode manter uma comunicação com seu interior, se descobrir, descobrir suas mensagens, suas revelações que podem lhe indicar o caminho a seguir em função de seu inconsciente e de seu processo de individuação, do seu movimento consciente – inconsciente. Este movimento é elaborado por meio de significados, sentidos, conceitos, contextos, funcionalidades, comportamentos, topografias e simbologias. O inconsciente e o consciente obedecem ao contexto, mas não tem símbolos definidos, seus símbolos são individuais, particulares, oriundos de seus significados e sentidos atribuídos pelo indivíduo por meio da aprendizagem e da história de vida que obedece os padrões de sua socialização. A telepatia e a lavagem cerebral contribuem para a alienação do indivíduo e da sociedade, para a despersonalização, pois sua história de vida e seu aprendizado se constroem a partir da telepatia e da lavagem cerebral, fenômenos que causam despersonalização.
Osny Mattanó Júnior
(27/07/2018)
Sobre a Influência dos Mass Mídia sobre o Mundo Atual
A humanidade ainda sofre da tirania dos artistas, que dominam o mercado através dos mass mídia, com seus papéis e personagens, com seus ritos de iniciação e de passagem, com seus modos de agir e de se comportar, de pensar em relação ao sexo e a sexualidade, em relação a moral e a espiritualidade, em relação a Deus e a santidade, quando exibem sem pudor e sem medo argumentos e imagens de desrespeito a Deus e a santidade dos Santos, mas isso é um mal de toda a humanidade, sobretudo daqueles que dominam os mais pobres e carentes, os necessitados e miseráveis, que estão expostos a culturas sexuais, onde os mass mídias investem em figurinos sensuais para robotização e tipificação, padronização da opinião pública, dominação geral de determinada camada social da população, que responde prontamente como um exército fiel e corajoso, pronto até mesmo a matar e a roubar a Deus, a Mãe de Deus e aos Santos, em nome de uma sensualidade política dominante arrogante destrutiva.
Osny Mattanó Júnior
(31/07/2018)
O Papel da Máquina na Construção da Mente e do Comportamento e das Mitologias
O papel da máquina na construção da mente e do comportamento e das mitologias se faz através do trabaho imposto neste processo de decifração de textos reorganizados por um programa de computador, programa de computador que altera a ordem, inverte letras e palavras, troca palavras e letras, aglutina palavras e letras, provocando um processo de reconstrução ou de decifração de significados e sentidos, conceitos, contextos, funcionalidades, comportamentos, topografias, relações sociais e símbolos, numa tentativa de reinterpretar a obra do autor para introduzir um novo processo analítico, o da máquina sobre o homem, sobre a mente e a consciência, sobre o inconsciente, sobre os sonhos, sobre os rituais e sobre as mitologias – se o homem falhar ou der uma programação errada em seu computador tudo será errado ou diferente, até que ponto o errado e o diferente estão ininteligíveis se podemos reorganizá-los, foi assim que surgiu a linguagem e a civilização, a humanidade, com a reorganização do ininteligível, nota-se mais uma vez que a máquina não é maior do que o ser humano, do que os seus sonhos, mente e comportamento, do que as suas relações sociais e o seu trabalho. Ela tem apenas um papel de facilitar a construção da mente e do comportamento e das mitologias no mundo contemporâneo.
Osny Mattanó Júnior
(29/07/2018)
Decifrando a importância dos sonhos
Mattanó adverte que os sentidos do homem limitam a percepção. Os sentidos humanos nunca são percebidos numa totalidade, num sentido de plenitude, mas numa gestalt, numa forma. Não percebemos dois sentidos ao mesmo tempo, selecionamos o que percebemos conforme a sua importância e necessidade para o indivíduo, conforme a organização perceptiva.
Mattanó especula que os símbolos podem indicar o significado dos seus sonhos, contudo através da decorrência dos sentidos; os símbolos podem e têm seu significado inconsciente, mas mais ainda, eles possuem um sentido inconsciente, um conceito inconsciente, um contexto inconsciente, uma funcionalidade inconsciente, um comportamento inconsciente, uma topografia inconsciente, uma simbologia inconsciente, capaz de descrever o homem como ser movido por forças inconscientes coletivas e individuais e conscientes. Que os sonhos podem construir um Episódio Onírico Completo com a completa decodificação dos seus processos, ou um Episódio Onírico Incompleto com a incompleta decodificação dos seus processos, processos estes de significação, de dar sentido, conceito, contexto, funcionalidade, comportamento, topografia e simbologia, ou seja, de interpretação dos sonhos.
(Mattanó; 27/07/2018).
Mattanó assim entende que por haver fenômenos que estão fora do alcance do entendimento e da racionalidade humana empregamos termos simbólicos a esses fenômenos, mas também empregamos significados, sentidos, conceitos, contextos, fucnionalidades e comportamentos e até avatares que nos auxiliam a assimilar e a acomodar fenômenos distantes da nossa materialidade, que estão na nossa subjetividade, que pertencem muitas vezes ao mundo dos sonhos, onde somos invadidos por imagens e Episódios Oníricos que ao serem interpretados se transformam em Episódios Oníricos Completos ou Episódios Oníricos Incompletos.
(Mattanó; 28/07/2018).
Mattanó alerta que há na nossa percepção da realidade aspectos conscientes e aspectos inconscientes, que a realidade é composta de fenômenos que são transmitidos ao cérebro e formam a mente através da percepção, da visão, da audição, da gustação, da olfação, etc., e que estes fenômenos se tornam irreconhecíveis a mente humana, pois a percepção não se organiza de tal forma que possa deslumbrar vários fenômenos ao mesmo tempo, tornando a natureza externa do fenômeno praticamente desconhecida, pois reconhecemos objetos apenas por partes que juntamos. Por isso temos uma mente inconsciente que junta todas essas informações e percepções integrando-as e favorecendo uma percepção inconsciente e total, inteligente, da realidade que também podemos observar nos sonhos.
(Mattanó; 28/07/2018).
Mattanó ensina que o estudo dos sonhos levou o homem ao conhecimento do que antes não tinha consciência e nem conhecimento, construiu a partir daí um saber e uma ciência. O que não percebíamos estava abaixo do limiar da nossa consciência, foram os sonhos e seus estudos que levaram ao estudo do inconsciente através do que não nos é revelado como uma imagem simbólica, levando os psicólogos a um conhecimento da psique humana. Mitologicamente foram os sonhos que provocaram imediato interesse pelos curiosos, estudiosos, xamãs, cientistas, psicanalistas e psicólogos, pois pareciam indicar um caminho ou uma revelação não manifestada, encoberta, mascarada como nos rituais onde os feiticeiros vestem suas máscaras para igressar e fazer passar seus membros, assim são os sonhos objetos com máscaras que ritualizam cenas e ensinam mensagens que devem ser interpretadas sob forma de significados, sentidos, conceitos, contextos, funcionalidades, comportamentos, topografias e simbologias que nos ensinam fenômenos ligados a libido, a comunhão e a segurança.
(Mattanó; 29/07/2018).
Mitologicamente nos deslumbramos com o significado da psique, o mesmo significado da natureza, um enigma sem limites, até mesmo do universo quando abordamos os seres extraterrestres, o que torna nossa psique ainda mais enigmática e sem limitações, um universo a ser explorado como o próprio universo e os extraterrestres, no sentido de conhecermos como são suas leis e valores, como funcionam e se organizam, se existe ou não um inconsciente cósmico que vai além do inconsciente coletivo dos Homo Sapiens, que une os seres do universo, que estabelece leis e valores, princípios fundamentais sobre a vida e a existência, sobre a mente, o comportamento, as relações sociais e extraterrestres, a afetividade e o pensamento, os significados, os sentidos, os conceitos, os contextos, as funcionalidades, as toprografias alienígenas, os comportamentos, as relações sociais e alienígenas e os símbolos individuais, coletivos e cósmicos que constroem esta nova ciência mitológica.
(Mattanó; 30/07/2018).
Mattanó explica que históricamente existe muita resistência quanto à aceitação da nossa parte desconhecida da mente, do nosso inconsciente, do nosso inconsciente pessoal, coletivo e cósmico, pois como sabemos a consciência é uma parte da formação que faz muito pouco tempo que se acabou e mesmo assim ainda é ameaçada por ideologias, além de perigos que podem danificá-la como a Pulsão Auditiva de Mattanó de 1995, que vão além da ¨perda da alma¨, vão além de uma ruptura da consciência, indicam que a mente humana pode sofrer facilmente despersonalização e lavagem cerebral, tortura psicológica, sexual e moral, violência e curandeirismo, ou seja, a mente se vê ameaçada por curandeiros criminosos que a prejudicam e a lesam, causando loucura no indivíduo e na sociedade, movimentos e protestos violentos e irresponsáveis de cunho imoral e de despersonalização nacional.
(Mattanó; 31/07/2018).
Mattanó escreve que a consciência tem vários níveis, tem vários estágios. Começa na vida intra-uterina, continua no nascimento e vai da meninice até a morte se constituindo de várias unidades interligadas, mesmo que distintas, como um mapa cognitivo ou GPS do Comportamento, estes fenômenos levam o homem por meio da ciência e antes mesmo já nas tribos primitivas, a um comportamento de crença em várias ¨almas¨ ou várias fases da vida isoladas na nossa mente, o que nos permite construir a ciência psicológica e psicanalítica. Mitológicamente podemos dizer que o homem possui várias ¨almas¨ como possui várias faces ou vários heróis, monstros, fantasmas, reis, deuses, súditos e escravos, ou seja, várias faces de fases que isoladas na nossa mente se sobrepõem uma a uma mas não se anulam, mas se completam e se processam de forma a se integrarem como que num processo de individuação.
(Mattanó; 31/07/2018).
Mattanó aponta que mitologicamente o controle de si mesmo ou o autocontrole suscita uma ameaça de fragmentar-se, um assalto de emoções incontidas, uma dissociação, a perda da nossa identidade, a perturbação por estados de humor, a insensatez, a incapacidade diante da memória que vem a nos faltar no momento mais importante da análise, ou seja, o autocontrole é uma das coisas mais fantásticas e extraordinárias que existem, quem o faz jamais ouvirá de um amigo ou de um inimigo coisas que jamais suspeitava escutar ou que não tinha consciência e assim não terá que chorar, sorrir, ficar ou partir por causa de si mesmo, do seu inconsciente, da sua interioridade e dos seus sonhos que também aprenderá a interpretar em seu processo de individuação.
(Mattanó; 01/08/2018).
Mattanó aponta que mitologicamente a consciência humana ainda não chegou a um nível estável ou razoável de continuidade, pois está sujeita a fragmentação e a dissociação, como prova disto temos os sonhos, os mitos e os ritos, as mitologias que retratam o contemporâneo até o primitivo numa dramatização mística, na capacidade de simbolização do ser humano que também não foge a este regra. Para Freud os sonhos indicam algo que não o acaso, associado a pensamentos e problemas conscientes como os sintomas neuróticos que são, justamente áreas dissociadas da nossa mente, mitologicamente ritualizamos nossos problemas para ultrapassarmos seus limites, até mesmo quando sonhamos, o fazemos para significar, dar sentido, conceituar, contextualizar, fazer a funcionalidade, o comportamento, a topografia e as simbologias (da libido, da comunhão e da segurança) e assim efetuarmos o processo de interpretação onírica com a análise final do Episódio Onírico Completo ou do Episódio Onírico Incompleto. Sonhamos mitologicamente para discriminar eventos encobertos a respeito dos mitos e dos ritos de nossa sociedade, de nossas mitologias, da nossa interioridade.
(Mattanó; 04/08/2018).
Mattanó mostra que os símbolos dos sonhos existem numa variedade muito grande e que consistem em fantasias e falsidades, contudo Freud mostrou que os sonhos revelam histórias que o sonhador gostaria de evitar conscientemente, por se trataremde uma experiência desagradável reprimida no seu inconsciente, revelando suas dificuldades e problemas comportamentais, a estes fenômenos chamamos de ¨complexos¨, temas emocionais reprimidos capazes de provocar distúrbios psicológicos permanentes e em outros casos, sintomas de neurose. Mitologicamente os sonhos revelam as histórias dos nossos ritos, das nossas dificuldades e dos nossos problemas quando conscientizados, mostrando o caminho da cura, da transformação psicológica mística, noite após noite.
(Mattanó; 05/08/2018).
Mattanó mostra que Jung começou a discordar de Freud quanto a livre associação para interpretar os sonhos e passou a prestar seu interesse na forma e no conteúdo do sonho. Mattanó acrescenta à forma e ao conteúdo a Gestalt, os princípios da organização perceptiva (simetria, proximidade, continuidade, semelhança, e figura/fundo, etc.), nota-se que Mattanó destaca a figura/fundo como objeto da organização perceptiva, como seu fim ou finalidade, como seu objetivo e nele se dá a interpretação da forma, da Gestalt, como forma de melhor interpretar a forma e o conteúdo sugere interpretar através da leitura dos significados, sentidos, conceitos, contextos, funcionalidades, comportamentos, topografias, simbologias e relações sociais, através do Episódio Onírico Completo e do Episódio Onírico Incompleto. Assim temos a forma e o conteúdo dos sonhos interpretados.
(Mattanó; 05/08/2018).
Mattanó alerta que ideias e associações podem levar a complexos do paciente. Para estudá-los devemos estudar os sonhos do paciente, as imagens simbólicas, a forma e o conteúdo dos sonhos. Cada imagem pode ser representada de diferentes maneiras, ou seja, um símbolo pode ser representado de diversas maneiras, há várias imagens para cada símbolo. Cada uma dessas imagens tem potencial para levar até os complexos do indivíduo. Assim os sonhos tem algo a mais do que o conteúdo sexual, pois tem várias imagens para cada símbolo, o símbolo pode ser presentado de muitas maneiras, por outros motivos determinados, como a comunhão e o exercício da força (ou a segurança).
(Mattanó; 08/08/2018).
Mattanó fala do misoneismo quando aborda a telepatia e a lavagem cerebral, a pulsão auditiva e suas consequências na psique, no comportamento e nas relações sociais dos indivíduos, como a falsidade ideológica, o estupro virtual, o curandeirismo, o falso insight, o erro, o engano, a mentira, a tortura moral, sexual, física e psicológica, o abuso e a exploração sexual e de incapazes, a tentativa do atentado ao pudor do estelionatário, a tentativa do ato obsceno do estelionatário, o estelionato, o roubo de dados pessoais, o roubo de conhecimento, o roubo de trabalho, o roubo da educação e da vida sexual e da saúde, o roubo de partes do corpo humano, a periclitação da vida e da saúde, a discriminação, a perseguição, a violação de direitos e da cidadania, a violação da intimidade e da privacidade, as injúrias e as calúnias, as difamações, os crimes contra a imagem da pessoa, os crimes de ódio, as tentativas de execução deflagradas, etc., ainda há muito misoneismo na Psicologia e na Psicanálise, inclusive na Psiquiatria.
(Mattanó; 08/08/2018).
O passado e o futuro no inconsciente
Mattanó explica que os sonhos são o material mais acessível para o estudo da faculdade humana de produzir símbolos. Devemos encarar os sonhos a partir da forma e do conteúdo, mas sem suposições prévias a respeito dele, que ele tem um sentido, sua forma e conteúdo e que ele é uma expressão do inconsciente individual, coletivo e cósmico.
(Mattanó; 10/08/2018).
Os sonhos tem sua importância para o investigador, mesmo para o de pouca experiência que aos poucos aprende a conhecê-lo melhor e a interpretá-lo adequadamente. Os sonhos são um acontecimento normal,e tem sua causa racional, onde suas ideias, imagens, pensamentos, sensações e impressões provisoriamente ocultos e perdidos continuam a influenciar a nossa mente consciente. Assim como nossos passos são influenciados pelo nosso inconsciente até mesmo quando fechamos os olhos e continuamos a caminhar e concluímos nossa caminhada. Os sonhos também nos ajudam a concluir a nossa caminhada. Esta caminhada, a caminhada diurna e a caminhada noturna, eles nos ajudam de muitas maneiras com suas formas e conteúdos.
(Mattanó; 10/08/2018).
Mattanó aponta que aparentemente nos comportamos segundo intenções conscientes, mas quando somos indagados sobre nossas motivações descobrimos coisas bem diferentes, descobrimos motivos inconscientes, por exemplo, quando falamos mas não reconhecemos o que falamos, ou ouvimos mas não reconhecemos o que ouvimos, passamos anestesiados por estímulos. Jung comprovou que seus pacientes reconheciam estes estímulos com a técnica da hipnose lhes perguntando sobre esses estímulos que conscientemente não eram despertados ou conscientizados, discriminados. Jung ajudou a comprovar a existência do inconsciente.
(Mattanó; 10/08/2018).
Mattanó explica que o inconsciente não se trata de um funcionamento anormal da mente e assim unicamente da esfera da psicopatologia. Pois o inconsciente pertence a todos os indivíduos como fenômeno individual, coletivo e cósmico. Como já vimos suas intenções e motivos estão nos sonhos, ou seja, sua forma e conteúdo que o fazem um fenômeno filogenético (da nossa espécie, Homo Sapiens), ontogenético (de cada indivíduo), cultural (da nossa cultura como fenômeno cultuado e ritualizado místicamente), da espiritualidade (como fenômeno espiritual), da vida (como fenômeno próprio da vida) e do universo (como fenômeno do universo, do cosmos e dos contatos extraterrestres).
(Mattanó; 10/08/2018).
Mattanó explica que o ato de esquecer envolve uma gestalt, uma forma, uma figura, onde ora está a luz dos nossos olhos a imagem de uma figura ou de uma taça e noutro relance por esquecimento desta imagem temos a imagem na memória do fundo ou de um rosto, exatamente como um holofote ao iluminar uma área que deixa outra área mergulhada na escuridão. O holofote é a nossa consciência e cada área é respectivamente, uma a figura e a outra o fundo da figura. O esquecimento é o desvio da nossa atenção.
(Mattanó; 23/08/2018).
Mattanó explica que as recordações esquecidas estão recalcadas em função de sua natureza desagradável e que por isto tornam-se esquecidas. O cheiro despertou lembranças até então, esquecidas, as recordações perdidas eram muitas e estavam recalcadas. Notamos funcionalmente o Contexto (uma caminhada numa fazenda) – Sestímulo (odor ou cheiro) – Consequência (despertar de lembranças esquecidas) – NovoContexto (um sujeito inserido no meio ambiente, numa fazendo com lembranças que eram até então esquecidas e foram despertadas do seu inconsciente). A natureza da origem dessas lembranças esquecidas é algo desagradável, pois estavam recalcadas e esquecidas, vieram à tona com o cheiro na caminhada na fazenda.
(Mattanó; 24/08/2018).
Mattanó escreve que essa sugestão, por exemplo, o cheiro, explica o surgimento de lembranças esquecidas, de sintomas neuróticos e de recordaçções benignas, por exemplo, quando avistamos alguma coisa, sentimos um cheiro ou ouvimos um som como uma música que lembre circunstâncias ou eventos passados temos lembranças esquecidas. Mattanó diz que lembramos de acontecimentos esquecidos por causa do nosso mapa cognitivo e do nosso GPS do comportamento que desencadeiam rotas cognitivas e comportamentais para os estímulos que percebemos, inclusive para os estímulos que não percebemos, que estão e são inconscientes.
(Mattanó; 24/08/2018).
Mattanó explica que a mente é dividida em duas faces, a consciente e a inconsciente, a face consciente e a outra face, muitas pessoas acreditam que a outra face não tem poder sobre a face consciente tentando dominá-la através da força de vontade, da decisão e da intenção própria, mas não é bem assim, a outra face esta agindo, esta na gestalt, como forma, que de acordo com o insight e a percepção será deslumbrada, é a outra face que faz o jovem acadêmico se esquecer da resposta certa durante o exame letivo, mesmo tendo estudado exaustivamente.
(Mattanó; 02/09/2018).
Mattanó adiciona que temos vários motivos para nos esquecermos de coisas que notamos ou experimentamos, que vivemos e nos relacionamos, mas há também um número de motivos pelos quais elas podem ser relembradas , como exemplo temos a ¨recordação escondida¨, que é aquela recordação efetuada quando escrevemos algo que nunca nos envolvemos numa leitura ou audição e de repente reparamos depois, de tê-la escrito, num outro episódio de nossas vidas compará-la com a de outro autor e ver a sua enorme semelhança com o que escrevemos outrora, este é um fenômeno do inconsciente. Dependendo da história de vida do autor pode ser um fenômeno do inconsciente pessoal ou senão do inconsciente coletivo.
(Mattanó; 02/09/2018).
Mattanó adiciona que a recordação escondida pode ter ocorrido no livro de Nietzsche, Assim Falou Zaratustra, onde o autor fala de um incidente relatado num diário de bordo no ano de 1686, que por acaso já havia sido publicado no ano de 1835. Nietzsche havia lido a primeira publicação e certamente teve uma recordação escondida quando a história estruturou-se em foco em sua consciência devido a sua história de vida pessoal, revelando a influência do seu inconsciente pessoal e até do coletivo, de acordo com o contexto, o significado, o sentido, o conceito, o comportamento, a funcionalidade, a simbologia e as relações sociais, ressalta-se importante destacar se houver relações com telepatia, com alienígenas ou o universo e o cosmos estaremos abordando o inconsciente cósmico.
(Mattanó; 16/09/2018).
Mattanó aponta que o inconsciente pode trazer do passado ideias e pensamentos inteiramente novos e criadores e não somente memórias vividas. Muitos artistas, políticos e cientistas devem suas carreiras ao papel inovador e criativo do seu inconsciente, muitas vezes suas melhores ideias são inspirações que vieram de súbito do inconsciente, há estas pessoas chamamos a inteligência de genialidade pois trazem grandes contribuições artísticas, políticas e científicas para a humanidade. Importante salientar que o papel do inconsciente cósmico na inteligência é de grande importância pois traz para a humanidade a inteligência, o saber e o conhecimento das estrelas, do universo, dos alienígenas através do contato extraterrestre e da telepatia que é um fenômeno extraterrestre.
(Mattanó; 26/10/2018).
Mattanó discorre que é a vida onírica a fonte natural da maior parte de nossos símbolos e que é difícil compreender os sonhos, pois os sonhos em nada se parecem com a mente consciente, os sonhos não tem uma lógica aparente, eles tem uma lógica latente que se reveste e se traduz em seus significados, sentidos, conceitos, contextos, funcionalidades, comportamentos, simbologias, topografias, linguagens, relações sociais, insights e gestalts, revelando um aspecto fascinante ou aterrador em sua trama manifesta e latente, em seu conjunto como Episódio Onírico Completo ou Episódio Onírico Incompleto.
(Mattanó; 26/10/2018).
Mattanó concorda que o inconsciente não dispõe de regras que ditamos aos nossos pensamentos conscientes, por isso ele, o inconsciente nos parece tão distante e incompreensível, criando uma tendência a ignorá-lo e desprezá-lo pois nos confessamos confundidos por ele. Ele age nos confundindo quando é inconsciente e torna-se consciente e quando é consciente e torna-se inconsciente repentinamente, mudando a significação e o sentido psíquico, mas também a conceituação, a contextualização, a funcionalização, o comportamento, a simbolização, a linguagem, a topografia, as relações sociais, a gestalt, o insight e o conteúdo da véspera nos sonhos, perturbando o sentido convencional ao qual estávamos lidando até agora.
(Mattanó; 26/11/2018).
Mattanó comenta que os meios-tons psíquicos que variam de pessoa para pessoa são oriundos justamente dos processos de significação, de dar sentido, conceito, contextualização, comportamento, funcionalidade, simbologias, linguagem, topografias, relações sociais, gestalts, insights, conteúdos de vésperas através da socialização e da alfabetização.
(Mattanó; 26/11/2018).
Mattanó aponta que abaixo da consciência até mesmo os conceitos podem tomar um outro sentido, o seu sentido inconsciente. Da mesma forma os significados e os sentidos, os contextos, a funcionalidade, o comportamento, a linguagem, a simbologia, a topografia, as relações sociais, a gestalt, o insight e o conteúdo de véspera.
(Mattanó; 26/11/2018).
Mattanó comenta que a ¨participação mística¨ nos sonhos é um fenômeno que põe o sonhador abaixo do limite da consciência como uma pessoa profundamente inteligente e culta, certa de seus sonhos, fantasias e visões, o mundo atual ainda constrói muitas de suas relações a partir da ¨participação mística¨.
(Mattanó; 26/11/2018).
Mattanó comenta que o assim como os pacientes de Jung buscavam explicações para seus medos e fobias em doenças na medida em que eram cultos e não acreditavam em fenômenos ocultos, hoje a sociedade justifica seus medos e fobias em extraterrestres ou alienígenas, pois não há mais espaço para doenças e fenômenos ocultos, chegando ao máximo de catalogar Deus como um alienígena.
(Mattanó; 26/11/2018).
Mattanó explica que o inconsciente é um rico instrumento, tanto para o instruído quanto para o obtuso ou sem instrução, para o rico como para o pobre, para o branco, o preto, o amarelo, o vermelho e o mestiço, ele não discrimina mente ou tipo de pessoa por qualquer que seja sua discrminação, ele é universal em sua significação e pessoal em seu caráter histórico.
(Mattanó; 26/11/2018)
Mattanó explica que sonhamos com o que nos complementa quando temos uma balança psicológica dos sonhos, o material onírico reconstitui o equilíbrio total de maneira situl. Nossa constituição psíquica leva-nos a compensar nos sonhos com planos nossas deficiências, com avisos o que rejeitamos, com voos nossas quedas. O sonho rejeitado pode causar acidentes reais, podemos cair, tropeçar, nos cortar, sofrer um desastre de carro ou de avião, podemos matar e nos tornar-mos criminosos devido aos sonhos, por isso manipular os sonhos com telepatia e hipnose perguntando sobre violência e criminalidade, sobre doenças e loucuras, torna-se algo extremamente perigoso, pois podemos causar problemas para o sonhador em sua vida despertada, em seu ambiente de trabalho, escolar, familiar, religioso, social, etc..
(Mattanó; 26/11/2018).
Mattanó alerta que os sonhos servem para avisar-nos sobre perigos e ameaças que podem ocorrer conosco diante de determinados contextos e comportamentos, acredita que pode avisar também sobre perigos e ameaças sobre significados, sentidos, conceitos, funcionalidades, simbologias, linguagens, topografias, relações sociais, gestalts, insights e conteúdos de vésperas, antes mesmo que eles realmente aconteçam.
(Mattanó; 26/11/2018).
Mattanó comenta que os sonhos muitas vezes nos passam desapercebidos por causa das suas forças inconscientes, inclusive quando assumem uma forma de previsão. Porém o que passou desapercebido da consciência não passou desapercebido do inconsciente. As mensagens do inconsciente podem ser claras, mas podem ser também ambíguas, misteriosas, cheias de armadilhas. A extensão das mensagens depende das conquistas e dos estados primitivos e do civilizado ao qual o homem deve mostrar o saldo destes ganhos e perdas, fazendo um balanço numa balança por compensações através dos sonhos.
(Mattanó; 27/11/2018).
Mattanó comenta que o homem primitivo era governado pelos seus instintos e que os sonhos tinham uma atividade compensadora, onde o equilíbrio mental e a saúde fisiológica derivam de uma boa relação entre consciente e inconsciente, quando eles se separam aparecem os distúrbios mentais. A interpretação dos sonhos nos faz compreender a esquecida linguagem dos instintos, onde seus símbolos passam desapercebidos ou incompreendidos. A linguagem dos instintos pode assim adquirir significado, sentido, conceito, contexto, funcionalidade, comportamento, simbologia, linguagem, topografia, relações sociais, gestalt, insight e conteúdos de véspera.
(Mattanó; 27/11/2018).
Mattanó explica que há casos em que a interpretação do sonho torna-se não aconselhável, devido ao estado mental ou desequilíbrio do paciente. E avisa que não existem métodos de se uiversalizar a interpretação dos sonhos e dos seus símbolos, pois eles dependem de como o sonhador os compreende, significa, dá sentido, conceituar, contextualizar, funcionaliza e se comporta gerando o símbolo que por sua vez continua a desencadear o processo interpretativo dos sonhos com a linguagem, a topografia, as relações sociais, a gestalt, o insight e o conteúdo de véspera.
(Mattanó; 27/11/2018).
A análise dos sonhos
Mattanó comenta que descobrimos com a técnica interpretativa dos sonhos e não com a hipnótica que submete o paciente aos mandos do terapeuta, e assim a sua própria psicologia, revelando que devemos deixar e manter o analisando livre de interferências durante a sua fala, ouvindo-o com amor, para que sua psicologia se revele e seja livre e o liberte e não às interferências, deste modo compreenderemos os significados, os sentidos, os conceitos, os contextos, as funcionalidades, os comportamentos, as simbologias, as linguagens, as topografias, as relações sociais, as gestalts, os insights e os conteúdos de vésperas que o paciente traz na sessão para o terapeuta interpretar. Esta técnica ajuda a diferenciar os sinais e os símbolos. Os sinais são conscientes, são inventados por meio da atividade, da educação e do trabalho do ser humano. Já os símbolos não podem ser inventados, são produzidos nos sonhos, são inconscientes. Tanto os sinais quanto os símbolos e até os mitos são qualidades mentais e morais do ser humano que ele usa para se adaptar as adversidades do meio ambiente e evoluir gerando filogênese, ontogênese, cultura, espiritualidade, vida e universo, com base na aleatoriedade da reprodução e da genética que produz mudanças morfológicas, fisiológicas, comportamentais e genéticas nos seres humanos, assegurando a sua evolução e seleção natural.
(Mattanó; 27/11/2018).
O problema dos tipos
Mattanó acrescenta que além da divergência ou da convergência entre personalidades, notamos acentuado desenvolvimento em nossas sociedades e culturas da divergência ou da convergência de significados, sentidos, conceitos, contextos, funcionalidades, comportamentos, simbologias, topografias, linguagens, relações sociais, gestalts, insights, sonhos, aspirações, desejos, volições, amor e ódio que se projetam em arquétipos em forma de arte, trabalho, educação e religião, como forma de comunicação entre o pessoal e o coletivo, donde aprendemos a nos comportar de forma introvertida ou extrovertida, anunciando uma era em que seríamos divergentes, convergentes ou complementares aceitando as diferenças e amando uns aos outros como a nós mesmos.
(Mattanó; 11/12/2018).
Mattanó acrescenta que além dos tipos pensamento – sensação e sentimento – intuição, existem os tipos pensamento telepático passivo-autoclítico – pensamento – sensação e pensamento telepático ativo-autoclítico – pensamento – sensação, que definem o ser humano em meio as contingências telepáticas. O pensamento telepático passivo-autoclítico é aquele em que o indivíduo telepath organiza e reorganiza passivamente seu conteúdo psíquico. E o tipo pensamento telepático ativo-autoclítico é aquele onde o indivíduo organiza e reorganiza ativamente seu conteúdo psíquico, por exemplo, através da psicoterapia e da análise.
(Mattanó; 11/12/2018).
Mattanó destaca que o lado que não aceitamos e que normalmente atribuímos como sendo responsabilidade e culpa dos outros é a nossa sombra, e que a dificuldade de aceitar isto deve-se a uma resistência do analisando que se encontra incapacitado de compreender sua realidade naquele momento, por isso projeta-a nos outros por meio do arquétipo sombra. O arquétipo sombra segundo Mattanó tem seus significados, sentidos, conceitos, contextos, funcionalidades, comportamentos, simbologias, linguagens, topografias, relações sociais, gestalts, insights e conteúdos de vésperas no caso dos sonhos. Mattanó acrescenta que todos os arquétipos são assim interpretados segundo suas teorias.
(Mattanó; 11/12/2018).
Mattanó acrescenta que a compensação, o mecanismo de censura e o ¨desejo incompatível¨ (como um ¨disfarce¨) dos sonhos também tem seus significados, sentidos, conceitos, contextos, funcionalidades, comportamentos, topografias, simbologias, linguagens, relações sociais, gestalts, insights e conteúdos de vésperas.
(Mattanó; 11/12/2018).
Mattanó explica que além da capacidade técnica do analista de interpretar aos sonhos do analisando ele deve também ter boa relação com o analisando, para desenvolver boa empatia e sentimento de amor e de confiança, de segurança, de credibilidade no trabalho do analista que terá em suas mãos o material onírico e assim inconsciente do analisando para trabalhar e interpretar e devolver para a paciente. Mas deve ele saber que deve ter conhecimento também da realidade atual do paciente, dos seus contextos, da sua vida atual, de como ele vive e se sente, de como vão seus relacionamentos, para não prejudicá-lo como interpretações equivocadas ou inadequadas para o contexto, inclusive referentes aos significados, sentidos, conceitos, contextos, comportamentos, funcionalidades, simbologias, linguagens, topografias, relações sociais, gestalts, insights e conteúdos de vésperas, pois o bem-estar do paciente é o seu maior patrimônio.
(Mattanó; 11/12/2018).
O arquétipo no simbolismo do sonho
Mattanó aponta que o sonho é um processo psíquico e neurológico normal, que transmite à consciência reações e informações inconscientes ou impulsos espontâneos e involuntários. Que os sonhos são interpretados com o auxílio do sonhador que providencia todas as associações e explorações. Mas que existem casos onde aparecem ¨resíduos arcaicos¨, que são formas primitivas e inatas que representam uma herança do espírito humano, da nossa ancestralidade e dos nossos antepassados. Que os sonhos e os resíduos arcaicos têm um ou, geralmente, mais de um, significado, sentido, conceito, contexto, comportamento, funcionalidade, simbologia, topografia, linguagem, relações sociais, gestalt, insight, pensamento e conteúdo de véspera, desejos e desejo de dormir, história de vida, conteúdo manifesto, conteúdo latente, conclusão e interpretação final.
(Mattanó: 28/04/2019).
Mattanó aponta que o ser humano possui desde o início de seu processo evolutivo uma mente animal e que foi se tornando próxima à dos animais, ou seja, uma mente primitiva que evoluiu e se torna progressivamente, por meio da evolução, próxima dos animais e nunca distante ou diferente da mente dos animais em termos científicos. O que nos torna próximos psicológicamente aos animais é justamente a mente e as faculdades psíquicas conscientes e inconscientes, coletivas e individuais, e de desenvolvimento da personalidade.
(Mattanó; 29/04/2019).
Mattanó aponta que os arquétipos fazem parte da mente coletiva de todos nós, são imagens simbólicas que se repetem em qualqer época e lugar do mundo, sem explicação genética ou nem pela aprendizagem, nem através da psicosexualidade e nem pelo condicionamento.
(Mattanó; 29/04/2019)
Mattanó aponta que muitas vezes os sonhos causam aflição, medo, dor psicológica, terror, angústica, pânico tanto no conteúdo manifesto e nada podemos fazer, como no conteúdo latente e na interpretação do sonho, nos pensamentos do sonho e o que podemos fazer é a dessensibilização do sonho, compreendendo que não devemos interpretá-lo literalmente, não devemos manter sobre ele um controle e nem dar razões sobre ele, mas compreender o contexto, isto é, que era um sonho e que você estava dormindo, e então deixar a sonho ¨passar¨ como um desfile militar com soldados que passam por você e vão e vão e vão cada vez mais e mais longe de você, até que você não se vê mais sobre a influência ou domínio desse sonho. Se você não tiver como analisá-lo esta pode ser a melhor prática para lidar com os sonhos em geral, não somente com os que causam sofrimento.
(Mattanó; 29/04/2019).
Mattanó mostra que a produção de arquétipos tem outra função muito importante, a de educar as crianças, os deficientes, os psicóticos, os neuróticos, os transtornados, os adultos e os idosos, os doentes, os internados em hospitais e manicômios, os que correm perigo, etc., cada ser humano em situações onde o herói seja ele, e em que condição bio-psico-social estiver, pois a figura do herói existe há tempos e a tradição fez dele um arquétipo que facilita, desencadeia e opera mudanças e aprendizagem comportamental, psicológica e social, oferecendo as regras do jogo conforme a tradição, como nos rituais de iniciação, de passagem, de casamento e de morte.
(Mattanó; 29/04/2019).
Mattanó acrescenta que as crianças em seus sonhos apresentam o que aprenderam associado a sua criatividade imprevisível dos sonhos e das próprias crianças, pois não há nenhum conhecimento formado tradicionalmente na mente e no inconsciente pessoal das crianças.
(Mattanó; 28/05/2019).
Mattanó aponta que os sonhos mostram a aprendizagem das crianças, seus valores morais e o conflito deles com sua base biológica sexual, que para Mattanó é o motivo para o conflito no mundo real, onírico e simbólico da criança que sugere uma relatividade de valores morais, pois ela só adquirirá uma certa relatividade dos valores morais a partir dos 10 anos de idade quando passar pelo período de construção da cognição que lhe facultará comportamento para relativizar moralmente de forma hipotética e dedutiva e também após os 10 anos quando ela passar pela fase da autonomia moral que lhe possibilitará independeência para significar, dar sentido, conceituar e contextualizar moralmente seus valores em tranformação moral.
(Mattanó; 28/05/2019).
Mattanó aponta que a mente e os arquétipos que podem ou não serem incorporados a experiência pessoal e coletiva, desde que mantenham-se conscientes e num espaço psíquico e comportamental lúdico, pois é através do lúdico que podemos lidar com o niilismo no processo de individuação e assim experimentarmos uma total ausência de significados e de sentidos em nossas representações, relações, arquétipos e em nosso processo de individuação, sobretudo que hoje, através das artes, do cinema introjetamos arquétipos com novos significados e novos sentidos, que não escolhemos, pois não conhecemos a trama dos filmes e os introjetamos em nosso processo de individuação, como por exemplo, em filmes de super-heróis e alienígenas onde nossa experiência psíquica se vê em ¨trevas¨ e orgulhosa das proezas e maravilhas comportamentais desses personagens, a saída para lidar com isto é o niilismo!
(Mattanó; 05/04/2020).
Mattanó aponta que o sonho não tem apenas valores morais ou lúdicos, mas também afetivos e xamãnicos, que aborda o tema da morte, da ressurreição ou restituição, da origem do mundo e da gênese, da criação do mundo e do homem, da criação da vida e da relatividade dos valores e que eles quando interpretados num nível pessoal representam uma invencível dificuldade ministrada pelos poderes do coletivo e das imagens coletivas coletadas, por exemplo, através das experiências das tribos primitivas. Foi a partir daqui que se originou e se desenvolveu o processo de atribuir significado, sentido, conceito, comportamento, funcionalidade, simbologia, topografia, linguagem, relações sociais, Gestalt, insights, sonhos e interpretações dos sonhos, efeito despertador do sonho, dramatização e ritualização, mitificação, historicidade, história de vida, de grupo e de coletividade, pressupostos e subentendidos, conclusão e interpretação final dos sonhos e finalmente, cura através dos sonhos.
(Mattanó; 05/04/2020).
Mattanó aponta que assim como a vida o sonho é tão curto quando ela e retrata a vida e a morte, inclusive a ressurreição e os rituais de sacrifício e de transformação da morte em vida, por exemplo, os sonhos com Igrejas, pois a tradição histórica, religiosa e filosófica, antropológica e psicológica trata e retrata a vida e a morte a partir de diversas especulações que os sonhos lançam no seu curto espaço de manifestação onírico e de vida para a elaboração e cura dos traumas da vida e da morte.
(Mattanó; 05/04/2020).
Jung chama aos arquétipos de instintos e os instintos de percepções, mas Mattanó chama os arquétipos de formações do inconsciente, formações instintivas que nada tem de relação com a consciência, a não ser o motivo para desencadear suas respostas inconscientes e arquetípicas. Os arquétipos são construções da nossa mente inconsciente que prevalecem sobre a psique individual e sobre o meio ambiente, inclusive sendo desencadeados em forma de diversas línguas, mas com o mesmo significado e o mesmo sentido, com o mesmo conceito, variando à consciência e a realidade, mas não ao prazer.
(MATTANÓ; 17/07/2022).
Para Jung a psique não desconhece os vestígios da nossa evolução e eles aparecem em nossos sonhos, avisando-nos, por exemplo, de desastres, tragédias e da morte. Para Mattanó a psique é produto da evolução e carrega consigo os vestígios dela, tanto funcionalmente, quanto fisiologicamente, morfologicamente e comportamentalmente, pois herdamos estas características de nossos antepassados e de nossos ancestrais que foram se descobrindo e tendo a experiência dos sonhos em meio a tragédias, desastres e mortes sem explicações, mas que com o conhecimento e a sabedoria adquiriram outro significado e outro sentido, tornando-se janela do mundo inconsciente para o mundo consciente e comportamental.
(MATTANÓ; 17/07/2022).
Os sonhos servem para prognóstico e para nos avisar de alguma doença, conforme seus significados e sentidos e sua simbologia.
Os arquétipos servem para criar mitos, civilizações e nações, conforme seus significados e sentidos, conceitos, contextos, comportamentos e relações, e suas simbologias.
(MATTANÓ; 17/07/2022).
Os arquétipos foram construídos através dos seus significados e dos seus sentidos ao longo da história evolutiva do Homo Sapiens.
(MATTANÓ; 17/07/2022).
A alma do homem
Vemos que o homem costuma separar seus problemas da mesma forma que separa seus objetos e valores, em compartimentos, neste caso, psíquicos e virtuais, de modo a ajudá-lo a manobrar questões e assuntos delicados como a Cortina de Ferra e as guerras, numa atitude arquetípica que o ajuda a nomear todo este vasto e complexo sistema de valores e de comportamentos conscientes e inconscientes, tantos pessoais quanto coletivos. Este conjunto de contingências leva o homem a competir econômicamente, militarmente, politicamente e moralmente, gerando sofrimento e desgaste da máquina planetária, ou seja, da globalização, de modo que pode causar pandemias e doenças devastadoras como a da pulsão auditiva de Mattanó ou do covid 2019, e até guerras como a da Ucrância com a Rússia e da Palestina com Israel, dentre outras.
Temos dois mundos, o comunista e o nosso capitalista. O mundo comunista se esconde no mito e no arquétipo da Idade do Ouro tentando mascarar com uma ideologia rica em valores as diferenças individuais, levando-as a igualdade de valores e de riquezas, porém valiosas como o ouro. E o capitalismo vive o mito e o arquétipo do Estado de Providência onde as pessoas tem suas propriedades com base nos direitos e deveres administrados pelo Estado que assim Providencia os recursos e os bens para os indivíduos consumirem conforme suas riquezas e suas gerações e acúmulo, distribuição de riquezas, ou seja, economias. O mundo capitalista prevê a economia enquanto que o mundo comunista não endossa a economia.
Jung nos ensina que o homem tem apreço pelos pensamentos que não consegue provar, mas quando eles tem origem de algum idiota ele, o homem, se revolta e os ignora, até mesmo quando se tratam de crenças religiosas. Mas quando o idiota e suas idiotices estão santificadas o homem as seguem pois se identifica com a santidade e a idiotice, pois esse comportamento é infantil, dom
éstico e familiar.
A consciência tem o papel de formatar o seu papel na história, ou seja, o que você é e acredita, sua cultura, seu conhecimento e sua realidade, sua missão nesta vida e o seu futuro diante das demais gerações, transmitindo significados e sentidos que se perpetuarão enquanto essa mensagem tiver valor, significado e sentido para as gerações futuras.
O mito de homem-deus através de Jesus Cristo foi somente tornado vivo e realidade, pois já existia como Palavra e mito em outras tradições religiosas como as primitivas que tinham a deusa-mãe ou a egípcia que tinhas os faraós como deuses.
O mito tem suas origens no primitivo e foi aqui que ele já percebeu que não se tratava de realidade, mas de fantasias, de histórias como as que vieram depois com os filósofos e os contadores de histórias.
Os símbolos, assim como os afetos apresentam uma formação diferente da formação consciente em nossa mente, pois tem formações inconscientes que os identificam como símbolos e afetos.
Eis que para se compreender estes fenômenos teremos que compreender a vida, pois é esta a grande formadora de emoções e ideias simbólicas.
(MATTANÓ; 05/09/2025).
Jung esclarece que a prática clínica é bastante diferente da teórica que ainda é incompleta e insuficiente diante da grande realidade psíquica humana.
As imagens que produzimos em nossos sonhos são interpretadas segundo nossa maturidade, é esta quem produz significados e sentidos para os nossos símbolos e imagens oníricas.
(MATTANÓ; 05/09/2025).
A interpretação dos sonhos requer intelectualização, isto é, educação e formação profissional, já que demanda compreender a história de vida, do sonho e dos símbolos desse sonho quando for, então realizar o trabalho de interpretação.
Para realizar este trabalho incluo a cultura e a educação como formadoras da história desse indivíduo e da sua vida que parece ter significado e sentido ainda maior que apenas cultural e educativo. De fato, Mattanó inclui a filogênese, a ontogênese, o mundo virtual, a espiritualidade, a vida e o universo a cultura como formadoras de uma personalidade e de individualidade, passíveis de interpretação.
Contudo o caminho permite que utilizemos também a imaginação e a intuição, acredito que a sensibilidade também é pertinente quando abordamos a paranormalidade, desta forma o Homo Sapiens continua sua Trajetória da Vida e dos Heróis com a ajuda dos seus arquétipos, sendo que a imaginação, a intuição e a sensibilidade justificam-se como parte do seu mapa cerebral e dos seus caminhos cognitivos, ou seja, têm amparo cerebral, comportamental, fisiológico e morfológico, isto é, adaptativo.
A intuição pode ajudar na interpretação dos símbolos oníricos, mas por outro lado pode criar uma relação que Jung nomeou de ¨sonho mútuo¨ em função do ¨palpite¨ do analista, que para Mattanó se assemlha a uma relação onde o paciente e o analista se contaminam em seu investimento e contra-investimento inconsciente, que foge da realidade e do conteúdo do sonho, buscando outros conteúdos associados, que por exemplo, através da associação livre, podem construir redes de associações e de investimentos que apenas contaminarão a análise e a interpretação dos sonhos, indicando inabilidade e inexperiência do analista, ou mesmo incapacidade para realizar este trabalho.
Jung aconselha que toda teoria psicológica ou psicanalítica tenta explicar a mente e o comportamento humanos e que estão sujeitas a imperfeições e refutações, somente o trabalho acadêmico e científico podem garantir futuro destas teorias, pois as atualizam e as fiscalizam atentamente.
(MATTANÓ; 06/09/2025).
A função dos símbolos
Jung explica que temos dois tipos de símbolos, os símbolos naturais e os símbolos culturais. Os primeiros são herdados das imagens arquetípicas essenciais, do nosso inconsciente, das sociedades primitivas, enquanto que os símbolos culturais derivam da história da nossa civilização, eles funcionam como uma magia que desenvolve preconceitos, que ao serem negligenciados podem causar grandes problemas psicológicos para o indivíduo. Estas tendências comportamentais e psicológicas formam o que chamamos de ¨sombra¨ que representam os demônios para muitas culturas, religiões a tradições. Então as tradições sociais e culturais do homem moderno se desintegraram e hoje vivemos uma dissociação cultural, lingüística, da informação, do direito e das comunicações. Esta dissociação continua nas religiões através dos líderes religiosos que desprezam as ciências nomeando-as de demoníacas, mesmo salvando e curando muito mais do que as religiões.
Hoje em dia os objetos do mundo perderam seu poder simbólico, mas ao contrário os sonhos prevaleceram na vida psíquica e comportamental das pessoas como fonte incomensurável de riqueza simbólica para eles, favorecendo a crença em absurdos como monstros, fantasmas, lobisomens, bruxas, demônios, feitiçeiras, duendes, que são apenas substituições inconscientes. Temos tabus, projeções, ilusões, superstições, imagens e emoções que configuram arquétipos que nos comunicam modos de expressar a crença nestes absurdos simbólicos.
A numinosidade dos objetos, ou seja, seu significado e seu sentido apresentam-se conforma seu contexto e sua forma de analisa-los e interpretá-los, conforme sua linguagem que carrega consigo sua própria numinosidade a partir da socialização e do desenvolvimento cognitivo da criança que passa a atribuir significação aos objetos do seu mundo por volta dos 5 anos de idade.
È durante os sonhos que o indivíduo revive sua infância ou sua história com elementos dela em seus sonhos, aqui se processa o ¨processo de individuação¨ que reorganiza a mente do indivíduo com seus elementos arquetípicos conflitantes, de modo que se arrangem e se organizagem, gerando uma mensagem cósmica para esse indivíduo. Eis que a Psicologia deve estudar e compreender todos estes fenômenos e eventos físicos e psíquicos, comportamentais e culturais, naturais, evolutivos, seletivos e competitivos para dar uma boa explicação para sua comunidade científica. (MATTANÓ; 06/09/2025).
Curando a dissociação
Mattanó aponta que o homem desenvolveu um cérebro e um corpo capaz de criarem máquinas e tecnologias que geram dependência psicológica, emocional e comportamental delas em relação ao Homo Sapiens em suas habilidades, motivações e interesses, contudo foram também investidas de perigo para a humanidade.
O ¨homem conquistou a natureza¨ ou mais uma vez está sendo conquistado por ela? O homem conquistou Deus ou mais outras vez, Deus conquistou o homem? O homem conquistou o espaço e o universo ou será que o espaço e o universo estão conquistando o homem? O homem conquistou a tecnologia, ou será que a tecnologia conquistou o homem?
O homem conquistou o mundo ou o mundo conquistou o homem? Ou o homem conquistou o comportamento verbal e acabou sendo dominado e conquistado por este por causa das suas grandes obras e realizações, mantidas através do reforço e pelas suas consequências?! (MATTANÓ; 06/09/2025).
Osny Mattanó Júnior
Londrina, 06 de setembro de 2025.